que está o futuro, não só do Rio Grande, mas deste imenso território que nos coube por herança e que devemos preservar e cultivar.
Sem corrupção, roubalheira, burocracia e “burrocracia” (sempre pedindo perdão ao nobre Burro que é muitas vezes bem mais inteligente que o seu pretenso “Senhor”...) – nada crescerá e prosperará.
COMO DIRIA CASTRO ALVES: "AURIVERDE PENDÃO DA MINHA TERRA QUE A BRISA DO BRASIL BEIJA E BALANÇA!" postado por walter em 18/11/01
SÍMBOLO DA PÁTRIA
Walter Galvani
Lembro que formávamos em filas, respeitosos, com os olhos presos na magnífica bandeira de seda pura que os Irmãos Lassalistas nos apresentavam. E que era uma grande distinção fazer parte do trio de garotos escolhidos para desfilar diante de toda a tropa, digo corpo docente, trazendo um a bandeira desfraldada e os outros dois, respeitosos, acompanhando.
Ouvia-se apenas o rufar dos tambores e, diria eu, até o vento suspendia momentaneamente seu lamentoso sibilar, que vinha desde os Finados.
Nós, os meninos caminhávamos até a frente e como se fosse diante de um altar da pátria, assistíamos, silenciosos e emocionados, o içamento da bandeira até o topo do mastro.
E cantávamos. Em coro. Sabíamos a letra: “Salve lindo pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz; tua nobre presença, a lembrança da pátria nos traz!”
Mas isto foi em 1942, 43, 44 e assim por diante.
Quarta-feira passada vimos a força do símbolo da pátria, o significado da bandeira e a alegria que ela nos trouxe. O estádio de São Luiz do Maranhão estava praticamente lotado, cerca de 50 mil pessoas investiram o dinheiro que tinham e o que não tinham para ver a seleção brasileira jogar. E esta conseguiu com tal apoio, impor-se, mesmo com seu escasso futebol que mal deu para vencer de 3 x 0 a Venezuela, a quem dávamos de 15 x 0 antigamente. Mas mexeu com os nervos dos jogadores e o próprio Felipão, agradecido, agora nos lendo por certo em seu “retiro do guerreiro” em Canoas, compreendeu que a mensagem da bandeira brasileira, nas mãos daquela torcida vibrante, positiva, incapaz de uma crítica, apenas disposta a aplaudir, a torcer enfim, havia dado o empurrão definitivo para nos tirar do poço da mediocridade e empurrar o time para o torneio final da Copa do Mundo. E a bandeira, era só o que se via, nas mãos de todos, distribuída de graça ou não antes do jogo, por quem quer que fosse, não importa. Alcançou os seus objetivos.
E porque ?
Pelas cores que simbolizam nossa riqueza enorme que só precisa ser melhor distribuída. Pela legenda “Ordem e Progresso” que lá está para lembrar que esta é uma nação que nasceu sob um símbolo positivista e portanto traduz a crença nas possibilidades do homem e é ele que precisa fazer alguma coisa por si mesmo e pelo seu intenso drapejar, o que relembra que não devemos abandonar a luta nem mesmo no último instante.
“Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil” – como transmite o hino que logo todos cantaram em coro.
Como não jogar, como não ganhar, como não matar-se em campo ?
E dia 19, é o dia de lembrar a Bandeira, é o dia dela.
Mas quem se lembra ?
Aqueles ex-alunos do Externato São Luiz do Centro Educacional La Salle de Canoas, entre os quais me incluía, sabiam muito bem o seu significado, porque nossos mestres nos transmitiam. E hoje ? Quem tem a felicidade de ter mestres assim ?
Já ouvi dizer que ser patriota é cafona...
Sim, o mundo mudou, a globalização é um fato incontestável, mas também é verdade que cada povo, cada etnia, cada tribo defende seu pedaço e nela se sente entranhado e se vê retratado. Por um trapo colorido se é capaz de tudo. Quer dizer: pelo menos os outros o são. Como os timorenses, que foram capazes de optar pela língua portuguesa porque ela lhes transmitia o valor máximo que é a liberdade política. A opção, a concretização do sonho de se sentirem livres, de constituírem uma nação.
Vale a pena ou não, lembrar ao menos no Dia da Bandeira, quem somos, o que somos, de onde viemos e para onde vamos ?
A propósito: este é um recado para permanecer, porque todo o dia deve ser o dia da Bandeira. Pelo menos para lembrar, de vez em quando o símbolo que ela é e o que representa.
(Crônica originalmente publicada no jornal ABC DOMINGO de 18-11-2001)
HILTOR MOMBACH, TODOS OS DIAS NO CORREIO DO POVO: postado por walter em 17/11/01
DE PRIMEIRA
Walter Galvani
Para quem não sabe, “De primeira” é a qualificação de uma virtude futebolística que apressa o ataque, como conseqüência o gol e ajuda, portanto a libertar o grito preso na garganta do torcedor que, sofridamente, não fossem só as agruras do dia a dia, acompanha o avanço de sua equipe. “De primeira” e pronto, a bola está nos pés do companheiro melhor colocado e numa fração de segundos no fundo das redes do adversário. É tudo o que se quer do futebol, e é tudo o que se deseja em qualquer atividade.
“De primeira” é o título e portanto o lema de Hiltor Mombach, na penúltima ou antepenúltima conforme o caso, página do Correio do Povo, e falando portanto para uma “audiência” de mais de um milhão de leitores/dia.
E é assim, “de primeira”, que não posso deixar passar em branco o registro que ele fez deste meu “site” aqui na Internet (ou “sítio” como corretamente diriam meus amigos portugueses...) na edição deste 17 de novembro do Correio.
Cheia de generosidade, como é sua marca, classifica-me como “anti-sectário”, o que me soa como o maior elogio que já recebi em minha história de 47 anos de jornalismo e 31 de literatura.
Além de transcrever parte da minha crônica pretensiosamente esportiva aqui no “site”, ainda se deu ao luxo de informar endereços e até telefones para a aquisição do meu livro “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, editado pela Record, Rio de Janeiro.
Grato.
É só o que posso dizer com a emoção umidificando meus olhos. É mais uma dívida que assumo prazerosamente e remeto os leitores, através dos meus “links interessantes”, aqui mesmo nesta página, para que leiam na íntegra, hoje e todos os dias, a coluna do Hiltor Mombach., no site www.correiodopovo.com.br
E que o façam “De primeira”, como ele habitualmente faz com as informações que obtém e que não sonega dos milhares de leitores.
Seja um deles.
E leia aqui amanhã, na atualização do dia, “O Símbolo da Pátria”. Você ainda lembra de Pátria ? E “símbolo” ?
O TEATRO, A MÚSICA, A DANÇA, A LITERATURA MOSTRAM A VERDADEIRA FACE POSSÍVEL DA GLOBALIZAÇÃO postado por walter em 16/11/01
BILD
Walter Galvani
Retrato, imagem, ilustração, estampa, figura, quadro, retrato, aparência, visual, metáfora, símbolo, impressão, a palavra alemã Bild quer dizer tudo isto e se pode ir mais longe, graças à vocação inata da língua germânica: também quer dizer as imagens que vêm do inconsciente profundo.
Um dos mais populares diários alemães se chama justamente “Bild Zeitung” e ele é portanto o “jornal” que se propõe a apresentar tudo isto. Um retrato da sociedade, para simplificar americanamente “Picture”. Mas não é a mesma coisa. Pelo menos não o é no espetáculo que está sendo montado num espaço alternativo na zona norte de Porto Alegre, na rua 25 de Julho, 522, é a “Casa Bild”, pela Muovere Cia. de Dança.
Mergulhando nos textos do italo-cubano escritor Italo Calvino, em “As cidades invisíveis”, Jussara Miranda propõe esta devastadora visão que nos faz pensar em tudo: começa incorporando à sua visão o trabalho de Nestor Monasterio, um diretor de teatro nascido na Argentina que há muito fez sua opção brasileira pelo Rio Grande do Sul.
E é lendo tudo isto que se permite pensar o quanto é possível um mundo integrado, sem guerras, sem ódio e com amor ultrapassando fronteiras e unificando povos. Vejam só: Jussara Miranda, brasileira, Monasterio, argentino, Italo Calvino, italo-cubano e a palavra Bild, trazendo das brumas do Reno todo o conteúdo e o peso da língua teuta, tudo isto levado à sintetização da dança contemporânea, abrindo um espaço cultural novo, dentro de um enorme depósito industrial ou comercial, que também estréia nesta “Casa Bild”.
Para o Brasil como nação é bom ou ruim classificar-se para as finais da Copa do Mundo ? postado por walter em 15/11/01
AH, O FUTEBOL!
Walter Galvani
Sempre é bom perguntar se é um bem ou um mal para o Brasil, no seu estágio atual de desenvolvimento e no patamar político em que se encontra, a classificação para o torneio final da Copa do Mundo de Futebol. Mais uma vez, e pela 17ª consecutiva, o Brasil estará lá, entre os melhores, disputando de igual para igual e num tipo de torneio em que conta muito a sorte que lhe couber nas oitavas e depois nas quartas de final, para chegar às semifinais, às finais e à finalíssima, como tem acontecido com este país que já venceu quatro títulos mundiais.
Foi divulgada recentemente uma pesquisa que demonstrou que em nível internacional, o Brasil é ainda conhecido pelo seu futebol, por Pelé e pelo seu antigo produto número 1 de exportação, o café.
Hoje Pelé está aposentado, dizem que o café colombiano é melhor, e a seleção não é lá estas coisas, tanto que passou apertadamente nas eliminatórias, sofrendo até o último jogo, para derrotar a fraquíssima Venezuela por 3 x 0 e assim se credenciar para a ida a Japão e Coréia em 2002.
Na verdade, sob o ponto de vista esportivo, é preciso considerar que o Brasil está em crise de valores. Falei em futebol... Não temos mais nenhum Garrincha, Nilton Santos, Gilmar, Bellini, Tostão, Domingos da Guia, Leônidas, Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair, Ademir e muito menos Pelé.
Na verdade temos muitíssimos “Joões” que se sucedem sem deixar marca com a camiseta “canarinho”.
Um longo e sério trabalho de preparação daqui até ao torneio final de 2002 poderia render resultados, mas talvez fosse necessário esquecer um pouco os atletas envolvidos numa carreira demasiado, diria, profissional na Europa, onde ganham milhões pelos seus “chutos e ponta-pés” (como se diz em Portugal...) e montar uma equipe capaz de vibrar com o hino nacional como a torcida concentrada no estádio de São Luiz do Maranhão, o fez na vitória sobre a Venezuela.
Pode-se dizer que começamos a ganhar o jogo naquele momento: 1 x 0 para nós na hora do hino. O “gigante pela própria natureza” se afirmou primeiro nas arquibancadas. Depois empurrou o time para a frente, fazendo os jogadores criarem vergonha.
Os “venezuelas”, coitados, nem sabiam o próprio hino...
Mas é isto. Com Felipão ou sem ele, o importante agora seria montar uma equipe que não se desfizesse pela distância e pelos dólares. Poderiam ser chamados a qualquer momento para um treinamento ou amistoso, ou apenas para almoçar juntos em Teresópolis, e assim consolidar um grupo capaz de se matar pelo país. “Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”...
Resta saber se isto é bom ou ruim e se a classificação em si ajuda ou atrapalha o país.
Nossos males serão mais uma vez esquecidos, durante meses a população não pensará em outra coisa e num ano de eleições presidenciais, teremos, perigosamente, o resultado da competição usado, para o bem ou para o mal, para os governistas ou oposicionistas, para influir nas eleições.
No mais, lembremos o exemplo de 1970. Naquele momento, Emílio Medici, um duro, um “falcão” no governo, muitos brasileiros exilados, mortos, desaparecidos e no entanto, na hora do “Prá frente Brasil”, bola em jogo esqueceu-se tudo. E torcemos pela vitória da Seleção.
Não estamos tão lúcidos assim ou evoluídos com relação a 31 anos atrás. Continuamos embevecidos acompanhando Denilson, Ronaldinho Gaúcho e Edilson, imaginando que sejam três novos Garrinchas e que o Ronaldo “italiano” volte a jogar o que jogava quando tinha 18 anos no Cruzeiro de Minas e “pintava” como um novo Pelé.
São sonhos. Mas é preciso respeitá-los porque também são desejos da nação.
Só que também se sonha com o fim da corrupção, a prisão dos corruptos, o fim do desemprego, melhores salários, estabilidade.
O fim da Consolidação das Leis do Trabalho sob a desculpa da “flexibilidade” também ronda o horizonte.
Oremos, como diria o profeta Maomé.
O PARLAMENTARISMO, EIS UMA BOA IDÉIA. MAS SERÁ QUE NOSSOS POLÍTICOS ACEITARIAM DIVIDIR O PODER COM O POVO ? postado por walter em 14/11/01
REPÚBLICA OU GOLPE ?
Walter Galvani
No dia 15 de novembro de 1889, há 112 anos portanto, produziu-se o primeiro grande golpe militar dos tempos modernos no Brasil, predecessor de outros tantos golpes civis e militares que desembocaram na República Velha, no Estado Novo, na Nova República ou na “Revolução de 1964” e por aí fomos chegando. O Mal. Deodoro da Fonseca, um dos primeiros astros no firmamento republicano brasileiro, embora fosse reconhecidamente monarquista, comandou a derrubada do imperador. Se estava ou não de espada na mão, isto fica por conta do imaginário artístico e popular brasileiro, pois, é sabido, por exemplo que a Primeira Missa no Brasil, de Vítor Meirelles retrata a Segunda e Dom Pedro I não estava a cavalo na hora do grito “Independência e Morte”, se é que gritou alguma coisa ao “arrancar os laços portugueses”...
De ficção em ficção construiu-se nossa história, o que aliás continua em obras...
Mas a República, esta que aí está, não é a República democrática sonhada pelos gregos, eis que foi imposta ao povo e jamais conseguiu ser parlamentarista e, provavelmente nunca o será, porque não é esta vocação dos políticos brasileiros.
Estes são, em sua maioria, autocratas. Tiranos em potencial. Déspotas. Não querem saber de dividir o poder e seja lá isto à Direita ou à Esquerda. Sou obrigado a dizer, depois de 47 anos de vida jornalística e mais 20 de vida prática... para somar meus 67.
O feriado que assinala a Proclamação da República deveria ser portanto, para chorar de vergonha pelo que não fizemos. No recesso dos nossos lares ou a bordo das nossas “maledetas machinetas” pelas estradas em busca do sol, deveríamos era fazer um exame de consciência. E talvez na volta, derrubar a república que aí está. Mas, para colocar o que em seu lugar ?
Aparentemente é muito tarde.
Então, poderíamos retomar aquilo que já praticávamos no século XIX e que não soubemos aplicar no século XX. Agora, em novo século e até novo milênio, talvez fosse a hora adequada para experimentar o Parlamentarismo. Teríamos a vantagem de poder derrubar o governo em meia dúzia de dias, quando este não nos agradasse e eleger um novo, tudo através do voto e não das metralhadoras.
Ou mísseis, para ser mais moderno.
Na verdade, isto não interessa aos políticos que foram amamentados e criados no seio desta república golpista que se perpetuou ao longo destes 112 anos, sem que se fizesse um avanço qualquer no caminho da real participação popular. A não ser no circo dos horrores e escândalos das CPIs e ladroeiras que todos os dias colorem de amarelo e marrom as páginas da “mídia”.
Está na hora de apear do cavalo figuras que se fortificam como lendas, mas que na verdade representam a consolidação de falsos ídolos.
Proponho um minuto de silêncio e reflexão.
A luta pelo ouro negro que corre nas veias, digo oleodutos, do Afeganistão postado por walter em 13/11/01
VÁCUO E PARTICIPAÇÃO
Walter Galvani
As tropas da chamada Aliança do Norte, se é que se pode chamar de tropas e também de “Aliança”, ou apenas apelidá-las como tal, entraram em Cabul. Os americanos pediam insistentemente que não o fizessem, apesar de haverem apoiado a ação até aqui, mas não por misericórdia pelos talebans. Na verdade, não gostariam de permitir ou apoiar uma tomada de poder do qual não participam.
Os fatos, no entanto, estão consumados e em guerra não há concessões, conversações, cedências ou pendências, tudo se resolve na mesa dos combates e não na mesa de negociações. A sobremesa sim, esta é comida com talheres apropriados, toalhas engomadas e garçons corteses. Em Berna, na Suiça, pátria internacional do cinismo financeiro.
Enquanto isto, as pessoas se matam, se esfaqueiam, irmãos roubam de irmãos e competem entre si pelo poder. É dos tempos bíblicos, casualmente vividos numa região próxima ao Afeganistão, esta constatação.
Nos próximos dias, cairão como castelo de cartas, uma pós outra, as cidades afegãs – aliás em sua maioria fundadas por Alexandre o Grande, o dominador estrangeiro com mais tempo de permanência na região – mas isto não quererá dizer que os talebans se renderam. Esconder-se-ão nas velhas cavernas nas antigas montanhas, como sempre o fizeram e tratarão de escapar para lugares mais seguros, mesmo que tenham que vestir impudentemente, burkas, que lhes estão proibidas por serem vestimentas de mulheres. Na hora de salvar a pele, ninguém vai se perguntar se a atitude é sacrílega ou não...
Depois é um jogo de gato e rato para ver se os integrantes da legião estrangeira em que se transformou a tal Aliança do Norte conseguem encontrar Bin Laden. Se ele não estiver com uma das suas cinqüenta esposas, poderá estar com um dos seus cinqüenta irmãos. Mas, cortará a barba, afinal ele não é nenhum talebã, e pondo-a de molho, reservará para utilização posterior, como mandam as boas receitas gastronômicas.
Poderá reaparecer no Chuí, na Foz do Iguaçú ou na Bósnia, talvez na Indonésia ou melhor ainda, no meio do deserto, naquele oásis muito conhecido seu, que fica em Al Akhbar, próximo à Sharm el Sheik. Ou no céu muçulmano, onde deliciosas tâmaras podem ser misturadas ao mel que escorre do seio das onze mil virgens...
O braço armado americano irá persegui-lo no céu ou na terra. E os membros da Aliança do Norte, os hoje possíveis ocupantes de Cabul, não perdem por esperar a discussão que os aguarda.
É bom não esquecer que sob o solo (e às vezes acima) árido do Afeganistão, serpenteiam oleodutos transportando ouro negro, ou melhor dólares vivos e capazes de elevar as bolsas ao infinito como já se começa a verificar.
Os mortos ? As viúvas ? Os órfãos ?
Ah, mais um problema para Koffi Annam decifrar.
Leônidas da Silva foi um dos primeiros e maiores ídolos do futebol brasileiro. Com renome internacional, ajudou a resgatar as camadas mais pobres da população, que nele se viam como uma ponte para a elevação social e o progresso individual. postado por walter em 12/11/01
O DIAMANTE NEGRO
Walter Galvani
A qualquer momento poderá perder o Brasil, um dos seus grandes ídolos do passado, um dos que ajudou a construir o mito da superioridade nacional no futebol. Com isto, desaparecerá um dos construtores do edifício da preponderância do país dos negros e mestiços, sobre os poderosos arianos e saxões, os europeus de um modo geral, que só nos ganhariam “através da fraude”...
Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, um grande jogador da década de trinta, o inventor do lance chamado “bicicleta”, no qual o atleta salta, em geral de costas para o arco adversário, e movendo uma das pernas ganha impulso, para com a outra acertar a bola e promover um gol, inesperado pela inventividade do lance e pela força aplicada.
Na Copa do Mundo de 1938, disputada na França, Leônidas utilizou várias vezes este recurso genial, assim como já o vinha fazendo nos campeonatos que disputava no Brasil, pelo Flamengo e pelo São Paulo.
Mais do que um jogador de futebol, tornou-se o ídolo de massas desvalidas do Brasil, quando ainda não existiam meios de comunicação eletrônicos. Leônidas foi um herói dos tempos do início do rádio e do jornal com grandes clichês (fotos) dos lances esportivos.
Como freqüentemente ocorre quando o Brasil joga no exterior (muito menos agora que se pode ver tudo pela televisão), cada derrota tinha uma explicação que passava em geral pela fraude dos adversários, pelo “roubo” por parte dos árbitros ou tramóias da FIFA. Nunca o fracasso era debitado à fraquezas brasileiras. Este mau costume persistiu até recentemente. Felizmente, nos dias de hoje, tornou-se impossível mentir.
No caso da Copa de 38, atribuiu-se a derrota brasileira diante da Italia, campeã mundial daquele ano, à um pênalti “inexistente” cometido por Domingos da Guia, outro dos nossos grandes craques, sobre o atacante Piola. Leônidas não participou da partida, estava lesionado. E aí ficou no imaginário brasileiro toda a explicação para a eliminação da nossa seleção.
De qualquer forma, Leônidas era de fato um grande craque, como já não há hoje em dia: desequilibraria qualquer jogo com sua classe superior.
Seu apelido virou marca, lançaram-se produtos com o seu nome, inclusive um chocolate que persiste até hoje, o “Diamante Negro”. Só por este detalhe se pode medir seu imenso prestígio.
O fato de ser negro ajudou na promoção dos pobres, dos humilhados e ofendidos, dos negligenciados e dos expurgados pelo preconceito.
Idoso, sofrendo de mal de Alzheimer e câncer na próstata, estamos perdendo Leônidas.
Um dos maiores. Um dos tijolos básicos da nossa construção que teria mais adiante em Zizinho, Ademir, Pelé, Falcão, Romário, e outros, suas mais sólidas paredes e suas mais altas torres.
A todos eles nossa homenagem, representados pelo inesquecível Diamante Negro.
O trecho de estrada mais movimentado do Brasil é o que une Rio e São Paulo. BR-116. Mas o número 2, é justamente o que atravessa o vale do Rio dos Sinos, entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. É para este trecho que se estuda uma alternativa. Medida que é urgente. postado por walter em 11/11/01
DESAFOGAR A BR 116
Walter Galvani
É urgente. E agora, felizmente, com 180 dias para nascer a sugestão final de traçado. Serão levados em conta, diversos fatores, como manda o bom senso e como o determinam as leis, ou seja, custos de desapropriações, logicidade da trajetória proposta e obtenção de um bom RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), a ser fornecido pela FEPAM e que terá peso importante, na decisão.
O governo federal entrará com o grosso do investimento, mas também dele participarão os governos municipais da região metropolitana e o estadual.
Estamos falando sobre a construção necessária e inadiável de uma alternativa à BR-116, no trecho Novo Hamburgo-Porto Alegre.
Os principais municípios da região serão todos afetados: começando por Novo Hamburgo e passando por São Leopoldo, Estância Velha, Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas, Cachoeirinha e Gravataí, concluindo em Porto Alegre, mas atingindo, indiretamente todos os demais e as regiões sul e litoral do estado.
É uma obra, cuja importância nem sequer se chega a imaginar. Isto nos resultados que pode produzir e na sua urgência. Cada dia se torna mais grave a situação da BR-116 que, certos dias da semana, de modo especial segundas e sextas ou vésperas de feriados, se torna intransitável, mais perigosa ainda do que já é de per si e limitadora das atividades.
Há quem pense duas vezes antes de se meter de carro ou de ônibus nesta estrada. Há quem só o faça em caso de necessidade extrema. Além de uma rota industrial e comercial importantíssima – sem dúvida a número 1 do estado – ela é também a “rota da educação”. São milhares os jovens que transitam por ela nos dois sentidos, nos mais diferentes horários, em busca das grandes instituições de ensino sediadas na região – Feevale, Unisinos, La Salle, Ritter dos Reis – isto sem falar em outras unidades menores, ou passagem, ou ainda início de rota para Caxias do Sul, onde a UCS se espalha por vários municípios.
Não é por acaso que depois da Via Dutra é justamente este trecho da BR-116 o mais movimentado do país.
O que se discute agora – e para isto o Grupo de Trabalho montado pelo governo do estado terá 180 dias de prazo – é qual a alternativa mais adequada: a leste ou a oeste do atual traçado da BR-116.
Mas, é absolutamente indispensável e seria um suicídio administrativo e político continuar enfrentando o futuro sem tomar providências. A história cobraria, logo adiante, de quem foi governo neste início de século.
No passado esta “faixa federal”, que cruzava pelo centro de cidades e tinha apenas uma pista, chegou a ser apelidada de “faixa da morte”.
Hoje ela é, uma “facilitadora” de transportes, de contatos, de realização de comércio e prestação de serviços e, felizmente, “civilizada” pela duplicação e pelo isolamento das pistas.
Aliás, a nova estrada já terá que ser construída com características semelhantes.
Sessenta carros por minuto, ou seja, um atrás do outro, não é recorde, é rotina na atual BR 116. Além do mais, os veículos costumam trafegar a 140 ou 150 quilômetros por hora. Quem não vai à esta velocidade, proibida mas não respeitada naturalmente, acaba sendo “corrido à buzina” ou sinais de luz, para permitir o avanço de quem vem atrás.
Não queremos policiamento nem “pardais”, nem barreiras. Queremos é desafogo no tráfego, para que todos transitem com liberdade e garantias.
PORTO ALEGRE REALIZOU FEIRA DE LIVROS QUE SE PRETENDE QUE DEVA SER UMA DAS MAIORES (SE NÃO FOR A MAIOR...) DA AMÉRICA LATINA postado por walter em 09/11/01
CONTINUE LENDO
Walter Galvani
Tenho em mãos estatísticas que comprovam: só progridem os povos onde o índice de leitura é alto. Porque isto significa que seus habitantes se informam e que tem condições intelectuais para fazer análises e julgamento das questões que surgem.
Só assim é possível, efetivamente, alcançar um alto índice de desenvolvimento.
Bem, a 47ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre terminou, resta esperar agora Guadalajara.
O México, país homenageado este ano na capital do Rio Grande do Sul, na certa vai retribuir levando alguém até sua internacional e prestigiada feira, que acontece na cidade mais brasileira (desde 1970... vide Copa do Mundo de Futebol) daquele país.
E aqui, vamos continuar lendo.
O slogan utilizado pela Câmara Riograndense do Livro não poderia ter sido mais feliz e inspirado e seus efeitos não cessarão hoje: “Você é o que você lê!”
A propósito:
A “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos” navegou com brilho, apesar de estar distante dois anos de seu lançamento, ocorrido em 1999, nos últimos dias da feira daquele ano.
Naquela oportunidade vendeu em poucos dias 600 livros, sendo um dos “bestsellers” daquela edição. Mais adiante, no ano 2000 repetiu a performance e no ano inteiro, no país, vendeu quase 50 mil volumes, tanto que acabou alcançando a posição de 7º mais vendido entre os “dez mais” de todo o ano, no levantamento da Revista Veja.
A propósito de leituras, escrevam para waltergalvani@attglobal.net
O RIO GRANDE É MANIQUEÍSTA. MAS ESTÁ NA HORA DE DEIXAR DE LADO ESTE PRIMITIVISMO POLÍTICO. postado por walter em 08/11/01
CPIs
Walter Galvani
Arrependimentos. Confissões, Carteiraços. Eleições à vista. Desagravos. Desgastes políticos. Segurança pública. Problemas sociais. O caos. Ocupações de terras. MST.
Sede do PT.
Líderes que se confessam “mentirosos”, outros que mostram arrependimento público e dizem que de fato praticaram o feio ato do “carteiraço”.
A pergunta é a velha questão colocada pelos romanos que nos deram a estrutura jurídica e a língua latina: “Qui prodest ?”
Ou melhor: “A quem aproveitam tais denúncias ?”
É isto que é preciso investigar, esta é a resposta que todos desejamos.
Com eleições chegando, com outras CPIs, que são ótimos instrumentos também de propaganda eleitoral, com o peso de ser governo, o Partido dos Trabalhadores está provando afinal do amargo fel que lhe cabe. Não há como fugir.
Para sentir esta pressão e obrigar-se a dar explicações, para transformar-se de pedra em vitrina é preciso chegar aonde o PT chegou.
Nossos costumes políticos não mudaram, o Rio Grande continua absurdamente bipolar e maniqueísta como sempre foi. Republicanos e federalistas, Chimangos e maragatos, farroupilhas e imperialistas, liberais e conservadores ou modernamente, trabalhistas e pessedistas, ou emedebistas e arenistas e agora, petistas e todo o arco que caiu para a Oposição, abrigando PMDB, PFL, PPB e outros com menor poder de voto, mas também com voz ativa em nossa sociedade.
Este é o confronto. Como no esporte: gremistas x colorados.
Acho que está na hora de diversificar e acreditar que há vida inteligente sob outras siglas, outras camisetas, outras visões.
Ler o “Correio do Povo” não quer dizer deixar de ler a “Zero Hora” e ainda mais que há também “O Sul”, há o “Jornal do Comércio”, existe a edição regional da “Gazeta Mercantil” e nas cidades populosas e fortes do interior, circulam belíssimos jornais como por exemplo, “O Nacional” de Passo Fundo e lá mesmo o “Diário da Manhã”, e em Santa Maria, “A Razão” ou em Pelotas, o “Diário Popular”.
Tudo isto conformando uma opinião pública diversificada e atuante, com posições políticas diferentes.
Vamos aprender a diferenciar as coisas e não apenas ficar na base de Governo e Oposição.
O HOMEM É O LOBO DO HOMEM. INJUSTIÇA COM O VELHO E SIMPÁTICO LOBO... postado por walter em 07/11/01
PRIMEIRO ANO DO SÉCULO
Walter Galvani
É habitual identificar o início efetivo de um século e o seu término, com acontecimentos decisivos, envolventes, que atinjam uma boa parcela da espécie humana. Assim, o século XX, na opinião dos especialistas, começou mesmo junto com a Primeira Guerra Mundial, em 1914. E acabou em l989, com a queda do Muro de Berlim.
Já o Século XXI, ninguém mais tem dúvidas: já começou efetivamente e isto no dia 11 de setembro com a queda das duas Torres Gêmeas de Nova York, atingidas pelo terrorismo.
Se os aviões-bomba, conduzidos por pilotos suicidas, representavam ou não os desejos de Bin Laden, isto é secundário. O que ficou comprovado é que ninguém está imune à uma ação destas, que não é suficiente construir muros ao seu redor, porque o seu coração pode ser atingido a qualquer momento e porque, nem a nação mais poderosa da terra está garantida contra seus inimigos.
Tais lições marcarão para sempre este século XXI que vai custar a terminar... Esta surpresa do dia 11 de setembro, não será a primeira e nem será a última que teremos. É preciso apurar nossas antenas de premonição para começar a inspecionar o futuro e tentar adivinhar o que vem por aí. Mas, não será pouco, tal o grau de sofisticação que foi atingido.
O velho provérbio latino que dizia que o homem é o lobo do homem, nunca será tão verdadeiro e injusto para com o lobo, que, no fundo no fundo, só age em defesa dos seus instintos, sua fome ou suas necessidades. Já o homem...
Mas, enquanto isso, jogamos futebol.
Claro, nem pode ser de outra maneira. Se a humanidade não encontrasse meios de se adequar, ocupar o seu tempo, divertir-se ou praticar alguma atividade para gastar suas energias, esgotar sua força bélica no duro e sadio confronto esportivo, inventar alternativas ou simplesmente distrair-se, o século XXI logo terminaria porque sim, o mundo estaria acabando.
A propósito: como é que ficou aquela história de que “navegamos” na direção da estrela Veja e com ela fatalmente colidiremos ?
Ou teremos sido “percebidos” e haverá um desvio de trajetória ?
Será este o ano (ou o século) dos contatos imediatos de primeiro grau ?
QUATRO JOVENS BRASILEIROS MERECEM A PENA MÁXIMA POR HAVEREM ATEADO FOGO NUM ÍNDIO. PARA BRINCAR... DAR-LHE UM SUSTO... postado por walter em 06/11/01
FOGO NO COBERTOR...
Walter Galvani
Os quatro rapazes que cometeram o crime inominável de atear fogo num índio em Brasília e que agora estão sendo submetidos a júri, disseram na abertura do depoimento que haviam feito apenas uma brincadeira...
“Botamos fogo no coberto para assustar o índio!”
Naturalmente, alguém poderia dizer, mas porque não foram assustar as respectivas mães e pais ?
Desrespeitando nossos antigos habitantes desta terra, romperam com o pacto que a modernidade estabeleceu, de compreensão, respeito e convivência com os aborígenes. É uma aliança moderna que retoma o espírito que havia presidido os primeiros contatos.
Basta ler a carta de Pero Vaz de Caminha para sentir a emoção, o respeito, a atenção com foram cercados os primeiros habitantes da terra logo batizada de Santa Cruz, que estiveram a bordo da “Nau Capitânia”.
Este é um dos mais tocantes episódios daquele primeiro contato, há 501 anos atrás. Baseado no relato de Caminha fiz a transcrição daquele momento histórico que está em meu livro “Nau Capitânia”, Prêmio Casa de Las Américas 2001, e que continua navegando, tanto na 47ª Feira do Livro, quanto fora dela. Agora vai navegar em espanhol.
O pacto de entendimento, a promessa de convivência, a proposta de civilização e desenvolvimento, a mensagem da Renascença européia que traziam os portugueses liderados por Pedro Álvares Cabral, tudo isto foi jogado ao lixo por estes quatro brasilienses.
É uma lástima.
Tomara que o Júri lhes dê a pena máxima. Caso contrário estarão libertados daqui a alguns dias, pois já terão cumprido 2/3 da prisão.
Atearam fogo no índio para começar uma brincadeira!
Vejam a que ponto vai a ignorância, a falta de respeito para com os seres humanos, a falta de consideração com os pobres e os desvalidos.
E tudo isto aconteceu na capital do Brasil, nas vésperas da comemoração frustrada dos 500 anos do descobrimento. Nem poderia ser de outra forma.
CRIAÇÃO LITERÁRIA E UMA AVENTURA NA COZINHA, UNINDO INSPIRAÇÃO E SABORES postado por walter em 05/11/01
BRASIL: RECEITAS DE CRIAR E COZINHAR
Walter Galvani
Organizada pela Patrícia Bins começou a circular nesta 47ª Feira do Livro de Porto Alegre, uma antologia (é o volume 2) reunindo 28 autores de Ado Malagoli a Walmir Ayala, dando suas receitas de criação literária e de cozinha.
Os nomes são os mais variados: tem Fernando Sabino, Jaime Cimenti, Jane Tutikian, a própria Patrícia Bins. Estou lá, à página 110, com a minha contribuição, o misterioso “riz à la saussice” e que os leitores descobrirão, não é lá tão misterioso assim. Mas, a fórmula era secreta. Revelei-a somente agora. Durante anos curti a surpresa dos amigos diante do meu “riz”. O batismo lhe foi dado por Marcello Trani, agente de turismo romano que por muitos anos viveu entre Roma e Porto Alegre, com escalas por Buenos Aires e Santiago do Chile, Rio e República Dominicana. Em seu escritório romano, na Bissolatti, a meia dúzia de passos da Via Veneto, muitos foram os gaúchos que se organizaram em suas tournées européias. E seu contato número 1 aqui era o Eugênio Machado, que continua atuando no ramo, na PSA Turismo.
Mas, o livro tem muitas atrações. Maria Carpi, por exemplo, entra com o pão e a poesia. E tem até os quindins do Mário Quintana, sem falar no bolo de Natal tipicamente inglês que a Patrícia Bins nos oferece.
Bem, o que melhor posso dizer do livro é que ele dá fome...
Fernando Sabino contribui, como não poderia deixar de fazê-lo, com comida mineira: couve à mineira e arroz mineiro.
E a Glória Corbetta comparece com o seu Pavê de Chocolate.
Bem, a edição é do Paulo Flávio Ledur, ou seja da AGE e isto é uma garantia indiscutível.
Bom apetite.
NÃO É APENAS O CONCEITO DE QUE NENHUM HOMEM É UMA ILHA; É PRECISO PENSAR NA COMPLETA INTEGRAÇÃO QUE O MUNDO SOFRE E, AO MESMO TEMPO, NA ATOMIZAÇÃO EM TRIBOS RURAIS OU URBANAS, DO AFEGANISTÃO À NOVA YORK postado por walter em 05/11/01
TRIBOS E GLOBALIZAÇÃO
Walter Galvani
O Século XXI trouxe, como uma das heranças do que se formou no século passado, a convivência entre dois estilos de vida, dois termos e duas tendências comportamentais, aparentemente incompatíveis, mas sem dúvida co-participantes do processo cultural moderno: a globalização e o tribalismo.
Em alguns casos, a vida em tribos pode parecer um recuo, uma defesa ou um resultado do atraso, mas nem a pobreza de recursos naturais nem as deficiências urbanas, explicam completamente a tendência que se produz exatamente na contramão da denominada “globalização”.
Por outro lado, a Globalização, do comércio, da prestação de serviços, das técnicas, dos produtos, dos meios de comunicação eletrônicos e com a predominância de uma língua em vastas parcelas territoriais, o que também facilita a circulação de bens e riquezas, também não é o gatilho detonador dos procedimentos tribais.
Pode-se dizer inclusive que ambos convivem. Tomando apenas o exemplo árabe, tem-se uma televisão, a “Al Jazeera”, que atende às necessidades regionais, prega a liberdade de imprensa nos mesmos termos ocidentais e cultua os mesmos ícones: belas apresentadoras, bons locutores, imagens via satélite que podem ser apanhadas no mundo todo (com uma antena parabólica comum, de 300 dólares) e na guerra do Afeganistão quebram a censura local e a censura americana.
Sim, a censura americana aplicada às redes americanas de um modo particular e ocidentais de um modo geral, onde os pronunciamentos de Osana Bin Laden estão proibidos e notícias de derrubada de aviões ou helicópteros também. A não ser que sejam pertencentes ao regime taliban.
Inclusive, o presidente Bush tentou interferir com sua censura aos meios de comunicação na emissora do Qatar e não conseguiu:
“Aprendemos com vocês a liberdade de imprensa!” – foi a resposta que lhe deram.
Efeitos da globalização, tais como os que havia desfrutado a CNN na Guerra do Golfo.
Mas, por detrás disto tudo há toda uma complexa rede tribalista, subdividida entre pequenos grupos étnicos que se assemelham pela cultura, biotipo, língua ou mais ainda, dialeto local, fidelidade política.
Visto à distância é o que mais se percebe do xadrez do Oriente Médio e da Ásia Menor, e também por certo dos Balcãs, da Bósnia, da Macedônia (aliás terra de Alexandre o Grande, aliás conquistador em tempos remotos do Afeganistão e talvez o mais durável dos ocupantes).
Não se pode negar também que esta tendência de atomização em tribos se reproduz nos grandes aglomerados ocidentais. Há até uma expressão típica, cunhada por aí e adaptada ao Brasil em que se diz mais ou menos assim:
“Ora, vai procurar a tua tribo!”
Quer dizer, que a pessoa vá procurar os seus iguais, aqueles que tem um tipo de comportamento assemelhado, que apreciam as mesmas músicas, danças, procedimentos, veículos de transporte, falas, comunicação, roupas e outros indicativos de uma indiscutível tribalização.
Convivem os dois tipos de vida, os dois efeitos, come-se da mesma mesa e aproveita-se a mesma sobra.
Será difícil separar agora tais resultados. Os beduínos de Qatar sabem muito bem que sob suas tendas corre um rio negro de petróleo, conhecem as delícias do ar condicionado ou de um automóvel Mercedes Benz, tanto quanto os proletários do mundo ocidental que catam sua sobrevivência no lixo, sonham com o que o dinheiro pode comprar.
Por mais que nos esforcemos não vamos conseguir pregar a mensagem de que a felicidade é reservada a quem alcança os páramos celestiais...
Há o futebol, a televisão, os shows dos milhões, os “big brother” e mesmo com o fundamentalismo árabe e cristão, as promessas são por demais convidativas.
Teremos que aprender, isto sim, a conviver entre as delícias da globalização e as injustiças sociais que gera, entre a pregação messiânica e a frugalidade tribal, nem sempre verdadeiras. Lembrando, só por lembrar, a propósito do episódio que atualmente centraliza as atenções globais, que em tempo de guerra, mentira na terra...
Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, realiza sua 47a. Feira do Livro com este slogan: postado por walter em 04/11/01
VOCÊ É O QUE VOCÊ LÊ
Walter Galvani
Exiba orgulhosamente o que você carrega em sua sacola de compras feitas na Feira do Livro: Você é o que você lê. O slogan criado pela Câmara Riograndense do Livro é, além de inspirado, instigante, provocante. E tem mais: verdadeiro.
Stendhal já tratou disso num de seus primeiros romances, o “Armance”. O personagem central, Octave de Malivert ouviu inúmeros questionamentos de seus familiares e amigos que dele “suspeitavam” por causa de suas leituras. Como vemos, isto é antigo.
À certa altura dizia-lhe sua mãe:
“Caro Octave, é a violência de tuas paixões que me assusta! Além do mais, lês livros ímpios e em breve chegarás mesmo a duvidar da existência de Deus. Porque refletir sobre estes assuntos terríveis ? Tu te lembras de tua paixão pela química ? Durante dezoito meses não quisestes ver nem teus amigos nem teus parentes mais íntimos.”
“E era o que deveria ter feito – replicou Octave – não era uma paixão, era um dever que eu mesmo me impusera. E me pergunto se não teria sido melhor continuar fiel a esse propósito e transformar-me em um sábio retirado do mundo, um imitador de Newton!”
E refugiou-se em sua biblioteca.
Bem, nem todos tem a vantagem de possuir uma boa biblioteca, ou ao menos uma toca onde enfiar-se, mas não deixa de ser inspirador que os livros estejam hoje esparramados pela praça central da capital do Rio Grande do Sul e que o exemplo da Feira do Livro em sua 47ª edição, tenha frutificado e influenciado todo o estado. Não há hoje cidade de porte médio ou grande e mesmo algumas pequenas, que não tenha a sua própria feira. A de Porto Alegre, contudo, resiste e persiste, como o exemplo maior e hoje lutando já para ser reconhecida como a maior da América Latina, pelo menos competindo com Buenos Aires e Guadalajara.
Sábio Stendhal que criticou com ironia em seu romance ainda hoje atual e eloqüente em sua mensagem, os “perigos” da leitura. De fato, queriam o seu personagem Octave um conformado integrante da sociedade parisiense e não alguém que sonhava em se transformar num novo Isaac Newton. Aliás, coincidência e homenagem das homenagens, hoje é justamente o Dia do Inventor.
Sacuda pois o seu espírito. Não permita embotar-se, antes disso, saia da casca, passeie, viaje, nem que seja para visitar a Feira do Livro, deixe a acomodação de casa e do caixote aprisionador do espírito que atende pelo apelido de televisão e que lhe dá tudo pronto e não o faz pensar.
Não atenda o triste conselho da mãe de Octave. Admita as diferenças e os diferentes. Compreenda e aceite as ideologias diversas. Só não concorde com as bombas e o argumento da violência. Diga não à guerra. Proponha sempre o diálogo e a compreensão. (Qualquer semelhança com pessoas ou fatos que ocorram neste momento no mundo é mera coincidência... – como diziam os letreiros dos filmes antigos, sempre temerosos de um processo...)
Leia. Compre livros. Faça seu estoque e carregue orgulhosamente a sua sacola, deixando com que vejam o que você comprou. Escolha o que quiser, desde os livros de auto-ajuda, não tenha vergonha, até Shakespeare ou o último Umberto Eco, o “Baudolino” ou “O pintor de retratos” do Assis Brasil ou o mais recente Moacyr Scliar ou o Tabajara Ruas, de volta com “Netto perde sua alma”, agora nas asas do filme.
Não esqueça: você é o que você lê...
(Originalmente publicado no ABC DOMINGO, jornal do Grupo Editorial Sinos, na edição de 4/11/2001)
GUERRA, VENENOS E ANTÍDOTOS postado por walter em 01/11/01
SPRAY CONTRA O ANTRAZ
Cientistas austríacos desenvolveram uma substância que elimina em frações de segundo os efeitos do antraz ou antrhax ou melhor, em português, o carbúnculo...
A guerra contra o terrorismo prossegue, promovendo como qualquer guerra, o desenvolvimento da pesquisa científica e o emprego de verbas em setores normalmente negligenciados.
O anúncio foi feito em Viena neste primeiro dia de novembro. Ainda há necessidade de realização de testes, mas já está confirmado que o novo produto, que logo poderá (e deverá) ser comercializado, não traz nenhum efeito colateral aos seres humanos.
Em breve, a divulgação espetacular da nova arma, que ainda não tem nome de batismo, ocupará uma posição de destaque nos meios “midiáticos”, rivalizando com os novos aviões e mísseis capazes de atingir os alvos com precisão cirúrgica.
É verdade que se duvida hoje da tal “precisão cirúrgica” norte-americana e de seus aliados, tanto é que pela terceira vez foi atingido um prédio da Cruz Vermelha, a despeito da imensa cruz em vermelho pintada sobre o seu telhado. Parece que os mísseis são analfabetos...
A PROFISSÃO DE JORNALISTA, COMO OUTRA QUALQUER, EXIGE SIM, PREPARAÇÃO TÉCNICA, QUALIFICAÇÃO INTELECTUAL postado por walter em 31/10/01
MELHORAR E NÃO PIORAR
O JORNALISMO...
Walter Galvani
Absurdo dos absurdos. Eis como se classifica a decisão da juiza Carla Rister que, atendendo a uma ação civil pública proposta pelo procurador da República, André de Carvalho Ramos, despachou favoravelmente, determinando que não se exija mais o diploma de jornalista para o exercício da profissão.
“Já que a profissão não requer qualificações específicas, como as profissões técnicas” – disparou ela.
Negativo, minha juíza e meu procurador.
Direito é possível exercer somente à base de muita leitura e real compreensão das leis, atendendo ao princípio do bom senso, segundo opiniões de muitos jornalistas. Mas não se preocupem, não é a minha.
Não tenho diploma de Jornalismo, mas exerço a profissão desde 1954, portanto há 47 anos, mas fui um dos que mais se empenhou no sentido de aproveitar alunos das faculdades nas redações de jornais, rádios e tvs no Rio Grande do Sul, por acreditar na “preparação técnica” como indispensável para o bom desempenho da função.
Acho que o ensino tem que ser melhorado, isto é outra coisa. Penso, por exemplo, que a cadeira de História tem que ser ampliada. Há outras deficiências, como em qualquer profissão e, é lógico, com o aperfeiçoamento que resulta do próprio progresso técnico, desde aprender a digitar e lidar com o computador, coisa que muita gente só toma conhecimento quando chega ao mercado de trabalho. É necessidade absoluta.
Muita leitura para os alunos, muito debate, tudo o que a República privou-os enquanto durou a Ditadura mais recente, das tantas que já tivemos no Brasil.
Despachar que esta profissão não exige “qualificações técnicas específicas” é demonstrar total desconhecimento da atividade jornalística profissional.
Agora, assinar artigos, crônicas, ensaios, isto sim, não deve pertencer exclusivamente ao jornalista formado, pois esta é uma tarefa extensiva a todos os escritores.
Ainda bem que a decisão da juíza é apenas uma liminar e portanto, passível de cassação imediata. Ainda bem..
Mas vamos ficar de olhos bem abertos.
QUEREMOS TIRAR A GUERRA, O TERRORISMO, TODA ESTA INCERTEZA DE FUTURO, DE NOSSAS CABEÇAS. MAS, QUANTO TEMPO LEVARÁ ? postado por walter em 30/10/01
UM ANO. DEPOIS...
Walter Galvani
A nova guerra ainda não terminou, o terrorismo campeia solto por aí e os humoristas babacas mais ainda, promovendo a intranqüilidade onde deveria haver calma e perturbando as relações humanas. Eu diria, de forma irremediável, porque o mundo não será mais o mesmo depois do dia 11 de setembro e também, naturalmente, depois da resposta americana. Em todo o caso, o melhor é ir ficando em casa e tratando de levar adiante a vida. Difícil. Ainda mais que “ficar em casa” pode significar também consumir menos e, traduzindo, isto quer dizer, por outro lado, comprar menos produtos e ajudar à recessão e ao desemprego.
Tudo é uma coisa só, são ingredientes do tipo de vida que desenvolvemos, e poderemos ir empobrecendo até cair em níveis afeganistaneses...
Não riam e não duvidem.
A vingança – “pelas barbas do Profeta” – não poderia ser mais aguda. Mas, você já leu como foi que nasceu o estado moderno de Israel e como foi feita a divisão, e como a Palestina acabou no minúsculo estado que é hoje ?
Os especialistas americanos dizem que se levará pelo menos um ano para vencer a síndrome do terrorismo e nem em um ano desaparecerão todos os efeitos.
Mas, a pergunta é: um ano depois do que ?
Será um ano após a luta inglória de hoje, depois do antrhax, aliás do carbúnculo, ou depois das derrubada das torres gêmeas de Nova York ou ainda depois da retaliação americana ?
Ou será depois do próximo ato que ignoramos qual será ?
Enquanto a Humanidade não tiver um governo mundial, uma assembléia internacional com deputados representantes de todos os países, de acordo com a sua população, sem discriminações nem pesos diferentes, tudo vai ser difícil. Este seria o verdadeiro e justo caminho da globalização.
Chegaremos a isto algum dia ou nos destruiremos antes ?
GUERRA É GUERRA - Tempo de guerra, mentira na terra... - O anthrax. Ou será o velho carbúnculo ? - O Afeganistão dos tempos de Alexandre, o Grande - E, por fim, o que se pode esperar da Humanidade ? postado por walter em 29/10/01
TEMPO DE GUERRA,
DESCULPAS NA TERRA...
Walter Galvani
A humanidade, única espécie que combate a própria espécie e não especialmente por problemas de fome ou sobrevivência, desenvolveu ao longo da sua pré-história, história e estes tempos modernos que alguns batizaram de “fim da história”, alguns provérbios simplificadores, mas não menos eloqüentes. Com relação á guerra, por exemplo, há dois extremamente popularizados e, portanto, expressivos: “tempo de guerra, mentira na terra” e “guerra é guerra”.
Ambos estão em alta no Afeganistão e Estados Unidos.
Evidentemente que não se sabe em quem confiar e que, por medidas de segurança, nada se revela ou se exagera o que se transmite.
Mas, isto não justifica também o festival de pedidos de desculpas por “erros de alvo”.
Um dia foi a Cruz Vermelha que foi bombardeada, no outro dia uma aldeia, no dia seguinte uma rua de Cabul, daqui a pouco foi a vez de uma pequena povoação na montanha e assim por diante.
Sinceramente, vocês que me lêem, acreditam que seria possível uma operação cirúrgica exata, de extração de Osana Bin Laden ou quem quer que seja, sem ferir as gengivas, sem provocar sangramento ou trauma na hora “de arrancar o dente” ?
Se você achou, sonhou.
Se é verdade que isto foi divulgado, também é certo que acreditou quem quis.
O Afeganistão resiste há séculos à tentativas de ocupação de seu território, algumas mais bem sucedidas que outras. Subdivide-se em várias “etnias” como se convencionou denominar modernamente as diferenças tribais e se os pashtu dominam a cena pelo número, também é certo que não ficam sozinhos e portanto não possuem o domínio absoluto.
Numa das primeiras invasões, os afegãos eram poucos e não resistiram aos exércitos de Alexandre, o Grande, da Macedônia, que fundou de cara cinco cidades, cinco Alexandrias, que hoje sobrevivem com os nomes agora popularizados pelos bombardeios americanos, como Kandahar por exemplo. Só Cabul era mais antiga. Mas, não ficou em Alexandre, apenas, o sonho de conquista. Europeus e asiáticos foram se sucedendo até que bem recentemente foi a vez dos ingleses, que agora estão de volta, sob o fogo protetor (que de vez em quando comete alguns enganos e disso pede desculpas...) dos aliados americanos.
Assim tem sido.
Os russos já alertaram aos Estados Unidos que lá estiveram por 10 anos e tiveram que se retirar, expulsos, por não terem conseguido desencavar os afegãos das suas tocas.
Mas, o massacre vai continuar até uma nova divisão política, uma redistribuição que, não quererá significar que a questão estará resolvida.
Por outro lado, concordo: se alguém invade minha casa e me cospe no rosto, vou persegui-lo até desenterrá-lo do mais profundo poço onde se ocultar. É minha obrigação. Não quer dizer que o consiga. A menos que meus amigos cerquem o perseguido e o façam pedir desculpas publicamente, irei até o fim. E olhem que não me guio pelo Antigo Testamento.
Mas, isto já é outra história e se alinha pelo que comecei dizendo da Humanidade, lá nas primeiras linhas, e dela faço parte como os americanos, é claro, como os talibans e todos os povos da terra.
Quanto às guerras religiosas, o fanatismo é o culpado por elas. Se esta se encaminhar para isto, como já começam a demonstrá-lo o ataque à igrejas cristãs, a morte da freira no jardim de sua casa ou o fuzilamento de fiéis na hora da oração, iremos longe, muito longe, não se iludam.
Não estou sendo apenas pessimista. Estou querendo estar em paz com a verdade.
Os 17 cristãos executados ontem, o pior assassinato em massa cometido no Paquistão, vizinho do conflagrado Afeganistão, nos dão uma pequena mostra. Já o Antrax... poderíamos começar pela imprensa brasileira e orientando no sentido de que antrax é apenas o nome em inglês de uma antiga doença chamada carbúnculo em bom português e muito conhecida das nossas vacas, porcos, ovelhas e conseqüentemente trabalhadores rurais.
LEIA. MAS NÃO PERCA A CALMA... postado por walter em 25/10/01
O POVO TEM O
GOVERNO
QUE MERECE ?
Walter Galvani
Este antigo axioma é uma espada cravada em nosso coração: será mesmo que merecemos os governos que temos ?
Afinal, temos sido corretos, pagamos nossos impostos, suportamos a elevação do custo de vida, não reclamamos quando vemos nossos proventos perderem substância à medida que passam os meses, assistimos impassíveis à alta da gasolina, das mensalidades escolares, dos livros técnicos e didáticos, das roupas e utensílios, das roupas e sapatos, vemos o dólar distanciar-se, rumo à lua e o real se afundando progressivamente, na mesma proporção, é lógico.
Nada fazemos.
Não destruímos automóveis, não usamos carros-bomba como outros povos o fazem, não estamos em guerra com nossos irmãos, não temos preconceitos, convivemos com os diferentes, fazemos força para suportar as desigualdades, agüentamos diariamente a vergonha da corrupção denunciada nos mais altos setores da nação, e vamos levando.
Estaremos certos ?
Não aprovamos a violência, não guerreamos. Humildemente vamos trabalhando em nosso dia-a-dia, dispostos a fazer frente às dificuldades.
De vez em quando ficamos “em vermelho” no banco, mas não deixamos de atender nossos compromissos. Pagamos altos juros e não reclamamos. Somos ainda capazes de nos deslumbrarmos com o anunciado desenvolvimento da economia, com a implantação de novas montadoras de automóveis – não sabemos quem os compra, mas também compramos o nosso, pagando religiosamente 24 ou 36 prestações. Sem atraso.
Batemos palmas para o surgimento de novas cédulas e acreditamos no desenvolvimento do Mercosul.
Até achamos que o presidente da república é ousado ao afirmar que “os Estados Unidos não mandam, sozinhos, no mundo”.
O Tribunal Regional de São Paulo bloqueou a aposentadoria do juiz Nicolau que continua em prisão domiciliar. E isto nos faz sorrir com satisfação. “Veja – dizemos – nossas instituições funcionam!”
Houve superfaturamento na construção do aeroporto de Salvador e acreditamos que haja consciência e moralidade no país.
E aqui estamos, neste 2001, aplaudindo o que dizem fazer e registrando nossa alegria.
Continuamos trabalhando.
Tomamos nossa condução e vamos nos dedicar a vender apartamentos, negociar roupas ou produzir notícias.
E a vida continua.
Os poderosos continuam bombardeando os pequenos.
E continuamos, impávidos, como se não fosse conosco.
Nas próximas eleições elegeremos novos governantes ou reelegeremos os mesmos. Nem nos preocupa que alguns políticos tenham subitamente se convertido ao comunismo, pois assinaram ficha com o partido que herdou a foice e o martelo.
Acreditamos. E seguimos acreditando, votando, trabalhando e merecendo o governo que elegemos.
A culpa ? Não a reconhecemos.
À noite nos divertimos vendo a burrice nacional estampada na televisão, quando nem os universitários chamados por Sílvio Santos conseguem descobrir qual é o plural de “cristão” ou, afinal de contas, o que é mesmo que quer dizer, “axioma”...
Merecemos tudo isto ?
RESPONDA SE FOR CAPAZ... postado por walter em 24/10/01
Proust, o questionário
O escritor Marcel Proust elaborou o seguinte questionário que tem servido para “compreender” as pessoas ao longo deste último século; o jornal francês “L’Express” utiliza-o uma vez por semana, para entrevistar um intelectual e enriquece-o com uma pergunta apenas: “Qual o filme “cult” que elege ?”:
Para você o que é a felicidade perfeita ?
Qual foi o momento em sua vida que mais feliz se sentiu ?
Qual é o traço do seu caráter que menos lhe agrada ?
Vossa ocupação preferida ?
Qual a qualidade que você prefere num homem ?
E em uma mulher ?
Qual o seu maior temor ?
O que você possui de mais querido ?
Qual a figura histórica a que você gostaria de se parecer ?
E a qual herói da ficção ?
Qual é a cor que você ama ?
Qual é o vosso autor favorito e qual o livro de cabeceira, se é que você tem algum ?
Vossos compositores clássicos ou contemporâneos preferidos ?
Pintores favoritos ?
Vosso filme “cult” ?
Quais são os seus heróis na vida real ?
Qual a ária de ópera que você canta (ou gostaria) de cantar no banheiro ?
Vossa bebida favorita, vossa droga favorita ?
Se você tivesse que mudar alguma coisa em sua aparência física, o que você escolheria ?
Que talento você gostaria de ter ?
O que você detesta acima de qualquer coisa ?
Quais são as faltas que mais lhe inspiram indulgência ?
Como você gostaria de morrer ?
Qual é seu o presente estado de espírito ?
Se você tem, qual é a vossa divisa ?
Se você gostou da idéia, da brincadeira (ou será um jogo a sério ? – envie-me sua resposta ou divirta-se com seus amigos.
Jornalismo, tablóides, vespertinos e uma incerta glória... postado por walter em 22/10/01
OLHA A FOLHA
Walter Galvani
Por estes dias falo especialmente para uma turma de Pós Graduação em Jornalismo da PUC/RS, do Professor Antônio Hohlfeldt, grande mestre e experimentado jornalista rio-grandense, com larga tradição e que tem atuado na formação de dezenas e dezenas de profissionais.
O tema escolhido é a “Folha da Tarde”, último grande vespertino de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e que liderou toda uma tendência para o formato Tablóide, embora sem as conotações de escândalo dos londrinos. A linha seguida é a mesma dos jornais argentinos, como o “Clarín”, de Buenos Aires, na certa o jornal de maior circulação da América do Sul e que é tablóide sim, mas sem nenhum cheiro de sangue, a não ser o registro da recente onda de violência que também afeta a capital argentina.
Mas, sobre a “Folha”, prefiro transcrever as “orelhas” do livro publicado pela Editora Sulina em 1996, que escrevi no fogo da “dead line” da edição, sob as vistas do editor Luís Gomes, e do jornalista Kenny Braga que também participou e com muito brilho, do que chamamos “episódio” da Folha da Tarde:
“Fui o último diretor da Folha da Tarde. Coube-me, portanto, a inglória tarefa de fechar a porta e apagar as luzes. Ficou, no fundo do peito, uma enorme amargura de que não me livrei ainda. Talvez, com este resgate histórico que estou fazendo agora, possa começar a encarar em paz a coleção de jornais, os recortes carinhosamente guardados, ou cruzar pelos colegas nas esquinas da vida sem tentar articular explicações e, quem sabe, desculpas.
Passados mais de dez anos do ato final ainda sinto uma grande mágoa e um sentimento de impotência que se enovela como uma serpente adormecida. Perdemos. É o único verbo que me ocorre para situar o que aconteceu com a “Folha da Tarde”, que mantinha indiscutivelmente um caso de amor com Porto Alegre.
Depois do sucesso esplêndido que ela foi, aconteceram tristes momentos de erro, traição e abandono. A morte estava à espreita no dia 16 de junho de 1984, quando o jornal chegava aos 48 anos de circulação.
Mas, foi tal a sua força, que mercou toda a imprensa que até então se fazia no Rio Grande do Sul, e tudo o que veio posteriormente.
Quando a Folha surgiu, em 36, todos os jornais eram grandes, formato standard. Quando ela saiu de circulação já quase todos eram tablóides, que hoje virou marca registrada do nosso estado. Até o “Correio do Povo”, “pai” da Folha da Tarde seguiu seu caminho: é tablóide desde 87.
Vivemos histórias incríveis, momentos consagradores, e atravessamos muitas dificuldades.
Lutamos com a censura e com a incompreensão. Inveja e competição, afinal inimigos naturais, também se atravessaram em nosso caminho.
Mas, perdemos para nós mesmos. As mudanças erradas, a falta de segurança e persistência em nossos propósitos é que trouxeram mesmo a nossa derrota. Apenas apressada pela crise financeira que a empresa viveu. Retomando hoje esta história, a gente sente que faltou um pouquinho de reação, talvez. Da cidade, dos amigos, dos leitores.
Mas, em caso de amor e traição o jeito é ficar com o que resultou apenas. Será que se poderia mudar alguma coisa ? E adiantaria ?”
Spike Lee, o mais famoso cineasta negro norte-americano (autor de “Malcolm X”, “Faça a coisa certa” e “A hora do show”), julgando-se talvez em ação em algum dos seus filmes, concluiu esta semana uma entrevista a um representante da imprensa brasileira (Marilene Felinto, da Folha de São Paulo), dizendo o seguinte:
Lee – Agora eu queria perguntar uma coisa. É verdade que o Brasil está começando uma ação afirmativa (prática de redução da desigualdades motivadas por gênero, raça e origem...) ?
Folha – Acho que estão tentando algo neste sentido. Espero que façam à brasileira, sem imitar a americana.
Lee – Qual seria a diferença ?
Folha – Nossa realidade étnica é diferente. No Brasil nunca tivemos segregação.
Lee – Mas qual é a diferença ? Não há. O racismo é o mesmo.
Folha - Não é o mesmo. Segregação gera ódio. Aqui (nos Estados Unidos) vocês tem ódio uns dos outros, da cor da pele.
Lee - E não é por ódio que somente 2% dos negros freqüentam universidade no Brasil ?
Folha – Isso é diferença de classe social, herança da escravidão, ignorância. É tudo menos ódio.
Lee – E escravidão não é ódio ? É ignorância ?
Folha – Ódio é eu acenar para um taxi em Nova York e o motorista não parar porque acha que sou negra. Isso não aconteceria comigo no Brasil.
Lee – Você está transformando a discussão em questão semântica.
Folha – Você é que está. Eu apenas não concordo com seu ponto de vista. Além do mais, eu freqüentei a Universidade.
Lee – Pois eu quero te dizer que você teve muita sorte.
---X---
Spike Lee, que diz em outro ponto da sua entrevista que não acredita em união de brancos e negros, demonstra duas coisas:
1 – Não conhece o Brasil.
2 – Não sabe o que é semântica.
Não é de estranhar. Muita gente no mundo não entende como foi possível criar uma democracia racial em nosso país, com integração a partir da mestiçagem incrível que se produziu aqui. Agora, um cineasta americano confundir o que é semântica, para disso se aproveitar e criar a confusão na cabeça dos leitores desavisados, é no mínimo desonestidade.
Mas é fácil de compreender isto. Nossa integração racial é invejada globalmente. E tem mais: aqui temos palestinos, hebreus, muçulmanos, católicos, umbandistas, japoneses, chineses, coreanos, brancos, pretos, amarelos, todos convivendo com alegria. Falta emprego mas sobra solidariedade. Percorram as vilas e verão.
Talvez entre a classe média alta e a classe AAA, isto sim, não exista nada mais do que corporativismo classista. Mas, mesmo assim, dá para pensar duas vezes antes de generalizar. Não sou um idiota otimista, tanto que faço o alerta: em breve vão querer jogar uma bomba em nosso entendimento e a segregação, para qualquer lado que for, é o primeiro passo neste sentido.
As leis de reserva de mercado tem que ser protecionistas sem ser exclusivistas. Descubram como fazê-lo. O efeito contrário desta receita é o ódio. O mesmo ódio preconizado pelo Spike Lee, um dos tantos semeadores da violência e da infantilidade intelectual que por vezes beira a demência que não deveria representar a civilização americana, que também tem Orson Welles, Edgar Allan Poe, William Faulkner, Ernest Hemingway, Arthur Miller e tantos outros grandes criadores.
Desde 1993 estava chocando uma versão de que o historiador Francis Fukuyama estava equivocado com a sua tese de que se produzira “o fim da História” e que o mundo partia para o confronto globalizado no “choque de civilizações”. O ovo da serpente era o artigo de Samuel Huntington, publicado no periódico “Foreign Affairs” do primeiro semestre daquele ano, coincidindo com a primavera do hemisfério norte, e que pregava a evolução do que ele denominava “as sete ou oito principais civilizações” e que desembocaria no inevitável conflito entre... o Ocidente e o Islã.
Preconceitos e idéias generalizadoras, pouco científicas e bastante adequadas à apropriação por radicais políticos ou religiosos, embasavam sua tese que avançou no tratamento com a edição em 1996 do seu livro “O Choque de Civilizações”.
Estava portanto em campo a tese para sustentar e justificar qualquer conflito como o que nos deparamos agora, esquecendo-se toda a longa contribuição do Islã para a civilização, a cultura, o progresso da humanidade. Voltamos ao terror e às trevas pós Idade Média, tardiamente eclodidas na Península Ibérica, quando a partir de 1492, justificando o fortalecimento dos aparelhos estatais de Espanha e Portugal, na esteira da expulsão dos mouros.
Toda a cultura mossárabe que tantos sinais de grandeza deixou naqueles dois países ficou esquecida e procurou-se sepultar-lhe a lembrança com a Inquisição e com a perseguição a negros animistas, muçulmanos mouros e cristãos pacifistas. Nada muito diferente do incêndio que se quer atear hoje que poderá queimar uma vez mais a renascente biblioteca de Alexandria ou demolir o que resta dos tesouros culturais representando diferentes comportamentos, visões e posições políticas ou nacionais.
Como afirma o intelectual palestino Edward Said, o tal “choque de civilizações preconizado é um truque”. Diz ele: “São tempos tensos estes que vivemos, mas é melhor pensarmos em termos de comunidades poderosas e impotentes, da política secular da razão e da ignorância e os princípios universais da justiça e da injustiça, do que nos perdermos na procura de abstrações vastas que podem conferir satisfação temporária, mas pouco autoconhecimento ou análise fundamentada.”
Já no início de 1999, no semanário “Dawn”, do Paquistão, falando para um público muçulmano, o intelectual Eqbal Ahmad alertou para a deturpação do Islã cometida pelos extremistas, “por absolutistas e tiranos fanáticos cuja obsessão em regulamentar o comportamento pessoal promove uma ordem islâmica reduzida a um código penal.” Palavras que fazem pensar e que nos remetem a tantos episódios desastrosos no Oriente. Mas também aqui a Ocidente, onde os descendentes dos “Pilgrims” querem impor “a sua” visão do mundo e seu maniqueísmo zoroastriano, dividindo o mundo em o Bem e o Mal, “os que estão conosco e os que estão contra nós”.
O terrorismo é uma doença a ser erradicada. Mas não o será com o exorcismo. Não existe um demônio, um diabo como o querem alguns setores fundamentalistas cristãos o que se me afigura ignorância pura ou “burrismo”. Este é um neologismo que inventei agora: burrismo é deixar-se guiar como um pobre animal de tração, só capaz de zurrar ou dar coices e obedecer ao dono.
Um mergulho na História sempre é muito elucidativo, mesmo que se fique apenas na listagem de datas. Ajuda a pensar um pouco. Por exemplo: o dia 18 de outubro é assinalado por vários e curiosos fatos, sendo que o primeiro deles ocorreu em, 1685, quando o rei Luís XIV, da França, um legítimo monarca absolutista, revogou o Édito de Nantes, que garantia a liberdade religiosa dos huguenotes, protestantes franceses que reivindicavam sua autonomia e seu pensamento diferente dos demais cristãos gauleses.
É sempre assim. Foram logo depois massacrados na Noite de São Bartolomeu, a 24 de agosto do ano seguinte.
Em 1887, a Rússia, um império pobre e necessitado de dinheiro, vendia o território do Alaska para os Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares...
E em 1989, caía o governo comunista da Hungria, o mesmo que havia liquidado com os desejos de pluralidade política manifestados em 1956, portanto 33 anos antes. O longo inverno magiar durou pois, desde o final da guerra até 89.
Em 1931 morria Thomas Alva Edison, o inventor americano responsável pelo desenvolvimento da lâmpada incandescente que tanto iluminou a civilização mundial. E também o telégrafo que ajudou as comunicações e o fonógrafo, que serviu para o registro e arquivo de vozes famosas que se teriam perdido, como a de Enrico Caruso, por exemplo.
São datas colhidas ao acaso, mas que coincidem neste 18 de outubro curiosamente, fazendo lembrar fatos e feitos.
Principalmente nestes tempos de envelopes com pó branco e torres alvejadas por aviões desviados dos seus objetivos básicos.
E também da Humanidade distraída do seu dia-a-dia, da fome do mundo e da necessidade de estudar, ler e crescer, brincando de guerra e matando seus semelhantes.
Ridículo. E triste.
Lamentável, melhor dito.
QUEREMOS PAZ E PROGRESSO INTELECTUAL postado por walter em 11/10/01
Para não dizer que esquecemos, no calor dos combates, o mal causado à Humanidade pelos Talibans.
CRIME CONTRA A HUMANIDADE
Walter Galvani
Ao longo dos séculos o obscurantismo esteve sempre ligado às grandes religiões e suas lutas pelo poder. O cristianismo, até se impor como religião praticamente única do Ocidente, cometeu as maiores atrocidades contra o homem e contra a civilização. Nem é necessário recordar os crimes da Inquisição da Igreja Católica ou o que foi feito contra os judeus, ou contra os huguenotes, enfim, a História está repleta de exemplos.
O fanatismo religioso, quase sinônimos ao longo dos tempos, é sempre um fantasma que volta a assolar o planeta.
Desta vez é o Taliban, que domina 95 por cento do Afeganistão ou as guerras étnicas (que também são religiosas, haja visto o caso do Timor) na Indonésia.
Em seus crimes contra a civilização o Taliban nem sequer hesita em destruir esculturas do século V, verdadeiras preciosidades que deveriam estar tombadas pelo Patrimônio Mundial e protegidas pela UNESCO, só porque elas representam Buda, adversário religioso cujo culto eles querem liquidar.
Temerosos de algum tipo de retaliação, assistimos mudos e impotentes porque ficamos mudos e paralíticos diante de tal monstruosidade.
As tropas que representam o Taliban estão usando tanques, lança-chamas, mísseis até, para destruir um passado que temem. Desta vez é em nome do Islamismo. Será que Maomé pensava assim ? Alá concorda com isto ? E a ONU, de braços cruzados, assiste.
O mundo globalizou-se mas globalizou-se para tudo. Um atentado destes à cultura, um crime contra a Humanidade, não pode continuar se produzindo enquanto, inermes, ficamos sabendo pelos meios de comunicação e nada fazemos.
Este é um legítimo caso de intervenção da ONU, suspensão de qualquer ajuda econômica do Banco Mundial. Agora, como os talibans são muçulmanos, será que o medo nos impede de agir ? Temor de que os países árabes subam o preço do petróleo ? Mas, será que os árabes apoiam tal atitude destes selvagens ?
Não vamos chegar a alcançar a utopia que sonhamos, é certo, mas pelo menos podemos usar as armas de que dispomos, nós que representamos uma herança cultural duramente acumulada e que já passou por todas as provas e testes, que já enfrentou inclusive até bem pouco tempo procedimentos semelhantes, nós que já vivemos o fanatismo religioso, o fascismo, o nazismo, o comunismo, enfim todas as manifestações de intolerância e racismo, de segregação e preconceito, de militarismo, ditaduras, tudo enfim, temos obrigação de agir em nome da Justiça, da Lei, da Ordem, da Inteligência, da Humanidade enfim.
Nada de ficar calados. Lembram da história ? “Um dia vieram buscar meu vizinho e eu fiquei calado; depois buscaram meu primo e eu nada disse. Depois vieram buscar meu filho e eu nada fiz. Depois, chegou a minha vez...”
Antes que chegue a nossa vez, vamos lutar.
Protestem, gritem, telefonem, passem mails, falem, façam com que todo mundo fique sabendo desses crimes e conheçam a nossa inconformidade.
É o que podemos chamar de civilização, é o que o mundo espera de nós, isto sim pode se chamar de globalização. Da consciência, não apenas do comércio ou da indústria.
(Crônica publicada quando da destruição dos budas pelo regime taliban, no início do ano 2001)
TOLERÂNCIA postado por walter em 10/10/01
AFEGÃOS EM PORTO ALEGRE
Walter Galvani
Não estranhem se os afegãos vierem ao próximo Forum Social de Porto Alegre que acontecerá de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Primeiro será preciso saber se eles sobrevivem como nação independente ao bombardeio anglo-americano (porque será que Tony Blair faz questão de aparecer no primeiro plano ?) e à possível tomada de poder pela Aliança do Norte, em lugar dos talibans, e o que isto significará.
Mas não será de todo improvável a presença deles na capital do Rio Grande do Sul. Tenho certeza de que o prefeito Tarso Genro já pensa nunca. Mas não se assustem. O sentido maior é um só. Porto Alegre não se opõe a Davos e tampouco Davos se opõe a Porto Alegre. Foi preciso que o pensamento claro e equilibrado do presidente da Confederação Helvética e o envio de uma delegação suíça à Porto Alegre para que houvesse um pouco de tranqüilidade na apreciação dos fatos gerados pela conferência promovida aqui. Ambas se completam e é neste diálogo que acreditamos. É bom analisar isto agora, depois dos fatos do início do ano de 2001.
Sob o ponto de vista prático o Fórum Social Mundial é uma iniciativa irrepreensível. Botou Porto Alegre no mapa do mundo e está promovendo durante estes dias, uma reflexão que não é habitual na cabeça das pessoas, mais preocupadas habitualmente com “os laços de família” e os ronaldinhos do que propriamente com o que de fato lhes diz respeito diretamente. Ou seja: preferem a fuga à realidade, a enfrentá-la ou discuti-la. Sai mais barato, no início. A longo prazo, muito mais caro... Mas é o que é. Isto também é subdesenvolvimento. Ou melhor: isto é que gera o subdesenvolvimento.
Não haveria espaço aqui para relacionar tudo o que é importante e que esteve em debate em Porto Alegre e também em Davos. Se são ângulos diferentes, melhor ainda. Detesto unanimidades de pensamento.
Só exercitar o cérebro vale a pena, mesmo que seja ao som de tambores e sob o balançar de bandeiras – o que historicamente tem se mostrado no mínimo perigoso – mas trocar idéias, não importa quem saia ganhando... é tudo o que se exige no século XXI.
Estamos caminhando para uma nova Renascença e contra ela se erguerão, como ocorreu nos séculos XV e XVI, todas as forças da ignorância, da reação conservadora e do despotismo político, do fundamentalismo e da intolerância.
Pensem no tamanho de desafios como “construir um sistema de bens e serviços para todos”, “traduzir o desenvolvimento científico em desenvolvimento humano”, “fortalecer a capacidade de ação das sociedades civis e a construção do espaço público”, e examinar “quais são os fundamentos da democracia e de um novo poder”, com limites naturalmente.
Aliás, Davos responde bem: entre os seus “slogans” está o exame da “construção de uma sociedade para o século XXI limitada por regras e não por poderes.” Só isto já valeria a pena para contrapor a capital dos pampas com a cidade suíça. Não é uma guerra de potências nem tampouco um jogo de futebol., Apenas uma forma de enfiar no queijo suíço das cabeças humanas, um pouco mais de maça cinzenta, aproveitando aqueles buracos característicos que parecem fendas geológicas.
Mesmo a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e de representações de ditaduras revolucionárias como a de Fidel Castro em Cuba ajuda a refletir e abrir espaços de compreensão.
A criação de um entendimento global, o estabelecimento dos espaços nacionais dentro do tabuleiro mundial, a aceitação das questões regionais nos territórios nacionais e dos compartimentos locais nas estruturas regionais não é apenas um jogo de palavras. É um imenso projeto que precisa vencer preconceitos e limitações. Estabelecer regras. Por exemplo: vencer aos nacionalismos e as limitações e estabelecer o controle populacional no mundo todo. O planeta está lotado. Lugar agora, só com reserva antecipada.
A menos que se aumente a sua capacidade habitacional com a descoberta de novas fontes de energia e recursos limitados. Como a água, por exemplo.
TERRORISMO postado por walter em 09/10/01
O MASSACRE DO MIRI
Walter Galvani
Mudam os tempos, mudam os costumes. Mudam os motivos, mudam as conseqüências. E até onde vai a crueldade ? E o chamado terrorismo ? Mas a História é implacável. Foi a 3 de outubro de 1502. Anotem:
“Quando Vasco da Gama trouxe ao rei a notícia de todo o problema relativo ao barco “Miri”, ocorrido na sua viagem de ida, um ano antes, pode-se imaginar a preocupação de Dom Manuel. Bastaria para deixá-lo possesso apenas pensar qual seria a reação do Papa, uma das conseqüências daquela incomodação que lhe enviavam os céus. Correra muito na frente do mais veloz dos barcos que voltavam da nova viagem ao Oriente a notícia das atrocidades cometidas sobre o navio mercante, praticamente indefeso, que transportava peregrinos regressando de Meca. Agora, segundo a notícia de Gama, o Soldão, soberano do Egito, ameaçava converter à força ao islamismo todos os cristãos que fossem encontrados no Oriente e destruir o Santo Sepulcro. Tratava-se de assunto sério por demais, mexia com todos os países cristãos da bacia do Mediterrâneo e dos mares do Norte, tocava num delicado equilíbrio político e condenava os povos da África e da Ásia ao rompimento com o cristianismo.
O “Miri” era um grande barco que tivera a infelicidade de se encontrar na rota dos portugueses, voltando de Meca, para onde levara muçulmanos ricos com suas famílias para a tradicional peregrinação religiosa. Uma nau imensa, poderosa, que resistira ao ataque dos rumi, como chamavam os cristãos, mas afinal tivera de render-se.
Vasco da Gama comandara o assalto final, pessoalmente: o bombardeamento, o incêndio e o afundamento. O sangue dos peregrinos, as suas jóias e o seu ouro, tudo havia sumido nas águas do mar. O dia 3 de outubro de 1502 marcara a viagem de ida do almirante, como uma impiedosa e sangrenta jornada, jamais esquecida. Tomé Lopes, o escrivão que ia a bordo da nau de Estêvão da Gama, adiantou em Lisboa o relato do episódio, sobre o qual escreveria mais tarde:
“As mulheres tentavam desesperadamente demover os portugueses. Colocavam-se na amurada da embarcação, exibindo grandes ornamentos em ouro, prata e pedras preciosas. Gritavam em alta voz e chamavam o almirante, agitando a cabeça e mostrando que lhe entregariam tudo, se ele quisesse salvar-lhes a vida. Algumas pegavam seus filhos de pouca idade e erguiam-nos nos braços e todos nós compreendíamos que elas nos pediam para termos piedade daqueles inocentes.”
Os que morreram poderiam agradecer por isso, porque assim escaparam à tortura de terem arrancados seus narizes e orelhas e se transformarem em destroços humanos, a maioria deles comida por peixes, pois ao mar eram atirados como carga inútil. Os poucos que foram poupados logo foram batizados como cristãos. Garantia-se que não eram mais do que 16 crianças.”
Do meu livro “Nau Capitânia”, 5ª edição pela Record, páginas 241 e 242.
Não estamos falando sobre as Cruzadas sequer, mas sim sobre a segunda viagem às Índias, do glorioso almirante português, Vasco da Gama. Quando apresentei meu livro em Lisboa no ano passado, um repórter disposto perguntou-me: “Quer dizer que o senhor acusa Portugal de haver promovido um massacre de muçulmanos em 1502 ?”
Resposta: Sim.
Em tempo: o texto foi mantido intacto na edição portuguesa feita pela Editora Gradiva. Graças à Deus, Jeová e Alá, naturalmente.
postado por walter em 08/10/01 MANHATTAN, UMA OUTRA TRAGÉDIA
Walter Galvani
Uma leitora da revista “Visão” de Lisboa, residente no interior de Portugal, assim se dirigiu ao veículo, que não teve pejo de publicar a carta na edição de 27 de setembro:
“Este acontecimento mais uma vez mostrou como é má a informação que recebemos e que mais se pode designar de desinformação. É incompleta, tendenciosa e repetitiva. Incompleta, porque apenas foca determinados assuntos ou aspectos da questão, deixando certos espaços deliberadamente em branco. Tendenciosa, porque vem filtrada por preconceitos cristãos e que agradam à idéia NATO e à idéia União Européia (UE). Repetitiva, porque em todos os noticiários da televisão e da rádio e em todos os jornais (em vários países da UE), repete estupidamente a mesma notícia da mesma maneira, por vezes durante 15 dias. Neste caso interessava-me saber qual é o perfil psicológico dum terrorista assassino. O fanatismo muçulmano não explica tudo. Será que há pressões sociais ? Será que há uma espécie de mafia que obriga esses homens a atuar assim ? Será que a miséria é tanta que uma vida humana não tem valor ? E mesmo se for o fanatismo, quais são exatamente os ideais que levam a tais atos ? Será que todos os familiares se orgulham daquele suicídio ? Como pensam os intelectuais desses países sobre os ataques suicidas ? Outra questão que os media cuidadosamente evitaram: como funcionou a segurança das duas torres ? Foi por escadas, elevadores, corredores que se evacuaram as pessoas ? As saídas previstas foram suficientes, funcionaram bem ? Havia erros de construção ? E a estabilidade dos edifícios, preencheu as expectativas ou era deficiente ? Será que todos os prédios altos caem com o embate de uma aeronave ?” Anabela Cudell – Montemor-o-Velho.
Acrescentaríamos às pertinentes observações desta leitora atenta e telespectadora crítica de meios de comunicação realmente insuficientes que depois da tragédia verificou-se ainda uma nova tragédia que se aprofunda todos os dias. As pessoas não encontram respostas para suas indagações porque há interesses maiores que se conjugam para não proporcionar estas necessárias explicações. Ninguém conta, por exemplo, que um bombardeio B-25, armado, carregado e tripulado, embateu contra o “Empire State Bulding” em 28 de julho de 1945, que era então o maior edifício dos Estados Unidos (agora é de novo o mais alto de Nova York...) entre os andares 78 e 79 e nada aconteceu, a não ser os danos imagináveis e um incêndio logo controlado, com o deficit de 14 vidas humanas. Ninguém explica também como foi feito o acesso a estes aviões agora usados como bombas e que o controle de segurança dos aeroportos americanos era feito pelas próprias companhias aéreas... E nós aqui não conseguimos entrar numa agência bancária portando um aparelho celular... Sem falar nas demais indagações perfiladas: onde o fanatismo religioso e ou político ainda é capaz dos estragos que vemos todos os dias, tanto no Oriente Médio quando na Irlanda ou nos Países Bascos, sem falar nos perigosos intervalos de aulas nos Estados Unidos, onde surgem terroristas legitimamente norte-americanos dispostos a liqüidar crianças à base de metralhadora.
Há carros-bombas por toda a parte, mas o mais perigoso carro-bomba é o que carrega o inconformismo humano com a desigualdade social, a pobreza irresgatável e a brecha entre o conhecimento e uma possível ascensão social; a inutilidade dos esforços vãos diante dos anúncios de prosperidade e dos bens de consumo inatingíveis, mostrados diariamente mesmo nos mais humildes barracos naturalmente equipados por um aparelho de TV. A ignorância faz o resto. A insegurança das ruas, as drogas e as armas em mãos de psicopatas completam o panorama da guerra diária que vivemos.
Não sinto nenhuma alegria neste dia seguinte ao 7 de outubro em que os mísseis começaram a falar sua linguagem. Não há mais tempo para negociações, ou melhor, talvez daqui a pouco sentem-se à mesa, sob o troar dos canhões, como bem recomendou no Século XIX, Napoleão Bonaparte. Será a hora da diplomacia. Com as primeiras perdas e com a avaliação do estragos, conversarão sobre a continuidade ou a interrupção das chamadas “hostilidades”.
Será também a hora de contabilizar os primeiros mortos, os estragos causados no território afegão e, neste caso, comparar intimamente com a destruição das duas torres de Nova York. Valeu a pena ?
A Cruz e o Crescente estarão em confronto ? Todos os líderes religiosos fazem questão de rejeitar esta hipótese. Não é uma guerra religiosa, mas é um confronto de civilizações, e tanto o atentado de 11 de setembro quanto a resposta de 7 de outubro, demonstram o quanto é difícil para o Homem conviver com as diferenças.
Negros, brancos, amarelos, vermelhos, tostados pelo sol do deserto ou pálidos pela vida em ambientes fechados das altas latitudes do Hemisfério Norte, sábios ou ignorantes, cientistas ou rudes trabalhadores de minas insalubres, embora todos tenham cabeça, tronco e membros, usem uma linguagem para comunicar-se e assistam os mesmos horrendos programas de televisão, filmes ridículos de “cinema-catástrofe” ou leiam os mesmos panfletos, cada qual incentivando à morte gloriosa pela Pátria, sob o som de hinos diferentes, mas que produzem a mesma fixação, o mesmo arrojo.
Para quê ?
Alguns milhões serão gastos no confronto desigual e daqui a pouco as diferenças terão sido aprofundadas. Lamentaremos mais alguns milhares de mortos (ou milhões...) e por certo rezaremos hipocritamente a Deus.
Aliás, não é de hoje que as religiões rezam um “Te Deum” de agradecimento por uma vitória dos seus exércitos, com a destruição dos inimigos e naturalmente dos alvos civis, da população do adversário e de sua economia (o que significa empobrecimento, morte, miséria). Não poucos ditadores e usurpadores foram coroados no interior de igrejas, mesquitas ou o que mais. Comecemos pelo próprio Napoleão, século XIX, nem tão distante na história.
Será que o Deus dos cristãos, o Alá dos árabes ou o Jeová dos judeus, se é que existem além das suas mentes, é injusto e capaz de abençoar a guerra, a morte, o terror ?
Prefiro pensar que, certos ou errados, são todos meus irmãos e que é preciso que se estendam pontes e não se destruam torres.
Adeus, Salam Aleikun, Shalon!
Concordam ? Discordam ? Que a paz esteja em nossos corações. Mas com a aceitação plena das diferenças, das divergências, das incertezas, da insegurança, dos desvios de comportamento ou dos erros de conduta. Esteja onde esteja.
Em tempo: Porto Alegre não é uma cidade de caipiras. Ah, ser caipira não é ofensa...
Ofensa é pensar que todos devem afinar pelo pensamento único. O seu.
Mas, leiam isto:
Hazem Saghyeh, intelectual árabe, publica no jornal “Al-Hayat” em Londres:
“O intelectual deveria ser o que contradiz sua nação, seu exército, sua igreja, as instituições nacionais”.
E Edward W. Said:
“O debate crucial é o que tem lugar dentro do mundo árabe. Ali está a batalha, não em Nova York.”
E acrescenta:
“Devemos discutir a intolerância, estabelecer o diálogo das culturas, a luta civil, a liberdade de expressão e a censura, a verdade e a reconciliação (...) e em especial o papel simbólico do escritor como um intelectual que dá o seu testemunho da experiência de um país ou de uma região, conferindo com isto a esta experiência uma identidade pública inscrita para sempre na agenda de debates global.”
walter@cpovo.net
Porto Alegre, 8 de outubro de 2001
O RÁDIO NO ESPAÇO WWW postado por walter em 05/10/01
Walter Galvani
Divido religiosamente meu dia entre a atividade literária e a jornalística. Metade por metade, fico em casa até o início da tarde e a partir das 15h30min estou “no ar” por 50 minutos na Rádio Guaíba AM, 720 kHz, falando de cultura e lazer.
Mas durante 24 horas a Rádio Guaíba, que em 1961 celebrizou-se internacionalmente ao liderar a chamada “cadeia da Legalidade” que ajudou a garantir a posse do vice-presidente João Goulart desafiando um golpe militar em andamento, acompanha o que se passa em sua cidade sede, Porto Alegre, no Brasil e no mundo.
A página da Rádio Guaíba pode ser acessada a qualquer momento, portanto você pode ouvi-la via Internet, no endereço www.radioguaiba.com.br ou www.guaiba.com.br
São duas direções, para facilitar a sintonia.
O programa que apresento, “Guaíba Revista”, de segunda à sexta-feira, das 15h30 às 16h30, vai ao ar ao vivo.
A Rádio Guaíba transmite sínteses noticiosas e a qualquer momento a notícia urgente irrompe em sua programação, mantendo o ouvinte sempre atualizado com o que ocorre.
Além disso mantém uma longa tradição de transmissões esportivas que a transformam numa emissora de referência também nesta área, naturalmente com a ênfase no futebol, uma paixão dos brasileiros. E de todo o mundo...
Infelizmente o pior aconteceu, instalando-se a paranóia mundial. Se você fizer uma enquete entre os seus amigos ou uma pesquisa científica através de uma agência especializada, obterá o mesmo e lamentável resultado: as pessoas estão com medo de viajar de avião. E mais: as pessoas estão com medo de viajar. Ainda pior: muitos estão com medo de sair de casa. E o que é pior, há os que estão com medo de ficar em casa.
Se alguém me perguntasse qual será a profissão mais lucrativa do século XXI, responderia imediatamente que a de psiquiatra. Haverá falta de analistas, mas também de terapeutas, de psicólogos e de enfermeiros, enfim de tudo o que se referir à saúde mental.
Mesmo que o terror tenha uma resposta, isto não elimina outros terrores e outros terroristas, outros medos profundos e simples temores.
A população mundial – e desta vez o mal foi globalizado inexoravelmente – está apavorada. Ninguém aponta uma saída e a pergunta é: que saída seria esta ?
A humanidade adoeceu.
Também, o que se poderia desejar ? De materialismo em materialismo, de excesso em excesso, de transbordamentos e transgressões, de exageros e hipocrisias, crimes e despautérios, de aventuras psíquicas desorientadas e fanatismos religiosos, políticos, de experimentações e clones, o homem foi pretendendo transformar-se em árbitro e deus.
Todos demos com os burros nágua.
Quem sabe mergulharemos numa negra “idade média” que não tem nada a ver com a Idade Média tão injustamente vilipendiada e criticada ?
Respostas para walter@cpovo.net
Nau em Florianópolis postado por walter em 02/10/01
“NAU CAPITÂNIA”, AUTÓGRAFOS
DE GALVANI EM FLORIANÓPOLIS
Dois anos depois do lançamento, o livro “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, em quinta edição pela Record (Rio de Janeiro) levou o escritor Walter Galvani á Florianópolis, para uma sessão de autógrafos na 2ª Bienal do Livro do Conesul e 16ª Feira do Livro.
Na seção “Estante”, no caderno “Variedades” do jornal “Diário Catarinense”, o escritor e jornalista Mário Pereira registrou o acontecimento, assinalando que se trata “de uma obra de fôlego, amparada em pesquisa durante a qual o autor mergulhou nas melhores fontes, que amplia e aclara a história e o papel de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, aqui enfocado não apenas como um navegador do ciclo dos Descobrimentos, mas também um verdadeiro e completo homem da Renascença.”
Mais adiante opina Mário Pereira:
“Ressalte-se não ser este o trabalho de “um curioso” ou de um simples compilador (como tantos há que foram produzidos no embalo das comemorações do quinto centenário do Descobrimento), mas de um estudioso que a ele se lançou por inteiro e percorreu meio mundo para documentar sua obra.”
E conclui:
“Galvani não só redimensiona a figura histórica de Cabral como também atualiza os conhecimentos sobre a cultura renascentista portuguesa, da qual o descobridor foi um dos mais brilhantes expoentes.”
ISTO É APENAS UM TESTE postado por walter em 12/04/02
ISTO É APENAS UM TESTE
Quem escolherá os réus para o julgamento e quem os julgará ? postado por walter em 11/04/02
TRIBUNAL INTERNACIONAL
Walter Galvani
Hoje em Roma, nasce uma esperança. Será oficializada pela ONU, a criação de uma Corte Penal Internacional que funcionará em Haia, na Holanda, aliás um endereço tradicional da justiça, lembremos que nosso herói brasileiro Ruy Barbosa era chamado “A águia de Haia” – e isso nos inspira bons pensamentos e os melhores propósitos no dia de hoje. Se bem que é verdade que deles o inferno está atulhado. Não deixa de ser entusiasmante, em especial para os inveterados otimistas, que surja uma corte capaz de punir criminosos internacionais.
A nova corte se propõe a julgar qualquer pessoa, independente do cargo, posição ou nacionalidade, caso os tribunais nacionais não queiram ou não possam fazê-lo ou não tenham condições para abrir processos com autonomia.
Quer dizer: estamos arrumando também uma fantástica fonte de incomodações e esta é para quem quer e não para quem pode...
Qualquer ditador, primeiro ministro, presidente ou general pode ser levado a este tribunal. O problema será deitar a mão nele. Mas se todos os países membros da ONU assinarem um tratado de extradição, o caminho começará a ser pavimentado.
Mas a corte não será um órgão da ONU e terá de prestar conta de seus atos unicamente aos países que ratificarem seu estatuto e à opinião pública internacional, é óbvio. A primeira oposição é dos Estados Unidos da América que temem julgamento para seus militares por causa das inúmeras ações que se tem empenhado no exterior.
Todos os governos de força conhecidos no Planeta, tenham ou não resultado de revoluções ou golpes de estado, que na operação de repressão aos opositores tenham se excedido, estarão sob a mira deste tribunal que, aparentemente será mais político do que efetivo.
O estatuto começa a vigorar a partir do dia 1º de julho e em setembro será celebrada a primeira assembléia dos que aderiram à iniciativa.
A Corte Internacional de Justiça poderá sentenciar pessoas, independente do cargo, posição ou nacionalidade, à penas até 30 anos de prisão ou, em casos mais graves, prisão perpétua.
Não me atrevo a elaborar a lista, mas se Ariel Sharon não se acalmar imediatamente acho que poderá inaugurar o incômodo banco dos réus... Mas tem mais gente boa na fila. Duvido que os judeus democratas que existem pelo mundo afora continuem apoiando o genocídio que está em curso na Palestina. Só no Bonfim (bairro de Porto Alegre, cidade-sede do Forum Social Mundial) tenho uma lista de milhares que, estou certo disso, não apoiam o ódio e a retaliação.
Se servir para a paz que venha o tribunal. E os demais que se cuidem, porque vai ter fila para sentar no tal banquinho...
É hora de chorar... postado por walter em 10/04/02
A Vitória do Computador
Walter Galvani
Este 10 de abril tem um significado todo especial na história da inteligência humana. Pelo menos na da i