Quinta, 09 de Setembro de 2010

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Walter Galvani, em 00/00/0000






Walter Galvani, em 00/00/0000





REAÇÃO E LINCHAMENTO
Walter Galvani, em 00/00/0000

Como agir?

LEVANDO A PIOR



Walter Galvani





Não é bom para ninguém o que está acontecendo, embora alguns, apressadamente, estejam a festejar. O fato dos ladrões terem começado a apanhar e a levar tiros, não significa que a situação esteja melhorando, sob o ponto de vista de segurança, ou de melhoria da vida. Quer dizer apenas que a população está armada e com a paciência esgotada. O que é muito ruim para todo mundo. As reações que estão se produzindo, linchamento, tiros, resposta armada ao assalto armado, só pode levar a mais perdas humanas, não importa se entre os agredidos ou entre os bandidos.

Não estou aqui a fazer a apologia do crime ou a defender os que, normalmente, estão em melhores condições de se proteger, pois são os que tomam a iniciativa de praticar a violência.

O preço é alto para todos e será sempre mais alto.

Mas o que isso tudo retrata é o quanto está desorganizada a nossa sociedade, a ponto de muitos comemorarem quando a ação dos fora da lei resultar negativa para eles, como se isso fosse um confronto meramente esportivo. Infelizmente não é. Trata-se do choque inevitável entre os que começaram a se preparar, com os que continuarão ousando, cada vez mais, por nada terem a perder.

É triste e difícil.

Depois de uma aplicação da Lei de Lynch, depois de mandar meia dúzia de bandidos para o hospital ou para o cemitério, depois de frustrar ações de roubo,a população vai partir para outras, mais violentas, uma vez que não encontra amparo na força pública, não por deficiência dessa, mas por incapacidade numérica de colocar um soldado em cada esquina.

As câmaras de televisão expulsão os ladrões e assassinos do centro das cidades, mas eles passam a agir nos bairros, na periferia ou nas pequenas cidades do interior.

O crime organizado ou espontâneo, sempre encontra formas de agir.

É natural, por outro lado, que o povo se irrite, uma vez que até o rosto, os bandidos sabem, podem cobrir na hora das fotos, evitando assim a identificação. Antigamente eles saiam estampados no jornal. Agora, chegam ao cúmulo do deboche, na opinião da maioria da população, pois conseguem se ocultar e manter o anonimato, para continuarem em sua ação perversa.

É triste, mas é o que ocorre.

E enquanto não se chega à uma grande explosão social, a panela fervente das desigualdades e dos problemas, continua a assar o seu grande puchero que vai atirar para o alto todos os ingredientes e mais a tampa, a qualquer momento.

Até lá e muito depois das eleições de outubro, continuaremos assistindo ao espetáculo das irresponsabilidades, das tragédias, dos crimes, da roubalheira, das propinas, das cpis intermináveis e dos roubos e furtos.

No Brasil os números são sempre grandiosos, por causa da população enorme e da incrível desigualdade social. São tão poucos os que desfrutam da maioria do PIB nacional que chega a assombrar. Como também o número dos que ficam de fora da panela dos privilegiados.

Dar esmolas ou esmolar não resolve o problema de ninguém. É aqui que é necessária a intervenção do estado, seja para melhorar a situação dos desvalidos, seja para limitar o desequilíbrio, seja para policiar, mas também para prender, julgar, condenar e manter na prisão os que cometem os crimes.

E não há outro caminho, a não ser endurecer a partir das pequenas infrações e expulsar de cena os grandes criminosos que se aproveitam da “mídia” para ostentar sua impunidade. Aliás, o nome do jogo é um só: o fim de toda e qualquer impunidade. Ou imunidade.






UM TEXTO MARAVILHOSO DE AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA
Walter Galvani, em 00/00/0000

Eis uma bela oportunidade para aproveitar bem sua visita a este site:
estou transcrevendo um texto belíssimo que está transitando pela Internet.
Com a vantagem que este texto é mesmo dele, o grande poeta e cronista excepcional.Leiam:


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.

Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não
percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do Maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e
cabelos longos,soltos. Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas,
lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas,das notícias, e da ditadura das horas. E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.

Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios
filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma
respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os
adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres,
agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos
suficientemente ao Playcenter, ao Shopping, não lhes demos suficientes
hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas
que gostaríamos de ter comprado. Eles cresceram sem que esgotássemos
neles todo o nosso afeto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos,
bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.

Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.

Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando
muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.
O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.

Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser
pais depois que somos avós..."







UM DIA PARA COMEMORAR COM MUITA ATENÇÃO
Walter Galvani, em 00/00/0000

Crônica publicada neste final de semana no jornal A Razão, de Santa Maria:

DIA DAS MÃES E DOS FILHOS

Walter Galvani

Foi, no início uma promoção comercial. Mas, agora se tornou uma obrigação sentimental. Não há como escapar. Neste domingo visite sua mãe e não esqueça de levar um presentinho. Faz parte. Incorporou-se ao nosso dia-a-dia. Não há mãe que não fique feliz, principalmente com a visita do filhinho ou do filhão, tenha ele 5 ou 50.

Então, este domingo não esqueça. Arme-se de um belo sorriso, para a “velha” não desconfiar que o amigo está apertado ou tem problemas e compareça. Poupe-a de dramas. Nada de comentar o assunto da menina paulista jogada pela janela. Nem das mães assassinadas por maridos desvairados.

Procure passar um domingo perfeito, falando sobre os tempos em que ela lhe dava feijão na boca, já que o amigo não tem memória para o tempo das mamadas...

Ah, e nada de trazer à tona questões irresolvidas ou mágoas que ficaram dependuradas. Faça de conta que tudo passou e nada restou para discutir e também, não esqueça, dê o exemplo na frente dos netinhos.

Como se dá e recebe, aqui se planta e então vem o retorno, é importante transformar esta data, sem dúvida comercial, num acontecimento inesquecível.

Se você não tem mamãe vá a um asilo e dê um reconfortador abraço numa daquelas senhoras que, possivelmente, não vá receber a visita de ninguém.

Nesse caso estará o amigo contando pontos para sua caminhada no lado de lá e, ninguém está livre disso.

Vamos aproveitar para comemorar uma porção de coisas, como o fim da crise do dossiê do FH, a promoção do Brasil pela agência americana que classifica os países onde se deve investir, enfim, são presentes que qualquer mãe aprecia.

O friozinho que aí está é sempre agradável, bem melhor do que a ameaça de enchentes, e nossos produtos, valorizados por este clima que nos deram aqui no Rio Grande, baterão recordes este ano, de produção e colocação no mercado. O momento é excepcional. Coisa para mãe, mesmo.

Não vamos deixar que assaltantes, criminosos, ladrões, papagaios ou pais amaldiçoados e madrastas de Cinderela continuem nos tirando o sono. Pelo menos um dia, vamos brincar de melhor dos mundos...




ADIADA OFICINA DE CRÕNICA NA UERGS
Walter Galvani, em 25/04/2006

Começará somente dia 10 de maio a oficina de crônica que ministrarei para a UERGS, Universidade Estadual do Rio GRande do Sul.
Ela terá o seguinte espírito:


DOMAR UMA PALAVRA ?
>
>
>
>
>
> Rosa Montero, em "A louca da casa", edição no Brasil pela Ediouro, > Rio de Janeiro, 2004.
>
> Capítulo Dois
>
> Página 13:
>
>
>
> "O escritor está sempre escrevendo. Nisto consiste a graça de ser > romancista: na torrente de palavras que borbulham constantemente em seu > cérebro. Já redigi muito s parágrafos, inúmeras páginas, > incontáveis artigos enquanto estou passeando com meus cachorros, por > exemplo: na minha cabeça vou deslocando as vírgulas, trocando um > verbo por outro, afinando um adjetivo. Muitas vezes escrevo mentalmente > a frase perfeita e volta e meia, se não a anoto a tempo, ela me escapa > da memória. Resmunguei e me desesperei muitíssimas vezes tentando > recuperar aquelas palavras exatas que por um momento iluminaram o > interior da minha cabeça e depois tornaram a mergulhar na escuridão. > As palavras são como peixes abissais que só nos mostram um brilho de > escamas em meio às águas pretas. Se elas se soltarem do anzol, o > mais provável é que você não consiga pescá-las de novo. São > manhosas as palavras, e rebeldes, e fugidias. Não gostam de ser > domesticadas. Domar uma palavra (transformá-la em clichê) é acabar > com ela."





FALANDO SOBRE CAIO FERNANDO ABREU
Walter Galvani, em 26/04/2006

Nesta quinta-feira às 19 horas, no
Museu de Comunicação Social "Hipólito José da Costa", Andradas esquina Caldas Jr., estarei falando sobre o poeta e cronista Caio Fernando Abreu.
Abordarei a figura do jornalista com que convivi na redação da "Folha da Manhã", da Cia. Caldas Jr. de 76 a 78.


Durou pouco. Mas foi uma boa experiência.
Lembro até hoje de quando sentei-me ao seu lado pela primeira vez na redação da "Folhinha" e ele me ouviu dizer, incrédulo, que sua posição estava preservada e que seria protegido como poeta e cronista.
Ele não sabia que eu tinha instruções diretas do diretor-presidente da empresa, Dr. Breno Caldas, que me orientara para proceder com ele, como o próprio Breno fizera uma vez com Mário Quintana.
Disse a Caio que ele ficaria o tempo que quisesse.
Bem, ele não quis ficar muito...
Mas, de qualquer forma, durou dois anos aquela doce convivência e jamais permiti que ele fosse pressionado por motivos políticos ou ideológicos.
No entanto, Caio estava assustado e acabou emigrando.
Afinal, mais adiante se saberia, Caio estava em constante migração...
Falarei isso e muito mais, no encontro de amanhã, promovido pela Secretaria de Cultura do estado do Rio Grande do Sul.



TODOS OS DIAS DEVE SER O DIA DO LIVRO
Walter Galvani, em 27/04/2006

Esta crônica está nas páginas do Diário de Canoas, jornal do Grupo Editorial Sinos e circula na minha terra natal, Canoas, e na região metropolitana de Porto Alegre.
A propósito de jornal e jornalismo, hoje o antigo vespertino da cidade (de Porto Alegre), o jornal "Folha da Tarde" estaria completando 70 anos, entrando no 71. ano de circulação.
Parou em 1984... assassinado por medidas errôneas da sua empresa-mãe e pelo trânsito e pela crise financeira.


O DIA DO LIVRO
Walter Galvani


Na verdade, é como o “Dia Internacional da Mulher”: todo o dia deveria ser “o dia do livro”, pois, nenhum invento, ao longo da história da Humanidade foi ou é mais importante do que o precioso volume em que reunimos uma parcela dos conhecimentos acumulados e transmitidos ao longo dos séculos, ou propomos o debate, a negação, a dúvida, a interrogação, a pesquisa, o ensino, o lazer.

Sabe-se a gênese da data comemorativa: por iniciativa da UNESCO, que estabeleceu 23 de abril para assinalar a coincidência entre a passagem de Miguel de Cervantes e William Shakespeare para a vida eterna, no dia 23 de abril de 1616. Trezentos e noventa anos depois estamos aqui a lutar para encontrar uma brecha nas agendas para fazer a comemoração ou render nosso preito de admiração por ele, pelo livro, desde o produto do mais modesto escriba de aldeia até os consagrados mundialmente como “best-sellers”, na acepção da perigosa praga lingüística que afinal de contas tem curso global.

Esta semana mesmo andamos nessa luta. Como o dia em si caiu no domingo, em meio a um feriadão brasileiro, agravou-se a falta de espaço. Nem deu para assinalar que o próprio feriado, homenagem a um herói da luta pela independência do Brasil, Tiradentes, afinal marcava a morte de alguém que morreu pelo livro. Sim, é bom não esquecer que Tiradentes defendia as idéias que leu no “Contrato Social” de Jean Jacques Rousseau e os ideais dos enciclopedistas franceses e a revolucionária constituição dos Estados Unidos da América, 1776.

Foi em 1792, em pleno Terror na França, que a denúncia de traidores levou Tiradentes à forca. Morreu pelo Livro, ou melhor, por suas leituras e sua pregação daí resultante. Um herói e tanto, para não esquecermos.

Nestes anos todos, não foram poucos os que torturados, condenados, degredados, exilados ou mortos e tantos e tantos mais ao longo dos trinta séculos em que os “volumens”, códices, pairos, pergaminhos, manuscritos, impressos, tem se sucedido na admiração e no respeito e também no medo e no terror dos fortes e dos fracos.

Sabemos também que somos todos um pouco “Quixotes”, lembrando o nosso mais autêntico herói, e talvez representativo daquilo que gostaríamos de sempre ser.

Sempre aproveitamos esta data também para nos orgulharmos dos nossos índices de leitura, trocar receitas de como aproveitar melhor o tempo e colecionar marcas de excelência. Defendemos o Rio Grande do Sul onde se lê o dobro da média do resto do país, esquecendo que o dobro de nada, nada é... em verdade. Mas, tomemos como um bom começo e a certeza de que falta muito para fazer. Muitíssimo.

Quantos livros você já leu este ano? Porque não aproveitou as filas de banco, as esperas de condução, o ônibus, o trem, a chegada do sono ou um fim de tarde de domingo? E assim, lutamos. Por termos a certeza de que “a sabedoria está nos livros”, como escreve Harold Bloom, e que o “livro se escreve por si só, independente do autor”, como diz Antônio Lobo Antunes.

Enquanto isso, festejar o Livro se tornou em algo tão imperativo entre nós, que a Câmara Rio-Grandense do Livro escolheu a noite de terça-feira, para eleger seus “Amigos do Livro” do ano de 2006 no teatro São Pedro, o Conselho Estadual de Cultura entendeu que o início da tarde de quarta-feira seriam hora e dia adequados, algumas instituições particulares ou públicas foram fazendo o mesmo e alguns ficaram sem ar e sem data.

Mas, quem pôde falou ou escreveu, comunicou sua admiração por este objeto sagrado. Encerro transcrevendo Flaubert, autor de um dos maiores livros de todos os tempos, o incrível “Madame Bovary”. Dizia o velho Flaubert que o seu “ideal, o que me parece belo, o que gostaria de fazer, é um livro sem amarra exterior que se sustentaria pela força interna do seu estilo.”









CAIO FERNANDO ABREU E O JORNALISMO
Walter Galvani, em 28/04/2006

Falei no dia 27, no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa em Porto Alegre, sobre o cronista e poeta Caio Fernando Abreu.
A base da minha palestra transcrevo a seguir:


O POETA PERDIDO NO MEIO DOS LOUCOS DA OBJETIVIDADE

Walter Galvani


Caio Fernando Abreu, o poeta perdido e reencontrado.
Talvez eu pudesse, assim denominar este pequeno esforço de resgate do que era a figura de Caio Fernando Abreu e os jornalistas, todos malucos perdidos, por seu turno, buscando alguma coisa que não existia e não existirá jamais, a objetividade, a falsa objetividade que a tantos derrubou e continuará derrubando.
Fazia-se um esforço, Buscava-se estabelecer aquelas premissas tradicionais do “quem, o que, onde, quando, como e porque” e com isso se pretendia responder as questões fundamentais que talvez afligissem os leitores. Nem era isso que os interessava e nem sequer conseguia-se responder talvez alguma reivindicação mais plana, meridiana, clara.
Nem era, na certa, o que Caio buscava numa redação de jornal, além de uma necessária sobrevivência financeira ou a esperança de fazer um bom trabalho e tornar-se um pouco mais útil aos amigos e à sociedade de um modo geral.
Em nosso encontro pessoal ainda houve o mais grave e significante em nossas relações que, habilmente ele procurou contornar e que, prudentemente consegui apoio para estabelecer uma relação adequada e gratificante.
Caio era tudo menos um repórter destes, ávidos por informações em primeira mão, talvez atento aos fatos, digamos, objetivos. Não era isso o que preocupava Caio Fernando Abreu, não era isso o que ele queria demonstrar em sua singela, honesta e preocupada atuação no jornalismo.
Quando o encontrei, a “Folha da Manhã” onde ele estava acabara de sofrer um baque político considerável. Fui chamado às pressas, num final de semana, para substituir o prof. Ruy Carlos Ostermann, meu querido e fraterno amigo, que acabara de perder a sua posição de chefia da redação, por ordem do presidente da empresa Caldas Júnior, dr. Breno Caldas. Por motivos circunstanciais, pessoais, que me impediam de me negar a assumir o posto, lá fui para o sacrifício, do qual só recentemente, em 2003 quando fui eleito patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, foi possível fazer a catarse pública, com a presença do próprio Ruy e do Luis Fernando Veríssimo, então personagem também daqueles difíceis momentos. A “Folha da Manhã”, na seqüência de 22 demissões de editores e sub-editores, todos importantes, perdeu o cronista Luis Fernando Veríssimo, cujo renome já então poderia nos deixar imaginar as dimensões da crise institucional em que mergulhamos.
Tentei atrair Moacyr Scliar, como cronista, para substituir Luis Fernando, mas ele não quis e fui para a redação disposto a tapar os buracos para impedir o naufrágio que privaria uns cinqüenta profissionais do emprego de que necessitavam.
Entre eles, Caio Fernando Abreu.
Era, quem sabe ? – o cronista que nos restava, alguém com talento e honestidade intelectual, com “fina estampa” e bom gosto.
Quando cheguei à redação, encontrei, no entanto, um Caio, com seus grandes olhos esbugalhados de espanto e susto, esperando pelo pior.
Passei pelo gabinete do Dr. Breno Caldas que me assegurou garantias especiais para que os que ficassem e entre eles, Caio, é lógico.
Lembrei-me do que acontecera certa vez com Mário Quintana, quando um diretor de recursos humanos, querendo talvez promover-se a custa dele, quis obrigar o grande poeta a assinar o ponto, entrada e saída na redação.
O Dr. Breno me havia dado carta branca para contornar a imensa crise e a primeira coisa que fiz, lembro-me bem, foi sentar-me ao lado do poeta e cronista Caio, que admirava tanto pela sua sensibilidade como por sua aproximação com o Teatro, arte que sempre me fascinou, (setor que cobri como “repórter do setor cultural” da “Folha da Tarde”, outro jornal da Caldas Jr. na época) e colocando a mão em seu ombro, tranqüilizá-lo.
Não foi fácil. Caio estava assustado e acabou, mais adiante, deixando a “Folhinha” e depois disso, o país. Bem, o país que sonhávamos, este já nos deixara há tempos...
Mas, naquele primeiro e desgastante momento, tentei mantê-lo, como jornalista e como intelectual, em nosso grupo. Ele foi grato a isso, precisava do emprego naquele momento e, por pensamento e posição pessoal e, em outro patamar pela garantia da posição do presidente da empresa, tive a honra de lhe garantir a estabilidade enquanto dela e do emprego necessitou.
Foram momentos de agradável convivência, pois afinal de contas com ele foi possível trocar informações e comentários sobre companheiros preciosos como Nei Duclós, então jovem poeta, que fora nosso estagiário de redação na “FT” e que, também ele um desajustado com aquele jornalismo bronco e que buscava de forma incipiente compreender e incorporar-se aos caminhos do chamado “Novo Jornalismo”, habitava então nossos corações e mentes.
O susto de Caio é explicável naquele outubro de 1976. Ele recém fora admitido, a 15 de setembro, praticamente um mês antes. Conosco ficou até 21 de março de 1978, mas foram meses duros. Vivia-se o auge da repressão da ditadura militar, e ele, desde seu primeiro livro, “Limite Branco” publicado em 70, ou do premiado livro de contos, “Inventário do Irremediável”, então premiado pela União Brasileira de Escritores, iniciava já uma trajetória nacional e mais adiante, internacional.
Caio já era um “nome” e como tal me interessava, como chefe de redação, sua manutenção em nossos quadros. Ele já havia lançado “O ovo apunhalado” (1973) e foi naquele momento que apresentou “Pedras de Calcutá”, isso em 1977.
Bem no epicentro, portanto, da sua carreira e da sua definição política, claramente contrária à repressão que assolava o país.
Era difícil sustentar sua posição sem sofrer ameaças, mas fez-se o que era possível. Certa vez desloquei o peso e o prestígio do presidente da ARI (Associação Riograndense de Imprensa), jornalista Alberto André, para tentar impedir uma devassa e talvez prisão de Caio e seus livros. Sim, os livros, os mesmos que vem causando tantas prisões, torturas, e até mortes, na história da Humanidade. Tiradentes teria ido para a forca, se não tivesse um exemplar do “Contrato Social” de Jean Jacques Rousseau e a Carta da independência dos Estados Unidos da América?
A sociedade, de um modo geral já picada pelo consumismo, não merecia a pureza de Caio Fernando Abreu. Por isso talvez ele tenha nos deixado tão prematuramente, há dez anos agora, quando morreu com apenas 47 anos, no dia 25 de fevereiro de 1996. A “Folha da Manhã” e a “Folha da Tarde” já haviam morrido, por seu turno, o mundo mudara, como seguiu e seguirá mudando.
A “cidade está podre”, a cidade “está doente”, escrevia ele. Todos sabemos. Não só a cidade... A sua metáfora estava mais do que certa.
“Urbanóides cortam sempre meu caminho à procura de cigarros, fósforos, sexo, dinheiro, palavras e necessidades obscuras que não chego a decifrar em seus olhos metafóricos” – como ele escreveu.
Os olhos, sempre os olhos! Caio para mim, eram seus olhos. Primeiro, espantados, depois ternos, depois assustados, logo adiante, acolhedores.
Inesquecível Caio.
Quero aproveitar para pedir-lhe desculpas. Se fosse hoje talvez não o tivesse obrigado a sair de um espetáculo e vir para a redação aprontar uma crônica para a edição do dia seguinte da “Folha da Manhã”, rivalizando em atenção e assiduidade com os cronistas esportivos, que saem do estádio e “cobrem” o jogo da noite!
Talvez ele pudesse ter ido mais longe do que dizer aquilo a que se obrigou, por exemplo: “(...) que bom que a vida também pudesse ser assim, bela, plástica, apesar de suas misérias, que o balé não acabasse e pudéssemos varar a noite e entrar o dia seguinte adentro, olhos e ouvidos bem abertos para, o que se passa no palco, que é preciso, urgente, redescobrir nosso corpo massacrado pelos ônibus repletos e ruas superlotadas das brandas cidades, reinventar cada gesto para que assim – quem sabe – a vida, pelo menos por alguns momentos tivesse esse mesmo impacto de beleza pura, sóbria e forte.”
Que belo texto, onde anda você nos duros dias de hoje em que a cidade piorou, ficou mais cega, mais surda, mais objetiva? Quem sabe?








UMA BOA MÃE BRASILEIRA...
Walter Galvani, em 01/05/2006

Hoje é Dia do Trabalho, com a grande paralisação dos "latinos" nos Estados Unidos. Mas, aqui no Brasil ainda repercute a escolha de uma mãe para o STF, e, portanto, ocupante da cadeira presidencial no Dia das Mães.
A crônica que segue foi publicada na edição de ontem do ABC DOMINGO


MÃE NA PRESIDÊNCIA

Walter Galvani


Já se sabe, desde quinta-feira, a carioca Ellen Gracie Northfleet, gaúcha de coração por ter sido educada aqui onde viveu longos anos, é a nova presidente do Supremo Tribunal Federal, no ponto mais alto de uma longa carreira construída no Ministério Público Federal e no Judiciário. Ela esta apta a substituir o presidente Lula em suas ausências daqui até às eleições de outubro. O vice-presidente José Alencar, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo e o presidente do Senado, Renan Calheiros, caso viessem a assumir a cadeira de Lula, ficariam impossibilitados de concorrer à reeleição, tema predileto de todos os políticos e ao qual acabou de render-se também o governador Germano Rigotto. As coincidências se somam, mas é para outro acontecimento inédito tendo Ellen Gracie como protagonista. Há anos se comemora, cada vez com mais intensidade, o Dia das Mães no segundo domingo de maio, no caso deste ano, dia 14. Pois, no dia 10, Lula embarca para a Áustria. O que significará isso? Pois teremos, pela primeira vez na história republicana do Brasil, uma mãe no cargo mais elevado em pleno “Dia das Mães”.

Tomara que ela seja uma mãe daquelas bem bravas, toda a sua tradição ligada a São Leopoldo também a credencia como uma mãe disciplinadora e poderosa. É disso que o país está precisando.... Um pouco de disciplina e muito mais educação.

E vejam, não é para mamar nas tetas da nação, que isso todos já estão acostumados a fazer ao longo dos tempos. Tenho certeza que ela terá carinho com os brasileiros, mas também aquele precioso sentimento de que é preciso encaminhar os filhos no caminho certo, fugindo às facilidades que a política às vezes oferece, as verbas gostosas, os fartos úberes de Brasília alimentando desde os espertos até os corruptos.

Como chegou a hora de darmos um basta a tudo isso, nada mais oportuno do que o surgimento de uma boa mãe.

Para garanti-la na posição de “mãe do ano”, a advogada Clara Northfleet, que milita no foro de Porto Alegre, está aí para ninguém discutir a validade da lembrança. Na certa, não serão poucas as entidades que correrão para serem os primeiros a lembrar a indicação de Ellen Gracie para o mais alto posto da Justiça no país e a feliz coincidência que a leva à posição de presidir, pelo menos por alguns dias, esta difícil república que, como se sabe já está em sua quarta edição e continua perigosamente a fazer água desde que foi inventada por engano pelo Marechal Deodoro na manhã de 15 de novembro de 1889 no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

A rigor a “mãe do ano” não terá muito a fazer, a não ser corrigir algumas eventuais distorções e, quem sabe, desvios que lhe passarem pela mesa durante os poucos dias em que exercerá a presidência. Mas, sem dúvida estará atenta e atuante no Supremo. Preparem-se. Quem duvida da pertinácia e da segurança de uma mulher que usa um coque enfeitado tradicionalmente por três presilhas marrons? Vocês verão o que é ser inflexível e se alguém ainda duvidava da altivez dos gaúchos, saiba que esta foi uma das nossas qualidades tradicionais por ela adotada, como conseqüência da sua longa vivência e formação no sul.

Sinceramente, estou disposto a comemorar o “Dia das Mães”, esquecendo que esta é uma data de origem comercial, mas pensando na hora de fazer um reconhecimento e encomendar um Brasil melhor do que o que temos aí. Os pais nunca deram muito certo nestas questões de educação; de fato, historicamente, as mulheres são um pouco melhores.




ARGENTINA DENUNCIARÁ O URUGUAI/
Walter Galvani, em 02/05/2006

É a "Guerra das Papeleras", resultado da construção de uma unidade industrial que, segundo os argentinos, irá poluir o Rio de La Plata.


Reunidos no município de Gualeguaichú,., os argentinos decidiram ontem continuar pressionando o governo central par denunciar o Uruguai à Corte de Haia. Concentrados em Fray Bentos, onde serão instaladas as unidades industriais de produção de celulose, os uruguqios mandam dizer que o seu país "não é mais colônia há muito tempo."
Não é uma guerra do futebol, nem das garoupas... Resta saber atéaté que ponto os argentinos estão, de fato, trabalhando pela defesa do meio ambiente, ou, quem sabe, or hipocrisia protestam apenas porque as fábricas não estarão em seu território, mas sim no do vizinho.
O problema é seríssimo, e é preciso que o Brasil comece a enxergar a devastação do pampa como próximo e evidente passo.
A Guerra do Rio da Prata póderámnos ensinar alguma coisa.




"DEPLORÁVEIS E INQUIETANTES'
Walter Galvani, em 03/05/2006

O jornal 'ABC' de Madri,
considerou as medidas
adotadas pelo governo boliviano,
na área do petróleo, como
dignas de muita atenção,
por serem, ao mesmo tempo,
"deploráveis e inquietantes".


Nesta quinta-feira, o presidente
do Brasil, Lula, e os
presidentes da Argentina,
da Bolívia e da Venezuela,
reunir-se-ão em Puerto Iguazú,
território argentino,
para conversar sobre o perigoso
tema. Quanto ao fato da
ocupação por soldados munidos
de submetralhadoras, as instalações das
empresas estrangeiras,
tomemos isso como um golpe teatral
demagógico, por parte de Evo Morales,
o presidente da Bolívia.
No entanto, a experiência nos indica
que nunca se deve desprezar um
jovem ditador ou candidato a ...
Ele foi eleito, mas não se sabe
o que o cacique tem na cabeça ou
o que lhe inspira ou transmite
o espírito de algum antepassado, expoliado pelos conquistadores espanhóis...
Em princípio, a Petrobrás
terá 180 dias para se manifestar se aceita o novo contrato
que estabelece 50 mais 1 % de ações
em mãos do governo da Bolívia.
Ou seja: o comando acionário
da operação.
A Argentina terá que dizer o que
pensa da proposta e também o sr. Elke Batista, empresário brasileiro,
que possui grandes investimentos
na área petrolífera da
Bolívia.
"Já vi este filme" terão dito
os petroleiros da Shell, da
aniga Exon pou Esso e outros
mais ou menos votados.
De qualquer forma, dar tapa em cego é sempre
deplorável e inquietante...



NESTE DIA 6 DE MAIO, CELEBRAM-SE OS 150 ANOS DE SIGMUND FREUD
Walter Galvani, em 05/05/2006

Transcrevo o editorial
do boletim eletrônico "Conexão Proex"
que situa Freud, a psicanálise
e explica a atividade
de uma universidade.
(Estou desenvolvendo intensa atividade
junto a Proex)


FREUD EXPLICA

Durante anos conviveu-se com esta frase que era quase uma brincadeira, mas que no entanto, bem adequada ao assunto, continha em seu bojo todo uma carga explicativa: “Freud explica”. Com isso, o curioso, o enfermo, o psicanalista, o psicólogo, o psiquiatra, o escritor, o artista, era remetido para as teorias de Sigmund Freud, nascido no dia 6 de maio de 1856, e, portanto, nosso aniversariante de 150 anos neste final de semana.
À certa altura se dizia que “Freud explicava tudo” e mais adiante, como acontece, passou a ser debatido, discutido e não tão aclamado assim, mas de qualquer maneira, sempre contribuindo com suas teses para a “psicanálise da humanidade”.
Há algum tempo entrou-se na fase da contestação pura e simples, da negação dos seus méritos. Mas, felizmente hoje, no Sesquicentenário do chamado “Pai da Psicanálise”, chegou a hora de situá-lo com perfeição, como “um homem além do seu tempo”, como foi denominado nosso seminário sobre ele. Não por acaso a PUCRS realiza uma discussão sobre o tema “A Psicanálise na atualidade e a atualidade da Psicanálise”, justamente na manhã do dia 6 de maio.
Este é o papel mais significativo que pode desempenhar uma universidade no campo cultural. Não apenas sendo a sede de eventos, mas interferindo como entidade produtora de cultura na mais pura acepção do termo, através de todos os seus institutos, faculdades, departamentos, para a ebulição entusiasmante que é a sua própria atividade.
Assim como encontramos este ou aquele setor empenhado na produção de fatos, seminários, simpósios, apresentações, discussões, logo adiante se vê que a PUCRS está procurando, como sempre e cada vez mais, assinalar a sua posição como a instituição capaz de abrigar todas as correntes, todos os pensamentos e todas as posições, embora sem abdicar da sua orientação confessional, política, científica e pedagógica.
Nem precisamos de Freud para explicar este enfoque, pois é mais do que conhecido o resultado positivo, para mais de cinqüenta anos, que assinala o engajamento da PUCRS nas principais questões que animam e agitam a vida riograndense e brasileira.




150 ANOS DE FREUD
Walter Galvani, em 06/05/2006

O dia, hoje, 6 de maio,
serve para assinalar os
150 anos de nascimento
do desbravador da alma
humana, Sigmund Freud.
E festejar que se está em boa companhia.
Vejam a lista dos nascidos
nesta data, sob o signo de Touro,
conforme os analistas
de comportamento humano,
gente que tem os pés no chão
e os olhos no infinito.
Vamos lá:


1501 Marcelo II, papa.

1574 Inocêncio X, papa.

1756 André Massena, militar francês.

1758 Maximiliam François Robespierre, líder revolucionário francês.

1856 Robert Edwin Peary, explorador norte-americano do Árctico.

1856 Sigmund Freud, psicanalista austríaco.

1861 Rabindranath Tagore, filósofo e poeta indiano.

1895 Rudolfo Valentino, actor e bailarino italiano.

1915 Orson Welles, realizador e actor norte-americano.




AMÉRICA DO SUL, 2006
Walter Galvani, em 07/05/2006

Esta crônica está publicada
hoje no jornal "ABC DOMINGO".
Circula na região metropolitana
de Porto Alegre.
Eu poderia tê-la batizado
de "Os astutos" ou qualquer
outro título de fábula de Esopo
ou Lafontaine...
Mas, preferí o romance
"de capa e espada" de
Alexandre Dumas, pai.
Aliás, no caso, "o pai
de todos"...




UM POR TODOS, TODOS POR UM

Walter Galvani


Não há quem não conheça a divisa dos “Três Mosqueteiros” que firmaram este pacto de apoio mútuo junto com o super-amigo D’Artagnan, em pleno século XIX nos livros vitoriosos de Alexandre Dumas. Lula, Hugo Chaves, Kirchner e Evo Morales, eles mesmos, em sua essência, demonstrativos das diversidades e semelhança de objetivos representativos dos seus povos, fizeram o mesmo diante das câmaras espantadas das televisões, em Puerto Iguazú nesta semana. Até que ponto poderão cumprir o que juraram, beijando simbolicamente suas espadas, só o futuro o dirá e pode ser que neste mesmo plácido domingo em que o leitor me acompanha aqui no ABC, já tenham se rompido as juras de amor eterno que levaram nossos quatro amigos ao altar.

A “nacionalização” do petróleo boliviano foi um belo golpe de cena e por trás disso haverá, quem sabe, um rearranjo comercial, e pouco mais do que isso. A Petrobras há de estrilar, como deve fazê-lo qualquer empresa, pois é sabido que elas não foram criadas para produzir efeitos beneficentes. Nisso, trabalham entidades bem intencionadas, especificamente criadas para isso, ou quadrilhas de ex-deputados que apenas centram sua produção de benefícios em si e em suas famílias.

Os quatro países, Bolívia, Brasil, Venezuela e Argentina, aparam suas arestas para tentar consolidar um mercado razoavelmente funcional neste sul da América, mas todos eles, os socialistas explícitos e os amadores, sabem que necessitam da participação dos poderosos continentinos do norte. Sem os Estados Unidos da América continuarão a produzir faíscas de liberdade e gravetos de poder. Leia-se nas entrelinhas deste acontecimento que mobilizou a opinião pública de nossos quatro países, a olímpica indiferença americana que, através de Condoleeza Rice, a linda chanceler, sequer mencionou o que ocorria lá, ao sul do Equador, na simpática cidade argentina que também possui a sua visão das Cataratas de Iguaçu, mas naturalmente sob o ângulo deles.

Mais importante, aliás, é a tratativa em curso por parte da Argentina, de uma denúncia do seu vizinho Uruguai, pela manipulação e mau uso das águas do Rio Uruguai, como conseqüência da instalação de duas “Papeleras” em Fray Bentos. Também nesta semana, o presidente argentino Kirchner liderou uma “demonstração” contra a “poluição do ar e das águas” por parte do seu vizinho Uruguai.

Os três mosqueteiros e D’Artagnan não fizeram referência a isso no seu encontro, eis que o assunto que os levara ao almoço era o petróleo da Bolívia e a exploração dos estrangeiros, no caso especial duas firmas brasileiras, e entre essas, aquela que leva a assinatura do governo brasileiro, nossa amada Petrobrás.

Claro que a Petrobrás está certa em preservar seus bens e seus negócios, é aliás sua obrigação e claro que temos razão em acompanhar com desprazer o acontecimento que nos mobilizou. Mas não se pode perder com isso a visão da realidade e imaginar que nossos heróicos mosqueteiros irão conseguir ultrapassar as dificuldades e de mãos dadas e espada na mão, gritando juntos seu empolgante lema, chegarão ao êxito. O mais provável é que os poderosos vençam mais este confronto, talvez por trás estejam os interesses da espanhola Repsol que atua também na Bolívia, ou que as antigas sete irmãs do petróleo estejam mexendo os cordéis. Daqui a algum tempo se saberá.

A História nos ensina, infelizmente, a sermos cínicos e hipócritas. As urnas eleitorais, que estão à vista no Brasil, nos ajudam a compreender que muitas concessões ainda serão feitas e muito teatro será encenado sem que se saiba quem é o autor do texto, aliás.

Ainda bem que estamos lembrando “os três mosqueteiros”. O “filme” poderia ser outro... “Os três patetas” por exemplo, para lembrar outra produção americana...











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HELDER MACEDO HOJE EM PORTO ALEGRE
Walter Galvani, em 08/05/2006

Estarei ainda hoje na sede do Instituto
Estadual do Livro, ao lado
dos escritores Luis Antônio
de Assis Brasil e Jane
Tutikian, conversando com
Helder Macedo, autor de "Sem nome", seu mais recente
romance, que estará sendo apresentado
na oportunidade.
A edição é da Record.


1ª Edição de Conversa com o Autor conta com a participação de Helder Macedo

Neste dia oito de maio deste mês, o Instituto Estadual do Livro e a Associação Ligia Averbuck promovem a primeira edição de Conversa com o Autor, com a participação de Helder Macedo, renomado escritor e poeta, natural de Moçambique

O debate sobre suas obras contará a presença de Jane Tutikian, Walter Galvani e Luis Antônio de Assis Brasil.

Helder Macedo, além de ser o autor do livro Pedro e Paula e Sem Nome, publicado recentemente, também é crítico, investigador literário e especialista das obras de Camões, Bernardim Ribeiro e Cesário Verde.

O evento será realizado na sede do IEL (Rua André Puente, 318) a partir das 18h30min, e terá entrada franca. Maiores Informações pelos telefones 3311 7299/3311 7311 ou pelo site www.iel.rs.gov.br .






HELDER MACEDO, HOJE EM PORTO ALEGRE
Walter Galvani, em 08/05/2006

Correção: ele não nasceu em Moçambique, como
muitas vezes se supõe.
Morou em Moçambique, quando
adolescente. Nasceu na África do Sul,
numa pequena cidade próxima à Johannesburg.
Foi para Moçambique, depois
Portugal, depois Inglaterra, esteve em
São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau,
Cabo Verde, é um homem de
múltiplas geografias, carregando
em seu calda cultural, o próprio lusitanismo
Não por acaso escreveu um livro sobre
a saga do rei Dom Sebastião.
Seu mais recente trabalho, chama-se "Sem nome".
Ele irá nos explicar isso
à noite, no IEL.
Quase que se faz o evento
sem o livro...
Mas, a representação local da
Record, Oswaldo Santucci,
moveu-se rapidamente e
conseguiu colocar alguns
exemplares à venda, na
sede do IEL, a rua André Puente.
Pertinho do "Shopping" Total.






SEM NOME
Walter Galvani, em 09/05/2006

O título escolhido para p
livro que o escritor Helder Macedo
(nascido na África do Sul, albvabetizado em Moçambique, educado
em Portugal, professor
na Inglaterra) e que conhece
metade do mundo, pode não informar
bem a beleza que é o seu mais
recente romance, editado
agora pela Record no Brasil.



"Sem nome" estava encaixado
em meu projeto de leitura.
Participei da mesa de lançamento, ontem,
no Instituto Estadual do Livro.
E assim que deu, me peguei na decifração agradável do romance de Helder.
Já se foram 67 páginas e
estou ansioso pela hora em
que vou poder retomar
a leitura.
É tão cativante que no
primeiro momento cheguei
a pensar que ele escrevera
o livro na primeira pessoa.
Adoro este estratagema.
Mas, não, é o narrador mais do que
onisciente.
Helder sabe tudo e não
esconde nada.
E, além disso, escreve de maneira
absolutamente moderna.
Sua linguagem, os temas e sub-temas
que aborda, tudo faz
parte de tal maneira da nossa vida
que nos surpreende como
ele salta sobre as pedras
e compõe a sua envolvented narrativa.
Parabéns, Helder.
Logo quero terminar a leitura
e em seguida irei atrás dos outros livros
de Helder. Em especial daquele,
"Vícios e virtudes", em que aborda
o sebastianismo, o mal de que
padecem portugueses e seus aparentados,
brasileiros...
Mas, primeiro vamos ao
"Sem nome".




IMPREVIDÊNCIA BRASILEIRA
Walter Galvani, em 10/05/2006

Só nós, somente nós, somos os culpados pela crise do gás da Bolívia.
Amanhã será um dia chave. Eles, os bolivianos, vão decidir se fecham ou não a torneira, se indenizam ou não a Pètrobrás e a empresa do Elke Machado.


Silas Rondeau é o nome que os brasileiros precisam decorar agora. Ele é o ministro de Minas e Energia da Bolívia e está com a espada de Dâmocles na mão, dependendo é claro da autorização de Evo Morales, outro nomezinho que está agora em nossas cabeças.
Se o presidente Morales autorizar, a Petrobrás verá sua cabeça boliviana rolar como a de um "subversivo" francês do século XVIII. Esclareça-se que, à época, subversão era ser monarquista...
Pois os representantes do imperialismo serão devidamente decapitados e a Bolívia não pagará um tostão de indenização às empresas estrangeiras.
Claro que no meio do caminho ainda há tribunais internacionais, Haia, acordos de livre comércio, relações bilaterais.
Mas, parece que a Bolívia, apesar de ter as mesmas cores verde e amarelo do Brasil, este ano não torcerá pela nossa Seleção na Copa do Mundo...
Se tudo sair bem, ainda haverá uma fórmula de continuarmos a receber o gás boliviano.
Mas, razão mesmo tinha o General Geisel, quando disse que era muito ruim ficar dependente de uma fonte só e esta fonte, pior de tudo, ser a pobre Bolívia. Porque - dizia ele - no instante em que a tal Bolívia acordasse, fecharia as torneiras.
Pois, fechou-as.
Ou pelo menos, ameaça fechá-las, a não ser que paguem o que pede pelo seu gás.
Imprevidência é o nome do jogo.



VAI ACABAR O GÁS...
Walter Galvani, em 12/05/2006

Será que Evo Morales ganha queda de braço com o Brasil?
Torcerão os bolivianos pelo Brasil na "Copa do Mundo"?
Ora, ora...


BOLÍVIA...

Walter Galvani

Lula está chocado. Evo Morales disse que o Brasil comprou o Acre pelo preço de um cavalo... A Petrobrás foi acusada, publicamente, de ser controlada por capitais “transnacionais”.
Com as eleições à vista, não se sabe o que pode ser mais contundente para o PT: Lula partir para a agressão, o repúdio ou agir diplomaticamente. Já se fala em chamar o embaixador de volta.
Enfim, tudo se tornou difícil, na obscura luta pelo poder no íntimo dos pobres. Quem é que disse que não há competição social nas favelas e malocas?
Pois entre os pobres da América do Sul, também.
Não é só nos sofisticados corredores dos palácios europeus, não é apenas em Viena, Londres, Paris, Roma.
Também não é apenas entre os que se candidatam a receber mais dólares do petróleo ou de Bush.
A Bolívia, de onde sai muito do gás consumido no Brasil, resolveu fechar as torneiras, bem como o ex-presidente Geisel dissera por volta de 78.
Agora, aí temos, de repente, a possibilidade de uma intervenção no continente, não se iludam, porque entre apoiar Argentina e Brasil ou abraçar a Bolívia e a Venezuela, claro que os poderosos “irmãos do norte” nem pensarão duas vezes.
Vamos ver, e isso é o mais importante agora, para que lado irá o Brasil nas próximas eleições.







AS MÃES
Walter Galvani, em 14/05/2006

Não há como fugir: é o Dia das Mães, embora, nesse caso mais do que em qual2quer outro,
sempre é dia das mães...
Todos os dias.
Esta é a crônica que publico
hoje no ABC Domingo, jornal do
Grupo Editorial Sinos


UM DIA (AO MENOS) PARA AS MÃES

Walter Galvani

As mulheres modernas, de um modo geral, rejeitam estas datas promocionais, alegando que não são mais que eventos comerciais, e que dispensam manifestações. Chocam-se, contudo, com as demonstrações de carinho que, induzidas ou não pela farta publicidade, se produzem em todos os círculos da população, dos mais ricos aos mais carentes. E não são poucas as que espionam discretamente os filhos que as visitam nesse dia, e embora dizendo que não atentam para datas impostas, ficam amuadas se eles não trouxeram um pacote embelezado com algum cartão ou com papéis alusivos.

Esta é a realidade. Depois de importada a comemoração e transformada em oficial através de decreto, passou a ser cultivada como um costume indispensável.

Indiscutivelmente, é bom que os marmanjos e marmanjas sejam lembrados nesse dia, o quanto devem de sua vida a quem os gerou, amamentou, e encaminhou na vida com amor nos seus primeiros passos neste planeta hostil, tão agressivamente adverso que a ele chegamos chorando...

Então, é desnecessária a anuência das mães para que elas sejam festejadas neste domingo.

Muitos, no entanto, bem que precisariam de um corretor puxão de orelhas, tanto para que se lembrassem da data, como para que retomassem os princípios de respeito à vida, à dignidade alheia, aos valores éticos do trabalho e da dedicação, que certamente lhes foram insuflados nos primeiros meses e anos de crescimento.

Nunca vi, não conheço mães que hajam transmitido conceitos errôneos e tampouco, de propósito, hajam procurado inocular em seus rebentos, defeitos ou vícios. Inadvertidamente podem, algumas delas, equivocar-se ou confiar demais em seus lindos filhinhos e, em conseqüência, criar uma expectativa que jamais será correspondida. Mas, errar por errar, de propósito, não é humano, nem próprio de mães. A não ser nos casos de desvio de conduta por doença mental.

Assim que, escrevendo aqui, estamos nos dirigindo às mães normais que constituem naturalmente a imensa maioria das que nos lêem. Ou a sua totalidade.

Isso nos alegra e encanta. Mesmo sabendo que não será tão fácil assim que engolirão todos a tal data, também é certo que não nos fará mal visitá-las neste domingo e levar, sim, um pequeno embrulho debaixo do braço, transformando o ato da nossa chegada à sua casa, num inesperado momento de alegria. Mesmo aqueles, principalmente, que delas tem divergido ou com elas tenham tido alguma inútil discussão. Como diz minha netinha de três anos que constantemente me dá lições úteis de vida, "não é preciso brigar". Converse-se.

Já dizia uma antiga publicidade nascida em velho provérbio, "é conversando que a gente se entende". Em meu caso particular, já não tenho mais minha mãe em seu invólucro terreno para que com ela pudesse debater os rumos de minha vida, depois que há setenta e tantos anos me empurrou para a alegria desta vida, apesar da indefectível choradinha inicial, depois da primeira palmada.

Aproveitem, aqueles que tem a felicidade de ainda terem a "amada velha" presente: agradeçam as atenções iniciais que possibilitaram vencer a coqueluche, o sarampo, a teimosia, a ignorância, a soberba, e tratem de safar suas consciências, enquanto é tempo.

Não liguem para as conotações comerciais da data. Até que é bom ter propiciado, mesmo que forçadamente, um momento de reflexão.
















GUERRA CIVIL OU CONFRONTO ENTRE O BEM E O MAL
Walter Galvani, em 15/05/2006

PCC versus autoridades
paulistas em busca do caos e
da conquista de direitos
pela força e pela barganha?
Sociólogos, correi! O que sucede
em São Paulo?
Políticos, correi!
O que ocorre em São Paulo
poderá reproduzir-se
no resto do Brasil?


PCC, SÃO PAULO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Há uma perplexidade generalizada no país. Afinal, o que está ocorrendo na maior cidade do país? O que lá sucede, pode ser exportado para o restante do território brasileiro? O que e por que ocorre o que lá se produz agora?
Afinal, o que é que está acontecendo?
Já foram chamados os sociólogos de plantão, os políticos, os especialistas em segurança, os jornalistas e ninguém até o presente momento produziu uma explicação plausível, algo que derrube os muros da imaginação e as fortalezas das convicções de um plano de subversão permanente, baseados na idéia da teoria da suspeita universal...
As sublevações, a tomada de reféns, os ataques à polícia, aos bancos, aos ônibus, tudo se integra num mesmo projeto político: provar que o Estado não tem condições de garantir a segurança da sociedade.
Mas, seria um “ataque nihilista” ou uma gigantesca manobra para provar que não há como garantir a prisão dos infratores, ou seja, que fora do crime não há salvação ou simplificadamente, o crime compensa...
Por enquanto, as forças ainda estão em plena ação, os fatos estão em desenvolvimento.
A qualquer momento vai se produzir a intervenção de algo superior às forças em jogo. Mas, enquanto isso não acontece, a população encastela-se em casa – quem pode – e tumultua-se completamente a vida na grande cidade.
Até onde iremos?
Trata-se de uma simples contestação de autoridade?
Uma revolta dos oprimidos?
Uma busca de justiça?
Uma demonstração de que o poder está em mãos do PCC?
Segurem a respiração.




MARIO QUINTANA, CENTENÁRIO DO NASCIMENTO
Walter Galvani, em 19/05/2006

Na sessão da Academia Riograndense de Letras,
ontem realizada, falei assim
sobre o poeta Mario Quintana,
cujo centenário de
nascimento o Rio Grande comemora:


IDENTIFICAÇÃO POLÍTICA E PESSOAL

Walter Galvani


Na primeira metade do século XX, os jornais ainda se caracterizavam pelo posicionamento político e ideológico, herança do “Século das Luzes”, rastro que se perdeu de lá para cá, especialmente na entrada deste vinte e um. Não cabe aqui especular até onde e até quando iremos, mas hoje em dia parece consagrada a convicção de que é possível ser “objetivo”, em meio ao vendaval de opiniões, divergências, colisões e interações que a imprensa, em todas as suas formas, enfrenta. Até que ponto se poderá manter esta linha? E quanto de verdade haverá nisso?
Não era o caso de Mario Quintana. Começando que a opção que o Mario fez, era uma escolha claramente política e ideológica. Ele era “maragato”, ou seja, em 1926, um seguidor das idéias de Raul Pilla e Assis Brasil. O Partido Libertador que representava no cenário político rio-grandense as posições destes políticos, era proprietário de um jornal em Porto Alegre, “O Estado do Rio Grande”.
Em 1926, Mario perdeu sua mãe e logo depois seu pai: “Eu me vi sem saber o que fazer – disse ele, historiando esta passagem de sua vida – O meu pai, quando faleceu estava sem dinheiro. Uma crise havia derrubado todo mundo. Então eu resolvi vir trabalhar no jornal “O Estado do Rio Grande”, com Raul Pilla, afinal, como ele, eu era maragato. Naquele tempo, já se nascia maragato. Eu tenho as melhores recordações de Raul Pilla, foi o maior patrão que eu tive.”
Mario começou a fazer no “Estado”, o mesmo que viria a fazer no “Correio do Povo”, em 1953. Ele traduzia telegramas, naqueles tempos chegados via agências de notícias, como a Reuter, a Associated Press, a United Press e a France Presse.
Quintana fazia no “Estado”, também, uma seção que era uma espécie de “jornal dos jornais”. Ele verificava o que estava acontecendo, lendo todos os jornais de Porto Alegre, Rio e São Paulo e preparava um resumo, uma análise, algo como o Jotabê (jornalista João Bergmann) fez mais adiante (anos cinqüenta e sessenta) na “Folha da Tarde”.
Aproveitava-se do talento de Mario, apenas a sua capacidade de tradução do francês, do inglês e do espanhol, atividade que ele exerceu mais adiante na Editora Globo, vertendo para a língua portuguesa, alguns dos maiores nomes da literatura mundial, como Virgina Woolf, Marcel Proust, Balzac, Joseph Conrad, Charles Morgan, Aldous Huxley e outros que integraram a famosa “Coleção Nobel”, dirigida por Erico Veríssimo.
Mario atuou no “Estado” até 1932, quando Flores da Cunha, o interventor federal no Rio Grande do Sul, fechou o jornal por ordem do governo central.
Então “emigrou” para o Rio de Janeiro, onde foi atuar como colaborador no suplemento literário do “Diário do Rio de Janeiro”, dirigido pela poeta Cecília Meireles.
Já então colaborava nos demais jornais gaúchos. Inclusive, havia publicado bem antes, em 1923, uma crônica-poema no “Correio do Povo”.
Mas, só quando voltou do Rio, que se incorporou para valer ao “Correio”, tornando-se a partir de 1953, algo de mais significativo para o grande jornal, primeiro como redator-tradutor do serviço internacional, mesma função que desempenhara no “Estado do Rio Grande”, até que afirmou seu prestígio de poeta e cronista e passou a ocupar-se apenas disso, com o beneplácito do diretor Breno Caldas.
Aliás, conta-se uma história pitoresca. Havia um diretor de pessoal, recursos humanos, que resolveu “enquadrar” o poeta e quis determinar que ele assinasse ponto. Ou que marcasse “cartão-ponto”...
Foi assim:
Um novo chefe de recursos humanos resolveu determinar que Mario teria que “bater o cartão ponto” na entrada e na saída do expediente.
O poeta se queixou na redação e o Dr. Breno Caldas mandou chamar seu funcionário do setor de pessoal e lhe disse:
“Olha, o “ponto” do Mario aqui no Correio é o que ele produz, poesia, crônica, conto ou o que quiser fazer. Nós muito nos orgulhamos dele.. Não precisa outro tipo de controle.”
Mario Quintana continuou trabalhando no “Correio do Povo”, produzindo o seu “Caderno H” e outras colaborações, como poemas, crônicas, no corpo do jornal ou nos cadernos especiais como o “Caderno de Sábado” ou o “Letras & Livros” enquanto o antigo “Correio” durou em mãos da família fundadora. Ou seja: até 14 de junho de 84.
Mas nem mesmo a sua relação de respeito pelo Dr. Breno Caldas impediu que Mario fizesse greve, a única da história da Caldas Júnior, de dezembro de 83 a fevereiro de 84. Claro que foi usado seu nome, como uma bandeira, pelos grevistas. Mario se manteve firme na greve.
Quando a empresa foi adquirida pelos novos proprietários, família Ribeiro, Mario voltou a colaborar e assim se manteve até seu falecimento.
Mas, nunca deixou de colaborar, a pedido, com os demais órgãos de imprensa e principalmente com os mais frágeis., com os alternativos. Ajudava com o seu nome a promover e sustentar o que podia os empreendimentos dos colegas jornalistas.
E, sobretudo, nunca deixou de receber na redação do “Correio do Povo” , os estudantes, as crianças e os jovens. Permanecia horas a fio batendo papo com a criançada e representava com perfeição a figura do “vovô” carinhoso que desejava ser, para todos eles.
Com os “grandes” é que era muito seguro, severo e às vezes até áspero.
Mas isso tem a ver com a necessária proteção da sua figura como jornalista, posição de que nunca se desligou de 26 até sua morte em 1994. Ou seja, durante seus 68 anos de jornalismo.






PARA ONDE VAMOS?
Walter Galvani, em 21/05/2006

As dúvidas são válidas neste
domingo, 21 de maio,
quando o país parece
estancar, em perplexidade.
Esta é a crônica publicafda
hoje no ABC DOMINGO,
jornal do Grupo Sinos que
circula na região metropolitana
de Porto Alegre:


PRISÕES, LÍNGUAS E MUROS



Walter Galvani





Aparentemente nada tem a ver entre si, questões como prisões no Brasil e prisões americanas em território alheio, muros que se constroem para separar países e decisões elitistas de estabelecer línguas nacionais. Mas, em verdade, são todos componentes do mesmo quebra-cabeças que se armou no mundo, onde muitos querem viver isolados, fechados em seus limites de condomínios exclusivos ou fronteiras nacionais.

Todos querem segurança, privacidade, emprego, educação, tratamento de saúde e ninguém quer dividir estas benesses com os miseráveis do terceiro e do quarto mundo.

Usa-se de tudo. Desde os custos dos planos privados até as religiões, procurando centralizar as vantagens e benefícios e impedir o acesso desta multidão de pobres e ignorantes, de “diferentes” porque não tem a mesma cor da nossa pele ou as mesmas convicções políticas e religiosas.

A discriminação chega ao ponto de um congresso, como o americano, haver aprovado uma lei que torna o inglês sua única “língua nacional”, mesmo que se saiba que há trinta por cento de latinos em sua composição étnica, que falam espanhol, sem falar nos outros, menos salientes, mas presentes no mosaico, como o português, o italiano, o alemão, o francês.

Alem disso, os Estados Unidos da América do Norte, recusam até relatórios da ONU, quando são criticados, como este publicado há um par de dias, em que a Organização das Nações Unidas condenou prisões secretas, pois isso é sinônimo de tortura.

Não importa então que seja no quintal do vizinho, como a prisão de Guantanamo no território cubano ou Abu Dhabi, em terras ocupadas no Iraque.

Simplesmente, não interessa aos norte-americanos dar satisfações de suas ações no exterior, ao mesmo tempo em que tratam de construir um muro para separá-los do México.

De nada adiantou o dia de paralisação dos latinos, que procurou demonstrar há menos de um mês, a importância que tem a sua mão-de-obra para o funcionamento da nação que outrora foi por todos admirada como a “líder dos aliados, dos países democráticos”. Isso ficou para trás, em 1945, final da II Guerra Mundial.

Língua nacional única, muros, prisões no exterior, invasões, ocupações, passaram a se constituir em normas de procedimento, comportamento padrão do “Império” na tentativa de construção de um sonho de indestrutibilidade. Lições sobre isso estão escritas na Bíblia, só para citar um livro antigo que narra acontecimentos já vividos pela humanidade, e que não cabe repetir. Desde a Babilônia, desde Nínive, desde Roma, tudo sempre foi igual.

A própria Europa abriu mais um pouco sua constelação de possibilidades e nações que se integram para receber os excedentes dos subdesenvolvidos que sobraram dos projetos frustrados de socialismo ou promoção de regiões empobrecidas.

Mas, por certo, não será limitando-se dentro das próprias fronteiras, reduzindo os meios de participação, estabelecendo muralhas tão impenetráveis como vistos diplomáticos ou exercício de uma “língua nacional” que se vai progredir nestes difíceis caminhos.

Vai ser mesmo o grande desafio do século XXI, talvez junto com a luta pelo silêncio e pela privacidade em termos individuais, o que teremos de enfrentar sem rodeios e sem desistência. Difícil, trata-se de um programa de construção de um mundo melhor, sem demagogias políticas, mas sujeito a todas as tempestades que se possa imaginar.





















CRIANÇAS MAL EDUCADAS
Walter Galvani, em 22/05/2006

Mas, e qual é a salvação?
Vejam o que aconteceu depois do jogo
entre Coríntians e Vasco.
O pior de tudo foi ouvir
a torcida gritando:
"Ahahan. Menor é taliban!"...
Ao que chegamos.
Num país em que não há mais res´peito
por nada, seria tolice imaginar
que ainda existisse algum
valor a preservar, na área da educação.
Por isso, o mínimo que se
pode dizer é que se tratava de
"crianças mal educadas".
Mas, isso resolve?
E escrever isso aqui, tambem,
resolverá alguma coisa?
Vejam o que diz a notícia vei
veiculada através da agência
"Lancepress":







Crianças vascaínas agridem corintianos após derrota


Lancenet!

09:23 22/05

LANCEPRESS

Assim que o árbitro Clever Gonçalves apitou o fim do jogo entre Vasco e Corinthians, neste domingo, dezenas de crianças invadiram o gramado de São Januário.



Leia abaixo o texto


O meia Carlos Alberto dava entrevistas, ainda no campo, quando levou um tapa de um dos menores. A torcida do Vasco aplaudiu, e as crianças se viram incentivadas a continuar.

Carlos Alberto, então, continuou sendo agredido, tendo levado até uma chinelada. O meia preferiu não reclamar da confusão.

- Teve um que me deu até um chute. Estava bravo porque o time dele perdeu (4 a 2 Corinthians). Mas está tudo bem. É do jogo. Comigo não tem problema, não - disse Carlos Alberto.

Quando os jogadores do Corinthians entraram no túnel inflável que leva ao vestiário, cerca de vinte crianças começaram a chutá-los pelo lado de fora. Os jogadores correram para o vestiário.

Da arquibancada, vinha o grito: "Hã, ahã, ahãm hã, os menor são talibã". Alguns policiais militares correram atrás dos garotos, que, mais velozes, escapavam e riam.

No ano passado, no jogo entre Vasco e Palmeiras, pelo Brasileirão, também em São Januário, o técnico do Verdão, Emerson Leão, passou por situação semelhante. Um garoto passou a mão em suas nádegas durante uma entrevista. Leão reclamou, dizendo que, se tivesse alguma reação contra o menor, seria o único criticado.




PERPLEXIDADE
Walter Galvani, em 25/05/2006

Esta crônica foi publicada
hoje no jornal
"Diário de Canoas",
editado pelo Grupo Editorial Sinos
e circula na região metropolitana
de Porto Alegre:


COMO MUDAR O PAÍS



Walter Galvani





Pelo voto, pelo voto, sussurram ao nosso ouvido palavras otimistas. Pelas armas, pelas armas, lembram velhos revolucionários. Pela educação, pela educação, está inscrito em nossa memória. Abrangemos com o olhar o que nos rodeia, visitamos “sites” na Internet, percorremos os jornais, escutamos o rádio, vemos televisão. Tomamos conhecimento das declarações dos lideres, do presidente da república, dos que se candidatam, Além do país, além dos nossos horizontes, há um “Pacto pelo Rio Grande”, existem os sacrifícios que se erguem em nosso caminho, temos a esperança e a certeza de que tudo se conseguirá, mas os dias passam. O vento faz rolar o calendário, o ano está chegando quase à metade. Daqui a pouco começarão os jogos da Copa do Mundo e nos dividiremos entre a vigília nervosa pela constituição da equipe e as informações sobre os adversários, o que normalmente nos é omitido pela rotina ufanista habitual dos brasileiros, depois o dia do jogo, a expectativa ansiosa, os primeiros minutos, o primeiro gol e depois a ressaca cívica que se estende noite adentro e chega até o dia seguinte.

Depois virá justamente o dia seguinte e mais outro e mais outro e novamente a rotina da expectativa, o jogo, a ressaca. E assim iremos até o dia 9 de julho, pois não passa pela cabeça de nenhum brasileiro que a Seleção não esteja na finalíssima marcada justamente para aquela data.

Os problemas nacionais? Estes ficarão adiados, pois, se não foram solucionados até agora passarão para um pouquinho mais adiante e isso não tem importância nenhuma, pois estaremos empenhados nestes jogos modernos que valem mais do que a olimpíada para os antigos gregos e depois é que falaremos.

E então, chegarão os jogos sérios das eleições.

Será outubro já e mais algumas distorções, acusações, escândalos e calúnias inundarão nossas ruas, “como um mar de lama”, tal como nos habituamos a ouvir aqui neste sul do mundo e depois terá chegado a hora de fechar os cadernos do ano, que 2007 estará à nossa porta.

E assim será.

De nada vai adiantar então o ranger de dentes ou rolar na grama, pois estará chegando a hora do verão e, como se sabe, durante o verão tem Carnaval e só depois de tudo isso é que colocaremos outra vez o pé na realidade.

Ah, a propósito, anteciparam o início das atividades escolares no Rio Grande do Sul para o dia 21 de fevereiro. Já é alguma coisa. Começaremos mais cedo, não tão cedo como São Paulo, Santa Catarina ou Paraná, mas, pelo menos mais cedo um pouco do que de costume aqui neste Rio Grande, onde herdamos dos nossos nômades antepassados indígenas, a idéia de que o verão nesta altura dos paralelos em que habitamos, é feito para vagabundear e não para plantar.

E então, já estaremos metidos num ano novo e praticaremos o que for possível, carregando ou não o peso das escolhas que fizemos nas eleições passadas e os resultados que obtivemos na Copa do Mundo.

E nos daremos conta de que o mundo girou, que a globalização continua, que os poderosos continuam mandando, que os fracos tiveram que ceder mais um pouco, que as nossas contas não fecharam, que será preciso correr atrás de soluções.

Mudará o Natal ou mudaremos nós? – como perguntaria Machado de Assis.

Nunca mais seremos os mesmos, o vento terá batido pelos campos afora, mais alguns milhares de hectares do Pampa terão sido sacrificados em nome de interesses pecuniários, mais algumas árvores terão sido derrubadas, mais alguns rios e regatos estarão sendo conspurcados, mais alguns pobres terão morrido de fome, mais alguns bandidos terão assassinado inocentes ou assaltantes terão roubado e matado e mais alguns apenados estarão desfrutando das vantagens da tecnologia posta à sua disposição pelo capital do mal.









ESTÁ CHEGANDO JUNHO. A BOLA VAI ROLAR E NADA MAIS TERÁ IMPORTÂNCIA...
Walter Galvani, em 28/05/2006

O mundo do futebol tornar-se-á
o único mundo real...
Crônica publicada hoje
no jornal ABC DOMINGO
do Grupo Editorial Sinos


NÃO FALTA MAIS NADA



Walter Galvani



Na metade da semana que vem começa o mês de junho e então, poucos dias para a estréia do Brasil na Copa. Esta semana a Federação Brasileira dos Bancos divulgou a medida que permitirá com que os bancários também assistam aos jogos, pois os bancos, nos horários dos jogos, estarão fechados. Será uma corrida para chegar em casa antes da hora em que a bola for movimentada, mas eles darão um jeito - na casa dos primos, num motel, num bar – e estarão alinhados com a torcida brasileira. Acrescente-se que já foram vendidos 11 mil pacotes de viagens, fora os demais torcedores brasileiros moradores na Europa e que acorrerão aos jogos na Alemanha. Nossa seleção estará, portanto, apoiada pela torcida no estádio e pela torcida brasileira que, através da televisão seguirá os acontecimentos. Alguns com os olhos na tevê e os ouvidos no rádio, mas o certo é que, experimentem a trafegar durante o horário dos jogos e perceberão que ninguém estará indo a lugar nenhum...

É o Brasil e apesar de que, se sabe, não são muito diferentes pelo mundo afora, em nosso caso específico a auto-estima é tão acentuada na hora do futebol que, nisso somos campeões incontestes. No gramado em si, tentaremos o hexa-campeonato, que seria o título seis vezes consecutivo, mas no caso da Copa, de tão importante que é, mudamos o significado. Hexa é campeão seis vezes, não importa que tenham ocorrido malogradas interrupções.

Posta de lado esta dúvida semântica, estaremos todos vestindo as cores amarelo, azul, verde e branco do Brasil, sentindo a emoção descer a coluna vertebral no instante em que o hino for executado nos campos da Alemanha – reforçaremos nossa opinião de que em matéria de hino só há para temer a “Marselhesa”, pois a França conseguiu com que, em nome da liberdade, sua belíssima “Marselhesa” se tornasse mais ou menos universal e por alguns dias, mandaremos também para o inferno qualquer prurido de que deveríamos trabalhar e estudar mais e torcer menos... Enlouqueceremos, como todos os brasileiros e só nos interessarão os joelhos e tornozelos dos Ronaldos da vida e ficaremos também enfurecidos com as arbitragens parciais, com os erros, os preconceitos europeus e os miseráveis gandulas alemães que custam a devolver as bolas que nos interessam e o fazem apressadamente, quando gostaríamos que retardassem sua ação.

É o futebol, paixão nacional que é também a mesma em muitos sofisticados e desenvolvidos países, como também nos pobres e subdesenvolvidos como Angola e Brasil. Pela vez primeira teremos três times falando português na Copa e esperamos apenas não nos encontrarmos com eles, nem com os times dirigidos pelos brasileiros. O azar do sorteio já nos colocará diante do Japão, onde Zico é o técnico. Que Deus nos afaste do Portugal do Felipão.

De qualquer maneira, de saída teremos a Croácia e a Austrália e o citado Japão. Nem sabemos o que é a Croácia, obteremos informações básicas agora, mas, da Austrália sabemos é a terra dos cangurus. Pouco mais. Anote-se que há por lá uma imensidão de brasileiros, em especial gaúchos, estudando e trabalhando. Serão nossos agentes infiltrados nas linhas inimigas.

Quanto ao futebol em si, estaremos cegos, usando uma espécie de colírio nos olhos que nos permitirá enxergar apenas o que nos for favorável.

Assim é e assim tem sido no Brasil, desde que em 1950 deixamos escapar a primeira “Jules Rimet” de nossas mãos, no estádio do Maracanã, construído especialmente para a nossa glória, no Rio de Janeiro, que então era nossa capital federal. Pois, deixou de sê-lo, por castigo.










Walter Galvani, em 29/05/2006





O PAPA BENTO XVI VISITOU AUSCHWITZ
Walter Galvani, em 29/05/2006

Deve ter sido duro para
um antigo membro da
"Juventude Hitlerista"
testemunhar e convencer-se
do que significou
a ação do Nazismo.
"Nevermore", como diria
o corvo de Allan Poe...


"ONDE ESTAVA DEUS NAQUELES DIAS?”

Boa pergunta.
O papa visitou Auschwitz e ficou escandalizado com o que viu e que apenas lembra o que foi a instalação de fornos crematórios para liquidar com o “problema judaico” durante a II Guerra Mundial. Adolf Hitler entendeu, e da mesma forma pensava todo o seu estado maior e, na certa, os eleitores e fanáticos do Partido Nazista, que o caminho para acabar com o predomínio judeu sobre o capital na Alemanha e em vários países da Europa, era um só: acabar com eles.
Quando jovem, o cardeal Joseph Ratzinger teve lá suas dúvidas e mais ainda quando bem jovem, por volta dos 12 anos, chegou a integrar a Juventude Hitlerista. No retoque de sua biografia, apresentado no momento em que ele concorreu a papa, afirma-se que a sua participação foi resultado de algo “compulsório”. Habitantes de sua cidade natal, disseram então, que não era lá tão compulsório assim, mas que os que não quiseram participar, afinal estão mortos. Ou melhor: foram mortos pela Gestapo.
Ratzinger fez a escolha pela vida.
Hoje ele é papa e tem o direito de se espantar com a indústria da morte estabelecida por Hitler, onde morreram 1.100.000 judeus, aproximadamente, sendo 150 mil deles, poloneses, 23 mil ciganos, 15 mil russos e alguns milhares de outras nacionalidades.
O Papa Bento XVI rezou ontem pelas vítimas do complexo Auschwitz-Birkenau, no norte da Polônia, a 60 quilômetros de Cracóvia.
Mas, vamos ser humanos. Teríamos tido coragem de fazer a escolha aos doze anos, pressionados por todos os lados, sabendo que a Morte, a Senhora Morte, nos esperava do outro lado da rua?
Teríamos tido forças para a opção?
Difícil de dizer, hoje, cinqüenta e tantos anos depois, não é mesmo?
Então, vale a pergunta: “Onde estava Deus naqueles dias?”




UMA NOVA CRISE EM PORTUGUÊS
Walter Galvani, em 30/05/2006

Timor Leste passa por sérias dificuldades
Será que o Brasil
vai tomar a iniciativa
de socorrê-lo
ou ficará aguardando
um pedido de socorro?


Milhares de pessoas deixaram
suas residências por medo
de saques e muitos se refugiaram
onde foi possível.
Brasileiros, inclusive,
que foram para o Timor
ajudar em sua recuperação
estão sendo atingidos
pela violência.
Ontem destruíram os
arquivos referentes ao
período de ocupação do país
pela Indonésia, o que
indica o que há por trás
do problemão.
Vamos ficar de braços cruzadops?
Será que a língua em
comum não motivaria
os brasileiros a entrar
em ação ou vamos
nos contentar com as
fotos mostrando os timorenses
de camisa amarela
torcendo pelo Brasil em
português na Copa do
Mundo?
Chega de folclore! Ação,
governo Lula!


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