pois de ver campear a ignorância, a intolerância, a ambição, o orgulho, a prepotência, devo acreditar nos sinos que tocam desabaladamente em nossa cabeça “jingle bells, jingle bells” ?
Paz, minha gente.
É só o que se pode pedir neste momento.
Aceitar as diferenças. Porque todos tem que pensar como você ? Vós, religiosos, porque todos tem que professar vossa mesma crença ?
Negros, brancos, amarelos, vermelhos, somos todos iguais. Ao longo de quinhentos anos, desde a conquista desta terra pelos portugueses, durante estes cinco séculos de construção, lentamente assentamos os princípios, em certos momentos impostos, engolidos, noutros pura e simplesmente resultado dos próprios fatos, levantamos um monumento de democracia racial, de mestiçagem, de miscigenação, de entendimento. Mas, nosso exemplo não é o suficiente. Do Afeganistão iremos para a Palestina. Israel ou Estados Unidos, Inglaterra ou França, e claro, Brasil.
Sentados neste barril de petróleo que pode explodir a qualquer momento, caminhando sobre este terreno minado que pode nos jogar para os ares e nos arrancar as pernas, vendo cair as torres gêmeas ou destroçar-se países inteiros, milhões de vidas humanas, admiramos as luzes das cidades, as casas, ruas e praças enfeitadas para o Natal, os desejos de Feliz Ano Novo cruzando os céus e os meios de comunicação.
Li um dia destes que os primatas superiores possuem dons inatos de linguagem, o que os pode levar ao pensamento lógico e à construção de uma civilização. Quando eles herdarem a terra, se é que vão sobrar vivos, que não repitam os erros humanos.
Ainda há gente de boa vontade ? Sim. Parece, contudo, que somos minoria. Em todo o caso, sempre vale a pena acreditar em alguma coisa. Se já reconstruímos o mundo tantas vezes, porque não o faremos mais uma vez ?
Esta é a mensagem portanto, velha como o mundo: Paz na terra aos homens de boa vontade. Simples, talvez ingênua. Pelo menos sincera.
(Texto originalmente publicado no jornal ABC DOMINGO, edição de 16/12/2001)
Uma vez esquecido o Afeganistão, será a vez de Israel versus Palestina. E depois... postado por walter em 14/12/01
HAVERÁ PAZ ALGUM DIA ?
Walter Galvani
Aparentemente está chegando ao final o conflito do Afeganistão, que na verdade se constituiu numa expedição punitiva movida pelos Estados Unidos, como revanche pela derrubada das Torres Gêmeas. Foi apresentado um vídeo, cuja autenticidade os árabes ligados a Bin Laden negam, incriminando o líder da Al Qaeda pelos atentados. Mas, aos poucos uma possível normalidade começa a se restaurada naquele país que, diga-se a bem da verdade, não tem tido muita paz nos últimos anos. É uma região conturbada, que tem sido alvo de passagem de conquistadores como Alexandre, o Grande, ou de assentamento para ocupantes estrangeiros como ingleses e russos.
A expectativa de uma pacificação na região propiciou alguma autenticidade ao Prêmio Nobel da Paz conferido a Koffi Annam e a ONU que ele secretaria, distinção que também traz um pouco dos efeitos dos resultados favoráveis obtidos na Bósnia, o conflito, lembram ? – de dois e três anos passados. Respiramos aliviados e vamos adiante.
Mas o horizonte não pode estar mais enfarruscado do que está. Volta-se para o eterno problema do Oriente Médio, irresolvido há dois milênios aliás. Todas as informações apontam para o agravamento do conflito da Palestina, a terra santa para as três principais religiões monoteístas do mundo, que aliás, junto com um admirável código de ética desenvolveram também entre os seus seguidores a habilidade de descumpri-lo e odiar os fiéis da fé alheia.
Cristãos, muçulmanos e judeus, uns em maior outros em menor grau, não os julguemos porque fica difícil ser justo neste caso, de um modo geral se consideram donos da verdade e desconhecem ou desrespeitam as crenças alheias. Do desrespeito ao desprezo, da frustração à raiva, da inconformidade ao ódio, vão estes “religiosos” que no fundo, a nós, os que não somos radicais ou “beatos”, que não sofremos felizmente de “carolice” e outros defeitos de caráter, que temos tolerância para com todas as raças, crenças, filosofias, ideologias, decepcionam profundamente.
Serão seres humanos em aperfeiçoamento ou meros fantoches em mãos de quem eventualmente detém milímetros de conhecimentos a mais do que estes pobres ignorantes ?
Pois é, mas estes é que poderão jogar o mundo numa nova guerra. Israel contra a Palestina mais uma vez. O Oriente Médio arderá todo numa fogueira só, como se sabe uma região cujo subsolo é riquíssimo em petróleo, um dos bens não renováveis mais preciosos e com durabilidade para mais meio século.
Mas, infelizmente, não se iludam. O pior vem aí e não será apenas o Oriente Médio a queimar. O mundo todo será envolvido fatalmente e desta vez não haverá nenhuma Suíça para escapar incólume.
Bush já decretou uma vez e o fará de novo, a escolha entre o Bem e o Mal significará optar pelo lado norte-americano ou contra ele. E o Brasil, minha gente, está fatalmente inscrito nisto e vocês já sabem de que lado estaremos.
De nada adiantou, até aqui, sermos o exemplo mais invejado de país que conseguiu fazer a miscigenação, a agradável e fortificante mistura que resultou numa população tolerante, mestiça e com a cabeça povoada de religiões animistas, espiritualistas, cristãs e também muçulmanas ou judaicas, sem distinções de credo e cor.
Nossos soldados marcharão ao lado dos uniformes que o capital decretará como adequados aos nossos interesses, digamos “ocidentais” e vem aí a invasão de capital estrangeiro em nossa imprensa para calar os que se atrevem a protestar ou pelo menos lembrar que se pode ser diferente.
Quem sobreviver – e não serão muitos – verá.
Porque a paz, infelizmente, é impossível. Não se produzirá enquanto existir esta “gentinha” que aí está.
A crise ? Isto a gente derruba com trabalho.Vejam o exemplo que nos vem de Canoas postado por walter em 13/12/01
NA PRIMEIRA PÁGINA DA
GAZETA MERCANTIL
Caderno Sul
Iriel cresce e aposta na certificação Iso 14001
A Iriel Indústria Elétrica Ltda, fabricante da linha de interruptores Duale e Talari, que detém cerca de 25% do mercado de interruptores e componentes do país, começou a corrida em busca da certificação da ISO 14001, com o início da implantação do seu Sistema de Gerenciamento Ambiental, no momento em que comemora um crescimento de 26,7 % nos onze meses deste ano de 2001.
A empresa concentrou na fábrica., no ato de lançamento do programa, toda uma representação de autoridades locais, dada a sua importância para a economia de Canoas, terceira cidade industrial do Estado.
O diretor Darwin Longoni falando em nome da empresa, destacou que o “slogan” escolhido para a campanha em busca da certificação ISSO 14001 é significativo: “plante uma árvore, cultive o futuro” – dizendo que ninguém mais pode se eximir da necessária participação nesta conscientização geral que tem a ver com os próprios destinos do planeta.
O diretor Jandir Capoani plantou uma árvore no pátio da empresa, abrindo assim o programa oficial de controle ambiental. Depois do almoço de confraternização, que reuniu convidados, funcionários e seus familiares, todos foram contemplados com uma pequena muda para que cada um desse seqüência, em suas residências, ao espírito que esteve presente nesta largada para a conquista do diploma especial de defesa do Meio Ambiente.
A Iriel tem sucursal em São Paulo e representantes em todo o país, empregando em sua fábrica de Canoas, 250 pessoas. Opera desde 1964 e já conquistou a ISO 9001, vários prêmios de qualidade, dedicando muito de sua atenção à área social, patrocinando cursos para funcionários, apoiando bibliotecas e participando do premiado Projeto Pescar, que abre vagas para estagiários no Rio Grande do Sul.
(Matéria publicada originalmente na edição de 12/12/2001 da Gazeta Mercantil)
SALÁRIO DE 200 REAIS postado por walter em 13/12/01
SALÁRIO DE 200 REAIS
Walter Galvani
Como muita gente me lê no exterior aqui na Internet, começo explicando que um salário mínimo de 200 reais, significa em valores de hoje, 85 dólares.
Expliquemos que os deputados e o governo fizeram um grande acordo para aprovar um novo mínimo com o valor de 200 reais para vigorar no Brasil a partir de janeiro.
Qualquer pessoa, no Brasil ou no exterior, sabe o que se faz com 85 dólares, exceto na China ou no Afeganistão.
Você que me lê também sabe que o custo de vida corre parelho com o desenvolvimento.
Se alguém estiver me lendo na Finlândia ou na Suécia morrerá de rir. Ou de tristeza pensando nos pobres brasileiros que precisam sobreviver com tal importância mensal.
Mas, as empresas também sabem o quanto subirão os seus custos com esta simples elevação de 180 para 200 reais.
Tudo isto é muito triste, se não fosse de dar raiva.
Qualquer economista sabe que se você colocar mais dinheiro em circulação, aumentará a inflação. Mas também aumentará a arrecadação dos governos, dos três níveis: municípios, estados e país, pois em forma de impostos muita coisa retornará.
O lamentável nisto tudo é ver que o nosso país continua um mendigo, vestido de andrajos, pedindo investimentos estrangeiros e fazendo dívidas que mais adiante terá que pagar. E então haverão de se levantar os patriotas contra o FMI. Mas, o que fazer ? Primeiro saldemos os compromissos, é duro, mas é o que nos pedem também, não é mesmo ?
Vejam só: 85 dólares por mês. É o mesmo valor que pede por diária, um hotel médio, de duas ou três estrelas em qualquer parte do mundo.
Vamos receitar portanto o quê para resolver o problema do país ?
Além de mais trabalho, dedicação, vendas, produção, mais gente na lavoura, mais eficiência nos sistemas e métodos, menos desperdício. Tudo teorias vãs, diante da realidade que nos rouba uma parcela do que suamos para produzir, em forma de pagamento de “royalties” ou de empréstimos que vem sendo feitos desde que nos emancipamos.
Cada um faça a sua parte.
E nem assim.
Mas, como é fim de ano, Natal, etc. deixemos uma luz, uma pequena esperança no ar, lembrando que se não fizermos nada ficará pior ainda.
E no ano que vem, eleições, vamos escolher em quem votar. Com muito cuidado, sem nos deixar levar por falsas ilusões, imagens vendidas ou promessas irresgatáveis.
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Como dizem os práticos: eleger alguém é fácil. O difícil é governar.
Somos ou não somos um país mestiço ? postado por walter em 13/12/01
VAGAS PARA NEGROS
Walter Galvani
Pensamentos e sentimentos contraditórios me sensibilizam neste momento. Reconheço que é preciso forçar a barra e oferecer oportunidades maiores para os negros. Afinal, nestes 113 anos – é pouco, muito pouco tempo – não tiveram eles como acumular riquezas e consolidar patrimônios que servissem de ponto de partida para construir uma fortuna ou pelo menos uma situação equilibrada.
Desde o 1888, em alguns locais um pouco antes, como no Rio Grande do Sul, por exemplo que foi em 1884, ou até pensando nas libertações espontâneas geradas sobretudo pela mentalidade liberal de grandes proprietários gaúchos, muitos deles fazendeiros e militares, políticos, remanescentes do pensamento farroupilha.
Mas, mesmo assim pouco mais de 100 anos é pouco, considerando que, geração após geração estes negros tiveram que vir batalhando pela sobrevivência e não muito mais do que isto.
Ponha no balanço a entrada a e saída de recursos e ande sempre sobre a linha do equilíbrio e até eventualmente um prejuízo para ver que fica muito difícil fazer uma poupança significativa.
Como promover então a educação, o progresso econômico, a disputa por cargos públicos tradicionalmente reservados à burguesia, por força até do preparo dos seus descendentes ?
Ao mesmo tempo me choco, perguntando:
Mas este não é um país de miscigenação ?
Bem, devagar, não é mesmo ?
O ideal é que ninguém se declare negro, ou qualquer outra cor, mas apenas pessoa, naturais todos do mesmo país e com os mesmos direitos.
Mas não apenas por declarar-se ou não, mas simplesmente porque a cor da pele não influa e nada modifique.
Com a tal sonhada mistura que tanto aplaudimos, todos vão ficando mais ou menos pardos. O que, sob o ponto de vista humano não tem diferença nenhuma. Ou não deveria ter.
Não estamos mais saindo da Idade Média, quando era preciso demonstrar que se era isto ou aquilo e de “quatro costados”. Ou seja: de todos os quatro pontos, os dois maternos e os dois paternos, desde os avós portanto, e de preferência dos avós dos avós, não havia nenhum sangue “comprometedor”... O que extrapolava os modernos conceitos de cor.
Mas não é assim.
Portanto, um empurrão pode ajudar.
Sou contra esmolas, mas reconheço que em certos casos, uma esmola, dada com amor e integridade, sem interesse nem ofensa, pode ajudar quem está por baixo e precisa de uma boa mão para salvar-se.
Quem duvida disso ?
Então, abrir vagas, 20 por cento que seja, garantidas para negros, parece uma medida a ser considerada.
Não é o ideal. Mas funciona como a tal ajuda a quem está na pior.
E não há razão para negar. Os que estão concedendo dispõem afinal de 80 por cento das chances, não é mesmo ?
Se aparece como uma reserva de mercado, também é certo que precisa ser melhor apreciada e não vista apenas, talvez por alguns, como demagogia.
Mas quem decide, quem arbitra quem é negro ou branco, ou pardo ou mameluco ou mulato ?
E quem terá direito à vagas ? O negro retinto ?
Bobagens, acabaremos criando um caso que não existia no Brasil.
Preconceito existe sim. Mas 72 por cento da nossa população, conforme pesquisa da Universidade de Minas Gerais, tem ascendentes negros ou índios ou as duas coisas.
Se a situação vai mal na Argentina ou qualquer outro vizinho, temos é que estender pontes de compreensão e fraternidade postado por walter em 10/12/01
BILHETE DE BUENOS AIRES
Walter Galvani
Durante o último programa “Porto Alegre em Buenos Aires” lá estivemos. Um grupo de escritores, intelectuais e artistas do Rio Grande do Sul, foi estreitar nossos laços com os argentinos. E que são muitos e naturalmente extrapolam os limites da infantilidade das rivalidades esportivas.
Andamos pelas ruas portenhas com a secretária municipal de cultura de Porto Alegre, Margarete Morais, com o então Coordenador do Livro e da Literatura, Mauro Gaglietti e também com os escritores Alcy Cheuiche, Jane Tutikian, Valesca de Assis, Luís Antonio de Assis Brasil, o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro e tantos mais, principalmente atores, músicos, cantores.
E lá conhecemos gente. Como por exemplo a escritora Susana Cella, (visitou Porto Alegre na última Feira do Livro) autora de uma notável novela sobre a vida no pampa (aliás em espanhol, “la pampa”), denominada “El inglés” e que, atenta ao que aqui se diz e escreve, manda-me esta pérola que publico agora na Internet:
“Estimado Walter, dice el Martín Fierro
Los hermanos sean unidos
Porque esa es la ley primera
Tengan unión verdadera
En cualquier tiempo que fuera
Pues si entre ellos hay pelea
Los devoran los de afuera.
Leí su articulo sobre nuestra crisis. Le quiero agradecer sus conceptos, no solamente porque en este momento en que nosotros, los tan soberbios y orgullosos argentinos, nos convertimos en seres taciturnos, que van caminando por la calle com amargura, com impotencia, viendo cada vez más mendigos, gente que apenas compra algo para comer, un presidente que dá vergüenza, un siniestro ministro de economía, sin vislumbrar de qué manera podemos recuperar algo de nuestro pasado, de todo lo que nos han robado y que no solamente es dinero.
A lo largo de la historia de las guerras y las rivalidades entre nuestros paises latinoamericanos siempre beneficiaron “a los de afuera”. Y seguramente si las cosas siguen así no vamos a poder ni siquiera pensar en ir a las hermosas playas brasileras de agua tibia, ni a ninguna parte. Así estamos. A la espera de lo que va a suceder, si vendrá el ministro de Estados Unidos com la “buena notícia” de que habrá más recortes de sueldos, más miseria. Se convertirá la Argentina en un recuerdo ?
Un abrazo
Susana Cella
A Iriel está comemorando um crescimento de 26,7 % nestes onze meses de 2001, o que a torna uma das mais eficientes empresas do país. Agora, todos os esforços rumo à Norma ISO 14001 postado por walter em 10/12/01
ISO 14001: IRIEL DEU O
PRIMEIRO PASSO NA
GRANDE CAMINHADA
A Iriel começou a corrida em busca da certificação da ISO 14001, com o início da implantação do seu Sistema de Gerenciamento Ambiental.
Foi uma jornada de festa em sua sede.
O município de Canoas se fez presente de forma objetiva, clara e bem definida: o vice-prefeito Márcio Kauer, no exercício da representação oficial da prefeitura do 3º município do estado, acompanhado pelo Secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz T. Thomé e pelo diretor de Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Preservação Ambiental, engenheiro Isaac Zilberman. Todos estiveram no final da bela manhã de sábado, na sede da Iriel, na av. Nazário.
Também a Câmara Municipal se fez presente através do vereador Cofy e igualmente o sindicato da categoria, o SIMECAN, com o seu presidente José Cláudio dos Santos.
O diretor Darwin Longoni falou em nome da empresa, saudando os visitantes, os representantes da imprensa, os funcionários e seus familiares, lembrando que o “slogan” escolhido para a campanha em busca da certificação ISSO 14001 é significativo: “plante uma árvore, cultive o futuro” – dizendo que ninguém mais pode se eximir da necessária participação nesta conscientização geral que tem a ver com os próprios destinos do planeta.
O diretor Jandir Capoani no coroamento da cerimônia, plantou uma árvore no pátio da empresa, simbolizando a entrada oficial no programa. Depois do almoço de confraternização, que reuniu convidados, funcionários e seus familiares, todos foram contemplados com uma pequena muda para que cada um desse seqüência, em suas residências, ao espírito que esteve presente nesta largada para a conquista do diploma especial de defesa do Meio Ambiente.
Os alunos brasileiros cada vez sabem menos. Lêem e não compreendem o que leram. E o Brasil é o pior entre 32 países pesquisados em matéria de ensino fundamental. postado por walter em 09/12/01
JUSTIFICATIVA DA IGNORÂNCIA
Walter Galvani
Os números estão aí, não podem ser desmentidos. Mas podem ser retocados, glamurizados e apresentados publicamente como defesa de posições e interesses políticos.
O ensino elementar brasileiro, pesquisado por entidades nacionais, obteve o 32º lugar. Só que entre 32 países.
Alguma dúvida ?
Nossos alunos são ignorantes, não lêem nada e não sabem escrever.
Mas são passados de ano, por causa de um absurda decisão de aprovar todo mundo “na marra”, para que não fiquem ocupando o lugar dos que estão chegando. Quer dizer: ao invés de criar mais vagas, ao infinito se preciso for, como diria nosso poeta (infelizmente lido cada vez menos), a obrigação do pobre professor, por seu turno mal pago e pior preparado, é “passar” esta multidão de analfabetos funcionais que estamos produzindo, gente incapaz de raciocinar, de produzir um pensamento articulado.
Dá para suspeitar que a intenção é esta. Mas que conta com o apoio de todos os partidos, porque não ouço, não vejo e não leio em lugar algum, manifestações contrárias de partidos políticos, no poder ou fora dele. Parecem todos de acordo.
E toca fabricar mais burros. Que seguem pelos mecanismos de preparação adiante, formam-se médicos, advogados, jornalistas, engenheiros.
Não é de estranhar que se produzam maus jornais e péssima televisão, que caiam pontes e que as pessoas morram por erros médicos. E que cada dia haja mais advogados dirigindo táxis. Só pode.
O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) pesquisou 32 países, começando pela Finlândia, atravessando toda a Europa, alguns da Ásia e das Américas. Trinta e dois. Classificação do Brasil: ÚLTIMO.
Precisa mais ?
Coréia, Islândia, Portugal, Letônia, e até o México estão à nossa frente.
O Ministério da Educação brasileiro, contudo, considerou o resultado “melhor que o esperado.” O tal ministério deve estar esperando que uma manada de búfalos destrua o seu edifício. Para começar do zero.
O PISA avaliou os alunos de 15 anos na área de matemática, leitura e ciências. A leitura foi a mais enfatizada das provas, reunindo no ano passado, 5.000 alunos de todo o país. Ah, a zona rural foi excluída, para que o vexame não fosse maior ainda, naturalmente. “A escola – examina o economista Cláudio Correia e Castro – tanto de rico quanto de pobre, não está ensinando seus alunos a ler um texto escrito e a tirar dele as conclusões e reflexões logicamente permitidas.”
Ato dois:
Foram divulgados resultados do ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio): os alunos brasileiros tiveram a pior média dos últimos três anos.
Mais uma vez a pirâmide social funcionou mostrando que os mais ricos, que freqüentam escolas particulares, estão melhor preparados do que os demais. Saudosos tempos em que escola pública e particular se eqüivaliam e até era “chique” mandar os filhos para um colégio do estado.
A coisa vai de mal a pior. E o Ministro da Educação diz que “estamos botando a nu a realidade brasileira, que reflete a exclusão social”. Pelo menos ele diz que devemos oferecer melhor escola pública. A coordenadora do ENEM fala claro: “O ENEM comprova que os alunos decodificam as palavras, mas não compreendem a proposta das questões.”
Basta ver um programa de televisão destes para perceber que os “convidados universitários” usam vestidos longos e smokings mas não sabem nem de que lado sopra o vento. E como é que se escreve o traje que vestem, o significado de Sagrado e Profano e nem o que quer dizer Desagrado. Que é o que sentimos com relação a eles, a seus professores, ao sistema de ensino, aos métodos adotados e à estrutura política da Nação.
(Originalmente publicado no jornal ABC DOMINGO, de 9/12/2001, editado pelo Grupo Editorial Sinos)
Um dia de sol e muita luz ao sul do Brasil. A Iriel acionou seu interruptor postado por walter em 08/12/01
PLANTE UMA ÁRVORE, CULTIVE O FUTURO
Walter Galvani
Para os meus amigos que me lêem no Brasil e no Mundo – e é com satisfação que informo que este “site” já foi visitado por gente de todo o planeta, como Portugal, Alemanha, Holanda, Argentina, Estados Unidos, Cuba e Arábia Saudita, entre outros mais ou menos “votados” , - informo que nesta bela estação estival, aqui no sul da América e do nosso país, participo de uma tarefa honrosa: participo da arrancada da Iriel, uma indústria de materiais elétricos, tomadas e interruptores, rumo à certificação da ISO 14001.
Para os que porventura não saibam, trata-se da norma que estabelece o respeito ao Meio Ambiente.
Desde que inaugurou sua nova fábrica, na Estrada do Nazário (hoje avenida do Nazário), no bairro Estância Velha, em Canoas, a terceira cidade do estado do Rio Grande do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, que a Iriel deixou bem clara sua preocupação: ao levantar suas instalações, foi preservado um bosque, todo um recanto que se transformou num pequeno jardim e fonte de admiração dos visitantes de fora.
É hoje o dia. Um belo sol resplandecente e uma temperatura relativamente amena para o período.
Convidados ilustres e a presença dos funcionários e seus familiares. A ocasião servirá também para comemorar o Natal e o encerramento do ano de atividades.
E como estarei lá – afinal a Iriel também tem apoiado minhas atividades, tanto que fez questão de participar do projeto de pesquisa histórica que redundou em meu livro, “Nau Capitânia” – pretendo dizer algumas palavras que faço questão de difundir aqui através da Internet.
Ei-las:
“Acreditar no futuro é investir agora” – afirmava Darwin Longoni, em seu nome e de seu sócio Jandir Capoani, na inauguração desta fábrica em 1999.
Dois anos se passaram, dois anos de crises e dificuldades como tem sido para o Brasil e para o setor industrial, a Iriel cresceu lenta e seguramente e hoje nos encontramos aqui, novamente, desta vez para dizer que “plantar uma árvore é cultivar o futuro”.
É o que faremos, porque sabemos que estamos pensando não só no nosso futuro, mas sim de toda a Humanidade.
O símbolo modesto e singelo de plantar uma árvore, de buscar para esta empresa a certificação da ISO 14001, significa alinhar-se nesta batalha que deve ser coletiva.
Para isto trouxemos hoje aqui, um homem que é um símbolo desta luta.
José Joaquim Longhi, descendente de uma das famílias mais tradicionais da cidade e que se encaminhou por uma vocação notável e em outros tempos, pioneira, para a defesa do Meio Ambiente.
Hoje este tema é bem recebido e predomina em muitas conversas e atividades. Mas, quando Longhi começou era muitas vezes posto em dúvida. Hoje, quem se lembraria de contestar suas ações ?
Em versos sinceros e sem sofisticação mas que se constituem numa síntese de seu pensamento e resumem uma vida de dedicação aos outros, à Humanidade, ao Meio Ambiente, José Joaquim Longhi nos presenteia com este poema que vou ler agora:
PLANTANDO EM VERSOS
Uma árvore foi plantada
Com amor e dedicação
Em pouco tempo ela cresceu
Já tinha sombra no verão.
A árvore já está bem grande;
Uma beleza a céu aberto
Praça que não tem árvore
É igual a deserto.
Todos podem plantar árvores,
Não tem cor e não tem idade,
Cada árvore que for plantada
Aumenta o pulmão da cidade.
Frutos nativos podemos plantar aqui
Para aproximar a fauna silvestre:
Guabijú, guabiroba, bacuparí
Para plantar não precisa ser mestre.
Com um banco embaixo dela
Todos podem nele sentar
Depois de uma caminhada
Para um pouco descansar.
Sentindo o prazer do descanso
Lentamente alguém levantou
Olhando firme para ela
“Deus abençoe a quem te plantou!”
Todos os dias pode-se começar
A plantar espécies em extinção
Para a cidade embelezar,
Fazer paisagismo e preservação.
José Joaquim Longhi
São raras, contam-se nos dedos as empresas que efetivamente se preocupando com o Meio Ambiente, lançam-se em busca da Certificação da ISO 14001. A Iriel com fábrica em Canoas, mas que detém parcela considerável do mercado nacional de interruptores e afins, é uma delas. postado por walter em 07/12/01
DEFESA DO MEIO AMBIENTE:
IRIEL EM BUSCA DA
CERTIFICAÇÃO 14001
Plante uma árvore, cultive o futuro – é assim que a Iriel Indústria Elétrica de Canoas, convida a comunidade, autoridades, clientes, amigos e funcionários, a participar do próximo passo da implementação do seu Sistema de Gestão Ambiental, que ocorre neste sábado, dia 8, a partir das 11 horas da manhã, no pátio da empresa, que fica à Avenida Nazário, 2100, bairro Estância Velha, em Canoas, sabendo da significação e da responsabilidade da proteção ao meio ambiente.
A implementação do SGA (Sistema de Gestão Ambiental) está integrada na busca constante da qualidade, rumo à Certificação da Norma ISO 14001 e será dentro deste espírito que a Iriel plantará uma árvore em seu pátio, símbolo deste compromisso com a comunidade.
A Iriel, uma empresa com 37 anos de atuação, estabelecida em Canoas e detendo uma parcela significativa do mercado brasileiro na área de interruptores e demais componentes elétricos. Tendo inaugurado sua nova fábrica em 1999, acompanhando a evolução tecnológica do mercado, possui desde 94 a certificação da ISO 9001. Além de suas instalações em Canoas, a Iriel dispõe de sucursal em São Paulo e representações em todo o país.
Os seguintes princípios constituem a sua Política Ambiental que começa agora a ser implantada:
- Prevenção e controle da Poluição Ambiental;
- Melhoria contínua de seus processos e do Sistema de Gestão Ambiental;
- Promoção da consciência ambiental de seus funcionários e parceiros cujas atividades gerem Impactos Ambientais Significativos;
- Promoção de canais de comunicação com a comunidade;
- Atendimento à Legislação e Normas Ambientais.
Acompanho a IRIEL há muitos anos e posso dar o meu depoimento. É uma empresa, dirigida por Jandir Capoani e Darwin Longoni, que tem investido naquilo que se convencionou chamar o "social". Participa do Projeto Pescar, por exemplo, proporciona melhorias na área de educação aos seus funcionários e no caso do titular deste site, apoiou a bolsa de pesquisa para produzir o livro NAU CAPITÂNIA, hoje com três prêmios nacionais e o internacional "Casa De Las Américas". Estava certa a Iriel, como tem andado certo em sua produção industrial e agora, nesta opção pela defesa do Meio Ambiente.
Um exemplo a ser seguido postado por walter em 06/12/01
O SESI E O NOVO
HOSPITAL DA CRIANÇA
SANTO ANTÔNIO
Walter Galvani
Um dos meus mais antigos e queridos colegas, Arquimedes Fortini, que infelizmente já nos deixou, sempre me recomendava sua especial devoção a Santo Antônio e o significado que tinha em sua vida. Não me revelou com que graças foi contemplado, mas todos o acompanhamos tanto na provedoria da Santa Casa quanto na dedicação ao Hospital da Criança.
Ele nunca se cansou de dizer que esta seria a obra de sua vida. E de fato, enquanto viveu se dedicou a levantar fundos, às vezes milagrosamente, dos mais diversos setores, contribuintes, pessoas físicas e empresas. E foi assim que se tornou possível a obra da rua Ceará, o Hospital da Criança Santo Antônio que tantos benefícios tem trazido à comunidade porto-alegrense.
Foi assim, com a maior satisfação que ouvi no almoço de encerramento das atividades do ano da FIERGS, a notícia de que o SESI, esta instituição que tanto tem ajudado a melhorar as relações entre patrões e empregados no país, que tanto tem auxiliado a promover o equilíbrio social e a proporcionar felicidade aos seus associados, está fazendo a doação de 100 mil reais ao novo Hospital da Criança Santo Antônio.
O SESI do Rio Grande do Sul tem contribuído para consolidar várias iniciativas de natureza social como as ações desenvolvidas junto ao Instituto do Câncer Infantil, meritória obra comandada desde os primórdios pelo colega jornalista Lauro Quadros, o Instituto das Crianças com Diabetes (dono do mais belo comercial de televisão do RGS) e o fantástico Instituto de Cardiologia, entre outras ações.
CÂMARA APROVOU A FLEXIBILIZAÇÃO DA CLT. AGORA FALTA O SENADO. ENQUANTO ISTO... postado por walter em 05/12/01
DE NOITE, PELAS COSTAS...
Walter Galvani
De nada adiantou toda a resistência sindical armada pelas centrais, de nada serviu cercar o carro do Ministro do Trabalho, descendente da ilustre família que implantou a legislação trabalhista no Brasil, de nada serviu trocar ofensas no Congresso, nem rasgar a Constituição simbolicamente, nem atirar pedaços de papel no rosto de colegas. Também não adiantou fazer a divulgação de que as mudanças na CLT acarretariam uma situação muito difícil para as categorias enfraquecidas na hora da negociação, quando prevaleceria tudo o que a entidade patronal desejasse.
Nem tampouco adiantou a divulgação de pronunciamentos de juristas eminentes – como fiz aqui com a opinião do professor e advogado trabalhista (da área patronal) Emílio Rothfuchs Neto, que lembrou que é chegada a hora da revisão completa da CLT e não apenas a mudança do artigo 618.
Prevaleceu a vontade do governo, imposta pela força dos seus argumentos. Chegou-se ao ponto de liberar a verba a que tem direito os parlamentares para atender suas bases em pleno dia da votação. Este míssil governamental derrubou as últimas resistências e o projeto passou por 264 x 213 e 2 abstenções.
O governo garantiu a vitória com nove votos a mais do que na outra votação, quando se produziu uma pane no painel. Embora se haja suspeitado do problema técnico, na oportunidade o governo ganharia, da mesma forma.
O quorum também cresceu, pois as forças governistas aumentaram sua base.
Isto posto, aprovadas as mudanças na CLT, agora o caminho é o Senado e a corrida é ver se os “pais da Pátria” aprovam antes do final do ano.
Pois o ano que vem é ano eleitoral, eleições para a presidência e para deputados, governadores, etc. etc. e a coisa fica mais complicada diante de uma opinião pública mais atenta.
Desta vez passou, pelo menos até esta fase.
Não há como dizer que a flexibilização não seja útil e facilite as coisas num terreno – o do emprego – onde tudo está muito difícil. Mas o relacionamento entre uma classe enfraquecida e quem tem o poder na mão, é ainda mais frágil. Já se sabe que será aceitar ou sair, pegar ou largar...
O pior é o que passa na calada da noite.
Não fossem férias que podem ser diminuídas, aviso prévio que pode ser reduzido, 13º que poderá ser pago em 12 parcelas, eliminação da equiparação salarial, prazos esticados para pagamentos, e outros que tais, fica-se sabendo que, o INSS anunciou, em paralelo a isto, que estuda a diminuição das pensões de aposentados.
Como aumentou a expectativa de vida do brasileiro, conforme anúncio do IBGE, quanto mais cedo alguém se aposentar neste país, mais terá diminuído o valor de sua aposentadoria, conforme uma tabela que está em estudos.
No Brasil, a média de sobrevivência subiu de 66 para 68,7 anos para os homens e 76 para as mulheres.
O INSS não explicou como fará com as diferenças regionais, onde a injustiça se instala às vezes por meia dúzia de metros. Pois, em Alagoas, por exemplo, a expectativa é de 63,2, em Pernambuco é mais, em Santa Catarina é menos e no Rio Grande do Sul, 71,6 anos.
Só para começar.
Enquanto isto, são 15 mil os jovens que são assassinados por ano no Brasil e não se vê nenhum projeto, e muito menos uma ação qualquer, para diminuir tão trágica estatística.
De noite, pelas costas, mais e mais facadas no pobre trabalhador brasileiro. Daqui a pouco a gente se convence que a morte do presidente Getúlio Vargas, em 1954, representou mesmo o fim do ciclo em que o Trabalho conseguiu momentaneamente (menos de 20 anos) impor seu cada vez menor poder de barganha.
QUATRO ASSASSINATOS DE PESSOAS NAS RUAS DE PORTO ALEGRE COLOCAM A QUESTÃO NA ORDEM DO DIA NA CAPITAL DO RGS. ALGUMA COISA É PRECISO FAZER. NÃO SE TRATA APENAS DE HISTERIA. E TAMBÉM NÃO É UMA QUESTÃO POLÍTICA. ASSALTARAM ATÉ POLICIAIS MILITARES. postado por walter em 04/12/01
SEGURANÇA NAS RUAS
Walter Galvani
Por vezes esquecemos o que há por trás da violência, da pobreza, da ignorância, pedimos em altos brados a presença da Polícia porque não acreditamos que exista algum tipo de ação por parte do estado, enfim, queremos socorro, proteção, tranqüilidade.
Em certos momentos, até nos lembramos de sugerir o aumento do número de soldados da força pública nas ruas e até queremos que os ladrões, assaltantes maiores e menores, de ônibus ou de pedestres, de automobilistas ou de idosas, de crianças e de jovens, sejam efetivamente presos, julgados e condenados rapidamente.
Em alguns casos, até sugerimos a lei islâmica... Pois se furtou uma vez, cortem-lhe a mão. Se furtou outra vez, cortem-lhe a outra. E se matou para roubar, que seja executado também.
Brasil o país do futuro, o Brasil moreno da miscigenação sem limites, o Brasil do entendimento, da compreensão, da ausência de preconceito (???), este Brasil existe ? Ou existem vários “Brasís” ?
Coexistem os vários países, o que sonhamos e o que é, o que nos dão e o que desejamos, o que queremos e o que nos impingem ?
Quando o exemplo vem de cima, fica difícil.
Quando se semeia o ódio, querendo mal à toda a gente, desejando a destruição dos outros, quando se pede que alguém seja “calado” ou quando se trabalha, sorrateiramente, para derrubar alguém, estaremos plantando o mesmo Brasil, o mesmo mundo que queremos para nós ?
Na verdade, precisamos educar, educar e educar as pessoas. Primeiro com a educação básica, simplesmente a elementar. Atender suas necessidades mais urgentes, criar oportunidades.
Tudo parece tão simples, mas, na verdade é tão complicado. Empregos? Como gerar novos postos de trabalho se a economia está em recessão ?
E levantemos as mãos para os céus de que ainda não se tenha transformado em depressão.
Ah, mas tem uma coisa: melhorar a limpeza, a iluminação pública, botar a farda na paisagem, isto tudo dá para fazer, só com mais trabalho, atenção e dedicação.
Sabem que é que constitui a burguesia num país de mobilidade social como o Brasil ? Os deserdados de hoje. Amanhã ou depois, graças aos nossos milagres diários, eles terão sido incorporados pelas classes médias da população.
E sabem quem serão os deserdados de amanhã ? A burguesia de hoje...
Tudo é tão volátil, aliás, “tudo o que é sólido se desmancha no ar”...
Não custa nada pensar um pouco nas pessoas e lembrar que, além dos problemas de base, há muitos oportunistas, muita droga, muitos bandidos que criamos no seio da própria sociedade.
Mas vamos agir. Dizer que há insegurança em todo o planeta e por isto devemos tolerar assaltos aqui, suportar ameaças, não reagir, deixar por isto mesmo ?
Esta não, gente.
Você caminha nas ruas, de madrugada em qualquer cidade civilziada. Há problemas políticos, sociais, sim, pelo mundo afora. Mas não vamos confundir as coisas.
Lei neles.
Dura lex. Sed lex.
Crise dos vizinhos vai respingar o Brasil postado por walter em 03/12/01
A BOMBA ARGENTINA
Walter Galvani
No futebol ou fora dele, durante muitos anos tivemos que tirar o chapéu para os argentinos. Bons tempos, para eles, quando o tango predominava no mundo, Nova York elegia o ritmo portenho como seu “hit” da moda e Jorge Luis Borges crescia como o maior escritor latino-americano.
Depois disso tivemos a arrancada brasileira, comandada por Juscelino Kubitschek que fez o nosso país crescer cinqüenta anos em cinco, embora nos tenha deixado como herança a inflação. Ainda não era a hiper-inflação, que conhecemos mais tarde, mas já era uma senhora de portes avantajados...
Em meio a isso, o futebol elevou a auto-estima brasileira à índices inimagináveis. Ganhamos sucessivamente as copas de 58 e 62, depois de rápido intervalo voltamos a vencer em 70 e nas competições sul-americanas, predominávamos também.
De crise em crise, a elegante, poderosa e orgulhosa Argentina foi mergulhando na decadência. Hoje não é nem sombra do que foi, e em Buenos Aires se vive o mesmo drama das grandes cidades brasileiras: assaltos, crimes, roubos, furtos pequenos e grandes, todos os dias e em todos lugares.
Chega-se ao ponto de receber o seguinte conselho quando se chega à maravilhosa capital (que continua linda apesar de tudo): “Não tome táxi, a não ser recomendado pela portaria do hotel. Você pode ser assaltado pelo motorista!”
Horror ? Pois é assim que as coisas estão.
A crise econômica se agravou com o Plano Cavallo e de salto em salto, a Argentina foi derrubando as barreiras no circuito hípico. Acredita-se que só na sexta-feira foi retirado 1 bilhão de dólares dos bancos (uma corrida inacreditável) e que poderá ser agravada com outro tanto ainda hoje. Depois, a ferida vai estancar a sangria porque os argentinos só poderão sacar 1.000 dólares ao mês de suas contas bancárias.
O reflexo disso nos países vizinhos, tipo Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile, Bolívia e Colômbia, Venezuela e os demais da América do Sul, pode ser imaginado: o dólar em alta, com a conseqüente escassez na praça da moeda americana e a dificuldade de negócios internos, inflação.
Não devemos esquecer também que a Argentina é o principal parceiro econômico do Brasil.
Não queremos e não podemos desejar uma crise em nossos vizinhos. É absurdo e infantil, imaginar que a rivalidade esportiva deva ter continuidade nos campos da economia. Mas, por incrível que pareça, pode ser este o desejo de muitos brasileiros mal informados e mal formados.
Não estamos mais no século XVI, não há o que disputar em matéria de territórios. Precisamos é fazer conquistas em comum e agir como aliados.
Se faltar simpatia, pensem em Gardel, Astor Piazzola, Borges, e esqueçam Maradona...
Mas, queiram ou não os brasileiros, nossas economias são complementares e precisam jogar juntas.
Desejar o mal aos argentinos ?
É pedir para não receber a visita deles no verão – quando costumam deixar aqui milhões de dólares. Sem falar em todos os negócios de importação e exportação entre os dois “hermanos”... que brigam como bons irmãos.
A propósito: pragmaticamente falando, como será a temporada ?
Brasil na Copa do Mundo: o clima do "já ganhou!" postado por walter em 01/12/01
NAS QUARTAS DE FINAL...
Walter Galvani
Os leitores, telespectadores, ouvintes de rádio, internautas, devem estar já preparados para a vitória do Brasil na próxima Copa do Mundo. O clima de “barbada” e “já ganhou” está devidamente instaurado desde que o sorteio feito na manhã do primeiro dia de dezembro colocou o Brasil num grupo aparentemente fraco. Nossos adversários serão Turquia, China e Costa Rica.
Nenhum deles com qualquer tradição no futebol. Portanto, ao mesmo tempo que se informa que nossa estréia será contra a débil Turquia, no dia 3 de junho de 2002 em Ulsan, na Coréia do Sul, já se diz que passaremos flamantes por este tal de Grupo C e logo estaremos disputando as oitavas de final, contra outros pobres coitados.
A sorte nos confrontará na seqüência com o primeiro ou o segundo colocado de um grupo, o H, que congrega Japão, Bélgica, Rússia ou Tunísia.
Ninguém, lembra que o Japão já nos derrotou, recentemente e que joga em casa, o que sempre funciona. Fator campo não deve ser desprezado. Além disso, a Bélgica é dona de um futebol mediano, mas cheia de craques que atuam, como os nossos, no futebol europeu.
E a Rússia. Ah, a Rússia, para os especialistas esportivos, desandou depois que a URSS desintegrou-se.
A Rússia, para a maioria dos analistas, não é nada.
E então, só haverá adversários importantes, capazes de nos enfrentar, se chegarmos às quartas de final, mas aí já estaremos quase nas semi-finais e nas finais da Copa...
Nesta tal de quartas de finais, poderemos ter que enfrentar a França ou a Argentina, por exemplo.
Nada assusta os brasileiros pelo jeito, graças a Deus que, aliás, dizem, é brasileiro. E é mais do que brasileiro. Conforme ouvi – de brincadeira mas nem tanto – Deus não só é brasileiro, como, colocando-nos neste grupo C, levantou cedo, preparou o chimarrão para agradar o Filipão e estava de plantão na hora do sorteio...
Acho que um pouco de humildade nos faria bem.
Uma equipe que chegou no torneio final perdendo os pedaços, que não impressionou ninguém, que foi morrendo aos poucos até que conseguiu bater uma pobre Venezuela onde o futebol é o quarto ou quinto esporte, bem que poderia ser tratada com mais precaução..
Vamos ver se o técnico e os jogadores ainda sabem o que é modéstia e se a CBF tem a cabeça no lugar.
Se os adversários sorteados são fracos, tanto melhor.
Mas cautela e caldo de galinha que nunca fizeram mal a ninguém...
Capital e trabalho de mãos dadas, em busca do paraíso terrestre... do consumo! postado por walter em 30/11/01
NEGÓCIOS DA CHINA
Walter Galvani
O governador Olívio Dutra e empresários gaúchos na China, o PT de mãos dadas com o empresariado, a longa marcha rumo ao coração da Paz Celestial, a inauguração de uma fábrica como a da Boise Cascade em Guaíba, gerando parcos 170 empregos diretos, mas na certa estimulando centenas de novos negócios, tudo isto nos remete ao início deste mesmo governo e aos fatos que se sucederam logo depois.
Quando Olívio foi eleito para o Piratiní, o que o seu partido desejava era um saneamento nas relações com as empresas, mas uma política de aproximação e cooperação.
Lembro ainda da ida de Olívio e seu secretário da Indústria e Comércio à inauguração da fantástica fábrica da IRIEL em Canoas, uma indústria elétrica que se expande firme e permanentemente.
A simples presença do governador recém eleito, fascinou os empresários presentes que passaram a sonhar em ter o novo governo como parceiro seguro em muito de seus empreendimentos.
Quanto ao PT, o simples demonstrar que o partido não era inimigo do capital, já soava como suficiente para sensibilizar as massas e os capitães da indústria.
Mas então sobreveio o episódio da Ford que serviu de mote nas eleições e ainda servirá, a menos que se processe a releitura dos fatos com a visão das informações mais recentes, aquelas que revelam que a empresa americana buscava vantagens compatíveis com a sua real situação financeira e seus interesses vorazes de multinacional.
Casualmente é Guaíba mesmo e a região sul do estado que ainda não perdoaram Olívio pela fuga da Ford para a Bahia, mas o assunto tem que ser tratado é com o “painho” Antônio Carlos Magalhães, muito mais poderoso que se imagina e que “atraiu” de forma irresistível a poderosa montadora para a Bahia.
A ida à China em busca de novos negócios, levando empresários em sua esteira, é um passo e uma estratégia governamental, mas com reflexos políticos e portanto eleitorais, inegáveis. Olívio quer provar que apesar de toda a sua origem no sindicalismo e na luta contra os exageros capitalistas, compreende que é governador de todos os gaúchos e não apenas de facções partidárias e portanto precisa elevar-se ao topo e governar com imparcialidade, tanto quanto possível.
Os negócios que surgirem desta viagem ao maior mercado consumidor do planeta terão força de atração suficiente para alavancar o governo do PT a um novo patamar e dependendo da elevação de espíritos e prudência, aí mantê-lo até o difícil desenrolar do ano eleitoral de 2002.
Pensando nas eleições, esta viagem é muito barata.
Principalmente se conseguir colocar a discussão política do ano que vem – que já começa agora é claro – em termos mais pragmáticos.
Nós, eleitores e também ouvintes, telespectadores e leitores, não estamos dispostos a perder nosso tempo com baboseiras e discussões que visam destruir os adversários, ao invés de contestar as teses políticas.
No entanto, este é o grande risco que corremos.
E quem está hoje na Oposição sabe muito bem que a estratégia – embora condenável – será atacar para desmoralizar os autores dos fatos, ou seja, quem está no executivo.
O PT deve ter aprendido também que a troca de posição entre a pedra e a vidraça implica no encouraçamento da auto-estima. É uma questão de cidadania.
Se já o fez ou não, veremos.
Escritor vai receber comenda do Estado do RGS postado por walter em 29/11/01
LAURY MACIEL RECEBERÁ
MEDALHA JOÃO
SIMÕES LOPES NETO
Walter Galvani
Participei da sessão em que o escritor Laury Maciel foi homenageado pela Secretaria Estadual da Cultura, dentro do Projeto “Confesso que vivi”. O escritor taquarense foi mais desnudado, do que desnudou-se, pois, modesto e tímido, não “confessou” aventuras ou estrepolias da juventude, nem sequer escancarou de fato como foi sua formação. Esta tarefa coube ao crítico, ensaísta e editor Sergius Gonzaga, que, com a sua verve característica e sua poderosa voz e seu didatismo de mestre, que traçou um belo retrato da extraordinária figura humana de Laury.
O prof. Vorny Santos, coordenador do projeto, procurou dar organicidade e coerência ao programa que tive a honra de inaugurar dia 21 de novembro.
Mas ninguém conseguiu quebrar a falta de divulgação – apesar de que o número de pessoas presentes correspondia ao alto prestígio do escritor Laury. Os jornais não deram uma nota sequer sobre o fato. Nem antes. Nem depois.
O jornalismo cultural que está se produzindo no Rio Grande está merecendo um exame crítico acurado.
Quanto a Laury Maciel, a “media” tem uma boa e nova oportunidade.
No dia 13 de dezembro, às 17 horas, Laury receberá no Palácio Piratiní, das mãos do governador Olívio Dutra, a Medalha “Joãp Simões Lopes Neto”, destaque que no passado foi conferido a homens como Guilhermino César, Mário Quintana, Pablo Komlós, Lupicínio Rodrigues, Erico Veríssimo, Eva Sopher, Carlos Reverbel, Miguel Proença, Radamés Gnatalli, Albrto André, Aparício da Silva Rillo, Plauto Cruz, Lacy Osório e Jayme Caetano Braun.
Esta medalha tem distinguido quem se destaca nas Artes, nas Letras, na Ciência, na Educação, na Magistratura e no Magistério.
PAPAI NOEL DOS TRABALHADORES: FLEXIBILIZAÇÃO DA CLT postado por walter em 29/11/01
PANE (POLÍTICA ?) DO PAINEL
Walter Galvani
Falamos uma vez mais da CLT. Numa votação simbólica o projeto havia sido rejeitado. As forças de choque do governo entraram em ação e, segundo o noticiário vindo de Brasília, afirma-se que “o argumento que mais pesou no convencimento dos adversários da proposta apoiada pelo governo é aquele considerado, o “mais pragmático”:
Quem votasse contra o Planalto não contaria com a boa vontade do governo na liberação de recursos para bancar emendas orçamentárias destinadas a atender às bases eleitorais.
Então, os chamados “rebeldes da base situacionista” foram pressionados.
E o painel eletrônico falhou, obrigando a uma votação nominal, com o deputado se manifestando e tendo assim flagrada sua posição: sim ou não, a favor ou contra o projeto que “flexibiliza as relações de trabalhadores e empresas”.
Terá sido política a falha do painel ?
De qualquer maneira estamos diante do cinismo generalizado.
De deputados que não querem assumir publicamente suas posições, de propostas que não refletem com exatidão o que há por trás delas, de pressões claras com raízes no poder econômico do governo e também uma falha eletrônica que pode muito bem ser humana.
Em tempo de guerra mentira na terra, se diria no Afeganistão.
Mas, como para certas questões o Afeganistão é aqui, empurra-se mais adiante um pouco, meia dúzia de dias, o tempo para maturar a posição dos deputados.
Acontecerá de tudo. Estejam certos.
E o painel poderá milagrosamente recuperar-se.
Enquanto isto a verdadeira questão, como aponta com precisão o prof. Emílio Rothfuchs Neto, consagrado advogado trabalhista, não é examinada. Leia-se a sua posição no artigo publicado aqui mesmo neste “site”.
A quem interessa o crime ?
Berrava o lider do PTB, no Plenário, repetindo uma frase latina conspurcada pelo tempo e pelos políticos, mas que ajuda a compreender qualquer farsa ou tragédia: “Cui prodest?” – diziam os senadores romanos.
Sim, a quem interessa ?
Mas, a quem interessa também a tal flexibilização, a quem interessa a pane do painel eletrônico e a quem interessa uma vitória das forças do governo ?
“Cui prodest ?”
Rasgar a Constituição é apenas simbólico. Discutir o assunto, promover até um plebiscito. Nada de correr, correr, negociar... postado por walter em 28/11/01
VOTAÇÃO OU ACORDO ?
POBRE CLT... MORREU
E NÃO SABE
Walter Galvani
Um dos maiores advogados trabalhistas do Rio Grande do Sul, atuando preferencialmente como defensor de causas patronais, mostrou a sua grandeza, o seu conhecimento de causa e sua preparação para o exercício da profissão, escrevendo no jornal “Zero Hora” de Porto Alegre, na edição do dia 27/11/2001. Trata-se do Dr. Emílio Rothfuchs Neto, ex-aluno de Eloy José da Rocha, e ele próprio professor emérito.
Depois de examinar a discussão que desde ontem se fere no Congresso e a possível votação que está por ocorrer, disse ele:
“Não será apenas alterando a redação do art. 618 que se vai trazer o estatuto do trabalho contemporâneo à II Guerra Mundial para o século atual.”
Lembre-se – a nota explicativa é minha – a maioria das leis provém dos anos 30, quando Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho e a Consolidação das Leis do Trabalho, a chamada CLT, é de 1943.
“A nação está mobilizada – diz Emílio Rothfuchs Neto – diante de um problema menor, a “flexibilização” de um único artigo de uma legislação antiga, gerada em outra realidade social, e não está olhando para os dias de hoje. A modificação se impõe, mas deverá contemplar a realidade atual em todas suas facetas, não se limitando a um único aspecto que diz respeito apenas ao emprego.”
E diz mais o ilustre professor Rothfuchs Neto:
“Por outro lado o estatuto do trabalho (...) deve atingir um universo bem maior, contemplando, além deste, também o trabalho em todas suas outras formas, atualmente fora de proteção legal: trabalho autônomo, trabalho cooperativado, além de disciplinar o tele-trabalho, o trabalho a tempo parcial e outras formas.”
Perfeito o juízo do mestre.
Pena que não existam homens como ele na Câmara dos Deputados, pelo menos em número suficiente para influenciar os colegas e conduzir uma negociação e uma votação, coisas que estão agora em transcurso.
E não esqueçam que depois da aprovação vem a regulamentação.
Paulo Renato Paim, vibrante e coerente com seu passado sindical, cometeu por seu turno um excesso que lhe pode custar caro. Rasgou a Constituição, ou pedaços dela, de forma acintosa. O que, para seus inimigos políticos é a mosca no mel...
Quererão, na certa, responsabilizá-lo criminalmente e assim anular o seu pensamento.
Esta é uma forma antiga de combater os revolucionários. Esmaga-se a Revolução. Depois, com calma, adota-se as idéias dos revolucionários. Isto a Humanidade sabe fazer com muita competência. É uma prática de milhares e milhares de anos.
No entanto, Paim é sábio e representativo e por isto precisa ser ouvido. Principalmente quando diz:
“Não podemos sequer imaginar um país como o Brasil optar pela livre negociação, com situações tão adversas no mundo do trabalho e com realidades tão distantes. Na verdade optar por este projeto é negar o desemprego, o trabalho escravo, o trabalho infantil, os salários baixos e as péssimas condições de segurança e estabilidade que existem neste país. Livre negociação será a imposição do mais forte sobre o mais fraco.”
E conclui com uma bela proposta:
“Antes que o Congresso Nacional delibere sobre o assunto propomos um plebiscito nacional, com a devida divulgação e o processo informativo, para que cada trabalhador brasileiro tenha a liberdade de escolha.”
Temos aí dois gigantes, duas expressões da área trabalhista, um deles advogado patronal, outro líder sindical reconhecido.
E no entanto, parece que o Congresso combina, negocia, conversa e delibera.
Cumpriremos. Desperdiçando mais de meio século de conquistas, onde se alojam férias de 30 dias, 13º salário, tudo em nome de uma “flexibilização” por causa da crise econômica. Que não será resolvida com isto, porque irá se aprofundar ainda um pouco mais até que os negócios ressurjam, saneados e com os rumos e exageros devidamente corrigidos.
Jornal fechou há 17 anos e seus antigos redatores continuam se reunindo para lembrar sua força e prestígio postado por walter em 28/11/01
No dia 16 de junho de 1984, há dezessete anos portanto, deixava de circular o jornal “Folha da Tarde” que, nos seus áureos tempos chegou a bater todos os concorrentes em Porto Alegre.
Foi, de 1936 até 1980, um dos raros vespertinos do país. Era esperado nas praças e esquinas da capital do Rio Grande do Sul e cidades da sua região metropolitana.
Empolgava a população, era como um caso de amor.
Por má administração da empresa editora, então Caldas Júnior ainda em mãos do Dr. Breno Caldas, foi mudando de horário, de cara e de proposta e morreu abraçada com a “Folha da Manhã”, outra iniciativa da mesma empresa.
Mas, a flama daquele jornal vibrante permaneceu na cabeça dos seus redatores e repórteres e de seus leitores e apaixonados admiradores.
Tanto que, 17 anos depois, ainda não morreu o nome, o prestígio e não foi esquecido o seu significado e suas lições de jornalismo.
Desde 1985, todos os anos reúnem-se seus antigos jornalistas. Espalhados por diversos órgãos de comunicação ou aposentados, andam por aí. Mas, pelo menos uma vez por ano, na data do aniversário do jornal, confraternizam num reencontro. Isto se dá pelo dia 27 de abril.
De vez em quando o grupo resolve fazer uma “festa de fim-de-ano” como se fosse ainda um órgão atuante, presente na “media”. É o que se produzirá agora.
Será um almoço, para facilitar a presença dos mais antigos.
Dia 1º de dezembro, no restaurante “Copacabana” que tem um Salão “Folha da Tarde” homenageando o velho jornal.
Uma história incrível que merece um registro especial
Como gaúchos vibremos um pouco: o filme "Netto perde sua alma", com direção de Tabajara Ruas (também o autor do script) e Beto Nunes, ganhou no Festival de Huelva, na Espanha, o prêmio de "Melhor Fotografia". Cumprimentos ao fotógrafo de cinema Roberto Henkin, agora premiado internacionalmente, no 27. Festival de Cinema Ibero-Americano, de Huelva, Espanha postado por walter em 27/11/01
O fanatismo, seja ele cristão ou muçulmano, esportivo ou político, só tem levado a Humanidade a desastres postado por walter em 27/11/01
A I CRUZADA E OS MUÇULMANOS
OU BIN LADEN E O PAPA URBANO II
Walter Galvani
Dia 27 de novembro de 1095, sabem vocês o que aconteceu ? Pois nesse dia, há exatos 1.006 anos, o Papa Urbano II pregava no Concílio de Clermont (pequena cidade 400 quilômetros ao sul de Paris, Clermont-Ferrand), o início da I Cruzada. O Papa quando lançou o seu repto quis que ela fosse apenas uma peregrinação gigante. E foi o que aconteceu. Liderados por Pedro, o Eremita, os cristãos de toda a Europa, mais uma multidão de desocupados e aventureiros, lançaram-se, sob a égide da Cruz de Cristo, rumo à Ásia, com o objetivo de “libertar” Jerusalém.
Foram derrotados pelos turcos que então dominavam a região. Derrotados, não. Massacrados.
Em vista disso, vários exércitos feudais europeus se juntaram e se transformaram na grande força da I Cruzada que, sob o comando de Godofredo de Bouillon, tomaram sucessivamente Edessa, Nicéia, Tarso, Antioquia e finalmente Jerusalém (esta em 1100).
Godofredo foi aclamado o rei e os cristãos então “libertaram” (devidamente aqui entre aspas...) o Santo Sepulcro.
Na oportunidade foram criados o Principado de Antioquia e os Condados de Edessa e Trípoli.
Examinem agora se os cristãos europeus tinham que, efetivamente, lançar-se à esta conquista ?
E mesmo considerando sob o contexto da época, se isto tinha uma justificativa legal, digamos assim.
Claro que um milênio depois também de nada adianta discutir os fatos. Eles foram o que foram. Depositava-se ali também, entre outros grandes fatos que marcaram a marcha da Humanidade, uma enorme discussão, uma verdadeira cratera nas relações entre cristãos e muçulmanos.
Terrorismo ?
Bem, Bin Laden aí está dando o troco, como em tantas oportunidades ocorreu, como, sem dúvida o foi a invasão da Península Ibérica por Gib-Al-Tarik, atravessando o depois denominado Estreito de Gibraltar.
Por sua vez os árabes foram expulsos da Ibéria em 1496 e os ingleses tomaram o estreito aos espanhois em 1704. O que já é outra história.
Mas, de guerra em guerra, chegamos aqui.
Afeganistão, limpeza étnica, guerras religiosas, torres gêmeas, quando isto terá fim ?
A empresa americana Advanced Cell Technology, Inc. publicou em sua página na Internet, com simplicidade, entre os seus "Most recent press releases" a notícia bomba que pode inaugurar a clonagem de seres humanos postado por walter em 26/11/01
ENGENHARIA GENÉTICA
A empresa americana Advanced Cell Technology, Inc. (ACT) informou ontem que está em condições de realizar a transferência e partenogênese (transmissão através de um óvulo) de células nucleares somáticas humanas. O comunicado, publicado no “Jornal de Medicina Regenerativa” divulga que a empresa dispõe da primeira prova de que células humanas reprogramadas podem ser utilizadas para transplante.
QUEM CONCEDEU AO HOMEM PODERES DIVINOS ? DEUS ? E QUEM POLICIARÁ OS HUMANOS EM SEUS EXCESSOS ? postado por walter em 26/11/01
O 1º CLONE HUMANO
Walter Galvani
A empresa norte-americana Advanced Cell Technology anunciou publicamente neste fim-de-semana que concluiu com sucesso as pesquisas genéticas para realizar a primeira clonagem humana.
Apesar dos imediatos desmentidos dos cientistas ligados ao tema, dizendo que a ACT pode haver desenvolvido tecnologia suficiente para desenvolver tecidos humanos mas não um ser humano, apesar do protesto da Igreja Católica que evidentemente pede que o homem circunscreva sua ação aos limites terrenos e não queira transformar-se em Deus, a preocupação é enorme.
Nos profundos desvãos da ciência, acobertados pela conveniência do segredo diante de uma concorrência internacional inimaginável, pode ocultar-se neste momento um progresso bem maior do que o pensado.
Dos tubos de ensaio desta ou de outra empresa poderão sair a qualquer momento soldados de um enorme exército capaz de ocupar posições de ataque ou defesa, obedecendo ou não ao controle de uma inteligência humana ou... artificial.
Não sei o que é pior, sei o que é mais assustador.
Já que vivemos até aqui, viveremos mais para ver o desenvolvimento desta loucura e deste atrevimento humano.
As velhas teses mendelianas, nem não tão envelhecidas assim, os antigos propósitos de purificação racial propostos politicamente por Adolf Hitler estão de volta e o que é píor, pelas páginas da Internet e dos jornais, pelas ondas de rádio e emissões de televisão. A notícia já está chegando hoje aos corações sujos ou não de todos os habitantes da terra.
Não há mais bloqueios suficientemente resistentes, não há mais possibilidade de estabelecer uma censura permanente e de nada serviria.
O comunicado oficial da Advanced Cell Technology explica que o resultado de suas pesquisas consiste na gestação de embriões mediante fertilização “in vitro” (ou seja, no laboratório) para remover eventualmente o DNA das células embrionárias e reimplantá-lo em tecidos humanos.
Pode ainda não ser a criação de um boneco humano, mas também pode ser a ressurreição de um morto.
Ou pelo menos de um moribundo.
Bem, se isto tudo servir para substituir células doentes, para encontrar a cura de doenças mortais, para recuperar moribundos, para prolongar a vida em determinados casos, ainda é aceitável. O problema porém serão os limites.
E também e sobretudo os limites éticos.
Até que ponto teremos autorização moral para intervir na vida humana e prolongá-la a nosso bel prazer ou talante, como se diria antigamente ?
E quem controlará estes controladores da vida ?
E quem diz que quem pode substituir células para salvar não pode substitui-las para matar ?
E quem diz que o amigo, a namorada, o vizinho, o jardineiro, o motorista do seu ônibus, não são apenas clones ?
MUITOS PERIGOS RONDAM OS TRABALHADORES BRASILEIROS. OS POUCOS QUE AINDA TEM CARTEIRA ASSINADA... E, CONFIAMOS NO CONGRESSO ? postado por walter em 25/11/01
SEM MANIQUEÍSMOS
Walter Galvani
Ainda não terminamos de julgar os grandes homens do século XX, eis que apenas entramos no XXI, mas sempre somos tentados a organizar um resgate e uma recuperação de memória. No caso brasileiro, um nome desponta até pelo tempo em que esteve no poder e pelos julgamentos maniqueístas, embalados pelos interesses políticos de que têm sido alvo.
Falamos de Getúlio Vargas.
Nome de município, de rua, de avenida, de praça, pelo país afora, mas nem sempre deglutido com facilidade. Para alguns, Ditador. Para outros, eventualmente um governante forte por força das circunstâncias (guerra mundial, tentativas de tomada do poder pela força, etc.etc.) e um democrata para seus admiradores incondicionais.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Mas a data é mais do que propícia para se falar em Getúlio. Foi num 25 de novembro, em 1930, que foi criado o Ministério do Trabalho. Antes disso e do surgimento das leis que desembocaram na chamada CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) o empregado brasileiro simplesmente ficava jogado à sua própria sorte, dependendo do “bom coração” do seu patrão. Já vigorava então o Liberalismo e nem era por acaso que Getúlio, liderando uma revolução política de desencantados com o poder central, representando estados periféricos como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, chegou ao Poder no Rio de Janeiro, capital política e cultural do país nos anos 30 e 40, aliás desde a Independência... – disposto a implantar a recuperação dos excluídos, a proteger os desvalidos.
Toda a fortuna política de Getúlio provém desta época e de seus primeiros atos. Um deles, a criação do Ministério do Trabalho. Por isto teve força para resistir às tentativas de desestabilização, a primeira delas a Intentona Comunista, depois a Integralista. Afastadas, Direita e Esquerda radicais do seu caminho, tornou-se ele próprio um Ditador, com a Constituição de plenos poderes presidencialistas de 34 e o Golpe de 37 que instituiu o Estado Novo.
Getúlio continuou até o fim da Segunda Guerra Mundial em 45, quando foi deposto. Mas, logo voltaria. Primeiro elegeu seu candidato, Eurico Dutra, depois elegeu-se senador e finalmente voltou à presidência “nos braços do povo” em 51, de onde só sairia pelo suicídio em 24 de agosto de 1954, “deixando a vida para entrar na História”, segundo suas próprias palavras.
Mas tudo isto e lembrar Getúlio vale hoje, é muito oportuno, porque querem revogar o artigo 618 da CLT e com isto sobrepor-lhe as convenções entre sindicatos em nome da flexibilização trabalhista, na próxima terça-feira.
Que fica cômodo para os empresários, ninguém discute. Mas, o problema não é este: é a fraqueza dos empregados que, num momento de crise como este ou qualquer outro que sobrevier, não poderão fazer conquistas e muito menos garantir as que já fizeram, como o 13º salário (conquista de 1961, com João Goulart) ou as férias (com Getúlio).
Trinta dias de férias até parece demais, o Brasil deve ser um dos países do mundo com maiores períodos concedidos aos seus empregados. Mas, na produção industrial por exemplo, o importante são as metas e não os dias de trabalho, tanto que, freqüentemente, até por interesse econômico e financeiro das próprias empresas, são concedidas férias coletivas.
Vamos refletir. E com calma.
E será que temos confiança no Congresso que lá está, abalado por tantos escândalos de falcatruas e corrupção ?
Não será conveniência acreditar no Congresso para algumas coisas e para outras não ?
O Brasil já teve até Estabilidade no Emprego, estabelecida em 1967, mas que já desapareceu. Poucos lembram disto. E também poucos lembram que a verdadeira estabilidade é o progresso constante da economia. Que foi revogada pela incompetência dos brasileiros. Não é obra de estrangeiros, de FMI, nem de “invasores”, nem de “ocupantes” da nossa terra.
Trata-se apenas de incompetência autênticamente nacional.
Greves, desemprego, mudanças na CLT, angústia, falta de dinheiro, pressões de fim-de-ano, incerteza do futuro, o que mais virá por aí ? postado por walter em 24/11/01
PARA ENTENDER O CAOS
Walter Galvani
Uma das obrigações do jornalista é tentar organizar a desordem e interpretar o que se passa, para que o leitor, ouvinte, telespectador, internauta, compreenda melhor o mundo onde vive. Para isto há cursos de jornalismo procurando preparar o profissional do futuro, para isto se sucedem os cursos de aperfeiçoamento, pós-graduação, doutorado, etc e é claro, a vida, a atividade direta nas redações. Espera-se então que o produto de todo este investimento dele próprio, da família, da sociedade e até em alguns casos do governo ou pelo menos de instituições sustentadas pelos dinheiros públicos, seja capaz de interpretar o que sucede. (Não esquecendo que a exigência do diploma para exercer o jornalismo está em suspenso...)
Diz-se que o jornalista, como o artista, é uma antena da sociedade. Precisa avaliar com precisão o que se passa para prever o futuro.
Somos então, uma espécie de adivinhos, sancionados pela ciência moderna, áugures, preparados através de instâncias humanas.
Todo este “nariz de cera”, como se usava antigamente, serve para dizer que estou procurando entender o que vem por aí na realidade brasileira e tenho medo do que percebo. Mas devo dizer, um dos mandamentos da classe jornalística é não ocultar o que se sabe. Jamais. Se a tanto nos autoriza a coragem. Aliás, boa pergunta: o que vale mais: um repórter ousado ou um repórter covarde ?
Bem, mas vamos ao que interessa neste sábado em que todos pensam em lazer, caminhadas, descanso, churrasquinho, futebol, cervejinha, feijoada. Os que podem, naturalmente, sempre fazendo a ressalva.
Peguem qualquer jornal na edição impressa ou na edição informática que possam ter acesso. Percorram suas páginas. O que viram ?
Pois é, em meio à uma inflação de modelos tentando virar Gisele Bündchen, naturalmente esquecendo que ela é única e produto de toda uma série de conquistas, genomas e preocupações objetivas, e pondo de lado o “Harry Potter” que chega à centenas de salas de cinema do país, propiciando a fuga à realidade, mas direto à ela, à realidade mais dura que se espraia entre os títulos e matérias:
Há a greve nas universidades. O ANDES (Sindicato dos Docentes do Ensino Superior) acredita que a proposta feita pelos reitores, vai criar disparidades na categoria. Os vestibulares e conseqüentemente toda a organização do período de férias, o que passa até pelo turismo, pois o famoso êxodo para o litoral depende disso, estão ameaçados. E as pessoas ficam um pouco estonteadas por isto. Como organizar suas férias, os que tem direito a isto ? Ah, e a propósito de férias, estas podem ser as últimas de sua vida, pois na terça-feira que vem a Câmara vota a mudança ou suspensão ou alteração ou ainda a perda da prioridade da CLT, a suspensão ou revogação do artigo 618 e com isto... nem férias, nem 13º no ano que vem, e mais isto e mais aquilo. E são os próprios juizes do Trabalho que alertam para o risco que os trabalhadores (todos, de todas as categorias) correm.
Cresce o desemprego em todo o país (o IBGE diz que subiu para 6,6% em outubro, isto já e um número que mascara a realidade, pois o desemprego deve ser muito maior, é o que nos diz nossa sensibilidade, mas é o número que nos apresentam), mas o Sindicato dos Comerciários do Rio Grande do Sul, por exemplo, não quer saber de comércio aos domingos. Diz que seus filiados serão explorados. Prefere dizer isto a fiscalizar efetivamente se os empregados serão ou não escravizados ou enganados. E isto é uma briga de todos os anos, (no mínimo 30...) mas que neste assume maior gravidade. Até porque, o emprego eventual de fim-de-ano ajudaria e muito no orçamento de milhares de famílias.
Os técnicos do Tesouro do Estado no RGS ameaçam parar quarta-feira e com isto atrasarão – eles o estão fazendo de propósito – as folhas de pagamento dos milhares de funcionários do estado e também, como resultado, o pagamento do 13º salário e dos salários subsequentes.
Os conflitos agrários prosseguem e os jovens produtores debatem o seu futuro, o que poderá ser ou não ser o seu futuro... E isto num país que tem dimensões colossais, continentais.
Os devotos vão orar pela paz mundial... Tem gente para tudo.
Passageiros são trancados nus no bagageiro do ônibus que os transportava, e eles pagaram passagens e a empresa de transportes pagou pedágio pelo uso da rodovia. Quem deve ser processado ? Haverá indenizações ou não ?
Esquecia-me de dizer que no ano que vem haverá eleições para presidente, governador, senadores, deputados, etc. etc.
Será possível que não se perceba que o horizonte está carregado com uma tempestade ? E que o seu desabamento poderá desorganizar completamente a sociedade em que vivemos ? E que o caldo de cultura se presta para mais um golpe, por exemplo, igual aos que tivemos tantos já em nossa república, por sinal implantada com um golpe de espada ?
SE ELEGEMOS GOVERNOS PARA NOS PROTEGER E ADMINISTRAR NOSSAS COMUNIDADES, TEMOS OU NÃO O DIREITO DE EXIGIR MAIS DELES ? postado por walter em 23/11/01
BOMBAS DE TODOS OS LADOS
Walter Galvani
Somos todos pobres talebans iludidos em nossa ideologia, driblados em nossa crença na Humanidade, perdidos em nossa tática de sobrevivência, cercados em nossas tocas, sem termos para onde fugir. Se corrermos o bicho pega. Se ficarmos o bicho come.
À nossa volta as estruturas da sociedade que ajudamos a compor, nos apertam o pescoço. Nossos irmãos, nossos iguais, podem ser nossos inimigos. Não podemos mais sair às ruas, em determinadas zonas das nossas cidades após o pôr-do-sol, porque a escuridão da noite oculta bandidos que poderão nos trucidar em troca dos cinco reais que carregamos no bolso.
De bicicleta para fazer exercícios ? Nem pensar. Seremos derrubados e roubarão nossa humilde “bici”. De automóvel ? Mais perigos ainda. O carro vale muito.
Não podemos trafegar na frente da Vila Areia depois das 10 horas da noite, porque o local é perigoso, conforme avisa a própria Polícia. Não há como fazer policiamento constante, faltam efetivos. Tudo fica pois entregue à nossa própria sorte. E olhem que não estamos falando de vielas perdidas no fundo de vilas marginais, mas numa estrada federal.
Pagamos pedágio para rodar sobre o asfalto. Mas não há proteção e há buracos e desníveis.
Enfiados em nossos lares-toca, aguardamos o amanhecer. Mas não é conveniente sair muito cedo de casa, mesmo que o horário do expediente nos estabeleça esta necessidade: poderemos ser assaltados na parada do ônibus, ou dentro dele.
Nem se fala no envilecimento do salário, nas dificuldades de quem ganha pouco, na alta que se esconde nos pequenos percentuais de elevação de preços.
E há o perigo do seqüestro.
Não podemos nos distrair em lugar algum, pior ainda se estivermos dentro de um automóvel, porque poderemos ser seqüestrados, junto com o veículo naturalmente e seremos então levados a vários locais para fazer retiradas com nosso cartão bancário, dinheiro que não veremos de volta.
E então voltaremos ao trabalho para tapar o buraco financeiro.
Se ficarmos em negativo no banco, virão os juros. Mas, o que fazer se não há outra saída ?
Ah, tem ainda à vista mais um aumento dos combustíveis. Avisam-nos que se o dólar baixar, poderá até baixar o preço da gasolina. Vocês já viram isto alguma vez ?
E no ano que vem teremos ainda o compromisso de votar para eleger novos governantes, sobre os quais não teremos controle, uma vez que eleitos procederão como quiserem sem nos dar maiores satisfações por todo o período do mandato.
E então teremos que dormir. Como diria Shakespeare, “morrer, dormir, talvez sonhar... quem sabe ?”
Mas, não esqueçamos que amanhã teremos que acordar. E trabalhar. E sair à rua. E recomeçar tudo. E que também dentro de casa corremos perigo, porque o nosso maior inimigo, o homem, poderá estar nos espreitando para se aproveitar da nossa debilidade e nos assaltar ali mesmo.
Talebans, tenham pena de nós que vivemos no paraíso ocidental, do ar condicionado e dos grandes bares, cinemas, restaurantes, shoppings, supermercados, boates e edifícios.
Que Deus, Jeová e Alá se compadeçam de nós e nos perdoem pelos terríveis pecados que na certa devemos ter cometido. Se fôssemos inocentes porque estaríamos sendo punidos assim, condenados a viver nesta guerra permanente ? E ainda suportando a burrice, a ignorância, a má administração, o mau comportamento dos que elegemos e a má fé que nos cerca ?
Recuperar o passado, dele extrair lições postado por walter em 22/11/01
CONFESSEI O QUE JÁ VIVI
Walter Galvani
Tive o prazer de participar do primeiro encontro do projeto “Confesso que vivi”, título tomado de empréstimo a Pablo Neruda e que dá a linha geral do que se pretende: uma confissão real, que traga para a comunidade o benefício da experiência. E foi assim, que durante duas horas, falando para um público seleto, que incluia desde jovens leitores até o governador do estado, Olívio Dutra, que aliás é formado em Letras, passando pelo secretário da Cultura, Luís Marques e o secretário adjunto, escritor Charles Kiefer.
Magistralmente conduzido pelo prof. Vorny Santos, autor de apreciado dicionário, além de mestre de português e literatura em várias instituições, crítico literário e escritor, o diálogo foi proveitoso. Pelo menos para mim, o principal envolvido, como convidado a depor.
Fui absolvido.
Assim me comunicaram, depois que contei pormenores da vida, desde a infância feliz e despreocupada em Canoas, passando pela minha iniciação no jornalismo e a atividade literária.
Contei da janela que tenho procurado sempre abrir para a Cultura, como o faço na Rádio Guaíba e nos jornais do Grupo Editorial Sinos e fiz na Folha da Tarde, no Correio do Povo, na rádio Pampa, O Timoneiro, O Momento, A Razão. E continuo a fazê-lo.
Narrei também as peripécias da juventude, os ardores da mocidade, os primeiros escritos, os primeiros textos jornalísticos.
Contei até sobre os saudosos tempos da pequena Canoas de menos de 15 mil habitantes.
Do La Salle onde estudei no então chamado Externato São Luiz e maior ainda foi a minha satisfação por se encontrar presente ao meu depoimento, o Irmão Henrique Justo, ele que há tantos atrás quando não tinha mais do que 24, 25, 26 anos lecionava aquele grupo de ousados jovens que se atreviam até a falar e escrever sobre os quinhentistas e os seiscentistas portugueses, sobre Castro Alves e Augusto dos Anjos ou sobre Erico Veríssimo e Camões.
Bons tempos, gente gloriosa. Saudável Grêmio Literário que nos ocupava as horas de lazer.
Nunca ócio.
Falei dos velhos amigos como Hugo Fernandes, João Terres Trois, Darwin Longoni, Edison de Medeiros, Antonio Canabarro Trois Filho, Nilo Del Cueto dos Reis, e tantos outros.
E então me dei conta que se passaram aí, quarenta, cinqüenta anos.
Depois, toda a história do meiu envolvimento com a Caldas Júnior, meus primeiros livros, “Brasil por linhas tortas” e “Informação... ou morte” e até chegar ao “Nau Capitânia”, graças a Deus, premiado.
E aqui estou.
Bem, o que já vivi, já contei, em parte pelo menos. Agora, sigo vivendo e daqui a pouco contando mais...
Pelo menos aqui, na Internet, onde diariamente temos este contato.
FUTEBOL. AH, O FUTEBOL... postado por walter em 21/11/01
BRASIL É TERCEIRO
Walter Galvani
É preciso informar o positivo e o negativo. Na hora de inflar o orgulho nacional, todos os meios de comunicação estão prontos, tocando musiquinha tipo Ayrton Senna, lembram ? – ou algo semelhante, para assim, contribuir propositadamente ou não, para o aquecimento do nosso patriotismo. Principalmente na área esportiva e em especial no futebol, alegria do povo e sonho de todo menino pobre de subúrbio.
Com isto, acabam por ocultar a realidade. Tanto a política, quanto a econômica. O panorama de uma Educação esvaziada desde os tempos da “Revolução de 64”, de uma Saúde sucateada, de uma falta de oportunidades que acaba se patenteando na própria ilusão dos favelados e despojados: quem sabe o futebol é a salvação da lavoura ?
Mas não é... Temos que plantar. Inclusive no futebol. Setor, aliás, onde não estamos plantando.
Então vamos às notícias negativas do dia, que sempre é bom dar uma sacudida para ver se o “gigante pela própria natureza”, levemente adormecido, acorda:
A FIFA acaba de atualizar o seu ranking internacional de seleções e o Brasil, que desde 98 é o segundo (acostumados que estávamos há 30 anos na primeira posição), agora é o terceiro colocado.
O primeiro é a França com 811 pontos. Passou para o segundo lugar, ultrapassando o Brasil, a Argentina, nosso grande rival sul-americano, agora com 798 pontos, um pontinho, mas sim, um ponto a mais que o Brasil.
O terceiro lugar é nosso: Brasil, com 797 pontos.
Em quarto está nosso muito conhecido e amigo Portugal, com 741 pontos no “ranking”. Não está ameaçando ao Brasil, mas tomem nota: Portugal está num momento excepcional em tudo e também no futebol. Há uma geração extraordinária com grandes destaques, da qual o nome maior é Figo (que atua no Real Madrid) e preparem-se para a atuação portuguesa no torneio final da Copa do Mundo. A seleção portuguesa já demonstrou sua potencialidade no campeonato da Europa e no desempenho dos seus clubes nos torneios internacionais.
Depois de Portugal vem os de costume, com a crescente Colômbia a frente, em 5º lugar com 736 pontos; depois a velha Itália, três vezes campeã mundial, com 735, a Espanha, “La Fúria”, com 731; depois a Holanda, que sempre chega perto mas não ganha a Copa, com 722, o México, com 715 e a Inglaterra, que inventou o jogo, mas continua na base do balão para a grande área como jogada principal, o famoso “chuveirinho”, com 712 pontos.
É bom a gente ir botando as barbas de molho, pois o torneio no Japão e Coréia, terá toda esta gente incendiada participando e mais ainda os dois organizadores, dos quais, ao menos os japoneses serão capazes de ameaçar as forças tradicionais.
E quanto ao Brasil, com todo o respeito pelo nosso conterrâneo Felipão, até agora o time não nos incendiou. Classificou-se, mas olhe lá...
A Secretaria de Estado da Cultura do RGS e o Instituto Estadual do Livro dão início hoje ao projeto “CONFESSO QUE VIVI”, espaço para troca de experiências entre o público e as personalidades convidadas, objetivando desenvolver as manifestações culturais das mais variadas naturezas produzidas no Rio Grande do Sul.
A primeira edição ocorrerá hoje, 21 de novembro, quarta-feira, das 19 às 21 horas, no Auditório do SEDAC, Praça Marechal Deodoro, 148. O convidado é o jornalista WALTER GALVANI, da Rádio Guaíba.
A recuperação da memória cultural gaúcha ficará registrada a partir de relato de histórias de vida desses intelectuais e personalidades convidadas. Os “depoimentos” pessoais serão gravados para posterior edição em livro. As mediações serão feitas por nomes ligados à cultura do estado.
A mediação de hoje será feita pelo prof. Volnyr Santos.
A Segunda edição será em dezembro com o escritor Laury Maciel. Em janeiro será a vez do prof. Ruy Carlos Ostermann, da Rádio Gaúcha e Zero Hora.
O projeto CONFESSO QUE VIVI tem entrada franca e é aberto a todos os interessados
PARTICIPANDO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO PROJETO "CONFESSO QUE VIVI", LEMBRO O POETA PABLO NERUDA, QUE CRIOU ESTE TÍTULO postado por walter em 21/11/01
O encontro de dois Prêmios Nobel, os dois que tem o Chile, quando ambos ainda não eram conhecidos mundialmente e não tinham portanto todo o significado que alcançariam mais tarde: Pablo Neruda e Gabriela Mistral.
MEU PRIMEIRO POEMA
Pablo Neruda
Em “Confesso que vivi – memórias”
Muitas vezes me perguntaram quando escrevi meu primeiro poema, como nasceu em mim a poesia.
Tratarei de recordá-lo. Muito atrás, em minha infância e havendo apenas aprendido a escrever, senti uma vez uma intensa emoção e tracei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas a mim, diferentes da linguagem diária. Eu as pus a limpo num papel, tomado de uma ansiedade profunda, de um sentimento até então desconhecido, espécie de angústia e tristeza. Era um poema dedicado à minha mãe, quer dizer, aquela que conheci como tal, à angelical madastra cuja suave sombra protegeu toda a minha infância. Completamente incapaz de julgar minha primeira produção, levei-a a meus pais. Eles estavam na sala de jantar, submersos numa dessas conversações em voz baixa, que dividem mais que um rio o mundo das crianças e o dos adultos. Eu lhes estendi o papel com as linhas, trêmulo ainda com a primeira visita da inspiração. Meu pai, distraidamente, tomou-o em suas mãos, distraidamente o leu, distraidamente devolveu-o, dizendo-me:
- De onde o copiastes ?
E seguiu conversando em voz baixa com minha mãe seus importantes e remotos assuntos.
Parece-me recordar que assim nasceu meu primeiro poema e que assim recebi a primeira mostra distraída da crítica literária.
Enquanto isto avançava no mundo do conhecimento, no desordenado rio dos livros como um navegante solitário. Minha avidez de leitura não descansava nem de dia nem de noite. No litoral, no pequeno Puerto Saavedra, encontrei uma biblioteca municipal e um velho poeta, Dom Augusto Winklers, que se admirava da minha voracidade literária. “Já os leu ?”, me dizia, passando-me um novo Vargas Vila, um Ibsen, um Rocambole. Como um avestruz eu tragava sem discriminar.
Por este tempo chegou a Temuco, uma senhora alta, com vestidos muito grandes e sapatos de taco baixo. Era a nova diretora do liceu das meninas. Vinha da nossa cidade austral, das neves de Magallanes. Chamava-se Gabriela Mistral.
Eu a olhava passar pelas ruas do meu povoado, com suas roupas talares, e lhe tinha medo. Mas, quando me levaram a visitá-la, descobri-a uma boa moça. Em seu rosto tostado em que o sangue índio predominava como num belo cântaro araucano, seus dentes branquíssimos se mostravam num sorriso pleno e generoso que iluminava a sala.
Eu era demasiado jovem para ser seu amigo e demasiado tímido e ensimesmado. Eu a vi poucas vezes. Mas o bastante para que cada vez saisse com alguns livros que me presenteava. Eram sempre novelas russas que ela considerava como o mais extraordinário que havia na literatura mundial. Posso dizer que Gabriela me embarcou nesta séria e terrível visão dos novelistas russos e que Tolstoi, Dostoievski e Checov, entraram em minha mais profunda predileção. Continuam me acompanhando.
FUGINDO DA GUERRA, DE REPENTE, ABRE-SE UMA PORTA:"VOCÊS IRÃO PARA O BRASIL!!!" postado por walter em 20/11/01
SORTE GRANDE PARA AFEGÃOS...
Walter Galvani
Em meio à tantas desgraças que infelicitam seu país natal, alguns afegãos ganharam a sorte grande e não veio de Bin Laden o dinheiro.
Fugindo da guerra ficaram (e ainda estão) numa estreita faixa policiada pela ONU entre a fronteira do Afeganistão e o Paquistão.
E eis que foram comunicados que 26 destas famílias que lá se encontram serão acolhidas pelo Brasil!
A festa é grande, pelo menos por parte dos que foram contemplados com esta “sorte grande” de vir morar num país gigantesco, onde como se sabe plantando dá, e onde não há preconceitos, segregações e fanatismos.
Pelo menos por enquanto. Fanatismos, só esportivos.
Candidatos a torcerem pelo Grêmio ou pelo Inter, pelo Flamengo ou pelo Flu, Coríntians, Atlético, Santa Cruz, Bahia, ainda não se sabe em que ponto do glorioso território nacional serão alojados.
Mas já se sabe que virão e que são 26 famílias. Ora, sabendo-se a extensão das famílias afegãs e o número de mulheres que se lhes permite a lei e a religião, devem ser mais de 1.000.
Pois que venham.
Vamos mostrar ao mundo como se faz globalização pela banda de cá e como se convive com as diferenças.
Por favor, brasileiros, não me decepcionem...
UM RESGATE DA MEMÓRIA, DA EXPERIÊNCIA, DOS PEQUENOS E GRANDES FATOS postado por Walter Galvani da Silveira em 19/11/01
CONFESSO QUE VIVI
Walter Galvani
E então ? Bem, confesso que vivi... Nem poderia deixar de ser assim, afinal já alinho 47 anos de jornalismo e 31 desde o meu primeiro livro, se bem que também na área de imprensa. E aos poucos vim colecionando experiências, trabalhando em diversos veículos, enfrentando dissabores e aventuras, colecionando erros e acertos, driblando a Censura e me incomodando para produzir alguma coisa de útil para a comunidade.
Parece que não deixarei de me incomodar tão cedo, pelo menos é o que espero.
Depois lancei-me aos livros. Foi praticamente uma segunda etapa de minha vida que já alcança agora sete itens subseqüentes. Comecei com “Brasil por linhas tortas”, saltei para “Informação ou morte” e depois “Andanças e contradanças”. Aqui encerrei a primeira fase que começou em 1970 e foi até 75.
Retomei a atividade literária com meu primeiro romance (ou seria uma novela, Assis Brasil garantiu-me que é um romance, sim!) “A Noite do Quebra-Quebra”. Em seguida debrucei-me sobre a história da Empresa Jornalística Caldas Júnior e produzi “Um Século de Poder” sobre a vida centenária do Correio do Povo e “Olha a Folha” sobre o episódio do jornal Folha da Tarde que aliás parou de circular em 1984.
Mais um passo adiante e cheguei à “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, a biografia romanceada do descobridor do Brasil, que me deu três prêmios no Brasil e o internacional “Casa de Las Américas” de Cuba, para Literatura Brasileira, ano 2001.
Estas e outras histórias, os enganos, as pequenas vitórias, as grandes derrotas, as ousadias e os fracassos, a velha história pessoal que começou em Canoas em 1934 e passou por aí.
Estarei no Auditório do Sedac, Praça da Matriz, 148, Porto Alegre, neste dia 21 de novembro, à disposição de amigos, leitores, curiosos, interessados, estudantes, professores, conhecidos, para este resgate.
Segundo a SEDAC e o Instituto Estadual do Livro, promotores do acontecimento, “o projeto “Confesso que vivi” é um espaço para a troca de experiências entre o público e as personalidades convidadas.
A recuperação da memória cultural gaúcha ficará registrada a partir do relato de histórias de vida desses intelectuais e personalidades convidadas. Os depoimentos pessoais serão gravados para posterior edição em livro. As mediações serão feitas por nomes ligados à cultura do estado.”
Já sei que depois de mim, virão os escritores Laury Maciel e Ruy Carlos Ostermann, ambos velhos amigos e companheiros.
Ruy Carlos Ostermann começou ao meu lado, pouco depois de mim, como repórter esportivo na Folha da Tarde. Bons e saudosos tempos que recordaremos no “Confesso que vivi”.
O fato do projeto aproveitar o título do livro de memórias de Pablo Neruda é ainda mais desafiador, pelo desafio que representa e pelo encaminhamento. Ler uma, duas, dez páginas deste maravilhoso depoimento der Neruda já é um encaminhamento de vida.
Sinto-me empurrado para a borda de um grande e belíssimo vale, que também pode significar um precipício.
Ou para um encontro com a velha esfinge grega: “Decifra-me ou te devoro”. Para não ser vítima de mim mesmo, vou tentar expor-me para uma decifração pública.
Quem nunca foi à Belo Horizonte, quem não conhece a bela capital, não sabe o que é a hospitalidade mineira que vai da sala à cozinha. Quem escreve e nunca foi convidado para participar do projeto “É sempre um papo”, do Afonso Borges, não sabe o que é ser apresentado à cidade e ao estado, do alto de um palco-plataforma surpreendente.
Até hoje recebo pedidos de informações sobre meu livro “Nau Capitânia” e fico sabendo através da Editora Record que há uma procura firme por ele em Belô.
Somam-se a todas as divulgações feitas, os resultados do “Sempre um papo”. Afonso Borges, livreiro, jornalista, escritor, promotor de eventos, reúne todas as suas qualidades para transformar a visita de um escritor à cidade, num acontecimento.
Para que se tenha uma idéia: José Roberto Torero recém passou por lá e já em seguida será a vez de Roberto Marzagão, com “Psicanálise e Literatura – Seis contos da era Freud”.
O jornalista Cláudio Bojunga chega em seguida com o livro “JK – o artista do impossível”, edição da Objetiva. O “brazilianist” Kenneth Sergim, da Universidade de Yale, Estados Unidos da América, apresenta “Diálogos na sombra”. Na seqüência, Paulo Paiva lança o livro “Sonho e realidade”. Depois será a vez de Ruy Castro.
Os livros podem ser conseguidos na Livraria “Sempre um Papo”, que fica no movimentado bairro do Savassi. Ou pelo mail: umlivro@sempreumpapo.com.br
Ou ainda pelo telefone: 31.3282.0898
Mas o melhor da festa chama-se Afonso Borges.
Para descobrir os segredos de Belo Horizonte é preciso uma boa companhia, um homem que “é sempre um bom papo”. É ele. Afonso, o bom companheiro das Alterosas.
SALVAR O CAMPO, COM MEDIDAS ECONÔMICAS PARA PROTEGER A PRODUÇÃO E OS PRODUTORES postado por Walter Galvani em 19/11/01
TRADICIONALISMO E UTOPIA
Walter Galvani
Mais de trezentos delegados de todo o país, do Rio Grande do Sul obviamente, e mais Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, estiveram reunidos na Assembléia Legislativa do Rio Grande e decidiram defender medidas para a fixação do homem no campo e assim estimular o cultivo das tradições e do folclore gaúcho. Recomendaram também que os demais estados da federação brasileira lutem pelo cultivo de suas tradições, lembrando que só no território brasileiro há 3.000 CTGs, ou seja, “Centros de Tradição Gaúcha”. E também os há nos Estados Unidos, em Portugal e outros países.
Estamos confundindo o ruído da tropilha crioula com a própria existência dela.
Se há cultivo de tradições gaúchas – e isto é inegável – se deve ao fato sociológico de que elas estão em decadência e quanto mais são esquecidas ou negligenciadas por quem as deveria praticar, mais vivas elas procuram se tornar através deste movimento que assim cresce e se fortalece.
Ou seja: como não se usa mais na vida prática a bombacha, substituída pela calça “lee”, como o cavalo vai perdendo sua posição em seu trabalho no campo para veículos com “vários cavalos de força” e como lenço no pescoço e chapéu de barbicacho se tornaram incômodos e “fora de moda” (porque a televisão uniformiza trajes, frases, entonação e pensamentos), é cada vez mais forte a tendência de intensificar este culto.
É meritória a iniciativa de propor medidas que favoreçam a fixação do homem no campo e é claro que elas começam pelo incentivo à produção. Mas, na verdade o problema do campo é puramente econômico, como tudo. Se os produtos agrícolas, rurais, não tiverem valorização, apoio, preços, linhas de comercialização e industrialização, exportação e melhorias genéticas, concurso e premiações, não haverá recuperação.
A redenção do campo passa pelas cabeças urbanas (e principalmente por Brasília) infelizmente, muito mais do que pelas entusiásticas lideranças tradicionalistas.
É um erro do país continuar investindo naquilo em que pode ser imitado, igualado ou superado por qualquer concorrente. Em compensação, quem possui terras na extensão brasileira, quem desfruta de campos de qualidade e já tem tradição na área de criação de gado e produção de trigo, soja, aveia, centeio, milho como o Brasil?
Produtos industriais, que devemos sim continuar produzindo, não serão nunca exclusividade nossa.
Mas, um bom gado de corte e os eqüinos para o trabalho, para o esporte e para o lazer, estes necessitam de tradição no ramo, campos extensos, profissionais habilitados.
Não existe no Brasil nenhum movimento organizado, estruturado e difundido como o MTG. Há cerca de 3.000 centros de tradições gaúchas espalhados pelo país. É uma força que não pode ser desprezada, o objetivo declarado no 11º Congresso Brasileiro