MANDATOS E SALÁRIOS postado por walter em 20/02/05
Walter Galvani
O que me espanta é que não vi, praticamente em lugar nenhum, uma condenação veemente, seja da sociedade, seja de seus representantes legais ou auto-intitulados, da proposta enunciada por Severino Cavalcanti, novo presidente da Câmara dos Deputados, pela prorrogação do mandato de Lula por dois anos. Assim, de improviso, em sua chegada ao posto, ele propôs que a Constituição fosse rasgada e o atual presidente, sem eleições que justificassem, sem consulta à população, permanecesse. Não importa saber se Lula gostaria, se o PT aprovaria, o que está em questão é que não houve manifestações claras de repúdio à idéia. Sinal de que não saiu exclusivamente da cabeça de Severino... e até há quem a acalente como possível, provável e agradável.
Surpreendendo muita gente, desapontando seus opositores, Luiz Ignácio Lula da Silva tem sido, de um modo geral, um bom presidente da república, conduzindo o processo de desenvolvimento, em nome dos partidos aliados que o conduziram ao cargo, com equilíbrio e isenção. Pode não ter o mesmo brilho intelectual do antecessor, os humoristas podem até dizer que ele não sabe selecionar os talheres certos num grande banquete, aludindo assim à sua origem humilde, mas este, por certo, não é um defeito. Quando muito pode gerar um folclore simpático ou corrosivo, dependendo do nível e setor social onde se estiver dialogando. Não me importa que Lula não saiba quais são os talheres de peixe, aliás em desuso pela maioria da população que deveria, isso sim, ter melhores condições para consumir este e outros alimentos. Se o tal de “Fome Zero” não chegou seu objetivo, é também outra questão. Uma possível reeleição é algo que pode entrar na pauta do povo brasileiro. Só que, pretender impô-la, assim com uma penada, é uma ousadia e, no fundo, um golpe branco.
Repito que o mais surpreendente não é ter nascido tal idéia na cabeça de Severino Cavalcanti, imaginando beneficiar-se com isso pela continuidade, mas sim a indiferença completa do país. Será que o terceiro homem, na ordem constitucional para ocupar o mais alto cargo da república, não é importante? O que ele pensa, diz, faz ou anuncía como proposta sua, não repercute, não tem valor ou significação?
Este é um filme que já vi e revi muitas vezes, neste meio século de jornalismo e pouco mais do que isso de vida profissional, no mercado de trabalho. Venho desde os tempos do “Queremos Getúlio”, assisti sua derrubada, um breve interregno democrático, a Legalidade, a deposição de Jango, a “Redentora” que se alongou até o reflorescer de uma primavera democrática, embora não fosse a nova república, aquela dos nossos sonhos.
Hoje, etimologicamente abordada, a República passou a significar uma postura política, portanto, somos todos ou pretendemos ser, republicanos. Mas, nem por isso aceitamos a idéia de um “cônsul” nomeado. Acho melhor que o sr. Severino vá retirando o seu jegue da chuva (aliás, chuva é o que mais queremos) e o amarre por aí, à sombra, para se beneficiar do super-salário que os deputados vão se auto-atribuir e os merecidos noventa dias de recesso, quando limitar-se-ão a fazer contato com as bases, coisa impraticável nos simples quatro dias da semana em que podem viajar até elas, com as custas pagas pela Nação...
Não quero ficar batendo nos parlamentares, pois esta é uma instituição preciosa para a nossa, digamos, República. Só que não é preciso imitar em tudo o glorioso “Império Romano” que, aliás, chegou a ter 900 senadores! O ponto de exclamação será ainda necessário? Se acharem válido, mantenho-o para sinalizar, a “Prorrogação de mandato”!!!
(Publicado hoje no jornal "ABC DOMINGO", que circula na região metropolitana de Porto Alegre, editado pelo Grupo Editorial Sinos, com sede em Novo Hamburgo.
Todos nós que atuamos na área literária e ou jornalística, devemos agradecer à iniciativa do Grupo Editorial Sinos que criou o programa “ABC Alfabetizando” que completará um ano no próximo dia 26. No encontro desta semana com o governador do estado, Mário Gusmão, nosso presidente, lembrou com exatidão que se sente “uma vibração coletiva” em torno ao projeto. E ao serem apresentados os números ficou-se sabendo que há, no Rio Grande do Sul, 501 mil pessoas, não-alfabetizadas, maiores de 15 anos e na região, pouco mais de 59 mil. Os números já são conhecidos dos que acompanham o “Diário de Canoas”, mas sempre é bom relembrar e, sobretudo, destacar que segundo dados do próprio IBGE e das prefeituras, o incremento em 2004 foi de 123 por cento. Só este resultado do primeiro ano, já seria suficiente para apontar o mérito do plano, se esta qualidade já não fosse reconhecida publicamente pela sensibilidade das pessoas.
Ora, a influência da melhoria de qualidade sobre os serviços, sobre a atividade profissional, sobre a oportunidade de trabalho, sobre a produção e no próprio índice de felicidade pessoal, é tamanha, que não se pode sequer imaginar que alguém fique de fora ou desconheça seus bons efeitos e melhores fluídos.
As futuras gerações é que nos agradecerão, mas dessa vez não haverá um hiato entre o que virá e o que é possível, até porque os efeitos são imediatos.
Qual terá sido o dia mais feliz de vossas vidas? Posso falar sobre a minha. Era menino, por volta dos seis ou sete anos, ainda não fora acolhido no La Salle, e minha mãe afanosamente procurava me enfiar na cabeça, diariamente, o significado das letras, das sílabas, das palavras, seus sons e significados. Aos poucos fui descobrindo, nos jornais que meu pai assinava, o que as letras grandes queriam dizer, e mais adiante as pequenas, as muito pequenas. Nas viagens para Porto Alegre, naquela época e para quem tinha as pernas curtas, “uma grande viagem”, acompanhava emocionado a formação de palavras nos letreiros luminosos e aos poucos ia descobrindo aquele mundo novo. Continuei no cultivo das palavras e transformei-as em meu ganha-pão. Não tenho queixas do que a vida me trouxe neste terreno e só tenho boas lembranças daquele distante começo.
Como será hoje incorporar-se a um processo que representa o comprometimento digno de todas as administrações públicas e entidades da área? A resposta está com os participantes do projeto.
Na certa o mesmo nível de emoção e carinho que se teve na infância privilegiada e no futuro o mesmo resultado que colhemos.
Será preciso ver até que ponto esta digna tarefa foi cumprida e poderemos dizer como se diz na Inglaterra: “Graças a Deus que temos a BBC de Londres”.
A meta de erradicar o analfabetismo na região é desafiante por todas as razões, além do mais por estarmos incluídos, é claro, no contexto brasileiro e de sermos atingidos pelas setas do subdesenvolvimento, da ignorância, da pobreza e das limitações pessoais, das conveniências políticas e das indignidades. Ainda perseguimos “um opala amarelo” para descobrir a origem das contravenções que se produzem à plena luz do dia em todas as subestações da vida e, no entanto, fingimos que acreditamos no que fingem que nos impingem por sua vez. Quanto melhor for o nível da população, mais difícil será mentir-lhe, enganá-la ou reduzi-la intelectualmente.
Por isto, somos todos soldados deste projeto e dele retiramos propósitos e exemplos de vida e atividade pessoal e profissional.
Saber onde moram, quem são e porque são analfabetos, também ajudará na tarefa hercúlea que norteou a idéia. Afinal, dominar a palavra escrita, é o segundo passo e o mais importante depois de aprender a falar.
LULA E A GOVERNABILIDADE postado por walter em 16/02/05
A eleição no Congresso ou a morte a freira? O que abreviou o retorno do presidente de sua viagem ao exterior?
Walter Galvani
Na verdade, a governabilidade num regime presidencialista, é mais importante do que se pensa. Porque o presidente não é lá tão presidente assim... Sabendo disso, Lula aproveitou muito bem a repercussão internacional do assassinato da freira americana Doroty Stang e retornou antes da hora, abreviando sua passagem pelo Suriname. Pena porque assim o Brasil continua desconhecendo como sempre, seus vizinhos, odiando os do sul e ignorando os do norte. Seria uma boa experiência profissional, inclusive, para os jornalistas que acompanham Lula.
Mas, o fato objetivo é que o marimbondo que mordeu o presidente foi o fracasso dos dois candidatos petistas na Câmara dos Deputados. Não que Severino Cavalcanti, do PP, de Pernambuco, não seja por acaso da base governamental. É, sim, e sempre votou com o governo.
Mas, a perturbação de Lula é a mesma do pai que fica sabendo que os filhos, mesmo sabendo da hora de voltar para casa, não o fazem, chegando sempre de madrugada... Ainda mais com os perigos que andam pelas ruas...
Pois é, os filhos do PT, no ano do jubileu, estão ficando independentes demais.
Lula sabe bem e conhece profundamente a questão.
Mas, no momento em que estamos escrevendo estas linhas, já está em ação. Preparem seus corações.
SEVERINO CAVALCANTI, NOVO PRESIDENTE DA CÂMARA DE DEPUTADOS DO BRASIL, 'BAIXO CLERO' OU ... ? postado por walter em 15/02/05
Várias tentativas de interpretar quem é, mesmo, o novo presidente da Câmara brasileira, ocupam a mente dos brasileiros atentos
Walter Galvani
Tem gente que não se preocupa com isso. E com nada. Na verdade, é importante ser o presidente de um colegiado que vota, aprova e desaprova propostas do governo e cria leis.
Por exemplo: Severino Cavalcanti, que é do PP de Pernambuco, é autor da lei que proíbe a exibição de cenas de sexo e violência na tv, das 6 da manhã às 22 horas. O que não é obedecido, veja-se as novelas que vão ao ar neste horário. Sem falar nos jornais e especiais sobre violência. Emissoras aliás, que fazem o pior pela imagem do Brasil no exterior, transmitindo, via satélite, coisas terríveis, que se passam em nosso país e que, gostaríamos que não ocorressem.
O deputado eleito agora presidente da Câmara é chamado de "representante do baixo clero" e prometeu, o que lhe valeu, em parte, a grande votação e a primeira grande derrota do governo Lula no Congresso (pois havia dois candidatos do PT), aumento para os deputados.
No entanto, leitores atentos, não se deixem render pelas primeiras impressões dos órgãos de imprensa. Leiam profundamente e leiam com atenção nomes como Jânio de Freitas, Carlos Heitor Cony e outros comentaristas de respeito, para sacarem suas conclusões, sem pressa.
MORTES NA GUERRA CIVIL, MORTES NO TRÂNSITO postado por walter em 14/02/05
O Brasil concorre com os países do Oriente Médio em matéria de mortes... Eles na guerra civil, e nós, no trânsito...
Só no Rio Grande do Sul morreram 24 nas estradas no último fim-de-semana
Walter Galvani
É incrível, mas verdadeiro. À cada fim-de-semana, centenas de brasileiros, em geral jovens e masculinos, mas também mulheres, claro, e gente de todas as idades, morrem no trânsito.
É inacreditável. A que se deve debitar uma tal irresponsabilidade? Se você observar o tráfego nas estradas, poderá concluir que a imbecilidade vai ao volante de muitos daqueles carros.
E como os automóveis estão cada vez mais frágeis e no entanto, mais potentes, e como as rodovias estão piores, é lógico, não há o que esperar.
Cada mãe que chora, cada pai que lamenta a morte de um filho, cada filho que fica órfão, aumenta a dor da sociedade que não sabe o que faz.
Não dá para criticar a China que limitou, por exemplo, a proliferação dos ciber-cafés e estabeleceu distância mínima das escolas e idade limite para certos horários.
Os chineses sabem... Ali´´as, "la Cina e viccina"...
DESAPARECE COM ARTHUR MILLER, UMA VOZ AMERICANA RESPEITADA postado por walter em 11/02/05
Aos 89 anos, morreu ontem em sua casa em Conecticut, onde se achava recolhido, padecendo de câncer e outras complicações, pulmonares e estomacais, o grande dramaturgo americano Arthur Miller
Walter Galvani
Em certo momento da minha vida, eu gostaria de ter sido como Arthur Miller. Não por ter sido ele namorado de Marilyn Monroe, mas até por haver ultrapassado aquele momento de dificuldades em sua vida, fazendo a sua catarse e nos propiciando a nossa, com a peça "After the fall", "Depois da queda" como se chamou no Brasil, onde a vimos com Paulo Autran e Maria della Costa. Hoje nossos dois grandes atores vivem de suas pousadas em Paraty.
Mas o que importa é que foi Arthur Miller o grande denunciador da "caça às bruxas", nos Estados Unidos, quando, nos anos de guerra-fria, houve perseguição a todos os intelectuais de esquerda. Sua peça "As feiticeiras de Salem", no original "As Bruxas de Salem", constituem-se no libelo mais importante que então se levantou.
"A Morte do Caixeiro Viajante" representou, por outro lado, uma análise da medíocre vida americana, que, aliás, não é exclusividade dos Estados Unidos. Muitos se sentiram retratados naquele drama de costumes.
Miller deu o seu recado, como íntegro homem de letras, ao longo destes seus 89 anos de profícua existência.
A Paz estará atrás deste gesto de Ariel Sharon e Mouhamed Abbas?
Walter Galvani
Sempre uma grande conquista começa com um pequeno passo. Um gesto. Apesar de que a Jihaad e outras entidades subversivas não acreditem no futuro de Israel e Palestina, os dois líderes apertaram-se as mãos e prometeram ontem, que trabalharão pela paz.
Já é um passo, depois desse sofrido carnaval em que os brasileiros suaram e se empenharam em demonstrar que as lágrimas também correm por trás das máscaras da alegria, vide episódios nos desfiles cariocas e que não só de rivalidade vivem os foliões, mas também de amor e dedicação à coisas mais úteis do que explodir os conhecidos e desconhecidos, como ocorreu na Espanha e como sempre acontece no Iraque, hoje, como ontem, e como amanhã, talvez...
O difícil caminho da pacificação entre palestinos e israelenses começou a ser trilhado ontem e duvido que exista, no mundo inteiro, alguém que não tenha uma fímbria de esperança neste gesto.
Um aperto de mão é sempre um aperto de mão e não podemos acreditar, sem prova em contrário, que não estejam sendo sinceros os dois líderes.
Bem, o resto virá depois.
Voltaire dizia que o otimista é um ingênuo.
Prefiro me alinhar nesta casta.
Acredito na Humanidade. Ponto final.
O que fica pelo caminho, mortes, traições, assassinatos, tudo isso é nada perante o que desejamos. Felicidades e um sol de ouro brilhando no horizonte.
Desculpem minha doce paranóia pela liberdade e pelo respeito aos direitos humanos de TODOS.
Sem distinção de cores, raças, pensamento ou situação socio-econômica.
NO MEIO DO CARNAVAL postado por walter em 07/02/05
Ainda há tempo, irmãos...
Walter Galvani
Tempo para tudo. Até para "renunciar as coisas terrenas" e fazer um bom retiro espiritual, quanto para "cair na gandaia" e enterrar a tristeza.
Antigamente, muito antigamente mesmo, a gente pensava assim: bem, estamos no meio do Carnaval, ainda temos dois bailes pela frente!
Agora, brinca-se nas ruas, em casa, nas danceterias, nos restaurantes. na beira da praia ou aonde lhe parecer conveniente.
Não há mais restrições.
E o Carnaval começa bem antes da Terça-feira Gorda e termina bem depois...
Na Bahia, por exemplo, é Carnaval desde dezembro. No Rio, desde o Reveillon.
Cada vez mais profissionalizado e comercializado.
Enquanto isso, Joãozinho Trinta, o grande artífice desta fábrica de dólares-turismo que é o moderno carnaval brasileiro, deitado num leito de hospital, passa pelas dificuldades de quem não tem plano de saúde.
No Brasil, impraticável. A Saúde é privatizada em nosso país, e quem não tem plano particular de saúde, que trate de fazê-lo.
Não há outra opção.
É a primeira lição dos ditos "festejos momescos".
Há outras também: o mundo não pára, enquanto o Brasil samba. Prestem bem atenção. Quando sairmos deste tríduo ou novena, contem as baixas, verifiquem o que mudou por aí afora.
Já se sabe, por exemplo, que as mortes no trânsito vão bater o recorde.
Já temos indicações neste sentido, praticamente em todo o país.
Quem sabe atenda-se ao conselho sábio: quem bebe não dirige?
Bem, estou saindo do ar. Vou preparar a minha fantasia para esta noite...
OTIMISMO, OS CÂNDIDOS CONTINUAM POR AÍ... postado por walter em 05/02/05
266 furtos e 22 roubos no Fórum Social Mundial. Gaúchos mantém otimismo com relação ao futuro da nossa economia. Assaltos cinematográficos nas estradas. Crime organizado no Trensurb...
Walter Galvani
Sinceramente, não sei quem é o maior idiota, como o "Cândido" de Voltaire... Nem os quatrocentos anos quase em cima da obra do grande pensador francês retiram-lhe a oportunidade...
Vejam agora: os gaúchos, habitantes do Rio Grande do Sul, província meridional do Brasil, crêem na melhor da nossa economia para um futuro imediato.
Boa essa, hein!
Enquanto isso, vejam só, os 266 furtos e 22 roubos, mas com só 18 flagrantes, durante o FSM.
Por outro lado, na estrada, na velha e amigável região serrana, um assalto mobiliza dois caminhões, um seqüestro de um ônibus com 22 jovens, e mais uma vez o crime organizado saiu ganhando...
Será que temos efetivo suficiente para este combate?
Num bar em Canoas, a Polícia encontrou 2.000 bilhetes de metrô, 400 de ônibus e 80 pacotes de cigarros.
Para onde você se volta, depara com a corrupção, o furto, o roubo, o desrespeito.
Tomem nota: apesar de tudo, continuamos ingenuamente otimistas.
Ou será algo pior?
Estaremos aceitando a mixórdia geral?
REI MOMO ASSUME O PODER postado por walter em 04/02/05
De hoje até quarta-feira, só se escutará no Brasil, o som das batucadas
Walter Galvani
Tente marcar um contato profissional, um exame médico, uma consulta, uma grande operação comercial? Nada. Só depois de quarta.
"Fechado" - "Férias" - "Vacacciones"
"Closed"
Assim é e assim será, como tem sido desde o século XIX.
Até mais.
Durante este período não é apenas simbolicamente que o Rei Momo recebe as chaves das cidades.
Em verdade, ficará tudo por conta do Carnaval, enquanto na televisão, até mesmo o noticiário comum andará sumido.
Veremos fantasias, travestís, bundas, muitas bundas. É o Brasil.
Outros, hipócritas ou não, fugirão para retiros espirituais.
Alguns, lá mesmo nos retiros, darão uma ligadinha nos aparelhos de tevê do refeitório, para ver o que ocorre no mundo.
Sim, no mundo pode ser, mas no Brasil, só bundas. Bundas abundam. E só.
Não sei se vale a pena, não sei mesmo se adianta fazer uma recessão deste tipo, mas, até pode ser que seja útil.
Ah, você não gosta de Carnaval? Ótimo, então feche-se em casa e leia alguma coisa.
Sempre pode ajudar. Além do mais, serão quatro dias de vantagem sobre a maioria da população brasileira, que, neste período só pensará em trago, birita, mulher, samba e homem, naturalmente, pois temos três sexos.
IGNORÃNCIA, MÁ FÉ OU INCOMPETÊNCIA? postado por walter em 03/02/05
Associated Press, ou de como uma poderosa agência internacional de notícias, demonstra sua, digamos, falta de informação...
Walter Galvani
Sou dos tempos em que militávamos na redação de um grande jornal, no caso o "Correio do Povo" de Porto Alegre, com a devoção à "camiseta" dos nossos fornecedores de serviços. E como nosso arqui-adversário, o "Diário de Notícias", contratava os serviços da "United Press", como integrante da cadeia de "Diários Associados", nós, do Correio, acreditávamos firmemente na superioridade da "Associated Press".
Ambas norte-americanas, mas então confiávamos no mito da objetividade e da imparcialidade do trabalho dos nossos colegas americanos.
Tivemos vários amigos entre os correspondentes estrangeiros que representavam a AP, como carinhosamente era chamada, até que a representação passou para jornalistas locais. O primeiro escolhido, e que atuou por muitos anos na função, foi Joseph Zukauskas, cidadão francês de ascendência polonesa, mas naturalizado brasileiro, que era nosso colega de empresa também, atuando então na "Folha da Tarde". Todos os anos nos reunimos, uma ou duas vezes pelo menos, fora os encontros ocasionais na Rua da Praia, a principal via da capital dos pampas, Porto Alegre.
São bate-papos muito calorosos, sobretudo aqueles dois, citados, e que significam um jantar de fim-de-ano dos antigos colegas, ou no dia 27 de abril, aniversário de fundação da "Folha da Tarde" que, pasmem os que desconhecem o episódio, não circula mais há 28 anos.
Bem, mas quero falar da lenda de qualidade da Associated Press e da sua deslizada de ontem...
Tínhamos então respeito e verdadeira admiração pela AP. Os anos passaram, os Estados Unidos deslizaram também diante da opinião pública mundial e ontem a AP mandou uma foto e uma legenda para todo o mundo, onde a presunção e o preconceito, não fazem jús, por certo, ao antigo prestígio.
A foto é de Fidel Castro abraçando o Ministro da Educação do Brasil, Tarso Genro.
Na legenda, a prestigiosa agência americana diz que "o presidente cubano Fidel Castro é visto durante um congresso internacional de pedagogia, terça-feira, 01 de fevereiro, em Havana, Cuba. Em entrevista ao vivo por uma estação estatal de televisão, Castro fala a milhares de professores que acorreram à conferência em Havana, quando ele infocou diretamente o pronunciamento de Bush, no discurso "O estado da Nação", em que o presidente americano invectivou diretamente países como o Irã.
A legenda completa dizendo que "a pessoa à esquerda (de Fidel) não é identificada".
Ignorância, má fé ou incompetência?
Ou desprezo pelo Brasil ? (como diriam os nacionalistas radicais)...
"A pessoa à esquerda" de Fidel, é o Ministro da Educação do Brasil, Tarso Genro, que naturalmente teria que estar num Congresso Internacional de Educação, ainda mais se realizado na América Latina e mais ainda considerando que o Brasil será o país homenageado na "Feira Internacional do Livro" que começa neste fim-de-semana em Havana.
Pobres sonhos da juventude, pobre Associated Press, pobre objetividade jornalística, tudo sucumbiu à "tsunami da burrice geral" que, como um dilúvio, invadiu o mundo...
O JULGAMENTO DO NOSSO FÓRUM E DE NOSSA CIDADE postado por walter em 02/02/05
Eles estão sendo corretos conosco
Walter Galvani
Não adianta chorar e dizer que eles estão sendo duros, que não merecemos isso. Afinal de contas, é preciso se dar conta de que não somos crianças e que não podemos esperar dos outros, um comportamento tipo assim papai bondoso, que esquece tudo e passa a mão por cima.
Temos que ser adultos e aceitar nossos erros, para, compreendendo-os, corrigi-los e partir para a frente.
Tanto é assim que o que disseram os visitantes, o registro dos erros ocorridos no Fórum, as críticas à Lula, as vaias, as cobranças, tudo isso vai sendo somado e diminuído em nossa conta internacional. Lá se foram os anos românticos em que Porto Alegre era um símbolo e um nome , digamos, no mínimo "fashion", para usar uma expressão da moda.
Erramos sim, não somos donos do Fórum, no ano que vem ele não será aqui, mas o que ficou é que é o importante.
Em primeiro lugar, a lição dos erros.
Em segundo lugar, considerar que este foi o mais conclusivo de todos os fóruns, aliás, atendendo a um apelo mundial.
Qual deles terminou com a condenação de Bush ou pedindo a sua cabeça à ONU?
Ou não leram o manifesto dos intelectuais que encerrou o encontro em Porto Alegre?
Pode não acontecer nada, mas que foi dito aqui, isso foi.
E só este manifesto vale a pena, fazendo esquecer os erros de organização. Isso fica para o próximo encontro.
A REFORMA DA CULTURA CATARINENSE postado por walter em 01/02/05
AMEAÇAS SEMELHANTES NO RIO GRANDE DO SUL E EM SANTA CATARINA
Walter Galvani
Tanto o Rio Grande do Sul, estado mais meridional do Brasil, quanto Santa Catarina, a pequena maravilha da Natureza, cuja capital é uma jóia, Florianópolis, onde me encontro agora, vivem momentos difíceis no setor cultural.
No Rio Grande fala-se na mudança da lei que permite os incentivos fiscais e com isso facilita aos empresários e ao estado a função de mecenas. Já em Santa, fala-se na privatização ou na transferência de responsabilidades, tanto que o estado quer repassar a Fundação Cultura, responsável pelo CIC, onde há um cinema que pelo menos exibe películas diferentes das baboseiras dos habituais cines de shoppings, onde há um teatro e uma galeria de artes, cursos e oficinas, para o município, que mal pode com suas próprias pernas.
Este pequeno assassinato, denunciado ainda ontem com uma passeata pelas ruas da capital, que apoiamos integralmente, eu e minha companheira Carla Irigaray que, jornalista e pesquisadora como eu, produtora cultural inata que é.
Amanhã, quarta, haverá um debate público, às 14 horas, o que chamam aqui de "audiência pública" pra debater estes pontos fundamentais do projeto governista que podem atingir além de tudo, a Lei do Livro, os editais para o cinema, as leis de incentivo à cultura, a LIC dos catarinenses, tal como existe algo parecido no Rio Grande, igualmente ameaçado.
Vamos ver. E participar.
Depois, contaremos aos que nos acessam do mundo inteiro, para que saibam como os brasileiros tratar esta coluna fundamental do desenvolvimento que é a Cultura, com C maiúsculo.
Deixando da demagogia, não é por acaso que o Brasil se classifica tão mal em pesquisas internacionais de leitura, compreensão da leitura, entendimento da matemática e tudo o que diz respeito à uma real formação fundamental do ser humano.
ALBERTO MUSSA, COM "O ENIGMA DE QAF', GANHOU O PRÊMIO "CASA DE LAS AMERICAS" postado por walter em 29/01/05
A literatura brasileira concorreu com 144 obras. O júri (Raul Antelo, Eduardo Coutinha e Tabajara Ruas) escolheu o livro de Alberto Mussa
Por Walter Galvani
Na condição de premiado com o "Casa de las Americas" em 2001, sinto-me capacitado para expressar o júbilo que este prêmio internacional, já em sua 46a. edição ininterrupta, traz aos vencedores. São muitos os premiados a cada ano, mas apenas um em "Literatura Brasileira". Este ano, o júri integrado pelo nosso conterrâneo (gaúcho) Tabajara Ruas, (que na certa mereceria o galardão se tivesse inscrito seu "Perseguição e cerco a Juvencio Gutierrez" no ano do seu lançamento) Raul Antelo e Eduardo Coutinho, todos nomes de relevância no Brasil, teve o trabalho de ler 144 obras, naturalmente com a vantagem para aqueles que já haviam lido algumas delas e portanto puderam antecipar algo, na belíssima Trinidad, no magnífico litoral cubano.
Alberto Mussa, o brasileiro premiado, nasceu em 1961 no Rio de Janeiro e este, "O enigma de Qaf" é apenas o seu terceiro livro.
No "Festival de Literatura de Berlim", no ano passado, os organizadores o elegeram como o destaque, dizendo que o autor e justamente seu livro "O enigma de Qaf", mereciam ser descobertos pelo público europeu.
Na certa, a pedra de toque representada pelo "Casa de las Americas" o ajudará nesta imensa caminhada que ora inicia, para valer.
Desconhecido da maioria do público, mesmo no Brasil, o carioca de 44 anos incompletos, é formado em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os jurados brasileiros escreveram em sua decisão em Cuba, esta semana que "o livro é um romance altamente elaborado sob o ponto de vista estético e literário, que revela amplo domínio da linguagem e grande originalidade na exploração de estratégias narrativas. É uma obra densa que induz à constante reflexão do leitor e ao mesmo tempo resgata, com sabor e boa dose de humor, a velha técnica de contar histórias. (...) A obra ganhadora funde exemplarmente rigor construtivo e potencialização de artifícios."
O livro estrutura seu relato sobre 28 capítulos, cada um ligado a uma letra do alfabeto islâmico, "resgatando uma cultura obliterada", disseram os jurados.
"Trinca de Traídos" deu a Yacir Anderson Freitas, do Brasil, uma Menção Honrosa, um volume com 24 contos, cujo marco referencial é Machado de Assis.
DEMOS UM RECADO, FALANDO ATÉ EM GOVERNO MUNDIAL postado por walter em 28/01/05
Este foi o meu discurso na abertura da participação de Cuba no V Fórum Social Mundial ontem à tarde:
Amigos de Cuba e de todo o mundo
Senhoras e senhores
O poder emergente da China e o futuro do Iraque talvez sejam os símbolos da preocupação maior dos países de todo o mundo, mas por estarem envolvidos ambos com a maior potência dos tempos modernos: a primeira em rota de colisão com os projetos de crescimento americano, e o segundo, ocupado mas não vencido, nos planos dos Estados Unidos como fornecedor de matéria prima tão importante como o petróleo.
Mas esses são temas que cabem mais em Davos do que em Porto Alegre, embora não devam ser por nós ignorados.
O que de fato nos preocupa diretamente é nosso status de países periféricos deste anel de decisões globais. Brasileiros, cubanos, argentinos, uruguaios, paraguaios, indianos, portugueses, angolanos, moçambicanos, somos todos povos dependentes do que decidem as grandes capitais econômicas e isso nos fere e aflige.
De fato, como se ouviu e se continuará a ouvir, é possível sim, utilizar um espaço como este, que se criou da imaginação e da audácia, para defender as diversidades, a pluralidade e as identidades.
E aqui é que entra a originalidade do que podemos produzir, mesmo dentro do escasso campo que nos resta diante da homogeneização e da globalização danosa. Os ataques vem através da economia, mas passam pelo divertimento, o lazer e o turismo de massa, hoje transformados em potentes instrumentos da mesmice e da descaracterização. Mesmo com as artes, com a propagação dos modelos ditos “up date”, para usar o termo em inglês, do cinema, da música popular, da própria língua, cujo conhecimento é necessário sim, mas não deixa de ser o veículo da dominação.
Por isso resistimos, para tanto promovemos encontros como esses e lançamos pontes que nos ligarão para sempre, vencidas as necessidades das circunstâncias, mas ao longo do tempo devendo permanecer como a sedimentação de uma resistência.
Somos iguais, mas somos diferentes. Nossos interesses, por vezes se unem, por vezes se bifurcam, mas é nesse jardim dos caminhos que se bifurcam que encontramos a nossa necessária unidade. Resistimos ao “Império”, à sua força e a sua capacidade de seduzir. Raça, religião, classe, gênero, são conceitos onde nos reconhecemos e onde diferimos. Mas, neles nos reencontramos.
Mesmo quando as pueris rivalidades esportivas nos colocam em campos opostos, quando é preciso o esforço de compreender que o povo, em sua ingenuidade crê na afirmação de seu potencial, as vitórias nos confrontos, a superioridade nas competições que talvez pudessem refletir uma vantagem sobre os, digamos, adversários. Não o são. Nem sequer rivais. Talvez companheiros na mesma rota, eventualmente colocados pelos interesses alheios, em posições de confronto.
É preciso que aprendamos a compreender a alteridade, perceber que aí é que estão as raízes para uma resistência e identificar os desafios para a construção de um novo mundo.
E aí é que vale resistir à invasão dos poderes globais representados abertamente pela força dos chamados “mass media”, identificar os discursos hegemônicos, as urgências e os desafios que se colocam diante de nós.
E é então que precisamos agir, mesmo no recinto sagrado da nossa individualidade.
Por dispormos dessa força é que estamos aqui reunidos. Mas só uma sólida reação coletiva contra tais ações de domínio e de conquista poderá preservar a cultura, a tradição, a raça e até as nacionalidades. Pode-se fazer uma incursão pelo domínio da futurologia, imaginando que um dia estaremos reunidos sob um governo mundial, mas então eu pergunto: “Se isso vier a suceder, como será nossa representatividade, como ficará a nossa capacidade de gerir nossos destinos?” Ou estaremos definitivamente dominados, entregues ao comando do “Big Brother”?
Aqui em Porto Alegre, como em Cuba, sabemos nossa história na ponta da língua e conhecemos a sua evolução e a quantidade de sangue derramado em defesa do que acreditamos que tenham sido nossos ideais. Procuram de todos os modos e com todas as forças dissolver esta capacidade de conscientização.
É defendendo nossos valores e promovendo sua troca com nossos iguais que estaremos nos fortalecendo. Mas, é preciso conhecer também, sem preconceitos, o que nos vem do outro lado, o que nos chega das grandes potências, pois é do seu conhecimento que tiraremos a força para a defesa da nossa alteridade e dos nossos caminhos alternativos. Isto contribuirá para que compreendamos que há, no seio de tais povos, muitos e muitos indivíduos que compartilham do nosso pensamento e que nos respeitam. Temos que desconfiar contudo é das grandes linhas de ação dos que pretendem o domínio sobre todos os povos da terra, mesmo que disfarcem suas pretensões sob a curiosa demonstração de humanidade, querendo impor sua democracia (e seus pontos de vista e seus valores culturais e sua hegemonia econômica) mesmo à força. Com uso de canhões, bombas, tanques e helicópteros.
Só nos resta dizer não. Mas não só isso. Temos toda a capacidade possível de resistência que, na certa se ampliará se tivermos a grandeza de nos amparar reciprocamente e aceitar a luta como irrecusável. Pode ser às vezes um pouco cansativo. Alguns poderão dizer que é mais fácil deixar-se subjugar e deixar com que os outros tomem, em nosso lugar, as decisões.
Assim não seremos felizes. E se é verdade que um novo mundo é possível, também é verdade que a sua construção exige muita atenção permanente, serenidade e firme decisão. É para isso que estamos construindo este espaço onde o outro é respeitado, onde a compreensão prepondera sobre o mundo dos interesses políticos e econômicos, mas não se rende aos desejos de dominação ou de supremacia.
Walter Galvani
Em 27 de janeiro de 2005,
Fórum Social Mundial, Porto Alegre
O PODER DA CHINA E O FUTURO DO IRAQUE postado por walter em 27/01/05
Davos e Porto Alegre examinam os temas que dizem que "um novo mundo é possível"
Walter Galvani
O presidente da França, Jacques Chirac, disse ontem em Davos na Suissa, que "um novo mundo é possível", parafraseando o slogan do Fórum Social Mundial que ora se desenrola em Porto Alegre.
Ora, os poderosos da Terra, reunidos na pequena cidade suiça, e os representantes dos marginalizados, excluídos e pobres de um modo geral, na capital dos pampas, chegam ao cerne da questão, cada um pelo seu lado.
O futuro do mundo está embricado com o futuro do Iraque, do Iran, da Coréia do Norte, de Cuba e de outros países que mantém uma rota, digamos, alternativa.
Já os ricos sabem que diante deles se ergue "o poder da China". O país mais populoso do mundo, 2 bilhões e 200 milhões de habitantes, é um regime comunista híbrido, pois permite a iniciativa privada dentro de determinados limites, mas com os meios de produção em mãos do estado.
A política americana de impor a democracia à força, segundo os seus conceitos e sua "cultura" nacional, por outro lado, levanta problemas que os líderes do mundo todo precisam resolver.
Nos próximos dias veremos o que nasce das cabeças, sem dúvida privilegiadas, que se agrupam numa e noutra cidade que são hoje o símbolo do diálogo internacional.
200 MIL PESSOAS NA INAUGURAÇÃO DO FÓRUM EM PORTO ALEGRE postado por walter em 26/01/05
Não queremos dizer Porto Alegre, adeus...
Walter Galvani
Fica um nó na garganta. Apesar de que a decisão seja democrática, o fato que dela advém nos preocupa.
O Fórum Social Mundial não vai continuar por aqui. Teremos no máximo a chance de organizar fóruns regionais, pois a sede vai para outros lugares.
A África é o próximo destino, o que é mais do que justo.
Depois, vamos ver.
Já estávamos (mal) acostumado com a sua presença aqui em nossa capital e assim ficamos frustrados com o fato de que será preciso contemplar outras terras.
Por outro lado, mesmo quem era contra, a princípio, dirigentes e partidos políticos, agora estão apaixonados pelo Fórum e oferecem tudo para que ele permaneça...
Curiosa alma humana!...
O FÓRUM, PORTO ALEGRE E O MUNDO postado por walter em 25/01/05
Capital por momentos
Walter Galvani
Se o Fórum Social Mundial continuar ou não entre os gaúchos, Porto Alegre, de qualquer jeito, já é uma capital cultural entre as muitas que o mundo elabora.
De vez em quando é bom que o eixo das atividades se desloque e é muito oportuno que o Brasil seja o contemplado, afinal de contas.
Aqui, no extremo sul do país, a meio caminho de Montevideu e Buenos Aires, principais cidades de "hispanohablantes" desta parte do planeta, uma espécie de ponto estratégico do Mercosul que só se tornará uma realidade com um amplo programa de integração humana, Porto Alegre é um achado.
Esperamos que o FSM continue por aqui.
Tenho a sorte de me alinhar entre os que primeiro acreditaram nele. E, por isso mesmo, quero longa vida para o Fórum. E longa vida entre nós...
ATÉ O GOVERVADOR QUER O FÓRUM EM PALEGRE postado por walter em 24/01/05
E quem não o quer?
Walter Galvani
Independente de ideologias e questões partidárias, de preferências e presunções, o Fórum Social Mundial afirmou-se internacionalmente e isso todos sabem. Daí que não é de estranhar que as manifestações sejam pela sua permanência.
O governador Germano Rigotto, homem inteligente e que sempre se destacou pela sua habilidade como parlamentar, sua capacidade como homem de política e de marketing, capaz de acordos e de convicções firmes, mas aberto à mudança, é lógico que dele não se poderia esperar outra coisa.
Assim, Germano agiu e agirá.
A permanência do Fórum em Porto Alegre, transformado agora numa questão política, também é uma opção possível. Afinal, se outro mundo é possível, Porto Alegre também acabou conhecida como seu berço. Pretende-se que ela se transforme em seu ninho permanente.
Os porto-alegrenses já se orgulham do Fórum, independente do fato de serem eleitores petistas ou não.
E tem mais:leia-se que a mudança política que a cidade votou, tem a ver com democracia e alternância política, mais do que com enfado ou rejeição.
O Fórum Social Mundial, que se inaugura dia 26, vai lotar Porto Alegre com uma multidão de mais de 100 mil pessoas além da sua população e das gentes do interior.
Está em andamento o movimento teatral extraordinário do "Porto Alegre Verão".
Há espetáculos cinematográficos programados com filmes de exceção, em especial nos cines da rede Guion.
Portanto, há o que fazer na capital gaúcha.
Pequeno problema... Os hoteis estão lotados.
Mas, como sempre há uma solução, o jeito é emigrar para os hoteis da região metropolitana.
Esperamos que os visitantes sejam, como sempre, bem recebidos e que não se produzam episódios de violência na capital dos pampas.
Estamos botando mais um tijolo na construção de um prestígio internacional. Queremos ser "a cidade da paz".
Mas este é um trabalho que precisa começar por casa.
Os governos, do estado e do município, precisam caprichar nesta etapa. É fundamental para o futuro imediato e a médio e longo prazo de Porto Alegre.
NOVO PREFEITO APOIA FORUM SOCIAL MUNDIAL postado por walter em 19/01/05
José Fogaça destina 2 milhões ao FSM e pede sua permanência em Porto Alegre
Walter Galvani
Não poderia ser de outra maneira: o novo prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, pede a permanência do Forum Social Mundial em sua cidade.
Depois da experiência indiana do ano passado, o Forum voltou para Porto Alegre e agora os porto-alegrenses, começando pelo seu prefeito que se elegeu em oposição ao PT, não querem que ele saia mais daqui.
Assim é.
A maioria se convenceu que o novo ex-libris da capital do Rio Grande do Sul, sede do FSM, não pode ser dispensado, emprestado ou anulado e assim, Fogaça lidera um movimento que nasce nesta edição, que começa dia 26, pela sua repetição ou perpetuação.
No entanto, já se fala que há um certo consenso de que o FSM de 2007 terá de ser realizado na África. Assim sendo,Porto Alegre pleiteia pelo menos o de 2006 e depois se verá...
A partir do dia 26 de janeiro espera-se que no mínimo 100 mil pessoas de todas as partes do mundo estejam presentes nesta edição do Fórum.
Delegações de países, entidades, instituições não governamentais, avulsos, poetas, jornalistas, sociólogos, políticos, um público privilegiado, uma verdadeira massa de estudantes, voluntários, enfim, o que há de melhor por aí em matéria de pensamento positivo para a construção de um novo mundo que, como diz o slogan, é possível.
LULA RETOMA 'VOANDO" O PROJETO RONDON postado por walter em 18/01/05
AVIÃO PRESIDENCIAL TEM ESTRÉIA DE GALA
Walter Galvani
Não me incluo entre os que criticam o presidente Lula por haver adquirido um novo avião. E não é por aparecer aqui ao lado lendo o livro "A Feira da Gente" que escrevi para comemorar os 50 anos da Feira do Livro e que lhe levou o presidente Waldir da Silveira, da Câmara Rio-Grandense do Livro.
É mais do que certo, no Brasil, usar avião para chegar a todo o seu imenso interior e todos os pontos de um país continental.
Dizias Washington Luiz em 1929: "Governar é abrir estradas!"
Seria o caso de completar hoje:
"Governar é voar!"
Bem certo andou Lula adquirindo um avião para substituir o anterior que já tinha o apelido de "Sucatão".
Quanto ao Projeto Rondon, aplausos pela medida sem preconceitos de retomar um programa lançado pelo governo da ditadura militar.
Certíssimo era levar médicos, professores, enfermeiros, estudantes de todas as disciplinas, voluntários para atuar junto às populações abandonadas do imenso interior.
É isso, basicamente, o Projeto Rondon e na certa é o que será nesta retomada.
Parabéns pois, ao presidente, pela medida e pelo novo avião, o Air-Bus C-319, aliás, em bom português "ônibus aéreo."
Quem duvida da necessidade de deslocar-se de avião para os locais onde não há llinhas aéreas comerciais ou são elas deficientes, experimente, por exemplo, ir de Florianópolis para Chapecó, no oeste do mesmo estado de Santa Catarina.
Melhor ir de ônibus, mesmo levando 9 ou 10 horas em nossas perigosas estradas.
Governar é voar!
DOM QUIXOTE ESTÁ HÁ 400 ANOS CONOSCO. Ontem, 16 de janeiro, foi a data redonda. Vamos começar a relê-lo? É a maior obra de ficção de todos os tempos postado por walter em 17/01/05
DOM QUIXOTE E NÓS
Walter Galvani *
Mudei seis ou sete vezes de endereço nestes últimos cinqüenta anos e fiz e desfiz outras tantas bibliotecas. No princípio, à cada mudança procurava preservar tudo ou quase tudo, mas aos poucos, ao trocar também de situação civil, fui obrigado a reduzir meus itens indispensáveis. Estava indo para uma casa menor e agia compelido pela diminuição de espaço, mais do que propriamente por opções entre meus amigos livros. E assim fui, mudando até de cidade, até que cheguei ao mais recente e por certo não o último pouso e fui obrigado a fazer nova seleção.Alguns já viajaram para Santa Catarina onde estão hospedados, talvez antecipando a chegada do “zelador”, outros foram doados para instituições públicas. Mas, uma obra, em dois volumes, destaca-se entre as que atravessaram incólumes todas estas vicissitudes: “Dom Quixote de La Mancha”. Minto. Ou sonho como o próprio “ingenioso hidalgo”. Fui colhido por uma tempestade e pressionado pelos fatos deixei-o para trás. Assim que me foi possível, no entanto, busquei-o de volta, adquirindo nova edição ainda mais qualificada que a anterior. Agora sou o feliz proprietário da belíssima edição da Itatiaia, de Belo Horizonte, com tradução de Eugênio Amado e que se imprimiu em 1982.
Desde o começo deste janeiro de 2005, passei a ser também, o feliz proprietário da edição comemorativa ao Quarto Centenário de Dom Quixote, editado pela Real Academia de España, com prefácio escrito por Mário Vargas Llosa que é hoje respeitado crítico e ensaísta literário, com renome até maior do que o de romancista.
Em 2002 fomos sacudidos pela eleição dos “melhores livros” de todos os tempos, estas listas são sempre perigosas, resta sempre a pergunta “porque só dez ou cem” conforme o caso, porque isso, porque aquilo, quem votou, que interesses editoriais, nacionais ou regionais havia em jogo, tudo o que se pode usar para manchar uma escolha dessas, mas lá estava a obra de Miguel de Cervantes, como um monumento irretocável, num absoluto primeiro lugar.
Depois recuperei a homenagem que o cinema lhe fez, através do filme de Peter Yates, interpretando com imagens e sons, as palavras já de si tão expressivas do mestre espanhol e aproveitando inteligentemente as sugestões ilustrativas de Gustave Doré, que logo identifiquei porque estão no “meu” Dom Quixote. Apenas assistida a versão cinematográfica, saí a procurar como um condenado pela casa toda, buscando descobrir onde estava ele que, numa das minhas moradas sempre estava assinalado pela figura em madeira que eu trouxera de Toledo, em que o esquálido “cavaleiro da triste figura” repousava sobre os dois belos volumes com que tradicionalmente se apresenta o trabalho de Cervantes. Encontrei-o, não sem antes ler o ensaio de Martin Seymour-Smith que o inclui entre “Os 100 Livros que mais influenciaram a Humanidade”.
Penso que continuará sendo minha companhia constante, lembrando que foi meu velho pai, marceneiro de profissão com alma de artista, um “Dom Quixote” à sua maneira, que me revelou o personagem, fazendo com eu lesse numa daquelas maravilhosas edições para crianças, no caso a de Monteiro Lobato em que Dona Benta narra a história. Eram os tempos em que se achava que era bom fazer com que os pequenos pensassem, pois na certa construiriam um mundo melhor, sendo inteligentes, não digo cultos, mas pelo menos bem informados e melhor formados. Os tempos mudaram, não quero aqui antecipar dizendo que se necessitam novos Cervantes ou pelo menos novos Quixotes e que se convençam todos, autoridades políticas e educacionais, povo e famílias que o único caminho é a real compreensão do material com que se é feito.
Assim, ao erigir o “Ingenioso hidalgo” como meu mestre exemplar, também fui fazendo longa viagem, enfrentando meus moinhos de vento, a confundí-los com gigantes cruéis, invadindo as representações teatrais como se realidade fossem ou imaginando-me o cavaleiro errante capaz dos feitos mais admiráveis em nome do amor, da justiça, da igualdade e armado de alguma astúcia ou habilidade.
Pobre de mim, pobre de nós. Do alto de seu belo e insuperável “Rocinante”, Quixote continua a nos dar lições diárias de grandeza e senso comum, virtudes indispensáveis para a cortesia de continuar vivendo em paz com os semelhantes. Até o amargo fim, que nos está reservado, quando invariavelmente desce o pano do último ato e nos encontramos com a bruxa inevitável da realidade.
E é por tudo isso e não apenas pelas suas virtudes literárias, pelo acerto e ritmo no desenrolar de uma história ou na paciente e expressiva linguagem e a irresistível construção dos personagens. Também pelo que foi capaz de interpretar da alma humana ou até antecipar o que só a ciência moderna foi capaz de tratar. Se pedissem a um psiquiatra uma descrição da esquizofrenia, “de alguém que acredita em coisas que não existem ou perde a capacidade de distinguir entre real e o imaginário”, ele poderia socorrer-se de Miguel de Cervantes, bem como poderia adotar o caminho da “cura” que os parentes e amigos de Quixote escolheram. Quem sabe poderíamos ficar com o Quixote da imaginação solta e da aventura sem limites, da crença na realidade do irreal, na preferência pela subjetividade ou pelos pés no chão do bom Sancho Pança.
São muitas as leituras decorrentes destes quatrocentos anos, digo 397 pois a primeira edição saiu em 1605. Os espanhóis, por exemplo, ou pelo menos parte deles, identificaram-se em muito ao espírito elevadamente cavalheiresco de Dom Quixote e rejeitaram sua decadência física, espiritual e sua morte serena e acomodada. Já outros se permitem sentirem-se retratados na figura do escudeiro leal e simples, dono de uma filosofia de cocheira, se é que se pode chamar assim, onde se abrigam animais e dá-se feno ao amigo burro. Quando o livro transpôs as fronteiras da Espanha e isso ainda no fim do século XVI, traduzido que foi para dezenas de línguas e sendo Miguel de Cervantes vítima de um dos primeiros casos explícitos de pirataria editorial – seu sucesso cavalgou nesta multiplicidade de visões e enfoques que o livro autoriza.
Não me atrevo a delinear o que poderia significar para cada um de nós, porque isto está no coração e na mente de quem teve a sorte de ter um pai Sancho ou um avô Quixote, mas ainda é tempo para que se sacuda esta onda de ignorância, esta magma que escorre da boca do vulcão da decadência, que permitiu com que o PIB (Produto Interno Bruto) dos conhecimentos se dividisse entre os milhões de tartamudos mentais em que nos transformamos, junto com o empobrecimento econômico causado pela injusta concentração das riquezas, dos poderes e dos saberes.
Quem sabe começaríamos, como Quixote, pela cavalgada sem destino, atravessando o mundo em busca do rompimento do hímen desta compreensão, penetrando sempre mais e mais, passar todos os trabalhos que nos estão destinados e alcançar a purificação e a morte em paz entre as árvores?
“Os contos que até aqui – disse o fidalgo em seu leito de morte – têm sido verdadeiros em meu próprio dano, minha morte, com ajuda do céu, há de torná-los em meu proveito!”
Não os nega. São verdadeiros, assim os classifica. Causaram-lhe dano, ele o sabe. A morte os transfigurará em “seu proveito”.
E assim chegamos ao quarto século de leitura, releitura, enganos, entendimentos e desentendimentos. Já de início, Cervantes fora traído. Um tal de Alonso Fernandez de Avellaneda, ou alguém que se utilizou deste nome, serviu-se do sucesso do primeiro volume e escreveu uma lamentável e vergonhosa continuação. Mas, a pirataria não surtiu efeito. Logo Dom Miguel de Cervantes y Saavedra tratou de recuperar-se, desmentiu a paternidade daquele pastiche do “Quixote”, apostrofou o ladrão dos seus direitos e escreveu a segunda parte, que saiu em 1615, presenteando-nos com a continuação das aventuras e desventuras do “ingenioso hidalgo”, dez anos depois da primeira. E matou- o . Ou melhor, permitiu que morresse para extinguir entre outras coisas a possibilidade de voltar a ser roubado ou de ter uma vez mais seu personagem deturpado. Transformou-o para o bem e para o mal num adjetivo.
Todos os enganos, exageros, mitificações, cabem no retrato que os quatro séculos foram pintando, bem como a multiplicidade de visões que nascem das possibilidades desta simples e no entanto paradoxalmente complexa história.
Sabemos que a matéria utilizada por Cervantes era puro barro humano, pois temos todos, um pouco de Quixote, um pouco de Sancho, queremos ser Dulcinéia ou nos dividimos entre a elegância do Rocinante e a sabedoria terra-a-terra do amigo burro.
Por isto ele está no altar, no topo.
Contra ele não podem, como não puderam ao longo de todos estes anos, as garras da intolerância, a agressão dos prepotentes. E de saída mostrou na fogueira de livros que os medíocres são capazes de tudo para destruir a caverna dos espíritos ou destroçar as criações dos humanos. Ensinou o caminho, para mostrar que nada será novidade na face da terra. Nem os nazistas, nem fascistas de todos os naipes, nem radicais de nenhuma espécie. Ao atentarem contra a biblioteca de Dom Quixote estavam apenas cumprindo sua rude e lamentável tarefa de infelizes ignorantes. Os “bons amigos”, aliás, carregaram alguns volumes para suas casas, jogando o restante no fogo.
Voltamos ao caminho e iremos até o fim sempre com Dom Quixote, com seu fiel escudeiro Sancho Pança, com o imperturbável Rocinante ou com o humilde asno do amigo. E ao final deste vôo me cabe registrar que haverá sempre milhares de interpretações que se sucederão, sem que nenhuma afete a anterior e sem que se deixe de acumular a herança que nos deixou, enquanto memória houver sobre a terra, aquele soldado de um braço só, dono de tão longa lança.
* Recomeço lentamente, neste início de 2005, a reler o “Don Quijote”. Pela enésima vez e cada vez mais encantador.
DOM QUIXOTE E NÓS
Walter Galvani *
Mudei seis ou sete vezes de endereço nestes últimos cinqüenta anos e fiz e desfiz outras tantas bibliotecas. No princípio, à cada mudança procurava preservar tudo ou quase tudo, mas aos poucos, ao trocar também de situação civil, fui obrigado a reduzir meus itens indispensáveis. Estava indo para uma casa menor e agia compelido pela diminuição de espaço, mais do que propriamente por opções entre meus amigos livros. E assim fui, mudando até de cidade, até que cheguei ao mais recente e por certo não o último pouso e fui obrigado a fazer nova seleção.Alguns já viajaram para Santa Catarina onde estão hospedados, talvez antecipando a chegada do “zelador”, outros foram doados para instituições públicas. Mas, uma obra, em dois volumes, destaca-se entre as que atravessaram incólumes todas estas vicissitudes: “Dom Quixote de La Mancha”. Minto. Ou sonho como o próprio “ingenioso hidalgo”. Fui colhido por uma tempestade e pressionado pelos fatos deixei-o para trás. Assim que me foi possível, no entanto, busquei-o de volta, adquirindo nova edição ainda mais qualificada que a anterior. Agora sou o feliz proprietário da belíssima edição da Itatiaia, de Belo Horizonte, com tradução de Eugênio Amado e que se imprimiu em 1982.
Desde o começo deste janeiro de 2005, passei a ser também, o feliz proprietário da edição comemorativa ao Quarto Centenário de Dom Quixote, editado pela Real Academia de España, com prefácio escrito por Mário Vargas Llosa que é hoje respeitado crítico e ensaísta literário, com renome até maior do que o de romancista.
Em 2002 fomos sacudidos pela eleição dos “melhores livros” de todos os tempos, estas listas são sempre perigosas, resta sempre a pergunta “porque só dez ou cem” conforme o caso, porque isso, porque aquilo, quem votou, que interesses editoriais, nacionais ou regionais havia em jogo, tudo o que se pode usar para manchar uma escolha dessas, mas lá estava a obra de Miguel de Cervantes, como um monumento irretocável, num absoluto primeiro lugar.
Depois recuperei a homenagem que o cinema lhe fez, através do filme de Peter Yates, interpretando com imagens e sons, as palavras já de si tão expressivas do mestre espanhol e aproveitando inteligentemente as sugestões ilustrativas de Gustave Doré, que logo identifiquei porque estão no “meu” Dom Quixote. Apenas assistida a versão cinematográfica, saí a procurar como um condenado pela casa toda, buscando descobrir onde estava ele que, numa das minhas moradas sempre estava assinalado pela figura em madeira que eu trouxera de Toledo, em que o esquálido “cavaleiro da triste figura” repousava sobre os dois belos volumes com que tradicionalmente se apresenta o trabalho de Cervantes. Encontrei-o, não sem antes ler o ensaio de Martin Seymour-Smith que o inclui entre “Os 100 Livros que mais influenciaram a Humanidade”.
Penso que continuará sendo minha companhia constante, lembrando que foi meu velho pai, marceneiro de profissão com alma de artista, um “Dom Quixote” à sua maneira, que me revelou o personagem, fazendo com eu lesse numa daquelas maravilhosas edições para crianças, no caso a de Monteiro Lobato em que Dona Benta narra a história. Eram os tempos em que se achava que era bom fazer com que os pequenos pensassem, pois na certa construiriam um mundo melhor, sendo inteligentes, não digo cultos, mas pelo menos bem informados e melhor formados. Os tempos mudaram, não quero aqui antecipar dizendo que se necessitam novos Cervantes ou pelo menos novos Quixotes e que se convençam todos, autoridades políticas e educacionais, povo e famílias que o único caminho é a real compreensão do material com que se é feito.
Assim, ao erigir o “Ingenioso hidalgo” como meu mestre exemplar, também fui fazendo longa viagem, enfrentando meus moinhos de vento, a confundí-los com gigantes cruéis, invadindo as representações teatrais como se realidade fossem ou imaginando-me o cavaleiro errante capaz dos feitos mais admiráveis em nome do amor, da justiça, da igualdade e armado de alguma astúcia ou habilidade.
Pobre de mim, pobre de nós. Do alto de seu belo e insuperável “Rocinante”, Quixote continua a nos dar lições diárias de grandeza e senso comum, virtudes indispensáveis para a cortesia de continuar vivendo em paz com os semelhantes. Até o amargo fim, que nos está reservado, quando invariavelmente desce o pano do último ato e nos encontramos com a bruxa inevitável da realidade.
E é por tudo isso e não apenas pelas suas virtudes literárias, pelo acerto e ritmo no desenrolar de uma história ou na paciente e expressiva linguagem e a irresistível construção dos personagens. Também pelo que foi capaz de interpretar da alma humana ou até antecipar o que só a ciência moderna foi capaz de tratar. Se pedissem a um psiquiatra uma descrição da esquizofrenia, “de alguém que acredita em coisas que não existem ou perde a capacidade de distinguir entre real e o imaginário”, ele poderia socorrer-se de Miguel de Cervantes, bem como poderia adotar o caminho da “cura” que os parentes e amigos de Quixote escolheram. Quem sabe poderíamos ficar com o Quixote da imaginação solta e da aventura sem limites, da crença na realidade do irreal, na preferência pela subjetividade ou pelos pés no chão do bom Sancho Pança.
São muitas as leituras decorrentes destes quatrocentos anos, digo 397 pois a primeira edição saiu em 1605. Os espanhóis, por exemplo, ou pelo menos parte deles, identificaram-se em muito ao espírito elevadamente cavalheiresco de Dom Quixote e rejeitaram sua decadência física, espiritual e sua morte serena e acomodada. Já outros se permitem sentirem-se retratados na figura do escudeiro leal e simples, dono de uma filosofia de cocheira, se é que se pode chamar assim, onde se abrigam animais e dá-se feno ao amigo burro. Quando o livro transpôs as fronteiras da Espanha e isso ainda no fim do século XVI, traduzido que foi para dezenas de línguas e sendo Miguel de Cervantes vítima de um dos primeiros casos explícitos de pirataria editorial – seu sucesso cavalgou nesta multiplicidade de visões e enfoques que o livro autoriza.
Não me atrevo a delinear o que poderia significar para cada um de nós, porque isto está no coração e na mente de quem teve a sorte de ter um pai Sancho ou um avô Quixote, mas ainda é tempo para que se sacuda esta onda de ignorância, esta magma que escorre da boca do vulcão da decadência, que permitiu com que o PIB (Produto Interno Bruto) dos conhecimentos se dividisse entre os milhões de tartamudos mentais em que nos transformamos, junto com o empobrecimento econômico causado pela injusta concentração das riquezas, dos poderes e dos saberes.
Quem sabe começaríamos, como Quixote, pela cavalgada sem destino, atravessando o mundo em busca do rompimento do hímen desta compreensão, penetrando sempre mais e mais, passar todos os trabalhos que nos estão destinados e alcançar a purificação e a morte em paz entre as árvores?
“Os contos que até aqui – disse o fidalgo em seu leito de morte – têm sido verdadeiros em meu próprio dano, minha morte, com ajuda do céu, há de torná-los em meu proveito!”
Não os nega. São verdadeiros, assim os classifica. Causaram-lhe dano, ele o sabe. A morte os transfigurará em “seu proveito”.
E assim chegamos ao quarto século de leitura, releitura, enganos, entendimentos e desentendimentos. Já de início, Cervantes fora traído. Um tal de Alonso Fernandez de Avellaneda, ou alguém que se utilizou deste nome, serviu-se do sucesso do primeiro volume e escreveu uma lamentável e vergonhosa continuação. Mas, a pirataria não surtiu efeito. Logo Dom Miguel de Cervantes y Saavedra tratou de recuperar-se, desmentiu a paternidade daquele pastiche do “Quixote”, apostrofou o ladrão dos seus direitos e escreveu a segunda parte, que saiu em 1615, presenteando-nos com a continuação das aventuras e desventuras do “ingenioso hidalgo”, dez anos depois da primeira. E matou- o . Ou melhor, permitiu que morresse para extinguir entre outras coisas a possibilidade de voltar a ser roubado ou de ter uma vez mais seu personagem deturpado. Transformou-o para o bem e para o mal num adjetivo.
Todos os enganos, exageros, mitificações, cabem no retrato que os quatro séculos foram pintando, bem como a multiplicidade de visões que nascem das possibilidades desta simples e no entanto paradoxalmente complexa história.
Sabemos que a matéria utilizada por Cervantes era puro barro humano, pois temos todos, um pouco de Quixote, um pouco de Sancho, queremos ser Dulcinéia ou nos dividimos entre a elegância do Rocinante e a sabedoria terra-a-terra do amigo burro.
Por isto ele está no altar, no topo.
Contra ele não podem, como não puderam ao longo de todos estes anos, as garras da intolerância, a agressão dos prepotentes. E de saída mostrou na fogueira de livros que os medíocres são capazes de tudo para destruir a caverna dos espíritos ou destroçar as criações dos humanos. Ensinou o caminho, para mostrar que nada será novidade na face da terra. Nem os nazistas, nem fascistas de todos os naipes, nem radicais de nenhuma espécie. Ao atentarem contra a biblioteca de Dom Quixote estavam apenas cumprindo sua rude e lamentável tarefa de infelizes ignorantes. Os “bons amigos”, aliás, carregaram alguns volumes para suas casas, jogando o restante no fogo.
Voltamos ao caminho e iremos até o fim sempre com Dom Quixote, com seu fiel escudeiro Sancho Pança, com o imperturbável Rocinante ou com o humilde asno do amigo. E ao final deste vôo me cabe registrar que haverá sempre milhares de interpretações que se sucederão, sem que nenhuma afete a anterior e sem que se deixe de acumular a herança que nos deixou, enquanto memória houver sobre a terra, aquele soldado de um braço só, dono de tão longa lança.
* Recomeço lentamente, neste início de 2005, a reler o “Don Quijote”. Pela enésima vez e cada vez mais encantador.
PRESENTES DE 46.000 PARA CADA DEPUTADO postado por walter em 17/01/05
PRESENTES DE UM BANCO NA BAHIA
Walter Galvani
A pergunta é: será que eles não ficam constrangidos?
Esta é a notícia desta segunda-feira, em meio aos horrores de costume, assaltos na praia, desastres nas estradas, Sri Lanka descobre mais corpos e as vítimas do Tsumani chegam a 175.000 pessoas, os Estados Unidos escolhem o Iran como o próximo alvo, quer dizer: o mundo continua igual.
Mas, na Bahia, foi noticiado que um banco (porque não se dá o nome do banco? assim fica a suspeita sobre todos...) deu de presente a cada um dos deputados baianos, um automóvel zero quilômetro no valor de 46.000 reais.
O carro "seria" para ser usado no trabalho, em missões oficiais. Nesse caso, porque o banco não fez a doação à Assembléia Legislativa?
Mistérios brasileiros...
A notícia diz que nem a Oposição, que enviou requerimento à presidência da Casa pedindo esclarecimentos sobre a moralidade do presente, deixou de aceitá-lo.
Ora, em primeiro lugar, não é preciso mandar requerimento ao presidente para saber se é moral ou não, aceitar um presente desses. Segundo, o correto seria a devolução do mesmo.
Está escrito na Constitituição o valor limite de um presente ao presidente da república. Deveria ser este o parâmetro.
Não é preciso nem pensar...
Além do mais: presentes de um banco?
Quais terão sido as vantagens em troca, pergunta-se o povão. Só que o povão não tem para quem perguntar... pois os presenteados foram os seus representantes.
Resta esperar o carnaval. Este ano, atrás do Trio Elétrico seguirá uma fila de automóveis...
A CHUVA DESTA NOITE ALIVIOU A TENSÃO; MAS NÃO VAMOS NOS ESQUECER DO SIGNIFICADO DA FALTA DE ÁGUA postado por walter em 16/01/05
Nos próximos anos, cada vez mais ouviremos falar nas dificuldades de abastecimento de água, na escassez dela e ... no preço! Este é o artigo que publiquei hoje no ABC DOMINGO:
ÁGUA! ÁGUA! ÁGUA!
Walter Galvani
Os efeitos da estiagem são temporários. Logo, logo, virá a chuva, saudada com alegria, e enquanto a velha e bendita água nos envolve e molha-nos o rosto, esqueceremos o calor, os problemas, e até os preços das hortaliças que naturalmente subiram, como resultado das dificuldades. Se a torneira nem sequer pingava, se para muitos não havia como tomar um banho refrescante, depois destes trinta e tantos graus, então, respiraremos aliviados. Até à próxima crise.
E assim, de crise em crise, levaremos nossa irresponsabilidade até o dia da desgraça total, quando os canos, como se fossem artérias envelhecidas, secarão de todo e por muitos e muitos dias (ou meses? ou anos?) estaremos chorando nossa sorte.
Não terá sido por falta de aviso. Mas, a questão é bem mais grave e agora que viveremos o clima do Fórum Social Mundial, vamos aproveitar bem a presença de um Prêmio Nobel da Paz, como é o caso do argentino Adolfo Perez Esquivel e, esquecendo por momentos as ridículas competições e rivalidades, ouçamos o que ele tem a dizer a respeito do “Aqüífero Guarani”, a maior reserva de água doce da América Latina e uma das maiores do mundo, que está aí, viva, latente, em nosso subsolo.
Na chamada região da Tríplice Fronteira, a mesma onde se assentaram alguns dos fundamentos da injusta (como todas) guerra do Paraguai, ali onde se reúnem os limites do Brasil e da Argentina com o citado Paraguai, é exatamente onde os Estados Unidos da América pretendem instalar forças militares, com o indisfarçável objetivo de se apossar dos recursos naturais que valerão mais do que o petróleo no século XXI. É o que ele afirma.
Esquivel participará do espaço temático que discutirá Paz e Desmilitarização, falando sobre a “Reconstrução da Paz: a complexa relação entre a verdade, justiça, paz, compaixão e reconciliação”. No centro desta integração e correlação de forças e vontades se alinha a questão da água que estará no centro das relações internacionais nos próximos anos.
O que tem caracterizado a Humanidade, ao longo dos séculos, é uma total falta de memória. Esquecemos, com rapidez, o mal, os problemas, os tufões e furacões, os tsumanis políticos e sociais, naturais e artificiais e com um espírito elevado de grandeza e misericórdia, esquecemos o mal que nos fazem ou fizeram, mergulhando na água do mar que julgamos cristalino, para lavar nossos males e pecados.
Quando retomamos em pleno nossa atividade produtiva, acreditamos em nossos novos governantes, confiamos em nossos líderes (até à próxima decepção) e assim vamos seguindo em frente.
Olhemos à volta, lancemos um olhar menos egoísta ao ambiente que nos rodeia: malocas, casas construídas com restos de material, falta de água potável, esgotos a céu aberto, poluição e pobreza. E então? Ir à igreja ou aos templos, rezar fórmulas esvaziadas pela repetição, levantar as mãos aos céus ou entoar cânticos cheios de fé ou não, adiantam alguma coisa? Bem, é melhor do que sair a depredar tudo, furtar, roubar ou matar. Mas, se não decidirmos resolver mesmo os problemas, se não investirmos em educação, se não vencermos nossos ridículos e mesquinhos preconceitos, mergulharemos todos, daqui a pouco, na vala comum da desgraça e da infelicidade. Sem água. E falando objetivamente, observem que os países mais poderosos estão intervindo onde há recursos naturais preciosos. Como o petróleo, por exemplo. Como será a água, dentro de breves anos.
(O ABC DOMINGO é o jornal de circulação semanal do Grupo Editorial Sinos, atendendo assinantes do NH, de Novo Hamburgo, VS, de São Leopoldo e Diário de Canoas, além da venda avulsa em bancas na capital, Porto Alegre, e em toda a região metropolitana. À esta época do ano, também no litoral do Rio Grande do Sul, para onde emigram anualmente cerca de 2.000.000 de pessoas).
TROPAS DOS ESTADOS UNIDOS DANIFICARAM RUÍNAS DA BABILÔNIA, INFORMA O MUSEU BRITÂNICO
(Está no site da BBC de Londres, merece esta síntese. E o repúdio dos cidadãos de todo o mundo.)
Cidade é um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo
Um relatório preparado pelo Museu Britânico diz que as forças lideradas pelos Estados Unidos no Iraque causaram “danos substanciais” às ruínas da Babilônia, um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo.
O relatório, citado pelo jornal The Guardian, afirma que calçamentos de 2,6 mil anos de idade foram destruídos por veículos militares e que fragmentos arqueológicos foram usados para encher sacos de areia quando uma base militar foi instalada no local.
Além disso, áreas da cidade teriam sido cobertas de cascalho para possibilitar o pouso de helicópteros e servir de estacionamento para veículos, compromentendo seu uso para futuras explorações arqueológicas.
O documento diz ainda que rachaduras e lacunas apareceram em um dos mais importantes monumentos da Babilônia, o Portão de Ishtar, do qual alguém teria tentado retirar tijolos decorados.
Controle
A cidade foi usada como base militar por tropas americanas e polonesas.
“Foi o equivalente a montar um acampamento militar na Grande Pirâmide do Egito ou em torno de Stonehenge, na Grã-Bretanha”, diz o relatório, de acordo com o The Guardian.
O jornal cita o autor do relatório, John Curtis, dizendo que, a princípio, as tropas americanas evitaram que as ruínas fossem saqueadas após a queda do governo de Saddam Hussein, mas que foi "lamentável" a decisão de instalar lá uma base militar.
Segundo o jornal britânico, as forças americanas defenderam o uso que foi feito do local, mas disseram que todas as atividades que implicavam a remoção de terra foram interrompidas.
Elas também disseram que estão analisando a possibilidade de levar suas tropas para outros lugares a fim de proteger as ruínas.
As forças lideradas pelos Estados Unidos vão entregar neste sábado o controle da cidade ao governo interino do Iraque.
A cidade da Babilônia, fundada 4 mil anos atrás, foi um dos berços da civilização e ficou célebre, entre outras realizações, por seus famosos jardins suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
(Estamos cansados de ouvir falar em estiagem, aumento de impostos, crimes e violência nas cidades brasileiras e acidentes nas estradas. Mas não se mirem no exemplo americano: eis o que faz a ignorância!)
DISCRIMINAÇÃO E DESRESPEITO POR MOTIVOS RACIAIS EM PORTO ALEGRE postado por walter em 14/01/05
Dois rapazes corriam pelas ruas de Porto Alegre para conseguir chegar a tempo para o exame vestibular. Os portões do local fecham-se rigorosamente às 8h30min. Policiais da Brigada Militar vendo os rapazes correndo pelas ruas, deduziram que os dois eram delinqüentes, assaltantes ou drogados, ou as duas coisas e os detiveram, impedindo que chegassem a tempo para os exames.
O comandante da PM alegou que eles chegariam atrasados de qualquer maneira...
Ora, não lhe cabe apresentar tais argumentos. O esforço dos jovens não poderia ser detido por uma interveneção truculenta como se verificou. Nesse caso, creio que deveriam então os guardas tê-los acompanhado até o alegado portão do estabelecimento de ensino. Pedir demais dos brigadianos, seria isso?
O importante no entanto, é o que está por trás do episódio. Estamos diante de um claro problema de discriminação racial. Pode-se imaginar que, se fossem dois jovens brancos correndo na rua, e não dois jovens negros, como era o caso, o procedimento seria outro.
No caso dos rapazes que iriam prestar o vestibular, o mal está feito.
Resta-lhes a medida de processar o estado, exigindo uma reparação por perdas e danos, abalo moral, etc e tal, e isso é a Justiça que decidirá.
Mas, fica o alerta, na véspera da realização do Forum Social Mundial, que leva mais uma vez o nome de Porto Alegre ao primeiro plano planetário. No Brasil da "doce convivência", existe, sim, preconceito e discriminação racial.
SANCIONADA A LEI DA SOJA TRANSGÊNICA. PRAGMATISMOS DE QUEM ESTÁ NO GOVERNO OU CONVICÇÃO? postado por walter em 13/01/05
O presidente Lula sancionou ontem a medida provisória convertida agora em lei 11.092 que regulamenta e autoriza o plantio e a comercialização da soja transgênica na saffra 2004/2005. O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional em outubro.
Esta medida é o resultado de uma longa negociação política e os trechos polêmicos passaram agora, sem discussão.
Pode ser que seja difícil ao governo explicar aos radicais do seu partido, o sentido do que foi feito.
Mas, sem dúvida, foi o mais adequado, também sob o ponto de vista politico, mas num ângulo internacional.
O governo de Lula mostrou-se moderno e pragmático. Não sei se isso é bom, se resiste a um exame de pureza ideológica, parece que não, mas indiscutivelmente alcança objetivos comerciais.
O setor produtivo do país, e de modo especial do Rio Grande do Sul, agradece.
Mais uma vez, Lula provou que é "confiável" e para seus adversários internos, que hoje são muitos, um "infiel".
De qualquer forma, pela conjuntura agrícola mundial, o Brasil agradece.
Na certa o tema será uma vez mais debatido. Mas já é lei e já está em vigor.
ESTA PÁGINA TEM O APOIO DO SENAI postado por walter em 12/01/05
Sem dúvida é uma grande honra ter o apoio do Grupo Senai.
Se existe uma instituição meritória, é esta.
Eu estimo profundamente o trabalho de preparação de mão-de-obra, dinâmico e moderno, feito permanentemente pelo SENAI, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Vocês conhecem o vice-presidente do Senado, o senador gaúcho do PT, Paulo Renato Paim? Pois é, ele começou como aluno do SENAI. E, como ele, milhares de brasileiros.
Acesse agora mesmo, e saiba tudo sobre esta meritória instituição: www.rs.senai.br/defaultx.as/
o Instituto Casa de Las Americas, de Cuba, estará prestigiando o V Fórum Social Mundial que se realizará em Porto Alegre, de 26 a 31 de janeiro. Só a sua presença já nos dá uma informação sobre as dimensões culturais do evento que tornou Porto Alegre um nome conhecido em todo o planeta. O Fórum fez mais pela "capital dos pampas" que qualquer realização anterior. Mas sua qualidade, oportunidade e mero cultural, dimensionam bem o que tem sido feito nesta cidade pela cultura. A seguir, a proposta, em espanhol, da Casa de las Americas postado por walter em 12/01/05
1 - Espacio: Defendiendo las diversidades, la pluralidad y las identidades
Titulo: La cultura y el arte latinoamericano y caribeño como espacio de resistencia de otredades y marginados
Con la participación de creadores, promotores culturales y académicos, aspiramos a lograr un intercambio de reflexiones, en el que se aborde el comportamiento del arte y la cultura en AL y el Caribe, ante la diversidad de nuestras identidades, sus permanentes confrontaciones y los múltiples espacios de reconocimiento desde los conceptos de raza, género, clase, religión, transterritorialidad, entre otros.
II.- Espacio: Ética, cosmovisiones y espiritualidades. Resistencias y desafíos para un nuevo mundo
Titulo: Discursos artísticos, espacios públicos e imaginarios recuperados
Pretendemos crear un debate que, a partir de la articulación de experiencias multidisciplinarias, demuestre como desde el cruce de fronteras de los géneros artísticos y las acciones socioculturales pueden encontrarse alternativas para recuperar espacios públicos que permitan activar la conciencia social ante la invasión de los mass media, los discursos hegemónicos y, las urgencias y desafíos que viven nuestras sociedades.
Chuvas, estiagem, trânsito, turismo, férias, cultura postado por walter em 11/01/05
IL MONDO GIRA
Passou Natal, passou Ano Novo, vieram as chuvas, as chuvas sumiram, faltou água nos hoteis e principais pontos de Florianópolis, os turistas ficaram indignados.
Mudaram os governantes, os governados continuaram a protestar.
E assim, à medida que o novo ano engata, o país e o mundo continuam, a viver de secretas esperanças.
E nós também.
Pelo menos este é o ano em que se comemoram quatro séculos do Dom Quixote, cuja primeira edição aconteceu num janeiro, em 1605.
Já separei minha edição da Real Academia Espanhola, um belo presente que recebi da minha amada Carla, e começarei a reler a grande obra, nos próximos dias.
Vamos ver o que nos traz o ano de 2005. De minha parte, continuo acreditando na utopia, tal como o "ingenioso hidalgo Don Quijeto de la Mancha".
Acho que até os governos acabarão (um ou outro...) dando certo.
Lula, Marina e Gil no Forum Social em Porto Alegre postado por walter em 10/01/05
FORÇA TOTAL
Walter Galvani
Parece que Lula refletiu em tempo e deu-se conta da importância do Fórum Social Mundial que é, afinal de contas, a realização máxima que, de certa forma, se deve ao PT gaúcho e tornou Porto Alegre um nome mundial, uma referência, um ex-libris do que há de mais adiantado em matéria de desenvolvimento intelectual e político, no mundo.
Assim, virá o presidente Lula, virão os ministros Gilberto Gil (Cultura) e Marina Silva (Meio Ambiente) e com isso a capital dos pampas será prestigiada por toda a cúpula do Pasrtido dos Trabalhadores.
Certíssimo e deverei estar em finais de janeiro em Porto Alegre, deixando meu refúgio provisório em Santa Catarina, para tomar parte num imperdível acontecimento de caráter internacional.
Em 2002 transmití alguns trechos do evento pela rádio Guaíba, em 2003 repeti o feito e em 2004, estive ausente porque estava em Cuba, participando como murado do Prémio Casa de las Américas.
Tentarei comparecer ao que puder, mas, sobretudo estou interessado no ciclo que vai assinalar os 400 anos de publicação do maior romance de todos os tempos: "Dom Quixote", do inigualável espanhol Miguel de Cervantes.
8 de janeiro de 2005. Data especial para mim: Alessandra, minha filha, está de aniversário. Viva ela! postado por walter em 08/01/05
A estiagem avança. O verão nos Pampas, como há séculos, continua o mesmo. postado por walter em 07/01/05
AS RÃS PEDINDO UM REI
Walter Galvani
Todos recordam da fábula de Esopo, depois trabalhada por Lafontaine, das rãs pedindo um rei. Assim, não preciso repetir aqui que estávamos todos muito satisfeitos com o verão pesado, pontuado por alguns chuvisqueiros, quando nos demos conta de que os rios baixavam demais e que até novas ilhas surgiam no estuário do Guaíba? Ou será um lago? (discussão semântica e geográfica que fica para mais adiante...)
O fato é que já está pairando no horizonte a ameaça de faltar água tratada, justo quando ela é mais usada, no tal verão.
Rezemos. Como o faziam os antigos guarani ( o plural é assim mesmo, sem "s") que acorriam ao Litoral para refrescar-se e aproveitar as águas geladas ou frias do mar.
É o que fazem seus sucessores, moradores do Rio Grande do Sul, de todas as espécies e quilates, que se refugiam nas margens do Oceano Atlântico, talvez chamado nos séculos passados de "Y-Mbá ou Guá-Y", como queiram. Mas, chamando assim ou assado, justo para não morrerem assados, os indígenas corriam para o litoral.
Continuamos correndo. Com a diferença de que, com o peso do dia-a-dia, os períodos de permanência foram reduzidos para uma semana ou dez dias.
O risco é faltar água tratada também no Litoral.
Como já ocorre em diversas praias de Santa Catarina.
Em Canasvieiras e Ingleses, por exemplo, que são as praias mais populosas do norte da ilha de Santa Catarina, onde está Florianópolis.
O nome disso tudo é imprevidência.
Venderam-se terrenos, construiram-se edifícios, tudo sem limite.
Deu no que deu.
NÃO SE ALTERA O PRODUTO
Walter Galvani
Fala-se muito em Orçamento Participativo, principalmente agora que o PT perdeu as eleições em Porto Alegre, cidade-símbolo, fetiche do novo trabalhismo, Pelotas, a metrópole cultural do sul do Rio Grande do Sul, que pôde empossar o novo prefeito, Bernardo de Souza, num teatro (o Sete de Abril) do século XIX e Caxias do Sul, a lider do desenvolvimento industrial do Rio Grande. E São Paulo, lógico, onde Marta Suplicy pagou o preço do seu descasamento do "adorado" Flávio Suplicy, uma espécie de deus das baixas, médias e altas camadas da sociedade paulista.
José Fogaça, antigo peemedebista hoje alojado no PPS, sigla que antigamente (mas não muito) designava os egressos do partido comunista (que não é o caso dele, mas afinal isso seria crime? claro que não) e José Ivo Sartori, prefeitos de Porto Alegre e de Caxias, procuram manter o tal OP (Orçamento Participativo), nem que seja mudando-lhe o nome como na capital serrana: lá passaria a ser OC, Orçamento Comunitário.
Claro, isso não quer dizer nada, apenas um detalhe de caráter político.
Vamos em frente, então, aceitando a idéia crescente, e isso sim é importante, da participação maior do povo no governo democrático. Os representantes eleitos, vereadores ou deputados, já não são os únicos mediadores entre o povo e o governo. Há agora os representantes -conselheiros do Orçamento Participativo ou Comunitário, como queiram, para ajudar nos atalhos.
Na verdade, estamos diante de uma realidade moderna, da qual não se poderá abrir mão.
E com o antigo ou o novo nome, o Orçamento Participativo ou Comunitário, voltou a ter o valor com o qual nasceu.
As críticas a ele feitas, foram pontuais, apenas. Reparos.
Ninguém mais poderá, pelo menos no Rio Grande do Sul, estado mais meridional do Brasil e hoje, talvez, o mais politizado, o sistema de democracia participativa que se implantou.
De resto, Porto Alegre é símbolo da idéia de que "um novo mundo é possível", como estabelece o Fórum Social Mundial cuja quarta realização se produzirá este mês.
CHUVA, ENCHENTE, SOL, SECA... postado por walter em 05/01/05
A RONDA DA INCOMPETÊNCIA
Walter Galvani
Entra ano, sai ano, e a churumela éa mesma. Sucedem-se as administrações, elegem-se novas, pelo menos são eleitas, mas, como o povo tem o governo que merece, provérbio antigo, continua a mesma situação.
O que parece irremediável, mas não é. Basta votar bem.
No entanto, as manchetes dos jornais, as chamadas de rádio e tv, estão aí para confirmar. Basta pesquisá-las.
Enchente, fome, frio no inverno. Flagelados, eis o termo que ressurge ano após ano, e eu o conheço desde a grande enchente de 1941, são recolhidos aos salões dos clubes, de igrejas ou são acolhidos por parentes, amigos e até abrigados nos quarteis. Depois vem o verão e o "flagelo" é a seca. Agora começaram a queixar-se, no Rio Grande do Sul, do gosto da água que, como se sabe, tem que "inodora e incolor", além do sabido gosto de... água, ora.
Mais um ano há de se passar e nada terá sido feito. Infelizmente, assim o é.
E nós, vamos em frente, remando neste barcode milhares de remos, onde o ritmo só é mantido porque "navegar é preciso". A vontade é largar o remo e deixá-lo à deriva. O que não se pode nem se deve fazer.
Os novos governantes tomaram posse nos municípios brasileiros. Muito bem, que agora aprendam a governar. Para tanto vai acontecer em Gramado, no próximo dia 19, um congresso organizado pela FAMURS, a grande entidade conduzida sabiamente por Luiz Paulo Ziulkowski que hoje preside a confederação brasileira, durante tantos anos.
Na certa ele estará presente, bem como o ministro Tarso Genro que, além de saber tudo, como se diz, é gaúcho.
Boa oportunidade. Compareçam. Mesmo que seja por conta própria. Alguns aproveitarão para reeceber diárias dos seus municípios. Muito bem. Que o façam. Mas prestem contas depois, com exatidão.
Ninguém sabe nada... postado por walter em 04/01/05
TORNADO? CICLONE? FURACÃO?
TSUMANI?
Walter Galvani
A quantidade de asneiras que se tem dito e escrito a respeito dos fenômenos da natureza que tem ocorrido no Brasil e no mundo, nos últimos dias, é simplesmente espantosa. "Amazing", amigos americanos.
Ninguém sabe na verdade, o que está acontecendo e qual é a denominação exata do que ocorre. Tromba d'água não é, disseram e escreveram, sobre os "tornados", termo espanhol, que se produziram ontem em Criciuma. "Caíram", disseram. Não, não caíram, "levantaram". É bem diferente.
É ciclone? Não. Tufão?, não, escreveram e disseram que isso só se dá no mar. Errado. Dá-se em terra também. Aliás o tufão, sopra do mar. E pode vir para a terra firme, é óbvio.
Acho muito conveniente que todos tenham em casa um dicionário.
Meu pai, humilde marceneiro, tinha e sempre me mandava ler "o amansa-burros". Não sei se o burro velho aqui (então eu era um burro-moço) aprendeu, mas pelo menos criei o hábito de ler o dicionário ou nele procurar a definição daquilo que não aprendi ou absorvi ao longo da vida.
É uma boa pedida. Mesmo em férias, façam isso.
Também, ninguém sabe "porque se produzem fenômenos como o tornado, muito comuns na região".
Fácil: é o desmatamento, minha gente.
Tem mais: na região de Criciuma, sul de Santa Catarina, onde os tornados de ontem lembraram aos atingidos o tsumani, divulgado como um evento promocional pelas tevês, a política de terra arrasada é muito antiga. Leiam o nome das localidades atingidas e raciocinem: Vila Manaus, Mina União, Mineira Nova, Mineira Velha, Cidade Mineira. Ou seja: pelo menos quatro dos cinco locais citados, com o nome ou sobrenome de "mina, mineira", ou seja onde há ou houve minas de carvão, o produto que fez ou faz a prosperidade da região, arrancado da terra pelos mineiros, mas com o capital dos proprietários de largas extensões de terras e das máquinas para perfurar, ou recolher. Em alguns casos, eram grandes extensões de minas de carvão ao ar livre.
Tudo isso somado à umidade do período, calor, e está pronto o coquetel para arrasar a terra ou criar o monstro apelidade de tornado, por falta de coisa melhor, ou conhecimento da língua portuguesa.
O fato é que o vento deixou mortos, feridos, desabrigados, com sua velocidade de 115 quilômetros e o feitio de um cone.
Preparem-se: não foi a primeira, não será a última vez que a natureza vai cobrar o que lhe fizeram.
Aguardem as próximas atrações: Tornados, Tufões, Trombas d'água, Tsumanis...
A melhor das notícias no Sul do Brasil postado por walter em 03/01/05
"ALFREDO" voltou para casa
Walter Galvani
Na véspera do Ano Novo, o jornal "Diário Gaúcho" publicou a notícia de que "Alfredo" havia fugido da casa do sr. Jarco Stanesco, um homem de 51 anos, que acabou sofrendo, em parte por causa do desaparecimento, pela perda de seu companheiro de todos os dias. Explica-se: "Alfredo" não é filho, que o homem não os tem, nem irmão, mas sim, um papagaio. Uma ave muito inteligente capaz de assoviar com perfeição "Cidade Maravilhosa" e "A Ponte do Rio Kwai", sem se importar com o fato de que a "cidade maravilhosa", o Rio de Janeiro, como se sabe, não é mais maravlhosa há muitos anos e que a ponte do Rio Kwai deve ter caído de novo com o sopro do furacão asiático, ou pelos tufões da política e das mudanças de administração.
O importante, neste primeiro dia útil de 2005, é assinalar que o papagaio voltou para casa. Estava aprendendo a cantar o hino do Internacional, mas não concluiu seu aprendizado.
O sr. Jarco Stanesco, aparentemente de ascendência romena, como o grande dramaturgo Eugene Ionesco, que, na certa daria sua vida por um tema como esse para escrever um romance ou uma nova peça teatral, no que era mestre, está feliz e já estabeleceu medidas especiais de segurança para que o seu "louro" não fuja outra vez.
Por enquanto ainda não aconteceram manifestações de membros da Sociedade Protetora dos Animais, mas não se surpreendam se elas ocorrerem, pois isso é bem possível nos dias de hoje.
Em todo o caso ele, o "Alfredo", voltou para casa e já canta outra vez para alegria de Stanesco e de sua mulher.
A pobreza de temas e a indigência moral da vida moderna transformam a fuga do papagaio na única coisa digna num fim-de-ano passado no liquidificador da violência e do "non sense" em que passamos nossos dias.
Claro que a contabilidade das ligações telefônicas que o "proprietário" do bicho recebeu demonstram o quanto foi longe a solidariedade pelo seu amor declarado pelo papagaio. Quem sabe agora ele se anima a ter um filho? Ou, talvez não possa, ele ou sua esposa, mas nesse caso, que adotem um menino perdido nas ruas de Porto Alegre, abandonado pela família ou vitimado pela violência das cidades? Quem sabe lá.
Parabéns ao Márcio Brito e ao "Diário Gaúcho" e à "Zero Hora" por haverem publicado a história.
A Humanidade é que está doente e, o "Alfredo", mais inteligente que a maioria dos humanos, talvez tenha pensado em retornar à selva, onde pelo menos a lei da sobrevivência, conhecida e respeitada, administra as relações entre os animais, atuando com mais justiça do que os códigos de convivência e intolerância entre os homens.
O Tsumani ou "o Tufão" postado por walter em 30/12/04
PALAVRAS E CONHECIMENTO DA NATUREZA
Walter Galvani
Todos viram, pelos meios de comunicação de massa, os efeitos do "Tsumani", as ondas gigantescas que tomaram conta das praias e cidades ribeirinhas na Ásia e causaram mais de 100 mil mortos, pelo primeiro levantamento.
O que a maioria não sabe é que Tsumani, em tailandês e muito proximamente em outras línguas asiáticas, quer dizer um fenômeno da natureza assustador, caracterizado por vento e águas fortes e que os portugueses tiveram conhecimento no século XVI. Foi assim que entrou em nosso léxico a palavra "Tufão", depois, talvez por falta de repetições mais acentuadas, foi se amenizando. Mas, todo mundo sabe o que é Tufão. Quer dizer: todo o mundo que usa a língua portuguesa.
E assim, o conhecimento técnico e, digamos, ecológico (bem antes da palavra ecologia popularizar-se), da Terra se tornou popular nos países como Portugal e depois Espanha, e depois as colônias portuguesas, entre as quais o Brasil.
Tufão, Tsumani, livre-nos Deus e os deuses, de alguns deles em 2005.
Já se sabe que a Terra acelerou sua rotação e com as loucuras que a Humanidade comete, com a rotação acelerada, não sei não...
Um micronésio de segundo por ano pode parecer pouco, mas em macro contagens terrestres, ao contrário, pode ter todo um significado.
Vamos observar, para onde vamos parar em 2005. E nos anos subseqüentes.
Rigottto e Ronaldinho... postado por walter em 29/12/04
INFLUÊNCIA DO RRR...
Walter Galvani
Todos os jogadores brasileiros que, nos últimos tempos conquistaram o prêmio de Melhores do Mundo, tem o nome começado com R.
É o caso de Ronaldo, Romário, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.
Outros craque gaúcho, agora, junta o seu nome aos RRR...
Germano Rigotto.
Sim, Rigotto, com R.
O governador concedeu a Ronaldinho Gaúcho a medalha "!Negrinho dos Pastoreio", a máxima condecoração do Sul.
Portanto, junte-se um pouco da sorte e da habilidade do craque gaúcho ao craque do Piratiní (habilidade é o que não falta ao Germano) e teremos mais um destaque internacional.
No caso do nosso governador, queremos é que ele vença as dificuldades e leve o Rio Grande do Sul ao ponto mais alto do pódio.
OS VIVOS E OS MORTOS postado por walter em 28/12/04
Cada vez mais difícil, à medida que se aproxima o fim do ano, mantermos a calma.
Mas, eis o que é preciso. E é só o que é preciso.
O momento é único, passagem de 2004 para 2005. Mas, é o que se precisa, antes de qualquer outra coisa, fazer o balanço e enfrentar a vida.
Nada mais.
Para alguns será algo extremamente difícil, para outros, para quem a vida flui facil, nada melhor.
É o que se quer.
Em vista disso e de faltarem apenas 3 dias, recomendamos que ... "fiquem frios"... É o melhor.
Vocês verão que tudo passa e o ano novo chega sem que você perceba.
Fique atento, apenas, às suas contas bancárias.
É o que interessa. Não se precipite, não erre as contas, não mergulhe no infinito de cabeça para baixo...
Fim-de-semana como de costume: muitos acidentes, calor nas praias brasileiras, gente lutando por espaço na areia postado por walter em 27/12/04
RUMO AO FIM DO ANO
Walter Galvani
Foi mais uma mortandade nas ruas e estradas brasileiras, fruto do trânsito e dos assassinatos. Houve de tudo, até mulher matando marido o que é incomum...O habitual, como se sabe, é o inverso.
Mas nada nos afasta do bom caminho. Tomei um bom Frascati ontem, preparando o espírito para o final de 2004 (ufa, passei! Ou estou passando...) e o 2005 que vem aí, quando publicarei meu décimo livro. O tema ainda não sei, pois estou com três projetos, engarrafados, lutando para passar.
É o que veremos.
Aqui em Canasvieiras, onde me encontro, depois de alguns dias de chuva, o sol veio para valer. Tomara que permaneça.
E por aqui ficou torcendo para que se faça justiça, na Ucrânia, por exemplo, onde Yuschenko nos devolve a esperança. Terá sido mesmo envenenado? Então cuidado com os disparos. Lembremos Kennedy.
Assim é a vida.
E os eleitos brasileiros preparam suas equipes.
Desejo o maior sucesso aos amigos.
Blem, blem, blem,blem... postado por walter em 25/12/04
BEM, É NATAL...
Walter Galvani
O pior já passou. Ou seja: o melhor já passou.
Estamos no Natal, portanto, presentes trocados e "trocados", vamos em frente, agora rumo ao Ano Novo.
Dou-me conta que já passei por esta quadra, setenta vezes. Em algumas vezes me saí bem, noutras não, mais ou menos aqui e ali.
Mas estou (estamos) quase com o pé em 2005 e dou graças a Deus ou aos deuses, a Jupiter, Jeová, Alá, enfim,a todos, pois ultrapassei o pior neste ano de 2004.
Estou com nove livros publicados,´o último, "A Feira da Gente" à disposição do público "nas melhores casas do ramo" e vem aí o número 10, que já estou começando.
Vamos ver no que vai dar, e o que chega primeiro.
Até logo.
E então? O governo do estado do Rio Grande do Sul anuncia "mudanças radicais" na sua política financeira postado por walter em 22/12/04
O NOVO ESTADO
Não há o que discutir. Impõe-se a necessidade de um novo desenho de estado. E isso é o que vem aí.
O governo gaúcho, coordenado pelo inteligente Germano Rigotto propõe aumento do ICMS. Mas terá que negociar com os empresários.
Assim é a vida, assim é a democracia. Às vezes é difícil, mas é o que temos de mais correto, el