Terça, 07 de Setembro de 2010

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do executivo estadual, do federal, das prefeituras e mesmo da presidência da república e dos ministérios, poderiam, para melhorar a imagem de todos e logicamente, do país, candidatar-se à uma transparência absoluta. Porque não? O senhor (ou senhora) aí, tem alguma coisa a esconder. Não creio...

Em 1810, morre na pequena estação de Astapovo, Leon Tolstoi, um dos maiores gigantes da literatura mundial postado por walter em 20/11/04

Tolstoi teria morrido afetado pelo Mal de Alzheimer, então recentemente descoberto. Apenas em 1901, foi identificado pelo médico alemão Alois Alzheimer.
Escrevi, em meu romance, "Anacoluto do princípio ao fim", algo inspirado nesta terrível doença.
Não é a primeira doença batizada com o nome do seu descobridor, mas o curioso em relação ao Mal de Alzheimer é que a medicina haja tardado tanto em identificá-la, talvez pelo fato de se misturarem seus sintomas com as variadas manifestações de demência senil a que nos acostumamos a batizar simploriamente como “caduquice”.
A respeito de Frederic Nietskche, (1844-1889), o extraordinário escritor e filósofo alemão, registram os estudiosos de sua biografia, passou os últimos anos de sua vida, sem saber o próprio nome. Martin Seymour-Smith ao analisar “Assim falava Zaratrusta” entre os 100 livros que mais influenciaram a humanidade, registra o triste fim: “Em janeiro de 1889, ele enlouqueceu enquanto caminhava pelas ruas de Turim, ao deparar (episódio talvez significativo) com um homem açoitando um cavalo. Morreu onze anos mais tarde sem saber quem era, onde estava e muito menos que se tornara famoso.”
Lembremos Tolstoi (1828-1910). Quem cultua a notável figura, talvez a maior da literatura russa, sabe que ele foi encontrado vagando na estação ferroviária de Astapov. Com os olhos perdidos no espaço, não sabia dizer o que fazia, nem atendia a quem o chamava pelo nome. E ali mesmo e assim morreu um dos maiores escritores dos séculos XIX e XX.
Montaigne, o criador do “ensaio”, em seu informativo e pitoresco “Viaggio in Itália”, resultado de um percurso que fez em 1680/1681, narra à certa altura do capítulo “Banhos em Lucca”: “Veio aos banhos, um dia desses, um comerciante cremonese que vive em Roma. Padecia de muitas enfermidades extraordinárias. No entanto falava, andava, e, do que se podia ver, bastante satisfeito da vida. O principal defeito era na cabeça: pela debilidade de que se dizia, havia perdido de tal forma a memória, que comendo não se recordava de haver estado pouco antes à mesa. Se saía de casa para andar por qualquer serviço, dezenas de vezes precisava voltar à casa para perguntar onde teria de ir. O “Pai Nosso”, à duras penas conseguia terminá-lo: do final voltava centenas de vezes ao princípio, não conseguindo chegar ao fim se o houvesse começado e nem ao recomeçar sabia como o terminaria. Estivera surdo, cego e sofria de dores de dente. Sentia tanto calor nos rins que achava que carregava internamente um pedaço de chumbo. Vivia sob os ditames dos médicos com religiosa observância já há uns bons anos.”

Assim se sucedem os exemplos e são muitos os casos tidos como “inexplicáveis” que vem desde Homero até nossos dias. Mas, agora é impossível desconhecer o que o médico alemão Alois Alzheimer descobriu apenas no início do século XX, a respeito dos vários efeitos da doença senil, seus sintomas e sua marcha inexorável.
O pior de todos é a destruição completa da personalidade, a perda da dignidade, o lamentável fim de uma existência por mais brilhante que ela tenha sido sobre a Terra.
Mas o “Anacoluto do princípio ao fim” passa por todas as vicissitudes que alguém poderia ser atingido, começando pelo nome de batismo que o condiciona a um destino de eterno avançar e recuar até o que o limita nas relações com as pessoas.
Avançando pelas relações interpessoais, percorrendo os acontecimentos históricos e políticos dos últimos cinqüenta anos, Anacoluto vai vivendo espremido em sua pequena e insensata condição humana até ser definitivamente esmagado pelo mal que destrói a personalidade.


Desculpem leitores, foi um ato falho talvez... Quando eu escrevi 18 de dezembro, para a matéria de hoje, queria dizer 18 de novembro. Acontece... postado por walter em 18/11/04



Hoje, 18 de dezembro, como sempre significativo quando se pesquisa a História postado por Walter Galvani em 18/11/04

Dia da dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo, em Roma
1313 –Morre Constança de Portugal, infanta de Portugal e rainha de Castela
1626 – Consagração da basílica de São Pedro em Roma
1786 – Carl Von Weber, nasce. Compositor alemão.
1789 – Nasce Louis Daguerre, pioneiro francês da fotografia
1860 – Nasce Paderewski, estadista, compositor e pianista polonês
1918 – A Letônia é proclamada uma república independente. Capital Riga.
1922 – Morre Marcel Proust, escritor francês
1969 – Morre Joseph Kennedy, estradista americano, pai de John Fitzgerald Kennedy
1976 – A ONU rejeita a integração do Timor como um país independente
1976 – Morre Man Ray fotógrafo e pintor americano
1991 – Morre o político checo Gustav Husák


Anos setenta no Brasil: lei do divórcio. O Chile passou a adotar oficialmente o divórcio a partir de hoje e, segundo consta, só existem ainda dois países no mundo, apenas que ainda proibem esta decisão judicial. postado por Walter Galvani em 18/11/04

O CHILE, QUEM DIRIA!

Walter Galvani

O Chile agora admite o divórcio. É incrível, mas era um dos últimos três países no mundo a proibi-lo.
No Brasil, lembram, foi nos anos setenta que o divórcio, vencendo a grande resistência da igreja católica, pôde finalmente ser aceito.
É difícil vencer o conservadorismo, mas, afinal de contas, esta é a missão da reação, não é mesmo?
Nisso e em outras coisas.
Felizmente para nós, o Chile parece que aposentou a política que permitiu o assassinato do presidente Allende.
Em compensação, impondo a democracia que pretendem, os americanos criam, por vezes, choques culturais nas outras nações.
O assunto merece exame mais profundo, mas é um tema candente hoje, com a presença dos ocupantes no Iraque.

Condoleeza Rice na secretaria do estado quer dizer o que? postado por walter em 17/11/04

A PAZ DOS CEMITÉRIOS

Walter Galvani

Desde que começou há uma semana o cerco a Falluja, morreram já 1.600 iraquianos, leia-se "insurgentes", compreenda-se resistentes que não querem entregar o seu país aos invasores ocidentais.
Com relação à América Latina o que significará a entrada de Condoleeza?
Desinteresse.
Com relação ao Iraque?
Endurecimento.
Com relação aos países africanos?
Emocional redescoberta e possivelmente tentativa de implantação da democracia modelo americano. Nem que seja à força...
Futuro do Iraque?
A paz dos cemitérios...
Quando houver acabado esta intervenção estaremos assistindo a uma monumental plantação de cadáveres que se espalharão pelos campos e areais...
É a realidade.
E então, com os que sobrarem e quiserem colaborar, com a oposição reduzida a zero, uma nova "democracia" a ser saudada cinicamente por todos os ocidentais que querem continuar a fazer negócios com os Estados Unidos.
Ah, e concordo com Fidel Castro: aquele último video do Bin Laden, se era ou não verdadeiro, não vem ao caso, ajudou a reeleição de Bush.
Agora, suportaremos mais quatro anos. Nós e principalmente os americanos. Mas, não estaremos livres não. Os respingos aqui na parte de baixo do Equador são inevitáveis.

Apesar de todas as dificuldades o Rio Grande cresce. Leiam esta nota da FIERGS: postado por walter em 16/11/04


Exportações gaúchas já superam 2003
Bom resultado se dá apesar da queda no mês de outubro


As exportações do Rio Grande do Sul cresceram 23,4% de janeiro a
outubro deste ano comparativamente ao mesmo período de 2003, passando de
US$ 6,70 bilhões para US$ 8,27 bilhões. O RS se mantém como segundo
Estado exportador, atrás apenas de São Paulo. O total exportado no
período já supera todo o ano de 2003 ( US$ 8 bilhões). Os números foram
divulgados nesta terça-feira (16) pelo presidente da FIERGS, Renan
Proença. O bom resultado do Rio Grande do Sul se deve às vendas
diversificadas da indústria para o exterior, que cresceram 26,3% no
período, já que houve quebra da safra agrícola. "No mês de outubro em
relação ao mesmo mês de 2003, as exportações gaúchas tiveram queda de
2,4%, de US$ 849 milhões para US$ 829 milhões, devido ao complexo soja
que teve menor oferta, pela quebra da safra, e redução dos preços
internacionais", explicou Proença.
Com relação aos principais destinos das exportações do Rio Grande do
Sul, de janeiro a outubro de 2004, os Estados Unidos tiveram crescimento
de 6,9%, principalmente em tratores e autopeças, móveis e químicos. A
Argentina, graças ao crescimento econômico e à taxa de câmbio, teve alta
de 53,7% nas compras de produtos gaúchos (motores à diesel, máquinas
agrícolas e química). Já a China diminuiu suas importações do Rio Grande
do Sul, no período, em 6,4% e a Alemanha em 10% (ambos devido à situação
do complexo soja).
O crescimento das exportações industriais foi diversificado, mas
se destacam os gêneros Alimentos e Bebidas (34,6%) com carnes e farelo de
soja, Couros, Artefatos e Calçados (11,6%), Máquinas e Equipamentos
(55,3%) com máquinas agrícolas, e Fumo (21,4%).
As importações do RS cresceram 17,2%, passando de US$ 3,6 bilhões
para US$ 4,2 bilhões, sendo principalmente de combustíveis e
lubrificantes (34,1%) e matérias-primas (13,4%). O saldo comercial do
Estado passou de US$ 3,09 bilhões para US$ 4,05 bilhões.



Um mariner americano será julgado por haver executado um prisioneiro ferido, que aguardava, numa mesquita, para receber atendimento médico. É um arremedo de democracia que não leva à nada. Agora Condoleeza Rice, uma "afro-american", assumirá o lugar de secretária da Defesa. Ela é muito mais dura do que qualquer homem. Vocês verão. Em Falluja, continua a destruição de edifícios, casas e vidas humanas. O poder da força. postado por walter em 16/11/04

FEIDA DO LIVRO TERMINOU

Walter Galvani

Com números muito favoráveis terminou a 50a. Feira do Livro, vendendo cerca de 495.000 livros e sendo visitada por um milhão e novecentos mil livros. Mais de setecentas sessões de autógrafos foram realizadas. Para que se tenha uma idéia, as sessões começaram em 1956, com meia dúzia de escritores autogrfando.
Entre os livros mais vendidos, "O Código Da Vinci", é claro, de Dan Brown. Em não ficção, "Medicina alternativa de A a Z", de Carlos Spethmann e "Anonymous Gourmet - 200 receitas inéditas", de José Antônio Pinheiro Machado.
No Memorial do RGS, dirigido por José Bacchieri Duarte que está hospitalizado, inaugurou-se uma placa homenageando a Câmara Riograndense do Livro, presidida por Waldir da Silveira e o xerife Julio La Porta ganhou uma sineta nova do governador Rigotto. Bateu as duas no encerramento.
O patrono Donaldo Schüler lançou uma bela idéia de difusão da leitura e agora comanda uma operação que vai se desdobrar durante todo o ano.
Agora, na Praça da Alfândega entra em ação o Projeto Monumenta, gerido pela prefeitura de Porto Alegre com recursos do BID e do Ministério da Cultura, dentro de um plano maior da UNESCO, remodelando a área com nova pavimentação regularizada e iluminação, com a retirada dos artesãos.
A av. Sepúlveda será remodelada.
Enfim, uma revolução urbanística e com ênfase na recuperação do passado, no centro de Porto Alegre.
Enquanto isso, a Câmara do Livro começa a planejar a próxima edição do grande evento, com o seminário "Repensando a Feira", marcado para breve.

A 50a. edição da Feira do Livro de Porto Alegre chega hoje ao fim, com muitas atrações, entre as quais o anúncio dos vencedores do "Fato Literário", promoção da RBS e uma entrevista coletiva com os resultados postado por walter em 15/11/04

A FEIRA DA GENTE

Walter Galvani

Hoje, 15 de novembro, acontece o encerramento oficial da maior feira de livros a céu aberto da América Latina. Esta será a 50a. vez que Porto Alegre realiza, sem interrupções a sua feira, tendo iniciado em 1955.
A chuva, uma visitante freqüente, foi vencida ao longo do tempo e tornou-se em certo momento, irritante ponto de atrito entre os que sugeriam a mudança de período no calendário e os que defendiam a realização no período em que sempre se fez, com ligeiras oscilações de outubro a dezembro.
A primeira delas começou logo depois do feriado de 15 de novembro, hoje em dia ela termina no feriado, como hoje.
No começo, a figura mais importante era a do orador. Mais adiante, 1965, passou a homenagear-se um patrono já falecido, começando com Alcides Maia e finalmente, de 1984 em diante, um patrono entre os vivos. O primeiro da lista foi Maurício Rosenblatt e o mais recente, o atual, Donaldo Schüller.
A expectativa é que se alcance ou até ultrapassem o total de 500 mil livros vendidos este ano e que os visitantes cheguem a 2.000.000 de pessoas.
O livro oficial da Câmara Rio-Grandense do Livro, "A Feira da Gente" cujo texto assino, com magnífico planejamento gráfico de Clô Barcellos e edição de Elmar Bones, teve duas movimentadas sessões de autógrafos, sendo uma no dia 9 no Centro Cultural "Erico Verissimo" da CEEE, com duas horas e meia de duração e outra na praça, dia 13, com duas horas e cinco minutos, totalizando portanto quatro horas e trinta e cinco minutos.
O livro continua à venda nos estandes da Feira e quando circulo pela praça, como farei ainda hoje a partir das 14h30min, costumo assinar para ajudar a perpetuar o costume introduzido aqui com a segunda feira do livro, em 1956.

O Brasil reconheceu que a China é uma "economia de mercado". Comunismo foi para o espaço. Este artigo foi publicado hoje no ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos. postado por walter em 14/11/04

NEGÓCIO DA CHINA




Walter Galvani





Antigamente, muito antigamente mesmo, usava-se a expressão “negócio da China” para batizar algo em que se saía lucrando de uma forma incrível, inacreditável até, que pudesse parecer uma justa negociação. Ainda não se usava falar abertamente em enriquecimento ilícito, ou algo do gênero, mas é o que era ou pelo menos dava ares. Agora, parece o governo brasileiro haver descoberto o caminho para atravessar a “grande muralha” e chegar ao coração da cobiçada dama do Oriente...

Só nesta semana assinaram-se 11 acordos entre Brasil e China e, informa-se, na delegação chinesa havia 240 empresários. Custo a crer nos meus olhos que lêem em 2004 esta informação. O regime puramente comunista, capaz de punir com a morte qualquer “subversão”, que jamais havia tolerado antes a iniciativa privada, traz à Brasília, mais de duas centenas de “empresários”? Ou serão funcionários do regime? Tem mais: o Brasil, que é apenas a primeira escala de uma viagem completa pela América Latina, receberá 2 bilhões de dólares de um investimento chinês na ferrovia norte-sul e no porto de Itaquy no Maranhão.

Os tempos mudaram. E mudaram tanto que afinal, descobrimos que a China, tal como havia alertado Richard Nixon está “na mesa”. Lembram? Ele começou pelo ping-pong, aproximando pelo esporte os dois países e depois disso, os americanos, anti-comunistas convictos apaixonaram-se pelo dragão chinês e não mais o abandonaram. O que pode ser classificado como incoerência foi e é rotulado de pragmatismo. Portanto, o Brasil pode, e deve, seguir o mesmo caminho.

Em busca do nosso “negócio da China”, estamos de olho no mercado de 1 bilhão de habitantes que pode ajudar a alavancar o desenvolvimento brasileiro. Mas, no meio disso há uma discussão que parece semântica: a China quer que o Brasil reconheça que a sua, “é uma economia de mercado”. Isso significaria a queda de algumas barreiras alfandegárias e com elas a diminuição da competitividade dos produtos brasileiros. Verdade ou mentira, diz-se que além da cortina de bambu, os operários recebem 10 dólares por mês como salário mínimo e por isso pode o país concorrer com sucesso no exterior. Do lado de cá ainda se comenta que o regime lá, é de escravidão. Mas, com o olho nos números, ninguém lembra de ideologia, nem de direitos humanos.

Tenho minhas dúvidas. Acho que ninguém fala a verdade, nesse caso. E noutros...

Enquanto reverenciamos o “dragão chinês”, na certa menosprezamos outros bichos orientais e ocidentais, imaginando que o apetite do grande animal possa ser saciado pela nossa soja transgênica ou não e que ele pare de massacrar, por exemplo, nossos calçados. Não sei até que ponto esta transigência possa existir, de verdade.

Deslumbrados com a corte chinesa que nos visita, pode ser que estejamos perdendo de vista o que há de fundamental no mundo dos negócios e que se chama, pura e simplesmente, lucro. Ninguém faz nada de graça. Ninguém trabalha se não tiver em mente uma boa remuneração pelo seu investimento. Karl Marx sabia disso e apenas foi esquecido pelas gerações mais recentes.

Uma boa oportunidade é aproveitar a Feira do Livro de Porto Alegre que, no ano de seu cinqüentenário, também tem entre suas ofertas o velho e sabido Marx. Cujo nome, pelo menos por enquanto, ainda pode ser pronunciado em nosso país. Já houve tempos piores.

Hoje, às 16 horas, estarei no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre, autografando o livro "A Feira da Gente". postado por walter em 13/11/04



O caixão com o corpo de Yasser Arafat é primeira página de todos os jornais que se prezem, no mundo inteiro, hoje. Amanhã será o pouso do helicóptero conduzindo os restos do lider palestino, que será sepultado em Ramalah, onde passou, confinado pelos inimigos israelenses, os últimos anos. Enquanto isso, Porto Alegre vive a maior feira do livro de todos os tempos, sua quinquagésima edição. E tivemos ontem o lançamento do magnífico livro coordenado por Isabel Bellini Zielinsky, "A Paz é Possível", com a participação de 65 autores. De Armindo Trevisan a Walter Galvani, temos de tudo. Inclusive Lya Luft. Muitos foram ao lançamento ontem no final da tarde, apesar da chuva. postado por walter em 12/11/04


A Câmara Riograndense do Livro distribuiu nova lista dos mais vendidos ou, como prefere a entidade, os mais comprados na Feira do Livro.
Nosso livro, "A Feira da Gente" até agora só teve distribuição gratuita, pois foi entregue aos convidados da cerimônia de lançamento que transcorreu no Centro Cultural "Erico Verissimo" da CEEE.
Terei sessão de autógrafos de "A Feira da Gente", amanhã, sábado, às 16 horas no pavilhão de autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.
Eis a listagem:

Livros mais comprados por categoria
(dados até 09.11.2004)

Auto-ajuda / Religiosos
· A arte da guerra, de Sun Tzu, editora L&PM
· Por trás do véu de Ísis, de Marcel Souto Maior, editora Planeta do Brasil
· Quando chega a hora, de Zíbia Gasparetto, editora Vida e consciência
· O livro dos espíritos, de Allan Kardec, editora Ide
· Quando a vida escolhe, de Zíbia Gasparetto, editora Vida e consciência

Ficção
· O Código de Da Vinci, de Dan Brown, editora Sextante
· Anjos e demônios, de Dan Brown, editora Sextante
· Perdas e Ganhos, de Lya Luft, editora Record
· Coleção Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, editora Melhoramentos
· Canibais, de David Coimbra, editora L&PM

Infanto-juvenil
· O livro secreto dos bruxos, de Janice Eaton Kilby, Deborah Morgenthal e Terry Tailor, editora Melhoramentos
· Mistério no ar, de Inc. Disney Enterprises, editora Melhoramentos
· Beijos: Coisas que todo mundo quer saber, de Nick Fischer, editora Melhoramentos
· 100 magias para aumentar sua autoconfiança, de Inc. Disney Enterprises, editora Melhoramentos
· Neco Sol, de Leonie Gonçalves da Fonseca, editora Vozes

Não-Ficção
· Medicina alternativa de A a Z, de Carlos Nascimento Spethmann, editora Natureza
· Anonymus Gourmet 200 receitas inéditas, de J. A. Pinheiro Machado, editora L&PM Pocket
· Leituras obrigatórias Ufrgs 2005, de João Armando Nicotti (org.), editora Leitura XXI
· Desembarcando a hipertensão, de Fernando Lucchese, editora L&PM
· Travessia da Amazônia, de Airton Ortiz, editora Record



Morreu, pode-se dizer nesse caso, finalmente, pois estava agonizando há dias, Yasser Arafat. E também se ode sintetizar que ele personificou o sonho de um estado palestino. postado por walter em 11/11/04

PELA PAZ
Hoje, vamos nos dar as mãos e formar um círculo ao redor da Praça da Alfândega, onde acontece a 50a. Feira do Livro de Porto Alegre, num ato pela Paz, com P maiúsculo, que precede o lançamento do livro coordenado pela Izabel Zielinsky, "Paz - Um vôo possível", editado pela AGE, com a organização, além de Izabel, de Armindo Trevisan, que aliás sugeriu o belo título, Dilan Camargo, e Jaime Vaz Brasil.
Tomam parte no livro 65 escritores, com textos selecionados para integrar esta espécie de antologia a favor do bem supremo da humanidade, a Paz, constantemente desrespeitado pelos poderosos do dia. Que morrem e desaparecem como outros impérios que já se foram...
Participo com um texto, o final, pois em ordem alfabética é um privilégio de quem tem o nome começando por W...
Mas, recomendo a leitura cuidadosa de todos os incluídos, entre os quais os já citados e mais nomes como Fernando Lucchese, Jane Tutikian, Rovílio Costa, Fabrício Carpinejar, Donaldo Schüller, Moacyr Scliar, Maria Carpi e outros.
O lançamento oficial será às 19 horas no Memorial do RGS junto á Feira e o abraço será às 18 horas.

postado por walter em 11/11/04



Fim-de-ano, época de premiações. Luis Antonio de Assis Brasil, terceiro colocado nacionalmente no prêmio Brasil-Telecom, foi o primeiro no concurso da Associação Gaúcha de Escritores, em narrativa longa, com "A margem imóvel do rio". Vejam os premiados de 2004: postado por walter em 10/11/04

Com muita satisfação, vimos informar os vencedores do Prêmio Livro do Ano 2004, desta Associação Gaúcha de Escritores (AGEs), em sua segunda edição.

A entrega aconteceu em jantar festivo, no dia 9/11, em Porto Alegre.

Com um grande abraço,
Marô Barbieri & equipe


NARRATIVA LONGA
* A Margem Imóvel do Rio - Luiz Antonio de Assis Brasil

CONTOS
* Mínimos Múltiplos Comuns - João Gilberto Noll

CRÔNICAS
* Tipo Assim - Kledir Ramil

POESIA
* A Força de Não Ter Força - Maria Carpi

NÃO-FICÇÃO
* O Rosto de Cristo - Armindo Trevisan

INFANTIL
* Pestilóide e o Sumiço da Chuva - Marô Barbieri

JUVENIL
* J F e a Conquista de Niu Ei - Jane Tutikian




Hoje é o dia da apresentação do meu nono livro, "A Feira da Gente", com a história dos cinqüenta anos da Feira do Livro de Porto Alegre. O evento será às 19 horas de hoje no Centro Cultural Erico Verissimo, na antiga Cia. de Força e Luz, na rua dos Andradas, 1223, centro de Porto Alegre postado por walter em 09/11/04

Aqui está o primeiro capítulo do livro "A Feira da Gente" que preparei para a Câmara Riograndense do Livro" e que terá lançamento hoje na 50a. Feira do Livro de Porto Alegre:



Este é um livro de História. E de histórias. Por isso, ele começa com "Era uma vez..." E como tudo é verdade perante os céus, embora seja preciso enxergar "sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade" e embora, muitas vezes, se possa imaginar que se cria ou que se voa, é preciso estar atento, pois os sonhos podem ser mais reais do que se pensa.
Por isso tudo, o início está na foz do rio Mekong com Luís de Camões e na Praça da Alfândega em Porto Alegre, antigo Largo da Quitanda, e junto ao Tejo, em Lisboa, e também na redação do antigo Diário de Notícias na rua Sete de Setembro, ou na Editora e Livraria do Globo junto à Galeria Chaves e ainda na avenida Borges, todos endereços no centro de Porto Alegre. Entre os livros, onde estão e estarão sempre, todas as histórias. E na cabeça dos homens, amigos dos livros.
Ali vai o poeta, nadando e, loucamente, conduzindo o texto que lhe há de dar "doces lembranças de passada glória que me tirou Fortuna roubadora". Aqui, os homens discutem no café da esquina como hão de mudar o mundo. A alavanca para movê-lo? O livro. Portanto... "Era uma vez, na foz do Mekong, aí por 1557, ou ainda e também em Porto Alegre, por volta de 1955...". São fatos que se somaram e, hoje, envoltos pelo "manto diáfano da fantasia", já não se distinguem mais os limites entre a verdade dos homens e a certeza dos sonhos.
Até que ponto um naufrágio na Ásia, o professor Guilhermino César, os livros na praça principal de Porto Alegre e Camões estarão interligados? Pois, num destes lances de mistério que só um pouco de magia nos faria compreender, veremos que o dedicado professor mineiro, que escolheu o Rio Grande do Sul para viver, e o poeta do século XVI, um dos "pais fundadores" da cultura e da língua portuguesa, têm o seu ponto de encontro na feira de cinqüenta anos, preparada para viver outro tanto. Ou muito mais. É o nosso sonho.
Magia não seria bem o termo, melhor seria referir a seriedade de Guilhermino César e sua erudição, virtudes que o aparentavam diretamente com Luís Vaz de Camões, e o casamento destas duas personalidades com a Feira do Livro de Porto Alegre, cuja idéia básica transita de um para outro, e busca seu sentido simbólico no salvamento do texto de "Os Lusíadas". Imaginá-lo rumo à praia com a ação de apenas um braço, enquanto com o outro elevava "Os Lusíadas" para que não se perdesse no mar revolto, é um desafio ao ceticismo moderno. Mas, a metáfora permanece ao longo dos séculos e chega à Praça da Alfândega, onde o livro vive e nos faz lembrar, mais modestamente, que a luta com as águas da chuva assumiu contornos de epopéia vivida e, de certa forma, vencida.
No dia 16 de novembro de 1955, às 18 horas, quando se inaugurava a I Feira do Livro do Rio Grande do Sul, Guilhermino César era o porta-voz na entrevista coletiva, depois, no encerramento, dando o balanço nos resultados e anunciando a nova feira. Dezessete anos depois, Camões seria o Patrono da Feira, na comemoração dos 400 anos de publicação de "Os Lusíadas". Quem o saudaria lembrando o episódio homérico de 1557? Ora, Guilhermino. E trinta e cinco anos adiante quem seria o Patrono da Feira? Guilhermino César.
Por essas e outras, fica mais fácil identificar a idéia, vitoriosa, e como tal dividir sua paternidade entre os muitos candidatos, do que encontrar em seu genoma criador o gene paterno.
Envolvendo a Feira que nascia não eram apenas Camões e Guilhermino, é lógico. Havia Maurício Rosenblatt, Henrique e José Bertaso, Leopoldo e Nelson Boeck, Augusto da Cunha Carneiro, Ernani Nerva, Egon Poetter, os lusitanos Ruy Diniz Netto e Edgardo Xavier e Say Marques, o maior candidato a pai/padrinho/patrono.
Como no início era apenas "uma idéia trêmula, frágil, bruxuleante", foi quase totalmente creditada ao entusiasmo do jornalista Say Marques, um dos diretores do Diário de Notícias, que regressara do Rio de Janeiro onde vira a II Feira do Livro carioca e tentava transmitir a sugestão aos porto-alegrenses. Ele foi enfático em seu jornal. Ocupou o alto da última página com uma manchete em duas linhas em que prometia: "A Praça da Alfândega converter-se-á em uma autêntica biblioteca a céu aberto".

Para ajudar a explicar aos leitores de que se tratava, ele incluía, na edição do dia 13 de novembro de 1955, uma crônica de Rachel de Queiroz sobre a feira do Rio e explicava o nascimento da congênere gaúcha:
"O Diário de Notícias e as Emissoras Associadas bem como os livreiros e editores, com o apoio da Secretaria de Educação e da Prefeitura, levarão ao povo gaúcho 30 mil livros em quinze dias, em um comício de cultura na Praça da Alfândega."
Lançada a idéia, formou-se a primeira comissão organizadora a cargo da Câmara Brasileira do Livro, Seção RGS, presidida por Henrique Bertaso (Editora e Livraria do Globo) e integrada por Leopoldo Boeck (Livraria Sulina, Egon Poetter (Livraria Americana e Cia. Melhoramentos de São Paulo), Augusto Cunha Carneiro (Livraria Farroupilha), Maurício Rosenblatt, (Editora José Olympio do Rio de Janeiro) e o jornalista Say Marques. Escolhidos o local, o dia e a hora, só faltaria o discurso. O encarregado foi o Secretário de Estado da Educação e Cultura, Liberato Salzano Vieira da Cunha, que procurou atribuir a iniciativa à "imaginação cascateante de Say Marques, fecunda em iniciativas em prol do bem público" e não esquecendo a importância dos agentes concretos do acontecimento, "à Câmara do Livro, aos editores e livreiros de Porto Alegre".
O entusiasmo levou o secretário a uma visionária declaração de compromisso democrático: "Lendo a história dos homens e dos povos, eles sabem que os ditadores pertencem ao pó do passado, são figuras efêmeras de um dia, e que só permanecem os autênticos democratas, aqueles que consagraram sua vida ao serviço do povo".
Mal sabia ele que todos nós, e a própria Feira, enfrentaríamos dias difíceis com outros ditadores que estavam por vir. Mas o dia não se prestava a pessimismos. Inaugurava-se uma feira de livros em Porto Alegre, no local onde a sua vocação de porto e comércio nasceu, no antigo Largo da Quitanda, e era justo, pois, que o homem responsável pelo setor cultural do governo encerrasse com a mensagem mais animadora possível. Foi o que ele fez:
"Dizia o velho Sêneca que dar um livro a alguém não é apenas fazer-lhe um presente, é também dirigir-lhe um elogio."
Maurício Rosenblatt, integrante da comissão e representante da Livraria José Olympio, ouviu bem e o discurso do secretário Salzano marcou-o de tal maneira que sempre o apresentou como ideal e "das melhores coisas que se disseram na praça". Em 1984, ano em que foi o patrono, o primeiro a ser escolhido em vida, Maurício lembrou-se do ato de trinta anos antes:
"Fomos para a praça como guris para um piquenique, loucos de contentes, mas sem saber o que iríamos encontrar."
Outro que lá estava era o jornalista Alberto André, na época deputado pelo Partido Libertador, e logo na sessão do dia 18 de novembro, requereu um "voto de congratulações" à "Câmara Brasileira do Livro e ao Diário de Notícias na pessoa do seu diretor, Say Marques, pela realização da Feira do Livro". Era o reconhecimento público, oficial.
Naquele bom começo, o grande ausente fora o escritor mais conhecido do Rio Grande do Sul. Os jornais do dia 25 de novembro noticiavam, com grande destaque, que Erico Verissimo, "depois de três anos e meio servindo na OEA, chegaria ao Brasil pela primeira vez depois desta longa ausência e seria homenageado pelos colegas e amigos". Mas isso se deu depois do encerramento da Feira, no dia 30 de outubro. Depois, sempre que esteve em Porto Alegre, Erico prestigiou a Feira. A fatalidade e o costume da época, no entanto, só lhe dariam o título de Patrono em 1976, depois de falecido. Naqueles tempos, ainda se escolhia o patrono entre os mortos. Mas, ao longo de sua carreira, sempre procurou apresentar seus livros na Praça em sessões de autógrafos bastante concorridas.
No dia 16 de novembro de 1955, Cícero Soares, presidente da ARI (Associação Rio-grandense de Imprensa), estava no palanque, bem como o deputado-jornalista Alberto André, e Say Marques, além de Henrique Bertaso e o seu assessor, o jornalista Ruy Diniz Netto.
Esses todos e o próprio Erico Verissimo, um dos fundadores e primeiro presidente da ARI, como secretário de redação da Revista do Globo, estabeleceram o elo inoxidável com a Imprensa. Acrescente-se que tanto a seção gaúcha da Câmara Brasileira do Livro, quanto a futura Câmara Rio-grandense do Livro abrigaram-se no edifício da ARI, na av. Borges de Medeiros, 915, até que se tornasse possível a sede própria.
Entre os selecionados apóstolos dos livros, estava também o professor Guilhermino César, que vivia em Porto Alegre desde 1943, e aqui solidificara seu conceito de homem erudito, que vinha desde Cataguazes. Lá, estudara e participara da modernista revista Verde. Seu porte intelectual o havia transformado numa espécie de porta-voz do grupo fundador. Por isso, lhe eram encaminhadas as primeiras entrevistas, resultantes da suave curiosidade da imprensa de então.
Ao longo dos anos, o lusitanista emérito tornara-se também professor em Coimbra e Lisboa, enquanto o seu sólido casamento com a cultura portuguesa produzia lógicos afloramentos locais. Em 1972, quando Camões foi escolhido como o Patrono da Feira, ele seria o orador. Dezoito anos depois, em 1990, chegou a sua própria oportunidade, na 36a. edição. Ao final da feira de 55, o prof. Guilhermino voltara ao palanque para fazer a palestra de encerramento, costume substituído mais adiante por uma festa. Naquele ano, ele apresentou os resultados, sublinhou os objetivos alcançados e anunciou a repetição no ano seguinte, no mesmo local. E foi com ele de Orador oficial que se inaugurou a II Feira do Livro no ano seguinte, adiada de 24 para 27 de outubro por causa da chuva. Lá estava o estimado professor mineiro-gaúcho falando sobre "o pão do espírito"...
Os jornais porto-alegrenses, em sua discreta cobertura da I Feira, (com exceção do Diário de Notícias, co-promotor entusiasta), encontraram espaço para abrigar as palavras impetuosas de Guilhermino:
"Vejo diariamente centenas de homens do povo diante das barracas, abastecendo-se de romances, poesias, livros técnicos, livros didáticos. É um espetáculo comovedor. Pessoas que normalmente não freqüentam livrarias, em grande parte porque trabalham de sol a sol, passam à noite pela Praça da Alfândega e saem carregados de livros. Meninos pobres reviram os caixotes em que se empilham livros em liquidação, compêndios escolares fora de moda, e saem triunfantes com a sua modesta-grande compra. O movimento da Feira do Livro, o interesse que despertou, o entusiasmo com que o povo correspondeu à expectativa, quer dizer, em linguagem de governo, o seguinte: ‘É preciso inaugurar em Porto Alegre um serviço de bibliotecas ambulantes!’. Toda essa gente que não pode ler, pelo alto preço da mercadoria, ou porque lhe falta tempo para procurar o livro do seu agrado, deve também ser contada no panorama da cultura rio-grandense. Não se pode esquecer que existem estas pessoas. Sobretudo, não se pode esquecer que a escola primária tem na biblioteca pública a sua mais alta e bela complementação.
Aproveitemo-nos da Feira para abrir uma campanha em favor das bibliotecas circulantes. Não proponho uma utopia. Em São Paulo, criadas pelo Departamento Municipal de Cultura, são elas uma realidade há muitos anos. Porto Alegre, com o auxílio do Estado e do município, poderá atender facilmente a esses altos objetivos. Sei que tudo isto custa dinheiro. É verdade. Mas não é preciso muito dinheiro para começar. Ademais, o Estado possui uma Divisão de Cultura e de um belo orçamento e, entre os fins de sua criação, encontra-se esse de organizar na capital as bibliotecas circulantes. Vamos começar? Nunca é tarde para que se dê ao povo o mínimo de que precisa."
Say Marques, diretor do Diário de Notícias e que era apontado, mesmo pelos jornais concorrentes, como "o idealizador da Feira do Livro", fez também o seu discurso. O Diário de Notícias, por motivos óbvios o jornal porto-alegrense que melhor registrou a inauguração da primeira edição, disse que Say Marques, "em uma palestra cordial com o povo, explicou como nasceu e como vingou a iniciativa da Feira, que naquele instante representava uma extraordinária vitória de todos os livreiros, editores, intelectuais, educadores, governantes e do próprio povo gaúcho – tão sensível foi este ao convite que lhe fizemos para esse encontro na Praça da Alfândega".
O próprio governador do Estado, Ildo Meneghetti, estabeleceu um procedimento dos ocupantes do Palácio Piratini, de estar presente no ato, mas com um requinte que se perdeu nos tempos: comprou o primeiro livro, "Problemas da Liberdade", do americano Fulton Sheen (que foi arcebispo de Nova York), e, ao retirar-se da praça, adquiriu um álbum para seu netinho, conforme explicou.
Para Ruy Diniz Netto, o jornalista Say Marques foi importante, mas acima de todos o editor Henrique Bertaso, este sim poderia ser considerado o "pai da idéia", pois há muito a defendia e já fizera, inclusive, uma experiência em sua própria livraria. Nesse caso, havia uma antiga cumplicidade entre o "patrão" e o funcionário: Ruy conhecera o editor Henrique na viagem de vinda de Portugal em 1950 e haviam falado sobre a Feira de Lisboa, com muito entusiasmo. Ele a conhecia desde os tempos em que se realizava na Praça Camões, no bairro do Chiado, depois veio para a avenida da Liberdade e, posteriormente, para o parque Eduardo VII.
O que a Editora Globo fizera na loja tradicional da Rua dos Andradas, 1416, a tradicional Rua da Praia, em 1952, para ele, contudo, não fora propriamente uma Feira do Livro, embora o Correio do Povo, de 18 de novembro de 1952, assim a saudasse e houvesse, inclusive, um cartaz numa das barracas com a inscrição "1a. Grande Feira de Livros". Ruy Diniz explicou:
"Aquilo foi apenas uma liquidação, não havia participação de outras empresas, não era uma feira de livros na acepção do termo, como já se conhecia há anos na Europa".
A notícia do Correio, embora sem o número da fatura que a caracterizasse como "comercial" como se usava na época, tem todo o perfil de "matéria paga". Abria com uma cartola acima do título cumprimentando a empresa:
"Feliz iniciativa da Livraria do Globo".
E o título geral em duas linhas de cinco colunas do jornal, então impresso em formato "standard", dizia:
"Livros aos milhares, de todos os gêneros, com descontos reais desde vinte até oitenta por cento!"
E começava a matéria de forma ainda mais comprometida:
"Certos planos de venda assumem, às vezes, caráter de verdadeira benemerência pública, tais as vantagens e o interesse que encerram para a massa do povo.
É o caso da 1a. Grande Feira de Livros, inspirada iniciativa comercial da Livraria do Globo e que foi inaugurada anteontem na moderníssima loja Royal Fridden da rua dos Andradas, 1416".
E prosseguia:
"Nesta época em que tudo custa caríssimo – e o livro por certo não escapa às duras contingências do momento econômico que vivemos – é um verdadeiro tour-de-force pelo enriquecimento cultural do nosso povo, o que a Livraria do Globo realiza com a sua 1a. Grande Feira de Livros".
Comercial ou não, claramente a empresa defendia os mesmos interesses mais adiante ampliados através da seção do Rio Grande do Sul da Câmara Brasileira do Livro. A notícia do jornal se estendia, como se estivesse analisando uma das modernas edições da Feira do Livro, embora, sob o ponto de vista técnico, a razão estivesse com Ruy Diniz: "Era uma grande liqüidação, apenas".
E vejam a conclusão da nota:
"Encontram-se também ali variados livros didáticos, preciosas publicações dedicadas à arte em todas as suas manifestações, inclusive obras ilustradas sobre as artes plásticas em todo o mundo. Há ainda toda a imensa coleção de romances policiais e de aventuras, de narrativas de viagens, de almanaques manuais de ensino profissional ou de utilidade caseira, livros de crônicas e de humorismo, etc.etc. Tudo, enfim, que se edita (...) é um empreendimento destinado a marcar época e que credita à Livraria do Globo mais um expressivo laurel em sua bem orientada e superior orientação comercial."
Tudo isso acontecia três anos antes da primeira feira oficial e também antes da tal inspiradora feira carioca. Havia sido um bom aperitivo. Ao incorporar-se à Editora Globo no final daquele ano, Ruy Diniz Netto, o lisboeta, trouxera a sua contribuição com a lembrança do que então se realizava em Lisboa.
Segundo lembrou Edgardo Xavier, outro cidadão português com os pés bem assentados na atividade livreira porto-alegrense e participante da primeira comissão, também o pai de Ruy, Seu Henrique Netto, foi chamado a dar sua opinião e contribuir com o seu conhecimento da Feira de Lisboa. Assim, lembrou Ruy:
"A pedido do Seu Henrique Bertaso, mandamos buscar em Lisboa o regulamento da feira de lá, junto ao Grêmio dos Editores. Pedi a meu primo, João Diniz, que presidia a Empresa Nacional de Publicidade. Mais tarde, com a concretização da I Feira, em 1955, o Seu Henrique Bertaso me disse: ‘O Maurício, que é todo maneiroso, está envolvido com o Say. Mas, deixa ele pensar que foi ele. O importante é que saia a Feira’ ".
E a Feira, como se sabe, saiu.
Edgardo Xavier, que completou exatos 50 anos de trabalho com o livro, justamente junto com a Feira de Porto Alegre, também lembra do assunto:
"O primeiro a me falar na Feira foi o Mário de Almeida Lima. Mas, o grande impulsionador da idéia era o Seu Bertaso, sim. Ele me falou, a mim, ao Ruy e ao pai do Ruy, o Seu Henrique Netto, que era o gerente do ‘Cotillon Club’, que ficava ali na Salgado Filho."
O apoio foi geral no início. Ruy Diniz Netto lembra que o chefe de reportagem do Correio do Povo, jornalista Antônio Carlos Ribeiro, era também assessor de imprensa da CEEE (então Comissão, mais tarde Companhia de Energia Elétrica), e este laço serviu de ponte para que a empresa contribuísse ao melhorar consideravelmente a iluminação da Praça da Alfândega, dando começo assim a uma relação que se tem mantido.
Anos depois, exatamente no difícil 1964, Say Marques foi mais uma vez convidado para ser o Orador da Feira, que então chegava à sua décima edição, e os jornalistas creditaram-lhe cavalheirescamente a paternidade da idéia, ou, pelo menos, preferiram manter assim, sem contestação, esta parte já envolta em brumas da História. Para ele, havia sido uma honra renovada pois falara na primeira edição da Feira e tornava a falar no significativo décimo aniversário.
Isso, de certa forma, arquivava, pelo menos provisoriamente, uma antiga disputa, dentro da competição entre as empresas jornalísticas, tão acirrada quanto em qualquer momento da nossa história, tanto que fez algumas vítimas. Uma delas foi a divulgação da II Feira do Livro, em 1956.
No Correio do Povo e na Folha da Tarde, os dois jornais da Cia. Jornalística Caldas Júnior, então a empresa líder no mercado, que sempre se notabilizou pelo apreço à cultura, aquela segunda edição da Feira passou quase despercebida. A Folha da Tarde divulgou uma única nota durante todo o seu transcurso. Já o Correio, apesar de todo o espaço de que dispunha então em formato "standard", fez um pequeno, mínimo registro, mas nem sempre diário. Ora, não se tratava de uma promoção do concorrente, Diário de Notícias? Competição era assim mesmo, nem adiantaria recordar que no episódio da morte de Getúlio Vargas, a 24 de agosto de 1954, o diretor do Correio, Breno Caldas, havia socorrido o Diário que fora depredado, com o empréstimo de uma máquina impressora. O momento de fraternidade estava esquecido. E a Feira pagava o pato.
Aos poucos, essa competição foi se esvaindo e a idéia da Feira foi batendo as resistências e as ciumeiras. Em 1957 foi melhor, em 1958 melhor ainda e também com o surgimento de novas empresas, a circulação de novos jornais como A Hora, depois a Última Hora, e em 1964, a Zero Hora, sem falar na velha e prestigiosa Revista do Globo, que sempre manteve seu compromisso até deixar de circular em 1967, até a integração das rádios e o surgimento das televisões.
Mas naqueles anos iniciais, o orador personificava a idéia mais adiante desenvolvida, da escolha de um patrono oficial, o que veio a ocorrer em 1965. O primeiro a ser contemplado, ainda escolhido no panteão dos grandes nomes já falecidos, foi Alcides Maya, o criador de "Ruínas Vivas", um romance gaúcho editado em Portugal pela Lello & Irmãos, da cidade do Porto, o primeiro gaúcho a integrar a Academia Brasileira de Letras. Ele era apresentado então como o "Patrono do Dia do Livro no Rio Grande do Sul". Fora deputado estadual e federal, ensaísta, romancista, contista e conferencista, membro também da Academia Rio-grandense de Letras e jornalista, diretor de três jornais em Porto Alegre: A República, Jornal da Manhã, e A Federação. E com o patrono já falecido, é claro que a homenagem precisava se completar com a figura do orador. Naquele ano, a honra tocou a Rubens Maciel, escritor e médico cardiologista.
Em 1972, a responsabilidade retornaria para Guilhermino César, aumentada então pela dimensão do Patrono, nada menos do que Luís Vaz de Camões, e pela oportunidade da escolha: festejavam-se os 400 anos da publicação de "Os Lusíadas", junto com o Sesquicentenário da Independência do Brasil. Quer dizer: um preito de homenagem ao poema fundador da língua portuguesa e uma alusão ao emblemático, embora verdadeiro – ou falso – grito de Independência ou Morte em 1822.
Com toda a sua "mineirice", o professor saiu-se bem da incumbência, tratando mais do livro e da leitura, evitando o desgaste com os possíveis anti-lusitanistas, mas concluiu citando o exemplo histórico de Camões com a narrativa do naufrágio e a salvação dos originais de "Os Lusíadas":
"Este forte e perene simbolismo deve servir de exemplo e estímulo a todos os que convivemos diariamente com o livro, de maneira que defendemos a necessidade básica da existência do lugar para a leitura e para a compreensão conseqüente do material lido e refletido".
Não seria a última presença de Guilhermino César no palanque, que agora era reforçado de ano para ano, pois todos queriam ocupar um lugar entre os eleitos. Até hoje é assim. Há algum tempo, passou-se a adotar o costume de separar uma área para privilegiar os que poderiam estar no palanque, mas por falta absoluta de espaço físico não podiam ser contemplados. Não era o caso do professor Guilhermino. Qualquer direção da Câmara Rio-grandense do Livro se sentiria obrigada a cavar um lugar para ele. E assim foi, até que chegou a sua vez mesmo, em 1990, na 36a. edição da Feira do Livro, quando, finalmente, seria ele o patrono do evento. E em vida!
Poucos conheceriam o assunto "livros" melhor do que ele. Roque Jacoby, presidente da Câmara, fez-lhe a saudação, recordando sua participação desde 1955, e o homenageado tratou de agradecer à população de Porto Alegre "pelo carinho que dispensa à Feira, num gesto de fraterna amizade". Fez blague dizendo que "só aos domingos utilizo adjetivos" e marcou mais uma vez sua passagem pelos jacarandás em flor (figura batida, habitual, mas característica da velha praça e inseparável da Feira). Falou de improviso, foi o mais curto dos seus pronunciamentos ao longo dos tempos, cheio de emoção.
Naquele ano, o patrono Guilhermino César, usando óculos de grossas lentes, mas impotentes para resolver seu problema, optou pelo improviso. Por isso, seu curto pronunciamento não foi publicado. Registraram os jornalistas algumas frases. Chovera na hora da abertura. Carlos Alberto Silveira, coordenador-geral da Feira, lembrou que os livreiros já estavam habituados com isso e "guardaram os livros bem no alto".
A Feira do Livro é, pois, a vitória de uma idéia. Dito assim, parece o óbvio. Mas, se decompusermos os fatos, veremos que é mesmo um triunfo sobre os convencionalismos, sobre o mercantilismo, sobre as tradições e sobre a própria e institucionalizada ignorância e até sobre as águas da chuva, que começou a vencer com a cobertura das alamedas da praça.
Como diz o jornalista português Manuel António Pina, "alguma grande razão tem de haver para essa atração, para a força obscura que move tanta gente, que na sua imensa maioria não lê, ao encontro dos livros. Quando soubermos o quê, conheceremos decerto algo essencial acerca de nós mesmos." E acrescenta: "As Feiras do Livro são hoje, mais do que meras oportunidades de negócio livreiro, singulares momentos de esperança e de cidadania. Por algum motivo se mantêm (apesar de tudo) à margem dos roteiros mediáticos dos clowns da política e do entretenimento. E talvez por isso ainda sejam lugares respiráveis, quando as próprias livrarias, antes territórios vagarosos de tranqüilidade e de descoberta, crescentemente asfixiam sob o peso insuportável dos best-sellers e das novidades".




Se forem desligados os aparelhos que mantém Arafast vivo ou se for verdade o que diz sua mulher, "pretendem enterrá-lo vivo", chegará ao desenlace hoje mais um drama do Oriente Médio. Pena, mas é ali, que se considera o berço da civilização moderna (verdade ou ficção?) - a humanidade se defronta com as mais graves questões de poder, dinheiro e sobrevivência, além da intolerância religiosa, o fanatismo e a agressão. postado por walter em 08/11/04

O QUE NOS ESPERA?

Walter Galvani


Quem controlará a terra palestina com a morte de Arafat? Ou melhor: depois dele, será o caos?
E com a reeleição de Bush quem poderá parar a agressão discriminada de quem se julgará no direito de agir em busca dos benefícios próprios?
Vida difícil para todos nós, os que estamos sobre a Terra.
Até quando nosso planeta suportará a loucura dos seus habitantes?
Antes que me transforme num destes pregadores de praça pública, que, com a Bíblia na mão e um microfone na outra ensandecem os pobres e ignorantes que os rodeiam, prefiro o silêncio.
Pode ser que, como no romance notável de Eça de Queiroz, as pessoas fiquem a comentar:
"Que cabeça! Que cabeça!", interpretando o meu silêncio como sabedoria. Mas, não é nada disso não, é pura decepção com a "civilização"...
Desculpem o meu negativismo desta segunda-feira.



Preferi falar hoje, na crônica publicada no semanário ABC, sobre o que nos espera com os "quatro anos mais" doados a Bush pela população americana: - postado por walter em 07/11/04

MAIS QUATRO ANOS


Walter Galvani







Percorreu todo o mundo, não como alívio, mas como sinal de preocupação, esta evidência que se impôs como uma constatação, teremos Bush mais quatro anos. Isso significa a continuidade de uma política agressiva, o exercício do poder hegemônico do Império, o desprezo pelas opiniões alheias e a decisão, aparentemente inabalável, de se impor pela força. Quer dizer: democracia ao estilo ocidental é o caminho, o jeito é aceitar ou pular do barco. Como não podemos abandonar o planeta Terra, seguiremos em frente, comprometidos por este tipo de liderança, no momento sem contestação em nível mundial.

O mais legítimo adversário que tem os Estados Unidos é a China, com a sua bilionária população, um grande mercado de consumo. E por ser um cliente atrativo, os americanos fecham os olhos e toleram o fato de se tratar de um regime comunista (que por seu turno já faz concessões ao capitalismo, aceitando até zonas livres) e assim rodam livremente as engrenagens do mundo moderno.

Portanto, os tais quatro anos que mais da metade da população americana deu a George Bush pesarão muito na balança das relações internacionais. Podemos reclamar, espernear, gritar, mas não poderemos retirar a legitimidade do mandato que ele exerce.

Se é lamentável ou não, a posição que ele assume, tudo isso é secundário agora. A voz das urnas, as “election lights” de William Shakespeare falaram e pronto.

O que acontecerá? Vamos para um pequeno exercício de futurologia. Já se pode imaginar. Os Estados Unidos não assinarão o tal Protocolo de Kioto, o que significa que continuarão expelindo gases fatais para a existência sobre a terra, desinteressados do que isso possa significar. Imprudência ou impudência. Como queiram. Prosseguirão também tentando impor a força, seus ideais de liberdade. E aí se torna bem claro porque a sua população, a parcela que comanda atos e a filosofia nacional, descende de fato daqueles pioneiros, fundamentalistas. Isto é o que é a ideologia nacional americana.

Assim como em 1964 havia um porta-aviões americano carregado de fuzileiros navais à poucas milhas da costa da Bahia, para “impor” a democracia aos brasileiros e afastar o “perigo do comunismo”, força-tarefa que, graças a Deus, não chegou a desembarcar (até porque isso não foi necessário, os próprios militares brasileiros fizeram o serviço) – os americanos chegaram ao Iraque, como já o haviam feito na República Dominicana, no Panamá e outros lugares mais ou menos votados.

A guerra do Iraque, no entanto, ameaça não terminar, a não ser quando for alcançada a suprema paz dos cemitérios. Aí sim, com a morte de todos ou a maioria dos opositores, os americanos implantarão seu modelo de democracia, indiferentes aos costumes, tradições, religião, cultura locais. Não lhes interessa.

Esta é a questão.

Por isso ficamos tão tristes e preocupados com os quatro anos a mais que Bush ganhou.

Se não surgirem motivos claros para agir com a mesma violência de senhor da guerra que ele está usando, ele criará os motivos, da mesma maneira que foram encontradas as motivações para a invasão do Iraque.

Tudo em nome da liberdade, da democracia, da livre empresa e da incapacidade dos povos de se gerirem a si mesmos.

Come se sabe, o dia sagrado dos muçulmanos é sexta-feira. Por isso talvez, o início do grande ataque a Falluja tenha sido adiado para hoje ou amanhã. E o que é Falluja? A poucos quilômetros da capital, Bagdá, é a maior cidade em mãos dos rebeldes, ou seja, dos nacionalistas iraquianos. postado por walter em 06/11/04

A TOMADA DE FALLUJA

Walter Galvani

Provavelmente teremos uma grande mortandade neste fim-de-semana, conseguindo finalmente a Guerra do Iraque bater em número de vítimas, as estradas brasileiras... É que o grande cerco à Falluja, ou, como diz o "Times", de Londres, * agora em formato tabloide - "o anel de aço", estava apenas esperando o abastecimento de balas e bombas, para desfechar o que os americanos, sob a presidência de Bush, confirmado, reeleito e com sua política aprovada pela população americana, acham que será o grande ataque final.
Certo ou errado, o morticínio será de um tamanho imprevisível.
Aliás, já começou com a reação dos rebeldes querendo provar que não dormem, pois o sábado amanheceu com quatro carros-bomba e 37 mortos.
O esporte mundial será fazer a contabilidade dos mortos, uma operação cínica para a maioria, que não está nem sequer interessada em árabes, muçulmanos, iraquianos... Quantos mais morrerem e quanto mais rápido o controle total do petróleo do país for para mãos, digamos "confiáveis", melhor...

* Tabloide é o tamanho pequeno de jornais, metade do "standard" que continua predominando no Brasil no Rio e São Paulo. Tabloides são os jornais do sul, como por exemplo Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina, Diário Popular de Pelotas e assim por diante. No Rio Grande do Sul, praticamente todos. Em São Paulo continuam os standard como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e no Rioo, O Globo, Jornal do Brasil. Não sei até quando.
A questão é econômica, pois a credibilidade que da metade do século XIX ao final do XX, afetava os tabloides, não é mais problema. Todos praticamente estão mudando.
E no Brasil, o exemplo começou com a Folha da Tarde que já morreu, mas foi um sucesso fantástico, de 1936 a 1984.

Estados Unidos pós reeleição de Bush... postado por walter em 05/11/04

Leiam este artigo da BBC:
EUA bloqueiam acesso à cidade iraquiana de Falluja


Soldados americanos dizem estar prontos para grande ataque
O Exército americano bloqueou nesta sexta-feira todas as estradas que dão acesso a Falluja, o que aumentou a expectativa de que um grande ataque contra militantes rebeldes que atuam na cidade iraquiana está próximo.
Moradores dizem que os soldados bloquearam todas as vias de entrada e saída, incluindo a estrada que vai até a Jordância e a Síria.

De acordo com um coronel citado pela agência de notícias Reuters, os militares estavam realizando os preparativos finais e esperando ordens do primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi.

Ainda segundo o coronel, a operação só vai terminar quando os rebeldes em Falluja forem derrotados e o controle da cidade tiver retornado ao governo iraquiano.

Al-Qaeda

Na manhã desta sexta-feira, forças americanas realizaram cinco ataques aéreos contra locais utilizados por rebeldes.

O Exército americano disse que um armazém de armas e um posto de comando dos rebeldes foram atingidos nos ataques.

Na quinta-feira, dois soldados americanos foram mortos e quatro ficaram feridos num combate na província de Anbar, que engloba a cidade de Falluja.

As informações foram divulgadas pelo Exército americano, que não revelou mais detalhes sobre onde e como foi o incidente.

O primeiro-ministro Iyad Allawi e o governo americano dizem que Falluja abriga combatentes estrangeiros ligados à organização Al-Qaeda – a acusação é negada por líderes locais. Muitos dos 300 mil moradores da cidade já abandonaram suas casas.




A reeleição de Bush significa acima de tudo, que deu certo o marketing de apontar para o terror como o maior inimigo americano, limitar as perdas no Iraque à maioria de soldados latino-americanos em busca da cidadania americana e a ausência de um programa alternativo, como por exemplo, retirada imediata, perdas zero, prosperidade no outro lado da esquina. Mas vejam o que está circulando entre os americanos que ficaram "do outro lado". Ou por outra: os anti-guerra e que conhecem os abusos e os equívocos que levaram Bush ao poder. postado por walter em 04/11/04

El día de los muertos

Difícil explicar la tristeza -mejor, el abatimiento-- que se siente
hoy en el campus de New York University. ¿O será una mera
proyección de mi propio estado de ánimo? Objetivamente, hace un
día espléndido de otoño neoyorquino; el sol del verano que se fue
y el aire del invierno que se aproxima libran una batalla sobre la
piel de los transeúntes. Frío. Calor. Frío. Calor. Es el otoño.
Todo sigue igual. No ha cambiado nada. Todo es distinto.

Haría falta ser otro Larra para explicar bien lo que ocurre hoy
dentro y fuera de los cementerios de Nueva York, dentro y fuera de
los ánimos de la mitad del país que ayer enterró a la otra mitad.

Ayer más de la mitad de mis compatriotas dio por válida y por
necesaria el acta de defunción de unos cien mil civiles iraquíes y de
más de mil jóvenes estadounidenses. Firmó la sentencia de muerte
de quién sabe cuántos miles más.

Ayer el odio a una minoría -los homosexuales-tuvo más poder de
convocatoria que el odio a la mentira y al uso del miedo como
instrumento político.

Hasta ayer por lo menos podíamos vivir con la ilusión de que no
éramos del todo cómplices del crimen. En primer lugar, el
presidente era presidente gracias a una elecciones de legitimidad
dudosa. Y aunque aceptáramos la legitimidad de la elección del
presidente, podríamos consolarnos pensando que sus acciones
más cuestionables las había emprendido no como parte
premeditada de su plataforma electoral, sino como reacciones más
o menos improvisadas a una catástrofe imprevista en las últimas
elecciones: el 11 de septiembre. Nos aseguraban los amigos
europeos: "no es anti-americanismo, es anti-bushismo." Pero ya
se nos ha quitado esa coartada también. El Bush post-9/11 ha
ganado unas elecciones aparentemente legítimas, con la guerra
infinita y la homofobia como bases de su programa electoral. La
complicidad de todos es ahora inevitable.

En Washington Square Park, los niños corren tras las hojas secas
arrastradas por el aire; y las ardillas siguen trajinando,
almacenando nerviosamente sus nueces y bellotas. ¿Presentirán
que va a ser un invierno muy largo?

James D. Fernández
3 de noviembre de 2004



De olho no que dirão as urnas americanas, duvidando das sondagens tipo "boca-de-urna", com os ouvidos no rádio e os olhos na Internet, o dia será de acompanhar o resultado das eleições americanas. Tudo é possível. Bush já disse que ganhou e que pretende ainda hoje anunciar sua vitória. A BBC de Londres diz que estão praticamente iguais com dois pontos apenas de diferença. Vamos acompanhar. postado por walter em 03/11/04

POLÍTICA, POLÍTICA...

O Fórum Social Mundial poderá sair de Porto Alegre. Os seus organizadores dizem que não tem sentido fazer um encontro numa cidade que não é mais administrada pelo PT, que pelo menos tinha o sentido da abertura social.
Fogaça que já tinha dito que manteria o Forum, parece que teve de recuar devido à pressão dos seus aliados.
No entanto, nunca é demais repensar as coisas. Até porque se é para realizar um comício pro PT, como pode vir a ser aproveitando a força da militância, Fogaça tem mesmo é que se mancar.
Vamos acompanhar também.

FEIRA DO LIVRO

Enquanto isso, na Feira do Livro, que teve o primeiro recorde de público ontem, Flávio Alcaraz Gomes (19 horas) e Moacyr Scliar (18) estarão entre os autógrafos do dia.
Flávio apresenta "Diários de um repórter - antes e depois de 2001", coletânea de crônicas. E Moacyr surge em um livro junto com o filho, fotógrafo, Beto Scliar, "Uma história farroupílha/histórias de Porto Alegre" e o livro de contos de mistério, "Mistérios de Porto Alegre", este pela Artes e Ofícios, aquele pela L&PM.
A Feira está melhor do que nunca.

As eleições e as nomeações na matriz, sempre interessam às filiais. Será que muda alguma coisa, para o Brasil, a escolha entre Bush e Kerry? postado por walter em 02/11/04

TUDO IGUAL

Segundo alguns observadores, seguirá tudo igual no relacionamento com o Brasil, seja Bush ou seja Kerry o eleito, porque o que interessa mesmo é a liberdade de ação para as empresas norte-americanas e isso não foi alterado pelo governo Lula.
O medo dos americanos não é que se instale um governo esquerdista nas nações com as quais mantém relações, mas sim o radicalismo que pode levar à ruptura e à conseqüente perda do mercado.
Não é o caso brasileiro.
Com Bush ou Kerry, o certo é que continuarão as relações de dependência do mercado.
O dia hoje é de expectativa pelo que representa para o mundo, pois a reeleição de Bush significará, como um referendo, que o povo aprova a invasão do Iraque e todas as atrocidades que uma guerra intrinsecamente carrega.
Este é o verdadeiro voto americano.
Vamos ficar atentos.
Sem ironia, não sei se os americanos tem tecnologia suficiente para apurar tudo até o final da noite, além do mais temos 3 e em certas regiões 4 e até 5 horas de diferença com o Brasil.

Walter Galvani

Dia de mudanças eleitorais postado por walter em 01/11/04

No Uruguai venceu Tabaré Vasquez, chegando ao poder algo que está sendo classificado de "Esquerda". No Brasil, a esquerda-petista perdeu terreno com a derrota nas principais capitais do sul, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de cidades importantes como Pelotas e Caxias do Sul, as duas maiores do interior do estado.
Em Salvador produziu-se no entanto a derrota de Antônio Carlos Magalhães.
Vejamos nos Estados Unidos, Bush ou Kerry?
Redesenha-se, de qualquer modo, o mapa político do mundo ocidental.
No Oriente não há mudanças, Jin Pao é o novo e poderoso nome da China.
E então?
Vamos agora esperar para ver o que farão José Serra (São Paulo) que derrubou o principal reduto petista do país, e José Fogaça que tirou o poder ao PT de Porto Alegre, depois de 16 anos de quatro sucessivos mandatos.

Walter Galvani

No ABC DOMINGO de hoje, preferi não falar de eleições ou violência no Iraque ou no Brasil. Por isso escolhi este tema que você pode ler a seguir. O jornal ABC circula a partir de Novo Hamburgo, para toda a região metropolitana que envolve Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, para quem não conhece o país, estado mais medional do Brasil postado por Walter Galvani em 31/10/04

VOCÊ SABE O QUE É ECOSOC?


Walter Galvani





Provavelmente você não saiba responder esta questão formulada no título da matéria: Ecosoc, ecosoc... Bem, não se trata de um novo produto da Nestlé, nem sequer um comprimido para resolver problemas de estômago e intestinos. Trata-se da abreviatura de “Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas”, ou seja, o novo órgão do qual o Brasil faz parte com mandato de três anos, ao lado do México, composto por 54 nações. O que faremos com o tal Ecosoc não sei bem, mas sempre é conveniente estar nestes organismos. Melhor, por certo, do que não estar.

Também não sei se adianta contar com 179 votos sobre um total de 184 membros da ONU, para condenar o embargo econômico praticado pelos Estados Unidos contra Cuba, o que acabou de acontecer e nem sequer se a medida do “Comandante Fidel” que determinou a troca de dólares por pesos cubanos e proibiu a circulação da moeda americana no território do país. Isso trará algum resultado efetivo para o regime cubano ou somente a derrota de Bush nas eleições ajudará? Ou, de nada servirá a derrota de Bush? E, se Bush vencer as eleições? De qualquer maneira, somente Israel, filhote indiscutível dos Estados Unidos, o próprio país norte-americano, as ilhas Palau e Marshall (onde é que ficam, hein ?) votaram contra, enquanto a Micronésia se absteve.

Quem é que, em pleno século XXI continuaria votando contra um regime comunista, se a China, o maior regime comunista do mundo, bilhões de habitantes, mantém abertamente negócios com os Estados Unidos? Claro, é o maior mercado potencial do mundo.

Vergonha na cara é a mercadoria mais escassa do mundo, neste momento. Tratamos com ela nas relações pessoais, nos parentescos, nas transações comerciais e no intercâmbio internacional. Com ela ou com a sua falta. Por isso é que qualquer progresso, qualquer degrau conquistado, assento alcançado, tudo passa a integrar a necessária rede individual, coletiva, municipal, estadual, nacional ou internacional indispensável à uma sólida convivência no tal de mundo globalizado.

Ora, sabe-se que a conquista de mercados, ocupação de terras, guerras, monopólios, oligarquias, embora nos pareçam hoje em dia palavrões dispensáveis, integram também o mapa da realidade.

Portanto, vamos acreditar no Ecosoc como um importante passo dado no plano internacional. Se não for verdade, pelo menos trabalharemos tanto na sua consolidação que acabará parecendo uma conquista extraordinária.

Na verdade o mundo é feito de lixo, luxo e bombas. Uma conclusão um pouco negativa, na hora em que festejamos tanta coisa boa, escondida entre as fímbrias do negativismo que reveste nossa vida. Será que a Humanidade afinal vai dar certo?

Comecemos, pois, pelo Ecosoc.

Dentro de dois anos a Europa, berço das duas últimas guerras denominadas “mundiais” assina a sua Carta Constitucional abrigando 25 países tão diferentes quanto a Ucrânia e a Itália, Portugal ou a Alemanha, França e Áustria. Será que as diferenças latino-americanas serão tão grandes assim? Porque será então que não conseguimos nem sequer garantir a existência de um Mercosul?

Ainda não acabou a rivalidade ibérica, Portugal versus Espanha, colônias portuguesas contra colônias espanholas?

Começo, portanto, acreditando piamente, desculpem meu otimismo e ingenuidade, no Ecosoc...

Com a presença, pela primeira vez nos seus cinqüenta anos de história, de um ministro da Cultura, no caso Gilberto Gil, foi inaugurada nesta sexta-feira a Feira do Livro de Porto Alegre. Desta vez junto ao portão central do cais do porto, com milhares de presentes, música da OSPA e vários ministros gaúchos. Tarso Genro, ministro da Educação, representou o presidente da república. Coube-me a tarefa de apresentar o novo patrono, o que fiz da seguinte maneira: postado por walter em 30/10/04

Escolhe-se um patrono oficial para a Feira do Livro desde 1965, primeiro entre escritores já falecidos, depois, de 1984 em diante, optando por autores em plena produção. A figura quer dizer na verdade, uma espécie de nume tutelar, alguém que possa falar em nome da Feira, representá-la e, sobretudo pelo seu exemplo, significar uma opção, um caminho.
Ao longo dos tempos, à medida que a Feira crescia, procurou a Câmara Rio-Grandense do Livro apoiar-se na opinião da sociedade, buscando um nome de consenso entre entidades, instituições, intelectuais e a partir de certo momento também com o voto dos antigos patronos, para chegar-se à uma escolha adequada.
Com a isenção de quem foi o eleito no ano passado, digo que nunca houve uma tal concentração de esforços como para chegar ao nome, entre os incluídos na lista dos “dez mais lembrados”, para ser o Patrono do Cinqüentenário, uma honra extraordinária pelo significado desta data redonda que implica em meio século de uma atividade profícua desenvolvida pela competência e pelo amor ao livro e à leitura. E é com a mesma isenção que proclamo que o eleito, professor Donaldo Schüller, acrescenta, soma, pela sua personalidade, por seu desempenho pessoal, pelo seu renome e sua reconhecida capacidade, contribuindo ainda mais para a elevação deste evento à sua condição de maior fato cultural do Rio Grande.
Tenho dito e repetio que não existe patamar mais alto na vida literária rio-grandense, não estou falando em qualidade da obra, mas à atividade nascida do livro, os contatos entre os que falam a mesma linguagem, dividem os interesses e defendem os mesmos postulados, do que alcançar o posto de Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, a mais antiga, a mãe de todas as feiras que se realizam no estado, a maior feira a céu aberto da América Latina e uma das mais antigas.
Por outro lado, que enorme responsabilidade! Passamos a ser olhados como representantes oficiais do Livro e da Leitura, somos examinados, revirados, ora pelo olhar arguto dos adolescentes ou das crianças, ora pelo severo exame dos adultos. E, no entanto, desde o momento em que nos tornamos patronos, quanta felicidade! E que compromisso. Que o digam os demais que estão conosco, investidos que foram Moacyr Scliar em 1987, Maria Dinorah em 1989, Luís Fernando Veríssimo em 1991, Nelson Boeck e Edgardo Xavier em 1994, Lya Luft em 1996, Luís Antônio de Assis Brasil em 1997, Patrícia Bins em 1998, Armindo Trevisan em 2001, Ruy Carlos Ostermann em 2002, este que vos fala no ano passado e agora, Donaldo Schüller neste 2004, completando os Doze Apóstolos do Livro que devem propagar nossa doutrina.
Diante de nós está um dos homens mais cultos, digamos sem reservas, um dos mais sábios, no velho sentido tradicional e que merece sempre ser utilizado, de nosso estado.
Ensaísta, tradutor, ficcionista, poeta e professor, não sei qual destas suas atuações,qual a que mais satisfaz ao Donaldo Schüller. Talvez todas elas. Do alto dos seus 72 anos, natural de Videira, Santa Catarina, mas conosco desde a adolescência, cheio de destaques ao longo da carreira, viu ainda um incremento nestas premiações do ano passado para cá, quando os resultados da sua ousada aproximação com James Joyce lhe renderam o Prêmio de Melhor Tradução pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), o destaque como “Fato Literário” do ano na promoção da RBS, o “Tradutor do ano” pela rede Pampa e jornal “O Sul” e na seqüência o Prêmio Jabuti, um dos mais destacados e categorizados da atividade literária em nosso país.
Mas não é de hoje esta vocação e não foi apenas de Joyce que Donaldo Schüller se aproximou. Ele traduziu a “Antígona” e “Édipo em Colona” de Sófocles e “Sete contra Tebas”, de Ésquilo. Possui a comenda do Infante Dom Henrique, de Portugal, recebida em 1974, a Medalha do Mérito Centenário de Cruz e Souza em 98, e o Prêmio John Jameson 2000, em Bloomsday por sua contribuição à difusão da cultura irlandesa no Brasil.
E tudo isso ele foi acumulando com o mérito do seu trabalho, silenciosamente, sem procurar a promoção pessoal que lhe veio afinal, como reconhecimento inconteste.
Bacharel e licenciado em Letras pela UFRGS, doutor e livre-docente pela PUCRS, doutor e livre docente também pela UFRGS, professor titular da universidade federal com pós doutorado pela USP, cheio de títulos universitários e, com o seu tesouro, talvez o bem mais precioso: centenas e centenas de ex-alunos que o admiram e respeitam, espalhados por todo o lado.
A Feira do Cinqüentenário está em ótimas mãos, tenho certeza.
E nós, seus admiradores e leitores, estaremos acompanhando, atentos ao caminho que ele sinaliza.
Parabéns à Câmara Rio-Grandense do Livro e aos eleitores, pela escolha. Parabéns a todos nós, os favorecidos.
Obrigado.




Começa hoje a 50a. Feira do Livro de Porto Alegre. Concluída minha tarefa como Patrono da 49a. transmito o cargo para Donaldo Schüller que, com a sua capacitação intelectual empresta brilho à realização. A seguir conto a história breve de cada patrono, instituição que vem desde 1965. postado por walter em 29/10/04


Este artigo foi publicado na edição de 28/10 do jornal "O Sul", por solicitação de Paulo Sérgio Pinto, que é o grande nome da empresa ligado à Feira do Livro.
Foi ele que levou para a praça, o primeiro estúdio de rádio e o primeiro estúdio de TV.


OS DOZE APÓSTOLOS


Walter Galvani


Pode-se começar falando biblicamente que “no princípio era o verbo”, e o verbo, logo a palavra, a maior conquista da nossa civilização, continua a ser o instrumento máximo. Estamos falando do Livro. E das feiras de livros como mecanismo máximo para a sua difusão. Mais uma vez fala-se do verbo. E já que a imagem bíblica (aliás, a Bíblia, o maior best-seller de todos os tempos), está em nossas cabeças, lembremos que a consagradora Feira do Livro de Porto Alegre, agora em sua 50a. edição, conta com 12 apóstolos dispostos a propagar a sua verdade.
Criou-se em 1965, quando a Feira alcançava sua décima primeira realização, a instituição do Patrono, uma espécie de Nume protetor, um deus nascido das letras e que se dedicaria a partir de então a divulgar a atividade dela, então quase uma quermesse provinciana, hoje o evento máximo da nossa cultura regional.
No início, em nome da importância, do respeito e de algum temor à divergências localistas e vaidades pessoais, homenageava-se um grande escritor já falecido que houvesse dado alguma contribuição à divulgação do livro. Nessa fase, fomos desde os nossos grandes nomes locais até internacionais. De Alcides Maya à Luís de Camões.
O primeiro deles, aliás, em 1965, foi o escritor Alcides Maya, o primeiro gaúcho a pertencer à Academia Brasileira de Letras, autor de “Ruínas vivas” e outras obras de significativa importância em nossa literatura.
1966 foi o ano de outro luminar do regionalismo gaúcho: João Simões Lopes Neto, que poderia ser um destaque em qualquer grande literatura, na opinião do seu redescobridor e maior divulgador, Carlos Reverbel, que aliás também, mais adiante foi patrono.
1967, a vez de outro nome regional. Desta vez o jovem poeta que pereceu nas perigosas lutas políticas rio-grandenses, características da primeira metade do século vinte: Alceu Wamosy.
1968 estava reservado para ser o momento de homenagear o criador do então maior complexo jornalístico do sul, a Cia. Caldas Júnior, cujo órgão líder era então o “Correio do Povo”: Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior, pai de Breno Caldas e avô de Francisco Antônio Kessler Caldas. Poeta, autor do livro “Versos Escolhidos”, publicado pelos amigos no ano em que faleceu, 1913, e reeditado em 1968, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre em homenagem ao patrono.
1969, outro grande poeta, Eduardo Guimaraens, o maior nome do Simbolismo no estado, pai e avô de grandes jornalistas, também.
Augusto Meyer, outro nome destacado do nosso regionalismo, embora tenha habitado longamente fora daqui, mas nunca esquecendo o estado, foi o Patrono de 1970.
Por falar em regionalismo, ninguém mais ligado ao setor e ao movimento do que o patrono de 1971: Manoelito de Ornellas, que presidiu, inclusive, a sessão fundadora do Movimento Regionalista Gaúcho que ocorreu em Santa Maria. Manoelito é autor de um clássico, um ensaio insubstituível sobre o Rio Grande: “Gaúchos e Beduínos”, reeditado interminavelmente, porque é insubstituível.
Em 1972 havia a comemorar os 400 anos de edição do poema formador do português moderno, “Os Lusíadas” e os 150 anos de independência do Brasil: Luís de Camões, o grande poeta português foi o escolhido.
Outro regionalista importante, Darcy Azambuja, autor de um autêntico best-seller do setor, “No Galpão”, coletânea de contos em que traça a alma mesma do gaúcho.
Como havia falecido, Leopoldo Bernardo Boeck, um dos fundadores da Feira, o editor da Sulina, nome e propósitos interligados, foi o nomeado para 1974.
E os patronos eram assim mesmo, nomeados pela diretoria da Câmara Rio-Grandense do Livro.
Mas, ainda se continuava no “panteon” dos ilustres já falecidos.
E assim, em 1975, foi a vez do poeta e cronista da cidade de Porto Alegre: Athos Damasceno Ferreira. O poeta da lua, das ruas perdidas e das pracinhas porto-alegrenses.
No ano seguinte, 1976, Erico Verissimo, o maior nome das letras gaúchas, que não havia participado da primeira feira, pois se encontrava nos Estados Unidos, e autor da saga que retrata os rio-grandenses: “O tempo e o vento”, falecido no ano anterior.
Henrique Bertaso, o editor da Globo, primeiro presidente da Câmara do Livro – Seção RGS” e a partir de 1963, “Câmara Rio-Grandense do Livro”, foi o nome escolhido para representar o Livro, no ano de 1977.
Walter Spalding, autor de “Os Farrapos”, um dos construtores da identidade gaúcha, grande pesquisador, historiador, escritor, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, foi o nome de 1978.
O segundo estrangeiro: Auguste Saint-Hilaire, francês, autor de um magnífico livro de exame da província de São Pedro, no século XIX: “Viagem ao Rio Grande do Sul”, indispensável para a compreensão e o estudo do nosso estado, foi o homenageado de 1979.
No ano seguinte, 1980, Moysés Vellinho, autor de “Capitania Del Rei”, estudo histórico e sociológico, com o qual se defendia o lusitanismo do Rio Grande do Sul em contraposição às teses espanholistas e platinas que então ameaçavam predominar. Foi um grande escritor, dedicado às atividades culturais permanentemente, primeiro presidente da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
1981, ano de homenagear um publicitário que havia falecido num desastre de aviação, Adão Juvenal de Souza, que aproximara sua agência, a MPM, da Feira do Livro. Foi o único publicitário até hoje, entre todos os escolhidos.
Reynaldo Moura, o homem de 1982. O excelente romancista dos ambientes urbanos de Porto Alegre, um homem modesto, o reconhecimento da Câmara do Livro a um intelectual de valor.
José Bertaso, um dos filhos de Henrique Bertaso, herdeiro da função e do prestígio de “tocar” a editora Globo, foi o escolhido para o ano seguinte, 1983, oportunidade em que, na presença de sua viúva, dna. Ady Bertaso, foi inaugurado um monumento, um discreto monolito, em sua homenagem na praça da Alfândega.
Então, chegou o ano de 1984, quando os livreiros e editores criaram coragem e resolveram escolher entre os vivos, seus homenageados. Era o ano da trigésima feira e ninguém melhor do que Maurício Rozenblatt, tido como “a alma da feira”, que recebeu o que se chamou então “a homenagem especial”. Ainda faltava coragem para titula-lo “Patrono”, mas era isso, indiscutivelmente, e dali para a frente, foram sempre escolhidos escritores, livreiros, editores, ainda vivos.
Da longa lista que começou então, restam apenas doze, os nossos “12 Apóstolos”, capazes de atuar na difusão do livro e da leitura, na propagação da fé na cultura, no amor à literatura:
São eles, pela ordem em que foram escolhidos como patronos:
Moacyr Scliar (1987)
Maria Dinorah (1989)
Luiz Fernando Verissimo (1991)
Nelson Boeck e Edgardo Xavier (1994)
Lya Luft (1996)
Luís Antonio de Assis Brasil (1997)
Patrícia Bins (1998)
Armindo Trevisan (2001)
Ruy Carlos Ostermann (2002)
Walter Galvani (2003)
Donaldo Schüller (2004)
Outros foram ficando pelo caminho, como um dia acontecerá conosco.
Completando o levantamento, diremos que em 1985 a praça homenageou um habitante permanente que acabou nos anos noventa transformado em monumento por obra e graça do Chico Stockinger e da Câmara do Livro: Mário Quintana, o grande poeta da cidade, saudoso “das ruas onde nunca andei”, criador do célebre e sempre inspirado “Caderno H”, jornalista, tradutor, poeta.
Em 1986, foi a vez de Cyro Martins, o autor da trilogia do “Gaúcho a pé” que traçou como poucos o drama do rio-grandense empobrecido e que deixou o campo e foi engordar a periferia das pequenas, médias e grandes cidades. Psicanalista e profundo conhecedor da alma humana, escritor de grande qualidade literária.
1987 trouxe Moacyr Scliar para o primeiro plano, então ainda muito jovem, mas já autor de larga obra que cresceu até passar dos 60 trabalhos. Dos mais antigos, na lista dos vivos, embora mais moço que muitos dos demais.
Seu sucessor foi o grande jornalista Alberto André que desde o primeiro momento ligou a entidade que presidiu longos anos, a ARI, Associação Riograndense de Imprensa, à Feira do Livro. Foi também vereador e deputado, e como tal criou leis para legalizar a Feira e transforma-la em parte inseparável da praça da Alfândega. Foi o Patrono do ano de 1988.
1989 encontrou em plena atividade, Maria Dinorah que se destacou criando obras na área infantil, justamente a que mais cresceu ao longo destes anos, garantindo futuros leitores, semeando a admiração pelo livro e pela literatura. Segunda mais antiga na lista dos patronos vivos.
1990 fez justiça a um dos maiores intelectuais, infelizmente já falecido, e que distinguiu a Feira do Livro com a sua aproximação e integração desde a primeira edição em 1955: Professor Guilhermino César, mineiro de nascimento, gaúcho por adoção, internacional pelo prestígio, havendo lecionado, inclusive em Coimbra e Lisboa, profundo conhecedor da literatura rio-grandense e poeta bissexto, autor da “Lira Coimbrã”, editado em Portugal e aqui, além de seus inúmeros artigos e ensaios.
1991: também ainda muito jovem, Luis Fernando Verissimo foi o escolhido. Filho de Erico, mas distante do pai no estilo e no sentido da obra, cronista de rara capacidade, jornalista militante dos mais capazes, é o terceiro da nossa lista de doze apóstolos e um dos que melhor domina o verbo.
1992: Paulo Fontoura Gastal ou P.F.Gastal, como usava jornalisticamente, o número um durante longos anos, como jornalista da área cultural, atuando no “Correio do Povo”. Também já falecido, foi dos que mais significado trouxe ao posto de patrono, embora à sua época, a obrigação do escolhido fosse apenas proferir o discurso na hora da inauguração.
1993: novamente um jornalista, Carlos Reverbel, mas também um intelectual de primeira linha. Depois de haver atuado longos anos na “Folha da Tarde” e no “Correio do Povo” transferira-se para a “Zero Hora” onde atuaria até morrer.
Nome indispensável tanto para o estabelecimento da verdadeira dimensão do segundo patrono na história da Feira, João Simões Lopes Neto, quanto na sua própria produção cultural, como jornalista, cronista dos melhores, intelectual respeitado.
1994, quarenta anos da Feira do Livro. A Câmara lembrou-se de homenagear quatro pioneiros então vivos, dos quais restam dois entre nós:
Nelson Boeck, que em 55 era sócio da Sulina Livraria e Editora e Edgardo Xavier, cidadão português, integrado conosco e que aqui dirigiu por longos anos a Livraria Leonardo da Vinci e ainda hoje atua no ramo livreiro.
O jornalista e editor Mário de Almeida Lima e Sétimo Luizelli, livreiro que estiveram também na primeira feira, hoje falecidos.
1995 levou para a Feira o nome do patrono Caio Fernando Abreu, longos anos exilado distante de Porto Alegre, mas com a cidade mantendo seu caso de amor perene. Já falecido.
1996 foi o ano de Lya Luft, a segunda mulher a ser escolhida, hoje escritora de porte internacional, traduzida em vários idiomas, conhecida e respeitada como dos melhores nomes da literatura brasileira moderna. Para citar um título, “Perdas e ganhos” que lhe conquistou a posição de “best-seller” entre os maiores de todos os tempos. Segue habitando em Porto Alegre e produzindo novas obras.
Luís Antônio de Assis Brasil foi o escolhido em 1997 e com a sua entrada em cena produziu-se considerável mudança na maneira de ser Patrono. Assis deu seu discurso inaugural mas não ficou nisso. Começou a percorrer barracas, sessões de autógrafos, debates, seminários e ampliou a função para uma abertura que os sucessores tiveram que seguir.
1998, Patrícia Bins, terceira mulher escolhida, fina sensibilidade, um trabalho reconhecido finalmente com a extensão de sua importância.
1999 foi o ano de Décio Freitas, historiador, jornalista, profundo conhecedor da história rio-grandense, jornalista de carreira extensa e significativa. Já falecido.
2000 foi o ano de Luiz Carlos Barbosa Lessa, também falecido já, um dos maiores impulsionadores da cultura regionalista e um dos criadores do Movimento Regionalista hoje integrado por centenas de CTGs espalhados pelo país e pelo mundo.
O poeta Armindo Trevisan, um dos doze apóstolos, poeta de projeção nacional e renome internacional, autor de trabalhos didáticos para compreender a arte e a cultura, dos mais qualificados.
Ruy Carlos Ostermann, escritor, ensaísta, cronista, grande nome do jornalismo, atuando hoje na RBS e em “Zero Hora”, ex-deputado estadual e secretário de Educação, de Tecnologia. Apresentador de programa diário na área cultural na rádio Gaúcha, foi o Patrono de 2002.
Em 2003, o escolhido foi o autor destas linhas: Walter Galvani, cinqüenta anos de jornalismo, oito livros publicados, Prêmio “Casa de las Américas” por “Nau Capitânia”.
E finalmente, o último, o mais recente dos doze apóstolos, o ensaísta, tradutor, escritor de primeiríssima água, intelectual dos mais respeitados, Donaldo Schüller, que assume o posto na inauguração desta sexta-feira, dia 29 de outubro, para reinar no Cinqüentenário da Feira do Livro.




Os astros e os medianos... postado por walter em 28/10/04

A MORTE DE SERGINHO

Walter Galvani

Aos 30 anos, morreu ontem em pleno gramado do estádio do Morumbi, embora tenha sido informado que foi tentada a reanimação e ele teria falecido no hospital, o zagueiro Serginho, do São Caetano.
Vejam a distância entre a ilusão e a realidade.
Serginho era umn bom jogador, de nível médio, nenhum astro tipo Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho. Teve que assinar um termo de responsabilidade, apesar do laudo médico que apontava para uma arritmia, pois necessitava continuar jogando.
Põe a nu, este fato, toda a insegurança do jogador de futebol e a distância enorme entre os astros promovidos pela mídia e os jovens valores que pensam em fazer carreira com a bola nos pés.
Enquanto a bola rola a vida se vai, como no caso de Serginho, que necessitava do emprego para continuar sustentando a família.
Quem ganha dinheiro mesmo é quem faz gols ou quem os constrói. Nunca quem os destrói, é uma máxima do futebol embora não explicitada.
Você conhece algum grande nome milionário que não seja atacante, ou que, em determinado momento da partida não se transforme em atacante, como é o caso de Roberto Carlos, por exemplo?
Bem isso, fica para os grandes astros.
A imensa maioria dos jogadores brasileiros ganham salário mínimo, ou até menos do que isso.
Ele pode ter sido imprudente com a própria saúde, mas quem é que, necessitando, não sacrifica a segurança em troca do miserável dinheiro?
Só se pensa duas vezes depois de haver confrontado com a difícil situação de botar o pé do outro lado da risca fatal.
O resto é pura emoção.

Um dia como os outros... postado por walter em 27/10/04

Crise no Oriente Médio, mortos no Iraque, terremoto no Japão, escassez de petróleo à vista, Brasil ocupa uma das piores posições na lista dos países onde há dificuldades para a liberdade de imprensa, feriados à vista, haverá um feriadão com cinco dias juntando o Dia do Funcionário que virou ponto facultativo segunda-feira e o Dia de Finados, que é terça...
Quer dizer: como diriam os portugueses, tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Certa vez, viajando pelo interior de Portugal, nas proximidades de Castelo Branco quis parar e fazer uma pergunta ao sentinela:
"Então continua tudo como dantes aqui no quartel de Abrantes?"
Minha mulher e companheira de viagens constante não me permitiu fazer a gracinha brasileira e com toda a razão.
Depois fiquei sabendo que há em Portugal uma lei que permite que alguém, estrangeiro ou compatriota, pode ser detido durante 11 meses, para averigüações!
Sem culpa formada e sem decisão judicial. Simplesmente pode ficar lá, quarando no quartel de Abrantes ou qualquer outro da Guarda Nacional Republicana!
Justiça! Justiça" - clamam os brasileiros, mas o fato é que a detenção pode ser feita ao abrigo das leis.
Melhor não perguntar nada ao sentinela...
Mas, diante da rotina dos fatos mundiais, que para os que acompanham o esporte ainda tem a continuidade das derrotas do Grêmio Porto-Alegrense que agora vai direto para a segunda divisão, se não estancar a sangria hoje, nada há para acrescentar.
A não ser que hoje, 27 de outubro, é a data de nascimento do único "moto contínuo" aue funcionou: Niccolo Paganini, o grande violinista italiano, que compôs uma sonata para violino que se repete indefinidamente, completando o sonho dos cientistas da época (século XIX) que imaginavam uma máquina capaz de se sustentar por si mesma, sem parar, até o fim dos séculos... Numa rara e sem custos de combustível rotina, que faria a felicidade dos homens, dispostos a não trabalhar... Doce ilusão. Continuaremos ganhando o pão com o suor, cada vez maior, do nosso rosto.
É o que nos queria dizer Paganini empunhando o arco do seu violino diabólico.
É ótimo o nascimento de um foro mundial para o julgamento de crimes, desmandos e atrocidades postado por walter em 11/04/02

TRIBUNAL INTERNACIONAL

Walter Galvani

Hoje em Roma, nasce uma esperança. Será oficializada pela ONU, a criação de uma Corte Penal Internacional que funcionará em Haia, na Holanda, aliás um endereço tradicional da justiça, lembremos que nosso herói brasileiro Ruy Barbosa era chamado “A águia de Haia” – e isso nos inspira bons pensamentos e os melhores propósitos no dia de hoje. Se bem que é verdade que deles o inferno está atulhado. Não deixa de ser entusiasmante, em especial para os inveterados otimistas, que surja uma corte capaz de punir criminosos internacionais.
A nova corte se propõe a julgar qualquer pessoa, independente do cargo, posição ou nacionalidade, caso os tribunais nacionais não queiram ou não possam fazê-lo ou não tenham condições para abrir processos com autonomia.
Quer dizer: estamos arrumando também uma fantástica fonte de incomodações e esta é para quem quer e não para quem pode...
Qualquer ditador, primeiro ministro, presidente ou general pode ser levado a este tribunal. O problema será deitar a mão nele. Mas se todos os países membros da ONU assinarem um tratado de extradição, o caminho começará a ser pavimentado.
Mas a corte não será um órgão da ONU e terá de prestar conta de seus atos unicamente aos países que ratificarem seu estatuto e à opinião pública internacional, é óbvio. A primeira oposição é dos Estados Unidos da América que temem julgamento para seus militares por causa das inúmeras ações que se tem empenhado no exterior.
Todos os governos de força conhecidos no Planeta, tenham ou não resultado de revoluções ou golpes de estado, que na operação de repressão aos opositores tenham se excedido, estarão sob a mira deste tribunal que, aparentemente será mais político do que efetivo.
O estatuto começa a vigorar a partir do dia 1º de julho e em setembro será celebrada a primeira assembléia dos que aderiram à iniciativa.
A Corte Internacional de Justiça poderá sentenciar pessoas, independente do cargo, posição ou nacionalidade, à penas até 30 anos de prisão ou, em casos mais graves, prisão perpétua.
Não me atrevo a elaborar a lista, mas se Ariel Sharon não se acalmar imediatamente acho que poderá inaugurar o incômodo banco dos réus... Mas tem mais gente boa na fila. Duvido que os judeus democratas que existem pelo mundo afora continuem apoiando o genocídio que está em curso na Palestina. Só no Bonfim (bairro de Porto Alegre, cidade-sede do Forum Social Mundial) tenho uma lista de milhares que, estou certo disso, não apoiam o ódio e a retaliação.
Se servir para a paz que venha o tribunal. E os demais que se cuidem, porque vai ter fila para sentar no tal banquinho...


Quem escolherá os réus para o julgamento e quem os julgará ? postado por walter em 11/04/02

TRIBUNAL INTERNACIONAL

Walter Galvani

Hoje em Roma, nasce uma esperança. Será oficializada pela ONU, a criação de uma Corte Penal Internacional que funcionará em Haia, na Holanda, aliás um endereço tradicional da justiça, lembremos que nosso herói brasileiro Ruy Barbosa era chamado “A águia de Haia” – e isso nos inspira bons pensamentos e os melhores propósitos no dia de hoje. Se bem que é verdade que deles o inferno está atulhado. Não deixa de ser entusiasmante, em especial para os inveterados otimistas, que surja uma corte capaz de punir criminosos internacionais.
A nova corte se propõe a julgar qualquer pessoa, independente do cargo, posição ou nacionalidade, caso os tribunais nacionais não queiram ou não possam fazê-lo ou não tenham condições para abrir processos com autonomia.
Quer dizer: estamos arrumando também uma fantástica fonte de incomodações e esta é para quem quer e não para quem pode...
Qualquer ditador, primeiro ministro, presidente ou general pode ser levado a este tribunal. O problema será deitar a mão nele. Mas se todos os países membros da ONU assinarem um tratado de extradição, o caminho começará a ser pavimentado.
Mas a corte não será um órgão da ONU e terá de prestar conta de seus atos unicamente aos países que ratificarem seu estatuto e à opinião pública internacional, é óbvio. A primeira oposição é dos Estados Unidos da América que temem julgamento para seus militares por causa das inúmeras ações que se tem empenhado no exterior.
Todos os governos de força conhecidos no Planeta, tenham ou não resultado de revoluções ou golpes de estado, que na operação de repressão aos opositores tenham se excedido, estarão sob a mira deste tribunal que, aparentemente será mais político do que efetivo.
O estatuto começa a vigorar a partir do dia 1º de julho e em setembro será celebrada a primeira assembléia dos que aderiram à iniciativa.
A Corte Internacional de Justiça poderá sentenciar pessoas, independente do cargo, posição ou nacionalidade, à penas até 30 anos de prisão ou, em casos mais graves, prisão perpétua.
Não me atrevo a elaborar a lista, mas se Ariel Sharon não se acalmar imediatamente acho que poderá inaugurar o incômodo banco dos réus... Mas tem mais gente boa na fila. Duvido que os judeus democratas que existem pelo mundo afora continuem apoiando o genocídio que está em curso na Palestina. Só no Bonfim (bairro de Porto Alegre, cidade-sede do Forum Social Mundial) tenho uma lista de milhares que, estou certo disso, não apoiam o ódio e a retaliação.
Se servir para a paz que venha o tribunal. E os demais que se cuidem, porque vai ter fila para sentar no tal banquinho...


É hora de chorar... postado por walter em 10/04/02

A Vitória do Computador

Walter Galvani

Este 10 de abril tem um significado todo especial na história da inteligência humana. Pelo menos na da inteligência artificial. Nessa data, há 5 anos exatos, ou seja no ano de 1997, quando a União Soviética já era uma ruína, um dos se

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