Terça, 07 de Setembro de 2010

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rabalhadores brasileiros e a sua mensagem de perseverança e dedicação ao trabalho que sempre arrancou o espanto e a admiração dos companheiros. E o respeito dos adversários.
Sempre viajando, fazendo contatos, dialogando, como seus adversários políticos souberam reconhecer.
Encontrei-o mais recentemente em Gramado, Caxias e Passo Fundo, só para demonstrar de leve, sua movimentação. E a Morte, travestida de dama mascarada pelo Carnaval, achou-o “carregando pedras” enquanto descansava da sua lida política, num rincão perdido do Rio Grande, neste meio caminho entre a integração cultural e a desintegração econômica do Mercosul, numa localidade que tem na terminação castelhana diminutiva “ita”, Capivarita, uma demonstração prática deste encontro natural dos povos platinos e do sucesso da imigração: Marchezan era oriundo de uma família italiana, das tantas que buscaram o sul da América (Brasil, Uruguai e Argentina) em busca da oportunidade que já não tinham mais nos campos da então anquilosada Europa.
Um exemplo de fibra. Saiu do nada, chegou a tudo. “Fez a América” como se diz no Velho Mundo.
Só que ainda faria muito mais. Por si mesmo e por todos nós. Fica nos devendo essa, Marchezan!



"La nave capitana" começa a navegar hoje às 17h30min na 11a. Feira do Livro de Havana, Cuba. Eis o que publica hoje o portal "La Ventana", a "janela" de divulgação da Casa de Las Américas postado por walter em 11/02/02

Literatura brasileña
La nave capitana, de Walter Galvani

A medio camino entre la novela histórica y la biografía, La nave capitana devuelve a la vida a uno de los hombres más importantes y, paradójicamente, más olvidados de la época de los Descubrimientos: Pedro Álvares Cabral, el primer europeo que pisó las tierras del Brasil. Su autor, Walter Galvani, tiene el mérito indiscutible no sólo de reconstruir para los lectores del siglo XXI, quién fue, lo que representaba, buscaba y pensaba el protagonista de esta historia, sino también el contexto donde se formó y actuó, el significado de Portugal en Europa y el mundo del Renacimiento, así como los sinsabores de una nación que se propuso ser grande. Éste es el resultado de un viaje en sentido contrario a como se realizara cinco siglos atrás, que incluyó cuatro años de minuciosa investigación, la indagación en las fuentes históricas primarias, el contacto directo con el país de origen y, lo que es más interesante, desde la perspectiva de un brasileño asombrado por la anulación del personaje primigenio del Brasil.

Walter Galvani (Río Grande del Sur, Brasil, 1934). Periodista autodidacta, trabaja desde 1960 en los medios de comunicaicón de Porto Alegre, donde realiza diariamente un programa cultural en Radio Guaíba. Es colaborador de importantes periódicos brasileños. Cuenta en su haber: Brasil por linhas tortas, 1970; Informação... morte, 1972; Andanças e contradanças, 1874; A noite do quebra-quebra, 1993; Un século de poder. Os bastidores da Caldas Júnior, 1994; Olha a folha; amor, traição e morte de um jornal, 1996 y Nau Capitania, 1999, con el que obtuviera también el Premio Clío de la Academia Paulistana de Historia, en el año 2000, entre otros premios coleccionados a lo largo de sus cuarenta y siete años de carrera.

'NAU CAPITÂNIA - PEDRO ÁLVARES CABRAL, COMO E COM QUEM COMEÇAMOS", EDITADO NO BRASIL PELA RECORD (RIO DE JANEIRO) JÁ EM 5a. EDIÇÃO, CONQUISTOU O PRÊMIO CASA DE LAS AMÉRICAS 2001

Brecht e Pasternak, dois gigantes da Literatura, igualmente utilizados, por um lado e outro durante a Guerra Fria. Aniversariantes de hoje, contemporâneos, Pasternak nascido em 1890 e Brecht em 1898, são cadáveres insepultos da guerra ideológica que prossegue fazendo vítimas postado por walter em 10/02/02

OS MORTOS DA GUERRA FRIA

Walter Galvani

Hoje seria o aniversário de Boris Pasternak (1890-1960), criador do “Doutor Jivago” e Prêmio Nobel de Literatura de 1958, um dos gigantes tombados durante a Guerra Fria que nos anos cinqüenta e sessenta, depois da “guerra quente” dos Estados Unidos com a Coréia (que acabou com a divisão daquele país em duas partes, Norte e Sul) e cuja qualidade literária ainda está para ser estabelecida em definitivo.
A confusão foi tanta, por motivos políticos, que o pobre Pasternak serviu de carne para canhão durante aqueles anos de chumbo (que ressuscitam agora), poeta de “Minha irmã, a vida” e “O segundo nascimento” e sobretudo de “Jivago”, o romance publicado no mesmo ano em que ganhou o Nobel, segue se revolvendo na tumba em Peredelkino.
Mas, hoje seria também o aniversário de outra vítima da guerra ideológica: o poeta, dramaturgo e pensador alemão Bertolt Brecht, que optou permanecer no lado oriental de Berlim durante o pós guerra, com o seu famoso conjunto de teatro “Berliner Ensenble”.
Autor de “A alma boa de Tse Tuan”, “O círculo de giz caucasiano”, “A exceção e a regra”, “O processo de Lúculus”, e sobretudo “Os fuzis da Sra. Carrar”, “Galileo Galilei”, “A incrível ascensão do Sr. Artur Ui”, “O senhor Puntilla e seu criador Matti” e “Terror e Miséria do III Reich” foi fulminado por um ataque cardíaco na noite do dia 14 de agosto de 1956, ainda em plena Guerra Fria, quando os cadáveres dos intelectuais ainda recebiam pedras pelas suas posições ideológicas. Como se faz ainda hoje, em todos os lados.
Brecht, o criador da teoria do “distanciamento crítico” no teatro, nasceu em Berlim num dia 10 de janeiro em 1898, ainda no século XIX. Mas foi um legítimo homem, claro, do século XX. Viveu duas guerras, na primeira foi enfermeiro na frente de batalha até à derrota alemã de 1918, depois viveria o nazismo, o comunismo.
Sua obra permanece e ainda permanecerá por muitos anos.
Ruggero Jacobbi, a propósito de sua morte, escreveu em 56:
“Como autor, Brecht inflige o primeiro e mais rude golpe à noção idealista da autonomia da arte: o adjetivo “épico” está ali para desmoralizar uma estética toda baseada em valores líricos. Como mestre da arte dramática, Brecht derrota para sempre os tabus da psicologia, o delírio dos atores possuídos misticamente pelos personagens. Com ele, o teatro, realmente, recomeça a existir, pois – contra os mitos e fábulas de uma literatura desvairada – admite e provoca o escândalo da Razão”.
Para palavras magistrais como essas, nada a acrescentar.
Só que estes dois cadáveres intelectuais insepultos, os aniversariantes do dia, aí estão para atestar, mais uma vez a burrice dos homens (com meus sinceros pedidos de desculpa ao Burro, nobre animal...) que continuam vivos, porém mortos, a vagar sobre a Terra com suas ideologias desvairadas e seus extremismos, que só podiam ser radicais, é redundância claro.
Até que a morte nos separe...



"La nave capitana - Pedro Álvarez Cabral, como y con quién comenzamos", ou seja a tradução para o castelhano do meu livro "Nau Capitânia", estará sendo apresentada Segunda, dia 11, às 17h30min na 11a. Feira do Livro de la Habana, Cuba postado por walter em 09/02/02

Noticias: La Casa en la Feria
Enviado por editor el Friday, February 08 @ 09:24:18 CST
Contribución de editor

La Casa de las Américas tendrá una activa participación en la Feria del Libro de la Habana, que se desarrolla desde el 7 al 17 de este mes de febrero. Varias colecciones editoriales de la institución de F y 3ra., incluyendo el último número de su revista Casa de las Américas, serán presentados en el recinto ferial de La Cabaña.



1) Sábado 9 de febrero a las 1:00 p.m. en la sala José A. Portuondo:
Libros de la colección La Honda: Manuela, de Luis Zúñiga; Como en la guerra, de Luisa Valenzuela; y La tierra del fuego, de Silvia Iparraguirre.

2) Lunes 11 de febrero a la 5:30 p.m. en la sala José A. Portuondo):
Premios Casa 2001: Te ve, mi amor, TV, de Dante Medina (cuento); El escorpión y la comadreja, de Walter Acosta (teatro); Siempre es posible verlos al pasar, de Leonardo Peña Calderón (novela); La nave capitana. Pedro Ávares Cabral: cómo y con quién comenzamos, de Walter Galvani (Literatura Brasileña/Ensayo histórico-social); y Los Estados Unidos y la América Latina. La construcción de la hegemonía, de Luis Fernando Ayerbe (Ensayo histórico-social).






Qualquer chuva deixa preocupados os habitantes das grandes cidades brasileiras. Não só São Paulo, mas Porto Alegre também. E o Carnaval, que começa hoje e dura quatro dias, traz o reinado de Momo e a paralisação de negócios e trabalho. O ano começa no Brasil somente no dia 13 postado por walter em 08/02/02

O CAOS E O CARNAVAL

Walter Galvani



Chegaram as chuvas de verão no sul do Brasil e isto significa a instalação do caos nas grandes cidades, em especial em Porto Alegre que há pouco teve o seu nome propagado pelo mundo com a realização do Fórum Social.
A previsão é de tempo bom, chuvas isoladas, mas justamente estas é que preocupam. São autênticas e antigas chuvaradas de verão, só que nos tempos modernos com algumas de suas características alteradas por causa da devastação das florestas e desertificação do solo em várias regiões do Rio Grande do Sul, a província (estado digamos) mais meridional do Brasil.
Ontem, uma precipitação por volta das cinco horas da tarde, paralisou a capital gaúcha, interrompendo os serviços de transporte coletivos e todo o trânsito, com milhares de automóveis bloqueados. As pessoas não puderam chegar a seus compromissos e muitas desistiram no meio do caminho e mudaram seus rumos para o objetivo mais próximo ou simplesmente permaneceram, ilhadas, escutando notícias ou músicas no interior dos seus veículos.
Como sempre, a culpa foi atribuída ao excesso de chuvas e ao fato da população não colaborar com a limpeza das ruas, jogando habitualmente detritos nos esgotos pluviais.
Tudo somado, o caos instalou-se em Porto Alegre e só depois das nove da noite é que o trânsito começou a normalizar-se.
Não se espera, de nenhuma administração, uma mudança radical que corrija ao mesmo tempo deficiências seculares e costumes consuetudinários, mas será preciso intensificar a fiscalização e não só nesta, mas em todas as grandes cidades brasileiras.
Tudo isto é um desafio só, ainda mais que está chegando o Carnaval, a grande festa anual em que tradicionalmente entrega-se ao Rei Momo, numa cerimônia simbólica por certo, as chaves das cidades.
Uma boa chuvarada durante as festas que duram automaticamente com maior ou menor brilho, seja Salvador ou Rio de Janeiro, São Paulo ou Porto Alegre, até pelo menos a Quarta-feira de Cinzas, dia 13, ou em casos mais especiais até o outro domingo, dia 17, poderá trazer o caos mais uma vez.
De caos em caos, chega-se ao dia 18 de fevereiro, uma segunda-feira, quando se pode dizer que começa oficialmente o ano 2002 no Brasil... Até aqui, a maioria das decisões foram empurradas com a barriga e ninguém quis ouvir falar em reuniões ou medidas para o ano.
Então, passou-se a tratar de férias, veraneio, descanso sazonal no litoral (no caso do Rio Grande do Sul) e muita conversa e preparação para o mês de março.
Depois do Carnaval é que começa também o ano letivo e os partidos políticos, como é o caso do PT (Partido dos Trabalhadores) gaúcho, realização de uma prévia, marcada para o dia 17 de março, quando o atual prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, cuja administração comemora um feito com o Fórum Social Mundial em sua segunda edição e o governador do estado, Olívio Dutra, disputam uma prévia que pode danificar seriamente as relações internas e a imagem externa.
Então é isto aí, será o começo do novo ano.
No exterior as pessoas podem até achar graça, mas estes são os costumes locais e ninguém fará nada enquanto o Rei Momo, a figura que comanda o Carnaval local, um carnavalesco em geral pesando mais de 100 quilos (é o caso do porto-alegrense, Jorge) com uma coroa e um bastão, ocupa o “trono” durante os tais quatro (antigamente eram três) dias de folia.
Neste período vale tudo: a igualitarização completa irmana autoridades e povão, operários e empresários, na medida do possível. Claro que, fora das ruas, nos salões dos clubes, permanece a divisão social e a desigualdade imensa que caracteriza o Brasil.
Máscaras e fantasias não escondem a realidade. A maioria do povo brasileiro contudo, silenciosa e triste, recolhida a seus lares, assistirá pela televisão as festas carnavalescas do Rio, São Paulo e Salvador da Bahia.
Aparelhos de TV há em 97 % das casas. No mínimo cinqüenta por cento destes aparelhos em algum momento sintonizarão o carnaval. E então, os desfiles do Sambódromo do Rio de Janeiro por exemplo, ocuparão o centro da cena, brilhando mais que os “Big Brother” da vida, o show de violência diária que ocupa os jornais de televisão, com a banalização conseqüente e claro, dos políticos. A corrida presidencial, interrompida, só será retomada depois de Momo.
Até outubro quando será eleito o novo “rei” e os governadores estaduais, mais a renovação de senado, câmara federal e assembléias estaduais. Uma eleição e tanto para mostrar, na prática, para onde vai o povo brasileiro. Ou para onde está sendo levado, pelas influências que recebe, da “mídia”, dos políticos, das instituições como as igrejas, e das crescentes atividades comunitárias e de organizações não governamentais.




Esta página foi acessada hoje por internautas dos Estados Unidos e da Áustria. Desde que ela passou a ser atualizada diariamente, isto tem ocorrido com freqüência. Em nossos registros, aparecem visitantes de Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Cuba, Holanda, Canadá, Inglaterra e até da Arábia Saudita. Pediríamos que se identificassem, na medida do possível, para que pudéssemos alastrar cada vez mais esta rede de integração planetária. postado por walter em 07/02/02



Cuba e Brasil, cubanos e brasileiros, diferenças e semelhanças, sonhos e aspirações. Farei uma digressão sobre a ilha de Fidel, depois de um rápido mergulho. Começo falando sobre postado por walter em 05/02/02

UM GRANDE CARIBE

Walter Galvani

Cuba si, Cuba no, Cuba Libre, La Bodeguita, El viejo y el mar, Ernest Hemingway, Fidel Castro, Che Guevara, La Habana, tantos e tão raros e caros nomes se entrecruzam, quando se pensa na grande pequena ilha, na maior das Antilhas e se imagina os 43 anos de guerra e revolução, de resistência e devoção, de bloqueio econômico, de amizade e procura de irmãos perdidos pelas Américas, de separação e de radicalismos.
Este é o primeiro dos artigos que aparecerá em meu site de Internet, aqui no www.waltergalvani.com.br e se quiserem dialogar comigo, o mail é walter@cpovo.net.
Quero dar-vos conta do que foi minha breve “estancia” em Cuba, de uma semana apenas, para receber o prêmio de Literatura Brasileira para meu livro “Nau Capitânia”, denominado em sua edição castelhana (a melhor das premiações) como “La nave capitana”. Pois já navega em Cuba, desde o dia 30 de janeiro às 17 horas, quando teve sua apresentação apadrinhada pelo embaixador Raul Roa Kourí, que já representou seu país aqui no Brasil.
Foram seis dias de agradável convívio com os irmãos cubanos e com argentinos, uruguaios, paraguaios, peruanos, espanhois, portorriquenhos, bolivianos, colombianos, venezuelanos, espero não ter esquecido ninguém. Foram seis dias de valiosa troca de experiências, de informações, de certezas e incertezas.
E acima de tudo pairava (para mim) a idéia de que a nossa (brasileira) proximidade com os cubanos é maior do que se possa imaginar e que o sonho de “um só e grande Caribe” é uma realidade que se pode concretizar. Basta que cada uma faça uma forcinha. Dê a sua parte.
Lembro-me bem como foi que começou minha aproximação com Cuba. Foi nos anos 40, ainda. Tinha eu quatorze ou quinze anos e aproveitando uma seção da revista argentina “Hobby”, retirei o endereço de um Hernandez, entre os que “Solicitan canje filatelico”.
A troca de cartas iniciou, mandei-lhe selos brasileiros, vieram-me selos cubanos, enormes e lindos, por sinal. Isto era nos anos quarenta, disse eu, ou seja bem antes da fuga de Fulgencio Batista no “reveillon” de 1959 e da chegada de Fidel Castro à La Habana no dia 7 de janeiro.
Em março de 59, já bem mais crescidinho do que nos distantes e saudosos anos ginasiais de quarenta, fui à Argentina, a trabalho, como jornalista esportivo. No estádio de Nuñez, do River Plate, diante de 100 mil pessoas, ouvi quando o grito “Argentina! Argentina!” foi cambiado para “Cuba! Cuba! Cuba!” Eram os barbudos de Fidel Castro que lá estavam, com seus uniformes verdes e foram então aplaudidos por todos.
Os anos passaram, os países que cerram fileiras com os Estados Unidos expulsaram Cuba da OEA (1961). Todos, e uma abstenção (México).
Agora, 41 anos após, todos restabeleceram as relações diplomáticas com o regime de Fidel Castro, hoje um homem de 75 anos que ainda fala 7 horas de pé, sem sentar-se, apenas tomando um pouquinho d’água, e que ainda não aposentou o uniforme e o exercício do poder. O último a fazê-lo foi Honduras, nesta semana que passou, quando lá estive em La Habana. Faltam dois apenas: El Salvador, onde vive a mais ferrenha oposição aos cubanos e Estados Unidos, que no entanto mantém um escritório de negócios na capital de Cuba.
Estamos todos empenhados em construir uma irmandade continental, um grande Caribe, onde todos sejam iguais perante a lei e não haja diferenças abissais como infelizmente há no Brasil. Onde um trabalhador ganhe um pouco mais e tenha saúde e educação garantidas. E onde não haja diferenças de 700 vezes entre o salário do pobre (que porventura tenha emprego!) e o senador, o empresário ou o capitalista que nada mais faz do que acompanhar o capital acumulado crescer.
Sueños de una noche de verano!
Mas, é preciso construir o futuro e é nele que temos de pensar, afinal um outro mundo é possível, sim. Deixando lugar, aprendamos a lição, para as diferenças, as divergências, as opiniões individuais, a pluralidade dos partidos.
Difícil ? Mas é que um outro mundo é possível.
Cuba também sabe disso.
E os Estados Unidos também.
E no Brasil ? Saberemos ?


Olá leitores, internautas, amigos que tem me acompanhado. Estou esta semana em Cuba, para receber o diploma de vencedor do Prêmio Casa de Las Américas com a biografia romanceada de Pedro Álvares Cabral, "Nau Capitânia" e assistir ao seu lançamento em tradução para o espanhol, com o título provável de "Nave Capitana" postado por walter em 27/01/02



postado por em 25/01/02



Durante os próximos dias, Porto Alegre será sede do Forum Social Mundial, aquele mesmo que se opôs a Davos no ano passado e tanta repercussão teve. Com isto a capital do Rio Grande do Sul hospedará grandes nomes internacionais da área da sociologia, filosofia, política, literatura e meio ambiente. Nossa maior preocupação é a segurança. Sob todos os pontos de vista. Esperamos que Porto Alegre consiga se projetar também pelas garantias que dá a cidadãos de todas as nacionalidades e dos mais diferentes matizes políticos e ideológicos. postado por walter em 25/01/02



Um dos maiores imperadores romanos, Adriano, nasceu nesta data. A escritora Marguerite Yourcenar nos legou o patrimônio do seu extraordinário "Memórias de Adriano", uma lição de vida (e de literatura) postado por walter em 24/01/02

1926 ANOS ATRÁS

Walter Galvani

Exatamente num dia como hoje, 24 de janeiro, há 1926 anos, ou seja, no 76 de nossa era, nascia aquele que seria mais adiante imperador de Roma, da poderosa Roma que dominava três quartos do mundo conhecido.
E foi ele que escreveu o seguinte, contando de sua atuação:
“Pus termo ao escândalo das terras deixadas improdutivas por grandes proprietários indiferentes ao bem público: todo campo não cultivado durante cinco anos, passava automaticamente a pertencer ao lavrador disposto a fazê-lo produzir. Medidas semelhantes foram tomadas com relação às explorações mineiras. A maior parte dos nossos ricos faz enormes donativos ao Estado, às instituições públicas, ao príncipe. Muitos agem assim por interesse, alguns por virtude; quase todos, finalmente, ganham na transação. Teria preferido, porém, ver a generosidade deles assumir outras formas que não fossem a da ostentação na esmola, ensinar-lhes a aumentar sensatamente seus bens no interesse da comunidade, como só o fizeram até o presente para enriquecer os filhos. Foi dentro deste espírito que eu próprio tomei nas minhas mãos a administração do domínio imperial: ninguém tem o direito de tratar a terra como o avaro à sua arca de ouro.”
Ou leiam esta, quando estimulou a formação de uma cooperativa:
“Um dos meus dias mais felizes foi aquele em que consegui persuadir um grupo de marinheiros do Arquipélago a associar-se em corporação e a tratar diretamente com os mercadores das cidades. Jamais me senti tão príncipe e tão útil.”
Mas este príncipe era também um grande poeta.
Transcrevo aqui para que os que me acompanham levem esta impressão daquele grande espírito:
“Pequena alma terna flutuante
Hóspede e companheira do meu corpo,
Vais descer aos lugares pálidos duros nus
Onde deverás renunciar aos jogos de outrora...”


O tema da violência, a possibilidade de ataques políticos, as dificuldades da Argentina, as dificuldades do Brasil, são assuntos que prendem sempre nossa atenção. postado por walter em 23/01/02



SENAI, o excelente Serviço Nacioanl de Aprendizagem Industrial, está fazendo 60 anos. Começou durante a II Guerra Mundial com o objetivo de preparar mão-de-obra para a produção nacional que substituiria a importação postado por walter em 22/01/02

UM GRANDE SESSENTÃO

Walter Galvani

1942, guerra em andamento, esperanças adiadas, o mundo todo envolvido, o Brasil na expectativa, já em agosto estaria declarando guerra ao Eixo e logo logo enviando uma tropa expedicionária.
O governo de Getúlio Vargas cauteloso, acumulando divisas que colocariam o país na primeira linha quando, três anos depois, foi assinada a paz.
Enquanto isto, o desenvolvimento industrial gerava novas exigências, buscava-se mais e melhor mão-de-obra, as empresas procuravam gente especializada para atender a produção de produtos qualificados que faziam a substituição das importações, que aqui não podiam chegar por causa dos ataques aos navios mercantes por parte dos submarinos alemães.
Foi então que surgiu o SENAI que nestes sessenta anos tem se especializado na busca da excelência em educação profissional.
Durante todos estes anos, não há família de classe trabalhadora que não tenha sonhado na preparação dos seus filhos segura e eficiente para o acesso ao mercado de trabalho, feita através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Tamanho é o conceito do SENAI que andaram tentando “tascá-lo”, para retirá-lo do seio da iniciativa privada e transformá-lo em mais um órgão estatal.
Mas, o SENAI não nasceu nem com a vocação de cabide de empregos, nem com a inclinação pela modorra, pela acomodação. Ao contrário, nasceu e cresceu vibrante e historicamente ligado ao crescimento da indústria.
Não é por nada que o slogan dos 60 anos alinha nesta direção:
“Mais indústria. Mais Oportunidades. Mais Brasil.”
É o que se quer. É o que o país necessita. E por isto a assinatura do SENAI está neste site.


É preciso uma rigorosa investigação e ação imediata. O Brasil de que nos orgulhamos, o da "índole tolerante" do povo. está ameaçado. Ficaremos de braços cruzados ou alegaremos que tais mortes são coincidências que se enquadram na mortandade geral resultante da criminalidade comum ? Este é o Brasil que sonhamos ? postado por walter em 21/01/02

ALVOS BEM DEFINIDOS
Walter Galvani

Na onda dos seqüestros comuns, dos crimes contra os que podem render algum resultado prático para os assaltantes, dos chamados “seqüestros relâmpagos” nos quais a vítima é escolhida ao acaso nas ruas brasileiras, onde não há nem policiamento, nem condições de efetuar uma vigilância adequada, ocorreram os atentados em que foram vitimados dois prefeitos do PT, no estado de São Paulo.
Depois da primeira visão de que se tratara apenas de crimes comuns, inseridos no quadro de violência geral, apareceram os primeiros sintomas de que poderia ser um quadro geral de ação, com fundo político. Surgiu já o nome de uma organização, direitista naturalmente, que atenderia pelo nome de FARB (Frente de Ação Revolucionária Brasileira) disposta a tomar medidas em nome de uma ideologia.
Não terá respaldo na opinião pública brasileira, mas poderá trazer efeitos e danos para todos.
O principal atingido será o candidato oficial às próximas eleições, ou seja, aquele que representar o atual presidente da república. Por mais esforços que Fernando Henrique faça, para repudiar a violência, como aliás está procedendo, não conseguirá alterar a repercussão negativa que atingirá seu governo. Não há como. Nem que se transforme num exaltado liberal – no sentido histórico da palavra – nem mesmo que se apresente publicamente com guirlandas no pescoço. Nada mudará o clima já instaurado.
Extremistas, se o forem os criminosos, sempre receberão manifestações de apoio, ocultas ou explícitas, de outros extremistas iguais ou piores.
Quanto aos resultados das próximas eleições presidenciais, evidentemente que serão influenciados pelo que aconteceu até agora e pelo que ainda poderá acontecer até outubro. Lembre-se que são 12 os prefeitos petistas ameaçados diretamente através de cartas, inclusive Marta Suplicy, prefeita da maior cidade da América Latina.
Um ação firme da Polícia Civil ? Não há unidade de ação em todo o território nacional. Da Polícia Federal ? Faltam-lhe efetivos suficientes para uma ação deste tipo.
Resta o quê ? Adivinharam. O Exército. Mas é preciso saber se o Exército tem vontade para agir no contexto da corrupção, da violência, da miséria e da vergonha em que se vive no Brasil e interferir no processo de administração política. O Exército já o fez uma vez, a chamado das senhoras carolas de variadas idades e toda uma ala direitista do pensamento nacional, que brandia rosários pelas ruas do Rio de Janeiro e outras capitais, pedindo a intervenção contra o Demônio (representado pelos comunistas) e isto deu 1964.
Lembram ?
Poderemos ter outra “revolução redentora” com todas as suas conseqüências e suas seqüelas. E não pensem que isto é impossível no momento que o mundo vive. É possível sim, justamente pelo momento que o mundo vive.
E o país, de um modo particular. Estejamos muito atentos.


Nem o futebol brasileiro escapa ao mar de lama em que estamos atolados postado por walter em 18/01/02

O ESCÂNDALO DAS ARBITRAGENS


Walter Galvani



Vergonha das vergonhas, nem o futebol brasileiro escapa mais à corrupção. E, pela acusação feita, cabe agora ao STJD desvendar, Armando Marques, até aqui sinônimo da competência e, porque não ? – da lisura, teria sido o agente corruptor.
O juiz Alfredo dos Santos Loebling teria sido por ele pressionado a encerrar a partida entre Figueirense e Caxias, l minuto e 50 segundos antes do seu término, para dar a vitória e com isto a classificação para a Série A, ao clube de Santa Catarina.
Amamos Santa Catarina, tudo o que os gaúchos querem é viver em suas praias maravilhosas e muitos deles fazem isto. Acabarei fazendo...
Mas daí até aceitar a injustiça e a fraude, aí é demais.
Eu próprio já vi um jogo ser encerrado antes: Brasil empatava com a Argentina em 1959, o título seria argentino com o empate, a bola estava com Garrincha, era o minuto final e o juiz encerrou o jogo com o avante brasileiro escapando rumo ao gol adversário. Sozinho.
Na época fui um dos poucos que falei. Mas me mandaram calar a boca. Jovem repórter, engoli. Argentina campeã sul-americana.
Dessa vez é com o Caxias.
O juiz terá que provar o que disse, mudar a súmula ou acabar sendo condenado também pelo STJD.
O Caxias poderá ganhar os pontos ou pelo menos jogar de novo contra o Figueirense.
O pior é a mancha de escândalo e corrupção que atinge até o futebol.
Vamos confiar no quê ?
Não é por nada que o índice de credibilidade das instituições brasileiras cai, de pesquisa em pesquisa. O que também não é divulgado.
Só o que se sabe é que as religiões crescem. É óbvio, quando aumenta a ignorância, a pobreza, a descrença na política, na razão inversa sobe a esperança no sobrenatural... Passa a ser a única saída, ou pelo menos a forma escolhida de arranjar uma salvação para a pobre alma... Já que o corpo não tem remédio.


O dia de ontem assinalava em Porto Alegre, os 250 anos da Imigração Açoriana para o RGS. A capital foi escolhida como símbolo desta colonização no sul do Brasil, porque foi constituída inicialmente por casais açorianos que aceitaram para cá emigrar em 1752 e a partir disto o primeiro nome foi Porto dos Casais. O segundo, porque o primeiro foi Porto do Dornelles, ou D'Ornellas, do nome do fundador da povoação e primeiro sesmeiro da região Jerônimo de Ornellas, cujo descendente mais famoso foi o extraordinário escritor Manoelito de Ornellas, cujo nome precisa ser recuperado e projetado até onde merece. Os deputados dos Açores que aqui estão passando a semana, choraram quando ouviram a Dança do Pézinho, uma dança típica rio-grandense que veio dos Açores. J.C.Paixão Cortesfalou sobre as nossas raízes açorianas num jantar na residência do deputado João Osório e na Secretaria da Cultura houve a abertura oficial das comemorações. Presentes, entre outros, o presidente da Assembléia do Departamento Autônomo dos Açores, província marítima de Portugal. Foi um momento de muita emoção, mas que precisa ter continuidade, durante o ano inteiro, com o debate e estudo dos costumes, tradições e acontecimentos que marcaram estes 250 anos de História. Nos atos comemorativos, falando com emoção mas conhecimento e conte´´udo, Fernando Menezes, o deputado presidente da assembléia açorianos, chefiando uma delegação de vários deputados da região. Inesquecível o momento, à altura da importância desta colonização. Mas, vamos discutir o tema até o final do ano e de preferência, depois disto também. postado por walter em 17/01/02



Lembram daquele preceito bíblico? Vê o cisco no olho do vizinho e não vê o argueiro no próprio olho ? Traduzindo: não enxerga o tamanho do próprio defeito e no entanto visualiza tão bem o problema do próximo ? Assim está o Brasil com a Argentina. Estamos nos achando os melhores, neste momento. E a falsa misericórdia que anda por aí, o cinismo e a hipocrisia desenhado nas frases e nas declarações dos homens públicos e dos menos públicos.... não enganam a ninguém. Todos estão desejando o pior dos mundos para os argentinos. Esquecidos que onda vai, onda vem e acabamos sempre atingidos. Porque nossas fraquezas são muito semelhantes as do amigo-inimigo, irmão-adversário. Temos é que aprender a lição. Estaremos em condições de aprender esta lição dos fatos e das coisas ? Vamos estudar minha gente, vamos ler, vamos trabalhar. O Carnaval vem aí e com ele o esquecimento. Deveria ser um momento de reflexão. Oxalá que assim funcione. De propósito usei "oxalá" que nos aproxima dos castelhanos (ojalá) e dos árabes (que Alá o queira). 2002, ano do cavalo para os chineses, será um ano de muito trabalho, como o tem feito ao longo dos tempos aquele nobre animal. postado por walter em 15/01/02



O Maghreb, a Espanha, o Marrocos, o Algarve, o território comum que produziu "Gaúchos" e "Gáuchos" e a interpretação da crise argentina postado por walter em 14/01/02

GAÚCHOS E BEDUÍNOS

Walter Galvani


Relendo o magnífico trabalho de Manoelito de Ornellas, infelizmente esquecido no Rio Grande do Sul onde foi publicado pela primeira vez em 1948 e relançado em preciosa 4ª edição pela Martins Livreiro em 1999, além da compreensão da verdadeira etnia do gaúcho rio-grandense e, conseqüentemente, do platino, dá para começar a compreender as raízes da crise argentina.
Há neste livro magnífico, que teve em sua segunda edição (1956) um prefácio de Erico Veríssimo, no qual o grande escritor gaúcho defendia Manoelito dos injustos ataques causados pela inveja e a competição, e afirmava “É no terceiro e último capítulo desse alentado estudo que o escritor traça o discutido paralelo entre beduínos e gaúchos, valendo-se das lendas e superstições, semelhança de hábitos, indumentária, tradições e costumes.”
Depois de considerar oportuno o relançamento do livro, disse Erico que “talvez desta nossa posição no tempo possamos julgar esse ensaio com isenção de ânimo e mais lucidez, graças aos recentes avanços da Etnologia e da Antropologia.”
Diga-se de passagem, e em favor da sempre surpreendente lucidez de Erico, que ainda não se havia avançado então no terreno da decifração dos Genomas, o que poria hoje um ponto final em qualquer discussão do gênero, se a ela se quisesse aplicar o rigor científico da investigação.
Mas, aproveitando a conveniência de examinar a situação da Argentina, dou um passo além dos gaúchos do Rio Grande e passeio sobre os “gáuchos” platinos, em especial justamente aqueles “do lado de lá” do Prata.
Jorge Fontevecchia, diretor editor da Perfil, a maior editora de revistas da Argentina, afirma em artigo publicado na “Veja”, edição com data de 16 de janeiro de 2002, que circulou neste final de semana em todo o Brasil, que “a percepção dos argentinos não é a de viverem em um país subdesenvolvido, mas a de que são cidadãos do Primeiro Mundo, aspiração que não se ajusta à realidade”.
Não se ajusta mais à realidade, porque a Argentina “foi” a 6ª potência global, aspiração máxima do Brasil e de todos os países concorrentes e “em desenvolvimento”. Mas não o é mais.
O articulista argentino diz que com o fim da II Guerra Mundial, seus compatriotas “continuaram acreditando que, ao contrário do petróleo, as exportações de alimentos nunca teriam fim. Ocorreu o inverso: graças ao aumento da produtividade trazido pela tecnologia, somado à baixa da taxa de natalidade, a produção mundial de alimentos per capita aumentou, reduzindo o preço desse produto de maneira constante.”
Explicações econômicas a parte, Manoelito de Ornellas tocou no ponto com sua interpretação antropológica:
Os argentinos descendem em esmagadora maioria de espanhóis, tendo sido conseqüentemente formados, entre outros povos que ocuparam e viveram na Península Ibérica, pelos bérberes. E aqui, através dos tempos, a corrente que produziu também o gaúcho, o homem do campo da Província de São Pedro, do atual Rio Grande do Sul. Mas, vejam um pouco desses ancestrais:
“Individualista e orgulhoso – escreve Manoelito, à pág. 186 do seu “Gaúchos e Beduínos”, 4ª edição – cada espanhol presume-se o centro do mundo. “El mejor hombre del mundo” na frase de Leopoldo Benitez. Es espanhóis do século XVI admitiam a sua superioridade pelo fato de haverem nascido na Espanha. Nem a própria majestade do Rei, dobrava-lhes a altivez e a arrogância.”
E ilustra: “Juan Bravo, ao encarar o verdugo e ao pensar em Padilla, seu companheiro de lutas e martírio pela libertação de Castela, exclama: “Degüelleme a mi primero, para que el vea la muerte del mejor caballero de Castilla”.
É duro ver-se reduzido ao mesmo nível dos subdesenvolvidos e aceitar que o país não produz alimento suficiente para sua população, que os velhos casacos estão esfarrapados, que há desemprego e o futuro parece distante, cada vez mais parecido com o dos vizinhos subdesenvolvidos.


Despreza-se o mais forte canal de educação do povo. Por falta de ação das autoridades e pela inexistência no Brasil de um Conselho Superior de Comunicação Social, como há em outros países, mais desenvolvidos postado por walter em 13/01/02

IGNORÃNCIA E FALTA DE RESPEITO

Walter Galvani


Já se escreveu mil vezes que um povo que não conhece a sua própria história está condenado a repeti-la, mas em forma de farsa.. Ou tragédia. Para os mais jovens, o conselho não funciona. Como numa família, os erros se repetem porque os indivíduos que estão estreando na vida não se conformam com as normas que lhes querem impor e procuram rompê-las. Mas, isto não deve valer para os países que assim se pretendem, enquanto vigorar um sistema de pátrias independentes na convivência global.
O Brasil é o Brasil, histórica e sociologicamente uma nação, porque foi assim conformada pelos que nos antecederam. Por maiores que tenham sido os problemas, até aqui chegamos graças a erros e acertos que precisam ser examinados e estudados.
Faz muito mal ao país e seus habitantes, um comportamento adolescente de críticas infundadas e, pior ainda, de erros repetidos.
Basta pesquisar um pouco, investigar a História com seriedade, e aí estão os documentos disponíveis, em nosso caso aqui e em Portugal, para que se possa montar uma avaliação realista do que se passou.
A crônica de escândalos da realeza, praticada por alguns autores em busca de notoriedade e eventualmente resultados financeiros, pode alcançar sucesso eventual, mas não resiste ao estudo sério do passado brasileiro ou de qualquer povo na face da terra.
Modernamente, é preciso ainda considerar a imensa responsabilidade dos meios de comunicação, especialmente dos meios eletrônicos. A Televisão, invadindo 90 por cento dos lares brasileiros, das avenidas do Rio de Janeiro até às barrancas do Oiapoque ou as matas do Brasil Central, tem uma influência inimaginável. Não há escola (ou família) que possa fazer frente ao poder destruidor (ou construtor) que a “telinha” representa.
Hoje uma garota de 13 anos que vive num assentamento indígena do interior, pensa, fala e se veste e procede como as suas contemporâneas cariocas.
Não cabe portanto mostrar a História do Brasil em forma de pornochanchada. É um grave equívoco, pena que se tenha praticado, e é bom que não se torne a fazê-lo.
Citando especificamente os personagens, já “Carlota Joaquina”, que de fato “enlouqueceu”, teve antes disso um procedimento de acordo com os interesses políticos que representava, o que é inegável. O filme de Carla Camuratti lhe fez injustiças irreparáveis. Pior a minissérie da Globo. Com relação a Dom João VI, o erro é ainda maior.
Apresentá-lo como um demente a comer permanentemente uma perna de frango é no mínimo politicamente incorreto, para citar um termo moderno.
Tem mais: analisada com distanciamento histórico a figura de Dom João VI, primeiro como Príncipe Regente, mais tarde como rei de Portugal, Brasil e Algarve, Senhor da Guiné, se sobressai no seu tempo.
“Ele era um sábio”, como diz o historiador José Jobson Arruda, autor de “Brasil – Portugal – História – Agenda para o Milênio”.
Se continuarmos a insistir na figura do “glutão”, do “português burro da anedota” e outras criancices, estaremos apenas – quem sabe ? – negando a figura do pai para cumprirmos uma etapa que já deveria estar ultrapassada.
Julgar-se melhor do que os outros, mais inteligente, mais capaz, o insuperável dono da malícia e da criatividade, é um vezo que os brasileiros devem extirpar de seu pensamento, se quisermos que o país de fato se alinhe entre os mais desenvolvidos. Ingenuidade ou ignorância e falta de respeito por nós mesmos, a nada nos leva.
(Publicado originalmente no premiado jornal ABC DOMINGO – com o qual conquistei o 2º lugar em Crônica Concurso ARI 2001 – na edição de 13-01-2002)


O Novo Código Civil Brasileiro já entra em vigor defasado. Mas, pelo menos traz algumas mudanças. Poderia ser melhor, no entanto, e oferece frestas perigosas postado por walter em 11/01/02

COSTUME, AGORA LEI

Walter Galvani


Hábitos sedimentados, consagrados em lei. Costumes diferentes, ameaçados pela nova lei. Procedimentos estranhos, punidos pela sociedade. Muitas vantagens e muitos perigos no novo Código Civil, o tal que tramitou durante 26 anos e ontem foi sancionado pelo presidente do Brasil.
Algumas coisas recebem apenas a autenticação por parte da sociedade, porque já vinham sendo praticadas, como por exemplo, a impossibilidade de anular um casamento por causa da falta de virgindade da moça. Resultante ainda de um antigo ranço machista, agora liquidado. Novidades que darão pano para muitas mangas como a possibilidade dos maridos pedirem pensão de alimentos, o que pode acabar com uma “indústria” muito em voga, por parte de mulheres e suas famílias, que transformam a relação matrimonial numa rendosa ocupação. E isto é muito mais encontradiço do que se possa imaginar.
União estável: acaba o prazo de dois anos. Mas o que será uma união “pública, contínua e duradoura” ?
O usucapião cai de 20 para 15 anos, o que pode facilitar a ocupação urbana de terrenos e complicar a vida no campo.
A maioridade cai de 21 para 18 anos. Deveria sê-lo aos 16, para diminuir o uso de menores no crime.
Mãe solteira passa a formar uma família com seus filhos, o que é mais do que justo, simplificador e facilita operações comerciais e financiamentos.
Condomínios, ah os perigos da convivência! Se a maioria dos moradores de um condomínio julgam o comportamento de algum morador como “problemático”, podem expulsá-lo do prédio. Podem multá-lo também. Cada condomínio estabelecerá seu regulamento interno. E quem faz barulho na sua rua? Quem perturba os vizinhos? Alguma lei defende os que querem tranqüilidade ? Mas, há o perigo das falsas acusações e das perseguições individuais. Comportamentos excêntricos podem ser alvo de injustiças.
Eis um risco. Ninguém pode ser “diferente” que os demais “iguais”, e há sempre alguns mais “iguais” do que os outros podem aplicar punições exageradas, indevidas ou antiéticas.
Portanto, há imperfeições, como em todas as leis.
Algumas coisas chegam com atraso, mas pelo menos chegam. E outras ainda não chegaram, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo, que já se pratica e há tanto tempo, mas que pelo menos poderão ser alvo de emendas constitucionais.
É assim. Festejou-se o Brasil como uma das maiores e mais dinâmicas democracias do mundo, pelo presidente Fernando Henrique, mas é bom que se diga que Código Civil não quer dizer democracia. É a prática do Código e da Constituição que conferem ao país uma qualificação dessas e isto é preciso cumprir permanentemente.
Desde a Independência (1822) tivemos vários rompimentos institucionais com a Democracia e o primeiro e mais notório, foi, sem dúvida, a própria instituição da República, um golpe militar. Assim como outros golpes vieram se sucedendo, alguns evidentes a luz da História, como a Revolução de 30, outros disfarçados para a maioria, outros mais claros ainda como o Estado Novo de 1937 ou o Golpe de 1964.
De 1986 para cá, depois da “abertura lenta e gradual”, tivemos sim, o pleno exercício da Democracia. Vamos comemorar com discrição. São apenas 16 anos e ainda não temos o culto desta prática, institucionalizado. Sempre se corre riscos.


Uma organização mundial é sempre uma esperança de paz e entendimento entre os homens. Reverenciemos então este 10 de janeiro. Mas tiremos a lição do fracasso também... postado por walter em 10/01/02

LIÇÕES DA DATA

Walter Galvani

Há um antigo provérbio português que nos ensina: “Tudo como dantes no Quartel de Abrantes”. As coisas não mudam muito, vão passando os anos e até os séculos.
Ser otimista à esta altura da história é ser no mínimo imprudente.
Ou idiota, como nos transmitiu Voltaire no século XVII.
Mas, enfim, assinale-se que o dia 10 de janeiro, em 1920 significou o primeiro encontro para a criação da Liga das Nações, assinatura do Tratado de Versalhes que ratificou o final da I Guerra Mundial, ou a chamada “Grande Guerra” que ensangüentou o mundo de 1914 a 1918 e lançou a guerra bacteriológica com o uso de gases venenosos (mostarda era um deles, os irônicos dirão que hoje usamos um descendente desta substância para temperar o cachorro quente ou o sanduiche...).
A Liga das Nações durou pouco. Naufragou com a Grande Depressão dos anos 30 e desembocamos na Segunda Guerra Mundial, tendo Adolf Hitler denunciado o leonino Tratado de Versalhes. Isto desencadeou o novo conflito que só acabou em 1945. Em 1946, num dia 10 de janeiro, realizava-se a primeira sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, nossa conhecida ONU (Organização das Nações Unidas), tendo na presidência o chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha. Um gaúcho do Alegrete e membro mais influente do governo de Getúlio Vargas.
Como um alerta à Humanidade, que não foi entendido, estreava em 1926, a obra prima cinematográfica do cineasta alemão Fritz Lang, que alertava para os tremendos perigos da vida moderna, da industrialização, da desumanização, e da globalização de certa forma, do domínio de uma elite e da escravização das classes trabalhadoras. Ninguém lhe deu confiança, ou pelo menos a confiança devida.
Restou o filme como um monumento da qualificação, da premonição de um artista. Eu o tenho em casa. Vou assisti-lo logo mais para trazer bem à minha frente a lição do grande realizador alemão, do tempo em que o cinema se preocupava com a arte e não vivia de tiro, coice e bofetada...
Mas pelo mundo é assim mesmo. O ruído de bombas, o estrondo dos bombardeios, o ódio, a competição, a inveja.
Não aprendemos muito nestes anos todos.
Resta saber se a Humanidade tem ainda a capacidade de aprender com as pequenas e as grandes coisas, com as lições que estão acumuladas em nosso passado comum. É preciso remexer nele, tirar-lhe o pó, desarquivá-lo e expô-lo bem à mostra, na frente de todos.
Pode ser que nestes avanços e recuos fique algum resíduo positivo.
É pensando nisto que seguimos em frente.
Ah, uma curiosidade: o disco de vinil, o chamado “bolachão”, o LP ou “Long playing” nasceu num 10 de janeiro também: em 1949. Já morreu. E não sabe.



A Televisão brasileira, tecnicamente excelente, em matéria de conteúdo é péssima, tão ruim quanto as piores no exterior. Aliás, característica deste meio é produzir o lixo do lixo... Em matéria de abordagem da História, o que faz a TV é simplesmente vergonhoso postado por walter em 09/01/02

INDIGÊNCIA MENTAL

Walter Galvani


A Televisão, que tantas esperanças criou quando nasceu, transformou-se numa lamentável máquina de fazer doidos. Estou falando sobre o mundo inteiro, praticamente. Com raras e honrosas exceções, a programação de TV passou a transmitir para os que se aventuram a ligar o aparelho (e alguns nele estão grudados o dia todo) o lixo do lixo.
Uma fábrica de débeis mentais que infelizmente acabarão por se constituir na maioria, pois não me parece que haja qualquer interesse por parte de algum governo opor-se à tal achatamento cultural da população.
Premidos pela necessidade de ir à “mídia” (primeiro erro, pois “mídia” é a pronúncia americana de uma palavra do Latim, “media”, ou seja “os meios”) os políticos são incapazes de fazer-lhe qualquer crítica. E então buscando incessantemente o espaço, aplaudem tudo o que é porcaria que nos impingem.
O espetáculo de lamentável indigência mental é tão grande, que se acaba aplaudindo coisas tipo “show do milhão” de Sílvio Santos, porque por alguns segundos faz pensar, mesmo que sejam questões simples como “qual é o plural de cristão” – assunto misterioso para os universitários convidados que não sabem decliná-lo e talvez nem saibam o que significa exatamente a palavra... Tudo é possível.
Mas vamos de mal a pior neste mundo da tal “caixa de produzir mediocridades e fazer doidos”. Tanto é assim que a História, naturalmente a venerada mestra dos nossos atos do dia a dia, pelo menos deveria sê-lo, é tratada com a irreverência da ignorância, como se inconformismo ou descontração, fosse o mesmo que cuspir no prato da verdade.
Uma vergonha e vergonha maior ainda que não se ouçam, vejam ou leia-se protestos, a não ser pálidas manifestações.
Como vamos cobrar de mestres e alunos do ensino institucional, se a escola mais prática e dinâmica, a TV lhes enfia boca abaixo, apenas besteiras, pronochanchadas e mentiras ?
Neste mundo de “sexo, mentiras e videotape” que nos tocou viver, no meio deste lixo cultural, fica difícil mesmo respirar sem contaminação.
Sugiro desligar o tal aparelho e somente usá-lo em certos momentos, como se faz com os demais eletrodomésticos. Sei que isto é difícil, mas é o ideal.
E os pais que optam por esta babá eletrônica, pensem no terrível dano que estão causando aos seus filhos.
Dediquem-se a eles um pouquinho mais.
Só que a resposta vem aí. Junto com esta geração de idiotas, tarados e malandros, burros (com mil perdões ao nobre animal, é apenas força de expressão...) e fracassados, surgirá, como conseqüência lógica, uma elite. Resultado dos que lêem, se informam, discutem e tem consciência crítica das coisas.
Estes, entes especiais, resultado da educação que começa no berço onde são criados e não mal criados, passa por uma boa escola e magníficos professores, que ainda os há, infelizmente lutando contra esta enxurrada de porcarias, pois estes mandarão no mundo.
Os outros, a estes caberá fazer o serviço sujo, trabalhar, ganhar pouco, cada vez menos, embora o que produzam talvez não venha mesmo a valer muita coisa.
Perdão pelo pessimismo, mas é o que está aí.
E não esqueçam que este ano é de voto no Brasil e votando pode-se começar a queimar etapas.
Sejamos justos, duros e também cruéis.


Fúria arrecadadora por parte da União, mas também das empresas prestadoras de serviços. Atingidos? Todos nós. Começa pelo Pedágio nas estradas brasileiras. Parece uma piada: chega o verão, as estradas são utilizadas com mais intensidade, e então aplica-se o aumento. O pedágio sobe 13 por cento, sendo 11 por cento por "reposições inflacionárias" e 2 por cento "por obras não previstas em contratos". Fica fácil, não é mesmo ? E os salários ? Terão reposição inflacionária ? Claro que não. Os acordos em geral são em torno de 4 ou 5 por cento anuais. Tem mais: o Imposto de Renda. As empresas prestadoras de serviços terão de pagar mais IR. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir de maio, terá a sua alíquota elevada de 1 para 3 por cento. De manhã cedo você ouve no rádio e na televisão um ministro de estado dizendo que o Brasil tem que cresvcer "e parece que tem medo de crescer", precisa criar empregos, gerar oportunidades. Minutos depois você abre os jornais e vê todo mundo metendo a mão noseu bolso. Ah, tem mais: como estamos em período de férias e mais gente viaja de avião, a Varig e a TAM elevam também suas tarifas, em média de 2 a 10 por cento... A famosa índole pacífica do povo brasileiro pode soar como excessiva tolerância. Por algo parecido os argentinos partiram para o panelaço! postado por walter em 08/01/02



Lendo os jornais, ouvindo rádio e assistindo televisão, você acha, à esta altura, que nunca tivemos políticos tão bons. São todos honestos, criteriosos e dedicados. É que este ano de 2002 é um ano eleitoral. Daqui a pouco eles se pegam e os pôdres virão para a rua. Só que, cabeça fria na hora da campanha eleitoral. Teremos que fazer o nosso voto, pensando no que eles foram até o dia 31 de dezembro de 2001... postado por walter em 07/01/02

CAMPANHAS POLÍTICAS DE 2002



Walter Galvani





Nestes primeiros dias do ano, as pessoas vão se dar conta o quanto são bonzinhos nossos políticos, como são honestos, interessados nos destinos do país, apesar da classificação do Congresso em último lugar na credibilidade junto ao público em pesquisa feita no final do ano passado.
Nunca se viu tantas equipes nas ruas, cartazes, faixas, publicidade no rádio, na TV e nos jornais, explicando o que é feito com o dinheiro público.
Mutirões de funcionários colocam em dia a limpeza pública, todos os setores são eficientes e todos os governantes, sem exceção, ótimos e dedicados.
Presta-se conta de tudo, temos uma grande abertura, transparência, participação do povo em todos os círculos de decisão, ouvidorias com grandes “orelhas” abertas ao povo e muita severidade nos gastos.
Sim, teremos eleições este ano. Podem ir escovando os títulos eleitorais que teremos de votar para presidente da república, senado, câmara e governo do estado. É voto para mais de metro e até a novidade de voto eletrônico com recibo vamos ter este ano. Ainda não chegamos à perfeição do voto pela Internet, que a Inglaterra, por sinal um dos países mais conservadores do mundo, está pretendendo introduzir.
Por enquanto vamos escolher entre Lula (ou haverá prévia interna no PT?) e o adversário gerado no bojo da união PSDB-PFL, com mais alguma contribuição de apoiadores eventuais (ou o PMDB terá força com Simon ou Itamar ou sem eles para “chegar lá” ?) para a sucessão ao articulado, bem falante e simpático Fernando Henrique Cardoso.
Propõe-se uma saída italiana para FHC. O “senatore a vita”, uma coisa linda, que se pretende transplantar para cá e não sei se o povão apoiaria: significa que o cidadão que chega a presidente da república, torna-se intocável e perpetuamente garantido financeiramente como pensionista da república. Algo muito digno e emocionante, mas que precisa ser examinado pela opinião pública brasileira, que, como se sabe, desconfia de saída da honestidade de propósitos dos seus representantes.
Neste 2002 no entanto, todos serão honestos, puros e bons. Será uma extraordinária safra de santinhos. Aos poucos ficaremos sabendo que o reino dos Céus é escasso para tanta gente boa que se digladiará diante dos microfones e câmeras de TV para provar o quanto ainda poderão se dedicar ao povo brasileiro.
Na hora do voto, no recolhimento da cabina, levem a “colinha” pronta com os nomes e números, porque vai ser difícil. Mas quando prepararem a “lição de casa”, pensem no que eles foram em anos passados e não apenas o que eles serão nestes dez primeiros meses de 2002.







Bem, agora já se sabe de tudo: o seqüestro durou 27 horas e botou Porto Alegre nas páginas dos jornais do mundo inteiro. O seqüestrador queria um helicóptero e 500 mil reais e deixou por nada... Foi parar no Hospital e terá de fazer o tratamento psiquiátrico do qual nunca deveria ter se afastado. Quanto à miséria da população, continua a mesma... Quanto aos salários milionários dos astros de futebo, também se continua na mesma. O fato é que Porto Alegre entrou para a vitrina de forma inconveniente. Pelo menos a Polícia saiu com nota dez. Não matou ninguém (desta vez) e negociou até à exaustão. Ninguém deu ouvido a radicais. postado por walter em 06/01/02



De repente, Porto Alegre, que se orgulha de possuir uma das melhores situações econômicas e oferece aos seus habitantes nível de qualidade de vida, acima da média, é alvo de um seqüestro de uma lotação (pequeno ônibus de passageiros). O seqüestrador fez vários reféns. Tudo começou quando faltavam 15 minutos para as 9 horas da manhã, no centro da capital sulista, como já informou ao mundo a agência AFP. É apenas uma demonstração de que o desnível social do Brasil não poupa ninguém... No meio disso tudo - é o Brasil - os esportistas recebem a informação de que o Internacional, da mesma Porto Alegre, acaba de contratar o zagueiro (da seleção brasileira) Júnior Baiano. Ele vai ganhar 100 mil reais por mês... Quanto ao seqüestrador... quanto? E os reféns ? Alguns, se não todos, devem ganhar um salário-mínimo, por certo... postado por walter em 04/01/02



Enquanto ultimo a operação de colocar este texto na Internet, há um pássaro chilreando aqui nos meus ouvidos. Sinto o seu bulício através da janela aberta. Lá fora um belo sol de verão postado por walter em 04/01/02

CORRUPÇÃO, FRAUDE, ROUBO, ASSALTO, ASSASSINATOS, SEQÜESTROS, EXTORSÕES, EXECUÇÕES, IMPUNIDADE

Walter Galvani


Escrevi tudo no título e assim nem preciso ocupar o precioso tempo do leitor com o raciocínio, a crônica, a apresentação das minhas idéias e as conclusões.
Já o sabem, os que me acompanham, que estou falando do Brasil.
Infelizmente.
Gostaria de escrever aqui sobre felicidade, samba, carnaval, praia, Bahia, pampa, cavalos, churrascos, vida ao ar livre, turismo em Gramado, Florianópolis ou informar os detalhes do novo texto em que me ocupo.
Mas em minha cabeça martelam assuntos como o envenenamento, agora admitido, do “homem que sabia demais”, o seqüestrador da filha do Sílvio Santos, um dos maiores empresários de comunicação do país, a morte de detentos pelos seus colegas na prisão “Urso Branco”, os brigadianos que fizeram justiça pelas próprias mãos e sobretudo, o fato de uma pesquisa de opinião pública haver apoiado tal atitude.
Infelizmente os temas são estes neste alvorecer de um novo ano: fraude, assaltos, roubos, assassinatos, mortes no trânsito.
Será que não temos nada de bom para oferecer ou este é o preço da miséria humana em que se transformou a vida neste poço de competição e de maldade ?
Dias desses reli “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, uma novela escrita na primeira metade do século XIX. Está tudo lá. Nada foi inventado portanto. Só aprimorado...
Deve ser o tal progresso... no qual os humanos tanto acreditam, e reverenciam através da demente admiração pelas máquinas e pela velocidade.


A morte do seqüestrador da filha de Sílvio Santos, Fernando Gomes Pinto, pode significar mais um episódio de "envenenamento" por corrupção... É infelizmente algo vulgar no Brasil e a não ser pelo destaque dos fatos, nada é especial. Imprtante mesmo é acompanhar o que se passa na Argentina com as suas conseqüências imediatas no Brasil. postado por walter em 03/01/02

A VOLTA DO PERONISMO, FIM DO NEO-LIBERALISMO

Walter Galvani


Embora modernizado, porque os tempos mudam naturalmente, o que temos na Argentina agora é o retorno do ideário que levou Perón ao poder e que também o derrubou. Prever para Eduardo Duhalde a mesma sina é talvez exagero, mas não foi por acaso que ele mencionou o presidente fundador do peronismo em seu discurso de posse e menos ainda por acaso que ele lembrou o desempenho de Evita.
Não é hora de fazer piadinha tipo “no llores por mi Argentina”, mas foi também Duhalde, ao ser empossado que lembrou a necessidade de “um governo de salvação nacional”. Apoio explícito neste início de mandato não lhe falta. Sua escolha é resultado de um acordo parlamentar, para que cumprisse o que restaria do mandato de Fernando de La Rua, portanto até 2003, com 262 votos a favor (o que representa maioria absoluta), 21 contra e 18 abstenções.
Isto é para começar. Resta saber o que ele perde e ganha ao longo do tempo, a partir deste momento, quando ele inicía devolvendo ao peso a flutuação perante ao dólar, o que levará a moeda argentina à uma desvalorização que só as bolsas de valores saberão estabelecer, ao balanço dos negócios.
Mas há uma firme determinação que nos diz respeito, como brasileiros e diz respeito a todos, como participantes desta geringonça mundial que passou a se chamar de Globalização. É a idéia de priorizar os acordos internacionais, com preferência imediata para o Mercosul.
O novo ministro de Relações Exteriores visita o Brasil, na inauguração de um périplo que o levará aos principais mercados mundiais. Somos o principal parceiro direto da Argentina e a Argentina é nosso segundo maior parceiro.
Temos cidadãos brasileiros com terras no país vizinho e centenas de quilômetros de fronteira comum.
Terra de exílio político de muitos conterrâneos nossos desde o século XIX e desde então também terra de exílio dos vizinhos argentinos. E também rota de turismo. Os 40 por cento a menos que penetram no território brasileiro, farão falta sim, em nosso balanço comercial. É ilusão e mentira dizer que eles estão sendo substituído por turistas brasileiros. Objetivamente, para a região sul, claro que o são. Mas trata-se de dinheiro brasileiro igual e não entrada de divisas como significaria uma “invasão” argentina.
No caso específico de Santa Catarina, os paulistas, em busca de melhores preços (uma baixa motivada pela ausência dos argentinos), paranaenses (estimulados pela duplicação da BR-101), e gaúchos (que sempre mais descobrem as belezas das praias catarinenses, embora mal vistos como rivais e competidores diretos por parcelas consideráveis da população do vizinho estado), em número substituirão, talvez até com vantagem aos “hermanos” ausentes.
Mas com reais e não com dólares ou qualquer divisa que tivesse o peso igual à moeda americana.
É hora de repensar também a política de turismo, pois, sem dúvida nenhuma é preciso partir imediatamente para uma campanha sólida de divulgação do Brasil. Buscar os “euros” dos prósperos cidadãos da Europa, desde o primeiro dia do ano de 2002 com a nova e forte (pelo menos é o que se deseja) unidade monetária e com a união econômica de quase todos os países do Velho Mundo.



Este segundo dia do ano é um legítimo Dia da Lua ao longo da História. Vejam o significado disso e o quanto a Lua pode influir no comportamento dos humanos postado por walter em 02/01/02

UM DIA DA LUA

Walter Galvani


Este segundo dia de janeiro foi feito para assinalar-se por momentos decisivos na História da Humanidade.
Examinem os fatos e feitos e reflitam comigo.
1492 – Granada, último reduto mouro no território espanhol, cai em poder dos castelhanos. A partir deste dia cessa o poder dos árabes na Península Ibérica, depois de sete séculos.
Não teriam eles, árabes e muçulmanos, deixado suas marcas ?
Claro, houve a maravilhosa civilização denominada de “moçárabe” e profunda foi a contribuição cultural, usos, costumes, arquitetura, filosofia, ciências astronômicas, matemática. Ah, e os algarismos, que entraram na vida dos latinos substituindo os velhos números romanos. Por isto, 1492.
1635. Quem diria, hein, um cardeal. O bom Richelieu dos velhos tempos, político e religioso, funda a Academia Francesa de Letras, que serviu “de modelo à toda a terra”. Temos hoje academias praticamente em todos os países ocidentais e também em estados e províncias e até em algumas cidades. Locais onde se cultua a língua, a literatura, a atividade intelectual de um modo geral.
1839. O dia 2 de janeiro é mesmo da Lua. Foi o dia em que ela tirou o primeiro retrato...
O fotógrafo francês Louis Daguerre, considerado o inventor da fotografia como nós a conhecemos, pela primeira vez conseguiu fixar a Lua numa foto.
1920 – Nasce Isaac Asimov, grande escritor de ficção científica.
1959 – Os russos lançam uma nave espacial, chamada justamente Luna. Sem tripulação, a astronave foi a primeira a passar perto da... Lua.
1959 – Fulgêncio Batista fugira desabaladamente no dia primeiro de janeiro, à luz da lua que batia em Cuba no primeiro dia do ano. E neste dia 2 instalava-se o primeiro governo cubano da revolução vitoriosa.
Lembrando ainda que no dia 2 de janeiro do ano 17 Depois de Cristo, morria Ovídio, o grande poeta da Lua e das Estrelas.
Acho que podemos rebatizar este dia 2 de Janeiro como o Dia da Lua, submetido que foi ele, ao longo dos séculos ao seu fascínio e ao seu constante exercício de ir e vir, fazer subir e baixar as tensões e a imaginação humana.



Vamos mexer nos controles do nosso pensamento. E voar para o Ano Novo! postado por walter em 28/12/01

2002, 2002

Walter Galvani


O calendário não muda nada, mas pode mudar nossa cabeça. Esta é a grande virtude deste invento dos assírios. Os festejos, os fogos de artifício, as comemorações intramuros ou nas praias, ruas, avenidas, nas grandes e nas pequenas cidades, sob o forte verão de parte do hemisfério sul ou sob a neve de parte do hemisfério norte, tudo se soma para criar um clima que substitui a tradicional nostalgia natalina, pela alegria, a euforia.
Se alguém imagina que continuando a gastar mais do que ganha, ou obter equilíbrio financeiro sem produzir, poderá pela simples e mágica mudança de 2001 para 2002 chegar ao êxito, pode ir tirando o cavalinho da chuva.
A Argentina, por exemplo, com uma nova moeda que fatalmente estimulará a inflação, pelo menos pisa o novo ano com esperanças. O cavallo deles, que saiu do primeiro plano e conseqüentemente da chuva, teme agora se arriscar nas ruas e acabar apanhando literalmente.
Ao cambiar o presidente com Adolfo Rodrigues Saá que é provisório, mas já sonha com sua perpetuidade no poder, em lugar do Fernando deles, o De La Rua, e emitir uma moeda que tem como nome o gentílico do país, correm eles, os argentinos, os riscos que vinham correndo em 2001. Mas, mudaram a cabeça do país. Voltou o Peronismo ao poder, para quem não sabe, disfarçado agora de Justicialismo. O partido é o PJ, que tem, como se sabe, vocação populista e autoritária. O banho de democracia que o povo deu nos governantes talvez não tenha sido suficiente. Nunca é.
Vejam o caso de Bush que ganhou uma eleição misteriosa nos Estados Unidos, onde até hoje não se sabe com exatidão quem teve a maioria dos votos da Florida, que prega a luta do Bem contra o Mal e coleciona ódios mundiais, defendendo uma nova Questão Religiosa.
Que Alá o proteja e evite que alguém com os sapatos cheios de explosivos lhe apareça pela frente.
Neste último dia 28 de dezembro, aconteceu mais uma tragédia: surgiu outro cidadão pisando explosivos. Examinado, chegaram à conclusão de que ele não tinha dinamite suficiente para derrubar o avião...
Enquanto isto, nós temos que tirar os sapatos cada vez que passamos pelos controles eletrônicos dos aeroportos. A partir de hoje passo a usar meias novas e limpas em cada viagem, para não passar vergonha diante dos inspetores. Imaginem se tiro os sapatos e a meia está furada ?
Com estas dificuldades em que vivemos, não seria de duvidar...
Pior é a situação das pessoas que vivem nas encostas dos morros, onde o terreno é grátis e não há nenhuma proteção por parte dos municípios, ou pelo menos proibição para que as famílias ali se instalassem. O presidente Fernando Henrique criticou o governo do estado, e os representantes do estado do Rio de Janeiro raquetearam a crítica de volta, dizendo que o governo federal é que não repassa recursos. Há mais de 50 mortos, que não querem – porque nem tem mais com o que se preocupar – saber de nada. É tarde.
Fernando Henrique, Garotinho ou garotões, queremos nos postos de mando é alguém que tenha a coragem de proibir as pessoas de morarem onde não há condições, inclusive de segurança física. Não falo de assaltos. Isto já é outro tema.. Ninguém está seguro no Brasil.
Lembro que esta coluna é lida no mundo inteiro, mas não posso ocultá-lo. Nós, aqui no Brasil, convivemos com a constante sensação de insegurança pessoal, pois à cada esquina, à cada noite ou a cada amanhecer podemos ser abatidos pelos nossos “semelhantes”.
Continuo achando que quando se diz que “o homem é o lobo do homem” (homo hominis lupus, no velho latim que aprendi quando se estudava até latim no ginásio...) está se cometendo uma injustiça para com o lobo.
O lobo, o simpático lobo que queria ficar com o Chapeuzinho Vermelho e comeu a vovó... – só mata quando está com fome. Já o homem...


O novo tape de Bin Laden, mantendo aceso o ódio anti-americano entre os muçulmanos, é verdadeiro ? Ou ele estaria morto ? É a manchete de hoje em todos os jornais importantes do mundo. O que fará com que a perseguição a ele continue, talvez depois do Ano Novo. Os americanos procurarão escarafunchar as cavernas até à exaustão. Ou melhor: até pegá-lo, vivo ou morto. A pergunta do dia é: morto Osana Bin Laden, terminará a luta terrorista contra os Estados Unidos da América do Norte ou continuará o "Império Romano" do século vinte (e vinte e um) a ser o alvo dos que se consideram oprimidos no mundo inteiro ? A segunda pergunta é: o primeiro Império Romano nos deixou a língua latina. O Segundo, o que nos legará ? postado por walter em 27/12/01



Em que você acredita ? Na propaganda do Pentágono ou na propaganda da Al Qaeda e dos demais seguidores de Bin Laden ? Em tempo de guerra, mentira na terra... - diz um velho provérbio da língua e da cultura portuguesa. De pé atrás, esperamos que o novo ano ilumine a ignorância dos homens. Sempre uma tarefa difícil. postado por walter em 27/12/01



O país mestiço foi a grande invenção brasileira. Não estraguem. postado por walter em 26/12/01

ANTES QUE O ANO ACABE

Walter Galvani


Tivemos de tudo. Talibans, Osama Bin Laden, Bush, Índia x Paquistão, os pobres contra os mais pobres, filmes horrorosos exportados pelos americanos para o mundo inteiro, livros medíocres, grandes escritores, um Prêmio Nobel para V.S.Naipaul, Paulo Coelho vendendo livros e mais livros, Zelia Gattai na Academia, um campeão brasileiro de futebol do Paraná, uma seleção que andou de gatinhas para chegar ao torneio da Copa (ano que vem no Japão e na Coréia a gente se vê), Luís Figo melhor jogador do mundo (Grande, Portugal, parabéns!) e até falta de dinheiro, como sempre.
Vimos a injustiça preponderar em muitos casos, a miséria campear solta no Brasil, a Argentina desabar, o Afeganistão pagar pela mula roubada e as Torres Gêmeas, quem diria, ficaram na saudade.
Voltando a Luís Figo, já que vivemos num país de futebolistas: ele vendeu seus direitos de imagem à Coca Cola, para que possa avançar com o seu projeto de Instituto de Amparo aos Jovens Desfavorecidos.
Isto é que ser gente.
Tem mais: Isabel Allende disse: “Nunca havia me preocupado com a cor da minha pele até o dia em que tive que preencher um formulário nos Estados Unidos e escrever a que raça pertenço.”
E é isto que querem trazer para o Brasil. Cuidado gente! O nosso país é realmente um milagre, um país mestiço, mas o brasileiro sofre do “complexo do cachorro atropelado”, como dizia Nelson Rodrigues. Então, quanto pior, melhor!
Agora querem inventar que a população se declare preta ou branca. Isto não existe. Há o orgulho negro, sim, como há o orgulho branco. Há também os que odeiam o próximo e tem desprezo pelos mais pobres. Há preconceitos sociais. Há os que só olham para os mais ricos, achando que com isto se promovem também. E há os que preferem ver a briga, a guerra entre irmãos, o sangue correndo.
Estados Unidos neles!
O Brasil é o autor de um feito extraordinário, imitado no mundo inteiro, que é justamente não haver diferenças entre seus brancos e negros, pois na verdade todos, ou melhor, cientificamente comprovado, 72% da população tem sangue negro ou índio.
Fazer reserva de mercado, separar vagas, estabelecer quotas raciais, tudo isto conduzirá o nosso país a um impasse que ainda não tínhamos vivido. Estou de acordo que é preciso ajudar quem precisa. Mas, separação por raças e cores, coloca uma questão: quem vai arbitrar quem é preto, quem é branco ?
Quem sabe a gente procura ser feliz com o caminho encontrado e que já tem tanta estrada percorrida ?


Feliz Natal só é uma mensagem válida se o emitente e o receptor se afinarem pelo código de ética do cristianismo. Que há muito (ou nunca?) deixou de ser seguido pela maioria dos que se dizem cristãos. Mas é o mesmo código de valores básicos que vale para o judaismo ou para a religião muçulmana. Com diferenças de comportamento, motivadas por causas culturais, mas com o mesmo objetivo maior. E digo o mesmo para todas as religiões, e também, para os que não tem religião ou não crêem em Deus, ou algum arquiteto supremo do universo. A mensagem é válida enfim para todos os que acreditam nos valores humanos. postado por walter em 22/12/01



Leia o ABC DOMINGO, onde esta crônica está sendo publicada e que me propiciou o prêmio ARI DE JORNALISMO - CRÔNICAS, segundo lugar em 2001 entre mais de 150 concorrentes. Se você não mora no Brasil ou fora da região abarcada pelo ABC (sede em Novo Hamburgo, circulação em toda a região metropolitana de Porto Alegre, acesse pelos "Links favoritos" aqui nesta página postado por walter em 22/12/01

RECUPERANDO O RACIOCÍNIO


Walter Galvani


Ganhamos um presente de Natal e é sobre ele que quero escrever hoje, aproveitando a data em que circula esta edição do ABC, onde estou há seis anos e festejo o Prêmio ARI (segundo lugar) em Crônica no ano de 2001. Não, não me refiro ao prêmio, mas sim a um presente que ganhamos todos nós, pais, alunos, professores, brasileiros de um modo geral.
Refiro-me ao retorno da Redação aos exames vestibulares com valor eliminatório.
A partir do Vestibular do segundo semestre de 2002, aluno que não obtiver média em Redação não poderá seguir adiante, estará eliminado.
Não importa que a portaria do MEC tenha nascido por causa de um analfabeto que ousou fazer dois vestibulares e ser aprovado em ambos. Afinal, à beira do analfabetismo andam muitos candidatos ao curso superior e inúmeros formandos dos últimos anos. É pena, mas é verdade. São analfabetos funcionais, que não sabem raciocinar sobre tema nenhum e que, infelizmente para nós, formam-se e saem por aí a exercer (?) suas profissões.
Pressionado pela opinião pública, que já vinha sendo “preparada” para pensar o pior a respeito da Universidade como instituição, pelo fracasso público da maioria dos universitários convidados para o programa “Show do Milhão”, de Silvio Santos, o MEC defrontou-se no fim-de-semana passado com a revelação do sucesso duplo de um analfabeto confesso numa universidade do Rio de Janeiro.
Segunda-feira foi emitida a Portaria que restaura a Redação como caminho obrigatório e eliminatório na rota do Vestibular.
E agora chegou a nossa vez. Os candidatos, mas também os seus pais, da mesma forma os professores desde o ensino fundamental aos “cursinhos”, passando por todo o ensino médio, todos estarão comprometidos daqui para a frente com a preparação dos alunos para exercerem o seu raciocínio.
Desde já não se poderá admitir vestibulando que não saiba qual é o plural de “cristão”, o significado de plural ou explicar o que quer dizer, afinal, ser cristão ou não sê-lo... A ignorância total ou parcial estará pelo menos atenuada nas próximas gerações.
Já temos gerações perdidas, talvez irrecuperáveis, que pensam que não é preciso raciocinar, que não é necessário pensar, que poderão seguir trafegando tranqüilamente vida em fora, rumo a seu destino de massa de manobra de políticos corruptos ou de ditaduras potenciais ou realizadas.
E os pais, ah os pais! Estes terão que se preocupar com os seus filhos o ano inteiro e não apenas na hora de decidir as férias de fim de ano, quando apavorados, recorrem a todos os meios, tentando a aprovação para que não seja “atrapalhadas” suas férias de verão.
Terão de ir ao colégio ver o que desejam os professores que, cansados de mandar bilhetes irrespondidos ou de solicitar suas presenças, muitas vezes são obrigados a considerar os alunos como casos perdidos.
E os “vitelões” e as “vitelas” - como tão bem lembrava Felini em seu filme traduzido para “Os boas vidas” no Brasil, (“I Vitteloni”, em italiano) esses terão que estudar, trabalhar, pegar “no pesado”, pelo menos com os seus livros.
É a glória. Nem acredito que estejamos recebendo tal presente do Papai Noel.

(Originalmente publicada no ABC DOMINGO)

FALEI COMO PORTAVOZ DOS AGRACIADOS DO PRÊMIO ARI DE JORNALISMO postado por walter em 21/12/01

Já informei aqui que obtive o segundo lugar em Crônica, no concurso ARI DE JORNALISMO, relativo a este ano de 2001.
Conquistei o troféu com a crônica "Crime contra a Humanidade", publicada no ABC DOMINGO, no momento em que os talibans estavam no auge e demoliram as estátuas de Buda, numa clara demonstração de radicalismo e fanatismo religioso.
Na entrega dos prêmios ARI-BANRISUL, dia 19 pela manhã na sede do grande banco gaúcho que conseguimos safar da privatização generalizada... - falei em nome dos agraciados.
Na oportunidade, depois de cumprimentar o primeiro colocado na categoria Crônica, meu amigo Mario Marcos de Souza, que foi meu estagiário na gloriosa Folha da Tarde (que publicava o nome de TODOS os ganhadores de prêmio e não apenas os seus, que aliás eram sempre a maioria...) e contar que ele, profissional de primeira, era oriundo do nosso sistema de estágios, que acima de tudo valorizava o diploma do Curso de Jornalismo, a formação universitária, hoje atuando na Zero Hora, pronunciei-me contra a suspensão da exigência do diploma.
Esclareço: não tenho o diploma, porque quando comecei a trabalhar ainda não era exigência oficial, mas sou o seu maior defensor, porque entendo que é lícito esperar-se que alguém que se apresenta como Jornalista, tenha a preparação que hoje existe.
Melhorar o curso sim. Aboli-lo, nunca! Ampliar e aprofundar o currículo, com Filosofia, com História, isto sim.
E também aproveitei a oportunidade para me pronunciar, em nome dos colegas, que me aplaudiram, diga-se de passagem, contra o projeto de lei que permite a entrada do capital estrangeiro em nossas empresas de comunicação.
O que irá desfigurar e descaracterizar a imprensa nacional.
A emenda que permite o capital externo nas empresas do setor de comunicação está transitando na calada da noite, no Congresso.
Vamos abrir a boca, minha gente!
A Associação Riograndense de Imprensa, que já se havia manifestado em notas oficiais a respeito do assunto (que, parece, não foram publicadas) apoiou imediatamente nossas posições e emitiu nova nota reafirmando a sua.
O site www.coletiva.net está estampando o pronunciamento da ARI.
E aqui vai meu recado aos colegas, lembrando que, mais uma vez os veículos (TODOS) só divulgaram os SEUS premiados e nenhum deles lembrou-se de divulgar o discurso dos premiados. Talvez por falta de espaço.
Falei em Folha da Tarde: sim, saudades dos bons tempos. Ou melhor: Feliz Natal e Bom Ano Novo...

Argentina, oíd el grito sagrado: libertad! postado por walter em 21/12/01

CHOREMOS PELA ARGENTINA

Walter Galvani


Desde o sucesso do espetáculo musical sobre Eva Perón, “No llores por mi, Argentina” nos habituamos a encontrar a citação em textos, peças teatrais, filmes, canções. E esta se tornou uma fórmula habitual de estabelecer o nosso distanciamento dos problemas do vizinho.
“Laboramos em erro” – como se dizia em latim, língua-mãe da portuguesa (sempre é bom relembrar o útero de onde saímos).
Teria sido melhor ter chorado muito e constantemente, como hoje se vê.
A renúncia do presidente Fernando De La Rua, a queda de Domingo Cavalo, de todo o ministério, a perda do poder pelo Partido Radical, uma possível volta do peronismo, tudo isto é apenas a superfície da tempestade vulcânica que agita o país vizinho.
Os problemas estruturais que fazem oscilar todo o edifício da sociedade sob certo ponto de vista tão admirável da Argentina, estes residem na corrosão da economia, na ferrugem que comeu os pilares da ponte, no cupim que transformou em pó os alicerces da construção.
Algumas das virtudes argentinas serão alvo de ataques oportunistas. Seus defeitos serão ampliados e não se reconhecerá suas boas intenções. Falar-se-á apenas nos erros.
Vamos manter a cabeça fria e a capacidade de raciocínio, porém.
Queremos a recuperação da Argentina. Precisamos ajudá-la, no mínimo porque somos seu maior parceiro comercial. De que serve ao Brasil uma Argentina destruída ?
Qualquer que seja a solução política encontrada, teremos que aceitá-la por ser uma “solução” e além de tudo “política”, aqui no sentido maior do termo. E do chão onde se encontra a gloriosa, admirável Argentina ressurgirá, como já o fez outras vezes.
Enquanto isto, cabe ao Brasil desdobrar-se para encontrar caminhos, atalhos, e não apenas servir de campo de exílio para os apavorados cidadãos argentinos ou cálido acolhimento para seus fugidios dólares.
Choremos pela Argentina, mas também, além de orações, façamos algumas ações positivas.


Vamos apostar, uma vez mais, na recuperação dos nossos vizinhos postado por walter em 21/12/01



De hora em hora, piora... postado por walter em 20/12/01

CAIU DO CAVALO

Walter Galvani



O ministro, o super-ministro Domingo Cavallo caiu do... E com ele todo o ministério para deixar o presidente De La Rua com as mãos livres para remontar o governo.
Leia-se: “La venganza es un plato que se come frio...” Assinado: Carlos Menen.
São 12 os mortos, serão mais. A contabilidade macabra continuará nas próximas horas.
Enquanto isto, torcemos.
Nunca torcemos tanto para os argentinos quanto agora. E, parece mentira, logo agora que os futebolistas devem se consolar com o fato do Brasil haver caído para o terceiro lugar no “ranking” mundial, justo atrás da Argentina. E da França que continua em primeiro.
Prestem atenção no que vai em nosso vizinho do lado, porque o Efeito Orloff (lembram, ?) pode estar de volta.
Continuamos receitando muita calma e caldo de galinha.
Precipitação também não resolve. Mas, acho que o dólar vai subir um pouquinho, a reação seria lógica.
Não se precipitem.
E vamos rezar aproveitando que é Natal.


A crise que incendiou a Argentina pode nos atingir muito mais rápido e profundamente que se possa imaginar postado por walter em 20/12/01

ARGENTINA, BRASIL,
REAÇÃO E
PARLAMENTARISMO


Walter Galvani


Cinco mortos, centenas de feridos, o saldo negativo da reação. Mas, reação mesmo, povo nas ruas desobedecendo o estado de sítio implantado para impor medidas de força. Um “panelaço” e um “buzinaço” para refletir o desagrado diante do desastre da economia argentina e uma reação contra os políticos que foram incapazes de conduzir a administração do país, porém, tomem nota, contra TODOS os políticos. Não se trata pois de uma diferença partidária, de um possível desagrado por motivos eventuais.
Os problemas abismais que afetam a Argentina podem alcançar também o Brasil. Sabemos o quanto somos irmãos na desgraça e nas dificuldades econômicas, filhos que somos do mesmo sistema e do mesmo FMI, sofrendo das mesmas dificuldades históricas que nos tocaram.
Durante muito anos os brasileiros invejaram a prosperidade argentina e por muito tempo o país vizinho nos foi exibido como modelo a seguir.
Mas, os problemas estruturais que abalam a Argentina são os mesmos que temos no Brasil.
Nossas economias são complementares, somos dos argentinos os maiores parceiros comerciais e eles são nossos maiores parceiros.
Só podemos pensar no bem dos nossos vizinhos e a ridícula rivalidade esportiva precisa ficar circunscrita aos estádios.
Enquanto isto, pergunto se não seria a hora de refletir sobre a precariedade dos sistemas presidencialistas em que os presidentes são donos quase absolutos do poder e representam um esquema insubstituível antes de uma nova eleição. Uma vez eleito o presidente, por maiores que sejam os erros e desmandos, só poderemos, no Brasil, como na Argentina, substitui-lo quando forem realizadas novas eleições presidenciais.
Veja-se o recente caso de Portugal: derrotado o governo do PS nas eleições municipais, tendo ficado claro que a opinião pública não mais apoiava os atuais mandatários, por ser regime parlamentarista o gabinete apresentou sua renúncia.
Os países mais adiantados do mundo praticam o sistema parlamentarista de governo, Inglaterra, Suécia, França, Dinamarca, Holanda, Bélgica e dezenas e dezenas mais, com exceção apenas dos Estados Unidos, onde aliás o presidencialismo, por razões culturais, tem sua expressão mais sólida e mais forte.
O drama da Argentina deveria servir de exemplo e ponto de reflexão.
Quanto à solução da crise, esta pode e deve passar pelo corredor da política, mas sem o apoio do FMI, na situação a que a economia chegou, só com rompimento radical. Nem uma coisa nem outra interessa.
Como poderemos ajudar?
Já que, não se iludam, o interesse é nosso também.






OS AÇORIANOS DE LITERATURA SACUDIRAM A NOITE NO TEATRO ELIS REGINA postado por walter em 19/12/01

OS PRÊMIOS AÇORIANOS
DE LITERATURA – 2001


Walter Galvani


Houve de tudo. Foi uma festa completa. Desde uma apresentação de “rappers” até poemas nos Ônibus, histórias do Trabalho, emoção, estatuetas, envelopes tipo Oscar, até presença dos principais líderes da administração do PT, prefeito Tarso Genro, secretária Margarete Morais (que foi a primeira a dançar a convite dos rappers) até secretário estadual da Cultura, Luís Marques, subsecretário Charles Kiefer, editores como Roque Jacobi, Paulo Flávio Ledur, Geraldo Huff, ou escritores como L. A . Assis Brasil, Valesca de Assis, Walmor Santos ou os premiados da noite.
A Noite do Livro no Teatro Elís Regina valeu como o desenvolvimento e coroamento do trabalho da Coordenação do Livro e da Literatura e também pela presença do público, uma tribo bem definida com a participação de escritores, livreiros, intelectuais, artistas de um modo geral.
O apresentador da noite, João Machado, travestido de “azulzinho”, organizou o trânsito do espetáculo. E, aos poucos, foram sendo anunciados os novos detentores dos troféus Açorianos.
Do prêmio de ilustração para Laura Castilhos até “A Cocanha” de José Clemente Pozenato, “Açorianos de Narrativa Longa”, desenvolveu-se a noite, que passou peles seguintes itens:
Projeto gráfico – Flávio Mesquita, em “Deus é pai”;; Capa: “Memória das ruas”, de Fernando Neubarth, com a capa de Cristina Piazetto; a Editora do ano foi a Projeto, as livrarias do ano, duas delas, a Bamboletras e a Palmarinca, igualadas. Depois, o restante em seqüência:
O livro do MARGS, de Armindo Trevisan, Fábio Coutinho, Cida Golin, Naira Vasconcelos, Vera Regina Luz Grecco, da Tomo Editorial, que venceu a Categoria Especial. Diana Maria Marchi, editada pela UFGRS, que venceu com “A Literatura Infantil Gaúcha”, o prêmio de Ensaios de Literatura; “Édipo Tirano – a tragédia do saber”, de Francisco Marshall, também da Editora da UFRGS, ganhou o prêmio de “Ensaios de Humanidades” e a escritora Jane Tutikian conquistou com “Alêm, Marcelo, Ju & Eu”, para a WS Editor, o Açoriano de literatura infanto-juvenil.
A premiação foi transcorrendo, entremeada por apresentações de teatro e poesia e aos poucos foram sendo revelados os demais ganhadores. Como:
“O porão misteriosos” de Cláudio Levitan, para L&PM Editores, na categoria Infantil e os dois livros de crônicas premiados: “Na garupa de chronos” de Alcy Cheuiche e “A companha da solidão”, de Liberato Vieira da Cunha.
Em contos, um empate triplo:
“Anotações durante o incêndio” de Cintia Moscovich, para a L± “Contos de verdades” de Aldyr Garcia Schlee, para Mercado Aberto e “Rondas de escárnio e loucura” de Sérgio Faraco para a L&PM.
Patrício Carpinejar, já premiado pelo país afora, conquistou o prêmio de Poesia com o seu “Terno de pássaros ao sul”, editado pela Escrituras.
Vieram as revelações:
Em poesia: Beatriz Viegas com “O pampa pernambucano”; em conto, Fernando Mantelli, com “Para isto vim ao mundo”. E o especial do júri que foi para a artista Clara Pechanski, com “Variações sobre o enigma”.
E finalmente, encerrando a noite, narrativa longa, com “A cocanha” para José Clemente Pozenato.
Mas antes disso, houve os prêmios de “mídia”. A TVE, com Estação Cultura, apresentação de Lúcia Mattos, ganhou o prêmio de televisão, Ruy Carlos Ostermann, conquistou o de rádio com “Gaúcha Entrevista” e Maria Wagner e sua equipe, para o “Jornal do Comércio!”, pelo caderno VIVER, editado às sextas-feiras, o prêmio de jornalismo impresso.


Este colunista obteve o 2. lugar no concurso ARI DE JORNALISMO, prêmios que existem há 43 anos. O segundo lugar em Crônica (jornalismo impresso) muito me honra porque o primeiro colocado foi Mario Marcos de Souza, da Zero Hora, um antigo estagiário meu. É assim: quando os jovens ultrapassam os mais velhos, quando os alunos passam pelos mestres, é preciso aplaudir redobrado. Estou muito feliz pelo meu prêmio e pelo prêmio do Mário. É mais uma comprovação do acerto do que se fez em jornalismo desde os anos sessenta. postado por walter em 18/12/01

Meu Prêmio ARI DE CRÔNICA 2001, conquistei-o com esta crônica publicada no jornal ABC DOMINGO, editado pelo Grupo Editorial Sinos, cuja sede é Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.



CRIME CONTRA A HUMANIDADE

Walter Galvani


Ao longo dos séculos o obscurantismo esteve sempre ligado às grandes religiões e suas lutas pelo poder. O cristianismo, até se impor como religião praticamente única do Ocidente, cometeu as maiores atrocidades contra o homem e contra a civilização. Nem é necessário recordar os crimes da Inquisição da Igreja Católica ou o que foi feito contra os judeus, ou contra os huguenotes, enfim, a História está repleta de exemplos.
O fanatismo religioso, quase sinônimos ao longo dos tempos, é sempre um fantasma que volta a assolar o planeta.
Desta vez é o Taliban, que domina 95 por cento do Afeganistão ou as guerras étnicas (que também são religiosas, haja visto o caso do Timor) na Indonésia.
Em seus crimes contra a civilização o Taliban nem sequer hesita em destruir esculturas do século V, verdadeiras preciosidades que deveriam estar tombadas pelo Patrimônio Mundial e protegidas pela UNESCO, só porque elas representam Buda, adversário religioso cujo culto eles querem liquidar.
Temerosos de algum tipo de retaliação, assistimos mudos e impotentes porque ficamos mudos e paralíticos diante de tal monstruosidade.
As tropas que representam o Taliban estão usando tanques, lança-chamas, mísseis até, para destruir um passado que temem. Desta vez é em nome do Islamismo. Será que Maomé pensava assim ? Alá concorda com isto ? E a ONU, de braços cruzados, assiste.
O mundo globalizou-se mas globalizou-se para tudo. Um atentado destes à cultura, um crime contra a Humanidade, não pode continuar se produzindo enquanto, inermes, ficamos sabendo pelos meios de comunicação e nada fazemos.
Este é um legítimo caso de intervenção da ONU, suspensão de qualquer ajuda econômica do Banco Mundial. Agora, como os talibans são muçulmanos, será que o medo nos impede de agir ? Temor de que os países árabes subam o preço do petróleo ? Mas, será que os árabes apoiam tal atitude destes selvagens ?
Não vamos chegar a alcançar a utopia que sonhamos, é certo, mas pelo menos podemos usar as armas de que dispomos, nós que representamos uma herança cultural duramente acumulada e que já passou por todas as provas e testes, que já enfrentou inclusive até bem pouco tempo procedimentos semelhantes, nós que já vivemos o fanatismo religioso, o fascismo, o nazismo, o comunismo, enfim todas as manifestações de intolerância e racismo, de segregação e preconceito, de militarismo, ditaduras, tudo enfim, temos obrigação de agir em nome da Justiça, da Lei, da Ordem, da Inteligência, da Humanidade enfim.
Nada de ficar calados. Lembram da história ? “Um dia vieram buscar meu vizinho e eu fiquei calado; depois buscaram meu primo e eu nada disse. Depois vieram buscar meu filho e eu nada fiz. Depois, chegou a minha vez...”
Antes que chegue a nossa vez, vamos lutar.
Protestem, gritem, telefonem, passem mails, falem, façam com que todo mundo fique sabendo desses crimes e conheçam a nossa inconformidade.
É o que podemos chamar de civilização, é o que o mundo espera de nós, isto sim pode se chamar de globalização. Da consciência, não apenas do comércio ou da indústria.

(Crônica publicada quando da destruição dos budas pelo regime taliban, no início do ano 2001)


Esta corrida inútil de fim-de-ano merece um estudo, calma e (se possível) tranqüilidade postado por walter em 17/12/01

CULPA DOS ASSÍRIOS...

Walter Galvani


Já não sabemos mais o que faremos para empatar nossos compromissos com o ano que termina. Corremos enlouquecidos, participamos superficialmente de tudo, deixamos de ler, de ouvir música, de fazer as refeições com o cuidado devido, esquecemos os exercícios, as caminhadas, e até o contato com os amigos. Apenas comparecemos aos possíveis compromissos, correndo já para o seguinte, procurando estar a tempo no subseqüente e o fim do ano chega.
Assim é e assim tem sido, cada vez pior ao longo dos anos. Mas, cabe a pergunta: a culpa será apenas dos meios de comunicação de massa ?
Na verdade, a situação se agrava porque se aprofunda na cabeça das pessoas a absurda noção de que é preciso fazer tudo, aprontar tudo, antes da virada do calendário.
Pergunto: no ano passado mudaran o ano e o milênio e alguma coisa de fundamental foi alterada ?
A Humanidade continuou exatamente igual. Ou seja: cumprindo seus compromissos, mesmo depois do dia 31 de dezembro, mesmo porque os números são inexoráveis. Mas, além disso, o que foi empurrado não desapareceu, ao contrário, ressurgiu lá adiante, depois do dia primeiro, com a mesma situação. A mesma crise no Oriente Médio, o mesmo problema na Ásia Menor, a mesma pobreza na África e na América Latina, a mesma ignorância no Brasil, a mesma dependência de drogas, os mesmos rendimentos ao nível de miséria, tudo igual.
Quando chegam o Natal e o Ano Novo, os homens se cumprimentam, beijam-se, enviam cartões de boas festas, trocam gentilezas, que se evaporam no primeiro dia útil do novo ano, isto quando não soam os canhões e bombas mesmo durante as tais festas.
Há hipocrisia demais sobre a Terra.
E no entanto sonhamos que a mudança de data possa alterar nossas vidas, como num passe de mágica. Quando acordamos, depois da ressaca do champanhe ou da “caipirinha”, do chope e do vinho, tudo segue exatamente como antes.
Talvez possamos culpar os assírios. Afinal, foram eles que inventaram o calendário...


FIM DE ANO, NATAL, SONHOS E VERDADES postado por walter em 16/12/01

PAZ! PAZ! PAZ!

Walter Galvani



O título deste artigo é um pedido. A sua abertura inevitavelmente será uma dúvida: Paz ? Paz ? Paz ?
Os homens se odeiam. Competem, discutem, lutam entre si, por ninharias ou por tesouros materiais, por crenças, por religiões, por mitos, por fantasias e até por desejos. Por vingança e por ódio puro, alimentado durante séculos de desentendimento.
E então chega-se à esta época de Natal e Ano Novo, quando trocam mensagens otimistas e aparentemente carregadas de boa vontade. Ou estarei enganado, envenenado pelo que se vê por aí ?
Cinismo e hipocrisia pilotam os sentimentos humanos. Irmãos, parentes que nunca se vêem e que se encontram uma vez por ano, amigos que na verdade são competidores, e eis que se abraçam e se beijam.
E estes sentimentos se ampliam para as nações que se odeiam e querem obter cada vez mais vantagens das necessidades alheias. Querem tomar o território aos vizinhos, ou as riquezas aos adversários. E neste botim de guerra encontrar a felicidade.
Estamos às portas de 2002 e não no tempo das carochinhas.
Derrubar as torres gêmeas, devastar o Afeganistão, explodir os poços de petróleo, espalhar minas terrestres que arrancam pernas, braços e cabeças de velhos, jovens e crianças, sugar as reservas financeiras dos países amigos, explorar os devedores, são partes do mesmo todo e do mesmo espírito.
Homens e mulheres, nações e blocos continentais, caminham todos movidos pela mesma ânsia de ganhos e conquistas.
Depois de 66 natais e outros tantos festejos de anos novos, de

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