almente altos, há uma expectativa que se poderia classificar de frenética, com relação ao governo Lula, que começa a se preparar para tomar posse no primeiro dia do ano de 2003.
Amanhã haverá uma reunião preliminar do ministério que tem pela primeira vez um desenho sul-sudeste, com predominância de São Paulo e do Rio Grande do Sul, logicamente onde o PT (Partido dos Trabalhadores) é mais forte, excluído que foi o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), o antigo estuário dos “diversos e diferentes”, por falta de “acordo”, leia-se, distribuição de pastas interessantes.
Assim é que, com uma comprida esperança dos brasileiros, começaremos 2003 acreditando em São Lula, mesmo aqueles que não são petistas ou não se incluam entre os recém convertidos. Aliás, esta “religião” conquistou muitos adeptos nos últimos tempos, em especial depois da vitória nas eleições majoritárias.
Teremos tempo para descrer... mas isto vem apenas com o passar dos dias, dos meses, dos anos. Se Deus é efetivamente brasileiro e não apenas uma entidade meramente futebolística que, como se sabe, nos ampara a cada quatro anos na Copa do Mundo, tudo dará certo, o FMI curvar-se-á ante nós e resolveremos, de vez, nossos problemas.
O controle da natalidade se produzirá graças à inteligência inata dos brasileiros, não será preciso nenhum projeto da ONU, a Educação triunfará e aos poucos tornar-se-á o nosso país, aquele prometido “país do futuro”.
Bem, se nada disso der certo e a esperança esmaecer, sempre restará a glória de havermos conquistado uma democracia tão sólida, que até a Esquerda que historicamente chega ao poder através de revoluções, aqui chegou pelo voto. E então saberemos também se junto com o posto chegou mesmo, o poder. Ou se criou-se mais uma ficção brasileira.
Tudo isto, leitores, nos próximos e empolgantes capítulos da grande novela “Esperança do Brasil” que, ao contrário da sua homônima da Rede Globo, terá elétricos acontecimentos a todo o momento.
Em suas telas, digo, suas vidas, a partir do dia primeiro de janeiro de 2003.
Missa do Galo, uma tradição perdida no Brasil, por causa da violência. A Igreja Católica foi recuando o horário até descaracterizá-la, por que os fiéis não podem se expor a andar nas ruas das pequenas e grandes cidades, de madrugada. Na verdade, quanto mais ausente estiver o povo das ruas, mais assaltos se produzirão... Vamos confiar em 2003 postado por Walter Galvani em 25/12/02
No ano 800 da Era Cristã, em Roma, à meia noite de 24, no início da Missa do Galo que ocupou, como sempre a primeira hora e meia do dia 25, foi coroado Carlos Magno, primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico, pelo Papa Leão III.
E em Londres, no ano 1066, Guilherme, O Conquistador, foi coroado Rei da Inglaterra na Abadia de Westminster.
Em 1977, o mundo perdia um dos seus maiores criadores: o artista e realizador cinematográfico, Charles Chaplin, o genial "inventor" do personagem Carlitos.
Esperamos não ouvir troar canhões nem silvarem bombas neste Natal de 2002.
O dia é feito para reflexões.
Por exemplo: há quanto tempo abandonamos as lições daquele jovem rabino Jesus, mais tarde profeta de tantos?
E, olhando em volta, verificar se praticamos as lições diárias de "amar ao próximo como a si mesmo"...
Houve uma excelente indicação de Secretário da Cultura no Rio Grande do Sul: Roque Jacoby. E há a de Gilberto Gil para o ministério de Lula. postado por walter em 22/12/02
CULTURA E NAÇÃO
Walter Galvani *
O tema é tão importante que o principal jornal argentino, “Clarín”, assim denomina o seu suplemento cultural semanal: “Cultura y Nación”, significando com isso o quanto é importante para a identificação de um país, esta proximidade e esta separação.
É sobre este enfoque que precisamos refletir.
Não faz bem à Cultura uma perigosa convivência com o Estado, uma aparentemente generosa coabitação que, no fundo quer dizer subordinação. Em alguns casos, ao longo da História, chegou-se à subserviência ou à limitação, a amputação, a condenação de toda atividade intelectual.
O século XX foi pródigo em exemplos e lições, que devemos anotar para não cair nos mesmos acidentes de percurso.
Um líder nazista dizia que ao ouvir falar no assunto tinha ganas de puxar imediatamente o revólver, e não raros regimes pretenderam proibir o pensamento, o debate, a liberdade de opinião, queimando livros em grandes fogueiras totalitárias.
A destruição de bibliotecas como estratégia em busca do pensamento único não é exclusividade dos regimes fascistas, nazistas ou comunistas. Muitos que se dizem democratas também o intentaram, demonstrando de forma, por vezes mais sutís, por outras mais grosseiras, o que realmente enxergam na atividade cultural.
O presidente eleito, Lula, fundador do PT, convidou para seu ministro da Cultura, o compositor e cantor Gilberto Gil, do Partido Verde.
Houve reações dentro do próprio partido do presidente, assim como críticas de outros setores da sociedade brasileira. Da inveja à má fé, da competição ao preconceito, há de tudo. Mas, acho excelente que se divirja, ao mesmo tempo em que me alinho, esperançoso, a favor de uma boa separação entre a Cultura e o Estado. Vejam bem: falo do aparato governamental, não do país como um corpo de cidadãos, a Nação, que esta é, justamente, inseparável das suas mais fundamentais manifestações.
Quanto mais liberdade houver, quanto menos vinculação entre a atividade intelectual e os governantes, tanto melhor para a qualidade da produção cultural, para sua independência, para permitir que sobreviva a sua capacidade de crítica e construção de uma grande nação.
Gil começou pedindo uma liberdade individual, que é mais do que compreensível. Pretende continuar atuando como cantor, pelo menos cumprindo 25% dos seus programas habituais.
Isso o libera e o transforma num cidadão igual aos outros e não o cristaliza na figura do intocável e distante ministro.
Sob o ponto de vista de marketing político, um acerto do futuro presidente Lula. Além deste exemplo de liberdade individual e respeito ao artista, Gil significará para seu governo a aproximação com a comunidade afro-brasileira, o respeito pela operosa e reivindicante sociedade baiana e uma garantida repercussão popular, nacional e internacional. O novo ministro da Cultura dará visibilidade ao ministério mais do que qualquer jurista importante ou político com poder de voto.
Quanto aos resultados práticos, começaremos a cobrar, não apenas de Gil, mas de todo o ministério, a partir do primeiro dia útil do novo ano.
É o que se quer, é o mínimo que se pretende do novo governo, com ou sem o nosso voto.
* Este artigo foi inicialmente publicado no ABC DOMINGO, edição do dia 22 de dezembro de 2002
Estamos em plena reta de Natal e fim-de-ano. O tempo se torna escasso e de nada adianta tentarmos fazer hoje o que tivemos o ano inteiro para concretizar e não o fizemos. No entanto, resolver um presentinho de Natal, sempre é possível... postado por Walter Galvani em 21/12/02
SUGESTÃO PARA
PRESENTE DE NATAL
Hoje, amanhã, segunda e terça, um corre-corre danado. Quem esqueceu, não teve tempo ou recursos financeiros para comprar seus presentes de Natal, com a lista em punho percorre livrarias, shoppings, supermercados, “a partir de 1,99” (novo nome dos antigos bazares barateiros...) em busca da solução. E de algumas sugestões.
Posso contribuir:
Para vinhos nacionais escolham um bom Miolo.
Para livros, o último de José Saramago.
Para sedimentar esta minha última indicação, leiam a crônica que escrevi quando ele fez 80 anos, no dia 16 de novembro deste ano, com o título de LÍNGUA PORTUGUESA COM CERTEZA
“José Saramago comemora hoje 80 anos e trabalhando exemplarmente, para ninguém venha dizer que “faça-se a fama e deita-se na cama”... Ele estará apresentando em Lisboa e no Brasil, seu novo livro, “O homem duplicado”. Fala-se em clone, mas não se trata de clone como a medicina moderna ajudou a espalhar a idéia, é uma questão de identidade, muito mais em jogo do que uma repetição orgânica.
Quem conhece Portugal sabe a lenda: Saramago é mais conhecido como “sal amargo” do que Saramago, a simpática verdurinha que brota nos campos de sua terra natal.
Bem, fica difícil classificar de verdurinha um capim bravo... Mas, para figura de estilo, vá lá!
Acho que o mais importante é extrairmos a lição que nos dá um homem que chega aos 80 anos com saúde de ferro e uma dedicação ao trabalho que mataria de inveja seus contemporâneos que já se foram e os jovens que andam por aí.
O que faz um escritor ? Escreve. É o que faz Saramago, por mais curial que isto vos pareça.
Ele senta-se ao computador, em meio às inúmeras viagens que teve de fazer a partir do Prêmio Nobel de Literatura que conquistou com os seus méritos, na ilha espanhola vulcânica de Lanzarote que escolheu para morar e lá se dedica a redigir seus textos. Escreve, não gosta de pontuar com o comum dos mortais, reescreve, corta, emenda, recomeça e finalmente entrega os originais à editora. Via e-mail como o fazem agora todos os autores que já tenham, porventura, o beneplácito de uma editora. É sorte. E é trabalho também.
Em Lisboa, Saramago será editado pela Caminho e o lançamento do livro está previsto para uma cerimônia hoje no Hotel Altis. No Brasil, a Companhia das Letras tem o privilégio de apresentar o novo livro que, na certa, se incluirá logo na lista dos “best sellers”, disputando presença com os Harry Potter, Tolkien, Paulo Coelho e tudo o mais que se acumula, do lixo ao razoável, do bom ao extraordinário, que a leitura é feita de todo este tecido.
Eu mesmo, leitor assíduo, em razão da Feira do Livro de Porto Alegre, onde ocorreram 560 lançamentos no mínimo, fora o que veio de fora, estou em meio à esta invasão de papel, selecionando meus minutos de vida inteligente, (raros nos tempos que correm...) para me dedicar a uma ou duas escolhas mais permanentes.
Mas, já estou ansioso por ler o novo Saramago. Ao contrário de muitos, gostei do último, “A Caverna”, que achei com lances geniais e momentos brutais.
Mas, “O Homem Duplicado” está chegando. Saramago, homenageado no “Festival Sete Sóis Sete Luas” em Santa Maria da Feira, Portugal.
O romance sairá em espanhol em Janeiro, com lançamento em Madri e em março na Itália, em italiano.
A revista literária americana “Kirkis Reviews” disse que José Saramago é “o melhor, senão o único romancista vivo do mundo” e o editor Zeferino Coelho se encarregou de dizer que o novo livro de Saramago é “como um soco no estômago” e também “o mais violento”. E na certa, espera-se que ele não se engane, “o melhor”. Melhor que “O ensaio sobre a cegueira”, melhor do que “A jangada de pedra”, enfim, o melhor de todos.
E deseja-se que continue a trabalhar até os noventa anos.
Para nós os que trabalhamos com a língua portuguesa, “mal rompe a manhã” como diria o centenário Drummond de Andrade, ficamos agradecidos que alguém continue a bater com o martelo e a pá na pedra bruta da criação, tirando faíscas das estalactites e estalagmites.”
Qual é o meu sonho de costume? Ver a Cultura independente do Estado. postado por walter em 20/12/02
CULTURA E NOMEAÇÕES
Walter Galvani *
Não é e nunca foi bom para a Cultura, a proximidade excessiva com os governos. É claro que o poder público tem compromissos com o setor, mas esses não vão além do mesmo grau de intervenção que deve ser reservado para as demais atividades da sociedade, sejam empresariais, industriais, comerciais. Em verdade, a experiência do século XX, que não pode ser desprezada, demonstra que o melhor para a Cultura é uma respeitosa distância do Estado.
A experiência comunista de 1917 e que ruiu em 1994, a aventura fascista de 1922 na Itália, a catástrofe nazista na Alemanha (1932-1945), a II Guerra Mundial, bem como a “Guerra Fria”, o “Muro de Berlim”, a guerra da Coréia, o Vietnam, o bombardeio de Bagdá, as intervenções policiais da NATO, dos Estados Unidos, o esforço desesperado da ONU em busca de uma paz permanente, tudo isso assinala o século que passou e invade o vinte e um.
Mas, a Humanidade, parece, não aprende... No entanto, passadas as tempestades, amainados os ventos, ultrapassados os confrontos, contados os mortos, contabilizados os feridos, reconstruídas as cidades, surge o tempo de recomeçar. E, em geral, é a hora em que se verifica o que somente as criações do espírito sobrevivem a todas as guerras e revoluções.
Por isso mesmo não é bom o contágio da Cultura, através de ligações espúrias com os Executivos. O que não exclui a necessidade que tem a comunidade em ser ajudada na manutenção de equipamentos, na construção e disponibilização de espaços adequados, ou, em certos casos, até no subsídio, desde que descompromissado e elegantemente desligado de qualquer compromisso político ou ideológico.
Difícil? Mas, não impossível.
Por isso me soa bem um convite a Gilberto Gil para Ministro da Cultura, ou a Roque Jacoby para a secretaria estadual. No caso do cantor e compositor baiano, sob qualquer ponto de vista, um acerto do presidente eleito. A escolha de Gil é um tributo à comunidade afro-brasileira, uma demonstração de apreço pelo significativo e reivindicador estado da Bahia, que já deu ao Brasil tantas expressões na área da Cultura e uma projeção inteligente do ministério em nível internacional. Não há veículo de comunicação social no mundo que não cumpra sua parte, trombeteando a escolha do músico negro baiano, cujo prestígio internacional beneficia o país.
Também acho que a escolha de Roque Jacoby tem, pelo menos neste momento, quando ainda não há nenhum desgaste porque o novo governo ainda não começou, a virtude da unanimidade. Mesmo os adversários políticos não possuem argumentos contrários, a não ser a natural divergência partidária. Apesar de sua antiga aproximação com o PSDB, Jacoby é suplente de vereador na capital desde a última eleição, mas é visto como editor, criador da Editora Mercado Aberto, presidente da Câmara Riograndense do Livro, em dois mandatos e presidente do Conselho Estadual de Cultura.
Quem é Roque Jacoby? Um homem que acredita na educação e na cultura, no ensino e na aprendizagem, no poder das artes e dos livros. Editou autores de todas as tendências e matizes políticos. Tem sido exemplar e imparcial. Na certa não mudará quando no governo.
Além do mais, seu perfil democrático ajudará a manter a conveniente eqüidistância entre a produção cultural e o pensamento político do executivo a que pertence. O que é o mais saudável para todos.
* www.waltergalvani.com.br
O fim do ano está chegando, com o Natal e o Ano Novo. Vamos examinar as promessas que surgem da política, o que nos resultou das "election lights", como diria Shakespeare postado por walter em 18/12/02
ESCOLHAS
Walter Galvani
Lula escolhe os ministros, Rigotto e os demais governadores estaduais escolhem seus secretários e nós escolhemos os amigos a quem vamos escrever neste atribulado fim de ano. Damos preferência aos da nossa lista de e-mail, claro, porque a correspondência eletrônica bateu em grande velocidade à postal, por todas as razões, começando pela praticidade. Mas, isto para quem abre sua caixa na Internet. É bom esclarecer isso com os amigos e quando você receber um simpático e lindo cartão de Natal, verificar se você tem ao menos o endereço da residência do amigo ou se você tem o da Internet, apenas.
Não deixe ninguém sem resposta, o conselho é do Cardeal Richelieu, que foi primeiro ministro da França, e cujo prestígio ainda não morreu, junto com a sua sabedoria transmitida de século para século.
Então, amigos, vamos ver o que nos reserva o ano de 2003. É preciso escolher os melhores, tanto ministros, quanto secretários, quanto amigos.
É o que acho que estão fazendo Lula lá e Rigotto cá.
Falo no Rio Grande do Sul, Brasil, a explicação é para os visitantes do resto do planeta, que, graças a Deus, Jeová, Alá e Mr. Gold (não posso deixar os americanos - ou melhor o governo e as multinacionais - de fora...) sempre tem estado em minha página.
Obrigado pela visitação em 2002, inclusive por parte do governo de United States of America, vulgo Tio Sam, que tem estado freqüentemente em contato com o que penso (bem ou mal) dele...
Então, gente, examinem o que dizem os novos escolhidos pelos que você elegeu. Isso faz parte do sistema democrático.
Vamos dar uma espiadela no que a História registra nestes sempre atribulados dias próximos ao final do ano postado por walter em 11/12/02
11
Dia do agrônomo, do engenheiro e do arquiteto; Dia do Tango; Dia Nacional do Alto Volta; Dia de São Dâmaso, papa
1475 – Nasce Leão X, papa
1803 – Nasce Hector Berlioz, compositor francês
1843 – Nasce Robert Koch, descobridor do bacilo de Koch, que permitiu a vacina e a cura da tuberculose
1913 – Nasce Carlo Ponti, produtor de cinema, italiano
1918 – Nasce o escritor russo Alexander Solzhenitsyn
1941 – Alemanha e Italia declaram guerra aos Estados Unidos
12
Dia nacional do Quênia; dia de Santa Joana Francisca de Chantal e de São Valério, abade
1521 – Morre Dom Manuel I, de Portugal, o Venturoso
1821 – Nasce Gustave Flaubert, escritor francês
1863 – Nasce o pintor norueguês Edvard Munch
1893 – Nasce Edward Robinson, ator americano
1908 – Nasce o cineasta Manoel de Oliveira, português
1915 – Nasce Frank Sinatra, cantor americano e ator
1925 – Abre em San Luis Obispo, Califórnia, o primeiro motel do mundo
1889 – Morre Robert Browning, escritor, poeta inglês
1939 – Morre Douglas Fairbanks, ator americano
1955 – Bill Halley e seus Cometas gravam “Seen you later aligator”
13
Dia Nacional de Malta e de Santa Lúcia, mártir
Dia do Cego e Dia do Marinheiro
Dia da Marinha e do Ótico
1204 – Maimômides, teólogo judeu (morte)
1466 – Morre Donatello, escultor italiano
1577 – Francis Drake inicía a sua viagem à volta do mundo, partindo de Plymouth, a bordo do “Golden Hind”
1642 – Abel Tasman, navegador holandês, descobre a Nova Zelândia
1797 –Nasce Heinrich Heine, poeta alemão (e jornalista)
1944 – Morre o pintor russo Wassily Kandinski
1955 – Morre o médico português Egas Moniz, nome de hospital hoje. Médico neurologista e neurocirurgião português. Cunhou a célebre frase: “Não é preciso construir um hospital para separar os alienados desta ilha. É só cercar a ilha”...
O cinismo e a hipocrisia continuam sendo as moedas de maior curso internacional postado por walter em 10/12/02
O PRÊMIO
Walter Galvani
Fernando Henrique foi a ONU, recebeu um prêmio da ONU. Trata-se do “Mahbub um Haq”, em homenagem aos resultados “de ações sociais nos oito anos de governo”.Foi o primeiro a receber esta distinção, propiciada pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Acabada a reunião, o secretário geral da entidade mundial, Koffi Annan, confirmou o convite para que o Fernando Henrique se transforme num dos seus assessores pessoais. É um emprego sem rendimentos, provavelmente apenas com o ressarcimento das despesas de transporte e hospedagem para reuniões importantes e o acréscimo de glória pessoal a cada chamamento.
Para Fernando Henrique está ótimo, aposentado ele já está e pelo que consta muito bem aposentado como professor em nível federal, com salários integrais. Não vai passar dificuldades. Além disso, poderá exercer qualquer cargo de assessoria ou ocupar posto em conselhos superiores de empresa. Convites não lhe faltarão.
No mais vai exercitar sua capacidade de fazer Oposição, isso segundo ele mesmo.
Não se pode dizer, ao cabo dos oito anos, que Fernando Henrique não sai com um saldo favorável. Sem dúvida. Mas, não no nível apregoado pelo seu próprio gabinete e menos ainda nesta área em que acabou premiado.
É no mínimo estranho que o país onde se verifica um desequilíbrio social imenso, onde existe a maior injustiça mundial em distribuição de renda, pois continuamos fabricando milionários em pequeno número e miseráveis em profusão.
O reconhecimento mundial faz parte, contudo, de qualquer programa de publicidade e é possível até que se tire vantagem desta repercussão internacional, insólita ou discutível.
Em todo o caso, como ele mesmo disse caberá ao seu sucessor transmitir um clima de confiança para evitar que o dólar dispare e a economia se descompense ainda mais.
Um certo cidadão romano, grande governador da Judéia no ano I da mais tarde chamada Era Cristã, também lavou as mãos e teve seu gesto eternizado como o descompromisso com a responsabilidade. Convenceu mais ou menos a Humanidade, de acordo com os “media” de cada época e as conveniências políticas.
Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes... – como diriam nossos amigos portugueses.
Foi apresentado em Porto Alegre, sexta-feira, um belo trabalho sobre automobilismo de competição, traçando a história das velhas "carreteras", carros preparados que competiam em estradas. Os gaúchos (habitantes do Rio Grande do Sul) foram campeões brasileiros da modalidade. Agora, o descedente de um campeão, Gilberto Menegaz, apresenta um trabalho digno e bem feito postado por Walter Galvani em 08/12/02
LEVANTANDO POEIRA
Walter Galvani
Tenho condições de dizer que vivi aquela grande época e tem mais: primeiro como garoto empolgado que ouvia o rugido dos motores, depois como repórter da área, cobrindo alguns acontecimentos e finalmente como amigo dos grandes reis das “carreteras”, os “galgos brancos”, Catarino e Júlio. Aproveitei para conviver com os herdeiros das grandes glórias, como José Asmuz, o filhote dos grandes galgos Vitório Andreatta ou os que se seguiram até o fim da década de sessenta, quando chegou a modernidade e Tarumã eliminou o ronco dos motores e os antigos carros preparados.
Pode-se dizer que aí não tinha mais graça, corridas como conhecemos hoje, tipo Fórmula 1, em circuitos preparados, não deixavam mais a emoção no ar e a poeira flutuando quando o carro sumia na curva.
Mas, tudo isso eu tive a felicidade de reviver na sexta-feira de noite, quando alguns dos antigos ases se reuniram, atendendo a convocação de Gilberto Menegaz, filho de um grande campeão, Orlando Menegaz, na sede do Ribeiro Jung, que em tudo lembra outro dos grandes nomes, Norberto Jung, pioneiro e ganhador, um dos construtores do prestígio gaúcho neste setor.
Estimulado por Paulo Afonso Trevisan, o jovem herdeiro do sangue Menegaz, realizou um prodígio que rivaliza com os feitos de outrora: botou de pé um volume que é a própria história do automobilismo gaúcho. Foram quatro anos de pesquisa, depois a redação, a montagem do projeto gráfico e finalmente a execução que se tornou possível com o patrocínio de quem acreditou nele. E não se arrependeu.
O título não poderia ser mais inspirado: “Levantando poeira”. É isso mesmo, só quem viu uma “carretera” daquelas fazer uma curva perigosa, fosse na prova de Porto Alegre a Capão da Canoa ou na Encosta da Serra, no Circuito da Vila Nova-Cavalhada ou onde fosse, poderia sentir a emoção crescente que invadia o acontecimento de apresentação do livrão de 142 páginas, com toda a história, a pesquisa completa, as provas de 1926 a 1970 que envolveram pilotos gaúchos, as fotos, as recordações.
Mas, nada superou a emoção de ver o velho Aido Finardi, um dos campeões, ao lado do seu carro, depois, com os olhos brilhantes abrir a porta e sentar-se ao volante, como nos velhos tempos. Por um instante tememos pela sua resistência cardíaca. Ele resistiu, mas nós é que não. Afastamo-nos, com os olhos enevoados, sentindo que aquele momento único se produzia graças à magia daquele reencontro.
Firnardi várias vezes contemplou e passou a mão forte e calosa em sua “carretera”. Quem estava por perto, chorou mais do que ele, um forte, que na certa imaginava-se reproduzindo os feitos de antigamente.
Agora ficou o presente para os automobilistas, para os que cultivam a história com o devido respeito, para os admiradores e familiares dos grandes ases do passado e para os esportistas em geral.
O livro é também uma lição de como se trabalha em jornalismo
Ali está toda a história, desde o nascimento do automóvel, os primeiros desafios, até o capítulo em que “o passado alcança o presente”.
Valeu a pena. Quando escutei o ronco dos motores lá no Ribeiro Jung em Porto Alegre, na sexta de noite, pensei em quanta angústia, quanta preocupação e quanta alegria nossos ases nos transmitiram ao longo destes cinqüenta anos. Valeu a pena um pouco de poeira no coração...
No ano 43 A. C. morria Marco Antonio Cicero, aquele que passou a ser o patrono de todos advogados do mundo. Por sua cultura, inteligência e dotes de orador, ficou identificado também como o paradigma de gerações e gerações postado por Walter Galvani em 07/12/02
CICERO
Por vezes, um pai batiza assim o filho: Cicero. E com isso lhe deseja um futuro brilhante. Outros preferem Julio Cesar ou Alexandre, ou ainda Napoleão, mas no mundo ocidental, esta é uma demonstração de confiança no futuro de uma criatura e um desejo de longa e brilhante carreira. Às vezes nem tão longas, interrompida pelas espadas rivais, como foi o caso de Cesar ou pelo veneno.
O certo é, contudo, que mentes tão brilhantes, sempre serão acometidas por todos os lados.
A mediocridade não perdoa que ninguém se eleve acima da massa.
Preferem, por vezes, assistir à derrocada física de quem sabe mais do que si, do que render-lhe homenagens.
Mas, isso faz parte da vida e até os ídolos esportivos sabem disso, porque quando chega a velhice, quando as várias espécies de demências senís atingem os homens, já estão eles a ser esquecidos pelos que ficam e que pensam com isso, abeberar-se da fonte da juventude eterna.
Que é uma miragem.
Palavras de Cicero.
O lançamento da nova edição de "Olha a Folha" suscita, pelo fato em si, a discussão das questões do Jornalismo em nosso meio. Mas, amplío a discussão para o país e o mundo. É que há "fast food" em toda a parte... No jornalismo, na literatura... postado por Walter Galvani em 06/12/02
HUMANISMO
JORNALISMO
RENASCENÇA
“Será importante lembrar que Cremilda Medina faz uma única e prática distinção entre os diferentes jornalismos: o jornalismo de tribuna, assim mesmo, com maiúsculas, e o jornalismo noticioso. O primeiro tem a tradição européia, caracterizado pela opinião. Teve seu desaparecimento decretado pela influência norte-americana de pós-Segunda Grande Guerra. O segundo o substituiu, caracterizado pela industrialização que começara um século antes na Europa, mas encontrara maior repercussão nos Estados Unidos, identificado pela produção pretensamente neutra e objetiva da informação. É, também o momento em que se criam, a partir de 1947, os primeiros cursos de jornalismo no Brasil.”
In “Última Hora, populismo nacionalista nas páginas de um jornal”, editora Sulina, Porto Alegre, 2002, Antônio Hohlfeldt e Carolina Buckup.
No mesmo livro, os autores lembram a classificação de Jürgen Habermass:
a) pré-capitalista que se limita a organizar o trânsito de algumas informações;
b) literária, quando, além da informação, passa a incorporar a opinião.
c) empresarial, marcada pela industrialização.
Aplicando-se ao Brasil (como o faz Fernando Lattman-Weltman)
A fase A começa em 1808, com a Gazeta do Rio de Janeiro, com a prestação de pequenas informações.
Fase B, que se inicia com o surgimento de folhas oposicionistas, de nítido panfletarismo, já a partir do Correio Brasiliense, naquele mesmo ano de 1808.
Fase C, que se inicia na década de 50 do século XX, quando se reúnem as condições macroestruturais ideais para tal mudança.
Como se vê, nenhuma diferença do que penso e tenho afirmado em todos os contatos públicos que tenho feito .
Nada tenho contra os Cursos de Jornalismo. Ao contrário, ninguém fez mais do que eu pelos cursos e praticamente pelos alunos de jornalismo. Eu organizei em 1966 o sistema de estágios para alunos do último semestre de jornalismo nos jornais da Caldas Júnior, e abri as portas da empresa a eles.
Fizemos a maior renovação de mão-de-obra da história do jornalismo rio-grandense (dito por todos os que testemunharam aquele período).
Aproveitamos 46% dos estagiários que passaram por nossas redações.
Mas, refiro-me ao fato, incontestável da pasteurização do jornalismo que se pratica hoje, e, na verdade desde a segunda metade do século XX.
A coincidência com a instalação dos cursos de jornalismo – influência americana, sem dúvida – não é apenas uma coincidência.
Também concordo que a diminuição de qualidade deu-se em todas as profissões. Mas, prefiro examinar o que conheço mais de perto.
É uma perda – que se pode recuperar, discutindo, reclamando, debatendo e orientando – mas é um fato o esvaziamento humanístico da nossa profissão.
Não quero o fim dos cursos e da exigência do diploma. Quero cursos melhores e liberdade de escolha profissional.
E um melhor resultado prático, portanto, do que se aprende.
No final da tarde de hoje ocorre o lançamento da nova edição, revista e atualizada, de "Olha a Folha, amor, traição e morte de um jornal", de Walter Galvani, livro adotado nos cursos de jornalismo, mas que se lê como uma novela. É um caso de amor e morte na cidade de Porto Alegre postado por walter em 05/12/02
ÚLTIMA HORA E
FOLHA DA TARDE
Acontece hoje na sede da ARI, em Porto Alegre (av. Borges de Medeiros, 915, 7O. andar) o lançamento da segunda edição revista e atualizada, com um capítulo que cobre os seis anos entre a primeira edição e esta que chega às livrarias, do livro “Olha a Folha – amor, traição e morte de um jornal”, de minha autoria.
Na oportunidade estará presente o professor Antônio Hohlfedlt, que tem adotado sistematicamente este livro nos cursos de jornalismo, para análise de um determinado momento da imprensa sulina.
Mas a sua presença na ARI, servirá para que se refira também o lançamento de “Última Hora – Populismo nacionalista nas páginas de um jornal”, assinado por ele e por Carolina Buckup.
As duas edições são da Sulina que em sua nova fase, aliada à Meridional, luta por garantir um lugar de respeito entre os que procuram vasculhar a realidade do nosso jornalismo, em sua história recente.
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Curioso é verificar os comportamentos com relação a este ou aquele livro. Por exemplo: há quem faça um registro de cinco linhas, “coisa menor” em sua opinião, quando abrem títulos de três ou quatro colunas para outros empreendimentos. Mas, julgamentos, afinal de contas, são pessoais, subjetivos, mesmo que objetivamente tocados por alguma espécie de consideração de caráter mais terreno...
Enfim, pouco se sabe sobre as decisões que estão por detrás de uma editoria, mas isso pode ir desde a concorrência pessoal por cargas ou favores até à distribuição magnânima de atenções e mimos. Acontece, e não só neste setor. Seria um exercício extraordinário de despojamento, um belo estatuto de confissão e condenação ao “corporativismo”, denunciar práticas condenáveis e tornar públicas certas atitudes mascaradamente sinceras ou ditas “envergonhadas”. Na verdade, ao atuar de forma restritiva com relação ao trabalho dos próprios colegas, estão esses energúmenos do novo jornalismo cavando a própria sepultura.
Quem confiará em seus critérios?
Basta, no entanto, que alguém se pinte de cor-de-rosa ou mate o padrasto e cheire “coca”, então estará devidamente destacado.
Eis ao que chegamos nos dias de hoje. Não é suficiente trabalhar com seriedade, mas é preciso dispor de um poder de barganha, representado pela força da sua editora ou pela magnanimidade dos promotores de venda e seus patrões.
De nada serve refletir sobre o que não se pode mudar, diria um asno qualquer pós-Renascença, mas todos sabemos que o tempo e o vento, suaves e definitivos, percorrem em sucessivas ondas o passar dos anos e deixam a verdade a mostra.
Pena que a vida seja tão breve e não se tenha tempo para esperar...
O julgamento, contudo, será inevitável. E entre os esquecidos estarão aqueles que nada fizerem a não ser prejudicar com suas omissões propositadas o que de bom se possa fazer ou pretender.
Perdão pela repetição. Mas, a ênfase fica em nome da Língua Portuguesa. Acreditamos nela como base cultural e instrumento de comunicação postado por walter em 03/12/02
Proponho a criação de um grupo de estudos e troca de experiências que tenha a língua portuguesa como base de nossas trocas.
Englobando Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Bissau e Timor Leste. E os enclaves de Goa, Damão e Diu. E as colonias portuguesas da Venezuela, da França, da Alemanha, onde os portugueses se contam por milhões.
E as colônias brasileiras, de Miami, Nova Iorque, e tantas outras. E os locais de dependências ultramarinas portuguesas como o arquipélago dos Açores e a Madeira.
E por onde andaram os lusos, por aí, nos séculos XV, X VI, XVII, como Kerala, Colombo, o próprio Japão e a Terra Nova, lá no Canadá
Em 1552, morria um dos maiores propagadores da Língua Portuguesa: Francisco Xavier, mais tarde santificado dentro de um processo da Igreja Católica, como São Francisco Xavier, ele que foi o "apóstolo do Oriente". Trabalhou no Japão, nas Filipinas e na China. Não teve medo da aventura, do desconhecido e, acreditando num ideal, hoje impossível porque ouviria de saída que isto é "politicamente incorreto", andou por aquelas terras pregando uma religião e trabalhando para abolir os deuses locais. postado por walter em 03/12/02
Em 1552, morria um dos maiores propagadores da Língua Portuguesa: Francisco Xavier, mais tarde santificado dentro de um processo da Igreja Católica, como São Francisco Xavier, ele que foi o "apóstolo do Oriente". Trabalhou no Japão, nas Filipinas e na China. Não teve medo da aventura, do desconhecido e, acreditando num ideal, hoje impossível porque ouviria de saída que isto é "politicamente incorreto", andou por aquelas terras pregando uma religião e trabalhando para abolir os deuses locais. postado por walter em 03/12/02
Vamos começar a semana, acreditando no Brasil e em nosso futuro postado por walter em 02/12/02
UMA QUADRA DE ESPERANÇA
Walter Galvani
Germano Rigotto na Europa, Lula na Argentina, ministério e secretariado sendo compostos, uma crença no futuro, um sorriso nos lábios, foice velha, mulher nova e uma quadra de esperança. Assim é o tempo em que vivemos.
Esperamos que a economia se regularize, que nosso exemplo de democracia sirva de ponto de partida para um novo tempo e que a rotação de poder que se produziu em alguns estados e no país, surja como um paradigma do que somos capazes.
Há o futebol também. Enquanto uns se vão na ladeira abaixo dos seus erros e dos gastos descomunais com os medíocres, há os que apostam na “prata da casa” e daí, justamernte daí, apareçam as alegrias.
Até fevereiro, garantem os economistas, passada a posse, transmissão de cargo, o veraneio, nosso poder aquisitivo retomará o seu nível de hoje.
E das atitudes dos consumidores, não mais do que sessenta dias, dizem eles, acomodados aos novos padrões, nascerá o novo Brasil, aquele que sempre sonhamos.
Até o dólar se acomodará. Se é verdade que não baixará extraordinariamente, ele se tornará estável. Em novo patamar, é verdade, mas sem maiores oscilações.
E assim teremos a grande oportunidade do PT no poder maior, dos partidos se revezarem nos palácios estaduais, o que sempre é bom até para uma certa redistribuição de renda e de... empregos.
Conselho final de quem entende de economia: “não gerem passivos em suas contas estaduais. Paguem tudo o que puderem, ponham tudo em dia. Não fiquem devendo nada. Os juros estão e continuarão altos.”
São conselhos muito sábios de Antonio Carlos Baldi, entre outros, de economistas que tem os pés no chão. E este é o espírito com o qual temos que nos preparar para o novo ano. Que já está aí.
Estive examinando meu álbum de fotografias e fiz uma descoberta importantíssima para meu futuro econômico e político: Sou PT desde criancinha.
Encontrei, bordada em local estratégico, bem na frente do símbolo e cetro da minha masculinidade documental, uma estrela, indiscutivelmente indicativa de que eu seria, no futuro, integrante do Partido dos Trabalhadores. Embora tenha nascido em 1934, muito anos antes de Lula e seus companheiros sequer cogitarem da fundação, lá estava marcado meu destino, poder-se-ia dizer, assim como “escrito nas estrelas!”
Eis que, posso me candidatar a qualquer cargo, mas prefiro os de bom recheio financeiro porque, afinal de contas, se esperei tanto tempo, não vou negociar meu apoio assim tão facilmente.
Como tenho uma indiscutível inclinação pela carreira diplomática, dispenso os postos em território brasileiro, os quais deixo para outros companheiros, arrivistas ou não, se engalfinharem. Disputo apenas aquilo que os embaixadores costumam chamar de “Circuito Elisabeth Arden”, ou seja, só me candidato a Paris, Roma, Londres ou Nova Iorque.
Tenho visto a disputa interna e me surpreendo com o visgo que o PT desprende agora que chegou ao poder central. Atrai, subjuga, conquista, produz uma espécie de imã que gera uma força centrífuga insopitável. É uma férrea atração. Inspira respeito e causa preocupação, ver um tal enxame que se pode despencar a qualquer momento, soterrando a sociedade brasileira com tais incorporações.
O rendimento político, a entrega ideológica, a adesão, ah, que poder de convencimento possui Lula!
Sim, falo do “Lulinha Paz e Amor” que realizou o milagre dos milagres e conseguiu produzir uma síntese de todos os pensamentos políticos, deixando uma oposição minguada e apta apenas a trabalhar para daqui a alguns anos.
Este deve ser mais um dos milagres brasileiros, desses que geram a fantástica combustão dos contrários e a marcha sob a bandeira verde-e-amarela, rumo aos mais altos destinos da Nação.
A propósito, Lula já ganhou também uma estrelinha com as cores nacionais, para que aos poucos vá deixando de utilizar a perigosa e suspeita bandeira vermelha, cor, como se sabe, tradicionalmente ligada ao lado esquerdo das assembléias nacionais.
Chegou a hora de exercitarmos o nosso nacionalismo.
De minha parte não tenho mais dúvidas. Depois de haver constatado que a minha certidão de nascimento e minhas primeiras cuequinhas, meus cueiros e minhas fraldas traziam já impresso o símbolo, só me resta agora apresentar minhas provas incontestes de que sou eu, sim, um legítimo seguidor das idéias do partido que pela primeira vez chega ao poder maior.
Duvido que alguém tenha poder de barganha maior do que o meu. Só que, me surpreendi: ao chegar em Brasília para me apresentar como o mais novo seguidor do PT, descobri que o meu lugar na fila me botava de volta ao ponto de onde saí. Havia uma multidão incomensurável de “companheiros” muito mais ligeiros do que eu que já estavam lá protestando sua solidariedade e incorporação aos ideais do partido.
Da próxima vez vou ver se consigo me alistar mais cedo...
Quinze anos antes da nossa independência oficial, a geopolítica da Europa, com o avanço das tropas napoleônicas, deu o toque inicial de nossa libertação postado por walter em 30/11/02
GEOPOLÍTICA
DA GUERRA
Walter Galvani
A Independência do Brasil nasceu no dia 30 de novembro de 1807. Como? Surpresa para os estudantes e estudiosos? Basta mergulhar na geopolítica da Europa nos anos iniciais do século XIX.
Nosso país era uma tranqüila, (talvez não tanto), dependência ultramarina de Portugal. Aqui e ali alguns movimentos sediciosos buscando a liberdade, a recente Inconfidência Mineira que acabara com a prisão, exílio e execução de alguns dos seus líderes, como Tomáz Antonio Gonzaga, Tiradentes, e tantos outros cujo nome desapareceu na poeira do tempo, mas nada de decisivo para abreviar a presença e a supremacia da metrópole européia em terras sul-americanas.
Mas, eis que, no dia 30 de novembro, as tropas do General Junot, representando o poder da França e do imperador Napoleão I (o nome que passou a batizar a mania de grandeza de tantos pais e dementes pela vida afora) invadem Portugal.
Ainda não acreditando muito, a Corte portuguesa tentou negociar, combater e depois parlamentar com os invasores. Nada conseguiu e em menos de um mês, o príncipe regente, Dom João com sua mãe louca, Dona Joana, preparou-se para fugir para o Brasil.
Em dezembro, isto se produziu e então Portugal mudou, para surpresa do mundo, num hábil gesto diplomático, a sede da coroa e o poder, para o Rio de Janeiro.
Era o empurrão que faltava para a independência do Brasil. Os portugueses aqui ficaram até 1816, Dom João foi aclamado e coroado Rei no Brasil, apaixonou-se em definitivo por nossa terra e deixou seu filho, Dom Pedro com a incumbência de liderar a rica colônia, quando chegou a hora de voltar para Lisboa.
Recomendou-lhe que, se fosse o caso, proclamasse a independência do Brasil e colocasse a coroa em sua própria cabeça “antes que algum aventureiro o faça”.
Foi assim que Dom Pedro tornou-se, a 7 de setembro de 1822, o primeiro imperador do Brasil. Mais tarde renunciou em favor de seu filho, Pedro II, que governou até o advento da república, a 15 de novembro de 1889.
Obrigado, Junot!
Conta-se que mal surgiram as bandeiras francesas nos arredores de Lisboa e a família real, o Tesouro nacional, obras de artes, condes, duques e princesas já estavam a bordo no cais de Lisboa. Felizmente o ventinho, que custou a chegar, como também havia demorado à partida de Pedro Álvares Cabral a 9 de março de 1500, chegou. E empurrou suavemente primeiro, depois rapidamente, a frota para fora do Tejo, rumo ao Oceano Atlântico, no caminho da salvação.
É uma indicação: quem tem Prêmio Nobel é porque trabalha, pesquisa e obtém êxito postado por Walter Galvani em 29/11/02
PRÊMIO NOBEL
Walter Galvani
Freqüentemente se usa a contagem de Nobel nas diversas categorias, para emitir um atestado de qualificação de um povo ou país. Assim sendo, claro que Estados Unidos e Inglaterra estão a frente dos demais, mas não deixa de ser um critério que tem a ver com a importância que se dá à pesquisa, a quantidade e o volume do investimento na educação.
O Brasil, como se sabe, fica na rabeira. Apesar de todas as boas intenções, nunca tivemos um Prêmio Nobel, em nenhuma das áreas premiadas.
Nem em Literatura, para a qual já tivemos vários candidatos, como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado ou Erico Veríssimo, para citar só os mais votados.
Mas, já que pensamos, falamos e trabalhamos em língua portuguesa, vamos lembrar que o pequeno Portugal tem pelo menos dois. Um deles, bastante conhecido de todos por sua modernidade, é José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1998.
O outro, para surpresa dos nossos cientistas, é um médico. E a data de aniversário é hoje, 29 de novembro. Em 1874, nascia o Dr. Egas Moniz, hoje respeitável nome de hospital em Lisboa.
Pela sua importante contribuição na área da Neurologia, ganhou o Nobel e botou o português, a língua e Portugal, como nação, no primeiro plano, há muito tempo, já na primeira metade do século XX.
1949: Prêmio Nobel de Medicina, Antonio Caetano de Abreu Egas Moniz.
Abrindo os caminhos para a integração mundial postado por walter em 28/11/02
EL DESEADO
Foi há quase 500 anos, hoje se pode desprezar o feito, afinal de contas até a Lua já foi alcançada, afinal, andamos por aí nos meandros da galáxia e no entanto, o quanto foi importante, Fernão de Magalhães, avançar para o Desconhecido e dobrar o Cabo Deseado, naquele longínquo 1520, com suas precárias caravelas!
Então se abriria o caminho para o Oceano Índico – atravessando o Pacífico, nem tão pacífico assim, pelo sul do novo continente recém descoberto, a América.
Pois então, foi por ali que o grande navegador português, grande profissional da época da globalização inicial, abertura de tudo o que veio depois, e que trabalhava para a Coroa Espanhola. Como se vê, desde aqueles tempos havia gente trabalhando para o Real Madri...
Aberto o caminho, deu-se mais um passo gigantesco para a integração total da Terra. Não era por acaso que ele cabo perdido no sul da América do Sul, era tratado como “El Deseado”.
Deseado, sim, combatido, conquistado, batalhado, alvo de tantas guerras e discussões, tratados e destratados...
Fernão de Magalhães não sobreviveu à sua primeira e inaugural viagem de circunavegação do globo, mas foi ele sim que deu o passo desbravador. E a passagem pelo Deseado teve tanta importância quanto o foi dobrar o Cabo da Boa Esperança pelo seu compatriota Bartolomeu Dias no final do século XV (1487), ou a Descoberta da América por Colombo (1492), ou a viagem pelo caminho marítimo até às Índias (1498) ou a descoberta do Brasil (1500).
Estávamos em tempos de globalização. Nada do que se fala hoje pode ser tomado como novidade. É preciso mergulhar, de cabeça, na História para de lá voltar com a lição.
Registre-se o feito: dia 28 de novembro de 1520.
Há um clima de hipocrisia no ar, quando se fala em transição e se apresentam balanços e dados, promessas e projetos postado por Walter Galvani em 27/11/02
PEQUENAS MALDADES,
GRANDES SACANAGENS
Walter Galvani *
Você toma o seu jornal de todos os dias e encontra, aqui e ali, o registro, às vezes inocente, muitas vezes proposital, em alguns editado displicentemente, noutros maquiavelicamente demonstrado, do que os políticos são capazes de fazer no campo da picuinha, do desserviço ao estado e ao país, da vingança torpe ou da insuperável convicção de que é preciso colocar uma pedra no caminho do adversário.
Agora mesmo há transição amena e cordial no Rio Grande do Sul e no Brasil. Esforçam-se os partidos que saem do poder e os que entram, em demonstrar que partilham do mesmo e sadio propósito de fazer o melhor em benefício do bem comum e que os possíveis atritos ocorridos em tempo recente, foram meros acidentes ou artifícios da campanha eleitoral.
E então o que se vê: no Rio Grande do Sul aprovam a emenda que determina que a antecipação de receita, na certa crendo que “pegarão o pé” de Germano Rigotto, quando este estiver saindo do governo, daqui a quatro anos, e terá que se ver com o que tiver com o que houver em caixa para pagar o décimo terceiro salário dos servidores. Assim, antecipa-se a angústia de 2006 e cria-se um problema extra de arrecadação. Para não repetir o que está ocorrendo com o governo de Olívio Dutra que só deixará em dia este saudável acréscimo à economia de todos conquistada nos tempos de Jango, se conseguir empurrar com a barriga e não sancionar a mudança em seu período, aproveitando-se de todos os recursos legais. “A antecipação é antiética” – diz o deputado proponente da questão, esquecido de que ela foi regularmente praticada em todos os governos depois de Jair Soares. Para relembrar, este foi o único que criou uma retenção de 1 x 13 avos dos trabalhadores e propiciava o seu retorno com o décimo terceiro em dia. Ético ou antiético, foi assim que funcionou.
Já o governo federal se encarregou de divulgar notícias positivas neste final, aliás melancólico, do governo “honoris causa” do sr. Fernando Henrique Cardoso, anunciando que o país criou mais de 1 milhão de empregos este ano e que houve um superávit na balança comercial. Os dados oficiais escondem que o crescimento do emprego não acompanha, nem de longe, o crescimento vegetativo da população e que a balança se inclina a nosso favor porque o Real está tão baixo em relação ao dólar que se tornou impraticável importar. Só por isto, não por crescimento ou melhora do desempenho da indústria, da produção primária ou da prestação de serviços e do comércio do país.
O PFL na Câmara Federal, que sempre se opôs à uma elevação do salário mínimo, ao perceber que o PT, antecipando sua chegada ao poder anuncia que será preciso muita cautela com a precipitada elevação do salário mínimo até os tais cem dólares entusiasticamente defendidos por Paulo Paim, quando em campanha, defende o reajuste imediato de 20 por cento, transportando-o aos 240,00 pretendidos pelos adversários políticos. Já o PSDB exige a inclusão imediata da alta do Salário Mínimo no orçamento geral da União.
Sabem o que é? São todos cínicos e aproveitadores, trabalham com o olho nas próximas eleições, mesmo que elas só venham daqui a dois ou quatro anos, conforme o caso, e iniciam, desde já, o desgaste dos sucessores.Assim é.
Não se respeitam e por isto não são respeitados. Mas, como pensam (ou até sabem) que o povão não sabe o que lê, ouve ou vê, trabalham em cima da ignorância geral e da memória curta de quem não tem maldade no coração.Mas nós temos, a dose suficiente para não esquecer e fazer o registro claro da prática destes ofídios... Mesmo que ao nos lerem, digam que as serpentes somos nós.
* Esta crônica estará sendo publicada na edição de amanhã do jornal Diário de Canoas, do Grupo Editorial Sinos.
"O vôo da gaivota" - Amanhã na Secretaria de Cultura do município, um dos últimos atos comandados por Margarete Morais que assumirá sua carreira na Câmara de Vereadores em breve, numa promoção da revista "Porto & Vírgula", um encontro imperdível sobre a atividade e o ofício do cronista postado por Walter Galvani em 26/11/02
A CRÔNICA NOSSA
DE CADA DIA
Walter Galvani
Tenho em mãos o convite para a terceira edição do projeto “Encontros Porto & Vírgula”, a ser realizado amanhã pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, que fica à avenida Erico Veríssimo, 307, a partir das 19 horas.
O fato de ocorrer às 19 horas, sejamos práticos, evita o confronto em que fatalmente seriamos derrotados: o jogo do Grêmio em Caxias com o Juventude, em transmissão direta por tevê, das quartas-de-finais do campeonato brasileiro.
O tema desta reunião em que estarei na mesa principal ao lado de ícones da crônica jornalística como Ivette Brandalise e Liberato Vieira da Cunha, será “A Crônica Nossa de Cada Dia”.
Ora, nada melhor do que discutir com os criadores a gênese da sua produção cultural, acompanhar com eles a pesquisa do assunto e sua elaboração e atentamente responder as questões que, na certa, serão levantadas pelos participantes do encontro que, aliás, podem ser todos os que quiserem comparecer à Biblioteca Josué Guimarães.
Tenho aqui em mãos as frases que ambos elaboraram para a agenda “Todos os meses” da escritora Valesca de Assis.
Ivette Brandalise assim definiu, de forma muito objetiva, o que é a crônica”:
“A crônica é uma espécie de tradução livre, e pessoal, do trivial variado.”
Já Liberato Vieira da Cunha preferiu ser mais subjetivo:
“Nunca soube escrever uma crônica senão para confessar-me em público.”
Respondendo à mesma questão, fiz uma espécie de análise profissional, que acabou servindo de nome de batismo para a Oficina de Crônicas que coordenei para a 48a. Feira do Livro:
“Ofício de cronista é como vôo de gaivota, rente às ondas, até o ponto e a hora de fisgar o peixe. E então vem o difícil: voar mais e mais, sem deixa-lo cair.”
Até hoje agradeço todos os dias à Valesca de Assis por haver me propiciado a oportunidade para questionar-me e desta reflexão extrair uma lição que tanto me enriqueceu.
E, naturalmente, criando-me a oportunidade para intervir nesta mesa redonda tão valiosa e criativa.
Vamos, mais uma vez, mergulhar nas lições das datas. Mas, não façamos como certas revistas brasileiras que preferem dedicar a capa a Gisele Bundchen, quando o país monta o novo governo e nem se sabe para onde mesmo vai o Brasil postado por walter em 25/11/02
Bom dia, Hoje é Segunda, 25 de Novembro.
>> Dia de hoje
Dia de Santo Erasmo, mártir, e de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.
>> História feita a 25 de Novembro
1967 Cheias na região de Lisboa provocam 700 mortos.
1975 O Suriname, formalmente designado por Guiana Holandesa, torna-se uma república independente.
1975 Em Portugal, confronto político-militar que ficou conhecido por 25 de Novembro, tendo sido preso Otelo Saraiva de Carvalho.
1993 Manuel Lopes é considerado culpado no homicídio de João Champalimaud e é condenado a 18 anos de prisão.
1993 Júlio Pomar, pintor português, recebe o Prémio Montaigne 1993, atribuído pela Fundação FVS de Hamburgo.
1994 O jornal português O Independente revela que as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) repararam material de guerra para o governo angolano em 1993.
>> Hoje nasceu
1562 Lope de Vega, dramaturgo espanhol.
1638 Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra.
1835 Andrew Carnegie, filantropo e industrial norte-americano.
1844 Carl Benz, engenheiro e industrial alemão do ramo automóvel.
1845 Eça de Queirós, escritor português.
1915 Augusto Pinochet, ditador chileno.
1920 Ricardo Montalban, actor norte-americano.
Dia de Santo Erasmo, mártir, e de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.
>> História feita a 25 de Novembro
1967 Cheias na região de Lisboa provocam 700 mortos.
1975 O Suriname, formalmente designado por Guiana Holandesa, torna-se uma república independente.
1975 Em Portugal, confronto político-militar que ficou conhecido por 25 de Novembro, tendo sido preso Otelo Saraiva de Carvalho.
1993 Manuel Lopes é considerado culpado no homicídio de João Champalimaud e é condenado a 18 anos de prisão.
1993 Júlio Pomar, pintor português, recebe o Prémio Montaigne 1993, atribuído pela Fundação FVS de Hamburgo.
1994 O jornal português O Independente revela que as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) repararam material de guerra para o governo angolano em 1993.
>> Hoje nasceu
1562 Lope de Vega, dramaturgo espanhol.
1638 Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra.
1835 Andrew Carnegie, filantropo e industrial norte-americano.
1844 Carl Benz, engenheiro e industrial alemão do ramo automóvel.
1845 Eça de Queirós, escritor português.
1915 Augusto Pinochet, ditador chileno.
1920 Ricardo Montalban, actor norte-americano.
Dia de Santo Erasmo, mártir, e de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.
>> História feita a 25 de Novembro
1967 Cheias na região de Lisboa provocam 700 mortos.
1975 O Suriname, formalmente designado por Guiana Holandesa, torna-se uma república independente.
1975 Em Portugal, confronto político-militar que ficou conhecido por 25 de Novembro, tendo sido preso Otelo Saraiva de Carvalho.
1993 Manuel Lopes é considerado culpado no homicídio de João Champalimaud e é condenado a 18 anos de prisão.
1993 Júlio Pomar, pintor português, recebe o Prémio Montaigne 1993, atribuído pela Fundação FVS de Hamburgo.
1994 O jornal português O Independente revela que as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) repararam material de guerra para o governo angolano em 1993.
>> Hoje nasceu
1562 Lope de Vega, dramaturgo espanhol.
1638 Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra.
1835 Andrew Carnegie, filantropo e industrial norte-americano.
1844 Carl Benz, engenheiro e industrial alemão do ramo automóvel.
1845 Eça de Queirós, escritor português.
1915 Augusto Pinochet, ditador chileno.
1920 Ricardo Montalban, actor norte-americano.
Eis um dia para relembrar... Se o vdlho Charles Darwin, o grande cientista, o navegador do "Beagle" que atravessou o mundo, não nos fizesse refletir um pouco, ainda estaríamos a viver as ilusões do fanatismo religioso. Que, aliás, continua matando em pleno século XXI postado por Walter Galvani em 24/11/02
CHARLES DARWIN PUBLICA
EM 1859
“A ORIGEM DAS ESPÉCIES’
UM LIVRO QUE MARCOU A
HISTÓRIA DA HUMANIDADE
Vejam os destaques do dia de hoje:
Criação do Zaire
Dia de São João Da Cruz
Dia da Festa de Cristo Rei
1632 – Nasce Baruch Spinoza, filósofo holandês
1642 – O navegador holandês Abel Tasman descobre a terra que se chamará no futuro Tasmânia
1859 – É publicado o livro “A Origem das Espécies” de Charles Darwin
1864 – Nasce Henri de Toulouse Lautrec, pintor francês
1868 – Nasce Scot Joplin, pianista e compositor americano
1929 – Morre o estadista francês Georges Clemenceau
1963 – Morre Lee Harwey Osvald, assassino presumido de Kennedy, morto por Jack Ruby, proprietário de um clube de strip-tease
1981 – A ONU reconhece o direito ao Timor de autodeterminação
1989 – O ex lider da Primavera de Praga, Alexander Dubcek aparece em público depois de 20 anos e faz discurso pela redemocratização
1995 – Morre o cineasta francês Louis Malle
Mortes por causa de Maomé... Mortes por causa de Jeová... Mortes por causa do Deus dos cristãos... Mortes por violência pura e simples, por fome, por ódio, por racismo. Será que o mundo não estaria precisando de parar para pensar um pouco ao menos ? Vejam as manchetes deste dia 23 de novembro de 2002: postado por walter em 23/11/02
MISS MUNDO SAI DA NIGÉRIA
ISRAELENSES MATAM FUNCIONÁRIO DA ONU
OPOSIÇÃO SE UNE A SADDAM HUSSEIN EM CASO DE GUERRA
ARGENTINA PÕE FIM AO “CORRALITO”
DIA DO ANIVERSÁRIO DE MANUEL DE FALLA, CRIADOR DA “DANÇA RITUAL DO FOGO”
DIA EM QUE SE DEU A MORTE DO ABÉ PREVOST (1763) E ANDRÉ MALRAUX (ESCRITOR FRANCÊS)
EM 1906, O TENOR ENRICO CARUSO É MULTADO EM 10 DÓLARES POR ASSÉDIO SEXUAL
Contemplem as manchetes de hoje, do dia e na História, e pensem alguns minutos sobre os absurdos que a espécie humana continua perpetrando, sem sequer fazer o que estamos propondo: parar para pensar, se é que alguns deles ainda pensam ou só seguem ordens ou as inspirações do seu fanatismo político, religioso, ou até esportivo... em alguns casos.
Hoje é o Dia do Música, mas tambem a data para relembrar o senhor do moderno Camelot: John Kennedy, assassinado há 39 anos postado por Walter Galvani em 22/11/02
CONSPIRAÇÃO?
Walter Galvani
Há 39 anos, parece mentira, isto foi no século passado, como as coisas ficam distantes. O tempo voa, com a multiplicação e intensificação dos meios de comunicação social, são tantos os fatos que nos são apresentados na bandeja diária, que um acontecimento desses nos parece ter ocorrido há meio milhão de anos... Pois, no entanto, foi há 39 anos que o presidente americano John Kennedy foi eliminado da cena com vários tiros. No primeiro momento noticiou-se que fora o feito de um atirador solitário – nos Estados Unidos, pátria da mão armada, sempre houve atiradores solitários, como se vê – aquele de nome Lee Harvey Oswald, e em plena Guerra Fria, um prato suculento.
O idiota havia morado na União Soviética, era um deslocado na sociedade americana, havia comprado a arma, enfim, todos os indícios apontando contra ele.
Hoje se sabe que se tratava de uma conspiração de Direita, bem mais à direita do que Kennedy estava, mas também isso ficou em nebulosa. Não há até agora nada esclarecedor, nenhuma pesquisa profunda trouxe revelações indiscutíveis.
E assim, vamos apenas assinalando que morreu num dia 22 de novembro de 1963, o 35o presidente americano, o jovem, belo e rico líder dos democratas.
A Direita voltou ao poder com Lindon Johnson, mas isto parece uma simplificação.
A História americana é bem mais complicada e menos dicotômica que se possa imaginar.
Pena, porque o dia também poderia servir para homenagear André Gide e Charles De Gaulle, que estariam de aniversário.
Ou homenagear os músicos. É dia de Santa Cecília, protetora da garganta, e portanto, hoje é o Dia do Músico.
Num dia 21 de novembro, em 1694, nascia Voltaire, grande filósofo e escritor francês. Quem gosta de escrever usando a ironia e conhece ou quer conhecer os seus perigos, leia "Candide". E não esqueçamos nunca a frase, talvez a mais famosa, do pensador francês: "Não concordo com nada do que dizes, mas defenderei até à morte, o direito que tens de dizê-lo!" Muita gente boa acabou na forca por dizer o que pensava ou por defender este direito inalienável dos humanos. postado por Walter Galvani em 21/11/02
O dia é de lembrar o grande Leon Tolstoi que abriu mão de tudo e tornou-se, também ele, um deserdado da sorte postado por walter em 20/11/02
A MORTE DE TOLSTOI
Walter Galvani
Foi assim, num dia 20 de novembro, num final de tarde, quando o parco sol esmorecia no horizonte, o inverno gelado se anunciava e a vida deixava de ter um pouco mais de brilho para a Rússia. Abandonado e esquecido de si mesmo, jazia num banco de madeira da estação de Astapovo, próximo à Iasnaia Poliana, o Conde Tolstoi, ou melhor, Leon Tolstoi, um dos maiores escritores da história da humanidade. O chefe da estação o recolheu e levou-o para seu próprio quarto, e a todo o momento repetia para os circunstantes:
“É Tolstoi! É o Conde Tolstoi! É o grande escritor!”
Não era isso que Leon Nikolaiewitch Tolstoi queria ser naquele momento e nem era isso que ele sabia que era. Ou melhor: ele nada mais sabia. Em primeiro lugar tomara aquele trem como um peregrino apenas, integrado numa missão religiosa queria sair da Rússia. Quando ele chegara aquele lugar, ainda pôde ouvir tanta coisa que, com um certo enfado o levaria a dizer, como última frase perceptível: “Deixe-me fazer uma advertência: Leon Tolstoi não é o único ser humano neste planeta. Até agora eu só ouvi você falando em Leon Tolstoi.”
Tolstoi, nascido a 9 de setembro de 1828, atravessara o século dezenove como um dos maiores intelectuais da Rússia, embora autodidata e aluno medíocre quando dos seus verdes anos. Aprendera russo, é claro, grego, hebraico, alemão, francês e inglês e ao chegar à idade avançada tinha uma biblioteca de 14 mil volumes.
Serviu ao exército, esteve na guerra da Criméia e mais tarde escreveu o maior libelo contra a guerra: “Guerra e Paz”. Também foi o autor de “Ana Karenina”, “Os cossacos”, “Ressurreição” e tantos outros livros importantes, entre esses o famoso conto “A morte de Ivan Illyich”.
Influenciou Gandhi e foi influenciado por Thoreau e Ralph Waldo Emerson, acreditava em potencialidades humanas imensas em Cristo, Buda, Maomé e Confúcio.
Era filho de um tenente-coronel, Nikolai Illyich Tolstoi e sua esposa, a princesa Maria Volkonsky Tolstoi. Casou-se com Sophia Bers, filha de um médico. Aos 71 anos, em 1901, foi excomungado pela Igreja Cristã Grega Ortodoxa, oficial na Rússia. Aos 80 anos, repartiu suas terras entre os camponeses pobres da região de Iasnaia Polyana e teve um longo desentendimento com sua mulher e seus treze filhos.
Ao longo de sua vida tornou-se um devotado pacifista, renunciando a qualquer tipo de violência e engrossando as fileiras dos defensores da desobediência civil. Ao morrer era o maior escritor da Rússia, o seu filho mais notável e um dos maiores do mundo em sua atividade que considerava uma espécie de missão.
Debilitado, doente, enfraquecido física e mentalmente embarcou em sua última viagem integrando uma caravana religiosa, para morrer na pequena estação de Astapovo, num dia 20 de novembro, em 1910. Não sabia mais quem era. Perdera a consciência total da sua dimensão humana.
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O poeta gaúcho Mário Quintana assim “pensou” Tolstoi:
POEMA DA GARE DE ASTAPOVO
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... E sorriu amargamente.
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um velho caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo tão sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe e até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!”
Um projeto de Teixeira Mendes, líder positivista, com a colaboração de Miguel Lemos, a bandeira brasileira hoje é um dos itens mais populares no mundo inteiro. Graças à diáspora brasileira acelerada em 1964, à expansão da popularidade do país através dos seus ídolos esportivos, no futebol e na fórmula 1, principalmente, e à dimensão do país e da população (mais de 170 milhões de habitantes) postado por Walter Galvani em 19/11/02
BANDEIRA, UM SÍMBOLO NACIONAL
Walter Galvani
Foi criada de um dia para o outro e apresentada no dia 19 de novembro de 1889, quando o movimento militar, comandado pelo General Deodoro da Fonseca e integrado por muitos civis que viam na República o símbolo da modernidade e do futuro, tinha apenas quatro dias de poder. Foi encomendada ao artista Décio Villares, que se desdobrou e produziu-a em apenas um dia de trabalho, procurando reproduzir o céu do Rio de Janeiro a 15 de novembro de 1889. Segundo os especialistas, numa visão invertida, mas explicável, demonstrando também o pensamento dos republicanos, que tinham um “céu idealizado” e de certa forma continuador da história. Não era para menos. A bandeira do império brasileiro fora criada pelo artista francês Debret, até hoje considerado um dos maiores nomes das artes plásticas do século XIX. Nela, dezenove estrelas honravam as 19 províncias de então. Nessa nova bandeira aos poucos foram se fazendo acréscimos. Hoje são 26 estrelas representando os estados e uma pelo distrito federal.
Houve a preocupação dos republicanos em não reproduzir a bandeira americana, com listras e estrelas, afinal a grande “república” que havia aqui nas Américas.
A disposição das estrelas explica também a presença do Cruzeiro do Sul que só é visto permanentemente ao sul do Equador e, portanto, invisível para os habitantes do norte do país, mas explicado pelos revolucionários como uma homenagem também à Cruz de Cristo que brilhava nas caravelas portuguesas que fizeram a descoberta oficial em 1500 e assim também lembrando que a constelação servira de orientação para os navegadores lusitanos. Na posição em que se vê o Cruzeiro do Sul na bandeira, portanto logo abaixo da linha central, bem alto no horizonte, só perto do amanhecer, durante o período de primavera e início de verão na altura do Rio de Janeiro.
Sobre as cores, que já figuravam na bela bandeira do império e permaneceram com a república, Dom Pedro I afirmava que o verde e o amarelo representavam “a riqueza e a primavera eterna do Brasil”.
O Hino à Bandeira foi composto pelo maestro Francisco Braga e tem letra criada pelo poeta Olavo Bilac.
A legenda, que sempre suscita muita curiosidade, pois é o Brasil dos raros países a ostentar uma em seu pavilhão, explicou o líder positivista Teixeira Mendes, um dos teóricos da República, em 1889, que o lema completo era “o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim.” Segundo ele, o objetivo do lema era mostrar que a revolução “não aboliu simplesmente a monarquia” mas que ela aspirava “fundar uma pátria de verdadeiros irmãos, dando à Ordem e ao Prrogresso todas as garantias que a história nos demonstra serem necessárias à sua permanente harmonia”.
Quando a bandeira republicana foi criada com o seu “céu idealizado” as estrelas representavam os vinte estados da república e o município neutro, do Distrito Federal, então o Rio de Janeiro, separado do estado do Rio.
“Salve lindo pendão da esperança
salve símbolo augusto da paz
tua nobre presença, a lembrança
da pátria nos traz!”
Versos iniciais do hino, de Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac, um dos maiores poetas parnasianos do Brasil (1865-1918) criador também, entre outros de famosos poemas como “Ora direis, ouvir estrelas e eu vos direi, no entanto, que muita vez desperto e abro as janelas pálido de espanto!”
Terminou a Feira do Livro de Porto Alegre ontem, domingo, com mais de 1.500.000 visitantes, quase 400 mil exemplares vendidos. A festa foi encerrada com uma entrega de troféus postado por Walter Galvani em 18/11/02
DESTAQUES CORREIO DO POVO
CGTEE E CÃMARA DO LIVRO
NA 48a. FEIRA DO LIVRO
DE PORTO ALEGRE
Praticamente todos os destaques escolhidos pelo Correio do Povo e a GTEEE-Eletrobrás e Câmara Riograndense do Livro, estavam presentes no Clube do Comércio domingo à noite, quando apresentei, a pedido dos colegas da Rádio Guaíba, a festa final. Houve surpresas: a melhor sessão de autógrafos foi do escritor Sérgio Faraco, tido geralmente como o “mestre do Conto” no Rio Grande do Sul, que apresentou um livro autobiográfico “Lágrimas na Chuva”, em que retrata o período em que viveu na antiga União Soviética, onde foi perseguido como alienado mental.
O país homenageado foi a Argentina, representado que foi por uma dúzia de escritores, mas na cerimônia final, pelo cônsul e as funcionárias da Câmara do Livro, Nóia Kern e Sônia Zanchetta receberam um destaque especial pelo magnífico trabalho que realizam o ano inteiro junto às escolas e instituições infantis, preparando os leitores do futuro que nos ajudarão a manter os padrões de “estado onde mais se lê no Brasil.”
A vencedora em ficção, Martha Medeiros, com seu livro “Divã” não pôde comparecer. Foi a única ausência notória. No mais houve presenças, até impressionantes...
O patrono da Feira, Ruy Carlos Ostermann, com “Felipão, a alma do Penta” ganhou em “não ficção” e houve ainda vários outros destaques.
Abri a apresentação, que se deu no Salão dos Espelhos do Clube do Comércio, com alguma palavras sobre o filósofo italiano Giovanni Pico della Mirandola que ontem estaria de aniversário... Eu falei então:
Em primeiro lugar, algumas palavras para assinalar a feliz coincidência de realizarmos este ato num dia 17 de novembro. Foi exatamente nesta data que nasceu há 559 anos, Giovanni Pico della Mirandola, que viria a ser o autor do “Discurso sobre a dignidade do homem”, o documento básico da Renascença, o mais belo movimento cultural da humanidade. Estamos sempre em busca de uma nova Renascença. A data é inspiradora.
Em seguida lemos a lista dos destaques com uma ou outra informação ou comentário, sobre as presenças ilustres, praticamente todas as autoridades locais importantes, o secretário da Cultura, Luiz Marques, o governador do estado Olívio Dutra, que é “doutor em Letras” e o governador eleito, atual deputado federal Germano Rigotto, bem como o vice-governador Antônio Hohlfeldt, homem notoriamente ligado à Cultura.
No encerramento, pedi licença para dizer duas palavras para, em meio à tantas presenças destacadas, assinalar duas ausências:
“Sofremos duas perdas muito significativas, esperamos que seus exemplos frutifiquem em outros tantos sucessores.
Primeiro foi Laury Maciel que nos deixou. Na certa ele hoje estaria aqui conosco, pois além de escritor de reconhecida qualidade era amigo dos livreiros e dos editores e por certo dos seus colegas escritores e dos jornalistas.
O criador de “Noites do Sobrado”, “Rosas de papel crepom” e “Pedra dos anjos” entre outros títulos, nos deixou na certa a sua séria contribuição “como cronista de uma pequena civilização , originária da média propriedade rural açoriana” como assinalou Sergius Gonzaga e fiel à idéia de Tolstoi, afinal “cante tua aldeia e serás universal!”
Depois, ironicamente em plena Feira do Livro, depois de haver sido alvo de uma válida homenagem e agora se vê, não fora de hora, Júlio Petersen.
Dono de uma história singular, era ele o maior bibliófilo rio-grandense e fica a sua coleção como um desafio aos poderes públicos para que, em nome do povo, façam uma necessária desapropriação por interesse coletivo. Sua fantástica biblioteca abriga praticamente tudo o que de importante se editou sobre o Rio Grande do Sul. E acresça-se o detalhe humano da sua carreira esportiva. Foi ele um dos maiores jogadores de futebol do Rio Grande, um talento, um grande goleiro que foi capaz de jogar nas duas principais agremiações e passar do Internacional para o Grêmio sem deixar suspeitas nem desacordos. O Inter liberou-o por que não tinha recursos para pagar a operação que necessitava ser feita em sua mulher. Julio passou um ano sem jogar e com o atestado liberatório firmado por seu clube, procurou o rival, que tinha meios, o Grêmio. A operação foi feita, sua esposa recuperou-se e Julio voltou a jogar, aplaudido pela nova torcida, mas nunca vaiado pela antiga. Outros tempos. Este cavaleiro de outros tempos faleceu no dia 9 de novembro. Recebe aqui nossa homenagem e nossa saudade.
E finalmente, a nossa satisfação em nos encontrarmos aqui entre alguns representantes dos 80 mil porto-alegrenses que lêem mais de trinta livros por ano.”
Há 559 anos, precisamente, nascia Pico della Mirandola. Está vivo no maravilhoso Manifesto do Renascimento postado por Walter Galvani em 17/11/02
O DISCURSO SOBRE A
DIGNIDADE DO HOMEM
Walter Galvani
Pico della Mirandola nasceu no dia 17 de novembro de 1463. Se fosse nos tempos atuais, teria tudo para atravessar o grande momento dos Descobrimentos (e ele alcançou de fato, 1492, mas faleceu dois anos após), entrar no século XVI e quem sabe ? – durar até o advento da Reforma. Mas, ele viveu aqueles anos efervescentes que serviram de caldo de cultura para o Renascimento e cunhou o documento básico, ainda hoje visto como o verdadeiro “Manifesto” do momento histórico.
Escrito em 1486, o “Discurso sobre a dignidade do homem” contém de fato a exaltação da criatura humana como criatura livre e capaz de conhecer e dominar a realidade inteira. Além de tudo isso, o “Discurso” fala do objetivo do homem que deve perseguir o próprio destino, com um percurso que move da autodisciplina a moral, atravessa a pluralidade de imagens e saberes, e tende à meta mais alta, não representável concretamente, mas sim como um objetivo a alcançar.
O interesse atual do “Discorso sulla dignità dell’uomo” está contido na sua afirmação de que a natureza humana, indeterminada e débil de per si, se realiza e se identifica através da realidade múltipla das culturas humanas: todas as culturas constituem uma via diversa, mas, em sua essência, função e estrutura, idênticas. De onde há inclusive a possibilidade da concórdia e dos fundamentos da paz, através da cultura.
Mais do que atual em dias de Israel, Palestina, Iraque, China, Taiwan, Vietnam, Colômbia, Cuba, etc. e tal.
É hoje o aniversário de Pico della Mirandola, nada melhor do que refletir um pouco, homenageando o homem que criou o Manifesto da Renascença, o mais belo movimento intelectual da humanidade.
Vamos comemorar hoje e bem, os 80 anos de José Saramago, que deu à língua portuguesa, a sexta mais falada do mundo, a condição de destaque de Prêmio Nobel de Literatura, o primeiro da nossa língua postado por walter em 16/11/02
LÍNGUA PORTUGUESA COM CERTEZA
Walter Galvani
José Saramago comemora hoje 80 anos e trabalhando exemplarmente, para ninguém venha dizer que “faça-se a fama e deita-se na cama”... Ele estará apresentando hoje em Lisboa e no Brasil, seu novo livro, “O homem duplicado”. Fala-se em clone, mas não se trata de clone como a medicina moderna ajudou a espalhar a idéia, é uma questão de identidade, muito mais em jogo do que uma repetição orgânica.
Quem conhece Portugal sabe a lenda: Saramago é mais conhecido como “sal amargo” do que Saramago, a simpática verdurinha que brota nos campos de sua terra natal.
Bem, fica difícil classificar de verdurinha um capim bravo... Mas, para figura de estilo, vá lá!
Acho que o mais importante é extrairmos a lição que nos dá um homem que chega aos 80 anos com saúde de ferro e uma dedicação ao trabalho que mataria de inveja seus contemporâneos que já se foram e os jovens que andam por aí.
O que faz um escritor ? Escreve. É o que faz Saramago, por mais curial que isto vos pareça.
Ele senta-se ao computador, em meio às inúmeras viagens que teve de fazer a partir do Prêmio Nobel de Literatura que conquistou com os seus méritos, na ilha espanhola vulcânica de Lanzarote que escolheu para morar e lá se dedica a redigir seus textos. Escreve, não gosta de pontuar com o comum dos mortais, reescreve, corta, emenda, recomeça e finalmente entrega os originais à editora. Via e-mail como o fazem agora todos os autores que já tenham, porventura, o beneplácito de uma editora. É sorte. E é trabalho também.
Em Lisboa, Saramago será editado pela Caminho e o lançamento do livro está previsto para uma cerimônia hoje no Hotel Altis. No Brasil, a Companhia das Letras terá o privilégio de apresentar o novo livro que, na certa, se incluirá logo na lista dos “best sellers”, disputando presença com os Harry Potter, Tolkien, Paulo Coelho e tudo o mais que se acumula, do lixo ao razoável, do bom ao extraordinário, que a leitura é feita de todo este tecido.
Eu mesmo, leitor assíduo, em razão da Feira do Livro de Porto Alegre, onde ocorreram 560 lançamentos no mínimo, fora o que veio de fora, estou em meio à esta invasão de papel, selecionando meus minutos de vida inteligente, (raros nos tempos que correm...) para me dedicar a uma ou duas escolhas mais permanentes.
Mas, já estou ansioso por ler o novo Saramago. Ao contrário de muitos, gostei do último, “A Caverna”, que achei com lances geniais e momentos brutais.
Mas, “O Homem Duplicado” está chegando. Saramago será homenageado hoje no “Festival Sete Sóis Sete Luas” em Santa Maria da Feira, Portugal.
O romance sairá em espanhol em Janeiro, com lançamento em Madri e em março na Itália.
A revista literária americana “Kirkis Reviews” disse que José Saramago é “o melhor, senão o único romancista vivo do mundo” e o editor Zeferino Coelho se encarregou de dizer que o novo livro de Saramago é “como um soco no estômago” e também “o mais violento”. E na certa, espera-se que ele não se engane, “o melhor”. Melhor que “O ensaio sobre a cegueira”, melhor do que “A jangada de pedra”, enfim, o melhor de todos.
E deseja-se que continue a trabalhar até os noventa anos.
Para nós os que trabalhamos com a língua portuguesa, “mal rompe a manhã” como diria o centenário Drummond de Andrade, ficamos agradecidos que alguém continue a bater com o martelo e a pá na pedra bruta da criação, tirando faíscas das estalactites e estalagmites.
Aniversário de Tiberio, o imperador que está sepultado na chamada Isola Tiberina, no centro de Roma, no caminho para o Trastevere e habitou muitos anos em Capri. Ele morreu há 2044 anos e seu nome não é esquecido. Boa dica para os "imortais" de hoje em dia... Façam alguma coisa, nem que seja como "imperadores" do samba... Em todo o caso, é bom lembrar que o maior império que já houve sobre a terra, também acabou... postado por walter em 16/11/02
16
Dia de Santa Margarida da Escócia, rainha e de Santo Edmundo, arcebispo da Cantuária
42 a . c. – Nasce Tibério, imperador romano
1272 – Morre Henrique III, de Inglaterra
1869 – Abertura do Canal de Suez, que demorou dez anos a construir
1904 – Assinatura do II Tratado de Windsor entre Portugal e Inglaterra
1913 – É publicado em Paris o primeiro volume de “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust
1922 – Nasce José Saramago, escritor português
1925 – Morre Carolina Michailis de Vasconcelos, escreitora, filólogoga e professora universitária portuguesa
1953 – Morre o poeta brasileiro Jorge de Lima
1992 – É apresentado o novo catecismo católico que é mais tolerante com os homosexuais e condena o uso de drogas
1993 – Autoridades russas fecham o mausoléu de Lenine
Sempre é interessante dar uma olhada no que a História registra. Qualquer dia é dia. Até de assinalar a elevação de uma aldeia à categoria de vila... ou lembrar a morte de um grande compositor postado por Walter Galvani em 14/11/02
Hoje, 14 de novembro
Dia de São José Pignatelli, bispo
1716 – Morre Gottfried Leibniz, filósofo alemão
1770 – Explorador James Bruce descobre a nascente do Nilo Azul, a nordeste da Etiópia, considerado então o maior afluente do Nilo
1822 – Porto Alegre é elevada à condição de vila
1831 – Morre Georg Hegel, filósofo alemão
1839 – Nasce o romancista português, Júlio Dinis, autor de “As pupilas do senhor reitor”
1840 – Nasce o pintor francês Monet
1866 – Morre Dom Miguel, irmão de Dom Pedro I do Brasil, e que governou Portugal por seis anos, de 1828 a 1834 até ser derrubado pelo irmão que se tansformou em Dom Pedro IV de Portugal
1889 – Nasce Jawarlal Nehru, futuro primeiro ministro indiano, sucessor de Gandhi
1925 – Primeira exposição dos surrealistas em Paris, com obras de Max Ernst, Man Ray, Joan Miró e Pablo Picasso
1930 – É criado o Ministério da Educação pelo governo de Getulio Vargas
1946 – Morre Manuel de Falla, compositor espanhol, autor de A dança ritual do fogo
Até quando ? Quosque tandem abutere pacientia nostra, Catilina? postado por walter em 13/11/02
A BARGANHA IRAQUEANA
Walter Galvani
Chega a ser ridículo, se não fosse trágico, o que acontece no Mundo e de um modo especial com relação ao Oriente Médio. Lá onde vivem algumas das populações mais carentes da face da terra, é justamente lá que os cães da guerra arreganham os dentes, ferozes, e se fala numa possível hecatombe, indiferentes ao destino dos pobres e dos excluídos. Parece mentira, mas é exatamente lá, entre os rios Tigre e o Eufrates, na Mesopotâmia, onde se originaram as civilizações relatadas na Bíblia, no Torah e no Alcorão, justo onde os homens se dizem adoradores de um único deus, é justamente ali que eles não se entendem e se arrojam, reciprocamente, os dardos da indignação e da revanche. E é justamente ali, em meio à luxuriante paisagem dos oásis, sobre o solo rico do petróleo, ainda o mais precioso dos bens do subsolo e que na certa o será até à metade deste século, pois é onde se pretende ferir uma batalha final entre Alá, Jeová ou Cristo e Belzebu, Lúcifer, e seus asseclas.
É onde a ONU parece perder sua força, pois seus comunicados não são acatados pelo congresso iraqueano, assim como seus conselhos não são aceitos pelo presidente Bush, representante da “civilização cristã e ocidental”, dos Estados Unidos da América.
Cansei. Pessoalmente estou exaurido, angustiado, devastado. Não tenho mais forças para reclamar, protestar ou esperar ser escutado por alguém com os ouvidos limpos e a mente sã.
Querem a guerra.
Vamos ver se Saddam Hussein é o último reduto da racionalidade sobre aquele pedaço ensandecido da terra. Até sexta-feira ele tem prazo para responder se aceita mostrar seu armamento e assim demonstrar que não quer a destruição em massa de nenhum povo. E tampouco do seu próprio povo.
Pobre Iraque, pobre Estados Unidos da América.
Ninguém sairá de mãos limpas deste conflito, nem sei se alguém sairá.
Que Alá nos proteja, Deus nos abençoe e que Jeová providencie “shalon” para todos.
Porto Alegre vive um momento excepcional, com grande número de promoções, com a Feira do Livro em andamento, com a inauguração do Museu Açoriano e o lançamento da revista da AJURIS, "Cadernos de Literatura" postado por Walter Galvani em 12/11/02
UM MUSEU AÇORIANO
NUMA CIDADE AÇORIANA;
PORTO ALEGRE
Walter Galvani
Inaugura hoje no final da tarde, o Museu Açoriano Sul-Riograndense, sob a direção de uma especialista, Lézia Cardoso de Figueiredo. A abertura da nova casa integra o III Encontro de Museus Luso-Brasileiros que se encerra amanhã e comemora os 250 anos da colonização açoriana do sul do Brasil.
Porto Alegre como cidade, nasceu da chegada dos casais açorianos, para cá enviados pela coroa portuguesa para “colonizar” a região. Era uma forma de ocupar a zona que do outro lado do grande lago dava início aos pampas, aos campos neutrais mais ao sul, na margem esquerda da lagoa dos Patos e assinalava um ponto importante a ser povoado entre as cidades portuguesas de Laguna (hoje em Santa Catarina, então ponto de inflexão da linha oficial de Tordesilhas) e Colônia do Sacramento, velho sonho luso, diante de Buenos Aires, à beira do Prata.
O desenvolvimento extraordinário da cidade estrategicamente situada à beira do estuário de vários rios importantes, então a única forma de comunicação com o interior da província, tornou-a capital inconteste do Rio Grande de São Pedro, o Continente, ou hoje chamado, Rio Grande do Sul, como estado da federação brasileira.
Durante estes dois séculos e meio, a vida e os costumes açorianos implantaram um sistema cultural com os valores transmitidos por nossos antepassados do arquipélago dos Açores.
O museu estará instalado no mesmo prédio do Instituto Cultural Português, na rua Plácido de Castro, 154, bairro da Azenha, um dos mais tradicionais bairros da capital gaúcha, justamente a que reproduz em sua denominação um engenho também muito típico, um moinho movido à água.
Como muito acertadamente diz Lézia de Figueiredo, a diretora, “será um museu que resgate a herança cultural deixada por aquele povo, o verdadeiro herói anônimo que ajudou a construir a história gaúcha”.
Na velocidade do dia a dia, as pessoas vão ficando para trás. Morreu sábado de madrugada um dos maiores bibliófilos rio-grandenses e, além disso, um dos seus maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Praticamente não houve registro nos meios de comunicasção postado por Walter Galvani em 11/11/02
TRINTA SEGUNDOS
DE SILÊNCIO POR
JÚLIO PETERSEN
Walter Galvani
Antes do jogo entre Juventude e Internacional, o árbitro determinou um minuto de silêncio. Jogadores perfilaram-se no gramado, o público serenou, embora não tenha calado de todo, nas arquibancadas e trinta segundos depois, como é usual nestas oportunidades, todos voltaram à normalidade, pararam de bancar estátuas e o juiz apitou iniciando a partida.
Era indispensável, mas é pena que ninguém praticamente sabia a quem e porque se homenageava.
Na Feira do Livro deveriam ter feito não um minuto, mas ao menos uma hora de silêncio e ainda há tempo para prestar-lhe uma homenagem, nesta edição, não é preciso programar para o ano que vem.
Morreu Júlio Petersen.
“Cidadão de Porto Alegre”, um dos maiores bibliófilos de todos os tempos, dono de uma imbatível coleção sobre o Rio Grande do Sul, temas gaúchos, autores gaúchos e ainda, nos anos trinta e quarenta, um dos mais bem sucedidos jogadores de futebol. Era goleiro e dos muito bons. Primeiro jogou no Inter, integrando o inimaginável primeiro “Rolo Compressor”, ao lado de Alfeu, Nena, Villalba, Tesourinha. Depois, afastou-se dos treinos e dos jogos por mais de um ano, para cuidar de sua mulher, que adoecera. Como ela precisava fazer uma operação caríssima, o Inter resolveu liberá-lo, permitindo que ele buscasse outro clube, que pudesse ajudá-lo.
Ele encontrou o apoio justamente no maior adversário do Inter, o Grêmio Porto-alegrense, para onde se transferiu, passando a integrar uma das maiores equipes que o aquele importante clube gaúcho montou, formando ao lado de Clarel e Joni, Touguinha, Sanguinetti, Cordeiro, Beresi, Geada, Prego e outros grandes jogadores.
Nunca ninguém foi capaz de colocar qualquer reparo à sua conduta de grande goleiro, tanto num quanto no outro rival e encerrou sua carreira brilhante, um pouco mais adiante, quando se sentiu sem forças para continuar.
Mas, desde seus tempos de jogador colecionava livros, recolhia títulos que lhe interessavam para montar sua biblioteca. E aos poucos foi se transformando num ponto de referência, num nome indispensável para quem pretendesse pesquisar algo da história do Rio Grande do Sul. Numa edição recente da Feira do Livro, expôs parte do seu acervo e foi homenageado e alvo de debates.
Sábado de madrugada, Júlio Petersen partiu, cumprindo a etapa “mais certa que temos”, conforme costumava dizer.
Esperamos que o seu acervo, protegido e valorizado, se torne num dos novos pontos de destaque da capital gaúcha, devidamente amparado pelo Estado e colocado à disposição da comunidade, no futuro, depois da avaliação, restauro do que for necessário e proteção de que careça.
Por um instante, pelo menos, vamos sepultar nossas ridículas reservas e nossas picuinhas postado por Walter Galvani em 10/11/02
O PACTO SOCIAL
Walter Galvani *
O PT e Lula, Lula e o PT, não importa em que ordem, estão trabalhando, no ritmo mais acelerado que se possa imaginar numa situação dessas, para fechar um “pacto social” capaz de operar alguns milagres imediatos, a partir do primeiro dia do mês de janeiro de 2002. O apelido dado ao acordo é “Pacto Social”, porque o termo é cerimonioso, implica no estabelecimento de uma relação de compromisso entre os diversos setores da sociedade e redistribui em partes e pesos iguais, a responsabilidade.
Com o “Pacto Social” firmado não poderemos ter “oposição sistemática”, bloqueio aos projetos governistas por motivos políticos, ao mesmo tempo em que se chama todos os segmentos sociais, organizados ou não, sejam partidos, Ongs, governos estaduais, municipais, senadores, deputados, vereadores, sem-terras, com terras demais, CUTs, federações de comércio, indústrias, aposentados, igrejas, magistrados, traficantes, bandidos e ladrões, para darem a sua indispensável contribuição para a paz na sociedade brasileira.
Lula não disse, mas imaginamos que ele quer que se possa novamente sair à rua com tranqüilidade, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer ponto de qualquer recanto urbano ou rincão rural, que não seja necessário ultrapassar sinal de trânsito fechado, por medo de assaltos e que não se tenha mais, diariamente, como uma notícia inútil e rotineira (que nem mais notícia é) rebelião em presídios, seqüestros relâmpagos ou tempestades financeiras. E mais: que a longo prazo seja diminuído o número de presos, que se afrouxem os problemas de segurança. Crimes, só passionais.
E como um grande corolário de todo esse drama que vive um país reconhecido como “ideal para se viver”, por imigrantes de todo o mundo que nos procuram, não tenhamos mais nenhum habitante deste território mítico, passando fome.
Foi em nome desta utopia que os portugueses deixaram “a ocidental praia lusitana” no final do século XV, buscando a paz, a tranqüilidade, o equilíbrio social, uma terra sem males. E é em nome desta utopia que estamos lutando durante estes quinhentos anos. Já experimentamos de tudo, desde colônia até império, hoje somos uma república. Democracia, ditadura, regime parlamentarista, presidencialista, por tudo passamos, curtindo nosso couro. Tivemos oligarquias no poder, família real, partidos liberais, conservadores. Mas, de fato, nunca tínhamos tido a experiência de colocar no cargo máximo da nação um ex-torneiro mecânico liderando um partido que se anuncia como de esquerda, sem dúvida moderada, sob a sigla de PT, dizendo Partido dos Trabalhadores. O próprio Partido Trabalhista Brasileiro, fundado por Getúlio Vargas beliscou o poder, sob a égide do fundador e de seu discípulo e seguidor João Goulart, mas sempre repartindo com o PSD, que queria dizer com clareza “Partido Social Democrático”, ou seja uma reunião de forças de Centro e Direita, dentro da história própria da política brasileira, o que garantia a vigência de um certo pacto de governabilidade. Quando a balança inclinou-se por demais para o lado da Esquerda, tivemos um golpe de Direita.
Um Brasil sem fome, com equilíbrio político, sem ameaça de golpe no panorama da democracia invejável que hoje desfrutamos, para a qual tantos colaboraram é um desafio perante os números que apontam um crescimento de 44 por cento da pobreza na América Latina. Reverter estes números, pelo menos na parte que nos toca, é o desafio dos subscritores do Pacto Social.
* Esta crônica foi originalmente publicada no ABC DOMINGO, que circula na região metropolitana de Porto Alegre, com sede em Novo Hamburgo, neste domingo, dia 10 de novembro
Moacyr Scliar teve uma idéia plagiada, copiada, ou pelo menos usada como inspiração. O resultado deu o prêmio Booker Prize a um jovem autor canadense. Moacyr Scliar, num gesto de grandeza, não processará ninguém. Mas, também não precisava incomodar-se tanto... postado por walter em 08/11/02
SCLIAR, LITERATURA, CANADÁ, BRASIL, AVIÕES
Walter Galvani
Para quem não está acompanhando, saiba que a polêmica em que tentaram envolver o escritor Moacyr Scliar está caminhando perigosamente para criar, por interesses de “media”, inveja, ignorância e, sem dúvida, dinheiro, com o premiado pelo “Booker Prize” do ano, Yann Martel, canadense, autor de “Life of Pi” (A vida de Pi), um caso internacional.
O desejo - e está na manchete do principal jornal canadense – é misturar literatura com os interesses da EMBRAER e a Bombardier, como se sabe duas concorrentes na produção de aviões.
O livro de Moacyr Scliar, “Max e os felinos”, no conto “O Jaguar e o Escaler”, publicado no Brasil em 1981 e nos Estados Unidos em 1990, Moacyr conta a história de um jovem judeu, náufrago, que tem que dividir seu espaço com o simpático e perigoso felino... É bem possível que dele tenha tomado conhecimento Yann Martel, pela tradução americana, embora seja franco-cana