Quinta, 09 de Setembro de 2010

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, a Folha da Tarde ficou na memória.
Como amada e lembrada sempre.


É preciso destacar o trabalho feito pela Câmara Riograndense do Livro com relação ao dia do Livro, que ocorreu dia 23 e à Semana do Livro que vai até o dia 30 de abril postado por walter em 25/04/03

SEMANA DO LIVRO

Walter Galvani

Registro aqui, publicamente, meu voto de louvor à Câmara Riograndense do Livro, pelo seu magnífico, brilhante, e eficiente trabalho de relacionar num só folheto tudo ou quase tudo o que se está fazendo no Rio Grande do Sul, nesta Semana do Livro, que começou no dia 23, com a comemoração do Dia Internacional do Livro, assinalando a data de nascimento e morte de William Shakespeare e falecimento de Miguel de Cervantes.
Não são poucos os locais onde Cervantes, travestido naturalmente de “Dom Quixote” anda a cavalo pelas ruas da cidade e lugares onde Romeu e Julieta trocam juras de amor. Como nunca antes, o Livro foi lembrado, homenageado e divulgado. Mas, também, nunca até aqui havia sido feito um trabalho precioso e eficiente como este agora realizado pela Câmara Riograndense do Livro.
Operosamente, durante muitos e muitos dias, nesse último ano, a Câmara realizou um trabalho que se completou agora com a publicação desse catálogo de atividades. Primeiro com a criação e o estabelecimento da idéia, depois com a operacionalização das ações que daí resultaram, constando do contato, da solicitação de informações e finalmente agora, produto concluído, com a divulgação.
Infelizmente não vi nos meios de comunicação, em particular os impressos que se constituiriam no veículo ideal, o registro deste feito e a sua ampliação para beneficiar as comunidades envolvidas e as que poderiam vir a sê-lo.
São centenas de ações em mais de trinta municípios. Mas, acredito que no estado o dia e a semana do Livro estejam alcançando talvez dez vezes mais do que isso. Ou até mais.
No caso, a Câmara mostrou a sua eficácia e também a condição que possui como órgão representativo do setor.
Oxalá todos os setores funcionassem assim.


Recebi um convite de Carlos Schmidt, o grande criador do Guion e escrevi sobre o último filme de Jack Nicholson postado por walter em 24/04/03

SOBRE SCHMIDT
(Ou a história de um americano do norte ou ... do sul)


Walter Galvani - www.waltergalvani.com.br



É um filme de ator. Jack Nicholson botou na mesa todas as suas fichas, como o diretor Alexander Payne nele apostou. Os espectadores vão ao cinema pensando em encontrar o intérprete extraordinário, levam no pensamento "Melhor é impossível" e passam muito tempo durante o novo filme procurando resquícios daquele sucesso anterior. Apresentado como uma "dark comedy", em seu material promocional, mas "comédia", só se os divulgadores não assistiram a película ou se a viram, não compreenderam nada. A não ser pelos breves momentos de riso causados pelo retrato em que o diretor acentua a "breguice" no comportamento e nos costumes da nova "família" de Jeannie, a filha de Schmidt, que vai se casar com um candidato desaprovado pelo pai, para rir é que não serve este "About Schmidt". Começa mostrando a aposentadoria do personagem vivido pelo grande ator e a sua imediata condição de "dispensabilidade", característica das sociedades onde quem não produz é enxotado para os últimos círculos, estatisticamente a poucos anos da morte e, portanto, desnecessário, um peso a ser descartado.
É uma ácida crítica aos costumes de uma sociedade consumista. Com uma certa insistência, por convicção, o filme descreve as situações de desconforto vividos pelo personagem que teve sua última homenagem na festa de despedida, quando um velho colega disse-lhe, com todos os efes e erres, que estava sendo substituído por um jovem, por sua vez pintado de forma caricatural pelo diretor, como um orgulhoso e estúpido recém formado. De clichê em clichê, desenha-se a figura, mas vai nos servir para uma compreensão mais fácil do que vai ocorrer na mente de Schmidt, afinal o filme é "about Schmidt" e permitir o transplante para nossa sociedade que não difere muito dos padrões americanos.
A morte inesperada da esposa a quem não amava mais há muito tempo, mas, como se demonstra era um pilar fundamental da organização prática da sua casa, vem se somar à aposentadoria para fazer desmoronar seu mundo, já agora irrecuperável.
Um anúncio de tevê o leva a colaborar com uma criança pobre perdida no fundo da Tanzânia e com isso surge a oportunidade do personagem aplacar sua consciência e do diretor resolver a forma de interpretar seu drama, tirar conclusões e montar o discurso que pretende transmitir aos espectadores sem a dificuldade de contar somente com imagens. Com 22 dólares por mês ele desvia a pressão e encontra afinal um interlocutor, ou pelo menos um ouvinte, para descarregar sua inconformidade, o tamanho de sua tragédia pessoal e os desajustes a que se vê irremediavelmente submetido quando não tem mais força produtiva.
O drama da dispensabilidade dos aposentados, um padrão conhecido das sociedades montadas sobre os resultados de consumo e produção, é bastante conhecido dos humanos e, embora variável, tanto ocorre entre os povos mais desenvolvidos economicamente como em nações terceiro-mundistas, que importam e copiam hábitos e costumes. O que é comum.
E lá vai o nosso Schmidt que esbarra no ponto seguinte da sua complicada estratégia de vida de ex-combatente: há o casamento da filha, há a vida de sua filha na qual quer se intrometer, sem nunca antes haver dado qualquer passo de aproximação e que agora lhe soa como tábua de salvação.
Lá vai ele, em busca deste gancho que o trará de volta à vida útil. Não aceita o candidato a genro e tenta detonar com a violência de suas intervenções o enlace planejado.
Mais um recuo e mais um fracasso para sua coleção. Já antes fizera uma viagem pela sua infância, adolescência e juventude, visitando sua terra natal em busca do tempo perdido. O local da casa dos seus pais abrigava agora uma loja de acessórios automobilísticos. Na sua antiga universidade nenhum, é claro, dos seus contemporâneos e diante de um velho índio compreende que a "conquista do Oeste" fora uma farsa e uma injustiça. Um pouco tarde, talvez, para uma conscientização, mas afinal, quem disse que os americanos e não "americanos nativos" (como explica o personagem que devem ser tratados os "indians") aceitam esta etapa de sua história? Eles acham "que só os fortes chegam lá", como está inscrito no museu do Velho Oeste que Schmidt conhece em sua viagem de resgate.
De erro em erro, ele volta ao lar desmoronado. É o seu lugar. Sentar em sua poltrona e aguardar a morte é a única perspectiva.
Não é propriamente um filme para ser visto por um romântico casal de namorados, mas é uma esperança de consciência, numa cinematografia acostumada a nos bombardear com efeitos especiais e prodigiosas aventuras no espaço. Agora, por certo, sobrarão histórias épicas no front do Oriente Médio e no próximo ano o tapete vermelho estará de volta à cerimônia do Oscar. E os que aprendem com a sabedoria de La Fontaine, na certa dirão: "É.
A mais forte razão é a razão do mais forte..." Nada disso descarta a esplêndida atuação de Jack Nicholson, que, apesar de notório careteiro, é convincente como o estúpido, inútil, covarde, triste, lamentável, compreensível, humano, digno de piedade e asco, personagem que lhe coube interpretar. Afinal, o filme era "about Schmidt" e um Schmidt como tantos outros entre os milhões de americanos do norte e do sul...



Estarei hoje na Biblioteca Pública Estadual do RGS, em Porto Alegre, participando de ato presidido pela nova diretora Morgana Marcon, para assinalar esta grande e importante data postado por walter em 23/04/03

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO


Walter Galvani


A UNESCO, a entidade internacional para a educação e a cultura, escolheu 23 de abril para estabelecer a comemoração internacional do Livro, aproveitando a seqüência de coincidências: é a data de nascimento de William Shakespeare, um dos maiores nomes da língua e da cultura inglesa, em 1564 e a data de sua morte e de Miguel de Cervantes, ambos no mesmo dia exato, em 1616.
Motivos mais do que suficientes para homenagear dois cânones da literatura mundial e duas línguas que se incluem entre as mais faladas no mundo, seleto grupo onde, é bom sempre lembrar, também se inclui o português. Estamos à esta altura, século XXI, reverenciando também o significado que teve a Renascença européia e a expansão das nações ocidentais através das “viagens de descobrimento”, nos séculos XV e XVI. Não fora isso e aquilo e mais dois séculos, e o subseqüente desenvolvimento daqueles países e suas colônias, territórios, feitorias, agências, fortalezas, quartéis, missões religiosas e ostracismos, barcos e sobretudo conhecimentos geográficos, astronômicos, históricos e filosóficos, não fora sobretudo a pulsão da busca de uma utopia, e teríamos um mapa lingüístico e cultural bem diverso. Assim mesmo, inglês, espanhol, português, francês, alemão, italiano e árabe, sofrem as pressões numéricas das línguas faladas na China e na Índia, dadas as populações daqueles verdadeiros continentes.
Quanto ao português, sabemos bem a lição: fala-se em Portugal, antiga metrópole e em todos os pontos onde se produziu a diáspora lusitana. Os países de língua oficial portuguesa que são hoje oito: o próprio Portugal, na Europa, na África, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, na América do Sul, o Brasil e na Ásia, o último a converter-se oficialmente em nação independente, Timor-Leste.
Mas, há também os enclaves de imigrantes portugueses, numerosíssimos na França, onde são mais de quatro milhões de indivíduos, ou na Alemanha, cerca de 1.600.000, e ainda no Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Argentina, para só citar os mais significativos.
Esta presença da língua significa acima de tudo a permanência e a transmissão de valores culturais, dos quais a literatura, pela forma perene do livro, se constitui numa das bases mais sólidas.
O Dia do Livro é pois o momento de assinalarmos toda esta importante contribuição à humanidade, principalmente no que se refere à difusão de idéias, sentimentos, emoções, que de outra forma não seriam identificados como universais e portanto, vetores de paz e entendimento.
Numa data em que esta convivência fraterna se vê ameaçada mais uma vez por questões ideológicas, econômicas, recheadas de preconceitos e motivações políticas, se assinala o Livro como um agente plenamente subversivo, como bem o sabem todos e o conhecem, sobretudo os poderosos de todos os tempos.
Em todas as cidades civilizadas do mundo, onde se pense um pouco além do quintal e do caipirismo xenófobo das populações ignorantes, embora muitas vezes ricas e militarmente poderosas, será hoje reverenciado o Livro, como o verdadeiro “Santo Graal” da Humanidade. E na certa lembrada a mítica Alexandria e sua biblioteca inestimável desaparecida durante um incêndio na invasão romana comandada pelo Júio César.
No caso específico de Porto Alegre, onde atuo profissionalmente, como integrante do Conselho Estadual de Cultura, há várias comemorações, mas escolhi para estar presente nas cerimônias que ocorrerão no maravilhoso “Salão Mourisco” da Biblioteca Pública Estadual onde, a partir das 17 horas se desenrolam vários eventos, a começar pelo lançamento do livro “Santo Amaro – QG de Chico Pedro”, cujo autor, Francisco Pereira Rodrigues está completando, gloriosamente junto com o Dia Internacional do Livro, 90 anos de idade. Depois da apresentação do livro, editado pela Martins Livreiro, cerimônia que leva a assinatura do Instituto Histórico e Geográfico do RGS e da Academia Riograndense de Letras, seguindo-se a doação de vários livros ao acervo da Biblioteca, por parte de membros da Academia gaúcha.
Eu próprio, ocupante da Cadeira 25, fazendo coro à esta decisão coletiva dos acadêmicos, farei a entrega de um exemplar de “La nave capitana”, títulos que recebeu em espanhol, meu livro “Nau Capitânia”, ao ser contemplado com o prêmio “Casa de Las Américas” para Literatura Brasileira em 2001.
Como não tenho o dom da ubiqüidade não poderei estar às 17 horas no Espaço Maurício Rosenblatt, 3. andar da Casa de Cultura Mário Quintana, também em Porto Alegre, quando o secretário de Cultura, Roque Jacoby, o cônsul geral da Espanha, Nabor Garcia e o assessor lingüístico do Ministério da Educação da Espanha, Manuel Calderon, que fará palestra sobre a importância da obra de Miguel de Cervantes para a literatura mundial, abrem a exposição “Obra Rara: Dom Quixote de La Mancha”.
Sigo porém, no final da tarde, para o Bourbon Shopping Country, na av. Túlio de Rose, 80, em Porto Alegre também, quando a Universidade de Passo Fundo e a prefeitura municipal daquela cidade promovem o lançamento da X Jornada Nacional de Literatura, um acontecimento extraordinário que reúne bienalmente em agosto mais de 4.000 pessoas em torno ao Livro e ocorrerá este ano de 27 a 30 daquele mês, a apresentação da Segunda Jornadinha Nacional de Literatura, do 3. Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura para o melhor Romance em Língua Portuguesa, publicado entre junho de 2001 e 31 de maio de 2003, e que atribui 100 mil reais ao ganhador.
Com tudo isso, não vou poder estar também em Canoas, onde às 17 horas, na Fundação Cultural, será homenageado o Irmão Henrique Justo, meu primeiro professor de Literatura, o que é uma pena por duplo motivo. Mas, um espírito lá estará, ao lado dele.
A tarde começa cedo para o Livro. Das 14 às 17 horas, na Usinma do Gasômetro, a prefeitura municipal de Porto Alegre, através da coordenação do Livro e da Literatura, promove uma comemoração distribuindo dois mil exemplares de livros à escolas e entidades participantes.
Como se vê, uma farta comemoração que ainda vai mais longe. Segunda-feira, dia 28, dentro das comemorações do Dia do Livro e integradas na Semana do Livro (que ainda além de tudo terá uma Feira, na chamada “Rua do Livro em Porto Alegre”, Rua Riachuelo) participarei do jantar AGES, Associação Gaúcha de Escritores, no restaurante Dado Garden, no Praia de Belas Shopping, q2uando se realizará um jantar para a apresentação do Prémio “Livro do Ano”.
Escrevi Prémio com acento agudo, para lembrar Portugal, pois lá também haverá comemorações e muitas e uma delas promovida pela editora Gradiva, que me mandou convidar, mas que não poderei lá estar, por estar cá...


Chegou a hora do que passamos a chamar de "pausa sabática". A minha irá de sábado a sábado, digamos... ou melhor dito, com o feriado brasileiro, até o dia 21 de abril. Duante este período, distante do trabalho e do computador, vou pensar um pouco, reorganizar minhas idéias e minha vida. Esta página deixará de ser atualizada, até então. Mas, enquanto isso, o barco segue... postado por walter em 13/04/03



Os americanos informaram que haviam liqüidado com pelo menos "20 inimigos" perto do hotel Palestine, nesta tarde de sábado. Em Bagdá instalou-se o caos e não há controle sobre ladrões e aproveitadores que pilham o que podem. Um vazio. Não há comando político nem policial. E os habitantes criticam a indiferença das tropas de ocupação, inglesas e americanas, que nem se preocupam com o que sucede à sua volta... Pois é. Guerra é guerra. Um dos principais homens ligados a Saddam Hussein entregou-se ontem segundo os americanos: é o general Ammer Hamadi-al-Saadi, para os gaúchos um sobrenome familiar. Uma tradicional família de médicos e jornalistas do sul ostentam este sobrenome, que aliás não é raro, Saadi é comum entre os árabes. Por sinal, trata-se de gente igual a nós. Sobre isso leiam minha crônica "A paz e dois gigantes" que aparece, além de uma entrevista especial sobre a Oficina de Crônica "O vôo da gaivota" no site especial da Unisinos, que tem o seguinte endereço: www.portal3.com.br postado por walter em 12/04/03

Para este fim-de-semana e para a pausa sabática que farei durante a Semana de Páscoa, é uma sugestão que considero adequada.
O site www.portal3.com.br é convidativo, bem feito e cheio de atrações.

Enquanto a poeira se dissipa no Oriente Médio vamos tentando compreender o panorama que se vai revelar postado por Walter Galvani em 10/04/03

JOGANDO A TOALHA?

Walter Galvani


Esta manhã, dizia a BBC de Londres, os soldados norte-americanos enfrentavam intensa fuzilaria em Bagdá. Em Nova York, ontem, o embaixador do Iraque aparentemente jogava a toalha, ao exclamar: “O jogo acabou!”
Temos que examinar as questões lingüísticas, para saber o que conhece de inglês o diplomata iraquiano, e assim descobrir que informações ele possui e – apesar de ter dito que há muito tempo não se comunica com o ministério de relações exteriores do seu país – para saber o que de fato aconteceu. Ou seja: se o regime de Saddam de fato desmoronou ou se o ditador está escondido e espera um momento para a reação. Ou se não tem mais nenhuma capacidade de reação e está escondido e escondido ficará. Ou morreu.
Nos próximos dias ficaremos sabendo, porque o tempo passa e o vento leva e traz tudo, ainda mais o vento do deserto...
O Iraque é uma invenção recente. Saiba-se que, apesar de ocupar uma terra tão antiga que se tem como a mais antiga do mundo, lá era a Babilônia, Nínive, lá morreu Alexandre o Grande, lá ficava e fica Ur, na Caldéia, terra do profeta Abraão, na verdade foi um resultado direto do trabalho de Lawrence da Arábia, o famoso coronel inglês que mandou os árabes se unirem e criarem sua própria autonomia. As tribos da antiga Mesopotâmia se uniram e, em 1954, nasceu o Iraque.
Portanto, não se equivoquem, o Iraque como nação independente é uma coisa moderna. Saddam Hussein tomou o poder há doze anos. Se ele é ditador, torturador e assassino, temos que ver a visão do seu próprio, digamos povo, pois também é certo que para se sustentar no poder ele guerreou contra os curdos que estão mais concentrados ao norte e ao sul. Diz-se que ele matou mais de um milhão de curdos.
Em 91, os Estados Unidos empurraram o Iraque de volta para suas fronteiras, porque Saddam havia invadido o Kuwait. Bush pai não terminou a tarefa e parece que Bush filho se dispôs a cumprir este “karma” familiar.
Pois bem, então vamos ver no que dá, como resolvem os árabes e muçulmanos iraquianos, dentro da sua filosofia e sua ideologia.
Enquanto isso, os romanos do século XX estão diante do desafio: continuarão no século XXI a comportar-se como o novo Império? E, até quando?
No século quinto da era cristã, Roma terminou com seu predomínio de seis séculos, apesar de que o ramo Oriental do Império, com sede na então Constantinopla, ainda permaneceu de pé até 1453, quando em vão esperou pelo auxílio dos descendentes dos antigos romanos, genoveses e venezianos, já há séculos divididos em pequenas repúblicas...
O próximo “week-end” de Blair e Bush será para discutir o futuro do Iraque. Assim agem os vencedores, não importando se a guerra foi justa ou injusta.
Isso é absolutamente secundário para a História, que se escreve com fatos e não permite que a sua roda gire em sentido contrário.


Então, vamos adiante com mais um trabalho que nos exigirá dedicação. postado por walter em 09/04/03

DIA DA POSSE

Walter Galvani


Ontem foi o dia da posse no Conselho Estadual de Cultura. Lembrar uma vez mais as inúmeras visitas ao belo Palácio Piratini, percorrer suas escadarias e corredores, encontrar os amigos, ouvir o secretário da Cultura, Roque Jacoby pronunciar suas belas palavras de carinho e introdução ao trabalho e escutar o governador Germano Rigotto dizer que Cultura é sinônimo de investimento e também é prioridade do seu governo.
Foi bom e melhor ainda encontrar velhos companheiros em ação profissional no Serviço de Imprensa – felizmente aqui imune a tiroteios – conhecer pessoas e apertar mãos, trocar cartões, conversar sobre a atividade que nos espera a partir de amanhã.
Será como um complemento dessa opção pela literatura, esta guinada que estou dando em minha carreira profissional e que se completa com a participação nas reuniões e promoções da Academia Riograndense de Letras, vem aí o Dia Internacional do Livro, tomem nota, dia 23 de abril, e com o lançamento de um novo texto que está a caminho, pronto, revisado, sem título ainda, em mãos da editora Record, no Rio de Janeiro.
E eu aqui, na província, a dar andamento e consolidar este novo viés da minha vida profissional e que se mescla com o andamento do que tenho de mais particular. Festejo também a conclusão da leitura de mais um livro, coisa que fiz ontem à noite, dando graças por haver adquirido ao longo do tempo a sabedoria para organizar os diversos modos de investir em mim mesmo. Terminei de ler “Poesia – Uma iniciação à leitura poética”, do professor e poeta Armindo Trevisan, algo que recomendo, pois ele mergulha na história e na prática, mexe com as palavras e ajuda a organizar nosso pensamento.
Fantástico, para não usar bárbaro, não sei que conceito tem hoje esta palavra que veio mudando de significado, como muitas delas... Mas isso já faz parte da lição do Armindo.
E então, agora, mãos à obra, uma figura de estilo, por certo, uma metáfora que contem uma sinédoque. Compliquei? Armindo está aí para desfazer as dúvidas.


A Palavra que incendeia, que queima e faz voar, que alimenta os espíritos e permite as trocas, a comunicação, a expansão de uma idéia ou a sua condenação, a redenção da humanidade ou a guerra, a destruição. Mas, sempre a Palavra, na base de tudo o que os seres humanos pensam e são. postado por walter em 08/04/03

BUSCA DA EXPRESSÃO

Walter Galvani

Às vezes me pergunto o que pretendem as pessoas que escrevem poemas, crônicas, artigos, livros, compõem músicas, redigem textos, ensaios, estudos, desenham, pintam, concorrem na medonha competição do cinema, na televisão, enfim, todos os que de alguma forma procuram chegar à comunidade, à sociedade, aos grupos sociais, ao país, ao mundo. E, lógico, percebo que aí mesmo na formulação da pergunta está a resposta: todos querem se comunicar, transmitir seus sentimentos, seus pensamentos, suas maneiras de ver a vida, mostrar que são pessoas, que existem, que querem intervir, nem que seja dizendo, “olha hein, estou aqui, estou vivo e discordo.” Ou “concordo”, ou nada tenho a dizer a não ser que respiro...
Os meios nós sabemos, enriquecidos agora pela Internet, significam maior ou menor poder de fogo e vão desde os grandes veículos de comunicação social e aí se contam meia dúzia em média por país e os maiores, conhecidos de todos pelo prestigioso título, arrastando consigo o nome da sua cidade, uma distinção como “The Times” de Londres, “La Reppublicca” de Roma, “Corriere della Sera” de Milão, “Clarín” de Buenos Aires, “El País” de Madrid, “Asai Shimbum” de Tóquio, “The New York Times” de Nova York, “Washington Post” de Washington, e por aí vai, naturalmente ampliando o número do que conhecemos à medida que nos aproximamos de nosso país, nosso estado, nossa cidade. Relacionamos na ponta da língua as grandes editoras e livrarias, uma delas, aliás é a Cultura, de São Paulo, que está chegando à nossa capital, Porto Alegre, ou sabemos como proceder para chegar a todas estas manifestações diversificadas do pensamento mundial.
Respeitamos todos estes caminhos que se abrem, ou às vezes se fecham, de acordo com a sorte da batalha, tal como Napoleão deve ter visto e sentido quando o socorro que esperava não chegou a tempo a Waterloo... ou como viu e sentiu o Duque de Wellington, quando percebeu que iria derrotar o maior mito do século XIX na Europa.
Mas, o que as pessoas desejam é comunicar-se, dizer o que são, o que pensam, o que fazem, como nasceram e como tem vivido e porque assim tem sido e o que acham da comunidade, lembre-se que comunicar e comunidade tem o mesmo radical – comum, aquilo que “pertence a todos ou a muitos”.
É, na verdade, temos algo em comum, pelo menos como seres humanos, e não podemos aceitar o ódio, a violência, a discriminação, embora seja muito comum, digamos, que seres humanos pratiquem tais atos contra seres humanos...
É o que vemos por toda a parte, nos jornais, na televisão, escutamos no rádio ou vemos nas revistas e na internet e queremos dizer que não concordamos com o que acontece e então, temos o que comunicar.
Por isso, às vezes sobra-nos pouco espaço, mesmo porque há domínios, predomínios, potência e prepotência sobre os meios de comunicação que, ditos de massa, deveriam abarcar praticamente todo o grupo integrado nessa, digamos comunidade.
Estamos em divida, por certo, estamos em dívida com o século que apelidamos de 21 porque se passaram tantos anos assim sobre o surgimento de uma doutrina que pregava o ético “amai-vos uns aos outros” acima de quaisquer divergências étcnicas, políticas, ideológicas, econômicas, territoriais, mas que os próprios seguidores oficiais da tal doutrina, quando ela se transformou em religião esqueceram e a despraticaram, se é que posso inventar uma palavra.
É o que tem sido.
Mas, imagino a ansiedade, o sofrimento, a inquietude que vivem as pessoas que não dispõem de nenhuma forma de comunicação, de exprimir o seu pensamento, por mais linear que seja, anti-guerreiro, a favor da paz, por exemplo, a não ser usando, os tempos modernos o autorizam, uma camiseta com a inscrição destas duas consoantes que se cruzam com a vogal aberta e inaugural, o A, que em tudo está, para significar com o seu som, que começa com o estrondo de um P e acaba com o disparar de uma ação, fornecido pelo Z, que modifica a calma do fonema. PAZ, portanto, exige ação, é o P que o exprime, como também compreende suas repercussões e isto está na seqüência sonora que se arma com o chiar do Z.
O bom uso das palavras comprova que os homens são mais sábios do que parecem ou do que os imaginamos. E a Palavra é o supremo bem da Humanidade, a maior invenção, muito maior do que a roda, o motor, o petróleo-combustível, o avião, o barco, a espada, o canhão, a espingarda, o revólver, a bomba, o cinema, a televisão e o telefone.
Ela, só ela, está na base de tudo. O edifício todo, para o bem ou para o mal, em silêncio ou atroando os ares, foi construído sobre ela.



Tempo de guerra. Mas, a vida continua e temos que continuar lidando com nossas questões, batalhando para que nosso país continue unido, forte e grande. O que é uma ameaça latente neste século XXI. Enquanto isso, pessoalmente, dou-me conta de que estou dando um grande e importante passo em minha vida. postado por walter em 07/04/03

UMA DESIGNAÇÃO PARA O
CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA


Walter Galvani


Com muita honra, estou incluído entre os 8 conselheiros titulares que o governo do estado tem direito de nomear no Conselho Estadual de Cultura, (om mais oito suplentes) para se somarem ao grupo presidido por José Antonio Barone.
O CEC tem a missão de ajudar a projetar a política cultural do estado e nesse sentido foi esclarecedora a reunião que tivemos, nós os indicados, com o secretário de Cultura, Roque Jacoby, na sexta-feira passada. Embora opinar sobre os projetos que se candidatam a LIC seja importante, não é a única atividade ou missão do Conselho.
Aliás, pelo artigo 1O. o Conselho Estadual de Cultura é “órgão colegiado, com atribuições normativas, consultivas e fiscalizadoras, tendo por finalidade promover a gestão democrática da política cultural do Estado”.
O governador Germano Rigotto assinou ato no dia 28 de março, que foi publicado no Diário Oficial do dia 31, através do qual reconduz os conselheiros titulares Paulo Flávio Ledur, editor, escritor, ex-presidente da Câmara Riograndense do Livro, Valesca de Assis, consagrada escritora, autora do notável “Harmonia das Esferas” e Armindo Trevisan, grande poeta, ex-patrono da Feira do Livro (2001) e ensaísta brilhante, autor de “Com apreciar a arte” e outros trabalhos notáveis, cujo livro inaugural “A surpresa de ser”, logo o colocou no patamar dos grandes.
Os designados agora são: José Clemente Pozenato, autor de “O Quatrilho”, o gaúcho que chegou mais perto do Oscar; Paulo Roberto Fraga Cirne, representante do MTG; Maria Lúcia de Oliveira Blazoudakis, responsável pelo setor cultural do município de Teotônia e representante indicada pela FAMURS, e Délcio Tavares, cantor popular, representando a área dos festivais gaúchos.
São conselheiros suplentes: Nelson Muratore Hoffmann, Jaime Cimenti, crítico literário do Jornal do Comércio; Maria de Lourdes Jarkzewski Monteiro, Fátima Lunardelli, da área cinematográfica, jornalista; Taylor Diniz, jornalista e escritor; Décio Magalhães Duarte, ex-diretor do Solar dos Câmara e o cantor e radialista Victor Hugo Silva, com larga folha de serviços no folclore rio-grandense, diretor da Rádio Cultura-FM.
Os demais dois terços do Conselho foram eleitos pelas entidades representativas dos diversos segmentos culturais, aos quais este novo grupo se junta já na mais próxima reunião de trabalho que ocorrerá no dia 10 de abril, quinta-feira, a partir das 14 horas.


Estou um pouco enfarado de todos estes problemas, o cerco a Bagdá, como aliás disse muito bem o Ronald Boscoli, a mãe do Bush nunca lhe contou uma história das Mil e Uma Noites... - que resolvi me fixar hoje, apenas no que ocorreu de bom e de ruim num dia como hoje, 6 de abril postado por Walter Galvani em 06/04/03

HOJE NA HISTÓRIA


Walter Galvani *





Dia 6 de abril de 2003. Recém começa ou vai pela metade, de acordo com a hora que estamos compulsando este ABC DOMINGO e vale a pergunta: o que será que nos reserva este dia? Cada emissão de noticiário de rádio, cada jornal de tevê, cada visita a Internet, cada jornal que nos chega às mãos deparamos com algo de novo no presente e no futuro da humanidade.

Recordam Ricardo I, O Coração de Leão? Morreu no dia 6 de abril de 1199. Não interessa muito? Pois saibam que nesta data em 1385, João, “o Mestre de Avis, por vontade popular era declarado Rei de Portugal. Não se fazem mais monarquias como antigamente... Se você andar pelas ruas de Lisboa e falar em Avis, vão lhe dizer que ali, dobrando a esquina fica a agência de automóveis Avis. E pior: alguns pronunciarão “eivis”, tão mal acostumados estão com a invasão anglo-americana. E olhem que era a primeira dinastia de um Portugal independente.

Você sabe, os “anjinhos” como em sua candura você imagina que o sejam? Criou-os Rafael, um grande pintor italiano que morreu num dia como hoje em 1520.

Já oito anos mais tarde, num mesmo 6 de abril, morria Albert Dürrer, um pinto alemão inesquecível, o primeiro a pintar um rinoceronte que, aliás, ele viu em Veneza, onde o pobre bicho morreu caindo ao mar, desfalcando assim um presente ao Papa que faria Dom Manuel I de Portugal. Sim, O Venturoso, que teve a sorte, a ventura de ver o Brasil oficialmente descoberto em seu reinado.

Houdini era um prestidigitador tão extraordinário, nascido a 6 de abril de 1874, que quando tinha vinte anos atirou-se de uma ponte no rio Hudson, em Nova York, dentro de um saco e algemado. Libertou-se e veio à superfície.

Olimpíada da Era Moderna, a primeira começou em Atenas num dia como hoje. Foram buscar o modelo na Grécia Antiga. 1896, ainda no século XIX. Em 2004 será a vez de Atenas, novamente.

Robert Peary, o primeiro homem a chegar ao Pólo Norte, um americano, foi coisa de 1909.

Na Primeira Guerra Mundial, lembram dela? Havia experiências terríveis, o gás mostarda, os primeiros bombardeios com aviões, isso entre 14 e 18. Pois em 6 de abril de 1917, os Estados Unidos declaravam guerra à Alemanha.

Música de André Previn, para adormecer em paz com o mundo e embalar belos sonhos. Ele começou a gestá-la em 1929, quando nasceu o mundo escorregava para uma quebra espetacular. Começou com a Bolsa de Nova York.

Em 1971, o planeta perdia Igor Strawinski. Não viveu até o descongelamento do antigo mundo soviético. Mas, que música divina!

Ficção científica, lembram? Será que morreu com seu maior astro Isaac Asimov, o criador do “Eu, Robot” naquele 6 de abril de 1992?

E assim chegamos a 1994, há um desastre aéreo e morrem dois presidentes na jovem África. De Ruanda e Burundi. Resultado: uma revolta popular imensa e as etnias se defrontam. Conseguem lembrar quantos seres humanos morreram por causa daquele levante? 500 mil.

Um dia muito especial... gerando desastres, no entanto também esperanças, colecionando lembranças, mostrando o quanto há de louco neste girar pelo infinito deste globo perdido no espaço...

E hoje, 6 de abril de 2003? Será que poderemos dormir em paz? O retrospecto não nos é favorável...



* Inicialmente publicado no ABC DOMINGO de hoje

Eis como a França vê o conflito. Está publicado hoje na página da BBC Brasil postado por walter em 04/04/03

Premiê francês diz que guerra ''passou dos limites da lei''

Raffarin fez dura crítica aos americanos


O primeiro-ministro da França, Jean-Pierre Raffarin, fez as críticas mais diretas de um representante de seu país à guerra liderada pelos americanos no Iraque desde o início do conflito.

''Nós acreditamos que, com essa guerra, nós passamos dos limites da lei", disse ele. Raffarin lamentou ainda a ''extrema violência'' do conflito e disse que era ''um grave erro'' moral, político e estratégico ''causar problemas'' no Oriente Médio.

A França sempre se posicionou contra a guerra no Iraque, defendendo que fossem esgotadas todas as possibilidades de desarmamento do regime de Saddam Hussein antes de uma ação armada.

Nesta sexta-feira, os ministros das Relações Exteriores da França, da Rússia e da Alemanha – três dos países que se pronunciaram mais diretamente contra a guerra – devem se encontrar em Paris para discutir o futuro do Iraque depois da guerra.

O ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, deve ainda se encontrar com o papa João Paulo 2º e com representantes do governo italiano, que apóia a guerra.

Perdão

Apesar das disputas em torno da guerra, o presidente da França, Jacques Chirac, pediu desculpas em carta à rainha Elizabeth 2ª pelas pichações encontradas em um cemitério de soldados britânicos mortos na Primeira Guerra Mundial (1914-18) que fica na França.

Chirac disse que as pichações eram ''inadmissíveis e vergonhosas''.

Elas foram descobertas por um turista britânico que passava pelo cemitério da cidade francesa de Etaples, onde estão enterrados 11 mil soldados mortos na guerra.

As pichações diziam em vermelho: ''Saddam vai vencer e derramar o sangue de vocês'', ''Desenterrem o seu lixo, ele está estragando nosso solo'' e ''Rosbifes (referência aos britânicos), voltem para casa''.

Na carta à rainha, o presidente francês se disse ''supreso e profundamente chocado'' com o que aconteceu. Ele disse que as pichações ''causaram o repúdio unânime do povo francês''.

Chirac disse ainda que o ''sentimento e o pensamento dos franceses'' está com os soldados britânicos que estão lutando no Iraque.



Há uma grande atuação de Jack Nicholson, esplêndido como o lamentável, humano, digno de piedade e esmagado Schmidt, um a mais que sobra na cadeia produtiva... É hora para ele e para nós, afinal, de saber alguma coisa... Não é apenas a história de um aposentado que tenta se reaproximar da filha. postado por walter em 03/04/03

SOBRE SCHMIDT
(Ou a história de um americano do norte ou ... do sul)

Walter Galvani


É um filme de ator. Jack Nicholson botou na mesa todas as suas fichas, como o diretor Alexander Payne nele apostou. Os espectadores vão ao cinema pensando em encontrar o intérprete extraordinário, levam no pensamento “Melhor é impossível” e passam muito tempo durante o novo filme procurando resquícios daquele sucesso anterior. Apresentado como uma “dark comedy”, em seu material promocional, mas “comédia”, só se os divulgadores não assistiram a película ou se a viram, não compreenderam nada. A não ser pelos breves momentos de riso causados pelo retrato em que o diretor acentua a “breguice” no comportamento e nos costumes da nova “família” de Jeannie, a filha de Schmidt, que vai se casar com um candidato desaprovado pelo pai, para rir é que não serve este “About Schmidt”. Começa mostrando a aposentadoria do personagem vivido pelo grande ator e a sua imediata condição de “dispensabilidade”, característica das sociedades onde quem não produz é enxotado para os últimos círculos, estatisticamente a poucos anos da morte e, portanto, desnecessário, um peso a ser descartado.
É uma ácida crítica aos costumes de uma sociedade consumista.
Com uma certa insistência, por convicção, o filme descreve as situações de desconforto vividos pelo personagem que teve sua última homenagem na festa de despedida, quando um velho colega disse-lhe, com todos os efes e erres, que estava sendo substituído por um jovem, por sua vez pintado de forma caricatural pelo diretor, como um orgulhoso e estúpido recém formado.
De clichê em clichê, desenha-se a figura, mas vai nos servir para uma compreensão mais fácil do que vai ocorrer na mente de Schmidt, afinal o filme é “about Schmidt” e permitir o transplante para nossa sociedade que não difere muito dos padrões americanos.
A morte inesperada da esposa a quem não amava mais há muito tempo, mas, como se demonstra era um pilar fundamental da organização prática da sua casa, vem se somar à aposentadoria para fazer desmoronar seu mundo, já agora irrecuperável.
Um anúncio de tevê o leva a colaborar com uma criança pobre perdida no fundo da Tanzânia e com isso surge a oportunidade do personagem aplacar sua consciência e do diretor resolver a forma de interpretar seu drama, tirar conclusões e montar o discurso que pretende transmitir aos espectadores sem a dificuldade de contar somente com imagens. Com 22 dólares por mês ele desvia a pressão e encontra afinal um interlocutor, ou pelo menos um ouvinte, para descarregar sua inconformidade, o tamanho de sua tragédia pessoal e os desajustes a que se vê irremediavelmente submetido quando não tem mais força produtiva.
O drama da dispensabilidade dos aposentados, um padrão conhecido das sociedades montadas sobre os resultados de consumo e produção, é bastante conhecido dos humanos e, embora variável, tanto ocorre entre os povos mais desenvolvidos economicamente como em nações terceiro-mundistas, que importam e copiam hábitos e costumes. O que é comum.
E lá vai o nosso Schmidt que esbarra no ponto seguinte da sua complicada estratégia de vida de ex-combatente: há o casamento da filha, há a vida de sua filha na qual quer se intrometer, sem nunca antes haver dado qualquer passo de aproximação e que agora lhe soa como tábua de salvação.
Lá vai ele, em busca deste gancho que o trará de volta à vida útil. Não aceita o candidato a genro e tenta detonar com a violência de suas intervenções o enlace planejado.
Mais um recuo e mais um fracasso para sua coleção. Já antes fizera uma viagem pela sua infância, adolescência e juventude, visitando sua terra natal em busca do tempo perdido. O local da casa dos seus pais abrigava agora uma loja de acessórios automobilísticos. Na sua antiga universidade nenhum, é claro, dos seus contemporâneos e diante de um velho índio compreende que a “conquista do Oeste” fora uma farsa e uma injustiça. Um pouco tarde, talvez, para uma conscientização, mas afinal, quem disse que os americanos e não “americanos nativos” (como explica o personagem que devem ser tratados os “indians”) aceitam esta etapa de sua história? Eles acham “que só os fortes chegam lá”, como está inscrito no museu do Velho Oeste que Schmidt conhece em sua viagem de resgate.
De erro em erro, ele volta ao lar desmoronado. É o seu lugar. Sentar em sua poltrona e aguardar a morte é a única perspectiva.
Não é propriamente um filme para ser visto por um romântico casal de namorados, mas é uma esperança de consciência, numa cinematografia acostumada a nos bombardear com efeitos especiais e prodigiosas aventuras no espaço. Agora, por certo, sobrarão histórias épicas no front do Oriente Médio e no próximo ano o tapete vermelho estará de volta à cerimônia do Oscar. E os que aprendem com a sabedoria de La Fontaine, na certa dirão: “É. A mais forte razão é a razão do mais forte...”
Nada disso descarta a esplêndida atuação de Jack Nicholson, que, apesar de notório careteiro, é convincente como o estúpido, inútil, covarde, triste, lamentável, compreensível, humano, digno de piedade e asco, personagem que lhe coube interpretar. Afinal, o filme era “about Schmidt” e um Schmidt como tantos outros entre os milhões de americanos do norte e do sul...


Saia correndo, hoje, e compre um livro deste poeta extraordinário que é o Fabrício Carpinejar postado por walter em 01/04/03

SARAU ELÉTRICO RECEBE CARPINEJAR

A mentira costuma ser o antídoto e o veneno das brigas entre casais. Neste primeiro de abril, o Sarau Elétrico retoma as atividades e aborda justamente o ciúme. O encontro acontece no bar Ocidente (João Telles esquina Osvaldo Aranha), em Porto Alegre, na terça, às 21h. O convidado especial é o jornalista e poeta Fabrício Carpinejar, Açorianos de Literatura 2001 e 2002, que vai ler poemas de seus últimos livros Biografia de uma árvore e Terceira Sede. A canja musical ficará por conta de Júlio Reny. O time fixo de apresentadores segue inteiro, com o humor e a verve da radialista Kátia Suman, do escritor e crítico Luís Augusto Fischer, do músico Frank Jorge e do professor Cláudio Moreno, que esclarece questões sobre literatura grega.


Com quatro anos de atividades, o Sarau Elétrico é um misto de bate-papo e recital, reunindo cerca de cem pessoas por apresentação. Fugindo da solenidade e também cuidando para não cair na galhofa, o ambiente combina lirismo e debate, sempre à luz de velas. Artistas, políticos e expressões literárias brasileiras já fizeram sua aparição por lá. De maneira eclética, os encontros temáticos acompanham e registram os mais variados estilos e gêneros , dos tropicalistas aos tradicionalistas.


SERVIÇO:

SARAU ELÉTRICO - CIÚMES - TERÇA - 9 DA NOITE – BAR OCIDENTE – R$ 5,00




abraços com todo afeto
Fabrício
----- Original Message -----
From: Walter Galvani da Silveira
To: Fabricio Carpinejar
Sent: Monday, March 31, 2003 2:27 PM
Subject: Re: SARAU ELÉTRICO - 01.04.03


E não é primeiro de abril. Mas, primeiro de abril, mesmo é o que segue:

ÓBVIO

Walter Galvani

Bush mandou retirar seus soldados, dizendo que não era possível que seu país prosseguisse no caminho errado, querendo impor democracia à força à pessoas de cultura completamente diversa. O primeiro ministro inglês Tony Blair afirmou que há problemas muito maiores dentro da Inglaterra e que era uma perda de tempo e de vidas, mandar os pobres rapazes para uma guerra de conquista e ocupação lá no Oriente Médio.
Saddam Hussein tratou de dissuadir os suicidas afirmando que eles só trariam pena e sofrimento às suas famílias, porque até a indenização que costumeiramente o governo pagaria a esses heróis, estava agora comprometida com a situação econômica aflitiva do Iraque.
Lula mandou revogar o salário mínimo de 240 reais que vigoraria a partir de hoje, avisando que os 100 dólares que o Paulo Paim pediu, equivaleriam hoje a 350 reais.
O técnico Tite do Grêmio Porto-alegrense admitiu que os erros cometidos por sua equipe nos últimos jogos, devem-se à sua falsa avaliação dos adversários e desculpou-se perante a torcida, prometendo mudar imediatamente ou demitir-se.
O prefeito de Porto Alegre prometeu investigar profundamente o problema da saúde no município para saber se os grevistas estão com a razão ou, se simplesmente estão querendo ganhar demais à custa do povão.
O secretário americano Collin Powells afirmou que ...

Bem, chega, não é mesmo? Lembrando o velho Dia da Mentira em que, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos costuma-se fazer brincadeiras como fazíamos aqui nos velhos tempos de ginásio... Lá pelos anos quarenta e poucos.


Marco Aurélio Garcia, antigo comunista, trata o tema da guerra Estados Unidos versus Iraque, com mil cuidados. Ele não era do PT? Não esteve exilado no Chile? Não foi comunista? Claro, não deve mais sê-lo postado por walter em 31/03/03

QUE PRAGMATISMO!

Walter Galvani

Às vezes a gente se surpreende com o que falam ou dizem os líderes ou seus porta-vozes, eis que não sabemos da missa, a metade! Na verdade, não nos chegam nos tempos modernos de comunicação integrada e completa, todos os elementos de que dispõem os que nos representam e por isso, muitas vezes, ficamos na dúvida. Será que estamos entendendo bem o que se passa?
Agora mesmo com a Guerra no Iraque, imensas, inúmeras, fantásticas, são as manifestações contra a guerra, contra o procedimento dos Estados Unidos e seus acólitos, Inglaterra, Espanha e outros 35 menos votados, que partiram para uma tentativa de ocupação do território e derrubada do governo de Saddam Hussein.
Tudo bem, se sabia que Saddam não é dos líderes mais transparentes e admiráveis, a partir inclusive do que nos repassam os meios de comunicação ocidentais, isso se sabia antes da tal guerra, mas, será que isso dá direito aos Estados Unidos para agir em nome do planeta e praticar um ato que pode levar inclusive ao genocídio da população civil? Ou isso não terá importância nenhuma?
Mas, e os partidos de esquerda que se mostram agora cautelosos ou até a apoiar publicamente ações dos direitistas americanos, que por seu turno tem o apoio da mais ultra-conservadora ação política e religiosa que transforma esta operação numa Cruzada, não teriam que se manifestar como contrários?
Pois não é o que ocorre no Brasil, e muito menos no governo Lula.
Agora mesmo, acaba de visitar Porto Alegre, Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente para assuntos internacionais. O mesmo que “bolou” o Clube dos Amigos da Venezuela de que fazem parte os Estados Unidos...
Marco Aurélio Garcia, gaúcho, que foi perseguido pelo regime militar (64-82), que se exilou na Argentina e no Chile e só há poucos anos voltou ao país, garantiu neste domingo que “protestos no Brasil contra guerra não reproduzem sentimento do Planalto”. Disse mais: “A administração Lula não está dominada por sentimento anti-americano, apesar das manifestações e protestos que têm ocorrido no país contra a guerra no Iraque”.
Disse ele: Essa visão pode existir na sociedade, mas o governo não é anti-americano. Devemos ter postura de defesa dos interesses nacionais.”
“Não sabemos – disse o antigo comunista – que conseqüências o Brasil sofrerá, mas está ocorrendo interrupção dos fluxos de capital internacional. Como dependemos desses investimentos, se há corte de linhas de financiamento, somos diretamente atingidos.”
Karl Marx deu três voltas no túmulo vendo seu antigo discípulo pregar o predomínio do capital e a conveniência de não se manifestar contra uma guerra. O antigo ídolo de Marco Aurélio Garcia deve estar achando que foi um mau negócio morrer, pois poderia ter se atualizado e com algum pragmatismo passar a apoiar os americanos.
O assessor de Lula ainda lamenta as críticas ao governo, bem igualzinho aos seus antecessores do tempo de Fernando Henrique e reclama que ainda não se chegou a cem dias de administração e já há uma tempestade.


Como se sabe, com a chegada ao poder da "Opus Dei" americana, uma ONG que prega que o Império tem que impor sua hegemonia sem perda de tempo ou consideração "com os outros", é bom ir botando as barbas de molho... postado por Walter Galvani em 30/03/03

MÃOS NA AMAZÔNIA E AQUI






Walter Galvani *





Mãos sobre o petróleo do Iraque, porque não mãos estrangeiras sobre a ecológica Amazônia? Se é possível admitir que, em nome da Democracia, se imponha uma invasão, mesmo que o presidente da dita república seja considerado, pelos melhores especialistas internacionais, um ditador, porque não poderia ocorrer uma ocupação, em nome dos “interesses da comunidade internacional”? Quem disse que não seria possível a tomada, por exemplo do Rio Grande do Sul, em nome das imensas reservas de água doce que os seus lagos interiores como Patos e Guaíba representam?

Hoje, alguns aplaudem a intervenção americana no Iraque, com os caudatários Inglaterra, Espanha, Austrália e mais trinta e poucos devedores internacionais, ou que aspiram as benesses do gigante todo-poderoso, outros chegam ao paroxismo da adesão em nome da religião, das seitas evangélicas, da civilização dita cristã e ocidental, porque não iriam aplaudir a tomada do Rio Grande ou a expropriação da Amazônia?

Nesta nova Cruzada do Sr. Bush, que corre o risco de defrontar-se com uma Jihad, como já pregou o “iman” Aldel Al-Aldin, com uma metralhadora Kalanishkov na mão nesta última sexta-feira em Bagdá, conclamando a união de todos os irmãos muçulmanos numa “guerra santa” contra o “Grande Satã”, ao invés de esmagar um povo indefeso e que se defende de calça jeans e alpargatas contra os gigantes tecnológicos invasores, para a qual já foram convocados mais cem mil soldados, brota também a convicção de que a onipotência é uma virtude do seu país.

E nós, que somos, pobres terceiro-mundistas, o que nos caberá mais do que espernear na defesa dos nossos ideais, se é que os temos, e nossos territórios?

Vejam o cuidado com que o governo radical de Lula fala em nível internacional, já sem acenar com exílio para Saddam Husseim ou acolhimento para os iraquianos! Ah, como é triste dever, como é difícil ser pequeno neste mundo que tem donos! Mas, acho melhor parar de bater palmas para o lobo. Como dizia La Fontaine, “a maior razão é a razão do mais forte”... O cordeiro suja o rio onde o lobo bebe, mesmo que o faça mais abaixo na corrente das águas e se não foi ele, terá sido o avô dele...

Já se vão alguns anos que surgiram estudos de economistas do Banco Mundial e ensaios de estudiosos ligados às corporações americanas, habituados a fazerem “previsões” e que apontam para a dissolução da chamada (por eles) anomalia brasileira. Segundo estes cientistas, nosso país não resistirá a mais um século integrado, um gigante de tais dimensões como o é e política e culturalmente sólido, como tem sido, ao longo destes cento e oitenta anos de independência. Para eles, o Brasil desfazer-se-á em três ou quatro estados distintos, para isso existem razões geopolíticas e... interesses supra-nacionais.

Não se iludam. Se é fácil meter a mão no Iraque, como o sería na Vietnã, como na Coréia que desde os anos cinqüenta é “do Norte” e “do Sul”, se foi possível esmagar o Japão com três bombas atômicas, o que faltaria para tornar realidade palpável este “interesse internacional”? Afinal, diz-se, “os brasileiros não sabem conservar a Amazônia que é um pulmão do mundo e não apenas do Brasil”.

Que Deus, Alá e, sem dúvida, Jeová, nos protejam...

* Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, com sede em Novo Hamburgo, que circula em toda a região metropolitana de Porto Alegre






A Oficina de Crônica "O vôo da gaivota" teve uma edição com muito êxito na Fundação Cultural de Canoas. A próxima etapa será a realização em Guaíba, dias 14, 15 e 16 de maio. postado por walter em 29/03/03

Saudade é a
palavra mais
lembrada



Por ocasião do encerramento ontem, sexta-feira, da primeira edição da minha oficina de crônica “O vôo da gaivota” fora da capital, o jornal “Diário de Canoas” publicou a seguinte notícia em sua nova página de informação cultural, denominada “Canoas da Cultura”:
“Encerra-se hoje à noite (...) do jornalista e escritor canoense Walter Galvani, na Fundação Cultural de Canoas. Conforme Galvani, num exercício realizado durante a oficina intitulado Trabalhando com as palavras, os alunos selecionaram as mais belas palavras da língua portuguesa. “Não deu outra. Saudade foi a palavra mais citada, listada por 70% dos participantes, conta Galvani. Amor foi citada por 40% dos oficineiros, amizade por 30% e carinho e paz por 20%. “Dois vocábulos testemunham admiração pelo imenso, difícil e misterioso mar, responsável por 30% das manifestações e oceano com 20% das lembranças”, aponta Galvani.
A oficina terá edições ainda em Guaíba e Novo Hamburgo e realização certa durante a 49a. Feira do Livro de Porto Alegre no final de outubro e início de novembro.”


Ao final da sessão de encerramento – e agora vos escrevo depois naturalmente do acontecimento e, é óbvio, da edição do jornal canoense, teve lugar uma confraternização entre a diretoria da Fundação Cultural Canoense, o ministrante da Oficina e os participantes, numa rápida solenidade marcada pela entrega dos certificados de participação.
Ressalto aliás que a experiência foi das melhores, com participação efetiva por cem por cento dos inscritos, que além dos exercícios e dos divertimentos em aula, contribuíram com uma crônica, já produto da Oficina, e da qual tiveram meu pronto retorno com opinião e conselhos, conforme o caso.
Além disso, foi levantada a hipótese pelo conselheiro da Fundação e oficineiro, poeta Antonio Canabarro Trois Filho, da realização de uma edição do “Vôo da Gaivota” durante a Feira do Livro de Canoas que decorre em junho.
Os oficineiros assistirão ao filme “As Horas” e enviarão a sua primeira experiência de “crônica cinematográfica” ao ministrante.
Por coincidência, a última sessão da oficina deu-se no dia 28 de março, data em que faleceu Virginia Woolf em 1941. A lembrança do filme “As Horas” em tudo ligado à grande escritora inglesa, serviu de mote para esta experiência, da qual daremos conta, aqui, nesta página, em breve aos que nos acompanham.


A próxima edição da Oficina “O vôo da gaivota” será em Guaíba, durante a Feira do Livro, numa das salas de apoio do ginásio “Coelhão”, dias 14, 15 e 16 de maio, das 16 às 18 horas, a convite da Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura do município de Guaíba, cuja titular é a sra. Graciana Uranga da Rocha.


Há 62 anos morria Virginia Woolf, uma das maiores escritoras de todos os tempos, um dos gênios e um dos cânones ocidentais, segundo Harold Bloom postado por walter em 28/03/03

VIRGIN IA WOOLF

No dia 28 de março de 1941, Virginia Woolf, então com 59 anos de idade, suicidou-se entrando no rio Ouse com pedras dentro do seu casaco, depois de deixar cartas de despedida assumindo a autoria do seu ato, devido ao seu desequilíbrio mental.
Uma das maiores e mais profundas escritoras de todos os tempos, agora volta ao primeiro plano com a apresentação do filme, “As Horas”, onde é retratada numa engenhosa criação literária do escritor Michael Cunningham, e que utiliza a sua figura, a de uma senhora americana de classe média dos anos cinqüenta e outra personagem que atende pelo apelido de “Mrs.Dalloway”, um dos livros de Virginia Woolf, que, diga-se de passagem não é retratada na peça de Edward Albee, “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, aliás transformada em filme de grande sucesso, com Elisabeth Taylor, filme de Mike Nicols que ganhou 7 Oscars.
“As Horas” – o filme em cartaz e que nos traz Virginia Woolf outra vez, de Stephen Daldry, deu o Oscar de melhor atriz à Nicole Kidman.


Como dizia o francês La Fontaine, contando a fábula do lobo e o cordeiro, cuidado hein, "a razão mais forte é quase sempre a razão do mais forte... postado por walter em 28/03/03

O LOBO E O CORDEIRO

Walter Galvani

Tudo o que Saddam fizer, tudo o que o Iraque ceder, tudo será pouco. Há uma fome que não foi saciada com o desarmamento fiscalizado pela ONU.
Ah, e tem a ONU! Ou tínhamos.
Depois desta guerra, quando o mundo for redesenhado, o que sobrará para administrar?
Qual será o ponto de equilíbrio?
Esta noite que passou, mais uma vez Bagdá foi bombardeada, de novo se produziram vítimas civís, mas, nada disso parece importar.
Os invasores, que se apresentam sob o nome de "a coalizão", continuam e só cessarão diante da rendição incondicional.
Isso acontecerá?
Ou destruirão todo o Iraque?
E as reservas de petróleo passarão às mãos de quem?
E... se não encontrarem Saddam como até hoje não encontraram Bin Laden?
Respostas na seção de adivinhações desta página...
E se a tal de guerra-santa dos muçulmanos (e conseqüentemente árabes) for desfechada mesmo, atendendo o apelo do "iman" de Bagdá, que orou hoje com uma metralhadora Kalashnikov nas mãos?
Oremos... por nós.

Prestem bem atenção: há um oficial americano dizendo que foram os próprios iraquianos que atiraram contra o mercado de Bagdá!... O que vocês acham dessa? O noticiário, para vossa apreciação, é da BBC de Londres postado por walter em 27/03/03

A imprensa internacional continua focando sua atenção na polêmica explosão de quarta-feira num mercado de Bagdá que, segundo as autoridades iraquianas, causou a morte de pelo menos 14 civis e deixou outros 30 feridos.

Mas ainda não está claro o que exatamente causou a explosão no distrito de Al-Shaab.

O governo americano - que diz estar fazendo tudo o que é possível para evitar a morte de civis - não assumiu responsabilidade pelas mortes.

Os correspondentes da BBC em Bagdá, que viram as cenas de devastação e conversaram com testemunhas, não foram capazes de identificar nenhum alvo militar óbvio na região.

Sem alvos militares

"O que pareciam ser dois mísseis aterrissaram num área movimentada do mercado. O prédio militar mais próximo, a sede da defesa civil, fica a pelo menos 400 metros de distância", disse o repórter Andrew Gilligan.

As informações iniciais divulgadas no Comando Central americano no Catar, na própria quarta-feira, eram de que aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos, usando mísseis guiados de alta precisão, foram atiradas contra lança-mísseis iraquianos em Bagdá.

Os americanos também informaram que os iraquianos haviam colocado os lança-mísseis numa área civil, a menos de 100 metros de distância de residências.

Também na quarta-feira o Pentágono insistiu que não tinha alvejado a área do mercado em Bagdá.

O major-general americano Stanley McChrystal disse que não sabia se as explosões haviam sido causadas por armas americanas que erraram o alvo ou por mísseis antiaéreos iraquianos que voltaram para o solo.

"Nossas informações preliminares não fornecem provas conclusivas de que causamos danos a um mercado civil", afirmou um porta-voz militar do Comando Central.

"Uma possibilidade e uma posibilidade alta é que foi causado pela queda de um míssil antiaéreo do regime (de Saddam Hussein)", afirmou.

Mas o correspondente da BBC Andrew Gilligan diz que a explicação é "improvável, porque não se ouviu nenhuma arma antiaérea na cidade nos últimos quatro dias".

Sabotagem

Nesta quinta-feira, as forças da coalizão continuaram a sugerir que as explosões podem ter sido causadas por determinação ou mesmo por sabotagem por parte do governo iraquiano.

O general Vincent Brooks disse que numa entrevista coletiva no Comando Central que os iraquianos estavam usando mísseis antigos e disparando as armas sem ajuda de radar para evitar que fossem detectados por aviões americanos ou britânicos.

"Acho que é inteiramente possível que seja um míssil iraquiano que subiu e voltou para o solo ou, considerando o comportamento recente do regime, pode ser um ataque deliberado", afirmou o general americano.

Ele disse ainda que os aviões americanos estavam atacando Bagdá no momento das explosões no mercado, mas que os alvos americanos eram "numa área completamente diferente" da capital iraquiana.

O general disse que uma investigação havia concluído que todos os mísseis disparados pelos Estados Unidos haviam atingido seus alvos.

"Mas não temos uma resposta final até que cheguemos em Bagdá pessoalmente. Pode ser que nunca saibamos", completou.







Leiam este despacho da Associated Press e reflitam... postado por walter em 25/03/03

AP

PROXIMIDADES DE KARBALA, Iraque, 25 (AP) - Forças dos Estados Unidos e Grã-Bretanha avançando pelo interior do Iraque a caminho de Bagdá estão enfrentando um problema clássico para soldados combatendo guerrilheiros: Quem é o inimigo?



No sul iraquiano, tropas da coalizão liderada pelos EUA encontraram supostos civis sorridentes que repentinamente sacaram suas armas e abriram fogo. Nos arredores da cidade de An Nasiriya, soldados iraquianos se aproximaram de tropas dos EUA como se fossem se render e, então, atacaram, matando nove soldados americanos.

Tropas dos EUA cercando esta cidade muçulmana xiita, preparando a invasão de Bagdá, têm enfrentado outras táticas que tornam difícil distinguir os amigos dos inimigos: caminhões estacionados em campos agrícolas que podem ou não ter morteiros escondidos em seu interior, e atacantes em roupas civis que desaparecem em vilas próximas.

Oficiais do Exército americano responsabilizam um grupo leal a Saddam Hussein chamado Brigada de al-Quds, que teoricamente foi fundada para libertar Jerusalém - al-Quds é o nome árabe da cidade -, mas que acabou tornando-se uma grande força paramilitar.

"A Al-Quds está por toda esta área, (seus combatentes) vestidos como civis e dirigindo veículos civis e fazendo incursões noturnas", disse o tenente-coronel Philip DeCamp, comandante do 4º Batalhão do 64º Regimento Blindado, a seus soldados. "Os al-Quds são loucos, tomando casas de pessoas e obrigando-as a sair".

DeCamp destacou como, na noite de sábado, milicianos usaram uma área comercial para lançar um ataque guerrilheiro contra tanques do Exército dos EUA mas, quando os tanques avançaram poucas centenas de metros, eles se viram no meio de uma vizinhança civil, de mulheres e crianças saindo de suas casas na madrugada para ver as tropas americanas que avançavam.

"É duro - não é? - descobrir quem é amigo e quem não é, quem é um beduino, quem não é, contra quem atirar", lamentou DeCamp, que foi comandante de uma companhia blindada durante a Guerra do Golfo, a seus jovens soldados.

O sargento da infantaria Bryce Ivings teme que depois de servirem em Kosovo, muitos soldados ainda pensem ser mantenedores da paz. Em Kosovo, eles eram mais como policiais, mas no Iraque eles têm de ser mais agressivos, explicou.

Desde as mortais emboscadas de domingo, forças dos EUA têm olhado para os iraquianos com cautela.

"Isso significa que ficaremos mais atentos. Enviamos um esquadrão inteiro para cuidar dessas duas pessoas", disse o marine Clint Bagley, 21 anos, apontando para uma estrada onde dois civis iraquianos estavam andando com uma bandeira branca e cerca de 10 marines correram para interceptá-los e revistá-los.

Civis estão sendo obrigados a deitar no chão e, quando os marines se convencem de que eles não oferecem ameaça, são liberados.

Em geral, segundo Bagley, "se eles estão segurando uma bandeira branca e segurando uma arma, nós atiramos".

Na segunda-feira, marines na estrada para Bagdá obrigaram alguns iraquianos a descer de seu veículo, interrogando-os e empurrarando-os para a areia, e cortaram os pneus do carro para garantir que eles não iriam seguir o comboio.

"Eu me senti muito bem quando chegamos, com a multidão acenando e sorrindo. Agora você fica pensando o que está por trás dos sorrisos - e o que está por trás dessas multidões", relatou o tenente-coronel Michael Belcher. "É difícil conquistar seus corações e mentes agora, quando você tem que ter uma arma apontada para eles".



COMEÇOU O VÔO DA GAIVOTA. CANOAS É PONTO DE DECOLAGEM, GUAÍBA SERÁ O PRÓXIMO. DEPOIS, PELA ORDEM, SANTA MARIA, GRAMADO, SÃO LEOPOLDO, PORTO ALEGRE postado por walter em 24/03/03

O VÔO DA GAIVOTA


É sabido pelos que me acompanham que decidi começar por Canoas, mais especificamente pela Fundação Cultural de Canoas, a FUNDACAN, a minha Oficina de Crônica que intitulei “O Vôo da Gaivota”.
Também já expliquei o porquê deste título mas vale uma reprodução:
Ofício de cronista é como o vôo da gaivota, rente as ondas até a hora de fisgar o peixe e então voar, mais e mais, sem deixá-lo cair.
As aulas, numa carga horária de 6 horas, desenvolvem-se segunda, quarta e sexta-feira, dias 24, 26 e 28 de março e as inscrições ainda podem ser feitas, até à hora do início, 19 horas, pelo telefone 472.69.38. Quer dizer: pelo menos a reserva do lugar.
A Fundação Cultural de Canoas fica na antiga Estação Ferroviária da cidade diante do prédio histórico onde habitou Décio Rosa. O que já é motivo para uma crônica.
Durante estes três dias discorrerei para os oficineiros sobre a questão do título, as opções de gênero, a escolha dos assuntos e as oportunidades para uma comunicação pessoal e o trabalho profissional na área, realização e até concursos.



A Guerra prossegue, as manifstações contra ela se multiplicam e alcançam a festa do Oscar. Mas, Bush não se abala postado por walter em 24/03/03

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood preferiu não fazer referências sobre a guerra. Mas os premiados não seguiram esse script. Os atores Nicole Kidman e Adrien Brody fizeram referência à tristeza que estavam sentindo por causa da guerra no Iraque em seus discursos de agradecimento ao receber o Oscar de melhor atriz e melhor ator.

A cerimônia foi mais discreta neste ano por causa da guerra, sem o tradicional desfile sobre o tapete vermelho na entrada, em meio a um forte esquema de segurança.

Milhares de manifestantes contra a guerra se concentraram do lado de fora do Teatro Kodak, em Hollywood, juntamente com centenas de outros manifestantes favoráveis à guerra.

Outros vencedores, como Michael Moore, Pedro Almodóvar e Chris Cooper, também mostraram o que sentiam em relação à guerra em seus discursos.

Pomba da paz

Muitos usaram a pomba da paz na lapela para mostrar que eram contra o conflito armado.

O diretor Roman Polanski também causou alvoroço, apesar de não ter comparecido à cerimônia.

Ele ganhou o Oscar de melhor diretor por O Pianista, derrotando Martin Scorsese. Polanski não pisa nos Estados Unidos desde 1977, já que pode ser preso por ter tido relações sexuais com uma garota de 13 anos.

Nicole Kidman, que ganhou o Oscar por seu papel em As Horas, lembrou dos atentados de 11 de setembro.

"Há muitos problemas no mundo e desde 11 de setembro tem havido muita dor e, com a guerra, famílias estão perdendo seus filhos – Deus os abençoe", disse.

O novato Adrien Brody, que recebeu o prêmio de melhor ator por sua atuação em O Pianista, foi aplaudido de pé durante seu discurso.

"Quer você acredite em Deus ou em Alá, que ele olhe por você. Nós rezamos por uma solução rápida", afirmou.


Brody deu um demorado beijo em Halle Berry ao receber o prêmio
Brody, de 29 anos, que interpretou um pianista polonês que sobrevive ao holocausto, derrotou quatro detentores do Oscar e se tornou o mais jovem ator a ganhar a estatueta.

Vergonha

O discurso mais forte durante a cerimônia foi feito por Michael Moore, cujo filme, que discute a cultura de armas nos Estados Unidos, ganhou o Oscar de melhor documentário.

"Resultados eleitorais fictícios, que elegem um presidente fictício, significam que nós temos um homem nos enviando para a guerra por razões fictícias. Que vergonha, senhor Bush", afirmou.

O diretor espanhol Pedro Almodóvar, que recebeu o Oscar de melhor roteiro original, afirmou que o seu prêmio ia para aqueles que "estão levantando suas vozes pela paz, pela democracia e pela legalidade - todas qualidades essenciais para se viver".

O ator Chris Cooper também se referiu à guerra, com um pedido pela paz mundial, ao receber o prêmio de melhor ator coadjuvante por seu papel em Adaptação.

Musical

A cerimônia ainda manteve um pouco do glamour, com Chicago liderando a lista de prêmios, com seis Oscar, incluindo melhor filme e atriz coajuvante, para Catherine Zeta-Jones.

"Oh, meu Deus, é um escocês dando o Oscar para uma galesa", disse, ao receber o prêmio das mãos do ator Sean Connery.

Chicago se tornou o primeiro musical a ganhar o prêmio da academia desde Oliver, em 1968.

Peter O'Toole, que rececebeu o prêmio por seu trabalho ao longo de toda a sua carreira, brincou: "Agora tenho meu próprio Oscar, até que a morte nos separe".

O rapper Eminem, ganhou o prêmio de melhor canção original pelo filme 8 Mile - Rua das Ilusões, do qual também é o protagonista, mas não compareceu à cerimônia.

O Oscar de melhor filme foi para Nowhere in Africa, sobre os desafios enfrentados por uma família judia alemã que vai para o Quênia fugindo dos nazistas.

O japonês Spirited Away foi escolhido o melhor desenho animado.

A cerimônia foi apresentada por Steve Martin, que fez várias piadas sobre estrelas como Jack Nicholson e Nicole Kidman.

"Estou feliz que tenham cortado todo aquele brilho - talvez vocês tenham notado que não houve tapete vermelho esta noite. Isso vai mandar a eles uma mensagem", disse, referindo-se aos manifestantes contra e favor da guerra que estavam do lado de fora.



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24 de março, 2003
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Os americanos que nos perdoem, mas esta história de desarmar o Iraque usando a ONU e depois atacar, lembra muito aquilo de um comparsa segurar os teus braços e enfim o "grandão" vir bater em tua cara, sem que possas reagir... Não sei como explicar tudo isso, ou melhor, sei sim. Espero que em todo o mundo seja ouvida, enquanto ainda é tempo, se que ainda é tempo, a voz da razão, se é que a razão ainda "está viva"... postado por walter em 23/03/03

PARAÍSO PERDIDO




Walter Galvani *





As bombas já explodiram, os mísseis já voaram, o sangue já correu. Um pouco mais de ódio foi acrescentado ao coração das pessoas, mais desconfiança foi injetada nas mentes, brutalidade, violência, intolerância. Não é preciso ser mago nem gaivota para descobrir que o ofício do cronista leva a falar sobre o tema mais importante que está diante dos olhos. E, mais do que nunca, mais ainda do que na Coréia ou no Vietnã, para onde fomos nos últimos anos do século XX, nossas preocupações todas voaram para o lugar onde “tudo começou”, segundo os livros sagrados das religiões monoteístas. Lá na Mesopotâmia, entre o Tigre e o Eufrates, o mesmo lugar onde os homens erigiram Babilônia, levantaram a sua Torre de Babel, é lá que se decidiu por fazer este primeiro acerto de contas do novo milênio.

As manifestações pela paz foram valiosas. Atestaram que não há um pensamento único sobre a terra e só isso vale como uma vitória. Uma parca vitória, diante da derrota da humanidade que representou o envolvimento entre os países que se guerreiam e que não tiveram ouvidos para acolher a mensagem e refletir.

Alegou-se de tudo. No caso dos ingleses, relembrou-se Chamberlain. Explicando para os que não estudaram a II Guerra Mundial: em 1938, pouco antes do início das hostilidades (que começaram a 1O. de setembro de 1939) o ministro britânico Neville Chamberlain, ao lado do ministro francês Daladier, assinou com Adolph Hitler o pacto de não agressão, na certeza de que a paz continuaria a envolver a Europa, agora que a Liga das Nações assegurava as garantias surgidas com o Tratado de Versailles. Daqui a pouco rasgaram-se os tratados, os tanques e canhões foram para as estradas e avenidas e o mundo conheceu os horrores da guerra que terminou com a bomba atômica arrasando três cidades japonesas em agosto de 45. Antes disso, a Alemanha era um montão de ruínas, como antes haviam sido arrasados tantos campos e cidades com a luta entre os exércitos nazistas e os aliados. Para nós, do Ocidente, cunhara-se uma palavra milagrosa, símbolo de uma união em defesa das liberdades democráticas: os Aliados. O Brasil mandou uma força simbólica, a FEB (Força Expedicionária Brasileira) lutar ao lado dos “Aliados”. Os Estados Unidos saíram do confronto 39-45 fortalecidos e nomeados defensores e representantes do sistema de vida “cristão e ocidental”.

Mas, a água continuava a passar debaixo das pontes e a vida mudou, como mudam os homens e como muda o próprio rio, cuja água que passa debaixo das pontes já um minuto depois, não é mais a mesma.

Os Estados Unidos se auto-promulgaram xerifes do mundo, a Inglaterra que avalizara a sua atuação na II Guerra Mundial, a favor dos democratas, dos que se constituíam o centro da defesa dos valores culturais e morais da Europa Ocidental, tornou-se a apoiadora incondicional da política guerreira norte-americana e os antigos amigos e inimigos passaram para campos opostos.

Com este mandato imaginário, Bush foi à guerra. Ficamos todos perplexos, desorientados, frustrados, mas impotentes diante da força que se apresentava mais uma vez fazendo valer seu próprio direito e esquecendo a força do direito.

Sou um pacifista e acredito piamente que um dia o mundo será totalmente globalizado, sem fronteiras nacionais e que haverá um grande parlamento para decisões coletivas. Se estou sonhando me belisquem. Ou será que fomos expulsos do paraíso?



* Esta crônica foi inicialmente publicada na edição do ABC DOMINGO, de hoje, 23 de março de 2003

Há de tudo: desde a admiração basbaque pelo "Poder" dos americanos, ampliado pela televisão, até a raiva, o desprezo e a desconfiança para os que são diferentes. Mas, sempre é bom mergulhar no passado e ver quantas atrocidades foram cometidas em nome da Cruz, do Ocidente, da Civilização e dos Costumes Ocidentais, sem respeito nem compreensão pelo "outro"... postado por walter em 22/03/03

MISSÕES RELIGIOSAS
E GUERRAS NA ÁSIA

Walter Galvani


Nos séculos XV, XVI, XVII e seguintes, as missões religiosas tratavam de “converter” para o cristianismo os “índios”, enfim os “aborígenes” em todos os países aonde chegaram acompanhando, precedendo ou sucedendo as expedições guerreiras. O trabalho normal e visto pelos ocidentais como “piedoso”, tanto que muitos deles foram “santificados” pela Igreja Católica, era feito da seguinte maneira: tratados com extrema bondade, os “selvagens”, ou seja, os que não se vestiam como eles, não acreditavam no mesmo Deus e nem rezavam para seus santos e tampouco tripulavam barcos do mesmo porte ou portavam armas idênticas, eram “batizados” e até tinham seus nomes mudados. Com um nome cristão, então os “sepés” da vida passavam a se chamar, “como todo mundo”, João, Manoel, Francisco, ou também John, Harry, William...
Piamente as populações dos chamados países “cristãos e ocidentais” acreditavam no acerto desta tarefa. Quando eventualmente em algum, digamos, “mal-entendido”, um missionário era sacrificado, imediatamente era elevado à condição de mártir, um passo para a santificação que logo se daria.
Em nome portanto da Cruz e das bandeiras da Inglaterra, Holanda, França, Alemanha, Espanha e Portugal, muitos povos foram sendo “civilizados”, ou seja, conquistados, ao mesmo tempo em que os europeus se apropriavam das suas terras, dos bens naturais que nelas se produziam, das riquezas do solo e do subsolo e em seguida do que a indústria e o comércio produziam para povoar, abastecer e enriquecer aquelas populações e seus dominadores.
De guerra em guerra passou-se pela partilha de boa parte da Ásia, da divisão dos despojos da América e finalmente da África, o último grande reduto colonial, repartido três vezes, no século XIX, depois da I Grande Guerra e finalmente, os despojos e resíduos dos grandes impérios coloniais, em anos mais recentes.
Parece que ninguém tem vergonha do seu passado e, ao contrário, dá passos adiante, ou na imitação dos seus antigos senhores ou na reprodução da “Conquista do Oeste” que produz heróis cinematográficos e legiões de esfomeados e deserdados da sorte. O que não importa muito aos “intrépidos generais Custer” que os há em grande quantidade.
Ah que saudade dos tempos em que se buscava na formação de povos aliados na guerra, o objetivo de restaurar a democracia e os direitos das gentes, em que se resgatava um povo que sofrera um verdadeiro holocausto, bem como, de carona, libertar outras minorias sofridas e escravizadas.
Bem, em todo o caso, é o que anunciam agora os “novos aliados”. Estariam submetendo o povo iraquiano à esta guerra destruidora dos seus bens e riquezas, vidas e pensamento, religião e costumes, para implantar a doce missão da democracia e, naturalmente, na mesma onda, um bom cristianismo renovador.
Pobre gente, dos dois lados! “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem!”
A História o dirá. Mesmo que os vencedores se apressem a escreve-la, de tempos em tempos os sismos que agitam o coração das trevas saem a luz do dia para produzir a necessária reescrita. Assim é. Assim tem sido e assim será.
Nem que levem séculos.



Enquanto tentamos viver por aqui, nossos irmãos vivem a tristeza em, Bagdá. Resta-nos tentar adivinhar (e sonhar) o futuro postado por walter em 21/03/03

A UTOPIA PLANETÁRIA

Walter Galvani


Não por casualidade, mas por decisão instrumentada pelo abalo sísmico que representa esta guerra no Iraque, lancei-me à leitura de “História da Utopia Planetária – Da cidade profética à sociedade global”, do belga Armand Mattelart. Aliás o título original é bem menos instigante: “La decouverte”, ou seja “a descoberta”. A tradução é de Carolina Chang, revisão técnica de Juremir Machado da Silva, edição da Editora Sulina-Meridional, Porto Alegre, 2002.
O autor, escrevendo na contra-capa do livro a pedido da editora, mostra-se orgulhoso do lançamento ocorrer em Porto Alegre, “em primeiro lugar – diz Mattelart – porque ao organizar o I Forum Social Mundial, em janeiro de 2001, a cidade tornou-se símbolo universal: o da crença de que um outro mundo é possível. Mas também - diz ele – porque esta história é também um pedaço da história do Rio Grande do Sul. O templo da religião da humanidade, na capital gaúcha, as estátuas de alguns dos seus governantes não são testemunhos da influência durável deixada aí pela utopia comtista? No fim das contas, não é por acaso que esta história da utopia planetária seja lançada em Porto Alegre!”
Como se vê, em suas andanças pela capital gaúcha ele viu o templo positivista que ainda hoje existe, embora sem a freqüência dos primeiros anos do século XX e também esteve na praça da Matriz onde conheceu o monumento a Júlio de Castilhos, que governou o Rio Grande com a filosofia positivista como seu lema e farol.
Mas, em que pior momento da história moderna do mundo se poderia pensar numa utopia planetária, não é mesmo?
Podemos até convir que a ONU, afinal de contas, nasceu do aperto de mãos dos vitoriosos na guerra 39-45, mas, depois disso, os vencidos se renderam e dela passaram a fazer parte, ao mesmo tempo que se foi ampliando o seu âmbito, a ponto de hoje contar com tantas nações diferentes em sua ideologia, constituição política, crença religiosa, costumes, regimes. Há de tudo, pois felizmente o que não falta à humanidade, é diversidade. Mas, o que mais falta à ela é a compreensão de que é preciso respeitar os que são diferentes de nós.
Já que os Estados Unidos da América do Norte não querem aceitar o regime de Saddam Husseim, por considera-lo ditatorial, eu gostaria de dar-lhes uma sugestão: ataque a China, que, sem dúvida, abriga um regime tão pouco democrático quanto o do Iraque.
Desculpe, às vezes me ponho irônico, talvez por não acreditar muito mais que o homem venha a se curar da sua insensatez inata... Quem sabe este planeta foi feito para explodir em mil cacos e não para transitar em paz pela eternidade, como se imaginaria?
Continuo lendo, entretanto, a utopia planetária e descobrindo com Mattelart – aliás, quem sabe ele denominou seu livro “A descoberta” com esta intenção de secreta de nos propiciar uma iniciação? – tudo o que os chamados povos cristãos e ocidentais tem feito para conquistar e assegurar-se o poder sobre o mundo.
Talvez ao cabo desta leitura – pretendo encerra-la ainda hoje, quem sabe antes da queda de Bagdá – eu possa entender esta estultície que se espalha pelo planeta. Ou então, iludido, volte a crer numa utopia de que um outro mundo é possível...
Enquanto eu lia, graças à uma pane de eletricidade em minha região, nem sequer me deixava tentar pelo bombardeio do Iraque. Já podemos imaginar no que vai dar e embora seja uma tentação dizer que, em tempo de guerra, mentira na terra, as imagens são por demais contundentes. Ah, esquecia-me de dizer: voltou a eletricidade, antes do fim do mundo ainda e então fiquei sabendo do que vocês todos já sabem.
Não podemos adivinhar, com luz ou sem luz, é no que irá desembocar tudo isto. Podemos, isso sim, adivinhar e para tanto Armand Mattelart e sua “Utopia Planetária” contribuem.


A guerra começou, houve o primeiro ataque, o segundo teria "hora anunciada" para logo mais, 8 da noite em horário brasileiro. Eis como tratei do assunto em crônica publicada originalmente no Diário de Canoas de hoje postado por walter em 20/03/03

A HORA DA ESCOLHA
Walter Galvani

Com os olhos postos na televisão, o ouvido nas rádios e atentos à leitura dos jornais, buscando decifrar o mosaico do mundo, procuramos desenhar o que nos reserva o futuro imediato e o que está armazenado para o porvir, pesquisando o significado do passado para nos situarmos neste momento especial da história da humanidade. Somos pequenos, muito pequenos, somos impotentes, e sentimo-nos justamente frustrados quando o desenrolar dos fatos não corresponde aos nossos desejos e anseios. Mas, é assim, não temos força suficiente para mudar e, quem diz, afinal de contas, que estaríamos mudando corretamente? Seremos deuses de nós mesmos? A qualquer momento podemos ouvir a notícia de que, mais uma vez, o homem derramou o sangue do seu irmão e que os motivos que a isso o levaram são exclusivamente políticos, significam a busca obstinada do poder e a glória. Ou a vanglória ou um pequeno e inútil poder. Mas é disso que são feitos os crimes. E é desta carne também que é constituído o atentado contra a humanidade.

Os historiadores não gostam de falar sobre atos quando ainda em pleno desenvolvimento e se recusam a analisar os acontecimentos, a não ser que já tenha transcorrido sobre eles um período que diríamos de sedimentação, que proporcionasse um distanciamento adequado para uma visão crítica. Eles estão certos, apesar de que, no fragor das batalhas exijamos a definição dos homens, dos líderes, dos países. E também nós estamos certos ao querermos esta fixação de papéis e imagens públicas, pois daí nascerão por certo as decisões que hão de nos afetar. Fica difícil e cria uma obrigação: temos que nos manifestar, de transmitir aos nossos leitores, ouvintes ou telespectadores, aos nossos discípulos, aos nossos seguidores, aos nossos companheiros, enfim à sociedade humana, o que pensamos e porque assim pensamos.

E eu, então, nessa hora difícil, me declaro pacifista por princípio. Não entro no mérito do que significou para o Iraque, que é o caso do momento, assim como a questão da Palestina, de Israel e dos países árabes, esta ou aquela administração. Parto da posição de que os iraqueanos, como quaisquer povos do mundo, tem direito à auto-determinação, a fazer as próprias escolhas. Mas acho tremendamente obsoleta esta questão de pátrias. Perdoem-me os nacionalistas xenófobos, mas está na hora de pensarmos num mundo realmente globalizado, com a possibilidade da utopia, sei eu, de um governo democrático, deliberativo, mundial. E que as comunidades decidam se querem obedecer à esta ou aquela nação, seguir tais ou tais cores ou bandeiras.

Os interesses comerciais, étnicos, religiosos, ideológicos, econômicos, territoriais, já deram o que tinham o que dar e, ao longo da história só ensangüentaram a Terra. Precisamos paz, segurança, desenvolvimento, educação, cultura, empregos, casas, e não cabe fechar as fronteiras nacionais para indivíduos que não tiveram a sorte de nascer aqui ou acolá, não cabe mostrar-se egoisticamente fechado dentro dos limites de um país, eletrificar as cercas que nos separam e ver alguém morrer de fome do outro lado. Lamento, mas eu não sou feito desta substância. Quero o entendimento entre os povos e o fim à toda a segregação, discriminação, violência ou separação por nacionalismos exacerbados pelo ódio ou alimentados pelo poderio técnico, militar ou econômico.

--X—

E não esqueçam que estarei com a Oficina de Crônica “O Vôo da Gaivota” na Fundação Cultural de Canoas (fone 472.69.38) na próxima semana, dias 24, 26 e 28, segunda, quarta e sexta.




Começou. Cessaram as esperanças dos pacifistas, como eu, e as bombas começaram a ser despejadas sobre o território iraqueano. Ontem, duas horas e quinze minutos depois do prazo dado pelo presidente americano Bush a Saddam Husseim para que este deixasse o seu país, verificaram-se as primeiras explosões em Bagdá. As baterias anti-aéreas - no horário brasileiro, esta madrugada - responderam ao ataque e fizeram fogo durante 15 minutos. Quando amanhecer o dia aqui no Brasil, terão se passado as primeiras horas da nova guerra que, por certo, há de enlutar muitas famílias e trazer a infelicidade e a destruição. Veremos se os Estados Unidos conseguirão exorcizar seus inimigos ou provocá-los ainda mais. Eu já vi este filme, posso dizer assim. "Delenda Cartago", a difícil "Pax Romana"... Bons tempos aqueles, afinal de contas, fazendo um pouco de humor, à esta hora da madrugada, se isso for possível, pelo menos vamos recordar que o exército do Império Romano conquistou quase todo o mundo conhecido na época, de mino-saia e sandálias... postado por walter em 20/03/03



Sim, já sabemos que as tropas americanas estão dentro do território do Iraque. No que dará tudo isso? Em questão de horas, saberemos. Pessoalmente, quero me definir, sou contra a guerra, a favor da paz, sempre e contra os nacionalismos xenófobos. A favor da globalização e do governo mundial. Na semana que vem estarei conversando sobre este e outros assuntos com meus oficinandos em Canoas, na Fundação Cultural, iniciando um projeto pessoal de itinerância da minha oficina postado por walter em 19/03/03

VOANDO COM AS GAIVOTAS

Walter Galvani


Na próxima semana começa o processo itinerante da Oficina de Crônica “O Vôo da Gaivota” que dá seqüência ao programa iniciado na 48a. Feira do Livro, no ano passado no Clube do Comércio, em Porto Alegre. Quando se fala no assunto, costumo dizer que a definição do título ajuda a compreender quais os objetivos fundamentais da iniciativa, que visa ajudar, preparar e qualificar praticantes deste gênero tão brasileiro da atividade literária e jornalística. “O Vôo da Gaivota”, nome de batismo da oficina surgiu com o convite da escritora Valesca de Assis que, ao lançar o seu livro-agenda “Todos os Meses”, pediu a vários escritores uma definição da atividade do cronista. Optei por esta: “Ofício de cronista é como vôo de gaivota, rente às ondas, até o ponto e a hora de fisgar o peixe. E então vem o difícil: voar mais e mais, sem deixá-lo cair.”
O ponto inicial, dias 24, 26 e 28, será a Fundação Cultural de Canoas (ligar 472.69.38 para inscrições) e depois a oficina segue o seu caminho, à Guaíba (maio) Santa Maria, São Leopoldo, Gramado (junho), e outros locais e finalmente de volta à Porto Alegre na Feira do Livro deste ano. Esta é a forma que escolhi para comemorar minha entrada no ano do cinqüentenário como jornalista... Fecho 49 este ano e ao longo desse tempo todo foram muitos os destaques, vários prêmios ARI de Jornalismo e como escritor uma boa receptividade e premiações importantes. Meus dois últimos livros, “Nau Capitânia”, premiado internacionalmente e em quinta edição no Brasil e “Olha a Folha”, em segunda edição revista e ampliada, serão alvo de lançamentos especiais durante as oficinas.





Já estão correndo as 48 horas do ultimato de Bush que exigem a rendição incondicional do governo do Iraque e o exílio de Saddam Hussein postado por walter em 18/03/03

FRUSTRAÇÃO
E REVOLTA


Walter Galvani


O anúncio de Bush, decretando 48 horas para que o presidente ou ditador do Iraque, Saddam Hussein, deixe seu país, acompanhado por seus parentes, abandonando o poder, nos gera um sentimento de frustração, decepção, impotência e revolta. Afinal, pretende o presidente da potência hegemônica do mundo fazer valer “o direito da força”, impor sua vontade, restabelecer o orgulho patriótico abalado pelos atentados de 11 de setembro de 2001, e demonstrar ao mundo “quem é que manda”.
A retirada dos inspetores e funcionários da ONU, determinada por Koffi Annam, retrata a incapacidade da Organização das Nações Unidas em manter “a força do direito”, pois a despeito da manifestação dos seus membros, da posição dos países com direito a veto no Conselho de Segurança, França, e Rússia, ou de China, Alemanha e outros que se manifestaram contrários à intervenção unilateral americana, é melhor coloca-los em local seguro do que expô-los à uma guerra já tida como inevitável.
De nada adiantaram as manifestações anti-guerreiras em escala planetária e nem renúncia de importantes membros do governo inglês que acompanhou com Tony Blair a posição de George Bush.
Parece que estamos diante de (mais uma) guerra. Nenhuma novidade entre os terráqueos, eis que se guerreiam há milhares de anos, desde que se descobriram egoisticamente agrupados em clãs, tribos, países, regiões, etnias, alimentados por interesses econômicos, políticos, ideológicos e ou religiosos, na verdade questões de espaço e poder, não mais do que isso.
Se percorrermos com atenção a história registrada do mundo, praticamente não encontraremos períodos expressivos de paz, pois pelo menos os conflitos regionalizados nunca cessaram e ao longo do tempo, no centro do poder os conflitos tem tido duração maior ou menor. Houve na Europa a guerra dos Cem Anos, a Guerra dos Trinta Anos, a Guerra dos Balcans, a I Guerra Mundial, a II Guerra Mundial, envolvendo seu território e depois, sempre por motivos políticos ou ideológicos, mas na verdade opondo os interessados em dominar outros países, subjugar outros povos.
A Fraternidade Universal é uma mentira, nunca praticada pelos governos e apenas uma utopia, dessas que alimentam a pobre Humanidade nunca consultada ou reduzida a frangalhos pela força dos canhões, das bombas, dos aviões, dos mísseis, à ordem dos políticos pragmáticos.
Assim tem sido, assim será mais uma vez. Não importa que Saddam Hussein seja um ditador assumido, se o povo iraqueano tem sido ou não enganado por ele.
O próprio presidente dos Estados Unidos teve sua eleição consagrada pelo voto de um juiz da Suprema Corte, uma vez que pairavam sérias dúvidas sobre o obsoleto sistema eleitoral do seu país. Mas, com isso os republicanos voltaram ao poder, não querendo dizer que os democratas fossem agir de forma lá muito diferente. Lembram do episódio da Baia dos Porcos em Cuba? Era um democrata, John Kennedy, que estava na Casa Branca.
As notícias do dia apontam para a manifestação contrária da Liga Árabe, para a manutenção da posição dos países que são anti-guerra ou para a ratificação do veto de França e Rússia, e os votos de outras nações destacadas no concerto geral. Para um possível voto de censura aos governos adesistas como o do primeiro ministro Durão Barroso, de Portugal, ou renúncia de membros destacados como o da Inglaterra.
Enquanto isso o dólar se fortifica, o petróleo desce de preço, as bolsas de valores sobem, mostrando que a economia mundial aprova a operação cirúrgica a que se propõe Bush, pelo menos neste primeiro momento e acreditando que será rápida e sem dor... para os demais. Morte e destruição apenas para a população do Iraque, mas já foi aberta concorrência pública nos Estados Unidos para a reconstrução da antiga Mesopotâmia. Poderíamos encerrar hipocritamente pedindo cuidado às tropas americanas com o patrimônio cultural da humanidade no território iraqueano, começando pela própria Bagdá, mas de que serviria tudo isso?
Não é a primeira vez na história, não será a última em que a irracionalidade dos humanos fará predominar o conceito da impossibilidade de uma convivência fraterna universal, respeitando as diferenças e os diferentes, esquecendo que “os outros” não são exóticos ou inferiores por não terem a pele da mesma cor da nossa ou a mesma língua...
Quanto a ONU, ora pode lhe acontecer o mesmo que o congresso de Viena em 1815, depois da derrota final de Napoleão em Waterloo, quando trocou a idéia da criação de uma Sociedade das Nações por uma “santa aliança das grandes potências”. É apenas isso que desejam hoje e como disse muito bem José Saramago, o nosso Nobel de Língua Portuguesa, “de olho no confronto futuro com a China”. O nome do jogo é poder


Como sabemos, foi inútil a tal cimeira dos Açores. Terminada a reunião Bush emitiu na verdade um ultimato, dizendo que chegou a hora da verdade para Saddam. Segunda-feira, dia 17, esgota-se o prazo para a diplomacia. postado por Walter Galvani em 16/03/03



Neste domingo, enquanto decorre a "Cimeira 3 + 1", como está sendo denominada em Portugal, a "cúpula" de Bush, Aznar e Blair, com Portugal de possível "anfitrião" - o que possibilita a presença do primeiro ministro Durão Barroso, produzem-se ainda manifestações pela paz, no mundo inteiro. "Todos querem a paz!" - diz um porta-voz americano. Mas, às vezes a guerra é necessária. E há quem relembre a consagração popular a Neville Chamberlain, ministro inglês que assinou um pacto de não agressão com Hitler, ditador alemão e o ministro francês Daladier, em 1938, na ante-véspera da II Guerra Mundial. O guarda-chuvas de Chamberlain passou a ser a metáfora da paz... Dessa vez, parece que querem aprisionar as pombas da paz dentro do guarda-chuvas de Bush. Falam também em ataque com uma bomba nuclear dentro do território americano, ameaça de Osana Bin Laden, se é que ele está vivo e tem poder para tanto. Neste clima de histeria, vejamos o que pode resultar para todos nós, que pagaremos a fatura desta loucura mundial. postado por Walter Galvani em 16/03/03



No dia em que Júlio César foi assassinado no Senado de Roma, no dia em que Kerenski tomou o poder na Rússia em 1917, no dia em que Adolph Hitler anunciou o seu Reich de Mil Anos, que durou 12... - Bush se reúne com seus aliados, numa cúpula com Blair e Aznar, nos Açores. É "una giornata particolare"... postado por walter em 15/03/03

UM DIA MUITO ESPECIAL

Walter Galvani


Os admiradores do grande cinema italiano dos anos 70, lembram ainda o filme de Ettore Scola, “Una giornata particolare”, que no Brasil recebeu o título de “Um dia muito especial”. Passava-se em Roma, anos trinta, quando da visita de Adolph Hitler à capital italiana.
Pois, no dia de hoje, na história, pode-se dizer que tudo se liga a Roma, afinal uma das capitais mais importantes da história da humanidade e mais ainda da c

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