Entre os livros mais procurados da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, figurou o meu primeiro romance, o "Anacoluto do princípio ao fim". Ele está exposto, em toda a sua leveza e inquietação. Preciso saber se ele é sólido, se veio para ficar. Ou se apenas se desmancha no ar... postado por walter em 20/11/03
“ANACOLUTO
DO PRINCÍPIO
AO FIM”
Walter Galvani
A propósito do meu primeiro romance, comecei a receber manifestações de leitores, companheiros de profissão, ao mesmo tempo em que se produziam as primeiras críticas. Com isso, surgem as questões, levantam-se as dúvidas e se anotam observações. Algumas bastante instigantes, outras motivadas apenas por detalhes, tidos como pitorescos ou superficiais.
Mas, o mais surpreendente, como autor, tem sido verificar que o personagem é tratado pelo nome, pelo seu contundente e estranho nome, o “Anacoluto”, como se vivo fosse, como se fizesse parte do nosso dia-a-dia.
Talvez seja esta a mais sedutora manifestação, por isso não estranho, quando me tratam na rua, como se fosse pai, irmão ou algo do gênero... Há casos de me responsabilizarem por seu comportamento e, noto, ele desperta paixões.
Esta tem sido, para mim, a mais surpreendente faceta deste personagem. Ao invés de provocar um debate sobre seu comportamento, inspira pena, dó, ódio ou compaixão, ele acaba sendo aceito como um ser real, um participante da nossa comédia (ou tragédia) de todos os dias.
Dia destes, perguntaram-me sobre seu signo. Bem é de Gêmeos, nasceu a 10 de junho de 1937. Mas, será mesmo?
“Nesse caso – responderam-me – o ascendente, qual é ?”
Viajei “com ele” à Pelotas, terra onde residiu durante muitos anos (ou páginas do livro) e lá fiz sua apresentação na maravilhosa Biblioteca Pelotense. Deixei um volume autografado para os leitores que não o possuem ou que, no primeiro momento, não pudessem comprá-lo.
Foi incrível passar pelas ruas, ir à rua XV de Novembro, tomar um café no “Aquarius”, comprar doces numa confeitaria, sabendo que são locais que “ele” freqüentou. Incrível sentir o cheiro, o ar da cidade, conversar com as pessoas que o teriam, talvez, conhecido. E quando fui ao restaurante “Veneza”, instalado no antigo prédio de uma residência de um ilustre industrial da área da carne, depois sede do Clube Comercial, senti o hálito e a aura do “Anacoluto” por ali transitar.
Estou ainda fazendo a catarse da minha visita, que se deu exatamente na metade da Feira do Livro, tanto em Pelotas quanto em Porto Alegre. Acho que “ele” escolheu aquele momento para me rever e a sua cidade.
Ainda não sei qual a opinião “dele” sobre sua biografia.
Ontem à noite, a revista "Press Brasil". que se edita em Porto Alegre mas tem circulação nacional, apresentou os ganhadores dos seus prêmios anuais de destaque em Imprensa. postado por walter em 19/11/03
“SI VIS PACCEM, PARA BELLUM”
Walter Galvani
O presidente americano George Bush, se soubesse latim, estaria dizendo “Si vis paccem, para bellum”, mas ele provavelmente imagina que estas duas últimas palavras se referem à uma arma automática conhecida como “parabela” e que, naturalmente, tem origem nessa expressão latina. Mas, ele não sabe. O que ele sabe, e isso sabe bem, é que é preciso estar armado até os dentes se a intenção for dominar o mundo.
É isso, na verdade, o que ele quer dizer quando chega à Inglaterra, como convidado oficial do governo inglês, levando o transtorno do incômodo de sua presença e o custo de 18 milhões de euros que a prefeitura londrina quer repassar ao primeiro ministro Tony Blair.É muito caro, não vale a pena, ou seja, a relação “custo-benefício” não é favorável aos anfitriões do presidente americano.
Enquanto isso um dos famosos tablóides londrinos que fizeram a fama com o jornalismo de denúncia, às vezes puramente sensacionalista, infiltrou um repórter no quarto destinado a Bush no Palácio de Buckingham, para provar a falta de segurança e controle.
A Al Kaeda na certa não sabia disso, caso contrário teria feito algo do gênero, com um homem-sanduiche-de-bacon-bomba, ou então através de um “ham-and-eggs” envenenado...
O fato é que teremos de ouvir, mais uma vez, a arenga belicista de George Bush, que já antecipou o que pretende dizer na Inglaterra: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Mas, “If you want peace, prepare yourself for the war”, não soa bem, não é verso de Shakespeare, que provavelmente teria outra inspiração e o latim, latinos, latino-americanos, “cucarachas” em geral, e caribenhos, cubanos e árabes, muçulmanos, iraquianos, apesar de constituírem metade do mundo, não são do agrado dos senhores da guerra, no momento.
“Yes, nós temos petróleo”. Mas o comprador é que faz o preço.
Ontem à noite, a revista "Press Brasil". que se edita em Porto Alegre mas tem circulação nacional, apresentou os ganhadores dos seus prêmios anuais de destaque em Imprensa. postado por walter em 19/11/03
“SI VIS PACCEM, PARA BELLUM”
Walter Galvani
O presidente americano George Bush, se soubesse latim, estaria dizendo “Si vis paccem, para bellum”, mas ele provavelmente imagina que estas duas últimas palavras se referem à uma arma automática conhecida como “parabela” e que, naturalmente, tem origem nessa expressão latina. Mas, ele não sabe. O que ele sabe, e isso sabe bem, é que é preciso estar armado até os dentes se a intenção for dominar o mundo.
É isso, na verdade, o que ele quer dizer quando chega à Inglaterra, como convidado oficial do governo inglês, levando o transtorno do incômodo de sua presença e o custo de 18 milhões de euros que a prefeitura londrina quer repassar ao primeiro ministro Tony Blair.É muito caro, não vale a pena, ou seja, a relação “custo-benefício” não é favorável aos anfitriões do presidente americano.
Enquanto isso um dos famosos tablóides londrinos que fizeram a fama com o jornalismo de denúncia, às vezes puramente sensacionalista, infiltrou um repórter no quarto destinado a Bush no Palácio de Buckingham, para provar a falta de segurança e controle.
A Al Kaeda na certa não sabia disso, caso contrário teria feito algo do gênero, com um homem-sanduiche-de-bacon-bomba, ou então através de um “ham-and-eggs” envenenado...
O fato é que teremos de ouvir, mais uma vez, a arenga belicista de George Bush, que já antecipou o que pretende dizer na Inglaterra: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Mas, “If you want peace, prepare yourself for the war”, não soa bem, não é verso de Shakespeare, que provavelmente teria outra inspiração e o latim, latinos, latino-americanos, “cucarachas” em geral, e caribenhos, cubanos e árabes, muçulmanos, iraquianos, apesar de constituírem metade do mundo, não são do agrado dos senhores da guerra, no momento.
“Yes, nós temos petróleo”. Mas o comprador é que faz o preço.
O Rio Grande do Sul sempre foi lider em educação. A reforma da Previdência, por incrivel que pareça, é a mais nova ameaça sobre o setor postado por walter em 18/11/03
PROFESSORES
Walter Galvani
Não há profissão mais digna, e igualmente, profissão mais mal remunerada do que a de professor, e falo, de saída, dos humildes mestres de primeiras letras. O salário que se paga a estas moças (por que a maioria é de mulheres) é ínfimo e vergonhoso para a sociedade.
Assim mesmo, são muitas as vagas, pois a ameaça da reforma da Previdência, fez com que se acelerassem os pedidos de aposentadoria. É natural, diante disso que pesa sobre quem se dedicou tantos anos a ensinar, educar os filhos dos outros, mesmo recebendo pessimamente por este trabalho grandioso e fundamental.
Muitos mestres entram com seus próprios salários para contribuir para a melhora das aulas, levando livros, recortes, computador, xerox, tudo, de casa, tirando de seus recursos, devolvendo ao estado parte do pouco que ganham. Sem falar no amor e na dedicação que eles dão às crianças.
É triste. Mas, o estado corre agora atrás da máquina procurando suprir os milhares de postos vagos. Andam perto de 5.000. Gente há, apesar de tudo, apesar dos 250 reais iniciais, para ocupar as posições, mas a coisa vai devagar porque é muito complicado, a máquina burocrática emperrada anda lentamente e , tomem nota, muitos alunos ficarão sem professor no começo do ano letivo próximo. Isso se o governo gaúcho não conseguir multiplicar sua velocidade. Esforços há, consciência do problema, isso há, o secretário José Fortunatti é o maior denunciador da situação.
Em minha opinião, o salário destes professores deveria ser multiplicado por dez. Isso é impossível. Ao menos por três. Ou, realisticamente, aceito, para começar, por dois.
Em Zero Hora do dia 16, último dia da Feira, foi publicado este artigo do Patrono: postado por walter em 17/11/03
LIVROS DE AJUDA
Walter Galvani
Parece que a Feira do Livro deste ano deixa uma lição que, se ainda não havia sido captada em edições anteriores, encaixou-se com precisão nos resultados que as pesquisas apontam e confirmam. Não se separa mais, com a justeza matemática de outrora, o que é ajuda ou auto-ajuda, se é que se pode classificar assim, e ensino profissional ou literatura, ficção e não ficção, história ou divulgação. O século vinte se encarregou de extinguir as velhas e dogmáticas fronteiras e este vinte e um, que apenas começa, orienta a decisão para o interior da própria cabeça de cada leitor. Quem disse que é preciso classificar efetivamente algo como “auto-ajuda”, como se não fossem, todos os livros, afinal de contas, auto-ajuda? Aprende-se mais sobre as guerras napoleônicas lendo Tolstoi ou Stendhal do que mergulhando em determinados compêndios de história oficial. Os estreitos limites entre a ficção e a ciência vão sendo dinamitados lentamente pela compreensão mais ampla que a leitura de grandes autores pode trazer. Mesmo escrevendo antes, Kafka fez mais pelo retorno da liberdade individual e pela compreensão da monstruosidade burocrática do império soviético do que todos os que tentaram politicamente explorar o fenômeno.
E é sobre os destroços destas rígidas leis, atomizadas pela moderna compreensão da leitura, que se deverá trabalhar para a construção da próxima edição da Feira, aquela que marcará o cinqüentenário da instituição. Também sobre isso, sobre esta afirmação aparentemente despretenciosa contida aqui: é uma instituição, não é mais a simples repetição de uma feira de livros, seja ela vista como a sagrada propagação da leitura, a valiosa aproximação dos leitores ou a celebração anual de um hábito que nos distingue e projeta – que se deverá trabalhar.
Ao chegar aos seus cinqüenta anos, meio século na história de uma cidade que não chegou aos trezentos anos, a Feira não é mais uma simpática iniciativa de livreiros e editores que ousaram trazer o livro à praça. Enraizou-se de tal maneira na própria “Alfândega” que, como os jacarandás e os ipês, o monumento ao general que pregou a queima dos arsenais e a pobreza que sempre vicejou entre seus canteiros, junto com a riqueza arquitetônica do seu entorno, tornou-se insubstituível, irremovível e indiscutível. Ah, e saibam: a próxima será ainda melhor do que esta que está chegando hoje ao fim.
Esta crônica está publicada na edição de hoje do "ABC DOMINGO", jornal do Grupo Editorial Sinos, que circula na região metropolitana de Porto Alegre postado por walter em 16/11/03
PONTO FINAL
Walter Galvani
Neste domingo, coloca-se um ponto final na 49a. Feira do Livro que nasceu com a denominação de “Feira do Livro do Rio Grande do Sul” em 1955, quando começou, passando a gerar suas “filhas” por todo o estado, ao longo do tempo, inclusive em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas, Sapiranga, Estância Velha, Dois Irmãos, Morro Reuter, Gravataí, Cachoeirinha, Alvorada e Guaíba. Percorro minha infância e adolescência, redescubro os caminhos que cumpri quando jovem e como adulto, meus anos de início de carreira jornalística e vou deparando com os marcos que foram assinalando minha passagem. Lembro as inúmeras vezes que visitei estas cidades como jornalista, como simples comprador de livros ou até mesmo como patrono, como foi meu caso em São Leopoldo, Canoas e Guaíba.
Neste ano de 2003, como patrono, minha situação alcançou um imenso grau de envolvimento com os livros, livreiros, editores, poetas, jornalistas, escritores, ensaístas, romancistas, todos atores deste sensacional espetáculo que ocupa os campos da nossa imaginação e da praça da Alfândega de Porto Alegre, seu entorno e seus próximos espaços de conquista.
E neste domingo será a hora de colocar o ponto final nesta história, pelo menos em sua versão 2003, embora se vá adiante, até a última sexta-feira de outubro de 2004, no caso dia 29, quando então estará abrindo as cortinas do espetáculo cinqüentenário da Feira do Livro.
Até lá estaremos ocupados em ajudar a polir as arestas, corrigir os erros, revisar os defeitos e preparar o projeto, que fará a glória de quantos estiverem envolvidos ou forem indiretamente chamados a participar, ou, melhor ainda, o povo, que a protagonizará.
Esta noite, quando o “cherife” Julio La Porta tocar a sua celebrada sineta, encerrando esta edição, teremos completado mais uma volta da nossa contribuição à solidificação de um estado onde a cultura é vista com os olhos da compreensão e da convicção. Um estado onde o livro tem o significado que de concentrar o que há de mais sólido, e que não se desmanchará no ar, na preparação de tempos melhores.
A história desta e das demais feiras do livro que dela brotaram é uma só: desde o primeiro dia o projeto era aproximar-se do público leitor, quebrar as distâncias do protocolo e do constrangimento, demonstrar que para entrar numa livraria não era necessário “ser doutor” ou estar paramentado para uma cerimônia. Por isso o livro veio à praça e é neste caminho que se trabalhou nestes últimos quarenta e nove anos.
Não importa aqui se determinadas metas comerciais foram alcançadas ou não, pois, acima e fora das crises financeiras, políticas ou as dificuldades passageiras e eventuais, o bom e o mau tempo, a chuva e o sol, a Feira do Livro superou os obstáculos e cimentou mais um passo gigantesco para tornar o Rio Grande algo digno da admiração e do respeito dos demais estados da federação, e, sobretudo, um modelo a imitar.
Agora, já exportamos “know how”, já somos ouvidos e cantados. Chegou a hora da humildade necessária para a reavaliação e a correção de rumos, para a análise dos erros. A louvação dos acertos será feita na hora da confraternização final, quando aplaudiremos os colegas envolvidos na histórica realização. O ponto final, a ser escrito hoje, às 21h30min na Praça da Alfândega da capital do estado, não é o ponto final. Melhor chamá-lo de ponto e vírgula. Vamos para a oração complementar; uma análise e uma conclusão.
O fim-de-semana começa com a notícia de que o terrorismo atacou, desta vez, na Turquia postado por walter em 15/11/03
FORMATAÇÃO DA MORTE ALEATÓRIA
Walter Galvani
O que antigamente era caso raro, hoje se tornou “o incidente do dia”, o que era alvo de criteriosa verificação, é hoje uma informação “aproximada”, a ser veiculada e modificada à medida que transcorrem as horas, pois ela mesma se altera em seus números, embora não mude em sua essência. E então, temos o panorama do dia no terrorismo mundial.
Há o terrorismo iraquiano, há o de Osama Bin-Laden, há o anti-americano quase por hábito, por parte dos subdesenvolvidos do mundo inteiro que são ou se julgam prejudicados pela prosperidade alheia, há o terror anti-Israel, o anti-palestino, há o terrorismo individual, solto e aleatório, bem como o “terrorismo de estado”, e há também o homem-bomba eventual, o “serial killer” e o matador de fim-de-semana, o assassino de escolas e o destruidor de edifícios, com a suprema especialização de atacante de torres-gêmeas. Há de tudo, e este sábado começou com a notícia de que, desta vez foi na Turquia, que os alvos aparentes são judeus, que há 23 mortos e 60 feridos, mas o aviso imediato é de que tais números são “provisórios”.
E temos aí, pois, todos os componentes do xadrez global que vivemos e que nos estressa e, ao mesmo tempo, nos favorece, porque o Brasil, aparentemente e até o momento em que se redigem estas linhas, está fora desta loucura internacional, desta demência humana que caracteriza a decadência moral e a completa banalização da morte e o desrespeito pelas vidas alheias. Morre-se aleatoriamente escolhido. Não há causa nem objetivo que justifique o ataque indiscriminado. Porque não escolhem, então, alvos militares ou policiais, governos em ação ou assembléias corruptas?
O preço do sangue inocente, é o custo de tais ações que procuram levantar uma causa pública ou privada, ou, simplesmente, sobre ela ou sobre si, chamar a atenção da “mídia” e sacudir com os desconhecidos, e até, talvez, com os amigos e parentes das vítimas.
E então, nos preparamos para adicionar detalhes, apenas, informar que os mortos chegaram a tanto e os feridos a tanto e tanto e que, desta vez, foi um carro-bomba, um homem ou um avião, o projétil destruidor.
Vivemos e viveremos mais, chegaremos aos noventa e seremos destruídos pelo acaso ou pela precisão de um atirador desconhecido, ou quem sabe cairemos na escura noite do esquecimento, vítimas do Mal de Alzheimer, ou seremos sacudidos por uma bomba, mina terrestre ou por uma bala perdida.
Ainda o Iraque, como será nossa preocupação hoje e amanhã, e sempre postado por Walter Galvani em 14/11/03
MUITO TEMPO, DEMAIS
Walter Galvani
O presidente americano Bush anunciou que até o final de 2004, os Estados Unidos terão completado a sua “obra” e estarão se retirando do Iraque, deixando uma administração local envolvida com a reconstrução daquele país.
Cinismos aparte, acho mesmo que até o final de 2004 os Estados Unidos terão se retirado do Iraque, mesmo porque até lá terá sido exercido suficientemente o seu poder de barganha, para colocar todas as nações que querem se beneficiar do progresso econômico americano na situação de se tornarem aliados ou dizerem porque não o são.
Preparem-se para a dura lição da realidade, do poder da força e da força do poder.
Brasil inclusive.
Não é hora para chorumelas. Chega de nhem-nhem-nhem... como diria o presidente Lula antes de ser presidente.
Os americanos vão colocar seus “aliados”, entre aspas ou sem elas, na situação de definir-se.
E então, seja o que Deus quiser, se é que acreditamos em algum deus. Por Júpiter, Jeová ou Alá, que nos livrem todos eles do terceiro conflito mundial, se é que já não começou.
Atenção, próximo alvo se chama Monsanto postado por Walter Galvani em 13/11/03
A SOJA TRANSGÊNICA
Walter Galvani
Ainda é cedo para opinar sobre a eficácia da transgenia em todas as áreas em que ela se verifica. A polêmica sobre a soja vai acabar em breve, porque o PT uniu-se aos demais partidos e, se é verdade que ainda há alguma dissensão, esta deve desaparecer na medida em que o corpo do partido dos trabalhadores costuma absorver a modernidade, sempre que ela se transforma em pedra de toque para exercitar o poder. Assim é. O foco da reação agora, se chama Monsanto, porque a multinacional resolveu promover o seu poder de fogo cobrando “roialties”, ou pelo menos prometendo que o fará. É um direito que lhe cabe, duvido é que consiga provar quais são as sementes que tem origem em suas oficinas, uma vez que, desensacadas e sem rótulo, nada mais delas se pode provar, nem com exame de genoma...
Lembre-se que a Embrapa produz igualmente soja transgênica, tanto quanto o milho e outros produtos. Se você percorrer as gôndolas dos supermercados irá descobrir uma quantidade enorme de experiências já convertidas em produtos testados e aprovados, que circulam pela mesa e pelo fogão das pessoas e que, sobre eles, sequer sonham os consumidores de que se trata de híbridos e transgênicos. Tem mais: isso vale para tudo, desde o frango até as verduras.
Todo este escândalo da soja, tem a ver justamente com o nome da multinacional e com as reações múltiplas que desenvolvem os defensores do meio ambiente e dos produtos naturais. Vale a pena resistir, talvez seja até uma causa que justifique morrer por ela. Porém, um pouco tarde, desculpem o meu cinismo. Os transgênicos já estão há muito tempo dentro do nosso armário de mantimentos.
Registre-se: a Câmara dos Deputados já aprovou a M.P. da soja transgênica, o próximo passo será o Senado e logo teremos a guerra comercial com a Monsanto, como centro das nossas preocupações. E só: plantar será legal, medida provisória legalizará também as safras anteriores, e a polêmica acabará aqui.
Apenas uma correção: a explosão na base italiana no Iraque, matou 22 e não 6... como informavam as primeiras notícias. Não é preciso crescer a reação em proporção ao número de mortos, mas, indiscutivelmente, a Europa vai cobrar caro. E o mundo, por seu turno, volta os olhos para Roma. Berlusconi na cadeira dos Césares? Lamentável... postado por walter em 12/11/03
Apenas uma correção: a explosão na base italiana no Iraque, matou 22 e não 6... como informavam as primeiras notícias. Não é preciso crescer a reação em proporção ao número de mortos, mas, indiscutivelmente, a Europa vai cobrar caro. E o mundo, por seu turno, volta os olhos para Roma. Berlusconi na cadeira dos Césares? Lamentável... postado por walter em 12/11/03
Não podemos permitir que o desânimo tome conta de nós. Mas, por vezes, a burrice contínua dos políticos, a estupidez dos poderosos, nos abate... postado por walter em 12/11/03
ALIADOS IMPERIAIS
Walter Galvani
Ontem foi a vez dos italianos. É o preço que se paga por manter no poder um mentecapto político como Berlusconi. Londres é o maior alvo do terrorismo: é o preço que se paga por manter no poder um mentecapto político como Tony Blair. Todos acabaremos pagando o mesmo preço. Por causa do mentecapto político que lidera o mundo ocidental. Entendido ?
Um caminhão bomba fez seis mortos e outros tantos feridos numa base italiana ontem, perto de Nassiriya, no Iraque.
O episódio me faz lembrar que Adriano esteve ali, no segundo século da era cristã, tal como outros imperadores ou conquistadores o haviam feito antes e o fizeram depois. Nenhum deles foi duradouro e talvez Adriano – é o que contam suas “Memórias”, organizadas e interpretadas por Marguerite Yourcenar – tenha sido o único que percebeu que só haveria paz se o assunto fosse deixado em mãos dos administradores locais. Foi assim que os romanos se retiraram, estabeleceram seus estabelecimentos comerciais, como anos mais tarde o fariam os portugueses com suas feitorias na Índia e desfrutaram das vantagens da apregoada “pax romana”.
Os americanos já sabem o que é isso, mas com brutalidade e privilégios comerciais, com tributos indiretos e policiamento, não chegarão nunca aos pés de Adriano.
Lamento dizer que o novo “Império” repete como farsa o drama histórico. A frase é conhecida, definidora e definitiva.
Recuso-me a continuar fazendo a contabilidade das mortes que estão e continuarão sendo geradas pela ignorância, a falta de conhecimento histórico e a inabilidade política. No Oriente Médio e na América Latina. Onde for. Na Europa mesmo ou na África. Ou, quem sabe, em casa.
Hoje é o décimo primeiro dia da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, da qual sou o patrono. O povo está na praça. Mas, o dinheiro está curto. A esperança dos livreiros e editores é de que, feitas as escolhas, produzam-se as compras. Por enquanto, é preciso que se diga, a situação é de 25% em defasagem com relação ao ano passado. Mas, não é esta a primeira, nem será a última crise vivida pela Feira. Aliás, a crise é do país... A recuperação deverá se dar nos próximos dias, embora não se tenha fé absoluta, afinal de contas, quem trabalha com livros tem um senso de realidade acima da média... E hoje, no recinto da feira, no Centro Cultural Erico Verissimo da CEEE, darei a minha Oficina de Crônica "O vôo da gaivota" em sua sétima edição. Casa lotada, perspectivas animadoras. postado por walter em 11/11/03
A 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, da qual fui eleito o Patrono, é um acontecimento tão envolvente na capital do Rio Grande do Sul, que às vezes a gente até perde a noção de que a vida continua... lá fora... Pois é: vejam só o que ocorre na área da nossa Previdência: postado por walter em 10/11/03
PREVIDÊNCIA PRIVADA E
O SIMPLES EQUILÍBRIO DE CAIXA
Walter Galvani
O anúncio da Reforma da Previdência causou no Brasil os mesmos efeitos que nos demais países do mundo ocidental. Como era esperado, produziu-se uma corrida aos planos privados. O aumento na procura de soluções individuais através de empresas, chegou a 62 por cento com relação ao ano anterior.
Será preciso escrever mais alguma coisa para informar aos leitores o que, de fato, está por trás da mudança no instituto governamental?
O neoliberalismo perdeu a eleição, mas não saiu do governo. E tem mais: ameaça com o retorno à presidência nas próximas eleições, mas isso não tem lá muita importância, pois Fernando Henrique saiu, entrou Lula, e o efeito é o mesmo. Porque? Ora, por que ninguém domina o “aparelho de governo” com a simples substituição de nomes ou mudança de partidos.
É preciso muito mais.
Talvez uma revoluçãozinha...
No século vinte e um, parecem estar fora de moda os movimentos revolucionários, uma vez que, aqueles do século vinte, acabaram produzindo tanto ou mais totalitarismo que os períodos das monarquias absolutistas.
Então... – “pobres de la tierra”, parece que está cada vez mais distante a hora da redenção. De que adiantaria receitar aqui que você comece a depositar dez por cento dos seus ganhos quando você começa a trabalhar, e manter esta prudente disposição se, na verdade, não há emprego para todos?
Precisamos primeiro vencer o estresse individual e nisso somos campeões também, o Brasil se iguala aos países mais desenvolvidos do mundo, conquistar um lugar de trabalho em meio a um mercado saturado, e nisso – haja estresse – estamos piores do que os mais desenvolvidos.
Receita para uma segunda-feira de novembro?
Continue se estressando. Sem aperfeiçoamento, em todos os sentidos, não há como conquistar um lugar no mercado. Sem um lugar, não há como ganhar algum dinheiro, pensando no futuro. E no presente. Sem dinheiro, não há como economizar. Sem economia, não há como pensar em plano privado de aposentadoria. E seguir trabalhando, pensando em ganhar um salário mínimo na reta final da vida, quando não há mais forças e disposição, capacidade física e psíquica para produzir, desembocando no progresso do neoliberalismo, que apenas pretende o equilíbrio de caixa... não sei não.
Hoje, como patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, cedo o espaço para a AGES, entidade a qual pertenço, a Associação Gaúcha de Escritores: postado por walter em 09/11/03
A AGEs foi convidada a participar do evento Dia de Eva Luna. O que a Câmara Rio-grandense do Livro nos confiou é a indicação de escritores do quadro associativo para a atividade de "contador de história", ou seja, escritores que fiquem à disposição para escrever versos, cartas, etc., sem os quais a iniciativa não se concretiza.
Conforme está bem explicado no convite que segue abaixo, o Dia de Eva Luna acontece no dia 15/11, sábado, das 15 às 20 horas.
Se você tiver interesse de participar, por favor nos escreva com a brevidade possível. É importante salientar que não é necessária a participação durante as cinco horas do evento: nos limites desse horário, qualquer disponibilidade -- uma ou duas horas, por exemplo -- será bem-vinda.
Isabel Allende é uma grande contadora de histórias. Dessas belas histórias, uma forte personagem é também uma contadora de histórias muito especiais: Eva Luna. Das histórias de Eva Luna, mais uma forte personagem vive das palavras, conta histórias, escreve cartas, bilhetes, lê as notícias para as comunidades por onde passa em troca de tostões. Belisa Crepusculario descobriu o poder das palavras:
“Seu ofício era vender palavras. Percorria o país, desde as regiões mais altas e frias até as costas quentes, instalando-se nas feiras e nos mercados, onde montava quatro estacas com um toldo de cânhamo...
Vendia a preços justos. Por cinco centavos entregava versos de memória, por sete, melhorava a qualidade dos sonhos, por nove, escrevia cartas de namorados, por doze, inventava insultos para inimigos irreconciliáveis. Também vendia contos, mas não eram contos de fantasia e, sim, longas histórias verdadeiras que recitava de enfiada, sem nada saltar. Assim, levava a notícia de uma aldeia para outra. As pessoas lhe pagavam para juntar uma ou duas linhas: nasceu um menino, morreu um fulano, casaram-se os nossos filhos, queimaram-se as colheitas.
A quem lhe comprasse cinqüenta centavos, dava de presente uma palavra secreta para afugentar a melancolia. Não era a mesma para todos, certamente, porque isso teria sido um engano coletivo. Cada um recebia a sua, com a certeza de que ninguém mais a empregava para esse fim no universo inteiro e para além dele.”
(“Contos de Eva Luna”, Isabel Allende, páginas 13,14)
Vamos, então, homenagear todos os grandes contadores de história!
No dia 15 de novembro, os autores gaúchos são convidados da Feira para uma “venda” especial de palavras. Palavras serão trocadas por palavras para um público muito especial: a Associação de Cegos do Estado do RS vai receber toda atenção de nossa comunidade.
Lembra daquela historinha infantil em disco, fita, cd que há muito tempo não é escutado em sua casa?
Lembra daqueles livros gravados em fitas e em CDs que você não escuta há muito? Além disso, fitas k7 e cds virgens serão “moeda de troca” no dia especial dos “contadores de histórias, nosso “Dia de Eva Luna”.
Você traz uma história gravada ou possibilidade de gravações para a audioteca da Biblioteca Pública e nossos contadores de história vão brindar-lhe com palavras muito especiais, contos, versos...
Dia 15, das 15 às 20 horas, você é convidado especial do Dia de Eva Luna.
Nesta semana, perdemos Raquel de Queiroz, cujo comportamento digno a consagra mais ainda que sua qualidade literária e suas conquistas feministas e ontem,. Mafalda Verissimo, viúva do grande Erico. postado por walter em 06/11/03
MAFALDA VERISSIMO
Walter Galvani
Perdemos Mafalda, e assim se vai uma parte da nossa memória. Erico morreu em 75, desde então estávamos sem nosso maior escritor. Seu filho, não propriamente um sucessor, é claro, uma vez que se trata de uma pessoa completamente diversa, trabalha no silêncio de sua fantástica carreira, no gabinete que era do pai. Mas, dona Mafalda era nossa memória viva. Com sua bondade, seus claros e inesquecíveis olhos, sua atenção permanente, sua generosidade, sua atenção aos pequenos e aos de certa forma desvalidos, dona Mafalda fazia com que permanecesse viva a lembrança do grande escritor.
Namorada, noiva e esposa, companheira e amiga de Erico, desde os vinte anos em Cruz Alta até o último dos dias do escritor, trouxe depois disso até agosto passado a sua vigilância permanente, uma lâmpada votiva acesa em nossa memória.
Ela partiu também, depois de haver adoecido, internada na CTI do Hospital Moinhos de Vento, deu alta, voltou a ser internada e finalmente, ontem faleceu.
Assim, estamos sem ela e com isso parte da nossa recordação do grande escritor, partiu.
Foi uma semana de perdas. Há dois dias foi Raquel de Queiroz. Aos poucos, o passado vai construindo seus muros de pedras, colocando vaga sobre vaga, levantando a colina das lembranças.
O patrono da 49a. Feira do Livro, por vezes tem, também, tarefas difíceis. E hoje será a vez de levar o abraço de solidariedade à Lúcia e ao Luis Fernando Veríssimo.
A Feira do Livro é um mundo. Hoje mesmo, teremos a apresentação do livro de Alcy Cheuiche, "Jabal Lubnan - as aventuras de um mascate libanês", título que disfarça um romance histórico do mais profundo interesse para o Rio Grande do Sul. Será às 18 horas, no Clube do Comércio, Salão de Bridge. E mais, toda a programação da praça, os livros, e tudo o mais. Porém, ficamos com um olho aqui e outro no mundo! postado por walter em 05/11/03
FMI E LULA
LULA E OS BANDIDOS
Walter Galvani
Imagino quantas vezes o metalúrgico Lula gritou na frente das fábricas, “Fora o FMI!” e quantas vezes se referiu aos diretores daquele organismo internacional, usando o termo figurativo, “os bandidos”. Mas, o tempo passa, as coisas mudam, as pessoas mais ainda, e a partir de hoje o governo do PT, estará recebendo a visita da sra. Ana Krueger e sua corte, para negociar o primeiro acordo entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional.
Ninguém do governo gritará “Fora FMI” e, naturalmente, se algum radical resolver fazê-lo, será devidamente contido pela Polícia.
Não há lugar para tais demonstrações de temperamento nos tempos que correm. Isso fica para o passado, junto com os textos do Fernando Henrique que ele pressurosamente recomendou que esquecêssemos, quando assumiu o trono, por sua vez.
Assim é.
Os bandidos são outros. Lula, ontem mesmo, embora em viagem pela África, atento ao que se passa aqui dentro, revoltou-se contra os bandidos que ousaram atacar a polícia em São Paulo e disse que eles “tem ficado desaforados”. Trata-se sem dúvida, de uma mudança de tom com relação a esses marginais, integrantes do crime organizado, que até aqui (e muito mais ainda no passado) mereciam sempre um tratamento misericordioso por parte do PT, imaginando-se que os delinqüentes fossem produto dos desníveis sociais brasileiros. Até que em parte sim, mas a ação da Polícia não pode contemplar tais minúcias e o bom mesmo, nesses casos, é “baixar” o nível e não conversar muito. Não há o que fazer. A ousadia dos fora-da-lei é inimaginável.
Só que a prática se afasta do discurso, como sempre.
Viva o FMI e fora os bandidos!
Era tudo o que sempre diziam os mais equilibrados, imaginando que é impossível calotear um organismo internacional ou conferenciar com criminosos.
A vida nos ensina. Pena que ninguém aceite as lições que os que os antecedem trazem impressas na pele.
Felizmente, aqui no Brasil continuamos jogando futebol... E em Porto Alegre, vendemos livros, lemos, recitamos poesia e prestamos homenagens aos escritores. É o caso de hoje, quando a AGES (Associação Gaúcha de Escritores) vai prestar-me uma bela e por certo emocionante dedicatória, com uma sessão no Clube do Comércio, diante da Feira, um sarau, o tradicional "Sarau Palavra Nova", às 19 horas, no 3. andar, na chamada Academia da Praça postado por walter em 04/11/03
O BECO. TERÁ SAÍDA?
Walter Galvani
É difícil. Qual o caminho?
É o que devem estar se perguntando hoje os americanos, neste novo dia, quando, mais uma vez, seus soldados estão pagando com a vida pela ocupação do território alheio. Na verdade, se alguém pensou que esta aventura no Oriente Médio sairia “barata” para os ocidentais, ou melhor dito, para os americanos do norte, devia estar bastante mal informado sobre o pensamento, religião, cultura, enfim, sobre os valores vigentes no Iraque e nos demais países que constituem a região.
A derrota de Saddam Hussein poderia ser imaginada e antecipadamente garantida, caso houvesse um mínimo de profissionalismo e menos emocionalismo entre os assessores militares do Pentágono, ou por outra, se fossem mais sérios e menos políticos. Além disso, questões de política interna americana, se houvesse menos comprometimento com os “gaviões” e com a indústria de armamentos.
Aqui se faz, aqui se paga, deve ter escrito Moisés, e se não o fez, relembro aqui em nome dele, como uma espécie de contribuição.
Não há como fugir ao desastre.
Com o soldado americano morto esta noite, as vítimas do pós-guerra somam 130. Claro, entre os pobres... Ao que me consta não há nenhum Bush nem tampouco Clinton ou Reagan entre os soldadinhos levantados do chão pela raiva iraquiana.
Pagamos o pato, devem estar dizendo os excluídos norte-americanos e “eu vos direi no entanto”, como falaria Olavo Bilac no século passado, que de fato é assim em toda a parte.
Lástima pelas mães e filhos, que perdem o filho e o pai.
Mas, é o preço mínimo que se paga pelo uso da força bruta e a ignorância, conjugadas nesta ação incorreta e pouco racional que se desenvolve no Iraque. E o pior é que estamos juntos, afinal participamos das Nações Unidas que, para o bem ou para o mal, agrupam agora todas as nações do globo e não tem força para limitar os crimes de guerra.
Parece mentira, mas a guerra continua no Iraque, sacrificando a juventude pobre da América e do próprio país de Saddam. Adiantará este sacrifício? A maior vítima desta guerra, até aqui, foi a ONU... e, como sempre, os pobres da Terra postado por walter em 03/11/03
POBRES FAMÍLIAS POBRES
Walter Galvani
Só na derrubada do helicóptero de fim-de-semana, morreram 21 jovens americanos e 25 ficaram feridos, e muitos mais ainda morrerão e muitos, muitos mais ficarão feridos, enquanto os ocupantes estrangeiros insistirem em permanecer no Iraque. Dentro da limitada visão dos imperialistas do Pentágono não passa a idéia de que o povo iraquiano não quer ouvir falar deles e que a derrubada de Saddam Hussein não resolveu nada, na verdade, para o povo pobre. Antes eram o Estado e as oligarquias que se apropriavam dos recursos produzidos pelo subsolo rico da Mesopotânia, onde se assenta o estado moderno do Iraque, criado em 1921, sob a inspiração dos ingleses.
Dizem que hoje há um Saddam em cada esquina... Apropriam-se todos, igualmente, dos recursos do pobre povo do país.
Ao mesmo tempo, pela composição do exército americano, os que morrem e saem feridos por estarem na frente de batalha, sabeis quem são? Pois são os pobres da América. Aqueles que foram lá combater em nome dos ricos e dos poderosos, em troca do humilde “green card” que lhes permitirá trabalhar e ganhar “algum” nas ruas e estradas americanas; lá estão os negros, os cubanos, sim, os centro-americanos e caribenhos, os sul-americanos, até alguns brasileiros também, os que pegam as sobras da rica sociedade americana e por isso empunham as armas em nome do “cow-boy”.
É isso e por todas estas razões, a guerra do Iraque é cada vez mais lamentável e, não acabou como disse o secretário Rumford no início de maio.
Até quando irá?
Os Estados Unidos estarão diante de um novo Vietnã, de onde, como se sabe, se retiraram derrotados pela guerrilha que não souberam, nem podiam enfrentar?
Pois é isso mesmo. Só que as eleições ainda estão distantes e Bush só vai determinar a retirada se por acaso vier mesmo a ser derrotado. Se vencer as eleições, a despeito de tudo, tentará, de qualquer forma esmagar o povo, porque agora é o povo iraquiano mesmo que está em jogo.
Quanto a Saddam Hussein, deve estar morando com Osana Bin Laden em qualquer subterrâneo do país ou do Afeganistão.
Deve ser isto.
O futuro, somente o futuro nos dirá.
Mas, enquanto isso os pobres continuarão morrendo.
Hoje é meu terceiro dia como Patrono da 49a. Feira de Livros de Porto Alegre, sentado em meio aos imortais 42 que me antecederam. E assim, vamos vivendo de amor. Viva o livro, repositório supremo do conhecimento. A crônica a seguir, foi publicada no "ABC DOMINGO", grande jornal da região metropolitana, com o qual colaboro desde seu primeiro número. E hoje, às 15h30min, no Clube do Comércio, junto à Feira, o escritor Luis Antonio de Assis Brasil apresenta meu primeiro romance, "Anacoluto do princípio ao fim". Às 17 horas estarei no pavilhão central da Feira do Livro, autografando. postado por Walter Galvani em 02/11/03
A FESTA CONTÍNUA
Walter Galvani
Dizia-se, da Paris dos anos 30, que “era uma festa”. E mais: uma festa que não acabava. Assim está a capital do nosso estado. Primeiro com a Bienal do Mercosul que na certa deveria pensar mais nos artistas locais, junto com as merecidas homenagens a grandes nomes internacionais, como Saint Clair Cemin que aliás é gaúcho, porém mora nos Estados Unidos, mas que sem dúvida preenche um belo espaço no real e no imaginário.
E agora com a 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, que, explica-se, nasceu há quase meio século atrás, com o nome de la. Feira do Livro do Rio Grande do Sul. E era. Depois é que ela foi gerando filhos e filhotes, povoando as cidades do interior do estado. Hoje há feiras em pelo menos 110 municípios.
E mais virão por aí.
Não tenho a certeza, mas acho que esta é a primeira vez que um colunista do ABC DOMINGO é eleito patrono deste encontro tão importante, o que significa que esta nossa trincheira aqui, é mais do que importante. E não a utilizarei para falar de mim, ou falar mal ou bem da feira, mas apenas para ter em mãos mais uma arma na batalha fundamental para a permanência da civilização, que é a luta pelo aumento do índice de leitura.
Não é uma tarefa fácil, mas também não é para desistir.
Sei, certamente, que o interesse pelos livros nasce lá na escola, no meu caso isso foi claro, registro sempre que posso o significado que teve em minha vida o Irmão Henrique Justo, um valoroso lassalista que encontrei nos bancos ginasiais do velho externato São Luiz, do La Salle, em Canoas. Hoje visto aquela camiseta com o mesmo orgulho que me fazia desfilar na Semana da Pátria, ao som dos tambores da nossa banda, carregando as bandeiras ou marchando pelas ruas da nossa cidade. Mas, aos sábados, quando não havia nem aula, nem outra atividade atraente para guris de dez, onze, doze anos, acontecia a reunião do Grêmio Literário. E lá estávamos nós, com o mesmo ardor, encantados com o professor Justo que nos indicava leituras e nos fazia trabalhar em cima de nomes como Machado de Assis, Cruz e Souza ou nos receitava os grandes romances russos de Tolstoi, Dostoiewski, Gorki, Gogol, Tchecov, Turgueniev.
Saímos pela vida, presos pelo cordão umbilical intelectual ao velho colégio e aos amados professores. E nunca mais deixamos de ler, vorazmente, único caminho para o enriquecimento intelectual. Aliás, única forma de riqueza imune à dificuldades econômicas... Você pode perder tudo na vida, menos sua preparação intelectual.
Portanto, amigos, se aceitarem um conselho de quem já cumpre um longo andar, como diria Mario Quintana, com cinqüenta anos de jornalismo e setenta de idade, leiam, leiam, os livros são fascinantes, as crianças que o digam, pois o “Harry Potter” está aí, não é mesmo? Tal como nós, nos idos dos anos quarenta, que líamos, adoidados, tudo o que aparecia sobre o Tarzan... O rei das Selvas, na terra das formigas, Tarzan, o homem macaco. E assim despertamos para os livros. Caminho do qual nunca mais nos desviamos.
Pois é. Só há um caminho. A informação você encontra em toda a parte. Mas, a sabedoria, esta mora nos livros.E só.
postado por em 02/11/03
Este foi o meu pronunciamento, ontem, na praça da Alfândega em Porto Alegre, quando falei como patrono na inauguração da 49a. Feira do Livro: postado por walter em 01/11/03
Olhando em torno a mim, só vejo rostos amigos. Desde o governador até meu querido professor, meu primeiro professor de literatura, o Irmão Henrique Justo. E esta é a razão da minha felicidade neste momento.
“O que os livros fariam se não fosse você?” – pergunta a Câmara Riograndense do Livro, ao instituir como tema e lema desta edição da Feira do Livro, a questão, que também pode ser invertida para provocar o debate: “O que seria de você, se não fossem os livros?”
Vivemos um momento tão ou mais conturbado do que aquele que viveu a França no final do século XVIII, com a diferença de que, como tudo hoje em dia, estamos globalizados. Para o bem e para o mal. Não há humilde ou limitado protesto que surja na mais longínqua ilha que não seja logo apropriado pela “mídia” e transformado em notícia mundial, a percorrer com a velocidade dos circuitos eletrônicos, todos os sistemas de recepção e difusão. E então, mais do que nunca, somos parcelas diminutas, pequenas ilhas, integradas porém ao arquipélago indivisível da nossa espécie. Vergastados pelas correntes e vendavais, nossos elos podem partir-se a qualquer momento. E não sabemos se sairemos destas brumas com a visão de uma “liberdade, igualdade e fraternidade” como foi possível em 1789, apesar dos desvios, restaurações, impérios e desastres que depois vieram, e, como sempre, marcam a aventura humana sobre a Terra. E como está no Hino Riograndense, que acabamos de ouvir na maravilhosa interpretação de Luis Carlos Borges.
Como diria Jorge Luis Borges, “todos escrevemos os mesmos livros.” Nossa história parte de idêntica situação, de uma constatação que é átomo de uma pilha coletiva e o que sentimos, vivemos e escrevemos, acrescenta apenas mais uma pedra à construção geral.
No entanto, o que seria de nós, e cada vez mais, se não fossem os livros?
Neles está o repositório de tudo o que sabemos, aprendemos, arquivamos, transmitimos e criamos ao longo desta aventura de alguns milhares de anos, sagrada caverna onde está entronizada a palavra, seja o suporte eletrônico ou o papiro, o rolo ou a encadernação, o “chamois fine dunas 80 gramos” ou seja lá o que for. Quando pegamos um pequeno volume em mãos, é preciso segurar a respiração e lembrar quantos artesãos e operários, desde o humilde escriba que reinicia sua tarefa todos os dias, até o cintilante negociador que comercializa aquele produto de consumo e devoção, trabalharam para viabilizá-lo.
E, lembrando a lamparina sagrada que arde permanentemente nos templos, enviamos nosso pensamento até esta caverna, hoje acionada eletronicamente, mas que abriga a mesma ferramenta virtual, que o homem criou e se tornou a alavanca mais poderosa para a construção da civilização. A semente e o fermento ao mesmo tempo. A palavra.
Oral, depois escrita, representada primeiro em rudes desenhos rupestres, avisos de perigo ou mensagens de amor. E assim, ao longo de todos estes séculos se multiplicando e sofisticando, passando por todo o crivo do progresso técnico, mudando o suporte, mas, no fundo, carregando a mesma mensagem: um aviso de perigo, uma declaração de amor. Às vezes, as duas coisas. Mas, sempre a Palavra, mais importante que a roda, que o petróleo, que a máquina.
É impossível deletá-la. Como o demonstra a experiência do “Farenheit 451” hoje reproduzida nesta feira. Nem o fogo do inferno, nem a fogueira da Inquisição ou as fogueiras das diferentes ditaduras. A Palavra sobreviveu. O livro permaneceu. Venceu.
E por isto estamos aqui.
Fui eleito o Patrono desta 49a. Feira do Livro. Lanço um olhar retrospectivo e vejo que, quando ela fez dez anos, criou-se a instituição a que hoje dou seqüência com a imensa alegria de que estou tomado desde o dia em que tive meu nome anunciado. E cada um dos quarenta e dois patronos até agora, carregou com seu nome todo um significado.
Assim, Alcides Maya, em 1965, era o resgate da força telúrica e do nativismo, a presença do pampa, sempre uma linha inextinguível em nossa literatura, como João Simões Lopes Neto, que foi a seqüência e que traz sempre a lembrança da injustiçada Metade Sul de nosso estado. Depois, Alceu Wamosy, integrando outra estética e uma vida corajosa que caracteriza os heróis que cultivamos. Em 1968, foi a vez de Caldas Júnior, fundador do “Correio do Povo” e com isso se assinalava a participação crescente dos meios de comunicação que, ao começar a saga desta feira parcamente dela se ocupavam e hoje são, tanto quanto os livreiros e editores, moradores permanentes desta praça durante estes dias esfuziantes. No ano seguinte foi a vez de Eduardo Guimaraens, que fez do culto à palavra pura, seus sons e significados, o seu ofício de todos os dias e em 1970, lembramos de homenagear Augusto Meyer, que tão longe levara a repercussão do trabalho feito aqui na capital dos pampas. Em 1971, o cavalheiro-poeta, o ideólogo do gaúcho, construtor da teoria regionalista, Manoelito de Ornellas. E já no ano seguinte, foi a vez de elevarmos ainda mais alto nossa devoção à língua portuguesa: Luís Vaz de Camões ocupou o centro da praça, nossa alma e nossas atenções em 1972.
Dia desses, visitando uma pequena escola em minha terra natal, Canoas, “Arthur Pereira de Vargas” que, aliás, estará com seus alunos presentes em nossa 49a. Feira, ouvi de um deles a resposta inesperada à pergunta convencional: “E você, o que lê no momento?” O garoto olhou-me nos olhos por dois segundos e fuzilou a resposta: “Os Lusíadas”.
Em 73, novamente a força dos pampas nos trouxe de volta “ao galpão” com Darcy Azambuja. E em 74, já foi a hora de pensar no primeiro pioneiro, consagrando Leopoldo Bernardo Boeck.
Não falhamos mais e quando uso a primeira pessoa do plural, é que todos nos incluímos agora nas tarefas da Câmara Riograndense do Livro, eis que esta feira se transformou num trabalho coletivo. Sofremos juntos quando chove, decidimos juntos que se deveria levantar uma estrutura mais permanente para enfrentar estas vicissitudes, e vibramos todos com a transformação da praça e da feira num bem imaterial que representa o coletivo do nosso estado e sua capital.
E assim, revezamos numa longa lista Athos Damasceno Ferreira e Erico Veríssimo, Henrique Bertaso, Walter Spalding, Auguste de Saint-Hilaire, Moysés Vellinho, Adão Juvenal de Souza e Reinaldo Moura, José Bertaso e Maurício Rosemblat. Mário Quintana, que, de tanto sentar-se aqui na praça, modestamente todos os dias de todas as feiras, acabou eternizado ali, naquele monumento onde permanecerá enquanto houver civilização por aqui. Depois Cyro Martins, já em 86, trazendo mais uma vez a epopéia do gaúcho, agora do “gaúcho a pé”, para nossa vida.
Moacyr Scliar ainda não era imortal quando foi homenageado em 87, e na seqüência tivemos Alberto André, o incansável presidente da ARI, depois a ênfase com a literatura infantil, uma área que orgulhosamente anunciamos todos os anos como a “que mais cresce em nossa feira”, com Maria Dinorah. Em 1990, foi a vez de Guilhermino César que preferiu o Rio Grande à sua Minas, natal, depois Luís Fernando Veríssimo, um anúncio permanente da nossa qualidade no país e no mundo, P.F.Gastal e Carlos Reverbel, mais dois expoentes do jornalismo cultural que se praticava no sul. Em 94, lembrou-se outra vez dos pioneiros, dessa vez com uma dose quádrupla: Nelson Boeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida Lima e Sétimo Luizelli. Alguns deles ainda andam entre nós. Depois, em 1996, Caio Fernando Abreu, que completara o périplo glorioso pelo país afora. E então Lya Luft, que já despontara com a sua hoje consagrada qualidade literária. Luis Antônio de Assis Brasil estava construindo o seu “castelo no pampa”, abrindo um caminho e generosamente instruindo os que o seguiram, foi o patrono de 1997. Patrícia Bins recolocou a mulher no pódio em 98, e Décio Freitas a seriedade da pesquisa histórica sem concessões em 99. Lessa, o velho Luiz Carlos de Barbosa Lessa no ano 2000, que precisou passar mal, adoecer e morrer, para que descobrissem que em sua simplicidade e nobreza, fora incapaz de enriquecer e proteger-se contra os perigos da doença e das incertezas da vida.
E chegamos assim ao mestre da palavra, Armindo Trevisan em 2001, que, de quebra nos ensina a entender a arte e descobrir o verdadeiro rosto de Cristo, agora mesmo.
Ruy Carlos Ostermann, que me antecedeu, e tenho dito e repetido o quanto será árdua a tarefa de sucedê-lo, porque sei o patrono eficiente e eficaz que tem sido, o jornalista cultural que batalha permanentemente pelos espaços para o livro, e o atento formulador de uma legítima política consciente para este setor.
E então só me cabe concluir, lembrando que, como nunca estaremos trabalhando noite e dia aqui na praça, serei, como já disse um operário a mais desta feira, à disposição de todos os que elegem no livro o seu objeto máximo de culto. E que, já estaremos trabalhando, também, para o cinqüentenário, projeto para o ano que vem.
Walter Galvani
31 de outubro de 2003
Hoje às 18 horas, estarei na Praça da Alfândega, recebendo das mãos de Ruy Carlos Ostermann, o bastão de patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, a maior feira de livros ao ar livre da América Latina postado por walter em 31/10/03
UM GRANDE DEBATE
Walter Galvani
Afinal: a Feira do Livro deve continuar crescendo ou restringir seu desenvolvimento? Seria possível impedir a sua expansão? Valeria a pena cortar-lhe a ânsia de espraiar-se, mais e mais?
Há quem defenda que chegou a hora de podar-lhe as asas, enfiar-lhe uma camisa de força. Outros dizem que é preciso que ela saia da Praça da Alfândega. Outros juram que impedirão com seu próprio corpo que tal ocorra.
E a Feira do Livro, que vi nascer em 1955, com quatorze humildes barraquinhas, chega aos quarenta e nove anos, com 124 expositores, mais dezenas de debates, encontros, oficinas e seiscentas sessões de autógrafo.
Estima-se que o índice de leitura não cresceu, pelo menos acompanhando o aumento vegetativo da população. É verdade. Temos o dobro do índice de leitura do resto do país. Grande coisa! No Brasil se lê um livro por ano, em média, por habitante, incluindo-se aí os didáticos. Portanto... o dobro de quase nada, quase nada é... Mas, luta-se. Eu mesmo visitei esses dias, pequenas escolas e espantado ouvi crianças reivindicando o direito de ler, dizendo que os adultos é que pensam que os jovens, as crianças, os adolescentes, não gostam de ler.
Há o fenômeno do mau exemplo das televisões, onde, raramente se mostra alguma coisa que preste, em matéria de lazer e divertimento. E no entanto, empanturrados com o lixo cultural, as famílias permanecem diante da maquininha de fazer doidos, como dizia Stanislaw Ponte Preta.
Em breve teremos novos fatos. Há uma rede que é dona de uma editora e quem sabe... É tudo assim neste moderno mundo globalizado. Mas, acho que os gregos já reclamavam do império romano, imagine-se agora, dois mil anos e tanto depois.
É hora de entender que nada mais certo do que o “slogan” da 49a. Feira, que, por hábil jogada publicitária, pode ser lido duas maneiras.
“O que seria dos livros se não fosse você?” – é o lema oficial.
“O que seria de você se não fossem os livros!” – leia-se para entender a mensagem em toda a sua abrangência.
É o que se poderá ver, durante estes dezessete dias de feira que começam hoje e se estendem até o dia 16 de novembro.
Continua o fuzuê que os americanos armaram para eles mesmos no Iraque. Quero ver como é que eles sairão de lá... Bem, a vida continua, digamos assim, no Brasil continuam discutindo a transgenia agrícola e nos intervalos, jogando futebol. E nós, aqui em Porto Alegre, preparamo-nos para a Feira do Livro postado por walter em 30/10/03
FEIRA DO LIVRO, AMANHÃ
Walter Galvani
Só quem vive em Lisboa, e nesse caso meus amigos Bernardo Vasconcelos e Sousa, João de Melo, que aliás nasceu nos Açores e hoje serve Portugal na embaixada junto à Espanha, Inês Pedrosa e Lídia Jorge, escritores, sendo o primeiro, além de tudo, descendente em linha direta de Pedro Álvares Cabral, podem dar seu testemunho e mais ainda quem conhece a feira de Porto Alegre, falaria com tanto amor sobre um encontro desses: livros e povo, autores e livros, povo e autores, como é a Feira do Livro de Porto Alegre. E então seria fácil compreender minha alegria por haver sido escolhido como o Patrono da 49a. edição.
Particularmente, lembro o encantamento do Armindo Trevisan e do Ruy Carlos Ostermann, os dois últimos patronos, anos de 2001 e 2002, justamente por haverem sido escolhidos.
É que se trata de um acontecimento ímpar e sendo ela, a de Porto Alegre, a “mãe de todas as feiras do Rio Grande do Sul”, isso ainda tem uma repercussão maior, no estado mais culto, pelo menos o que mais lê no Brasil.
Sim, conheço bem o nível cultural do Rio de Janeiro tradicional, embora conspurcado pela invasão da ignorância, mas aí é um problema de todo o país, e nem o Rio, nem São Paulo, nem Porto Alegre e muito menos Brasília a isso escapam.
Vou então, a partir de amanhã, ocupar a posição de um trabalhador a mais, servindo a Câmara Riograndense do Livro e tentando ajudar a transformar esta edição, na maior até agora. Será um momento inesquecível.
Prometo que minha alegria pessoal atravessará o discurso de posse e não me deixarei tomar pela emoção que, na certa, há de marear meus olhos.
Depois tem mais: no dia seguinte, dia primeiro de novembro, às 15 horas, na chamada Sala Nordeste do Santander Cultural, ali bem juntinho à praça dos livros, acontece a “Mesa de apresentação do patrono”, com a presença do vice-governador Antônio Hohlfeldt, do jornalista Luis Antônio Nikão Duarte e da jornalista e minha companheira Carla Irigaray, quando cada um abordará um aspecto da vida e da carreira deste patrono que está chegando aos 49 anos de jornalismo e 69 de idade.
No dia 2, será a vez do meu livro o “Anacoluto do princípio ao fim”, que terá uma apresentação especial pelo escritor Luis Antonio de Assis Brasil, no salão de bridge do Clube do Comércio, no outro lado da praça, sempre integrado na Feira do Livro, seguindo-se uma sessão de autógrafos.
E assim, aos poucos engrena a festa.
Amanhã, depois da cerimônia da abertura, a qual comparecerá pela primeira vez em 49 anos, um ministro da Cultura, no caso o Gilberto Gil, e onde estarão por certo outros ministros como Olívio Dutra e Tarso Genro, o prefeito João Verle e o governador do estado Germano Rigotto, os secretários de cultura, do município, Victor Ortiz e do estado, Roque Jacobi, e tanta gente mais e o povão é claro, dá-se um passeio pela praça, seguindo o xerife Julio La Porta.
E depois, vamos aos livros. Quem puder que trate de revirar, primeiro, os caixotes de saldos. Há coisas preciosas por cinco reais.
Cada dia uma emoção. Então, esta noite, Canoas, minha terra natal, oferece-me a oportunidade da reunião com os velhos colegas postado por Walter Galvani em 29/10/03
OS LASSALISTAS SE REUNEM
Walter Galvani
O restaurante é o “Dalla Vecchia”, fica em Canoas, na avenida Getúlio Vargas, nome local daquele trecho da BR-116. Às 20 horas de hoje, os “meninos” se reúnem, relembrando mais de cinqüenta anos de camaradagem, para homenagear o patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre e assinalar a alegria de que estão tomados, ao sentirem-se “representados”.
Isso é ótimo, é indicativo de uma alegria que constato nos mais diversos círculos de atividade: entre os escritores que afinal de contas disputam os mesmos espaços, mas se sentem igualmente alvo de atenções, entre os livreiros e editores cuja atuação tenho defendido e promovido ao longo de quase cinqüenta anos de jornalismo e entre os próprios jornalistas, afinal quase meio século de companheirismo e preocupações profissionais, tem sempre algum significado.
Um dos companheiros mais antigos dos tempos do Ginásio São Luiz, do Centro La Salle, anos 1940-1948 em Canoas, cidade onde nasci, o amigo Jalmar Fontoura da Silva costuma organizar este reencontro dos “guris” daquela época.
Duas vezes por ano eles jantam juntos, para pôr em dia o acompanhamento carinhoso, recíproco, de suas vidas, que eles vão fazendo.
Assim, esta noite, o motivo da reunião é partilhar com o patrono eleito da Feira do Livro de Porto Alegre a alegria por uma eleição que distingue e alegra, me atreveria a dizer, a todos.
O dia é de tentar entender a política e os partidos... se for possível! postado por walter em 28/10/03
PT NÃO QUER ENTRAR
NA INTERNACIONAL
SOCIALISTA
Walter Galvani
Tenho muitos amigos no PT o que não me exime de exercer o direito de crítica, ou de tentar compreender os porquês da política interna e externa do Partido dos Trabalhadores que afinal chegou ao governo federal com Lula, rompendo tradições da política brasileira.
Também tenho amigos nos demais partidos e isso jamais obstruiu meu direito de opinar durante estes quarenta e nove anos de jornalismo.
Vamos em frente, pois, com tranqüilidade.
Meu espanto hoje é duplo. Em primeiro lugar pela atitude do PT. Em segundo lugar, pela falta de repercussão da atitude do PT.
Sempre pensei que a suprema glória de um partido, que se apresenta como defensor dos direitos socialistas, fosse pertencer à elite mundial que vem resistindo durante mais de um século aos problemas sucessivos em todos os continentes e mantém a unidade da chamada “Internacional Socialista”.
Este movimento foi criado a 28 de setembro de 1864, há cento e vinte e nove anos, portanto, e o secretário geral da primeira assembléia foi Karl Marx. Não restam dúvidas, pois, sobre a lisura e pureza ideológica desta união de partidos, acima do bem e do mal, dos governos e desgovernos, dos países e continentes. O próprio PDT brasileiro, sim o partido de Leonel Brizola, pertence à “Internacional”, a mesma que gerou o célebre hino dos “Avante pueblos de la tierra, por la paz internacional”.
O lema nos agrada.
Mas, o PT, embora visitado pela Internacional Socialista, pela primeira vez realizada no Brasil, apesar do “bolo de velinhas” no aniversário de Lula, ofertado por Antônio Guterrez, presidente do Partido Socialista de Portugal, entre outros, não se sensibilizou e seus mais altos mandatários disseram que, “não é hora do PT se definir” e que o assunto “será estudado na hora certa, em torno de 2005.”
Ou seja, quando estiver terminando o mandato de Lula...
Até lá, compreenderam, é preciso negociar com a ALCA, com os Estados Unidos, com o FMI, entendo eu e, portanto, é muito perigoso e explosivo falar em socialismo.
Cada manhã a estatística fria alinha novos dados. Até agora, desde maio quando os americanos anunciaram "o fim dos combates principais" já morreram 112 pessoas. Pobres em sua maioria, porque esta é a massa da qual é composta a soldadesca americana: negros, hispanos, centro-americanos e até alguns brasileiros. Enquanto morrem as "cucarachas" queremos saber o que é mesmo o povo iraquiano, o Iraque, o que se quer e o que eles querem. E o que pensamos nós, eis um bom tema para reflexão nesta segunda-feira postado por walter em 27/10/03
O IRAQUE NÃO SE ENTREGOU.
SERÁ MESMO O IRAQUE?
Walter Galvani
Já morreram 112 militares americanos no Iraque do pós-guerra, o que quer dizer que não há pacificação depois da derrota militar de Saddam Hussein e muito menos aceitação do domínio estrangeiro. Não é preciso ser adivinho ou profundamente conhecedor da situação política do país invadido, para saber que o povo iraquiano tem, no mínimo reservas, com relação aos estrangeiros que estão em seu país. Mas, na verdade, o que é que se quereria? Que o povo estivesse nas ruas aplaudindo o desfile das tropas americanas? É o que pretendiam Bush, Powell e talvez a maioria do povo americano. É que eles andaram vendo filmes demais, principalmente filmes americanos e sonham com um desfile vitorioso debaixo do Arco do Triunfo na Paris libertada de 1944 ou na Roma “liberata” depois da longa noite fascista.
Como eles não estudam história, não tem nenhum compromisso com a verdade e se iludem com o cinema e a televisão, imaginam-se aplaudidos pelas ruas do mundo. Ao fazerem a comparação com os momentos decisivos da II Guerra Mundial esquecem que então haviam sido eleitos os vingadores, os libertadores da opressão nazi-fascista. Isso passou. Por mais fascista que fosse Hussein, ninguém hoje é mais fascista do que Bush. Além disso, que é o que realmente importa, a invasão americana foi uma nítida intromissão em negócios internos.
Os Estados Unidos teriam obtido melhores resultados e gastado menos dinheiro se tivessem armado a oposição interna, enfiado alguns milhões de dólares na corrupção e na sedução de chefes e chefetes, xeiques e funcionários, militares e espiões. Não teriam perdido tantos homens, hoje são já 112, um estrago maior do que a própria guerra produziu em suas fileiras e não podemos saber o que pensa o Iraque.
Ou melhor: o que é o Iraque? Quem são os iraquianos?
Aceitam eles o domínio estrangeiro, entendendo que é o único caminho para a derrubada efetiva de Saddam que ainda não caiu e deve estar escondido em alguma caverna, tal como o outro inimigo americano do Oriente Médio, o Osana Bin Laden?
Aliás, iludem-se os que pensam que Saddam e Laden possam ser aliados. Divergem e são inimigos de antes da guerra e da derrubada das Torres Gêmeas.
Enquanto isso, o Ocidente não dorme. Ou melhor, as maravilhosas capitais como Londres e Washington, as grandes cidades como Nova York ou as velhas urbes que guardam o supra-sumo da civilização deste lado do mundo não podem baixar a guarda.
Até quando e onde vai isto?
Enquanto persistir o atual estado de hostilidade, enquanto os Estados Unidos não retirarem suas tropas, enquanto Blair não cair do governo da Inglaterra, enquanto...
Até lá, o noticiário será o que vemos todos os dias, quando abrimos nossa caverna eletrônica para saber das coisas ou ligamos a maquininha de barulho da televisão ou folheamos o jornal. Mais bombas, mais mortes, mais granadas, mais suicídios político-religiosos e mais atentados.
Resta perguntar que Iraque é este que resiste, quem é que resiste, o que isto realmente significa diante do que sabemos. Ou melhor: qual é o Iraque real.
O que pensa o povo?
Esta crônica está publicada na edição de hoje do ABC DOMINGO, grande semanário do Grupo Editorial Sinos, que circula na Região Metropolitana de Porto Alegre. postado por walter em 26/10/03
CIGARROS E CRIATIVIDADE LATINA...
Walter Galvani
Não pensem não que a criatividade seja apenas brasileira, o nosso famoso “jeitinho”, não, mas aceitem que ela é, sem dúvida, muito latina. Ainda não pesquisei, faltou-me tempo, mas é tarefa que não desdenho no futuro, verificar como foi que ela nasceu; desconfio que se deu quando os romanos se apropriaram dos valores culturais gregos, ocuparam a Grécia, conquistaram o povo, transformaram muitos em escravos, e depois propagaram o resultado pelo mundo afora, levando até aos confins do seu reino, a latinidade. Na corrida, subjugaram os bárbaros que habitavam a região do Danúbio, que só foi azul aos olhos de Johan Strauss com o se sabe, muito tempo depois. Então, podemos dizer que era o poder romano, infiltrado de sabedoria grega e recheado de habilidade italiana para se comunicar e assim, sobreviver. Temos já mais de dois mil anos, apesar de todas as invasões de bárbaros, como godos, visigodos, suevos, prussianos, ingleses e americanos, cada um a seu tempo, e ainda vendemos grandeza, capacidade de convivência, enfim, sabedoria.
Pois quero vos falar da criatividade francesa que pode até sobrepujar, como logo veremos, a feição espanhola de caráter que diz muito bem: “hecha la ley, hecha la trampa...”
Criaram, no Brasil e no mundo, o desprezo, o ódio, o anátema ao cigarro, não é mesmo? Eu próprio não fumo há quarenta anos. Será que, caro dr. João Carlos Fernandes, não há mais resquícios daquele antigo vício em meus brônquios? Aguardo seu parecer. De qualquer forma. Prometo que cumprirei, à risca, esta promessa até alguma próxima viagem à Cuba, quando não resistirei aos “Cohiba” que, na certa, me regalará o presidente do Instituto Casa de Las Américas, em nome do Comandante Fidel. Até lá não fumo e não fumarei. Principalmente porque estou horrorizado pelas estampas que os maços de cigarro são obrigados a apresentar agora, com os mais terríveis males causados aos fumantes. Chega, aprendi, não precisa mostrar! Lembro sempre de um aleijado que exibia na entrada da Galeria Chaves, quando esta era a saudosa passarela que levava ao charme infinito da Rua da Praia, o toco de braço que lhe restara, para motivar os que chegavam ao centro de Porto Alegre, provenientes de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas, Esteio, Sapucaia, à uma esmola coxuda. Virando o rosto para o outro lado, a gente lhe dava o mínimo para aplacar a consciência e, quem sabe, garantir a entrada no reino dos Céus. Então não adianta de nada me exibir fetos abortados, anormais, câncer, gente com os ossos à mostra, nada disso me demove.
Vou para a França, onde “Dolmen”, uma firma criativa, criou capas, envólucros de papel, para ocultar os horrores que os produtores de cigarros são obrigados a estampar. Nos novos pacotes, imagens de flores, ídolos como Che Guevara, cantores, astros de futebol. E as vendas já andam a 600 mil e podem chegar a muito mais. É a forma que a criatividade latina encontrou para desdobrar a proibição, o veto, a imposição. Você compra o cigarro e logo oculta a visão da desgraça que a lei estabelece.
Assim é: “Hecha la ley, hecha la trampa”. Como no desarmamento brasileiro, na lei da previdência, na reforma tributária. O que vale é a capacidade latina de “reiventar” a vida.
O vendaval que se abateu sobre o estado do Rio Grande do Sul não se restringiu à Metade Sul, como o mau tempo econômico de um século e meio. Atingiu Porto Alegre e toda a região metropolitana. Prejudicou a 49a. Feira do Livro de Porto Alegre atingindo parte da estrutura que estava sendo montada para a proteção dos livros, como ocorre há vários anos, desde que os livreiros se convenceram que é melhor enfrentar este gasto extra do que ficar torcendo contra a chuva... Há cinco anos, a Feira do Livro se faz sob uma proteção completa contra a chuva, depois que soluções parciais foram sendo adotadas, ano a ano, até que se chegou nessa solução. Só que o vendaval chegou antes da inauguração. Durante todo o dia, hoje, estarão trabalhando na recuperação na Praça da Alfândega postado por walter em 25/10/03
A PERDA DA MEMÓRIA
Walter Galvani
Esta noite, melhor dito, pela madrugada, passou por aqui um vendaval, resultado do choque de uma grande massa de ar frio vinda do sul do Continente com os ares tropicais que se adensavam há uma semana sobre a superfície do nosso estado. Eram 5h35min quando os ventos, em velocidade que chegou a alcançar 95 quilômetros por hora, registrada nas estações de captação da Rede de Climatologia Urbana de São Leopoldo, onde pontifica o professor Eugênio Hackbarth, sem favor nenhum o homem que mais entende de meteorologia no Rio Grande do Sul, trouxeram a chuva e o granizo para toda a região. Pensei que nossa casa iria destelhar-se, naturalmente o que deve ter ocorrido com inúmeros telhados mais precários por esta Metade Sul empobrecida lentamente desde que foi derrotada na Revolução Farroupilha, isso ainda no século dezenove. Pensei no mar verde do pampa, dos astros, estrelas que rolam na imensidade, ou encobertos pelas nuvens carregadas da chuva e tocadas pelo vento desabam sobre os pobres ranchos onde habita, agora na periferia miserável das grandes, médias e pequenas cidades, o descendente do famoso e orgulhoso “centauro” que gerou o gaúcho pitoresco e marginalizado de hoje.
Por vezes é bom enfiar a cabeça debaixo do travesseiro e deixar a memória entrar em colapso. Pode ser que, ao aguardar, estejamos munidos de alguma esperança para suportar as mentiras do cotidiano e acreditar que o mundo vai mudar e que “pobres de la tierra” deixarão de sê-lo. Quando acordamos de vez, damo-nos conta de que, ao contrário, os pobres estão mais pobres e, naturalmente, os ricos cada vez mais ricos e que não haverá revolução nem cataclismo político para alterar tal estado de coisas.
A propósito: Lula, o ex-metalúrgico, recebeu das mãos do príncipe herdeiro da Espanha, o Prêmio “Príncipe das Astúrias”, e na presença da Rainha Sofia. Passou o cheque de 50 mil dólares ao secretário geral da ONU, Koffi Annan, para que a importância seja aplicada nos programas de combate à fome da entidade internacional.
O deslumbramento é compreensível. Fernando Henrique padecia do mesmo mal, lembram.
Com o andamento da situação, de repente a gente se dá conta que o Brasil tem um Ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome. Acreditam? Pois tem. Somos campeões nestas terminologias ridículas e projetos inconsistentes. A perda da memória é que nos faz acreditar que tudo é novo. Talvez seja melhor assim. Não se sofre tanto, e o remédio da esperança nos faz crer que, de fato, haverá um mundo melhor, daqui a pouco, à espera de que o Brasil deixe as últimas posições em matéria de combate ao analfabetismo, pobreza, desigualdade social e as primeiras em corrupção e violência...
Pois já tivemos aqui até um Ministro Extraordinário para o Combate à Desburocratização. Não funcionou. A burocracia emperrou o andamento dos processos de desburocratização...
Na próxima semana o PT vai surpreender aceitando o plantio e a comercialização dos transgênicos. Preparem seus corações. Lula quer uma política única de habitação. Preparem-se para os acordos que vem aí. E há o estatuto do desarmamento. Que não vai operar um milagre. Prestem atenção. Enquanto você curte o fim de semana, o mundo gira... postado por walter em 24/10/03
O DESARMAMENTO, A INDÚSTRIA
E O COMÉRCIO DO CRIME
Walter Galvani
Como é que vai se comportar a sociedade, quando o desarmamento, inócuo e iníquo, que vai surgir como resultado desta lei, entrar em vigor?
Sim, porque a nova lei, aprovada em toque de caixa pela Câmara Federal e que agora volta ao Senado, desarma os cidadãos, mas, evidentemente não desarmará os bandidos. Ora, os ladrões e assassinos, salteadores e seqüestradores, não irão ficar esperando por uma lei para obedecê-la, não lhes parece?
Continuarão a cometer seus crimes. As balas perdidas seguirão matando cidadãos inocentes, distraídos ou simplesmente esquecidos de que vivem num país inexplicável. Descobrir qual a arma que as origina não identifica o assassino. Provavelmente se culpará um cidadão tão inocente quanto o atingido, pois teve sua arma roubada. É como o caso da carteira de identidade que alguém teve furtada e esqueceu-se de comunicar. Daqui a dois anos é preso, acusado de um crime que não cometeu.
Se alguém lhe roubar um documento, ou se por acaso perdê-lo na rua, faça um escândalo. Comunique, informe, divulgue. Guarde os registros da sua parte à polícia, os recortes da ocorrência. Você poderá precisar de tudo isso, mais adiante...
Nunca se sabe.
Este é o país em que vivemos.
E não se iluda: o desarmamento não tornará o Brasil, de uma hora para outra, uma terra para ser vivida em tranqüilidade. Não será a simples proibição de venda de armas, ou teste psicológico, aptidão para atirar e atestado de bons antecedentes. A criminalidade vai continuar. Os crimes são cometidos por armas ilegais, que são furtadas, roubadas, desviadas, contrabandeadas ou até mesmo compradas. E há de tudo nesse país. Desde uma indústria do crime até um comércio do mesmo ramo...
Participei de um encontro interessantíssimo defendendo a memória imaterial, valores culturais intangíveis e que precisam ser preservados postado por walter em 23/10/03
MEMÓRIA IMATERIAL
DO PATRIMÕNIO CULTURAL
Walter Galvani
No palácio da Procuradoria Geral do Estado, na Praça da Matriz em Porto Alegre, participei ontem da abertura do seminário inteligentemente criado pela Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara Municipal da capital, presidida pela vereadora Clênia Maranhão, dedicado à discussão da Cultura Imaterial, mais propriamente da Memória da Cidade, do patrimônio cultural intangível.
Falei como patrono da 49a. Feira do Livro, embora tivesse sido convidado bem antes disso, como jornalista que tenho me dedicado à defesa desses insubstituíveis valores culturais. Mas, já que cheguei ao dia 23 como patrono eleito da Feira, falei sobre a própria Feira e também sobre a Praça da Alfândega, onde se desenrola este acontecimento que há muito extrapolou os limites da objetividade, para incorporar-se como um feito integrante desta memória imaterial de Porto Alegre.
Mesmo que hoje a Câmara Riograndense do Livro resolvesse se extinguir, a Feira continuaria. Há muito que dela apropriou-se a população e transformou-a num ato de reverência anual a este objeto sagrado de culto e devoção, que é o livro.
O ano se desenrola com suas cerimônias, seus ritos, seus prazos e suas datas marcadas e específicas que vão permitindo que se saiba, pelos cheiros e pelo perfume das flores, pelas chuvas ou pelos calorões, pelos frios ou pelas geadas, a quantas andamos. E assim chegamos à última sexta-feira de outubro. Não é preciso ter um calendário à mão. Basta perceber que os jacarandás floriram, que os sabiás estão cantando e que o ruído dos martelos se escuta por toda a Praça da Alfândega. Estão montando a Feira do Livro.
E assim chegamos à 49a. edição. Para imensa felicidade minha, fui eleito o patrono. E assim, assumo, como assumi hoje de manhã no seminário da Memória Imaterial desta cidade, a defesa do espaço-tempo, da ágora porto-alegrense, da Praça da Alfândega que, em sendo o local da feira, precisa ser bem tratada o ano inteiro. Ela tem habitantes, freqüentadores, trabalhadores, crianças de rua, aposentados que desfrutam o sol e o bate-papo dos amigos, ambulantes que não deambulam, pois são fixos e até comércio de sexo. Mas, é preciso que a praça tenha, o ano inteiro, as atenções que recebe no final do ano, com a Feira do Livro.
Participarei hoje do Seminário Patrimônio Imaterial - A Memória de Porto Alegre, no velho "Forte Apache", no centro da capital. Falarei sobre a Feira do Livro, afinal de contas nada representa mais a memória desta grande cidade do que esta realização da qual serei o patrono em sua 49a. edição. A promoção é da Câmara de Vereadores, através da Comissão de Educação, Cultura e Esportes, presidida pela vereadora Clênia Maranhão. Nada projeta mais Porto Alegre no país e no exterior do que a sua Feira, que celebra este objeto de nosso culto, o livro. No auge de sua celebração. postado por walter em 23/10/03
Participarei hoje do Seminário Patrimônio Imaterial - A Memória de Porto Alegre, no velho "Forte Apache", no centro da capital. Falarei sobre a Feira do Livro, afinal de contas nada representa mais a memória desta grande cidade do que esta realização da qual serei o patrono em sua 49a. edição. A promoção é da Câmara de Vereadores, através da Comissão de Educação, Cultura e Esportes, presidida pela vereadora Clênia Maranhão. Nada projeta mais Porto Alegre no país e no exterior do que a sua Feira, que celebra este objeto de nosso culto, o livro. No auge de sua celebração. postado por walter em 23/10/03
Hoje é dia de grande júbilo para os gaúchos, com a posse do escritor Moacyr Scliar na cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras. Mas, é bom ficar de olho na política também... postado por Walter Galvani em 22/10/03
O DESGASTE DO PODER
Walter Galvani
O PT, sigla brasileira para o Partido dos Trabalhadores, uma agremiação política que se situa seguramente à esquerda das posições tradicionais dos partidos trabalhistas neste país, mas nos procedimentos singulares e pontuais, muito mais conservadores do que se poderia imaginar, começa a sentir o inevitável desgaste do poder. A luz vermelha, se ainda não havia acendido, brilha agora nos corações e nas mentes dos líderes petistas. Perdendo seis pontos percentuais na popularidade do presidente Lula e outro tanto na lembrança do governo perante a opinião pública, já se sabe que, embora os números possam parecer ainda bons, refletem o início do degelo.
Assim tem sido, historicamente, no Brasil. Os eleitores brasileiros, uma vez feitas suas escolhas, costumam se manter solidamente confiantes nos primeiros meses dos mandatos, mas, aos poucos, vão se deixando escorregar, no mesmo tempo em que começam a se dar conta de que não foi possível mudar o país com a intensidade, dimensão e profundidade que haviam imaginado. E assim tem sido, com todos os governantes, mesmo com Fernando Henrique que foi reeleito.
No passado, a matriz totalitária que assinalou a república desde o seu nascimento em 1889, e que sempre se refletiu ao longo destes 114 anos, procurava a solução dos problemas com a promessa emblemática de uma ruptura e reformulação de costumes. O que nunca houve, porque a convivência com a corrupção, a ignorância do povo e seu analfabetismo funcional, formaram um caldo de cultura altamente favorável aos demagogos e aos golpistas. E assim, de golpe em golpe, desde o primeiro, o do dia 15 de novembro de 1889, até os dias de hoje, passando pelos períodos inúmeros de estado de sítio, na Primeira República, depois com a Revolução de 30, que, apesar dos seus ideais libertários, fruto de uma “aliança liberal”, persistiu com Getúlio Vargas no poder ditatorial por quinze anos, mais adiante o golpe militar de 64 que durou 22 anos, e assim por diante. Todos, mesmo os mais exaltados democratas, tem demonstrado sua filiação ao sonho imperial. Caiu o império, mas não a mentalidade paternalista e autoritária. E assim chegamos ao período dos “pais do povo” que mudam de plumagem, mas continuam com a sua mesma natureza orgânica de avestruzes, capazes de engolir tudo, de caviar a dejetos, em nome da permanência no poder.
Eis porque a não ser em períodos curtíssimos e por conveniência política apenas, para enfraquecer um governante, no caso João Goulart, o Brasil nunca aceitou um regime parlamentarista, como já teve, com sucesso, mesmo considerando os vezos absolutistas dos dois imperadores, no século dezenove.
Agora o PT que está no poder, apenas reproduz o exemplo dos antecessores e se assusta com a perda de popularidade que poderá levá-lo a deixar os palácios já alcançados.
Para os analistas políticos que andei ouvindo, porém, ainda é cedo, pois não surgiu quem possa substituir no imaginário brasileiro, a estrutura política de um partido vitorioso que encarna ao mesmo tempo a Igreja, o Estado, o Imperador e o Coronel do campo.
Lula portanto ainda tem fôlego, com sua corte, para suportar as próximas atomizadoras eleições municipais do ano que vem. Depois, o novo quadro político, desenhando alianças inacreditáveis, exorcizará de vez, a ilusão de pureza do partido dos trabalhadores.
Estaremos no olho do furacão interestelar? postado por walter em 21/10/03
TODOS OS LADOS DA CRISE
Walter Galvani
Estamos em meio à desintegração geral, como passageiros de uma espaçonave que transita pelo cosmos, sem poder de interferência para serenar a desordem dos elementos. Olhamos à direita e à esquerda e só vemos o caos. Aos poucos vamos nos conscientizando que, talvez, o melhor procedimento seja manter a calma, indiferença, e com isso a expectativa de que ultrapassaremos este olho de furacão cósmico e, logo ali, o Sol nos aguarda. Não apenas com seus raios aquecedores dos humanos, mas como um deus que orienta o tráfego interestelar e poderá nos conduzir até um recanto menos perturbado do universo. Este é o sentimento neste amanhecer do dia 21 de outubro de 2003, quando se olha ao redor e nada mais se vê, a não ser retalhos de um cotidiano ameaçado e réstias de esperança.
Em termos de Brasil, da ogiva que podemos divisar o grande país dito “do futuro”, como num passado de mais de cinqüenta anos afirmou o saudoso escritor austríaco Stefan Zweig que aliás, disse isso e se matou, se vê de tudo. Até o caso de uma ministra, Benedita da Silva, que afirma que devolve o dinheiro das passagens que usou para ir a Buenos Aires, já que a acusam de haver feito a viagem com recursos do governo para participar de um congresso evangélico, até à promessa deste mesmo governo de que os “os juros cairão amanhã”.
Olha-se mais longe, desde o nosso aparelho de sobrevôo estratosférico e ficamos sabendo que nos últimos vinte anos, este é o pior índice de desemprego na América Latina. As notícias não explicam que a proporção é a mesma no mundo inteiro. Ou pior, como no Iraque, por exemplo, ocupado por uma potência estrangeira que perde 2 soldados por dia e faz 20 vítimas, numa proporção assustadora que nem o Alcorão nem o Antigo Testamento, com suas teses centenárias de “olho por olho, dente por dente”, seriam capazes de apoiar.
O Brasil se classifica internacionalmente entre os países da rabeira dos levantamentos da ONU em matéria de analfabetos funcionais, corre bonito entre os campeões da corrupção e tudo parece engraçado e encaminhar a grande nação para uma espécie de paraíso.
Sinceramente, dá vontade de emigrar. Mas, para onde? Para Portugal não dá, porque lá as prostitutas brasileiras chegaram antes e aos milhares andam agora zanzando da fronteira portuguesa para a espanhola, em troca de euros e drogas.
Resta-nos acreditar nas gerações futuras. Prosseguimos em nosso vôo entre as esferas superiores sem poder acreditar em salvamento ou resgate. O remédio simples da eleição, este já aplicamos. Revoltas, subversão, tudo isso já fizemos aqui e a solução foi zero.
Perdidos no espaço, encobertos pelas brumas do passado, atrapalhados pela visão de um futuro cada vez mais incerto, voamos. Já não sabemos se nossa nave espacial vai explodir contra um asteróide ou transitar inesperadamente livre para o nirvana absoluto. E, a bordo, todos os tripulantes e passageiros, de olhos esgazeados, mortos, apocalipticamente mortos.
Num velho ponto dos livros na cidade, diante da Livraria do Globo, começa o seminário que aquece os motores e os corações para a 49a. Feira do Livro. Hoje no centro de Porto Alegre postado por walter em 20/10/03
AQUECENDO A FEIRA
Walter Galvani
Hoje às 18 horas, a Coordenação do Livro e da Literatura da Secretaria Municipal de Cultura, que tem o escritor Paulo Bentancur no comando, promove o reencontro com uma área da cidade que já teve significativa participação na atividade literária: a Rua da Praia. O evento “Aquecendo a Feira” abre com a presença dos dois patronos em ação: Ruy Carlos Ostermann, o patrono do ano passado, cujo mandato ainda está em vigor e o novo patrono, este que subscreve estas linhas, e que iniciará seu período no dia 31 de outubro.
O Sarau Literário que abre o seminário “Aquecendo a Feira” aqui em Porto Alegre, onde se realiza o maior encontro livreiro a céu aberto da América Latina, este ano pela quadragésima nona vez, desdobrar-se-á todos os dias de segunda à sexta-feira, às 18 horas. Com as “Crônicas da Feira” começaremos hoje eu e o Ruy, enquanto Geraldo Huff e Vitor Ortiz, respectivamente o presidente da Câmara Riograndense do Livro e o Secretário Municipal de Cultura, anteciparão que livros escolheriam para preservar, antecipando o Projeto Fahrenheit, baseado no filme de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451”, sobre um futuro em que os livros seriam queimados e era preciso memorizá-los para que não se perdessem.
Já escolhi o livro que apresentarei durante a Feira: “Memórias de Adriano”, de Marguerite Yourcenar.
O encontro prossegue amanhã, na sede da Secretaria Municipal de Cultura, na Biblioteca “Josué Guimarães”, à rua Erico Veríssimo, 307, na sede do Centro Municipal de Cultura.
A Livraria do Globo, ponto de encontro dos intelectuais dos anos vinte, trinta até os anos cinqüenta, pela importância da Editora Globo e da sua Revista do Globo, reviverá os momentos em que os mais importantes escritores e políticos gaúchos, reuniam-se para um bate-papo de fim da tarde. Entre esses, o governador da província no final dos anos vinte, Getúlio Vargas, mais tarde o líder da Aliança Liberal e da Revolução de 30, que o levou à presidência da república.
Esta crônica foi publicada hoje na edição impressa do jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, com sede em Novo Hamburgo, poderosa "cidade industrial" da região metropolitana de Porto Alegre postado por Walter Galvani em 19/10/03
MUROS E CADEADOS
Walter Galvani
Brasil e Argentina reproduzem o comportamento dos homens de bem que para proteger-se e à sua família, cercam-se de muros altos, grossas correntes e cadeados, eletrificação não tão discreta, cães e câmeras de vídeo, avisos, cartazes que vão desde o tradicional “Cuidado com o cão”, que já havia nas ruas de Pompéia nos primeiros anos do século I, há dois mil anos portanto, até à caveira com os dois ossos cruzados que alertam sobre o perigo do choque.
Conhecemos muito bem esta providência que na opinião de muitos cidadãos pode manter afastado de si e de seus familiares, o perigo do furto, do roubo, do seqüestro, da morte, da violência gerada pelo desequilíbrio social e agravada pelos corruptos, pelos traficantes de droga e pelos participantes da indústria do crime organizado. Adianta?
Nossos dois países, irmãos no bem e no mal, que perpetraram o crime do século XIX, quando uniram-se com mais a adição do Uruguai, na famosa Aliança ABC, para esmagar o governo do Paraguai, matar o ditador Francisco Solano Lopez e tomar algumas terras ao país mediterrâneo. Foi o que aconteceu, embora exista uma versão cosmética que a história oficial gosta de preservar.
Agora, Brasil e Argentina subitamente se mostram comovidos e preocupados com a Bolívia. É a mesma história do cidadão que sonha com a sua própria garantia imaginando que levantando altos muros e se protegendo com toda esta parafernália moderna, estará imune aos problemas dos outros e poderá viver em paz, dentro de seu pátio. Infelizmente para muitos, os que podem se dar a esse luxo, não adianta. Quando menos se imagina, o crime adentra os portões de sua residência, seus cães são mortos pelos criminosos, os fios eletrificados são cortados, ou algum bandido penetra pelo portão eletrônico, sem falar no seqüestro de um filho ou neto que escancara toda a fraqueza do lar invadido. “É que, como diria John Kennedy, de nada adianta levantar altos muros, se o inimigo vive dentro de suas próprias fronteiras”.
É o caso destes dois “emotivos” vizinhos que querem ver a paz dentro do território boliviano, para que não seja atrapalhada a comercialização do gás natural vantajosamente negociado com Brasil e a Argentina...
Eles sabem, mas não querem reconhecer publicamente, que primeiro é preciso resolver os problemas internos dos vizinhos, caso contrário, acabará por explodir toda a sua proteção. Não há como se manter incólume diante das vicissitudes do mundo moderno, com a globalização da miséria, da fome, da ignorância, do analfabetismo e da falta de ética.
A crise moral é muito maior do que a crise econômica, porque uma se alimenta da outra. Como resolver este impasse? Aceitando que ele não é apenas local, regional, ou nacional. É internacional.
Pessoalmente, acredito numa utopia, que poderá levar milhares de anos, mas que não deixa de ser um objetivo digno: o fim das fronteiras nacionais, a unificação da humanidade sob o governo único de uma assembléia das nações, com eleições de representantes e escolha de dirigentes. Sonho? Loucura? No entanto, a contrapartida de que enquanto existirem divisões, divergências raciais, preconceitos, desníveis sociais e econômicos, continuarão as guerras e revoluções, os atentados, sabotagens, os homens-bomba, os suicídios, também é indiscutível.
O que fazer então? Como Hamlet, o príncipe da dúvida, disse uma vez: “Morrer, dormir, talvez sonhar, quem sabe?”; ou lutar, combater, continuar pagando o preço da luta pela igualdade, pelo socialismo democrático, pelo fim das diferenças e pela aceitação do outro?
Renunciou, como era esperado, o presidente da Bolívia, um dos países mais pobres do mundo e que vende gás barato para o Brasil e Argentina, dois cínicos protetores da sua democracia, hoje o Brasil, quase todo, entra em horário de verão, devemos adiantar os relógios em uma hora, e o fim-de-semana será, como tem sido nestes últimos cem anos, do futebol... que promove a verdadeira globalização entre os povos. Pelo menos não conheço povo que não admire Pelé e Ronadinho, ou Figo ou Beckman. postado por walter em 18/10/03
FÃ DE JOHN WAYNE
Walter Galvani
A mais recente biografia de John Wayne põe a nu, as mazelas do comunismo russo, por via indireta. Divulga-se o absurdo de haver o ditador Josef Stalin planejado o assassinato do ator americano, por tudo o que ele representava como adversário do regime. Por ser anti-comunista convicto, tornado patente em inúmeras declarações públicas, por haver se solidarizado em certo momento com o governo americano que abertamente perseguia os poucos, pouquíssimos seguidores da filosofia política comunista nos Estados Unidos e por seus desempenhos no cinema, num período em que os filmes produzidos por Hollywood, eram, como hoje, absolutamente maniqueístas, tão maniqueístas quanto a tosca ideologia do presidente Bush. Wayne era o “mocinho” contra os bandidos, o bem contra o mal, o “cow-boy” do revólver em punho, cuja munição nunca se esgotava e acabava sempre ficando com a “mocinha” no final. Era o Bom da fita...
Stalin havia mandado contratar pistoleiros mais rápidos no gatilho do que o ator americano e preparava-se o atentado para qualquer momento.
A sorte e a morte se somaram para evitar um erro político que teria sido fatal para soviéticos, na época ainda ancorados no grande império que o comunismo construiu para suceder ao czarismo, como o mesmo espírito imperial de domínio regional e continental, igualzinho ao que os americanos procedem hoje. Os sucessores imediatos de Stalin, para sorte de John Wayne, eram fãs do ator... E assim, a questão ideológica ficou sepultada numa admiração basbaque de “tietagem” da época.
Ninguém morreu. Só os que foram perseguidos pela própria ditadura estalinista.
Quando se fala em socialismo, fala-se em socialismo democrático. O que é difícil, pode se constituir numa utopia, mas vale a pena construir…
As igrejas, de um modo geral, não gostam de discordância, de divergências. Nesse caso, estão perfeitamente encaixados os ditadores de um modo geral e as religiões.
Como não sofro de nenhum fanatismo, nem esportivo, nem político, muito menos religioso ou ideológico, racial ou nacional, posso assina r meu nome neste artigo, com grande alegria. Gosto muito do John Wayne do filme “No tempo das diligências”, o “Stagecoach”, do diretor John Ford. Mas não gosto da ideologia maniqueísta norte-americana ou de seus seguidores-imitadores pelo mundo afora...
Ontem foi homenageado como patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, com uma bela placa de prata da prefeitura de Guaíba, cidade onde vivo desde 1997. Há seis anos portanto. Hoje serei homenageado em minha terra natal, Canoas, no 19. aniversário da Fundação Cultura, presidida pelo mestre internacional de xadrez, Francisco Trois, pela minha eleição como patrono da feira de Porto Alegre que é, como se sabe, "a mãe de todas as feiras do livro" do Rio Grande do Sul. Mas não posso deixar de deitar um olhar para a Bolívia, que é a "bola da vez" no complicado tabuleiro da América Latina. postado por Walter Galvani em 17/10/03
ESTABILIDADE POLÍTICA,
BOLÍVIA, GÁS E OUTROS QUE TAIS...
Walter Galvani
É conhecida a opção democrática de Lula, embora por vezes alguns setores do seu partido sejam acusados de estalinistas. Da mesma forma, o presidente argentino Nestor Kirchner que chegou ao poder pelo mais legítimo voto das minorias, e nada de surpreendente portanto sobre o chamado “consenso de Buenos Aires”. Unem-se os dois trapalhões de ontem – falo em Brasil e Argentina, historicamente responsáveis por perturbações da ordem, união para invadir vizinhos e golpes militares – para falar em pacificar a Bolívia. Dois embaixadores extraordinários partem hoje para reunir-se com o presidente boliviano Gonzalo Sanchez de Losada e tentar uma negociação que inclua o MIR e o NFR, siglas misteriosas que abrigam o “Movimento Esquerda Revolucionária” e a Nova Força Republicana.
Habituados a lidar com a revolta ideológica nas próprias hostes, sem dúvida Lula e Kirchner têm o “know how” (como diriam os americanos, ou o “saber fazer” como docemente se diria em Portugal, onde aliás continua-se a falar português...) suficiente para tentar uma pacificação que não seria interpretada como intervenção internacional. Pelo menos sob seus próprios pontos de vista. Será mesmo?
Porque há o problema do gás boliviano, por trás disso. Esqueceram? Não, não dá para esquecer. Estamos, nós aqui no sul também, mais ainda os brasileiros do centro-oeste, em plena rota do gasoduto boliviano que, num simples abrir de torneiras, vende o produto para o Brasil ou para a Argentina. Por isso mesmo temos os olhos vermelhos de tanta apreensão com a convulsão social e política que “já matou mais de 80 pessoas” nas últimas semanas. Vai continuar matando, infelizmente.
Morre-se pelas idéias. Ninguém morre em vão e a não ser nos confrontos com o tráfico de drogas, crime organizado, a morte é uma glória como o provam os fundamentalistas muçulmanos. Isso não é novo na história da Humanidade.
Paciência, haja paciência! Prefiro refugiar-me sob a sombra de uma laranjeira, ouvindo os sabiás nesta primavera. Mas, quem tem direito a isso? Quem fez esta conquista, trate de preservá-la. Mas, como diz bem o meu personagem Anacoluto, no livro em que ele conta sua biografia, ninguém está seguro dentro dos muros da sua casa-fortaleza. A qualquer momento, os “brutos”, os “selvagens”, podem invadir seus limites. Não estamos imunes.
A data proposta pelo deputado Manoel Maria e aprovada ontem pela Assembléia Legislativa do RGS padece de um equívoco, um vício de origem: 31 de outubro é inauguração da Feira do Livro só este ano postado por walter em 16/10/03
UM DIA PARA A CULTURA
Walter Galvani
Foi das mais meritórias a idéia do deputado Manoel Maria, em propor o estabelecimento de um “Dia da Cultura”. No entanto, talvez a data escolhida não tenha sido a mais conveniente. Explico: foi apontado o dia 31 de outubro e a Assembléia aprovou por unanimidade; no entanto, a razão alegada, coincidência com a inauguração da Feira do Livro, dar-se-á este ano sim, talvez em algum momento futuro, mas não será permanente.
A inauguração da Feira do Livro de Porto Alegre é marcada sempre para a última sexta-feira de outubro. No ano que vem, ano do Cinqüentenário da Feira, o acontecimento será no dia 29 de outubro.
A segunda coincidência, que desarma o dia como um possível “Dia da Cultura”, é o fato de que 31 de outubro já assinala o “Dia da Reforma”, ou seja a data em que se comemora o momento histórico em que Lutero apregoou seus famosos pontos de divergência com a Igreja Católica, o que gerou o nascimento do luteranismo. Com toda a força que tal respeitável religião possa ter agora, como uma das igrejas cristãs, não deixa de ser um momento de cisma com aquela que é professada pela maioria dos brasileiros.
E tudo isso, sem falar que, apesar de ser uma importação, já está bastante difundida também a celebração do “Dia das Bruxas”, a festa de “Halloween” a 31 de outubro.
Portanto, entendo que o governador do estado pode e até deverá vetar esta nova lei, sem que isso possa parecer que haja uma indisposição com a Cultura em si, ou má vontade com os setores culturais.
É que a lei, que me perdõe o deputado Manoel Maria, já nasce comprometida por uma impropriedade.
Há, consagrado já, e devendo receber cada vez maior incentivo, o Dia do Livro, anotado internacionalmente para o dia 23 de abril. Quem sabe fosse o caso de promover uma mudança, para não haver superposição ou excesso na área? Ou então, selecionar outra data, que não coincidisse com um motivo móvel, o que só irá criar confusão no futuro.
Não sei se há tempo, se ainda há possibilidade de recuo, ou se o processo na Assembléia o permite, mas o ideal seria uma retirada da lei, para melhor apreciação e encaminhamento posterior.
Hoje é 15 de outubro e não há outro tema digno de atenção. Mesmo porque continuam se matando pelas ruas do mundo... E é preciso reconhecer a inutilidade de todos os esforços civilizatórios, se não acreditarmos, mesmo na importância da educação, como pedra fundamental. postado por walter em 15/10/03
O DIA DO PROFESSOR
Walter Galvani
Os governantes hão de se manifestar hoje, reconhecendo publicamente o valor do trabalho dos professores e apontando a escolha do magistério como uma nobre opção. Falarão também das dificuldades do estado, seja em nível municipal, estadual ou federal e dirão que infelizmente o Tesouro público não cobre as despesas de um salário condigno para os pobres mestres.
Depois de choraram algumas lágrimas de crocodilo, dirão que no próximo orçamento, se a safra for boa, se a inflação não disparar, se o dólar se comportar, poderão pensar em dar 5 por cento de aumento.
Ou então, nada dirão e apenas farão um discurso de enaltecimento aos mestres.
De minha parte já sei o que dizer. Repito aqui em público o que costumo dizer em privado: se eu fosse ditador deste país, daria aos professores o melhor salário de todas as atividades.
Ditador? Sim, porque se eu não fosse ditador não poderia fazer isso. Os interesses se somariam de tal maneira que no Congresso minha proposição seria derrotada. Teria de fazer acordos quem sabe, beneficiando aqui e ali, para conseguir “tirar”, como costumam dizer, alguma lei exeqüível e me demonstrariam, por A mais B, que o orçamento não comporta este impacto.
Diriam até que minha lei inviabilizaria a previdência social e comprometeria o futuro da Nação.
Como já ouvimos este papo há mais de cinqüenta anos, conosco não “pega” mais.
E, no entanto, chegamos a mais um Dia do Professor. Não sou prefeito, não sou governador, não sou presidente e muito menos ditador. Mas, sou Patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, com imenso orgulho e pelo menos estou a trabalhar num evento que conta com o apoio e ajuda dos professores e consagra esta maravilhosa profissão em toda a extensão da sua dignidade. Mesmo que não possamos remunerar os mestres como eles mereceriam, lendo esta declaração de princípios, saibam que se um dia pudéssemos sonhar com a presença de alguém na liderança do país que pensasse efetivamente como nós, quem sabe se trataria de premiar, embora para muitos com tanto atraso, pelo bem extraordinário que tem trazido ao país.
Quem sabe assim sairemos da rabeira das classificações internacionais em matéria de alfabetização, de leitura, de compreensão da leitura.
Como sabem alguns freqüentadores desta página, moro em Guaíba, a antiga Pedras Brancas, berço da Revolução Farroupilha. Debaixo de um cipreste de mais de duzentos anos que ainda existe aqui e, graças a Deus, é reverenciado, conspirou-se no século XIX para fazer a grande revolta do Rio Grande contra o império brasileiro. Hoje é a data da emancipação política do município que, desde então passou a chamar-se Guaíba. Este artigo que segue foi publicado inicialmente na edição impressa do jornal "O Guaíba" que se publica nesta cidade e com ele rendo minha homenagem ao município que me acolheu há seis anos. postado por walter em 14/10/03
GUAÍBA, 77 ANOS
Sabemos que esta cidade é o berço da Revolução Farroupilha e que no alto da sua colina principal, um cipreste com dois séculos ou mais vela pela sua integridade e pela manutenção dos princípios que moldaram aquela epopéia de meia dúzia de bravos.
Sabemos que são muitos os problemas que nos cercam e às vezes quase asfixiam ou pelo menos retardam a consecução do que almejamos e que, no entanto, é preciso lutar.
Sabemos que a emancipação política agora com 77 anos de idade eleva a carga de responsabilidade a ser dividida entre todos, os que aqui nasceram e os que para cá vieram, como resultado de sua opção de vida.
Sabemos que a deslumbrante visão da natureza que nos serve de cenário e contorno, transforma em emoção o simples caminhar “à beira”, num fim de tarde ou no amanhecer.
Mas também sabemos que qualquer um de nós será capaz de dar tudo de si, doar-se integralmente ao pequeno povoado que hoje é a cidade cheia de esperanças e certezas no futuro. E que, só com esta entrega integral e coletiva, construiremos a Guaíba que todos sonhamos.
Walter Galvani
No Iraque continuam morrendo os jovens americanos, principalmente negros ou hispanos, que é dessa massa que se constitui o glorioso exército do cowboy texano... Mas, o trânsito aqui não escolhe. Mata ricos, classe média e pobres... Sem falar nos aviões que podem cair sobre a multidão que participa do Dia da Criança. Sorte que o acidente de Santa Maria se deu a... 200 metros do povo! postado por walter em 13/10/03
A MATANÇA DO FIM-DE-SEMANA
Walter Galvani
Somente em acidentes com motos, apenas no Rio Grande do Sul, tivemos 6 mortes no fim-de-semana. Se estendermos a estatística para o país, veremos que o trânsito mata muito mais do que a guerra do Iraque, que não terminou e continua abatendo jovens americanos. Diferença, na prática não há. Os que morrem em sua maioria são jovens entre os 18 e os 35 anos, já que a sociedade passou a chamar de jovens os que chegam à esta idade. Lembro que decidi certa vez, casar-me, porque eu havia chegado solteiro aos 28 anos e fui convidado por amigos de Tramandaí (uma estação de veraneio muito conhecida no Rio Grande do Sul ) para integrar no Carnaval o bloco “Dos Coroas”. Ora, “coroa”, querendo dizer a pequena coroa de carequice que se forma com a idade no alto da cabeça, assinalava por certo a idade adulta que estava aí. Agora chamam de “jovens” até os 35 anos. É verdade que isso deve ser porque a maioria dos homens (e mulheres) de classe média, ainda não definiram suas vidas quando chegam à esta faixa etária; estão a fazer doutorados e “otras cositas más”...
Pois bem: seis mortes, isso só em motos. Ou “motas” como se diz em Portugal, onde os motoristas também não são lá nada santos...Lembro certa vez que o táxi em que rodávamos no caminho da estação do Sodré, onde apanharíamos o comboio (trem) para Estoril, numa bela manhã de domingo, abalroou um automóvel que atravessava com o sinal a seu favor.É que eu havia conversado com o motorista. Não dá para brincar em serviço. Felizmente só fiz uma faísca elétrica na ponta do cotovelo – e minha companheira também – que jamais perdi, jamais perdemos. Lembranças da “santa terrinha”...
Outro absurdo é este das acrobacias sobre a multidão. Ontem caiu um avião em Santa Maria, com o comandante do grupamento de caça da FAB, a duzentos metros dos participantes da festa do Dia da Criança.
Isso já ocorreu, é claro, em outros lugares, inclusive em Paris e inclusivemente na época de Santos Dumont. Portanto, não é novidade, mas já se devia ter aprendido que as acrobacias podem ser feitas numa distância e num ângulo que proteja o povo.
Ontem só dormi quando soube que o acidente fora em Santa Maria e não em Canoas, onde meu neto Lucas estivera, naturalmente se deslumbrando com os aviões tanto quanto esse avô aqui, que por lá ter nascido, um dia sonhou em ser aviador. Graças a Deus não me estatelei – ainda – sobre ninguém e tampouco consegui chegar a piloto de caça...
Mas, é sério e as autoridades da Aeronáutica deveriam pensar um pouco mais nessa hora de festas e... desgraças. Não é só o custo do avião, nem do piloto com o qual, afinal, o país gastou, nele investindo por anos a fio, em sua formação e aprimoramento. Agora pagaremos o salário da viúva e a pensão dos filhos. Que ficaram sem pai no Dia das Crianças.
Mais leve: no Dia da Criança, o time jovem do Inter, este sim de jovens, um deles com 17 anos apenas, outros com 18 e 19 e que caíram diante do Grêmio, mais veterano e necessitado que está procurando fugir da segunda divisão do futebol brasileiro. Foi um desastre também, esse sem mortos e feridos, mas gerando muita frustração. Afinal, alguém tinha que perder... Um dos dois. Ou empatar, quem sabe, o que andou ali. O Grêmio assim cria novo ânimo e isso é bom para o Rio Grande, onde pelo menos metade da população é gremista.
Falo sobre a escolha de um advogada iraniana para ser o Prêmio Nobel da Paz de 2003, nesse artigo publicado na edição impressa de hoje do ABC DOMINGO. Mas, Rub inho Barrichello fez o jogo da Ferrari e de Michael Schumacher, que entrou em oitavo mas se sagrou hexa-campeão mundial de automobilismo - fórmula 1, superando a marca do argentino Juan Manuel Fangio, penta-campeão. Há, e explodiu uma bomba num hotel usado pelos americanos no Iraque... Bom domigo a todos... postado por walter em 12/10/03
NEM O PAPA, NEM LULA
Walter Galvani
O prestígio internacional do Prêmio Nobel, seja da área de literatura, de medicina, de física ou química, ou da Paz, continua presidindo um dos poucos atos humanos universalmente aceitos neste período de globalização e provincianismo, duas tendências opostas que confraternizam no mundo moderno. Por vezes, autores desconhecidos surpreendem o mundo literário com seus nomes, oriundos de países pequenos, como o caso de José Saramago, ou marginais. Ou ainda surpreendentes, por inesperados, como o caso de Koetze, o premiado sul-africano deste ano.
Mas, o Nobel da Paz, eleito por um comitê especial sediado em Oslo, capital da Noruega, costuma coroar um grande nome ou a liderança de algum movimento que interfira publicamente no comportamento político internacional.
Shirin Ebadi não existia para a grande “media” até anteontem. Hoje seu nome é sinônimo da defesa dos direitos da mulher e da criança, área em que ela se notabilizou em seu país de origem, e onde sofreu toda a sorte de restrições desde 1979, quando foi derrubada do mais alto posto da magistratura iraniana, jamais atingido antes por alguém do sexo feminino, pela Revolução Islâmica que levou os aiatolás ao poder.
Cinicamente, os tais lideres político-religiosos de seu país representados pelo presidente Mohamed Khatami, declararam-se “contentes” com a nomeação.
Entre os 165 concorrentes havia todo o tipo de candidato. Desde o Papa João Paulo II, cujo precário estado de saúde funcionava favoravelmente à sua indicação, sensibilizando os eleitores, ou o presidente Lula, do Brasil, este contando com uma grande “torcida” dos brasileiros que acreditam permanentemente em milagres. Dessa vez, ficaram todos frustrados. Inclusive os ridículos defensores da candidatura de George Bush ou Tony Blair, imaginem só, leitores, estamos falando em Nobel da Paz!
Shirin Ebadi, uma ilustre desconhecida para todo o mundo, não o é apenas para parte do mundo islâmico. “Sou muçulmana – explicou ela – e defendo os direitos das mulheres e principalmente, das crianças!”
No ano passado, este prêmio sempre surpreendente, favoreceu o ex-presidente americano Jimmy Carter, notório amigo de Fidel Castro, por quem foi recebido em Cuba no ano passado e que defende o fim do bloqueio econômico à ilha. Como eu, aliás. Como muitos que sabem que o tal bloqueio piorou a vida apenas do povo cubano e não enfraqueceu a posição de Fidel. Ao contrário, fortaleceu-a internamente e perante a opinião publica internacional. Mais ainda com a última agressão americana, que foi a de levar prisioneiros de guerra para a base de Guantanamo, que fica em território cubano, arrendado pelo governo americano. Não podem os cubanos expulsar os americanos de sua ilha, nem talvez o queiram. Afinal, a terra está arrendada e por pior que seja o contrato, rende dólares, gastos no aluguel ou na compra de alguns bens e serviços nas redondezas.
O fato é que o Nobel da Paz mexe com o ganhador e suas circunstâncias. Seu país e suas ligações. Não será diferente com a estranha e desconhecida Shirin Ebadi, que amanhã será íntima de todos nós. Pelo menos, os que ignoram, ficarão sabendo da difícil vida das mulheres em seu país, o Irã, e das injustiças que se cometem contra as suas pobres crianças com alguns costumes que, denominá-los de medievais constituiriam num insulto à Idade Média...
A BBC de Londres divulga hoje em sua página na Internet, uma informação que interessa aos leitores do "Anacoluto do princípio ao fim", meu livro que está em todas as livrarias menos na Saraiva... É um romance, mas pode servir de autoajuda. E quem o lê "do princípio ao fim", sabe do que estou falando. postado por walter em 11/10/03
Antibióticos podem retardar Alzheimer
Uma combinação de dois antibióticos comuns pode ajudar a retardar o aparecimento dos sintomas do Mal de Alzheimer.
Uma pesquisa da Universidade McMaster, do Canadá, mostrou que pacientes tratados com doxiciclina e rifampina sofreram degeneração do cérebro mais lenta do que os tratados com placebo.
Os especialistas alertam que um estudo com apenas 101 pacientes não é suficiente para chegar a nenhuma conclusão, e os pesquisadores canadenses disseram que são necessárias mais pesquisas para confirmar o resultado.
Mas eles afirmam que a conclusão desta pesquisa sugere que o tratamento com antibióticos produz resultados comparáveis aos tratamentos que existem atualmente - e que têm efeito apenas sobre metade dos pacientes.
O líder da pesquisa, Mark Loeb, disse que "o regime de antibióticos pode permitir a um paciente de Mal de Alzheimer que permaneça em casa por mais tempo, evitando ir para um asilo ou outra instituição, ao menos por um período".
Infecção
Já existe a teoria de que uma bactéria comum, causadora da pneumonia, pode ter uma função no Mal de ALzheimer.
Mas o tratamento com antibióticos não levou a uma redução significativa dos níveis desta bactéria nos pacientes, como poderia ser esperado.
Loeb acredita que os antibióticos podem atuar interferindo na formação de placas em torno das células do cérebro, a marca do Alzheimer.
Ele disse ainda que os efeitos anti-inflamatórios dos antibióticos são fundamentais.
A pesquisa msotrou que, em uma escala de 70, os pacientes tratados com placebo tiveram degeneração 2.75 maior em seis meses, do que os tratados com os antibióticos.
Aos 12 meses, ainda havia diferenças entre os grupos, mas elas não foram consideradas significativas.
Resposta do sistema imunológico
David Wilkinson, de um centro de pesquisas de Alzheimer na Grã-Bretanha, disse que é preciso realizar novos estudos antes de se chegar a uma conclusão.
Mas ele disse à BBC que "há um claro entendimento entre os médicos desta área que infecções como a gripe podem piorar os sintomas do Mal de Alzheimer e provocar confusão mental em alguns pacientes idosos, que não apresentem sinais óbvios da doença".
"Uma das teorias é que as mudanças no cérebro de um paciente de Alzheimer fazem com que o sistema imunológico do cérebro seja extremamente sensível aos químicos produzidos pelo organismo quando lida com novas infecções, exagerando nas reações e causando ainda mais danos."
"Diminuir o uso deste sistema imunológico com o uso de anti-inflamatórios ou, neste caso, com o tratamento profilático no início de uma infecção, pode ser uma das formas de diminuir os efeitos da doença, retardando a degeneração."
Mas Wilkinson advertiu que o uso exagerado de antibióticos é preocupante, já que as bactérias têm se tornado cada vez mais resistentes aos remédios hoje disponíveis.
Ele disse que se a teoria for provada correta, seria melhor encontrar formas alternativas para diminuir a resposta do sistema imunológico do cérebro às infecções.
Todos os fanáticos religiosos, sejam eles católicos ou muçulmanos, judeus ou shiitas, todos os ultra-conservadores ou os extremistas de qualquer espécie, estão hoje de cara no chão... postado por walter em 10/10/03
NEM O PAPA, NEM LULA
UMA ADVOGADA IRANIANA
É O NOBEL DA PAZ
Walter Galvani
Esta manhã, dia 10 de outubro, o comitê internacional que escolhe o Prêmio Nobel da Paz, reunido em Oslo, capital da Noruega, anunciou o nome da advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, como a ganhadora do ano de 2003.
Ela foi a vencedora entre 165 candidatos em que estavam incluídos e até apontados como possíveis favoritos, o Papa João Paulo II, cujo estado de saúde precário o favoreceria, segundo algumas fontes, a receber a distinção este ano, o teatrólogo e ex-presidente Vaclav Havel, o presidente do Brasil, Luis Ignácio Lula da Silva e até Tony Blair, o desastrado e pouco confiável primeiro ministro inglês, e o líder do conservadorismo e da política imperial dos Estados Unidos, o republicano George Bush.
Foi uma bela vitória para fechar a boca dos que costumam julgar os prêmios Nobel subordinados às questões políticas. Nem Bush, nem Papa, nem Blair, nem Lula, nem ninguém que pudesse ser cotado por suas posições ambíguas, conservadoras ou progressistas, enfim, nenhum dos famosos da cena internacional, personalidades brilhantes da “media”, espécie de “bonecos” dos meios eletrônicos.
Shirin Ebadi é uma advogada que foi presidente do principal tribunal iraniano até 1979 e desta posição foi derrubada pelos conservadores que tomaram o governo do seu país. Desde então ela deu prosseguimento à sua carreira atuando pessoalmente ou em ongs, sempre defendendo os direitos das mulheres e das crianças, prioritariamente, tarefa penosa e pesada tanto em seu país como em todo o mundo, em especial no Oriente Médio e na América Latina.
O governo do Irã, extremamente conservador, forçado pela inesperada decisão, manifestou-se publicamente, talvez com uma bela dose de cinismo, dizendo-se “reconhecido pela distinção”.
Acreditam os oficiais do tal governo que seu país será assim mais conhecido no mundo. Claro, “por linhas tortas”, tal como a imagem do Brasil no exterior nos anos setenta, quando, de tanto falarem mal por causa dos governos militares, os estrangeiros afinal, falavam do nosso país...
Agora será a vez do Irã. Ficar-se-á sabendo tudo a respeito da sociedade redutora, inclusive como tratam suas mulheres e crianças. Shirin Ebadi talvez tenha que emigrar, mas depois de receber o equivalente a três milhões e seiscentos mil reais, prefira residir em Paris ou quem sabe, Oslo, mesmo ou Estocolmo.
Ou, voltando à sua terra, transformar-se em foco de admiração e peregrinação.
Lá, no entanto, sempre há o perigo de fanáticos religiosos que se transformam em “homens-bomba” para destruir sua vida, sua casa, sua família e, por seu turno se transformarem, tais atores suicidas, em herdeiros de milhões que beneficiam os próprios descendentes, de acordo com tradições locais.
Naturalmente, em caso de equívoco público, o governo iraniano, conhecido pelo seu insuperável conservadorismo e defensor de costumes retrógrados, talvez venha a prestar contas do seu pensamento e de suas ações.
Para alguma coisa terá servido o Prêmio Nobel da Paz 2003. Viva então Shirin Ebadi!
O "Anacoluto do princípio ao fim" está chegando às ruas do Rio de Janeiro. Desde o início da semana, dezenas de "out-doors" fazem a divulgação do livro editado pela Record, que já está nas livrarias. postado por walter em 09/10/03
Esta é a epígrafe do livro "Anacoluto do princípio ao fim":
PEQUENOS BARCOS
Esta é uma história que fala da nossa pequenez, da nossa fragilidade diante do destino.
Condicionados pelo nascimento, até pelo nome de batismo às vezes, escravos das nossas circunstâncias, somos, como diria Scott Fitzgerald, “pequenos barcos jogados contra a corrente”.
E nem os “grandes” escapam à fria determinação do que está escrito no seu genoma, ou... nas estrelas.
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O "Anacoluto" será apresentado em Canoas, Guaíba e Gramado.
Em Pelotas, dia 12 de novembro, na Feira do Livro.
E na Feira do Livro de Porto Alegre, claro, no dia 2 de novembro às 15h30min, com palestra do escritor Luis Antonio de Assis Brasil.
Simpósio sobre a água, promoção da ARI postado por walter em 08/10/03
Muito oportunamente a Associação Riograndense de Imprensa está promovendo a partir de hoje, na sede da FIERGS, em Porto Alegre, um simpósio sobre a água.
O assunto é muito sério e, de um modo geral, as pessoas nem estão ligando para o assunto. A questão sai pelo ralo, literalmente... Mas saibam: ainda antes da metade do século (parece profecia de Nostradamus) estaremos pagando pela água potável ou não, da mesma forma que pagamos hoje pela gasolina.
Vamos acordar?
Hoje é dia de fazer fila na Livraria Cultura em Porto Alegre, para reverenciar Armindo Trevisan, poeta e crítico de arte, e... Jesus! postado por walter em 07/10/03
“O ROSTO DE CRISTO”
Walter Galvani
O rosto do jovem rabino que mudou a história do Mundo, que criou um código de ética que até hoje prepondera sobre as questões religiosas, raciais ou internacionais, políticas, é o sumo da obra do poeta Armindo Trevisan, profundo conhecedor das artes plásticas e da própria viagem do homem sobre a Terra, é o tema do livro que será apresentado hoje na Livraria Cultura, do Bourbon Country.
Em sua pesquisa, Armindo desceu até às últimas conseqüências e, por assim dizer, raízes do tema e conseguiu trazer à tona a explicação, com a sua visão inspirada e informada. Pode-se dizer que ele pega assunto entre as mãos e, com imenso carinho e cuidado, vai revolvendo-o e decifrando-o, para que os leitores, enfim, entendam-no em toda a sua profundidade.
Cristo é apresentado como de fato deveria ter sido e como foi representado pela arte ao longo dos séculos, demonstrando o que a visão humana fez com ele, para chegar ao entendimento profundo de sua mensagem, da sua simbologia. Para tanto, refaz o caminho histórico da representação gráfica e artística do “suave rabino” que foi capaz de ensinar que devemos amar-nos uns aos outros e oferecer a outra face ao levar uma bofetada.
A apresentação do livro de Armindo Trevisan, editado pela AGE, 263 páginas, (120,00 a edição de luxo e a 60,00 reais a edição normal), será feita hoje às 19h, na livraria Cultura do Shopping Bourbon-Country, em Porto Alegre; Armindo, 70 anos, membro do Conselho Estadual de Cultura, foi patrono da 67a. edição da Feira do Livro da capital gaúcha, realizada no ano de 2001.
O subtítulo do livro é bastante explicativo do seu significado: “A formação do imaginário e da arte cristã”. Nele Armindo conta porque os cristãos evoluíram desde a representação baseada em modelos pagãos, clássicos gregos, até passarem pelo Renascimento que popularizou a imagem do homem loiro de longos cabelos e suaves olhos azuis, o modelo italiano de beleza, até vagarosamente retomar, o que está acontecendo agora, ao possível biótipo judeu, que afinal, era o que era Jesus.
O complicado xadrez dos povos e - o sonho ou realidade, utopia ? - fim das fronteiras nacionais. E das guerras... postado por walter em 06/10/03
O ATAQUE À SÍRIA E A ONU
Walter Galvani
À cada dia, a ONU dá uma nova demonstração da sua incapacidade para resolver as situações criadas pela “lei do mais forte”, a única que de fato prepondera nas relações internacionais. Há os ataques suicidas contra soldados e instalações de Israel, há o contra-ataque israelense com o bombardeio de objetivos em território do... digamos, vizinho ou adversário, ou concorrente, ou inimigo, como se queira classificar.
Este é o balanço negativo de cada fim-de-semana que nos apavora com seus números friamente estatísticos, em que se sabe que morreram tantos e quantos para cada lado. O que não importa a quem trabalha com os resultados práticos do que pretende para seu país. No caso de Israel a pergunta é: o que deseja de fato Israel?
Quem estuda a motivação histórica da criação do estado para os judeus no Oriente Médio, desde a viagem do “Exodus” e os primeiros “kibutz”, sabe-se que a idéia era apenas uma terra onde viver em paz, sem confronto com os vizinhos, e ali, plantar e colher sem a ameaça de forças nazistas ou fascistas que os perseguissem.
Um adeus à velha Europa, para onde haviam emigrado, há tantos anos, seus antepassados, obrigados que foram mais tarde a ir deixando os países cristãos e enfim, buscando sem cessar uma terra prometida...
O sonho de Israel levantou-se novamente no Oriente Médio. Para lá retornaram os descendentes dos judeus poloneses, russos, franceses, portugueses, espanhóis, brasileiros, italianos. E então, seria “Morrer por Israel”, o próximo lema. Esqueceram-se de “combinar” com os árabes muçulmanos o significado de um estado moderno, rico e tecnologicamente desenvolvido, abertamente apoiado pelos Estados Unidos e pela Inglaterra.
Inveja, competição, miséria, devastação, guerra, injustiça, revanche, vingança, afinal “olho por olho, dente por dente”, a “lei de talião” vigorando na realidade e o que temos hoje?
A impossibilidade do tabuleiro do Oriente Médio.
Solução?
Alguém tem à mão uma solução?
Não o será, por certo, através da Organização das Nações Unidas. Antes teremos que passar pela reforma da ONU.
Continuo no entanto, rezando, já que não me resta mais nada a não ser isto, pela paz mundial através do fim das fronteiras nacionais, por um mundo sem pátrias, das pequenas cidades, dos pequenos grupos, das aldeias e das tribos, e das etnias e das culturas, das línguas e das regiões, das corporações e das associações, elegendo quem sabe uma assembléia internacional.
Utopia pura. Mas, o que se fez até agora também não deu certo... não custa nada lutar por outra saída; que não deve ser, por certo, o que sucede atualmente.
Lula esteve inaugurando a IV Bienal do Mercosul, foi muito simpático ao governador riograndense, foi enfático com o ministro Gilberto Gil, da Cultura, mas o que ficou da semana foi o seu anúncio de que o tempo das vacas magras já passou. De minha parte, me considero uma vaca magra... Este artigo foi publicado na edição de hoje do ABC DOMINGO postado por walter em 05/10/03
VACA MAGRA
Walter Galvani
Seguramente sou uma das “vacas magras” a que o presidente se referiu. Nos últimos anos vi emagrecer a receita, embora engordassem os números, mesmo porque à medida que eles cresciam, junto aumentava o percentual da “mordida” do gracioso e ativo “leão” governamental. Olhei à minha volta e não vi muito investimento, mas, deixa pra lá, sempre dá para a gente colaborar um pouquinho mais com a coletividade, e assim, sem reclamar vou criteriosamente obedecendo e recolhendo bem mais do que o dízimo para os cofres da república.
É verdade que as estradas estão terceirizadas, mas estão cheias de buracos, naturalmente buracos públicos, pois nós é que transitamos e tratamos de escapar de sermos engolidos por estas crateras que pontilham as rodovias. Ah, pagamos pedágio também. Não é para o governo, pois para o governo já recolhemos impostos ao pagar a taxa anual de renovação da licença e ao colocarmos gasolina no tanque...
Espirrei agora, ao digitar estas linhas, e isso me preocupa, pois, se tiver que recorrer aos serviços de saúde pública somente serei atendido em dezembro, com a grande vantagem de que se esperar até lá, já estarei curado ou morto e, portanto, não necessitarei mais dos serviços públicos...
Muito bom, bela solução, sairá mis barato para o SUS e assim o governo terá mais recursos para investir. Não sei no quê.
O melhor mesmo é não espirrar. E não se atreva a adoecer, mesmo.
Educação, ah sim, tenho que pensar em meus netos, e começarei a fazer uma poupança para cada um deles, pois eles precisarão pagar pelos estudos superiores, muito mais do que ganharão nos primeiros cinco anos de trabalho. Valerá a pena? Para um avô sempre vale a pena.
Bem, tudo isso é o contexto que está aí, Lula não pode ser culpado sozinho pela situação que o Brasil está.
Nem tampouco pela segurança pública. Ainda esta semana, vi a Brigada Militar em ação na Praça da Alfândega em Porto Alegre, fazendo o que me disse um sargento uma “inspeção de rotina”. Eram quinze soldados. Examinaram duas putas, ou melhor, duas “trabalhadoras do sexo” e espantaram meia dúzia de meninos de rua. Que já estão de volta, é claro. Afinal criticá-los porque se não há mesmo emprego convencional, não é mesmo? Além disso, meninos tem que ir à escola e brincar, não trabalhar. Isso é para os pais. Que tratem de encontrar emprego.
Mas, anuncíe que há uma vaga em seu escritório e suma, viaje para o litoral, porque vai se formar uma fila de 3.000 pessoas à sua porta.
Quanto aos assaltos e roubos, seqüestros e rebeliões em presídios, comando da ação do mal por aparelhos celulares e tudo o mais, o que seria dos jornais de televisão se não existisse esta matéria infame e dispensável?
Sempre há a necessidade de manter a indústria dos televisores, não é mesmo? Temos também o futebol, sim, no meio disso o Brasil continua jogando futebol, como nos tempos em que Caetano, Gil e Chico se exilaram na Inglaterra e na Itália, lembram?
Joga-se futebol hoje até na Granja do Torto, o Lula mesmo enviou um recado para o Internacional, “mão-de-vaca”, que lhe mandou apenas duas camisetas, enquanto o Grêmio, enviou vinte e duas. É a lei do mercado, presidente! Há um interesse muito grande hoje pelas camisas vermelhas...
É assim, mas o ano termina e com ele o primeiro do novo governo que, quem sabe começará a se responsabilizar pelos buracos, pelo desemprego, pela crise econômica, pela falta de empregos, pela insegurança pública e pela prostituição nas ruas ou, quem sabe, pela necessidade de sobreviver de qualquer maneira...
No site da www.coletiva.net está o meu perfil, com o título de "O Patrono devorador de livros". Assim: postado por walter em 04/10/03
“Disso tudo nasci eu”, comenta o jornalista e escritor Walter Galvani, ao mencionar seus ascendentes de origem açoriana, alemã, italiana e indígena. Hoje este canoense de quase 70 anos está explodindo de contentamento, ainda comemorando a conquista do título de patrono da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre, depois de percorrer uma “árdua” trajetória de 49 anos de jornalismo e 32 de literatura.
O pai marceneiro e a mãe que costurava “para fora”, a fim de completar o orçamento da família humilde, fizeram muitos esforços para poder custear os estudos do filho no Centro Educacional La Salle. O próprio Galvani destaca que estudar em escola particular, naquela época, era um sonho muito caro, mas foi graças àquele educandário que ele se sentiu estimulado para atividades como a leitura. Ali ele participou do Grêmio Literário, espaço em que os alunos realizavam reuniões e produziam seus primeiros “ensaios”. Galvani relembra que sua turma deixava de jogar futebol para participar das reuniões do Grêmio. “Uma coisa maravilhosa, quando me recordo, eu penso: que pretensão nós já tínhamos quando éramos meninos. Minha infância foi marcada por isso”. Seu primeiro emprego na área de jornalismo foi no jornal interno do La Salle, o “Ecos de São Luiz”. “Foi aí que eu tomei o gosto pelo papel impresso”, revela Galvani, que já nesta época era um leitor infatigável. “Eu simplesmente devorava os livros”.
A autobiografia
Para relatar sua carreira jornalística seriam necessárias dezenas das velhas laudas de jornal. Ou daria até mesmo para escrever um livro – um dos planos de Galvani para o próximo ano, quando completar 50 anos de carreira e 70 de idade. O marco desta trajetória está fincado em 1955, quando Galvani veio para Porto Alegre, indicado por um amigo para trabalhar na redação do Correio do Povo, onde atuou por 12 anos. Paralelamente a isso, o jornalista começou a escrever também, em 1958, na redação da extinta Folha da Tarde.
Meio século de carreira é tempo mais do que suficiente para ter atuado na maioria dos veículos gaúchos: Expressão, Correio do Povo, Folha da Tarde, Folha da Tarde Esportiva, Folha da Manhã, O Momento, O Timoneiro, Jornal da Semana, Diário de Canoas, ABC Domingo, Jornal da Semana, Revista do Globo, revista Rua Grande (de São Leopoldo) e rádios Pampa (1986) e Guaíba (a partir de 1991). Com isto, exerceu a maioria das funções dentro de uma redação: já foi repórter, redator, subchefe de reportagem, chefe de reportagem, subsecretário e secretário de redação e diretor de redação – Galvani foi o último diretor de redação do jornal Folha da Tarde, no período de 1981 a 1984.
Com uma carreira como esta, prêmios, homenagens e reconhecimentos são uma conseqüência lógica. Entre tantos, destaca-se o Prêmio ARI de Jornalismo na categoria Crônicas, Troféus Amigo do Livro, Amigo do Teatro, Destaque em Cultura e Jornalismo. Ocupa a Cadeira 25 da Academia Riograndense de Letras, recebeu o título de “Cidadão Emérito de Porto Alegre”, o Prêmio Literário “Érico Veríssimo”, da Câmara Municipal de Porto Alegre, e o prêmio “Casa de Las Américas”, de Cuba, pelo livro “Nau Capitânia”, editado inclusive em Portugal. Tem outros livros publicados, e agora está lançando mais um, “Anacoluto do princípio ao fim”.
Para escrever o Nau Capitânia, fez antes uma investigação histórica de temas relativos ao descobrimento do Brasil em Portugal. Com a ajuda de sua esposa e jornalista Carla Irigaray, fez uma extensa pesquisa durante um ano nas terras portuguesas. Resultado disto foi o livro, que é a primeira biografia de Pedro Álvares Cabral em 500 anos de história, segundo registrou o jornal “O Estado de São Paulo”.
O lado desconhecido
Há seis anos Galvani trocou a agitação da capital pela tranqüilidade da cidade de Guaíba, onde mora com Carla – segundo casamento, que completa 25 anos. “Eu gostei tanto do casamento que já casei duas vezes”, brinca ele. Tem duas filhas do primeiro casamento, a bióloga Ana Luisa e a engenheira de alimentos Alessandra. Como todo vovô, baba pelos três netos: Luis Felipe, Lucas e a Isabela.
No seu dia a dia, a leitura e a escrita fazem parte da rotina. Escreve um texto aqui, outro ali, e retorna para ler. O trajeto de Guaíba a Porto Alegre (ida e volta), ele faz de ônibus justamente para praticar a leitura. Em sua agenda pessoal, marca as leituras e contabiliza os livros. Este ano, até o momento, foram 62 obras lidas, entre leituras inéditas e releituras. Em média, Galvani dedica-se à leitura três horas por dia (o que dá uma média de um livro por semana), sem contar suas “paradinhas básicas” para dar uma olhada em outras publicações. “Não poderia ser diferente, eu adoro ler”, comenta, como se precisasse explicar. Na cabeceira está agora o livro “Memórias de Adriano”, de Marguerite Yourcenar. Ele está relendo pela quarta vez a obra da escritora francesa para falar sobre ela em um dos inúmeros eventos da Feira do Livro. “O livro é fantástico e o considero um dos melhores que já li em todos os tempos”, recomenda Galvani.
Claro que todo dia sobra um tempinho para atividade física: Galvani pratica caminhadas em Guaíba, geralmente no fim de semana, sempre acompanhado de Carla. Outro lazer preferido é ir ao cinema. Para justificar que não há nada mais agradável do que ir ao cinema para namorar, ele relembra os “velhos tempos” em que para conquistar uma namorada era preciso levá-la para pegar um cineminha.
Nas férias, costuma veranear em Canasvieiras, no litoral catarinense, um refúgio que também é uma de suas opções de moradia no futuro. Mas revela que Lisboa, em Portugal, é o lugar que escolheria para viver com sua família. “Uma cidade que é uma grande metrópole e ao mesmo tempo uma província, o que considero maravilhoso”.
O patrono
Aos 69 anos, Walter Galvani conquista o título de patrono da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre e consagra-se como mais um dos grandes nomes da literatura gaúcha. Sentado no café da Casa de Cultura Mário Quintana, ele recebe cumprimentos e parabéns de todos que por ali passam – até de pessoas que não conhece, mas que de alguma forma querem manifestar o carinho e admiração pelo escritor. O sonho foi concretizado no terceiro ano em que figurou na relação dos 10 candidatos a patrono, o que levou Galvani a não esperar mais o título. Muito contente com o reconhecimento, ele diz que além de ser uma honra, é um orgulho e um patamar inigualável na carreira. “Eu não preciso de mais nada na minha atividade cultural”, declara.
Emotivo, não contém lágrimas nos olhos ao dizer que sua filosofia de vida é imitar o falecido pai, o humilde marceneiro cuja “arte da tolerância” é admirada e exaltada até hoje pelo filho Walter. “Eu tento seguir seus passos, a imagem que ele me deixou ao longo de seus 84 anos de vida, de uma extrema tolerância, de uma pessoa que sabia ouvir e compreender os outros”.
Para o futuro, o escritor planeja continuar escrevendo e adianta que já está desenvolvendo os seus novos trabalhos: um livro de ficção e uma obra com sua própria história, específica sobre seus 50 anos de jornalismo. “A obra será uma contribuição para os nossos futuros colegas”, afirma. Inspiração para tudo isso? Ele explica o sentido da palavra utilizando uma frase do pintor Pablo Picasso: “Sempre quando ela chega, me encontra trabalhando”.
Perguntaram-me qual a receita para chegar um dia a patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. A resposta é simples: ler, ler e ler. postado por walter em 03/10/03
LER SUBLINHANDO
Walter Galvani
A Cláudia Laitano, ou a Claudinha para os amigos, competente editora do Segundo Caderno da Zero Hora, jornal de Porto Alegre, escreveu no primeiro dia de outubro, um excelente artigo, com o título de “Fazes-me falta”, reportando-se ao maravilhoso livro de Inês Pedrosa, a jovem escritora portuguesa que fascinou a platéia da 10a. Jornada Nacional de Literatura em Passo Fundo.
Cláudia abre sua coluna com a frase: “Existem dois tipos de livros, os que se lê e os que se lê sublinhando. Na adolescência, eu certamente teria sublinhado essa frase. Fui uma sublinhadora voraz e nem sempre imune aos clichês. Certos trechos (...)” – e por aí vai.
O título da matéria da Cláudia se referia especialmente ao livro de Inês Pedrosa, o romance “Fazes-me falta”, editado no Brasil pela Planeta e que em Portugal vendeu mais de 50 mil exemplares. E não por acaso. Li o livro, duas vezes já e, Claudinha, não sublinhei, mesmo porque não é o meu hábito. Uso outro sistema: anoto em papel separado, o número da página e a dica inicial do que me chamou a atenção para depois passar para o computador, num arquivo especial dedicado a cada um dos livros que leio. É trabalhoso mas prazeroso.
No entanto, há livros que se lêem, há livros que se sublinham e há livros que é impossível sublinhar. É o meu caso com o “Fazes-me falta”, já disse isso à autora que me elegeu como um dos seus “amigos de infância”, quando usou da palavra na Jornada e de fato, é assim que me sinto.
Também pensei um dia em sublinhar (já fiz isso sim, no passado, também fui um grande sublinhador) e tentei faze-lo com o livro de Marguerite Yourcenar, “Memórias de Adriano” – que me ensinou (ou pelo menos me serviu de inspiração e orientação) a escrever na primeira pessoa, coisa que me encanta. Mas com o “Adriano” também não deu. Quando vi estava todo riscado meu volume, daí porque comprei outro e adotei a fórmula da anotação e registro em separado. Só que acabei escrevendo um livro novo, paralelo ao de Marguerite.
E é por isso que o escolhi para fazer minha defesa no Projeto Farenheit na Feira do Livro. Mas, não só pelo que descobri, claro, mas pelo que ainda vou descobrir agora em que estou no processo da quinta leitura...
Saiu hoje de manhã o nome do novo Nobel de Literatura. Um "outsider" na corrida: o sul-africano John Maxwell Coetzee. Antes que você tenha esquecido o nome dele, como possivelmente já tenha esquecido o do húngaro Imre Nagy, do ano passado, leia algo a respeito do mais novo milionário da literatura. Na certa o nome dele vai ganhar os noticiários durante todo o dia de hoje. Depois... bem, então será com Deus. Ele decidirá... postado por walter em 02/10/03
JOHN MAXWELL COETZEE,
O NOBEL DE LITERATURA 2003
Walter Galvani
Todos os anos no mês de outubro, em todos os países, os intelectuais e o público mais chegado aos livros, voltam os olhos para a Suécia, para saber quem será o contemplado com o mais valorizado de todos os prêmios da área, o Nobel de Literatura. Dessa vez, ao amanhecer desse segundo dia do mês, chega o anúncio oficial: John Maxwell Coetzee, um ilustre desconhecido para a maioria, aqui no Brasil completamente ignorado. Trata-se de um representante da África do Sul, que escreve em língua inglesa.
Há uma tendência política mundial em premiar povos africanos, mas no caso não se trata de nenhum subdesenvolvido, mas sim do mais adiantado dos países daquele continente. John Maxwell Coetzee é considerado um dos maiores racionalistas do mundo literário moderno. Seus trabalhos – informa a Fundação Nobel – se caracterizam pela composição bem feita, pelo texto bem elaborado tecnicamente, e por ser um cético constante, duro em seu criticismo, e um adversário do que denomina “moralismo cosmético do mundo ocidental”.
Destaca-se sua enorme honestidade intelectual e a capacidade que tem em separar suas teses, suas convicções, daquilo que surge como o real, o objetivo, tanto que, constantemente torna-se um debatedor público das próprias posições que defendera.
Assim procede numa questão vital em seu país: os direitos dos animais. Como se pode imaginar, em seu país em particular e na África de um modo geral, tais direitos são muito tênues e poucos são os seus defensores efetivos. Há toda uma série de interesses econômicos, representados em caça e apresamento de animais representativos de espécies em extinção, há o fenômeno da caça-turística, e também a questão das reservas naturais.
“Dusklands” foi seu primeiro romance, que tratava de um funcionário do governo americano na guerra do Vietnã. “In the heart of the country”, segundo trabalho, numa tradução literal seria “No coração do país”, Coetzee aborda o problema da segregação racial e de uma verdadeira psicose que vive seu personagem, em conflito com o pai.
“Waiting for the barbarians” é um policial, na linha no entanto misteriosa e sombria de Joseph Konrad.
“The master of Petersburg” é uma paráfrase da vida de Dostoiewski, e seu mundo de criação. Em “A desgraça de Coetzee” ele defende sua honra e de sua filha, no difícil momento em que ruiu a supremacia branca na África do Sul com o fim do regime do “Apartheid”.
Escreveu também um romance autobiográfico, intitulado “Juventude” e seu último trabalho, o mais recente, é “Elisabeth Costello” onde fala sobre o problema do mal, a demonologia.
Na certa será “descoberto” agora, mas talvez não venha a ter a receptividade que ele próprio deve esperar, é justo que sonhe com isso, com mais o valioso prêmio que, além de projetar seu nome, dar-lhe visibilidade mundial, coloca em seu bolso um milhão de dólares.
A "Feira do Livro", em 49a. edição este ano, da qual sou o patrono, teve cobertura do "Correio" desde sua primeira realização, em 1955. E eu estava lá, pois trsabalhei no "Correio" de 1955 a 1984, 29 anos portanto. postado por walter em 01/10/03
UM JORNAL CENTENÁRIO
Walter Galvani
Trabalhei duas vezes na empresa Caldas Júnior, a primeira delas de 1955 até 1984, coincidindo com o período áureo sob o comando de Breno Caldas, filho do fundador, Francisco Antonio Vieira Caldas Júnior, e na Rádio Guaíba, no retorno, em 1991 até 2003. No meio disso, em junho de 1984, os jornais pararam de circular, tanto o “Correio do Povo”, quanto a “Folha da Tarde”, e o “Correio” esteve 22 meses ausente do mercado. Retornou em agosto de 1986, e mantém-se até hoje, embora tenha mudado seu formato, de “standard” para tablóide. E de empresa, naturalmente, resgatado que foi por Renato Bastos Ribeiro.
Todos os anos, no dia 1o. de outubro, o editorial do jornal relembra, como hoje, a fundação em 1895, ainda no século XIX, e os propósitos de então que, mais ou menos, a empresa tem procurado defender ao longo destes 108 anos, embora mudando de mãos em 5 de maio de 1986, o que evitou a execução da falência e o leilão dos bens, entre os quais o maravilhoso edifício Hudson, no centro da cidade de Porto Alegre.
O primeiro editorial, que falava de um jornal “independente, nobre e forte”, aberto a todos os setores da sociedade e não apenas a um grupo, estabeleceu as linhas que levaram o jornal à vitória inicial e à sua consolidação, atravessando desafios e contestações, concorrências e agressões, censuras e prepotências.
Não é hora de discutir sua qualidade ou suas virtudes, porque lá militam, como sempre, brilhantes profissionais, que fazem o que podem para dar ao público diariamente um jornal que também recorreu a todas as vantagens da modernização técnica. Nada de surpreendente, porque sempre o fez ao longo deste século e tanto e assim consegue manter hoje, uma tiragem de 220 mil jornais, impressa em três unidades distintas. Uma parte do “Correio do Povo” é impressa na rua Voluntários da Pátria, outra em Carazinho e outra em São Sepé.
O “Correio do Povo” inicía o seu ano 109 neste primeiro dia do mês de outubro. Por certo não estaremos aqui em 2095, mas o jeito é augurar-lhe a chegada aos duzentos anos, sempre prestando serviços à comunidade.
Em 1994, às vésperas do centenário, apresentei ao publico, editado pela “Mercado Aberto”, dirigida por Roque Jacobi, hoje secretário estadual da Cultura, o livro “Um Século de Poder – os bastidores da Caldas Júnior”, com farta documentação como base e material fotográfico de ilustração, textos, pesquisas feitas em documentos e na própria coleção dos jornais, que está em segunda edição e sempre serve aos curiosos, aos interessados em cultura e comunicação, aos amigos do “Correio” e aos alunos dos cursos de jornalismo.
Título esquisito? Quase a notícia completa? Mas, assim mesmo, leia... postado por walter em 30/09/03
LULA, A PRESSÃO, OS GOVERNADORES,
AS REFORMAS -
A TRIBUTÁRIA E A DA PREVIDÊNCIA
Walter Galvani
De propósito, este título imenso aí acima, dizendo quase tudo. Porque o que é preciso dizer é justamente o que está oculto no meio dessa incrível situação que se criou no Brasil. Incrível? Incrível somente para os jovens, que ainda não viram metade do que nós, os velhos, os céticos, estamos acostumados e há muitos anos. O presidente Luiz Ignácio Lula da Silva chamou os 27 governadores à Brasília, para pedir que esses pressionem suas bancadas estaduais no Senado, para que sejam aprovadas as reformas, para que os senadores não façam obstrução e finalmente, caso venham a ser aprovadas, que o sejam antes do final do ano. Só assim entrariam em vigor no próximo ano. Caso contrário, qualquer mudança só entra em 2004...
Pois é. Hoje será o dia em Brasília da maior pressão e, quem sabe? – negociação imaginável. O Nordeste bate de frente com o Sul e o Sudeste, a política do “é dando que se recebe” ou mais pragmaticamente falando, do “toma lá, dá cá”, está em ebulição completa. Se não tirarem a tampa da panela de pressão, ela vai explodir e atirando todas as cobras e os lagartos que estão sendo fervidos, longe dos olhos do povo.
Por incrível que pareça isso é muito antigo. Talvez seja tão antigo quanto a Humanidade, pelo menos depois que ela cresceu o suficiente para deixar de ser a pequena tribo inicial do pai, a mãe, os filhos, morando na caverna inaugural da pré-história.
Lula chamou os governadores à Brasília para fazer esta suprema negociação que, se não der certo, vai propiciar o primeiro tropeço sério ao seu governo. Pode-se imaginar o que o balcão de vantagens estará leiloando hoje, em troca do voto. Não, dinheiro direto não. Estamos falando em vantagens políticas, apoios, troca de pareceres, desaforos e abraços.
O governo ameaça, se é que pode ameaçar alguém com alguma coisa, retirar todas as emendas e levar o projeto inicial. Se fizer isso sofrerá uma rotunda derrota.
“Ou voltamos ao texto original ou acomodamos as tensões” – disse Aluízio Mercadante, líder do governo no Senado.
À esta altura, é preciso que as pessoas entendam qual é o significado de “acomodar as tensões”...
Estamos em 2003, já no último terço. Hoje é o primeiro dia de outubro, data em que se parte para a última e derradeira tentativa de resgatar o ano que se aproxima do fim.
E assim também pensa o PT que não é diferente (e não pode ser) de qualquer outro partido.
Estamos acompanhando. Quem é brasileiro, e patriota, sonha com uma administração que dê certo, independente da sua coloração partidária ou sua posição política. Se Lula toca violino, sabe muito bem que é preciso segurar o instrumento com a mão direita e toca-lo com a esquerda. Mas, o som que sai da caixa é sempre o mesmo. Precisa ser afinado. O violino não precisa ser um Stradivarius. A melodia tocada, pode ser algo divino como uma obra de Mozart ou desafinada. Nós, os da platéia, que estamos com os nossos ouvidos ligados, queremos apenas cantar e dançar.
Como é feita a escolha do patrono e quem foram eles até agora. A Feira do Livro por enquanto ocupa nosso imaginário. A partir do dia 31 de outubro, fisicamente ela estará mais uma vez, na Praça da Alfândega de Porto Alegre postado por walter em 29/09/03
A LISTA DOS PATRONOS
Walter Galvani
É conhecido de todos os que acompanham a atividade cultural no Rio Grande do Sul, que a Feira do Livro está em sua quadragésima nona edição. É também conhecido de quem segue o setor ou é do ramo, a importância de ser escolhido como o Patrono, tal como tive a felicidade com a eleição tornada pública desde a semana passada. O que a maioria não sabe é quem já foi patrono e qual é o mecanismo da escolha.
Vamos, pois, aos necessários esclarecimentos:
A eleição começa, isso nestes últimos anos, a partir da votação feita por livreiros e editores, distribuidores e representantes de editoras e livrarias, que escolhem espontaneamente dez nomes que são encaminhados à Câmara Riograndense do Livro. Ao cabo desta votação inicial, surge uma lista de 10 “patronáveis” que serão submetidos mais adiante, na primeira quinzena do mês de setembro a um novo colégio eleitoral, que é integrado por todos os diretores de entidades da área do livro, como por exemplo, Instituto Estadual do Livro, Coordenação do Livro e da Literatura de Porto Alegre, Faculdades de Letras, da capital, reitores das universidades, secretário municipal de cultura, secretário estadual de cultura, presidentes dos conselhos estadual e municipal de cultura, das academias de letras, Riograndense e a Feminina, integrantes da diretoria da Câmara Riograndense do Livro, e todo os ex-patronos vivos, no caso desse ano, dez. Os órgãos e instituições costumam ainda fazer uma eleição interna antes do pronunciamento do voto, para selecionar três nomes da lista de dez, apresentada pela Câmara.
Uma vez feita esta seleção, os votos são somados, esse ano em ambiente de grande sigilo, porque o interesse pela escolha é tão grande que no ano passado vazou vinte e quatro horas antes do anúncio oficial, e enfim, no dia escolhido, é anunciado o novo patrono.
O costume de apontar um Patrono que tem, entre outras funções, a de representar oficialmente a Feira e trabalhar em sua divulgação e na propagação da leitura, nasceu na décima primeira edição, em 1965. Mas, nos primeiros anos, foi hábito apontar um patrono já falecido. Com isso, apenas seu nome e seu exemplo histórico funcionavam para promover a Feira.
A partir de 1981, mudou-se o sistema de escolha, para escolher um padrinho atuante e ainda em plena carreira. O primeiro contemplado foi Adão Juvenal de Souza, então militante homem de publicidade, da agência MPM, que se destacara desde a primeira edição pela afinada dedicação ao evento.
O patronato teve início em 1965, com a escolha de Alcides Maya, um dos maiores nomes da cultura regional gaúcha, autor de romances emblemáticos como “Ruínas Vivas” e outros, fundamentais no Rio Grande, bem como seu sucessor, João Simões Lopes Neto.
Eis a relação completa:
1965 – Alcides Maya
1966 – João Simões Lopes Neto
1967 – Alceu Wamosy
1968 – F. A . Caldas Júnior
1969 – Eduardo Guimaraens
1970 – Augusto Meyer
1971 – Manoelito de Ornellas
1972 – Luís de Camões
1973 – Darcy Azambuja
1974 – Leopoldo Bernardo Boeck
1975 – Athos Damasceno Ferreira
1976 – Erico Veríssimo
1977 – Henrique Bertaso
1978 – Walter Spalding
1979 – Auguste Saint-Hilaire
1980 – Moysés Vellinho
1981 – Adão Juvenal de Souza
1982 – Reynaldo Moura
1983 – José Bertaso
1984 – Maurício Rosenblat
1985 – Mário Quintana
1986 – Cyro Martins
1987 – Moacyr Scliar
1988 – Alberto André
1989 – Maria Dinorah
1990 – Guilhermino César
1991 – Luís Fernando Veríssimo
1992 – P.F.Gastal
1993 – Carlos Reverbel
1994 – Nelson Böeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida Lima, e Sétimo Luizelli.
1995 – Caio Fernando Abreu
1996 – Lya Luft
1997 – Luís Antônio de Assis Brasil
1998 – Patrícia Bins
1999 – Décio Freitas
2000 – Luís Carlos Barbosa Lessa
2001 – Armindo Trevisan
2002 – Ruy Carlos Ostermann
Esta crônica de hoje está sendo publicada na edição impressa do ABC DOMINGO postado por walter em 28/09/03
PATRONO DOS LIVROS
Walter Galvani
Hoje em dia as feiras de livro estão incorporadas ao habitual das cidades mais desenvolvidas e não é por nada que Novo Hamburgo, São Leopoldo, Guaíba e Canoas, por exemplo, estejam entre elas, realizando há muito tempo estes encontros entre os livros e os leitores. Eu já havia passado pela experiência de ser o patrono justamente em Canoas, onde nasci, em São Leopoldo, onde mantive e mantenho laços permanentes, que vão desde os muitos amigos, antigos e novos, até o restaurante “Capri”, um dos lugares de que sinto sincera saudade quando estou no exterior. Também Guaíba, onde moro e que nestes curtos seis anos de convivência já me proporcionou o privilégio de apadrinhar a sua feira anual. Mas, confesso que a experiência de ser o Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, esse ano em sua 49a. edição, é um acontecimento insuperável, pela sua expressão, pelo significado do colégio eleitoral que faz a escolha e pelo fato de ser ela, afinal de contas, a mãe de todas as feiras.
Assim é que fui surpreendido na manhã desta última quinta-feira, justamente no dia em que lançava meu novo livro, o primeiro romance de minha carreira, o “Anacoluto do princípio ao fim”, com o anúncio do meu nome e a responsabilidade que agora carrego, de representar este acontecimento que há muito extrapolou os limites da Praça da Alfândega da capital e ganhou os espaços do sonho e da repercussão nacional e internacional.
Tantos são os escritores famosos que nos tem visitado por ocasião deste encontro anual, os grandes nomes do país e do exterior, desde premiados com o Nobel, como Camilo Cela, até os monstros sagrados brasileiros, Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Jorge Amado, ou nossos gaúchos amados como Erico e Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Luis Antonio de Assis Brasil ou Dyonélio Machado, Cyro Martins, e tantos outros, uma lista incontável, que o acontecimento se torna no maior de todos, mesmo em termos de Brasil. Costuma-se dizer também que esta é a “maior feira ao ar livre da América Latina”, e na certa é a única que desafiou e venceu o combate com as chuvas de primavera.
E lá estou então, neste pedestal, sucedendo a um nome como o de Ruy Carlos Ostermann, que aliás nasceu ali na Rua Grande de São Leopoldo, talvez no Hospital Centenário, mas que, seguramente ajudou seu pai no velho café da “Independência” e jogou basquete na sua cidade, antes de empreender o grande vôo do sucesso jornalístico e cultural.
Olho minhas mãos e vejo que elas estremecem de emoção, meus olhos se turvam por um instante e minha voz fica retida e se torna rouca, no fundo da garganta. Volto o pensamento para minha terra natal, para a cidade onde hoje vivo, para os meus afetos e meus encantos, para o ABC Domingo que me acolheu desde o seu primeiro número, para todo o Grupo Editorial Sinos que hoje é minha plataforma de ação, relembro meus 49 anos de jornalismo e 69 de idade, tudo o que o país viveu neste meio século e sinto que devo seguir em frente, produzindo mais e mais.
E à uma pergunta de uma jovem repórter, destas capazes de ofuscar os velhos medalhões com sua objetividade, respondo: “Inspiração? Respondo como o velho Picasso o fez quando foi assim questionado. “Inspiração ? Claro que existe. Sempre que ela chega, me encontra trabalhando.”
Fabrício Carpinejar incluiu em seu site, o belo texto que Cíntia Moscovich publicou em Zero Hora, no dia 25. Está no site www.carpinejar.blogger.com.br postado por walter em 27/09/03
Nome igual a destino
Walter Galvani autografa hoje "Anacoluto do Princípio ao Fim"
CÍNTIA MOSCOVICH
Pode um nome condicionar o destino? E pode uma figura de construção gramatical baseada na quebra do ordenamento lógico de uma frase - o anacoluto - resultar em um romance? A resposta a ambas as perguntas pode ser encontrada em Anacoluto do Princípio ao Fim, livro que o jornalista e escritor Walter Galvani autografa hoje, às 19h, na Livraria Cultura.
Primeiro romance do canoense - a novela A Noite do Quebra-Quebra, de 1993, é considerada pelo próprio autor uma tentativa frustrada de ficção -, Anacoluto do Princípio ao Fim (Record, 255 páginas, R$ 30) é o depoimento da vida de Anacoluto Camargo Neves, um ruralista nascido na cidade uruguaia de Colônia do Sacramento, outrora possessão portuguesa às margens do Rio da Prata. De naturalidade ambígua, o protagonista inicia o relato lamentando seu realmente lamentável nome de batismo - que, sabe-se depois, condiciona-lhe de forma definitiva o destino.
Vivendo em Pelotas à custa de terras arrendadas, Anacoluto é um homem medíocre: passa os dias a dormir, a caminhar pelas redondezas, a sestear e a escrever seu diário. A horas tantas, recebe em casa Rosa Pigafé, filha de um fazendeiro plenipotenciário da região, com quem passa a viver. E como prova de seu amor por Rosa - mesmo que tenha sido infiel, mantendo um romance com uma mulher de nome tão estranho quanto o seu, Frahia -, Anacoluto escreve seu diário. Mas há outro motivo, e dramático, para que mantenha o registro escrito de sua vida: vendo seu nome transformar-se em vaticínio, Anacoluto descobre-se vítima de Alzheimer, doença degenerativa que lhe rouba pouco a pouco as memórias, fragmentando-as ao ponto de fazer pó a lógica que molda sua própria identidade. Debatendo-se para fugir das brumas da inconsciência, Anacoluto, e seu leitor, embretam-se numa espiral narrativa exasperante, em que todos os fatos parecem ser comandados por lógica canhestra, verdadeiro deus ex machina a interceder no andamento da trama, como se a vida e a morte pudessem, de fato, ser imitados pela ficção.
Aos 69 anos, 49 deles dedicados ao jornalismo, um dos 10 patronáveis da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre, Galvani é um dos mais respeitados e atuantes profissionais da imprensa gaúcha. Trabalhando no Correio do Povo, da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Galvani foi diretor de redação da Folha da Tarde, além de comandar de 1991 até janeiro deste ano o programa Guaíba Revista. Autor de Nau Capitânia, livro que, resultado de um intenso trabalho de pesquisa junto à mulher, a também jornalista Carla Irigaray, rendeu ao autor o prestigiado Casa de Las Américas, além de outros importantes prêmios nacionais, Galvani conta no currículo com mais seis livros, todos de crônicas jornalísticas.
A sessão de autógrafos na Livraria Cultura será precedida pela leitura de trechos do livro realizada pelo poeta Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche.
Só porque hoje é sábado, descanso e reorganizo minha vida e... minha mesa! postado por walter em 27/09/03
ENTÃO, PATRONO E O “ANACOLUTO”
Walter Galvani
As emoções atropelaram minhas possibilidades de transcrever o que me ocorria nestes últimos dias e eis que ficam para trás, agora, com o dia a dia, afinal a gente se acostuma com tudo, inclusive com a idéia de que, pelo menos durante o período da Feira do Livro de Porto Alegre, acontecimento ímpar que mexe com os nervos e os neurônios de todos, até mesmo dos que habitualmente não lêem, na capital do Rio Grande do Sul, representamos todos os escritores. Foi o que disse, por exemplo, a “Zero Hora”, em generosa matéria de Cíntia Moscovich e que subscrevo, emocionado.
Pois então, vamos! – não é mesmo?
Dia 31 de outubro, no final da tarde, visto a roupa e assumo o bastão na Praça da Alfândega. E o “Anacoluto do princípio ao fim”, que iniciou sua carreira na quinta-feira à noite também, por uma feliz coincidência, no dia da minha indicação pública, vai às bancas, lutar lisamente pelas preferências do público.
Espero que os inúmeros amigos que estiveram comigo na maravilhosa Livraria Cultura, no shopping Bourbon-Country, e que já começaram a lê-lo, tornem públicas suas opiniões e se decidam pelo melhor personagem. Quem é:
Anacoluto?
O Padre Godofredo?
Rosa Pigafé?
Teresa?
Ou seja, o sofrido e complexo personagem central, o padre que vive uma aventura e dá um exemplo de dignidade, a mulher inigualável ou a “plebéia” e inquietante?
Vamos ver. Estou aqui para receber as respostas.
Enquanto isso, passo este fim-de-semana reunindo forças, segunda-feira prossigo na luta diária pela promoção da Feira e da leitura e do livro, como sempre, meus ideais mais próximos e meu compromisso pessoal há quase cinqüenta anos, que é o tempo que tenho de trabalho jornalístico.
É um momento de grande emoção, talvez inexcedível, pelo menos em matéria de vida cultural, local, regional.
Fui eleito o Patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, um acontecimento ímpar, a maior feira de livros a céu aberto, da América Latina.
O anúncio foi feito ontem.
Ainda não me refiz do susto e da emoção mas aqui estou, para continuar este diálogo com o mundo todo, onde vivem os que amam a palavra, suprema invenção da humanidade.
É um momento de grande emoção, talvez inexcedível, pelo menos em matéria de vida cultural, local, regional.
Fui eleito o Patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, um acontecimento ímpar, a maior feira de livros a céu aberto, da América Latina.
O anúncio foi feito ontem.
Ainda não me refiz do susto e da emoção mas aqui estou, para continuar este diálogo com o mundo todo, onde vivem os que amam a palavra, suprema invenção da humanidade.
Esta noite, na livraria Cultura do shopping Bourbon Country, em Porto Alegre, às 19 horas, será oficialmente apresentado o livro 'ANACOLUTO DO PRINCÍPIO AO FIM", editado pela Record, Rio de Janeiro. Os escritores Fabrício Carpinejar e Alcy Cheuiche, dois grandes nomes da literatura brasileira, falarão na oportunidade. Depois segue-se uma sessão de autógrafos. E aqui vai, para os meus leitores e visitantes deste site, uma entrevista preparada a partir de perguntas que foram selecionadas ao longo dos últimos contatos, para esclarecer os leitores sobre este projeto. postado por walter em 25/09/03
Como foi a carreira profissional até agora, como escritor e como jornalista?
- Tenho uma larga carreira profissional na área do jornalismo que alcançará em 2004 o número significativo de cinqüenta anos. Já na área, digamos puramente literária, ela é mais recente. Meus primeiros livros, ainda nos anos 70, se referiam todos à atividade jornalística. Arrisquei minha primeira experiência de ficção com “A Noite do Quebra-Quebra”, uma novela que tinha um apoio em fatos históricos e resgatava episódios da minha juventude, embora recheada de episódios de pura ficção. Isso foi em 1993. No ano seguinte retomei o jornalismo como tema e lancei, sucessivamente, “Um Século de Poder – os bastidores da Caldas Júnior”, uma interpretação da jornada centenária do jornal “Correio do Povo” de Porto Alegre, em segunda edição, que teve logo seqüência com “Olha a Folha”, sobre outro jornal da mesma empresa do qual fui o último diretor e que também está em segunda edição. E então chegou a hora de “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, (Record, Rio de Janeiro, 320 págs., 1999), que alcançou três prêmios nacionais e um internacional (Melhor em Literatura Brasileira no ano 2000, Prêmio Casa de Las Américas, Cuba) e está hoje em quinta edição. Além disso, tenho atuado como radialista, coisa que fiz nos últimos dezessete anos (rádios Pampa e Guaíba) e crônicas e artigos em jornais e revistas, como o “ABC Domingo”, do Grupo Editorial Sinos, “Diário de Canoas”, “A Razão”, de Santa Maria e revistas Tópicos” de Berlim, “Aurora”, da AMB e a “Revista da Academia Riograndense de Letras”.
2 – O que o levou a escrever o “Anacoluto” e como isso se deu?
- Foi assim: uma certa noite do ano passado, um problema qualquer me tirou o sono. Sentei-me ao computador no começo da madrugada e por quatro horas e tanto,como num jato, dei início à história do “Anacoluto”, curiosamente já com nome de batismo e tudo. Comecei a escrever na primeira pessoa, o que me deu muito prazer e me abriu, pela primeira vez, o campo para me jogar inteiro no texto. Veja, em minhas experiências anteriores, sempre estive muito contido pelas circunstâncias. Nesse caso, só valem as circunstâncias do próprio “Anacoluto” que vai “do princípio ao fim” falando na primeira pessoa, é uma autobiografia do personagem, digamos assim, que por sinal é um tipo acabado de ruralista gaúcho, característico de todo o século XX, apesar de que ele provavelmente virá a falecer no século vinte e um, que ele já alcançou, nas últimas páginas. Quando o livro termina, Anacoluto ainda vive... Conheci e conheço muitos “Anacolutos”. Ao longo do trabalho, foram se somando episódios, testemunhos, recordações, interpretações, e ele foi se metendo em tudo o que alguém do seu padrão, nível e estrato social, é chamado a fazer. Sempre quis escrever sobre o Pampa e continuo perseguindo este tema. O pampa é como um mar verde que não acaba mais, e as fronteiras são meio difusas ainda (e já o foram muito mais) entre os países que o compartilham, Brasil, Uruguai e Argentina, repartindo hábitos (o chimarrão, o mate, o cavalgar), profissões (peão de campo, ruralista, esquilador) e valores culturais refletidos na linguagem (china, fandango, estância). E há as cidades que passaram a concentrar populações expulsas pela decadência econômica do campo, pequenas, médias ou grandes, como Pelotas, onde Anacoluto se fixou. Mas ele é “sem fronteiras” como tantos gaúchos, começa por ter nascido em Colônia do Sacramento, antiga possessão portuguesa, hoje “Colónia”, no Uruguai.
3 – Os leitores entenderão o recado do título?
- Espero que sim, até porque, sendo um nome tão forte, e, digamos... curioso, remete à uma figura de sintaxe da língua portuguesa que o condiciona ou define, como queiram... Para entendê-lo, no entanto, não será necessário recorrer a um dicionário. Bastará ler o livro e todos verão que há “anacolutos” por toda a parte. E é até possível amá-lo, afinal, “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Ele, pelo menos, acaba sendo amado por três ou quatro mulheres, umas sabem que o amam, outras, como acontece na vida, talvez só descubram quando virarem a última página da sua história. Quanto à estranheza do nome, não são poucos os nomes próprios impróprios... Basta ler os jornais. Há por aí afora, de tudo, desde um ruralista como o meu Anacoluto que se chama Viterbo, até um jovem que foi infelizmente batizado pelo pai de “Waterloo”. É de se admirar o engenho e intenção de tal pai e a leviandade ou ignorância do oficial de Registro Civil que aceitou tal denominação. Felizmente a lei brasileira moderna permite a mudança do nome. O meu personagem chegou a pensar nisso.
4 – O que o autor tem em comum com o protagonista?
- Esta é a pergunta habitual que se costuma fazer aos autores de romance e também aos que resolvem praticar a difícil arte do romance histórico. De maneira que estou preparado para responde-la: Nada. A não ser, é claro, naquilo que é normal e habitual em qualquer trabalho de literatura. Você se dedica a criar um personagem de ficção e de repente, alguém aponta que ele se parece muito consigo mesmo... Pode ser. Ou com o primo da minha lavadeira. Na verdade, ele tem em comum com toda a humanidade, qualidades e defeitos, tudo o que qualquer ser humano tem. Pelo menos espero que ele seja tão humano quanto o imagino. Portanto, entre ele e o autor, há tudo e nada ao mesmo tempo. Não há nenhum traço autobiográfico, disso tenho certeza, no que se refere a fatos. Sou escritor e jornalista, Anacoluto é um privilegiado, que vive de um campo arrendado, vive do capital, vive da terra. Não é o meu caso...
5 – Anacoluto é contemporâneo?
- De tudo e de nós todos, nesse momento. Ele nasceu pela primeira metade do século vinte, portanto assistiu e viveu alguns instantes fundadores da moderna identidade nacional, além do viés cosmopolita que significa nascer no Uruguai, trabalhar no Brasil, casar-se com uma mulher que significativamente carrega um sobrenome castelhano, sobreviver do campo e viver à beira do pampa. Mas acompanhou a final da Copa do Mundo de 50, quando perdemos, justamente para o Uruguai, 1 x 2, um jogo inesquecível para qualquer brasileiro. Participou/assistiu revoluções, suicídio de presidente, ascensão do PT, movimentos do MST, tudo. E vai levando sua vidinha até que “vem o destino” e o carrega pra lá.
6 – Que tipo de mulher é Rosa?
- Duvido que você não a conheça, talvez não tenha até agora como identifica-la, mas, depois de ler o “Anacoluto”, na certa você a encontrará: é a super-mulher, imbatível, a que organiza a casa, as coisas, a cabeça do seu marido, a sua própria, a dos parentes e amigos, e ainda encontra tempo para se embelezar e pegar uma festa, um cineminha, uma janta fora. Ela também quer ser sexi, sim, atraente, inteligente. Mas, aos poucos se descobre pouco valorizada e infeliz... Rosa Pigafé é um monumento, inatacável e, pensa ela, indestrutível. Que comandará a vida para todo e sempre e ainda por cima há de receber rosas no Dia dos Namorados ou no seu aniversário. Mas, aí vem o Destino... Tenho um primo que sempre diz: “Feliz é o homem que encontra uma mulher que manda nele. Fica tudo mais fácil.” Acho que a mulher ideal dele é a Rosa Pigafé. Quem ainda não a encontrou que trate de se mexer...
7 – Há uma literatura sulista no Rio Grande do Sul? Você se considera filiado a este movimento?
- Não, não há, e os escritores gaúchos são tão bons quanto os baianos, mineiros, pernambucanos, paulistas ou cariocas. Somos todos escritores brasileiros. Ocorre é que no Rio Grande do Sul há um mercado leitor muito grande, é um estado onde o índice de leitura é o dobro da média brasileira, e há muitos escritores, o que os transforma às vezes, em nomes locais. Mas, escreve-se de tudo no Rio Grande e naturalmente, há bons e maus escritores, como em toda a parte. Não acho que faça parte de nenhum movimento sulista, até porque, não sou freqüentador de CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) embora os admire pela força telúrica que conseguem projetar. Também não escrevo com palavras exclusivas do linguajar pampeiro, embora utilize algumas delas quando necessário. Quanto ao Rio Grande em si, falo no Pampa, que é uma realidade extra-nacional em minha opinião, pois extrapola os antiquados e anacrônicos conceitos de fronteiras que, espero, algum dia serão removidas. Somos todos habitantes da mesma pátria: o mundo. Não se vive impunemente com preconceitos e divisões arbitrárias ou estabelecidas a sangue, armas ou tratados que, afinal, sempre significam a lei do mais forte...
8 – Foi feita alguma pesquisa para escrever este livro?
- Eu diria, em primeiro lugar, que se está sempre pesquisando, ainda mais eu que adquiri o vício com meus livros sobre jornalismo e com a “Nau Capitânia”. Mas, nem precisaria pesquisar muito para escrever sobre um período que viví intensamente e continuo a viver, uma época que começa em torno dos anos trinta do século vinte e vem até nossos dias. Nasci em 1934, portanto, com 16 anos sofri a “desilusão do Maracanã” , com 20 me politizei em questão de horas com o suicídio do presidente Getulio Vargas, estive ao lado da Legalidade em 63 e fui “invadido” pela Revolução Militar ou Golpe de 64, depois veio a redemocratização, a cassação de Collor, o surgimento do MST, Fernando Henrique, o sonho e a decepção, Lula e o PT, enfim, tudo isso e mais alguma coisa. Vi Pelé surgir e se aposentar, conheci Garrincha e Nilton Santos, a Bossa Nova, Elis, assisti ao espetáculo “Os Pequenos Burgueses” pelo Teatro Oficina, que mais posso pretender?
9 – Como você acha que seu livro será recebido?
- Espero que muito bem, porque o “Anacoluto” fala a todos, pelos tempos em que viveu, pelo que assistiu, pelo que participou, e, além disso, há suas mulheres. Descobri, por exemplo, que eu fizera uma citação inconsciente ao grande Manuel Bandeira, quando escrevi a frase “A primeira vez que vi Teresa”. Era uma sensação inserida na própria pele do Anacoluto, nem ele nem eu nos déramos conta, mas era como que uma ferida no corpo de suas lembranças, que o desequilibrava e o emocionava. No livro tem também amor, traição, loucura e até uma inexorável perda de identidade que assusta e choca. Mas, há momentos de poesia e, sobretudo, uma imbricação com o dia-a-dia, com o que se vive e pensa, com o que se diz e faz. Posso garantir que é um romance moderno, como ensina Saramago: fala sobre tudo.
10 – Qual a próxima investida literária?
- Já estou trabalhando em meu novo texto, que provavelmente sucederá ao Anacoluto. Ainda não tem título, está numa espécie de esboço inicial, mas já passou de cinqüenta páginas.Seguirá a mesma linha, no sentido de que é uma história moderna e que também segue os ensinamentos de Saramago. E mais: acho que encontrei o tema, tal como ensino em minhas oficinas de crônica, que batizo de “O vôo da gaivota”, porque acho que o ofício do cronista se assemelha ao que fazem aqueles pássaros: “Rente às ondas até a hora e o ponto de fisgar o peixe. E então, voar mais e mais, sem deixá-lo cair.” Espero não deixar cair o assunto que peguei no bico. Mas, por enquanto estou voando com o Anacoluto. Preciso que ele chegue a todos, para que compreendam a mensagem de humanidade, de medo, de glória, de preocupação, de felicidade e de tropeços, ele é uma criatura como muitos de nós, portanto também erra, e assim completar-se o ciclo em que estou empenhado. O vôo seguinte será diferente.
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Um convite a todos os amigos, lembrando que, com a greve dos correios não consegui remeter-lhes os convites postado por walter em 24/09/03
Editora Record, a Livraria Cultura e o autor
têm o prazer de convidar para o lançamento do livro
ANACOLUTO
DO PRINCIPIO AO FIM
de
Walter Galvani
Com comentários e leitura de trechos do livro pelo poeta
Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura/Bourbon Shopping Country
Endereço: Rua Túlio de Rose, 80/1º piso, Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3028-4033
De olho em Brasília, onde afinal deve sair a aprovação do plantio de sementes transgênicas de soja e na Europa, onde o governador gaúcho Germano Rigotto negocía investimentos em nosso estado. Enquanto isso, define-se, mas somente amanhã será revelado, quem será um sucessor de Ruy Carlos Ostermann como Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, o que significa um desafio e tanto para o eleito. E sexta-feira estaremo apreensivos com o comportamento de Lula em Cuba. É que, seu amigo de vinte anos, Fidel Castro, nossa secreta ou manifesta admiração de 44 anos, estará recebendo sua visita. A diplomacia brasileira está angustiada, com medo de que Lula quebre os pratos com Bush... Difícil pensar em dois senhores tão distintos... postado por walter em 24/09/03
A INDICAÇÃO DO PATRONO
DA 49a. FEIRA DO LIVRO
DE PORTO ALEGRE
Teve que ser adiada de hoje para amanhã a indicação do Patrono da 49a. edição da Feira do Livro de Porto Alegre, o maior acontecimento na área e a geradora de todas as que se realizam no estado do Rio Grande do Sul e também com alguma e valiosa repercussão em outros estados brasileiros. Rivaliza a feira porto-alegrense com os salões do Livro que se realizam em São Paulo e Rio de Janeiro e, em matéria de expressão local é imbatível. Pode, sempre ser considerado como o maior fato literário do ano e os escritores selecionados para integrar o grupo de dez, resultante de uma votação que congrega pessoas e instituições, as mais representativas do mundo cultural riograndense, chegam ao patamar mais elevado em seu ramo de atividade.
Na etapa final, quando dos dez será apontado apenas um, o eleito, o quadro de referência se reduz a 73 eleitores, digamos, privilegiados, onde se incluem os reitores das duas universidades com sede em Porto Alegre, diretores de instituições dedicadas ao livro, presidentes de entidades representativas da sociedade no setor da cultura, diretoria da Câmara Riograndense do Livro que, por seu turno, abriga livreiros e editores em atividade em nosso estado, portanto uma alta qualificação para esses concorrentes.
Este ano são os seguintes os selecionados:
Alcy Cheuiche
Carlos Urbim
Charles Kiefer
Jane Tutikian
José Clemente Pozenato
Luiz de Miranda
Luiz Coronel
Rovílio Costa
Regina Zilbermann
Walter Galvani
O anúncio oficial dar-se-ia esta manhã, no restaurante “Cofre”, no Santander Cultural, antiga sede do Banco Nacional do Comércio, na Praça da Alfândega, justamente ao lado do local tradicionalmente reservado à Feira do Livro. No entanto, fatores externos e a ausência do patrono do ano passado, o grande jornalista Ruy Carlos Ostermann, se somaram para provocar um adiamento.
Assim, somente amanhã, dia 25, no mesmo local e mesma hora, 10 horas da manhã, se dará o anúncio.
Não se assustem, amigos produtores de soja transgênica, Lula deixou tudo decidido e combinado com a bancada gaúcha. Esperem apenas um dia, talvez até menos... postado por walter em 23/09/03
E os meus amigos que se preparem. Grandes emoções com os personagens do "Anacoluto do princípio ao fim".
Já encomendei ao padre Bonifácio Schmidt uma atenção especial para o meu Padre Godofredo, um sacerdote como se quer!
E a Rosa Pigafé, personagem predileta do Fabrício Carpinejar na palavra do poeta, quinta-feira, às 19 horas (todos estão convidados) na Livraria Cultura do Shopping Bourbon-Country.
Lembrando que na quinta-feira, dia 25, às 19 horas, teremos o lançamento de 'ANACOLUTO DO PRINCÍPIO AO FIM", de Walter Galvani, ou seja, despudoradamente eu mesmo a fazer convite e propaganda do meu próprio livro, aliás maravilhosamente editado pela Record. O livro começa sua caminhada na livraria Cultura do shopping Bourbon-Country em Porto Alegre, mas já está nas livrarias de todo o país postado por walter em 22/09/03
DIA DOS TRANSGÊNICOS
Walter Galvani
Lula vai aos Estados Unidos e à Cuba. Lula vai falar na ONU e já falou “para dentro” o bastante para que saibamos quem é e o que é hoje o PT. Não é preciso nutrir ilusões. Revolução, mesmo, se faz como o Fidel Castro e, infelizmente, com armas na mão e “paredón”. Não que eu justifique a execução daqueles três, digamos, “dissidentes”, mas a Revolução tem suas razões que a própria razão desconhece, ou seja, motivos que só são vistos por quem está no bojo dela. Quando isso acaba, terminou a Revolução. Fidel deu uma mostra pública de que está bem vivo e mais ainda o espírito que mudou o seu país de “quintal da América”, numa ousada experiência socialista que sobreviveu ao desmanche do império soviético e se sobrepõe como uma alternativa, com os olhos voltados para o perigoso vizinho que a quer abocanhar, como fez com outros menos avisados, no passado, para a minúscula ilha independente de hoje.
E então, sabemos que Lula não fará uma Revolução com R maiúsculo no Brasil. Outros talvez sonhem com isso, mas é bom botar os pés no chão.
Por essas e por outras é que acho que Lula vai fazer um arranjo de compromisso, continuarão os gaúchos a plantar soja transgênica enquanto o governo ganha tempo, vai aos Estados Unidos beija a mão de Bush e dá dois beijos nas faces barbudas de Fidel no dia seguinte em Cuba.
De quebra falará na ONU, desfrutando do privilégio do primeiro lugar pela conquista pessoal de Oswaldo Aranha, o grande e “charmant” ministro brasileiro que inaugurou na presidência a assembléia internacional das nações em 1947.
Hoje, portanto, será o Dia dos Transgênicos. Amanhã falará na ONU, encontrar-se-á com chefes de estado importantes reunidos em Nova York.
Fiquem atentos. José Dirceu cuida da casa e este sim é de se prestar atenção.
Vocês sabem a história do líder que escondeu da própria mulher sua verdadeira identidade, durante vinte anos?
Em minha opinião, a guerra da semana vai ser com a Monsanto, que agora quer quebrar "roialties" pela soja transgênica. Mas, que a plantação seguirá o caminho da transgenia, isso não tenho dúvidas, até porque ninguém poderia hoje, proibir, por exemplo, o uso do computador... Agora, as microsoft da vida podem querer cobrar direitos... E no mais, será o momento de seguir os passos do governo do Rio Grande, Germano Rigotto, e sua comitiva, na Europa. Este artigo, publicado hoje aqui no site, saiu também hoje na edição impressa do ABC DOMINGO, grande jornal do Grupo Editorial Sinos, que pode ser lido no site www.gruposinos.com.br e tem muito mais coisas para oferecer. postado por walter em 21/09/03
ESPANHA, HOLANDA, ALEMANHA
Walter Galvani
Antigamente, bem antigamente, quando um governante viajava, os seus desconfiados eleitores ficavam a imaginar que ele estava gastando indevidamente o dinheiro público. Hoje, graças a Deus, mudou este conceito e se costuma cobrar dos executivos que não saem, que não fazem contatos, que não conversam com estrangeiros, que não falam inglês e espanhol pelo menos, que não estabelecem trocas e acordos comerciais. Por isto, Germano Rigotto, ao comandar esta grande caravana de gaúchos que vai vender nossa imagem lá fora, está mais do que apto a receber o aplauso da população.
Aliás, habilidade política é a principal característica deste jovem governador que demonstra no Palácio Piratini por que foi deputado durante tanto tempo e tão prestigiado. Para quem não conseguiu acompanhar sua carreira, aí está a explicação.
Ele é um dirigente atualizado, capaz e, sobretudo, maneiroso. Vejam o convite que fez aos ex-governadores para reunirem-se com ele e formar uma espécie de conselho virtual. Agora, há dois dias inaugurou a placa comemorando a Legalidade, que estava desaparecida desde os governos militares, com a presença do ex-governador Brizola.
Sua competência política vai mais longe ainda e discute com Lula a questão dos transgênicos, ao mesmo tempo em que procura promover a paz no campo.
Resta-lhe a chance de uma ou duas boas safras agrícolas e um desempenho crescente da área industrial de exportação, onde influi, como sabem todos, especialmente em Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas, o dólar é vital.
Pois é, mas Deus, que já mostrou que é brasileiro em várias oportunidades, pode, a qualquer momento, provar que vestiu as cores farroupilhas e promover uma virada a nosso favor que recoloque o Rio Grande no lugar de onde nunca deveria ter saído.
Isso quer dizer uma terceira (ou segunda?) posição no “ranking” brasileiro. Não se pode pedir isso para o Grêmio, este ano, pelo menos, é tarde. Mas, sempre dá para rezar pensando no ano que vem e no outro.
É o que faremos também por Rigotto. Todo mundo sabe que em economia não há milagres e as coisas não saem do nada. De nada adianta, o presidente Lula por exemplo, dizer que vai querer falar “de igual para igual” com os grandes. Isso é no mínimo fanfarronice. Os brasileiros estão habituados com isso, mas não fica bem.
Quem quer ser moderno, tem que agir como Rigotto. Botar uma pasta debaixo do braço, colher as informações e acompanhar-se bem e sair por aí, a vender o que temos para oferecer. E que, afinal de contas, não é só Gisele Bündchen, mas é também, assim como nossos sapatos, sandálias, nossa carne, soja, e nossos escritores e artistas.
Não é por nada que já botamos o Moacyr Scliar na Academia Brasileira de Letras e que temos nomes consagrados aí fora como ele próprio, o Assis Brasil, o Erico e o Luiz Fernando, e o maior índice de leitura do Brasil.
Esperamos que tudo isso cresça junto com o PIB. Não só de pão vive o homem, dizia a Bíblia, mas a Bíblia, ela própria, se autodenomina “O Livro”. Portanto, esta é a morada da sabedoria.
Hoje é 20 de Setembro, "data nacional" dos gaúchos postado por Walter Galvani em 20/09/03
Editora Record, Livraria Cultura e o autor
têm o prazer de convidar para o lançamento do livro
A N A C O L U T O
DO PRINCÍPIO AO FIM
de
Walter Galvani
Com comentários e leitura de trechos do livro pelo poeta
Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura/Bourbon Shopping Country
Endereço: Rua Túlio de Rose, 80/1º piso, Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3028-4033
E enquanto não lêem o "Anacoluto", pensem no significado do dia. "Anacoluto" fala nisso também.
168 ANOS DA REVOLUÇÃO
Walter Galvani
Hoje, durante todo o dia, estarão os habitantes do Rio Grande do Sul, com os olhos e o coração voltados para um episódio de 168 anos atrás, quando num vinte de setembro, um piquete revolucionário deixava a cidade de Guaíba, justamente onde vivo e a 2 quilômetros e meio de minha casa, para atravessar o rio (que hoje chamam “lago”, e iniciar a tomada de Porto Alegre, capital oficial da província. Os revolucionários praticamente não encontraram oposição, mas houve um combate na ponte da Azenha onde perdeu a vida um jornalista. Logo o governador era deposto e fugindo para bordo de uma fragata que estava ao largo do porto, assim que pôde continuou sua fuga, levando o símbolo e o poder para Rio Grande, na saída da Lagoa dos Patos.
Era o primeiro lance do movimento que parecia apenas uma forma política de depor um representante de um governo odiado, por outro, que talvez viesse a ser tão odiado quanto ele.
No manifesto do General Bento Gonçalves esta escrito todo o programa mínimo que norteou a rebelião que se transformou em revolução e durou dez anos. Havia, no início, desejo de separatismo? Havendo ou não, em questão de meses, estava constituída a nova república rio-grandense e até secretário de relações exteriores tinha.
O desejo de se separar do Império do Brasil era franco e notório. Algumas correntes nacionalistas não toleram esta versão. Mas, foi o que preponderou naqueles anos difíceis do século XIX, mais precisamente de 1835 a 1845.
O ideário estava calcado na Revolução Francesa. O lema gaulês de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” fora apenas traduzido e adaptado para “Liberdade, Igualdade e Humanidade” que, no fundo, queria dizer o mesmo, pelo menos em seu espírito.
E foi assim, desde aquele dia 20 de setembro heróico até o final.
Hoje os gaúchos, unificados sob os mesmos ideais, estão nas ruas, comemorando, lembrando o período fantástico, vestindo as cores amarela, vermelha e verde e sonhando em ser outra vez, farrapos.
Darei um passeio esta tarde. Irei até o local onde está a placa que assinala a saída dos heróis de então, para atravessar o grande rio (ou lago...) e iniciar a tomada da capital.
Estenderei meu olhar sobre o rio, mas ficarei do lado de cá. É uma questão de escolha. Sinto-me melhor na Metade Sul. Espero que os governantes de hoje, lembrei nosso coração farroupilha e meditem sobre os problemas que são muito semelhantes e tão difíceis quanto os de 1835.
Mostremos valor constância. E sirvam, nossas façanhas, de modelo à toda a Terra.
Está no Hino.
A Editora Record, a Livraria Cultura e o autor postado por walter em 19/09/03
têm o prazer de convidar para o lançamento do livro
A N A C O L U T O
DO PRINCÍPIO AO FIM
de
Walter Galvani
Com comentários e leitura de trechos do livro pelo poeta
Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura/Bourbon Shopping Country
Endereço: Rua Túlio de Rose, 80/1º piso, Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3028-4033
Há um tal de "Plano Imprensa" no centenário Grêmio, que não honra a longa tradição do grande clube. Precisamente, trata-se de "controle" sobre a Imprensa... Em outros tempos isso já teve outro nome. O que explica é o fato do grande clube estar na última colocação do campeonato brasileiro. Explica mas não justifica. Porém há coisas muito mais importantes. Por isso transcrevo a crônica que saiu na edição de ontem do "Diário de Canoas". Acho que os leitores desta página também precisam tomar conhecimento de outros absurdos que andam por aí. Bem mais importantes do que censura no futebol. postado por walter em 19/09/03
TROPAS DO BRASIL
Walter Galvani
É isso mesmo que você imaginou: “Tropas do Brasil na ocupação do Iraque.” Um alto funcionário americano deixou escapar esta informação, dizendo que os Estados Unidos querem dividir os custos e as responsabilidades da ocupação e da reconstrução do Iraque e para tanto esperam contar com tropas de países aliados tradicionais “como o Brasil e a Argentina”.
É simples o raciocínio: os americanos decidiram, por conta própria, invadir o Iraque para derrubar Saddam Hussein, sob a alegação de que aquele país possuía armas de destruição em massa, questão que nunca foi provada, não foram encontradas, Saddam fugiu de Bagdad, não se sabe onde anda, os iraquianos matam americanos todos os dias, as empresas internacionais com sede nos Estados Unidos ou na Inglaterra estão metendo a mão no petróleo do país ocupado e agora, é preciso repartir a responsabilidade perante a opinião pública internacional.
Penso que o governo brasileiro terá de obter permissão do Congresso para enviar tropas, mesmo que sob o símbolo da ONU. Duvido que os “capacetes azuis” possam exercer com êxito tal missão e duvido mais ainda, que o governo Lula queira embarcar nesta “fria”. Levo mais adiante minha dúvida: será que o Congresso dará autorização?
De qualquer maneira, acho muito difícil que o comprometimento se dê a este nível, mas somente por uma questão prática. Sob o ponto de vista ideológico e de interesses comerciais, ninguém é mais pragmático que este atual governo brasileiro. Aqueles que sonhavam com um governo esquerdista, lembrem a imagem de Lula com um violino na mão e a legenda explícita: “A gente segura o violino com a Direita e toca com a Esquerda!”
É o que é, como diria um comentarista de televisão, também bastante eloqüente e prático.
Tudo é possível neste Brasil do século XXI. É hora de lembrar o desempenho das monarquias absolutistas que afinal geraram nosso país, falo em Dom João II e Dom Manuel I de Portugal e seus sucessores no tempo e no trono, os Bragança, que consolidaram nosso império e fizeram nossa independência: todos eles foram mestres na arte de tocar violino...
Lula, vindo com o seu partido lá do bojo das classes populares, chegou ao poder fazendo alianças a todos os lados, com o objetivo de alcançar o posto e distribuir cargos e benesses. E governar. Não exatamente nessa ordem. Como no PT é preciso contribuir com dez por cento dos salários para manter-se num cargo de confiança, é fácil ver que a reeleição de Lula terá, pelo menos, um financiamento garantido. Depois disso, só resta rezar para que a nova corte brasileira saiba se manter com a coroa na cabeça, bem equilibrada.
No meio disso, há uma questão ideológica, e optar pelo apoio integral ao “compadre Bush” pode levar o PT esquerdista ao desastre.
Mandar tropas brasileiras para a ocupação do Iraque não relembra a saudosa e valente missão da FEB que foi para a Europa, em 1942, ajudar a derrubar as ditaduras nazi-fascistas. A simpatia brasileira, nosso “know how”, nossa alegria, o futebol, o samba, a miscigenação, nada disso salvou Sérgio Vieira de Mello da explosão de sua sala e não preservará a vida dos nossos “pracinhas” no Iraque.
Lula e o Congresso que pensem bem. Agora não é a hora de fritar bolinhos ou acertar acordos para passar reformas de meia sola. Quem se abraçar com Bush estará tomando uma posição histórica, que poderá ser momentaneamente ao lado do Poder e dar vantagens eventuais. Mas, e quem escapará ao julgamento da História?
A reinauguração de uma placa que assinala o Movimento da Legalidade, hoje no Palácio Piratini, com a presença do governador Germano Rigotto e o ex-governador Leonel Brizola é um marco da reconciliação no estado do Rio Grande do Sul. E um ponto a considerar para o futuro. postado por walter em 18/09/03
CONSELHO VIRTUAL
Walter Galvani
O governador Germano Rigotto está trabalhando em silêncio, costurando um acordo e um entendimento que o deverá consagrar em curto espaço de tempo, como o homem que foi capaz de pacificar o Rio Grande, o que é sempre uma tarefa difícil.
Vocês recordam, antes dele houve governador saindo pela porta dos fundos para não transmitir o poder ao seu sucessor, houve troca de ofensas, farpas à vontade e no passado, até guerrilha e revolução.
Mas, Germano Rigotto, um conciliador por natureza, está fazendo o seu trabalho com profissionalismo, dedicação e muita inteligência.
A primeira medida que tomou foi convidar os ex-governadores para sua posse. Depois disso, começou a convidá-los para almoçar e jantar, e aos poucos foi trocando idéias e se beneficiando da experiência deles.
Hoje, às 11 da manhã, um ato concreto e indiscutível de pacificação política legítima: o ex-governador Leonel Brizola, inaugura em sua companhia, a placa que assinala o Movimento da Legalidade, aquele que postulou a posse do vice João Goulart na presidência em 1961 e que estava desaparecida desde que os governos nomeados ou eleitos indiretamente no período militar, estiveram no Palácio Piratini.
Rigotto está, na verdade, operando com uma espécie de Conselho de Governo. E a um passo da sua institucionalização, o que seria muito útil e referencial para um país que carece de estruturas democráticas permanentes.
Nazistas e comunistas unidos jamais serão vencidos... postado por walter em 17/09/03
REPARTINDO O BOLO
Walter Galvani
17 de setembro de 1939. A URSS, então no auge do poder, assina um acordo com Adolf Hitler, ditador nazista da Alemanha, para permitir-se a invasão da Polônia. As tropas russas, com a bandeira vermelha do comunismo, aproveitando o fato de haver sido o país esfaqueado já pelas “panzer divisionnnen”, entra pelo outro lado. A Polônia, cortada em fatias, fica a mercê dos ocupantes estrangeiros.
Como se vê, a ideologia nem sempre garante a imunidade dos pequenos. Ou melhor: nunca preserva ninguém... A sombra dos interesses nacionais e internacionais, caem todas as barreiras éticas.
É o que há para recordar nesse dia 17 de setembro. É preciso que deixemos de ser ovelhas e carneiros...
Como por enquanto não resta mais nada a fazer a não ser espernear, é bom lembrar o que aconteceu para deixar a marca quente e não permitir novas invasões (como a do Iraque), divisões, repartições, etc e tal.
Ah, brasileiros! Olho na Amazônia!
Oswaldo Aranha, presidente da Assembléia Geral da ONU, lembram-se disso? postado por walter em 16/09/03
DIA PARA RECORDAR
Walter Galvani
16 de setembro de 1947: o chanceler brasileiro, o gaúcho Oswaldo Aranha, é eleito presidente da ONU (Organização das Nações Unidas). No ano anterior ele havia presidido a assembléia geral extraordinária, a primeira depois da constituição do organismo internacional, que se havia reunido em São Francisco, na Califórnia, exatamente no ano em que Israel foi aceito como estado integrante da união de nações e, no ano seguinte, foi eleito presidente da entidade na primeira grande reunião plena.
Isso foi antes de existir o Conselho de Segurança, para o qual o Brasil pleiteia agora o seu ingresso e muito antes do CS acobertar as ações de predomínio dos seus membros.
É por causa da eleição de Aranha que o Brasil é sempre o primeiro país a falar na assembléia anual que se instala em torno de setembro ou outubro, ou seja, assim que finda o verão no hemisfério norte.
É o que deverá ocorrer uma vez mais, e a expectativa é grande porque, uma vez mais o presidente do Brasil falará na abertura. E, dessa vez, um presidente que foi no passado torneiro mecânico. Não deixa de ser uma novidade, pelo menos para nós e para a Europa, onde os cidadãos provenientes de funções mecânicas não podiam ser nobres... Não para os Estados Unidos, que a começar por Abraham Lincoln, que foi lenhador, mas onde a ascensão social é tão fácil e rápida, a mobilidade é enorme.
Temos, portanto, um dia para comemorar. Oswaldo Aranha não era propriamente um torneiro-mecânico, sim um ruralista e advogado, mas foi ele que tornou sua família ilustre. Progrediu pelos próprios meios, por sua inteligência extraordinária e pelo seu charme pessoal, sua gentileza, seu caráter profundamente humano.
Dele disse Getúlio Vargas, por exemplo: “Não deixe Oswaldo Aranha falar. Ele te conquista!”
Pois, conquistou o Mundo!
É bom não esquecer.
Hoje é um dia festas para o futebol brasileiro: o Grêmio Portoalegrense compoleta seu primeiro centenário postado por walter em 15/09/03
GRÊMIO CEM ANOS
Walter Galvani
Num dia 15 de setembro, em 1903, alvorecer do século XX, nasceu o Grêmio Fussbal Porto-alegrense, mais tarde o Grêmio Foot-ball Porto-Alegrense, hoje o Grêmio, conhecido de todos assim, com o pré-nome simplificado.
Durante este século inteiro de grandes feitos tornou-se campeão do Brasil e campeão do mundo, propagou desde o início o jogo de futebol, consagrou grandes nomes, Lara, Foguinho, Luiz Carvalho, Airton, Gessi, Juarez, De Leon, Renato e tantos outros – a lista seria interminável – conquistou inúmeros títulos, viajou meio mundo, disputou inúmeras vezes o título de campeão da América, aliás três vezes chegou ao ponto mais alto do pódio, assim como chegou uma vez, em 1983, a campeão mundial interclubes.
Não poucas vezes forneceu grandes jogadores à seleção nacional, o próprio treinador, Felipão, o astro Ronaldinho Gaúcho e por aí vai.
Foram tantos os feitos do Grêmio que seria impraticável relacioná-los aqui e agora.
Neste momento, e isso é apenas um momento, o clube está em má situação no campeonato brasileiro. Por uma contingência de fatores, também se poderia ler que se trata do “inferno astral” do grande clube.
Mas, isso passará e nada poderá apagar ou empanar o brilho destes cem anos de contribuição ao esporte brasileiro e especificamente, ao futebol.
“Com o Grêmio onde o Grêmio estiver” é um dos seus mais conhecidos “slogans” e que tem funcionado nestes últimos anos. Dono de um magnífico patrimônio, o maravilhoso estádio Olímpico, em Porto Alegre, que já comportou multidões próximas dos 100 mil assistentes, quota hoje reduzida para 70 mil por algum milagre da contabilidade feita pelos serviços de segurança, mas sempre representativo de um grande clube, cuja camiseta azul, preta e branca, é conhecida e reconhecida em qualquer parte do mundo, este é o Grêmio que, junto com seu “co-irmão”, S.C.Internacional, honra a cidade de Porto Alegre.
Parabéns Grêmio! Amanhã vai terminar o “inferno astral” eventual e a equipe de futebol voltará às posições de liderança a que se habituaram todos, torcedores, dirigentes, amigos e adversários esportivos.
Esta crônica foi inicialmente publicada na edição impressa do ABC DOMINGO, brilhante semanário que circula na Região Metropolitana de Porto Alegre, do Grupo Editorial Sinos, que tem sua sede em Novo Hamburgo postado por walter em 14/09/03
SOMOS TODOS FARRAPOS
Walter Galvani
O passado fundiu em seus cento e sessenta e oito anos de tropilhas e tropelias, as diferenças entre farroupilhas e “imperiais”, mais tarde afogados em caramurus e maragatos ou quero-queros, chimangos e outros “pássaros” mais ou menos afortunados. Aos poucos, os imensos espaços do pampa, que serviram nos primeiros anos da colonização, como haviam servido de habitat para milhares e milhares de charruas, guaicurus, guaranis, caingangues ou patos, foram se tornando exíguos para sustentar e dar emprego e guarida à população miscigenada que se foi multiplicando pelos ranchos e taperas, ou ocupando a casa grande, a senzala e os capões e açudes.
No século XIX chegaram os alemães, italianos, poloneses, mais adiante russos, armênios, libaneses, sírios, ucranianos, japoneses e aos poucos, os de nacionalidade portuguesa, herdeiros da terra pelos seus feitos militares, foram vendo seu poder e sua riqueza redistribuir-se e subir as serras e suas encostas, ganhar os planaltos e o litoral.
Desenhou-se o estado moderno, sucessor no tempo e no espaço da velha e gloriosa província de São Pedro do Rio Grande. Faltou-nos o substrato ideológico que nos mantivesse unidos, altaneiros, dispostos à uma guerra de dez anos para separar-nos do “Império”, em nome de idéias como “Liberdade, Igualdade, Humanidade”. É o que está escrito em nossa bandeira, é o que estava lá na Constituição da República Riograndense, é o que pensavam Gomes Jardim e Bento Gonçalves, quando acampavam debaixo do cipreste – agora histórico – que ainda vive na vizinha Guaíba, a antiga Pedras Brancas da fazenda do primeiro presidente.
E foi assim pensando que o primeiro piquete farroupilha atravessou o rio Guaíba e amanheceu no dia 20 de setembro lutando nas ruas de Porto Alegre, dando início a implantação do sonho que durou dez anos.
Restou-nos a idéia, o hino, as cores vermelho, verde e amarelo e pouco mais. Ficou de pé a tradição campeira, o folclore, o movimento que agrupa os centros de tradições gaúchas, o trabalho inestimável dos pioneiros e pesquisadores como Barbosa Lessa e Paixão Cortes, e de tantos seguidores como Manoelito Savaris, e uma abrangência que envolve todas as etnias, alemães, italianos inclusive, dentro do mesmo substrato de grandeza, valentia e generosidade. Virtudes rio-grandenses, escreve-se. Nem sempre e nem de todos, mas de qualquer forma um objetivo, um projeto de vida.
Hoje, andar “pilchado” pelas ruas é motivo de orgulho, é até traje oficial por lei e decreto, distingue e não diminui, como em outros tempos.
O campo, no entanto, ainda não resgatou a mão-de-obra que a atomização das propriedades e a mecanização da lavoura, o predomínio das monoculturas e o empobrecimento geral produziu. O “gaúcho-a-pé”, indiferente ao orgulho atávico, segue engrossando a periferia das pequenas, médias e grandes cidades gaúchas e não sabe se deve filiar-se ao MST ou ao PT, aos antigos partidos dos grandes proprietários ou seguir, indiferente, batalhando pelas sobras dos melhor aquinhoados. Luta-se pelo lixo, há gente sobrevivendo de migalhas.
E, no entanto, a bandeira farroupilha, o hino que fala em mostrar “valor, constância” e servir “de modelo à toda a Terra”, ainda tremula no coração dos rio-grandenses.
É uma força positiva que nos mantém de pé.
Comece bem a semana próxima, claro hoje é sábado, mas convém programar-se para segunda-feira. Não perca, como diria o intelectual Mauro Gaglietti, esta bela oportunidade: postado por walter em 13/09/03
SEMINÁRIO CULTURA E IDENTIDADE REGIONAL
No dia 18 de setembro, a partir das 9h30min, no Centro Cultural Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223), se realiza o Seminário CULTURA e IDENTIDADE REGIONAL. O encontro vai reunir importantes nomes da cultura brasileira, argentina e uruguaia. O grupo de intelectuais, liderados pelo curador do Seminário, o jornalista e escritor Ruy Carlos Ostermann, vai discutir as diferenças e as semelhanças de costumes, valores, necessidades e desejos das populações de suas regiões de origem. O ingresso custa R$ 10 e pode ser adquirido nas livrarias Acadêmica e Terceiro Mundo e na loja do Margs.
Confira abaixo um breve perfil de cada um dos participantes.
SILVIANO SANTIAGO
Escritor e crítico literário mineiro, é bacharel em Letras Neolatinas pela UFMG e doutor em literatura francesa pela Sorbonne. Recebeu três vezes o Prêmio Jabuti em ficção. Entre os seus ensaios, destaca-se Uma literatura nos trópicos. Recentemente, selecionou 10 clássicos do pensamento brasileiro, dirigiu e prefaciou a antologia Intérpretes do Brasil. Também prefaciou e anotou as cartas trocadas entre Carlos Drummond e Mário de Andrade, publicadas sob o título de Carlos & Mário. Acaba de entregar à editora Rocco os originais do seu próximo romance, O falso mentiroso - memórias;
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL
Escritor e professor gaúcho, autor de 16 romances, é detentor de prêmios relevantes, em que se destacam o Prêmio Literário Nacional, do Instituto Nacional do Livro por Cães da Província, Prêmio Pégaso de Literatura da Colômbia, Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional por O pintor de retratos, Prêmio Erico Verissimo pelo conjunto da obra e vários prêmios Açorianos de Literatura. Possui obras publicadas em Portugal, França e Espanha, e participa de antologias lançadas nos Estados Unidos, Alemanha e Canadá. Seu próximo lançamento será A margem imóvel do rio, pela Editora L±
MILTON HATOUM
Escritor, ensaísta e tradutor nascido em Manaus, foi professor de literatura na Universidade Federal do Amazonas e na Universidade da Califórnia (Berkeley). É autor dos romances Relato de um certo Oriente e Dois irmãos (Companhia das Letras), ambos ganhadores do prêmio Jabuti e publicados nos Estados Unidos e em oito países da Europa. Publicou ensaios sobre literatura brasileira nos jornais ABC e El Pais (Espanha), e traduziu recentemente o livro de ensaios Representações do Intelectual, de Edward Said, a ser publicado pela Companhia das Letras. Atualmente está escrevendo seu terceiro romance, cujo título (provisório) é Vila Amazônia;
MEMPO GIARDINELLI
Escritor nascido em Resistência, na Argentina, tem sua obra literária traduzida para quinze idiomas e obteve alguns dos mais importantes prêmios literários latino-americanos. A novela Santo Ofício de la Luna recebeu o Prêmio Internacional Rômulo Gallegos, na Venezuela; Luna Caliente, recebeu o Prêmio Nacional de Novela, no México e El País de Las Maravilhas, um ensaio de 1998, foi condecorado com o Prêmio de los Libreiros Argentinos del Ano. Atualmente é colaborador dos jornais Página 12 (Buenos Aires), El Mundo (Madrid), Ciberoamérica (México) e da revista Brecha (Montevideo);
ALDYR GARCIA SCHLEE
Tradutor e escritor gaúcho, doutor em Ciências Humanas, duas vezes premiado na Bienal Nestlé de Literatura Brasileira e três vezes premiado com o Prêmio Açorianos de Literatura. Entre seus livros de maior destaque estão Contos de Sempre, Uma Terra Sã e Contos de Verdade. As últimas publicações foram escritas originalmente em espanhol e editados no Uruguai, com destaque para Cuentos de Futebol. As suas especialidades são a criação literária, a literatura uruguaia e gaúcha, a identidade cultural e as relações fronteiriças;
ROBERTO DAMATTA
Carioca, bacharel em História, Roberto DaMatta fez especialização em Antropologia Social e obteve os títulos de mestre e doutor em Antropologia na Universidade de Harvard. Foi pesquisador, professor e diretor das maiores faculdades de Antropologia Social do mundo. Atualmente tem participado e realizado inúmeras conferências em todos os grandes centros de pesquisa e ensino de Antropologia Social da América, da Europa e da Ásia. DaMatta escreveu mais de 140 ensaios técnicos, inúmeros artigos para os principais jornais do país e do exterior e publicou vários livros, entre eles Ensaios de Antropologia Estrutural, Carnavais, Malandros e Heróis: Para uma Sociologia do Dilema Brasileiro e Conta de mentiroso: Sete ensaios de Antropologia Brasileira;
TABAJARA RUAS Escritor e cineasta nascido em Uruguaiana, é autor premiado, no Brasil e exterior, de novelas, romances e filmes consagrados. Alguns de seus livros são fundamentais na moderna literatura do Rio Grande do Sul, como a novela Perseguição e Cerco a Juvêncio Gutierrez e o romance Netto Perde Sua Alma, troféu Açorianos de Literatura, obra que virou filme, sob direção do próprio Tabajara Rujas e de Beto Souza, tendo recebido o prêmio RGE/Governo do Estado de Cinema, além de quatro kikitos no 29º Festival de Cinema de Gramado. Ruas tem livros publicados na Dinamarca, Uruguai, Colômbia, Chile e Itália;
REGINA ZILBERMAN
Nascida em Porto Alegre, licenciou-se em Letras pela UFRGS e doutorou-se em Romanástica pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Atualmente é professora da PUCRS, onde leciona Teoria da Literatura e Literatura Brasileira. Simultaneamente, dirige a Faculdade de Letras e coordena o Programa de Pós-Graduação em Letras. Também já foi diretora do Instituto Estadual do Livro do RS. Realizou seu Pós-doutorado no Center for Portuguese & Brazilian Studies, da Brown University, Rhode Island (USA). Recebeu, em 2000, na Universidade Federal de Santa Maria, o título de Doutor Honoris Causa. Preside atualmente a Associação Internacional de Lusitanistas, com sede em Coimbra, Portugal. Suas publicações de maior destaque são Roteiro de uma literatura singular, São Bernardo e os processos da comunicação e o Pequeno Dicionário da Literatura no RS. Regina tem ensaios publicados nas revistas Iberoromania (Alemanha), Lectura y Vida (Argentina), Luso-Brazilian Review (USA), Modern Language Studies (USA), Europe (França), Letras de Hoje (Brasil), Tempo Brasileiro (Brasil), Ciência e Cultura (Brasil), Hispania (USA) e Brasil Brazil (EUA/Brasil), entre outras;
WASHINGTON BENAVIDES
Nasceu no Uruguai. É professor universitário e desenvolveu trabalhos em rádio. Entre seus livros destacam-se Tata Viscacha, Poemas de la ciega e El molino del agua. Em 1950 publicou alguns de seus primeiros poemas e desde então prosseguiu em um abundante trabalho de criação poética, o que o situa hoje como um dos mais importantes poetas de sua geração. A outra faceta de Benavides está vinculada à música popular, já tendo composto diversos temas, apresentados por diversos interpretes.
Lucia Porto
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51 3061.0730
51 3061.0729 (fax)
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Agora querem a cabeça de Arafat. Amanhã será a sua, irmão... Você conhece bem a história do dia em que vieram buscar o teu vizinho e não te preocupaste, fechando a janela para não ver os soldados nazistas carregando-o? postado por walter em 12/09/03
ARAFAT, BRASIL E ONU
Walter Galvani
Vamos ficar de olho: no dia 10 de outubro serão eleitos novos membros do Conselho de Segurança da ONU, para somarem-se a Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, França e China, que ocupam cargos permanentes e aos temporários, (hoje Alemanha, Chile, Espanha, Paquistão e Angola) e o Brasil é candidato. A nosso lado, Argélia, Filipinas, Romênia e um país africano que poderá ser Benin ou Mauritânia.
Ditos assim, parecem simpáticos candidatos às finais da Copa do Mundo de Futebol. Mas não é disso que se trata.
É coisa muito mais séria e... perigosa. A ONU abriga hoje 190 membros e é a coisa mais parecida com um governo internacional a que já se chegou. Infelizmente não o é através de uma assembléia com igual direito de voto, mas com uma indiscutivelmente monárquica concepção de assentos privilegiados no tal Conselho de Segurança.
Quem ali toma um lugar, passa a responsabilizar-se, junto com os poderosos a que não podem derrubar, por todos os atos mundo afora, pela intervenção e pela não-intervenção. Pelos acertos e erros. Pela alma de Sérgio Vieira de Mello ou Dag Hagamarshold ou pelo que Blair, Bush e outros, mais ou menos votados, bem ou mal... – o decidam.
É uma tristeza que só acabará quando... acabar a ONU. Sim, quando as fronteiras nacionais forem abolidas e todos formos iguais, como seres humanos que somos e que podemos nascer aqui ou além do Tigre, do Missouri ou do Amazonas.
Quando chegará este dia ?
Quem sabe no fim do mundo...
Resgate dos 30 anos de um 11' de setembro, quando foi derrubado o governo legítimo do Chile. Dois anos da derrubada das Torres Gêmeas. 1 grau de temperatura aqui em Guaíba. Em São José dos Ausentes fez 3 abaixo de zero. É o "país tropical"... Que, aliás, continua jogando futebol, tanto que ontem, 1 x 0, segunda vitória nas eliminatórias da Copa do Mundo, gol de Ronaldinho Gaúcho, craque do Barcelona. E por tudo isso, leiam, que bela crônica de Affonso Romano Sant'Anna, um craque: postado por walter em 11/09/03
UM EXEMPLO DE CRÔNICA
Walter Galvani
Em minhas oficinas de crônica, que intitulei “O vôo da gaivota”, ministradas já em seis oportunidades (a sétima será na 49a. Feira do Livro de Porto Alegre), costumo dar aos oficineiros, entre outros exemplos, esta maravilhosa obra prima de Affonso Romano Sant’Anna:
“A bola não é um mero artefato de couro. É um ser alado, de ouro, ave sagrada, que rompe as traves da gaiola, isto quando não é uma flor que ao abrir-se em gols nos mostra a luz de sua corola.
A bola difere do diamante. Não tem arestas. E, no entanto, arisca, risca a pele em ritmo de festa. Não tem arestas, porque é polida, não pela mão, mas pelo pé do ourives, caso se chame Zico ou Pelé.
Se na Espanha a bola fosse um touro, no gol, um toureiro faria da rede a capa ou estola. Mas, sendo no Brasil, ela é samba que o sambista cantarola, é toque na cuíca e caçarola, ele sabe a lição de cor, não cola.
O jogador é um ator. Ele joga, encena a paixão no estádio, tornando público o seu caso de amor com a bola. Mas pode ser dramático ou histrião. Neste caso, o “ser ou não ser” é um chavão.
A bola é um raio que, quando cai no gol, vira trovão de bombas, gritos e alaridos da multidão.
A bola também tem sua contradição: pede que a persigam e ri da perseguição.
O bom jogador é como o cantor: não sabe mais o limite entre sua voz e a canção.
Ao mau jogador, a bola parece um cáctus roliço, um porco-espinho que a canela ou a alma esfola. Ataca como um pivete que quando passa não se consegue pegar pelo pescoço ou gola.
A bola é como o tigre no zoológico da grama. E o jogador é o domador do feroz instante sem usar chicote ou chama.
Mais que amante que no campo da cama nos traz o corpo sempre inaugural, o jogador é a cartomante e sua bola de cristal, jogando com o nosso ser, a nos trazer o bem e o mal.
Se a bola é bala, o corpo do jogador é a pistola, e, quando atira furioso, o adversário cai e sai de padiola.
A bola é bela? A bola é a fera que nos abala e desespera? Ou a bola é como a bula, ambígua, veneno e remédio, que nos mata e consola, mulher fatal que nos ama e desola?
Não, a bola não é a Lua, pálida quimera. Mais que a solitária esfera, a bola é um cometa, que de quatro em quatro anos nos assola.
Pensamos olhar a bola, mas a bola com seu olho é que nos olha.
A bola é como a Terra: redonda e humana. É como o homem: cheia de ar, pura arrogância. A bola é nossa errância.
A bola não é coisa de adulto. É o que sobrou da infância.
Se o campo é um labirinto de pernas, a bola é um fio de novelo que desenrola. Nos foi dado por Ariadne, contra o Minotauro e a degola.
O jogador é um prestidigitador, que na última hora ante a torcida aflita tira um gol de sua cartola.
Também é um ilusionista, coisa de artista de circo, que faz da bola argola, causando no estádio espanto e sobre a cabeça do atleta a bola se faz auréola fazendo do homem um santo.
O jogador, enfim, é um escritor. Ele joga com o instante e a glória. Tem os pés no chão e a cabeça nas nuvens, para cabecear a história.
O jogador é um poeta. E, como poeta, um fingidor. E joga tão perfeitamente que nos faz pensar que é poesia, o que é jogo simplesmente.”
Hoje, 10 de setembro, não é mais o dia da Imprensa. Foi trocado, após campanha vitoriosa liderada pela ARI, pelo primeiro dia de junho postado por Walter Galvani em 10/09/03
AS RAZÕES DA MUDANÇA
Walter Galvani
Até dois anos atrás, o dia 10 de dezembro era o Dia da Imprensa, porque se comemorava a primeira impressão de um jornal em nosso país, a “Gazeta do Rio de Janeiro”, que se deu em 1808. Ocorre que, o tal jornal era apenas o “diário oficial” da corte de Dom João VI. Dentro de um movimento nacionalista e solidamente ideologizado, a ARI (Associação Riograndense de Imprensa) liderou uma campanha nacional que culminou com a mudança da data: passou-se a festejar o dia l. de Junho, porque exatamente no mesmo ano de 1808, começava a circular em Londres, o jornal “Correio Braziliense”, do brasileiro Hipólito José da Costa, nascido em Colônia do Sacramento, que, aliás, hoje é Uruguai.
Com isso, deu-se um basta ao oficialismo e abraçou-se a causa do grande criador da imprensa verdadeiramente imprensa, ou seja do jornal realmente veículo de notícias e opiniões, que assinalaria o século XIX, e ajudaria a batalha pela independência do Brasil.
Hipólito, perseguido em Portugal onde fora estudar Direito, depois de haver sido educado em Pelotas pelo seu tio padre, refugiou-se na Inglaterra e lá editou seu jornal que circulou vários anos, sempre como órgão “noticioso e literário”.
Com isso, poucos são os que ainda assinalam hoje, 10 de setembro, como o Dia da Imprensa. Mas, no caso do Rio Grande do Sul, sempre é oportuno registrar-se algumas coincidências e curiosidades: numa dia como hoje, em 1964, falecia Arlindo Pasqualini, o grande diretor da “Folha da Tarde”, desde o final do ano de 1936 até aquela data, portanto uma carreira de 28 anos. A “Folha” duraria mais vinte anos. Fui seu último diretor, de março de 81 a junho de 84. Mas, não cessam aí as curiosidades do dia: em 1989, então com 79 anos recém feitos, morria Breno Caldas, fundador da “Folha da Tarde” e da Rádio e TV Guaíba, e diretor do “Correio do Povo”, de dezembro de 1935 até junho de l984. Era o “Dia da Imprensa”. Não é mais.
Hoje, em Porto Alegre, é o dia de festejar a primeira antologia do grande poeta Fabrício Carpinejar postado por walter em 09/09/03
CAIXA DE SAPATOS
Walter Galvani
Fabrício Carpinejar é um dos maiores poetas do Brasil. O fato de ter apenas 30 anos é um mérito a mais. Porque madureza é que não lhe falta. Filho de poetas, Carlos Nejar e Maria Carpi, o “menino” Fabrício, alem de grande no ramo literário que escolheu é destacado jornalista, atuando hoje no Departamento de Imprensa da Unisinos. Mas, a passagem fulgurante de Carpinejar, como escolheu rebatizar-se, utilizando os dois nomes familiares, pela poesia brasileira é dada pelo fato indiscutível de haver conquistado cinco prêmios com quatro livros.
Seu mais recente trabalho, “Biografia de uma árvore”, valeu-lhe o Prêmio Nacional “Olavo Bilac”,da Academia Brasileira de Letras e uma alta rotacional de prestígio de tirar o fôlego.
Mas, para os que perderam o passo, no acompanhamento ao poeta, não desesperem. Pela Companhia das Letras, está saindo hoje, com lançamento oficial esta noite na Livraria Cultura do shopping Bourbon-Country, em Porto Alegre, “CAIXA DE SAPATOS”, uma antologia da pequena mas variada obra do excelente autor gaúcho.
A recepção será às 19h30min, reunindo por certo, o que há de melhor no seio da intelectualidade gaúcha.
Quem não estiver lá hoje à noite, não poderá, mais adiante, incorporar o fato em sua biografia, dizendo: “Este Carpinejar fantástico que hoje todo o Brasil celebra? Acompanhei-o desde os primeiros passos!” Para jactar-se disso é preciso, cumprir estes trâmites. De minha parte já organizei o dia e estarei presente, transcreverei versos dele aqui em minha página na Internet e no futuro poderei dizer tranqüilo que eu soube que ali morava um poeta desta estirpe desde os seus primeiros, digamos, vagidos... Mas, não se enganem: Fabrício Carpinejar há muito saiu das fraldas e tornou-se capaz de dizer, em polida e expressiva linguagem, tudo o que vai pelos nossos cérebros, tudo o que faísca das interligações dos nossos neurônios. Principalmente dos dele, é claro, que produzem energia, aliás, de primeira qualidade.
Está chegando o fim do ano... Não, não se assustem, no Rio Grande é assim mesmo. postado por walter em 08/09/03
TEMPO DE REFLEXÃO
Walter Galvani
Alguns acontecimentos marcam o último semestre no Rio Grande do Sul e aceleram, na contagem de cada um, a velocidade do final de ano. Primeiro vem a Expointer, a exposição de animais que assinala o momento mais forte da economia do estado, praticamente baseada na pecuária e na agricultura e naturalmente na indústria derivada e que se beneficia destas duas atividades primárias. Isso assinala o final de agosto. Em seguida, vem a Semana da Pátria que é marca nacional, é claro, mas que se destaca nos calendários de cada um, com ênfase no escolar. Depois, é a vez da Semana Farroupilha, que agora já tem dez dias, e começa no dia 10 e vai até o dia 20 de setembro, quando se comemora a Revolução dos Farrapos, que implantou a República Rio-grandense, de dez anos de duração, no século XIX.
O ano está terminando, já se sabe, porque logo em seguida, a 31 de outubro, começa a Feira do Livro de Porto Alegre, esse ano na 49a. edição que já de há muito extrapolou os estreitos limites da Praça da Alfândega. É um fato regional com repercussões nacionais.
E então chega a hora das festas de final de ano, porque a Feira termina no dia 15 de novembro e já se estará então na reta do Natal e Ano Novo.
Ou seja: o que foi feito até agora, tudo bem. Qualquer novo lançamento ou algo do gênero que não estiver programado até o dia 15 de novembro pode ser transferido para o ano que vem. E o ano que vem começa em março no Rio Grande do Sul, porque depois do Ano Novo vem o verão, férias à beira-mar, Carnaval, e a atividade só será retomada, mesmo, para valer ao cabo da primeira semana de março. Em 2004, a partir do dia 5, que é uma segunda-feira.
Esta crônica, que aborda a Expointer, o Rio Grande e lança um olhar sobre a história, foi publicada hoje na edição do jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, que circula na região metropolitana de Porto Alegre, mas que tem sede na pujante cidade industrial (como se diz aqui há cinqüenta anos...) de Novo Hamburgo postado por walter em 07/09/03
SOBRE AS VACAS
Walter Galvani
Neste encontro semanal tenho abordado praticamente tudo: da economia aos livros, da literatura ao balé, do cinema à televisão, passando pela violência que nos ronda na esquina e naturalmente os atos da presidência da república e a atuação do Congresso, o desempenho dos nossos alunos, a dura tarefa dos professores, os baixos salários. E eis que chegou a vez das vacas.
Sim, elas estão ali, ao alcance da nossa mão, e apesar da ameaça de uma chuva, para muitos inesperada, e até de uma possível queda da temperatura, é certo que há um ponto de encontro, ineludível hoje, para os que vivem na região metropolitana: em Esteio, na Expointer.
Uma oportunidade única para quem nunca viu ou nem se lembra mais como é uma vaca, ou um porco, ou ainda uma galinha e muito menos uma ovelha ou um cavalo. Lá estão, expostos e a colecionar medalhas pelas suas qualidades e ou pelo tratamento recebido, os mais belos espécimes animais que o Rio Grande do Sul, por sua vocação e tradição, esmerou-se em criar ao longo dos séculos.
Não há como não se fugir a um comentário demagógico: a economia é tão cruel, que a maioria dos animais que estão em Esteio, são melhor tratados, alimentados, banhados e protegidos, do que pessoas que se perdem por estes campos sem fim da antiga província de São Pedro. Mas, isso é pura demagogia mesmo. Na verdade, o Rio Grande preparou-se ao longo destes seus três séculos e meios de dependência portuguesa e depois império e república do Brasil, para a produção de gado de corte e agricultura de exportação e não apenas de subsistência. Esta é a história do nosso estado e seus ciclos econômicos, ora pujantes, ora dificultosos e tristes. Mas, nunca o gaúcho ficou caído, sem esperanças. No pior momento de nossa história, justo num vinte de setembro, dentro de treze dias comemoraremos 168 anos daquele feito, levantamo-nos, divididos, mas dispostos, numa revolução que criou uma república que durou dez anos, lutando contra o maior exército que se poderia agrupar nos países da América Latina.
Esta tradição, viva e perene, tão bem representada pelo MTG e todos os seus CTGs, hoje disseminados pelo mundo inteiro, está também no fogo de chão que ilumina o Esteio, mexe com a alma dos habitantes do estado e provoca um alvoroço em toda a região metropolitana. Mesmo aqueles que não se ocupam diretamente da terra, sabem e sentem este frêmito que circula em nossas veias e artérias. Mesmo os que produzem sapatos que, sabem muito bem, utilizam o couro que provém de animais selecionados, criados especificamente para isso.
Bem, há toda a explosão industrial resultante desta opção e dessa idéia de um Rio Grande que navega na liderança do progresso material do país, apesar de todo o conservadorismo que também é uma das vertentes respeitáveis de uma mentalidade sedimentada desde meados dos setecentos.
Por todas estas razões, um olhar sobre as vacas é também um olhar sentimental, de saudade do campo, de nostalgia do Rio Grande do decênio heróico, do século vinte de progresso técnico e econômico e uma visão de futuro.
Para entender o que está se passando, antes de tudo é preciso saber com exatidão o significado das palavras e das expressões, buscar o sentido atual e antigo, oculto e claro das frases, ler o texto e compreender o sub-texto postado por walter em 06/09/03
UMA DECISÃO CIENTÍFICA
Walter Galvani
Podemos agora fazer uma discussão semântica sobre decisão científica, para descobrir o que vai acontecer com a nossa soja transgênica, digo nossa porque oitenta por cento da que é plantada no Rio Grande do Sul é produto de engenharia genética, e assim chegarmos perto de uma conclusão. A questão é política porque na base de apoio ao PT ocorrem todos os movimentos pró ecologia e simplicidade de vida, anti-multinacionais e naturalmente contra o significado das grandes operações comerciais e industriais. É tudo muito bonito e limpo, sob o ponto de vista ideológico, porém o que ocorre é que esta limpeza de idéias e intenções não se coaduna com o mundo globalizado, onde a questão dos resultados costuma suplantar as convicções.
Posso estar dizendo muito cruamente, mas é o que é.
O presidente Luiz Ignácio Lula da Silva não é e não pode ser o mesmo Lula do sindicato, até porque não foi eleito sozinho e com toda a importância histórica não manda no seu partido, que, aliás, ajudou a fundar. Há outros, há José Dirceu, Genoíno, há Palocci, alianças partidárias que implicam em concessões, para passar uma reforma tributária foi preciso ceder, aceitar exigências do PMDB e tudo isso faz parte de um jogo político que só se descobre (e aceita) em sua plenitude, vivendo-o completamente. Lula sabe disso, poderia imaginar antes, mas agora sabe em toda a sua extensão.
É absurdo apoiar as idéias públicas de George Bush, mas quem vive na esfera dos Estados Unidos, de repente tem que aceitar certos absurdos e, afinal de contas, por mais solidez de caráter que se tenha, o Iraque fica tão longe... Depois desta lição de cinismo, envergonho-me do que escrevo aqui, mas não deixo de considerar que nada é como nos parece. “Assim é, se lhes parece”, ensinava Shakespeare, e este é o ângulo verdadeiro, é como o político, como o dirigente, enxerga o mundo.
Tem mais: Lula era sabido, agora é sábio... E é por isso que já decidiu. Depois que tiver em mãos uma decisão científica, ou melhor quando tiver em mãos uma sólida explicação sobre soja transgênica, que não tem, encaminhará um projeto ao Congresso, buscando, portanto, uma “decisão política”.
É assim mesmo, junto com o Poder, o PT descobriu todos os lados da maçã e descobriu que são dois... Por fora e por dentro.
Nesta crônica, publicada hoje no "Diário de Canoas", minha terra natal, jornal do Grupo Editorial Sinos, faço uma abordagem estritamente local. Mas, que sempre serve para examinar o que é, o que foi e o que pode vir a ser Canoas postado por walter em 04/09/03
É NO ESTRANGEIRO...
Walter Galvani
Quando éramos felizes, e não sabíamos, e vivíamos em Canoas nos doces anos quarenta e cinqüenta, nossos projetos de aventura não iam muito além de uma fuga até Esteio, onde freqüentávamos os “bailões” da época, num clube popular que conhecíamos pela alcunha de “Pau do Meio” e São Leopoldo, onde já então começava a pontificar o restaurante “Capri”. O ponto do “melhor galeto do mundo” continua em mãos de dona Hilda Cola e justifica muitas vezes uma viagem. Já o esteiense “baile de buraco”, como se chamava então, porque se pagava a entrada na hora, através de um buraco na parede, um simulacro de bilheteria, não mais existe. Mas, para nós, daquelas gerações que sentaram nos duros bancos escolares do La Salle, então chamado Externato São Luiz, (a propósito, porque não são estofadas as cadeiras escolares?) – ir ao Esteio era “ir ao Estrangeiro”. Brincávamos dizendo: “Já tens teu passaporte?” Os oito quilômetros que separavam o centro do município vizinho do nosso, eram percorridos em minutos, em geral em automóveis “emprestados” pelos pais de colegas sem que soubessem naturalmente das travessias noturnas dos seus veículos.
Hoje o Esteio virou “estrangeiro” mesmo e foco muito justificado das atenções do estado inteiro. É que, havendo se transferido para a antiga fazenda de Fernando Kroeff, a Exposição Internacional de Animais, a Expointer, o que há de melhor na produção agrícola e criação de gado ali conflui, com os lançamentos dos mais refinados equipamentos de mecanização da lavoura e a visita e participação de vários países.
Nossa brincadeira deu certo.... Eu mesmo, desde ontem estou freqüentando o “estrangeiro” e me rejubilando com meus novos e antigos amigos que habitam a região. É o que há de mais moderno por aí, e uma simples visita à Expointer, mesmo sem entender profundamente do assunto, nos capacita a perceber que a Pecuária gaúcha ainda mantém alto nível, apesar das crises e naturalmente se explica a sensibilidade extrema para a difícil questão da Reforma Agrária.
Mas que o nosso agro não está para brincadeiras, fica bem claro no profissionalismo desta Expointer que sucedeu com brilho à velha Exposição de Animais que se fazia em Porto Alegre, no bairro do Menino Deus.
É preciso seguir identificando a “vocação” de cada município para ir montando o panorama definidor do Rio Grande. Guaíba, por exemplo, onde me refugío, já escolheu orientar-se como “berço da Revolução Farroupilha”, pois lá estão o cipreste sob o qual conspiraram os farrapos, a casa de Gomes Jardim, primeiro presidente da República Riograndense, e embora não seja “a casa das sete mulheres”, local onde morreu Bento Gonçalves, o grande líder e uma pedra que assinala, na praia da Alegria, o ponto de partida dos revoltosos que atravessaram o rio para iniciar a tomada da capital no dia 20 de setembro de 1835. A próxima Semana Farroupilha terá esta temática. O Esteio, ponto de convergência internacional do melhor do gado e das tradições campeiras. E Canoas?
É bom ir pensando, assentar as bases de algo sólido e tratar de encontrar um caminho que a distinga. Nestes nossos pouco mais de cem anos de povoamento urbano, passamos de estância de veraneio à vila de operários e finalmente “cidade industrial”. Mas com a colcha de retalhos e subdivisões em que marcam nosso território, não se sabe muito bem o que somos e o que queremos ser. E também, o que é mais complicado, o que poderemos chegar a ser. Vontade de trabalhar não falta e temos quadros de primeira. No entanto, sempre é bom andar na frente para não perder o lugar.
Está chegando meu novo livro. o "Anacoluto do princípio ao fim" estará chegando hoje às livrarias de todo o país postado por walter em 03/09/03
Eis a orelha ou aba (como se diz em Portugal) do meu novo livro, que está saindo pela Editora Record, Rio de Janeiro:
Se um nome faz o destino, o que restaria a alguém chamado Anacoluto? Batizado por uma figura de sintaxe! Ironias da vida. Anacoluto é tão estranho que não permite se desdobrar em apelido. Ninguém o poderia chamar de “Anaco” ou “Luto”, que soaria mal. Será que o sofrimento já começa no cartório?
Quem é este senhor Anacoluto que surge absolutamente real e fabuloso na história de Walter Galvani? A partir de um único homem e suas mulheres, o premiado escritor de “Nau Capitânia” faz a biografia do nosso mundo, de nossos últimos cinqüenta anos. Nossos e dele, do Anacoluto, do escritor e dos leitores. Depois de batizado, ele avança e recua, pelo caminho esbarra na perfeição sobre a terra na figura de Rosa Pigafé e o seu misterioso pai. Mas também se descobre, imperfeito como todos os humanos e atravessa a vida quase sem sacrificar-se no trabalho...um milagre que as vacas ainda propiciam a alguns escolhidos. São os que arrancam algo da terra, sem fazê-la gemer...
Pelo caminho discute futebol, religião, política e economia, momentos fundamentais que viveu, até se preparar para pingar o ponto final em sua auto-biografia que no entanto lhe escapa ao controle.
E há os anéis! Sim, os anéis de uma incrível festa de casamento que o distinguem como escolhido dos astros, ou do Senhor Pigafé, metáfora de um deus que pretende presidir os destinos alheios.
Se um nome faz o destino, o que restaria a alguém chamado Anacoluto? Batizado por uma figura de sintaxe! Ironias da vida. Anacoluto é tão estranho que não permite se desdobrar em apelido. Ninguém o poderia chamar de “Anaco” ou “Luto”, que soaria mal. Será que o sofrimento já começa no cartório?
Quem é este senhor Anacoluto que surge absolutamente real e fabuloso na história de Walter Galvani? A partir de um único homem e suas mulheres, o premiado escritor de “Nau Capitânia” faz a biografia do nosso mundo, de nossos últimos cinqüenta anos. Nossos e dele, do Anacoluto, do escritor e dos leitores. Depois de batizado, ele avança e recua, pelo caminho esbarra na perfeição sobre a terra na figura de Rosa Pigafé e o seu misterioso pai. Mas também se descobre, imperfeito como todos os humanos e atravessa a vida quase sem sacrificar-se no trabalho...um milagre que as vacas ainda propiciam a alguns escolhidos. São os que arrancam algo da terra, sem fazê-la gemer...
Pelo caminho discute futebol, religião, política e economia, momentos fundamentais que viveu, até se preparar para pingar o ponto final em sua auto-biografia que no entanto lhe escapa ao controle.
E há os anéis! Sim, os anéis de uma incrível festa de casamento que o distinguem como escolhido dos astros, ou do Senhor Pigafé, metáfora de um deus que pretende presidir os destinos alheios.
Ultrapassada a gloriosa Jornada Nacional de Literatura em Passo Fundo e com os olhos na 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, o Rio Grande do Sul se fixa agora na Expointer, em Esteio e a próxima Semana Farroupilha postado por Walter Galvani em 02/09/03
A VEZ DA PECUÁRIA,
A HORA DO RIO GRANDE
Walter Galvani
O Rio Grande do Sul sedimenta seu orgulho em sua tradição de desenvolvimento da pecuária e sua produção agrícola. Os vastos campos do pampa, região que compartilha com o Uruguai e a Argentina ao sul do continente, lhe permitem manter, a despeito de todas as crises econômicas, uma atividade caraterizada pela lide com o gado, a utilização do cavalo como meio de transporte e trabalho, e a presença no mercado internacional de gado de corte. Ao longo do tempo, os gaúchos, como são chamados no Brasil, ou “gáuchos” como se pronuncía nos dois países de “habla española”, criaram estabelecimentos modelares, capazes de se perpetuarem, sustentar várias gerações e aprimorarem suas carnes com o refinamento de raças de matrizes européias. Os espaços retirados da pecuária foram destinados à produção agrícola, também com belo resultado, embora o modismo e os interesses econômicos tenham determinado a monocultura da soja, em largos períodos e grandes áreas.
Sempre restaram contudo as pequenas áreas de autênticas roças de manutenção e os tambos de leite, e ainda raras experiências de criação de gado estabulado.
A mecanização da lavoura tornou-se também uma realidade desde os anos trinta no Rio Grande do Sul e depois de um passado aqui qualificado como heróico, com uma guerra separatista de dez anos, com a proclamação e permanência da República Riograndense, embora as oscilações de poder e ocupação de terreno houvessem tornado nômade sua administração entre 1835 e 1845, o cultivo das tradições se transformou em culto e reverência.
Era um estado equilibrado e a industrialização que chegou com o final da Primeira Guerra Mundial e se intensificou muito ao final da Segunda, em 1945, acabou por gerar o “gaúcho a pé” (na inspirada expressão de Cyro Martins) que a decadência expulsara do campo.
Hoje, pequenas e grandes cidades estão inchadas, abrigando esses excedentes populacionais em suas periferias, mas mostraram-se incapazes de dar emprego à totalidade dos migrantes.
Os CTGs, espelhos da miragem de glória e grandeza perdidos, espalham-se por todo o estado, ultrapassam as fronteiras estaduais, transformando Santa Catarina, por exemplo, na continuidade já sonhada na Revolução Farroupilha, com a República Juliana de curta e gloriosa duração, que serviu no entanto para consagrar Anita Garibaldi, e hoje há orgulho em saber que existem centros de tradição nos Estados Unidos, em Portugal, na França e daqui a pouco, dizem os gaúchos, em todos os continentes, assim como há restaurantes que propagam o sistema de “espeto corrido” que a criatividade serrana soube gerar.
Toda esta força desemboca na Expointer, a tradicional Exposição de Animais, hoje instalada em Esteio, numa antiga fazenda que fora propriedade de Fernando Kroeff, ex-patrono do Grêmio Porto-Alegrense, uma das glórias esportivas do Rio Grande, já uma vez campeão do mundo, embora este ano, justamente o do seu centenário, padecendo das agruras de um candidato ao rebaixamento no campeonato brasileiro. A exposição internacional de animais vive um momento de grandeza das atividades pecuárias, agrícolas e de respeito às tradições, justamente num parque que leva o nome de J.F. de Assis Brasil, um dos maiores políticos do estado, ex-embaixador do Brasil, Ministro da Agricultura e destacado criador de gado que construiu “um castelo nos Pampas”.
Tudo isso nos leva a dizer que este é um momento mágico e sagrado do Rio Grande, a antiga Província de São Pedro, a única que teve que lutar com as armas na mão, quase permanentemente por dois séculos, para se manter com a fala portuguesa e filiada, primeiro à coroa lusitana, depois ao Império do Brasil. E explicar o quanto uma Reforma Agrária, embora aceite como necessária pelos espíritos mais esclarecidos, atinja sempre uma camada nevrálgica do pensamento regional.
É impossível começar uma nova semana de trabalho aqui no Rio Grande, sem falar na Décima Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo postado por walter em 01/09/03
O MILAGRE DA LITERATURA
Walter Galvani
Bem que se poderia chamar assim mesmo a Jornada Nacional de Passo Fundo que chegou à sua décima realização este ano, pois é justamente um milagre, e dos maiores, reunir 15, 16 mil pessoas e ao longo de toda a semana seguramente muito mais do que isso, para debater temas literários, assistir debates sobre os mais variados temas, participar de oficinas e ouvir palestras paralelas. Pela parte que me toca, fiquei encantado em ministrar a sexta edição da minha oficina de crônica “O vôo da gaivota” que teve um entusiasmante número de inscritos e um belo resultado. Costumo solicitar aos participantes desta oficina a produção de uma crônica, para que se possa aquilatar o nível onde se encontram e avaliar alguma coisa da sua qualificação: surpreendi-me com alguns trabalhos, bem acima da média e trazendo em seu bojo encantadoras soluções.
E assim foi durante todos os dias da jornada, de 26 a 30, transformando Passo Fundo na capital intelectual do Brasil e concentrando mais escritores por metro quadrado do que, seguramente, qualquer grande encontro do Livro no país.
Ouvimos Deonísio da Silva e Julio Diniz, claro, os dois coordenadores de acontecimentos literários, mas também os convidados como Dráuzio Varela, Valesca de Assis, L. A . de Assis Brasil, Dilan Camargo, Zilah Bernd, Regina Zilbermann, Luiz Peazê, John Hemingway, o neto de Ernest, o poeta pernambucano Marcus Acioly entre outros, e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, autora de um livro assombroso, “Fazes-me falta” e capaz de manifestações polêmicas e aplaudidíssimas, como as que realizou em sua intervenção no debate “A mulher, de personagem à autora”.
E Tânia Rösing, claro, que aos 55 anos, na plenitude de sua força, completou mais uma jornada, a décima, desde que as iniciou há vinte anos, pois são bi-anuais. É incrível constatar, portanto, que Tânia começou com pouco mais de trinta anos esta incrível realização.
Hoje ela é o corpo e a alma da Jornada Nacional de Literatura, um acontecimento absolutamente imperdível para quem atua na área. No começo, feito sob a inspiração do jornalista e escritor Josué Guimarães, alguns se decidiram a colaborar, ajudando a um evento de uma jovem professora de letras. Hoje, os grandes pedem, por favor, para que sejam convidados e inscritos em algum acontecimento da jornada.
O Rio Grande do Sul aos poucos impõe este seu evento, que distingue Passo Fundo, até aqui quando muito, conhecida como uma cidade capaz de cultivar as tradições gaúchas, homenageá-las publicamente através de um monumento e ser lembrada como a terra natal de Teixeirinha, um cantor popular
Toda esta semana que passou foi ocupada pela 10a. Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, Lá estive, mas só mesmo lá comparecendo é que é possível se ter uma idéia real da sua dimensão. Milhares de pessoas reunidas para discutir o Livro, incrível! Um Circo da Cultura. E ainda houve a Jornadinha da Litetaratura. E há por lá milhares de mulheres fantásticas, as Jornadetes, comandadas por um verdadeiro "trator da cultura", que se chama Tânia Rösing. Estacrônica foi publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos postado por walter em 31/08/03
FALANDO EM LIVROS
Walter Galvani
Esta semana as atenções do Rio Grande (e do Brasil), pelo menos dos setores que amam o livro e nele acreditam como a solução dos problemas de desenvolvimento do país e de seus habitantes, estiveram voltadas para Passo Fundo, onde se desenrolava a 10a. Jornada Nacional de Literatura. É um acontecimento único no país, pois ali se concentram, a cada dois anos, milhares de pessoas que transformam os escritores em repentinas estrelas e astros naturalmente, de uma atividade normalmente relegada a segundo ou terceiro plano.
Sempre costumo me rebelar, aliás, pelo fato de que os intelectuais só vão para a primeira página dos jornais quando morrem assassinados, acidentam-se ou por acaso, um deles, e olhe lá! – ganha o Prêmio Nobel de Literatura.
Assim tem sido e quando ocorre o contrário, como sucedeu agora em Passo Fundo, a surpresa é grande e para muitos, trata-se de um fato inacreditável.
Vejam só, fala-se de pessoas que não são seqüestradores, bandidos, líderes de rebeliões em prisão, nem sequer praticaram assaltos ou atiraram parra matar em seguranças bancários! É um espanto, nesta civilização – será mesmo? – que se criou no Brasil.
E é por isso mesmo que o evento teve a projeção e tem o destaque que recebeu. Além do mais, evidentemente os escritores não são Giseles Bündchen ou por acaso, astros globais. Então, pela primeira vez, e isso acontece de dois em dois anos, o destaque é para quem tem alguma coisa dentro do cérebro e algo para transmitir de sólido e positivo, que não se desmanche no ar, para a população.
Pena que tais acontecimentos não gerem imitadores pelo país afora. Pelo que se sabe, Passo Fundo é única. Mas, não dá para desesperar. Quando a Feira do Livro de Porto Alegre começou, há quarenta e nove anos, não era mais do que o pálido reflexo do que se passa em Lisboa e no entanto, veio, ficou e fixou-se, ao mesmo tempo gerando filhos e filhotes por aí afora. Hoje em dia não há cidade no Rio Grande do Sul que não tenha ou não deseje ter a sua.
E o livro, caindo em terreno fértil, para parafrasear Castro Alves, vai por aí produzindo seus resultados.
Até mesmo nos presídios ele é estimado, tanto que há esforços, de vez em quando, para provê-los com bibliotecas. É bom não esquecer também que a Bíblia é chamada, “O Livro”, assim mesmo, com letras maiúsculas e em alguns hotéis, até hoje se usa o sistema de deixar um exemplar dela, na esperança de inspirar aos hóspedes, bons pensamentos.
É claro que se sabe que o cinema, apesar dos seus desvios juvenis para os filmes de ação e explosão de burrice, de um modo geral tem suas raízes em algum texto e que, a Internet ajudou a provocar uma boa retomada da leitura com seus blogs e sites literários. E há os concursos, que sempre fazem sonhar, afinal, não é todos os dias que há 100 mil reais para premiar algum destaque.
Tudo isso é para dizer que estou apostando no livro e no Livro. Nos próximos anos assistiremos à uma irremediável renascença deste objeto de culto e adoração, pois, é o único lazer possível em todos os locais da casa. Inclusive no banheiro. E como o consumo de livros infantis é o que mais cresce, é possível que as novas gerações ultrapassem os cansados,e esgotados burros velhos... Vai ver que vale a pena ler. Como se suspeitava há mais de dois mil anos.
De 26 de agosto até 29, estarei em Passo Fundo, participando da 10a. Jornada Nacional de Literatura. Inclusive, apresentarei lá minha Oficina de Crônica "O vôo da gaivota", em sua sexta edição. Divirtam-se com o significado das datas. É bom e oportuno mergulhar na História e daí tirar conclusões e lições. postado por walter em 25/08/03
26 de agosto
Dia de São Zeferino, papa e mártir
55 A . C. – Julio César chega à Grã Bretanha
1743 – Nasce Antoine Lavoisier, o homem de “na Natureza nada se perde, tudo se transforma.”
1789 - Declaração Universal dos Direitos do Homem pela Revolução Francesa é adotada pela Assembléia Nacional Francesa
1880 – Nasce Guilherme Apollinaire, escritor francês
1883 – Maior erupção do vulcão Krakatoa, nas ilhas da Indonésia, que levanta ondas que atingem à Califórnia. 36.000 mortos
1885 – Nasce o romancista francês Jules Romains.
1914 - Nasce em Bruxelas, Julio Cortazar, filho de argentinos, que viria a ser um dos maiores escritores do continente sul-americano.
1920 – É garantido o direito de voto à mulher, nos Estados Unidos
1973 - Nasce o escritor brasileiro Marques Rebelo
1974 – Morre Charles Lindbergh
1978 – Morre o cantor francês Charles Boyer
1978 – Albino Luciani, Il papa sorriso, é eleito Papa, com o nome de João Paulo I. Dura um mês... morte levemente suspeita.
27
Dia de Santa Mônica e de São José de Calasancio
Hoje é o Dia do Corretor de Imóveis
Dia do Psicólogo
551 A .C. – Nasce Confúcio, filósofo chinês
1784 – Lançamento do primeiro balão a ar quente, por Lames Tytler, seu inventor
1813 – Napoleão vence os austríacos na batalha de Dresden
1576 – Nasce Ticiano, pintor italiano
1635 – Nasce Lope de la Vega, dramaturgo espanhol
1910 – Nasce Madre Teresa, missionária de origem albanesa
1958 – URSS lança o Sputnik III com dois cães a bordo
1961 - Rádio Guaiba, requisitada pelo governador Leonel Brizola, comanda a Cadeia da Legalidade, a partir deste dia.
1965 – Morre Le Corbusier, arquiteto suiço
1974 - Morre o compositor gaúcho Lupiscínio Rodrigues
1975 – Morre Hailé Selassié, imperador da Etiópia
28
Hoje é o Dia do Bancário e Dia de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja Católica
Hoje é também, o Dia da Avicultura
1849 – Veneza é tomada pelas forças austríacas, após longo cerco
1749 - Nascimento do poeta alemão Johann Wolfgang Goethe
1896 – Nasce Lian O’Flaherty, escritor irlandês
1963 – Grande marecha de 200 mil em Washington, pelos direitos cívicos
1985 - Morre o dramaturgo gaúcho Carlos Carvalho
1988 – Morre diretor americano John Huston
29
Dia do martírio de São João Baptista
1632 – Nasce John Locke, filósofo britânico
1730 - Nasce o Aleijadinho - Antonio Francisco Lisboa
1756 – Começa a Guera dos Sete Anos, entre Inglaterra, Prússia contra França e Áustria
1835 – É fundada a cidade de Melbourne, na Austrália
1915 – Nasce a atriz sueca, Ingrid Bergman
1949 – Nasce o ator americano Richard Gere
1958 – Nasce o cantor americano Michael Jackson
1982 – Morre a atriz sueca Ingrid Bergman
1991 – O Soviet Supremo decide a suspensão de todas as atividades do Partido Comunista da URS
Será que o ministro Gil está assim tão seguro dos acordos feitos no Congresso? postado por walter em 25/08/03
DEMAGOGIA OU CERTEZA?
Walter Galvani
O ministro da Cultura, o “show-man” Gilberto Gil, pediu licença para ocupar vinte ou trinta minutos da atenção das pessoas no final do Festival de Cinema de Gramado e anunciou que não há preocupação nenhuma com os recursos do SISTEMA LIC (renúncia fiscal para beneficiar a cultura através de Leis de Incentivo à Cultura) porque “foi acertada a sua prorrogação por mais oito anos”.
Gil anunciou o que foi acertado nos bastidores do Congresso, mas que ainda não foi consagrado em nenhuma votação. Pode ser até que se concretize, mas da forma como foi feito o anúncio, ou se trata de demagogia ou certeza, profundo conhecimento por parte do ministro do que se passa, de fato, entre os gabinetes de Brasília.
Até aqui se sabia que, no bojo da grande mudança da Reforma Tributária, estava embutida a eliminação de quaisquer benefícios, inclusive aqueles motivados pelas leis de incentivo à cultura.
Havia, inclusive, um grande estresse no setor, que gerou uma reação forte, espalhada por todo o país.
O ministro disse, textualmente, que “as leis de incentivo à cultura foram prorrogadas por mais oito anos nos estados em que já existe.”
Certo ou errado, verdade ou mentira, fica com a classe artística, com os produtores culturais, com os setores estatais e com os beneficiários, a expectativa de que seja verdade o que disse ele.
Quanto à melhoria do aproveitamento dos recursos do estado, isso fica com o Conselho Estadual de Cultura, do qual aliás faço parte pelo menos por mais um ano e meio, designado que fui pelo governo Rigotto. Mas, há dificuldades... E há controvérsias... Falaremos sobre isso nos próximos dias, quando eu retornar da X Jornada Nacional de Literatura que acontece a partir de amanhã em Passo Fundo.
Nesse período de ausência, deixarei aqui neste espaço, um índice de fatos importantes, que podem ser recordados e assinalados.
Quanto ao cinema, reproduzo as palavras do crítico Rubens Ewald que esteve no Festival de Gramado:
“Nenhum filme brasileiro mereceria o prêmio. Todos muito fracos.”
postado por em 25/08/03
Esta crônica foi publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, que circula em toda a região metropolitana de Porto Alegre. postado por walter em 24/08/03
MEIO SÉCULO PÓS GETÚLIO
Walter Galvani
Hoje, 24 de agosto de 2003, assinalam-se os 49 anos do suicídio do presidente da república, o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas, que, no auge de um movimento, uma aliança libertadora, chegara ao poder no Rio de Janeiro, então a nossa capital federal, vinte e quatro anos antes. Havia deixado o posto em 1945, tombado por uma forte pressão política, mas eleito senador e logo presidente da república, mais uma vez, a ele retornara. Naquele dia 24 de agosto sobre o qual já se foi praticamente meio século, não resistindo ao que se denominava então “mar de lama cercando o Catete”, ele dera fim à sua vida. A notícia, difundida pelo Repórter Esso, órgão dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, pouco depois das oito e meia da manhã pelo locutor, também gaúcho, Heron Domingues, chocou o pais inteiro e depois mergulhou-o no luto e nas conseqüências da tragédia pessoal e política.
Chegou a hora de se passar na peneira as reações e as observações pessoais, os testemunhos e os depoimentos e preparar a grande análise histórica que um distanciamento de cinqüenta anos oferece.
O Brasil moderno, nascido dos escombros da República Velha, nasceu com a Revolução de 30, da qual Getúlio era o principal representante. A vitória da reação aos avanços sociais estabelecidos ao longo do período discricionário de uma ditadura que durou quinze anos, propiciou-se sob o signo da democracia, iluminado pelos nomes do jornalista Carlos de Lacerda, o poder do moderno Ministério da Aeronáutica e o ilibado Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato derrotado à presidência.
Mas, cá estou eu me antecipando e não devo faze-lo. Meu papel hoje aqui é instigar os brasileiros que me lêem, jovens e velhos, adolescentes e idosos, a trabalharem nos próximos doze meses na pesquisa firme que poderá ajudar a trazer luz a este importante acontecimento, ao período fundamental que produziu o doloroso nascimento do Brasil moderno.
Éramos, antes de 30, um país atrasado, rural e imaturo, que recém festejara o centenário de sua independência política. O pensamento do grupo que apoiava Getúlio, que incluía nomes como Oswaldo Aranha, João Alberto, Flores da Cunha e João Pessoa, o líder alagoano que foi assassinado nas vésperas da revolução, encontrou pela frente um mundo em ebulição, que explodiu logo adiante – 1939-1945 – na II Guerra Mundial. Tudo mudou, aceleradamente, o Brasil encheu suas arcas com as divisas produzidas durante o conflito e desembocamos na era moderna. Mais uma vez sem estarmos para ela preparados. Oswaldo Aranha nosso mais brilhante diplomata, como hoje tivemos um Sérgio Vieira de Mello, presidiu em 1946 a primeira sessão da Assembléia Geral da ONU, a Organização das Nações Unidas que brotava da reorganização mundial do pós-guerra, justamente aquela que votou o estabelecimento do estado de Israel, substituindo o mandato britânico, o Império de então, que passava o bastão de liderança para seu co-irmão Estados Unidos da América. Era o novo mundo que nascia.
O choque da mudança produziu um terremoto político por toda a parte e o Brasil, naturalmente, não ficou imune. Depois houve a queda e a ressurreição de Getúlio como líder político, o mais hábil que tivemos em todos os tempos. O resto é História e a hora é agora. Ao invés de ficar divulgando asneiras e banalizando a violência que se abateu sobre nós, os meios de comunicação, o jornal, o rádio, a tevê, as revistas semanais, e o cinema também, estão na obrigação de promover o resgate, o estudo e a interpretação de uma era, para interpretar o presente, a partir do conhecimento do passado e assim abrir o caminho do futuro.
postado por em 23/08/03
Quando nós, latinos, sofremos discriminação por fruto do preconceito, podemos refletir, recuar, como no dia de hoje, mais de dois mil anos na História e recordar a alegre e entusiasmada travessia do Canal da Mancha postado por walter em 23/08/03
INVASÃO
Walter Galvani
No ano 35 Antes de Cristo, com este registro temporal reabilitado para nosso entendimento através do Calendário Gregoriano, mas num dia 23 de agosto, como hoje, as tropas de Júlio César, imperador dos romanos, com ele a frente, iniciavam a travessia do Canal da Mancha para conquistar a ilha Britania.
Os ocupantes da Gália, já resolvida a sua missão, tão bem narrada por Júlio César em seu “De Bello Galico”, iniciavam então a tomada de uma região que teve alta significação no império romano, alargando suas fronteiras orientais e setentrionais, para o ponto máximo atingido em sua história.
Logo depois do desembarque, que se deu no dia 25 de agosto, os romanos chegaram à uma região interessante à margem de um grande rio que batizaram de “Tamises” e ali instalaram um acampamento militar a que deram o nome de “Londinium”.
Não é necessário nenhum esforço extra de imaginação para descobrir que estamos falando sobre a Inglaterra, a ilha da Grã Bretanha, o rio Tâmisa e a cidade de Londres.
Aos poucos o antigo acampamento militar se transformou numa povoação e finalmente cresceu e chegou a grande capital que hoje conhecemos.
Com o advento dos romanos, a conquista do país e a expulsão dos celtas para o território que hoje é Escócia, Gales e Irlanda, começou para valer a influência da língua latina sobre os habitantes da região que, aos poucos, pelo menos para os contatos importantes, começaram a usar palavras que representavam os usos e costumes dos conquistadores.
Ocorre que, ao contrário do que se vê hoje por aí, os romanos traziam uma civilização superior e uma decisão na cabeça: conviver com os vencidos, misturar-se com os habitantes da região.
Resultado: se você pegar a língua inglesa, encontrará uma quantidade enorme de palavras cuja raiz é latina. Para compreender efetivamente o inglês é conveniente sempre mergulhar na definição latina da palavra e até no caso de termos modernos, que, ao longo do crescimento da ciência, foi incorporando denominações em grego e latim, ou, muito comum, palavras gregas latinizadas.
Há hoje um preconceito nos Estados Unidos da América contra tudo o que é latino. O que demonstra apenas a ignorância geral da população.
Lembremos então, 2038 anos atrás, quando o elmo característico dos romanos, a minissaia e a sandália – sabe lá o que é conquistar o mundo de minissaia e sandália? , pois é... – apontou com as bandeiras no horizonte das tribos que viviam da pesca na beira daquele grande rio.
Os romanos de então deveriam então pensar o mesmo que os americanos, hoje, dizem dos iraqueanos: “a gente veio trazer o progresso, o conforto e a democracia para eles e eles não nos entendem...”
Pimenta nos olhos dos outros, ó raios, é refresco – como se diria em Portugal...
Cínicos e hipócritas, por todo o mundo, líderes dos países que formaram a coalizão que, primeiro desarmou o Iraque, e depois atacou-o com a maior força militar jamais montada, lamentam a morte de Sérgio Vieira de Mello. postado por walter em 22/08/03
O diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello era o símbolo da paz. Havia pacificado o Kosovo, a Bósnia, Chipre, Timor Leste, Moçambique se preparava para fazer o mesmo no Iraque.
Tempo de guerra,
mentira na terra -
já se sabe.
Daqui a pouco ele estará sepultado e o seu nome passará a representar apenas um exemplo distante, cada vez mais distante...
Sérgio Vieira de Mello, com seu exemplo, pelo menos mostrou aos brasileiros que a nossa capacidade vai muito além do futebol, do volei, da fórmula 1 ou, quem sabe, do campeonato mundial do tráfico de drogas, da violência, do roubo, do seqüestro e da maldade e da impunidade, sobretudo da impunidade...
Pelo terceiro dia consecutivo, assim como ainda se fará por muito tempo mais, estaremos lamentando o desaparecimento de Sérgio Vieira de Mello, morto em atentado no Iraque. Agora buscam os culpados pela falta de segurança. A própria ONU? As forças de ocupação? Aliás, já é hora de tirarem as mãos do território Iraqueano... Este artigo que segue, foi publicado na edição de hoje do Diário de Canoas, do Grupo Editorial Sinos, que circula na terceira cidade do estado do Rgs, Canoas, 304 mil habitantes. E hoje, 17 horas, estarei falando na Assembléia Legislativa sobre Raul Cauduro, ex-ocupante da cadeira 25 da Academia Riograndense de Letras, aquela que eu ocupo, que era "um cavalheiro do século XIX extraviado no século XX". A palestra, aberta ao público, começa às 17 horas, no Solar dos Câmara, departamento cultural da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul postado por walter em 21/08/03
SÉRGIO VIEIRA DE MELLO
Walter Galvani
Começo dizendo que ele era um exemplo vivo para os brasileiros e um dos meus ícones particulares. Acompanhei sua carreira desde muito jovem, quando apenas dava os primeiros passos internacionais e logo depois quando iniciava a brilhante e infelizmente tão curta carreira, abreviada pelo atentado gerado no bojo da decisão que a força das potências impôs à Organização das Nações Unidas. Sérgio Vieira de Mello foi abatido pela incompetência dos países membros do Conselho de Segurança que se submeteram aos interesses dos poderosos do momento.
Até onde os objetivos do Império continuarão se impondo aos desejos de paz, até onde o traçado da ganância e do ódio se entrecruzará com a ambição e a cobiça?
No meio dos sete pecados mortais estava Sérgio, o melhor dos melhores entre os diplomatas que o Brasil revelou ao mundo, aquele que foi capaz de operar com brilho próprio e encarnar o sonho de paz nos lugares mais díspares e complicados da Terra. Ele voou de Chipre ao Timor Leste, de Kosovo a Nova York, de Paris à Bósnia, de Belgrado à Bagdad.
O atentado que cortou sua carreira, já prognosticada como um destino lógico na secretaria geral da ONU, demonstrou uma vez mais que o Iraque não se curvou ao poderio americano e no instante em que o Conselho de Segurança da ONU - na semana passada - conferiu legitimidade à ocupação estrangeira, deu razão e motivo aos sabotadores da paz.
Nada mais resta ao Iraque, pelo menos aos setores remanescentes do antigo partido único no poder e talvez ao próprio Saddam Hussein, se é que ainda vive, do que tentar expulsar os invasores, sacrificando-se até a última gota de sangue.
Muitas vezes já se disse que os Estados Unidos poderiam estar se defrontando com um novo Vietnã. Acho que não. Os falcões americanos jamais permitirão que a situação arraste o país até o impasse irremediável dos anos cinqüenta. Bush, um homem do Texas, sabe que a conquista do Oeste tem que ser feita pelos que forem mais ligeiros no gatilho. E é isso que nos espera.
Afinal, a demonstração de que nada está seguro no Iraque de hoje, nem mesmo o homem que era a própria representação da paz, traz a mensagem de mau agouro de que tudo será levado às últimas conseqüências.
Quem mais perdeu foi o Brasil.
Estamos cansados de nos notabilizar pelos nossos jogadores de tênis, vôlei, futebol ou ases da fórmula 1. Afinal, tínhamos algo a mostrar ao Mundo, um admirável diplomata, maneiroso e gentil, inteligente e educado, formado em filosofia na Sorbonne, circulando com a mesma desenvoltura nos atapetados salões de Versalhes ou Genebra e nas selvas etíopes, nos desertos da península arábica ou no arquipélago perdido do Timor, onde vivem os que preferiram a língua portuguesa como a ponte para a liberdade.
Ele está morto, foi silenciado pela intolerância e pelos erros nos alicerces do nosso grande sonho, nosso, dele, de todos os que acreditam em paz como o caminho para o governo mundial, para o entendimento acima das fronteiras nacionais, dos jacobinismos e dos extremismos.
Bem, nesse momento de luto só há um caminho: vamos começar a construir outros “sérgios”, exibindo ao mundo a face mais cara do Brasil: o da cordialidade, do entendimento, da miscigenação e da integração. Que me perdoem os racistas, os radicais e os que desejam ver sempre, o circo pegar fogo.
O dia é de muita tristeza no Brasil e no mundo. Perdemos Sérgio. Ele era o maior diplomata que o nosso país estava mostrando a todos e poderia vir a ser o substituto de Koffi Annan. Esta era a nossa aposta. Sérgio Vieira de Mello, um "quadro" excepcional, formado na Sorbonne, transitando livremente entre todos os povos democratas. Agora, pereceu no atentado em Bagdad, na velha e querida Bagdad das nossas histórias infantís, do nosso imaginário. A bandeira do Brasil está a meio mastro na derradeira homenagem a Sérgio Vieira de Mello, cidadão e estadista. O mundo está mais pobre hoje. É um eufemismo. Pena que os interesses se sobreponham a pessoas como ele. Leia-se Resolução n. 1500 do Conselho de Segurança da ONU, a mesma que legitimou a ocupação do Iraque pelos norte-americanos e ingleses, os mesmos que agiram apoiados na ficção de Blair e nas "verdades" de Bush. Mas, é a lógica dos impérios... postado por Walter Galvani em 20/08/03
Um horror o que aconteceu hoje no Iraque. Gol-contra. postado por walter em 19/08/03
INJUSTIÇA
Walter Galvani
Não há nenhuma outra forma de reagir ao atentado que atingiu esta manhã o brasileiro que trabalha para a ONU, Sérgio Vieira de Mello, em Badad, no Iraque.
Mesmo quem possa ter as maiores simpatias pela causa iraqueana ou compreensão para com os problemas daquele pobre país que repousa sobre o tesouro por todos desejado, reservas imensas de petróleo, aceita um fato como esse.
Retrato da paz e da tolerância, Sergio Vieira de Mello ajudou com a sua incrível habilidade a pacificar a Bósnia, Chipre, e vários outros postos em que foi demonstrando e comprovando sua eficiência e capacidade.
Foi um carro-bomba que explodiu justamente sob sua janela na sede da ONU em Bagdad.
Há pelo menos três mortos e vários feridos no criminoso atentado e um dos atingidos é justamente ele, o verdadeiro símbolo do espírito de pacificação e harmonia das Nações Unidas.
A quem interessa um atentado como este ?
É uma questão de pensar em profundidade.
Estamos todos, mesmo os que não são religiosos como eu, rezando pela recuperação pronta do grande diplomata.
É bom lembrar que o Brasil não é só futebol, mulatas, carnaval, samba e praias...
Gol-contra do Iraque.
Uma grande poeta está chegando com seu novo livro. Hoje será o lançamento na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country. A editora é a Escrituras, de São Paulo postado por walter em 18/08/03
A FORÇA DE NÃO TER FORÇA
Walter Galvani
No ano em que ganhei o Prémio Casa de Las Américas de Cuba, com o meu livro “Nau Capitânia”, houve uma Menção Honrosa para a poeta Maria Carpi, que, por essas coisas da divulgação, problemas na origem ou questões políticas no alvo, acabou não tendo o destaque merecido.
É hora de matarmos esta dívida, comparecendo hoje a Livraria Cultura do “Bourbon Shopping Country”, onde ela estará lançando seu livro de poemas, “A força de não ter força”. Não é o caso dela, que tem, sim, muita força, já demonstrada sucessivamente em inúmeros episódios de sua sólida e quase silenciosa carreira.
A sessão de autógrafos acontecerá a partir das 19 horas e antes de buscar a assinatura da escritora, haverá um sarau, com os poetas Luiz Coronel, também publicitário e Jayme Vaz Brasil, também psiquiatra, lendo os trabalhos dela.
Eduardo Castañera, ao violão, dará ainda um toque de graça à sessão feita puramente para se viver poesia.
Resta assinalar ainda que Maria Carpi é mãe do poeta Fabrício Carpinejar, que uniu o seu sobrenome, Carpi, ao do pai, Carlos Nejar, para criar a sua “griffe”.
Mas, evidentemente o valor de Maria Carpi nada tem a ver com o filho, embora seus gens hajam contribuído, sem dúvida, para a criação dele e a sua transformação em poeta.
Hoje é o dia portanto, de aplaudir Maria, mãe de Fabrício, mas também Maria Carpi, por ela mesma.
Esta crônica está na edição impressa de hoje do ABC DOMINGO postado por walter em 17/08/03
DE CAMAQUÃ A SÃO GABRIEL
Walter Galvani
Para quem mora na região metropolitana de Porto Alegre, o conflito na luta por uma reforma agrária parece uma realidade distante na geografia e no passado. No entanto, muitos dos que compõem hoje o proletariado urbano das grandes cidades que aqui se formaram são filhos ou netos de agricultores ou trabalhadores da pecuária, expulsos dos campos pelo empobrecimento, pela mecanização, pela adoção de uma unicultura ou pela política de preços e exportações do governo brasileiro. Nunca houve um programa que pensasse nos pequenos, médios e grandes produtores do campo gaúcho e cada ano que passa, as periferias das povoações em toda parte, engrossam, incham, e geram novos problemas.
De “Sem terras”, os desvalidos da sociedade se transformam em “Sem teto” ou “Sem emprego”, ou os problemas se transmitem das regiões da Fronteira e da Campanha, ou do Noroeste, do Planalto para a região serrana ou para a Encosta da Serra, ou para a chamada “Depressão Central” que ameaça perder a referência geográfica para uma indicação sócio-econômica que queria dizer a mesma coisa...
O fato é que todos sabemos por conhecer os excluídos, os despejados da crise dos pampas, que é bastante heterogênea a sua composição, até porque são variados os motivos, e há os desastres individuais e também a catástrofe coletiva que se abateu na região, ao longo do último século.
Pode haver organização alheia aos peões deserdados pela sorte, é natural que muitos deles nem sequer conheçam a terra onde pretendem trabalhar e que não saibam extrair dela, mais do que gemidos inconseqüentes. No primeiro projeto de Reforma Agrária implantado no Rio Grande, por obra e graça do então governador Leonel Brizola, em 1961, no Banhado do Colégio, em Camaquã, o que menos havia, conforme denúncias da época, era mesmo trabalhador rural. Havia um mecânico de Camaquã, um barbeiro de Porto Alegre, um padre das Missões e por aí adiante. Mas, a pergunta é: quem está bem de vida, emigra em busca de um pedaço de terra para plantar, dali extrair o seu sustento e quem sabe nele morrer e ser sepultado?
Nossos avós, quando saíram da Alemanha, da Itália e de Portugal, estavam com os bolsos cheios de dinheiro ou vinham em busca da quimera e do sonho, da utopia americana? E a que profissões se filiavam eles?
De Camaquã-61 a São Gabriel-2003, não mudou muito, nem a necessidade, nem a desgraça, nem a esperança.
Se há enganos da Justiça – humanos e perfeitamente aceitáveis – se há equívocos governamentais, afinal possíveis e compreensíveis, é preciso que se pense grande. Se não houver seriedade, decisão política, determinação e conhecimento da História, nada se fará e dentro em pouco outra e mais outra geração estarão perdidas.
Quanto a acerto de contas, irritação, ignorância, prepotência, ousadia, falta de civilidade, levando a possível banho de sangue, é o mínimo que se pode esperar deste painel de pobreza. Só há uma forma de impedir que o Rio Grande se transforme no lamentável sepulcro de boas almas e boas idéias, de falsos reformistas e de intolerantes: uma ação firme do governo, sem medo de perder votos na próxima eleição.
Hoje é 16 de agosto. Vamos ver como foi este dia na História? postado por walter em 16/08/03
16
Hoje é o Dia de Santo Estevão, padroeiro da Hungria. Foi rei naquele país e o consolidador do catolicismo na Hungria.
1519 - Hernan Cortez, depois de haver desembarcado no México para conquistá-lo em nome da Espanha, manda queimar os navios, para deixar claro assim, aos seus homens, que não pretendia retornar para seu país.
1732 – Em Lisboa, início da construção do aqueduto das Águas Livres
1900 - Morre em Paris, Eça de Queiroz
1903 - Entra em funcionamento a máquina Alauzet, para a impressão do Correio do Povo. Era a terceira máquina. O motor foi criado em Porto Alegre, pelo mecânico Joaquim Alcaraz, que trabalhava na firma Só & Irmãos. Isso valeu-lhe a aproximação com Francisco Antonio Vieira Caldas Júnior que, tendo enviuvado em 1905, veio a casar-se com sua irmã Dolores Alcaraz, mãe de Breno Caldas, o grande continuador. Joaquim Alcaraz teve importantíssima atuação na Caldas Júnior, atuando como uma espécie de “eminência parda”, às vezes nem tão parda assim, a partir de 1913, quando Caldas Júnior faleceu, até sua morte, em 1930 (dia 13 de abril). O motor fabricado por Alcaraz ganhara a Medalha de Ouro na Exposição Industrial de 1901. Joaquim Alcaraz é avô do jornalista, radialista e escritor Flávio Alcaraz Gomes. A máquina de retiração permitia imprimir de uma só vez as quatro páginas do Correio do Povo. Antes, cada exemplar tinha que passar quatro vezes pela máquina. Nesse dia 16 de agosto de 1903, o Correio não circulou para que a equipe conseguisse adaptar-se à nova máquina. Mas, dia 17 voltou às mãos dos seus assinantes...
A máquina anterior era uma Marinoni.
1925 - Assume a chefia de redação o jornalista Fernando Caldas, filho do primeiro casamento do fundador do Correio do Povo, F.A.V.Caldas Jr., retornando do “O Estado de São Paulo”. Em 1º de junho de 1927, passaria para o cargo de diretor do jornal. Ficaria até 22-8-1929.
1956 – Morre o ator americano Bela Lugosi
1958 – Nasce a atriz e cantora Madonna
1960 – Chipre se torna república independente sob a presidência do arcebispo Makarius
1972 - Fundada a ULBRA em Canoas, Universidade Luterana do Brasil, oriunda do Colégio Cristo Redentor.
1977 - Morre o cantor norte-americano Elvis Presley.
1995 - Nevou na serra gaúcha, uma espécie de “acquaneve” , gotículas congeladas, durante cinco minutos. Ontem fez mínima de 9°6’ em Porto Alegre.
A partir do dia 22 acontecerá em Bento Gonçalves o encontro de escritores do RGS. Apesar de sócio da entidade, não poderei comparecer por motivos profissionais diversos. Entre os quais pela possível chegada do meu novo livro. Mas, aqui vai todo o meu apoio ao empreendimento da entidade quer nos congrega, sob a presidência da Marô Barbieri postado por walter em 15/08/03
ENCONTRO DE ESCRITORES GAÚCHOS em BENTO GONÇALVES
OBJETIVOS
Analisar e discutir a situação do escritor e da literatura gaúcha hoje, tomando como referência seu papel na cultura do Estado e do País.
Discutir as políticas públicas relacionadas ao livro.
Discutir as relações estabelecidas com os canais difusores e reprodutores de sua criação.
Congregar e possibilitar o intercâmbio do conhecimento através da presença de escritores, editores, jornalistas e promotores culturais oriundos das diferentes regiões do Estado.
ANTECEDENTES
O Encontro agora proposto, o primeiro em Bento Gonçalves, encontra-se na continuidade e no resgate da tradição dos encontros do mesmo gênero, realizados em tempos passados em Garibaldi.
PROGRAMA
Dia 22/08 — tarde (turmas de 1ª a 4ª séries)
Dia 23/08 — manhã (turmas de 5ª a 8ª séries e II Grau)
Encontro de escritores com alunos da rede pública de ensino
LOCAL: escolas do município
AUTORES: Carlos Urbim, Jane Tutikian, José Eduardo Degrazia, Marcelo Spalding Perez, Maria Beatriz Papaléo, Maria Carpi, Maria do Carmo Campos, Marô Barbieri, Paulo Bentancur, Sergio Napp, Walmor Santos, e outros a serem confirmados
22/08 — sexta-feira
Local: Hotel DALL’ONDER — Bento Gonçalves
18h Inscrições, credenciamento
19h30min Abertura
Secretário Adjunto de Cultura do Estado
Prefeito Municipal de Bento Gonçalves
Secretária de Educação do Município
Presidente da Fundação Casa das Artes de B. Gonçalves
Diretor do Instituto Estadual do Livro
Presidente da AGEs
20h Palestra: "A situação da Literatura no RS de hoje: balanços e perspectivas"
(programação externa)
Palestrante:
Escritor Sergius Gonzaga, Diretor do IEL
Mediação:
Escritora Marô Barbieri
23/08 — sábado
09h às 11h30min OFICINAS (programação externa)
CONTO: Escritora Cíntia Moscovich
POESIA: Escritor Mário Pirata
LITERATURA INFANTIL: Escritora Marô Barbieri
14h30min às 16h Mesa redonda: "Políticas públicas relacionadas ao livro"
(programação externa)
Participantes:
Escritor Luiz Antonio de Assis Brasil
Editor Geraldo Huff, Presidente da Câmara Rio-grandense do Livro
Escritor Paulo Bentancur, Coordenador do Livro e Literatura — SMC de Porto Alegre
Mediação:
Escritor Luiz Paulo Faccioli
16h às 16h30min intervalo
16h30min às 18h Mesa redonda: "A relação autor/editor "
(programação interna)
Participantes:
Escritor e Editor Daniel Pelizzari
Escritor e Editor Paulo Flávio Ledur
Escritor Sergio Napp
Mediação:
Escritor Marcelo Spalding Perez
20h JANTAR DANÇANTE
24/08 – Domingo
10h às 11h30min Mesa redonda: "A mídia gaúcha e o autor gaúcho"
(programação interna)
Participantes:
Escritora e Jornalista Cíntia Moscovich
Escritor e Jornalista Jaime Cimenti
Escritor Gilberto Wallace
Mediação:
Escritora Jane Tutikian
11h30min às 12h30min Redação da CARTA DE BENTO GONÇALVES
12h45min Sessão de Encerramento — Vice-governador Antônio Hohlfeldt
Almoço de confraternização
INFORMAÇÕES IMPORTANTES
Hotel Dall’Onder
Rua Herny Hugo Dreher 197 — Planalto
Fone 54/451 3555
As reservas devem ser feitas até o dia 19/08, diretamente com o Hotel, mencionando-se o Encontro.
Diárias especiais:
R$ 35,00 + 10% por pessoa, com café da manhã incluído (2 ou 3 pessoas por apartamento);
R$ 70,00 + 10% por casal ou por pessoa sozinha no apartamento
Jantar dançante:
R$ 18,00 por pessoa (já incluídos os 10%), com direito a um refrigerante.
Música mecânica com DJ, das 20 às 24 horas + show de saxofonista durante o jantar.
O almoço de sábado será cortesia.
Jantar de sexta-feira e almoço de domingo: República do Filé, ao lado do Hotel:
R$ 10,00, com direito a um refrigerante.
Outras informações poderão ser divulgadas a qualquer tempo.
Aproveitem a oportunidade em que se debate a questão da soja transgênica para descobrir o que realmente se come... postado por walter em 13/08/03
SOJA TRANSGÊNICA
Walter Galvani
Você sabe o que é transgênico no que você consome diariamente? Você sabe o que é margarina? Você sabe o que vai nos embutidos, tipo lingüiça, salame, presunto, mortadela, que você consome? Você sabe o que há na carne bovina? Você sabe como se engordam os frangos que você compra no fim-de-semana, aqueles que ficam dependurados ali naquela “televisão de pobre” na mercearia da esquina?
Se você conseguir responder todas estas questões, então você poderá discutir a medida que suspende a decisão sobre a soja transgênica.
O TRF da la. Região divulgou ontem decisão da juíza Selene Maria de Almeida suspendendo a sentença do juiz Antônio Prudente de Souza, da 6a. Vara do Distrito Federal, de dezembro de 99, que proibia o plantio e a venda de produtos geneticamente modificados, sem prévia realização de um Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima).
Você sabe quanto custa um EIA-Rima?
Não sabe?
Então convém não discutir a questão da soja transgênica.
Você é contra a informatização?
Você odeia o computador?
É, mas ele veio para ficar...
Você é contra a Internet?
Pois é, mas é assim que nos comunicamos hoje.
Dizem que houve um presidente americano que achou que o telefone serviria apenas para brincadeira entre crianças...
Uma animada competição, uma delícia de guerra! Escolhe-se o novo patrono da Feira do Livro de Porto Alegre postado por walter em 12/08/03
OS DEZ INDICADOS
Walter Galvani
Há uma lista que, educadamente, apresenta em ordem alfabética para, dessa forma não demonstrar nenhuma preferência por nenhum dos seus dez integrantes, para que surja o novo patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, um acontecimento de dimensão nacional e internacional, mãe de todas as feiras do livro que se realizam pelo interior gaúcho e até outros estados onde influiu e que está em sua 49a. edição.
Faço parte desta lista, o que muito me honra, repetindo a distinção que se fez no ano passado, quando foi escolhido meu antigo colega de jornalismo e amigo de todos esses anos, Ruy Carlos Ostermann.
Quem será este ano? Não importa, quem seja o escolhido, já é uma honra estar entre os dez. Vejam quem são:
Alcy Cheuiche
Carlos Urbim
Charles Kiefer
Jane Tutikian
José Clemente Pozenato
Luiz Coronel
Luiz de Miranda
Regina Zilberman
Rovílio Costa
Walter Galvani
Estão aí, rigorosamente na ordem alfabética, mas é, como disse, uma distinção estar alinhado com esses grandes nomes da literatura rio-grandense. Acho que a lista é uma forma, estes são os mais votados por um grande júri e agora disputarão os 62 votos das entidades diretamente ligadas à literatura que farão a escolha final, até a primeira quinzena de setembro.
Nunca é demais lembrar a importância da liberdade coletiva e do respeito às leis postado por walter em 11/08/03
DIA DO ADVOGADO
Walter Galvani
Proteção dos direitos do cidadão, estabelecimento da justiça permanente, diálogo, paz, ordem, respeito, segurança, serenidade. Eis os adjetivos qualificativos da profissão do Advogado. Nesse dia, 11 de agosto, em que se assinala a instituição dos cursos jurídicos no Brasil, lembremos o quanto significa esta profissão na história do mundo.
Comecemos com Cícero, o patrono de todos os advogados do mundo, que com a sua sabedoria, dedicação aos estudos, ao livro, à leitura, cujo comportamento serve de parâmetro histórico.
Não vamos falar nos exemplos brasileiros, uma vez que é tradicional em nosso país, a participação do advogado na construção da liberdade.
E mais: não por acaso, grandes advogados tem integrado a Academia Brasileira de Letras. É hora de lembrar também que, muito antes da existência dos cursos de jornalismo em nosso país, a profissão formadora dos grandes jornalistas era, justamente, a advocacia. Bons tempos aqueles em que isso significava uma formação humanística respeitável e uma cultura emblemática dentro da coletividade.
Nossos respeitos a homens como Oswaldo de Lia Pires, Paulo Brossard de Souza Pinto, ou, modernamente, jovens brilhantes como Túlio de Oliveira Martins.
Não por acaso, nesse Dia do Advogado, é hora de voltarmos nosso pensamento aos perigos que se antepõem diante da caminhada de nosso país. A todo o momento se ouve falar em contestações à Justiça, em ameaças à Liberdade, em desafios às instituições. Mais do que nunca é preciso que os advogados se mantenham atentos em sua missão histórica de defesa das conquistas individuais e coletivas do povo brasileiro.
Com muito orgulho, porque estou apostando nela, publico esta crônia que está em edição impressa, na página 4 do ABC DOMINGO de hoje. O jornal aqui citado é o mais lido na região metropolitana de Porto Alegre, com 70 mil exemplares postado por walter em 10/08/03
A LIÇÃO DOS FATOS
Walter Galvani
Antigamente, muito antigamente, chamava-se de Experiência, o resultado do duro aprendizado da vida, os tropeços, os erros, os acertos, as surpresas e decepções, deixando acumulados no consciente e no inconsciente, os seus resultados. Tanto que, o navegador português Duarte Pacheco Pereira, autor de “Esmeraldo de Situ Orbis”, no qual entre outras coisas descrevia sua estada “no lado ocidental” em 1498, portanto, base da teoria de que o Brasil já era conhecido dos portugueses antes de Cabral, dizia que “a experiência é a mãe de todos os desenganos”. Ou seja: através da busca e repetição dos procedimentos, se tiravam as dúvidas, conforme a interpretação paleológica dos pesquisadores da língua portuguesa praticada nos anos quatrocentos e quinhentos.
Quando alguém ou um partido chega ao poder pela primeira vez, ou tenta alcança-lo, é costume dizer-se que não será tão fácil assim mudar tudo, conforme o sonho partidário estabelecera. Sabe-se muito bem que, a não ser com as armas na mão no dorso de um movimento revolucionário, como Fidel Castro em Cuba, que, com erros e acertos removeu a mais corrupta ditadura que a América Latina jamais viu, quando transformou seu país de quintal das empresas norte-americanas em projeto piloto de socialismo, não é possível mudar radicalmente estruturas arcaicas. Também ele, o barbudo da Sierra Maestra, foi alertado para a impossibilidade da concretização dos seus sonhos com plena concordância e os aplausos da população cubana. O resultado é que lá, metade não deu certo e a parcela que fugiu hoje sustenta o regime com os dólares que remete dos Estados Unidos.
Mudar a Previdência? Lula já devia sabe-lo, só quem não acreditava da reforma pífia que acabaria por praticar era o chamado “aparelho do partido”, ou seja José Dirceu, Genoino, Luciana Genro, Heloisa Helena e outros, velhos e novos, que acham que seria possível, num golpe de mágica, eliminar conquistas e cortar privilégios.
Não é assim. Como a Reforma Tributária mostrará à beça, logo aí adiante, que “el camino se hace al andar”...
Mas, já aprendemos também, e isso é resultado da áspera e rude experiência, que é preciso primeiro apanhar, levar nas costas, tropeçar e levantar-se para retomar a caminhada, para depois afinar-se o suficiente para compreender que os obstáculos surgem para que possamos contorná-los.
Quando se chega a este patamar, em geral já é tarde. Tudo passa sobre a Terra, inclusive o tempo de cada um, a hora de plantar, a hora de colher e o momento de aceitar e entender as razões alheias.
De nada serve quebrar vidros a ponta-pés, atirar bombas, matar-se, a não ser que se creia num paraíso celestial prometido por Alá, ao alcance da mão. Em geral, é preciso viver muito para entender que é também na face da Terra que existe o tal “jardim das delícias”, o indesejável Inferno e também o magnífico Purgatório, invenção suprema do Cristianismo, que dá ao infeliz e imperfeito ser humano a idéia de que queimando um pouco as costas e as pernas, acabará por chegar ao céu...
Lula, o antigo “sapo barbudo” de Brizola, acabará transformado numa deliciosa rã com gosto de deliciosa iguaria…
Hoje é o dia da Segunda Bomba Atômica. Amanhã, Dia dos Pais. Sempre há alguma coisa para lembrar... Espero pelo Dia do Desarmamento Total e o fim das nacionalidades. Este será o Grande Dia da Humanidade postado por walter em 09/08/03
DIA DOS PAIS
Walter Galvani
Quem inventou o Dia dos Pais, como o Dia das Mães, como o dia da Avó, como o dia dos Namorados, como o Dia de Natal e a Páscoa, em termos modernos, pensava pragmaticamente num calendário de vendas. Queria na verdade era mexer com o comércio e mesmo que estivesse forrado de boas intenções, imaginando que isso poderia provocar uma visita aquecida aos asilos ou dos filhos aos pais distantes, enfim, uma fila de automóveis nas estradas do interior, na verdade estaria mesmo é provocando esta salutar movimentação de dinheiro que, afinal, deixa algo na conta de cada um. E de modo muito especial nos tesouros dos estados, prefeituras e país, em forma de impostos. Lembre-se que, quando você estiver comprando um presente para o seu paizinho, que comemora amanhã alguns meses de ausência, reduzida à meia dúzia de telefonemas, você estará contribuindo com 32 por cento de impostos aos cofres governamentais.
Mas, como há dia para tudo, vamos lembrar que hoje, dia 9 de agosto, é também a data da Segunda Bomba Atômica. Não contentes com haverem destruído a cidade de Hiroshima no dia 6 de agosto, com a estréia da grande bomba, matando mais de 500 mil pessoas, civis, claro, os americanos repetiram o feito: três dias depois, ou seja, no dia 9, largavam seu segundo ovo envenenado, dessa vez sobre Nagasaki, para matar mais alguns milhares de japoneses.
A guerra estava praticamente terminada, mas era preciso levar adiante o espírito belicoso que os animava, completar a vingança do ataque a Pearl Harbour, estabelecer de vez a supremacia e avisar o mundo de que a tecnologia nuclear estava em mãos americanas.
Não era preciso.
Mas aconteceu. Fazendo milhares de órfãos, e matando muitos filhos. Atingindo o cerne da família japonesa. Ninguém pode se queixar... A bomba, a segunda bomba atômica, explodindo três dias depois da primeira, quando ninguém acreditaria que seria possível um novo feito trágico daquele porte, deixou o seu inconfundível cálice de efeito nuclear marcado, para sempre na história do mundo. O inesquecível símbolo do cogumelo gigantesco nos céus japoneses.
Agora, quando se verifica a pressão sobre os países que pretendem transformar em armas o lucro do petróleo, leia-se Iraque, Irã, e vizinhos árabes, pode-se bem imaginar.
Viva o Dia da Bomba e amanhã, Viva o Dia dos Pais.
Há dias para tudo.
É bom que se lembre que o dia, deve ser TODOS os dias e não apenas uma data em que se recorda, especialmente, isso ou aquilo.
Mas, nunca é demais pesquisar o calendário e verificar que sempre há razões para deixá-lo fechado. O melhor é não procurar muito... se você for um todo-poderoso de alguma grande nação.
Quanto a mim, penso o seguinte: o dia mais feliz da Humanidade será o dia em que se eliminarem todas as fronteiras, arriarem-se todas as bandeiras nacionais e extinguirem-se todas as diferenças entre povos, raças, línguas, culturas regionais, restando apenas tais sinais, como dignos de admiração pelo que significarão como curiosidades. Acima de todos, mantendo sim cada um sua própria linguagem, seus símbolos, seus valores, um governo supra-nacional, eleito por todos para um grande parlamento.
Difícil? Impossível? Vivemos e viveremos sempre de grandes utopias.
Que hoje seja também o Dia da Utopia.
Não custa nada. E pode, no futuro, render uma corrida aos “shoppings” em busca do presente sem motivo...
RESISTIR QUEM HÁ DE? postado por walter em 08/08/03
MACONHA
GENETICAMENTE
MODIFICADA
Walter Galvani
Chegou a modernidade! A Polícia Federal do Brasil apreendeu esta manhã, no aeroporto de São Paulo, maconha geneticamente modificada, ou seja, maconha transgênica.
Milho, trigo e soja já tinham, como se sabe, versões alteradas geneticamente, para desenvolver resistência às pragas e aumentar-lhes a produtividade. Existem milhares de alimentos pesquisados e desenvolvidos, pelo mundo afora, e as pessoas nem sonham o que comem e bebem em matéria de transgênicos.
A resistência a tais alterações é um anacronismo. É o mesmo que opor-se à informatização, deliberadamente não usar computador, ou recusar-se a utilizá-lo como meio de comunicação.
Agora, pode ser que caiam algumas reações... afinal, o “ó do borogodó” dos setores mais progressistas das novas gerações defronta-se com a maconha politicamente incorreta e altamente modificada.
Então, que acham?
Se for para produzir alimentos para matar a fome do mundo, começando pelos infelizes africanos, acho que o caminho é aceitar as mudanças.
Não vejo nenhuma razão para resistências reacionárias.
No Diário de Canoas de hoje publico esta crônica falando do Moacyr Scliar acadêmico, autor do mais recente livro, "Saturno nos Trópicos" e Patrono da Feira do Livro do Colégio Maria Auxiliadora postado por walter em 07/08/03
SATURNO NOS TRÓPICOS
Walter Galvani
Vamos começar afirmando, perigosamente, que Canoas tem sorte. Pois não é que tem mesmo? Recentemente, quando fui honrado com o patronato da I Feira do Livro do Unilasalle, montamos uma mesa para debater o ato de ler e lá estava, entre os nossos convidados, Moacyr Scliar. O tempo passou, chegou o dia 31 de julho, e Moacyr tornou-se “imortal”, passou a ocupar a cadeira n. 31 da Academia Brasileira de Letras. E, para confirmar minha assertiva inicial, vem aí o dia 19 de agosto, quando será inaugurada a Feira do Livro do Colégio Auxiliadora; e quem será o patrono? Moacyr Scliar. Isso quer dizer que nossa cidade estará sendo visitada, em menos de seis meses, duas vezes por um dos maiores escritores do Brasil, novo membro da Academia Brasileira, autor de 68 livros.
É sobre o último que desejo falar: “Saturno nos Trópicos”. Perguntei ao Moacyr, nessa terça-feira, quando ele foi homenageado no sarau da Associação Gaúcha de Escritores, quanto tempo consumira na pesquisa extraordinária feita para este livro, um trabalho que impressiona quem apenas começa a lê-lo: cinco anos, foi a resposta. Pedi esclarecimentos, porque neste período ele continuou tratando de outras coisas, escrevendo outros livros, viajando, participando de júris, e ainda atuando como professor na escola de medicina. “É que tenho uma certa capacidade de escrever e retomar, interromper e voltar a um assunto, e assim que, durante os últimos cinco anos fui aproveitando meu tempo, especialmente quando estava nos Estados Unidos, e fui completando a minha pesquisa.”
“Saturno nos Trópicos”, editado pela Companhia das Letras, é um mergulhoso vigoroso na história da humanidade. Moacyr vai até à Idade Média e à Renascença em busca de informações que nos trazem delicadamente pendurados ao interesse despertado pelo tema, atravessando os corredores da informação privilegiada que só um médico e escritor, ao mesmo tempo, poderia nos trazer. E, com lucidez e brilhantismo, nos encaminha para a conclusão de que “o Brasil reagirá a essa tristeza. Em primeiro lugar, com as manifestações da cultura popular, o Carnaval, o futebol o humor. (...) O mundo globalizado – diz ele – pós-moderno, é bipolar, e avalia de forma diferente seus pólos: depressão não é muito bem aceita por sociedades que preferem a extroversão à introversão, a ação à inação, o raciocínio rápido e objetivo à lenta e difusa meditação. Saturno é um planeta lento demais para os tempos de Prozac. Uma lição que “os tristes trópicos”, na expressão de Levy-Strauss, estão aprendendo à custa de seu sofrimento. Marginalizadas populações confiam num futuro melhor, como a rejeitada Macabéa confiou nas previsões da vidente; e, como Macabéa, são atropeladas por um luxuoso automóvel. Se a melancolia foi o sol negro da modernidade, resta saber quando chegará a hora da estrela.”
Moacyr Scliar transita na mais bela estrada da erudição e da capacidade de comunicação neste seu novo livro que, na certa, encantará os leitores. No mínimo, os canoenses quererão conhecer um “imortal”, ao alcance da mão e do pedido de um autógrafo, ouvir o som de sua voz, conhecer o seu pensamento.
Tudo isso, ali, no “Colégio das Irmãs”, do outro lado da linha do Trensurb, ao lado da velha Praça da Bandeira que, aliás, está pedindo uma reinauguração.
Hoje é dia de examinar com lente de aumento, o que ficou COMBINADO para a Reforma da Previdência. É preciso deixar que a nelbina se desfaça. E isso, para quem mora em Guaíba, à beira do lago, às vezes fica difícil... O nevoeiro só abre mesmo na metade da tarde, certos dias...Vamos examinar questão por questão, voto por voto. Para depois falarmos. postado por Walter Galvani em 06/08/03
Está na hora de fazermos uma revisão no jornalismo que estamos praticando. Porque as pessoas estão deixando de ler muitos jornais - o New York Times baixou o preço depois do meio dia: 50 cents. De manhã custa 1 dolar. A idéia é estimular a leitura, pelo preço... Algo tipo um e noventa e nove... postado por Walter Galvani em 05/08/03
PRIMEIRA PÁGINA
Walter Galvani
A Imprensa evoluiu, rapidamente, para o registro dos horrores como atividade preferencial e poucos são os que escapam a este triste desígnio. Já pensei várias soluções, já conversei com os principais editores do país e vejo que a resistência maior está justamente nos menos importantes, nos provincianos de fato e espírito e nos pouco preparados. Alguns, soberbos, nem sequer aceitam a discussão do tema, ainda mais em público.
Dia desses, num encontro promovido pela AJURIS, ousei debater o assunto, mas, embora não me dirigisse diretamente a um editor de jornal rio-grandense que estava presente, ele enfiou a carapuça e teve a coragem de me contestar antes do encerramento do encontro, com argumentos tão frágeis como a sua cultura.
De nada serviu alegar-lhe, posteriormente, que eu me limitara a esposar a tese de uma das maiores conhecedoras do jornalismo, a professora da USP e jornalista gaúcha Cremilda Medina.
Sem diálogo, o tal editor ainda levou mais adiante sua raiva e vingança, como se isso fosse parte da atividade profissional. Em certas aldeias, é...
Dito isto, repito que o jornalismo impresso que se comete hoje em todo o país e em muitos lugares do mundo é o circo dos horrores. Eles começam com o que lhes parece de maior dignidade, falando sobre a guerra, seja ela o combate entre judeus e árabes, seja o confronto entre “o bem e o mal”, na opinião de Bush. Tudo sem critério, sem exame, sem história. Do que, aliás, a maioria não entende.
E descem para a guerrilha urbana, para o combate feroz do dia-a-dia, da luta entre os miseráveis e os bem postos na vida, tudo o que vem sendo alimentado pelos meios de comunicação.
Por falar nisso, conheço muita gente que não assiste mais telejornal. Porque lá, o tal desfile de desgraças é ainda maior, vestido pelo filme, pelo tape, pela exibição ao vivo, pelas luzes e câmaras da tevê. E coroa-se tudo isso com uma leva de filmes brasileiros que só fala em bandidos, em miséria, em desgraça. Não sou a favor de esconder a desgraça e tapar o sol com a peneira. Mas, também, a vida não é feita só de infelicidades deste tipo. Se quisermos, há toda a infelicidade pessoal...
Latu sensu, desgraça é a de todos, mas também felicidade é a de todos.
Escrever somente sobre isso é uma escolha lamentável de quem não tem nenhuma outra visão ou enfoque.
O resultado é que um artista, um escritor, um cantor, só chega à primeira página de um jornal se for seqüestrado e morto, ou preso por drogar-se. Caso contrário continuará no brilhante anonimato a que o condenam os editores...
Pena. Quando dirigi a Folha da Tarde, no momento mais brilhante daquele grande jornal da Caldas Júnior, em outras eras, isso de 67 a 71 e depois de 82 a 84, cultura tinha lugar garantido na primeira página. Não foi por acaso que a tiragem subiu até níveis inimagináveis. Circulando para uma população rio-grandense muito menor do que a de hoje, a Folha passava frouxo dos 100 mil exemplares.
E também, por certo não foi por acaso que os redatores, repórteres e editores daquele momento fantástico do jornalismo gaúcho, subiram para postos do maior destaque em todas as grandes empresas do país e ocupam ainda hoje posições de liderança. Desde o comando da reportagem da TVE Piratini, com Núbia Silveira, ou a comunicação social da FIERGS, com Nikão Duarte, ou a trajetória maravilhosa de gente como José Antonio Pinheiro Machado, o “Annonymous Gourmet”, Luiz Henrique Fruet, Danilo Ucha, hoje com uma bela coluna no Jornal do Comércio, o escritor e jornalista Tabajara Ruas, que publicava um folhetim na Folha da Tarde, e tanta gente mais, uma lista de mais de quarenta nomes.
Qualquer dia vou publicar o recenseamento completo, mas posso garantir aos mais jovens, que o caminho é derrubar os acomodados que se encastelaram hoje em determinadas posições. Creiam, ainda há salvação para a imprensa brasileira.
O tempo e o vento dos pampas... de volta esta semana postado por walter em 04/08/03
FRIO INTENSO
Walter Galvani
Há um Instituto de Climatologia Urbana, sediado em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, dirigido por um engenheiro, Eugênio Hackbarth, que surpreende os gaúchos com o acerto das previsões meteorológicas que realiza. Eis um setor em que é muito difícil de atuar, pois existe uma carência de equipamentos e extensão de redes de coleta de dados em todo o país e a confiabilidade popular em tais previsões é mínima. No entanto, no caso do professor Eugênio, que aparece além de tudo, com freqüência, em meios de comunicação de massa, a confiança popular é tão grande que surpreende, ainda mais pelo fato de estarmos no Brasil. É mais comum que haja crença do povo em magos ou bruxos, sensitivos ou médiuns.
Agora mesmo estamos atravessando um inverno parecido a todos os invernos gaúchos de todos os tempos, ou pelo menos desde que se tem registro das atividades climatológicas. Há frios, até neve, granizo, ventos, chuvas, frentes frias que sobem do pólo sul, massas de ar frio que provém da Cordilheira dos Andes e uma sucessiva e alternada situação que vai, desde calores aparentemente inesperados, até temperaturas que beiram ou trafegam abaixo de zero.
Assim é. E tanto é assim que o professor Eugênio Hackbarth passou a ser uma voz aguardada e confiável.
Hoje mesmo estaremos vivendo uma situação semelhante. O professor prevê a chegada de uma frente fria que começará pelo sul e sudoeste do estado do Rio Grande do Sul, trazendo chuva e baixas temperaturas que se acentuarão a partir de amanhã e até metade da semana. Haverá choro e ranger de dentes... digo, muito frio e até granizo, tempestades e ventos próximos dos cem quilômetros por hora.
Depois, ameniza-se o tempo, voltam as temperaturas mais elevadas. Até à próxima frente fria que deverá ser a penúltima ou antepenúltima deste inverno. Estará chegando a primavera que, aliás, já se anuncia no canto dos pássaros e nas suas danças de acasalamento, povoando de sons e movimento nossos arvoredos, pequenos ou grandes, conforme o caso, restantes do que foi uma rica e diferenciada vegetação nativa que outrora ocupava o pampa inteiro.
postado por em 04/08/03
postado por em 04/08/03
Este artigo está publicado na edição de hoje do ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, à disposição dos leitores da região metropolitana de Porto Alegre e agora, aqui, na Internet postado por walter em 03/08/03
PATOS AO MAR
Walter Galvani
Muito já se disse sobre a falta de cuidado com que lidamos com o meio ambiente e começam, timidamente por enquanto, as preocupações com a água doce. Por enquanto a gente ainda lava o automóvel na calçada ou no pátio nas tardes de sábado, alegremente perturbando a vizinhança com o som ligado em despropositados decibéis e premiamos nossos filhos com uma super-mesada por haverem eles feito a limpeza do veículo. Gastando água, custosamente, preparada e encanada. Mas, enquanto desperdiçamos os recursos acumulados com tanta dificuldade, colhidos nas montanhas, nas fontes e nos rios, sujamos o que se pode, veja-se o rio Tietê em São Paulo, por exemplo, uma vergonha patente aos olhos de todos com o detergente transformado em espumas flutuantes...
Pior é o que se faz com o mar para o qual se jogam anualmente dez mil “containers” carregados com as mais variadas substâncias que vão de inocentes brinquedos de plástico à soda cáustica ou coisas piores.
Agora mesmo, depois de curtir onze anos no mar, estão prestes a dar à costa dos Estados Unidos, milhares de inocentes patinhos de borracha, que na certa já mudaram de cor e consistência, depois de haverem caído pela borda de um navio que os transportava em 1992, no Oceano Pacífico, na altura do paralelo 45, no ponto onde ele se cruza com a linha internacional do horário, numa rota entre a China e Seattle, no noroeste dos Estados Unidos. O seguro já deve ter indenizado os fabricantes e ou transportadores, os patinhos já estão desbotados, e eles viajaram por aí milhares de quilômetros. Foram vistos, soprados pelo vento e conduzidos pelas correntes marítimas, cruzando o Estreito de Behring em 1995 e cinco anos depois chegaram à Islândia, onde não quiseram ficar (parece que não aprovaram o figurino da cantora Bjork...) e seguiram adiante.
Eles já haviam se livrado dos gelos flutuantes do Oceano Ártico e no ano de 2001 passaram no mesmo lugar onde o “Titanic” afundou.
Este ano foram identificados junto á costa oriental dos Estados Unidos e, a menos que sejam considerados perigosas ameaças à “civilização americana” chegarão à Nova Inglaterra, quem sabe procurando Hiannys Port ou qualquer outro refúgio salvador.
Mas, o perigo não são os patinhos... Afinal de contas eles estão viajando em comboio, liberados da casca perigosa do “container”. Não é o que ocorre com tantos outros tipos de objeto e também é preciso lembrar que não é só de patinhos inofensivos que se faz a carga dos navios. Os excessos, jogados por sobre a amurada, por erro de armazenamento ou como resultado de tempestades, infestam os mares, envenenam as águas e se constituem num perigo para a navegação. A família Schurmann comentou certa vez que é incrível como os pequenos barcos de esporte e aventura, precisam se desviar às vezes, de tais monstros flutuantes e se não fora pelos acidentes, seria preciso prestar atenção nos danos à flora e à fauna dos oceanos que tais erros humanos acarretam.
Assim é que no ano em que se começa a pensar seriamente nos males que o homem causa ao meio ambiente, pensando em termos de água potável, é bom que se pense no resto, nos mares, que nos dão além de tudo comida e que, último recurso da humanidade, na hora da dessalinização serão preponderantes e fundamentais para a continuidade da vida sobre a Terra.
Eis uma fábula moderna. Leia e veja em que nível se enquadra... postado por walter em 02/08/03
DE BURRO A MACACO...
Walter Galvani
Os que me acompanham mais de perto, sabem que vivo em Guaíba, uma pequena cidade da região metropolitana de Porto Alegre. Aqui leio, escrevo, reflito, me comunico via Internet e à noite durmo, sem barulho, a não ser de alguns cães vadios e dos galos que cantam ao amanhecer. Fim-de-semana então, quando não tenho que ir a Porto Alegre, que fica a 35 quilômetros, mais tempo me sobra. E sábado é, religiosamente, de ler os jornais guaibenses, que, aliás, são três. Há a “Folha Guaibense”, que ainda hoje publicou belíssima matéria sobre meu novo livro, o “Anacoluto do princípio ao fim” que deverá estar nas livrarias ainda este mês, o GCS, sigla que esconde o muito bem impresso e colorido jornal cujo nome completo é “Gazeta Centro-Sul”, e que atende a comunidade daqui e de Camaquã, a 70 quilômetros de distância e finalmente “O Guaíba”, que é o mais antigo, com 34 anos de circulação.
Assim vou me informando do cotidiano local, pequenos “faits divers”, crônicas, a opinião da comunidade e curiosidades.
Uma das colunas que mais aprecio é a do meu amigo Janito Costa, competente advogado e jornalista, que mantém há muitos anos a seção “Na Ponta da Linha”. Instrutiva fábula publicou ele na edição de hoje, 2 de agosto. Leiam:
“Deus criou o burro e disse-lhe: Obedecerás ao homem, carregarás fardos pesados e viverás 30 anos. O burro voltou para Deus e reclamou: - Senhor, ser burro, obedecer ao homem e viver 30 anos? É muito. Bastam-me dez.
Deus, depois, criou o cachorro. – Comerás o osso que jogarem fora, tomarás conta da casa do homem e viverás 20 anos. Serás o cachorro. Depois, criou o macaco – Pularás de galho em galho, farás maluquices e viverás 20 anos. Tanto o cão quanto o macaco preferiram dez anos em vez de vinte.
Por fim, Deus criou o homem: “Serás o Rei dos Animais, dominarás o mundo, serás inteligente e viverás 30 anos.” O homem virou-se para Deus e disse: “Senhor, ser o rei dos animais, dominar o mundo, ser inteligente e viver apenas 30 anos? É muito pouco. Os vinte anos que o burro não quis, mais os dez anos do macaco e os dez do cachorro, dê-os a mim, Senhor, para que eu possa viver 60 anos.”
Deus atendeu ao homem.
Até os 30 anos, o homem vive a vida que Deus lhe deu. Dos 30 aos 50, carrega fardos na família. É o burro. Dos 50 aos 60, cansado, toma conta da casa. É o cachorro. Dos 60 aos 70, mais cansado ainda, passa a vida na casa de um filho ou de outro e faz gracinhas para os netos. É o macaco...”
Um escritor gaúcho, Moacyr Scliar, tornou-se desde ontem, um "imortal". Ele passou a ocupar a Cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras postado por walter em 01/08/03
MOACYR SCLIAR, IMORTAL
Walter Galvani
Fiz tantas manifestações pró-Scliar, tanto escrevi, falei, dei entrevistas e inclusive participei de manifestação coletiva de escritores apoiando sua candidatura à membro da Academia Brasileira de Letras, que quase esqueço de escrever aqui, neste site, para fixar a minha alegria e trombeteá-la internacionalmente.
É que conheço Moacyr Scliar desde muito jovem, tanto que acompanho toda a sua carreira que chega hoje ao 68. título, com “Saturno nos Trópicos” e á sua eleição, que se deu ontem, para a cadeira 31 da academia brasileira.
Melhor, eu o acompanho desde o primeiro livro, em 1961, quando ele surgiu com “Histórias de um médico em formação”, que contava, pleno de humanismo, compreensão da vida e inteligência, seus primeiros contatos com o exercício da medicina que até hoje mantém, embora atualmente no magistério da área.
Ele me foi trazido pelo comum amigo Pedro Silber, também então jovem médico, hoje falecido, que me fez as maiores recomendações. Acompanhei-o, pois, em praticamente toda a sua carreira, subindo, subindo, crescendo cada vez mais.
Há dias pediram-me, foi para o jornal Zero Hora, qual o meu “Scliar preferido”. Escolhi “A mulher que escreveu a Bíblia”, assim como, sentimentalmente poderia ter citado aquele primeiro lá, as histórias do jovem médico que se formava e começava a trabalhar e a observar a vida, desde uma janela profissional.
Mas, como Moacyr é muito moço, ainda iremos muito longe e, provavelmente, quando chegar a hora de fazer outra escolha dessas, talvez eu mude o voto, escolhendo então o novo livro que acaba de chegar.
Porque, o que mais o caracteriza é uma capacidade de trabalho incrível, hoje Moacyr Scliar é um escritor profissional em toda a acepção do termo, um dos poucos que podem sobreviver dos direitos de autor.
E mais: pesquisa, leciona, escreve, atua também como cronista, no mínimo três crônicas semanais em Zero Hora, mais a sua atuação na revista “Veja” e no jornal “Folha de São Paulo”.
Com muitos livros traduzidos, tive oportunidade de ver o seu nome em vitrinas em Paris, Londres e Lisboa, e me alegrar lembrando que afinal de contas ele é nosso conterrâneo e amigo.
O reconhecimento por parte da Academia Brasileira de Letras não vem fora de tempo. Em geral, essas coisas chegam quando o acadêmico já semi-trôpego pouco pode dar de si. É bom que se modifique esta mentalidade. Afinal, era assim no século XIX e começo do século XX. Muitos e muitos jovens subiram para o agradável convívio da Academia, tanto em sua expressão nacional, quando em academias regionais, como a Academia Rio-grandense de Letras.
Aliás, tomem nota, há seis vagas na Academia gaúcha:
Cadeira 2 – que era ocupada pelo Dr. Lenine Nequete
Cadeira 3 – que era ocupada pelo escritor leopoldense Carlos de Souza Moraes
Cadeira 12 – que era ocupada pelo emérito professor Dionísio Fuertes Alvarez
Cadeira 18 – que era ocupada até recentemente pelo escritor Laury Maciel
Cadeira 22 – que era ocupada pelo professor Albino de Bem Veiga
Cadeira 28 – que era ocupada pelo santamariense ilustre, grande ator e criador teatral Edmundo Cardoso
Apresentem suas candidaturas. Nem todas estas cadeiras estão liberadas, porque é necessário que seja feito – pelo regulamento da academia – o chamado panegírico do falecido membro.
Mas, o presidente Hugo Ramirez já está organizando o sistema para que ela posso logo operar.
Recentemente foi eleito o escritor e editor Rossyr Berni, também jornalista, que atuou na Folha da Tarde nos anos setenta. Ele será empossado proximamente.
Como é difícil chegar ao governo e cumprir o que prometemos nos tempos de campanha eleitoral, não é mesmo? Em todo o caso, parece que tudo vai bem neste país de ficção, lata, barracas de plástico e sonhos hiperbólicos... postado por walter em 31/07/03
TUDO NOS TRINQUES
Walter Galvani
Uma noite dessas, subia eu a rua Bento Martins, no centro de Porto Alegre, quando acompanhei, entre surpreso e divertido, a conversa entre dois mendigos, que se cruzavam e se cumprimentavam:
“Então tudo bem?” – perguntava o primeiro, de sandálias e uma velha calça Lee, na certa desbotada não por ser item da moda, mas, sim por usada mesmo.
“Tudo nos trinques!” – respondeu-lhe o outro, com o mesmo ar de discreta superioridade que caracteriza um executivo paulista chegando para a feijoada de sábado nos Jardins, num restaurante da moda.
Olhei-os e vi que, dentro das suas vidas, das suas estruturas e possibilidades, sentiam-se, realmente, “nos trinques”, diríamos, utilizando a expressão curiosa que anda por aí para assinalar que tudo vai bem, no melhor dos mundos.
Pois, é assim mesmo.
Podemos aplicar a mesma chave para a situação nacional.
Está tudo nos trinques.
Os juízes desistiram da greve, os sem-terra continuam a sua marcha pelas estradas e até agora, felizmente, não se registrou nenhum choque, embora persistam no destino traçado, São Gabriel e os ruralistas com suas espingardas caçadoras prossigam no hostil acompanhamento. Se, no entanto, a Justiça ajudar, a BM garantir e o bom senso predominar, estará tudo nos trinques e acabará bem.
Aliás, José Rainha já está na cadeia e agora querem pegar o pé do José Pedro Stedile.
Tudo bem, não rezo pela cartilha de nenhum deles, mas reconheço a existência e a importância do movimento, do chamado MST. Não é apenas meia dúzia de irresponsáveis que saíram pelas estradas e que aceitam dormir sob a proteção precária dos plásticos pretos. Representam os erros da posse e distribuição da terra, do seu tratamento e uso, e sobretudo da ausência de uma política agrária. Já nem falo em reforma agrária que, poderia ser feita, se quisessem, tudo dentro dos trinques... se usassem apenas as terras devolutas.
Pois é…
Então, penso que o governo do homem aquele que viveu vinte anos com a mulher sem que ela soubesse quem era ele na verdade, estou falando no verdadeiro governante, então é hora de fazer alguma coisa muito séria, duradoura e que pelo menos pelos próximos, digamos, vinte anos para não perder a deixa, pode solucionar a questão da terra.
Depois, vamos pensar nos “sem teto”. Onde a coisa não está, também, “nos trinques”... Estou cada vez mais convencido de que vivemos num país de ficção, até com identidades falsas. Ou as falsas é que serão as verdadeiras?
Ah, até a inflação anda por aí, disfarçada de deflação. Ou seja, recessão...
postado por em 31/07/03
Nada como um dia depois do outro... postado por walter em 30/07/03
LULA ATACA CORPORATIVISMO SINDICAL
Walter Galvani
Quando Fernando Henrique Cardoso pediu que esquecessem tudo o que havia escrito antes, como sociólogo, depois da surpresa houve a decepção geral. Então, não se poderia mais confiar num intelectual, um homem que honrara o país, que fora detido, que se exilara, que criticara a oligarquia militar que tomara o poder?
Bem, agora é a vez de Lula.
Leram, ouviram e viram bem o que ele disse?
Pois é...
Ele criticou ontem o movimento sindical brasileiro e disse que é preciso “dar um salto de qualidade e extrapolar os limites do corporativismo.”
É verdade, não é mesmo?
Pena que ele só descubra isso agora.
“O tempo de ter sindicatos apenas de contestação, já passou.”
Como registram os jornais: “Apesar de reconhecer ter-se notabilizado por este tipo de atuação sindical, o presidente ponderou que a história exige outra mentalidade tanto dos trabalhadores quanto dos empresários.”
E foi adiante:
“A luta hoje não se resume a ir a uma porta de fábrica e reivindicar 5% de aumento de salário. Isso é importante e necessário, mas, ao sair da fábrica o trabalhador é um cidadão e tem direito a outras coisas.”
É verdade, e tanto é verdade, que irão cobrar dele isto que acontece fora do portão da fábrica, começando pelo fato de que, do jeito que vão as coisas, daqui a pouco todos estarão do lado de fora dos portões...
A crise brasileira é muito maior e mais profunda que se possa imaginar e o que nos espera pela frente é assustador, a menos que o governo tome atitudes imediatas. Gerar recursos, produzir empregos, fazer investimentos, tudo isso é prioritário agora e tem mais: não adiante se fechar sobre as próprias fronteiras. Não leva à nada e só se faz isso em caso de guerra. Não é o nosso caso, apesar de que, a partir de hoje, penúltimo dia do mês de julho, é preciso adotar o que se chamaria uma “economia de guerra”.
Já que não podemos mudar o presidente, uma vez que estamos em regime presidencialista, já que não podemos trocar o “primeiro ministro”, porque continuará sendo José Dirceu, então vamos adiante... Mesmo quando nos enganam ou nos decepcionam.
Quanto aos empresários, os que podem estão tentando se desvencilhar dos seus negócios e investimentos passando-os a outras mãos, mesmo que estrangeiras. Não é falta de patriotismo, não, é senso de sobrevivência.
A noite hoje é para ir à Casa Arte Canoas, e confraternizar com o sonho de Darwin Longoni. E, quem sabe, cair em tentação... pois, ao que consta, os objetos de arte lá expostos, são sedutores, sob todos os pontos de vista postado por walter em 29/07/03
ALGUMAS TENTAÇÕES
NA CASA ARTE CANOAS
Walter Galvani
Trata-se de “uma mostra de escultores com valores tentadores”, como diz o convite da CASA ARTE CANOAS, rua La Salle, 127, esquina Duque de Caxias, em Canoas, e que, como eu já relatei aqui, na rádio Guaíba e nos jornais do Grupo Editorial Sinos, tem todo um significado para o desenvolvimento cultural da maior cidade da região metropolitana de Porto Alegre e, aliás, a número 1 em arrecadação de ICMS no interior do estado.
Pois, esta cidade, tão importante, ainda tropeça na área cultural onde, não fossem as ações da Fundação Cultural e um empreendimento como este, a “Casa Arte Canoas”, estaria na idade da Pedra Lascada, como costuma dizer o secretário estadual da Cultura, Roque Jacoby.
Ângela Pettini, Hidaldo Adams, Maia Menna Barreto, Marília Fayh e Ricardo Kersting são alguns dos valiosos nomes que expõem a partir de hoje à noite e durante um bom período na casa que Darwin Luiz Longoni, o vitorioso empresário que ajudou a conduzir, com Jandir Capoani, a Iriel, essa grande empresa da área de interruptores e produtos elétricos, ao sucesso, transformou na sua “menina dos olhos”.
Era também o sonho da sua companheira Marina Leão Longoni, que por tantos anos o acompanhou. Infelizmente falecida prematuramente, Darwin levou o sonho adiante e hoje a Casa Arte Canoas é um justo orgulho seu e da população canoense.
Para quem nos lê fora do Brasil:
Canoas, trezentos mil habitantes, é a maior cidade da região. A Casa Arte Canoas é o primeiro empreendimento deste tipo, desde que a cidade nasceu. Pelo menos, cem por cento dedicada às artes e à cultura.
Quanto à expressão inicial, usada no título, “tentações”, tudo tem a ver com os preços cobrados pelas esculturas. Quem for lá acabará “caindo em tentação”...
Lembro-me bem, aquele lugar onde está hoje a Casa Arte Canoas, esquina da rua La Salle com a Duque de Caxias, era um território proibido. Por qualquer razão o progresso não havia chegado ali e não era o local que transitássemos nós, meninos. O nosso endereço mais certo, para aquelas bandas, além da própria casa senhorial da família Longoni na rua Santos Ferreira, residência do colega estimado (além de tudo goleiro do nosso time de futebol do Ginásio São Luiz, um estabelecimento do La Salle, hoje transformado em Centro Universitário), era o Capão do Corvo, que ainda existe, hoje Parque Municipal Getúlio Vargas. Lá era o local de recreio e piqueniques dos alunos lassalistas. Incrível, um local misterioso, completamente fora da cidade. Hoje urbanamente integrado, cercado de residências por todos os lados. Mas, isso era muito antes de existir a Casa Arte.
Estaremos conversando sobre esse e outros temas, esta noite, com o prezado colega de todos os nossos tempos, Darwin Longoni e apreciando as belas esculturas de Ângela Pettini, Hidalgo Adams, Maia Menna Barreto, Marília Fayh e Ricardo Kersting.
Tornei-me um propagandista do livro e da escritora. O livro, "O Vento Assobiando nas Gruas", a escritora, Lídia Jorge, muito justamente premiada. Pode-se obter via Internet, da Publicações Dom Quixote, Ltda. este é o nome da editora de Lisboa. postado por walter em 29/07/03
Aqui, algumas citações do livro:
O VENTO ASSOBIANDO NAS GRUAS
Lídia Jorge
Edições Dom Quixote, Lisboa, 2002 – 538 págs.
Página
172 – “João Paulo costumava dizer que a liberdade estava em nós próprios, mas o destino, esse, encontrava-se nas circunstâncias, e nós, ignorantes, é que imaginávamos um deus. Rainhas quase absolutas de nossas vidas, as circunstâncias.”
177 – “Mas as circunstâncias iriam cruzar de novo as suas teias, rainhas absolutas da vida, as circunstâncias.”
279 – “O sr. Van de Berg era um holandês de Roterdão que havia aprendido o português no Sul do Brasil e a expressividade com o seu pai, emigrante em sua juventude no Sul da Itália.”
282 – “Mas os bandos que pela manhã tinham avistado, a escaparem-se diante do helicóptero, deveriam ser gaivotas pequenas, Laurus argentatus, tinha dito o tio, conhecedor de alguns nomes latinos, quando a ocasião o pedia.”
283 – “E falar na primeira vaga é o mesmo que invocar a pessoa do meu avô.”
284 – “Ninguém poderá compreender o que está em causa, se não se souber que no princípio do século existiu um homem simples que vendeu toda a sua legítima e hipotecou tudo o que tinha e o que não tinha, pra construir uma fábrica que alimentou, durante mais de cinqüenta anos, uma população inteira. Compreende, sr. Van de Berg? Não houve igual e talvez por isso, José Joaquim Leandro tivesse merecido a morte que teve, no meio do campo, em paz, encostado ao seu velho Chrysler, como um príncipe perfeito...”
286 e 287 – “Imagine uma gestão irrepreensível pra a época, já que é preciso pensar na época, e no país miserável que era este, no princípio do século XX. A essa luz, imagine por exemplo o que era o meu avô empregar meninas de sete anos de idade, cujo rendimento laboral seria abaixo de zero, só para ajudar as suas famílias. Está a ver? Pois o meu avô empregou dezenas delas. Empregou centenas, de tal modo que haviam mães que cumpriam promessas de joelhos, diante de S.Francisco do Mar, no dia em que as filhas eram admitidas, vestindo pela primeira vez uns bibinhos azuis, que o meu avô, ele próprio, encomendava e pagava.. Compreende? Nessa situação, tanto as mães quanto as filhas tinham o meu avô por benfeitor, e se por acaso ele surgia nos pavilhões, a qualquer hora do dia ou da noite, os dedinhos delas mexiam-se que nem arco de violino em momento de pizzicato.”
290 – “Pondo de lado a sua santola, o tio explicou, com a cabeça fria, como em meados dos anos setenta tinha havido a possibilidade de se escrever nas paredes velhas frases como a fábrica a quem trabalha, e abaixo os que nos exploram, e como fora assim que se tinha criado uma segunda vaga, uma segunda horda.”
301 – “A alma humana, essa coisa complicada que ninguém definia, essa aragem sem direção, aprisionada na vasilha do corpo.”
340 – “Ana Mata não se impressionou. Era preciso deixá-lo acalmar a faca que tinha sempre à mão, dentro da garganta. Ana Mata ia deixar correr. Ele ainda tinha os dedos na viola, ela ainda tinha o domingo inteiro para falar no assunto. Não era parva, não ia deixar estragar um plano tão bem montado por uma precipitação.”
347 – “Ana Mata ia para comer o seu pão com leite, mas deitou fora. O problema era esse – a sua gente tinha-se afogado em coisas, enquanto a casinha, para além do mar, se destelhava.”
433 – “Milene saltava a caminho da carrinha. Feliz, feliz. Como se o riso, o amor, o prazer e a beleza alguma vez na Terra se servissem puros.”
Viram só, até do português do Rio Grande do Sul ela fala. E com conhecimento de causa: ela já esteve aqui em Porto Alegre e é amiga da escritora Jane Tutikian.
Começa uma nova semana e aqui no Brasil, sonhamos com a paz social, com o andamento das reformas tributária e previdenciária e com um saudável aperto de mãos, no campo postado por Walter Galvani em 28/07/03
PIMENTA, NOS OLHOS
DOS OUTROS É REFRESCO
Walter Galvani
Já se viu, a lição está mais do que aprendida: quando é nos olhos dos outros, pimenta é refresco... Portanto, não há problemas, a gente vai levando...
De repente, o PT descobriu que o MST, e sua marcha pelos campos do país, não é lá tão engraçado assim e passou a demonizar o movimento ou seus líderes. A dureza com José Rainha continua tão grande ou maior do que nos governos anteriores e José Pedro Stedile vai ter de provar que ao falar em 27 milhões contra 27 mil, não pretendia incitar à violência.
As questões estão na mão da Justiça. O problema é se a Justiça – que, como sabe, é tarda mas não falha – entrar em greve, tornar-se-á mais lenta ainda.
De propósito, nada se faz. Mas, de propósito mesmo, é preciso que cada coisa tenha o seu tempo. Assim, há um tempo para semear e um tempo para colher. Em se tratando de terras, mais ainda.
Mas, enquanto não chega a hora da colheita, vamos recolhendo os frutos da nossa imprevidência com relação ao comportamento da sociedade. De repente, temos muito mais violência do que se poderia imaginar e o remédio não está à mão. Só se aplicarmos o chamado “Tolerância Zero”, o que deu resultado em Nova York, como se sabe. Seria mesmo difícil de lançar mão deste remédio extremo no Brasil, mas é difícil que se possa imaginar outro caminho. Você sabe como é?
Pois, é assim: estacionou em lugar proibido, multa grossa ou guincho. Passou com sinal fechado, multa e até suspensão da permissão para conduzir. Andou na rua sem documentos, prisão preventiva. Andou armado? Perda da arma, multa e, se escreveu e não leu, pau comeu... Cadeia.
É assim. Em Nova York, não se pode nem sequer atravessar a pé uma rua com o sinal fechado. Dá multa também.
Que tal aplicar isto aqui no Brasil? Que arrecadação, hein?
São Leopoldo, Canoas, Novo Hamburgo, todo mundo vive o drama da insegurança. E o país inteiro. Quase. Quase ? postado por walter em 27/07/03
SEGURANÇA, SEGURANÇA
Walter Galvani *
Espero não estar chateando meus possíveis leitores com o retorno deste tema que, em verdade, não nos sai da cabeça. Esta semana, um jovem empresário de 38 anos, imigrante iraniano que escolheu o Brasil porque aqui se sentia feliz, morador em Sapucaia do Sul, mas atuando em Canoas, pagou com a vida, pelo seu otimismo e vontade de trabalhar.
Estabelecido numa zona nobre de Canoas, onde, no entanto, acontecem tiroteios duas a três vezes por semana, o que obriga os moradores das redondezas a se recolherem mais cedo e não botarem mais o nariz para fora de casa depois que anoitece, ele buscava atender aos clientes que por necessidade ou conveniência freqüentavam sua lancheria. Ampliara seu negócio com uma tele-entrega e assim ia vivendo, cuidando de sua mulher e de seus filhos menores, acreditando no Brasil. Ainda na semana passada, seu velho pai telefonara do Irã, convidando-o a passar as férias em seu país e lamentando que da maneira que as coisas iam andando, acabariam por nunca mais se reverem. Acertou.
Um bandido liquidou o jovem empresário, que além de produzir para si, gerava empregos, ao reagir a um assalto, segundo dizem as primeiras testemunhas. Ele estava cansado: era o quinto assalto que sofria.
O que estarão dizendo as autoridades? O de costume. Que se está investigando, que há um retrato falado do criminoso, que estão feitas buscas, ou que até já o encontraram, o que não devolve a vida ao inocente Farbod Eghbali e tampouco soluciona o nosso problema.
Vivemos com medo dos nossos semelhantes, caminhamos na rua tomando cuidado com quem vem atrás, desviando dos que encontramos pela frente, evitando choques ou nos precavendo, constantemente, de qualquer aproximação. Não somos mais irmãos dos desconhecidos, não nos arriscamos sequer a sorrir, somos sitiados na rua ou em nossa própria casa. Negamos o pão a quem nos pede, porque não sabemos se não virá um revólver ou uma faca na seqüência de qualquer gesto de caridade.
E até que ponto iremos?
A pergunta é retórica. Como não temos para onde ir, como somos brasileiros e amamos este país, continuamos vivendo aqui, aceitando a incerteza, a insegurança, a infelicidade de não podermos sequer nos distrairmos, porque na verdade não conseguimos oferecer, a nós mesmos, através dos mecanismos sociais, um mínimo de felicidade.
E dizer que este já foi um país ideal para se viver! Tanto que atraímos, do mundo inteiro, do Irã inclusive, imigrantes que para cá vieram fazer a nossa fortuna e nos ajudar a construir cidades imensas, fortes, industrializadas, animadas, alegres.
Os alemães, por exemplo, começaram a chegar no dia 25 de julho de 1824, praticamente no início do século dezenove. Hoje, a pujança deste vale do rio dos Sinos, a eles se deve, consideravelmente, como também aos italianos, ucranianos, romenos, russos, portugueses, e iranianos, sem dúvida, enfim de tantas nacionalidades.
E no entanto, nas esquinas, somos obrigados a colocar câmaras, para que se observe nossos semelhantes e registre-se o que fazem. Desconfiamos de todos. Pobre país.
Alguém, por aí, tem algum projeto em mãos?
* Crônica publicada inicialmente no jornal ABC DOMINGO
Um dos melhores romances modernos da língua portuguesa foi lançado há pouco em Portugal, ganhou o prêmio da APE (Associação Portuguesa de Escritores) e em breve chegará ao Brasil. Pelo menos, na Feira do Livro de Porto Alegre, onde Portugal será um dos países participantes, é certo que estará. Ah, você sabe o que são gruas? Aquelas grandes máquinas, guindastes gigantescos, usados na construção civil. postado por walter em 26/07/03
O VENTO ASSOBIANDO NAS GRUAS
Walter Galvani
Tomem nota e preparem-se para o lançamento no Brasil: “O Vento Assobiando nas Gruas” da escritora portuguesa Lídia Jorge.
Fale num assunto, um só, que preocupe as pessoas nos dias de hoje e mande a pergunta: está ou não está no livro dela?
Pois, é certo que estará.
Incrivelmente atual, o texto de Lídia Jorge, mexe com você, sacode qualquer um, vai lá no fundo, tratando de tudo o que nos toca hoje em dia, seja integração racial, preconceito, drogas, amor, ciúme, miséria, casamento, romantismo, o beijo e o abraço, o mar, a terra, o que você quiser.
Não perca.
É um belo romance, editado pela Dom Quixote em Portugal, e que em suas 538 páginas, emociona e prende.
Li, interrompendo por causa dos compromissos diários, mas sempre lamentando haver parado de ler. Finalmente consegui concluí-lo e recomendo.
Você sairá melhor desta leitura. É um livro que, realmente, modifica a gente.
Parabéns, Lídia Jorge!
E vejam: não é por arranjos de linguagem, por rompimento de formas e fórmulas, apesar de que tenha tudo isso. Para “transgredir” é preciso ter o que dizer. É esse o caso.
Reflitam sobre esta declaração do Ministro do Trabalho, olhem em volta, conversem com as pessoas postado por walter em 25/07/03
DESEMPRÊGO E DRAMA
Walter Galvani *
Metidos no olho do furacão, lutando pela sobrevivência, aqui no sul enfrentando além de tudo a chuva, umidade e o frio, em muitos momentos passando por longe a tragédia dos que não tem emprego, moradia, atendimento a saúde, ou os que moram precariamente, nem chegamos a prestar atenção ao que dizem certas autoridades. É um choque resgatar declarações como esta que foi feita pelo ministro Jacques Wagner, do Trabalho, a respeito do desemprego que aflige uma parcela considerável da população: “O alarme é maior do que o drama!”
Quem nunca passou pela difícil situação de não ter onde trabalhar, não ter uma fonte fixa que lhe garanta um rendimento por mínimo que seja, para enfrentar as necessidades diárias, não sabe o que é a dificuldade da vida.
Estamos num país incrivelmente rico, com uma extensão territorial invejável, com recursos naturais, com terras suficientes para muito mais do que os nossos 172 milhões de habitantes, com um belo parque industrial instalado, com estradas razoáveis, pelo menos na extensão da malha, um imenso litoral de mais de 9 mil quilômetros, com as matas, em muitos pontos ainda impenetráveis e passamos, no entanto, dificuldades?
Difícil é entender como sobrevivemos mal, quando bastaria, simplesmente deixar andarem os mecanismos de produção e já seria o suficiente. Preferimos, no entanto, batidos pela borrasca das iniqüidades, iludidos pela quimera do enriquecimento fácil, tentar a sorte. O cassino está aberto e há milhares de formas de jogo, abertas ou clandestinas, oficiais ou particulares, culminando com estas pequenas máquinas que agora fazem parte do dia-a-dia das comunidades mais pobres ou periféricas, arrecadando os trocados da população.
E há a droga, a impunidade, o crime, o sonho do enriquecimento ilícito, e a propaganda do consumismo.
Faz-se uma pesquisa e chega-se à conclusão de que a taxa de desemprego está em 13% da população economicamente ativa. Mas, esta terminologia esconde a verdade, porque os pesquisados são unicamente os brasileiros que “não trabalharam nos últimos três meses e procuraram emprego”. Não se refere, portanto, aos que nem sequer procuraram algo para fazer, porque desistiram.
Estamos diante de um impasse muito sério e grave, mas não o estamos vendo assim. Aqui mesmo em Canoas, imagina-se, temos um parque industrial tão forte que é capaz de resgatar todos os canoenses desempregados e os que não sendo readmitidos é porque não querem trabalhar ou porque não tem qualificação para isso...
Já vi este filme e já vimos todos no que deu.
Quanto a um ministro que faz uma declaração dessas “o alarme é maior do que o drama”, ou é porque nunca viveu nada semelhante ou porque aprendeu, em escola errada, que para consertar um erro ou corrigir um mal, a melhor maneira é dizer que não existe...
A Volkswagen vai demitir 4 mil pessoas, para melhorar sua produtividade. A Varig se arrasta. Os pátios das montadoras abrigam hoje 140 mil veículos. Os Sem Terra caminham com suas bandeiras, sob a chuva e o frio da metade mais pobre do estado.
Será mesmo que só falta uma faísca?
* Crônica inicialmente publicada no Diário de Canoas
O Brasil - para os que nos lêem na França, na Italia, na Espanha, na Alemanha, no Japão - é um calidoscópio de surpresas diárias... postado por walter em 24/07/03
O “NOVO” LULA E
A PAZ NO CAMPO
Walter Galvani
Falando com ruralistas ontem no Palácio do Planalto, Lula teria dito que “nunca teve o emprego que queria e, portanto, os sem-terra não podem pretender assentamento nas terras que desejam”. A ser verdadeira esta afirmação, e não há razão para duvidar porque até agora não houve um desmentido oficial, temos mais uma faceta aí do “novo” Lula, o mesmo Lulinha-paz-e-amor que surgiu depois da posse.
Ele, como todos nós, quer saber é de progresso, desenvolvimento, mais empregos, mais produção e nada de crises, greves ou até guerra civil.
O PT, um partido revolucionário num país de tradições de acomodação e conveniências políticas, chegou ao poder pelo voto e pretende continuar, é claro, dando uma demonstração prática de que isso é possível. Embora, em alguns casos, depois do poder conquistado teve que entrega-lo, como é o caso do Rio Grande do Sul, onde o governador Olívio Dutra passou o mandato para o sucessor Germano Rigotto, mas isso é da democracia e só a transmissão pacífica já significa bastante.
No passado recente ocorreram incidentes desagradáveis, como por exemplo na transmissão de cargo de Antônio Britto para Olívio, mas isso não é ou não deveria ser da tradição rio-grandense. Aconteceu e pronto.
Não deveria ocorrer. Mas, também não vamos ficar sapateando em cima disso.
Lula quer a paz no campo. Portanto, o confronto de São Gabriel, em vias de ocorrer, não interessa ao governo da república, é óbvio, como a nenhum de nós.
Estamos, neste momento, de olho na estrada. Também nós queremos a paz, se isto é possível.
E recomendamos o desarmamento dos espíritos e dos corpos... Viram, os que acompanham o noticiário, que nem mesmo Nova York está livre de absurdos como o assassinato de um vereador, por questões políticas, como parece ser a raiz do acontecimento de ontem. Agora, entrar armado na prefeitura da maior cidade do mundo ocidental, aí é demais. Os policiais do mundo, os norte-americanos, devem estar justamente envergonhados hoje do que ocorreu. Mas, não pensem que estamos livres disso. Enquanto se permitir esta mortandade em nossas ruas, esta multidão armada, esta gente drogada, estes ladrões soltos, esta Justiça esmagada pelo volume dos processos, continuaremos pregando o preço da nossa indigência cultural.
No entanto, vamos tecer loas ao final da crise em São Tomé e Príncipe, um dos países africanos de língua oficial portuguesa, que teve a sua crise resolvida com a intervenção da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Valeu a pena.
Será que a morte dos filhos de Saddan diminuirá a hostilidade aos americanos invasores e ocupantes do Iraque? postado por walter em 23/07/03
Blair e Bush, Lula e seu ministro do Trabalho que acha que "o alarme é maior do que o drama do desemprego", enfim, a Reforma da Previdência, a greve dos juízes e daqui a pouco a ReformaTributária.
Como dormir em paz?
Acordemos todos, é melhor assistirmos acordados ao espetáculo da nossa desesperança...
O frio retorna, os hospitais lotam, a previdência para, o país entretanto, tem que andar... postado por walter em 22/07/03
À ESPERA DA FAÍSCA
Walter Galvani
A marcha dos Sem Terra na Metade Sul do Rio Grande prossegue, e o acampamento que eles fazem é confrontado por um acampamento dos ruralistas. O tempo passa, a lenha aquece e daqui a pouco uma simples faísca ateará fogo nos Pampas...
Os juizes param, de 5 a 12 de agosto, o Supremo não o fará e ainda não se sabe até que ponto haverá adesão à greve nacional da Justiça, aquela mesma que tarda mas não falha...
Quem é Alfredo Southall, dono da área que está sub judice no sul do país, gerando atritos e marchas de gente com e sem terra?
Lula reúne-se hoje com ministros e uma comissão de governadores para discutir a Reforma Tributária que agora, vai ou não vai...
Nas frestas da discussão, será examinada também a Reforma da Previdência.
A pergunta é: e o país, vai ou não vai?
Quem é que dorme com um barulho desses, ou melhor, quem é que consegue trabalhar com um barulho desses?
A não ser o Zé Povinho que tem que levantar cedo e sair de casa de madrugada e não tem tempo para tomar conhecimento dessas coisas, tudo fica muito difícil. Se alguém falar em crise, direi no entanto, que só “quem ama pode ter ouvidos, capaz de ouvir e de entender estrelas”...
Está cada vez mais difícil.
Até quando?
Antigamente havia os padres de passeata, depois os milicos, hoje em dia não temos a quem apelar, até porque o partido que foi gerado no foco de toda esta agitação, está no poder. E não sabe. Ou descobriu que o poder, nem, é tão poder assim...
Os integrantes do Movimento Sem Terra no Rio Grande do Sul continuam em São Sepé a sua marcha rumo a São Gabriel. Mas a Justiça Federal mandou liberar a estrada que estava bloqueada pelos produtores rurais gaúchos. Não houve o confronto, os sem terra aceitaram (quer dizer, engoliram.. .) o cadastramento obrigatório e agora a BM acompanha a marcha. Evitou-se o confronto. Por um triz... E assim, estamos no mapa do mundo. Junto com outros, vejam, leiam, como foi o fim-de-semana: postado por walter em 21/07/03
NOTÍCIAS DO DAQUI E DALI
Walter Galvani
Português é a quinta língua mais falada do mundo, já sabemos e também sabemos muito bem que para isso contribuem em muito os 172 milhões de brasileiros. Mas, é preciso também lembrar que há comunidades de portugueses e brasileiros, de angolanos, moçambicanos, caboverdianos, macauenses, espalhados pelo mundo inteiro, assim como há núcleos onde se fala o português na Índia (Goa, Damão, Diu, Kerala) e sem dúvida, os 8 países onde é a língua oficial. Nunca é demais lembrar: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste.
Só para se ter uma idéia, há 2.000.000 de portugueses emigrados em países da Europa, em especial na França ou na Alemanha. Nos Estados Unidos, há cerca de 800.000 portugueses, e, somando tudo, Portugal tem uma população de 10 milhões hoje e no mínimo outros quatro milhões fora do seu país. Até na Venezuela e na Argentina, há comunidades enormes de lusitanos e mais ainda no Brasil.
A língua como fundamento básico de uma cultura está por trás disso e uma das características históricas do povo que se formou e fixou no extremo oeste da Europa, espremido entre os adversários naturais e o mar, optou pelas viagens de descobrimento, buscando na emigração a sua redenção econômica e social.
Hoje, para tratar do golpe de estado que se verificou num território que é antigo departamento do império português, império que foi pouco mais do que virtual, São Tomé e Príncipe, a ONU pediu a participação do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, além do vizinho Gabão, de onde, aliás, no passado partiram várias levas de emigrantes que ajudaram a povoar o arquipélago.
Há, pois, um claro apelo à língua portuguesa para resolver o problema de um dos países integrantes da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa), onde, aliás, os golpistas estão libertando os prisioneiros que fizeram nos últimos dias. Tomara que algum espírito da Renascença que, afinal inspirou as grandes descobertas, sobrevoe os corações e mentes dos pelo menos parcialmente vitoriosos.
É uma grande notícia do fim-de-semana. Esperamos que permitam a volta à pátria, do presidente Fradique de Menezes, um “branco” que deve ser chamado na rua, quando passa, de “Ô Brancão”, como aqui muitas vezes se pratica o “Aí, Negrão!”...
Não estou querendo fazer piada. Apenas reproduzo o que, de fato, acontece em terras africanas.
GRÊMIO E INTER, A GANGORRA
Para quem não sabe, para os que nos lêem no mundo inteiro, no campo esportivo há uma gangorra aqui no Rio Grande do Sul. Quando o Inter está bem, o Grêmio está mal e vice-versa... Agora mesmo, o Inter está na quinta colocação do campeonato brasileiro, a um passo dos líderes, com 34 pontos pelo menos até quinta-feira e pelo menos até quinta o Grêmio é o penúltimo, com 19, a frente apenas do Goiás.
É pena. Mas, assim tem sido. O pior é que o Grêmio vai mal justamente no ano em que comemora o seu primeiro centenário, cem anos em que sempre esteve muito melhor do que pior...
É bom lembrar isso.
DESEMPREGO NA VOLKSWAGEN
Haverá 4.000 demissões na Volkswagen do Brasil e diz-se que a empresa pretende criar uma nova empresa, a Autovisão Brasil S. A ., que absorveria os demitidos, ou pelo menos parte deles.
Verdade ou mentira, só o futuro, a médio prazo, nos dirá e, até então, imagine-se a incerteza, a angústia dos funcionários, cada dia percorrendo as listas de demissões para ver se ali não se encontra o seu nome.
É assim que começa a segunda-feira, na terra do presidente Lula, na cidade onde ele não nasceu mas onde mora e fez toda a sua carreira sindical, São Bernardo do Campo.
VELHA ALBION
Voltamos toda nossa atenção para o juiz Brian Hutton que tem o compromisso de manter o nome da velha Inglaterra como farol da liberdade, aurora precursora, todas essas coisas...
Vejam bem:
Ele conduzirá o inquérito para apurar as culpas no episódio da morte, assassinato ou suicídio, do professor e pesquisador em micro-biologia, David Kelly, ex-inspetor de armas da ONU, que foi a fonte da BBC na matéria em que se denunciava o governo britânico como maquiador da verdade, manipulador de informações que levaram a guerra ao Iraque.
Verdade? Mentira?
O melhor de tudo é que a BBC fez as denúncias, não revelou a fonte, e agora, vindo o assunto à tona, é parte de inquérito que envolve também o primeiro ministro Tony Blair. Que diz que não vai renunciar. Será que não vai mesmo? Lembrem, a BBC é uma empresa do governo.
REGISTRO DE ESTUDANTES
E o Império?
Depois de toda esta crise, os americanos criam dificuldades para quem pretende viajar a seu país. No Brasil, por exemplo, ao estabelecer que é preciso viajar até São Paulo, Rio, Recife ou Brasília para obter um visto consular, para poder deslocar-se até lá, eis que um problema magno está estabelecido. Quem vai pagar o preço de uma viagem até um local desses, além do custo do vôo até à América do Norte?
E mais:
A partir do dia primeiro de agosto ficará mais difícil renovar o registro de estudante estrangeiro nos Estados Unidos. Um diretor do sistema disse que até aqui se usava o registro em papel, “antiquado”, segundo ele. Só que o registro informático, pelo sistema “Semis” não está funcionando direito.
Não se sabe se o que é obsoleto é o sistema em si ou alguma mentalidade pelo meio do caminho...
E o resultado não poderia ser pior:
Muitos estudantes estão sendo encaminhados para outros países, com o que ganham os que os recebem (no caso, Inglaterra, Irlanda e Canadá são os preferidos) e perdem os Estados Unidos.
Refletindo um pouco mais, será que não saíram ganhando esses estudantes e seus países?
Há bons americanos, sim. Há muita coisa boa no sistema americano. Mas, há também mentalidades retrógradas e sem dúvida, pelo que nos chega, o pensamento da presidência de Bush, não poderia ser mais atrasada sob o ponto de vista cultural. Sem falar em democracia...
As revoluções no jornalismo, costumam ser silencioosas, até que seus efeitos se tornem claramente conhecidos ou que alguém se lembre de promover a sua repercussão. O jornal ABC DOMINGO, que está circulando na região metropolitana de Porto Alegre, editado pelo Grupo Editorial Sinos, está completamente renovado. Prestem atenção. postado por walter em 20/07/03
O "NOVO" ABC
Walter Galvani *
Não há mais completa lição sobre a vida, os ciclos que se cumprem, e a capacidade de sobrevivência, do que a renovação que se processa nos jornais impressos, hoje uma experiência de centenas de anos, já devidamente carimbada pela Humanidade. Em certas épocas eles se caracterizaram por serem mais literários em toda a extensão do sentido, noutras, mais gráficos, mais ilustrativos, logo adiante a busca da eficiência e a presteza na cobertura dos acontecimentos, e, tempos mais recentes, espelhos legítimos do que se passa na sociedade, mas procurando, com a interpretação que a edição significa. A escolha do viés e a extensão e profundidade das coberturas informa para o leitor atento, o pensamento editorial sobre os fatos.
A transformação do mundo passa pela redação dos jornais e é por isso que a profissão de jornalista não é uma simples e mera qualificação técnica, ao mesmo tempo em que a sobrevivência da livre iniciativa nessa área reflete o real grau de liberdade existente numa nação.
Os leitores que tem acompanhado o ABC DOMINGO, percebem com clareza que não é uma simples busca pela mudança que orienta as modificações que vem sendo introduzidas e aprofundadas à cada semana. Esta edição que estamos entregando hoje aos assinantes e aos compradores através da venda avulsa que nos permitem chegar aos 70 mil exemplares semanais, o que implica em cerca de meio milhão de leitores, é bem uma demonstração desta revolução iniciada há três semanas, quando os títulos um pouco mais agressivos, a diagramação mais clara (ou “clean” como diriam os publicitários), e os textos mais consistentes, começaram a atrair mais e a promover uma indiscutível tensão intelectual.
Vocês já leram sobre “os desgarrados”, sobre os heróis que tombam no combate diário de nossas cidades, sobre a violência que alavanca o comércio da segurança, a influência do medo em seu bolso, até se poderia escrever. Hoje vocês lerão sobre o Jogo, proibido oficialmente no país, mas que existe e se infiltra desde os pontos mais sofisticados até os mais degradados círculos da periferia.
E assim, semana após semana, vai se concretizando um sonho antigo dos jornalistas, aqui no ABC capitaneados pelo Demétrio Soster, e que se apóia na força, na tradição e na competência dos que carinhosamente são chamados, “nossos estagiários”, os veteranos e competentes Alceu Feijó e Vinícius Bossle, passando pelas mãos de tantos jovens que não vou citar para não cometer a injustiça de alguma omissão e que estão distribuídos pelas nossas páginas. Quando Mário Gusmão e Edgar Lisboa percorreram vários países da Europa, a começar pela Inglaterra e Irlanda (esta, uma surpreendente segunda colocada no cadastro dos mais desenvolvidos da União Européia), e sobretudo pelo que viram na Alemanha, mais do que inspiração, encontraram eles a constatação de que os caminhos sonhados eram os corretos. E como convém aos grandes times, metaforizando com a imagem do futebol tão facilmente compreendida pelos brasileiros, a experiência, o conhecimento, a densidade dos antigos se mescla com a garra, o entusiasmo e a preparação técnica e física dos mais jovens. O resultado aí está, para que o leitor defina se estamos ou não no caminho certo. Finalizo com o discurso que se deve ter sempre presente, de Pico Della Mirandola, o grande sustentáculo da ideologia da Renascença. É isto que está por trás de um trabalho como esse: “O Homem deve perseguir o próprio destino, num percurso que se move da autodisciplina à moral, atravessa a pluralidade de imagens e saberes, e tende à meta mais alta, não representável concretamente, mas sim como um objetivo a alcançar.
* Esta crônica foi originalmente publicada no ABC DOMINGO desta data, 20 de julho de 2003
A mágica das palavras postado por walter em 19/07/03
COMO UM LIVRO ABERTO
O professor Eric Chartiot é um mágico diferente. Em primeiro lugar porque trabalhou anos como diretor da Aliança Francesa, aliás nasceu na França e fala um português magnífico, praticamente sem nenhum sotaque, e agora é... mágico.
Só que, é um mágico diferente.
Ele estará hoje, por exemplo, na Cia das Artes em Porto Alegre, promovendo uma apresentação especial para as crianças, com o espetáculo denominado "Como um livro aberto".
É a história de um palhaço triste que de repente recupera a alegria de viver, quando descobre um livro triste...
É uma lição de vida, é uma aventura maravilhosa que inicía as crianças na fome de leitura.
O telefone do professor Eric, (51) 99.61.77.95 não para de tocar.
Ele está à disposição dos interessados, tem ido à inúmeras escolas, é um sucesso absolutamente fantástico.
Quem faz Feira do Livro, não pode mais prescindir da presença de Chartiot.
Ontem aaconteceu, oficialmente, a entrega do Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, para o grande poeta brasileiro Fabrício Carpinejar. Ele honra o Rio Grande do Sul. Leiam, imediatamente, "BIOGRAFIA DE UMA ÁRVORE". E quando o encontrarem, nas ruas de São Leopoldo onde mora e trabalha, ou Porto Alegre e Guaíba, onde eventualmente visita os amigos, saboreiem o momento. Fabrício Carpinejar será, se já não o é, o maior poeta deste século no Brasil. postado por walter em 18/07/03
Os americanos estão em campanha mundial para reivindicar, mais uma vez, a prioridade dos Irmãos Wright no vôo com o "mais pesado do que o ar". Nós, brasileiros, pensamos como Alcy Cheuiche que falará hoje sobre a primazia de Santos Dumont postado por Walter Galvani em 17/07/03
A PAIXÃO POR VOAR
Walter Galvani
Na sessão de hoje da Academia Riograndense de Letras, que será realizada no Solar dos Câmara, sede do Departamento Cultural da Assembléia Legislativa e antiga residência do Conde de Porto Alegre, o escritor Alcy Cheuiche defenderá a sua tese predileta: a prioridade de Santos Dumont no vôo com “o mais pesado que o ar”, confirmando o seu título de “Pai da Aviação”.
A reunião será às cinco da tarde e estará aberta aos interessados em aeronáutica, literatura, e em conhecer o funcionamento interno de uma academia de letras, pois é aberta ao público em geral.
Todos os que se sentirem convidados, inclusive os que lêem este artigo neste momento em meu “site”, poderão comparecer que serão bem-vindos.
Alcy Cheuiche é um dos melhores escritores brasileiros e, além disso, um notável tribuno. Dono de memória prodigiosa, quando assume o microfone, cresce e com sua cabeleira leonina, enche o imaginário dos seus ouvintes com um discurso inflamado e inspirado.
Quando o assunto é Santos Dumont, mais ainda. Não é por nada que ele é o autor da exitosa biografia ,“Nos céus de Paris”, na qual retrata a ascensão e o vôo vertiginoso daquele brasileiro notável que tanto encantou os franceses do início do século vinte.
E é muito importante que esta palestra de Cheuiche se dê no dia de hoje, pois justamente agora, os americanos, que parecem que não querem deixar nada para ninguém, iniciam uma campanha, que aliás é antiga, pleiteando a prioridade para os irmãos Wright. Acho que eles estão “wrongs”...
“Santos Dumont já era famoso e reconhecido antes do vôo com o 14 Bis – disse-me esta manhã o ilustre escritor que, aliás, acaba de ser integrado ao Conselho Consultivo do Memorial do Rio Grande do Sul – e uma de suas maiores conquistas, a dirigibilidade dos balões, já havia sido alcançada.”
“Além do mais – explica Cheuiche – o “Demoiselle” é que foi de fato o primeiro avião para valer, voando a mais de mil metros de altura e numa velocidade superior a cem quilômetros por hora. Foi este aparelho, de 1909, que possibilitou o desenvolvimento de toda a fantástica indústria aeronáutica nos Estados Unidos mesmo e em todos os países do mundo.”
Vamos ouvir Cheuiche com o seu enorme talento, hoje, a partir das 17 horas.
Golpe militar desestabiliza jovem república (1975) africana onde se fala o português postado por walter em 16/07/03
A COMUNIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA
E A REPÚBLICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Walter Galvani
Já se sabe que as forças armadas de São Tomé e Príncipe tomou o poder em seu país, enquanto o presidente fazia uma visita à Nigéria, para tratar de assuntos particulares. A notícia, provavelmente ocupará um pequeno espaço da atenção dos leitores, ouvintes e telespectadores hoje e amanhã e depois, cairá no esquecimento, porque será, quem sabe, apenas mais um golpe de estado, em meio a tantos.
Mas, é importante que não se esqueça que este é um dos oito integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e apesar de seu contingente populacional ser praticamente insignificante, 125.000 pessoas, repousa sobre uma área de grande ocorrência de petróleo, o que o torna excepcionalmente atraente à comunidade internacional.
Isto talvez explique porque haja tanto interesse em tomar o poder num país pobre, além de que, justifica que o ministro dos Recursos Naturais, seja um dos primeiros atingidos pelo movimento.
É bom lembrar que a CPLP existe desde que foram firmados os estatutos da entidade, a 17 de julho de 1996. É um fato recente, e um primeiro passo para resgatar a dívida da potência colonialista, Portugal, e de um dos seus principais frutos, o Brasil, que, pela imensidade de sua população, mais de 170 milhões, representa hoje 85% do total dos falantes em língua portuguesa, nosso patrimônio comum.
É claro que ninguém pode hoje acreditar em pureza da língua, tanto que no caso em questão, São Tomé e Príncipe, uma pequena república insular da África Equatorial, fala uma espécie de “crioulo”, que mistura palavras portuguesas do século XVI, com os inúmeros contributos regionais e locais.
O caráter agrário da sociedade local é um dos pontos fundamentais. A população é constituída de diversas procedências, uma delas, os chamados “angolares”, descendentes de escravos angolanos atirados para a costa, em naufrágios e os “forros”, descendentes de colonos brancos em sua maioria portugueses que casaram com mulheres negras. Há também os “gregorianos”, que tiram seu nome de antigos escravos libertados por Gregório José Ribeiro, em 1876. Há ainda os chamados “tongas”, filhos de emigrantes vindos de Angola, Moçambique e Cabo Verde e mesmo da costa do Gabão, e que se transformaram em trabalhadores agrícolas no país, dentro de uma experiência nitidamente capitalista.
Há uma pequena elite resultante de todo este amálgama e, uma classe especial, são os militares, como altos funcionários públicos, naturalmente, e que se queixam de que o governo não lhes retribui com eficiência em forma de salários a sua prestação de serviços. A base da rebelião seria este descontentamento.
Os produtos locais de algum significado são o cacau, o café e o petróleo, este uma realidade recente.
A língua portuguesa está presente, nos meios mais cultos ela é oficial, bem como nos atos do governo e na divulgação internacional do país. Mas, está bastante misturada ao dialeto “crioulo”, que consolidou todos estes aportes de diferentes extrações nacionais e raciais.
Há toda uma intenção de se integrar ao movimento dos chamados PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), esta última reunindo os oito que falam a nossa língua, na Europa, como Portugal, na América, o Brasil, na própria África, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, o próprio arquipélago de São Tomé e Príncipe e Ásia, com o mais recente membro, o Timor Leste.
Foi o gênio de um brasileiro, o ministro José Aparecido de Oliveira, que foi chefe da Casa Civil do governo Jânio, em 1961, que teve a idéia-mãe para a constituição desta organização internacional, que tem como base o legado da língua portuguesa, fruto das bem sucedidas navegações, e, conseqüentemente conquistas lusitanas dos séculos XV e XVI.
Por todas essas razões, os acontecimentos em São Tomé e Príncipe, devem ser mais atentamente seguidos por todos nós.
O Brasil inaugurou em maio a nossa primeira embaixada no país que o presidente Lula pretendia ou pretende visitar ainda este ano.
Já está, franqueado um capítulo do meu novo livro "Anacoluto do princípio ao fim" nas páginas do jornal literário Rascunho, do Paraná postado por Walter Galvani em 15/07/03
Anacoluto
Substantivo masculino. Figura de construção gramatical que consiste na ruptura da ordem lógica da frase, de tal forma que um termo fica sem enlace sintático com os demais. Exemplo: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Segundo os estudiosos da língua, é um aparente paradoxo.
O que manda a prudência, qual é a orientação mais adequada nesse difícil momento da vida internacional? postado por walter em 14/07/03
FANFARRONADAS
Walter Galvani
Preso por ter cão, preso por não ter cão, diz o velho provérbio. Mas, não deixa de soar como fanfarronada, a crítica de Lula aos Estados Unidos. Já a reação de gente, como o líder da Polônia, não passa de cinismo... Ora, sabe-se qual o poderio norte-americano. Não resta nenhuma dúvida que se trata de um poder imperial e, se nos anos cinqüenta do século passado, havia outra potência, a URSS, que se lhe opunha, fazia viagens espaciais e disputava a liderança mundial, hoje não há mais ninguém que se lhe possa opor.
Risível qualquer tipo de reação, mas é preciso considerar que os povos tem, sim, o direito de discordar do modelo americano.
O que não quer dizer que seja possível enfrentar o poderio do país de Bush, mas que não é de Bush, há muita gente lá que pensa de maneira diferente.
Entre os cínicos e mentirosos que se alinham para – como diria o vulgo – puxar o saco dos americanos, figura Tony Blair como uma das figuras mais destacadas.
Recentemente uma pesquisa na Inglaterra, revelou que 63 % do povo inglês o considera “mentiroso”.
Não vamos entrar nesses detalhes sórdidos. Prefiro falar sobre o que se pode fazer de bem ou de mal, pelo próprio país. Além desse atrelamento aos americanos, os ingleses tem muito mais para mostrar e constituem, sem dúvida, num dos povos de mais profunda e extensa cultura.
Todos nós sabemos que o mundo seria infinitamente mais pobre se não contasse com William Shakespeare, por exemplo.
Mas, por enquanto Blair está no poder.
O Brasil não é só Lula e tampouco Fernando Henrique. O Brasil não é só farisaísmo, mas também é. Portanto, usar de forma diplomática, vamos admitir, uma certa rebeldia, faz parte do jogo. Amanhã ou depois, Lula senta com Bush, abraçam-se, apertam-se mãos e segue tudo em frente.
Ninguém é profeta para antecipar o que vai acontecer no mundo. Mas, é bom também não esquecer que mesmo os que mais se solidificaram no poder, duraram alguns séculos. E a “pax romana” nunca foi a paz que todos ambicionam. Sempre foi mantida “a ferro e fogo”, imposta aos povos subjugados. Os tempos são outros, diriam vocês, mas o poder é também infinitamente maior.
Não está escrito, porém, em nenhum lugar, que é preciso dizer “amém”. Cada um, cada país, cada povo decide por si.
Lula na Inglaterra hoje e amanhã, terça na Espanha, e o PT aqui, a braços com as dificuldades de governar e agradar a todos postado por walter em 13/07/03
O JOGO DAS
PRESSÕES
Walter Galvani *
Quando se está distante do jogo de pressões que define para onde vai um governo, o que ele pode eleger como prioridade, os recursos que conta, de fato, como pode atender seus eleitores, os compromissos assumidos para contar com aliados, não se compreende bem porque, muitas vezes, projetos tidos como preferenciais, acabam adiados, enquanto outros são de tal maneira transformados que acabam irreconhecíveis.
Este prólogo, cheio de dedos, é para dizer que entendo perfeitamente porque a Reforma Previdenciária e a Reforma Tributária, não sairão dentro dos modelos projetados pelo PT e porque o PT já se cindiu em dois partidos, o conservador que está no poder e o revolucionário, na oposição, embora ainda não sob o ponto de vista formal.
O que a evolução dos fatos nos trará, no futuro, não sei. Mas acho muito difícil que o Partido dos Trabalhadores se mantenha com a sua apregoada pureza revolucionária. É mais provável que, tendo aprendido a lição da política que se pratica no país, passe a atuar como um bem comportado partido de meia esquerda com tendências centristas, do que com qualquer outra opção ideológica, partidária ou política.
Heloisa Helena, Babá e Luciana Genro poderão, em futuro próximo, fundar seu próprio partido, ou, quem sabe, protagonizar uma sessão pública de arrependimento. Enquanto isso, o “Titanic-PT”, conduzido por José Dirceu, busca evitar o choque com outros barcos e fugir ao naufrágio. Trata-se de uma embarcação tão grande e hoje com tantos aliados, que sua navegação a um porto seguro passou a ser a aspiração da maioria. Até porque a maioria do eleitorado brasileiro é, como se sabe, de uma certa matriz conservadora e que, pode eventualmente votar à Esquerda, mas prefere manter-se tão à Direita quanto De Gaulle, na França dos tempos heróicos.
Pressões legítimas, acordos, acertos, arranjos, o nome que se quiser dar, são sinônimos daquilo que os inimigos políticos costumam chamar de alianças. Conchavo é feio, é pejorativo. Então, depende, digamos assim, dos benefícios para o país como um todo.
Adjetivos não são substantivos. Eles modificam, qualificam, depreciam, alteram, mas nada substancialmente, como o diz a própria língua portuguesa.
Do jogo das pressões sairá vitorioso quem tiver mais habilidade política, virtudes no Brasil batizadas como “mineirices” e que eventualmente já foram detectadas em políticos de outras origens estaduais, como o Getúlio Vargas dos anos trinta, por exemplo.
Mas, uma coisa é certa. Nas próximas eleições o PT finalmente será um partido igual aos outros, o que, convenhamos, já não será sem tempo. Terá passado por toda as esferas de poder, e também terá sido submetido a todo o sistema democrático a que obedece o país. Com perdas e ganhos, sairá transformado num partido com pecados veniais e mortais, com virtudes médias, pequenas e grandes, como os partidos trabalhistas que o antecederam, historicamente.
Será a hora de verificar o que sobrou do legado de Vargas, Pasqualini, Brizola, Jango, onde se alojam hoje tais conquistas e como será possível apropriar-se delas. Conquistando essas tradições e bandeiras, teremos um partido trabalhista ao modelo inglês. Se não houve capacidade política com tal alcance, continuará dividindo a cena com os demais partidos que lutam por eleitores da classe média, das profissões liberais e das emergentes camadas B e C.
* Artigo originalmente publicado ABC DOMINGO, que circula na região metropolitana de Porto Alegre
No dia 17 de julho, às 17 horas, no Solar dos Câmara, na Assembléia Legislativa, Alcy Cheuiche, autor do romance histórico sobre Santos Dumont, vai proferir palestra com o título "Santos Dumont e os Irmãos Wright. 120 anos do Pai da Aviação". Estaremos lá. Vale a pena. Cheuiche é um especialista e o assunto está em primeiríssimo plano. Os americanos querem demonstrar que além de possuirem o melhor armamento, também são os detentores da inteligência e da cultura... E naturalmente, de tudo "o que voa"... postado por walter em 12/07/03
Nesta semana, dia 17 dse julho, no Solar dos Câmara, teremos a continuidade do tema Santos Dumont. Foi ele ou não foi o descobridor do mais-pesado-do-que-o-awr? postado por Walter Galvani em 12/07/03
O PT descobriu, no governo, que mudar alguma coisa, fazer uma revolução, não é tão fácil assim... Portanto, no caso específico da Reforma da Previdência, há um impasse que só será resolvido com muitas concessões. E depois, será a vez da Reforma Tributária, que passará pelo mesmo processo. Ou cedem os governantes, ou amaciam o projeto, ou fica para as Calendas Gregas.... postado por walter em 11/07/03
Negociação, arranjo, pressões legítimas, acerto? Ponham o nome que quiserem, mas o fato é que a integralidade da aposentadoria do servidor público e, conseqüentemente, também o Judiciário, está no meio do caminho dessa pressão enorme e deste possível acordo do PT com os deputados, com os senadores e com os governadores... Ninguém quer ficar de fora do jogo e todos os que vão se beneficiar precisam apresentar publicamente aos seus eleitores o serviço que prestaram.
O recuo do governo diminui as pressões. Um deputado, do porte de Henrique Fontana, disse que não é recuo. É “amadurecimento” do governo...
No governo passado – alegou ele – se passou oito anos discutindo a reforma tributária e ela não foi feita...
Pois é.
Quando quiserem uma revolução, encomendem a revolucionários. No mais, teremos transição.
Batamos palmas. Transição calma, tranqüila. Mas com as concessões de costume.
Não podemos aceitar que apareça alguém negando que o governo (e o partido do governo, PT) e os que o apóiam, não tenha feito uma bela manobra de recuo. Ponham o nome que quiserem.
Amadurecimento, arranjo, negociação, acerto, escolham a palavra. E preparem-se para os próximos 45 dias de debate, que é o mínimo que vai durar o bate-papo, bate-boca no Congresso.
O governo Lula descobriu, afinal, o que é bom para a tosse... Vamos ver o que vai acontecer para passar a tal reforma da previdência. Se é que ainda se pode chamar de reforma postado por walter em 10/07/03
APOSENTADORIA INTEGRAL
Walter Galvani
Todos vocês devem ter lido na adolescência “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint Exupéry. Quem não o fez, ainda tem tempo para fazê-lo, embora eu duvide que ainda possa viver as emoções de ser presenteado por um namorado ou namorada, com o doce recado que o livro contém. Mas, quem está precisando agora receber um volume é o presidente Lula.
Ele e o seu governo, seu partido, acabam de dar uma autêntica demonstração de “pequenopríncipezice” ao recuarem e aceitarem a aposentadoria integral dos servidores, o que antes apresentavam como cláusula pétrea da Reforma Previdenciária. Pergunto: que reforma é esta que perdeu o seu alicerce, seu dado básico? Reforma nenhuma, apenas Lula cedeu às pressões, como qualquer um dos governantes do passado, como Fernando Henrique o fez e como Fernando Collor, como todos os demais, desde que a situação aparentemente fugiu ao controle.
O grave é isso: a partir de hoje, Lula é qualquer um.
Está escrito nos jornais de hoje, é o resultado do que se viu ontem, e muitos dos que me acompanham agora viram pela televisão. Confesso que eu estava envolvido com a revisão final dos originais do meu novo livro, enquanto escutava a transmissão de Inter, 2 x Vasco, 1, vitória fantástica do Internacional, disputada num estádio Beira-Rio à beira dos zero graus, com um jogo iniciado criminosamente às 21h40minutos para se adaptar ao horário de transmissão das redes de televisão. Um absurdo. No inverno gaúcho, aquele mesmo que eu me prometi nunca mais passar aqui. Sempre digo: este é o último que passo aqui.
Continuo morando em Porto Alegre, aliás, Guaíba, que fica em sua região metropolitana, aqui mesmo no Paralelo 30 e pagando todos os meus pecados, inclusive os que não cometi, com o frio. Essa noite, por exemplo, fez 2 graus abaixo de zero em meu pátio. Está anotado, para quem quiser ver, no meu termômetro.
Voltemos ao PT, Lula e governo: “O governo decidiu ontem fazer concessões e alterar a proposta original da reforma da Previdência. O objetivo é evitar dissidências nas bancadas aliadas e garantir a aprovação da reforma da Previdência dentro do calendário previsto. A proposta alternativa que está sendo negociada também com a oposição prevê o pagamento integral de aposentadorias aos servidores públicos atuais e, talvez, aos futuros.”
O ministro José Dirceu, aparentemente quem mexe com os pauzinhos da administração Lula, disse que o governo “aceita negociar a proposta desde que em troca de compensações”. Nas conversas com o Congresso deixou claras as condições: “viabilidade financeira, apoio dos governadores e respeito à essência da proposta original”.
Hoje, o governo, aliados e opositores tentarão costurar um acordo.
Quer dizer: “O Pequeno Príncipe” informou até onde iam as fronteiras do seu reinado. O visitante não respeitou e avançou um passo e ele então recuou a fronteira...
Nunca é demais reler os livros de nossa adolescência, não é mesmo, presidente Lula, ministro José Dirceu?
E agora, vamos ver o que farão com a Reforma Tributária. Esperamos que, ao menos, se respeite a Cultura e para ela se estabeleça uma ressalva na renúncia fiscal. Mas, há um perigo: o desejo do governo de meter a mão e trancar a porta dos subsídios às atividades culturais, que pareciam a depender da mão exclusiva dos que mandam.
A Olimpíada de 1936, ano em que estrearam as transmissões externas de televisão, as mesmas que levaram então quinze anos para chegar ao Brasil, foi patrocinada pelo governo federal da Alemanha, cujo chefe era “Herr” Adolph Hilter
Editado pela Record, Rio de Janeiro, vem aí meu novo livro, o oitavo na minha história particular de escritor bissexto. Comecei em 1971 com "Brasil por linhas tortas". O mais recente, "Nau Capitânia - Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos" - também pela Record (Rio, 1999., 320 págs.)está em quinta edição. Agora, está chegando aí, ANACOLUTO DO PRINCÍPIO AO FIM postado por walter em 08/07/03
Se um nome faz um destino, o que restaria para alguém que se chama Anacoluto? Batizado por uma figura de sintaxe! Ironias da vida. Anacoluto é tão estranho que não permite se desdobrar em apelido. Ninguém o poderia chamar de “Anaco” ou “Luto”, que soaria mal. Será que o sofrimento já começa no cartório?
Quem é este senhor Anacoluto que surge absolutamente real e fabuloso na história de Walter Galvani? A partir de um único homem e suas mulheres, o premiado escritor de “Nau Capitânia” faz a biografia do nosso mundo, de nossos últimos cinqüenta anos. Nossos e dele, do Anacoluto, do escritor e dos leitores. Depois de batizado, ele avança e recua, pelo caminho esbarra na perfeição sobre a terra na figura de Rosa Pigafé e o seu misterioso pai. Mas também se descobre, imperfeito como todos os humanos e atravessa a vida quase sem sacrificar-se no trabalho...um milagre que as vacas ainda propiciam a alguns escolhidos. São os que arrancam algo da terra, sem fazê-la gemer...
Pelo caminho discute futebol, religião, política e economia, momentos fundamentais que viveu, até se preparar para pingar o ponto final em sua auto-biografia que no entanto lhe escapa ao controle.
E há os anéis! Sim, os anéis de uma incrível festa de casamento que o distinguem como escolhido dos astros, ou do Senhor Pigafé, metáfora de um deus que pretende presidir os destinos alheios.
Reforma tributária mexe profundamente com todo o sistema de relações da sociedade. E abriga um tiro na linha de flutuação dos incentivos culturais... postado por walter em 07/07/03
REFORMAS AINDA EM JULHO
Walter Galvani
O governo federal pretende levar, ainda este mês, ao plenário da Câmara Federal, a votação das reformas Tributária e da Previdência, o que se pretende que mexa o mais profundamente possível com a sociedade brasileira. Para isso foi autorizada a convocação extraordinária do Congresso para o mês de julho, o que significa trabalho extra e pagamento extra.
Hoje haverá um debate especial na Assembléia Legislativa no RGS, para analisar a toque de caixa o que resta fazer antes que as alterações à emenda que entre outras coisas se propõe a acabar com a guerra fiscal.
No meio disso, há a extinção de qualquer renúncia fiscal, pelo que se sabe até aqui sem ressalvas, o que estabelece o fim das leis de incentivo à cultura.
Não que haja no bojo do projeto qualquer referência a isso, mas é algo automático: proibida a renúncia fiscal, não há como trabalhar com os incentivos na forma atual, que prevêem o aproveitamento das vantagens de não recolher uma parcela percentual do ICMS para aplica-lo em cultura, com a conseqüente vantagem da propaganda, da repercussão popular favorável.
O ministro Gil, que está na Europa fazendo turnê como músico, disse que não haveria problemas, pois o governo federal absorveria isso... Você acredita? É vantagem para o setor cultural cair em mãos exclusivas de quem estiver no poder?
Tema para refletir nesta segunda-feira, enquanto há tempo...
Violência em níveis insuportáveis, se é que em algum grau, ela pode ser classificada de suportável...na Região Metropolitana de Porto Alegre. O artigo de hoje está publicado no ABC DOMINGO, o grande jornal dominical do Grupo Editorial Sinos postado por walter em 06/07/03
TOLERÂNCIA ZERO
Walter Galvani
Nesses últimos dias, participei de belas e comoventes promoções, estive duas vezes em São Leopoldo, numa delas para assistir ao lançamento do Concurso Carpinejar de Conto e Poesia para os estudantes e noutra, para receber uma distinção do velho e estimado colega Ribeiro Pires, que me incluiu junto ao Vinícius Bossle, aqui da casa, e o jovem poeta Fabrício Carpinejar, na lista dos seus “Homens de Sucesso”. Foi ótimo, mas me avisaram: “Cuidado com o seu carro”. Lógico, meu automóvel estava estacionado numa das ruas centrais da cidade. Quando saí de Guaíba, onde moro, já o fiz sob o impacto da notícia de que dois bandidos fizeram vários reféns e tirotearam com a Brigada. Um deles morreu, outro saiu ferido e preso. Espero que não tenha sido solto à hora em que bato estas linhas, no sábado pela manhã, para que você as leia no ABC neste domingo.
Novo Hamburgo já começou a ter resultado favorável do sistema de vigilância por câmaras de tevê na zona central e em Canoas se pensa em adotar a mesma solução, que resolve apenas em parte, pois os ladrões agirão noutros locais, onde não houver tanto controle. Mas, vale a pena, desde que se possa arcar com o custo. O que de vidas e patrimônio se puder poupar, tem significado.
Mas, só há uma solução para combater estes que não tem receio de furtar, roubar, ferir e matar, para arrancar a força a parte que acham que tem direito do que a sociedade produz: regime de tolerância zero. Nova York, que era uma das cidades mais inseguras, fez isso e hoje é modelo para todo o mundo. Por que imitar só o que há de ruim? Vamos copiar, também, os bons exemplos. E tolerância zero , significa não aceitar nenhuma infração, delito pequeno ou grande, nada de fechar os olhos e permitir excessos. E isso vale, desde o furto até ao estacionamento irregular. Nada. É cumprir a lei, respeitar o que está estabelecido pela própria sociedade, ou punição. O sistema exige também uma Justiça atuante e destemida, eficiente e veloz, e para isso é preciso mexer na sistemática, aproveitar que agora existe informatização, investir mais e melhor na preparação e no equipamento, prestigiar as forças policiais e combater a corrupção.
Nunca chegaremos à nada, e seguramente caminharemos para o pior, enquanto nos fizermos de bonzinhos e tentarmos desculpar os crimes com o argumento das diferenças sociais. Se fosse verdadeiro este axioma das iniqüidades serem o resultado da pobreza e teríamos que aceitar a tese de que os pobres são ladrões e bandidos. O que, sabemos, é uma mentira enorme e que acoberta o crime organizado e a corrupção. Se os pobres fossem ladrões, imaginem só o que seria de nós, mas já que são eles a maioria, mas indiscutivelmente é a impunidade que estimula os que pensam que é possível roubar, seqüestrar, matar, quem sabe para drogar-se e matar mais e mais, sem nenhuma punição aqui na terra. É preciso que o bandido saiba que não precisará esperar pelo inferno dos cristãos depois da morte. A Polícia se encarregará de dar-lhe aqui mesmo a resposta.
Verão como o número de crimes diminuirá espantosamente, tal como ocorreu em Nova York.
Quanto ao campo, sim, há problemas, mas só se resolverá com o respeito às leis. Caso contrário, a violência das cidades continuará repercutindo no problema da reforma agrária, necessária sim, mas é preciso lembrar que a Justiça é que decide. Tolerância zero. Chegamos ao limite.
Esta crônica estava preparada para a edição de amanhã do ABC DOMINGO. Mas, a violência na região metropolitana de Porto Alegre e os reclamos que ouvi da população, me obrigaram a substitui-la. Leiam hoje pois o que estaria no ABC e amanhça, neste mesmo sítio, simultaneamente com a circulação do jornal terão aqui, a crônica que terá por título "Tolerância Zero" postado por Walter Galvani em 05/07/03
ANDANDO POR AÍ...
Walter Galvani
Tenho passado mais tempo na região metropolitana, no Vale do Rio dos Sinos, do que em qualquer outro ponto da terra e sempre que viajo, me lembro nos momentos de saudade e angústia, do velho “rio que imita o Reno”, no dizer ritmadamente poético e maravilhado de Viana Moog. Esta semana, no entanto, fui ainda mais “metropolitano”, não só pela constante preocupação com a leitura dos jornais do Grupo Sinos, mas por haver visitado duas vezes São Leopoldo, motivado pelos amigos Ribeiro Pires e Fabrício Carpinejar.
Fabrício me arrastou, com sua eloqüência, seu senso poético imantado no próprio corpo, quando compareci ao lançamento do Prêmio Carpinejar de Conto e Poesia, aberto aos estudantes das escolas municipais de São Leopoldo e ouvi dos promotores que a escolha do poeta se devia justamente da sua vizinhança etária com os alunos, que melhor se identificariam nele. De fato, com apenas trinta anos como se escreve hoje, com quatro livros publicados e cinco prêmios, com seu último trabalho, “A biografia de uma árvore”, escolhido como o “melhor de 2002” e destacado com o “Prêmio Olavo Bilac” da Academia Brasileira de Letras, já se pode pressentir: daqui a pouco ele será também o mais jovem integrante da própria academia.
Satisfeito em tê-lo acompanhado naquela oportunidade e mais ainda ao perceber que coincidimos e nos identificamos ao dar-nos conta da presença da poesia, que tornava o ar que se respirava naquela terça-feira na Câmara de Vereadores de São Leopoldo, encantado e mágico, representado por dois violinos que descansavam sobre uma balaustrada. Em minutos, o mistério se fez vida, quando duas meninas de menos de dez anos, arrancaram sons fantásticos daqueles dois instrumentos.
Lembrei dos meus anos de adolescência em Canoas, onde nasci, quando viajávamos para “o estrangeiro” que começava em Esteio e culminava em São Leopoldo, no restaurante “Capri” e na mais distante Novo Hamburgo, do estádio Santa Rosa e mergulhei no tempo, enquanto elogiava a efervescência cultural que, felizmente, se pode anotar por estas bandas, tanto à margem direita quanto à esquerda do rio que carrega música no nome, como assinalou Fabrício. E ali estava eu, mais uma vez, vivendo o circuito milagroso que nos viu nascer e crescer e a tantos aqueceu e fez crescer política e intelectualmente.
Quando fui fazer o meu pronunciamento alguém me pediu: “Fale sobre política.”
Eu o fiz, mas não abordando a política partidária, ou a conjuntura nacional, nem sequer a local com suas características questões municipais, mas sobre o significado de uma comunidade que é capaz de criar um prêmio que vai estimular a leitura e a escrita, coisas indissolúveis, e reciprocamente geradoras, e provocará o nascimento futuro de novos poetas como Carpinejar ou escritores como Viana Moog, Telmo Lauro Muller, Leopoldo Petry, Ruy Carlos Ostermann ou ainda Carlos Dante de Morais que, por coincidência, naquele mesmo dia deixava a vida para entrar na história, velado horas antes no mesmo local onde nos reuníramos então – o plenário da câmara.
Pena que ele se foi, mas é algo assim como passar o facho numa corrida de revezamento, conduzir o fogo simbólico, e sagrado, da crença na aventura espiritual como o caminho único. “Só a arte é eterna” – escreveu Paul Valery, justamente por que as gerações se sucedem e continuam cultuando os valores reais. Às vezes é preciso uma sacudida, um puxão de orelhas, uma lembrança. Mas esta é, como escreveu certa vez Raul Cauduro, a obrigação dos vivos.
São tantas as perdas que se produzem em nosso dia-a-dia que, infelizmente, vamos tendo que registrar os nomes dos que se vão. Mas, sempre é bom lembrar um pouco o que fizeram. Carlos Dante de Morais, político e escritor, foi prefeito de São Leopoldo, e deixou larga obra de história e resgate da sua cidade. Foi sepultado terça-feira. E ontem tivemos o sepultamento do Irmão Mainar Longhi, da congregação marista, que foi o primeiro diretor da Faculdade de Letras da PUC. Quando jovem, e espero que me leiam hoje em Moçambique e se manifestem, lá viveu. A cidade que hoje é Maputo, chamava-se então Lourenço Marques e o Irmão Mainar foi levar seu carinho, sua inteligência e sua preocupação ao jovem país que nascia depois da longa noite do totalitarismo de Salazar. Muitas de suas cartas foram divulgadas na imprensa de Porto Alegre, em forma de reportagens, narrando o que de fato se passava na antiga colônia ou "província ultramarina", como eufemisticamente era chamada, por Portugal. postado por walter em 04/07/03
Lula deve sim, conversar com o MST. E muito. O bastante, o suficiente para evitar que se produza um confronto inútil. E motivos político/partidários não justificam permitir que "o circo pegue fogo". Ainda mais levando em conta que o governador Rigotto, do Rio Grande do Sul, é chamado por Lula de "o meu sexto ministro gaúcho". Ou será por causa disso que se permite a extensão do perigoso problema transformado em passeatas e filmes de caubói? - Precisamos urgente de um poeta. Pode ser o Carpinejar, que "já nasceu velho"... postado por walter em 03/07/03
O jovem poeta que nasceu velho
Fabrício Carpinejar perde um pouco do seu cansaço ancestral a cada obra e cresce em reconhecimento. Desta vez, ele vira nome de prêmio em São Leopoldo e recebe distinção da Academia Brasileira de Letras
2/7/2003 - 09h25
O poeta tira os sapatos para desequilibrar a cena
Fabrício Carpinejar publicou quatro livros em cinco anos, mas a poesia sempre fez parte da sua vida. Terceiro de quatro filhos dos também escritores Maria Carpi e Carlos Nejar, acredita que não foi ele quem escolheu a poesia, mas ela que o escolheu. “A poesia estava tão concorrida dentro de casa que a esconderam dentro de mim”. O primeiro poema foi feito em 1979. Nesse ano, sua avó Elisa faleceu e o texto foi utilizado no convite de enterro. O poeta revela que seus pais tiveram forte influência em sua formação poética. "Minha mãe me levou mais para o lado de filosofia, meu pai para o lado épico de contar a história. Eu culminei os dois legados". Nas simples conversas caseiras, natural entre pais e filhos, já havia uma carga poética. As conversas eram carregadas de metáforas, figuras de linguagens e de pensamentos. Isso fez com que Carpinejar praticasse a poesia muito antes de publicar seu primeiro livro.
A estréia foi com As solas do Sol, publicado em 1998, aos 26 anos. A obra lhe rendeu o Prêmio Nacional Fernando Pessoa da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, no ano de 2000. Nessa mesma época veio Um terno de pássaro ao sul, escolhido como Destaque Literário da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre. O terceiro livro se chamou, talvez por referência, Terceira Sede e conquistou o Prêmio Açorianos de Literatura 2002, da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
No próximo dia 17, Carpinejar receberá um dos prêmios mais significativos da sua carreira. Oferecida pela Academia Brasileira de Letras, a distinção Olavo Bilac é concedida anualmente pelos imortais da literatura nacional. Carpinejar teve o seu quarto livro, Biografia de uma Árvore, considerado a melhor obra de poesia de 2002. A cerimônia acontecerá na sede da Academia, no Rio de Janeiro e o prêmio Olavo Bilac apresenta um diferencial. Os concorrentes não sabem que estão participando da disputa, pois seus trabalhos são indicados dentro da Academia. “Foi uma surpresa para mim. Pelo que eu conheço do prêmio, é dado a pessoas que possuem uma trajetória já consolidada. Costumo brincar que é para quem já está no final da carreira ou no final da vida”. Para ele, que está com 30 anos, essa condecoração é um grande estímulo para sua exponencial carreira, já que sua poesia consegue conversar com autores de outros tempos. “Acho que eles (membros da Academia) não se importaram com a idade do escritor, mas com a qualidade da obra. É um batismo de fogo”.
Entre os conflitos existentes na vida de qualquer pessoa, Carpinejar tem ainda mais um: o de saber conciliar a sua veia poética com o dia-a-dia do jornalista. Ele atualmente trabalha na Coordenação de Jornalismo da Diretoria de Comunicação Social e Marketing da Unisinos. Enquanto o poeta se interessa pelo irrelevante, o jornalista é muito transparente ao tentar dar uma coerência para a história. "É uma convivência litigiosa entre esses meus lados. Tudo o que não serve para o jornalista o poeta aproveita. O poeta é o revirador do lixo do jornalista". Ao fazer uma leitura do seu lado poeta, o escritor confessa que procura se alimentar das fraquezas, incertezas e dúvidas. Acredita ser extremamente cético e cínico e que, ao mesmo tempo, possui uma fé prodigiosa. "Ele nunca está pronto, nunca está concluído. Ele tenta destruir a solenidade do verso, não precisa estar num palco para ler seus poemas. Acredita que pode correr solto e livre no mínimo cotidiano”.
Ao se projetar alguns anos adiante, Carpinejar acredita que irá rejuvenescer sua poesia a cada dia. Tem certeza de que já nasceu velho e de que essa característica pode ser percebida ao longo de suas quatro obras. "É como se eu tivesse um cansaço ancestral e aos poucos fosse vencendo esse cansaço. Tanto que o meu primeiro livro era muito fechado e muito erudito e eu aprendi a errar dentro do verso. Isto me permitiu a aprender a desescrever". Um dos seus maiores desejos é perder, metaforicamente, a sua impressão digital, para que os seus leitores tenham total liberdade de pensar e interpretar o que quiserem.
Natural de Caxias do Sul, Fabrício Carpinejar já é nome de prêmio em São Leopoldo, cidade que adotou para viver. A formalização do "Prêmio Carpinejar de Literatura" ocorreu terça-feira (1º/7), em sessão solene na Câmara de Vereadores, quando também foi destacado pela conquista do prêmio Olavo Bilac. A solenidade foi prestigiada por familiares, colegas e amigos, como a mãe, Maria Carpi, a pró-reitora de Desenvolvimento da Unisinos, Emi Saft, e os escritores João Gilberto Noll, Cintia Moscovich e Walter Galvani.
Ontem à noite, em São Leopoldo, foi a vez de homenagear o jovem poeta Fabrício Carpinejar, que teve seu nome apresentado como padrinho oficial e permanente do Prêmio de Conto e Poesia para os estudantes da cidade. Hoje, em Porto Alegre, João Luiz Vargas encerra longa carreira de político, assumindo como juiz do Tribunal de Contas do Estado postado por walter em 02/07/03
JOÃO LUIZ VARGAS
Walter Galvani
Uma carreira política se encerra ou é assinalada por uma suspensão temporária hoje, com a posse do ex-deputado João Luiz Vargas no Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. Não há quem não queira abreviar ou interromper sua atividade como deputado, com esta designação, mas no caso de Vargas, uma decisão unânime dos colegas, reflete com perfeição o carinho e a admiração que o cercam.
Depois de eleito em 1990, reeleito em 94, novamente reeleito em 98 e finalmente, outra vez, em 2002, sempre com manifestações nas urnas de um crescente eleitorado, ele que já foi também prefeito em sua terra natal, alcançou, afinal, o ponto mais alto no que pode desejar um homem que se dedica à causa pública. E ao se tornar um integrante do Tribunal de Contas, mais ainda, com a demonstração de que possui qualificação suficiente e o respeito público, necessários, para exercer a função de juiz das contas públicas.
Isto é muito sério e mais ainda no Rio Grande do Sul, que, como se sabe, difere um pouco de outros lugares, no comportamento, na austeridade de vida e na severidade dos juízos.
Portanto, mais do que nunca, hoje se dará uma romaria ao gabinete do novo juiz e à sua casa, depois da posse oficial, para demonstrar-lhe o apreço de que goza no seio da sociedade gaúcha.
Hoje é dia de homenagear o poeta Fabrício Carpinejar. A cidade de São Leopoldo criou o Prêmio Carpinejar para os alunos do município. E este gesto, merece nosso aplauso e entusiasmo postado por walter em 01/07/03
CARPINEJAR VIRA NOME DE PRÊMIO
Com apenas trinta anos, o poeta Fabrício Carpinejar já é nome de prêmio. A Câmara Municipal de São Leopoldo (RS) instituiu o Prêmio Carpinejar de Literatura. O autor se torna o mais jovem gaúcho – e um dos mais jovens brasileiros - a receber essa forma de reconhecimento, que costuma ser concedido na maturidade. A votação da proposta aconteceu na noite de quinta (26/6). Proposto pelo vereador Ronaldo Nado Teixeira da Silva (PT), o projeto foi aprovado por unanimidade. Tendo o apoio da Secretaria Municipal de Educação e do Departamento de Cultura, o concurso anual vai ser destinado aos alunos das escolas de São Leopoldo, que poderão participar nos gêneros poesia e conto. O troféu busca aproximar os estudantes da literatura a partir da figura do autor. "Fica mais fácil a identificação do aluno com um poeta novo e consolidado, além de se mostrar que não é necessário um autor morrer para se fazer vivo", afirma Ronaldo Teixeira da Silva.
O prêmio será formalizado nesta terça (1º/7), às 20h, no plenário da Câmara, com uma sessão solene dedicada ao escritor. Participam do encontro uma série de escritores convidados como João Gilberto Noll, Cíntia Moscovich, Walter Galvani e Maria Carpi, que apresentam Carpinejar e dão um depoimento sobre sua trajetória. A homenagem conta ainda com a presença da pró-reitora de Desenvolvimento da Unisinos, Emi Maria Santini Saft.
Uma das justificativas para a sessão solene é também assinalar a conquista de Fabrício do Prêmio Nacional Olavo Bilac 2003, dado pela Academia Brasileira de Letras, com o livro Biografia de uma árvore (Escrituras). A premiação é a mais alta no país na categoria poesia, no valor de R$ 30 mil. Biografia de uma árvore foi considerado o melhor livro de 2002, ao lado de Todos os ventos, de Antonio Carlos Secchin, pela comissão julgadora formada por Afonso Arinos de Melo Franco, Lêdo Ivo e Antonio Olinto. A cerimônia de entrega acontecerá em 17 de julho, na sede da ABL, no Rio de Janeiro.
Com quatro livros publicados e cinco anos de literatura, Carpinejar é jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. O Prêmio Olavo Bilac é sua sétima premiação. Em 2002, recebeu o Açorianos de Poesia e o Prêmio Nacional Cecília Meireles (UBE) por Terceira Sede (Escrituras, 2001). Em 2001, Um Terno de Pássaros ao Sul (Escrituras, 2000) ganhou o Marengo D´Oro, em Gênova (Itália), Destaque Literário (júri oficial) da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre, e Açorianos de Literatura, além de ter sido objeto de referência nos The Book of the Year 2001 da Encyclopedia Britannica. Em 1999, As Solas do Sol (Bertrand Brasil, 1998) havia sido distinguido com o Fernando Pessoa (UBE), categoria Revelação e Estréia
Fabrício Carpinejar recebe amanhã o merecido destaque da terra onde mora: São Leopoldo postado por Walter Galvani em 30/06/03
PRÊMIO CARPINEJAR
DE LITERATURA
Walter Galvani
Não é todos os dias que um poeta de apenas 30 anos vira patrono de um prêmio literário. Mas, por iniciativa do vereador Ronaldo “Nado” Teixeira, professor, a Câmara de Vereadores de São Leopoldo, resolveu instituir o “Prêmio Carpinejar” para estimular os ainda mais jovens do que ele.
“Não é necessário um autor morrer para se fazer vivo” –defende o vereador e professor autor do projeto. “Além disso – explica – o destaque assim dado a um poeta novo, ajuda a fazer com que os mais jovens com isso se identifiquem”.
Amanhã, terça-feira, primeiro dia de julho, às 20 horas, na Câmara Municipal da grande cidade onde nasceu a emigração alemã em nosso estado, em meio a pronunciamentos de escritores importantes, com a presença de amigos e admiradores de Fabrício Carpinejar, terá lugar a sessão solene que entrega um troféu destaque pela premiação nacional por ele obtida, “Prêmio Olavo Bilac” da Academia Brasileira de Letras e o anúncio do concurso.
O drama da BR-116, engarrafada, cheia de acidentes e o perigo de viver numa cidade por onde cruzam cargas perigosas, constantemente postado por Walter Galvani em 29/06/03
UMA CAUSA QUE NOS UNE
Walter Galvani *
O secretário Jair Foscarini, que conhece perfeitamente os problemas da região metropolitana, estabeleceu com perfeição salomônica, as prioridades relativas à construção do Anel Rodoviário do Progresso que, explico para os que ainda não estão íntimos desta terminologia técnica, significará uma intervenção cirúrgica, com duas pontes de safena, no trânsito conturbado que temos hoje. Antes que um colapso cardíaco determine o engarrafamento total e multiplique o número de mortos e feridos em acidentes, de forma geométrica e irreversível, e nos atrase outros trinta anos. Porque, é bom que se saiba, na década de setenta, estava pronto um projeto que teria antecipado uma solução para esta BR-116 que hoje se transformou em nossa legítima “via crucis”, com uma alternativa sobre ela, uma “free-way” conectando o “lado oeste” com a saída para o Litoral.
Ora, o que hoje mais se deseja é o que estava planejado há tanto tempo e com verbas iniciais destinadas. O projeto foi esquecido em meio ao mar de discussões e indagações. Estamos diante de uma segunda oportunidade.
Será muito útil – e as futuras gerações nos agradecerão – que não se perca mais tempo com questões laterais e com interesses secundários, com vaidades ou desejos, com políticas localistas ou competições estéreis, entre administrações, partidos ou municípios.
Para tanto, o secretário foi objetivo e hábil: “começaremos pelos dois lados, pela alternativa Oeste e pela alternativa Leste, e Canoas e Cachoeirinha darão os primeiros passos, fazendo um levantamento das áreas atingidas e das necessidades de desapropriações em seus trechos. E os recursos iniciais serão destinados ao começo imediato justamente... pelos dois lados.”
No meio do emaranhado do projeto, com cristalina clareza salta uma opção: estender a 386, a chamada “Estrada da Produção” e dar-lhe conclusão, finalidade e continuidade, construindo um viaduto (obra para o governo federal) sobre a BR-116 e fazendo com que ela se prolongue até o futuro Anel, hemisfério Leste, para alcançar o “porto-seco” na capital, a zona industrial norte e a rodovia “Free-Way”, saída natural para o resto do país.
No meio disso estão os interesses pequenos e grandes da população da Região Metropolitana, de Cachoeirinha a Novo Hamburgo, de Nova Santa Rita a Campo Bom, de São Leopoldo a Dois Irmãos, e naturalmente de Canoas a Esteio, Sapucaia do Sul, Portão ou Estância Velha, enfim todos os que integram o grande anel que envolve a parte norte da zona.
O trânsito de cargas perigosas, a intensidade do tráfego, as reduções reduzidas da BR-116, a separação das coletividades, o corte das cidades, tudo isso torna aquele espinhaço que conduz oitenta por cento da produção do estado por um corredor obrigatório, um perigo à vida e à segurança de todos.
Basta examinar as estatísticas ou contemplar por alguns minutos, em qualquer hora do dia, e ver a quantos perigos se expõem os que precisam por ali transitar, para trabalhar, estudar, recolher-se às suas residências, prestar serviços, visitar amigos ou adquirir bens e serviços. Trata-se de um perigoso entrave à região e ao estado. Por muito menos se faria no século XIX uma revolução farroupilha.
* Artigo originalmente publicado no ABC DOMINGO, edição do dia 29 de junho
Já passaram mais de cinqüenta alunos pela Oficina de crônica "O vôo da gaivota", que comecei a ministrar na 48a. Feira do Livro de Porto Alegre, no ano passado. Quatro realizações, nesta sexta, dia 27, começa a 5a. edição. Isso me levará à Gramado, onde, sob a orientação do escritório de eventos da Marta Rossi, Silvia Zorzanelo e Rose, estaremos junto á Feira do Livro. O patrono da Feira do Livro de Gramado é Alcy Cheuiche, grande escritor gaúcho, que estará lançando a nova edição de "Na garupa de Chronos", seu livro de crônicas que lhe deu o Prêmio Açorianos de 2001, no gênero. Ontem, com grande sucesso, terminou a quarta edição da oficina. Foi em Canoas, junto à XIX Feira do Livro e registre-se que até o vice-prefeito da cidade, o professor Marcio Kauer, dela participou. Enquanto isso, o "site" www.waltergalvani.com.br oferece como reflexão, as datas mais importantes de 27, 28 e 29 de junho postado por Walter Galvani em 26/06/03
DIA 27
1880 – Nasce a escritora Helen Keller, nos Estados Unidos
1462 – Luís XII, futuro rei de França, nasce
1571 –Morre Giorgio Vasari, historiador de arte e pintor italiano
1771 – Rússia conclui a conquista da Criméia
1801 – Cairo, Egito, rende-se às forças inglesas
1880 – Nasce Helen Keller, professora e escritora norte-americana
1908 – Nasce o escritor brasileiro João Guimarães Rosa
1932 – É proclamada a constituição da Tailândia que muda de Sião para Tailândia o seu nome
1939 – No Rio Grande do Sul,. decreto estadual emancipa Canoas, que até então era distrito de Gravataí
1940 – Invasão russa da Romênia, quando o rei Carlos II recusa ceder a Bessarábia e a Bucovina
1941 – A Hungria declara guerra à Rússia
1944 – Os aliados tomam Cherburgo na França
1980 – Morre o xá Rehza Palehvi, do Iran
2001 – Morre o ator americano Jack Lemmon
Dia 28
Dia Mundial do Diabetes
Dia de Santo Irineu, beato e mártir
767 – Morre Paulo I, papa
1519 – Carlos I, de Espanha, Sicília e Sardenha é eleito imperador do Sacro Império Romano Germânico sob o nome de Carlos V
1712 – Nasce Jean Jacques Rousseau
1867 – Nasce Luigi Pirandello, escritor italiano
1914 – Assassinato em Sarajevo, do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria, o que ocasionou a I Guerra Mundial
1919 – Assinatura do Tratado de Versalhes – As pesadas indenizações impostas à Alemanha, geraram uma parte do apoio a Hitler e portanto a II Guerra Mundial
1948 – Expulsão da Iugoslávia do Komintern por hostilização à Moscou
1950 – Forças da Coréia do Norte tomam Seul
Dia 29
Dia de São Pedro e São Paulo. Dia nacional das ilhas Seichelles. Dia do Papa. Dia da Telefonista. Dia dos Pescadores
1577 – Nasce o pintor inglês Peter Paul Rubens
1798 – Nasce o poeta italiano Giacomo Leopardi
1847 – Em Portugal, tratado põe fim à Guerra da Patuléia
1868 – Nasce o astrônomo americano George Ellery Hale
1880 – A França anexa o Taiti
1900 – Nasce o aviador e escritor francês Antoine de Saint Exupéry
1940 – Morre o pintor suíço Paul Klee
1941 – Morre o compositor e pianista Ignácio Paderewski
1967 – Morre a atriz americana Jayne Mansfield
1997 – Celebração da primeira missa solene em Cuba, após 35 anos de clandestinidade da igreja católica
2002 – Turquia, 3 x Coréia do Sul, 2, na decisão do 3O lugar na Copa do Mundo
Esta é a Semana de Canoas. Nada mau para quem tem apenas 64 anos. postado por walter em 25/06/03
A ESCOLHA DE CANOAS
Walter Galvani*
Esta cidade é uma construção. Dos que primeiro a escolheram para fixar suas quintas de lazer, dos que decidiram estabelecer a primeira fábrica de canoas, dos que criaram a indústria de móveis, dos que trouxeram a opção pelo “design” com as cadeirinhas de palha, dos que chegaram com as primeiras funilarias, com os tijolos e telhas, com os ventiladores, os aparelhos de ar condicionado, os tratores, os automóveis e enfim com toda a sofisticada indústria moderna de equipamentos eletrônicos, interruptores, transportes especiais. Também das primeiras farmácias, do primeiro cinema, dos primeiros jornais, hoje dos semanários e diários, das rádios e também dos primeiros estabelecimentos de ensino e hoje das universidades.
Da meia dúzia de habitantes do final do século XIX aos quase 400 mil de hoje. Dos intelectuais que aqui se refugiaram e dos que fugiram daqui...
Enfim, Canoas não é de ninguém. Mas é de todos. Dos que aqui nasceram e dos que para cá vieram.
E é entre esses todos que temos que fazer as escolhas para nossa representação política. Ao longo do tempo tem-se dito que tal massa populacional e um contingente eleitoral proporcional que a torna a mais importante cidade do interior, no entanto não lhe dá a representatividade adequada.
Pois esta é a hora de apresentar nosso reconhecimento. Durante os próximos dias e até o início de outubro teremos oportunidade de assistir ao desfile dos candidatos nos meios eletrônicos apresentando suas propostas e currículos. Escolheremos cuidadosamente. Mas, em nosso caso particular, como cidadãos canoenses, decidiremos por aqueles que poderão melhor nos representar, por conhecerem nossos problemas e saberem de nossas possibilidades.
A cidade tem mostrado, ao longo do tempo, sua capacidade de realização em todos os setores. Do esporte à sociedade, da indústria ao comércio, das artes aos serviços.
No ano passado tivemos a criação de uma galeria de arte que tem a assinatura do empresário Darwin Longoni, diretor também da Iriel, a empresa produtora de interruptores que detém um quarto do mercado brasileiro do ramo e em luta com multinacionais. Foi a oportunidade que tem permitido reunir em nossa cidade, nomes como Xico Stockinger, Gustavo Nakle, Danúbio Rodrigues e outros intelectuais e jornalistas expressivos que aqui estiveram. Vejam que o empresário Longoni, por seu turno descendente de ilustre família que teve em seu tronco Jacob Longoni, político de primeira e sendo ele próprio um ex-presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços. Nesse caso específico, lembrou-se ele de associar o nome da cidade ao título de sua galeria: Arte Canoas.
Por todas essas razões, entendo que é preciso ser fiel aos interesses do município principalmente na hora de decidir o voto. Se é verdade que a ele estamos ligados por escolha ou por acidente geográfico, também é certo que pretendemos o melhor. E para isso comprometemos nosso nome e nosso passado e futuro. Em nome de uma coisa inexplicável para muitos: da força que nasce da terra, do trabalho dos nossos antepassados e do orgulho que nos transmite esta força telúrica.
Então, na hora do aniversário da cidade, lá estou dando a minha contribuição com a minha oficina de crônica, mas acho que mais importante do que “o vôo da gaivota” é estar com os canoenses. E, nesse sentido, muito me orgulha no momento haver um vice-prefeito como Márcio Kauer, que é capaz de trabalhar e ouvir com paciência as reivindicações dos seus concidadãos.
Uma peça teatral dos anos sessenta, no Rio, tinha por título: "Greta Garbo, quem diria? - acabou no Irajá..." postado por walter em 24/06/03
A ALCA VEM AÍ
COM AS BÊNÇÃOS
DO PT E DE LULA...
Walter Galvani
Ora, convenhamos! O PT assume o governo, Lula vai aos Estados Unidos e dá tapinhas nas costas de Bush, ao invés de um encontrão! Assina a adesão do Brasil, em cinco anos, ao projeto da ALCA, ou seja a associação latino-americana de livre comércio que dará o tiro de misericórdia no Mercosul ou o transformará num mero instrumento auxiliar...
Pois é. Luciana Genro, Heloisa Helena, João Fontes e os demais dissidentes do PT, prometem a criação de um novo partido, à esquerda do PT. E tem mais: o PT não é mais o PT que se imaginou, Lula está longe do Lula que foi eleito, a realidade trombou com os sonhos do Partido dos Trabalhadores, que agora já é o velho partido...
Os Estados Unidos, um império, como todo império, está disposto a manter a sua “pax romana” dentro e fora dos seus territórios, cobrando as taxas e a cooperação. É como nos filmes americanos: ou você paga a taxa de proteção ou cai fora.
Portanto, nada de novo, tudo continua como antes no quartel de Abrantes e preparem seus corações! Vem aí, Luciana Genro, a bomba atômica criada no recesso do lar do ministro Tarso Genro, para abalar as estruturas. Vai ser prefeita de Porto Alegre.
Se não fosse pelo incômodo ao cadáver de Machado de Assis, eu terminaria esta crônica escrevendo: “Mudaria o Natal ou mudei eu?”
A propósito de crônica, começo hoje em Canoas, na Praça do Avião, num dos módulos integrantes da XIX Feira do Livro de Canoas, minha Oficina de Crônica “O vôo da gaivota” que no final de semana estará em Gramado e em agosto em Passo Fundo, na Jornada Nacional de Literatura, conforme noticía hoje o Correio do Povo.
A oficina de hoje começa às 4 da tarde.
Inscrições gratuitas para 20 pessoas, presente da prefeitura da minha terra natal.
Nesta manhã de segunda-feira foi inaugurada a Feira do Livro de Canoas, cidade de 306.000 habitantes, a segunda maior cidadae do Rio Grande do Sul em valores do PIB e a trerceira em população postado por walter em 23/06/03
OFICINA DE CRÔNICA
EM CANOAS
Terça, quarta e quinta, junto à Feira do Livro de Canoas, o jornalista e escritor Walter Galvani ministra a quarta edição da oficina de crônica “O vôo da gaivota”, cujo título se baseia na sua definição do ofício de cronista: “É como o vôo da gaivota, rente às ondas até o ponto e a hora de fisgar o peixe. E então vem o difícil: voar mais e mais sem deixá-lo cair.”
A oficina já foi ministrada em três cidades, ultrapassando o número de cinqüenta alunos participantes.
O curso é dividido em três módulos, das 15 às 18 horas, e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 428.4757 Junto com o curso é distribuída uma apostila com a apresentação didática do tema. No final da semana a oficina estará em Gramado, também junto à Feira do Livro.
O vôo da gaivota em Canoas, terça, quarta e quinta e sexta e sábado em Gramado postado por walter em 22/06/03
COMO COMBATER A VIOLÊNCIA
Walter Galvani *
Estou curioso para ver como reagem, os participantes das duas oficinas de crônica que vou realizar esta semana, a primeira em Canoas a partir de terça-feira e a outra sexta e sábado em Gramado, diante da questão da violência. Pode ser o “tema de casa” e certamente o será, se obedecermos aquilo que determina o título do treinamento, “O vôo da gaivota”, que ensina, através de sua metáfora, como é feita a escolha do tema de uma crônica: “Ofício de cronista é como o vôo da gaivota, rente às ondas até o ponto e a hora de fisgar o peixe. E então vem o difícil: voar mais e mais sem deixá-lo cair.”
Como fugir hoje, portanto, ao tema da violência? Não que ela pareça ter aumentado nos últimos dias, mas pelo fato de haver atingido diretamente o filho do presidente da república, e daí a sua repercussão. Já nos últimos tempos vínhamos assistindo atentados contra carros da segurança de ministros e governadores, explicando-se que, na verdade, o alvo era o automóvel Omega blindado, dispondo de bom motor e proteção contra tiros. E eis que o PT, partido tradicionalmente preocupado em defender os direitos humanos de todos, inclusive dos criminosos, temendo sempre pela injustiça das ações policiais, manifestando-se contra a violência que gera a violência, através do seu fundador e presidente da república, reage de forma bem diferente dos tempos em que era oposição: “Esse episódio reforça a decisão deste governo de dar combate à violência, seja em suas raízes estruturais, seja em sua manifestação cotidiana, que leva a intranqüilidade a todos os cidadãos brasileiros.” O presidente “manifestou a sua dor pelo falecimento do subtenente que fazia a segurança do seu filho”.
Na certa nestes últimos dias, muitas famílias estarão apoiando a manifestação do presidente, pois se poderia dizer que seriam hoje sem conta os que sofreram a humilhação, a dor e a desgraça de perderem entes queridos ou sofrerem na própria pele a ação desses bandidos.
Na verdade, somos apenas números na estatística no crime. Todos estamos expostos e não há diferenciação de raça, religião ou situação sócio-econômica, todos podem ser alvo e o são, se, num momento dado, por ação ou não de drogas, um criminoso, em geral armado pela facilidade e pela impunidade, resolve agir na escuridão das ruas de nossas cidades ou em dia claro, diante de multidões. Ou no campo, diante do mudo testemunho dos animais. Não há mais escolha. O que falta é farda na paisagem, mas se sabe que é impossível fazer o policiamento de todas as ruas, de todas as cidades, a todas as horas do dia e da noite.
É preciso buscar os exemplos no exterior e nesse caso Nova York desponta como o paradigma indiscutível, pelo seu porte e significado e pela diminuição drástica que conseguiu fazer na área do crime contra a pessoa e contra a propriedade. E como alcançou este êxito? Foi adotando a posição da “Tolerância Zero” para os pequenos delitos e daí, automaticamente, para os médios e grandes. Os policiais de Nova York agem agora com mais severidade do que os franceses, holandeses, ingleses, europeus de um modo geral que são por vezes até truculentos em suas ações. Os brasileiros nem suspeitam do que são capazes os policiais de países da União Européia.
Pois é, gente. Inscrevam-se para fazermos juntos “O vôo da gaivota”, em Canoas pelo telefone 428.4657 e em Gramado, pelo (54) 286.33.13, e pelo menos exteriorizar por escrito, seu apoio a medidas que ponham um fim neste descalabro que compromete nosso presente e nosso futuro.
* artigo originalmente publicado no ABC DOMINGO, jornal que circula na região metropolitana de Porto Alegre, na edição de hoje, 22 de junho de 2003
Oficina de crônica "O vôo da gaivota" em Canoas e Gramado nesta próxima semana postado por walter em 21/06/03
DIA DE GRANDES ESCRITORES
Walter Galvani
O dia hoje, aqui em Porto Alegre, cidade-sede do Fórum Social Mundial (lembram?) é dia de apresentar as felicitações ao escritor Luiz Antônio de Assis Brasil, que, por coincidência não de todo de ignorar, pensando-se em termos de influência astral, nasceu no mesmo dia que Machado de Assis, este em 1839, Jean Paul Sartre, em 1909 e Françoise Sagan, em 1935.
Trabalhador infatigável, dono de uma obra solidamente construída, sendo seu mais recente trabalho “O pintor de retratos”, L. A . de Assis Brasil, descendente de importante família sulina, chama-se Luiz por ter nascido num 21 de junho, dia de São Luiz Gonzaga e Antônio, por ser este o mês de Santo Antônio, portanto uma referência que aponta com precisão para suas origens luso-brasileiras.
Precisão da linguagem, trabalho de ourives no aperfeiçoamento da oração, capacidade de criar e contar uma história com paixão, Assis é o autor de vários livros vertidos para o cinema, como seu magnífico trabalho de romance histórico sobre o episódio dos Mucker, que virou “A paixão de Jacobina” no filme e o próximo, que está chegando aí, “Concerto campestre”, uma vigorosa história de um músico baiano que se fixou no interior do Rio Grande no século XIX.
Machado de Assis é apontado como “gênio” por Harold Bloom e tido por este notável crítico americano como o maior romancista de toda a América no século dezenove.
Quando nos referimos a Machado, morto no início do século passado, costumamos dizer: “Ele está escrevendo cada vez melhor!”
Jean Paul Sartre, o criador do Existencialismo, autor de livros fundamentais para nossa cultura, como “O ser e o nada” ou importantes criações como “O muro” e “A prostituta respeitosa”, é um marco da literatura francesa cuja influência sempre festejamos. Aliás, sempre lamentamos que o Brasil tenha se afastado do modelo francês...
Françoise Sagan surpreendeu o mundo com seu “Um certo sorriso”, logo seguido por “Bom dia, tristeza”, ainda vive e festeja até hoje o sucesso de então... Lamenta-se que nos anos mais recentes ela não tenha produzido nada, afinal ainda é relativamente jovem, completa hoje 68 anos.
Quem sabe não esteja, trabalhando em silêncio, produzir a obra máxima de sua vida.
Quanto a Luiz Antônio de Assis Brasil está retornando da França e Espanha, onde acompanhou lançamento de seus livros, vertidos para o francês e o espanhol e acompanhou o evento sobre Porto Alegre que repete em terras européias o sucesso desta capital meridional.
De minha parte, sigo os passos do mestre. Enquanto ele promove a mais bem sucedida Oficina de Criação Literária na PUC/RS, inventei “O vôo da gaivota”, especializada em crônicas e em dois práticos módulos convertida em “curso intensivo”.
Esta semana estarei ministrando a quarta edição dela junto a Feira do Livro que acontece no centro da cidade, na terça, quarta e quinta-feira, das 15 às 18 horas, podendo ser feitas inscrições através do telefone 428.4757.
E na sexta-feira e sábado, próximos, estarei em Gramado, levando ao ar a quinta edição da oficina, também junto a Feira do Livro, na rua coberta, rua Madre Ana, na sexta-feira, das 19h30min às 22h30min e no sábado à tarde, completando o ciclo.
Informações e inscrições pelo telefone 054.286.33.13.
Na França, modelo que, infelizmente, abandonamos, há uma ressalva automática em favor da Cultura, em todos os atos e fatos que atinjam ou significam restrições orçamentárias postado por walter em 19/06/03
ESPERANDO NA JANELA, AI, AI...
Walter Galvani
Fui dos que bateram palmas à indicação de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura e também dos que defenderam o seu direito de continuar a fazer apresentações musicais, uma vez que a atividade pública não deve cercear os direitos do cidadão, limitá-los, a não ser nos casos previstos em lei. Portanto, eu tenho o direito de contratar o cantor Gilberto Gil e pagar-lhe pelo espetáculo, como também tenho o direito de não chamar publicamente de “show”, uma apresentação, que tem o correspondente em português... Também tenho o direito de criticar Gilberto Gil quando for o caso, tanto como cantor, como ministro e também como um compatriota ou até mesmo se ele fosse natural de outro país, de uma Bahia independente, ou de um Rio Grande República de Piratini...
Não posso aceitar, portanto, três coisas:
Primeiro, que ele venha aqui e diga (está no “Correio do Povo” de hoje, primeira página, e até agora não foi desmentido) que “chorou ao lembrar-se que comia charque saído dos portos gaúchos”. Provavelmente choraria mais ainda se fosse no século XIX, quando mais charque saía daqui e nosso produto perdeu o mercado nacional por ter sido taxado para favorecer as importações do Uruguai e da Argentina. Conheça, portanto, senhor ministro, algumas das razões da Revolução Farroupilha. E chore.
Segundo, que chore mais ainda por ter chamado Porto Alegre de “cidade litorânea” (também está no “Correio do Povo” de hoje, edição de 19 de junho de 2003, página 20) quando Litoral, está escrito no Houaiss é “faixa de terra emersa à beira-mar, costa e vocábulo em oposição a interior, hinterlândia”, que é o caso de Porto Alegre que, por enquanto está à beira de um lago, embora se tenha aprendido durante anos que o Guaíba era um rio, dou a mão à palmatória; mas se é lago, não é mar... a menos que a estética ou a ética modernas resolvam mudar a situação. Portanto, a capital do Rio Grande do Sul não está no Litoral, mas sim, é uma cidade mediterrânea, no meio das terras.
Terceiro, que continue chorando também enquanto “esperamos na janela, ai, ai...” pela concretização de promessas, pois a Reforma Tributária propõe a proibição de qualquer renúncia fiscal, e com isso inviabilizará o atual sistema de Lei de Incentivo à Cultura. Logo, se o governo federal promete repassar o montante de 28 milhões, que este ano seriam franqueados aos grandes patrocinadores e produtores culturais para a realização de eventos que vão desde a Fenadoce até o Prêmio de Cinema, das humildes festas de colonos às pujantes Bienais do Mercosul, queremos ver primeiro o preto no branco. Estar estabelecido como promessa não quer dizer nada. É preciso acontecer a execução oficial do orçamento. Antes disso, não se pode assinalar a liberação de recursos. Ou seja: orçamento proposto, aprovado, ainda não significa que venha a ser executado. Quem nos dará esta certeza?
Acho que quem vai acabar chorando, “na janela, ai, ai”, seremos nós mesmos.
Melhor será aprovar a emenda à proposta de reforma estabelecendo a ressalva para as leis estaduais ou municipais de incentivo à cultura. É só mexer nos artigos 55 e 192, como propõem as entidades culturais mineiras, as quais se somam hoje instituições, entidades e pessoas de todos os quadrantes. É claro que isto escapa, na verdade, ao âmbito do ministro, ou ao seu poder relativo. Na reunião do dia 17 no Teatro da Cidade, em Belo Horizonte, esteve presente o relator no Congresso Nacional do projeto de Reforma Tributária, deputado Virgílio Guimarães, e devemos, portanto, incorporar nossas manifestações às que já se produzem há dois dias, fazendo chegar aos nossos representantes federais antes do dia 26, nossa incorporação à proposição de mudança.
Quanto a comer charque não é motivo de choro. Ao contrário, muito pior é não ter charque, nem nada para comer...
Chorar pela saudade, é muito bonito, emotivo, emocional, mas as lágrimas que correm dos olhos ministeriais podem não comover quem está esperando manifestações mais concretas.
Cuidado, muito cuidado! No bojo da Reforma Tributária, vem um míssil contra a Cultura, uma proposta de retrocesso e subordinação da liberdade de expressão postado por Walter Galvani em 18/06/03
INCENTIVOS E A MANÍA
DA TERRA ARRASADA
Walter Galvani
No bojo da Reforma Tributária navega uma bomba atômica que vai destruir o que já se fez e tudo o que está armazenado em matéria de apoio à cultura, no Brasil. Proibindo aos estados fazerem qualquer tipo de renúncia fiscal e não estabelecida a ressalva para as leis de incentivo, o pouco que se destina hoje ao apoio às atividades culturais no país, irá para o espaço, arrastado pela proibição geral. Já se teve, recentemente, o episódio da desgraça do Cinema, desde o desmantelamento da Embrafilme pelo então presidente Collor. Levou anos o setor da chamada Sétima Arte para se recompor e no entanto, nem bem solidificado está e já levará um segundo rojão, desta vez alojado numa autêntica ogiva nuclear que por certo colocará por terra o que foi feito.
Já nem falo do balé, primo-pobre das artes cênicas ou de outras atividades, como a literatura que, a despeito das ações das grandes editoras, sobrevive pelos subsídios da própria população e dos autores, pois não é mais raridade o caso dos que pagam as próprias edições, coquetéis de lançamento, sessões de autógrafo e ainda precisam correr atrás dos seus livros para fazer uma distribuição razoável, que não existe na maioria dos casos.
Há penúria, na verdade, em todos os setores, na música, na literatura, no cinema, no teatro, no balé, no folclore, na música popular, no teatro de rua, no teatro de bonecos, na gravura, na escultura, na pintura, bem como no vídeo, no cinema de arte, na televisão independente, enfim em todos os ramos da criação artística. Há dinheiro sobrando, isso sim, para os grandes conglomerados de televisão, para os mais fortes. O dever do governo é, justamente, proteger os mais fracos.
O mecanismo das leis de incentivo à cultura, depois da correção de rumos sobre a extinta Lei Sarney, vinha funcionando muito bem, até aqui com a Lei Rouanet, com o sistema LIC e com a Funproarte. Todos os três meios devem e precisam ser aperfeiçoados para corrigir as distorções que nasceram e cresceram neste período de vigência, mas a extinção, pura e simples, só pode levar a um desastre.
Ninguém duvida da necessidade da reforma tributária, desde que de fato seja feita com a extensão e a profundidade que a sociedade brasileira está a exigir, mas também é preciso que se tenha cautela, inteligência, eu diria até, a velha prudência, uma virtude sepultada talvez com as civilizações antigas. Ser afoito e agir sob influência emocional, tornou-se hoje método. Não é o caminho.
Mas, também não se pode deixar passar em branco a oportunidade da reforma e nem se pode permitir que se aplique, mais uma vez, a política de terra arrasada, costume típico de países jovens, sem memória, sem sabedoria.
É a hora de mudar, mas mudar com inteligência, atributo que não parece muito em voga nos dias que correm...
E por favor: nunca mais falem em contrapartida, nem para Fome Zero, nem para governos ou instituições privadas, porque com meia dúzia de quilos de arroz e pacotes de entradas de cinema ou teatro, não se compram convicções, liberdade de criação e independência política.
Hoje falo sobre uma empresa que praticamente vi nascer e completa 20 anos neste dia. A Urano é uma gloriosa realidade que derrotou, no caminho, todas as dificuldades e problemas de uma economia difícil como a brasileira postado por walter em 17/06/03
URANO, 20 ANOS
Walter Galvani
Quem recebe os parabéns hoje é o empresário canoense Zenon Leite Neto, pelos 20 anos de atividade da Urano Indústria de Balanças e Equipamentos Eletrônicos Ltda. e tenho certeza de que ele concorda comigo, que praticamente vi nascer a empresa, numa pequena casa alugada e hoje ocupa belíssimas instalações próprias, várias filiais pelo país, representantes em todo o território nacional e uma invejável posição no mercado, que este foi um sonho que se cristalizou na mais pura realidade.
Ele, ainda jovem, e outros companheiros de formatura, oriundos do primeiro emprego e com o diploma na mão, ousaram criar, afrontar as dificuldades da nossa economia e aceitaram o desafio.
Nesses vinte anos, a Urano viu de tudo. Mudanças de moeda, corrida inflacionária, abertura do comércio, reserva de mercado, competição, enquanto Zenon vivia a sua própria saga pessoal, com as vicissitudes que atingem as pessoas humanas, afrontando com a viseira erguida e a disposição para o trabalho todos os obstáculos.
Hoje um empresário plenamente realizado, ocupando posições de destaque que denotam sua dedicação à comunidade, como a integração na diretoria do SIMECAN (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canoas e Nova Santa Rita), como presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, como dirigente das entidades dos fabricantes de balanças e equipamentos eletrônicos, enfim com um perfil perfeitamente definido de homem de negócios ativo e dinâmico, Zenon vibra com o crescimento da sua Urano.
Nome de grande respeito no setor, com predomínio indiscutível entre os que cultuam a qualidade, a eficiência e a dedicação, o nome de Zenon se confunde com a Urano e os dois brilham neste momento excepcional.
Canoas, por seu turno, 300 mil habitantes e um enorme parque industrial, orgulha-se, não por acaso, da sua situação e do brilho da pequena empresa que prosperou saindo do nada e das pranchetas dos seus idealizadores para se transformar na importante aniversariante de hoje.
Nesta quarta-feira o Mercosul tenta mais uma vez encontrar seu caminho postado por walter em 16/06/03
PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO
POLÍTICO E ECONÕMICO
Walter Galvani
Pela vigésima quarta vez reunir-se-ão os chefes de estado dos países do Mercosul, desta vez em Assunção, capital paraguaia, a mesma cidade que os mesmos sócios de hoje sitiaram e esmagaram no século XIX, na chamada Guerra do Paraguai.
Cinismo aparte, o processo que o pequeno país mediterrâneo iniciou então é o que pretendem hoje, todos juntos. Na época, a libertação econômica visava livrar-se dos próprios vizinhos e de uma potência externa, a Inglaterra. Hoje, unidos, os antigos inimigos unem-se e lutam contra uma “potência externa”: os Estados Unidos.
Em resumo, mudam as moscas, mas o monturo continua o mesmo...
O objetivo é fortificar-se para enfrentar um amigo-inimigo forte demais, cuja proximidade é um risco. E como o mundo globalizado de hoje abre frentes ao mesmo tempo que inaugura avenidas descomunais de penetração estrangeira, a coisa fica muito difícil.
Um produto interno bruto de mais de um trilhão de dólares e um mercado potencial de mais de 200 milhões de habitantes é tão suculento e apetecível que, é natural que os dominadores não queiram abrir mão do queijo.
Tome-se nota: será mais uma reunião, mais um passo numa luta que tão cedo não cessará. Em seguida virá o contra-ataque da ALCA, que tem por trás de si, o grande poderio econômico do irmão maior, lá do norte...
O caminho melhor seria começar pela raiz. Claro, como propôs Lula, criando um Parlamento do Mercosul, que, refletindo o pensamento das populações poderá ter mais força do que só o interesse econômico, este, como sempre será, ao sabor do valor do dólar e das conveniências dos que estão no mercado.
15 de junho de 1520, uma data que mudou a História da Europa e do mundo postado por walter em 15/06/03
A excomunhão de Lutero
Walter Galvani
Este é um tema poucas vezes tratado, nos tempos modernos. Pensando bem, por que os jovens de hoje iriam se interessar pela Excomunhão - se é que ainda se sabe o que significa este termo - de um obscuro monge alemão chamado Lutero, no ano de 1520 ? E, no entanto, se ao menos um instante se dedicassem ao estudo da História, dar-se-iam conta da importância para a Humanidade, de uma tão aparentemente distante e humilde ocorrência.
Foi o Papa Leão X que assinou a bula “Exsurge”, através da qual expurgou das fileiras da Igreja Cristã, até então uma e universal, o tal padre que se rebelou contra as normas vigentes e expôs à porta de sua igreja em Wittemberg, 95 teses contra os novos “vendilhões do tempo”. Ele se opunha, sobretudo aos vendedores de indulgências, rendoso negócio que assegurava bens temporais à Igreja Católica. De 31 de outubro de 1517 até o dia 15 de junho de 1520, três árduos anos de combate, Lutero ouviu as reações, amargas, dos que se julgavam atingidos pelo seu purismo religioso. E finalmente, Roma, sensibilizada pela ameaça de perdas financeiras imensas, enviou-lhe a bula que ele queimou diante dos seus paroquianos, em 1520, a carta em que ele era convidado a retratar-se. Manteve-se fiel aos seus princípios e foi convidado a retirar-se do império alemão pela Dieta de Worms, em 1521. Permaneceu, no entanto, refugiado durante dez meses em Wartburg, quando então aproveitou para traduzir a Bíblia para o alemão, sem a interferência dos membros da cúpula do Vaticano, que impunham o texto único como referência para os católicos. Como o faz até hoje a Igreja que só concede o “Imprimatur” num texto aprovado.
O gesto de traduzir a Bíblia para o alemão, ao mesmo tempo em que a popularizava ainda mais, legitimava a possibilidade da interpretação pessoal dos seus ensinamentos. O livro, o Livro como L maiúsculo como é conhecido durante séculos, já estava ao alcance do povo, graças à impressão com tipos móveis que Guttenberg inventara, e com eles imprimira a célebre “Bíblia das 48 linhas”, por página naturalmente, em torno de 1448, na Mogúncia. Mas em latim.
Com a invenção da Imprensa e dos tipos móveis, com a afirmação de liberdade individual, aí tínhamos duas enormes e decisivas contribuições do que chamamos hoje de Alemanha, mas de todos aqueles povos da Europa Central, sucessores do Sacro Império Romano-Germânico do Ocidente, que se caracterizavam em plena Renascença pela intensa atividade intelectual e por alguma liberdade política.
O feito de Lutero foi tamanho que menos de um século mais tarde a região estava dividida em Norte luterano e Sul católico e envolvida numa guerra religiosa.
Modernamente tem ocorrido tentativas de fusão entre as duas igrejas, até com o objetivo de evitar o crescimento de outras doutrinas, mas permanecem alguma questões básicas e entre elas o celibato sacerdotal.
Lutero casou-se em 1525. Por outro lado, pontos básicos da sua doutrina estão estabelecidos em dois documentos: “A confissão de Augsburgo”, de 1530 e “Artigos de Esmalcalda”, de 1537, que assinou junto com Melanchton.
Chegamos a 2003, portanto 483 anos passados, e o que separou o cristianismo em dois, parece ainda estar de pé, enquanto a figura de Lutero, cresceu nestes quase cinco séculos, alcançando uma estatura inimaginável para a sua época.
De vez em quando, e a ocorrência de uma data comemorativa é a mais simples e prática oportunidade, para passar a limpo a História e separar os resultados positivos. As duas guerras mundiais do Século XX ajudaram a manchar a imagem da Alemanha perante os demais povos, mas é bom não esquecer que a sua contribuição científica, artística, filosófica, e inclusive religiosa, é enorme e vem de longa data.
Podemos, por um momento, esquecer os erros do Nazismo, aliás, há uma pesquisa moderna dizendo que apenas 17% do povo alemão o apoiou e esquecer a propaganda de guerra e pós-guerra, sobretudo através do cinema norte-americano.
Depois de Porto Alegre, Canoas e Guaíba, a Oficina de Crônica de Walter Galvani chega a Gramado. postado por Walter Galvani em 14/06/03
OFICINA DE CRÔNICA
‘O VÔO DA GAIVOTA”
EM GRAMADO, PARA
VENCER O ESTRESSE
Nova edição de “O vôo da gaivota”, oficina de crônica, abordando os aspectos jornalísticos e literários, em carga horária intensiva, acontecerá em Gramado, no final deste mês, dentro da programação da Feira do Livro, cujo patrono, aliás, será um mestre do gênero, o escritor Alcy Cheuiche.
A oficina será nos dias 27 e 28 de junho, a primeira sessão à noite de sexta e o encerramento durante o sábado.
Para informações, ligue (54) 286.33.13.
Leia agora:
A corrida do dia-a-dia, a multiplicação dos meios de comunicação, o bombardeio da informação sem hierarquia e a globalização criam um estresse desestabilizador. O ser humano busca apoios e recursos, instrumentos e orientação para manter seu equilíbrio psíquico e encontrar os caminhos para o desenvolvimento individual.
Comunicar-se, expressar-se, transmitir seu pensamento, suas sensações, seus sentimentos, passou a ser uma prioridade para os que vivem confinados em suas frágeis estruturas.
Para criar um instrumento de comunicação que permita alcançar patamares de eficácia adequados, foi estabelecida a Oficina de Crônica “O vôo da gaivota”, cuja compreensão começa na justificativa do próprio título: “Ofício de cronista é como o vôo da gaivota, rente às ondas, até o ponto e a hora de fisgar o peixe; e então voar mais e mais sem deixá-lo cair.”
Trata-se de uma experiência intensiva de desenvolvimento da criatividade e qualificação para a leitura e produção de textos que congrega grupos heterogêneos, sem discriminação de idade, formação ou trajetória profissional.
Nas edições anteriores da Oficina, estiveram inscritos donas-de-casa, poetas, escritores, jornalistas, estudantes, técnicos , enfim gente de todas os ramos de atividade, sexo e idade.
O PROGRAMA
Dividido em duas sessões, ofertando uma carga horária total de 6 horas, a Oficina de Crônica “O vôo da gaivota” é ministrada pelo escritor e jornalista Walter Galvani que acumula uma experiência de 49 anos, tendo iniciado sua carreira profissional em 1954.
O programa é assim dividido:
Apresentação do Tema
Justificativa do Título
Definições de Crônica
Exemplos
Espaços a conquistar
Concursos e premiações
Informação de oportunidades
Preparação de textos
Exercícios
Exame de textos
Investigação de assuntos
Oportunidades
Análise final
O MINISTRANTE
Walter Galvani nasceu em 1934 em Canoas, onde fez seus estudos elementares no colégio La Salle e estreou no jornalismo em sua terra natal, ajudando a fundar o jornal “Expressão” em 1954. Já no ano seguinte, transferiu-se para o “Correio do Povo” em Porto Alegre, onde iniciou uma longa carreira, atuando em todos os veículos de comunicação da Empresa Jornalística Caldas Júnior, passando pelo próprio Correio, pela Folha da Tarde, Folha Esportiva, Folha da Manhã e Rádio Guaíba. Atuou também na Rádio Gaúcha e na Rádio Pampa, bem como na velha Revista do Globo, sendo colaborador de outros órgãos de imprensa do Rio Grande e de fora, como “Clarin”, de Buenos Aires, revista “Tópicos”, de Berlim, “Aurora”, da Associação dos Magistrados do Brasil e “Cadernos Literários”, da Associação dos Magistrados do Rio Grande do Sul, além de escrever permanentemente nos jornais “ABC DOMINGO” e “Diário de Canoas”, ambos do Grupo Editorial Sinos, “A Razão” de Santa Maria e outros veículos, como a revista da Academia Riograndense de Letras, onde ocupa a Cadeira de número 25.
Em 1967 foi nomeado secretário de redação da Folha da Tarde, tendo desenvolvido intenso trabalho de renovação dos quadros da Empresa Jornalística Caldas Júnior e especificamente da Folha da Tarde. Permaneceu naquele jornal até 1971, transferindo-se então para o Correio do Povo. Foi assessor de imprensa do governo do estado em 1975, tendo no mesmo ano chefiado a redação da Folha da Manhã, permanecendo neste cargo até 1980, quando foi ser subsecretário e editor especial do Correio do Povo. Em 81, passou a diretor de redação da Folha da Tarde.
Ganhador de vários prêmios ARI e de outras entidades por sua atuação jornalística e literária, possui títulos e comendas, do Ministério da Aeronáutica (Ordem do Mérito Santos Dumont), da prefeitura de Gramado (RS) e de Veneza (Itália). É Cidadão Emérito de Porto Alegre, sócio benemérito da ARI, ganhador do Troféu Negrinho do Pastoreio (2002). Iniciou na atividade literária com “Brasil por linhas tortas” em 1970, tendo lançado outros seis livros: “Informação ou morte” (Editora Sulina, 1972), “Andanças e contradanças” (Imagem & Ação, 1974), “A noite do Quebra-Quebra” (Editora Mercado Aberto, 1993), “Um século de poder – os bastidores da Caldas Júnior” (Editora Mercado Aberto, 1994), “Olha a Folha – amor, traição e morte de um jornal” (Editora Sulina, 1996) e “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com que começamos” (editora Record, 1999), que está em quinta edição, tendo obtido três prêmios nacionais (Erico Veríssimo, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Prêmio Clio de História,da Academia Paulistana de História e “Jônatas Serrano”, da Academia Carioca de Letras e União Brasileira de Escritores) e um prêmio internacional, o “Casa de Las Américas”, de Cuba. O mesmo livro foi editado em Portugal pela Gradiva e em Cuba, em espanhol, com o título de “La nave capitana”, como parte do prêmio internacional a que fez jus.
Tem os títulos de Amigo do Teatro, Comendador da Ordem das Hortênsias, Comendador de Il Leone di San Marco, pelas relações que estimulou entre Veneza e o Rio Grande do Sul.
Chefiou o Comitê de Imprensa no Centenário da Imigração Italiana para o Rio Grande do Sul, foi assessor especial da direção da Divisão de Cultura da Secretaria de Educação, nos anos sessenta e atuou no departamento de divulgação da CORSAN nos anos setenta e oitenta.
Em sua atuação jornalística manteve colunas e escreveu crônicas na área econômica, cultural, social, esportiva e “geral”, tendo redigido milhares de artigos e reportagens, além de apresentação de programas radiofônicos em três emissoras por mais de quinze anos.
No mundo inteiro, onde há cristianismo, catolicismo, se reverencía hoje um santo capaz de muitos milagres... postado por walter em 13/06/03
SANTO ANTÓNIO (DE LISBOA)
Walter Galvani
Num dia 13 de junho, em 1231, morria o jovem português Fernando António, que mais tarde seria canonizado como um dos maiores santos da Igreja Católica. Ficou conhecido tanto como Santo Antônio de Pádua, cidade italiana onde atuou por longo tempo, como “de Lisboa”, cidade onde nasceu e que cultua o seu local de nascimento, com uma pequena e bela capela que foi destruída duas vezes e duas vezes reconstruída, uma delas, aliás, por obra e graça de Dom Manuel I, “O Venturoso” descobridor do Brasil.
No Brasil muita gente pensa que ele é apenas “o santo casamenteiro”, sem dúvida a sua faceta mais popular, pois as moças casadoiras, secularmente costumam encaminhar-lhe seus pedidos de arrumar-lhes pronto um bom marido. Muitas vezes o conseguem, seja ou não por interferência do santo, mas sem dúvida se deve acreditar na força da vontade que move tais solicitações.
Suas tarefas em Portugal e outros países, são maiores. Ele é visto também como capaz de manter a família unida, de encontrar objetos perdidos e, sobretudo, de atender pleitos impossíveis. Por exemplo: arranjar emprego...
As diferenças de acentuação, mudando de acento circunflexo para agudo do Brasil para Portugal, como se vê, não são apenas léxicas... Crescem as responsabilidades do santo à medida que se atravessa o Atlântico e se chega à capital do antigo império luso. E mais, o jovem Fernando de Bulhões, era assim que se chamava na vida civil, incorpora uma carga de responsabilidade inimaginável.
Nos primórdios de sua super-vida religiosa, ficou encarregado de servir de batismo para grandes esperanças dos pais e daí a quantidade notória de Antônios ou Antónios que foram surgindo ao longo dos tempos por toda a parte. Mas também muitos Fernandos, quando se precisava variar um pouco, como é o caso de um dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa, que nasceu justamente a 13 de junho de 1888. Mas a lista vai longe.
Adotaram-se também outras formas de homenageá-lo, como por exemplo, batizar como Antonieta, quando era o caso de uma menina. Hoje mesmo os gaúchos se reunirão à noite, num badalado restaurante da avenida Carlos Gomes, para homenagear Antonieta Barone, que completa 90 anos.
Ela é, sem dúvida, uma mulher que, em sua longa vida, nunca deixou de homenagear o santo-padroeiro, mas é também, registre-se, neste seu longo andar uma das pessoas que mais contribuíram para o desenvolvimento da atividade artística no Rio Grande do Sul. É um grande nome e a homenagem à ela é mais do que justa.
E assim, pelo mundo afora. Há por aí os Anthony, os Antoine, os Antonios castelhanos, enfim, por quanto e onde andou a cultura ocidental.
Resta refletir um pouco, sobretudo por aqueles que não acreditam em religiões, santos, liturgias. Há toda uma obra benfeitora feita em seu nome e só isso vale a pena, “se a alma não é pequena”, como diria o poeta Fernando Pessoa, afinal também seu homenageante.
Voltemos à Porto Alegre: há aqui o Instituto Pão dos Pobres de Santo Antônio que há um século se dedica a fazer o bem e prestar auxílio aos necessitados, abrigando gerações e gerações de desvalidos, preparando-os para a vida como profissionais. É uma obra meritória, lá temos todos grandes amigos, como o Irmão Valério Menegat, por exemplo, que transformam sua missão na terra em procurar repercutir e quem sabe imitar as virtudes do santo católico. O Pão dos Pobres é um asilo e uma escola profissional, um estabelecimento de ensino de primeira qualidade e um exemplo, bem no centro da capital gaúcha e como este, na certa há inúmeras instituições pelo mundo afora que se consagram pela dedicação a Santo Antônio e pela claridade com que procedem no meio social.
Com a contratação do maestro Isaac Karabchevski e a assinatura de um termo de compromisso para ocupar um espaço no Shopping Tottal e, futuramente, um teatro em condições, a OSPA dá grandes passos postado por Walter Galvani em 12/06/03
MINHA CIDADE TEM UMA
ORQUESTRA SINFÔNICA
Walter Galvani
Vou pedir licença para plagiar Erico Veríssimo, o grande escritor gaúcho que ainda hoje é o nosso representante que mais acumulou prestígio no país e no exterior, e que, ao longo de suas viagens como intelectual celebrado e premiado, costumava dizer, ao informar sobre Porto Alegre: “É uma cidade que tem orquestra sinfônica!” Esta era a maneira que ele tinha de atribuir o patamar de respeito devido à capital gaúcha e assim era entendido com rapidez pelos círculos que freqüentava.
Erico falava sobre a OSPA, à época recém criada por Pablo Komlos, hoje com mais de cinqüenta anos de atividade, e que foi a grande significação da vida do extraordinário regente húngaro que, emigrado para o Uruguai, acabou optando pela residência no Rio Grande do Sul, onde se dividiu entre Porto Alegre e Gramado até o fim dos seus dias. E ao longo do tempo de sua atividade, foi montando com critério, vagar e dedicação, a orquestra sinfônica que hoje faz a nossa alegria.
Ante-ontem tivemos uma apresentação da OSPA sob a regência esta temporada do afamado maestro brasileiro Isaac Karabchevski e só isto bastou para que um novo alento fosse retomado. Já no dia seguinte assinava-se um convênio no Palácio Piratini, com o grupo do Shopping Tottal, que cederá o espaço para a coinstrução do novo teatro da OSPA, que terá acesso pela av.Cristóvão Colombo, 545, no local onde outrora funcionou a belíssima fábrica da cervejaria Bopp, mais tarde Brahma, edificada pelo talento de um engenheiro alemão Theo Wiederspahn, que aliás deixou sua marca nos principais edifícios públicos do centro de Porto Alegre. No domingo passado houve um concerto público gratuito na Assembléia Legislativa e começam esta semana os Concertos para a Juventude. Além da orquestra em si, há o magnífico coral sinfônico, que reúne mais de cem pessoas e lá estão profissionais de todos os ramos, como professores, advogados, arquitetos, comerciantes, todos unidos pelo mesmo e insuperável amor à arte, ao canto, à música. As platéias, sempre lotadas.
Com esta renovação de entusiasmo pela sua orquestra a capital do Rio Grande do Sul deu uma boa mostra da sua certificação como cidade cultural de primeiríssimo mundo, uma boa surpresa para quem nos visita e, então, se surpreende.
Porque, evidentemente, não é o Brasil conhecido ou reconhecido, pela sua atividade nessa área. Somos mais conhecidos pela força da chamada MPB, música popular brasileira, essa, aliás, sob constante pressão da globalização exclusivista e por isto lamentável de algumas expressões artísticas e pelo futebol, que tem granjeado reputação internacional com belas apresentações e títulos conquistados em muito maior número que os demais países. Também somos conhecidos pela violência de nossas cidades. Agora mesmo, acaba de ganhar o Prêmio Camões, o escritor Rubens Fonseca, que se notabilizou, entre outras coisas, e assim foi aclamado pelo “Jornal de Letras”, de Lisboa, em sua edição n. 852, referente a 28 de maio a 11 de junho de 2003, ao ser reportado o prêmio, que é o maior da literatura de língua portuguesa, como o “intérprete” dessa inaudita violência que assola as nossas capitais. E há o cinema, sim o cinema, com “Carandiru”, “Central do Brasil” e outros mais ou menos votados, que seguem a trilha americana de retratar a violência.
Não é por aí, me parece, o melhor caminho. Está na hora de se produzir alguma coisa, pelo menos diferente. Para não dizer, melhor. Algo que demonstre que em nosso país há espaço para muita coisa mais, onde indiscutivelmente se encontrou um processo de convivência razoável entre os diferentes, tanto que é endereço número um para quem, de qualquer parte do mundo, deseja ou precisa emigrar.
Começando por Pablo Komlos. Ou Karabchevski, cuja família também um dia aqui chegou. Ou os Scliar, Moacyr e Carlos, cujos pais vieram da Europa do leste, ou tantos alemães, italianos, poloneses, ucranianos, libaneses, sírios, enfim que aqui foram tão bem recebidos e aculturados. Ou melhor: recuando mais no tempo, iniciando uma história que já tem quinhentos anos, com os portugueses. Depois açorianos, africanos, estes últimos não vieram a convite, por certo.
Voltemos à OSPA. Está na hora de acreditarmos para valer nesta realidade magnífica e no significado imenso para o Rio Grande do Sul de um modo geral e Porto Alegre de modo especial.
E para nossas vidas! Sabem lá o que é morar numa cidade que possui uma orquestra sinfônica?
Greve resolverá a questão da Previdência? postado por walter em 11/06/03
JUSTIÇAS E INJUSTIÇAS
Walter Galvani
A reforma da Previdência, planejada e contestada, está pondo a nu mais uma das injustiças brasileiras. Somos uma imensa maioria de contribuintes do INSS, que iremos nos aposentar por um salário máximo de 1.800 reais. Há, em contrapartida, os funcionários públicos, que irão se aposentar pelo salário que estiverem percebendo à época da sua reforma e isso quer dizer dez e até vinte vezes mais do que os demais brasileiros.
Claro, há impeditivos na carreira de um funcionário, ele só pode ser efetivamente funcionário e não pode se dedicar a outras atividades, mesmo que o faça, tem que agir clandestinamente. Os riscos são grandes e alguém pode perder um cargo laboriosamente conquistado através de concurso.
Em compensação, só uma falta grave o tirará de uma carreira que é vitalícia, enquanto os empregados da iniciativa privada poderão ser demitidos a qualquer momento.
Por outro lado, há a questão da contribuição dos inativos, essencial segundo os economistas para o equilíbrio das contas, senão o edifício todo da Previdência há de desabar e a questão da idade mínima para aposentadoria.
Aparentes injustiças também, as mudanças propostas. Contribuir, afinal de contas, com um pequeno percentual, não fará a infelicidade de ninguém, é apenas uma questão de princípios e a idade mínima... Bem, se alguém começou a trabalhar aos 18 anos, é evidente que ao chegar aos 53 terá cumprido trinta e cinco anos de serviço. Convém esclarecer bem isso, caso contrário torna-se desestimulante querer começar a trabalhar cedo.
Num país em que o desemprego é um fato tão assustador que os números oficiais não nos respondem com a realidade, sabemos perfeitamente do emprego, do desemprego e do sub-emprego, do bico e da atividade desonrosa no tráfico de drogas e na violência transformada em indústria, no furto e no roubo, é preciso muito cuidado, querer trabalhar já é algo digno de elogios...
Até porque, os números percentuais são chocantes, numa nação de 176.000.000 de habitantes. Se você falar em 10 por cento de miseráveis, já estará falando em 17.600.000, ou seja a população de um país inteiro pelo mundo afora.
Realmente, se Lula não sabia o quanto era difícil presidir o Brasil, se o PT não esperava, descobriu agora. Tarde demais. Porque a cobrança, agora, será feita a eles...
Uma caravela de ouro, boa lembrança para uma premiação ao melhor veículo, e uma lembrança pelo dia da Língua Portuguesa postado por walter em 10/06/03
RAÇA, CAMÕES E LÍNGUA
Walter Galvani
Num dia 10 de junho em 1580, morria Camões. Já escrevera a grande epopéia da “raça” portuguesa, “Os Lusíadas”, o poema base da nossa língua e no qual ele canta as glórias dos “barões assinalados” que passaram “ainda além da Taprobana” e conquistaram meio mundo.
Luiz Vaz de Camões morreu na hora certa. Naquele mesmo ano, com o falecimento do cardeal Dom Henrique, sem herdeiros, a coroa portuguesa iria para as mãos de Filipe II, de Espanha, neto de Dom Manuel, o “venturoso” descobridor do Brasil, mas filho de uma princesa espanhola e neto também dos “Reis Católicos” Fernando e Isabel. Quer dizer: Portugal caiu sob o domínio espanhol e em tal situação permaneceu até à Restauração, em 1640.
Com isso, depois de estabelecido o grande império que ia do Brasil até à Índia, passando pela África, ou seja por Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor, Macau, Calicute, Goa, Damão e Diu e outros locais onde foram instaladas fortalezas e feitorias, a língua portuguesa se tornou global.
Foram decisivos os oitenta anos, durante os quais Portugal perdeu o trem da história com a sua submissão ao vizinho. Cresceram os adversários, competidores, como Inglaterra, Holanda, França e a própria Espanha e por isso o seu império foi se transformando lentamente numa realidade apenas virtual. Ainda houve momentos em que ele foi retomado, tanto que desmanchou-se mesmo para valer apenas em 1974, no 25 de abril, quando a Revolução dos Cravos Vermelhos pôs fim, entre outras coisas, ao dessangramento dos melhores valores da sociedade lusitana, que se perdiam no “serviço militar”, no tempo prestado “à tropa”, que significava, principalmente, a manutenção das colônias africanas, ditas então “províncias ultramarinas”.
Restou pouco, mas ao mesmo tempo restou muito. A opção recente do Timor-Leste que, ao declarar-se independente, depois do massacre sofrido pela ocupação por parte da Indonésia (representante e remanescente do antigo império holandês em suas pretensões territoriais), escolheu a língua portuguesa para, entre outras coisas, significar seu sonho de liberdade, é exemplar.
E então é hora de lembrar que também o Brasil escolheu a língua portuguesa, naturalmente depois que a “língua geral”- uma mistura de tupi, guarani e português – foi banida por decreto no século XVIII e com isso chegamos, sem pena nem glória, mas com um débito com uma civilização, um método de vida e trabalho, e um código de ética, ao século XXI. Se ainda não foi o suficiente para nossa independência, parece que chegou a hora de fazer alguma coisa... Dia desses ouvi um professor falando na rede pública de televisão e dizendo que a “língua portuguesa nos foi imposta”. Esqueceram de perguntar a ele, “nós, quem?”, sendo ele um descendente de portugueses, clarificado isso no sobrenome. Pode ser engano meu, talvez ele seja indígena, mas não aproveitou a oportunidade para apresentar-se como tal.
Restou-nos, pois, a língua de Camões que comemora hoje seu aniversário também, numa homenagem ao poeta, pelo significado da sistematização e elevação ao patamar artístico que ele conseguiu dar-lhe.
Claro que Camões foi também soldado e, visto à distância, mais importante do que qualquer dos seus generais. Mas, não deixa de ser no mínimo estranho, no contexto do mundo moderno, que um país, no caso Portugal, tenha sua data máxima no dia de um poeta e não de um militar, como acontece tanto.
É o que se festeja hoje. E mesmo que o tal professor não queira, também comemoramos o uso e a opção por uma língua que está entre as cinco mais faladas do mundo, atrás justamente dos seus adversários do século XVI...
Quanto à dia da Raça, isso é puro racismo, mesmo. Não vejo porque falar-se nisso, mas é indiscutível que o racismo continua predominando no mundo e agora com as nuances que o liberalismo trouxe, o capitalismo desbragado norte-americano impôs ao mundo.
Quem não fala inglês sente-se deslocado, diminuído. E eis porque prefiro a língua portuguesa. Ela me comunica não apenas palavras, é óbvio, mas todo um sistema de valores culturais que são os que me foram transmitidos e que transmiti à meus filhos e netos. Por isso, entendo que o dia 10 de junho é uma data de comemorar-se e, pelo menos, de discutir-se com grandeza e elevação de espíritos.
Somos o que somos, porque somos o que fomos. Não adianta agora querer afundar as caravelas. Elas subsistirão como uma indicação de superioridade técnica que permitiu conquistas, que balizou uma expansão, que está retratada na expansão da língua portuguesa, da popularidade de Camões, da glória de “Os Lusíadas”. Tudo o mais são apenas pedras jogadas contra a árvore cheia de frutos ou cães que latem para a caravana que passa.
Dito isto, mexo no meu rato (e não no “mouse”) para colocar esta matéria na rede global ( e não na “web”)...
Os setores comerciais do Rio Grande do Sul e do Brasil inteiro, estão encantados com a receptividade à data comercial que classificam já como a terceira mais importante do ano postado por Walter Galvani em 09/06/03
DIA DOS NAMORADOS
Walter Galvani
No Brasil fixou-se o dia 12 de junho para a comemoração do chamado “Dia dos Namorados”. A promoção comercial foi tão intensa que hoje é a terceira data promocional, o que significa que ele só está perdendo para o Natal e a Páscoa, outras duas datas, digamos, “cristãs”, que nada mais tem a ver com seus objetivos originais e servem hoje apenas de pretexto para conturbadas, às vezes, difíceis quase sempre, reuniões e estimulam o turismo interno e externo com intensa movimentação de viagens que levam a uma supostamente “alegre reunião” de família.
Mas, o chamado “Dia dos Namorados” revelou-se uma valiosa tendência comercial com muitos resultados práticos.
Na verdade, através da intensa campanha publicitária, os “namorados” – e aí inteligentemente todos, jovens, adolescentes, adultos, velhos, novos, todos que tem um par, estão incluídos – e com isso é preciso COMPRAR algo para dar de lembrança.
Desde as flores tradicionais até livros, discos, fitas, roupas, perfumes, com uma carga de simbolismo maior ou menor, romântico ou prático, tudo serve para presentear no dia 12, véspera da data de Santo Antônio de Pádua, o santo português nascido em Lisboa que tem como tarefa especial, no Brasil, ajeitar os casais e promover os casamentos...
Certo ou errado, não há quem escape à ditadura da data e poucos são os que se arriscam a enfrentar o dia sem um discreto ou gigantesco pacote, para demonstrar abertamente sua admiração pelo namorado/marido, namorada/esposa.
É o que teremos esta semana: uma corrida ao comércio. Que, aliás, já começou no final de semana, gerando uma loucura de compras para comprovar nesta data especialmente oficializada, o que deveria acontecer todos os dias...
De qualquer forma, o comércio agradece, a indústria reconhecida agradece e a falta de empregos no Brasil manifesta sua gratidão. Pode ser que o amor, mesmo com este acompanhamento comercial, ajude a reconstruir uma sociedade abalada por várias tragédias e entre estas, a maior, a falta de crescimento real do país em contrapartida com a multiplicação permanente da população.
O que, afinal, não é culpa do mesmo Santo Antônio, mas seria bom que junto com o amor fosse possível instilar um pouco de responsabilidade aos casais que se formam. Não é uma característica do amor. Impulso, sempre, em primeiro lugar.
Planejamento? Casa? Emprego? Isso também se poderia pedir a Santo Antônio, pois, fora daqui é hábito pedir-lhe. Quanto ao atendimento... é com os crentes.
Num dia como hoje, 8 de junho, nascia Marguerite Yourcenar. Tem toda uma obra, mas é claro que o seu "Memórias de Adriano", em que traçou a biografia do imperador romano, se sobressai postado por Walter Galvani em 08/06/03
Eis um pequeno poema de Adriano, que Marguerite Yourcenar resgatou:
"Pequena alma terna flutuante
Hóspede e companheira do meu corpo
Vais descer aos lugares pálidos duros nus
Onde deverás renunciar aos jogos de outrora..."
E foi ele que escreveu, também no resgata de Marquerite:
"Pus termo ao ercândalo das terras deixadas improdutivas por grandes proprietários indiferentes ao bem público: todo campo não cultivado por cinco anos, passará automaticamente ao lavrador disposto a fazê-lo produzir."
Isso foi escrito há 1.900 anos!
Já tantas vezes se escreveu que o Brasil é o país dos contrastes que nem causa mais abalo retomar este assunto. Mas, fora dos limites nacionais, causa ainda um certo, eu até diria, assombro.
Agora mesmo se divulga que uma boa parcela de brasileiros vive abaixo da linha de pobreza, estabelecida pela OMS em 2 dólares por dia e eu diria que isso é verdade e que a estatística não conta o essencial, como sempre, pois sei de muita gente que vive abaixo disso, ainda.
No entanto, amanhã, domingo, teremos o chamado “provão” do MEC, exame voluntário que examinará nada menos do que 30 mil formandos em cursos superiores no Brasil.
Mais da metade dessa boa gente estará destinada ao desemprego...
Temos um índice falso de 9 por cento de desempregados, que, quando se aperta a verificação sobe para 14, mas que na verdade é muito maior do que isso.
Como sempre, a estatística mente.
Enquanto isso, o partido que chegou ao poder e era temido pelas suas prometidas reformas radicais, aliou-se ao PL que parece mais radical hoje do que o PT, ontem...
Durma-se, com este barulho...
As fabricantes de automóveis estão dando uma parada de férias coletivas porque nos pátios existem 170 mil automóveis novos que não tem comprador, por causa dos preços. Mas, os preços não baixam. Os analistas de marketing acham que isso equivale a 48 dias de consumo...
Bem, que país é este?
Então, porque não reduzem os preços?
Enquanto isso, mais da metade dos 170 milhões sobrevive com 2 dólares ao dia. Seis reais. O preço de uma refeição média com um refrigerante num restaurante de “comida a quilo”, o tipo mais popular hoje no país, ou melhor, nas grandes cidades, onde ainda há gente com dinheiro para sobreviver e dar um troco ao pobre da esquina ou ao guardador de automóveis...
Como você se sentiria se descobrisse alguém com o mesmo nome que você, exatamente igual, e no outro lado do mundo? postado por walter em 06/06/03
UM FELIZ REENCONTRO
Walter Galvani
Por essas voltas que o mundo dá, neste dia 6 de junho restabeleci contato, quase por acaso, com meu homônimo Walter Galvani, que mora lá na Alsácia, no outro lado do mundo, na fronteira leste da França, um dos primeiros lugares a serem invadidos pelas “panzer divisionnen” do exército nazi na II Guerra Mundial. Pazes feitas, lá convivem hoje, felizmente sem sobressaltos, alemães e franceses.
Descendente de italianos, professor, vive o Walter Galvani, a quem descobri nos primórdios da minha atuação na Internet, há cinco anos atrás, quando inesperadamente recebi uma mensagem de um Walter Galvani que, como eu, se julgava “único” no mundo.
Com muita satisfação, remexendo a noite passada na rede mundial, depois de um episódio de refluxo alimentar que me jogou para a frente do computador no final da noite, descobri o seu nome numa listagem de professores de uma universidade de Strasbourg.
Mãos-à-obra, o Walter aqui enviou um mail para o Walter lá e tive a pronta resposta.
Esta manhã, ao abrir minha caixa postal, deparei com a resposta dele, já ele agora com 39 anos, mas que continua na nobre tarefa de lecionar em sua terra.
Claro que os cinco anos que se passaram entre um contato e outro me fizeram pensar e lamentar que em 98, em 2000 e em 2001, anos que fiz minhas mais recentes viagens à Europa, não tivesse eu esticado ou desviado o roteiro para conhecê-lo pessoalmente.
Mas, esta é uma história para a qual prognostico um final feliz. Tenho certeza de que, no Brasil ou na França, os dois Walter ainda se hão de encontrar, completando um sonho de comunicação e identificação.
Claro, imagino-o completamente diverso de mim, começando pela idade. Cheguei em maio aos 69 anos e ele está trinta anos atrás... ou na frente, conforme o ângulo de visão, com seus 39.
Espero, contudo, continuarmos juntos, sobre a Terra, por mais uns trinta anos, no mínimo...
Depois, ele seguirá como bastante procurador da irmandade transatlântica que nasceu por acaso, foi retomada hoje, e, espero, não será interrompida tão cedo.
Acho que é as