ISTO É APENAS UM TESTE postado por walter em 12/04/02
ISTO É APENAS UM TESTE
Quem escolherá os réus para o julgamento e quem os julgará ? postado por walter em 11/04/02
TRIBUNAL INTERNACIONAL
Walter Galvani
Hoje em Roma, nasce uma esperança. Será oficializada pela ONU, a criação de uma Corte Penal Internacional que funcionará em Haia, na Holanda, aliás um endereço tradicional da justiça, lembremos que nosso herói brasileiro Ruy Barbosa era chamado “A águia de Haia” – e isso nos inspira bons pensamentos e os melhores propósitos no dia de hoje. Se bem que é verdade que deles o inferno está atulhado. Não deixa de ser entusiasmante, em especial para os inveterados otimistas, que surja uma corte capaz de punir criminosos internacionais.
A nova corte se propõe a julgar qualquer pessoa, independente do cargo, posição ou nacionalidade, caso os tribunais nacionais não queiram ou não possam fazê-lo ou não tenham condições para abrir processos com autonomia.
Quer dizer: estamos arrumando também uma fantástica fonte de incomodações e esta é para quem quer e não para quem pode...
Qualquer ditador, primeiro ministro, presidente ou general pode ser levado a este tribunal. O problema será deitar a mão nele. Mas se todos os países membros da ONU assinarem um tratado de extradição, o caminho começará a ser pavimentado.
Mas a corte não será um órgão da ONU e terá de prestar conta de seus atos unicamente aos países que ratificarem seu estatuto e à opinião pública internacional, é óbvio. A primeira oposição é dos Estados Unidos da América que temem julgamento para seus militares por causa das inúmeras ações que se tem empenhado no exterior.
Todos os governos de força conhecidos no Planeta, tenham ou não resultado de revoluções ou golpes de estado, que na operação de repressão aos opositores tenham se excedido, estarão sob a mira deste tribunal que, aparentemente será mais político do que efetivo.
O estatuto começa a vigorar a partir do dia 1º de julho e em setembro será celebrada a primeira assembléia dos que aderiram à iniciativa.
A Corte Internacional de Justiça poderá sentenciar pessoas, independente do cargo, posição ou nacionalidade, à penas até 30 anos de prisão ou, em casos mais graves, prisão perpétua.
Não me atrevo a elaborar a lista, mas se Ariel Sharon não se acalmar imediatamente acho que poderá inaugurar o incômodo banco dos réus... Mas tem mais gente boa na fila. Duvido que os judeus democratas que existem pelo mundo afora continuem apoiando o genocídio que está em curso na Palestina. Só no Bonfim (bairro de Porto Alegre, cidade-sede do Forum Social Mundial) tenho uma lista de milhares que, estou certo disso, não apoiam o ódio e a retaliação.
Se servir para a paz que venha o tribunal. E os demais que se cuidem, porque vai ter fila para sentar no tal banquinho...
É hora de chorar... postado por walter em 10/04/02
A Vitória do Computador
Walter Galvani
Este 10 de abril tem um significado todo especial na história da inteligência humana. Pelo menos na da inteligência artificial. Nessa data, há 5 anos exatos, ou seja no ano de 1997, quando a União Soviética já era uma ruína, um dos seus maiores orgulhos, dos poucos que restavam, era o campeão mundial de xadrez, Kasparov.
Pois os computadores da IBM, o mais pesado deles, o “Deep Blue”, ou o “Azul Profundo” como fora poeticamente batizado, bateu o campeão mundial.
Pela primeira vez ficou demonstrado que a inteligência artificial seria capaz de, em certas condições especiais, vencer ao ser humano. Foi arrasador para nosso orgulho como espécie. Afinal, criamos o computador, o “Deep Blue” tinha atrás de si os programadores da IBM, mas no comando também havia homens, é óbvio, mas o indiscutível é que o campeão foi à lona.
Kasparov esperneou, os demais mestres internacionais se indignaram, no entanto tudo isso foi inútil.
O “Deep Blue” dera uma demonstração prática do ponto que chegamos e do que ainda poderemos alcançar.
Bem, dali para cá já houve de tudo, mais meia dúzia de guerras, o Afeganistão, Israel versus palestinos mais uma vez, a derrubada das Torres Gêmeas, não encontraram a cura do câncer, da aids, do mal de parkinson, o Papa piorou muito mas continua o mesmo Wojtila, os chineses são cada vez mais numerosos, a IBM dispensou milhares de funcionários pelo mundo afora, não sei o que é feito do “Deep Blue” deve ser hoje uma montanha de “chips” inutilizados, mas o feito lá está.
Particularmente eu gostaria de que não houvesse acontecido. Queria que o Homem continuasse preponderando sobre os outros animais e sobretudo sobre as máquinas. Mas, não sei não... Com a aceleração do crescimento da inteligência dos cães (que daqui a pouco estarão falando, já que “comunicar-se” com os humanos já o fazem), com o que se sabe sobre os orangotangos e os chimpanzés, daqui a pouco o cetro máximo do xadrez vai para outras mãos...
Não é um dia para comemorar. Porque o desenvolvimento de tais máquinas para o bem, também pode servir para o mal. Conhecemos a Humanidade. Não é de hoje. Eu, pelo menos, há mais de seis décadas... Então já sei que podemos esperar sempre o pior.
Vejam o que ocorre no Oriente Médio. Será que os símios seriam capazes de guerrear-se daquele modo ?
Vamos lembrar bem então este dia 10 de abril em que o homem conseguiu perder para a máquina. Não é uma data para festejar. Mas é bom tomar nota, recordar os fatos, e botar nossas hipotéticas barbas, devidamente de molho...
postado por em 09/04/02
postado por em 09/04/02
É preciso verificar profundamente o que é de fato uma tradição válida e saber se aquilo engrandece uma comunidade. Tenho ouvido falar muito em "Farra do Boi". Como nas "touradas" espanholas, a pergunta é: constrói alguma coisa ? Vale a pena ? É alguma coisa "civilizada"? Não me importa que Hemingway tenha produzido belas páginas inspiradas na corrida de touros. postado por walter em 09/04/02
O BAILE DA RAMAGEM
Walter Galvani
Estando em Florianópolis, partilhei durante estes últimos dias da acirrada discussão em torno à chamada “Farra do Boi”, uma “festa (?) popular” que opõe durante dois ou três dias, nos feriados de Páscoa, alguns animais propositadamente adquiridos para tal finalidade e soltos para serem perseguidos pela população. Até à morte. Dois bois naturalmente. Apesar de proibido por lei, decisão do STF, a prática continua em ação em Florianópolis e em algumas cidades do litoral catarinense, nomeadamente Governador Celso Ramos.
Por falar em governador, Espiridão Amin manifestou-se a propósito do assunto dizendo que o seu governo protege os animais e em publicidade disse que “respeita a vida”. Mais claramente, o cartaz dizia: “Sou catarinense. Respeito os animais porque respeito a vida. Sou da paz.” Em carta ao jornal Diário Catarinense o governador mandou que uma senhora, representante da Associação Nacional de Proteção aos Animais, fosse cuidar da violência das ruas cariocas...
Isso me faz lembrar o “Baile da Ramada”, uma antiga canção popular rio-grandense que falava em tiros, coices, bofetadas e outras elevadas manifestações “culturais” da “grossura” que nada tem a ver, na verdade, com as caras tradições gaúchas que os CTGs se encarregaram de espalhar e representar pelo país afora. E agora até pelo mundo, porque sei da e4xist6encia de CTG até na Califórnia.
Quanto à “Farra do Boi” acho bom pensar duas vezes. É verdade que existe a “Tourada” na Espanha, mas lida-se com touros e não com bois, em primeiro lugar... Em segundo lugar, há a tal “Corrida do dia de San Fermín”, em Pamplona, que muito se assemelha à “farra do boi” catarinense, sem que uma coisa legitime a outra. No caso, também se trata de touro e não de boi...
Vamos mais longe: se é para imitar ou seguir tradições, então é melhor pôr de lado esta de touradas, porque hoje no mundo inteiro se levanta a opinião pública contra a “fiesta” espanhola. Lá também o touro é submetido aos maiores vexames e crueldades. Só é entregue ao toureiro para a girada final, depois de haver sido enfraquecido e ridicularizado pelos banderilheiros e outros “valentes” que já o fizeram perder sangue e forças.
Não sei se de fato os Açores ainda preservam este selvagem costume de perseguir um animal indefeso, levando-o ao sofrimento, a dor e à morte. É de ver-se. Prometo investigá-lo.
Quanto à “Farra” catarinense posso informar que 3 foram presos. Três bois, naturalmente...
Pincei na data de hoje, Mozart, Pedro I de Portugal, o Justo e a descoberta da Florida que os americanos pronunciam "Flórida"... postado por walter em 08/04/02
COSI FAN TUTTE
Walter Galvani
Assim fazem todos. Ou seja: “Cosi fan tutte”. E assim se tem desculpas para tudo e para todos. A ópera mais difícil de Mozart e aquela que tem o mais claro recado psico-social teve uma estréia de gala em Lisboa em 1985, quando foi pela primeira vez representada por um elenco de profissionais locais, duzentos anos depois de haver sido criada. Viviam-se os primeiros anos pós revolução dos Cravos Vermelhos, já existias ambiente e a censura fora abolida. Não fora isso, o revolucionário recado de Mozart não poderia ser levado à cena.
A força de um artista está aí bem explicitada. Duvido que se representasse hoje esta ópera no Brasil, em primeiro lugar porque o gênero está um pouco abalado em sua popularidade: as pessoas preferem “A Casa dos Artistas” e o “Big Brother”, ou as lágrimas de crocodilo do Romário. Mas, bem que este país merecia uma reposição do “Assim fazem todos”, basta percorrer a nossa área política para colecionar impressões de que é assim mesmo.
Mas a data de hoje nos remete também para outros dois fatos da História, capazes de demonstrar que nem sempre foi assim.
O primeiro se refere ao ano de 1357. Nascia um menino, batizado logo como Pedro e com este nome ele viria a ser Dom Pedro I, de Portugal. Sabem o que fez o jovem Pedro ? Apaixonou-se pela dama de companhia de sua esposa. Numa ausência ela foi morta a mando de políticos, com a anuência do seu próprio pai, pois, em sendo espanhola poderia contribuir para uma incômoda aproximação do seu país com a Espanha, quando o jovem chegasse a rei. Pedro voltou de viagem e, vocês todos sabem a continuação da história, “era tarde, Inês é morta!”
Só que ele não estava disposto a lavar as mãos, esquecer, fazer como todos. Quando chegou a Rei, buscou a vingança.
Desenterrou-a, fê-la sentar-se no trono e ordenou a seus nobres que, em fila, beijassem-lhe as mãos. “Depois de morta foi rainha! “- escreveu Luís Vaz de Camões.
Levou sua vingança adiante: arrancou o coração dos matadores de Inês e comemorou seu feito em Coimbra.
“Cosi fan tutte”? Não, a maioria deixa por isso mesmo. Não era o caso do jovem nascido a 8 de abril, há 645 anos e cuja memória, por isto mesmo, jamais foi esquecida. Nem a de Inês.
Como Mozart não será nunca olvidado e por outros motivos, também aquele aventureiro espanhol, Ponce de Leon que ocupou a península da Florida em nome do seu rei, num 8 de abril. Ano: 1513. Para sorte dele não viveu para verem mudar o nome de sua terra “descoberta” de Florida, como ele batizou-a por ser cheia de flores, para “Flórida” como pronunciam os americanos.
Os mesmos que estão pensando à esta altura que são os xerifes do mundo. Pena que suas próprias criaturas não os obedeçam... Vide estado de Israel que está surdo aos apelos do cow-boy...
Continua a matança, a pobreza endêmica, a desnutrição, a guerra, no dia em que a Organização Mundial de Saúde completa 54 anos postado por walter em 07/04/02
SAÚDE. SAÚDE ?
Walter Galvani
Parece mentira que o Dia Mundial da Saúde esteja sendo comemorado hoje, mais uma vez, com mais da metade do mundo padecendo justamente de problemas dessa área. E isso porque os governos, teimosamente, seguem considerando outras áreas prioritárias (construção de estradas, viadutos, pontes ou remunerando regiamente seus parlamentos ou, o que é muito pior, equipando seus exércitos, matando) enquanto sua população padece.
O exemplo de Cuba deve ser lembrado nessa hora, ainda mais quando se sabe que no dia 16, portanto daqui a nove dias, haverá a votação de uma moção que a condena por causa dos “direitos humanos”, que estaria sendo apresentada pela Argentina, Uruguai ou a Costa Rica. Nenhum deles parece muito disposto a assumir esta missão que lhes teria sido designada, ao que dizem os cubanos pelos Estados Unidos. Mas o fato é que a tal moção tem este prazo para aparecer e ser votada.
Enquanto isto os direitos humanos são desrespeitados para valer no território palestino, onde cada dia morrem cinqüenta, sacrificados pela questão territorial que opõe o país nascente e o estado de Israel.
Direitos humanos que são vitimados todos os dias nas ruas brasileiras – e não vejo razão para os cariocas se oporem à historieta dos Simpsons, que está programada para ir ao ar em junho e que conta a visita deles ao Rio de Janeiro com as conseqüências que, sabemos, afeta estrangeiros e... brasileiros que caem na louca loteria da insegurança da antiga capital.
Eu sei porque o Rio ficou assim. Agora, não permitir que os de fora falem do assunto é o mesmo que leva o governador de Santa Catarina, Espiridião Amim a se pronunciar contra uma senhora carioca que preside a Associação Protetora dos Animais e que ousou reclamar da “Farra do Boi”.
A propósito: atenção Açores! Ainda existe aí a “Farra do Boi” ? Ou seja, ainda matam animais em plena rua numa euforia generalizada de gente a persegui-los ?
Em vez da “Farra do Boi” então eu gostaria de ver a “farra do touro”... Pequena diferença, não é mesmo ?
Mas este assunto já é com os “direitos dos animais”. Voltemos aos direitos das gentes. Então vamos comemorar outro Dia Mundial da Saúde com gente morrendo de fome, de dengue, de guerras, de desnutrição. Há gente que sobrevive, 2 bilhões, com menos de 2 reais e 30 centavos por dia. Façam a conta.
Enquanto isto Israel gasta o dinheiro que recebe dos judeus de todo o mundo em canhões, bombas, tanques, aviões. Será que é para isto que sde remetem fundos do mundo todo para o Oriente Médio ?
Ariel não merece o nome que tem. Não é espírito dos ares. Ao contrário, me parece muito mais Caliban do que Ariel...
Shalon! meu caro Sharon...
Continuemos com os olhos e o coração postos no Oriente Médio. Parece que Bush deu um pouco mais de ênfase à sua cobrança de Israel, uma tentativa de conter o ímpeto belicista de Ariel Sharon. Metade mais um dos judeus de todo o mundo discorda das posições do primeiro ministro de Israel. Vamos ver o que nos reserva a sexta, dia sagrado dos muçulmanos e o sábado, dia sagrado dos judeus. Queremos a paz. Não só no Oriente, mas principalmente no Oriente, hoje. Lembrando que ali nasceram as perigosas religiões monoteistas, com suas exigências e o seu fanatismo, ao lado dos seus notáveis códigos de ética. Que nem sempre são cumpridos. postado por walter em 05/04/02
Quando se entenderão no Oriente Médio ? Reuniões e mais reuniões, enquanto os tanques avançam e troam os canhões... postado por walter em 04/04/02
TARDE DEMAIS
Walter Galvani
Os vinte e dois ministros de Relações Exteriores das nações árabes pretendem realizar uma reunião depois de amanhã no Cairo, capital do Egito, para decidir o que farão no caso do ataque de Israel aos palestinos em resposta aos atos terroristas cometidos por defensores da causa de Yasser Arafat. Ontem, 57 membros da chamada Conferência Islâmica, reunidos na Malásia, emitiram uma forte declaração que, no entanto, não põe fim ao conflito e sequer define o que é terrorismo.
Na verdade esta é uma questão que está na base de toda a discussão e pode inviabilizar tanto o que sucede no Oriente Médio como em qualquer parte do mundo. Os defensores dos direitos das minorias alegam que há um “terrorismo de estado” e este é caracterizadamente desenvolvido por Israel e pelos Estados Unidos e contra eles é lícito realizar ações de defesa, neste caso aquelas praticadas por pessoas que lançando artefatos mortais ou se auto-transformando em bombas, atuam em nome de princípios, doutrinas ou postulados regionais ou nacionais. O campo para discussão é vasto e não foi resolvido em Jakarta como não o será no Cairo. E, suspeito, quando acontecer a reunião na capital egípcia será tarde demais para Arafat e o projeto de estado palestino.
Israel tem um conceito de segurança desenvolvido pela prática ao longo do tempo, desde que Bem Gurion desembarcou com as tropas judaicas para estabelecer o estado sionista na região. De nada adianta o debate sobre direitos históricos, a lei do mais forte é que há de se impor, sejamos realistas. Neste sentido, pareceria simples imaginar que todos os estados árabes unidos, somando uma população centenas de vezes maior do que Israel, simplesmente imporiam um bloqueio e uma ação bélica que os levaria à vitória. Até poderia ser, mas não à paz. E nem tampouco ao aniquilamento dos seguidores de Ariel Sharon.
A União Européia, tanto como a própria ONU, enviaram observadores, hoje e amanhã estarão “visitando” o “front”, que aliás é tão móvel quanto se possa imaginar numa guerra moderna, mas acho que todos acabarão se refugiando na Basílica da Natividade, onde depondo as armas pessoais estarão protegidos segundo o arcebispo local, de cuja palavra duvido porque acho que não tem como sustentá-la. Nem a “a bandeira do MST” e o colono gaúcho salvam Arafat...
A menos que os Estados Unidos, principal apoio de Israel, corte imediatamente qualquer tipo de ajuda e apoio militar. Que de repente, George Bush se transforme num grande estadista e intervenha.
Esses são os fatos, “alea jacta est” – os dados estão lançados.
O Egito fornece anualmente 15 milhões de toneladas de petróleo aos israelenses – não de graça, naturalmente, é uma operação comercial de venda, mas estrategicamente muito importante neste momento. Se na seqüência do corte de relações, for suspenso o fornecimento de combustível, os tanques pararão de mover-se.
É toda uma conjuntura, mas numa guerra, segundo Júlio César, “os acontecimentos importantes resultam de causas triviais”. Nada mudou nestes últimos dois mil anos. Prefiro escutar a sabedoria de César e ver no que vai dar.
Mas, acabo de recusar um convite para viajar com todas as despesas pagas até Jerusalém e Belém.
Se Cristo nascesse agora na certa não atingiria a maioridade... Morreria muito antes da idade útil de ser levado a uma cruz pelos romanos...
Jogamos fora nossas vidas, sem sequer perceber que erramos e poderíamos acertar. Basta mudar nossas perquenas vidas. Falo nas notícias sobre violência e crime, guerra e mais guerra postado por walter em 03/04/02
Tempo desperdiçado
Walter Galvani
Teofrasto, filósofo grego que morreu em Atenas no ano 387 A . C. e sucedeu a Aristóteles na direção do Liceu, escreveu com imensa propriedade que “o nosso gasto mais dispendioso é o tempo”. O único bem perecível e que não tem reposição. Até o petróleo, energia que move nossas máquinas, embora suba de preço com a instabilidade do Oriente Médio, quando estiver esgotado será substituído por outra fonte, outro combustível.
Mas e o nosso precioso tempo que gastamos inutilmente, sentados diante de um aparelho de televisão ou lendo jornais e escutando rádios, para saber que o mundo gira sem parar e que os homens continuam se matando ?
Não há nenhuma reposição para este precioso bem.
Tomamos conhecimento dos horrores diários e isto não nos torna melhores. Os bandidos ganham espaço na “mídia”, mais espaço que qualquer médico, cientista, escritor ou artista. Nenhum nome da Música, das Artes ou da Literatura a não ser que morra em circunstâncias trágicas, ganha primeira página dos jornais ou mais do que quinze segundos de tevê.
Porque ? Ora porque o homem não sabe administrar o seu tempo pessoal e o dos outros. Porque não lhe interessa, na verdade, porque estamos cada vez mais pobres e mais pobres ficaremos. Porque somos liderados por gente de baixa extração e porque não há nem perspectiva de mudança. E porque os interesses econômicos se sobrepõem às reais necessidades populares.
Fazer o quê ?
No mínimos demonstrar nossa inconformidade. E é o que começo a fazer aqui. Aliás, é o que venho fazendo há muito tempo. E se o leitor concorda com meu ponto de vista (ou dele discorda) mande dizer. Escreva para walter@cpovo.net
Vamos discutir o tema. E ver a que chegaremos.
Dia Internacional do Livro Infantil, eis o que comemorar hoje. Se acreditarmos em futuro, eis o caminho postado por walter em 02/04/02
LER E APRENDER A VIDA
Walter Galvani
Hans Chrstian Andersen talvez seja o caso mais bem acabado de sucesso como escritor de histórias para crianças do mundo e por isto me parece muito bem escolhida a data de hoje, 2 de abril, para celebrá-lo instituindo o “Dia Internacional do Livro Infantil”. São poucos os que não conhecem por haverem lhes contado as narrações deste dinamarquês genial que hoje seria um J.K.Rowling de muito maior porte ainda. Para isto bastariam “O Patinho Feio”, “A pequena sereia” e sobretudo o fantástico “Pequeno Polegar”, entre outros. Andersen nasceu em 1805 em Odense e morreu em Copenhague, capital da Dinamarca, setenta anos depois.
Imaginação, graça, criatividade e uma certa melancolia, foram suas marcas principais, que fizeram a delícia de quase duzentos anos de leitura e portanto, de quinze gerações.
Hoje há o “Harry Potter” (Rowling) e por certo “O Senhor dos Anéis” (J.R.R. Tolkiens) , por vezes nem tanto para crianças, mas à elas dirigindo seu apelo básico e como fenômenos engajados no sistema moderno, beneficiados pela “mídia” global, explodiram no imaginário e nas estantes do mundo ocidental. Principalmente onde sobra algum dinheiro para comprar livros e onde exista o hábito.
Em Porto Alegre temos batalhado neste sentido nos últimos anos e graças aos autores que tem se dedicado à literatura infantil, como Antônio Hohlfeldt, Carlos Urbim, Jane Tutikian (esta mais para o público adolescente) e sobretudo Maria Dinorah, à cada Feira do Livro se comemora o crescimento das vendas.
O pioneiro em nosso país foi Monteiro Lobato e por isto o mês de abril dedica duas datas ao livro infantil: hoje, por causa de Andersen e o dia 18, nascimento de Lobato, que neste ano completaria 180, naturalmente se vivo fosse. E quem não conhece, ao menos de ver na televisão, o “Sítio do Picapau Amarelo”?
Entendo que há aí benefícios que vem se produzindo e multiplicando nestes anos todos, fazendo crescer o círculo dos futuros leitores. Não canso de dizer o quanto o livro pode ter significado no aprimoramento das pessoas, tanto como criaturas humanas quanto como profissionais que entram no mercado onde, cada vez mais, a diferenciação pessoal é o toque fundamental para assegurar uma carreira. Leiam pois, é o único conselho que sei dar. Mas leiam tudo o que lhes cair nas mãos.
Podem ler até jornais... – cuidando para não se deixar envenenar pelos enganos dos políticos e os excessos das páginas de polícia – sempre se encontra uma crônica, uma notícia positiva, um fato que precisa ser conhecido e compreendido.
Além disso, é preciso também aceitar que o jornalismo moderno também tem contribuído para a difusão da leitura, com a cobertura dada a escritores, prêmios e concursos literários, reuniões de academias, palestras, discussões e congressos.
Pensem por exemplo no que representa a Jornada Nacional de Literatura que se realiza a cada dois anos em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, quando 4.000 pessoas discutem livros sob uma lona de circo durante uma semana ?
E as feiras do livro, de Porto Alegre, de Lisboa, de Buenos Aires, de Guadalajara, de Frankfurt, de São Paulo e do Rio de Janeiro ? E também as mais modestas, desde as pequenas cidades como Tapera, no interior gaúcho até Camaquã ou Canoas, Gravataí, enfim são tantas.
Como diria Castro Alves, viva o livro “este audaz guerreiro, que conquista o mundo inteiro, sem nunca ter Waterloo!” – mas já é preciso que se leia algo para entender o que significa “waterloo”...
Boa leitura, crianças e jovens! O mundo vos espera.
Que bom que as manchetes de hoje fossem apenas ingênuas brincadeiras de Primeiro de Abril ... postado por walter em 01/04/02
DIA DA MENTIRA
Walter Galvani
Nos meus tempos de criança, meio século ou mais atrás, eram tradicionais as brincadeiras no pátio do colégio ou nas salas de aula, neste primeiro dia de abril. O Dia dos Bobos conservava um espaço especial em nosso coração. Mudaram-lhe o nome, agora é o “Dia da Mentira”, nos Estados Unidos é o “Dia dos Loucos” como em outros lugares tem outros títulos, sempre com o mesmo propósito de brincar com a seriedade e desconstruir uma realidade incômoda ou pesada.
Uma escola em Florianópolis, adequadamente partiu para a idéia de analisar e discutir em aula o significado desta brincadeira universal que diverte e ao mesmo tempo faz pensar.
O tema é encarado com tal seriedade que eventualmente ocorre até a troca de sopapos ou até desentendimentos mais sérios por causa da brincadeira ingênua que está por trás.
Evidentemente que gostaríamos que as manchetes de hoje fizessem parte, todas, do esquema do dia 1º de Abril e que não tivessem a seriedade que infelizmente tem. Que não fosse verdade, mas que apenas divertimentos do dia a informação de que tantos ainda morrem de fome ou que homens e mulheres-bomba fazem vítimas por motivos políticos ou que tanques arrasam aldeias inteiras ou destroem cidades. Ou então que os homens continuem a se matar, a destruir, por território, por dinheiro e por poder.
Brincadeiras também seriam as notícias sobre os seqüestros, assaltos, acidentes, assassinatos no Brasil. A morte de crianças por falta de alimentos, as vítimas da dengue, a pobreza e a ignorância.
Perdeu a graça o Dia dos Bobos, mas já foi tão forte no Brasil que até um movimento revolucionário que acabou em golpe de estado em 1964 foi antecipado para o dia 31 de março para não coincidir com o primeiro de abril e assim receber uma pecha da qual jamais se teria livrado. E olhem, aquilo não foi brincadeira, não...
Para a América Latina toda, o “Dia dos Bobos” ou “Dia da Mentira” é de uma espantosa realidade. Algo que o “realismo mágico” de Gabriel Garcia Marquez ou Julio Cortazar não conseguiria explicar.
É um bom momento de reflexão.
Todos temos responsabilidades no Oriente Médio. Em especial o Brasil que presidiu a sessão da ONU em que foi criado o estado de Israel, a Inglaterra que repartiu as terras quando se retirou e os Estados Unidos, que afinal, atribuem-se a liderança do mundo ocidental. postado por walter em 28/03/02
O ORIENTE PRÓXIMO
Walter Galvani
Num dia morrem 19, porque um guerrilheiro-suicida explodiu-se levando todos para o inferno ou para o céu, como queiram. No outro, os tanques arrasam um acampamento, porque dali pode ter partido o atacante. No dia seguinte mata-se alguém num bar do centro da capital e no outro um ônibus vai pelos ares, e então morrem trinta ou trinta e seis. A contabilidade é variável, há dias que são comemorados porque foram apenas quatro mortes e nas fileiras “inimigas”.
Esta é a vida no Oriente a que nos acostumamos a chamar de Médio, porque também há o Próximo e naturalmente todos nos parecem “distantes” o suficiente da nossa “civilização” e portanto de tais problemas estamos livres, isentos.
Pois não estamos. Quando nos servem diariamente ao café da manhã esta dose de horror, estamos ficando menores, diminuindo nossa importância humana. Impotentes individualmente continuamos a suportar o que nos toca, na esperança inútil de que no dia seguinte a Humanidade terá criado juízo.
Abrimos o jornal, assistimos à televisão, e a monótona repetição das desgraças já banalizou a tragédia. Não há o que dizer.
Há talvez o que fazer.
A responsabilidade é geral. De todos os povos envolvidos, das suas religiões, dos que dividem o poder nos corredores e gabinetes da ONU. Dos que se atribuem missões internacionais e responsabilidades. Dos que ajudaram a criar a situação.
A questão árabe-judaica não é apenas uma troca de terrenos ou localização de populações, não é de apelar para uma convivência pacífica entre desiguais, nem de uma aceitação dos diferentes, do fim de discriminações.
José Saramago tocou no ponto na sua segunda manifestação, quando afirmou: “Ter 100 mil palestinos obrigados a se espremer em três quilômetros quadrados em Gaza, enquanto nas colônias israelenses ao redor, tudo é iluminação, amplitude e conforto, ao lado de extensões relativamente grandes de aldeias arrasadas pela estratégia da expansão e domínio israelense.” Completou dizendo que a “dominação israelense é a forma mais perversa de apartheid”.
Vamos por partes: há uma diferença enorme, quilométrica, entre a ciência e a tecnologia de Israel e a de seus vizinhos. De um modo geral a demora cultural entre aquelas comunidades é da Idade Média para o Mundo moderno, centenas de anos. Nem todo o dinheiro acumulado pelo petróleo pelas nações árabes mudou esta proporção, porque os direitos do ouro negro serviram para enriquecer algumas famílias, mas tarda em chegar ao povão.
Só a demonstração de poderio e riqueza, portanto, já choca e agride. Nem era preciso reagir ou atacar, agredir ou responder aos ataques. Nenhuma bomba é mais destruidora do que a simples comparação entre a riqueza extrema e a pobreza absoluta.
Deus, Jeová e Alá não são a mesma pessoa, nem o mesmo deus. Cada um nasceu à sua maneira, e exclusivistas como são, afinal comandam as três maiores religiões monoteistas, querem tudo para seus seguidores e procuram “converter” os “infieis”. Aceitação, compreensão, tolerância ? Palavras difíceis aqui no Ocidente, porque iriam ser palatáveis no Oriente Médio, Próximo ou Extremo ?
Não vejo solução, não sou otimista. Para onde olho enxergo muita falta de vergonha e interesses comerciais apenas. Não creio que os homens se entendam, pois nunca se entenderam, sempre lutaram entre si como feras. Como aliás as feras só o fazem por territórios. Ou seja: não há muitas diferenças.
O escritor Alcy Cheuiche e a Reforma Agrária, uma oitava edição de livro, um milagre no Brasil e uma questão irresolvida por falta de ação e vontade. postado por walter em 27/03/02
ANAS E JOÕES SEM TERRA
Walter Galvani
Em outubro de 1990, na Feira do Livro de Porto Alegre, o escritor Alcy Cheuiche apresentava ao público o seu romance “Ana Sem Terra”. Uma visão política e sociológica, além do sentido de oportunidade, haviam levado o grande escritor gaúcho a apresentar seu trabalho, baseado no problema dos colonos sem terra, mais claro e identificável no Rio Grande do Sul, por ser este estado o mais atingido pela questão agrária, apesar da sua antiga posição (hoje contestada pelos concorrentes diretos Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul), de celeiro do Brasil.
O escritor Alcy, apesar de toda a sua ligação familiar e pessoal com o campo e a atividade pecuária e agrícola, teve a sensibilidade e a coragem para identificar a questão e apresentá-la à discussão do público, quando ainda estava bem ardente na memória da população a intervenção dos chamados “revolucionários” de 64, o que tornava qualquer questão social um perigoso caso de polícia.
O livro recebeu a consagração popular pela sua oportunidade e no próximo dia 22 de abril será alvo de homenagem e debate no Instituto Estadual do Livro por ocasião do lançamento da sua oitava edição.
Ora, se é uma raridade no Brasil um livro chegar à segunda edição, imagine-se, como no caso, à oitava.
Ganha mais do que nunca importância quando o debate deixa de ser literário ou de fortuna crítica do escritor para que se retome a questão das anas e dos joões sem terra deste país imenso que não sabe ou não quer fazer uma reforma agrária. Poderia fazê-la, sem dúvida, com a simples utilização das terras devolutas e o mesmo que se prometeu – e em muitos casos não se cumpriu – no século XIX aos colonos europeus, vindos da Alemanha e da Itália. Terras, sementes, ferramentas e no caso do século XXI, máquinas agrícolas, sejam elas de uma cooperativa estimulada ou do próprio governo, eis tudo o que se necessita, mas junto a isto uma imensa vontade política e capacidade técnica.
Não sei o que falta ao governo. Sei o que falta à Ana, a sem terra, a do Alcy Cheuiche que, contou-me o escritor gaúcho, pediu permissão à dona Mafalda, viúva de Erico Verissimo, para utilizar o trocadilho com a Ana de “O Tempo e o Vento”, aquela sim uma mulher com alguma terra, e uma das nossas ancestrais, formadoras da gente e da mentalidade do estado mais meridional do Brasil. Como sou lido – graças à Deus e a Internet – pelo mundo todo, neste caso felizmente globalizado, preciso dar esta explicação.
No caso da invasão da fazenda dos “parentes do presidente da república”, que tanto agitou a “mídia” e a opinião pública brasileira nesta semana pré-Páscoa, houve pronunciamento de autoridades que não se verificaram em casos semelhantes ocorridos, por exemplo no Rio Grande do Sul e é isto que espanta.
Condena-se, e com razão, a invasão da propriedade produtiva, o uso das instalações e o consumo indevido de alimentos e bebidas. Além disso, reprovável sem dúvida a exibição de uma ocupação ostensivamente política.
O ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Superior Tribunal Federal, disse que “os manifestantes não respeitaram sequer a intimidade da residência”. E no caso das “invasões” de Bagé, São Gabriel e tantas outras no Rio Grande do Sul ? Porque não se manifestou com tanta presteza e eficácia o ministro ?
Por falar nisto, Aloysio Nunes Ferreira justificou a ação policial: “A polícia é obrigada a agir, prender, senão estaria cometendo crime de prevaricação.” E o presidente da república, “Manifestações radicais como esta agridem o Estado de direito e a democracia, e ferem a cidadania no seu sentido mais amplo.”
Pena que o presidente e os seus ministros não tenham feito tais declarações quando outros cidadãos, mais comuns por certo, foram atingidos, tiveram suas fazendas ocupadas.
É claro que os integrantes do MST querem o filé mignon das terras brasileiras. Mas, aí entra a cidadania, o estado de direito e a democracia, os direitos de todos, a ordem. Ao Estado cabe zelar pela aplicação da lei igual para todos. E promover a justiça, a distribuição eqüitativa de oportunidades.
O sucesso do livro de Alcy Cheuiche em oitava edição e os novos fatos que mexem com a opinião pública do país, mostram o quanto ele estava certo e a importância do nosso voto em outubro, única arma para lutar pela igualdade de todos os cidadãos do país. E também para demonstrar a necessidade, urgência e conveniência de uma reforma agrária reclamada há tantos anos e causa de tantos conflitos.
Alcy dedicou seu livro de 1990 a Marco Rodrigo Toledo (nove meses), Alexandre Batistella (cinco meses), Jaime Rohden (cinco anos) e Marisa Garcia da Rocha (quatro meses), que, “num dia ensolarado do mês de fevereiro de 1989” morreram envenenados quando “um avião agrícola sobrevoou o acampamento dos colonos sem-terra no Rincão do Ivaí, abrindo sobre eles seus esguichos de pesticidas”.
O escritor encerra assim sua comovente dedicatória: “à memória dos quatro pequenos ex-combatentes”.
Nestes 12 anos o que foi que mudou ?
Os leitores do Brasil bem o sabem: nada. Só piorou.
Para os de fora: 2.000 anos depois da primeira reforma agrária dos romanos, aqui ainda nada foi feito...
Enquanto vivemos aqui este lindo e alegre outono, o mundo pega fogo lá fora... Prestem atenção nas palavras de José Saramago, o único escritor de língua portuguesa a conquistar o Prêmio Nobel de Literatura postado por walter em 26/03/02
O SAL AMARGO
Walter Galvani
Não é por nada que em Portugal, na intimidade dos círculos jornalísticos e literários, chamam o Nobel José Saramago de “sal amargo”. E não será por acaso também, que ele fará jus a tal apelido. Os portugueses, para quem não os conhece na intimidade, dizem “lá as suas coisinhas” e são extremamente práticos, objetivos e claros ao externarem seu pensamento.
Quando vi que Saramago integrava o grupo de intelectuais que visitaria a Cisjordânia, imaginei que ele e todo o grupo, onde pontificava outro Nobel, Woyle Sinke, abalariam o mundo com a sua presença. Não deu outra, mas sobretudo pela declaração do único escritor da língua portuguesa distinguido com o prêmio máximo da literatura mundial.
Saramago desceu do muro e disse que os israelenses, no caso da ocupação de Ramalah, da prisão domiciliar que impuseram a Yasser Arafat, estão agindo tal como os alemães fizeram com os judeus na guerra 39-45.
Pode-se imaginar o abalo que tal declaração causou no Oriente Médio e no mundo todo. Aliás, a começar pela entrevista coletiva onde o grande escritor fez tal declaração, que foi abalada pela retirada de uma jornalista israelense e protestos de outros.
Os intelectuais ocidentais estavam realizando uma visita de apoio ao escritor Ahmud Darwish, um grande nome da etnia árabe, também ele reduzido – como seu povo – à uma situação difícil em meio à guerra.
Ora, ninguém quer guerra, ainda mais à porta de sua casa. Ou na casa ao lado.
A visita tinha o sentido e o objetivo de mexer com a opinião pública mundial e podem estar certos de que isto foi alcançado. A menos que se tapem os olhos e se imagine que ainda pode ser pior. Pode mesmo. E para o mundo todo, se continuarem a buscar solução radical para questões que o diálogo – e penso em gente civilizada – deveria presidir.
Saramago fez o mundo pensar. Honrou, mais uma vez, seu apelido nacional.
Uma grande festa do cinema, mas e as injustiças ? postado por walter em 25/03/02
POLITICAMENTE CORRETO
Walter Galvani
O “Oscar”, sempre se soube, é um prêmio político e comercial que visa beneficiar o cinema como indústria e apenas roçar com suas pesadas asas do interesse, a chamada Sétima Arte como tal.
Assim sendo, é redundância dizer que os “Oscar” deste ano foram tentativas de correção, a busca do chamado “politicamente correto” pelos americanos. Dar o prêmio a Denzel Washington e a Halle Berry, com isto destacando de uma vez só dois atores negros, justamente no dia em que também se lembravam de chamar Sidney Poitier para um “Oscar” especial, por ter sido até então o único negro premiado, é uma forma um pouco descarada de mostrar publicamente o quanto o cinema é agradecido aos negros. Mentira. O cinema americano é uma arte de brancos, de preferência wasps (ou seja White, Americans, Protestants) e até aqui sempre foi o mundo das loiras, com raras exceções para uma que outra “brazilian bombshell” como era chamada a luso-brasileira Carmen Miranda ou a Jeniffer Jones atual ou qualquer outra beldade latina.
Os seus grandes diretores, John Ford, Henry Hathaway, Cecil B. de Mille, Steve Spielberg ou importados como Fritz Lang ou Ernest Lubitsch, sempre foram brancos, caucasianos, europeus ou descendentes. E seus astros e estrelas, desde Cary Grant até Russel Crowe, passando por Tyrone Power ou Humphrey Bogart, brancos, branquíssimos.
De vez em quando aparece um negro para provar que eles são democratas. Portanto, nada de mais, nada de importante.
Sidney Poitier é um grande astro do passado e tanto em “Ao mestre com carinho” quanto em “Adivinhem quem vem para jantar”, prestou-se generosamente para uma abertura que não chegou.
Premiar agora dois negros é uma iniciativa política, não que os premiados não tenham valor. Não se trata disso, mas uma vez mais de hipocrisia apenas.
Amanhã ou depois os negros serão tão discriminados como até agora o foram. A única diferença, que não sei se é vantajosa para a raça negra é que agora não podem ser chamados de “blacks” ou “negros”, são tratados de “afro-descendents”. Foi isto que mudou.
Continuam também a fazer papéis como os negros brasileiros em nossas novelas de televisão: são motoristas, empregados domésticos, lixeiros, varredores. Os papéis que os brancos não querem desempenhar na vida real e que repassam para os pretos, também não são cumpridos na tevê.
Assim vai a vida e os “politicamente corretos” que cumpram a parte que lhes toca. Hollywood continua sendo Hollywood.
Não é por acaso que alguns dos maiores diretores de todos os tempos, Orson Welles, autor de “Cidadão Kane”, este um dos 10 melhores da história do cinema, só por exemplo, jamais levou uma estatueta do “Tio Oscar” para casa...
Salim Miguel, hoje talvez o maior nome das letras catarinenses, perfila-se ao lado de Cruz e Souza e recebe aos 50 anos de carreira nosso preito de admiração. E assim festejamos os 276 anos de Florianópolis postado por walter em 24/03/02
A LUZ, FLORIANÓPOLIS
Walter Galvani
Comemorei o aniversário de 276 anos de Florianópolis, a bela capital que esqueceu porque foi ofensivamente batizada com o nome do seu opressor, almoçando com o notável escritor e melhor criatura humana, Salim Miguel. Eu, a Carla Irigaray, minha companheira de todas as horas e Eglê, a esposa do Salim, ambas nossas primeiras e duras críticas literárias. Pois merecem a nossa confiança, não é mesmo Salim ?
Mas o momento mais emocionante da nossa visita ao Salim foi a permissão que nos deu Eglê para que penetrássemos no recinto sagrado da sua biblioteca em Cachoeira do Bom Jesus.
Saí de lá carregando o livro “Salim na claridade”, editado pela FCC com 24 depoimentos comemorando os 50 anos de atividade literária do grande escritor catarinense, aliás libanês e florianopolitano por adoção.
Deslumbrei-me enquanto isso com o seu carinho pelos livros, com a metódica organização da sua biblioteca, com as preciosidades que lá reune, lamentando é claro as edições princeps que se perderam nas garras do cupim selvagem, o mesmo bicho daninho que já me atormentou em Canasvieiras e continua a me preocupar com sua presença ou ausência – pode estar devorando nossos bens no silêncio devastador de sua ação secreta – e no entanto, Salim resiste.
Pena que ele se obriga a transitar para outros lados e não permanece o tempo todo ali, ao lado de suas preciosidades. Mas, lá estavam Dumas, Anatole France, Roger Martin du Gard, Assis Brasil, Erico Veríssimo, Dostoiewski, Andre Gide, enfim, lado a lado os grandes monumentos da literatura regional, nacional e universal.
Foi uma belíssima forma de festejar Flops.
Espero estar com meus amigos catarinenses nos 277, 278 e assim por diante. Novos e velhos amigos, como o Mário Pereira, Rossana e Cláudio Thomas, Euclides Lisboa e tantos outros. Sem dúvida tendo o privilégio de ler o grande cronista Sérgio da Costa Ramos , que estilo, que força, que talento!
Felicidades Florianópolis!
Mas felicidades também à cidade por ter Salim Miguel entre os seus. Escritor, jornalista, ex-diretor da Editora da Universidade, autor de tantos textos diversos desde o seu “Velhice e outros contos” de cinqüenta anos atrás e atualíssimo como tudo o que fez, está fazendo e continuará a fazer.
Estive diante do mitológico Salim Miguel que aprendi a incorporar aos meus afetos e recebendo dele, como demonstração inicial, o mesmo apoio que sempre deu a todos os que dele se aproximaram, e os depoimentos coletados neste belo livro que me preencheu o Domingo, “Salim na claridade”, título que é uma bela citação ao seu “Nur” e a claridade desta Flops, hoje ocasionalmente chuvosa neste início de outono.
Para resumir os sentimentos que Salim provoca transcrevo as primeiras palavras de Cícero Sandroni, no artigo “Nossa parceria na “Ficção” – querendo referir-se aqui à revista desaparecida depois da heroicidade dos seus 43 números e que tanto marcou o país (ainda hoje insubstituída):
“Lealdade, gen4erosidade, honestidade, bondade e outras virtudes terminadas em ade, além da capacidade de doar-se com entusiasmo à uma causa – e o talento de um escritor”- eis a descrição de Salim Miguel.
Assino embaixo e boto na Internet para que se propague. Amém.
O que faz a grandeza de uma cidade ? A concentração de iniciativas, prestação de serviços, poder e sua conseqüente atração sobre uma região, um país ou o mundo, como Paris por exemplo... postado por walter em 23/03/02
MIGRAÇÃO INTERNA
Walter Galvani
Ilha do Desterro. Assim era o nome oficial e objetivo da ilha de Santa Catarina, onde se situa parte da cidade de Florianópolis, hoje com mais de 340 mil habitantes e capital do estado. Durante os 276 anos de sua existência, comemorados hoje, dia 23 de março, recebeu sempre contingentes populacionais da própria colônia, da metrópole e mais adiante do exterior, ou depois da independência (1822), dos irmãos nacionais.
Durante um breve período no século XIX, foi invadida pelos espanhóis que, subindo do rio da Prata vieram conquistando pontos na costa brasileira. Diz-se em Florianópolis que os seus descendentes gostaram tanto que ainda hoje repetem anualmente a invasão, embora adocicada pela paixão por Canasvieiras e outras praias da ilha.
Mas, o fato é que a pequena cidade deixou de ser o lugar de desterro e embora batizada cruelmente com o nome de quem a subjugou e mandou pôr a ferros e executar alguns dos seus mais ilustres filhos, refiro-me ao ditador Marechal Floriano, tornou-se, pelas suas belezas naturais logo descobertas e cada vez mais encontradas, lugar de encontro, de migração e não de punição.
Hoje é um dos principais locais de migração de brasileiros de todos os estados que aqui acorrem para curtir sua aposentadoria ou ganhar a vida com a atividade que o cosmopolitismo da cidade passou a permitir.
Tudo muito interessante, mas não se pode admitir xenofobia em território do mesmo país, que aí já é estresse em demasia... Pois há pessoas que acham que esta atração de “estrangeiros” é prejudicial à Florianópolis. Lembro-me do caso de Canoas, minha terra natal e no entanto pólo de atração de riograndenses de todos os quadrantes. Pois aqueles que se julgam “donos da terra” ficam irritados quando alguém de fora assume um cargo, prospera ou se elege prefeito. “Isto aqui é dos canoenses! “ – dizem eles. Mas, quem são os canoenses ?
Somos todos brasileiros, não é mesmo e não cabe limitações. Além disso, não aceito que se imponham limites, além dos legais, aceitos pelas leis do país, mesmo assim já os considero excessivos, na entrada dos estrangeiros.
Tanto no caso da bela capital catarinense como da hoje enfeada pela poluição, pobreza e despejos poluidores, cidade de Canoas e tantas outras na mesma situação, é preciso aceitar a bela contribuição dos que vem de fora.
Trazem capitais e seu talento. Seu dinheiro para investir no local e seu amor pela cidade.
Não podem ser criticados ou rejeitados.
Há certos momentos na vida que é preciso respirar fundo ou relaxar para aproveitar... postado por walter em 22/03/02
PAUSA QUE REFRESCA
Walter Galvani
Quando foram procurar os deputados para votar a CPMF descobriram que, talvez motivados pela novela da Globo, “O Clone”, muitos haviam seguido para o Marrocos, novo endereço turístico, onde curtirão uma semana e tanto de Páscoa e assim teremos todos a “pausa que refresca” como nos prometia a Coca Cola em seus velhos comerciais da metade do século passado.
Todos terão tempo agora de visitar as suas bases e rebobinar suas atividades, preencher os tanques, preparar-se para a dureza dos embates que nos reserva o segundo segmento do ano: da Páscoa até às eleições, naturalmente, como ninguém é de ferro e estamos no Brasil, com umas férias de inverno incrustadas aí pelo meio.
Então aos poucos, decidir-se-á em nossa cabeça, se votaremos pelo segundo turno, empurrando a decisão ou escolheremos logo no primeiro turno, para não perder mais tempo.
Portugal já voltou para a Direita, Durão Barroso está constituindo o novo governo, eleito que foi pela maioria da população e o presidente socialista vai ter que optar pela convivência pacífica com a sua própria oposição. É bom aprender com eles, nossos pais e compadres. Se queremos no futuro um regime parlamentarista, para o qual não parecemos maduros, assim é que teremos ser. E olhem que uma “coabitação” no poder não deve ser fácil.
Ainda mais aqui, onde estamos habituados a destruir tudo o que o antecessor fez. Mesmo quando ele é do mesmo partido. Ainda mais se for da oposição.
Que o “coelho” da Páscoa nos traga pois, bons presentes... Quanto aos senhores deputados que foram conhecer o Marrocos que voltem inspirados pela sabedoria do Alcorão, mas não contaminados pelos séculos de atraso que empedraram o norte da África.
Sempre será preciso separar o joio do trigo. Está na Bíblia. E no Alcorão também.
Fraude, roubo, propina, tudo isto se sabe. Mas quem será responsabilizado no futuro pelo crescimento da violência ? A "mídia" tem parte nisso pela promoção, divulgação e ensino da prática do crime postado por walter em 21/03/02
INSPEÇÃO DA ONU
Walter Galvani
O pai ferido José Sarney e político atingido em seus interesses regionais e nacionais, levantou uma questão que, se prosperar pode valer para o Brasil alguns pontos negativos imediatos.
Falando em defesa de sua filha Roseana lançou a suspeição sobre o processo eletivo brasileiro e provocou um inesperado interesse que ainda poderá trazer efeitos ao longo do tempo, pelo processo que se realiza aqui no Brasil para a sucessão de Fernando Henrique.
Mas, não haverá, nem pai atingido em sua honra, nem político, nordestino ou gaúcho que seja, capaz de ofuscar efetivamente o fato de que acima de quaisquer mecanismos de votação, urnas eletrônicas ou velhos livros de assentamento, o que foge ao controle popular é o tipo de acerto que podem fazer os partidos.
Joga-se a ideologia no cesto do lixo e implanta-se o velho sistema do “é dando que se recebe”, muito bem conhecido dos brasileiros. Quando se libera o apoio econômico à qualquer candidatura, já se sabe que nenhum empresário fará doações a quem quer que seja, sem assegurar-se de que poderá cobrar um retorno. Ninguém faz investimentos em vão.
Qualquer candidato que for investigado terá telhado de vidro, e nem é preciso que a prospeção seja feita pela Organização das Nações Unidas. Assanhados como estão com as novas leis brasileiras, os procuradores gerais da república, farão como seus homônimos italianos da extraordinária campanha das “Mane puliti” – as mãos limpas... Preparem-se para o festival que irá suceder ao próximo pleito eleitoral.
Ou melhor: precavenham-se ao máximo, não deixando o rabo à mostra... De novembro em diante veremos um festival de denúncias que talvez venha a substituir a lamentável opção da maioria dos departamentos de jornalismo das redes nacionais de televisão que hoje ocupam noventa por cento do espaço de noticiário com prisões, bandidos, crimes, assaltos, seqüestros. Trata-se de um erro de avaliação e um desperdício. Uma participação na divulgação, promoção e didática do crime e é claro, da violência, pelo qual já estamos pagando caro e pagaremos cada vez mais.
Ponham a mão na consciência e reflitam por favor, antes de encaminhar-se todos para o mesmo abismo. Já dizia Baudelaire que uma besteira não deixa de ser uma besteira só por ser dita ou praticada por 500 mil...
Mas, voltando à nossas eleições: o povo, embora enganado pelas redes que dominam o mercado, enxerga em meio ao nevoeiro e faz cobranças inimagináveis para quem o menospreza.
A Política não supreende aos políticos. Mas a nós sim, gente do povo, que mal pode crer nas alianças que se produzem em busca do Poder postado por walter em 20/03/02
UNIÃO DE IGUAIS E DESIGUAIS
Walter Galvani
Os partidos brasileiros não possuem entranhas, já o sabemos. Melhor dito, nem entranhas nem matéria cinzenta. Aliam-se por questões que o PT chamaria “pontuais”, o que, nada a ver com a definição gramatical, ocasionalmente, pela conjuntura política, aproximam entidades e provocam alianças que servirão para proporcionar um passaporte para o poder.
É natural que os partidos pretendam um dia chegar à presidência da república, assim como conquistar os palácios municipais e estaduais. Sem isto não teria sentido atuar. O fim maior de todos será sempre, logicamente, a conquista dos postos máximos, para poder exercitar a sua capacidade administrativa, de acordo com os postulados e a ideologia que defendem.
O que surpreende, sobretudo aos ingênuos como nós, é a capacidade de unirem-se os desiguais. Pelo menos aqueles que julgamos nós, diferentes, alternativos aos que se eternizam nas posições. Vai daí que descobrimos então que todas as alianças são possíveis.
Mesmo que isto queira dizer, como propunha o Lula, que uma vez mais será o candidato do PT à presidência, do seu partido, tido e havido como de esquerda, com o PL, sigla que não representa o antigo e glorioso Partido Libertador do Rio Grande do Sul, mas quer dizer mais ou menos a mesma coisa em matéria de conservadorismo ideológico.
Ora a união entre o PMDB e o PSDB, assinada hoje, não deveria pois nos surpreender.
Afinal de contas, eles são capazes de tudo. O certo é que estes dois e mais possivelmente o PFL – que depois de 39 anos como governo não resistiu a três dias de Oposição – serão imbatíveis, mesmo que tenham que ir para um segundo turno.
E então temos aí o que se chama uma boa “base governista”. Aposto como as ações da Bolsa estarão em alta. Nenhum empreendimento conservador precisa temer. Deste lado não sairá nenhum reformismo social, nada de planos trabalhistas ou altas do salário mínimo. O trabalhador brasileiro que se dê por contente com o que alcançou.
Estão distantes os tempos de Getulio Vargas, a CLT pode ser reformada a qualquer momento, a propósito lembre-se que CLT quer dizer Consolidação das Leis do Trabalho e não se trata de um só estatuto renovador, mas decretos e normas consolidadas, como o próprio nome e sigla definem.
O governo que sairá deste ovo será o mesmo que vem sendo chocado ao longo destes últimos oito anos e não difere dos que o precederam e nem tampouco diverge muito dos que havia antes.
Os dados estão lançados e com um candidato que não aglutina as esquerdas, pouco se espera do pleito de outubro. Aliás, o que se pode esperar é mesmo e apenas a continuidade do que aí está. Se você está satisfeito assim, basta votar. Ou até não votar. Ficará tudo como dantes no quartel de Abrantes...
A menos que um fato novo sacuda as paredes do templo antes da data fatal.
Foram 10 dias de férias, mas estou de volta. Ao mesmo tempo em que redijo um novo texto literário, não posso de omitir dos fatos que envolvem nosso país, nossa vida, nossa sociedade. Prestem atenção no círculo de ferro que os americanos estão fechando em torno ao nosso pescoço postado por walter em 19/03/02
CONFRONTO À VISTA
Walter Galvani
Os Estados Unidos estabeleceram salvaguardas para o aço e isto prejudica o Brasil, terceiro maior exportador do produto para eles. Os americanos querem a condenação de Cuba no Conselho dos Direitos Humanos da ONU que está iniciando reunião em Genebra e subordinam o atendimento aos problemas econômicos da Argentina, a apresentação pelo nosso vizinho, de uma moção de censura ao regime de Fidel Castro. Os cubanos estão chamando o governo argentino de :”lambe-botas”, mas nutrem a esperança de que, com a mudança de De La Rua para Duhalde, a “lambida” seja desviada... Mas, o relator da reunião do Conselho será o brasileiro Frederico Meyer e isto nos coloca no meio da fogueira.
Existe uma Organização para a Proscrição de Armas Químicas, órgão da ONU, cujo secretário geral é o brasileiro José Maurício Bustani e corre pelos corredores de Genebra, a informação de que o brasileiro entende que também as fábricas de produtos químicos americanas precisam ser inspecionadas, e não apenas os chamados “inimigos”, ou seja., Irã e Iraque e outros países fora da área de influência de Washington.
E os Estados Unidos querem, também, apoio incondicional à suas ameaças de ataque aos países árabes que não rezam pela sua cartilha.
Ora, o Brasil está no centro disso tudo, pela sua importância como nação, pelo seu envolvimento político, pela participação de seus funcionários, pela sua dimensão populacional e territorial e pelos seus interesses comerciais.
Não tenho muitas esperanças de que consigamos sair ilesos de todos estes problemas do xadrez internacional. Na certa seremos chamuscados e então será preciso ver até que ponto somos soberanos, de fato.
E tudo isto num momento eleitoral em que, para defender seu candidato presidencial, o governo precisa valorizar sua independência perante o eleitorado.
Há também a possibilidade de esconder ao máximo tais fatos internacionais. Neste caso nos cabe alertar a população para que se preste atenção às questões e os interesses em jogo, para compreender e até ajudar o país.
É esta a hora.
O Brasil perdeu um dos seus grandes intelectuais, o pesquisador e folclorista gaúcho Barbosa Lessa. No início de sua carreira foi publicitário e também atuou na área política, porém no setor cultural, em São Paulo postado por walter em 11/03/02
BARBOSA LESSA E O FIM
DA SUA BIBLIOTECA
Ontem o Rio Grande do Sul ficou mais pobre, como se costuma dizer demagogicamente, com a morte de Luís Carlos Barbosa Lessa. Patrono da 42A Feira do Livro de Porto Alegre, ano 2000, escritor com mais de cinqüenta anos de carreira e que dizia, dentro de sua modéstia característica – “meu grande triunfo este ano foi ter sido considerado um escritor” – como se não o fora, com os seus quase sessenta títulos e tanto trabalho na construção da imagem e do imaginário rio-grandense, este estado do extremo sul do Brasil.
Mas, o que mais me choca na morte de Barbosa Lessa é o fato que avilta a atividade intelectual no Brasil, de que ele necessitou se desfazer da sua biblioteca, abrir mão daquilo que mais amava, seu instrumento para o trabalho e seus alicerces culturais, para “fazer um pouco de dinheiro” e com isto enfrentar a compra de alguns medicamentos, na fase final de sua vida.
Um homem que teve a projeção natural que ele teve e ainda tem, abrir mão da sua biblioteca – este fato é em si uma condenação do tipo de vida que estruturamos a partir da nossa globalização falsa que tudo destrói e derrete.
Talvez hoje e amanhã a sociedade acorra a prestar homenagens, mais do que justas, diga-se de passagem, à figura do grande escritor e pesquisador, do investigador histórico e do folclorista, que, junto com J.C.Paixão Cortes ajudou a estruturar a figura do gaúcho e a fixar a sua representação em nosso imaginário coletivo.
O gaúcho não é apenas a estátua do Laçador na entrada de Porto Alegre, mas é uma imagem que nasce no coração dos homens do pampa e da cidade e que se estende pelos versos, pela música, pelos ensaios e pelos romances de tantos escritores e, entre eles, figura ímpar, de Barbosa Lessa.
Vamos nos lembrar então nessa hora em que o acompanhamos à última morada, que ele perdeu a vida e a batalha, mas antes disso teve que ver o fim da sua biblioteca, porque a atividade intelectual não recebe o suficiente reconhecimento em nosso meio.
Foi um preço caro, amigo Lessa, mas fica o teu inesquecível exemplo!
Não se iludam: a crise na base do governo, tem tudo a ver com as eleições presidenciais. Além da investigação de Murad, transita a corrida pelos cargos num futuro governo... postado por walter em 06/03/02
OS INTOCÁVEIS
Walter Galvani
Empresário bissexto e secretário de governo, assim é que se referem os adversários políticos de Roseana Sarney a seu marido, Jorge Murat. De qualquer forma, pelo país inteiro, há uma expectativa para saber se o PFL, acostumado ao Poder desde que foi fundado, realmente deixará seus postos na esteira da crise nascida com a investigação planejada e executada sem aviso, no escritório do companheiro da candidata.
No começo, quando Roseana era apenas uma “abelha de fogo”, ninguém com ela se preocupava. Mas, de repente ela começou a voar e voar cada vez mais alto, afastando-se da colmeia e chegou à condição de líder das pesquisas, única capaz de enfrentar a Esquerda no segundo turno.
E então, descobriram o que todos sabiam: Jorge Murat é que era o verdadeiro candidato.
Num instante montaram uma operação “pega ratão” e pegaram-no. Mesmo que Roseana continue candidata e isto passa por um recuo do governo ou o “desembarque” do PFL de todos os seus cargos ministeriais e os milhares de postos esparramados pelas autarquias, entidades governamentais, institutos, enfim todas as “bocas”, boas, que passam inclusive pelas embaixadas e consulados brasileiros no exterior, terá que haver explicações inclusive com o fisco.
Ora, ninguém está imune à uma investigação e gente muito melhor já o foi. Claro que até prova em contrário, houve uma oportunidade política aproveitada. A meta principal era Roseana. O pênalti, que na opinião de Nelson Rodrigues é tão importante que tem que ser cobrado pelo presidente do clube, vai ser agora executado por Fernando Henrique.
Nestes dias decisivos todo mundo corre. Há protestos da “torcida”, o capitão do time mete os peitos (no caso, os dois) no juiz, soltam foguetes de raiva ou júbilo, conforme o caso, nas arquibancadas.
É decisivo. E decisivo para o pleito deste ano.
Tem mais: aproveitadores já dizem que crescem as candidaturas contrárias, Ciro Gomes e naturalmente, o eterno Lula que não desistiu ainda.
Portanto, as eleições realizam-se a partir de agora. E o primeiro e no entanto decisivo “round” passa por uma queda de braço.
O governo FHC está colocando em ação todo o seu poder de barganha, por enquanto é quem tem doces para dar... – e o PFL vai botar (ou não, dependendo do tamanho da “bola” de Roseana) toda a sua força tarefa na rua.
Agora, investigação pode ser feita em qualquer um a qualquer hora. É do jogo. Jorge Murat não é melhor do que os outros e ingenuidade dele, da Roseana e de José Sarney, achar que o crescimento de uma candidatura própria do PFL, um foguete como Roseana acabou sendo, não viesse a gerar uma reação. Afinal de contas, pelo menos para uma negociação de cargos e propostas...
Fiquem atentos aos próximos capítulos.
O Rio Grande do Sul perdeu ontem um dos seus maiores jornalistas, ontem, por insuficiência cardíaca, durante uma operação nos intestinos postado por walter em 04/03/02
EDMUNDO SOARES – 1934 – 2002
Walter Galvani
Um dos melhores jornalistas produzidos no Rio Grande do Sul na segunda metade do século XX e como a maioria deles, conhecido apenas em nosso estado por haver limitado sua atuação somente aos veículos locais.
Desde menino interessou-se pelo esporte da Vela –acabou comodoro do Clube dos Jangadeiros, mas foi graças a este interesse que abriu caminho no jornalismo. Formou-se pela PUC, mas antes de concluir o curso já estava trabalhando na profissão (na época não era exigido o diploma) e sua estréia se deu em fevereiro de 1955, na então “Folha Esportiva”. Aos poucos ultrapassou as limitações do esporte da Vela e passou a praticar em outros setores da redação, alcançando o patamar que levou à uma das mais fortes e entusiastas carreiras sempre nos jornais da Caldas Júnior.
Aos poucos galgou posições no próprio esporte, mais tarde nas Promoções e finalmente no Marketing e Produção, passando pela chefia de reportagem, pelas reportagens especiais, pela cobertura de Copas do Mundo (1966, 1970, 1974) e finalmente pela secretaria de redação da Folha da Tarde, de 71 a 76 e pela direção de redação, de 76 a 80.
Encerrou sua carreira nos jornais em 1984, quando da falência da empresa, mas ainda permaneceu por dois anos até sua reabertura, já sob novo comando, de Carlos e Renato Ribeiro.
Afastou-se para prestar uma assessoria na Câmara Municipal, onde ficou até os anos 90.
Nunca abandonou, apesar de sucessivas crises cardíacas que acabaram tirando-lhe a vida no dia 3 de março, a Vela e o Clube dos Jangadeiros.
Ajudou a implantar, em 1970 o sistema de estágio para alunos de jornalismo o que abriu caminho para inúmeros profissionais.
Generoso e amigo dos amigos, muitas vezes teve prejuízos pessoais para manter em seus postos colegas que ajudara a sair do anonimato e crescer na profissão, enfrentando competição profissional e dificuldades internas e externas.
Assumiu a secretaria de redação da Folha da Tarde no dia 21 de junho de 1971 e a direção do mesmo jornal a primeiro de junho de 1976. Em 1981 passou a coordenar o Departamento de Expansão da Caldas Júnior.
A Folha da Tarde deixou de circular no dia 16 de junho de 1984 mas, desde então os antigos colegas de redação passaram a reunir-se anualmente para festejar o aniversário do jornal.
A data escolhida é 27 de abril, data da fundação em 1936. Edmundo sempre era dos mais ativos e animados, organizando o “cerimonial” do encontro e conduzindo a festividade com alegria e seu característico poder de comunicação.
Sepultado neste dia 4 de março, fica seu exemplo de dedicação e carinho aos amigos.
Não haverá festa dia 27 de abril.
Os companheiros adiarão a comemoração que se torna impossível, pelo menos neste momento, sem a sua presença.
Se eu fosse eleito governador do estado do Rio Grande do Sul aqui no Brasil, ou fosse eleito presidente de Angola, começaria transformando os professores nos seres mais bem pagos do planeta... postado por walter em 03/03/02
LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE
Walter Galvani*
Este lema, ou “slogan”, como dizem os americanófilos, tem duzentos anos. Por causa dele, seu conteúdo e seus reflexos políticos e sociais, Napoleão, a frente das tropas francesas, invadiu a Europa e por causa dos seus resultados, Napoleão traiu a si próprio e aos ideais que representava. Por causa destes conceitos tão claros e simples, que estabelecem Liberdade como objetivo, Igualdade como norma de atuação e Fraternidade como padrão de conduta individual, os povos e nações continuam se digladiando, entendendo cada qual ter a sua receita particular para alcançar o êxito e implantar o regime ideal.
Nos mínimos detalhes de procedimento transparece a resistência de alguns indivíduos na aceitação destas linhas tão simples e, aparentemente, fáceis de incorporação.
Não são poucas as pessoas que se julgam acima e diferentes dos demais e nem tampouco raras as corporações que se acham “melhores”. Isto é até compreensível, dado a própria natureza humana e também ao baixo nível que se vê por aí, infelizmente, na sociedade.
Alguém que tenha formação acadêmica ou não, elementar, média, superior, com pós-graduações, títulos de doutoramento ou apenas com o diploma conferido pela escola da vida, pode eventualmente se achar incomparável. E até ofender-se ao se ver igualado numa exemplificação, a um carregador de malas, um vendedor de bilhetes ou um cantor de tangos e boleros.
Eventualmente todos nos achamos – e certas vezes, sob determinado ponto de vista, com muitas razões para isso – um pouco melhores do que os outros... Mas, sem soberba, por favor, aceitemos o fato de que somos todos iguais perante a lei e perante os deuses.
Recordando uma vez mais que a Revolução Francesa tornou-se eterna na memória e no respeito da Humanidade, justamente por haver consolidado estas três cláusulas pétreas de qualquer constituição. Aqui mesmo, no Rio Grande do Sul, fizemos uma revolução, desligamo-nos durante dez anos da comunidade imperial brasileira, estampando em nossa bandeira, os mesmos princípios, embora substituindo “Fraternidade” por “Humanidade” o que, na opinião dos farroupilhas, dava ainda maior abrangência.
Neste instante em que recomeçamos o ano letivo, comercial, jurídico, social, enfim que se retoma a vida em toda a sua plenitude aqui neste paralelo 30 do hemisfério austral, acho muito oportuno refletir sobre tais conceitos e procurar, no caso individual e no coletivo, pautar nossas ações.
Como pessoas humanas, por mais humilde que seja a origem social, por menor que seja a capacidade financeira, por menor que seja a inteligência, estamos todos no mesmo patamar, merecendo o mesmo respeito e consideração.
Quanto às profissões, também acho que os professores deveriam estar no topo do reconhecimento por parte de governos e governados... Mereceriam a melhor das remunerações, não a miséria que hoje a eles se paga.
Deveria ser a grande revolução e neste caso vai meu recado direto a`quem for para o Palácio Piratiní: comece mudando tudo, transforme os professores na classe mais bem paga do estado. Caro amigo, você estará iniciando uma revolução mundial.
* Jornalista e escritor – www.waltergalvani.com.br
Não é privilégio brasileiro discutir futebol como se fosse o próprio destino da pátria que estivesse em jogo. Itália, Argentina, França, Portugal, todos são iguais... Mas que provoca uma alienação dos assuntos fundamentais, isto não se pode negarROMÁRIO NA SELEÇÃO postado por walter em 28/02/02
ROMÁRIO NA SELEÇÃO
Walter Galvani
Parece mentira que a dengue, e anotem bem, a febre amarela cujo vetor é o mesmo mosquito Aedes Egiptii, estão aí, só no Rio de Janeiro há mais de duzentos mil “dengosos”, mas o país discute com ardor e paixão, se Romário deve ou não deve ser convocado por Luís Felipe Scolari para a seleção de futebol. Assim é o Brasil e isto espanta e diverte os outros povos, mas não pensem que ele desconheçam completamente fatos semelhantes. Experimentem a deixar Figo de fora da seleção de Portugal ou Zidani fora da França!
A discussão nacional em torno ao tema, se bem que interesse a quem governa para que se esqueçam as questões fundamentais, acaba sendo inevitável. O responsável por uma seleção, como é o caso de Filipão, quando o esporte nacional é de tal maneira emocionalmente cultivado, é muito delicada e ele precisa saber como equilibrar diferenças regionais, contemplar influências de grandes clubes e, além de tudo, formar um bom time.
Claro que no caso brasileiro, Romário é um grande nome e um jogador que, apesar da idade, 35 anos, é capaz de desequilibrar muitas partidas. Mas é também um mau exemplo, uma vez que detesta treinar e o diz publicamente.
Além do mais, incluí-lo numa partida com a Islândia, que além de muito fraca vem com 10 reservas, é expor todo um trabalho ao descrédito: na certa ele faria cinco gols, não seria teste para ele e nem para o time e Filipão ficaria na obrigada. Teria que escalá-lo até o primeiro fracasso causado por ele e na Copa, irremediável.
É muito risco e o técnico Scolari não é inexperiente e “tanzo”...
Será preciso chamá-lo para os treinamentos e então verificar se ele tem saúde, estado físico, paciência e condições técnicas. Um longo trabalho. Não adianta o presidente FHC dar palpite. Aliás nisso ele não difere dos seus antecessores militares. Em 70, Medici “escalou” o centro-avante Dario.
Durante todo este ano, lembraremos um gigante das letras francesas que pertence ao mundo todo postado por walter em 26/02/02
VITOR HUGO, 200 ANOS
Walter Galvani
Este dia 26 de fevereiro assinalava uma data que será comemorada todo o ano na França e em todo o mundo literário, por toda a comunidade cultural que acompanha com atenção muito especial o que se passa naquele país e em todos os círculos intelectuais: é o segundo centenário do nascimento de um gigante das letras, em todos os sentidos e que faz com que qualquer escritor se sinta lisonjeado quando a ele se compara ou refere, ou lembra que tem a mesma profissão: Victor Hugo.
Em 1802, levantava-se a grande estrela de Napoleão, a França mais do que nunca exportava sua revolução que tinha como lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
Hoje, quando se critica Cuba por querer propagar sua revolução socialista, é bom que se lembre este episódio histórico.
É anacronismo querer examinar hoje o mundo com os olhos de 1802 ou do século I ou Antes de Cristo. O tempo é o tempo, imutável e inexorável.
Pois Victor Hugo foi um monumental poeta e escritor, que foi capaz de realizar uma obra que só cresce com o passar dos anos. Hoje, duzentos anos, dois séculos do seu nascimento.
Baudelaire, outro grande poeta francês disse de Victor Hugo – como bem lembrou o escritor Moacyr Scliar no programa que apresentei dia 26 na rádio Guaíba de Porto Alegre, a cidade do “Fórum Social Mundial”:
“Victor Hugo é um gigante que pensa que é Victor Hugo!”
Alguns dos momentos mais sublimes da criação literária e da língua francesa, foram alcançados por ele, em textos como “Os Miseráveis”, a história de Jean Valjean ou o inigualável “Nossa Senhora de Paris”, a saga de Quasímodo, “o corcunda de Notre Dame”.
E se alguém cometeu o sacrilégio de não haver lido em sua juventude estes dois livros, que o faça agora. Ou que pelo menos veja o filme baseado no texto imortal de Hugo, com os atores Anthony Queen e Gina Lollobrigida, ele como o Corcunda injustiçado pelos poderosos, ela, a cigana Esmeralda.
Também participou do mesmo programa radiofônico o notável escritor gaúcho Alcy Cheuiche, que lembrou a visita que fez a Victor Hugo o imperador do Brasil, Dom Pedro II, e que do grande escritor arrancou a seguinte frase dirigida à sua filha predileta:
“Filha, venha conhecer um fato inédito na história da humanidade: um rei que sabe pensar!”
Quando entrei a primeira vez na Catedral de Notre Dame em Paris em 1967 e quando lá retornei em 1998, a impressão que me ficou foi a mesma Julguei ver o corcunda, criado pelo gênio de Hugo, abraçado à uma das estátuas, as gárgulas, que circundam a torre da enorme igreja parisiense. E julguei ver sua sombra na Place de Vosges, onde a residência do grande escritor se transformou em museu.
O tempo está bom no Rio Grande do Sul, extremo meridional do Brasil. Há muito sol e a previsão de calor neste final de férias generalizadas. Março está aí e com ele a volta plena ao trabalho, a revitalização dos megócios, novos empregos postado por walter em 26/02/02
Os gaúchos praticam o êxodo anual que realizavam os antigos habitantes da região, pré-colombianos, pré-cabralinos. Os guaraní, assim mesmo sem S no plural, costumavam (a prova são os sambaquis que se estendem pelo litoral) acampar na beira da praia durante os períodos de maior calor.
Depois subiam a Serra, de volta.
O alimento estava ali mesmo. Camarão, peixes e frutos do mar.
E com isto fugiam ao calor.
É bem assim que os gaúchos fazem: fogem ao calor e aos problemas...
Em seguida estarão de volta, com seus automóveis, e... seus problemas irresolvidos.
Mas, pelo menos refrescaram a cabeça e deram uma irrigada financeira no Litoral do estado.
Março está chegando e isto quer dizer, no sul do Brasil, que o Ano Novo afinal começa... postado por walter em 25/02/02
RECOMEÇANDO
Walter Galvani
Hoje é dia 25 de fevereiro, ainda faltam três dias para o final do mês, mas sem dúvidas temos sinais de que o ano vai começar aqui no Rio Grande do Sul Só se fala em volta das férias, em retomada, novos planos, investimentos. Ninguém teria sido capaz de marcar qualquer entendimento sério, entrevista de negócios, nada, nem casamento.
Muitos estabelecimentos de ensino recomeçam hoje e até empregos podem surgir – apesar de que a recessão, mal mundial, aí está. Só que não veio para ficar, indefinidamente. De jeito nenhum: aposto até que no mundo inteiro os negócios já estão retomando o ritmo e em nosso caso muito particular, a mudança está marcada para hoje. De vagar mais vai.
Conheço no mínimo dez bons escritores que estão dando andamento a seus novos textos que serão editados para sair antes da próxima Feira do Livro que, estará este ano em sua 44ª edição e inaugura no dia 1º de novembro.
Na FIERGS, a poderosa federação das indústrias, se planeja uma atitude ainda mais ofensiva na área da realização de negócios e sua promoção.
Nas administrações públicas, parte-se para a última arrancada visando convencer os eleitores de que os mais capazes ali estão e devem, portanto, serem o alvo de uma reeleição.
E há a luta interna nos partidos, idêntica em todos, para a definição de candidaturas. Como se sabe, cada um se acha melhor do que os outros, mas isto é mais antigo do que o império romano e característico da natureza humana.
Tudo pois, começa hoje mesmo. Não estranhe quando começar a receber inesperados telefonemas. Convença-se: você ainda é importante, ainda não chegou a hora de aposentar-se, reformar-se, deixar a vida ativa.
Há muito que fazer, ainda mais num país como o nosso.
E todos ainda têm muito a dar. Principalmente os privilegiados como nós, que temos acesso a Internet, somos alfabetizados, enfim, estamos entre os 10 milhões de “escolhidos”.
Embora muita gente se surpreenda, agora sim é que o ano está começando. Para todos ? Não, quem sabe na próxima segunda-feira ? postado por walter em 25/02/02
Alguns jornais do país surpreenderam seus leitores esta semana com a notícia de que o “Governo argentino prevê explosão social”, informe baseado num relatório secreto, elaborado pela “inteligência” daquele país, consultores políticos e sociólogos.
Ou a hipocrisia chegou aos seus limites máximos, ou a ironia ganhou as manchetes...
Seria necessário um “relatório secreto” e consulta a “sociólogos e consultores políticos” para descobrir a possibilidade de uma “explosão social” na Argentina ?
Qualquer motorista de táxi ou porteiro de hotel, livreiro ou garçom, professor ou carregador de malas poderia fornecer estes dados a um visitante à Argentina neste verão de 2002 . Também não se necessita de informes da “inteligentzia” para saber o que ocorre na Colômbia, na Venezuela, e... no Brasil.
A inconformidade do povo com as desigualdades sociais só muda pelas colorações nacionais e diferenças de comportamentos entre os povos. A guerra aberta entre as FARC e o governo, por exemplo, acaba de mergulhar em nova fase que deixa a velha guerrilha a parecer brincadeira de meninas de coleginho do interior... Os militares que se rebelam na Venezuela são apenas o prenúncio do que virá por aí e neste imenso Brasil, a revolta do povo contra a onda de corrupção entre os políticos e a violência sem limites, a breguice geral da televisão e a baixa de qualidade do ensino, as “gangs” que assaltam ônibus de turistas e os apedrejadores de veículos nas estradas, estes salteadores modernos, toda esta “copa franca” para a delinqüência, tudo isto reflete o que está no substrato da sociedade: uma explosão social.
Sorte nossa, por enquanto, que o Brasil é tão grande que a pressão vai se soltando aqui e ali, enquanto o “gigante” dorme e no escuro da noite progride “apesar” dos seus líderes.
Espero que não surja nenhum espertalhão “vendendo” um relatório secreto a ser revelado em reuniões de entidades para, regiamente pago, esclarecer aos narcotizados integrantes da platéia, sobre o que vai surgir ali adiante, fruto deste fermento de desintegração social.
Sorte nossa é que estamos num ano de eleições. As tensões serão assim encaminhadas para as prévias internas dos partidos, para as escolhas de candidatos, para a campanha política, que será a mais virulenta dos últimos anos e finalmente para a própria eleição. Em outubro decidiremos. Tudo se encaminhará então para mostrar uma nova fotografia do país em que veremos até que ponto os políticos foram capazes de negociar seu próprio futuro, de suas agremiações, de sua ideologia e do povo brasileiro.
Neste jogo de relações haverá a necessária fresta para as acomodações sociais. A cobrança se transferirá para os novos governantes. Nos estados onde a segurança é ruim, onde a violência cresce cada vez mais tornando insuportável a vida de todos, a resposta será dada nas urnas com a provável troca de partidos no poder, desde que, é claro, os que estão hoje na Oposição apresentem planos concretos e nomes capazes de sensibilizar o eleitor.
Além da violência, o que mais preocupa o cidadão brasileiro é o atendimento à Saúde, o Emprego e a Educação. Não é necessário nenhum relatório secreto. E os candidatos podem compor seus programas em cima destes quatro itens.
Uma vez eleitos, preparem-se para cumprir. Caso contrário estaremos nos encaminhando para uma situação análoga à argentina.
Perder o grande líder da publicidade, do jornalismo e dos movimentos comunitários, perder o fundador do poderoso sindicato das indústrias de Canoas, eis o que significou a morte de Ernani Behs postado por walter em 22/02/02
PERDEMOS “A VOZ DA ALEGRIA”
Walter Galvani
O Rio Grande do Sul viu ontem ao final da tarde reduzir-se à cinzas o corpo de Ernani Behs, testemunha de mais da metade de um século, jornalista, publicitário, e sobretudo “amigo e benfeitor” de entidades e empreendimentos positivos.
Nascido em Taquara, há 78 anos, iniciou sua carreira ainda menino atuando como locutor no serviço de alto-falantes local, a “Voz da Alegria”. Dali transferiu-se para a capital (em 1939) e depois de rápida experiência no Teatro do Estudante, grupo em que contracenou com Valmor Chagas entre outros astros do palco brasileiro, iniciou uma atividade radiofônica que o transformaria em ídolo dos anos cinqüenta.
Foi também o primeiro apresentador de televisão no sul, onde, até ontem militou ativamente, na publicidade, no rádio, na tv.
E na atividade empresarial. Atuando na Minuano S.A, empresa canoense que produziu os automóveis licenciados pela DKW alemã para a Vemag, brasileira, tornou-se o primeiro presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canoas, hoje conhecido como SIMECAN.
Deixou amigos por onde andou e foi sempre a mais legítima “voz da alegria”. Seu entusiasmo, companheiro permanente de sua vida ativa, nunca morreu. Só quando a falência múltipla de órgãos tirou-lhe a voz, nesta etapa final da vida que estava indo embora.
Para sempre restam seu exemplo e sua memória. Aos amigos que ficam compete cultivar a sua figura e seu nome fantástico, sua dedicação aos companheiros, apoio aos pequenos, compreensão com os iniciantes.
Ernani Behs fica entronizado agora na lembrança de todos os que o conheceram, que acompanharam sua carreira, ouviram sua voz, com ele conviveram.
De vez em quando cala-se uma grande voz da imprensa. Sampaulo era o mestre do traço. Freqüentemente me perguntam quem é o autor desta caricatura genial que acompanha meus textos de Hoje, atualização diária em meu site na Internet: Sampaulo é o nome do monstro.Paulo Sampaio, ganhador de dezenas de Prêmios ARI de Jornalismo, além de primeiro lugar no Salão Internacional de Desenho de Porto Alegre em 1992 e um 3. e um 4. lugares em salões internacionais de Humor no Canadá em 1966 e 1967. postado por walter em 22/02/02
Enquanto concluo um novo texto literário, peço aos freqüentadores deste "site" que leiam com atenção o artigo sobre Cuba, publicado no jornal ABC DOMINGO e também enviado para A Razão de Santa Maria (RGS) e acompanhem o que se passa em Cuba. Estarão assim com informações suficientes sobre os próximos passos que poderão se dar no Caribe. Portanto, permanece o artigo enviado neste domingo. A seguir postado por walter em 18/02/02
Cuba continua recebendo minha atenção. Aproveito a visita que fiz à ilha para receber o Prêmio Casa de Las Américas e assistir ao lançamento de "La nave capitana", meu livro "Nau Capitânia" em versão para o espanhol, e comento algumas particularidades e fatos sobre o povo cubano postado por walter em 17/02/02
A NOVA DANÇA DE CUBA
Walter Galvani
Tem surpreendido à muita gente e de um modo especial aos mais radicais, a mudança de tom do discurso cubano com relação aos temas internacionais e de um modo particular, o uso das instalações da base de Guantanamo, em poder dos Estados Unidos há mais de cem anos e os fatos do dia 11 de setembro.
A derrubada das Torres Gêmeas teve uma imediata reação do “comandante en jefe”, Fidel Castro, que foi um dos primeiros chefes de estado a condenar a ação terrorista. Alinhou imediatamente Cuba entre os países que tomariam medidas contra os responsáveis por aquele ou outros atos deste tipo.
Com isto, imunizou a ilha contra uma utilização possível como refúgio e negou seu apoio político à tais ações.
Com relação ao uso da base, território americano por força de acordo ainda vigente, ofereceu todo o apoio cubano em forma de atendimento médico e humanitário. E nada reclamou pelo possível abuso ou falta de ética. Ora, sabe-se que Cuba possui desenvolvida atividade em relação à saúde pública. O atendimento é universal à toda a população, os custos são absolutamente do governo, a não ser para cirurgias plásticas de embelezamento é claro. Então, do berço ao túmulo o cidadão cubano está garantido. Com isto a medicina na ilha desenvolveu-se e produz uma espécie de “turismo de saúde”, que consiste em receber para tratamento em especial de doenças de pele como psoríase e vitiligo. Portanto a oferta de tratamento humanitário e de saúde aos prisioneiros talebans vai além da gentileza. Significa a nova postura de Cuba com relação aos Estados Unidos que se materializa em outras medidas já evidentes: durante minha permanência por lá testemunhei a chegada de um navio provindo dos Estados Unidos, carregado de milho (e isto não é pouco, significa comércio bilateral) e um barco com o reitor, professores e seiscentos alunos da Universidade de Illinois para um projeto de intercâmbio. Depois da visita à ilha os jovens viajaram para Salvador da Bahia para conhecer o carnaval brasileiro. Aliás meta que gostariam de tomar todos os cubanos também e não só os americanos... Afinal, o Carnaval do Brasil bem que vale à pena.
Partilhei de uma entrevista com o secretário de Exterior de Cuba, o jovem Felipe Pérez Roque que foi assessor pessoal de Fidel Castro e agora é o chanceler, ministro do Exterior em outras palavras: Espero que em algum dia – disse ele – as relações em todos os assuntos oficiais possam ser manejados com o respeito e a colaboração que se está praticando em Guantanamo” – disse ele – “Assumimos uma clara posição de colaboração com os Estados Unidos”. Explicou que houve contatos assegurando o uso dos dois aeroportos do país em caso de necessidade americana, especialmente no período em que as pistas de pouso nos Estados Unidos estiveram interditadas.
Em troca, Bush não nomeou nenhum dos chamados “duros”, os “gaviões” para os postos mais importantes da sua política com relação à Cuba e países latino-americanos. O discurso duro do “xerife” não corresponde portanto à ação efetivamente adotada.
Graças à esta mudança de tom, acontece o começo de um degelo nas relações que poderão levar ao desbloqueio econômico, cedo ou tarde, antes ou depois de Fidel. E quem fala é um seu provável sucessor. Que copia o chefe: falou duas horas sem parar, é um treinamento, afinal “el comandante” fala 7, sem interrupções, e aos 75 anos não sofre problemas de próstata porque não suspende o discurso nem para ir ao banheiro...
(Originalmente publicado no ABC DOMINGO de 17-02-2002 e em A RAZÃO, de Santa Maria)
Se usarem o Carnaval com objetivos políticos estaremos chegando ao cúmulo. Mas é possível sim... postado por walter em 15/02/02
O CARNAVAL DE PORTO ALEGRE
Walter Galvani
Este site é visitado por gente de todo o mundo. Ainda esta semana foi acessado por alguém da Holanda, um internauta dos Estados Unidos e um da Áustria, fora os amigos de Cuba, que desde a semana passada me visitam diariamente. Portanto, sabem o que é Porto Alegre e a eles devo explicações sobre o desastre do Carnaval.
Mas, será que as tenho ?
Pelo menos quero repartir com quem me acessa a preocupação maior: estes “carnavalescos” que apresentam os carros na avenida, na mesma avenida há anos e anos, não sabem quais são as dimensões da rua, a espessura e a consistência dos postes, a altura da iluminação pública e o tamanho dos passeios ? Como podem então alegar que os carros trancaram ao entrar nela ?
Desculpa de mau pagador, como diziam nossos pais.
Na verdade, devem ter ocorrido outros interesses que acabaram prejudicando o desfile.
Tomara que não seja verdade o que se assopra de ouvido em ouvido pelas ruas de Porto Alegre, a mesma cidade que foi capaz de sediar o Fórum Social Mundial e se destaca pelas suas iniciativas como o orçamento participativo e uma câmara de vereadores aberta e atuante.
Mas dizem que houve motivos políticos.
Duvido.
Mas... e se for ?
O Carnaval é uma festa popular, mas não é inofensiva como se imagina. Quando alguém vai para a avenida é porque há motivos e nem sempre é o desejo de sambar, apenas.
Se não for tudo devidamente investigado, quem vai acabar dançando nesta, seremos nós mesmos... Que já pagamos uma vez e vamos pagar de novo pela vaidade de alguns.
Imaginem só: cortaram calçadas, removeram calçamento, fizeram horrores, tudo para destrancar os carros alegóricos que em verdade tinham dimensões maiores do que as convenientes.
Ah, e tem mais:
Nos outros anos deixaram semanas, meses a fio, os carros atirados pelos cantos, pelos parques e acostamentos de avenidas. Espero que tenham já rebocado de volta para suas sedes, ou que o façam logo. Que os desmanchem e retirem, sem ônus para a prefeitura, naturalmente. Era só o que faltava!
Hoje a efeméride é minha: há 47 anos, num 14 de fevereiro, 1955, às 3 horas da tarde, eu pisava pela primeira vez a redação do CORREIO DO POVO, de Porto Alegre, no mesmo endereço onde se encontra até hoje, Rua Caldas Júnior, 219, 1. andar, para começar um trabalho como jornalista, como repórter esportivo. Marco inicial de uma carreira de quase meio século postado por walter em 14/02/02
47 ANOS DE EMPRESA CALDAS JÚNIOR
Foi num 14 de fevereiro, em 1955. Recém metade do século passado...
Numa tarde de verão, também naquele ano logo depois do Carnaval, pisei pela primeira vez na redação do Correio do Povo.
Vinte anos de idade, vindo de uma primeira experiência de jornalismo em Canoas, onde ajudara a fundar o jornal "Expressão", sob a direção de Tulio Medina Martins, pai do magistrado Tulio de Oliveira Martins que hoje responde pela Imprensa da AJURIS em Porto Alegre, estreei na capital do Rio Grande do Sul.
Imagine-se a emoção do jovem canoense que pisava o assoalho reverenciado onde atuavam aqueles monstros sagrados de então: Mário Quintana, Osvaldo Goidanich, P.F.Gastal, Adail Borges Fortes da Silva, Antônio Carlos Ribeiro, Paulo de Gouvea, Isaias Valiatti, Wilson Zin, S. D. Ramayana, Heitor Berutti, e tantos outros.
E Cid Pinheiro Cabral, chefe de Esportes, meu primeiro editor, José Domingos Varela, Luiz Miranda e Tulio de Rose, meus primeiros companheiros de trabalho.
Com o coração apertado subi pelo mesmo elevador que até hoje funciona no prédio da Caldas Júnior, no mesmo endereço, e apresentei-me no final do corredor à esquerda, onde ainda hoje é a redação do Correio.
Designaram-me uma mesa com uma máquina de escrever e me mostraram as laudas. E toca a trabalhar.
Mas, escrever o quê ?
Não sabia nada e não conhecia ninguém.
Reescrever os outros ?
Mas, com que preparação ?
Fui ficando por ali.
Até que me surgiu Lourival Viana e Silva que atuava em outros jornais da companhia e me socorreu com algumas informações esportivas.
Comecei a batucar na máquina e produzir meus primeiros textos.
Que foram reprovados, naturalmente.
Como eu próprio que, ao cabo de uma semana, recebi o constrangido aviso do Cid Pinheiro Cabral, de que "não havia correspondido".
Apavorado, imaginando como seria o meu retorno, desastrado e derrotado à minha terra natal, e vendo fugir da minha mão o futuro que imaginar, nas letras e no jornalismo, tendo convivido uma semana com aqueles consagrados nomes do Rio Grande, pedi uma nova chance.
Fiz um apelo: "Dê-me mais uma semana e então sim, se eu não corresponder, bastará me apontarem o caminho da saída."
Bem, passaram-se já 47 anos, desconfio que pelo menos em parte deu certo... já que continuo na mesma empresa, embora tenha atuado e continue a fazê-lo, concomitantemente em outros veículos.
Atualmente participo dos jornais do Grupo Editorial Sinos, como o ABC DOMINGO, o Diário de Canoas e tenho colaborado ao longo do tempo com A Razão de Santa Maria, diversas revistas, e jornais daqui, do país e do exterior como o "Clarín" de Buenos Aires e a revista "Tópicos" de Berlim.
Mas sigo batucando meus textos, agora no computador e apresentando neste momento um programa cultural diário na Rádio Guaíba que é do mesmo grupo Caldas Júnior, desde 1986 sob o comando de Renato e Carlos Ribeiro.
Obrigado pela confiança.
O Carnaval está quase ultrapassado, faltando apenas o tradicional Enterro dos Ossos... postado por walter em 13/02/02
COMEÇA O ANO DE 2002...
Walter Galvani
Canela será a cidade da fotografia de 15 a 24 de fevereiro. Participe do Canela Fotoworkshop.
Porto Alegre e o Rio Grande do Sul seguem a discussão em torno à duas alas, cujas diferenças se aprofundaram, separando o Palácio Piratiní do Paço Municipal da capital gaúcha, ou seja, Olívio Dutra e Tarso Genro e muito mais do que isto, grupos renovadores e ou conservadores dentro do próprio partido.
Deve acabar em consenso na escolha do novo candidato ao governo gaúcho ou numa prévia, cujos riscos e seqüelas são bastante conhecidos deste e de outros partidos.
Mais de 30 mortos e dezenas de feridos nos acidentes de trânsito dos feriados de Carnaval, demonstraram na prática que as campanhas não surtiram o efeito desejado. Diminuiu o número de mortes em anos passados, mas neste 2002 ocorreu uma autêntica explosão.
A dengue. Já está esparramada pelo Brasil inteiro. Deve estar chegando às fronteiras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Lembre-se que o mosquito vetor da doença, o aedes egyptii, é o mesmo transmissor da FEBRE AMARELA .
Em Cuba, de um modo especial em Havana, há neste momento um sério trabalho de combate a ele. Rua por rua, casa por casa, os agentes da saúde percorrem de Habana La Vieja até à periferia de uma capital, hoje com 2 milhões de habitantes.
E o cinema ? Ah, vem aí o Oscar, prêmio americano mas que mexe com o mundo inteiro. Quem já assistiu, torce por “O destino fabuloso de Amelie Poulain” – e quem não viu, deve fazê-lo – entre os cinco concorrentes ao Oscar, mas os adversários são de porte, em especial o filme da Bósnia, “Terra de ninguém”.
E os negócios, ah, os negócios ?
No Brasil recomeçam... segunda-feira. Explica-se. O ano ainda não começou. Deveria começar hoje, mas como ainda é Quarta-feira de Cinzas, é ressaca de Carnaval.
Reuniões, só a partir de terça-feira próxima. Consultas, entrevistas, portanto, preparem-se que 2002 vem aí...
Hoje reabrem os bancos, mas em horário diferenciado. A maioria, ao meio dia. Outros, às 11 da manhã.
Os cheques-voadores, característicos desta época no Brasil, ou seja, cheques que “voaram” sem fundos durante os quatro dias de Carnaval, começam a aterrissar nas agências, para iniciar logo a revoada às mãos dos apresentadores. É a primeira vez. Reapresentados, representarão problemas para os seus emitentes.
Mas, até lá vai toda uma negociação. Coisas de Carnaval...
Enfim, o país volta aos trilhos, se é que consegue se “encarrilhar” para a retomada.
Bem, amanhã os bancos já abrirão suas agências às 9 da manhã, e aos poucos, chegará o fim-de-semana, que afinal de contas ninguém é de ferro...
O Brasil perdeu um exemplo de homem público: Nelson Marchezan, concordando ou discordando de suas posições políticas, todos reconhecem sua lisura, respeito ao pensamento dos demais, tolerância e sobretudo, seu empenho na defesa dos fracos e oprimidos postado por walter em 12/02/02
MARCHEZAN, O BOM CORAÇÃO
Walter Galvani
Eu o conheci de perto. Quase um garoto, líder estudantil em Santa Maria e em Porto Alegre, um dos primeiros integrantes do PDC (Partido Democrata Cristão) que mais adiante sumiu na voragem discricionária dos idos de março de 1964. Marchezan, no entanto, não submergiu, nem na clandestinidade da guerrilha, nem na ausência da arena política. Ao contrário, conseguiu transformar uma atuação indigna de pura adesão, no exercício da mais alta solidariedade.
Formou ao lado de Antônio Gonzalez (mais tarde presidente da ARI) e de Alberto André (o então presidente da entidade dos jornalistas gaúchos) como o resgatador de companheiros detidos e quem sabe ? – destinados ao desaparecimento como ocorreu com tantos pelo país afora naquele período que nem se adivinhava tão longo como o foi.
Sua atuação independente e soberana deu-lhe uma primeira grande votação como lhe garantiria outras quatro subseqüentes, embora na última reeleito quase numa carona. A memória do povo é curta e para avivá-la escrevo aqui, lembrando quem foi Nelson Marchezan, este jovem político, desaparecido aos 63 anos e alguns meses, nascido no então distrito de Silveira Martins, a 4 de maio de 1938, primeiro vereador em sua terra natal (Santa Maria) aos 22 anos, já deputado estadual pelo PDC em 62, depois convertido em ARENA em 64.
Mas nunca foi um esbirro da ditadura, um colaboracionista dos serviços de segurança dos governos de força dos anos 64-86. Antes, foi um sincero defensor dos direitos humanos, ocupou-se em percorrer quartéis e presídios em busca de melhora de condições para presos políticos e ou sua libertação.
Cresceu politicamente e transformou-se num homem de proa, defendendo com sinceridade seus ideais de uma democracia cristã. Esteve por cinco mandatos na Câmara Federal, antes e depois da “Revolução de Março” e em 82 chegou a líder do governo Ernesto Geisel, cabendo-lhe negociar a abertura política “lenta e gradual” que trouxe a normalização democrática, brasileiramente, sem sangue e maiores traumas, apenas com o ex-presidente Figueiredo saindo pela porta de trás do Palácio...
Como bom gaúcho da Metade Sul, tinha seu pedaço de campo. Ficava no município de Rio Pardo, na localidade de Capivarita, e um incêndio levou-o sozinho até o local do problema, onde foi encontrado desmaiado. Um acidente provoca outro, conduzido com uma possível parada cardíaca, chegou sem vida ao hospital.
Perdeu a batalha. Perdemos nós.
Deixou seu exemplo, muitos projetos aprovados, a preocupação permanente com a educação, a bolsa-escola que está em vigor beneficiando tantos filhos de trabalhadores brasileiros e a sua mensagem de perseverança e dedicação ao trabalho que sempre arrancou o espanto e a admiração dos companheiros. E o respeito dos adversários.
Sempre viajando, fazendo contatos, dialogando, como seus adversários políticos souberam reconhecer.
Encontrei-o mais recentemente em Gramado, Caxias e Passo Fundo, só para demonstrar de leve, sua movimentação. E a Morte, travestida de dama mascarada pelo Carnaval, achou-o “carregando pedras” enquanto descansava da sua lida política, num rincão perdido do Rio Grande, neste meio caminho entre a integração cultural e a desintegração econômica do Mercosul, numa localidade que tem na terminação castelhana diminutiva “ita”, Capivarita, uma demonstração prática deste encontro natural dos povos platinos e do sucesso da imigração: Marchezan era oriundo de uma família italiana, das tantas que buscaram o sul da América (Brasil, Uruguai e Argentina) em busca da oportunidade que já não tinham mais nos campos da então anquilosada Europa.
Um exemplo de fibra. Saiu do nada, chegou a tudo. “Fez a América” como se diz no Velho Mundo.
Só que ainda faria muito mais. Por si mesmo e por todos nós. Fica nos devendo essa, Marchezan!
"La nave capitana" começa a navegar hoje às 17h30min na 11a. Feira do Livro de Havana, Cuba. Eis o que publica hoje o portal "La Ventana", a "janela" de divulgação da Casa de Las Américas postado por walter em 11/02/02
Literatura brasileña
La nave capitana, de Walter Galvani
A medio camino entre la novela histórica y la biografía, La nave capitana devuelve a la vida a uno de los hombres más importantes y, paradójicamente, más olvidados de la época de los Descubrimientos: Pedro Álvares Cabral, el primer europeo que pisó las tierras del Brasil. Su autor, Walter Galvani, tiene el mérito indiscutible no sólo de reconstruir para los lectores del siglo XXI, quién fue, lo que representaba, buscaba y pensaba el protagonista de esta historia, sino también el contexto donde se formó y actuó, el significado de Portugal en Europa y el mundo del Renacimiento, así como los sinsabores de una nación que se propuso ser grande. Éste es el resultado de un viaje en sentido contrario a como se realizara cinco siglos atrás, que incluyó cuatro años de minuciosa investigación, la indagación en las fuentes históricas primarias, el contacto directo con el país de origen y, lo que es más interesante, desde la perspectiva de un brasileño asombrado por la anulación del personaje primigenio del Brasil.
Walter Galvani (Río Grande del Sur, Brasil, 1934). Periodista autodidacta, trabaja desde 1960 en los medios de comunicaicón de Porto Alegre, donde realiza diariamente un programa cultural en Radio Guaíba. Es colaborador de importantes periódicos brasileños. Cuenta en su haber: Brasil por linhas tortas, 1970; Informação... morte, 1972; Andanças e contradanças, 1874; A noite do quebra-quebra, 1993; Un século de poder. Os bastidores da Caldas Júnior, 1994; Olha a folha; amor, traição e morte de um jornal, 1996 y Nau Capitania, 1999, con el que obtuviera también el Premio Clío de la Academia Paulistana de Historia, en el año 2000, entre otros premios coleccionados a lo largo de sus cuarenta y siete años de carrera.
'NAU CAPITÂNIA - PEDRO ÁLVARES CABRAL, COMO E COM QUEM COMEÇAMOS", EDITADO NO BRASIL PELA RECORD (RIO DE JANEIRO) JÁ EM 5a. EDIÇÃO, CONQUISTOU O PRÊMIO CASA DE LAS AMÉRICAS 2001
Brecht e Pasternak, dois gigantes da Literatura, igualmente utilizados, por um lado e outro durante a Guerra Fria. Aniversariantes de hoje, contemporâneos, Pasternak nascido em 1890 e Brecht em 1898, são cadáveres insepultos da guerra ideológica que prossegue fazendo vítimas postado por walter em 10/02/02
OS MORTOS DA GUERRA FRIA
Walter Galvani
Hoje seria o aniversário de Boris Pasternak (1890-1960), criador do “Doutor Jivago” e Prêmio Nobel de Literatura de 1958, um dos gigantes tombados durante a Guerra Fria que nos anos cinqüenta e sessenta, depois da “guerra quente” dos Estados Unidos com a Coréia (que acabou com a divisão daquele país em duas partes, Norte e Sul) e cuja qualidade literária ainda está para ser estabelecida em definitivo.
A confusão foi tanta, por motivos políticos, que o pobre Pasternak serviu de carne para canhão durante aqueles anos de chumbo (que ressuscitam agora), poeta de “Minha irmã, a vida” e “O segundo nascimento” e sobretudo de “Jivago”, o romance publicado no mesmo ano em que ganhou o Nobel, segue se revolvendo na tumba em Peredelkino.
Mas, hoje seria também o aniversário de outra vítima da guerra ideológica: o poeta, dramaturgo e pensador alemão Bertolt Brecht, que optou permanecer no lado oriental de Berlim durante o pós guerra, com o seu famoso conjunto de teatro “Berliner Ensenble”.
Autor de “A alma boa de Tse Tuan”, “O círculo de giz caucasiano”, “A exceção e a regra”, “O processo de Lúculus”, e sobretudo “Os fuzis da Sra. Carrar”, “Galileo Galilei”, “A incrível ascensão do Sr. Artur Ui”, “O senhor Puntilla e seu criador Matti” e “Terror e Miséria do III Reich” foi fulminado por um ataque cardíaco na noite do dia 14 de agosto de 1956, ainda em plena Guerra Fria, quando os cadáveres dos intelectuais ainda recebiam pedras pelas suas posições ideológicas. Como se faz ainda hoje, em todos os lados.
Brecht, o criador da teoria do “distanciamento crítico” no teatro, nasceu em Berlim num dia 10 de janeiro em 1898, ainda no século XIX. Mas foi um legítimo homem, claro, do século XX. Viveu duas guerras, na primeira foi enfermeiro na frente de batalha até à derrota alemã de 1918, depois viveria o nazismo, o comunismo.
Sua obra permanece e ainda permanecerá por muitos anos.
Ruggero Jacobbi, a propósito de sua morte, escreveu em 56:
“Como autor, Brecht inflige o primeiro e mais rude golpe à noção idealista da autonomia da arte: o adjetivo “épico” está ali para desmoralizar uma estética toda baseada em valores líricos. Como mestre da arte dramática, Brecht derrota para sempre os tabus da psicologia, o delírio dos atores possuídos misticamente pelos personagens. Com ele, o teatro, realmente, recomeça a existir, pois – contra os mitos e fábulas de uma literatura desvairada – admite e provoca o escândalo da Razão”.
Para palavras magistrais como essas, nada a acrescentar.
Só que estes dois cadáveres intelectuais insepultos, os aniversariantes do dia, aí estão para atestar, mais uma vez a burrice dos homens (com meus sinceros pedidos de desculpa ao Burro, nobre animal...) que continuam vivos, porém mortos, a vagar sobre a Terra com suas ideologias desvairadas e seus extremismos, que só podiam ser radicais, é redundância claro.
Até que a morte nos separe...
"La nave capitana - Pedro Álvarez Cabral, como y con quién comenzamos", ou seja a tradução para o castelhano do meu livro "Nau Capitânia", estará sendo apresentada Segunda, dia 11, às 17h30min na 11a. Feira do Livro de la Habana, Cuba postado por walter em 09/02/02
Noticias: La Casa en la Feria
Enviado por editor el Friday, February 08 @ 09:24:18 CST
Contribución de editor
La Casa de las Américas tendrá una activa participación en la Feria del Libro de la Habana, que se desarrolla desde el 7 al 17 de este mes de febrero. Varias colecciones editoriales de la institución de F y 3ra., incluyendo el último número de su revista Casa de las Américas, serán presentados en el recinto ferial de La Cabaña.
1) Sábado 9 de febrero a las 1:00 p.m. en la sala José A. Portuondo:
Libros de la colección La Honda: Manuela, de Luis Zúñiga; Como en la guerra, de Luisa Valenzuela; y La tierra del fuego, de Silvia Iparraguirre.
2) Lunes 11 de febrero a la 5:30 p.m. en la sala José A. Portuondo):
Premios Casa 2001: Te ve, mi amor, TV, de Dante Medina (cuento); El escorpión y la comadreja, de Walter Acosta (teatro); Siempre es posible verlos al pasar, de Leonardo Peña Calderón (novela); La nave capitana. Pedro Ávares Cabral: cómo y con quién comenzamos, de Walter Galvani (Literatura Brasileña/Ensayo histórico-social); y Los Estados Unidos y la América Latina. La construcción de la hegemonía, de Luis Fernando Ayerbe (Ensayo histórico-social).
Qualquer chuva deixa preocupados os habitantes das grandes cidades brasileiras. Não só São Paulo, mas Porto Alegre também. E o Carnaval, que começa hoje e dura quatro dias, traz o reinado de Momo e a paralisação de negócios e trabalho. O ano começa no Brasil somente no dia 13 postado por walter em 08/02/02
O CAOS E O CARNAVAL
Walter Galvani
Chegaram as chuvas de verão no sul do Brasil e isto significa a instalação do caos nas grandes cidades, em especial em Porto Alegre que há pouco teve o seu nome propagado pelo mundo com a realização do Fórum Social.
A previsão é de tempo bom, chuvas isoladas, mas justamente estas é que preocupam. São autênticas e antigas chuvaradas de verão, só que nos tempos modernos com algumas de suas características alteradas por causa da devastação das florestas e desertificação do solo em várias regiões do Rio Grande do Sul, a província (estado digamos) mais meridional do Brasil.
Ontem, uma precipitação por volta das cinco horas da tarde, paralisou a capital gaúcha, interrompendo os serviços de transporte coletivos e todo o trânsito, com milhares de automóveis bloqueados. As pessoas não puderam chegar a seus compromissos e muitas desistiram no meio do caminho e mudaram seus rumos para o objetivo mais próximo ou simplesmente permaneceram, ilhadas, escutando notícias ou músicas no interior dos seus veículos.
Como sempre, a culpa foi atribuída ao excesso de chuvas e ao fato da população não colaborar com a limpeza das ruas, jogando habitualmente detritos nos esgotos pluviais.
Tudo somado, o caos instalou-se em Porto Alegre e só depois das nove da noite é que o trânsito começou a normalizar-se.
Não se espera, de nenhuma administração, uma mudança radical que corrija ao mesmo tempo deficiências seculares e costumes consuetudinários, mas será preciso intensificar a fiscalização e não só nesta, mas em todas as grandes cidades brasileiras.
Tudo isto é um desafio só, ainda mais que está chegando o Carnaval, a grande festa anual em que tradicionalmente entrega-se ao Rei Momo, numa cerimônia simbólica por certo, as chaves das cidades.
Uma boa chuvarada durante as festas que duram automaticamente com maior ou menor brilho, seja Salvador ou Rio de Janeiro, São Paulo ou Porto Alegre, até pelo menos a Quarta-feira de Cinzas, dia 13, ou em casos mais especiais até o outro domingo, dia 17, poderá trazer o caos mais uma vez.
De caos em caos, chega-se ao dia 18 de fevereiro, uma segunda-feira, quando se pode dizer que começa oficialmente o ano 2002 no Brasil... Até aqui, a maioria das decisões foram empurradas com a barriga e ninguém quis ouvir falar em reuniões ou medidas para o ano.
Então, passou-se a tratar de férias, veraneio, descanso sazonal no litoral (no caso do Rio Grande do Sul) e muita conversa e preparação para o mês de março.
Depois do Carnaval é que começa também o ano letivo e os partidos políticos, como é o caso do PT (Partido dos Trabalhadores) gaúcho, realização de uma prévia, marcada para o dia 17 de março, quando o atual prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, cuja administração comemora um feito com o Fórum Social Mundial em sua segunda edição e o governador do estado, Olívio Dutra, disputam uma prévia que pode danificar seriamente as relações internas e a imagem externa.
Então é isto aí, será o começo do novo ano.
No exterior as pessoas podem até achar graça, mas estes são os costumes locais e ninguém fará nada enquanto o Rei Momo, a figura que comanda o Carnaval local, um carnavalesco em geral pesando mais de 100 quilos (é o caso do porto-alegrense, Jorge) com uma coroa e um bastão, ocupa o “trono” durante os tais quatro (antigamente eram três) dias de folia.
Neste período vale tudo: a igualitarização completa irmana autoridades e povão, operários e empresários, na medida do possível. Claro que, fora das ruas, nos salões dos clubes, permanece a divisão social e a desigualdade imensa que caracteriza o Brasil.
Máscaras e fantasias não escondem a realidade. A maioria do povo brasileiro contudo, silenciosa e triste, recolhida a seus lares, assistirá pela televisão as festas carnavalescas do Rio, São Paulo e Salvador da Bahia.
Aparelhos de TV há em 97 % das casas. No mínimo cinqüenta por cento destes aparelhos em algum momento sintonizarão o carnaval. E então, os desfiles do Sambódromo do Rio de Janeiro por exemplo, ocuparão o centro da cena, brilhando mais que os “Big Brother” da vida, o show de violência diária que ocupa os jornais de televisão, com a banalização conseqüente e claro, dos políticos. A corrida presidencial, interrompida, só será retomada depois de Momo.
Até outubro quando será eleito o novo “rei” e os governadores estaduais, mais a renovação de senado, câmara federal e assembléias estaduais. Uma eleição e tanto para mostrar, na prática, para onde vai o povo brasileiro. Ou para onde está sendo levado, pelas influências que recebe, da “mídia”, dos políticos, das instituições como as igrejas, e das crescentes atividades comunitárias e de organizações não governamentais.
Esta página foi acessada hoje por internautas dos Estados Unidos e da Áustria. Desde que ela passou a ser atualizada diariamente, isto tem ocorrido com freqüência. Em nossos registros, aparecem visitantes de Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Cuba, Holanda, Canadá, Inglaterra e até da Arábia Saudita. Pediríamos que se identificassem, na medida do possível, para que pudéssemos alastrar cada vez mais esta rede de integração planetária. postado por walter em 07/02/02
Cuba e Brasil, cubanos e brasileiros, diferenças e semelhanças, sonhos e aspirações. Farei uma digressão sobre a ilha de Fidel, depois de um rápido mergulho. Começo falando sobre postado por walter em 05/02/02
UM GRANDE CARIBE
Walter Galvani
Cuba si, Cuba no, Cuba Libre, La Bodeguita, El viejo y el mar, Ernest Hemingway, Fidel Castro, Che Guevara, La Habana, tantos e tão raros e caros nomes se entrecruzam, quando se pensa na grande pequena ilha, na maior das Antilhas e se imagina os 43 anos de guerra e revolução, de resistência e devoção, de bloqueio econômico, de amizade e procura de irmãos perdidos pelas Américas, de separação e de radicalismos.
Este é o primeiro dos artigos que aparecerá em meu site de Internet, aqui no www.waltergalvani.com.br e se quiserem dialogar comigo, o mail é walter@cpovo.net.
Quero dar-vos conta do que foi minha breve “estancia” em Cuba, de uma semana apenas, para receber o prêmio de Literatura Brasileira para meu livro “Nau Capitânia”, denominado em sua edição castelhana (a melhor das premiações) como “La nave capitana”. Pois já navega em Cuba, desde o dia 30 de janeiro às 17 horas, quando teve sua apresentação apadrinhada pelo embaixador Raul Roa Kourí, que já representou seu país aqui no Brasil.
Foram seis dias de agradável convívio com os irmãos cubanos e com argentinos, uruguaios, paraguaios, peruanos, espanhois, portorriquenhos, bolivianos, colombianos, venezuelanos, espero não ter esquecido ninguém. Foram seis dias de valiosa troca de experiências, de informações, de certezas e incertezas.
E acima de tudo pairava (para mim) a idéia de que a nossa (brasileira) proximidade com os cubanos é maior do que se possa imaginar e que o sonho de “um só e grande Caribe” é uma realidade que se pode concretizar. Basta que cada uma faça uma forcinha. Dê a sua parte.
Lembro-me bem como foi que começou minha aproximação com Cuba. Foi nos anos 40, ainda. Tinha eu quatorze ou quinze anos e aproveitando uma seção da revista argentina “Hobby”, retirei o endereço de um Hernandez, entre os que “Solicitan canje filatelico”.
A troca de cartas iniciou, mandei-lhe selos brasileiros, vieram-me selos cubanos, enormes e lindos, por sinal. Isto era nos anos quarenta, disse eu, ou seja bem antes da fuga de Fulgencio Batista no “reveillon” de 1959 e da chegada de Fidel Castro à La Habana no dia 7 de janeiro.
Em março de 59, já bem mais crescidinho do que nos distantes e saudosos anos ginasiais de quarenta, fui à Argentina, a trabalho, como jornalista esportivo. No estádio de Nuñez, do River Plate, diante de 100 mil pessoas, ouvi quando o grito “Argentina! Argentina!” foi cambiado para “Cuba! Cuba! Cuba!” Eram os barbudos de Fidel Castro que lá estavam, com seus uniformes verdes e foram então aplaudidos por todos.
Os anos passaram, os países que cerram fileiras com os Estados Unidos expulsaram Cuba da OEA (1961). Todos, e uma abstenção (México).
Agora, 41 anos após, todos restabeleceram as relações diplomáticas com o regime de Fidel Castro, hoje um homem de 75 anos que ainda fala 7 horas de pé, sem sentar-se, apenas tomando um pouquinho d’água, e que ainda não aposentou o uniforme e o exercício do poder. O último a fazê-lo foi Honduras, nesta semana que passou, quando lá estive em La Habana. Faltam dois apenas: El Salvador, onde vive a mais ferrenha oposição aos cubanos e Estados Unidos, que no entanto mantém um escritório de negócios na capital de Cuba.
Estamos todos empenhados em construir uma irmandade continental, um grande Caribe, onde todos sejam iguais perante a lei e não haja diferenças abissais como infelizmente há no Brasil. Onde um trabalhador ganhe um pouco mais e tenha saúde e educação garantidas. E onde não haja diferenças de 700 vezes entre o salário do pobre (que porventura tenha emprego!) e o senador, o empresário ou o capitalista que nada mais faz do que acompanhar o capital acumulado crescer.
Sueños de una noche de verano!
Mas, é preciso construir o futuro e é nele que temos de pensar, afinal um outro mundo é possível, sim. Deixando lugar, aprendamos a lição, para as diferenças, as divergências, as opiniões individuais, a pluralidade dos partidos.
Difícil ? Mas é que um outro mundo é possível.
Cuba também sabe disso.
E os Estados Unidos também.
E no Brasil ? Saberemos ?
Olá leitores, internautas, amigos que tem me acompanhado. Estou esta semana em Cuba, para receber o diploma de vencedor do Prêmio Casa de Las Américas com a biografia romanceada de Pedro Álvares Cabral, "Nau Capitânia" e assistir ao seu lançamento em tradução para o espanhol, com o título provável de "Nave Capitana" postado por walter em 27/01/02
postado por em 25/01/02
Durante os próximos dias, Porto Alegre será sede do Forum Social Mundial, aquele mesmo que se opôs a Davos no ano passado e tanta repercussão teve. Com isto a capital do Rio Grande do Sul hospedará grandes nomes internacionais da área da sociologia, filosofia, política, literatura e meio ambiente. Nossa maior preocupação é a segurança. Sob todos os pontos de vista. Esperamos que Porto Alegre consiga se projetar também pelas garantias que dá a cidadãos de todas as nacionalidades e dos mais diferentes matizes políticos e ideológicos. postado por walter em 25/01/02
Um dos maiores imperadores romanos, Adriano, nasceu nesta data. A escritora Marguerite Yourcenar nos legou o patrimônio do seu extraordinário "Memórias de Adriano", uma lição de vida (e de literatura) postado por walter em 24/01/02
1926 ANOS ATRÁS
Walter Galvani
Exatamente num dia como hoje, 24 de janeiro, há 1926 anos, ou seja, no 76 de nossa era, nascia aquele que seria mais adiante imperador de Roma, da poderosa Roma que dominava três quartos do mundo conhecido.
E foi ele que escreveu o seguinte, contando de sua atuação:
“Pus termo ao escândalo das terras deixadas improdutivas por grandes proprietários indiferentes ao bem público: todo campo não cultivado durante cinco anos, passava automaticamente a pertencer ao lavrador disposto a fazê-lo produzir. Medidas semelhantes foram tomadas com relação às explorações mineiras. A maior parte dos nossos ricos faz enormes donativos ao Estado, às instituições públicas, ao príncipe. Muitos agem assim por interesse, alguns por virtude; quase todos, finalmente, ganham na transação. Teria preferido, porém, ver a generosidade deles assumir outras formas que não fossem a da ostentação na esmola, ensinar-lhes a aumentar sensatamente seus bens no interesse da comunidade, como só o fizeram até o presente para enriquecer os filhos. Foi dentro deste espírito que eu próprio tomei nas minhas mãos a administração do domínio imperial: ninguém tem o direito de tratar a terra como o avaro à sua arca de ouro.”
Ou leiam esta, quando estimulou a formação de uma cooperativa:
“Um dos meus dias mais felizes foi aquele em que consegui persuadir um grupo de marinheiros do Arquipélago a associar-se em corporação e a tratar diretamente com os mercadores das cidades. Jamais me senti tão príncipe e tão útil.”
Mas este príncipe era também um grande poeta.
Transcrevo aqui para que os que me acompanham levem esta impressão daquele grande espírito:
“Pequena alma terna flutuante
Hóspede e companheira do meu corpo,
Vais descer aos lugares pálidos duros nus
Onde deverás renunciar aos jogos de outrora...”
O tema da violência, a possibilidade de ataques políticos, as dificuldades da Argentina, as dificuldades do Brasil, são assuntos que prendem sempre nossa atenção. postado por walter em 23/01/02
SENAI, o excelente Serviço Nacioanl de Aprendizagem Industrial, está fazendo 60 anos. Começou durante a II Guerra Mundial com o objetivo de preparar mão-de-obra para a produção nacional que substituiria a importação postado por walter em 22/01/02
UM GRANDE SESSENTÃO
Walter Galvani
1942, guerra em andamento, esperanças adiadas, o mundo todo envolvido, o Brasil na expectativa, já em agosto estaria declarando guerra ao Eixo e logo logo enviando uma tropa expedicionária.
O governo de Getúlio Vargas cauteloso, acumulando divisas que colocariam o país na primeira linha quando, três anos depois, foi assinada a paz.
Enquanto isto, o desenvolvimento industrial gerava novas exigências, buscava-se mais e melhor mão-de-obra, as empresas procuravam gente especializada para atender a produção de produtos qualificados que faziam a substituição das importações, que aqui não podiam chegar por causa dos ataques aos navios mercantes por parte dos submarinos alemães.
Foi então que surgiu o SENAI que nestes sessenta anos tem se especializado na busca da excelência em educação profissional.
Durante todos estes anos, não há família de classe trabalhadora que não tenha sonhado na preparação dos seus filhos segura e eficiente para o acesso ao mercado de trabalho, feita através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Tamanho é o conceito do SENAI que andaram tentando “tascá-lo”, para retirá-lo do seio da iniciativa privada e transformá-lo em mais um órgão estatal.
Mas, o SENAI não nasceu nem com a vocação de cabide de empregos, nem com a inclinação pela modorra, pela acomodação. Ao contrário, nasceu e cresceu vibrante e historicamente ligado ao crescimento da indústria.
Não é por nada que o slogan dos 60 anos alinha nesta direção:
“Mais indústria. Mais Oportunidades. Mais Brasil.”
É o que se quer. É o que o país necessita. E por isto a assinatura do SENAI está neste site.
É preciso uma rigorosa investigação e ação imediata. O Brasil de que nos orgulhamos, o da "índole tolerante" do povo. está ameaçado. Ficaremos de braços cruzados ou alegaremos que tais mortes são coincidências que se enquadram na mortandade geral resultante da criminalidade comum ? Este é o Brasil que sonhamos ? postado por walter em 21/01/02
ALVOS BEM DEFINIDOS
Walter Galvani
Na onda dos seqüestros comuns, dos crimes contra os que podem render algum resultado prático para os assaltantes, dos chamados “seqüestros relâmpagos” nos quais a vítima é escolhida ao acaso nas ruas brasileiras, onde não há nem policiamento, nem condições de efetuar uma vigilância adequada, ocorreram os atentados em que foram vitimados dois prefeitos do PT, no estado de São Paulo.
Depois da primeira visão de que se tratara apenas de crimes comuns, inseridos no quadro de violência geral, apareceram os primeiros sintomas de que poderia ser um quadro geral de ação, com fundo político. Surgiu já o nome de uma organização, direitista naturalmente, que atenderia pelo nome de FARB (Frente de Ação Revolucionária Brasileira) disposta a tomar medidas em nome de uma ideologia.
Não terá respaldo na opinião pública brasileira, mas poderá trazer efeitos e danos para todos.
O principal atingido será o candidato oficial às próximas eleições, ou seja, aquele que representar o atual presidente da república. Por mais esforços que Fernando Henrique faça, para repudiar a violência, como aliás está procedendo, não conseguirá alterar a repercussão negativa que atingirá seu governo. Não há como. Nem que se transforme num exaltado liberal – no sentido histórico da palavra – nem mesmo que se apresente publicamente com guirlandas no pescoço. Nada mudará o clima já instaurado.
Extremistas, se o forem os criminosos, sempre receberão manifestações de apoio, ocultas ou explícitas, de outros extremistas iguais ou piores.
Quanto aos resultados das próximas eleições presidenciais, evidentemente que serão influenciados pelo que aconteceu até agora e pelo que ainda poderá acontecer até outubro. Lembre-se que são 12 os prefeitos petistas ameaçados diretamente através de cartas, inclusive Marta Suplicy, prefeita da maior cidade da América Latina.
Um ação firme da Polícia Civil ? Não há unidade de ação em todo o território nacional. Da Polícia Federal ? Faltam-lhe efetivos suficientes para uma ação deste tipo.
Resta o quê ? Adivinharam. O Exército. Mas é preciso saber se o Exército tem vontade para agir no contexto da corrupção, da violência, da miséria e da vergonha em que se vive no Brasil e interferir no processo de administração política. O Exército já o fez uma vez, a chamado das senhoras carolas de variadas idades e toda uma ala direitista do pensamento nacional, que brandia rosários pelas ruas do Rio de Janeiro e outras capitais, pedindo a intervenção contra o Demônio (representado pelos comunistas) e isto deu 1964.
Lembram ?
Poderemos ter outra “revolução redentora” com todas as suas conseqüências e suas seqüelas. E não pensem que isto é impossível no momento que o mundo vive. É possível sim, justamente pelo momento que o mundo vive.
E o país, de um modo particular. Estejamos muito atentos.
Nem o futebol brasileiro escapa ao mar de lama em que estamos atolados postado por walter em 18/01/02
O ESCÂNDALO DAS ARBITRAGENS
Walter Galvani
Vergonha das vergonhas, nem o futebol brasileiro escapa mais à corrupção. E, pela acusação feita, cabe agora ao STJD desvendar, Armando Marques, até aqui sinônimo da competência e, porque não ? – da lisura, teria sido o agente corruptor.
O juiz Alfredo dos Santos Loebling teria sido por ele pressionado a encerrar a partida entre Figueirense e Caxias, l minuto e 50 segundos antes do seu término, para dar a vitória e com isto a classificação para a Série A, ao clube de Santa Catarina.
Amamos Santa Catarina, tudo o que os gaúchos querem é viver em suas praias maravilhosas e muitos deles fazem isto. Acabarei fazendo...
Mas daí até aceitar a injustiça e a fraude, aí é demais.
Eu próprio já vi um jogo ser encerrado antes: Brasil empatava com a Argentina em 1959, o título seria argentino com o empate, a bola estava com Garrincha, era o minuto final e o juiz encerrou o jogo com o avante brasileiro escapando rumo ao gol adversário. Sozinho.
Na época fui um dos poucos que falei. Mas me mandaram calar a boca. Jovem repórter, engoli. Argentina campeã sul-americana.
Dessa vez é com o Caxias.
O juiz terá que provar o que disse, mudar a súmula ou acabar sendo condenado também pelo STJD.
O Caxias poderá ganhar os pontos ou pelo menos jogar de novo contra o Figueirense.
O pior é a mancha de escândalo e corrupção que atinge até o futebol.
Vamos confiar no quê ?
Não é por nada que o índice de credibilidade das instituições brasileiras cai, de pesquisa em pesquisa. O que também não é divulgado.
Só o que se sabe é que as religiões crescem. É óbvio, quando aumenta a ignorância, a pobreza, a descrença na política, na razão inversa sobe a esperança no sobrenatural... Passa a ser a única saída, ou pelo menos a forma escolhida de arranjar uma salvação para a pobre alma... Já que o corpo não tem remédio.
O dia de ontem assinalava em Porto Alegre, os 250 anos da Imigração Açoriana para o RGS. A capital foi escolhida como símbolo desta colonização no sul do Brasil, porque foi constituída inicialmente por casais açorianos que aceitaram para cá emigrar em 1752 e a partir disto o primeiro nome foi Porto dos Casais. O segundo, porque o primeiro foi Porto do Dornelles, ou D'Ornellas, do nome do fundador da povoação e primeiro sesmeiro da região Jerônimo de Ornellas, cujo descendente mais famoso foi o extraordinário escritor Manoelito de Ornellas, cujo nome precisa ser recuperado e projetado até onde merece. Os deputados dos Açores que aqui estão passando a semana, choraram quando ouviram a Dança do Pézinho, uma dança típica rio-grandense que veio dos Açores. J.C.Paixão Cortesfalou sobre as nossas raízes açorianas num jantar na residência do deputado João Osório e na Secretaria da Cultura houve a abertura oficial das comemorações. Presentes, entre outros, o presidente da Assembléia do Departamento Autônomo dos Açores, província marítima de Portugal. Foi um momento de muita emoção, mas que precisa ter continuidade, durante o ano inteiro, com o debate e estudo dos costumes, tradições e acontecimentos que marcaram estes 250 anos de História. Nos atos comemorativos, falando com emoção mas conhecimento e conte´´udo, Fernando Menezes, o deputado presidente da assembléia açorianos, chefiando uma delegação de vários deputados da região. Inesquecível o momento, à altura da importância desta colonização. Mas, vamos discutir o tema até o final do ano e de preferência, depois disto também. postado por walter em 17/01/02
Lembram daquele preceito bíblico? Vê o cisco no olho do vizinho e não vê o argueiro no próprio olho ? Traduzindo: não enxerga o tamanho do próprio defeito e no entanto visualiza tão bem o problema do próximo ? Assim está o Brasil com a Argentina. Estamos nos achando os melhores, neste momento. E a falsa misericórdia que anda por aí, o cinismo e a hipocrisia desenhado nas frases e nas declarações dos homens públicos e dos menos públicos.... não enganam a ninguém. Todos estão desejando o pior dos mundos para os argentinos. Esquecidos que onda vai, onda vem e acabamos sempre atingidos. Porque nossas fraquezas são muito semelhantes as do amigo-inimigo, irmão-adversário. Temos é que aprender a lição. Estaremos em condições de aprender esta lição dos fatos e das coisas ? Vamos estudar minha gente, vamos ler, vamos trabalhar. O Carnaval vem aí e com ele o esquecimento. Deveria ser um momento de reflexão. Oxalá que assim funcione. De propósito usei "oxalá" que nos aproxima dos castelhanos (ojalá) e dos árabes (que Alá o queira). 2002, ano do cavalo para os chineses, será um ano de muito trabalho, como o tem feito ao longo dos tempos aquele nobre animal. postado por walter em 15/01/02
O Maghreb, a Espanha, o Marrocos, o Algarve, o território comum que produziu "Gaúchos" e "Gáuchos" e a interpretação da crise argentina postado por walter em 14/01/02
GAÚCHOS E BEDUÍNOS
Walter Galvani
Relendo o magnífico trabalho de Manoelito de Ornellas, infelizmente esquecido no Rio Grande do Sul onde foi publicado pela primeira vez em 1948 e relançado em preciosa 4ª edição pela Martins Livreiro em 1999, além da compreensão da verdadeira etnia do gaúcho rio-grandense e, conseqüentemente, do platino, dá para começar a compreender as raízes da crise argentina.
Há neste livro magnífico, que teve em sua segunda edição (1956) um prefácio de Erico Veríssimo, no qual o grande escritor gaúcho defendia Manoelito dos injustos ataques causados pela inveja e a competição, e afirmava “É no terceiro e último capítulo desse alentado estudo que o escritor traça o discutido paralelo entre beduínos e gaúchos, valendo-se das lendas e superstições, semelhança de hábitos, indumentária, tradições e costumes.”
Depois de considerar oportuno o relançamento do livro, disse Erico que “talvez desta nossa posição no tempo possamos julgar esse ensaio com isenção de ânimo e mais lucidez, graças aos recentes avanços da Etnologia e da Antropologia.”
Diga-se de passagem, e em favor da sempre surpreendente lucidez de Erico, que ainda não se havia avançado então no terreno da decifração dos Genomas, o que poria hoje um ponto final em qualquer discussão do gênero, se a ela se quisesse aplicar o rigor científico da investigação.
Mas, aproveitando a conveniência de examinar a situação da Argentina, dou um passo além dos gaúchos do Rio Grande e passeio sobre os “gáuchos” platinos, em especial justamente aqueles “do lado de lá” do Prata.
Jorge Fontevecchia, diretor editor da Perfil, a maior editora de revistas da Argentina, afirma em artigo publicado na “Veja”, edição com data de 16 de janeiro de 2002, que circulou neste final de semana em todo o Brasil, que “a percepção dos argentinos não é a de viverem em um país subdesenvolvido, mas a de que são cidadãos do Primeiro Mundo, aspiração que não se ajusta à realidade”.
Não se ajusta mais à realidade, porque a Argentina “foi” a 6ª potência global, aspiração máxima do Brasil e de todos os países concorrentes e “em desenvolvimento”. Mas não o é mais.
O articulista argentino diz que com o fim da II Guerra Mundial, seus compatriotas “continuaram acreditando que, ao contrário do petróleo, as exportações de alimentos nunca teriam fim. Ocorreu o inverso: graças ao aumento da produtividade trazido pela tecnologia, somado à baixa da taxa de natalidade, a produção mundial de alimentos per capita aumentou, reduzindo o preço desse produto de maneira constante.”
Explicações econômicas a parte, Manoelito de Ornellas tocou no ponto com sua interpretação antropológica:
Os argentinos descendem em esmagadora maioria de espanhóis, tendo sido conseqüentemente formados, entre outros povos que ocuparam e viveram na Península Ibérica, pelos bérberes. E aqui, através dos tempos, a corrente que produziu também o gaúcho, o homem do campo da Província de São Pedro, do atual Rio Grande do Sul. Mas, vejam um pouco desses ancestrais:
“Individualista e orgulhoso – escreve Manoelito, à pág. 186 do seu “Gaúchos e Beduínos”, 4ª edição – cada espanhol presume-se o centro do mundo. “El mejor hombre del mundo” na frase de Leopoldo Benitez. Es espanhóis do século XVI admitiam a sua superioridade pelo fato de haverem nascido na Espanha. Nem a própria majestade do Rei, dobrava-lhes a altivez e a arrogância.”
E ilustra: “Juan Bravo, ao encarar o verdugo e ao pensar em Padilla, seu companheiro de lutas e martírio pela libertação de Castela, exclama: “Degüelleme a mi primero, para que el vea la muerte del mejor caballero de Castilla”.
É duro ver-se reduzido ao mesmo nível dos subdesenvolvidos e aceitar que o país não produz alimento suficiente para sua população, que os velhos casacos estão esfarrapados, que há desemprego e o futuro parece distante, cada vez mais parecido com o dos vizinhos subdesenvolvidos.
Despreza-se o mais forte canal de educação do povo. Por falta de ação das autoridades e pela inexistência no Brasil de um Conselho Superior de Comunicação Social, como há em outros países, mais desenvolvidos postado por walter em 13/01/02
IGNORÃNCIA E FALTA DE RESPEITO
Walter Galvani
Já se escreveu mil vezes que um povo que não conhece a sua própria história está condenado a repeti-la, mas em forma de farsa.. Ou tragédia. Para os mais jovens, o conselho não funciona. Como numa família, os erros se repetem porque os indivíduos que estão estreando na vida não se conformam com as normas que lhes querem impor e procuram rompê-las. Mas, isto não deve valer para os países que assim se pretendem, enquanto vigorar um sistema de pátrias independentes na convivência global.
O Brasil é o Brasil, histórica e sociologicamente uma nação, porque foi assim conformada pelos que nos antecederam. Por maiores que tenham sido os problemas, até aqui chegamos graças a erros e acertos que precisam ser examinados e estudados.
Faz muito mal ao país e seus habitantes, um comportamento adolescente de críticas infundadas e, pior ainda, de erros repetidos.
Basta pesquisar um pouco, investigar a História com seriedade, e aí estão os documentos disponíveis, em nosso caso aqui e em Portugal, para que se possa montar uma avaliação realista do que se passou.
A crônica de escândalos da realeza, praticada por alguns autores em busca de notoriedade e eventualmente resultados financeiros, pode alcançar sucesso eventual, mas não resiste ao estudo sério do passado brasileiro ou de qualquer povo na face da terra.
Modernamente, é preciso ainda considerar a imensa responsabilidade dos meios de comunicação, especialmente dos meios eletrônicos. A Televisão, invadindo 90 por cento dos lares brasileiros, das avenidas do Rio de Janeiro até às barrancas do Oiapoque ou as matas do Brasil Central, tem uma influência inimaginável. Não há escola (ou família) que possa fazer frente ao poder destruidor (ou construtor) que a “telinha” representa.
Hoje uma garota de 13 anos que vive num assentamento indígena do interior, pensa, fala e se veste e procede como as suas contemporâneas cariocas.
Não cabe portanto mostrar a História do Brasil em forma de pornochanchada. É um grave equívoco, pena que se tenha praticado, e é bom que não se torne a fazê-lo.
Citando especificamente os personagens, já “Carlota Joaquina”, que de fato “enlouqueceu”, teve antes disso um procedimento de acordo com os interesses políticos que representava, o que é inegável. O filme de Carla Camuratti lhe fez injustiças irreparáveis. Pior a minissérie da Globo. Com relação a Dom João VI, o erro é ainda maior.
Apresentá-lo como um demente a comer permanentemente uma perna de frango é no mínimo politicamente incorreto, para citar um termo moderno.
Tem mais: analisada com distanciamento histórico a figura de Dom João VI, primeiro como Príncipe Regente, mais tarde como rei de Portugal, Brasil e Algarve, Senhor da Guiné, se sobressai no seu tempo.
“Ele era um sábio”, como diz o historiador José Jobson Arruda, autor de “Brasil – Portugal – História – Agenda para o Milênio”.
Se continuarmos a insistir na figura do “glutão”, do “português burro da anedota” e outras criancices, estaremos apenas – quem sabe ? – negando a figura do pai para cumprirmos uma etapa que já deveria estar ultrapassada.
Julgar-se melhor do que os outros, mais inteligente, mais capaz, o insuperável dono da malícia e da criatividade, é um vezo que os brasileiros devem extirpar de seu pensamento, se quisermos que o país de fato se alinhe entre os mais desenvolvidos. Ingenuidade ou ignorância e falta de respeito por nós mesmos, a nada nos leva.
(Publicado originalmente no premiado jornal ABC DOMINGO – com o qual conquistei o 2º lugar em Crônica Concurso ARI 2001 – na edição de 13-01-2002)
O Novo Código Civil Brasileiro já entra em vigor defasado. Mas, pelo menos traz algumas mudanças. Poderia ser melhor, no entanto, e oferece frestas perigosas postado por walter em 11/01/02
COSTUME, AGORA LEI
Walter Galvani
Hábitos sedimentados, consagrados em lei. Costumes diferentes, ameaçados pela nova lei. Procedimentos estranhos, punidos pela sociedade. Muitas vantagens e muitos perigos no novo Código Civil, o tal que tramitou durante 26 anos e ontem foi sancionado pelo presidente do Brasil.
Algumas coisas recebem apenas a autenticação por parte da sociedade, porque já vinham sendo praticadas, como por exemplo, a impossibilidade de anular um casamento por causa da falta de virgindade da moça. Resultante ainda de um antigo ranço machista, agora liquidado. Novidades que darão pano para muitas mangas como a possibilidade dos maridos pedirem pensão de alimentos, o que pode acabar com uma “indústria” muito em voga, por parte de mulheres e suas famílias, que transformam a relação matrimonial numa rendosa ocupação. E isto é muito mais encontradiço do que se possa imaginar.
União estável: acaba o prazo de dois anos. Mas o que será uma união “pública, contínua e duradoura” ?
O usucapião cai de 20 para 15 anos, o que pode facilitar a ocupação urbana de terrenos e complicar a vida no campo.
A maioridade cai de 21 para 18 anos. Deveria sê-lo aos 16, para diminuir o uso de menores no crime.
Mãe solteira passa a formar uma família com seus filhos, o que é mais do que justo, simplificador e facilita operações comerciais e financiamentos.
Condomínios, ah os perigos da convivência! Se a maioria dos moradores de um condomínio julgam o comportamento de algum morador como “problemático”, podem expulsá-lo do prédio. Podem multá-lo também. Cada condomínio estabelecerá seu regulamento interno. E quem faz barulho na sua rua? Quem perturba os vizinhos? Alguma lei defende os que querem tranqüilidade ? Mas, há o perigo das falsas acusações e das perseguições individuais. Comportamentos excêntricos podem ser alvo de injustiças.
Eis um risco. Ninguém pode ser “diferente” que os demais “iguais”, e há sempre alguns mais “iguais” do que os outros podem aplicar punições exageradas, indevidas ou antiéticas.
Portanto, há imperfeições, como em todas as leis.
Algumas coisas chegam com atraso, mas pelo menos chegam. E outras ainda não chegaram, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo, que já se pratica e há tanto tempo, mas que pelo menos poderão ser alvo de emendas constitucionais.
É assim. Festejou-se o Brasil como uma das maiores e mais dinâmicas democracias do mundo, pelo presidente Fernando Henrique, mas é bom que se diga que Código Civil não quer dizer democracia. É a prática do Código e da Constituição que conferem ao país uma qualificação dessas e isto é preciso cumprir permanentemente.
Desde a Independência (1822) tivemos vários rompimentos institucionais com a Democracia e o primeiro e mais notório, foi, sem dúvida, a própria instituição da República, um golpe militar. Assim como outros golpes vieram se sucedendo, alguns evidentes a luz da História, como a Revolução de 30, outros disfarçados para a maioria, outros mais claros ainda como o Estado Novo de 1937 ou o Golpe de 1964.
De 1986 para cá, depois da “abertura lenta e gradual”, tivemos sim, o pleno exercício da Democracia. Vamos comemorar com discrição. São apenas 16 anos e ainda não temos o culto desta prática, institucionalizado. Sempre se corre riscos.
Uma organização mundial é sempre uma esperança de paz e entendimento entre os homens. Reverenciemos então este 10 de janeiro. Mas tiremos a lição do fracasso também... postado por walter em 10/01/02
LIÇÕES DA DATA
Walter Galvani
Há um antigo provérbio português que nos ensina: “Tudo como dantes no Quartel de Abrantes”. As coisas não mudam muito, vão passando os anos e até os séculos.
Ser otimista à esta altura da história é ser no mínimo imprudente.
Ou idiota, como nos transmitiu Voltaire no século XVII.
Mas, enfim, assinale-se que o dia 10 de janeiro, em 1920 significou o primeiro encontro para a criação da Liga das Nações, assinatura do Tratado de Versalhes que ratificou o final da I Guerra Mundial, ou a chamada “Grande Guerra” que ensangüentou o mundo de 1914 a 1918 e lançou a guerra bacteriológica com o uso de gases venenosos (mostarda era um deles, os irônicos dirão que hoje usamos um descendente desta substância para temperar o cachorro quente ou o sanduiche...).
A Liga das Nações durou pouco. Naufragou com a Grande Depressão dos anos 30 e desembocamos na Segunda Guerra Mundial, tendo Adolf Hitler denunciado o leonino Tratado de Versalhes. Isto desencadeou o novo conflito que só acabou em 1945. Em 1946, num dia 10 de janeiro, realizava-se a primeira sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, nossa conhecida ONU (Organização das Nações Unidas), tendo na presidência o chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha. Um gaúcho do Alegrete e membro mais influente do governo de Getúlio Vargas.
Como um alerta à Humanidade, que não foi entendido, estreava em 1926, a obra prima cinematográfica do cineasta alemão Fritz Lang, que alertava para os tremendos perigos da vida moderna, da industrialização, da desumanização, e da globalização de certa forma, do domínio de uma elite e da escravização das classes trabalhadoras. Ninguém lhe deu confiança, ou pelo menos a confiança devida.
Restou o filme como um monumento da qualificação, da premonição de um artista. Eu o tenho em casa. Vou assisti-lo logo mais para trazer bem à minha frente a lição do grande realizador alemão, do tempo em que o cinema se preocupava com a arte e não vivia de tiro, coice e bofetada...
Mas pelo mundo é assim mesmo. O ruído de bombas, o estrondo dos bombardeios, o ódio, a competição, a inveja.
Não aprendemos muito nestes anos todos.
Resta saber se a Humanidade tem ainda a capacidade de aprender com as pequenas e as grandes coisas, com as lições que estão acumuladas em nosso passado comum. É preciso remexer nele, tirar-lhe o pó, desarquivá-lo e expô-lo bem à mostra, na frente de todos.
Pode ser que nestes avanços e recuos fique algum resíduo positivo.
É pensando nisto que seguimos em frente.
Ah, uma curiosidade: o disco de vinil, o chamado “bolachão”, o LP ou “Long playing” nasceu num 10 de janeiro também: em 1949. Já morreu. E não sabe.
A Televisão brasileira, tecnicamente excelente, em matéria de conteúdo é péssima, tão ruim quanto as piores no exterior. Aliás, característica deste meio é produzir o lixo do lixo... Em matéria de abordagem da História, o que faz a TV é simplesmente vergonhoso postado por walter em 09/01/02
INDIGÊNCIA MENTAL
Walter Galvani
A Televisão, que tantas esperanças criou quando nasceu, transformou-se numa lamentável máquina de fazer doidos. Estou falando sobre o mundo inteiro, praticamente. Com raras e honrosas exceções, a programação de TV passou a transmitir para os que se aventuram a ligar o aparelho (e alguns nele estão grudados o dia todo) o lixo do lixo.
Uma fábrica de débeis mentais que infelizmente acabarão por se constituir na maioria, pois não me parece que haja qualquer interesse por parte de algum governo opor-se à tal achatamento cultural da população.
Premidos pela necessidade de ir à “mídia” (primeiro erro, pois “mídia” é a pronúncia americana de uma palavra do Latim, “media”, ou seja “os meios”) os políticos são incapazes de fazer-lhe qualquer crítica. E então buscando incessantemente o espaço, aplaudem tudo o que é porcaria que nos impingem.
O espetáculo de lamentável indigência mental é tão grande, que se acaba aplaudindo coisas tipo “show do milhão” de Sílvio Santos, porque por alguns segundos faz pensar, mesmo que sejam questões simples como “qual é o plural de cristão” – assunto misterioso para os universitários convidados que não sabem decliná-lo e talvez nem saibam o que significa exatamente a palavra... Tudo é possível.
Mas vamos de mal a pior neste mundo da tal “caixa de produzir mediocridades e fazer doidos”. Tanto é assim que a História, naturalmente a venerada mestra dos nossos atos do dia a dia, pelo menos deveria sê-lo, é tratada com a irreverência da ignorância, como se inconformismo ou descontração, fosse o mesmo que cuspir no prato da verdade.
Uma vergonha e vergonha maior ainda que não se ouçam, vejam ou leia-se protestos, a não ser pálidas manifestações.
Como vamos cobrar de mestres e alunos do ensino institucional, se a escola mais prática e dinâmica, a TV lhes enfia boca abaixo, apenas besteiras, pronochanchadas e mentiras ?
Neste mundo de “sexo, mentiras e videotape” que nos tocou viver, no meio deste lixo cultural, fica difícil mesmo respirar sem contaminação.
Sugiro desligar o tal aparelho e somente usá-lo em certos momentos, como se faz com os demais eletrodomésticos. Sei que isto é difícil, mas é o ideal.
E os pais que optam por esta babá eletrônica, pensem no terrível dano que estão causando aos seus filhos.
Dediquem-se a eles um pouquinho mais.
Só que a resposta vem aí. Junto com esta geração de idiotas, tarados e malandros, burros (com mil perdões ao nobre animal, é apenas força de expressão...) e fracassados, surgirá, como conseqüência lógica, uma elite. Resultado dos que lêem, se informam, discutem e tem consciência crítica das coisas.
Estes, entes especiais, resultado da educação que começa no berço onde são criados e não mal criados, passa por uma boa escola e magníficos professores, que ainda os há, infelizmente lutando contra esta enxurrada de porcarias, pois estes mandarão no mundo.
Os outros, a estes caberá fazer o serviço sujo, trabalhar, ganhar pouco, cada vez menos, embora o que produzam talvez não venha mesmo a valer muita coisa.
Perdão pelo pessimismo, mas é o que está aí.
E não esqueçam que este ano é de voto no Brasil e votando pode-se começar a queimar etapas.
Sejamos justos, duros e também cruéis.
Fúria arrecadadora por parte da União, mas também das empresas prestadoras de serviços. Atingidos? Todos nós. Começa pelo Pedágio nas estradas brasileiras. Parece uma piada: chega o verão, as estradas são utilizadas com mais intensidade, e então aplica-se o aumento. O pedágio sobe 13 por cento, sendo 11 por cento por "reposições inflacionárias" e 2 por cento "por obras não previstas em contratos". Fica fácil, não é mesmo ? E os salários ? Terão reposição inflacionária ? Claro que não. Os acordos em geral são em torno de 4 ou 5 por cento anuais. Tem mais: o Imposto de Renda. As empresas prestadoras de serviços terão de pagar mais IR. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir de maio, terá a sua alíquota elevada de 1 para 3 por cento. De manhã cedo você ouve no rádio e na televisão um ministro de estado dizendo que o Brasil tem que cresvcer "e parece que tem medo de crescer", precisa criar empregos, gerar oportunidades. Minutos depois você abre os jornais e vê todo mundo metendo a mão noseu bolso. Ah, tem mais: como estamos em período de férias e mais gente viaja de avião, a Varig e a TAM elevam também suas tarifas, em média de 2 a 10 por cento... A famosa índole pacífica do povo brasileiro pode soar como excessiva tolerância. Por algo parecido os argentinos partiram para o panelaço! postado por walter em 08/01/02
Lendo os jornais, ouvindo rádio e assistindo televisão, você acha, à esta altura, que nunca tivemos políticos tão bons. São todos honestos, criteriosos e dedicados. É que este ano de 2002 é um ano eleitoral. Daqui a pouco eles se pegam e os pôdres virão para a rua. Só que, cabeça fria na hora da campanha eleitoral. Teremos que fazer o nosso voto, pensando no que eles foram até o dia 31 de dezembro de 2001... postado por walter em 07/01/02
CAMPANHAS POLÍTICAS DE 2002
Walter Galvani
Nestes primeiros dias do ano, as pessoas vão se dar conta o quanto são bonzinhos nossos políticos, como são honestos, interessados nos destinos do país, apesar da classificação do Congresso em último lugar na credibilidade junto ao público em pesquisa feita no final do ano passado.
Nunca se viu tantas equipes nas ruas, cartazes, faixas, publicidade no rádio, na TV e nos jornais, explicando o que é feito com o dinheiro público.
Mutirões de funcionários colocam em dia a limpeza pública, todos os setores são eficientes e todos os governantes, sem exceção, ótimos e dedicados.
Presta-se conta de tudo, temos uma grande abertura, transparência, participação do povo em todos os círculos de decisão, ouvidorias com grandes “orelhas” abertas ao povo e muita severidade nos gastos.
Sim, teremos eleições este ano. Podem ir escovando os títulos eleitorais que teremos de votar para presidente da república, senado, câmara e governo do estado. É voto para mais de metro e até a novidade de voto eletrônico com recibo vamos ter este ano. Ainda não chegamos à perfeição do voto pela Internet, que a Inglaterra, por sinal um dos países mais conservadores do mundo, está pretendendo introduzir.
Por enquanto vamos escolher entre Lula (ou haverá prévia interna no PT?) e o adversário gerado no bojo da união PSDB-PFL, com mais alguma contribuição de apoiadores eventuais (ou o PMDB terá força com Simon ou Itamar ou sem eles para “chegar lá” ?) para a sucessão ao articulado, bem falante e simpático Fernando Henrique Cardoso.
Propõe-se uma saída italiana para FHC. O “senatore a vita”, uma coisa linda, que se pretende transplantar para cá e não sei se o povão apoiaria: significa que o cidadão que chega a presidente da república, torna-se intocável e perpetuamente garantido financeiramente como pensionista da república. Algo muito digno e emocionante, mas que precisa ser examinado pela opinião pública brasileira, que, como se sabe, desconfia de saída da honestidade de propósitos dos seus representantes.
Neste 2002 no entanto, todos serão honestos, puros e bons. Será uma extraordinária safra de santinhos. Aos poucos ficaremos sabendo que o reino dos Céus é escasso para tanta gente boa que se digladiará diante dos microfones e câmeras de TV para provar o quanto ainda poderão se dedicar ao povo brasileiro.
Na hora do voto, no recolhimento da cabina, levem a “colinha” pronta com os nomes e números, porque vai ser difícil. Mas quando prepararem a “lição de casa”, pensem no que eles foram em anos passados e não apenas o que eles serão nestes dez primeiros meses de 2002.
Bem, agora já se sabe de tudo: o seqüestro durou 27 horas e botou Porto Alegre nas páginas dos jornais do mundo inteiro. O seqüestrador queria um helicóptero e 500 mil reais e deixou por nada... Foi parar no Hospital e terá de fazer o tratamento psiquiátrico do qual nunca deveria ter se afastado. Quanto à miséria da população, continua a mesma... Quanto aos salários milionários dos astros de futebo, também se continua na mesma. O fato é que Porto Alegre entrou para a vitrina de forma inconveniente. Pelo menos a Polícia saiu com nota dez. Não matou ninguém (desta vez) e negociou até à exaustão. Ninguém deu ouvido a radicais. postado por walter em 06/01/02
De repente, Porto Alegre, que se orgulha de possuir uma das melhores situações econômicas e oferece aos seus habitantes nível de qualidade de vida, acima da média, é alvo de um seqüestro de uma lotação (pequeno ônibus de passageiros). O seqüestrador fez vários reféns. Tudo começou quando faltavam 15 minutos para as 9 horas da manhã, no centro da capital sulista, como já informou ao mundo a agência AFP. É apenas uma demonstração de que o desnível social do Brasil não poupa ninguém... No meio disso tudo - é o Brasil - os esportistas recebem a informação de que o Internacional, da mesma Porto Alegre, acaba de contratar o zagueiro (da seleção brasileira) Júnior Baiano. Ele vai ganhar 100 mil reais por mês... Quanto ao seqüestrador... quanto? E os reféns ? Alguns, se não todos, devem ganhar um salário-mínimo, por certo... postado por walter em 04/01/02
Enquanto ultimo a operação de colocar este texto na Internet, há um pássaro chilreando aqui nos meus ouvidos. Sinto o seu bulício através da janela aberta. Lá fora um belo sol de verão postado por walter em 04/01/02
Escrevi tudo no título e assim nem preciso ocupar o precioso tempo do leitor com o raciocínio, a crônica, a apresentação das minhas idéias e as conclusões.
Já o sabem, os que me acompanham, que estou falando do Brasil.
Infelizmente.
Gostaria de escrever aqui sobre felicidade, samba, carnaval, praia, Bahia, pampa, cavalos, churrascos, vida ao ar livre, turismo em Gramado, Florianópolis ou informar os detalhes do novo texto em que me ocupo.
Mas em minha cabeça martelam assuntos como o envenenamento, agora admitido, do “homem que sabia demais”, o seqüestrador da filha do Sílvio Santos, um dos maiores empresários de comunicação do país, a morte de detentos pelos seus colegas na prisão “Urso Branco”, os brigadianos que fizeram justiça pelas próprias mãos e sobretudo, o fato de uma pesquisa de opinião pública haver apoiado tal atitude.
Infelizmente os temas são estes neste alvorecer de um novo ano: fraude, assaltos, roubos, assassinatos, mortes no trânsito.
Será que não temos nada de bom para oferecer ou este é o preço da miséria humana em que se transformou a vida neste poço de competição e de maldade ?
Dias desses reli “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, uma novela escrita na primeira metade do século XIX. Está tudo lá. Nada foi inventado portanto. Só aprimorado...
Deve ser o tal progresso... no qual os humanos tanto acreditam, e reverenciam através da demente admiração pelas máquinas e pela velocidade.
A morte do seqüestrador da filha de Sílvio Santos, Fernando Gomes Pinto, pode significar mais um episódio de "envenenamento" por corrupção... É infelizmente algo vulgar no Brasil e a não ser pelo destaque dos fatos, nada é especial. Imprtante mesmo é acompanhar o que se passa na Argentina com as suas conseqüências imediatas no Brasil. postado por walter em 03/01/02
A VOLTA DO PERONISMO, FIM DO NEO-LIBERALISMO
Walter Galvani
Embora modernizado, porque os tempos mudam naturalmente, o que temos na Argentina agora é o retorno do ideário que levou Perón ao poder e que também o derrubou. Prever para Eduardo Duhalde a mesma sina é talvez exagero, mas não foi por acaso que ele mencionou o presidente fundador do peronismo em seu discurso de posse e menos ainda por acaso que ele lembrou o desempenho de Evita.
Não é hora de fazer piadinha tipo “no llores por mi Argentina”, mas foi também Duhalde, ao ser empossado que lembrou a necessidade de “um governo de salvação nacional”. Apoio explícito neste início de mandato não lhe falta. Sua escolha é resultado de um acordo parlamentar, para que cumprisse o que restaria do mandato de Fernando de La Rua, portanto até 2003, com 262 votos a favor (o que representa maioria absoluta), 21 contra e 18 abstenções.
Isto é para começar. Resta saber o que ele perde e ganha ao longo do tempo, a partir deste momento, quando ele inicía devolvendo ao peso a flutuação perante ao dólar, o que levará a moeda argentina à uma desvalorização que só as bolsas de valores saberão estabelecer, ao balanço dos negócios.
Mas há uma firme determinação que nos diz respeito, como brasileiros e diz respeito a todos, como participantes desta geringonça mundial que passou a se chamar de Globalização. É a idéia de priorizar os acordos internacionais, com preferência imediata para o Mercosul.
O novo ministro de Relações Exteriores visita o Brasil, na inauguração de um périplo que o levará aos principais mercados mundiais. Somos o principal parceiro direto da Argentina e a Argentina é nosso segundo maior parceiro.
Temos cidadãos brasileiros com terras no país vizinho e centenas de quilômetros de fronteira comum.
Terra de exílio político de muitos conterrâneos nossos desde o século XIX e desde então também terra de exílio dos vizinhos argentinos. E também rota de turismo. Os 40 por cento a menos que penetram no território brasileiro, farão falta sim, em nosso balanço comercial. É ilusão e mentira dizer que eles estão sendo substituído por turistas brasileiros. Objetivamente, para a região sul, claro que o são. Mas trata-se de dinheiro brasileiro igual e não entrada de divisas como significaria uma “invasão” argentina.
No caso específico de Santa Catarina, os paulistas, em busca de melhores preços (uma baixa motivada pela ausência dos argentinos), paranaenses (estimulados pela duplicação da BR-101), e gaúchos (que sempre mais descobrem as belezas das praias catarinenses, embora mal vistos como rivais e competidores diretos por parcelas consideráveis da população do vizinho estado), em número substituirão, talvez até com vantagem aos “hermanos” ausentes.
Mas com reais e não com dólares ou qualquer divisa que tivesse o peso igual à moeda americana.
É hora de repensar também a política de turismo, pois, sem dúvida nenhuma é preciso partir imediatamente para uma campanha sólida de divulgação do Brasil. Buscar os “euros” dos prósperos cidadãos da Europa, desde o primeiro dia do ano de 2002 com a nova e forte (pelo menos é o que se deseja) unidade monetária e com a união econômica de quase todos os países do Velho Mundo.
Este segundo dia do ano é um legítimo Dia da Lua ao longo da História. Vejam o significado disso e o quanto a Lua pode influir no comportamento dos humanos postado por walter em 02/01/02
UM DIA DA LUA
Walter Galvani
Este segundo dia de janeiro foi feito para assinalar-se por momentos decisivos na História da Humanidade.
Examinem os fatos e feitos e reflitam comigo.
1492 – Granada, último reduto mouro no território espanhol, cai em poder dos castelhanos. A partir deste dia cessa o poder dos árabes na Península Ibérica, depois de sete séculos.
Não teriam eles, árabes e muçulmanos, deixado suas marcas ?
Claro, houve a maravilhosa civilização denominada de “moçárabe” e profunda foi a contribuição cultural, usos, costumes, arquitetura, filosofia, ciências astronômicas, matemática. Ah, e os algarismos, que entraram na vida dos latinos substituindo os velhos números romanos. Por isto, 1492.
1635. Quem diria, hein, um cardeal. O bom Richelieu dos velhos tempos, político e religioso, funda a Academia Francesa de Letras, que serviu “de modelo à toda a terra”. Temos hoje academias praticamente em todos os países ocidentais e também em estados e províncias e até em algumas cidades. Locais onde se cultua a língua, a literatura, a atividade intelectual de um modo geral.
1839. O dia 2 de janeiro é mesmo da Lua. Foi o dia em que ela tirou o primeiro retrato...
O fotógrafo francês Louis Daguerre, considerado o inventor da fotografia como nós a conhecemos, pela primeira vez conseguiu fixar a Lua numa foto.
1920 – Nasce Isaac Asimov, grande escritor de ficção científica.
1959 – Os russos lançam uma nave espacial, chamada justamente Luna. Sem tripulação, a astronave foi a primeira a passar perto da... Lua.
1959 – Fulgêncio Batista fugira desabaladamente no dia primeiro de janeiro, à luz da lua que batia em Cuba no primeiro dia do ano. E neste dia 2 instalava-se o primeiro governo cubano da revolução vitoriosa.
Lembrando ainda que no dia 2 de janeiro do ano 17 Depois de Cristo, morria Ovídio, o grande poeta da Lua e das Estrelas.
Acho que podemos rebatizar este dia 2 de Janeiro como o Dia da Lua, submetido que foi ele, ao longo dos séculos ao seu fascínio e ao seu constante exercício de ir e vir, fazer subir e baixar as tensões e a imaginação humana.
Vamos mexer nos controles do nosso pensamento. E voar para o Ano Novo! postado por walter em 28/12/01
2002, 2002
Walter Galvani
O calendário não muda nada, mas pode mudar nossa cabeça. Esta é a grande virtude deste invento dos assírios. Os festejos, os fogos de artifício, as comemorações intramuros ou nas praias, ruas, avenidas, nas grandes e nas pequenas cidades, sob o forte verão de parte do hemisfério sul ou sob a neve de parte do hemisfério norte, tudo se soma para criar um clima que substitui a tradicional nostalgia natalina, pela alegria, a euforia.
Se alguém imagina que continuando a gastar mais do que ganha, ou obter equilíbrio financeiro sem produzir, poderá pela simples e mágica mudança de 2001 para 2002 chegar ao êxito, pode ir tirando o cavalinho da chuva.
A Argentina, por exemplo, com uma nova moeda que fatalmente estimulará a inflação, pelo menos pisa o novo ano com esperanças. O cavallo deles, que saiu do primeiro plano e conseqüentemente da chuva, teme agora se arriscar nas ruas e acabar apanhando literalmente.
Ao cambiar o presidente com Adolfo Rodrigues Saá que é provisório, mas já sonha com sua perpetuidade no poder, em lugar do Fernando deles, o De La Rua, e emitir uma moeda que tem como nome o gentílico do país, correm eles, os argentinos, os riscos que vinham correndo em 2001. Mas, mudaram a cabeça do país. Voltou o Peronismo ao poder, para quem não sabe, disfarçado agora de Justicialismo. O partido é o PJ, que tem, como se sabe, vocação populista e autoritária. O banho de democracia que o povo deu nos governantes talvez não tenha sido suficiente. Nunca é.
Vejam o caso de Bush que ganhou uma eleição misteriosa nos Estados Unidos, onde até hoje não se sabe com exatidão quem teve a maioria dos votos da Florida, que prega a luta do Bem contra o Mal e coleciona ódios mundiais, defendendo uma nova Questão Religiosa.
Que Alá o proteja e evite que alguém com os sapatos cheios de explosivos lhe apareça pela frente.
Neste último dia 28 de dezembro, aconteceu mais uma tragédia: surgiu outro cidadão pisando explosivos. Examinado, chegaram à conclusão de que ele não tinha dinamite suficiente para derrubar o avião...
Enquanto isto, nós temos que tirar os sapatos cada vez que passamos pelos controles eletrônicos dos aeroportos. A partir de hoje passo a usar meias novas e limpas em cada viagem, para não passar vergonha diante dos inspetores. Imaginem se tiro os sapatos e a meia está furada ?
Com estas dificuldades em que vivemos, não seria de duvidar...
Pior é a situação das pessoas que vivem nas encostas dos morros, onde o terreno é grátis e não há nenhuma proteção por parte dos municípios, ou pelo menos proibição para que as famílias ali se instalassem. O presidente Fernando Henrique criticou o governo do estado, e os representantes do estado do Rio de Janeiro raquetearam a crítica de volta, dizendo que o governo federal é que não repassa recursos. Há mais de 50 mortos, que não querem – porque nem tem mais com o que se preocupar – saber de nada. É tarde.
Fernando Henrique, Garotinho ou garotões, queremos nos postos de mando é alguém que tenha a coragem de proibir as pessoas de morarem onde não há condições, inclusive de segurança física. Não falo de assaltos. Isto já é outro tema.. Ninguém está seguro no Brasil.
Lembro que esta coluna é lida no mundo inteiro, mas não posso ocultá-lo. Nós, aqui no Brasil, convivemos com a constante sensação de insegurança pessoal, pois à cada esquina, à cada noite ou a cada amanhecer podemos ser abatidos pelos nossos “semelhantes”.
Continuo achando que quando se diz que “o homem é o lobo do homem” (homo hominis lupus, no velho latim que aprendi quando se estudava até latim no ginásio...) está se cometendo uma injustiça para com o lobo.
O lobo, o simpático lobo que queria ficar com o Chapeuzinho Vermelho e comeu a vovó... – só mata quando está com fome. Já o homem...
O novo tape de Bin Laden, mantendo aceso o ódio anti-americano entre os muçulmanos, é verdadeiro ? Ou ele estaria morto ? É a manchete de hoje em todos os jornais importantes do mundo. O que fará com que a perseguição a ele continue, talvez depois do Ano Novo. Os americanos procurarão escarafunchar as cavernas até à exaustão. Ou melhor: até pegá-lo, vivo ou morto. A pergunta do dia é: morto Osana Bin Laden, terminará a luta terrorista contra os Estados Unidos da América do Norte ou continuará o "Império Romano" do século vinte (e vinte e um) a ser o alvo dos que se consideram oprimidos no mundo inteiro ? A segunda pergunta é: o primeiro Império Romano nos deixou a língua latina. O Segundo, o que nos legará ? postado por walter em 27/12/01
Em que você acredita ? Na propaganda do Pentágono ou na propaganda da Al Qaeda e dos demais seguidores de Bin Laden ? Em tempo de guerra, mentira na terra... - diz um velho provérbio da língua e da cultura portuguesa. De pé atrás, esperamos que o novo ano ilumine a ignorância dos homens. Sempre uma tarefa difícil. postado por walter em 27/12/01
O país mestiço foi a grande invenção brasileira. Não estraguem. postado por walter em 26/12/01
ANTES QUE O ANO ACABE
Walter Galvani
Tivemos de tudo. Talibans, Osama Bin Laden, Bush, Índia x Paquistão, os pobres contra os mais pobres, filmes horrorosos exportados pelos americanos para o mundo inteiro, livros medíocres, grandes escritores, um Prêmio Nobel para V.S.Naipaul, Paulo Coelho vendendo livros e mais livros, Zelia Gattai na Academia, um campeão brasileiro de futebol do Paraná, uma seleção que andou de gatinhas para chegar ao torneio da Copa (ano que vem no Japão e na Coréia a gente se vê), Luís Figo melhor jogador do mundo (Grande, Portugal, parabéns!) e até falta de dinheiro, como sempre.
Vimos a injustiça preponderar em muitos casos, a miséria campear solta no Brasil, a Argentina desabar, o Afeganistão pagar pela mula roubada e as Torres Gêmeas, quem diria, ficaram na saudade.
Voltando a Luís Figo, já que vivemos num país de futebolistas: ele vendeu seus direitos de imagem à Coca Cola, para que possa avançar com o seu projeto de Instituto de Amparo aos Jovens Desfavorecidos.
Isto é que ser gente.
Tem mais: Isabel Allende disse: “Nunca havia me preocupado com a cor da minha pele até o dia em que tive que preencher um formulário nos Estados Unidos e escrever a que raça pertenço.”
E é isto que querem trazer para o Brasil. Cuidado gente! O nosso país é realmente um milagre, um país mestiço, mas o brasileiro sofre do “complexo do cachorro atropelado”, como dizia Nelson Rodrigues. Então, quanto pior, melhor!
Agora querem inventar que a população se declare preta ou branca. Isto não existe. Há o orgulho negro, sim, como há o orgulho branco. Há também os que odeiam o próximo e tem desprezo pelos mais pobres. Há preconceitos sociais. Há os que só olham para os mais ricos, achando que com isto se promovem também. E há os que preferem ver a briga, a guerra entre irmãos, o sangue correndo.
Estados Unidos neles!
O Brasil é o autor de um feito extraordinário, imitado no mundo inteiro, que é justamente não haver diferenças entre seus brancos e negros, pois na verdade todos, ou melhor, cientificamente comprovado, 72% da população tem sangue negro ou índio.
Fazer reserva de mercado, separar vagas, estabelecer quotas raciais, tudo isto conduzirá o nosso país a um impasse que ainda não tínhamos vivido. Estou de acordo que é preciso ajudar quem precisa. Mas, separação por raças e cores, coloca uma questão: quem vai arbitrar quem é preto, quem é branco ?
Quem sabe a gente procura ser feliz com o caminho encontrado e que já tem tanta estrada percorrida ?
Feliz Natal só é uma mensagem válida se o emitente e o receptor se afinarem pelo código de ética do cristianismo. Que há muito (ou nunca?) deixou de ser seguido pela maioria dos que se dizem cristãos. Mas é o mesmo código de valores básicos que vale para o judaismo ou para a religião muçulmana. Com diferenças de comportamento, motivadas por causas culturais, mas com o mesmo objetivo maior. E digo o mesmo para todas as religiões, e também, para os que não tem religião ou não crêem em Deus, ou algum arquiteto supremo do universo. A mensagem é válida enfim para todos os que acreditam nos valores humanos. postado por walter em 22/12/01
Leia o ABC DOMINGO, onde esta crônica está sendo publicada e que me propiciou o prêmio ARI DE JORNALISMO - CRÔNICAS, segundo lugar em 2001 entre mais de 150 concorrentes. Se você não mora no Brasil ou fora da região abarcada pelo ABC (sede em Novo Hamburgo, circulação em toda a região metropolitana de Porto Alegre, acesse pelos "Links favoritos" aqui nesta página postado por walter em 22/12/01
RECUPERANDO O RACIOCÍNIO
Walter Galvani
Ganhamos um presente de Natal e é sobre ele que quero escrever hoje, aproveitando a data em que circula esta edição do ABC, onde estou há seis anos e festejo o Prêmio ARI (segundo lugar) em Crônica no ano de 2001. Não, não me refiro ao prêmio, mas sim a um presente que ganhamos todos nós, pais, alunos, professores, brasileiros de um modo geral.
Refiro-me ao retorno da Redação aos exames vestibulares com valor eliminatório.
A partir do Vestibular do segundo semestre de 2002, aluno que não obtiver média em Redação não poderá seguir adiante, estará eliminado.
Não importa que a portaria do MEC tenha nascido por causa de um analfabeto que ousou fazer dois vestibulares e ser aprovado em ambos. Afinal, à beira do analfabetismo andam muitos candidatos ao curso superior e inúmeros formandos dos últimos anos. É pena, mas é verdade. São analfabetos funcionais, que não sabem raciocinar sobre tema nenhum e que, infelizmente para nós, formam-se e saem por aí a exercer (?) suas profissões.
Pressionado pela opinião pública, que já vinha sendo “preparada” para pensar o pior a respeito da Universidade como instituição, pelo fracasso público da maioria dos universitários convidados para o programa “Show do Milhão”, de Silvio Santos, o MEC defrontou-se no fim-de-semana passado com a revelação do sucesso duplo de um analfabeto confesso numa universidade do Rio de Janeiro.
Segunda-feira foi emitida a Portaria que restaura a Redação como caminho obrigatório e eliminatório na rota do Vestibular.
E agora chegou a nossa vez. Os candidatos, mas também os seus pais, da mesma forma os professores desde o ensino fundamental aos “cursinhos”, passando por todo o ensino médio, todos estarão comprometidos daqui para a frente com a preparação dos alunos para exercerem o seu raciocínio.
Desde já não se poderá admitir vestibulando que não saiba qual é o plural de “cristão”, o significado de plural ou explicar o que quer dizer, afinal, ser cristão ou não sê-lo... A ignorância total ou parcial estará pelo menos atenuada nas próximas gerações.
Já temos gerações perdidas, talvez irrecuperáveis, que pensam que não é preciso raciocinar, que não é necessário pensar, que poderão seguir trafegando tranqüilamente vida em fora, rumo a seu destino de massa de manobra de políticos corruptos ou de ditaduras potenciais ou realizadas.
E os pais, ah os pais! Estes terão que se preocupar com os seus filhos o ano inteiro e não apenas na hora de decidir as férias de fim de ano, quando apavorados, recorrem a todos os meios, tentando a aprovação para que não seja “atrapalhadas” suas férias de verão.
Terão de ir ao colégio ver o que desejam os professores que, cansados de mandar bilhetes irrespondidos ou de solicitar suas presenças, muitas vezes são obrigados a considerar os alunos como casos perdidos.
E os “vitelões” e as “vitelas” - como tão bem lembrava Felini em seu filme traduzido para “Os boas vidas” no Brasil, (“I Vitteloni”, em italiano) esses terão que estudar, trabalhar, pegar “no pesado”, pelo menos com os seus livros.
É a glória. Nem acredito que estejamos recebendo tal presente do Papai Noel.
(Originalmente publicada no ABC DOMINGO)
FALEI COMO PORTAVOZ DOS AGRACIADOS DO PRÊMIO ARI DE JORNALISMO postado por walter em 21/12/01
Já informei aqui que obtive o segundo lugar em Crônica, no concurso ARI DE JORNALISMO, relativo a este ano de 2001.
Conquistei o troféu com a crônica "Crime contra a Humanidade", publicada no ABC DOMINGO, no momento em que os talibans estavam no auge e demoliram as estátuas de Buda, numa clara demonstração de radicalismo e fanatismo religioso.
Na entrega dos prêmios ARI-BANRISUL, dia 19 pela manhã na sede do grande banco gaúcho que conseguimos safar da privatização generalizada... - falei em nome dos agraciados.
Na oportunidade, depois de cumprimentar o primeiro colocado na categoria Crônica, meu amigo Mario Marcos de Souza, que foi meu estagiário na gloriosa Folha da Tarde (que publicava o nome de TODOS os ganhadores de prêmio e não apenas os seus, que aliás eram sempre a maioria...) e contar que ele, profissional de primeira, era oriundo do nosso sistema de estágios, que acima de tudo valorizava o diploma do Curso de Jornalismo, a formação universitária, hoje atuando na Zero Hora, pronunciei-me contra a suspensão da exigência do diploma.
Esclareço: não tenho o diploma, porque quando comecei a trabalhar ainda não era exigência oficial, mas sou o seu maior defensor, porque entendo que é lícito esperar-se que alguém que se apresenta como Jornalista, tenha a preparação que hoje existe.
Melhorar o curso sim. Aboli-lo, nunca! Ampliar e aprofundar o currículo, com Filosofia, com História, isto sim.
E também aproveitei a oportunidade para me pronunciar, em nome dos colegas, que me aplaudiram, diga-se de passagem, contra o projeto de lei que permite a entrada do capital estrangeiro em nossas empresas de comunicação.
O que irá desfigurar e descaracterizar a imprensa nacional.
A emenda que permite o capital externo nas empresas do setor de comunicação está transitando na calada da noite, no Congresso.
Vamos abrir a boca, minha gente!
A Associação Riograndense de Imprensa, que já se havia manifestado em notas oficiais a respeito do assunto (que, parece, não foram publicadas) apoiou imediatamente nossas posições e emitiu nova nota reafirmando a sua.
O site www.coletiva.net está estampando o pronunciamento da ARI.
E aqui vai meu recado aos colegas, lembrando que, mais uma vez os veículos (TODOS) só divulgaram os SEUS premiados e nenhum deles lembrou-se de divulgar o discurso dos premiados. Talvez por falta de espaço.
Falei em Folha da Tarde: sim, saudades dos bons tempos. Ou melhor: Feliz Natal e Bom Ano Novo...
Argentina, oíd el grito sagrado: libertad! postado por walter em 21/12/01
CHOREMOS PELA ARGENTINA
Walter Galvani
Desde o sucesso do espetáculo musical sobre Eva Perón, “No llores por mi, Argentina” nos habituamos a encontrar a citação em textos, peças teatrais, filmes, canções. E esta se tornou uma fórmula habitual de estabelecer o nosso distanciamento dos problemas do vizinho.
“Laboramos em erro” – como se dizia em latim, língua-mãe da portuguesa (sempre é bom relembrar o útero de onde saímos).
Teria sido melhor ter chorado muito e constantemente, como hoje se vê.
A renúncia do presidente Fernando De La Rua, a queda de Domingo Cavalo, de todo o ministério, a perda do poder pelo Partido Radical, uma possível volta do peronismo, tudo isto é apenas a superfície da tempestade vulcânica que agita o país vizinho.
Os problemas estruturais que fazem oscilar todo o edifício da sociedade sob certo ponto de vista tão admirável da Argentina, estes residem na corrosão da economia, na ferrugem que comeu os pilares da ponte, no cupim que transformou em pó os alicerces da construção.
Algumas das virtudes argentinas serão alvo de ataques oportunistas. Seus defeitos serão ampliados e não se reconhecerá suas boas intenções. Falar-se-á apenas nos erros.
Vamos manter a cabeça fria e a capacidade de raciocínio, porém.
Queremos a recuperação da Argentina. Precisamos ajudá-la, no mínimo porque somos seu maior parceiro comercial. De que serve ao Brasil uma Argentina destruída ?
Qualquer que seja a solução política encontrada, teremos que aceitá-la por ser uma “solução” e além de tudo “política”, aqui no sentido maior do termo. E do chão onde se encontra a gloriosa, admirável Argentina ressurgirá, como já o fez outras vezes.
Enquanto isto, cabe ao Brasil desdobrar-se para encontrar caminhos, atalhos, e não apenas servir de campo de exílio para os apavorados cidadãos argentinos ou cálido acolhimento para seus fugidios dólares.
Choremos pela Argentina, mas também, além de orações, façamos algumas ações positivas.
Vamos apostar, uma vez mais, na recuperação dos nossos vizinhos postado por walter em 21/12/01
De hora em hora, piora... postado por walter em 20/12/01
CAIU DO CAVALO
Walter Galvani
O ministro, o super-ministro Domingo Cavallo caiu do... E com ele todo o ministério para deixar o presidente De La Rua com as mãos livres para remontar o governo.
Leia-se: “La venganza es un plato que se come frio...” Assinado: Carlos Menen.
São 12 os mortos, serão mais. A contabilidade macabra continuará nas próximas horas.
Enquanto isto, torcemos.
Nunca torcemos tanto para os argentinos quanto agora. E, parece mentira, logo agora que os futebolistas devem se consolar com o fato do Brasil haver caído para o terceiro lugar no “ranking” mundial, justo atrás da Argentina. E da França que continua em primeiro.
Prestem atenção no que vai em nosso vizinho do lado, porque o Efeito Orloff (lembram, ?) pode estar de volta.
Continuamos receitando muita calma e caldo de galinha.
Precipitação também não resolve. Mas, acho que o dólar vai subir um pouquinho, a reação seria lógica.
Não se precipitem.
E vamos rezar aproveitando que é Natal.
A crise que incendiou a Argentina pode nos atingir muito mais rápido e profundamente que se possa imaginar postado por walter em 20/12/01
ARGENTINA, BRASIL,
REAÇÃO E
PARLAMENTARISMO
Walter Galvani
Cinco mortos, centenas de feridos, o saldo negativo da reação. Mas, reação mesmo, povo nas ruas desobedecendo o estado de sítio implantado para impor medidas de força. Um “panelaço” e um “buzinaço” para refletir o desagrado diante do desastre da economia argentina e uma reação contra os políticos que foram incapazes de conduzir a administração do país, porém, tomem nota, contra TODOS os políticos. Não se trata pois de uma diferença partidária, de um possível desagrado por motivos eventuais.
Os problemas abismais que afetam a Argentina podem alcançar também o Brasil. Sabemos o quanto somos irmãos na desgraça e nas dificuldades econômicas, filhos que somos do mesmo sistema e do mesmo FMI, sofrendo das mesmas dificuldades históricas que nos tocaram.
Durante muito anos os brasileiros invejaram a prosperidade argentina e por muito tempo o país vizinho nos foi exibido como modelo a seguir.
Mas, os problemas estruturais que abalam a Argentina são os mesmos que temos no Brasil.
Nossas economias são complementares, somos dos argentinos os maiores parceiros comerciais e eles são nossos maiores parceiros.
Só podemos pensar no bem dos nossos vizinhos e a ridícula rivalidade esportiva precisa ficar circunscrita aos estádios.
Enquanto isto, pergunto se não seria a hora de refletir sobre a precariedade dos sistemas presidencialistas em que os presidentes são donos quase absolutos do poder e representam um esquema insubstituível antes de uma nova eleição. Uma vez eleito o presidente, por maiores que sejam os erros e desmandos, só poderemos, no Brasil, como na Argentina, substitui-lo quando forem realizadas novas eleições presidenciais.
Veja-se o recente caso de Portugal: derrotado o governo do PS nas eleições municipais, tendo ficado claro que a opinião pública não mais apoiava os atuais mandatários, por ser regime parlamentarista o gabinete apresentou sua renúncia.
Os países mais adiantados do mundo praticam o sistema parlamentarista de governo, Inglaterra, Suécia, França, Dinamarca, Holanda, Bélgica e dezenas e dezenas mais, com exceção apenas dos Estados Unidos, onde aliás o presidencialismo, por razões culturais, tem sua expressão mais sólida e mais forte.
O drama da Argentina deveria servir de exemplo e ponto de reflexão.
Quanto à solução da crise, esta pode e deve passar pelo corredor da política, mas sem o apoio do FMI, na situação a que a economia chegou, só com rompimento radical. Nem uma coisa nem outra interessa.
Como poderemos ajudar?
Já que, não se iludam, o interesse é nosso também.
OS AÇORIANOS DE LITERATURA SACUDIRAM A NOITE NO TEATRO ELIS REGINA postado por walter em 19/12/01
OS PRÊMIOS AÇORIANOS
DE LITERATURA – 2001
Walter Galvani
Houve de tudo. Foi uma festa completa. Desde uma apresentação de “rappers” até poemas nos Ônibus, histórias do Trabalho, emoção, estatuetas, envelopes tipo Oscar, até presença dos principais líderes da administração do PT, prefeito Tarso Genro, secretária Margarete Morais (que foi a primeira a dançar a convite dos rappers) até secretário estadual da Cultura, Luís Marques, subsecretário Charles Kiefer, editores como Roque Jacobi, Paulo Flávio Ledur, Geraldo Huff, ou escritores como L. A . Assis Brasil, Valesca de Assis, Walmor Santos ou os premiados da noite.
A Noite do Livro no Teatro Elís Regina valeu como o desenvolvimento e coroamento do trabalho da Coordenação do Livro e da Literatura e também pela presença do público, uma tribo bem definida com a participação de escritores, livreiros, intelectuais, artistas de um modo geral.
O apresentador da noite, João Machado, travestido de “azulzinho”, organizou o trânsito do espetáculo. E, aos poucos, foram sendo anunciados os novos detentores dos troféus Açorianos.
Do prêmio de ilustração para Laura Castilhos até “A Cocanha” de José Clemente Pozenato, “Açorianos de Narrativa Longa”, desenvolveu-se a noite, que passou peles seguintes itens:
Projeto gráfico – Flávio Mesquita, em “Deus é pai”;; Capa: “Memória das ruas”, de Fernando Neubarth, com a capa de Cristina Piazetto; a Editora do ano foi a Projeto, as livrarias do ano, duas delas, a Bamboletras e a Palmarinca, igualadas. Depois, o restante em seqüência:
O livro do MARGS, de Armindo Trevisan, Fábio Coutinho, Cida Golin, Naira Vasconcelos, Vera Regina Luz Grecco, da Tomo Editorial, que venceu a Categoria Especial. Diana Maria Marchi, editada pela UFGRS, que venceu com “A Literatura Infantil Gaúcha”, o prêmio de Ensaios de Literatura; “Édipo Tirano – a tragédia do saber”, de Francisco Marshall, também da Editora da UFRGS, ganhou o prêmio de “Ensaios de Humanidades” e a escritora Jane Tutikian conquistou com “Alêm, Marcelo, Ju & Eu”, para a WS Editor, o Açoriano de literatura infanto-juvenil.
A premiação foi transcorrendo, entremeada por apresentações de teatro e poesia e aos poucos foram sendo revelados os demais ganhadores. Como:
“O porão misteriosos” de Cláudio Levitan, para L&PM Editores, na categoria Infantil e os dois livros de crônicas premiados: “Na garupa de chronos” de Alcy Cheuiche e “A companha da solidão”, de Liberato Vieira da Cunha.
Em contos, um empate triplo:
“Anotações durante o incêndio” de Cintia Moscovich, para a L± “Contos de verdades” de Aldyr Garcia Schlee, para Mercado Aberto e “Rondas de escárnio e loucura” de Sérgio Faraco para a L&PM.
Patrício Carpinejar, já premiado pelo país afora, conquistou o prêmio de Poesia com o seu “Terno de pássaros ao sul”, editado pela Escrituras.
Vieram as revelações:
Em poesia: Beatriz Viegas com “O pampa pernambucano”; em conto, Fernando Mantelli, com “Para isto vim ao mundo”. E o especial do júri que foi para a artista Clara Pechanski, com “Variações sobre o enigma”.
E finalmente, encerrando a noite, narrativa longa, com “A cocanha” para José Clemente Pozenato.
Mas antes disso, houve os prêmios de “mídia”. A TVE, com Estação Cultura, apresentação de Lúcia Mattos, ganhou o prêmio de televisão, Ruy Carlos Ostermann, conquistou o de rádio com “Gaúcha Entrevista” e Maria Wagner e sua equipe, para o “Jornal do Comércio!”, pelo caderno VIVER, editado às sextas-feiras, o prêmio de jornalismo impresso.
Este colunista obteve o 2. lugar no concurso ARI DE JORNALISMO, prêmios que existem há 43 anos. O segundo lugar em Crônica (jornalismo impresso) muito me honra porque o primeiro colocado foi Mario Marcos de Souza, da Zero Hora, um antigo estagiário meu. É assim: quando os jovens ultrapassam os mais velhos, quando os alunos passam pelos mestres, é preciso aplaudir redobrado. Estou muito feliz pelo meu prêmio e pelo prêmio do Mário. É mais uma comprovação do acerto do que se fez em jornalismo desde os anos sessenta. postado por walter em 18/12/01
Meu Prêmio ARI DE CRÔNICA 2001, conquistei-o com esta crônica publicada no jornal ABC DOMINGO, editado pelo Grupo Editorial Sinos, cuja sede é Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.
CRIME CONTRA A HUMANIDADE
Walter Galvani
Ao longo dos séculos o obscurantismo esteve sempre ligado às grandes religiões e suas lutas pelo poder. O cristianismo, até se impor como religião praticamente única do Ocidente, cometeu as maiores atrocidades contra o homem e contra a civilização. Nem é necessário recordar os crimes da Inquisição da Igreja Católica ou o que foi feito contra os judeus, ou contra os huguenotes, enfim, a História está repleta de exemplos.
O fanatismo religioso, quase sinônimos ao longo dos tempos, é sempre um fantasma que volta a assolar o planeta.
Desta vez é o Taliban, que domina 95 por cento do Afeganistão ou as guerras étnicas (que também são religiosas, haja visto o caso do Timor) na Indonésia.
Em seus crimes contra a civilização o Taliban nem sequer hesita em destruir esculturas do século V, verdadeiras preciosidades que deveriam estar tombadas pelo Patrimônio Mundial e protegidas pela UNESCO, só porque elas representam Buda, adversário religioso cujo culto eles querem liquidar.
Temerosos de algum tipo de retaliação, assistimos mudos e impotentes porque ficamos mudos e paralíticos diante de tal monstruosidade.
As tropas que representam o Taliban estão usando tanques, lança-chamas, mísseis até, para destruir um passado que temem. Desta vez é em nome do Islamismo. Será que Maomé pensava assim ? Alá concorda com isto ? E a ONU, de braços cruzados, assiste.
O mundo globalizou-se mas globalizou-se para tudo. Um atentado destes à cultura, um crime contra a Humanidade, não pode continuar se produzindo enquanto, inermes, ficamos sabendo pelos meios de comunicação e nada fazemos.
Este é um legítimo caso de intervenção da ONU, suspensão de qualquer ajuda econômica do Banco Mundial. Agora, como os talibans são muçulmanos, será que o medo nos impede de agir ? Temor de que os países árabes subam o preço do petróleo ? Mas, será que os árabes apoiam tal atitude destes selvagens ?
Não vamos chegar a alcançar a utopia que sonhamos, é certo, mas pelo menos podemos usar as armas de que dispomos, nós que representamos uma herança cultural duramente acumulada e que já passou por todas as provas e testes, que já enfrentou inclusive até bem pouco tempo procedimentos semelhantes, nós que já vivemos o fanatismo religioso, o fascismo, o nazismo, o comunismo, enfim todas as manifestações de intolerância e racismo, de segregação e preconceito, de militarismo, ditaduras, tudo enfim, temos obrigação de agir em nome da Justiça, da Lei, da Ordem, da Inteligência, da Humanidade enfim.
Nada de ficar calados. Lembram da história ? “Um dia vieram buscar meu vizinho e eu fiquei calado; depois buscaram meu primo e eu nada disse. Depois vieram buscar meu filho e eu nada fiz. Depois, chegou a minha vez...”
Antes que chegue a nossa vez, vamos lutar.
Protestem, gritem, telefonem, passem mails, falem, façam com que todo mundo fique sabendo desses crimes e conheçam a nossa inconformidade.
É o que podemos chamar de civilização, é o que o mundo espera de nós, isto sim pode se chamar de globalização. Da consciência, não apenas do comércio ou da indústria.
(Crônica publicada quando da destruição dos budas pelo regime taliban, no início do ano 2001)
Esta corrida inútil de fim-de-ano merece um estudo, calma e (se possível) tranqüilidade postado por walter em 17/12/01
CULPA DOS ASSÍRIOS...
Walter Galvani
Já não sabemos mais o que faremos para empatar nossos compromissos com o ano que termina. Corremos enlouquecidos, participamos superficialmente de tudo, deixamos de ler, de ouvir música, de fazer as refeições com o cuidado devido, esquecemos os exercícios, as caminhadas, e até o contato com os amigos. Apenas comparecemos aos possíveis compromissos, correndo já para o seguinte, procurando estar a tempo no subseqüente e o fim do ano chega.
Assim é e assim tem sido, cada vez pior ao longo dos anos. Mas, cabe a pergunta: a culpa será apenas dos meios de comunicação de massa ?
Na verdade, a situação se agrava porque se aprofunda na cabeça das pessoas a absurda noção de que é preciso fazer tudo, aprontar tudo, antes da virada do calendário.
Pergunto: no ano passado mudaran o ano e o milênio e alguma coisa de fundamental foi alterada ?
A Humanidade continuou exatamente igual. Ou seja: cumprindo seus compromissos, mesmo depois do dia 31 de dezembro, mesmo porque os números são inexoráveis. Mas, além disso, o que foi empurrado não desapareceu, ao contrário, ressurgiu lá adiante, depois do dia primeiro, com a mesma situação. A mesma crise no Oriente Médio, o mesmo problema na Ásia Menor, a mesma pobreza na África e na América Latina, a mesma ignorância no Brasil, a mesma dependência de drogas, os mesmos rendimentos ao nível de miséria, tudo igual.
Quando chegam o Natal e o Ano Novo, os homens se cumprimentam, beijam-se, enviam cartões de boas festas, trocam gentilezas, que se evaporam no primeiro dia útil do novo ano, isto quando não soam os canhões e bombas mesmo durante as tais festas.
Há hipocrisia demais sobre a Terra.
E no entanto sonhamos que a mudança de data possa alterar nossas vidas, como num passe de mágica. Quando acordamos, depois da ressaca do champanhe ou da “caipirinha”, do chope e do vinho, tudo segue exatamente como antes.
Talvez possamos culpar os assírios. Afinal, foram eles que inventaram o calendário...
FIM DE ANO, NATAL, SONHOS E VERDADES postado por walter em 16/12/01
PAZ! PAZ! PAZ!
Walter Galvani
O título deste artigo é um pedido. A sua abertura inevitavelmente será uma dúvida: Paz ? Paz ? Paz ?
Os homens se odeiam. Competem, discutem, lutam entre si, por ninharias ou por tesouros materiais, por crenças, por religiões, por mitos, por fantasias e até por desejos. Por vingança e por ódio puro, alimentado durante séculos de desentendimento.
E então chega-se à esta época de Natal e Ano Novo, quando trocam mensagens otimistas e aparentemente carregadas de boa vontade. Ou estarei enganado, envenenado pelo que se vê por aí ?
Cinismo e hipocrisia pilotam os sentimentos humanos. Irmãos, parentes que nunca se vêem e que se encontram uma vez por ano, amigos que na verdade são competidores, e eis que se abraçam e se beijam.
E estes sentimentos se ampliam para as nações que se odeiam e querem obter cada vez mais vantagens das necessidades alheias. Querem tomar o território aos vizinhos, ou as riquezas aos adversários. E neste botim de guerra encontrar a felicidade.
Estamos às portas de 2002 e não no tempo das carochinhas.
Derrubar as torres gêmeas, devastar o Afeganistão, explodir os poços de petróleo, espalhar minas terrestres que arrancam pernas, braços e cabeças de velhos, jovens e crianças, sugar as reservas financeiras dos países amigos, explorar os devedores, são partes do mesmo todo e do mesmo espírito.
Homens e mulheres, nações e blocos continentais, caminham todos movidos pela mesma ânsia de ganhos e conquistas.
Depois de 66 natais e outros tantos festejos de anos novos, depois de ver campear a ignorância, a intolerância, a ambição, o orgulho, a prepotência, devo acreditar nos sinos que tocam desabaladamente em nossa cabeça “jingle bells, jingle bells” ?
Paz, minha gente.
É só o que se pode pedir neste momento.
Aceitar as diferenças. Porque todos tem que pensar como você ? Vós, religiosos, porque todos tem que professar vossa mesma crença ?
Negros, brancos, amarelos, vermelhos, somos todos iguais. Ao longo de quinhentos anos, desde a conquista desta terra pelos portugueses, durante estes cinco séculos de construção, lentamente assentamos os princípios, em certos momentos impostos, engolidos, noutros pura e simplesmente resultado dos próprios fatos, levantamos um monumento de democracia racial, de mestiçagem, de miscigenação, de entendimento. Mas, nosso exemplo não é o suficiente. Do Afeganistão iremos para a Palestina. Israel ou Estados Unidos, Inglaterra ou França, e claro, Brasil.
Sentados neste barril de petróleo que pode explodir a qualquer momento, caminhando sobre este terreno minado que pode nos jogar para os ares e nos arrancar as pernas, vendo cair as torres gêmeas ou destroçar-se países inteiros, milhões de vidas humanas, admiramos as luzes das cidades, as casas, ruas e praças enfeitadas para o Natal, os desejos de Feliz Ano Novo cruzando os céus e os meios de comunicação.
Li um dia destes que os primatas superiores possuem dons inatos de linguagem, o que os pode levar ao pensamento lógico e à construção de uma civilização. Quando eles herdarem a terra, se é que vão sobrar vivos, que não repitam os erros humanos.
Ainda há gente de boa vontade ? Sim. Parece, contudo, que somos minoria. Em todo o caso, sempre vale a pena acreditar em alguma coisa. Se já reconstruímos o mundo tantas vezes, porque não o faremos mais uma vez ?
Esta é a mensagem portanto, velha como o mundo: Paz na terra aos homens de boa vontade. Simples, talvez ingênua. Pelo menos sincera.
(Texto originalmente publicado no jornal ABC DOMINGO, edição de 16/12/2001)
Uma vez esquecido o Afeganistão, será a vez de Israel versus Palestina. E depois... postado por walter em 14/12/01
HAVERÁ PAZ ALGUM DIA ?
Walter Galvani
Aparentemente está chegando ao final o conflito do Afeganistão, que na verdade se constituiu numa expedição punitiva movida pelos Estados Unidos, como revanche pela derrubada das Torres Gêmeas. Foi apresentado um vídeo, cuja autenticidade os árabes ligados a Bin Laden negam, incriminando o líder da Al Qaeda pelos atentados. Mas, aos poucos uma possível normalidade começa a se restaurada naquele país que, diga-se a bem da verdade, não tem tido muita paz nos últimos anos. É uma região conturbada, que tem sido alvo de passagem de conquistadores como Alexandre, o Grande, ou de assentamento para ocupantes estrangeiros como ingleses e russos.
A expectativa de uma pacificação na região propiciou alguma autenticidade ao Prêmio Nobel da Paz conferido a Koffi Annam e a ONU que ele secretaria, distinção que também traz um pouco dos efeitos dos resultados favoráveis obtidos na Bósnia, o conflito, lembram ? – de dois e três anos passados. Respiramos aliviados e vamos adiante.
Mas o horizonte não pode estar mais enfarruscado do que está. Volta-se para o eterno problema do Oriente Médio, irresolvido há dois milênios aliás. Todas as informações apontam para o agravamento do conflito da Palestina, a terra santa para as três principais religiões monoteístas do mundo, que aliás, junto com um admirável código de ética desenvolveram também entre os seus seguidores a habilidade de descumpri-lo e odiar os fiéis da fé alheia.
Cristãos, muçulmanos e judeus, uns em maior outros em menor grau, não os julguemos porque fica difícil ser justo neste caso, de um modo geral se consideram donos da verdade e desconhecem ou desrespeitam as crenças alheias. Do desrespeito ao desprezo, da frustração à raiva, da inconformidade ao ódio, vão estes “religiosos” que no fundo, a nós, os que não somos radicais ou “beatos”, que não sofremos felizmente de “carolice” e outros defeitos de caráter, que temos tolerância para com todas as raças, crenças, filosofias, ideologias, decepcionam profundamente.
Serão seres humanos em aperfeiçoamento ou meros fantoches em mãos de quem eventualmente detém milímetros de conhecimentos a mais do que estes pobres ignorantes ?
Pois é, mas estes é que poderão jogar o mundo numa nova guerra. Israel contra a Palestina mais uma vez. O Oriente Médio arderá todo numa fogueira só, como se sabe uma região cujo subsolo é riquíssimo em petróleo, um dos bens não renováveis mais preciosos e com durabilidade para mais meio século.
Mas, infelizmente, não se iludam. O pior vem aí e não será apenas o Oriente Médio a queimar. O mundo todo será envolvido fatalmente e desta vez não haverá nenhuma Suíça para escapar incólume.
Bush já decretou uma vez e o fará de novo, a escolha entre o Bem e o Mal significará optar pelo lado norte-americano ou contra ele. E o Brasil, minha gente, está fatalmente inscrito nisto e vocês já sabem de que lado estaremos.
De nada adiantou, até aqui, sermos o exemplo mais invejado de país que conseguiu fazer a miscigenação, a agradável e fortificante mistura que resultou numa população tolerante, mestiça e com a cabeça povoada de religiões animistas, espiritualistas, cristãs e também muçulmanas ou judaicas, sem distinções de credo e cor.
Nossos soldados marcharão ao lado dos uniformes que o capital decretará como adequados aos nossos interesses, digamos “ocidentais” e vem aí a invasão de capital estrangeiro em nossa imprensa para calar os que se atrevem a protestar ou pelo menos lembrar que se pode ser diferente.
Quem sobreviver – e não serão muitos – verá.
Porque a paz, infelizmente, é impossível. Não se produzirá enquanto existir esta “gentinha” que aí está.
A crise ? Isto a gente derruba com trabalho.Vejam o exemplo que nos vem de Canoas postado por walter em 13/12/01
NA PRIMEIRA PÁGINA DA
GAZETA MERCANTIL
Caderno Sul
Iriel cresce e aposta na certificação Iso 14001
A Iriel Indústria Elétrica Ltda, fabricante da linha de interruptores Duale e Talari, que detém cerca de 25% do mercado de interruptores e componentes do país, começou a corrida em busca da certificação da ISO 14001, com o início da implantação do seu Sistema de Gerenciamento Ambiental, no momento em que comemora um crescimento de 26,7 % nos onze meses deste ano de 2001.
A empresa concentrou na fábrica., no ato de lançamento do programa, toda uma representação de autoridades locais, dada a sua importância para a economia de Canoas, terceira cidade industrial do Estado.
O diretor Darwin Longoni falando em nome da empresa, destacou que o “slogan” escolhido para a campanha em busca da certificação ISSO 14001 é significativo: “plante uma árvore, cultive o futuro” – dizendo que ninguém mais pode se eximir da necessária participação nesta conscientização geral que tem a ver com os próprios destinos do planeta.
O diretor Jandir Capoani plantou uma árvore no pátio da empresa, abrindo assim o programa oficial de controle ambiental. Depois do almoço de confraternização, que reuniu convidados, funcionários e seus familiares, todos foram contemplados com uma pequena muda para que cada um desse seqüência, em suas residências, ao espírito que esteve presente nesta largada para a conquista do diploma especial de defesa do Meio Ambiente.
A Iriel tem sucursal em São Paulo e representantes em todo o país, empregando em sua fábrica de Canoas, 250 pessoas. Opera desde 1964 e já conquistou a ISO 9001, vários prêmios de qualidade, dedicando muito de sua atenção à área social, patrocinando cursos para funcionários, apoiando bibliotecas e participando do premiado Projeto Pescar, que abre vagas para estagiários no Rio Grande do Sul.
(Matéria publicada originalmente na edição de 12/12/2001 da Gazeta Mercantil)
SALÁRIO DE 200 REAIS postado por walter em 13/12/01
SALÁRIO DE 200 REAIS
Walter Galvani
Como muita gente me lê no exterior aqui na Internet, começo explicando que um salário mínimo de 200 reais, significa em valores de hoje, 85 dólares.
Expliquemos que os deputados e o governo fizeram um grande acordo para aprovar um novo mínimo com o valor de 200 reais para vigorar no Brasil a partir de janeiro.
Qualquer pessoa, no Brasil ou no exterior, sabe o que se faz com 85 dólares, exceto na China ou no Afeganistão.
Você que me lê também sabe que o custo de vida corre parelho com o desenvolvimento.
Se alguém estiver me lendo na Finlândia ou na Suécia morrerá de rir. Ou de tristeza pensando nos pobres brasileiros que precisam sobreviver com tal importância mensal.
Mas, as empresas também sabem o quanto subirão os seus custos com esta simples elevação de 180 para 200 reais.
Tudo isto é muito triste, se não fosse de dar raiva.
Qualquer economista sabe que se você colocar mais dinheiro em circulação, aumentará a inflação. Mas também aumentará a arrecadação dos governos, dos três níveis: municípios, estados e país, pois em forma de impostos muita coisa retornará.
O lamentável nisto tudo é ver que o nosso país continua um mendigo, vestido de andrajos, pedindo investimentos estrangeiros e fazendo dívidas que mais adiante terá que pagar. E então haverão de se levantar os patriotas contra o FMI. Mas, o que fazer ? Primeiro saldemos os compromissos, é duro, mas é o que nos pedem também, não é mesmo ?
Vejam só: 85 dólares por mês. É o mesmo valor que pede por diária, um hotel médio, de duas ou três estrelas em qualquer parte do mundo.
Vamos receitar portanto o quê para resolver o problema do país ?
Além de mais trabalho, dedicação, vendas, produção, mais gente na lavoura, mais eficiência nos sistemas e métodos, menos desperdício. Tudo teorias vãs, diante da realidade que nos rouba uma parcela do que suamos para produzir, em forma de pagamento de “royalties” ou de empréstimos que vem sendo feitos desde que nos emancipamos.
Cada um faça a sua parte.
E nem assim.
Mas, como é fim de ano, Natal, etc. deixemos uma luz, uma pequena esperança no ar, lembrando que se não fizermos nada ficará pior ainda.
E no ano que vem, eleições, vamos escolher em quem votar. Com muito cuidado, sem nos deixar levar por falsas ilusões, imagens vendidas ou promessas irresgatáveis.
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Como dizem os práticos: eleger alguém é fácil. O difícil é governar.
Somos ou não somos um país mestiço ? postado por walter em 13/12/01
VAGAS PARA NEGROS
Walter Galvani
Pensamentos e sentimentos contraditórios me sensibilizam neste momento. Reconheço que é preciso forçar a barra e oferecer oportunidades maiores para os negros. Afinal, nestes 113 anos – é pouco, muito pouco tempo – não tiveram eles como acumular riquezas e consolidar patrimônios que servissem de ponto de partida para construir uma fortuna ou pelo menos uma situação equilibrada.
Desde o 1888, em alguns locais um pouco antes, como no Rio Grande do Sul, por exemplo que foi em 1884, ou até pensando nas libertações espontâneas geradas sobretudo pela mentalidade liberal de grandes proprietários gaúchos, muitos deles fazendeiros e militares, políticos, remanescentes do pensamento farroupilha.
Mas, mesmo assim pouco mais de 100 anos é pouco, considerando que, geração após geração estes negros tiveram que vir batalhando pela sobrevivência e não muito mais do que isto.
Ponha no balanço a entrada a e saída de recursos e ande sempre sobre a linha do equilíbrio e até eventualmente um prejuízo para ver que fica muito difícil fazer uma poupança significativa.
Como promover então a educação, o progresso econômico, a disputa por cargos públicos tradicionalmente reservados à burguesia, por força até do preparo dos seus descendentes ?
Ao mesmo tempo me choco, perguntando:
Mas este não é um país de miscigenação ?
Bem, devagar, não é mesmo ?
O ideal é que ninguém se declare negro, ou qualquer outra cor, mas apenas pessoa, naturais todos do mesmo país e com os mesmos direitos.
Mas não apenas por declarar-se ou não, mas simplesmente porque a cor da pele não influa e nada modifique.
Com a tal sonhada mistura que tanto aplaudimos, todos vão ficando mais ou menos pardos. O que, sob o ponto de vista humano não tem diferença nenhuma. Ou não deveria ter.
Não estamos mais saindo da Idade Média, quando era preciso demonstrar que se era isto ou aquilo e de “quatro costados”. Ou seja: de todos os quatro pontos, os dois maternos e os dois paternos, desde os avós portanto, e de preferência dos avós dos avós, não havia nenhum sangue “comprometedor”... O que extrapolava os modernos conceitos de cor.
Mas não é assim.
Portanto, um empurrão pode ajudar.
Sou contra esmolas, mas reconheço que em certos casos, uma esmola, dada com amor e integridade, sem interesse nem ofensa, pode ajudar quem está por baixo e precisa de uma boa mão para salvar-se.
Quem duvida disso ?
Então, abrir vagas, 20 por cento que seja, garantidas para negros, parece uma medida a ser considerada.
Não é o ideal. Mas funciona como a tal ajuda a quem está na pior.
E não há razão para negar. Os que estão concedendo dispõem afinal de 80 por cento das chances, não é mesmo ?
Se aparece como uma reserva de mercado, também é certo que precisa ser melhor apreciada e não vista apenas, talvez por alguns, como demagogia.
Mas quem decide, quem arbitra quem é negro ou branco, ou pardo ou mameluco ou mulato ?
E quem terá direito à vagas ? O negro retinto ?
Bobagens, acabaremos criando um caso que não existia no Brasil.
Preconceito existe sim. Mas 72 por cento da nossa população, conforme pesquisa da Universidade de Minas Gerais, tem ascendentes negros ou índios ou as duas coisas.
Se a situação vai mal na Argentina ou qualquer outro vizinho, temos é que estender pontes de compreensão e fraternidade postado por walter em 10/12/01
BILHETE DE BUENOS AIRES
Walter Galvani
Durante o último programa “Porto Alegre em Buenos Aires” lá estivemos. Um grupo de escritores, intelectuais e artistas do Rio Grande do Sul, foi estreitar nossos laços com os argentinos. E que são muitos e naturalmente extrapolam os limites da infantilidade das rivalidades esportivas.
Andamos pelas ruas portenhas com a secretária municipal de cultura de Porto Alegre, Margarete Morais, com o então Coordenador do Livro e da Literatura, Mauro Gaglietti e também com os escritores Alcy Cheuiche, Jane Tutikian, Valesca de Assis, Luís Antonio de Assis Brasil, o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro e tantos mais, principalmente atores, músicos, cantores.
E lá conhecemos gente. Como por exemplo a escritora Susana Cella, (visitou Porto Alegre na última Feira do Livro) autora de uma notável novela sobre a vida no pampa (aliás em espanhol, “la pampa”), denominada “El inglés” e que, atenta ao que aqui se diz e escreve, manda-me esta pérola que publico agora na Internet:
“Estimado Walter, dice el Martín Fierro
Los hermanos sean unidos
Porque esa es la ley primera
Tengan unión verdadera
En cualquier tiempo que fuera
Pues si entre ellos hay pelea
Los devoran los de afuera.
Leí su articulo sobre nuestra crisis. Le quiero agradecer sus conceptos, no solamente porque en este momento en que nosotros, los tan soberbios y orgullosos argentinos, nos convertimos en seres taciturnos, que van caminando por la calle com amargura, com impotencia, viendo cada vez más mendigos, gente que apenas compra algo para comer, un presidente que dá vergüenza, un siniestro ministro de economía, sin vislumbrar de qué manera podemos recuperar algo de nuestro pasado, de todo lo que nos han robado y que no solamente es dinero.
A lo largo de la historia de las guerras y las rivalidades entre nuestros paises latinoamericanos siempre beneficiaron “a los de afuera”. Y seguramente si las cosas siguen así no vamos a poder ni siquiera pensar en ir a las hermosas playas brasileras de agua tibia, ni a ninguna parte. Así estamos. A la espera de lo que va a suceder, si vendrá el ministro de Estados Unidos com la “buena notícia” de que habrá más recortes de sueldos, más miseria. Se convertirá la Argentina en un recuerdo ?
Un abrazo
Susana Cella
A Iriel está comemorando um crescimento de 26,7 % nestes onze meses de 2001, o que a torna uma das mais eficientes empresas do país. Agora, todos os esforços rumo à Norma ISO 14001 postado por walter em 10/12/01
ISO 14001: IRIEL DEU O
PRIMEIRO PASSO NA
GRANDE CAMINHADA
A Iriel começou a corrida em busca da certificação da ISO 14001, com o início da implantação do seu Sistema de Gerenciamento Ambiental.
Foi uma jornada de festa em sua sede.
O município de Canoas se fez presente de forma objetiva, clara e bem definida: o vice-prefeito Márcio Kauer, no exercício da representação oficial da prefeitura do 3º município do estado, acompanhado pelo Secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz T. Thomé e pelo diretor de Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Preservação Ambiental, engenheiro Isaac Zilberman. Todos estiveram no final da bela manhã de sábado, na sede da Iriel, na av. Nazário.
Também a Câmara Municipal se fez presente através do vereador Cofy e igualmente o sindicato da categoria, o SIMECAN, com o seu presidente José Cláudio dos Santos.
O diretor Darwin Longoni falou em nome da empresa, saudando os visitantes, os representantes da imprensa, os funcionários e seus familiares, lembrando que o “slogan” escolhido para a campanha em busca da certificação ISSO 14001 é significativo: “plante uma árvore, cultive o futuro” – dizendo que ninguém mais pode se eximir da necessária participação nesta conscientização geral que tem a ver com os próprios destinos do planeta.
O diretor Jandir Capoani no coroamento da cerimônia, plantou uma árvore no pátio da empresa, simbolizando a entrada oficial no programa. Depois do almoço de confraternização, que reuniu convidados, funcionários e seus familiares, todos foram contemplados com uma pequena muda para que cada um desse seqüência, em suas residências, ao espírito que esteve presente nesta largada para a conquista do diploma especial de defesa do Meio Ambiente.
Os alunos brasileiros cada vez sabem menos. Lêem e não compreendem o que leram. E o Brasil é o pior entre 32 países pesquisados em matéria de ensino fundamental. postado por walter em 09/12/01
JUSTIFICATIVA DA IGNORÂNCIA
Walter Galvani
Os números estão aí, não podem ser desmentidos. Mas podem ser retocados, glamurizados e apresentados publicamente como defesa de posições e interesses políticos.
O ensino elementar brasileiro, pesquisado por entidades nacionais, obteve o 32º lugar. Só que entre 32 países.
Alguma dúvida ?
Nossos alunos são ignorantes, não lêem nada e não sabem escrever.
Mas são passados de ano, por causa de um absurda decisão de aprovar todo mundo “na marra”, para que não fiquem ocupando o lugar dos que estão chegando. Quer dizer: ao invés de criar mais vagas, ao infinito se preciso for, como diria nosso poeta (infelizmente lido cada vez menos), a obrigação do pobre professor, por seu turno mal pago e pior preparado, é “passar” esta multidão de analfabetos funcionais que estamos produzindo, gente incapaz de raciocinar, de produzir um pensamento articulado.
Dá para suspeitar que a intenção é esta. Mas que conta com o apoio de todos os partidos, porque não ouço, não vejo e não leio em lugar algum, manifestações contrárias de partidos políticos, no poder ou fora dele. Parecem todos de acordo.
E toca fabricar mais burros. Que seguem pelos mecanismos de preparação adiante, formam-se médicos, advogados, jornalistas, engenheiros.
Não é de estranhar que se produzam maus jornais e péssima televisão, que caiam pontes e que as pessoas morram por erros médicos. E que cada dia haja mais advogados dirigindo táxis. Só pode.
O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) pesquisou 32 países, começando pela Finlândia, atravessando toda a Europa, alguns da Ásia e das Américas. Trinta e dois. Classificação do Brasil: ÚLTIMO.
Precisa mais ?
Coréia, Islândia, Portugal, Letônia, e até o México estão à nossa frente.
O Ministério da Educação brasileiro, contudo, considerou o resultado “melhor que o esperado.” O tal ministério deve estar esperando que uma manada de búfalos destrua o seu edifício. Para começar do zero.
O PISA avaliou os alunos de 15 anos na área de matemática, leitura e ciências. A leitura foi a mais enfatizada das provas, reunindo no ano passado, 5.000 alunos de todo o país. Ah, a zona rural foi excluída, para que o vexame não fosse maior ainda, naturalmente. “A escola – examina o economista Cláudio Correia e Castro – tanto de rico quanto de pobre, não está ensinando seus alunos a ler um texto escrito e a tirar dele as conclusões e reflexões logicamente permitidas.”
Ato dois:
Foram divulgados resultados do ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio): os alunos brasileiros tiveram a pior média dos últimos três anos.
Mais uma vez a pirâmide social funcionou mostrando que os mais ricos, que freqüentam escolas particulares, estão melhor preparados do que os demais. Saudosos tempos em que escola pública e particular se eqüivaliam e até era “chique” mandar os filhos para um colégio do estado.
A coisa vai de mal a pior. E o Ministro da Educação diz que “estamos botando a nu a realidade brasileira, que reflete a exclusão social”. Pelo menos ele diz que devemos oferecer melhor escola pública. A coordenadora do ENEM fala claro: “O ENEM comprova que os alunos decodificam as palavras, mas não compreendem a proposta das questões.”
Basta ver um programa de televisão destes para perceber que os “convidados universitários” usam vestidos longos e smokings mas não sabem nem de que lado sopra o vento. E como é que se escreve o traje que vestem, o significado de Sagrado e Profano e nem o que quer dizer Desagrado. Que é o que sentimos com relação a eles, a seus professores, ao sistema de ensino, aos métodos adotados e à estrutura política da Nação.
(Originalmente publicado no jornal ABC DOMINGO, de 9/12/2001, editado pelo Grupo Editorial Sinos)
Um dia de sol e muita luz ao sul do Brasil. A Iriel acionou seu interruptor postado por walter em 08/12/01
PLANTE UMA ÁRVORE, CULTIVE O FUTURO
Walter Galvani
Para os meus amigos que me lêem no Brasil e no Mundo – e é com satisfação que informo que este “site” já foi visitado por gente de todo o planeta, como Portugal, Alemanha, Holanda, Argentina, Estados Unidos, Cuba e Arábia Saudita, entre outros mais ou menos “votados” , - informo que nesta bela estação estival, aqui no sul da América e do nosso país, participo de uma tarefa honrosa: participo da arrancada da Iriel, uma indústria de materiais elétricos, tomadas e interruptores, rumo à certificação da ISO 14001.
Para os que porventura não saibam, trata-se da norma que estabelece o respeito ao Meio Ambiente.
Desde que inaugurou sua nova fábrica, na Estrada do Nazário (hoje avenida do Nazário), no bairro Estância Velha, em Canoas, a terceira cidade do estado do Rio Grande do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, que a Iriel deixou bem clara sua preocupação: ao levantar suas instalações, foi preservado um bosque, todo um recanto que se transformou num pequeno jardim e fonte de admiração dos visitantes de fora.
É hoje o dia. Um belo sol resplandecente e uma temperatura relativamente amena para o período.
Convidados ilustres e a presença dos funcionários e seus familiares. A ocasião servirá também para comemorar o Natal e o encerramento do ano de atividades.
E como estarei lá – afinal a Iriel também tem apoiado minhas atividades, tanto que fez questão de participar do projeto de pesquisa histórica que redundou em meu livro, “Nau Capitânia” – pretendo dizer algumas palavras que faço questão de difundir aqui através da Internet.
Ei-las:
“Acreditar no futuro é investir agora” – afirmava Darwin Longoni, em seu nome e de seu sócio Jandir Capoani, na inauguração desta fábrica em 1999.
Dois anos se passaram, dois anos de crises e dificuldades como tem sido para o Brasil e para o setor industrial, a Iriel cresceu lenta e seguramente e hoje nos encontramos aqui, novamente, desta vez para dizer que “plantar uma árvore é cultivar o futuro”.
É o que faremos, porque sabemos que estamos pensando não só no nosso futuro, mas sim de toda a Humanidade.
O símbolo modesto e singelo de plantar uma árvore, de buscar para esta empresa a certificação da ISO 14001, significa alinhar-se nesta batalha que deve ser coletiva.
Para isto trouxemos hoje aqui, um homem que é um símbolo desta luta.
José Joaquim Longhi, descendente de uma das famílias mais tradicionais da cidade e que se encaminhou por uma vocação notável e em outros tempos, pioneira, para a defesa do Meio Ambiente.
Hoje este tema é bem recebido e predomina em muitas conversas e atividades. Mas, quando Longhi começou era muitas vezes posto em dúvida. Hoje, quem se lembraria de contestar suas ações ?
Em versos sinceros e sem sofisticação mas que se constituem numa síntese de seu pensamento e resumem uma vida de dedicação aos outros, à Humanidade, ao Meio Ambiente, José Joaquim Longhi nos presenteia com este poema que vou ler agora:
PLANTANDO EM VERSOS
Uma árvore foi plantada
Com amor e dedicação
Em pouco tempo ela cresceu
Já tinha sombra no verão.
A árvore já está bem grande;
Uma beleza a céu aberto
Praça que não tem árvore
É igual a deserto.
Todos podem plantar árvores,
Não tem cor e não tem idade,
Cada árvore que for plantada
Aumenta o pulmão da cidade.
Frutos nativos podemos plantar aqui
Para aproximar a fauna silvestre:
Guabijú, guabiroba, bacuparí
Para plantar não precisa ser mestre.
Com um banco embaixo dela
Todos podem nele sentar
Depois de uma caminhada
Para um pouco descansar.
Sentindo o prazer do descanso
Lentamente alguém levantou
Olhando firme para ela
“Deus abençoe a quem te plantou!”
Todos os dias pode-se começar
A plantar espécies em extinção
Para a cidade embelezar,
Fazer paisagismo e preservação.
José Joaquim Longhi
São raras, contam-se nos dedos as empresas que efetivamente se preocupando com o Meio Ambiente, lançam-se em busca da Certificação da ISO 14001. A Iriel com fábrica em Canoas, mas que detém parcela considerável do mercado nacional de interruptores e afins, é uma delas. postado por walter em 07/12/01
DEFESA DO MEIO AMBIENTE:
IRIEL EM BUSCA DA
CERTIFICAÇÃO 14001
Plante uma árvore, cultive o futuro – é assim que a Iriel Indústria Elétrica de Canoas, convida a comunidade, autoridades, clientes, amigos e funcionários, a participar do próximo passo da implementação do seu Sistema de Gestão Ambiental, que ocorre neste sábado, dia 8, a partir das 11 horas da manhã, no pátio da empresa, que fica à Avenida Nazário, 2100, bairro Estância Velha, em Canoas, sabendo da significação e da responsabilidade da proteção ao meio ambiente.
A implementação do SGA (Sistema de Gestão Ambiental) está integrada na busca constante da qualidade, rumo à Certificação da Norma ISO 14001 e será dentro deste espírito que a Iriel plantará uma árvore em seu pátio, símbolo deste compromisso com a comunidade.
A Iriel, uma empresa com 37 anos de atuação, estabelecida em Canoas e detendo uma parcela significativa do mercado brasileiro na área de interruptores e demais componentes elétricos. Tendo inaugurado sua nova fábrica em 1999, acompanhando a evolução tecnológica do mercado, possui desde 94 a certificação da ISO 9001. Além de suas instalações em Canoas, a Iriel dispõe de sucursal em São Paulo e representações em todo o país.
Os seguintes princípios constituem a sua Política Ambiental que começa agora a ser implantada:
- Prevenção e controle da Poluição Ambiental;
- Melhoria contínua de seus processos e do Sistema de Gestão Ambiental;
- Promoção da consciência ambiental de seus funcionários e parceiros cujas atividades gerem Impactos Ambientais Significativos;
- Promoção de canais de comunicação com a comunidade;
- Atendimento à Legislação e Normas Ambientais.
Acompanho a IRIEL há muitos anos e posso dar o meu depoimento. É uma empresa, dirigida por Jandir Capoani e Darwin Longoni, que tem investido naquilo que se convencionou chamar o "social". Participa do Projeto Pescar, por exemplo, proporciona melhorias na área de educação aos seus funcionários e no caso do titular deste site, apoiou a bolsa de pesquisa para produzir o livro NAU CAPITÂNIA, hoje com três prêmios nacionais e o internacional "Casa De Las Américas". Estava certa a Iriel, como tem andado certo em sua produção industrial e agora, nesta opção pela defesa do Meio Ambiente.
Um exemplo a ser seguido postado por walter em 06/12/01
O SESI E O NOVO
HOSPITAL DA CRIANÇA
SANTO ANTÔNIO
Walter Galvani
Um dos meus mais antigos e queridos colegas, Arquimedes Fortini, que infelizmente já nos deixou, sempre me recomendava sua especial devoção a Santo Antônio e o significado que tinha em sua vida. Não me revelou com que graças foi contemplado, mas todos o acompanhamos tanto na provedoria da Santa Casa quanto na dedicação ao Hospital da Criança.
Ele nunca se cansou de dizer que esta seria a obra de sua vida. E de fato, enquanto viveu se dedicou a levantar fundos, às vezes milagrosamente, dos mais diversos setores, contribuintes, pessoas físicas e empresas. E foi assim que se tornou possível a obra da rua Ceará, o Hospital da Criança Santo Antônio que tantos benefícios tem trazido à comunidade porto-alegrense.
Foi assim, com a maior satisfação que ouvi no almoço de encerramento das atividades do ano da FIERGS, a notícia de que o SESI, esta instituição que tanto tem ajudado a melhorar as relações entre patrões e empregados no país, que tanto tem auxiliado a promover o equilíbrio social e a proporcionar felicidade aos seus associados, está fazendo a doação de 100 mil reais ao novo Hospital da Criança Santo Antônio.
O SESI do Rio Grande do Sul tem contribuído para consolidar várias iniciativas de natureza social como as ações desenvolvidas junto ao Instituto do Câncer Infantil, meritória obra comandada desde os primórdios pelo colega jornalista Lauro Quadros, o Instituto das Crianças com Diabetes (dono do mais belo comercial de televisão do RGS) e o fantástico Instituto de Cardiologia, entre outras ações.
CÂMARA APROVOU A FLEXIBILIZAÇÃO DA CLT. AGORA FALTA O SENADO. ENQUANTO ISTO... postado por walter em 05/12/01
DE NOITE, PELAS COSTAS...
Walter Galvani
De nada adiantou toda a resistência sindical armada pelas centrais, de nada serviu cercar o carro do Ministro do Trabalho, descendente da ilustre família que implantou a legislação trabalhista no Brasil, de nada serviu trocar ofensas no Congresso, nem rasgar a Constituição simbolicamente, nem atirar pedaços de papel no rosto de colegas. Também não adiantou fazer a divulgação de que as mudanças na CLT acarretariam uma situação muito difícil para as categorias enfraquecidas na hora da negociação, quando prevaleceria tudo o que a entidade patronal desejasse.
Nem tampouco adiantou a divulgação de pronunciamentos de juristas eminentes – como fiz aqui com a opinião do professor e advogado trabalhista (da área patronal) Emílio Rothfuchs Neto, que lembrou que é chegada a hora da revisão completa da CLT e não apenas a mudança do artigo 618.
Prevaleceu a vontade do governo, imposta pela força dos seus argumentos. Chegou-se ao ponto de liberar a verba a que tem direito os parlamentares para atender suas bases em pleno dia da votação. Este míssil governamental derrubou as últimas resistências e o projeto passou por 264 x 213 e 2 abstenções.
O governo garantiu a vitória com nove votos a mais do que na outra votação, quando se produziu uma pane no painel. Embora se haja suspeitado do problema técnico, na oportunidade o governo ganharia, da mesma forma.
O quorum também cresceu, pois as forças governistas aumentaram sua base.
Isto posto, aprovadas as mudanças na CLT, agora o caminho é o Senado e a corrida é ver se os “pais da Pátria” aprovam antes do final do ano.
Pois o ano que vem é ano eleitoral, eleições para a presidência e para deputados, governadores, etc. etc. e a coisa fica mais complicada diante de uma opinião pública mais atenta.
Desta vez passou, pelo menos até esta fase.
Não há como dizer que a flexibilização não seja útil e facilite as coisas num terreno – o do emprego – onde tudo está muito difícil. Mas o relacionamento entre uma classe enfraquecida e quem tem o poder na mão, é ainda mais frágil. Já se sabe que será aceitar ou sair, pegar ou largar...
O pior é o que passa na calada da noite.
Não fossem férias que podem ser diminuídas, aviso prévio que pode ser reduzido, 13º que poderá ser pago em 12 parcelas, eliminação da equiparação salarial, prazos esticados para pagamentos, e outros que tais, fica-se sabendo que, o INSS anunciou, em paralelo a isto, que estuda a diminuição das pensões de aposentados.
Como aumentou a expectativa de vida do brasileiro, conforme anúncio do IBGE, quanto mais cedo alguém se aposentar neste país, mais terá diminuído o valor de sua aposentadoria, conforme uma tabela que está em estudos.
No Brasil, a média de sobrevivência subiu de 66 para 68,7 anos para os homens e 76 para as mulheres.
O INSS não explicou como fará com as diferenças regionais, onde a injustiça se instala às vezes por meia dúzia de metros. Pois, em Alagoas, por exemplo, a expectativa é de 63,2, em Pernambuco é mais, em Santa Catarina é menos e no Rio Grande do Sul, 71,6 anos.
Só para começar.
Enquanto isto, são 15 mil os jovens que são assassinados por ano no Brasil e não se vê nenhum projeto, e muito menos uma ação qualquer, para diminuir tão trágica estatística.
De noite, pelas costas, mais e mais facadas no pobre trabalhador brasileiro. Daqui a pouco a gente se convence que a morte do presidente Getúlio Vargas, em 1954, representou mesmo o fim do ciclo em que o Trabalho conseguiu momentaneamente (menos de 20 anos) impor seu cada vez menor poder de barganha.
QUATRO ASSASSINATOS DE PESSOAS NAS RUAS DE PORTO ALEGRE COLOCAM A QUESTÃO NA ORDEM DO DIA NA CAPITAL DO RGS. ALGUMA COISA É PRECISO FAZER. NÃO SE TRATA APENAS DE HISTERIA. E TAMBÉM NÃO É UMA QUESTÃO POLÍTICA. ASSALTARAM ATÉ POLICIAIS MILITARES. postado por walter em 04/12/01
SEGURANÇA NAS RUAS
Walter Galvani
Por vezes esquecemos o que há por trás da violência, da pobreza, da ignorância, pedimos em altos brados a presença da Polícia porque não acreditamos que exista algum tipo de ação por parte do estado, enfim, queremos socorro, proteção, tranqüilidade.
Em certos momentos, até nos lembramos de sugerir o aumento do número de soldados da força pública nas ruas e até queremos que os ladrões, assaltantes maiores e menores, de ônibus ou de pedestres, de automobilistas ou de idosas, de crianças e de jovens, sejam efetivamente presos, julgados e condenados rapidamente.
Em alguns casos, até sugerimos a lei islâmica... Pois se furtou uma vez, cortem-lhe a mão. Se furtou outra vez, cortem-lhe a outra. E se matou para roubar, que seja executado também.
Brasil o país do futuro, o Brasil moreno da miscigenação sem limites, o Brasil do entendimento, da compreensão, da ausência de preconceito (???), este Brasil existe ? Ou existem vários “Brasís” ?
Coexistem os vários países, o que sonhamos e o que é, o que nos dão e o que desejamos, o que queremos e o que nos impingem ?
Quando o exemplo vem de cima, fica difícil.
Quando se semeia o ódio, querendo mal à toda a gente, desejando a destruição dos outros, quando se pede que alguém seja “calado” ou quando se trabalha, sorrateiramente, para derrubar alguém, estaremos plantando o mesmo Brasil, o mesmo mundo que queremos para nós ?
Na verdade, precisamos educar, educar e educar as pessoas. Primeiro com a educação básica, simplesmente a elementar. Atender suas necessidades mais urgentes, criar oportunidades.
Tudo parece tão simples, mas, na verdade é tão complicado. Empregos? Como gerar novos postos de trabalho se a economia está em recessão ?
E levantemos as mãos para os céus de que ainda não se tenha transformado em depressão.
Ah, mas tem uma coisa: melhorar a limpeza, a iluminação pública, botar a farda na paisagem, isto tudo dá para fazer, só com mais trabalho, atenção e dedicação.
Sabem que é que constitui a burguesia num país de mobilidade social como o Brasil ? Os deserdados de hoje. Amanhã ou depois, graças aos nossos milagres diários, eles terão sido incorporados pelas classes médias da população.
E sabem quem serão os deserdados de amanhã ? A burguesia de hoje...
Tudo é tão volátil, aliás, “tudo o que é sólido se desmancha no ar”...
Não custa nada pensar um pouco nas pessoas e lembrar que, além dos problemas de base, há muitos oportunistas, muita droga, muitos bandidos que criamos no seio da própria sociedade.
Mas vamos agir. Dizer que há insegurança em todo o planeta e por isto devemos tolerar assaltos aqui, suportar ameaças, não reagir, deixar por isto mesmo ?
Esta não, gente.
Você caminha nas ruas, de madrugada em qualquer cidade civilziada. Há problemas políticos, sociais, sim, pelo mundo afora. Mas não vamos confundir as coisas.
Lei neles.
Dura lex. Sed lex.
Crise dos vizinhos vai respingar o Brasil postado por walter em 03/12/01
A BOMBA ARGENTINA
Walter Galvani
No futebol ou fora dele, durante muitos anos tivemos que tirar o chapéu para os argentinos. Bons tempos, para eles, quando o tango predominava no mundo, Nova York elegia o ritmo portenho como seu “hit” da moda e Jorge Luis Borges crescia como o maior escritor latino-americano.
Depois disso tivemos a arrancada brasileira, comandada por Juscelino Kubitschek que fez o nosso país crescer cinqüenta anos em cinco, embora nos tenha deixado como herança a inflação. Ainda não era a hiper-inflação, que conhecemos mais tarde, mas já era uma senhora de portes avantajados...
Em meio a isso, o futebol elevou a auto-estima brasileira à índices inimagináveis. Ganhamos sucessivamente as copas de 58 e 62, depois de rápido intervalo voltamos a vencer em 70 e nas competições sul-americanas, predominávamos também.
De crise em crise, a elegante, poderosa e orgulhosa Argentina foi mergulhando na decadência. Hoje não é nem sombra do que foi, e em Buenos Aires se vive o mesmo drama das grandes cidades brasileiras: assaltos, crimes, roubos, furtos pequenos e grandes, todos os dias e em todos lugares.
Chega-se ao ponto de receber o seguinte conselho quando se chega à maravilhosa capital (que continua linda apesar de tudo): “Não tome táxi, a não ser recomendado pela portaria do hotel. Você pode ser assaltado pelo motorista!”
Horror ? Pois é assim que as coisas estão.
A crise econômica se agravou com o Plano Cavallo e de salto em salto, a Argentina foi derrubando as barreiras no circuito hípico. Acredita-se que só na sexta-feira foi retirado 1 bilhão de dólares dos bancos (uma corrida inacreditável) e que poderá ser agravada com outro tanto ainda hoje. Depois, a ferida vai estancar a sangria porque os argentinos só poderão sacar 1.000 dólares ao mês de suas contas bancárias.
O reflexo disso nos países vizinhos, tipo Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile, Bolívia e Colômbia, Venezuela e os demais da América do Sul, pode ser imaginado: o dólar em alta, com a conseqüente escassez na praça da moeda americana e a dificuldade de negócios internos, inflação.
Não devemos esquecer também que a Argentina é o principal parceiro econômico do Brasil.
Não queremos e não podemos desejar uma crise em nossos vizinhos. É absurdo e infantil, imaginar que a rivalidade esportiva deva ter continuidade nos campos da economia. Mas, por incrível que pareça, pode ser este o desejo de muitos brasileiros mal informados e mal formados.
Não estamos mais no século XVI, não há o que disputar em matéria de territórios. Precisamos é fazer conquistas em comum e agir como aliados.
Se faltar simpatia, pensem em Gardel, Astor Piazzola, Borges, e esqueçam Maradona...
Mas, queiram ou não os brasileiros, nossas economias são complementares e precisam jogar juntas.
Desejar o mal aos argentinos ?
É pedir para não receber a visita deles no verão – quando costumam deixar aqui milhões de dólares. Sem falar em todos os negócios de importação e exportação entre os dois “hermanos”... que brigam como bons irmãos.
A propósito: pragmaticamente falando, como será a temporada ?
Brasil na Copa do Mundo: o clima do "já ganhou!" postado por walter em 01/12/01
NAS QUARTAS DE FINAL...
Walter Galvani
Os leitores, telespectadores, ouvintes de rádio, internautas, devem estar já preparados para a vitória do Brasil na próxima Copa do Mundo. O clima de “barbada” e “já ganhou” está devidamente instaurado desde que o sorteio feito na manhã do primeiro dia de dezembro colocou o Brasil num grupo aparentemente fraco. Nossos adversários serão Turquia, China e Costa Rica.
Nenhum deles com qualquer tradição no futebol. Portanto, ao mesmo tempo que se informa que nossa estréia será contra a débil Turquia, no dia 3 de junho de 2002 em Ulsan, na Coréia do Sul, já se diz que passaremos flamantes por este tal de Grupo C e logo estaremos disputando as oitavas de final, contra outros pobres coitados.
A sorte nos confrontará na seqüência com o primeiro ou o segundo colocado de um grupo, o H, que congrega Japão, Bélgica, Rússia ou Tunísia.
Ninguém, lembra que o Japão já nos derrotou, recentemente e que joga em casa, o que sempre funciona. Fator campo não deve ser desprezado. Além disso, a Bélgica é dona de um futebol mediano, mas cheia de craques que atuam, como os nossos, no futebol europeu.
E a Rússia. Ah, a Rússia, para os especialistas esportivos, desandou depois que a URSS desintegrou-se.
A Rússia, para a maioria dos analistas, não é nada.
E então, só haverá adversários importantes, capazes de nos enfrentar, se chegarmos às quartas de final, mas aí já estaremos quase nas semi-finais e nas finais da Copa...
Nesta tal de quartas de finais, poderemos ter que enfrentar a França ou a Argentina, por exemplo.
Nada assusta os brasileiros pelo jeito, graças a Deus que, aliás, dizem, é brasileiro. E é mais do que brasileiro. Conforme ouvi – de brincadeira mas nem tanto – Deus não só é brasileiro, como, colocando-nos neste grupo C, levantou cedo, preparou o chimarrão para agradar o Filipão e estava de plantão na hora do sorteio...
Acho que um pouco de humildade nos faria bem.
Uma equipe que chegou no torneio final perdendo os pedaços, que não impressionou ninguém, que foi morrendo aos poucos até que conseguiu bater uma pobre Venezuela onde o futebol é o quarto ou quinto esporte, bem que poderia ser tratada com mais precaução..
Vamos ver se o técnico e os jogadores ainda sabem o que é modéstia e se a CBF tem a cabeça no lugar.
Se os adversários sorteados são fracos, tanto melhor.
Mas cautela e caldo de galinha que nunca fizeram mal a ninguém...
Capital e trabalho de mãos dadas, em busca do paraíso terrestre... do consumo! postado por walter em 30/11/01
NEGÓCIOS DA CHINA
Walter Galvani
O governador Olívio Dutra e empresários gaúchos na China, o PT de mãos dadas com o empresariado, a longa marcha rumo ao coração da Paz Celestial, a inauguração de uma fábrica como a da Boise Cascade em Guaíba, gerando parcos 170 empregos diretos, mas na certa estimulando centenas de novos negócios, tudo isto nos remete ao início deste mesmo governo e aos fatos que se sucederam logo depois.
Quando Olívio foi eleito para o Piratiní, o que o seu partido desejava era um saneamento nas relações com as empresas, mas uma política de aproximação e cooperação.
Lembro ainda da ida de Olívio e seu secretário da Indústria e Comércio à inauguração da fantástica fábrica da IRIEL em Canoas, uma indústria elétrica que se expande firme e permanentemente.
A simples presença do governador recém eleito, fascinou os empresários presentes que passaram a sonhar em ter o novo governo como parceiro seguro em muito de seus empreendimentos.
Quanto ao PT, o simples demonstrar que o partido não era inimigo do capital, já soava como suficiente para sensibilizar as massas e os capitães da indústria.
Mas então sobreveio o episódio da Ford que serviu de mote nas eleições e ainda servirá, a menos que se processe a releitura dos fatos com a visão das informações mais recentes, aquelas que revelam que a empresa americana buscava vantagens compatíveis com a sua real situação financeira e seus interesses vorazes de multinacional.
Casualmente é Guaíba mesmo e a região sul do estado que ainda não perdoaram Olívio pela fuga da Ford para a Bahia, mas o assunto tem que ser tratado é com o “painho” Antônio Carlos Magalhães, muito mais poderoso que se imagina e que “atraiu” de forma irresistível a poderosa montadora para a Bahia.
A ida à China em busca de novos negócios, levando empresários em sua esteira, é um passo e uma estratégia governamental, mas com reflexos políticos e portanto eleitorais, inegáveis. Olívio quer provar que apesar de toda a sua origem no sindicalismo e na luta contra os exageros capitalistas, compreende que é governador de todos os gaúchos e não apenas de facções partidárias e portanto precisa elevar-se ao topo e governar com imparcialidade, tanto quanto possível.
Os negócios que surgirem desta viagem ao maior mercado consumidor do planeta terão força de atração suficiente para alavancar o governo do PT a um novo patamar e dependendo da elevação de espíritos e prudência, aí mantê-lo até o difícil desenrolar do ano eleitoral de 2002.
Pensando nas eleições, esta viagem é muito barata.
Principalmente se conseguir colocar a discussão política do ano que vem – que já começa agora é claro – em termos mais pragmáticos.
Nós, eleitores e também ouvintes, telespectadores e leitores, não estamos dispostos a perder nosso tempo com baboseiras e discussões que visam destruir os adversários, ao invés de contestar as teses políticas.
No entanto, este é o grande risco que corremos.
E quem está hoje na Oposição sabe muito bem que a estratégia – embora condenável – será atacar para desmoralizar os autores dos fatos, ou seja, quem está no executivo.
O PT deve ter aprendido também que a troca de posição entre a pedra e a vidraça implica no encouraçamento da auto-estima. É uma questão de cidadania.
Se já o fez ou não, veremos.
Escritor vai receber comenda do Estado do RGS postado por walter em 29/11/01
LAURY MACIEL RECEBERÁ
MEDALHA JOÃO
SIMÕES LOPES NETO
Walter Galvani
Participei da sessão em que o escritor Laury Maciel foi homenageado pela Secretaria Estadual da Cultura, dentro do Projeto “Confesso que vivi”. O escritor taquarense foi mais desnudado, do que desnudou-se, pois, modesto e tímido, não “confessou” aventuras ou estrepolias da juventude, nem sequer escancarou de fato como foi sua formação. Esta tarefa coube ao crítico, ensaísta e editor Sergius Gonzaga, que, com a sua verve característica e sua poderosa voz e seu didatismo de mestre, que traçou um belo retrato da extraordinária figura humana de Laury.
O prof. Vorny Santos, coordenador do projeto, procurou dar organicidade e coerência ao programa que tive a honra de inaugurar dia 21 de novembro.
Mas ninguém conseguiu quebrar a falta de divulgação – apesar de que o número de pessoas presentes correspondia ao alto prestígio do escritor Laury. Os jornais não deram uma nota sequer sobre o fato. Nem antes. Nem depois.
O jornalismo cultural que está se produzindo no Rio Grande está merecendo um exame crítico acurado.
Quanto a Laury Maciel, a “media” tem uma boa e nova oportunidade.
No dia 13 de dezembro, às 17 horas, Laury receberá no Palácio Piratiní, das mãos do governador Olívio Dutra, a Medalha “Joãp Simões Lopes Neto”, destaque que no passado foi conferido a homens como Guilhermino César, Mário Quintana, Pablo Komlós, Lupicínio Rodrigues, Erico Veríssimo, Eva Sopher, Carlos Reverbel, Miguel Proença, Radamés Gnatalli, Albrto André, Aparício da Silva Rillo, Plauto Cruz, Lacy Osório e Jayme Caetano Braun.
Esta medalha tem distinguido quem se destaca nas Artes, nas Letras, na Ciência, na Educação, na Magistratura e no Magistério.
PAPAI NOEL DOS TRABALHADORES: FLEXIBILIZAÇÃO DA CLT postado por walter em 29/11/01
PANE (POLÍTICA ?) DO PAINEL
Walter Galvani
Falamos uma vez mais da CLT. Numa votação simbólica o projeto havia sido rejeitado. As forças de choque do governo entraram em ação e, segundo o noticiário vindo de Brasília, afirma-se que “o argumento que mais pesou no convencimento dos adversários da proposta apoiada pelo governo é aquele considerado, o “mais pragmático”:
Quem votasse contra o Planalto não contaria com a boa vontade do governo na liberação de recursos para bancar emendas orçamentárias destinadas a atender às bases eleitorais.
Então, os chamados “rebeldes da base situacionista” foram pressionados.
E o painel eletrônico falhou, obrigando a uma votação nominal, com o deputado se manifestando e tendo assim flagrada sua posição: sim ou não, a favor ou contra o projeto que “flexibiliza as relações de trabalhadores e empresas”.
Terá sido política a falha do painel ?
De qualquer maneira estamos diante do cinismo generalizado.
De deputados que não querem assumir publicamente suas posições, de propostas que não refletem com exatidão o que há por trás delas, de pressões claras com raízes no poder econômico do governo e também uma falha eletrônica que pode muito bem ser humana.
Em tempo de guerra mentira na terra, se diria no Afeganistão.
Mas, como para certas questões o Afeganistão é aqui, empurra-se mais adiante um pouco, meia dúzia de dias, o tempo para maturar a posição dos deputados.
Acontecerá de tudo. Estejam certos.
E o painel poderá milagrosamente recuperar-se.
Enquanto isto a verdadeira questão, como aponta com precisão o prof. Emílio Rothfuchs Neto, consagrado advogado trabalhista, não é examinada. Leia-se a sua posição no artigo publicado aqui mesmo neste “site”.
A quem interessa o crime ?
Berrava o lider do PTB, no Plenário, repetindo uma frase latina conspurcada pelo tempo e pelos políticos, mas que ajuda a compreender qualquer farsa ou tragédia: “Cui prodest?” – diziam os senadores romanos.
Sim, a quem interessa ?
Mas, a quem interessa também a tal flexibilização, a quem interessa a pane do painel eletrônico e a quem interessa uma vitória das forças do governo ?
“Cui prodest ?”
Rasgar a Constituição é apenas simbólico. Discutir o assunto, promover até um plebiscito. Nada de correr, correr, negociar... postado por walter em 28/11/01
VOTAÇÃO OU ACORDO ?
POBRE CLT... MORREU
E NÃO SABE
Walter Galvani
Um dos maiores advogados trabalhistas do Rio Grande do Sul, atuando preferencialmente como defensor de causas patronais, mostrou a sua grandeza, o seu conhecimento de causa e sua preparação para o exercício da profissão, escrevendo no jornal “Zero Hora” de Porto Alegre, na edição do dia 27/11/2001. Trata-se do Dr. Emílio Rothfuchs Neto, ex-aluno de Eloy José da Rocha, e ele próprio professor emérito.
Depois de examinar a discussão que desde ontem se fere no Congresso e a possível votação que está por ocorrer, disse ele:
“Não será apenas alterando a redação do art. 618 que se vai trazer o estatuto do trabalho contemporâneo à II Guerra Mundial para o século atual.”
Lembre-se – a nota explicativa é minha – a maioria das leis provém dos anos 30, quando Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho e a Consolidação das Leis do Trabalho, a chamada CLT, é de 1943.
“A nação está mobilizada – diz Emílio Rothfuchs Neto – diante de um problema menor, a “flexibilização” de um único artigo de uma legislação antiga, gerada em outra realidade social, e não está olhando para os dias de hoje. A modificação se impõe, mas deverá contemplar a realidade atual em todas suas facetas, não se limitando a um único aspecto que diz respeito apenas ao emprego.”
E diz mais o ilustre professor Rothfuchs Neto:
“Por outro lado o estatuto do trabalho (...) deve atingir um universo bem maior, contemplando, além deste, também o trabalho em todas suas outras formas, atualmente fora de proteção legal: trabalho autônomo, trabalho cooperativado, além de disciplinar o tele-trabalho, o trabalho a tempo parcial e outras formas.”
Perfeito o juízo do mestre.
Pena que não existam homens como ele na Câmara dos Deputados, pelo menos em número suficiente para influenciar os colegas e conduzir uma negociação e uma votação, coisas que estão agora em transcurso.
E não esqueçam que depois da aprovação vem a regulamentação.
Paulo Renato Paim, vibrante e coerente com seu passado sindical, cometeu por seu turno um excesso que lhe pode custar caro. Rasgou a Constituição, ou pedaços dela, de forma acintosa. O que, para seus inimigos políticos é a mosca no mel...
Quererão, na certa, responsabilizá-lo criminalmente e assim anular o seu pensamento.
Esta é uma forma antiga de combater os revolucionários. Esmaga-se a Revolução. Depois, com calma, adota-se as idéias dos revolucionários. Isto a Humanidade sabe fazer com muita competência. É uma prática de milhares e milhares de anos.
No entanto, Paim é sábio e representativo e por isto precisa ser ouvido. Principalmente quando diz:
“Não podemos sequer imaginar um país como o Brasil optar pela livre negociação, com situações tão adversas no mundo do trabalho e com realidades tão distantes. Na verdade optar por este projeto é negar o desemprego, o trabalho escravo, o trabalho infantil, os salários baixos e as péssimas condições de segurança e estabilidade que existem neste país. Livre negociação será a imposição do mais forte sobre o mais fraco.”
E conclui com uma bela proposta:
“Antes que o Congresso Nacional delibere sobre o assunto propomos um plebiscito nacional, com a devida divulgação e o processo informativo, para que cada trabalhador brasileiro tenha a liberdade de escolha.”
Temos aí dois gigantes, duas expressões da área trabalhista, um deles advogado patronal, outro líder sindical reconhecido.
E no entanto, parece que o Congresso combina, negocia, conversa e delibera.
Cumpriremos. Desperdiçando mais de meio século de conquistas, onde se alojam férias de 30 dias, 13º salário, tudo em nome de uma “flexibilização” por causa da crise econômica. Que não será resolvida com isto, porque irá se aprofundar ainda um pouco mais até que os negócios ressurjam, saneados e com os rumos e exageros devidamente corrigidos.
Jornal fechou há 17 anos e seus antigos redatores continuam se reunindo para lembrar sua força e prestígio postado por walter em 28/11/01
No dia 16 de junho de 1984, há dezessete anos portanto, deixava de circular o jornal “Folha da Tarde” que, nos seus áureos tempos chegou a bater todos os concorrentes em Porto Alegre.
Foi, de 1936 até 1980, um dos raros vespertinos do país. Era esperado nas praças e esquinas da capital do Rio Grande do Sul e cidades da sua região metropolitana.
Empolgava a população, era como um caso de amor.
Por má administração da empresa editora, então Caldas Júnior ainda em mãos do Dr. Breno Caldas, foi mudando de horário, de cara e de proposta e morreu abraçada com a “Folha da Manhã”, outra iniciativa da mesma empresa.
Mas, a flama daquele jornal vibrante permaneceu na cabeça dos seus redatores e repórteres e de seus leitores e apaixonados admiradores.
Tanto que, 17 anos depois, ainda não morreu o nome, o prestígio e não foi esquecido o seu significado e suas lições de jornalismo.
Desde 1985, todos os anos reúnem-se seus antigos jornalistas. Espalhados por diversos órgãos de comunicação ou aposentados, andam por aí. Mas, pelo menos uma vez por ano, na data do aniversário do jornal, confraternizam num reencontro. Isto se dá pelo dia 27 de abril.
De vez em quando o grupo resolve fazer uma “festa de fim-de-ano” como se fosse ainda um órgão atuante, presente na “media”. É o que se produzirá agora.
Será um almoço, para facilitar a presença dos mais antigos.
Dia 1º de dezembro, no restaurante “Copacabana” que tem um Salão “Folha da Tarde” homenageando o velho jornal.
Uma história incrível que merece um registro especial
Como gaúchos vibremos um pouco: o filme "Netto perde sua alma", com direção de Tabajara Ruas (também o autor do script) e Beto Nunes, ganhou no Festival de Huelva, na Espanha, o prêmio de "Melhor Fotografia". Cumprimentos ao fotógrafo de cinema Roberto Henkin, agora premiado internacionalmente, no 27. Festival de Cinema Ibero-Americano, de Huelva, Espanha postado por walter em 27/11/01
O fanatismo, seja ele cristão ou muçulmano, esportivo ou político, só tem levado a Humanidade a desastres postado por walter em 27/11/01
A I CRUZADA E OS MUÇULMANOS
OU BIN LADEN E O PAPA URBANO II
Walter Galvani
Dia 27 de novembro de 1095, sabem vocês o que aconteceu ? Pois nesse dia, há exatos 1.006 anos, o Papa Urbano II pregava no Concílio de Clermont (pequena cidade 400 quilômetros ao sul de Paris, Clermont-Ferrand), o início da I Cruzada. O Papa quando lançou o seu repto quis que ela fosse apenas uma peregrinação gigante. E foi o que aconteceu. Liderados por Pedro, o Eremita, os cristãos de toda a Europa, mais uma multidão de desocupados e aventureiros, lançaram-se, sob a égide da Cruz de Cristo, rumo à Ásia, com o objetivo de “libertar” Jerusalém.
Foram derrotados pelos turcos que então dominavam a região. Derrotados, não. Massacrados.
Em vista disso, vários exércitos feudais europeus se juntaram e se transformaram na grande força da I Cruzada que, sob o comando de Godofredo de Bouillon, tomaram sucessivamente Edessa, Nicéia, Tarso, Antioquia e finalmente Jerusalém (esta em 1100).
Godofredo foi aclamado o rei e os cristãos então “libertaram” (devidamente aqui entre aspas...) o Santo Sepulcro.
Na oportunidade foram criados o Principado de Antioquia e os Condados de Edessa e Trípoli.
Examinem agora se os cristãos europeus tinham que, efetivamente, lançar-se à esta conquista ?
E mesmo considerando sob o contexto da época, se isto tinha uma justificativa legal, digamos assim.
Claro que um milênio depois também de nada adianta discutir os fatos. Eles foram o que foram. Depositava-se ali também, entre outros grandes fatos que marcaram a marcha da Humanidade, uma enorme discussão, uma verdadeira cratera nas relações entre cristãos e muçulmanos.
Terrorismo ?
Bem, Bin Laden aí está dando o troco, como em tantas oportunidades ocorreu, como, sem dúvida o foi a invasão da Península Ibérica por Gib-Al-Tarik, atravessando o depois denominado Estreito de Gibraltar.
Por sua vez os árabes foram expulsos da Ibéria em 1496 e os ingleses tomaram o estreito aos espanhois em 1704. O que já é outra história.
Mas, de guerra em guerra, chegamos aqui.
Afeganistão, limpeza étnica, guerras religiosas, torres gêmeas, quando isto terá fim ?
A empresa americana Advanced Cell Technology, Inc. publicou em sua página na Internet, com simplicidade, entre os seus "Most recent press releases" a notícia bomba que pode inaugurar a clonagem de seres humanos postado por walter em 26/11/01
ENGENHARIA GENÉTICA
A empresa americana Advanced Cell Technology, Inc. (ACT) informou ontem que está em condições de realizar a transferência e partenogênese (transmissão através de um óvulo) de células nucleares somáticas humanas. O comunicado, publicado no “Jornal de Medicina Regenerativa” divulga que a empresa dispõe da primeira prova de que células humanas reprogramadas podem ser utilizadas para transplante.
QUEM CONCEDEU AO HOMEM PODERES DIVINOS ? DEUS ? E QUEM POLICIARÁ OS HUMANOS EM SEUS EXCESSOS ? postado por walter em 26/11/01
O 1º CLONE HUMANO
Walter Galvani
A empresa norte-americana Advanced Cell Technology anunciou publicamente neste fim-de-semana que concluiu com sucesso as pesquisas genéticas para realizar a primeira clonagem humana.
Apesar dos imediatos desmentidos dos cientistas ligados ao tema, dizendo que a ACT pode haver desenvolvido tecnologia suficiente para desenvolver tecidos humanos mas não um ser humano, apesar do protesto da Igreja Católica que evidentemente pede que o homem circunscreva sua ação aos limites terrenos e não queira transformar-se em Deus, a preocupação é enorme.
Nos profundos desvãos da ciência, acobertados pela conveniência do segredo diante de uma concorrência internacional inimaginável, pode ocultar-se neste momento um progresso bem maior do que o pensado.
Dos tubos de ensaio desta ou de outra empresa poderão sair a qualquer momento soldados de um enorme exército capaz de ocupar posições de ataque ou defesa, obedecendo ou não ao controle de uma inteligência humana ou... artificial.
Não sei o que é pior, sei o que é mais assustador.
Já que vivemos até aqui, viveremos mais para ver o desenvolvimento desta loucura e deste atrevimento humano.
As velhas teses mendelianas, nem não tão envelhecidas assim, os antigos propósitos de purificação racial propostos politicamente por Adolf Hitler estão de volta e o que é píor, pelas páginas da Internet e dos jornais, pelas ondas de rádio e emissões de televisão. A notícia já está chegando hoje aos corações sujos ou não de todos os habitantes da terra.
Não há mais bloqueios suficientemente resistentes, não há mais possibilidade de estabelecer uma censura permanente e de nada serviria.
O comunicado oficial da Advanced Cell Technology explica que o resultado de suas pesquisas consiste na gestação de embriões mediante fertilização “in vitro” (ou seja, no laboratório) para remover eventualmente o DNA das células embrionárias e reimplantá-lo em tecidos humanos.
Pode ainda não ser a criação de um boneco humano, mas também pode ser a ressurreição de um morto.
Ou pelo menos de um moribundo.
Bem, se isto tudo servir para substituir células doentes, para encontrar a cura de doenças mortais, para recuperar moribundos, para prolongar a vida em determinados casos, ainda é aceitável. O problema porém serão os limites.
E também e sobretudo os limites éticos.
Até que ponto teremos autorização moral para intervir na vida humana e prolongá-la a nosso bel prazer ou talante, como se diria antigamente ?
E quem controlará estes controladores da vida ?
E quem diz que quem pode substituir células para salvar não pode substitui-las para matar ?
E quem diz que o amigo, a namorada, o vizinho, o jardineiro, o motorista do seu ônibus, não são apenas clones ?
MUITOS PERIGOS RONDAM OS TRABALHADORES BRASILEIROS. OS POUCOS QUE AINDA TEM CARTEIRA ASSINADA... E, CONFIAMOS NO CONGRESSO ? postado por walter em 25/11/01
SEM MANIQUEÍSMOS
Walter Galvani
Ainda não terminamos de julgar os grandes homens do século XX, eis que apenas entramos no XXI, mas sempre somos tentados a organizar um resgate e uma recuperação de memória. No caso brasileiro, um nome desponta até pelo tempo em que esteve no poder e pelos julgamentos maniqueístas, embalados pelos interesses políticos de que têm sido alvo.
Falamos de Getúlio Vargas.
Nome de município, de rua, de avenida, de praça, pelo país afora, mas nem sempre deglutido com facilidade. Para alguns, Ditador. Para outros, eventualmente um governante forte por força das circunstâncias (guerra mundial, tentativas de tomada do poder pela força, etc.etc.) e um democrata para seus admiradores incondicionais.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Mas a data é mais do que propícia para se falar em Getúlio. Foi num 25 de novembro, em 1930, que foi criado o Ministério do Trabalho. Antes disso e do surgimento das leis que desembocaram na chamada CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) o empregado brasileiro simplesmente ficava jogado à sua própria sorte, dependendo do “bom coração” do seu patrão. Já vigorava então o Liberalismo e nem era por acaso que Getúlio, liderando uma revolução política de desencantados com o poder central, representando estados periféricos como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, chegou ao Poder no Rio de Janeiro, capital política e cultural do país nos anos 30 e 40, aliás desde a Independência... – disposto a implantar a recuperação dos excluídos, a proteger os desvalidos.
Toda a fortuna política de Getúlio provém desta época e de seus primeiros atos. Um deles, a criação do Ministério do Trabalho. Por isto teve força para resistir às tentativas de desestabilização, a primeira delas a Intentona Comunista, depois a Integralista. Afastadas, Direita e Esquerda radicais do seu caminho, tornou-se ele próprio um Ditador, com a Constituição de plenos poderes presidencialistas de 34 e o Golpe de 37 que instituiu o Estado Novo.
Getúlio continuou até o fim da Segunda Guerra Mundial em 45, quando foi deposto. Mas, logo voltaria. Primeiro elegeu seu candidato, Eurico Dutra, depois elegeu-se senador e finalmente voltou à presidência “nos braços do povo” em 51, de onde só sairia pelo suicídio em 24 de agosto de 1954, “deixando a vida para entrar na História”, segundo suas próprias palavras.
Mas tudo isto e lembrar Getúlio vale hoje, é muito oportuno, porque querem revogar o artigo 618 da CLT e com isto sobrepor-lhe as convenções entre sindicatos em nome da flexibilização trabalhista, na próxima terça-feira.
Que fica cômodo para os empresários, ninguém discute. Mas, o problema não é este: é a fraqueza dos empregados que, num momento de crise como este ou qualquer outro que sobrevier, não poderão fazer conquistas e muito menos garantir as que já fizeram, como o 13º salário (conquista de 1961, com João Goulart) ou as férias (com Getúlio).
Trinta dias de férias até parece demais, o Brasil deve ser um dos países do mundo com maiores períodos concedidos aos seus empregados. Mas, na produção industrial por exemplo, o importante são as metas e não os dias de trabalho, tanto que, freqüentemente, até por interesse econômico e financeiro das próprias empresas, são concedidas férias coletivas.
Vamos refletir. E com calma.
E será que temos confiança no Congresso que lá está, abalado por tantos escândalos de falcatruas e corrupção ?
Não será conveniência acreditar no Congresso para algumas coisas e para outras não ?
O Brasil já teve até Estabilidade no Emprego, estabelecida em 1967, mas que já desapareceu. Poucos lembram disto. E também poucos lembram que a verdadeira estabilidade é o progresso constante da economia. Que foi revogada pela incompetência dos brasileiros. Não é obra de estrangeiros, de FMI, nem de “invasores”, nem de “ocupantes” da nossa terra.
Trata-se apenas de incompetência autênticamente nacional.
Greves, desemprego, mudanças na CLT, angústia, falta de dinheiro, pressões de fim-de-ano, incerteza do futuro, o que mais virá por aí ? postado por walter em 24/11/01
PARA ENTENDER O CAOS
Walter Galvani
Uma das obrigações do jornalista é tentar organizar a desordem e interpretar o que se passa, para que o leitor, ouvinte, telespectador, internauta, compreenda melhor o mundo onde vive. Para isto há cursos de jornalismo procurando preparar o profissional do futuro, para isto se sucedem os cursos de aperfeiçoamento, pós-graduação, doutorado, etc e é claro, a vida, a atividade direta nas redações. Espera-se então que o produto de todo este investimento dele próprio, da família, da sociedade e até em alguns casos do governo ou pelo menos de instituições sustentadas pelos dinheiros públicos, seja capaz de interpretar o que sucede. (Não esquecendo que a exigência do diploma para exercer o jornalismo está em suspenso...)
Diz-se que o jornalista, como o artista, é uma antena da sociedade. Precisa avaliar com precisão o que se passa para prever o futuro.
Somos então, uma espécie de adivinhos, sancionados pela ciência moderna, áugures, preparados através de instâncias humanas.
Todo este “nariz de cera”, como se usava antigamente, serve para dizer que estou procurando entender o que vem por aí na realidade brasileira e tenho medo do que percebo. Mas devo dizer, um dos mandamentos da classe jornalística é não ocultar o que se sabe. Jamais. Se a tanto nos autoriza a coragem. Aliás, boa pergunta: o que vale mais: um repórter ousado ou um repórter covarde ?
Bem, mas vamos ao que interessa neste sábado em que todos pensam em lazer, caminhadas, descanso, churrasquinho, futebol, cervejinha, feijoada. Os que podem, naturalmente, sempre fazendo a ressalva.
Peguem qualquer jornal na edição impressa ou na edição informática que possam ter acesso. Percorram suas páginas. O que viram ?
Pois é, em meio à uma inflação de modelos tentando virar Gisele Bündchen, naturalmente esquecendo que ela é única e produto de toda uma série de conquistas, genomas e preocupações objetivas, e pondo de lado o “Harry Potter” que chega à centenas de salas de cinema do país, propiciando a fuga à realidade, mas direto à ela, à realidade mais dura que se espraia entre os títulos e matérias:
Há a greve nas universidades. O ANDES (Sindicato dos Docentes do Ensino Superior) acredita que a proposta feita pelos reitores, vai criar disparidades na categoria. Os vestibulares e conseqüentemente toda a organização do período de férias, o que passa até pelo turismo, pois o famoso êxodo para o litoral depende disso, estão ameaçados. E as pessoas ficam um pouco estonteadas por isto. Como organizar suas férias, os que tem direito a isto ? Ah, e a propósito de férias, estas podem ser as últimas de sua vida, pois na terça-feira que vem a Câmara vota a mudança ou suspensão ou alteração ou ainda a perda da prioridade da CLT, a suspensão ou revogação do artigo 618 e com isto... nem férias, nem 13º no ano que vem, e mais isto e mais aquilo. E são os próprios juizes do Trabalho que alertam para o risco que os trabalhadores (todos, de todas as categorias) correm.
Cresce o desemprego em todo o país (o IBGE diz que subiu para 6,6% em outubro, isto já e um número que mascara a realidade, pois o desemprego deve ser muito maior, é o que nos diz nossa sensibilidade, mas é o número que nos apresentam), mas o Sindicato dos Comerciários do Rio Grande do Sul, por exemplo, não quer saber de comércio aos domingos. Diz que seus filiados serão explorados. Prefere dizer isto a fiscalizar efetivamente se os empregados serão ou não escravizados ou enganados. E isto é uma briga de todos os anos, (no mínimo 30...) mas que neste assume maior gravidade. Até porque, o emprego eventual de fim-de-ano ajudaria e muito no orçamento de milhares de famílias.
Os técnicos do Tesouro do Estado no RGS ameaçam parar quarta-feira e com isto atrasarão – eles o estão fazendo de propósito – as folhas de pagamento dos milhares de funcionários do estado e também, como resultado, o pagamento do 13º salário e dos salários subsequentes.
Os conflitos agrários prosseguem e os jovens produtores debatem o seu futuro, o que poderá ser ou não ser o seu futuro... E isto num país que tem dimensões colossais, continentais.
Os devotos vão orar pela paz mundial... Tem gente para tudo.
Passageiros são trancados nus no bagageiro do ônibus que os transportava, e eles pagaram passagens e a empresa de transportes pagou pedágio pelo uso da rodovia. Quem deve ser processado ? Haverá indenizações ou não ?
Esquecia-me de dizer que no ano que vem haverá eleições para presidente, governador, senadores, deputados, etc. etc.
Será possível que não se perceba que o horizonte está carregado com uma tempestade ? E que o seu desabamento poderá desorganizar completamente a sociedade em que vivemos ? E que o caldo de cultura se presta para mais um golpe, por exemplo, igual aos que tivemos tantos já em nossa república, por sinal implantada com um golpe de espada ?
SE ELEGEMOS GOVERNOS PARA NOS PROTEGER E ADMINISTRAR NOSSAS COMUNIDADES, TEMOS OU NÃO O DIREITO DE EXIGIR MAIS DELES ? postado por walter em 23/11/01
BOMBAS DE TODOS OS LADOS
Walter Galvani
Somos todos pobres talebans iludidos em nossa ideologia, driblados em nossa crença na Humanidade, perdidos em nossa tática de sobrevivência, cercados em nossas tocas, sem termos para onde fugir. Se corrermos o bicho pega. Se ficarmos o bicho come.
À nossa volta as estruturas da sociedade que ajudamos a compor, nos apertam o pescoço. Nossos irmãos, nossos iguais, podem ser nossos inimigos. Não podemos mais sair às ruas, em determinadas zonas das nossas cidades após o pôr-do-sol, porque a escuridão da noite oculta bandidos que poderão nos trucidar em troca dos cinco reais que carregamos no bolso.
De bicicleta para fazer exercícios ? Nem pensar. Seremos derrubados e roubarão nossa humilde “bici”. De automóvel ? Mais perigos ainda. O carro vale muito.
Não podemos trafegar na frente da Vila Areia depois das 10 horas da noite, porque o local é perigoso, conforme avisa a própria Polícia. Não há como fazer policiamento constante, faltam efetivos. Tudo fica pois entregue à nossa própria sorte. E olhem que não estamos falando de vielas perdidas no fundo de vilas marginais, mas numa estrada federal.
Pagamos pedágio para rodar sobre o asfalto. Mas não há proteção e há buracos e desníveis.
Enfiados em nossos lares-toca, aguardamos o amanhecer. Mas não é conveniente sair muito cedo de casa, mesmo que o horário do expediente nos estabeleça esta necessidade: poderemos ser assaltados na parada do ônibus, ou dentro dele.
Nem se fala no envilecimento do salário, nas dificuldades de quem ganha pouco, na alta que se esconde nos pequenos percentuais de elevação de preços.
E há o perigo do seqüestro.
Não podemos nos distrair em lugar algum, pior ainda se estivermos dentro de um automóvel, porque poderemos ser seqüestrados, junto com o veículo naturalmente e seremos então levados a vários locais para fazer retiradas com nosso cartão bancário, dinheiro que não veremos de volta.
E então voltaremos ao trabalho para tapar o buraco financeiro.
Se ficarmos em negativo no banco, virão os juros. Mas, o que fazer se não há outra saída ?
Ah, tem ainda à vista mais um aumento dos combustíveis. Avisam-nos que se o dólar baixar, poderá até baixar o preço da gasolina. Vocês já viram isto alguma vez ?
E no ano que vem teremos ainda o compromisso de votar para eleger novos governantes, sobre os quais não teremos controle, uma vez que eleitos procederão como quiserem sem nos dar maiores satisfações por todo o período do mandato.
E então teremos que dormir. Como diria Shakespeare, “morrer, dormir, talvez sonhar... quem sabe ?”
Mas, não esqueçamos que amanhã teremos que acordar. E trabalhar. E sair à rua. E recomeçar tudo. E que também dentro de casa corremos perigo, porque o nosso maior inimigo, o homem, poderá estar nos espreitando para se aproveitar da nossa debilidade e nos assaltar ali mesmo.
Talebans, tenham pena de nós que vivemos no paraíso ocidental, do ar condicionado e dos grandes bares, cinemas, restaurantes, shoppings, supermercados, boates e edifícios.
Que Deus, Jeová e Alá se compadeçam de nós e nos perdoem pelos terríveis pecados que na certa devemos ter cometido. Se fôssemos inocentes porque estaríamos sendo punidos assim, condenados a viver nesta guerra permanente ? E ainda suportando a burrice, a ignorância, a má administração, o mau comportamento dos que elegemos e a má fé que nos cerca ?
Recuperar o passado, dele extrair lições postado por walter em 22/11/01
CONFESSEI O QUE JÁ VIVI
Walter Galvani
Tive o prazer de participar do primeiro encontro do projeto “Confesso que vivi”, título tomado de empréstimo a Pablo Neruda e que dá a linha geral do que se pretende: uma confissão real, que traga para a comunidade o benefício da experiência. E foi assim, que durante duas horas, falando para um público seleto, que incluia desde jovens leitores até o governador do estado, Olívio Dutra, que aliás é formado em Letras, passando pelo secretário da Cultura, Luís Marques e o secretário adjunto, escritor Charles Kiefer.
Magistralmente conduzido pelo prof. Vorny Santos, autor de apreciado dicionário, além de mestre de português e literatura em várias instituições, crítico literário e escritor, o diálogo foi proveitoso. Pelo menos para mim, o principal envolvido, como convidado a depor.
Fui absolvido.
Assim me comunicaram, depois que contei pormenores da vida, desde a infância feliz e despreocupada em Canoas, passando pela minha iniciação no jornalismo e a atividade literária.
Contei da janela que tenho procurado sempre abrir para a Cultura, como o faço na Rádio Guaíba e nos jornais do Grupo Editorial Sinos e fiz na Folha da Tarde, no Correio do Povo, na rádio Pampa, O Timoneiro, O Momento, A Razão. E continuo a fazê-lo.
Narrei também as peripécias da juventude, os ardores da mocidade, os primeiros escritos, os primeiros textos jornalísticos.
Contei até sobre os saudosos tempos da pequena Canoas de menos de 15 mil habitantes.
Do La Salle onde estudei no então chamado Externato São Luiz e maior ainda foi a minha satisfação por se encontrar presente ao meu depoimento, o Irmão Henrique Justo, ele que há tantos atrás quando não tinha mais do que 24, 25, 26 anos lecionava aquele grupo de ousados jovens que se atreviam até a falar e escrever sobre os quinhentistas e os seiscentistas portugueses, sobre Castro Alves e Augusto dos Anjos ou sobre Erico Veríssimo e Camões.
Bons tempos, gente gloriosa. Saudável Grêmio Literário que nos ocupava as horas de lazer.
Nunca ócio.
Falei dos velhos amigos como Hugo Fernandes, João Terres Trois, Darwin Longoni, Edison de Medeiros, Antonio Canabarro Trois Filho, Nilo Del Cueto dos Reis, e tantos outros.
E então me dei conta que se passaram aí, quarenta, cinqüenta anos.
Depois, toda a história do meiu envolvimento com a Caldas Júnior, meus primeiros livros, “Brasil por linhas tortas” e “Informação... ou morte” e até chegar ao “Nau Capitânia”, graças a Deus, premiado.
E aqui estou.
Bem, o que já vivi, já contei, em parte pelo menos. Agora, sigo vivendo e daqui a pouco contando mais...
Pelo menos aqui, na Internet, onde diariamente temos este contato.
FUTEBOL. AH, O FUTEBOL... postado por walter em 21/11/01
BRASIL É TERCEIRO
Walter Galvani
É preciso informar o positivo e o negativo. Na hora de inflar o orgulho nacional, todos os meios de comunicação estão prontos, tocando musiquinha tipo Ayrton Senna, lembram ? – ou algo semelhante, para assim, contribuir propositadamente ou não, para o aquecimento do nosso patriotismo. Principalmente na área esportiva e em especial no futebol, alegria do povo e sonho de todo menino pobre de subúrbio.
Com isto, acabam por ocultar a realidade. Tanto a política, quanto a econômica. O panorama de uma Educação esvaziada desde os tempos da “Revolução de 64”, de uma Saúde sucateada, de uma falta de oportunidades que acaba se patenteando na própria ilusão dos favelados e despojados: quem sabe o futebol é a salvação da lavoura ?
Mas não é... Temos que plantar. Inclusive no futebol. Setor, aliás, onde não estamos plantando.
Então vamos às notícias negativas do dia, que sempre é bom dar uma sacudida para ver se o “gigante pela própria natureza”, levemente adormecido, acorda:
A FIFA acaba de atualizar o seu ranking internacional de seleções e o Brasil, que desde 98 é o segundo (acostumados que estávamos há 30 anos na primeira posição), agora é o terceiro colocado.
O primeiro é a França com 811 pontos. Passou para o segundo lugar, ultrapassando o Brasil, a Argentina, nosso grande rival sul-americano, agora com 798 pontos, um pontinho, mas sim, um ponto a mais que o Brasil.
O terceiro lugar é nosso: Brasil, com 797 pontos.
Em quarto está nosso muito conhecido e amigo Portugal, com 741 pontos no “ranking”. Não está ameaçando ao Brasil, mas tomem nota: Portugal está num momento excepcional em tudo e também no futebol. Há uma geração extraordinária com grandes destaques, da qual o nome maior é Figo (que atua no Real Madrid) e preparem-se para a atuação portuguesa no torneio final da Copa do Mundo. A seleção portuguesa já demonstrou sua potencialidade no campeonato da Europa e no desempenho dos seus clubes nos torneios internacionais.
Depois de Portugal vem os de costume, com a crescente Colômbia a frente, em 5º lugar com 736 pontos; depois a velha Itália, três vezes campeã mundial, com 735, a Espanha, “La Fúria”, com 731; depois a Holanda, que sempre chega perto mas não ganha a Copa, com 722, o México, com 715 e a Inglaterra, que inventou o jogo, mas continua na base do balão para a grande área como jogada principal, o famoso “chuveirinho”, com 712 pontos.
É bom a gente ir botando as barbas de molho, pois o torneio no Japão e Coréia, terá toda esta gente incendiada participando e mais ainda os dois organizadores, dos quais, ao menos os japoneses serão capazes de ameaçar as forças tradicionais.
E quanto ao Brasil, com todo o respeito pelo nosso conterrâneo Felipão, até agora o time não nos incendiou. Classificou-se, mas olhe lá...
A Secretaria de Estado da Cultura do RGS e o Instituto Estadual do Livro dão início hoje ao projeto “CONFESSO QUE VIVI”, espaço para troca de experiências entre o público e as personalidades convidadas, objetivando desenvolver as manifestações culturais das mais variadas naturezas produzidas no Rio Grande do Sul.
A primeira edição ocorrerá hoje, 21 de novembro, quarta-feira, das 19 às 21 horas, no Auditório do SEDAC, Praça Marechal Deodoro, 148. O convidado é o jornalista WALTER GALVANI, da Rádio Guaíba.
A recuperação da memória cultural gaúcha ficará registrada a partir de relato de histórias de vida desses intelectuais e personalidades convidadas. Os “depoimentos” pessoais serão gravados para posterior edição em livro. As mediações serão feitas por nomes ligados à cultura do estado.
A mediação de hoje será feita pelo prof. Volnyr Santos.
A Segunda edição será em dezembro com o escritor Laury Maciel. Em janeiro será a vez do prof. Ruy Carlos Ostermann, da Rádio Gaúcha e Zero Hora.
O projeto CONFESSO QUE VIVI tem entrada franca e é aberto a todos os interessados
PARTICIPANDO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO PROJETO "CONFESSO QUE VIVI", LEMBRO O POETA PABLO NERUDA, QUE CRIOU ESTE TÍTULO postado por walter em 21/11/01
O encontro de dois Prêmios Nobel, os dois que tem o Chile, quando ambos ainda não eram conhecidos mundialmente e não tinham portanto todo o significado que alcançariam mais tarde: Pablo Neruda e Gabriela Mistral.
MEU PRIMEIRO POEMA
Pablo Neruda
Em “Confesso que vivi – memórias”
Muitas vezes me perguntaram quando escrevi meu primeiro poema, como nasceu em mim a poesia.
Tratarei de recordá-lo. Muito atrás, em minha infância e havendo apenas aprendido a escrever, senti uma vez uma intensa emoção e tracei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas a mim, diferentes da linguagem diária. Eu as pus a limpo num papel, tomado de uma ansiedade profunda, de um sentimento até então desconhecido, espécie de angústia e tristeza. Era um poema dedicado à minha mãe, quer dizer, aquela que conheci como tal, à angelical madastra cuja suave sombra protegeu toda a minha infância. Completamente incapaz de julgar minha primeira produção, levei-a a meus pais. Eles estavam na sala de jantar, submersos numa dessas conversações em voz baixa, que dividem mais que um rio o mundo das crianças e o dos adultos. Eu lhes estendi o papel com as linhas, trêmulo ainda com a primeira visita da inspiração. Meu pai, distraidamente, tomou-o em suas mãos, distraidamente o leu, distraidamente devolveu-o, dizendo-me:
- De onde o copiastes ?
E seguiu conversando em voz baixa com minha mãe seus importantes e remotos assuntos.
Parece-me recordar que assim nasceu meu primeiro poema e que assim recebi a primeira mostra distraída da crítica literária.
Enquanto isto avançava no mundo do conhecimento, no desordenado rio dos livros como um navegante solitário. Minha avidez de leitura não descansava nem de dia nem de noite. No litoral, no pequeno Puerto Saavedra, encontrei uma biblioteca municipal e um velho poeta, Dom Augusto Winklers, que se admirava da minha voracidade literária. “Já os leu ?”, me dizia, passando-me um novo Vargas Vila, um Ibsen, um Rocambole. Como um avestruz eu tragava sem discriminar.
Por este tempo chegou a Temuco, uma senhora alta, com vestidos muito grandes e sapatos de taco baixo. Era a nova diretora do liceu das meninas. Vinha da nossa cidade austral, das neves de Magallanes. Chamava-se Gabriela Mistral.
Eu a olhava passar pelas ruas do meu povoado, com suas roupas talares, e lhe tinha medo. Mas, quando me levaram a visitá-la, descobri-a uma boa moça. Em seu rosto tostado em que o sangue índio predominava como num belo cântaro araucano, seus dentes branquíssimos se mostravam num sorriso pleno e generoso que iluminava a sala.
Eu era demasiado jovem para ser seu amigo e demasiado tímido e ensimesmado. Eu a vi poucas vezes. Mas o bastante para que cada vez saisse com alguns livros que me presenteava. Eram sempre novelas russas que ela considerava como o mais extraordinário que havia na literatura mundial. Posso dizer que Gabriela me embarcou nesta séria e terrível visão dos novelistas russos e que Tolstoi, Dostoievski e Checov, entraram em minha mais profunda predileção. Continuam me acompanhando.
FUGINDO DA GUERRA, DE REPENTE, ABRE-SE UMA PORTA:"VOCÊS IRÃO PARA O BRASIL!!!" postado por walter em 20/11/01
SORTE GRANDE PARA AFEGÃOS...
Walter Galvani
Em meio à tantas desgraças que infelicitam seu país natal, alguns afegãos ganharam a sorte grande e não veio de Bin Laden o dinheiro.
Fugindo da guerra ficaram (e ainda estão) numa estreita faixa policiada pela ONU entre a fronteira do Afeganistão e o Paquistão.
E eis que foram comunicados que 26 destas famílias que lá se encontram serão acolhidas pelo Brasil!
A festa é grande, pelo menos por parte dos que foram contemplados com esta “sorte grande” de vir morar num país gigantesco, onde como se sabe plantando dá, e onde não há preconceitos, segregações e fanatismos.
Pelo menos por enquanto. Fanatismos, só esportivos.
Candidatos a torcerem pelo Grêmio ou pelo Inter, pelo Flamengo ou pelo Flu, Coríntians, Atlético, Santa Cruz, Bahia, ainda não se sabe em que ponto do glorioso território nacional serão alojados.
Mas já se sabe que virão e que são 26 famílias. Ora, sabendo-se a extensão das famílias afegãs e o número de mulheres que se lhes permite a lei e a religião, devem ser mais de 1.000.
Pois que venham.
Vamos mostrar ao mundo como se faz globalização pela banda de cá e como se convive com as diferenças.
Por favor, brasileiros, não me decepcionem...
UM RESGATE DA MEMÓRIA, DA EXPERIÊNCIA, DOS PEQUENOS E GRANDES FATOS postado por Walter Galvani da Silveira em 19/11/01
CONFESSO QUE VIVI
Walter Galvani
E então ? Bem, confesso que vivi... Nem poderia deixar de ser assim, afinal já alinho 47 anos de jornalismo e 31 desde o meu primeiro livro, se bem que também na área de imprensa. E aos poucos vim colecionando experiências, trabalhando em diversos veículos, enfrentando dissabores e aventuras, colecionando erros e acertos, driblando a Censura e me incomodando para produzir alguma coisa de útil para a comunidade.
Parece que não deixarei de me incomodar tão cedo, pelo menos é o que espero.
Depois lancei-me aos livros. Foi praticamente uma segunda etapa de minha vida que já alcança agora sete itens subseqüentes. Comecei com “Brasil por linhas tortas”, saltei para “Informação ou morte” e depois “Andanças e contradanças”. Aqui encerrei a primeira fase que começou em 1970 e foi até 75.
Retomei a atividade literária com meu primeiro romance (ou seria uma novela, Assis Brasil garantiu-me que é um romance, sim!) “A Noite do Quebra-Quebra”. Em seguida debrucei-me sobre a história da Empresa Jornalística Caldas Júnior e produzi “Um Século de Poder” sobre a vida centenária do Correio do Povo e “Olha a Folha” sobre o episódio do jornal Folha da Tarde que aliás parou de circular em 1984.
Mais um passo adiante e cheguei à “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, a biografia romanceada do descobridor do Brasil, que me deu três prêmios no Brasil e o internacional “Casa de Las Américas” de Cuba, para Literatura Brasileira, ano 2001.
Estas e outras histórias, os enganos, as pequenas vitórias, as grandes derrotas, as ousadias e os fracassos, a velha história pessoal que começou em Canoas em 1934 e passou por aí.
Estarei no Auditório do Sedac, Praça da Matriz, 148, Porto Alegre, neste dia 21 de novembro, à disposição de amigos, leitores, curiosos, interessados, estudantes, professores, conhecidos, para este resgate.
Segundo a SEDAC e o Instituto Estadual do Livro, promotores do acontecimento, “o projeto “Confesso que vivi” é um espaço para a troca de experiências entre o público e as personalidades convidadas.
A recuperação da memória cultural gaúcha ficará registrada a partir do relato de histórias de vida desses intelectuais e personalidades convidadas. Os depoimentos pessoais serão gravados para posterior edição em livro. As mediações serão feitas por nomes ligados à cultura do estado.”
Já sei que depois de mim, virão os escritores Laury Maciel e Ruy Carlos Ostermann, ambos velhos amigos e companheiros.
Ruy Carlos Ostermann começou ao meu lado, pouco depois de mim, como repórter esportivo na Folha da Tarde. Bons e saudosos tempos que recordaremos no “Confesso que vivi”.
O fato do projeto aproveitar o título do livro de memórias de Pablo Neruda é ainda mais desafiador, pelo desafio que representa e pelo encaminhamento. Ler uma, duas, dez páginas deste maravilhoso depoimento der Neruda já é um encaminhamento de vida.
Sinto-me empurrado para a borda de um grande e belíssimo vale, que também pode significar um precipício.
Ou para um encontro com a velha esfinge grega: “Decifra-me ou te devoro”. Para não ser vítima de mim mesmo, vou tentar expor-me para uma decifração pública.
Quem nunca foi à Belo Horizonte, quem não conhece a bela capital, não sabe o que é a hospitalidade mineira que vai da sala à cozinha. Quem escreve e nunca foi convidado para participar do projeto “É sempre um papo”, do Afonso Borges, não sabe o que é ser apresentado à cidade e ao estado, do alto de um palco-plataforma surpreendente.
Até hoje recebo pedidos de informações sobre meu livro “Nau Capitânia” e fico sabendo através da Editora Record que há uma procura firme por ele em Belô.
Somam-se a todas as divulgações feitas, os resultados do “Sempre um papo”. Afonso Borges, livreiro, jornalista, escritor, promotor de eventos, reúne todas as suas qualidades para transformar a visita de um escritor à cidade, num acontecimento.
Para que se tenha uma idéia: José Roberto Torero recém passou por lá e já em seguida será a vez de Roberto Marzagão, com “Psicanálise e Literatura – Seis contos da era Freud”.
O jornalista Cláudio Bojunga chega em seguida com o livro “JK – o artista do impossível”, edição da Objetiva. O “brazilianist” Kenneth Sergim, da Universidade de Yale, Estados Unidos da América, apresenta “Diálogos na sombra”. Na seqüência, Paulo Paiva lança o livro “Sonho e realidade”. Depois será a vez de Ruy Castro.
Os livros podem ser conseguidos na Livraria “Sempre um Papo”, que fica no movimentado bairro do Savassi. Ou pelo mail: umlivro@sempreumpapo.com.br
Ou ainda pelo telefone: 31.3282.0898
Mas o melhor da festa chama-se Afonso Borges.
Para descobrir os segredos de Belo Horizonte é preciso uma boa companhia, um homem que “é sempre um bom papo”. É ele. Afonso, o bom companheiro das Alterosas.
SALVAR O CAMPO, COM MEDIDAS ECONÔMICAS PARA PROTEGER A PRODUÇÃO E OS PRODUTORES postado por Walter Galvani em 19/11/01
TRADICIONALISMO E UTOPIA
Walter Galvani
Mais de trezentos delegados de todo o país, do Rio Grande do Sul obviamente, e mais Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, estiveram reunidos na Assembléia Legislativa do Rio Grande e decidiram defender medidas para a fixação do homem no campo e assim estimular o cultivo das tradições e do folclore gaúcho. Recomendaram também que os demais estados da federação brasileira lutem pelo cultivo de suas tradições, lembrando que só no território brasileiro há 3.000 CTGs, ou seja, “Centros de Tradição Gaúcha”. E também os há nos Estados Unidos, em Portugal e outros países.
Estamos confundindo o ruído da tropilha crioula com a própria existência dela.
Se há cultivo de tradições gaúchas – e isto é inegável – se deve ao fato sociológico de que elas estão em decadência e quanto mais são esquecidas ou negligenciadas por quem as deveria praticar, mais vivas elas procuram se tornar através deste movimento que assim cresce e se fortalece.
Ou seja: como não se usa mais na vida prática a bombacha, substituída pela calça “lee”, como o cavalo vai perdendo sua posição em seu trabalho no campo para veículos com “vários cavalos de força” e como lenço no pescoço e chapéu de barbicacho se tornaram incômodos e “fora de moda” (porque a televisão uniformiza trajes, frases, entonação e pensamentos), é cada vez mais forte a tendência de intensificar este culto.
É meritória a iniciativa de propor medidas que favoreçam a fixação do homem no campo e é claro que elas começam pelo incentivo à produção. Mas, na verdade o problema do campo é puramente econômico, como tudo. Se os produtos agrícolas, rurais, não tiverem valorização, apoio, preços, linhas de comercialização e industrialização, exportação e melhorias genéticas, concurso e premiações, não haverá recuperação.
A redenção do campo passa pelas cabeças urbanas (e principalmente por Brasília) infelizmente, muito mais do que pelas entusiásticas lideranças tradicionalistas.
É um erro do país continuar investindo naquilo em que pode ser imitado, igualado ou superado por qualquer concorrente. Em compensação, quem possui terras na extensão brasileira, quem desfruta de campos de qualidade e já tem tradição na área de criação de gado e produção de trigo, soja, aveia, centeio, milho como o Brasil?
Produtos industriais, que devemos sim continuar produzindo, não serão nunca exclusividade nossa.
Mas, um bom gado de corte e os eqüinos para o trabalho, para o esporte e para o lazer, estes necessitam de tradição no ramo, campos extensos, profissionais habilitados.
Não existe no Brasil nenhum movimento organizado, estruturado e difundido como o MTG. Há cerca de 3.000 centros de tradições gaúchas espalhados pelo país. É uma força que não pode ser desprezada, o objetivo declarado no 11º Congresso Brasileiro de Tradição Gaúcha é correto. Mas será utópico se não acontecerem medidas imediatas de recuperação econômica do campo.
É lá que está o futuro, não só do Rio Grande, mas deste imenso território que nos coube por herança e que devemos preservar e cultivar.
Sem corrupção, roubalheira, burocracia e “burrocracia” (sempre pedindo perdão ao nobre Burro que é muitas vezes bem mais inteligente que o seu pretenso “Senhor”...) – nada crescerá e prosperará.
COMO DIRIA CASTRO ALVES: "AURIVERDE PENDÃO DA MINHA TERRA QUE A BRISA DO BRASIL BEIJA E BALANÇA!" postado por walter em 18/11/01
SÍMBOLO DA PÁTRIA
Walter Galvani
Lembro que formávamos em filas, respeitosos, com os olhos presos na magnífica bandeira de seda pura que os Irmãos Lassalistas nos apresentavam. E que era uma grande distinção fazer parte do trio de garotos escolhidos para desfilar diante de toda a tropa, digo corpo docente, trazendo um a bandeira desfraldada e os outros dois, respeitosos, acompanhando.
Ouvia-se apenas o rufar dos tambores e, diria eu, até o vento suspendia momentaneamente seu lamentoso sibilar, que vinha desde os Finados.
Nós, os meninos caminhávamos até a frente e como se fosse diante de um altar da pátria, assistíamos, silenciosos e emocionados, o içamento da bandeira até o topo do mastro.
E cantávamos. Em coro. Sabíamos a letra: “Salve lindo pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz; tua nobre presença, a lembrança da pátria nos traz!”
Mas isto foi em 1942, 43, 44 e assim por diante.
Quarta-feira passada vimos a força do símbolo da pátria, o significado da bandeira e a alegria que ela nos trouxe. O estádio de São Luiz do Maranhão estava praticamente lotado, cerca de 50 mil pessoas investiram o dinheiro que tinham e o que não tinham para ver a seleção brasileira jogar. E esta conseguiu com tal apoio, impor-se, mesmo com seu escasso futebol que mal deu para vencer de 3 x 0 a Venezuela, a quem dávamos de 15 x 0 antigamente. Mas mexeu com os nervos dos jogadores e o próprio Felipão, agradecido, agora nos lendo por certo em seu “retiro do guerreiro” em Canoas, compreendeu que a mensagem da bandeira brasileira, nas mãos daquela torcida vibrante, positiva, incapaz de uma crítica, apenas disposta a aplaudir, a torcer enfim, havia dado o empurrão definitivo para nos tirar do poço da mediocridade e empurrar o time para o torneio final da Copa do Mundo. E a bandeira, era só o que se via, nas mãos de todos, distribuída de graça ou não antes do jogo, por quem quer que fosse, não importa. Alcançou os seus objetivos.
E porque ?
Pelas cores que simbolizam nossa riqueza enorme que só precisa ser melhor distribuída. Pela legenda “Ordem e Progresso” que lá está para lembrar que esta é uma nação que nasceu sob um símbolo positivista e portanto traduz a crença nas possibilidades do homem e é ele que precisa fazer alguma coisa por si mesmo e pelo seu intenso drapejar, o que relembra que não devemos abandonar a luta nem mesmo no último instante.
“Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil” – como transmite o hino que logo todos cantaram em coro.
Como não jogar, como não ganhar, como não matar-se em campo ?
E dia 19, é o dia de lembrar a Bandeira, é o dia dela.
Mas quem se lembra ?
Aqueles ex-alunos do Externato São Luiz do Centro Educacional La Salle de Canoas, entre os quais me incluía, sabiam muito bem o seu significado, porque nossos mestres nos transmitiam. E hoje ? Quem tem a felicidade de ter mestres assim ?
Já ouvi dizer que ser patriota é cafona...
Sim, o mundo mudou, a globalização é um fato incontestável, mas também é verdade que cada povo, cada etnia, cada tribo defende seu pedaço e nela se sente entranhado e se vê retratado. Por um trapo colorido se é capaz de tudo. Quer dizer: pelo menos os outros o são. Como os timorenses, que foram capazes de optar pela língua portuguesa porque ela lhes transmitia o valor máximo que é a liberdade política. A opção, a concretização do sonho de se sentirem livres, de constituírem uma nação.
Vale a pena ou não, lembrar ao menos no Dia da Bandeira, quem somos, o que somos, de onde viemos e para onde vamos ?
A propósito: este é um recado para permanecer, porque todo o dia deve ser o dia da Bandeira. Pelo menos para lembrar, de vez em quando o símbolo que ela é e o que representa.
(Crônica originalmente publicada no jornal ABC DOMINGO de 18-11-2001)
HILTOR MOMBACH, TODOS OS DIAS NO CORREIO DO POVO: postado por walter em 17/11/01
DE PRIMEIRA
Walter Galvani
Para quem não sabe, “De primeira” é a qualificação de uma virtude futebolística que apressa o ataque, como conseqüência o gol e ajuda, portanto a libertar o grito preso na garganta do torcedor que, sofridamente, não fossem só as agruras do dia a dia, acompanha o avanço de sua equipe. “De primeira” e pronto, a bola está nos pés do companheiro melhor colocado e numa fração de segundos no fundo das redes do adversário. É tudo o que se quer do futebol, e é tudo o que se deseja em qualquer atividade.
“De primeira” é o título e portanto o lema de Hiltor Mombach, na penúltima ou antepenúltima conforme o caso, página do Correio do Povo, e falando portanto para uma “audiência” de mais de um milhão de leitores/dia.
E é assim, “de primeira”, que não posso deixar passar em branco o registro que ele fez deste meu “site” aqui na Internet (ou “sítio” como corretamente diriam meus amigos portugueses...) na edição deste 17 de novembro do Correio.
Cheia de generosidade, como é sua marca, classifica-me como “anti-sectário”, o que me soa como o maior elogio que já recebi em minha história de 47 anos de jornalismo e 31 de literatura.
Além de transcrever parte da minha crônica pretensiosamente esportiva aqui no “site”, ainda se deu ao luxo de informar endereços e até telefones para a aquisição do meu livro “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, editado pela Record, Rio de Janeiro.
Grato.
É só o que posso dizer com a emoção umidificando meus olhos. É mais uma dívida que assumo prazerosamente e remeto os leitores, através dos meus “links interessantes”, aqui mesmo nesta página, para que leiam na íntegra, hoje e todos os dias, a coluna do Hiltor Mombach., no site www.correiodopovo.com.br
E que o façam “De primeira”, como ele habitualmente faz com as informações que obtém e que não sonega dos milhares de leitores.
Seja um deles.
E leia aqui amanhã, na atualização do dia, “O Símbolo da Pátria”. Você ainda lembra de Pátria ? E “símbolo” ?
O TEATRO, A MÚSICA, A DANÇA, A LITERATURA MOSTRAM A VERDADEIRA FACE POSSÍVEL DA GLOBALIZAÇÃO postado por walter em 16/11/01
BILD
Walter Galvani
Retrato, imagem, ilustração, estampa, figura, quadro, retrato, aparência, visual, metáfora, símbolo, impressão, a palavra alemã Bild quer dizer tudo isto e se pode ir mais longe, graças à vocação inata da língua germânica: também quer dizer as imagens que vêm do inconsciente profundo.
Um dos mais populares diários alemães se chama justamente “Bild Zeitung” e ele é portanto o “jornal” que se propõe a apresentar tudo isto. Um retrato da sociedade, para simplificar americanamente “Picture”. Mas não é a mesma coisa. Pelo menos não o é no espetáculo que está sendo montado num espaço alternativo na zona norte de Porto Alegre, na rua 25 de Julho, 522, é a “Casa Bild”, pela Muovere Cia. de Dança.
Mergulhando nos textos do italo-cubano escritor Italo Calvino, em “As cidades invisíveis”, Jussara Miranda propõe esta devastadora visão que nos faz pensar em tudo: começa incorporando à sua visão o trabalho de Nestor Monasterio, um diretor de teatro nascido na Argentina que há muito fez sua opção brasileira pelo Rio Grande do Sul.
E é lendo tudo isto que se permite pensar o quanto é possível um mundo integrado, sem guerras, sem ódio e com amor ultrapassando fronteiras e unificando povos. Vejam só: Jussara Miranda, brasileira, Monasterio, argentino, Italo Calvino, italo-cubano e a palavra Bild, trazendo das brumas do Reno todo o conteúdo e o peso da língua teuta, tudo isto levado à sintetização da dança contemporânea, abrindo um espaço cultural novo, dentro de um enorme depósito industrial ou comercial, que também estréia nesta “Casa Bild”.
Para o Brasil como nação é bom ou ruim classificar-se para as finais da Copa do Mundo ? postado por walter em 15/11/01
AH, O FUTEBOL!
Walter Galvani
Sempre é bom perguntar se é um bem ou um mal para o Brasil, no seu estágio atual de desenvolvimento e no patamar político em que se encontra, a classificação para o torneio final da Copa do Mundo de Futebol. Mais uma vez, e pela 17ª consecutiva, o Brasil estará lá, entre os melhores, disputando de igual para igual e num tipo de torneio em que conta muito a sorte que lhe couber nas oitavas e depois nas quartas de final, para chegar às semifinais, às finais e à finalíssima, como tem acontecido com este país que já venceu quatro títulos mundiais.
Foi divulgada recentemente uma pesquisa que demonstrou que em nível internacional, o Brasil é ainda conhecido pelo seu futebol, por Pelé e pelo seu antigo produto número 1 de exportação, o café.
Hoje Pelé está aposentado, dizem que o café colombiano é melhor, e a seleção não é lá estas coisas, tanto que passou apertadamente nas eliminatórias, sofrendo até o último jogo, para derrotar a fraquíssima Venezuela por 3 x 0 e assim se credenciar para a ida a Japão e Coréia em 2002.
Na verdade, sob o ponto de vista esportivo, é preciso considerar que o Brasil está em crise de valores. Falei em futebol... Não temos mais nenhum Garrincha, Nilton Santos, Gilmar, Bellini, Tostão, Domingos da Guia, Leônidas, Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair, Ademir e muito menos Pelé.
Na verdade temos muitíssimos “Joões” que se sucedem sem deixar marca com a camiseta “canarinho”.
Um longo e sério trabalho de preparação daqui até ao torneio final de 2002 poderia render resultados, mas talvez fosse necessário esquecer um pouco os atletas envolvidos numa carreira demasiado, diria, profissional na Europa, onde ganham milhões pelos seus “chutos e ponta-pés” (como se diz em Portugal...) e montar uma equipe capaz de vibrar com o hino nacional como a torcida concentrada no estádio de São Luiz do Maranhão, o fez na vitória sobre a Venezuela.
Pode-se dizer que começamos a ganhar o jogo naquele momento: 1 x 0 para nós na hora do hino. O “gigante pela própria natureza” se afirmou primeiro nas arquibancadas. Depois empurrou o time para a frente, fazendo os jogadores criarem vergonha.
Os “venezuelas”, coitados, nem sabiam o próprio hino...
Mas é isto. Com Felipão ou sem ele, o importante agora seria montar uma equipe que não se desfizesse pela distância e pelos dólares. Poderiam ser chamados a qualquer momento para um treinamento ou amistoso, ou apenas para almoçar juntos em Teresópolis, e assim consolidar um grupo capaz de se matar pelo país. “Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”...
Resta saber se isto é bom ou ruim e se a classificação em si ajuda ou atrapalha o país.
Nossos males serão mais uma vez esquecidos, durante meses a população não pensará em outra coisa e num ano de eleições presidenciais, teremos, perigosamente, o resultado da competição usado, para o bem ou para o mal, para os governistas ou oposicionistas, para influir nas eleições.
No mais, lembremos o exemplo de 1970. Naquele momento, Emílio Medici, um duro, um “falcão” no governo, muitos brasileiros exilados, mortos, desaparecidos e no entanto, na hora do “Prá frente Brasil”, bola em jogo esqueceu-se tudo. E torcemos pela vitória da Seleção.
Não estamos tão lúcidos assim ou evoluídos com relação a 31 anos atrás. Continuamos embevecidos acompanhando Denilson, Ronaldinho Gaúcho e Edilson, imaginando que sejam três novos Garrinchas e que o Ronaldo “italiano” volte a jogar o que jogava quando tinha 18 anos no Cruzeiro de Minas e “pintava” como um novo Pelé.
São sonhos. Mas é preciso respeitá-los porque também são desejos da nação.
Só que também se sonha com o fim da corrupção, a prisão dos corruptos, o fim do desemprego, melhores salários, estabilidade.
O fim da Consolidação das Leis do Trabalho sob a desculpa da “flexibilidade” também ronda o horizonte.
Oremos, como diria o profeta Maomé.
O PARLAMENTARISMO, EIS UMA BOA IDÉIA. MAS SERÁ QUE NOSSOS POLÍTICOS ACEITARIAM DIVIDIR O PODER COM O POVO ? postado por walter em 14/11/01
REPÚBLICA OU GOLPE ?
Walter Galvani
No dia 15 de novembro de 1889, há 112 anos portanto, produziu-se o primeiro grande golpe militar dos tempos modernos no Brasil, predecessor de outros tantos golpes civis e militares que desembocaram na República Velha, no Estado Novo, na Nova República ou na “Revolução de 1964” e por aí fomos chegando. O Mal. Deodoro da Fonseca, um dos primeiros astros no firmamento republicano brasileiro, embora fosse reconhecidamente monarquista, comandou a derrubada do imperador. Se estava ou não de espada na mão, isto fica por conta do imaginário artístico e popular brasileiro, pois, é sabido, por exemplo que a Primeira Missa no Brasil, de Vítor Meirelles retrata a Segunda e Dom Pedro I não estava a cavalo na hora do grito “Independência e Morte”, se é que gritou alguma coisa ao “arrancar os laços portugueses”...
De ficção em ficção construiu-se nossa história, o que aliás continua em obras...
Mas a República, esta que aí está, não é a República democrática sonhada pelos gregos, eis que foi imposta ao povo e jamais conseguiu ser parlamentarista e, provavelmente nunca o será, porque não é esta vocação dos políticos brasileiros.
Estes são, em sua maioria, autocratas. Tiranos em potencial. Déspotas. Não querem saber de dividir o poder e seja lá isto à Direita ou à Esquerda. Sou obrigado a dizer, depois de 47 anos de vida jornalística e mais 20 de vida prática... para somar meus 67.
O feriado que assinala a Proclamação da República deveria ser portanto, para chorar de vergonha pelo que não fizemos. No recesso dos nossos lares ou a bordo das nossas “maledetas machinetas” pelas estradas em busca do sol, deveríamos era fazer um exame de consciência. E talvez na volta, derrubar a república que aí está. Mas, para colocar o que em seu lugar ?
Aparentemente é muito tarde.
Então, poderíamos retomar aquilo que já praticávamos no século XIX e que não soubemos aplicar no século XX. Agora, em novo século e até novo milênio, talvez fosse a hora adequada para experimentar o Parlamentarismo. Teríamos a vantagem de poder derrubar o governo em meia dúzia de dias, quando este não nos agradasse e eleger um novo, tudo através do voto e não das metralhadoras.
Ou mísseis, para ser mais moderno.
Na verdade, isto não interessa aos políticos que foram amamentados e criados no seio desta república golpista que se perpetuou ao longo destes 112 anos, sem que se fizesse um avanço qualquer no caminho da real participação popular. A não ser no circo dos horrores e escândalos das CPIs e ladroeiras que todos os dias colorem de amarelo e marrom as páginas da “mídia”.
Está na hora de apear do cavalo figuras que se fortificam como lendas, mas que na verdade representam a consolidação de falsos ídolos.
Proponho um minuto de silêncio e reflexão.
A luta pelo ouro negro que corre nas veias, digo oleodutos, do Afeganistão postado por walter em 13/11/01
VÁCUO E PARTICIPAÇÃO
Walter Galvani
As tropas da chamada Aliança do Norte, se é que se pode chamar de tropas e também de “Aliança”, ou apenas apelidá-las como tal, entraram em Cabul. Os americanos pediam insistentemente que não o fizessem, apesar de haverem apoiado a ação até aqui, mas não por misericórdia pelos talebans. Na verdade, não gostariam de permitir ou apoiar uma tomada de poder do qual não participam.
Os fatos, no entanto, estão consumados e em guerra não há concessões, conversações, cedências ou pendências, tudo se resolve na mesa dos combates e não na mesa de negociações. A sobremesa sim, esta é comida com talheres apropriados, toalhas engomadas e garçons corteses. Em Berna, na Suiça, pátria internacional do cinismo financeiro.
Enquanto isto, as pessoas se matam, se esfaqueiam, irmãos roubam de irmãos e competem entre si pelo poder. É dos tempos bíblicos, casualmente vividos numa região próxima ao Afeganistão, esta constatação.
Nos próximos dias, cairão como castelo de cartas, uma pós outra, as cidades afegãs – aliás em sua maioria fundadas por Alexandre o Grande, o dominador estrangeiro com mais tempo de permanência na região – mas isto não quererá dizer que os talebans se renderam. Esconder-se-ão nas velhas cavernas nas antigas montanhas, como sempre o fizeram e tratarão de escapar para lugares mais seguros, mesmo que tenham que vestir impudentemente, burkas, que lhes estão proibidas por serem vestimentas de mulheres. Na hora de salvar a pele, ninguém vai se perguntar se a atitude é sacrílega ou não...
Depois é um jogo de gato e rato para ver se os integrantes da legião estrangeira em que se transformou a tal Aliança do Norte conseguem encontrar Bin Laden. Se ele não estiver com uma das suas cinqüenta esposas, poderá estar com um dos seus cinqüenta irmãos. Mas, cortará a barba, afinal ele não é nenhum talebã, e pondo-a de molho, reservará para utilização posterior, como mandam as boas receitas gastronômicas.
Poderá reaparecer no Chuí, na Foz do Iguaçú ou na Bósnia, talvez na Indonésia ou melhor ainda, no meio do deserto, naquele oásis muito conhecido seu, que fica em Al Akhbar, próximo à Sharm el Sheik. Ou no céu muçulmano, onde deliciosas tâmaras podem ser misturadas ao mel que escorre do seio das onze mil virgens...
O braço armado americano irá persegui-lo no céu ou na terra. E os membros da Aliança do Norte, os hoje possíveis ocupantes de Cabul, não perdem por esperar a discussão que os aguarda.
É bom não esquecer que sob o solo (e às vezes acima) árido do Afeganistão, serpenteiam oleodutos transportando ouro negro, ou melhor dólares vivos e capazes de elevar as bolsas ao infinito como já se começa a verificar.
Os mortos ? As viúvas ? Os órfãos ?
Ah, mais um problema para Koffi Annam decifrar.
Leônidas da Silva foi um dos primeiros e maiores ídolos do futebol brasileiro. Com renome internacional, ajudou a resgatar as camadas mais pobres da população, que nele se viam como uma ponte para a elevação social e o progresso individual. postado por walter em 12/11/01
O DIAMANTE NEGRO
Walter Galvani
A qualquer momento poderá perder o Brasil, um dos seus grandes ídolos do passado, um dos que ajudou a construir o mito da superioridade nacional no futebol. Com isto, desaparecerá um dos construtores do edifício da preponderância do país dos negros e mestiços, sobre os poderosos arianos e saxões, os europeus de um modo geral, que só nos ganhariam “através da fraude”...
Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, um grande jogador da década de trinta, o inventor do lance chamado “bicicleta”, no qual o atleta salta, em geral de costas para o arco adversário, e movendo uma das pernas ganha impulso, para com a outra acertar a bola e promover um gol, inesperado pela inventividade do lance e pela força aplicada.
Na Copa do Mundo de 1938, disputada na França, Leônidas utilizou várias vezes este recurso genial, assim como já o vinha fazendo nos campeonatos que disputava no Brasil, pelo Flamengo e pelo São Paulo.
Mais do que um jogador de futebol, tornou-se o ídolo de massas desvalidas do Brasil, quando ainda não existiam meios de comunicação eletrônicos. Leônidas foi um herói dos tempos do início do rádio e do jornal com grandes clichês (fotos) dos lances esportivos.
Como freqüentemente ocorre quando o Brasil joga no exterior (muito menos agora que se pode ver tudo pela televisão), cada derrota tinha uma explicação que passava em geral pela fraude dos adversários, pelo “roubo” por parte dos árbitros ou tramóias da FIFA. Nunca o fracasso era debitado à fraquezas brasileiras. Este mau costume persistiu até recentemente. Felizmente, nos dias de hoje, tornou-se impossível mentir.
No caso da Copa de 38, atribuiu-se a derrota brasileira diante da Italia, campeã mundial daquele ano, à um pênalti “inexistente” cometido por Domingos da Guia, outro dos nossos grandes craques, sobre o atacante Piola. Leônidas não participou da partida, estava lesionado. E aí ficou no imaginário brasileiro toda a explicação para a eliminação da nossa seleção.
De qualquer forma, Leônidas era de fato um grande craque, como já não há hoje em dia: desequilibraria qualquer jogo com sua classe superior.
Seu apelido virou marca, lançaram-se produtos com o seu nome, inclusive um chocolate que persiste até hoje, o “Diamante Negro”. Só por este detalhe se pode medir seu imenso prestígio.
O fato de ser negro ajudou na promoção dos pobres, dos humilhados e ofendidos, dos negligenciados e dos expurgados pelo preconceito.
Idoso, sofrendo de mal de Alzheimer e câncer na próstata, estamos perdendo Leônidas.
Um dos maiores. Um dos tijolos básicos da nossa construção que teria mais adiante em Zizinho, Ademir, Pelé, Falcão, Romário, e outros, suas mais sólidas paredes e suas mais altas torres.
A todos eles nossa homenagem, representados pelo inesquecível Diamante Negro.
O trecho de estrada mais movimentado do Brasil é o que une Rio e São Paulo. BR-116. Mas o número 2, é justamente o que atravessa o vale do Rio dos Sinos, entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. É para este trecho que se estuda uma alternativa. Medida que é urgente. postado por walter em 11/11/01
DESAFOGAR A BR 116
Walter Galvani
É urgente. E agora, felizmente, com 180 dias para nascer a sugestão final de traçado. Serão levados em conta, diversos fatores, como manda o bom senso e como o determinam as leis, ou seja, custos de desapropriações, logicidade da trajetória proposta e obtenção de um bom RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), a ser fornecido pela FEPAM e que terá peso importante, na decisão.
O governo federal entrará com o grosso do investimento, mas também dele participarão os governos municipais da região metropolitana e o estadual.
Estamos falando sobre a construção necessária e inadiável de uma alternativa à BR-116, no trecho Novo Hamburgo-Porto Alegre.
Os principais municípios da região serão todos afetados: começando por Novo Hamburgo e passando por São Leopoldo, Estância Velha, Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas, Cachoeirinha e Gravataí, concluindo em Porto Alegre, mas atingindo, indiretamente todos os demais e as regiões sul e litoral do estado.
É uma obra, cuja importância nem sequer se chega a imaginar. Isto nos resultados que pode produzir e na sua urgência. Cada dia se torna mais grave a situação da BR-116 que, certos dias da semana, de modo especial segundas e sextas ou vésperas de feriados, se torna intransitável, mais perigosa ainda do que já é de per si e limitadora das atividades.
Há quem pense duas vezes antes de se meter de carro ou de ônibus nesta estrada. Há quem só o faça em caso de necessidade extrema. Além de uma rota industrial e comercial importantíssima – sem dúvida a número 1 do estado – ela é também a “rota da educação”. São milhares os jovens que transitam por ela nos dois sentidos, nos mais diferentes horários, em busca das grandes instituições de ensino sediadas na região – Feevale, Unisinos, La Salle, Ritter dos Reis – isto sem falar em outras unidades menores, ou passagem, ou ainda início de rota para Caxias do Sul, onde a UCS se espalha por vários municípios.
Não é por acaso que depois da Via Dutra é justamente este trecho da BR-116 o mais movimentado do país.
O que se discute agora – e para isto o Grupo de Trabalho montado pelo governo do estado terá 180 dias de prazo – é qual a alternativa mais adequada: a leste ou a oeste do atual traçado da BR-116.
Mas, é absolutamente indispensável e seria um suicídio administrativo e político continuar enfrentando o futuro sem tomar providências. A história cobraria, logo adiante, de quem foi governo neste início de século.
No passado esta “faixa federal”, que cruzava pelo centro de cidades e tinha apenas uma pista, chegou a ser apelidada de “faixa da morte”.
Hoje ela é, uma “facilitadora” de transportes, de contatos, de realização de comércio e prestação de serviços e, felizmente, “civilizada” pela duplicação e pelo isolamento das pistas.
Aliás, a nova estrada já terá que ser construída com características semelhantes.
Sessenta carros por minuto, ou seja, um atrás do outro, não é recorde, é rotina na atual BR 116. Além do mais, os veículos costumam trafegar a 140 ou 150 quilômetros por hora. Quem não vai à esta velocidade, proibida mas não respeitada naturalmente, acaba sendo “corrido à buzina” ou sinais de luz, para permitir o avanço de quem vem atrás.
Não queremos policiamento nem “pardais”, nem barreiras. Queremos é desafogo no tráfego, para que todos transitem com liberdade e garantias.
PORTO ALEGRE REALIZOU FEIRA DE LIVROS QUE SE PRETENDE QUE DEVA SER UMA DAS MAIORES (SE NÃO FOR A MAIOR...) DA AMÉRICA LATINA postado por walter em 09/11/01
CONTINUE LENDO
Walter Galvani
Tenho em mãos estatísticas que comprovam: só progridem os povos onde o índice de leitura é alto. Porque isto significa que seus habitantes se informam e que tem condições intelectuais para fazer análises e julgamento das questões que surgem.
Só assim é possível, efetivamente, alcançar um alto índice de desenvolvimento.
Bem, a 47ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre terminou, resta esperar agora Guadalajara.
O México, país homenageado este ano na capital do Rio Grande do Sul, na certa vai retribuir levando alguém até sua internacional e prestigiada feira, que acontece na cidade mais brasileira (desde 1970... vide Copa do Mundo de Futebol) daquele país.
E aqui, vamos continuar lendo.
O slogan utilizado pela Câmara Riograndense do Livro não poderia ter sido mais feliz e inspirado e seus efeitos não cessarão hoje: “Você é o que você lê!”
A propósito:
A “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos” navegou com brilho, apesar de estar distante dois anos de seu lançamento, ocorrido em 1999, nos últimos dias da feira daquele ano.
Naquela oportunidade vendeu em poucos dias 600 livros, sendo um dos “bestsellers” daquela edição. Mais adiante, no ano 2000 repetiu a performance e no ano inteiro, no país, vendeu quase 50 mil volumes, tanto que acabou alcançando a posição de 7º mais vendido entre os “dez mais” de todo o ano, no levantamento da Revista Veja.
A propósito de leituras, escrevam para waltergalvani@attglobal.net
O RIO GRANDE É MANIQUEÍSTA. MAS ESTÁ NA HORA DE DEIXAR DE LADO ESTE PRIMITIVISMO POLÍTICO. postado por walter em 08/11/01
CPIs
Walter Galvani
Arrependimentos. Confissões, Carteiraços. Eleições à vista. Desagravos. Desgastes políticos. Segurança pública. Problemas sociais. O caos. Ocupações de terras. MST.
Sede do PT.
Líderes que se confessam “mentirosos”, outros que mostram arrependimento público e dizem que de fato praticaram o feio ato do “carteiraço”.
A pergunta é a velha questão colocada pelos romanos que nos deram a estrutura jurídica e a língua latina: “Qui prodest ?”
Ou melhor: “A quem aproveitam tais denúncias ?”
É isto que é preciso investigar, esta é a resposta que todos desejamos.
Com eleições chegando, com outras CPIs, que são ótimos instrumentos também de propaganda eleitoral, com o peso de ser governo, o Partido dos Trabalhadores está provando afinal do amargo fel que lhe cabe. Não há como fugir.
Para sentir esta pressão e obrigar-se a dar explicações, para transformar-se de pedra em vitrina é preciso chegar aonde o PT chegou.
Nossos costumes políticos não mudaram, o Rio Grande continua absurdamente bipolar e maniqueísta como sempre foi. Republicanos e federalistas, Chimangos e maragatos, farroupilhas e imperialistas, liberais e conservadores ou modernamente, trabalhistas e pessedistas, ou emedebistas e arenistas e agora, petistas e todo o arco que caiu para a Oposição, abrigando PMDB, PFL, PPB e outros com menor poder de voto, mas também com voz ativa em nossa sociedade.
Este é o confronto. Como no esporte: gremistas x colorados.
Acho que está na hora de diversificar e acreditar que há vida inteligente sob outras siglas, outras camisetas, outras visões.
Ler o “Correio do Povo” não quer dizer deixar de ler a “Zero Hora” e ainda mais que há também “O Sul”, há o “Jornal do Comércio”, existe a edição regional da “Gazeta Mercantil” e nas cidades populosas e fortes do interior, circulam belíssimos jornais como por exemplo, “O Nacional” de Passo Fundo e lá mesmo o “Diário da Manhã”, e em Santa Maria, “A Razão” ou em Pelotas, o “Diário Popular”.
Tudo isto conformando uma opinião pública diversificada e atuante, com posições políticas diferentes.
Vamos aprender a diferenciar as coisas e não apenas ficar na base de Governo e Oposição.
O HOMEM É O LOBO DO HOMEM. INJUSTIÇA COM O VELHO E SIMPÁTICO LOBO... postado por walter em 07/11/01
PRIMEIRO ANO DO SÉCULO
Walter Galvani
É habitual identificar o início efetivo de um século e o seu término, com acontecimentos decisivos, envolventes, que atinjam uma boa parcela da espécie humana. Assim, o século XX, na opinião dos especialistas, começou mesmo junto com a Primeira Guerra Mundial, em 1914. E acabou em l989, com a queda do Muro de Berlim.
Já o Século XXI, ninguém mais tem dúvidas: já começou efetivamente e isto no dia 11 de setembro com a queda das duas Torres Gêmeas de Nova York, atingidas pelo terrorismo.
Se os aviões-bomba, conduzidos por pilotos suicidas, representavam ou não os desejos de Bin Laden, isto é secundário. O que ficou comprovado é que ninguém está imune à uma ação destas, que não é suficiente construir muros ao seu redor, porque o seu coração pode ser atingido a qualquer momento e porque, nem a nação mais poderosa da terra está garantida contra seus inimigos.
Tais lições marcarão para sempre este século XXI que vai custar a terminar... Esta surpresa do dia 11 de setembro, não será a primeira e nem será a última que teremos. É preciso apurar nossas antenas de premonição para começar a inspecionar o futuro e tentar adivinhar o que vem por aí. Mas, não será pouco, tal o grau de sofisticação que foi atingido.
O velho provérbio latino que dizia que o homem é o lobo do homem, nunca será tão verdadeiro e injusto para com o lobo, que, no fundo no fundo, só age em defesa dos seus instintos, sua fome ou suas necessidades. Já o homem...
Mas, enquanto isso, jogamos futebol.
Claro, nem pode ser de outra maneira. Se a humanidade não encontrasse meios de se adequar, ocupar o seu tempo, divertir-se ou praticar alguma atividade para gastar suas energias, esgotar sua força bélica no duro e sadio confronto esportivo, inventar alternativas ou simplesmente distrair-se, o século XXI logo terminaria porque sim, o mundo estaria acabando.
A propósito: como é que ficou aquela história de que “navegamos” na direção da estrela Veja e com ela fatalmente colidiremos ?
Ou teremos sido “percebidos” e haverá um desvio de trajetória ?
Será este o ano (ou o século) dos contatos imediatos de primeiro grau ?
QUATRO JOVENS BRASILEIROS MERECEM A PENA MÁXIMA POR HAVEREM ATEADO FOGO NUM ÍNDIO. PARA BRINCAR... DAR-LHE UM SUSTO... postado por walter em 06/11/01
FOGO NO COBERTOR...
Walter Galvani
Os quatro rapazes que cometeram o crime inominável de atear fogo num índio em Brasília e que agora estão sendo submetidos a júri, disseram na abertura do depoimento que haviam feito apenas uma brincadeira...
“Botamos fogo no coberto para assustar o índio!”
Naturalmente, alguém poderia dizer, mas porque não foram assustar as respectivas mães e pais ?
Desrespeitando nossos antigos habitantes desta terra, romperam com o pacto que a modernidade estabeleceu, de compreensão, respeito e convivência com os aborígenes. É uma aliança moderna que retoma o espírito que havia presidido os primeiros contatos.
Basta ler a carta de Pero Vaz de Caminha para sentir a emoção, o respeito, a atenção com foram cercados os primeiros habitantes da terra logo batizada de Santa Cruz, que estiveram a bordo da “Nau Capitânia”.
Este é um dos mais tocantes episódios daquele primeiro contato, há 501 anos atrás. Baseado no relato de Caminha fiz a transcrição daquele momento histórico que está em meu livro “Nau Capitânia”, Prêmio Casa de Las Américas 2001, e que continua navegando, tanto na 47ª Feira do Livro, quanto fora dela. Agora vai navegar em espanhol.
O pacto de entendimento, a promessa de convivência, a proposta de civilização e desenvolvimento, a mensagem da Renascença européia que traziam os portugueses liderados por Pedro Álvares Cabral, tudo isto foi jogado ao lixo por estes quatro brasilienses.
É uma lástima.
Tomara que o Júri lhes dê a pena máxima. Caso contrário estarão libertados daqui a alguns dias, pois já terão cumprido 2/3 da prisão.
Atearam fogo no índio para começar uma brincadeira!
Vejam a que ponto vai a ignorância, a falta de respeito para com os seres humanos, a falta de consideração com os pobres e os desvalidos.
E tudo isto aconteceu na capital do Brasil, nas vésperas da comemoração frustrada dos 500 anos do descobrimento. Nem poderia ser de outra forma.
CRIAÇÃO LITERÁRIA E UMA AVENTURA NA COZINHA, UNINDO INSPIRAÇÃO E SABORES postado por walter em 05/11/01
BRASIL: RECEITAS DE CRIAR E COZINHAR
Walter Galvani
Organizada pela Patrícia Bins começou a circular nesta 47ª Feira do Livro de Porto Alegre, uma antologia (é o volume 2) reunindo 28 autores de Ado Malagoli a Walmir Ayala, dando suas receitas de criação literária e de cozinha.
Os nomes são os mais variados: tem Fernando Sabino, Jaime Cimenti, Jane Tutikian, a própria Patrícia Bins. Estou lá, à página 110, com a minha contribuição, o misterioso “riz à la saussice” e que os leitores descobrirão, não é lá tão misterioso assim. Mas, a fórmula era secreta. Revelei-a somente agora. Durante anos curti a surpresa dos amigos diante do meu “riz”. O batismo lhe foi dado por Marcello Trani, agente de turismo romano que por muitos anos viveu entre Roma e Porto Alegre, com escalas por Buenos Aires e Santiago do Chile, Rio e República Dominicana. Em seu escritório romano, na Bissolatti, a meia dúzia de passos da Via Veneto, muitos foram os gaúchos que se organizaram em suas tournées européias. E seu contato número 1 aqui era o Eugênio Machado, que continua atuando no ramo, na PSA Turismo.
Mas, o livro tem muitas atrações. Maria Carpi, por exemplo, entra com o pão e a poesia. E tem até os quindins do Mário Quintana, sem falar no bolo de Natal tipicamente inglês que a Patrícia Bins nos oferece.
Bem, o que melhor posso dizer do livro é que ele dá fome...
Fernando Sabino contribui, como não poderia deixar de fazê-lo, com comida mineira: couve à mineira e arroz mineiro.
E a Glória Corbetta comparece com o seu Pavê de Chocolate.
Bem, a edição é do Paulo Flávio Ledur, ou seja da AGE e isto é uma garantia indiscutível.
Bom apetite.
NÃO É APENAS O CONCEITO DE QUE NENHUM HOMEM É UMA ILHA; É PRECISO PENSAR NA COMPLETA INTEGRAÇÃO QUE O MUNDO SOFRE E, AO MESMO TEMPO, NA ATOMIZAÇÃO EM TRIBOS RURAIS OU URBANAS, DO AFEGANISTÃO À NOVA YORK postado por walter em 05/11/01
TRIBOS E GLOBALIZAÇÃO
Walter Galvani
O Século XXI trouxe, como uma das heranças do que se formou no século passado, a convivência entre dois estilos de vida, dois termos e duas tendências comportamentais, aparentemente incompatíveis, mas sem dúvida co-participantes do processo cultural moderno: a globalização e o tribalismo.
Em alguns casos, a vida em tribos pode parecer um recuo, uma defesa ou um resultado do atraso, mas nem a pobreza de recursos naturais nem as deficiências urbanas, explicam completamente a tendência que se produz exatamente na contramão da denominada “globalização”.
Por outro lado, a Globalização, do comércio, da prestação de serviços, das técnicas, dos produtos, dos meios de comunicação eletrônicos e com a predominância de uma língua em vastas parcelas territoriais, o que também facilita a circulação de bens e riquezas, também não é o gatilho detonador dos procedimentos tribais.
Pode-se dizer inclusive que ambos convivem. Tomando apenas o exemplo árabe, tem-se uma televisão, a “Al Jazeera”, que atende às necessidades regionais, prega a liberdade de imprensa nos mesmos termos ocidentais e cultua os mesmos ícones: belas apresentadoras, bons locutores, imagens via satélite que podem ser apanhadas no mundo todo (com uma antena parabólica comum, de 300 dólares) e na guerra do Afeganistão quebram a censura local e a censura americana.
Sim, a censura americana aplicada às redes americanas de um modo particular e ocidentais de um modo geral, onde os pronunciamentos de Osana Bin Laden estão proibidos e notícias de derrubada de aviões ou helicópteros também. A não ser que sejam pertencentes ao regime taliban.
Inclusive, o presidente Bush tentou interferir com sua censura aos meios de comunicação na emissora do Qatar e não conseguiu:
“Aprendemos com vocês a liberdade de imprensa!” – foi a resposta que lhe deram.
Efeitos da globalização, tais como os que havia desfrutado a CNN na Guerra do Golfo.
Mas, por detrás disto tudo há toda uma complexa rede tribalista, subdividida entre pequenos grupos étnicos que se assemelham pela cultura, biotipo, língua ou mais ainda, dialeto local, fidelidade política.
Visto à distância é o que mais se percebe do xadrez do Oriente Médio e da Ásia Menor, e também por certo dos Balcãs, da Bósnia, da Macedônia (aliás terra de Alexandre o Grande, aliás conquistador em tempos remotos do Afeganistão e talvez o mais durável dos ocupantes).
Não se pode negar também que esta tendência de atomização em tribos se reproduz nos grandes aglomerados ocidentais. Há até uma expressão típica, cunhada por aí e adaptada ao Brasil em que se diz mais ou menos assim:
“Ora, vai procurar a tua tribo!”
Quer dizer, que a pessoa vá procurar os seus iguais, aqueles que tem um tipo de comportamento assemelhado, que apreciam as mesmas músicas, danças, procedimentos, veículos de transporte, falas, comunicação, roupas e outros indicativos de uma indiscutível tribalização.
Convivem os dois tipos de vida, os dois efeitos, come-se da mesma mesa e aproveita-se a mesma sobra.
Será difícil separar agora tais resultados. Os beduínos de Qatar sabem muito bem que sob suas tendas corre um rio negro de petróleo, conhecem as delícias do ar condicionado ou de um automóvel Mercedes Benz, tanto quanto os proletários do mundo ocidental que catam sua sobrevivência no lixo, sonham com o que o dinheiro pode comprar.
Por mais que nos esforcemos não vamos conseguir pregar a mensagem de que a felicidade é reservada a quem alcança os páramos celestiais...
Há o futebol, a televisão, os shows dos milhões, os “big brother” e mesmo com o fundamentalismo árabe e cristão, as promessas são por demais convidativas.
Teremos que aprender, isto sim, a conviver entre as delícias da globalização e as injustiças sociais que gera, entre a pregação messiânica e a frugalidade tribal, nem sempre verdadeiras. Lembrando, só por lembrar, a propósito do episódio que atualmente centraliza as atenções globais, que em tempo de guerra, mentira na terra...
Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, realiza sua 47a. Feira do Livro com este slogan: postado por walter em 04/11/01
VOCÊ É O QUE VOCÊ LÊ
Walter Galvani
Exiba orgulhosamente o que você carrega em sua sacola de compras feitas na Feira do Livro: Você é o que você lê. O slogan criado pela Câmara Riograndense do Livro é, além de inspirado, instigante, provocante. E tem mais: verdadeiro.
Stendhal já tratou disso num de seus primeiros romances, o “Armance”. O personagem central, Octave de Malivert ouviu inúmeros questionamentos de seus familiares e amigos que dele “suspeitavam” por causa de suas leituras. Como vemos, isto é antigo.
À certa altura dizia-lhe sua mãe:
“Caro Octave, é a violência de tuas paixões que me assusta! Além do mais, lês livros ímpios e em breve chegarás mesmo a duvidar da existência de Deus. Porque refletir sobre estes assuntos terríveis ? Tu te lembras de tua paixão pela química ? Durante dezoito meses não quisestes ver nem teus amigos nem teus parentes mais íntimos.”
“E era o que deveria ter feito – replicou Octave – não era uma paixão, era um dever que eu mesmo me impusera. E me pergunto se não teria sido melhor continuar fiel a esse propósito e transformar-me em um sábio retirado do mundo, um imitador de Newton!”
E refugiou-se em sua biblioteca.
Bem, nem todos tem a vantagem de possuir uma boa biblioteca, ou ao menos uma toca onde enfiar-se, mas não deixa de ser inspirador que os livros estejam hoje esparramados pela praça central da capital do Rio Grande do Sul e que o exemplo da Feira do Livro em sua 47ª edição, tenha frutificado e influenciado todo o estado. Não há hoje cidade de porte médio ou grande e mesmo algumas pequenas, que não tenha a sua própria feira. A de Porto Alegre, contudo, resiste e persiste, como o exemplo maior e hoje lutando já para ser reconhecida como a maior da América Latina, pelo menos competindo com Buenos Aires e Guadalajara.
Sábio Stendhal que criticou com ironia em seu romance ainda hoje atual e eloqüente em sua mensagem, os “perigos” da leitura. De fato, queriam o seu personagem Octave um conformado integrante da sociedade parisiense e não alguém que sonhava em se transformar num novo Isaac Newton. Aliás, coincidência e homenagem das homenagens, hoje é justamente o Dia do Inventor.
Sacuda pois o seu espírito. Não permita embotar-se, antes disso, saia da casca, passeie, viaje, nem que seja para visitar a Feira do Livro, deixe a acomodação de casa e do caixote aprisionador do espírito que atende pelo apelido de televisão e que lhe dá tudo pronto e não o faz pensar.
Não atenda o triste conselho da mãe de Octave. Admita as diferenças e os diferentes. Compreenda e aceite as ideologias diversas. Só não concorde com as bombas e o argumento da violência. Diga não à guerra. Proponha sempre o diálogo e a compreensão. (Qualquer semelhança com pessoas ou fatos que ocorram neste momento no mundo é mera coincidência... – como diziam os letreiros dos filmes antigos, sempre temerosos de um processo...)
Leia. Compre livros. Faça seu estoque e carregue orgulhosamente a sua sacola, deixando com que vejam o que você comprou. Escolha o que quiser, desde os livros de auto-ajuda, não tenha vergonha, até Shakespeare ou o último Umberto Eco, o “Baudolino” ou “O pintor de retratos” do Assis Brasil ou o mais recente Moacyr Scliar ou o Tabajara Ruas, de volta com “Netto perde sua alma”, agora nas asas do filme.
Não esqueça: você é o que você lê...
(Originalmente publicado no ABC DOMINGO, jornal do Grupo Editorial Sinos, na edição de 4/11/2001)
GUERRA, VENENOS E ANTÍDOTOS postado por walter em 01/11/01
SPRAY CONTRA O ANTRAZ
Cientistas austríacos desenvolveram uma substância que elimina em frações de segundo os efeitos do antraz ou antrhax ou melhor, em português, o carbúnculo...
A guerra contra o terrorismo prossegue, promovendo como qualquer guerra, o desenvolvimento da pesquisa científica e o emprego de verbas em setores normalmente negligenciados.
O anúncio foi feito em Viena neste primeiro dia de novembro. Ainda há necessidade de realização de testes, mas já está confirmado que o novo produto, que logo poderá (e deverá) ser comercializado, não traz nenhum efeito colateral aos seres humanos.
Em breve, a divulgação espetacular da nova arma, que ainda não tem nome de batismo, ocupará uma posição de destaque nos meios “midiáticos”, rivalizando com os novos aviões e mísseis capazes de atingir os alvos com precisão cirúrgica.
É verdade que se duvida hoje da tal “precisão cirúrgica” norte-americana e de seus aliados, tanto é que pela terceira vez foi atingido um prédio da Cruz Vermelha, a despeito da imensa cruz em vermelho pintada sobre o seu telhado. Parece que os mísseis são analfabetos...
A PROFISSÃO DE JORNALISTA, COMO OUTRA QUALQUER, EXIGE SIM, PREPARAÇÃO TÉCNICA, QUALIFICAÇÃO INTELECTUAL postado por walter em 31/10/01
MELHORAR E NÃO PIORAR
O JORNALISMO...
Walter Galvani
Absurdo dos absurdos. Eis como se classifica a decisão da juiza Carla Rister que, atendendo a uma ação civil pública proposta pelo procurador da República, André de Carvalho Ramos, despachou favoravelmente, determinando que não se exija mais o diploma de jornalista para o exercício da profissão.
“Já que a profissão não requer qualificações específicas, como as profissões técnicas” – disparou ela.
Negativo, minha juíza e meu procurador.
Direito é possível exercer somente à base de muita leitura e real compreensão das leis, atendendo ao princípio do bom senso, segundo opiniões de muitos jornalistas. Mas não se preocupem, não é a minha.
Não tenho diploma de Jornalismo, mas exerço a profissão desde 1954, portanto há 47 anos, mas fui um dos que mais se empenhou no sentido de aproveitar alunos das faculdades nas redações de jornais, rádios e tvs no Rio Grande do Sul, por acreditar na “preparação técnica” como indispensável para o bom desempenho da função.
Acho que o ensino tem que ser melhorado, isto é outra coisa. Penso, por exemplo, que a cadeira de História tem que ser ampliada. Há outras deficiências, como em qualquer profissão e, é lógico, com o aperfeiçoamento que resulta do próprio progresso técnico, desde aprender a digitar e lidar com o computador, coisa que muita gente só toma conhecimento quando chega ao mercado de trabalho. É necessidade absoluta.
Muita leitura para os alunos, muito debate, tudo o que a República privou-os enquanto durou a Ditadura mais recente, das tantas que já tivemos no Brasil.
Despachar que esta profissão não exige “qualificações técnicas específicas” é demonstrar total desconhecimento da atividade jornalística profissional.
Agora, assinar artigos, crônicas, ensaios, isto sim, não deve pertencer exclusivamente ao jornalista formado, pois esta é uma tarefa extensiva a todos os escritores.
Ainda bem que a decisão da juíza é apenas uma liminar e portanto, passível de cassação imediata. Ainda bem..
Mas vamos ficar de olhos bem abertos.
QUEREMOS TIRAR A GUERRA, O TERRORISMO, TODA ESTA INCERTEZA DE FUTURO, DE NOSSAS CABEÇAS. MAS, QUANTO TEMPO LEVARÁ ? postado por walter em 30/10/01
UM ANO. DEPOIS...
Walter Galvani
A nova guerra ainda não terminou, o terrorismo campeia solto por aí e os humoristas babacas mais ainda, promovendo a intranqüilidade onde deveria haver calma e perturbando as relações humanas. Eu diria, de forma irremediável, porque o mundo não será mais o mesmo depois do dia 11 de setembro e também, naturalmente, depois da resposta americana. Em todo o caso, o melhor é ir ficando em casa e tratando de levar adiante a vida. Difícil. Ainda mais que “ficar em casa” pode significar também consumir menos e, traduzindo, isto quer dizer, por outro lado, comprar menos produtos e ajudar à recessão e ao desemprego.
Tudo é uma coisa só, são ingredientes do tipo de vida que desenvolvemos, e poderemos ir empobrecendo até cair em níveis afeganistaneses...
Não riam e não duvidem.
A vingança – “pelas barbas do Profeta” – não poderia ser mais aguda. Mas, você já leu como foi que nasceu o estado moderno de Israel e como foi feita a divisão, e como a Palestina acabou no minúsculo estado que é hoje ?
Os especialistas americanos dizem que se levará pelo menos um ano para vencer a síndrome do terrorismo e nem em um ano desaparecerão todos os efeitos.
Mas, a pergunta é: um ano depois do que ?
Será um ano após a luta inglória de hoje, depois do antrhax, aliás do carbúnculo, ou depois das derrubada das torres gêmeas de Nova York ou ainda depois da retaliação americana ?
Ou será depois do próximo ato que ignoramos qual será ?
Enquanto a Humanidade não tiver um governo mundial, uma assembléia internacional com deputados representantes de todos os países, de acordo com a sua população, sem discriminações nem pesos diferentes, tudo vai ser difícil. Este seria o verdadeiro e justo caminho da globalização.
Chegaremos a isto algum dia ou nos destruiremos antes ?
GUERRA É GUERRA - Tempo de guerra, mentira na terra... - O anthrax. Ou será o velho carbúnculo ? - O Afeganistão dos tempos de Alexandre, o Grande - E, por fim, o que se pode esperar da Humanidade ? postado por walter em 29/10/01
TEMPO DE GUERRA,
DESCULPAS NA TERRA...
Walter Galvani
A humanidade, única espécie que combate a própria espécie e não especialmente por problemas de fome ou sobrevivência, desenvolveu ao longo da sua pré-história, história e estes tempos modernos que alguns batizaram de “fim da história”, alguns provérbios simplificadores, mas não menos eloqüentes. Com relação á guerra, por exemplo, há dois extremamente popularizados e, portanto, expressivos: “tempo de guerra, mentira na terra” e “guerra é guerra”.
Ambos estão em alta no Afeganistão e Estados Unidos.
Evidentemente que não se sabe em quem confiar e que, por medidas de segurança, nada se revela ou se exagera o que se transmite.
Mas, isto não justifica também o festival de pedidos de desculpas por “erros de alvo”.
Um dia foi a Cruz Vermelha que foi bombardeada, no outro dia uma aldeia, no dia seguinte uma rua de Cabul, daqui a pouco foi a vez de uma pequena povoação na montanha e assim por diante.
Sinceramente, vocês que me lêem, acreditam que seria possível uma operação cirúrgica exata, de extração de Osana Bin Laden ou quem quer que seja, sem ferir as gengivas, sem provocar sangramento ou trauma na hora “de arrancar o dente” ?
Se você achou, sonhou.
Se é verdade que isto foi divulgado, também é certo que acreditou quem quis.
O Afeganistão resiste há séculos à tentativas de ocupação de seu território, algumas mais bem sucedidas que outras. Subdivide-se em várias “etnias” como se convencionou denominar modernamente as diferenças tribais e se os pashtu dominam a cena pelo número, também é certo que não ficam sozinhos e portanto não possuem o domínio absoluto.
Numa das primeiras invasões, os afegãos eram poucos e não resistiram aos exércitos de Alexandre, o Grande, da Macedônia, que fundou de cara cinco cidades, cinco Alexandrias, que hoje sobrevivem com os nomes agora popularizados pelos bombardeios americanos, como Kandahar por exemplo. Só Cabul era mais antiga. Mas, não ficou em Alexandre, apenas, o sonho de conquista. Europeus e asiáticos foram se sucedendo até que bem recentemente foi a vez dos ingleses, que agora estão de volta, sob o fogo protetor (que de vez em quando comete alguns enganos e disso pede desculpas...) dos aliados americanos.
Assim tem sido.
Os russos já alertaram aos Estados Unidos que lá estiveram por 10 anos e tiveram que se retirar, expulsos, por não terem conseguido desencavar os afegãos das suas tocas.
Mas, o massacre vai continuar até uma nova divisão política, uma redistribuição que, não quererá significar que a questão estará resolvida.
Por outro lado, concordo: se alguém invade minha casa e me cospe no rosto, vou persegui-lo até desenterrá-lo do mais profundo poço onde se ocultar. É minha obrigação. Não quer dizer que o consiga. A menos que meus amigos cerquem o perseguido e o façam pedir desculpas publicamente, irei até o fim. E olhem que não me guio pelo Antigo Testamento.
Mas, isto já é outra história e se alinha pelo que comecei dizendo da Humanidade, lá nas primeiras linhas, e dela faço parte como os americanos, é claro, como os talibans e todos os povos da terra.
Quanto às guerras religiosas, o fanatismo é o culpado por elas. Se esta se encaminhar para isto, como já começam a demonstrá-lo o ataque à igrejas cristãs, a morte da freira no jardim de sua casa ou o fuzilamento de fiéis na hora da oração, iremos longe, muito longe, não se iludam.
Não estou sendo apenas pessimista. Estou querendo estar em paz com a verdade.
Os 17 cristãos executados ontem, o pior assassinato em massa cometido no Paquistão, vizinho do conflagrado Afeganistão, nos dão uma pequena mostra. Já o Antrax... poderíamos começar pela imprensa brasileira e orientando no sentido de que antrax é apenas o nome em inglês de uma antiga doença chamada carbúnculo em bom português e muito conhecida das nossas vacas, porcos, ovelhas e conseqüentemente trabalhadores rurais.
LEIA. MAS NÃO PERCA A CALMA... postado por walter em 25/10/01
O POVO TEM O
GOVERNO
QUE MERECE ?
Walter Galvani
Este antigo axioma é uma espada cravada em nosso coração: será mesmo que merecemos os governos que temos ?
Afinal, temos sido corretos, pagamos nossos impostos, suportamos a elevação do custo de vida, não reclamamos quando vemos nossos proventos perderem substância à medida que passam os meses, assistimos impassíveis à alta da gasolina, das mensalidades escolares, dos livros técnicos e didáticos, das roupas e utensílios, das roupas e sapatos, vemos o dólar distanciar-se, rumo à lua e o real se afundando progressivamente, na mesma proporção, é lógico.
Nada fazemos.
Não destruímos automóveis, não usamos carros-bomba como outros povos o fazem, não estamos em guerra com nossos irmãos, não temos preconceitos, convivemos com os diferentes, fazemos força para suportar as desigualdades, agüentamos diariamente a vergonha da corrupção denunciada nos mais altos setores da nação, e vamos levando.
Estaremos certos ?
Não aprovamos a violência, não guerreamos. Humildemente vamos trabalhando em nosso dia-a-dia, dispostos a fazer frente às dificuldades.
De vez em quando ficamos “em vermelho” no banco, mas não deixamos de atender nossos compromissos. Pagamos altos juros e não reclamamos. Somos ainda capazes de nos deslumbrarmos com o anunciado desenvolvimento da economia, com a implantação de novas montadoras de automóveis – não sabemos quem os compra, mas também compramos o nosso, pagando religiosamente 24 ou 36 prestações. Sem atraso.
Batemos palmas para o surgimento de novas cédulas e acreditamos no desenvolvimento do Mercosul.
Até achamos que o presidente da república é ousado ao afirmar que “os Estados Unidos não mandam, sozinhos, no mundo”.
O Tribunal Regional de São Paulo bloqueou a aposentadoria do juiz Nicolau que continua em prisão domiciliar. E isto nos faz sorrir com satisfação. “Veja – dizemos – nossas instituições funcionam!”
Houve superfaturamento na construção do aeroporto de Salvador e acreditamos que haja consciência e moralidade no país.
E aqui estamos, neste 2001, aplaudindo o que dizem fazer e registrando nossa alegria.
Continuamos trabalhando.
Tomamos nossa condução e vamos nos dedicar a vender apartamentos, negociar roupas ou produzir notícias.
E a vida continua.
Os poderosos continuam bombardeando os pequenos.
E continuamos, impávidos, como se não fosse conosco.
Nas próximas eleições elegeremos novos governantes ou reelegeremos os mesmos. Nem nos preocupa que alguns políticos tenham subitamente se convertido ao comunismo, pois assinaram ficha com o partido que herdou a foice e o martelo.
Acreditamos. E seguimos acreditando, votando, trabalhando e merecendo o governo que elegemos.
A culpa ? Não a reconhecemos.
À noite nos divertimos vendo a burrice nacional estampada na televisão, quando nem os universitários chamados por Sílvio Santos conseguem descobrir qual é o plural de “cristão” ou, afinal de contas, o que é mesmo que quer dizer, “axioma”...
Merecemos tudo isto ?
RESPONDA SE FOR CAPAZ... postado por walter em 24/10/01
Proust, o questionário
O escritor Marcel Proust elaborou o seguinte questionário que tem servido para “compreender” as pessoas ao longo deste último século; o jornal francês “L’Express” utiliza-o uma vez por semana, para entrevistar um intelectual e enriquece-o com uma pergunta apenas: “Qual o filme “cult” que elege ?”:
Para você o que é a felicidade perfeita ?
Qual foi o momento em sua vida que mais feliz se sentiu ?
Qual é o traço do seu caráter que menos lhe agrada ?
Vossa ocupação preferida ?
Qual a qualidade que você prefere num homem ?
E em uma mulher ?
Qual o seu maior temor ?
O que você possui de mais querido ?
Qual a figura histórica a que você gostaria de se parecer ?
E a qual herói da ficção ?
Qual é a cor que você ama ?
Qual é o vosso autor favorito e qual o livro de cabeceira, se é que você tem algum ?
Vossos compositores clássicos ou contemporâneos preferidos ?
Pintores favoritos ?
Vosso filme “cult” ?
Quais são os seus heróis na vida real ?
Qual a ária de ópera que você canta (ou gostaria) de cantar no banheiro ?
Vossa bebida favorita, vossa droga favorita ?
Se você tivesse que mudar alguma coisa em sua aparência física, o que você escolheria ?
Que talento você gostaria de ter ?
O que você detesta acima de qualquer coisa ?
Quais são as faltas que mais lhe inspiram indulgência ?
Como você gostaria de morrer ?
Qual é seu o presente estado de espírito ?
Se você tem, qual é a vossa divisa ?
Se você gostou da idéia, da brincadeira (ou será um jogo a sério ? – envie-me sua resposta ou divirta-se com seus amigos.
Jornalismo, tablóides, vespertinos e uma incerta glória... postado por walter em 22/10/01
OLHA A FOLHA
Walter Galvani
Por estes dias falo especialmente para uma turma de Pós Graduação em Jornalismo da PUC/RS, do Professor Antônio Hohlfeldt, grande mestre e experimentado jornalista rio-grandense, com larga tradição e que tem atuado na formação de dezenas e dezenas de profissionais.
O tema escolhido é a “Folha da Tarde”, último grande vespertino de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e que liderou toda uma tendência para o formato Tablóide, embora sem as conotações de escândalo dos londrinos. A linha seguida é a mesma dos jornais argentinos, como o “Clarín”, de Buenos Aires, na certa o jornal de maior circulação da América do Sul e que é tablóide sim, mas sem nenhum cheiro de sangue, a não ser o registro da recente onda de violência que também afeta a capital argentina.
Mas, sobre a “Folha”, prefiro transcrever as “orelhas” do livro publicado pela Editora Sulina em 1996, que escrevi no fogo da “dead line” da edição, sob as vistas do editor Luís Gomes, e do jornalista Kenny Braga que também participou e com muito brilho, do que chamamos “episódio” da Folha da Tarde:
“Fui o último diretor da Folha da Tarde. Coube-me, portanto, a inglória tarefa de fechar a porta e apagar as luzes. Ficou, no fundo do peito, uma enorme amargura de que não me livrei ainda. Talvez, com este resgate histórico que estou fazendo agora, possa começar a encarar em paz a coleção de jornais, os recortes carinhosamente guardados, ou cruzar pelos colegas nas esquinas da vida sem tentar articular explicações e, quem sabe, desculpas.
Passados mais de dez anos do ato final ainda sinto uma grande mágoa e um sentimento de impotência que se enovela como uma serpente adormecida. Perdemos. É o único verbo que me ocorre para situar o que aconteceu com a “Folha da Tarde”, que mantinha indiscutivelmente um caso de amor com Porto Alegre.
Depois do sucesso esplêndido que ela foi, aconteceram tristes momentos de erro, traição e abandono. A morte estava à espreita no dia 16 de junho de 1984, quando o jornal chegava aos 48 anos de circulação.
Mas, foi tal a sua força, que mercou toda a imprensa que até então se fazia no Rio Grande do Sul, e tudo o que veio posteriormente.
Quando a Folha surgiu, em 36, todos os jornais eram grandes, formato standard. Quando ela saiu de circulação já quase todos eram tablóides, que hoje virou marca registrada do nosso estado. Até o “Correio do Povo”, “pai” da Folha da Tarde seguiu seu caminho: é tablóide desde 87.
Vivemos histórias incríveis, momentos consagradores, e atravessamos muitas dificuldades.
Lutamos com a censura e com a incompreensão. Inveja e competição, afinal inimigos naturais, também se atravessaram em nosso caminho.
Mas, perdemos para nós mesmos. As mudanças erradas, a falta de segurança e persistência em nossos propósitos é que trouxeram mesmo a nossa derrota. Apenas apressada pela crise financeira que a empresa viveu. Retomando hoje esta história, a gente sente que faltou um pouquinho de reação, talvez. Da cidade, dos amigos, dos leitores.
Mas, em caso de amor e traição o jeito é ficar com o que resultou apenas. Será que se poderia mudar alguma coisa ? E adiantaria ?”
Spike Lee, o mais famoso cineasta negro norte-americano (autor de “Malcolm X”, “Faça a coisa certa” e “A hora do show”), julgando-se talvez em ação em algum dos seus filmes, concluiu esta semana uma entrevista a um representante da imprensa brasileira (Marilene Felinto, da Folha de São Paulo), dizendo o seguinte:
Lee – Agora eu queria perguntar uma coisa. É verdade que o Brasil está começando uma ação afirmativa (prática de redução da desigualdades motivadas por gênero, raça e origem...) ?
Folha – Acho que estão tentando algo neste sentido. Espero que façam à brasileira, sem imitar a americana.
Lee – Qual seria a diferença ?
Folha – Nossa realidade étnica é diferente. No Brasil nunca tivemos segregação.
Lee – Mas qual é a diferença ? Não há. O racismo é o mesmo.
Folha - Não é o mesmo. Segregação gera ódio. Aqui (nos Estados Unidos) vocês tem ódio uns dos outros, da cor da pele.
Lee - E não é por ódio que somente 2% dos negros freqüentam universidade no Brasil ?
Folha – Isso é diferença de classe social, herança da escravidão, ignorância. É tudo menos ódio.
Lee – E escravidão não é ódio ? É ignorância ?
Folha – Ódio é eu acenar para um taxi em Nova York e o motorista não parar porque acha que sou negra. Isso não aconteceria comigo no Brasil.
Lee – Você está transformando a discussão em questão semântica.
Folha – Você é que está. Eu apenas não concordo com seu ponto de vista. Além do mais, eu freqüentei a Universidade.
Lee – Pois eu quero te dizer que você teve muita sorte.
---X---
Spike Lee, que diz em outro ponto da sua entrevista que não acredita em união de brancos e negros, demonstra duas coisas:
1 – Não conhece o Brasil.
2 – Não sabe o que é semântica.
Não é de estranhar. Muita gente no mundo não entende como foi possível criar uma democracia racial em nosso país, com integração a partir da mestiçagem incrível que se produziu aqui. Agora, um cineasta americano confundir o que é semântica, para disso se aproveitar e criar a confusão na cabeça dos leitores desavisados, é no mínimo desonestidade.
Mas é fácil de compreender isto. Nossa integração racial é invejada globalmente. E tem mais: aqui temos palestinos, hebreus, muçulmanos, católicos, umbandistas, japoneses, chineses, coreanos, brancos, pretos, amarelos, todos convivendo com alegria. Falta emprego mas sobra solidariedade. Percorram as vilas e verão.
Talvez entre a classe média alta e a classe AAA, isto sim, não exista nada mais do que corporativismo classista. Mas, mesmo assim, dá para pensar duas vezes antes de generalizar. Não sou um idiota otimista, tanto que faço o alerta: em breve vão querer jogar uma bomba em nosso entendimento e a segregação, para qualquer lado que for, é o primeiro passo neste sentido.
As leis de reserva de mercado tem que ser protecionistas sem ser exclusivistas. Descubram como fazê-lo. O efeito contrário desta receita é o ódio. O mesmo ódio preconizado pelo Spike Lee, um dos tantos semeadores da violência e da infantilidade intelectual que por vezes beira a demência que não deveria representar a civilização americana, que também tem Orson Welles, Edgar Allan Poe, William Faulkner, Ernest Hemingway, Arthur Miller e tantos outros grandes criadores.
Desde 1993 estava chocando uma versão de que o historiador Francis Fukuyama estava equivocado com a sua tese de que se produzira “o fim da História” e que o mundo partia para o confronto globalizado no “choque de civilizações”. O ovo da serpente era o artigo de Samuel Huntington, publicado no periódico “Foreign Affairs” do primeiro semestre daquele ano, coincidindo com a primavera do hemisfério norte, e que pregava a evolução do que ele denominava “as sete ou oito principais civilizações” e que desembocaria no inevitável conflito entre... o Ocidente e o Islã.
Preconceitos e idéias generalizadoras, pouco científicas e bastante adequadas à apropriação por radicais políticos ou religiosos, embasavam sua tese que avançou no tratamento com a edição em 1996 do seu livro “O Choque de Civilizações”.
Estava portanto em campo a tese para sustentar e justificar qualquer conflito como o que nos deparamos agora, esquecendo-se toda a longa contribuição do Islã para a civilização, a cultura, o progresso da humanidade. Voltamos ao terror e às trevas pós Idade Média, tardiamente eclodidas na Península Ibérica, quando a partir de 1492, justificando o fortalecimento dos aparelhos estatais de Espanha e Portugal, na esteira da expulsão dos mouros.
Toda a cultura mossárabe que tantos sinais de grandeza deixou naqueles dois países ficou esquecida e procurou-se sepultar-lhe a lembrança com a Inquisição e com a perseguição a negros animistas, muçulmanos mouros e cristãos pacifistas. Nada muito diferente do incêndio que se quer atear hoje que poderá queimar uma vez mais a renascente biblioteca de Alexandria ou demolir o que resta dos tesouros culturais representando diferentes comportamentos, visões e posições políticas ou nacionais.
Como afirma o intelectual palestino Edward Said, o tal “choque de civilizações preconizado é um truque”. Diz ele: “São tempos tensos estes que vivemos, mas é melhor pensarmos em termos de comunidades poderosas e impotentes, da política secular da razão e da ignorância e os princípios universais da justiça e da injustiça, do que nos perdermos na procura de abstrações vastas que podem conferir satisfação temporária, mas pouco autoconhecimento ou análise fundamentada.”
Já no início de 1999, no semanário “Dawn”, do Paquistão, falando para um público muçulmano, o intelectual Eqbal Ahmad alertou para a deturpação do Islã cometida pelos extremistas, “por absolutistas e tiranos fanáticos cuja obsessão em regulamentar o comportamento pessoal promove uma ordem islâmica reduzida a um código penal.” Palavras que fazem pensar e que nos remetem a tantos episódios desastrosos no Oriente. Mas também aqui a Ocidente, onde os descendentes dos “Pilgrims” querem impor “a sua” visão do mundo e seu maniqueísmo zoroastriano, dividindo o mundo em o Bem e o Mal, “os que estão conosco e os que estão contra nós”.
O terrorismo é uma doença a ser erradicada. Mas não o será com o exorcismo. Não existe um demônio, um diabo como o querem alguns setores fundamentalistas cristãos o que se me afigura ignorância pura ou “burrismo”. Este é um neologismo que inventei agora: burrismo é deixar-se guiar como um pobre animal de tração, só capaz de zurrar ou dar coices e obedecer ao dono.
Um mergulho na História sempre é muito elucidativo, mesmo que se fique apenas na listagem de datas. Ajuda a pensar um pouco. Por exemplo: o dia 18 de outubro é assinalado por vários e curiosos fatos, sendo que o primeiro deles ocorreu em, 1685, quando o rei Luís XIV, da França, um legítimo monarca absolutista, revogou o Édito de Nantes, que garantia a liberdade religiosa dos huguenotes, protestantes franceses que reivindicavam sua autonomia e seu pensamento diferente dos demais cristãos gauleses.
É sempre assim. Foram logo depois massacrados na Noite de São Bartolomeu, a 24 de agosto do ano seguinte.
Em 1887, a Rússia, um império pobre e necessitado de dinheiro, vendia o território do Alaska para os Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares...
E em 1989, caía o governo comunista da Hungria, o mesmo que havia liquidado com os desejos de pluralidade política manifestados em 1956, portanto 33 anos antes. O longo inverno magiar durou pois, desde o final da guerra até 89.
Em 1931 morria Thomas Alva Edison, o inventor americano responsável pelo desenvolvimento da lâmpada incandescente que tanto iluminou a civilização mundial. E também o telégrafo que ajudou as comunicações e o fonógrafo, que serviu para o registro e arquivo de vozes famosas que se teriam perdido, como a de Enrico Caruso, por exemplo.
São datas colhidas ao acaso, mas que coincidem neste 18 de outubro curiosamente, fazendo lembrar fatos e feitos.
Principalmente nestes tempos de envelopes com pó branco e torres alvejadas por aviões desviados dos seus objetivos básicos.
E também da Humanidade distraída do seu dia-a-dia, da fome do mundo e da necessidade de estudar, ler e crescer, brincando de guerra e matando seus semelhantes.
Ridículo. E triste.
Lamentável, melhor dito.
QUEREMOS PAZ E PROGRESSO INTELECTUAL postado por walter em 11/10/01
Para não dizer que esquecemos, no calor dos combates, o mal causado à Humanidade pelos Talibans.
CRIME CONTRA A HUMANIDADE
Walter Galvani
Ao longo dos séculos o obscurantismo esteve sempre ligado às grandes religiões e suas lutas pelo poder. O cristianismo, até se impor como religião praticamente única do Ocidente, cometeu as maiores atrocidades contra o homem e contra a civilização. Nem é necessário recordar os crimes da Inquisição da Igreja Católica ou o que foi feito contra os judeus, ou contra os huguenotes, enfim, a História está repleta de exemplos.
O fanatismo religioso, quase sinônimos ao longo dos tempos, é sempre um fantasma que volta a assolar o planeta.
Desta vez é o Taliban, que domina 95 por cento do Afeganistão ou as guerras étnicas (que também são religiosas, haja visto o caso do Timor) na Indonésia.
Em seus crimes contra a civilização o Taliban nem sequer hesita em destruir esculturas do século V, verdadeiras preciosidades que deveriam estar tombadas pelo Patrimônio Mundial e protegidas pela UNESCO, só porque elas representam Buda, adversário religioso cujo culto eles querem liquidar.
Temerosos de algum tipo de retaliação, assistimos mudos e impotentes porque ficamos mudos e paralíticos diante de tal monstruosidade.
As tropas que representam o Taliban estão usando tanques, lança-chamas, mísseis até, para destruir um passado que temem. Desta vez é em nome do Islamismo. Será que Maomé pensava assim ? Alá concorda com isto ? E a ONU, de braços cruzados, assiste.
O mundo globalizou-se mas globalizou-se para tudo. Um atentado destes à cultura, um crime contra a Humanidade, não pode continuar se produzindo enquanto, inermes, ficamos sabendo pelos meios de comunicação e nada fazemos.
Este é um legítimo caso de intervenção da ONU, suspensão de qualquer ajuda econômica do Banco Mundial. Agora, como os talibans são muçulmanos, será que o medo nos impede de agir ? Temor de que os países árabes subam o preço do petróleo ? Mas, será que os árabes apoiam tal atitude destes selvagens ?
Não vamos chegar a alcançar a utopia que sonhamos, é certo, mas pelo menos podemos usar as armas de que dispomos, nós que representamos uma herança cultural duramente acumulada e que já passou por todas as provas e testes, que já enfrentou inclusive até bem pouco tempo procedimentos semelhantes, nós que já vivemos o fanatismo religioso, o fascismo, o nazismo, o comunismo, enfim todas as manifestações de intolerância e racismo, de segregação e preconceito, de militarismo, ditaduras, tudo enfim, temos obrigação de agir em nome da Justiça, da Lei, da Ordem, da Inteligência, da Humanidade enfim.
Nada de ficar calados. Lembram da história ? “Um dia vieram buscar meu vizinho e eu fiquei calado; depois buscaram meu primo e eu nada disse. Depois vieram buscar meu filho e eu nada fiz. Depois, chegou a minha vez...”
Antes que chegue a nossa vez, vamos lutar.
Protestem, gritem, telefonem, passem mails, falem, façam com que todo mundo fique sabendo desses crimes e conheçam a nossa inconformidade.
É o que podemos chamar de civilização, é o que o mundo espera de nós, isto sim pode se chamar de globalização. Da consciência, não apenas do comércio ou da indústria.
(Crônica publicada quando da destruição dos budas pelo regime taliban, no início do ano 2001)
TOLERÂNCIA postado por walter em 10/10/01
AFEGÃOS EM PORTO ALEGRE
Walter Galvani
Não estranhem se os afegãos vierem ao próximo Forum Social de Porto Alegre que acontecerá de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Primeiro será preciso saber se eles sobrevivem como nação independente ao bombardeio anglo-americano (porque será que Tony Blair faz questão de aparecer no primeiro plano ?) e à possível tomada de poder pela Aliança do Norte, em lugar dos talibans, e o que isto significará.
Mas não será de todo improvável a presença deles na capital do Rio Grande do Sul. Tenho certeza de que o prefeito Tarso Genro já pensa nunca. Mas não se assustem. O sentido maior é um só. Porto Alegre não se opõe a Davos e tampouco Davos se opõe a Porto Alegre. Foi preciso que o pensamento claro e equilibrado do presidente da Confederação Helvética e o envio de uma delegação suíça à Porto Alegre para que houvesse um pouco de tranqüilidade na apreciação dos fatos gerados pela conferência promovida aqui. Ambas se completam e é neste diálogo que acreditamos. É bom analisar isto agora, depois dos fatos do início do ano de 2001.
Sob o ponto de vista prático o Fórum Social Mundial é uma iniciativa irrepreensível. Botou Porto Alegre no mapa do mundo e está promovendo durante estes dias, uma reflexão que não é habitual na cabeça das pessoas, mais preocupadas habitualmente com “os laços de família” e os ronaldinhos do que propriamente com o que de fato lhes diz respeito diretamente. Ou seja: preferem a fuga à realidade, a enfrentá-la ou discuti-la. Sai mais barato, no início. A longo prazo, muito mais caro... Mas é o que é. Isto também é subdesenvolvimento. Ou melhor: isto é que gera o subdesenvolvimento.
Não haveria espaço aqui para relacionar tudo o que é importante e que esteve em debate em Porto Alegre e também em Davos. Se são ângulos diferentes, melhor ainda. Detesto unanimidades de pensamento.
Só exercitar o cérebro vale a pena, mesmo que seja ao som de tambores e sob o balançar de bandeiras – o que historicamente tem se mostrado no mínimo perigoso – mas trocar idéias, não importa quem saia ganhando... é tudo o que se exige no século XXI.
Estamos caminhando para uma nova Renascença e contra ela se erguerão, como ocorreu nos séculos XV e XVI, todas as forças da ignorância, da reação conservadora e do despotismo político, do fundamentalismo e da intolerância.
Pensem no tamanho de desafios como “construir um sistema de bens e serviços para todos”, “traduzir o desenvolvimento científico em desenvolvimento humano”, “fortalecer a capacidade de ação das sociedades civis e a construção do espaço público”, e examinar “quais são os fundamentos da democracia e de um novo poder”, com limites naturalmente.
Aliás, Davos responde bem: entre os seus “slogans” está o exame da “construção de uma sociedade para o século XXI limitada por regras e não por poderes.” Só isto já valeria a pena para contrapor a capital dos pampas com a cidade suíça. Não é uma guerra de potências nem tampouco um jogo de futebol., Apenas uma forma de enfiar no queijo suíço das cabeças humanas, um pouco mais de maça cinzenta, aproveitando aqueles buracos característicos que parecem fendas geológicas.
Mesmo a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e de representações de ditaduras revolucionárias como a de Fidel Castro em Cuba ajuda a refletir e abrir espaços de compreensão.
A criação de um entendimento global, o estabelecimento dos espaços nacionais dentro do tabuleiro mundial, a aceitação das questões regionais nos territórios nacionais e dos compartimentos locais nas estruturas regionais não é apenas um jogo de palavras. É um imenso projeto que precisa vencer preconceitos e limitações. Estabelecer regras. Por exemplo: vencer aos nacionalismos e as limitações e estabelecer o controle populacional no mundo todo. O planeta está lotado. Lugar agora, só com reserva antecipada.
A menos que se aumente a sua capacidade habitacional com a descoberta de novas fontes de energia e recursos limitados. Como a água, por exemplo.
TERRORISMO postado por walter em 09/10/01
O MASSACRE DO MIRI
Walter Galvani
Mudam os tempos, mudam os costumes. Mudam os motivos, mudam as conseqüências. E até onde vai a crueldade ? E o chamado terrorismo ? Mas a História é implacável. Foi a 3 de outubro de 1502. Anotem:
“Quando Vasco da Gama trouxe ao rei a notícia de todo o problema relativo ao barco “Miri”, ocorrido na sua viagem de ida, um ano antes, pode-se imaginar a preocupação de Dom Manuel. Bastaria para deixá-lo possesso apenas pensar qual seria a reação do Papa, uma das conseqüências daquela incomodação que lhe enviavam os céus. Correra muito na frente do mais veloz dos barcos que voltavam da nova viagem ao Oriente a notícia das atrocidades cometidas sobre o navio mercante, praticamente indefeso, que transportava peregrinos regressando de Meca. Agora, segundo a notícia de Gama, o Soldão, soberano do Egito, ameaçava converter à força ao islamismo todos os cristãos que fossem encontrados no Oriente e destruir o Santo Sepulcro. Tratava-se de assunto sério por demais, mexia com todos os países cristãos da bacia do Mediterrâneo e dos mares do Norte, tocava num delicado equilíbrio político e condenava os povos da África e da Ásia ao rompimento com o cristianismo.
O “Miri” era um grande barco que tivera a infelicidade de se encontrar na rota dos portugueses, voltando de Meca, para onde levara muçulmanos ricos com suas famílias para a tradicional peregrinação religiosa. Uma nau imensa, poderosa, que resistira ao ataque dos rumi, como chamavam os cristãos, mas afinal tivera de render-se.
Vasco da Gama comandara o assalto final, pessoalmente: o bombardeamento, o incêndio e o afundamento. O sangue dos peregrinos, as suas jóias e o seu ouro, tudo havia sumido nas águas do mar. O dia 3 de outubro de 1502 marcara a viagem de ida do almirante, como uma impiedosa e sangrenta jornada, jamais esquecida. Tomé Lopes, o escrivão que ia a bordo da nau de Estêvão da Gama, adiantou em Lisboa o relato do episódio, sobre o qual escreveria mais tarde:
“As mulheres tentavam desesperadamente demover os portugueses. Colocavam-se na amurada da embarcação, exibindo grandes ornamentos em ouro, prata e pedras preciosas. Gritavam em alta voz e chamavam o almirante, agitando a cabeça e mostrando que lhe entregariam tudo, se ele quisesse salvar-lhes a vida. Algumas pegavam seus filhos de pouca idade e erguiam-nos nos braços e todos nós compreendíamos que elas nos pediam para termos piedade daqueles inocentes.”
Os que morreram poderiam agradecer por isso, porque assim escaparam à tortura de terem arrancados seus narizes e orelhas e se transformarem em destroços humanos, a maioria deles comida por peixes, pois ao mar eram atirados como carga inútil. Os poucos que foram poupados logo foram batizados como cristãos. Garantia-se que não eram mais do que 16 crianças.”
Do meu livro “Nau Capitânia”, 5ª edição pela Record, páginas 241 e 242.
Não estamos falando sobre as Cruzadas sequer, mas sim sobre a segunda viagem às Índias, do glorioso almirante português, Vasco da Gama. Quando apresentei meu livro em Lisboa no ano passado, um repórter disposto perguntou-me: “Quer dizer que o senhor acusa Portugal de haver promovido um massacre de muçulmanos em 1502 ?”
Resposta: Sim.
Em tempo: o texto foi mantido intacto na edição portuguesa feita pela Editora Gradiva. Graças à Deus, Jeová e Alá, naturalmente.
postado por walter em 08/10/01 MANHATTAN, UMA OUTRA TRAGÉDIA
Walter Galvani
Uma leitora da revista “Visão” de Lisboa, residente no interior de Portugal, assim se dirigiu ao veículo, que não teve pejo de publicar a carta na edição de 27 de setembro:
“Este acontecimento mais uma vez mostrou como é má a informação que recebemos e que mais se pode designar de desinformação. É incompleta, tendenciosa e repetitiva. Incompleta, porque apenas foca determinados assuntos ou aspectos da questão, deixando certos espaços deliberadamente em branco. Tendenciosa, porque vem filtrada por preconceitos cristãos e que agradam à idéia NATO e à idéia União Européia (UE). Repetitiva, porque em todos os noticiários da televisão e da rádio e em todos os jornais (em vários países da UE), repete estupidamente a mesma notícia da mesma maneira, por vezes durante 15 dias. Neste caso interessava-me saber qual é o perfil psicológico dum terrorista assassino. O fanatismo muçulmano não explica tudo. Será que há pressões sociais ? Será que há uma espécie de mafia que obriga esses homens a atuar assim ? Será que a miséria é tanta que uma vida humana não tem valor ? E mesmo se for o fanatismo, quais são exatamente os ideais que levam a tais atos ? Será que todos os familiares se orgulham daquele suicídio ? Como pensam os intelectuais desses países sobre os ataques suicidas ? Outra questão que os media cuidadosamente evitaram: como funcionou a segurança das duas torres ? Foi por escadas, elevadores, corredores que se evacuaram as pessoas ? As saídas previstas foram suficientes, funcionaram bem ? Havia erros de construção ? E a estabilidade dos edifícios, preencheu as expectativas ou era deficiente ? Será que todos os prédios altos caem com o embate de uma aeronave ?” Anabela Cudell – Montemor-o-Velho.
Acrescentaríamos às pertinentes observações desta leitora atenta e telespectadora crítica de meios de comunicação realmente insuficientes que depois da tragédia verificou-se ainda uma nova tragédia que se aprofunda todos os dias. As pessoas não encontram respostas para suas indagações porque há interesses maiores que se conjugam para não proporcionar estas necessárias explicações. Ninguém conta, por exemplo, que um bombardeio B-25, armado, carregado e tripulado, embateu contra o “Empire State Bulding” em 28 de julho de 1945, que era então o maior edifício dos Estados Unidos (agora é de novo o mais alto de Nova York...) entre os andares 78 e 79 e nada aconteceu, a não ser os danos imagináveis e um incêndio logo controlado, com o deficit de 14 vidas humanas. Ninguém explica também como foi feito o acesso a estes aviões agora usados como bombas e que o controle de segurança dos aeroportos americanos era feito pelas próprias companhias aéreas... E nós aqui não conseguimos entrar numa agência bancária portando um aparelho celular... Sem falar nas demais indagações perfiladas: onde o fanatismo religioso e ou político ainda é capaz dos estragos que vemos todos os dias, tanto no Oriente Médio quando na Irlanda ou nos Países Bascos, sem falar nos perigosos intervalos de aulas nos Estados Unidos, onde surgem terroristas legitimamente norte-americanos dispostos a liqüidar crianças à base de metralhadora.
Há carros-bombas por toda a parte, mas o mais perigoso carro-bomba é o que carrega o inconformismo humano com a desigualdade social, a pobreza irresgatável e a brecha entre o conhecimento e uma possível ascensão social; a inutilidade dos esforços vãos diante dos anúncios de prosperidade e dos bens de consumo inatingíveis, mostrados diariamente mesmo nos mais humildes barracos naturalmente equipados por um aparelho de TV. A ignorância faz o resto. A insegurança das ruas, as drogas e as armas em mãos de psicopatas completam o panorama da guerra diária que vivemos.
Não sinto nenhuma alegria neste dia seguinte ao 7 de outubro em que os mísseis começaram a falar sua linguagem. Não há mais tempo para negociações, ou melhor, talvez daqui a pouco sentem-se à mesa, sob o troar dos canhões, como bem recomendou no Século XIX, Napoleão Bonaparte. Será a hora da diplomacia. Com as primeiras perdas e com a avaliação do estragos, conversarão sobre a continuidade ou a interrupção das chamadas “hostilidades”.
Será também a hora de contabilizar os primeiros mortos, os estragos causados no território afegão e, neste caso, comparar intimamente com a destruição das duas torres de Nova York. Valeu a pena ?
A Cruz e o Crescente estarão em confronto ? Todos os líderes religiosos fazem questão de rejeitar esta hipótese. Não é uma guerra religiosa, mas é um confronto de civilizações, e tanto o atentado de 11 de setembro quanto a resposta de 7 de outubro, demonstram o quanto é difícil para o Homem conviver com as diferenças.
Negros, brancos, amarelos, vermelhos, tostados pelo sol do deserto ou pálidos pela vida em ambientes fechados das altas latitudes do Hemisfério Norte, sábios ou ignorantes, cientistas ou rudes trabalhadores de minas insalubres, embora todos tenham cabeça, tronco e membros, usem uma linguagem para comunicar-se e assistam os mesmos horrendos programas de televisão, filmes ridículos de “cinema-catástrofe” ou leiam os mesmos panfletos, cada qual incentivando à morte gloriosa pela Pátria, sob o som de hinos diferentes, mas que produzem a mesma fixação, o mesmo arrojo.
Para quê ?
Alguns milhões serão gastos no confronto desigual e daqui a pouco as diferenças terão sido aprofundadas. Lamentaremos mais alguns milhares de mortos (ou milhões...) e por certo rezaremos hipocritamente a Deus.
Aliás, não é de hoje que as religiões rezam um “Te Deum” de agradecimento por uma vitória dos seus exércitos, com a destruição dos inimigos e naturalmente dos alvos civis, da população do adversário e de sua economia (o que significa empobrecimento, morte, miséria). Não poucos ditadores e usurpadores foram coroados no interior de igrejas, mesquitas ou o que mais. Comecemos pelo próprio Napoleão, século XIX, nem tão distante na história.
Será que o Deus dos cristãos, o Alá dos árabes ou o Jeová dos judeus, se é que existem além das suas mentes, é injusto e capaz de abençoar a guerra, a morte, o terror ?
Prefiro pensar que, certos ou errados, são todos meus irmãos e que é preciso que se estendam pontes e não se destruam torres.
Adeus, Salam Aleikun, Shalon!
Concordam ? Discordam ? Que a paz esteja em nossos corações. Mas com a aceitação plena das diferenças, das divergências, das incertezas, da insegurança, dos desvios de comportamento ou dos erros de conduta. Esteja onde esteja.
Em tempo: Porto Alegre não é uma cidade de caipiras. Ah, ser caipira não é ofensa...
Ofensa é pensar que todos devem afinar pelo pensamento único. O seu.
Mas, leiam isto:
Hazem Saghyeh, intelectual árabe, publica no jornal “Al-Hayat” em Londres:
“O intelectual deveria ser o que contradiz sua nação, seu exército, sua igreja, as instituições nacionais”.
E Edward W. Said:
“O debate crucial é o que tem lugar dentro do mundo árabe. Ali está a batalha, não em Nova York.”
E acrescenta:
“Devemos discutir a intolerância, estabelecer o diálogo das culturas, a luta civil, a liberdade de expressão e a censura, a verdade e a reconciliação (...) e em especial o papel simbólico do escritor como um intelectual que dá o seu testemunho da experiência de um país ou de uma região, conferindo com isto a esta experiência uma identidade pública inscrita para sempre na agenda de debates global.”
walter@cpovo.net
Porto Alegre, 8 de outubro de 2001
O RÁDIO NO ESPAÇO WWW postado por walter em 05/10/01
Walter Galvani
Divido religiosamente meu dia entre a atividade literária e a jornalística. Metade por metade, fico em casa até o início da tarde e a partir das 15h30min estou “no ar” por 50 minutos na Rádio Guaíba AM, 720 kHz, falando de cultura e lazer.
Mas durante 24 horas a Rádio Guaíba, que em 1961 celebrizou-se internacionalmente ao liderar a chamada “cadeia da Legalidade” que ajudou a garantir a posse do vice-presidente João Goulart desafiando um golpe militar em andamento, acompanha o que se passa em sua cidade sede, Porto Alegre, no Brasil e no mundo.
A página da Rádio Guaíba pode ser acessada a qualquer momento, portanto você pode ouvi-la via Internet, no endereço www.radioguaiba.com.br ou www.guaiba.com.br
São duas direções, para facilitar a sintonia.
O programa que apresento, “Guaíba Revista”, de segunda à sexta-feira, das 15h30 às 16h30, vai ao ar ao vivo.
A Rádio Guaíba transmite sínteses noticiosas e a qualquer momento a notícia urgente irrompe em sua programação, mantendo o ouvinte sempre atualizado com o que ocorre.
Além disso mantém uma longa tradição de transmissões esportivas que a transformam numa emissora de referência também nesta área, naturalmente com a ênfase no futebol, uma paixão dos brasileiros. E de todo o mundo...
Infelizmente o pior aconteceu, instalando-se a paranóia mundial. Se você fizer uma enquete entre os seus amigos ou uma pesquisa científica através de uma agência especializada, obterá o mesmo e lamentável resultado: as pessoas estão com medo de viajar de avião. E mais: as pessoas estão com medo de viajar. Ainda pior: muitos estão com medo de sair de casa. E o que é pior, há os que estão com medo de ficar em casa.
Se alguém me perguntasse qual será a profissão mais lucrativa do século XXI, responderia imediatamente que a de psiquiatra. Haverá falta de analistas, mas também de terapeutas, de psicólogos e de enfermeiros, enfim de tudo o que se referir à saúde mental.
Mesmo que o terror tenha uma resposta, isto não elimina outros terrores e outros terroristas, outros medos profundos e simples temores.
A população mundial – e desta vez o mal foi globalizado inexoravelmente – está apavorada. Ninguém aponta uma saída e a pergunta é: que saída seria esta ?
A humanidade adoeceu.
Também, o que se poderia desejar ? De materialismo em materialismo, de excesso em excesso, de transbordamentos e transgressões, de exageros e hipocrisias, crimes e despautérios, de aventuras psíquicas desorientadas e fanatismos religiosos, políticos, de experimentações e clones, o homem foi pretendendo transformar-se em árbitro e deus.
Todos demos com os burros nágua.
Quem sabe mergulharemos numa negra “idade média” que não tem nada a ver com a Idade Média tão injustamente vilipendiada e criticada ?
Respostas para walter@cpovo.net
Nau em Florianópolis postado por walter em 02/10/01
“NAU CAPITÂNIA”, AUTÓGRAFOS
DE GALVANI EM FLORIANÓPOLIS
Dois anos depois do lançamento, o livro “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, em quinta edição pela Record (Rio de Janeiro) levou o escritor Walter Galvani á Florianópolis, para uma sessão de autógrafos na 2ª Bienal do Livro do Conesul e 16ª Feira do Livro.
Na seção “Estante”, no caderno “Variedades” do jornal “Diário Catarinense”, o escritor e jornalista Mário Pereira registrou o acontecimento, assinalando que se trata “de uma obra de fôlego, amparada em pesquisa durante a qual o autor mergulhou nas melhores fontes, que amplia e aclara a história e o papel de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, aqui enfocado não apenas como um navegador do ciclo dos Descobrimentos, mas também um verdadeiro e completo homem da Renascença.”
Mais adiante opina Mário Pereira:
“Ressalte-se não ser este o trabalho de “um curioso” ou de um simples compilador (como tantos há que foram produzidos no embalo das comemorações do quinto centenário do Descobrimento), mas de um estudioso que a ele se lançou por inteiro e percorreu meio mundo para documentar sua obra.”
E conclui:
“Galvani não só redimensiona a figura histórica de Cabral como também atualiza os conhecimentos sobre a cultura renascentista portuguesa, da qual o descobridor foi um dos mais brilhantes expoentes.”