Terça, 07 de Setembro de 2010

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grama apresentado.



A partir de amanhã, só eleições no Brasil. Lembrando que os candidatos do PT precisam ganhar no primeiro turno, pelo menos Lula para a presidência e Tarso Genro no Rio Grande do Sul, porque senão os derrotados se reunirão contra eles e... no segundo turno não sei o que acontecerá... O mais provável será então uma nova vitória do Centro. Ou Centro-Direita? postado por walter em 22/09/02

DUAS SEMANAS

Walter Galvani *

Amanhã começa a Primavera, sempre “a mais bela estação do ano”, amanhã começa a penúltima semana antes das eleições gerais do Brasil. Vamos renovar tudo. De deputado estadual a presidente, passando pelo governo do estado, deputado federal e senador. E depois disso não poderemos mais ficar reclamando. Serão escolhas populares, o provérbio romano é mais do que antigo “vox populi, vox dei”, ou seja, “voz do povo, voz dos deuses”, tão antigo quanto o plebiscito, criação romana também quando, o nome o diz, a plebe podia opinar. Estamos portanto diante de um plebiscito. Nós, da plebe, poderemos aproveitar o espírito e o ar de liberdade desta primavera e opinar sobre o futuro do país, elegendo nossos representantes.
Bem, se existir alguém para dizer que não teremos voz ativa e que estaremos votando em que nos apresentam, diremos que assim é e tem sido, também desde os tempos do império romano. Afinal, alguns cidadãos melhor preparados, equipados, armados ou endinheirados é que se apresentam. Teoricamente eles trazem como sua cara a representação partidária. Eles querem dizer alguma coisa e mesmo que você não vote em homem, mas num lobisomem da vida, você estará fazendo uma escolha.
Assim é e tem sido. E provavelmente continuará sendo até que se invente outra forma de votação. Quem sabe via Internet? Já estamos chegando à perfeição da urna eletrônica, imitada no resto do mundo, assombrado com o progresso e a tecnologia do Brasil.
Não podemos dizer que não tivemos tempo de escolher nossos candidatos, mesmo porque ainda há tempo de decidir. Nestas próximas duas semanas, decisivas, estabelecerão os indecisos para que lado vão.
E para que lado irá o país?
Na França, diz-se que os franceses elegem com a mão esquerda os seus representantes que governarão com a mão direita... Aqui no Brasil, todos são centristas. Os candidatos, qualquer que seja sua tiragem, declaram-se sempre como de Centro, ninguém quer ser de Direita ou de Esquerda, ambas anatematizadas pelo passado golpista de um e de outro lado. O século vinte não foi lá muito limpo em seu comportamento...
Mas se você olhar bem o programa dos partidos e imaginar que percentual lhes será possível aplicar, verá que é uma sábia decisão do povo brasileiro mostrar-se hesitante ou escolher o candidato pela pessoa, não pelos partidos... É que as semelhanças entre eles são tão grandes, que todos parecem ter uma cara só. Examinem quem está no PPS, que é o antigo partido comunista e quem está no PSDB, no PPB ou no PMDB, este o antigo grande estuário anti-golpistas, aquele o ninho dos conservadores mais reacionários e aquele outro ainda mais revolucionário que Fidel Castro... E assim você vai olhando e descobre que o melhor mesmo é votar no vizinho, no amigo ou no conhecido.
Em todo o caso sempre há chance em votar em quem até aqui sempre foi honesto.
Pelo menos isto temos que nos assegurar, considerando que um país imenso como o nosso, com um território cobiçado pelas grandes potências e um mercado interno de mais de 170 milhões de habitantes, apesar de toda a exclusão social, tem que ser governado por patriotas dignos. E, além disso, há um provérbio também latino... “cada povo tem o governo que merece”. Às vezes achamos que não merecemos tão pouco. Mas é o que temos.

* Publicado na edição de hoje, domingo, 22 de setembro de 2002, no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, que circula na região metropolitana de Porto Alegre, RGS, Brasil


Os cuidados com a saúde devem ser intensificados. E o dia de hoje é bastante oportuno para lembrar um dos maiores problemas da humanidade cuja média de idade aumenta sem cessar postado por Walter Galvani em 21/09/02

DIA MUNDIAL DO
MAL DE ALXHEIMER


Walter Galvani


Em todo o mundo, a Medicina assinala hoje como o “Dia Mundial do Mal de Alzheimer”. Em geral menosprezada em suas manifestações mais precoces, acaba sendo preterida e atacada somente quando se torna irreversível sua marcha fatal, esta doença afeta hoje no mundo cerca de 25 milhões de pessoas, uma das formas mais violentas de demência senil, que conduz à deterioração completa da memória e da consciência, sendo que até 2050, serão 45 milhões os doentes diagnosticados.
Em países mais desenvolvidos há entidades que tratam da terrível doença, que foi identificada pelo médico austríaco Alois Alzheimer em 1907. O bom apoio medico a partir da identificação é apontado como a melhor maneira de enfrentar a doença que acaba por envolver também a família, os “cuidadores” do doente.
Há casos famosos: Ronald Reagan, Frank Sinatra e, mais recentemente, Charlton Heston e o jogador de futebol brasileiro Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta.
O doente de Alzheimer masculino tem, em média, 70 anos e soube da doença em torno dos 56, bem mais cedo do que as mulheres que, em média diagnosticada a patologia entre os 62 e os 65.
A doença se manifesta inicialmente por falhas severas da memória que se intensificam e chegam a alcançar a perda total da identidade.
É um problema seríssimo que crescerá à medida que a população avança em idade. Os médicos garantem que ao chegar aos 90 anos, nos termos atuais, 90 por cento da população mundial estará afetada.

O significado da Revolução Farroupilha, um movimento que quis tornar o Rio Grande do Sul de província do império brasileiro num estado internacionalista e republicano com Garibaldi e os ideais da Revolução Francesa de 1789 postado por walter em 20/09/02

FERIADO REGIONAL
DO DIA 20 DE SETEMBRO

Walter Galvani

O Rio Grande do Sul, estado mais meridional do Brasil e um dos últimos a ser conquistado, resultado da expansão portuguesa no século XVIII, foi alvo de uma tentativa de implantação de uma república em 1835. Era o terreno favorável ao florescimento das idéias liberais propagadas pela Revolução Francesa, campo de ensaio para os socialistas italianos representados por figuras como Giuseppe Garibaldi e os jornalistas Tito Lívio Zambeccari e Luis Rossetti, que aqui encontraram um caldo de cultura favorável, pelas discriminações econômicas que a então província do império brasileiro sofria do poder central. O centralismo do governo brasileiro, as dificuldades do charque, a grande indústria da zona sul da província, o desejo de independência, o sonho da república, tudo isso desembocou no espírito de 35, nascendo a Revolução Farroupilha. Na bandeira, o lema francês atualizado para o Brasil: “Liberdade, Igualdade, Humanidade”.
O Rio Grande do Sul lutou dez anos contra o império e perdeu. Vitórias parciais: promessa de revisão da questão econômica do charque e incorporação dos oficiais ao exército imperial, nas mesmas patentes que tinham quando da militância entre os farrapos.
Hoje, 157 depois, o estado do Rio Grande do Sul mantém o lema em sua bandeira, o hino farroupilha oficializado como o seu, o dia 20 de setembro, data da queda de Porto Alegre em mãos dos revoltosos em 1835, como o feriado oficial. Quer dizer: o mecanismo do estado apropriou-se do espírito, da data, dos feitos farroupilhas. Mesmo que no resgate da grande guerra civil que durou dez anos se comprove que não era propriamente um movimento popular, mas sim de grandes coronéis, estancieiros e criadores de gado, que puseram seus escravos a lutar pelos mesmos ideais com a promessa de liberdade, e em defesa dos interesses também de uma indústria nascente.
Nesta hora, contudo, de pregar a valentia, o espírito de luta, a grandeza de ânimo, a inspiração democrática e moderna para a época, a influência da grande revolução liberal da França, a oportunidade de mostrarem os gaúchos, como está escrito no seu hino “valor, constância, nesta ímpia e injusta guerra” e de “servirem de modelo a toda a terra”, vale tudo.
E é neste vale tudo que estamos empenhados neste dia 20 de setembro de 2002, portanto 157 anos depois dos feitos.
São ideais do século XIX que até hoje nos unem por hábeis cordões políticos à França liberal, à Itália reunificada com Garibaldi e Cavour.
E um desejo subjacente de sermos “modelo à toda a terra”...
Por todas estas razões, as festas, o andar “pilchado” nas ruas, os desfiles. Ou seja usar as vestes e as idéias de 1835. Está na moda...


Angústia, expectativa, incerteza, insegurança, eis o que sentimos hoje postado por walter em 19/09/02

ESTADO DE ALERTA

Walter Galvani


“Inspeção sim, guerra não!” – bradavam patriotas americanos ontem, diante do Congresso em Washington, o que não demoveu, nem comoveu, o presidente Bush e seus “gaviões” que querem a ação unilateral do seu país, com a Grã Bretanha como caudatária, para o esmagamento de Saddam Hussein.
De xerifes, os americanos evoluíram para donos do mundo e querem dar uma demonstração de força que compense o desgaste da derrubada das Torres Gêmeas e o ataque ao Pentágono, antes tidos como inexpugnáveis representações do seu poderio.
O que eles pretendem deixar claro é que não se permite nenhuma discordância, nada que ponha em causa a sua superioridade. Não seria necessário. Com a globalização da economia, com o crescente interesse dos países em se situar como vendedores para o maior comprador e am alguns casos, único consumidor, é preciso estar bem com os Estados Unidos.
Houve uma involução da situação daquele país perante o mundo desde o fim da II Guerra Mundial. Apesar do uso da bomba atômica sobre cidades japonesas, o sacrifício de milhares de civis, o conflito acabou com o povo americano visto como salvador, artífice da paz e sustentador da liberdade.
Depois veio o Plano Marshal, de reconstrução da Europa, e mais ainda se intensificou a admiração pelos ianques. Da mesma forma funcionaram os chamados planos de Boa Vizinhança para a América Latina. Outros tempos, no entanto, chegaram. Uma pesquisa mundial poderia fornecer com exatidão o que se pensa sobre eles hoje. Na certa, não é amor ilimitado.
Paralelo a isso, contudo, persiste a admiração pela capacidade de trabalho, a eficiência, a defesa da democracia e liberdade de expressão, internamente pelo menos, e estes talvez sejam os maiores motivos que ainda sobrevivam.
No entanto, o desejo de ação guerreira como única via, se não for uma estratégia diplomática, ou seja, ameaçar com os canhões para poder impor seus desejos, algo como o direito da força, parece ser a visão do governo americano.
A instabilidade perturba o mundo inteiro. O mercado econômico mundial aliás assim se comporta. O dólar, no Brasil, não vai se situar abaixo de 3,60 antes do final do ano.
De olho no mundo, com a atenção voltada para Washington. Assim passaremos as próximas horas. De angústia.



Quem acredita em bom jornalismo precisa conhecer bem um dos ícones: The New York Times, o aniversariante do dia postado por walter em 18/09/02

151 ANOS DE UM JORNAL.
MAS QUE JORNAL!

Walter Galvani


A data de hoje assinala o início da circulação de um dos empreendimentos mais bem sucedidos na área de comunicação social: THE NEW YORK TIMES.
Influente e respeitado, popular e prestigioso, com o seu sucesso foi um dos elementos de propagação de ume estilo americano de fazer jornalismo, baseado nos preceitos de fidelidade aos fatos, objetividade, resposta aos famosos quesitos básicos dos “quem, o que, onde, quando e porque”, foi seguido e copiado no mundo inteiro.
Embora tenha demorado um pouco a chegar ao Brasil, seu estilo de jornalismo acabou predominando no final do século XIX, gerando uma repercussão que se tornou permanente e atravessou a entrada do século XX e chega até nossos dias.
Com diferenças e deturpações, com mudanças com relação aos propósitos originais e com interpretações regionais ou locais, é claro, na verdade o objetivo de todo o pequeno veículo que se funda pelo Brasil afora e pelo mundo ocidental inteiro, tem na sua pedra fundamental, como modelo, o “The New York Times”.
Sua tiragem hoje, não é a maior do mundo. Passou pouco do milhão de exemplares, mas cada exemplar seu, lido em média por cinco pessoas, atinge uma elite do mercado intelectual, social, econômico e cultural nos Estados Unidos e mesmo fora dele, por seu sistema de assinaturas e outros meios de difusão como, de dez anos para cá, a propagação pela Internet.
Reflete em certos momentos a opinião americana, mas não quero isso dizer a do governo dos Estados Unidos e em não poucos momentos históricos a ele se opôs.
Nas campanhas eleitorais do seu país, num procedimento que talvez fosse inacreditável no Brasil, escolhe o seu candidato e o apóia abertamente, sem reservas nem mistificações. Eis uma lição que um século e meio depois ainda não foi aprendida em nosso país... Aqui, oficialmente, todos são imparciais. E, no entanto sabemos que este ou aquele apóia tal candidato e assim por diante...
Mas o peso editorial do “The New York Times” também se faz sentir e muito na área literária com a sua “Review of Books” que circula semanalmente na forma de suplemento da edição dominical, além de outros cadernos especiais que costumam trazer o peso do pensamento liberal norte-americano em tudo o que isso pode significar.
Tradicionalmente ligado ao Partido Democrata, não quer dizer que ocasionalmente não faça outras escolhas e é sempre uma expectativa saber como se comportará o grande jornal novaiorquino diante dos grandes temas do mundo e do seu país.
Nesse momento, o jornal não está apoiando a intervenção no Iraque, sonhada pelo presidente Bush.


Dentro da Semana Farroupilha, que comemora a saga do século XIX, a Guerra dos Farrapos, quando o Rio Grande do Sul tentou libertar-se do império brasileiro, uma noite de premiações postado por Walter Galvani em 17/09/02

TROFÉU NEGRINHO
DO PASTOREIO

Walter Galvani

Na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, hoje à noite, a partir das 19 horas, numa promoção da Associação Gaúcha Municipalista, que é presidida pelo Sr. José Carlos Rassier, prefeito de Arambaré, e com o apoio da Secretaria de Cultura do RGS, União dos Vereadores do estado, Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e da própria assembléia, o CTG Leopldo Rassier e a TV Assembléia, onze personalidades e uma entidade estarão sendo distinguidos com o II Troféu Negrinho do Pastoreio, que visa destacar “as estrelas da cultura gaúcha”. Estou entre os homenageados, no campo da Literatura, o que muito me honra, mas me permito lembrar os versos do velho samba de Noel: “Ser estrela é bem fácil, sair do Estácio é que é o X do problema...”
Mas vamos aos demais destaques:
Poesia Campeira – Mauro Ferreira; Poesia Contemporânea: Lya Luft; Escultura: Luiz Gonzaga; Pintura: Maria Tomazelli; Música Popular: Nei Lisboa; Música Nativista: Telmo de Lima Freitas; Música Erudita: Gil de Roca Sales; Cinema: Giba Assis Brasil; Teatro: Débora Finochiaro; Dança Folclórica: CTG Aldeia dos Anjos; Integração Mercosul: Dante Ramon Ledesma.
Os promotores do evento, que denominam de II Noite Farroupilha, dizem que será “uma noite para ficar na história, onde as estrelas da poesia, literatura, escultura, pintura, música, cinema, teatro e dança vão se encontrar para receber o reconhecimento dos municípios gaúchos”.
Ainda não sei bem o que direi esta noite. Serei rápido como convém numa cerimônia deste porte, mas na certa lembrarei que a honra de ser destaque conflui com a responsabilidade de aparecer aqui no lado dos espinhos. Vivemos ao sul do Brasil e no meu caso, resido na Metade Sul, no município de Guaíba, que aliás integra a região de onde provém o presidente da Associação Gaúcha Municipalista. Isto quer dizer que sabemos muito bem, sofremos em nossa pele e ossos, cérebro e dedos, o que é drama de habitar aqui no caminho do Pólo Sul... Lembrando que a glória de termos mantido uma guerra de dez anos com o resto do Brasil, lutando por uma república independente do Império, muito nos custou e continua custando. Ainda não desapareceram os preconceitos que nos separam e nem tampouco os obstáculos que nos insulam.
Honrar o que está inscrito em nossa bandeira, “Liberdade, Igualdade, Humanidade” e transpor a fronteira do Mampituba são tarefas diárias que mais nos pesam do que nos facilitam a vida. Mas, estar do lado de cá tem suas vantagens: continuamos conquistando tudo o que temos, na base da luta, do duro combate. Nada é de graça. Pagamos no passado com nosso sangue e no presente com nosso suor e nossas lágrimas.


Entrando em nova semana, vamos pensar claro e falar claro postado por walter em 16/09/02

VINTE DIAS

Walter Galvani


Estamos a vinte dias das eleições gerais que apontarão os rumos do país nos próximos anos. Elegeremos o presidente da república, seu vice, dois senadores, um deputado federal, um deputado estadual, o governador do estado e o seu vice. Não é pouco. Vamos mexer em todas as estruturas representativas, na área do executivo e legislativo. Iremos mais para a Direita, procuraremos nos situar no Centro ou iremos um pouco à Esquerda?
Digo isto, porque não vejo propostas muito radicais, nem de um lado, nem de outro. Os candidatos, aliás, se parecem todos... A não ser por algumas proposições que foram extremadas nos anos oitenta, mas que hoje são perfeitamente palatáveis, não vemos razões para pavores ou angústias existenciais.
Acho lamentável que se viva num país em que tantas e tão sérias questões estejam em jogo, em que se convive com um dos piores sistemas sociais do mundo, com regime ridículo de distribuição de renda, e, no entanto, revistas semanais, a vinte dias de uma eleição tão importante, dediquem suas capas a Fernandinho Beira-Mar, que se desperdicem espaços preciosos com tais questões que deveriam ficar confinadas aos órgãos de divulgação de crimes e escândalos, que para isso os há até em demasia no país.
Prefiro o lema da Feira do Livro de Porto Alegre de dois anos atrás: “Você é o que você lê...” De fato.
Mas, sejamos claros, objetivos, didáticos. Vamos criar vergonha e estudar nos próximos dias para onde nos levará nosso voto. As siglas nada querem dizer no Brasil. É uma só mixórdia ideológica. Portanto, teremos que examinar, historicamente, quais são os comportamentos dos partidos e dos candidatos, para saber a quem confiaremos nosso futuro próximo, médio e distante. Que História não se reescreve. Nem para trás, nem para diante... É o que é.


No dia 15 de setembro de 1903 nascia o Grêmio Porto-Alegrense, fruto dos sonhos de um grupo de jovens que se dedicavam ao futebol em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Hoje portanto, 99 anos postado por Walter Galvani em 15/09/02

GRÊMIO CENTENÁRIO


Walter Galvani


Não é a conquista de um título mundial interclubes de futebol (1983), não é a coleção de títulos regionais, os campeonatos nacionais, as excursões vitoriosas pelo exterior, os troféus de Campeão da América, que contam no dia de hoje, 15 de setembro. O que vale é o assombro, num mundo de coisas tão efêmeras, assinalar que algo formado por um grupo de rapazes, apenas um grêmio de mocidade, tenha se transformado nesta realidade fantástica que a partir de hoje começa a contagem regressiva para um século.
Já me dizia outrora o jornalista Breno Caldas, quando falou com todas as letras sobre a decadência da empresa de sua família – hoje felizmente resgatada (em 1984) pelo Sr. Renato Ribeiro – e o então possível fim do “Correio do Povo” que em sua opinião “os homens e suas realizações empresariais pareciam limitadas a um século”. Em parte ele tinha razão com suas observações, basta se verificar quantas organizações foram ficando pelo meio do caminho, aos 50 ou 70 de idade. E quantos humanos, claro. Mas, um clube é o fruto de uma dezena ou centena e mais adiante milhares de desejos e sonhos de pessoas diversas que se unem no objetivo comum. E com isto se ultrapassam as limitações.
O Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense foi mudando de nome, aportuguesando-o e simplificando. Hoje, no mundo inteiro é conhecido como o “Grêmio” ou, conforme o caso o Grêmio de Porto Alegre ou o Grêmio do Brasil. Tantos são os êxitos colecionados ao longo destes cem anos que examiná-los um por um, aqui não caberia e não concentraria é claro, todo o significado de seus feitos que transpõem as limitações puramente esportivas.
Ser gremista, unir-se pelas cores azul, preto e branco, ser tricolor como se dizia à época do cinqüentenário ou alinhar-se hoje entre os “torcedores” passou a ser “um estado de espírito” e a integração “em uma família”.
Assim que os resultados ocasionais nem sequer alcançam significado em toda esta longa trajetória.
O Grêmio construiu sua reputação, seu estádio (o magnífico Olímpico em Porto Alegre), sua glória (procurem a Sala dos Troféus) e sua mística (perguntem aos rivais) acumulando acertos que começaram lá naqueles jovens fundadores, a 15 de setembro de 1903, quando eles sequer imaginavam até onde chegariam. Sua história fundiu-se e entrosou-se com a história de Porto Alegre que de modesto porto e capital regional, com seus trinta mil habitantes de então, chegou ao milhão e meio de hoje, pólo regional, numa região metropolitana de mais de quatro milhões e a capital de um estado com mais de dez milhões de pessoas. Mas, a torcida do Grêmio, esta se espraiou pelo país inteiro.
Em qualquer recanto onde haja gaúchos ou seus descendentes, ou onde existam simpatizantes de uma forma de jogar futebol que consiste em dedicação, garra, luta infinda até o último minuto de uma partida, aquilo que costumamos classificar como "virtudes gaúchas", ali estará presente o espírito que consagrou tantas gerações de gremistas. Ou parafraseando seu slogan, onde estarão pessoas “com o Grêmio onde estiver o Grêmio”.
Trabalhei direto no setor de esportes de grandes jornais do sul, de 1955 a 1967. Sei bem o que significa esta força e esta “religião”… Lá fiz amigos e colhi lições proveitosas e embora manifestando, coisas de jovem, minha preferência pelo maior competidor e rival, o Internacional, aprendi a ser gente convivendo com pessoas como Fernando Kroeff, patrono do Grêmio, Oswaldo Rolla, o “Foguinho”, ex-jogador e grande treinador, Rudy Armin Petry, um grande dirigente que hoje volta a dar de si pela grandeza do seu clube e tantos outros atletas, dirigentes, torcedores que assinalaram minha jornada.
Valeu a pena acompanhar o Grêmio e dou graças a Deus por ter chegado até aqui. Nós todos vivos e fortes e acreditando no futuro.
Grêmio é hoje uma espécie de identidade, regional, nacional. Esperamos que vá muito além dos cem anos...


Estão soltos os cães de guerra. Para onde caminha a Humanidade? postado por Walter Galvani em 13/09/02

CANHÕES E DIPLOMACIA

Walter Galvani


Por enquanto ouve-se a diplomacia, embora nem tão maneirosa como se poderia ou quereria. Não há punhos de renda, mas sim, socos na mesa. É assim que os Estados Unidos da América estão agindo para obter o apoio dos seus aliados e a autorização do Conselho de Segurança da ONU para o ataque ao Iraque.
A débil voz de reação dos iraquianas quase nem nos chega.
Com quem estará a razão?
Encurralando seus aliados, Bush armou a bomba-relógio da guerra que pode ser a III Guerra Mundial, pois, dificilmente ficará restrita ao relativamente pequeno teatro de operações do Oriente Médio.
E um conflito destas proporções há de soltar todos os cães, todos os demônios. Num instante, as relações nacionais, regionais, internacionais, pessoais estarão deterioradas. Nada mais será simples, franco e relativamente aberto como até aqui.
Haverá logo censura na imprensa e mentira na terra, característicos de tempos de guerra.
E os países, tangidos pelos acordos assinados e pelas necessidades econômicas, entrarão em conflito. Há também o componente religioso. Disso teremos notícia assim que estourar a primeira bomba.
Quando isso? Talvez hoje, talvez amanhã, talvez nunca.
Rezar? Para quem é crente.
Pensar? Se ainda restar tempo.
Setembro lembra setembro de 1939, quando Hitler invadiu a Polônia e a Bélgica, arrastando seus aliados ao conflito. Aquele que, julgávamos, nunca mais aconteceria.


Sérgio Vieira de Mello, a partir de hoje o Comissário para os Direitos Humanos da ONU é tudo o que a maioria dos políticos brasileiros não é... Reconhecido internacionalmente, dono de um passado irretocável e um futuro muito promissor ainda, aos 54 anos. Quem sabe os partidos brasileiros pensam nele, já que o assunto é eleições?... postado por Walter Galvani em 12/09/02

MEU CANDIDATO
A PRESIDENTE

Walter Galvani


Pois o meu candidato a presidente do Brasil se chama Sérgio Vieira de Mello. É um diplomata de carreira, brasileiro nato, casado com uma francesa, residente na Europa e no Timor nos últimos anos e a partir de hoje em Nova York. Ele é o novo titular da pasta dos Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).
Nesta sua nova posição de alto comissário, embora não tenha o poder decisório do presidente Koffi Annan ou a força econômica e militar de George W. Bush, dos Estados Unidos, ele terá condições de coordenar um mecanismo delicado capaz de intervir desde os humildes países africanos até os poderosos do mundo.
Terá igualmente uma carga de dificuldades. Foi antecedido nesse cargo – que existe na ONU só há nove anos – pela irlandesa Mary Robinson que se desgastou justamente pelas suas opiniões e pelos atos que protagonizou, desagradando, sobretudo Washington, Pequim e Tóquio.
Nesta posição, Sérgio Vieira de Mello será o segundo homem mais importante da ONU, atrás apenas do presidente Koffi Annan e já declarou que a sua prioridade será África, que classifica de “continente sofrido” e citou especialmente Angola. “Regiões deste continente – disse ele – vêm pagando um preço altíssimo nessa longa busca da democracia, estabilidade e da prosperidade. África será prioridade entre as prioridades para mim”.
Mas “encaro esta nova função com uma certa ansiedade pela imensidão da tarefa que me aguarda. Direitos Humanos é, por definição, tudo aquilo que diz respeito à vida integral do ser humano” – concluiu.
Ele se destacou quando foi nomeado comissário especial da ONU para o Kosovo, conflito que administrou em sua finalização e pacificação. Dali foi conduzido a administrador do processo de independência do Timor-Leste, onde sedimentou o respeito mundial em torno ao seu nome. Sérgio trabalha para as Nações Unidas há 33 anos.
Imagino que em breve, talvez depois deste mandato exponencial que o colocará no primeiro plano mundial, estará se aposentando e quem sabe pensando em passar uns tempos no Brasil. Aí está, portanto meu candidato a presidente. Aliás me atreveria a dizer que a hora seria agora e não daqui a cinco anos...
Para os que gostam de saber detalhes biográficos, saibam que Sérgio não precisa retocá-los... O diplomata brasileiro, hoje com 54 anos, estava em maio de 68 como estudante na França. A participação nos eventos da célebre rebelião comandada por Daniel Cohn-Bendit, custou-lhe seis meses de proibição de entrar no território francês. Afinal pôde retornar a Paris, de onde saiu com um doutoramento em Filosofia e Ciências Sociais, uma esposa francesa e dois filhos. Trabalhou para a ONU em Moçambique, Kosovo, Timor e vários outros postos maiores ou menores, sempre com a admiração da presidência da entidade internacional.
“Meu grande esforço – disse ele – nos próximos tempos, será de não permitir a polarização artificial do tema, nem da agenda dos direitos humanos.”
E prestem atenção:
“Preocupam-me também as migrações de caráter econômico, muitas vezes forçadas por conflitos armados. Ligado a isso há o tráfico ilícito de seres humanos, uma nova forma de crime transnacional. E tenho ainda outras prioridades, como uma que teve muita importância em Timor-Leste, que foi a emancipação da mulher e o seu papel na consolidação da paz e da estabilidade em situações de conflito. Também me preocupa o racismo e outras formas de discriminação, como o anti-semitismo, e uma nova, surgida depois do 11 de setembro, a islamofobia. São tudo fatores potenciais de desestabilização”.



Mais de três mil inocentes mortos. Atingir alvos civís é sempre algo execrável. Seqüestrar aviões, enfim, o terrorismo é a face mais escura da Humanidade. Mas, vamos adiante. Pensemos em algo positivo, hoje. postado por walter em 11/09/02

UM LIVRO PARA
O CABO VERDE


Walter Galvani


Não sei o que dizer hoje. Este é o dia em que a Terra parou? E o “mais longo dos dias”? E o dia 6 de agosto, quando a primeira bomba atômica acabou com uma cidade e dizimou sua população civil? E o dia em que os bombardeios aliados destruíram uma escola e um hospital infantil em Dresden? E quando condenaram Miguel Servet, um sábio, à fogueira? E quando derrubaram a Bastilha? E o dia em que crucificaram Jesus Cristo? E o dia em que...
Ou é o dia da Queda da Bastilha, como muito bem assinalou o historiador Paulo Vizentini, como algo comparável?
O dia em que o Terrorismo mostrou sua força diante dos estados organizados?
Ou o dia em que a ignorância religiosa mostrou sua face mais terrível?
E assim vamos somando todos os dias em que o mundo parou.
E entre eles o dia 11 de setembro, quando desafiaram a suprema força mundial derrubando dois edifícios que significavam seu orgulho e sua invulnerabilidade e atacaram o Pentágono, onde o comando militar se concentrava. Ou concentra?
Bem, então este dia 11 de setembro merece nossa atenção e nossa preocupação.
Mas também é preciso lembrar outros iguais a ele que a humanidade já cometeu aí está. É hoje.
Prefiro então recomendar que um pobre professor está perdido no Cabo Verde e não consegue livros para seus alunos lerem. Nós que ficamos aqui nos jactando de estarmos entre os oito países de língua oficial portuguesa, nada fazemos por ele. Nem pelas crianças do Cabo Verde, nem pelas crianças de Guiné-Bissau, de Angola, do Moçambique, de São Tomé e Príncipe ou do Timor Leste, de Portugal ou... do Brasil.
Portanto, vamos lá:
Mandem um livro, um só, para o professor Jorge Pinto. Ele é um professor em desespero. O endereço dele é:

Escola Secundária Dr. Baltasar Lopes da Silva
A/C do Prof. Jorge Pinto
Chãzinha
Vila da Ribeira Brava
São Nicolau
Cabo Verde

Vejam a mensagem que dele recebi:

“Estou a leccionar em São Nicolau, Cabo Verde. A escola onde estou colocado tem carências a vários níveis e uma delas é a falta de livros na biblioteca que apenas abriu este ano. Os alunos vêem-se privados de leituras regulares e assim melhorarem a sua competência lingüística no que diz respeito ao português que, acreditem, anda pelas ruas da amargura!
Com este e-mail, apenas vos quero fazer um pedido, que contribuam simbolicamente com um livro, em português, para a biblioteca desta escola.
Não implica grandes custos da vossa parte; pode mesmo ser um livro usado desde que esteja em bom estado. Sejam solidários com crianças e adolescentes que gostam de aprender, mas têm poucos meios para o fazer.”

E então?
Colaboramos ou não?
Vamos fazer isto aproveitando o dia em que a Terra parou.
E assim começar a prevenção contra o contágio da ignorância, da má fé, da treva da religião e do medo.


Antigamente no Brasil, comemorava-se nesta data, 10 de setembro, o Dia da Imprensa. Mudou-se para o primeiro dia de junho. Mas, ainda temos muitas ligações com este dia antigo, coincidências curiosas e um legado espiritual que não pode ser desprezado. Aproveite o dia. Há endereços que valem a pena! postado por walter em 10/09/02

VISITE WWW.CPOVO.NET E CONHEÇA O TRABALHO DE HILTOR MOMBACH. É "DE PRIMEIRA".

Walter Galvani


De vez em quando me surpreendo com uma inesperada visitação extraordinária ao meu site aqui na Internet, mas quando abro o exemplar do dia do Correio do Povo, descubro a razão: é que os internautas foram convidados a fazer esta visita através de uma pequena lembrança publicada pelo meu caro colega Hiltor Mombach, que honra as páginas do antigo “róseo” com sua gentileza e conhecimento jornalístico. Ele assina uma coluna sobre esportes, “De primeira” é o título e “de primeira” é como ele responde as questões mais urgentes que habitam as preocupações do dia nesta área. Com elegância e inteligência.
Hoje, dez de setembro, seria antigamente o Dia da Imprensa. Não é mais. Mudou para o dia 1 de junho, por ação da nossa ARI (Associação Riograndense de Imprensa) há três anos, uma proposição que foi levada através do falecido deputado Nelson Marchezan e acabou se transformando em lei sancionada pelo presidente da república. Com isto, deixa-se de homenagear a “Gazeta do Rio de Janeiro” que fez circular sua primeira edição a 10 de setembro de 1827 e era um diário oficial, para transferir o respeito e a data para o primeiro dia 1 de junho de 1820, quando começou a circular o “Correio Braziliense”, em Londres, editado por Hipólito da Costa, natural da Colônia do Sacramento, que hoje é território uruguaio. Ele foi educado em Pelotas, mais tarde diplomou-se em Direito em Coimbra e acabou residindo, exilado, em Londres, perseguido por ser maçom e por suas atitudes libertárias e democráticas.
Curiosamente, nesta data morreram dois grandes jornalistas gaúchos, ligados à Rádio Guaíba e ao Correio do Povo: em 1964 falecia Arlindo Pasqualini, primeiro diretor da rádio, ex-redator do Correio. Em 1989, criador da rádio Guaíba, Breno Caldas, filho do fundador do Correio e diretor do jornal durante 51 anos.
Nosso pensamento hoje, nesse site, só poderia mesmo ir para a Imprensa, apesar de não ser mais a data oficial, por todas estas razões que alinho aqui e, sobretudo pela proveitosa lembrança de Hiltor Mombach que na certa estará jogando uma boa massa de visitantes.
Sugiro, pois, outro percurso: www.cpovo.net e neste endereço, a coluna de Hiltor Mombach, todos os dias no Correio do Povo.


Bush e Blair querem guerra. Nós queremos a paz. O que há debaixo das areias do deserto é petróleo, negócios, trilhões e trilhões de dólares... postado por walter em 09/09/02


O INCÊNDIO DA BIBLIOTECA
DE ALEXANDRIA

Walter Galvani


Não queremos guerra no Oriente Médio, o que não significa que nossa opinião vá ser levada em conta. O petróleo que está debaixo das areias da antiga Mesopotâmia, onde está o moderno Iraque, é o alvo da cobiça internacional e por trás da ação de guerra proposta pelos Estados Unidos, com o apoio direto da Inglaterra, ou seja acompanhando os interesses da Standard Oil e da Shell e de outras das famosas “sete irmãs”, poderá ser o combustível para incendiar metade do mundo. Metade? Ou o mundo inteiro...
Durante este período em que Saddan Hussein se manteve no poder, foram assinados acordos de venda do óleo bruto que beneficiam sobretudo empresas que surgiram depois do fim da guerra fria e entre essas uma grande empresa russa.
A conformação econômica do globo é que mudou, mas os interesses familiares, tribais, regionais e nacionais, continuam predominando sobre as questões internacionais. Quer dizer: globalizaram a economia mas não contaram para todos os interessados... A esperança é que o resto se resolva na marra.
Yasser Arafat, no meio disso, lutando por um território para os palestinos, assinou há nove anos num dia como hoje, nove de setembro, um documento em nome da Organização para a Libertação da Palestina, abrindo mão do terrorismo e reconhecendo o Estado de Israel. Naturalmente não com as fronteiras atuais. Mas, ele assinou hoje, outra declaração dizendo a mesma coisa.
Ele está sendo sincero? Poderá cumprir sua promessa ou deixará o poder, atropelado por setores mais radicais?
Esta questão é o graveto que pode atear fogo em todo o Oriente Médio e que então arderá com todas as questões irresolvidas que estão sob aquelas areias escaldantes.
Quem pensa e faz cultura pode imaginar hoje um incêndio bem maior do que o que consumiu todo o saber acumulado na Biblioteca de Alexandria. E com muito mais funestas conseqüências...


Uma questão oportuna, pena que não tenha recebido o apoio de divulgação de todos os veículos de comunicação do país. Mas por trás disso há interesses, temores, reservas políticas e a sombra do poder econômico, político e militar do nosso grande irmão do norte postado por walter em 08/09/02

MAS O QUE É A ALCA?


Walter Galvani*


Os católicos freqüentadores de suas paróquias sabem que se realizou esta semana, concluindo hoje, um plebiscito para saber se o governo brasileiro deve ou não assinar o tratado da ALCA. Você sabe, a ALCA é a proposta americana de uma Área de Livre Comércio das Américas. Uma bela proposição se não houvesse o risco de uma “mexicanização” de toda a América Latina. Examinem o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos é de 9,9 trilhões. O do Brasil é de 593 bilhões. Os Estados Unidos possuem 73% do PIB de toda a América e os demais países, todos, o restante. Além de saber que numa desproporção dessas, é sentar-se à mesa com o lobo, os cordeiros, ou seja, os demais países da América Latina, precisam saber se é interessante ou não, dar-se bem com ele.
Vejamos o caso da América Central e Caribe. A influência americana é proporcional ao tamanho e poder e em relação aqueles pequenos e destemidos lutadores. Porto Rico já se entregou e depois de um plebiscito tornou-se mais uma estrela na bandeira americana. Cuba resiste, por enquanto Fidel Castro, vivo e lúcido se mantém no poder, falando durante sete horas sem parar em seus comícios. Até quando? Talvez até que Bush decida que é mais fácil e mais barato atacar a ilha do que o distante Iraque.
Enquanto isso, o plebiscito promovido pela Igreja Católica naturalmente ansiando secretamente retomar o poder temporal que já teve e perdeu ao longo dos séculos, apresenta questões interessantes.
E o protesto dos ambientalistas dependurado no Cristo Redentor? Porque não pode ficar lá refletindo a opinião de boa parcela de gente bem intencionada, e eis que a Igreja neste caso vai para o outro lado. Não quer que o seu símbolo, que na verdade, no caso da estátua ou imagem como queiram, não é sua, mas sim da cidade do Rio de Janeiro e de certa forma do Brasil, sirva de suporte para um protesto contra a posição dos conservadores.
Talvez seja um resquício de remorso pelo que fizeram seus evangelizadores no transcurso dos últimos cinco séculos... com relação aos povos indígenas aqui e por aí e as reservas florestais. Lembre-se que “índio” só teve alma reconhecida pela Igreja depois do século XVII...
Mas vamos ao que interessa porque acaba hoje, embora com pouca repercussão. A Igreja Católica faz três perguntas:
1 – O governo brasileiro deve assinar o tratado da ALCA? Sim ou não?
2 – O governo brasileiro deve continuar participando das negociações para a criação da ALCA? Sim ou não?
3 – O governo brasileiro deve entregar uma parte do nosso território - a base de Alcântara – para o controle militar dos Estados Unidos? Sim ou não?
As urnas estão girando em sindicatos, igrejas, escolas, universidades, ruas, durante o dia de hoje ainda, no Brique da Redenção em Porto Alegre.
Quem vai apurar os votos? Como? Que representatividade terá sobre o total da população brasileira?
Questões que não são conhecidas, nem foram propostas. Vejam bem, não adianta lançar fumaça no céu para confundir. É preciso ser claro, objetivo, equilibrado, democrático, sereno e justo.
Difícil? Responda para você mesmo, sim ou não... E depois vamos ver quem é realmente fiel aos princípios básicos daquilo que se chama ética, seja ela cristã, muçulmana, israelita ou o que se queira... Sinto alguma saudade dos velhos valores gregos e romanos quando havia deuses para tudo e na certa mais filósofos e menos falsos profetas...
* Artigo inicialmente publicado na edição de 8/9/2002 do jornal ABC DOMINGO que circula na região metropolitana de Porto Alegre


A força do teatro e a garra e a valentia de um filósofo. Eis as lições que nos chegam com o passamento mas não o desaparecimento de Gerd Bornheim. Nunca é demais reverenciar seus atos de destemor e suas atitudes de coerência postado por Walter Galvani em 07/09/02

GERD BORNHEIM OU
CORAGEM E RESISTÊNCIA


Walter Galvani


Se me perguntassem qual era a maior qualidade do filósofo Gerd Bornheim, gaúcho de Caxias do Sul, falecido nesta sexta-feira dia seis, eu diria: “A sua coragem!”.
Apesar de toda a sua inteligência e vasta cultura, do seu profundo conhecimento de filosofia, seu invejável currículo (estudou na Sorbonne, em Oxford e Freiburg, lecionou em Porto Alegre onde iniciou sua formação na PUC e na UFRGS, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Frankfurt, Alemanha), o traço que mais me marcou e fundamentou meu respeito por ele foi a sua valentia em afrontar o reacionarismo implantado pelo golpe militar de 1964. Não vem ao caso, aqui e agora, examinar razões ou explicações para o que alguns chamam “Revolução Redentora” e outros, simplesmente, “Golpe de 64”. Mas Gerd Bornheim estava atento naquele final de março e lecionando na UFRGS mantinha os jovens alertados para o que ocorria.
Mas não se limitou aos bancos acadêmicos ou à peripatética atitude do jovem mestre e seus alunos nos pátios e corredores da instituição. Poderia sonhar em ser um Platão no futuro, mas era um Sócrates naquele momento difícil.
Havia em Porto Alegre um conjunto teatral chamado “Os Comediantes da Cidade”. Ligia Vianna Barbosa era uma das inspiradoras e em seu apartamento aconteciam reuniões de planejamento e criação. Numa escolha diabólica para o momento terrível de “caça às bruxas” que acontecia no país, por sugestão de Gerd Bornheim, sem dúvida o ideólogo do conjunto e seu consistente orientador teatral, foi montada a peça de Arthur Miller, “As feiticeiras de Salem”, no original “The crucible”.
Naquele distante e perigoso 1964, também eu um admirador da arte teatral, mas, sobretudo redator de artes no jornal “Folha da Tarde”, fiz meu curso intensivo de subversão apreciando os ensaios, sob a direção de outro jovem, Olavo Saldanha, para mandar o recado à população do que era preciso saber para compreender o que de fato acontecia.
Vinculei o jornal ao empreendimento do grupo e patrocinamos, através da conservadora Cia. Jornalística Caldas Jr., a estréia da peça no sagrado Teatro São Pedro.
Foi um sucesso retumbante. Só quem não compreendeu ou então entendeu bem mais do que imaginamos na época, foi o prefeito nomeado Célio Marques Fernandes que substituíra o “cassado” Sereno Chaise, que fez uma declaração bombástica após a sessão inaugural, platéia lotada, todo o “quem é quem” porto-alegrense vestido para uma “première”: “Ema uma vergonha. Um atentado aos bons costumes esta peça. Está cheia de palavrões!”.
Sem querer talvez, o prefeito “da Revolução” ajudara a promover o espetáculo que se transformou num grande sucesso, permanecendo por mais de um mês (um estouro para a época) em cartaz.
Arthur Miller trata da caça às bruxas dos anos finais do século XVII na Nova Inglaterra por motivos religiosos, uma fábula aplicada à mesma perseguição aos comunistas ocorrida nos Estados Unidos nos anos cinqüenta. Gerd Bornheim diabolicamente pinçara o drama e o atualizara na encenação veloz e dinâmica do discípulo Olavo Saldanha para os tempos que se viviam no Brasil.
Não sei até que ponto os militares se deram conta da “subversão” em cena no teatro São Pedro ou até onde havia ido a audácia dos jovens porto-alegrenses. Sei que Gerd Bornheim pagou por aquele e outros gestos de coragem na universidade e em sua vida social e privada com a cassação dos seus direitos políticos e profissionais. Exilou-se, para sorte nossa, pois foi possível sua longa vida e retorno nos idos de oitenta.
Matou-o um câncer na madrugada do dia seis de setembro, aos setenta anos de idade.
Seu exemplo, nunca morrerá.
Sua lenda viverá na memória dos que o conheceram e sua lembrança jamais se apagará dos que com ele conviveram.
Sua coragem servirá de ponto de referência.
Seu legado fica nos seus livros: “Motivação básica e o sentido originante do filosofar”, “O sentido e a máscara”, “Sartre, metafísica e existencialismo”, “Metafísica e finitude”, “Reflexões sobre a arte antiga”, “Introdução ao filosofar”, mais a tradução de alguns títulos importantes da época.
Quando tive a notícia de sua morte fui à minha biblioteca e encontrei entre outros dois títulos a ele ligados, que me são muito caros de modo especial e ao despontar daquele ato de coragem que registro aqui. Estou agora com os volumes em mãos para uma releitura em homenagem a Gerd Bornheim neste final de semana. Começarei pelo Caderno 3 da série Ensaios do Curso de Arte Dramática da Faculdade de Filosofia da URGS, com a dedicatória de Gerd que colhi em outubro de 1965, “O sentido e a máscara”. Onde trata de questões do "teatro contemporâneo" até à encenação de Brecht. Que na certa permanecem atuais. E o texto de Miller, “As bruxas de Salem” cuja ação se passa na primavera de 1692 mas costuma se repetir de tempos em tempos em países ditos democráticos aqui, lá e acolá...


Duras lições, por vezes, se devem tirar das datas. Mas, é sempre conveniene que a Humanidade saiba o que já fez de ruim, errado, lamentável ou maldito e não enviar a cabeça na areia como o avestruz postado por Walter Galvani em 06/09/02

SABER LEMBRAR

Walter Galvani


Quando se passeia sobre as datas, um nascimento mencionado aqui, um fato lembrado ali adiante, a gente vai se dando conta que o mundo gira e tanta coisa cai no esquecimento. Você lê os jornais do dia, vê televisão, escuta as rádios e ninguém menciona. O que passou, passou... No entanto, como seria útil que a Humanidade cada dia mergulhasse no seu passado e pudesse extrair as lições que os fatos do dia lhe transmitem... Quem sabe quantos erros seriam evitados!
Este dia seis de setembro, por exemplo. Em 1521 o mundo descobria que era possível sim, fazer uma viagem ao redor do globo. A armada de Fernão de Magalhães completava a circum-navegação e reduzida apenas a uma nau, a “Vitória”, com somente 18 homens a bordo chegava de volta à Espanha. Oitenta por cento da frota ficou pelo caminho, inclusive seu comandante.
Mas é também o dia em que se viu que ainda se matavam presidentes americanos... Em 1901, era assassinado William McKingley pelo anarquista Leon Czolgosz.
Há coisas piores... Em 1941, a Alemanha Nazista comemorava o início do novo ano judaico obrigando todos os judeus a usarem a estrela de David, amarela, na vestimenta. Mais tarde se soube para quê...
De tudo isso, o mais assustador para a história do futuro: no dia 6 de setembro de 1989, devido a um erro de computador, 41.000 parisienses recebem uma carta acusando-os de homicídio, extorsão e prostituição organizada, ao invés de infração de trânsito!
Se a moda pega, hein ? Já imaginaram estes “pardais” enlouquecidos que toldam os céus de Porto Alegre, enviando-nos autuações ?
Apesar da chuva e do frio, uma nota positiva: hoje é o aniversário do amado poeta gaúcho Armindo Trevisan. Afinal, alguma coisa boa também neste seis de setembro.


Uma pausa sabática me leva a uma pequena interrupção nas alterações diárias aqui nesta página. Mas deixo a oportunidade aos visitantes, de conhecerem algo mais sobre o que significam as próximas datas de hoje, dia 2 de setembro, até quinta, dia 5. E temos de tudo... Desde a morte de Dom Sebastião em Alcácer Quibir, decisiva na história portuguesa até o início da primeira escola pública em Porto Alegre. E mais: o banquete em pleno campo festejando a delimitação de fronteiras no entre Portugal e Espanha no sul do Brasil. Mas há de tudo. Acompanhem por favor postado por walter em 02/09/02

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Hoje é o Dia de São Calixto e de Santa Máxima, mártir
Hoje é o Dia do Repórter Fotográfico
31 AC - Otavio derrota Marco Antonio e Cleopatra na batalha naval de Accio. na Grécia. Era o fim de Cleopatra.
1580 - Com a morte de Dom Sebastião que desapareceu na batalha de Alcácer Kibir, e de seu tio, o cardeal Dom Henrique, Portugal fica sem rei. Os portugueses aclamam então, Rei de Portugal, Dom Felipe II, de Espanha. O domínio espanhol sobre Portugal se mantém até à restauração dos Bragança, no dia 1º de dezembro de 1640.
1666 – Início do grande incêndio de Londres, que destrói 13.000 edifícios em 4 dias
1744 - Gomes Freire de Andrade socorre o governador Antonio Pedro de Vasconcelos, sitiado pelos espanhois. Era o 3º assédio da Colônia do Sacramento.
1752 – É usado pela última vez na Europa, o calendário juliano; o dia seguinte passa, assim, a ser dia 14, segundo o novo calendário gregoriano
1778 - Começa a funcionar em Porto Alegre, a primeira escola, dirigida por Antonio Ávila, conhecido como “o Amansa-burros.”
1840 – Nasce Giovanni Verga, dramaturgo e romancista italiano (siciliano)
1937 - Fundação da Refinaria Ipiranga
1937 – Morre Pierre Coubertin, o barão, fundador das olimpíadas modernas
1939 - Brasil se declara neutro na II Guerra. Entraria só em agosto de 1942, ao lado dos Aliados.
1958 – É inaugurada a primeira estação televisiva em Pequim
1971 - Morre Nikita Kruschev.

3
Dia Nacional de Catar. Dia de São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja
1658 – Nasce Oliver Cronwell, estadista inglês
1759 – A mando de Dom José I, é abolida a Companhia de Jesus em Portugal
1883 – Nasce Ivan Turgueniev, escritor russo
1897 - Nasce o compositor Francisco Mignone, autor de “O contratador de diamantes” e “No sertão”, e de inúmeras valsas famosas, filho do flautista italiano Alferio Mignone.
1943 – Os americanos desembarcam na baia de Salerno, e o governo italiano rende-se incondicionalmente
1969 – Morre Ho Chi Min, lider do Vietnã do Norte
1988 – O Centro Nacional de Alfabetização de Angola ganha o Prêmio Internacional de Alfabetização da Unesco
1991 – Morre Frank Capra, cineasta americano

4
Hoje é o dia de Santa Rosa de Viterbo e é também o Dia do Inventor

Hoje é o aniversário da Sociedade de Agronomia do RGS, fundada em 1943
1768 – Nasce François Renée de Chateaubriand, político e escritor francês
1824 – Nasce Anton Bruickner, compositor austríaco
1870 – Napoleão III é deposto e começa a III República da França
1896 – Nasce o dramaturgo e poeta francês Antonin Artaud
1907 - Morre o compositor norueguês Edvard Grieg
1940 - Inaugurado em Porto Alegre, o cinema Vera Cruz, mais tarde denominado Vitória, na esquina da Av. Borges de Medeiros com a Andrade Neves.
1965 – Morre Albert Schweitzer, autor de “O zero e o infinito”, pensador e músico alemão
1969 - Seqüestro do embaixador americano Charles Ellbrick
1982 - Inauguração do Parque da Harmonia.
1985 – Os destroços do Titanic, são fotografados por controle remoto
1989 – Morre Georges Simenon, escritor belga

5
Dia de São Vitorino, bispo e mártir e dia de São Lourenço Justiniano, patriarca
Hoje é o Dia de São Gentil, e também o Dia da Juventude.
Hoje é o Dia da Amazônia, pela criação do estado do Amazonas, em 1850.
Hoje é também o dia do Barbeiro e do Cabeleireiro
1569 – Morre Pieter Breughel, o Velho, pintor flamengo
1638 – Nasce Luís XIV, o Rei Sol, de França
1752 - Grande banquete, em pleno campo, marcando a confraternização dos estados maiores e das tropas de Gomes Freire de Andrade, o nobre português, Conde de Bobadela e o do Marquês de Valdelirios, da Espanha, para assinalar o final da demarcação das fronteiras americanas de Portugal e Espanha, em cumprimento ao Tratado de Madrid, assinado a 13 de janeiro de 1750.
1791 – Nasce Giacomo Meyerbeer, compositor alemão
1800 – Tropas francesas entregam Malta, depois da ilha ser bloqueada pela armada britânica comandada pelo almirante Nelson
1857 – Morre Auguste Comte, filósofo francês
1954 – Nasce Arthur Koestler, escritor húngaro
1940 – Nasce Rachel Welch, atriz americana
1966 - Criação do município de Independência (RS)
1972 – Grupo Setembro Negro faz prisioneiros os atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique


Estamos começando hoje no Brasil, o mês decisivo, reta final das eleições em que elegeremos presidente, vice, dois senadores, dois deputados estaduais, governadores e vices dos estados. Agora, vai valer TUDO... postado por walter em 01/09/02

QUANDO SETEMBRO VIER...

Walter Galvani *


A vida costuma copiar da ficção, enredos, personagens, títulos de obra e se apropria descaradamente da imaginação dos criadores... É assim mesmo e não ao contrário como poderiam supor os mais desavisados. Que vida criaria histórias tão fabulosas como as que saem da idéia ou dos sonhos de Gabriel Garcia Marquez, José Saramago ou Jose Luis Borges?
Claro, às vezes a gente registra o dito popular, “a vida imita a arte”, justamente porque sucedem coisas tão incríveis que se diria que pertenceriam exclusivamente ao terreno da criação literária. Mas, acompanhando os fatos se tropeça, a todo o momento, com feitos incríveis de que são capazes os humanos, contrariando a lei das limitações que nós mesmos estabelecemos para nossos semelhantes, baseados em padrões de comportamento e em médias aritméticas.
Já vimos de tudo, por exemplo, nesta campanha eleitoral brasileira que precede o dia seis de outubro, quando estaremos elegendo um novo presidente, novo vice, dois senadores, deputados federais e estaduais. É uma renovação e tanto e poderíamos sonhar com uma reviravolta completa na vida da república que já é velha, do século XIX, e dos costumes, que são mais antigos, de quinhentos anos ao lado de cá do Atlântico.
Poderíamos talvez imaginar que não é a Grécia, nem é Roma, não são poucos mais de vinte séculos que nos antecedem na prática ou na tentativa de prática de uma justa democracia com equitativa distribuição de bens. Inclusivemente, como diriam nossos irmãos portugueses, com a tradução dos bons costumes e da ética. Mas não podemos fugir à nossa vertente histórica que nos alinha no Ocidente da cultura e nos faz reverenciar Platão e Sócrates, Aristóteles e Cícero, Plutarco e Seneca, passando pelos muitos “varões assinalados” que sairam “da ocidental praia lusitana” e “em perigos e guerras esforçados” atravessaram o Atlântico buscando uma Utopia que se chamou Santa Cruz, depois Vera Cruz e afinal, Brasil.
Ainda é cedo para dizer que não deu certo, apesar de que estudos do Banco Mundial digam que não chegaremos unificados ao final do século vinte e um e que a melhor solução para nossos problemas será, positivamente, a divisão em três países.
Lutamos para fazê-lo no século XIX e no mesmo século lutamos para impedir que isto se concretizasse. Hoje estamos aí integrados nesta coletânea de estados diversos onde há poucas unanimidades, mas que atendem, certamente, pelos nomes de língua portuguesa, cafezinho, futebol. Já tivemos nomes nacionais, hoje enfraquecidos pela concorrência, mas ainda se fala com segurança em Pelé, nos últimos tempos somou-se a ele o técnico Felipão que trouxe o Penta para o futebol “canarinho” e as redes de televisão com seus artistas que se sucedem e permanecem como Hebe Camargo ou Jô Soares ou aparecem como estrelas do cotidiano que amanhã dirão até logo.
E há os candidatos, hoje quatro alinhados nas pesquisas que se transformaram em esporte, corrida de cavalos, cassino e loteria do dia-a-dia, com nomes já conhecidos ou popularizados pelos resultados como Lula, Ciro Gomes, José Serra e Garotinho. Cuidadosamente coloquei-os na ordem de hoje, embora amanhã possa ser alterada esta classificação.
Mas, como a vida imita a arte, chegou a hora. “Quando setembro vier...” – como dizia aquele título de filme, peça teatral e canção popular – assistiremos ao formidável confronto. Valerá tudo. Recursos publicitários, verdades e mentiras, sexo, vidas e video-tape, como dizem também títulos cinematográficos e finalmente, chegará outubro. Contaremos nos dedos, chegará a hora das “bocas-de-urna” e ao anoitecer daquele dia, o milagre do progresso eleitoral brasileiro, que embasbaca o mundo trabalhando com urnas eletrônicas, colocará na arena o nome do presidente escolhido e dos parlamentares que lhe darão ou não o suporte para governar.
Pena que ainda não alcançamos a maturação necessária para aceitar o que já tivemos, voltando outra vez a dois séculos atrás, o regime parlamentarista, aprimorado pelo voto universal.
No entanto, tenho certeza, um dia a vida imitará a arte e chegaremos lá.

* Artigo inicialmente publicado no ABC DOMINGO, circulação na região metropolitana de Porto Alegre, em 1 de setembro de 2002



Há cinco anos morria Lady Di num acidente onde a culpa ainda não foi repartida entre todos os responsáveis. Todos nós... postado por Walter Galvani em 31/08/02

A NAMORADA DO MUNDO


Walter Galvani


Lady Di, Dianna Spencer, Princesa de Gales, então divorciada do Príncipe Phillip, sempre possível futuro Rei da Inglaterra, tornara-se uma espécie de “Namorada do Mundo”. Linda, bela, jovem e desprezada, além de tudo dedicada a obras benemerentes, rica e famosa, habitava os sonhos de oito entre cada dez homens da cultura ocidental que nela tinham o ideal representado na telinha da televisão e nas páginas dos jornais e revistas.
Perseguida pelos fotógrafos na madrugada do dia 31 de agosto de 1997, que pretendiam fixar suas imagens em companhia do namorado, houve um acidente até hoje não completamente explicado. O motorista estaria embriagado? De qualquer forma, a maior vítima foi aquela jovem mulher e os maiores culpados... todos nós, os que aceitamos este tipo de vida em que a perseguição de celebridades é tolerada e tudo vale por um potim ou uma notícia... Pois é.
Sempre há coisas mais interessantes para se preocupar, se houver um mínimo de seriedade em nossas vidas, muitas delas desperdiçadas em seguir capítulo a capítulo “empolgantes” e ridículas histórias ou a vida particular dos atores, atrizes, gente do chamado “jet set” ou simplesmente os “chiques e famosos” municipais, estaduais ou nacionais...
Há cinco anos aquele acontecimento-chave com uma personalidade emblemática nos fez refletir e durante alguns dias a imprensa discutiu em seu seio ou em encontros abertos, a validade e a justificativa de tais ações. Mas o assunto morreu junto com o sepultamento espetacular da princesa Dianna.
Morta Lady Di, seu nome próprio virou apelido de travestí no Brasil e mera lembrança dos que ainda não perderam completamente a memória, mas receberam milhares de outros personagens para ocupar o espaço em seu cérebro.
O que não poderia ser esquecido – isso sim – era a certeza de que nós, humanos, andamos muito errado em não ter limites. Quem sabe a gente aproveita o aniversário e repensa um pouco sobre o que andamos fazendo e repetindo em todos estes anos?



A produção rural ainda tem um significado profundo na economia gaúcha porque o agro-negócio é o seu ponto forte. Inclua-se nisso criação de gado, produção e venda de máquinas e utensilios agrícolas, serviços e vendas postado por walter em 30/08/02

O RICO CAMPO GAÚCHO

Walter Galvani

Grande número de camelôs, oferta de itens variados que nada tem a ver com a criação de gado ou a produção agrícola ou animal, participação maior dos pequenos proprietários e dos que não são proprietários rurais, eis a mudança que se verifica naquela que pretende se apresentar como a maior feira de atividade rural do Brasil e a esta altura, da América do Sul.
Com a crise instaurada nas economias da Argentina e do Uruguai, dificilmente as mostras tradicionais de Buenos Aires e Montevidéu poderiam hoje bater a Expointer.
Mais uma vez o rico campo gaúcho expõe suas riquezas e suas mazelas, seus pontos fortes e suas deficiências. Isto em meio a uma crise generalizada da economia brasileira, com a corrida eleitoral entrando na reta final, com os apelos demagógicos que podem ainda se permitir governantes e candidatos, imagine-se que coquetel está armado em Esteio, na Exposição Internacional de Animais e Produtos derivados, de serviços e de máquinas agrícolas.
É um mundo e um circo. É um ponto de encontro, portões abertos das oito da manhã até às vinte horas, concursos, leilões, vendas, financiamentos, por certo alguns furtos e roubos, pois afinal é um microcosmo da vida do país e uma chegada do frio e do vento minuano, característicos do Rio Grande do Sul, ajudam a completar este retrato.
Incrível que este verdadeiro “shopping do agro-negócio” da América Latina transcorra num país confessadamente em dificuldades econômicas, o FMI que o diga.
É o Brasil dos contrastes e confrontos, ainda o país do futuro que Stefan Zweig imaginou. E mais do que isto: a Utopia com que embalavam seus sonhos os “barões assinalados” que saíram no dia 9 de março da “ocidental praia lusitana”.
Como se fez o resto da história destes quinhentos anos é o que precisamos estudar, para resgatá-la e para mudar o que tiver que ser mudado. Depressa que o futuro não vai ficar esperando até que o nome de Zweig e o “slogan” que cunhou se esmaeçam no horizonte do passado...


O supremo bem deste século já é objeto de disputas. Vai piorar... postado por walter em 29/08/02

RIO + DEZ – ÁGUA COM GOSTO,
COR, CHEIRO E MARCA...


Walter Galvani

Água. Água, água! – é o que mais se ouve na “Rio + dez”, a conferência mundial do Meio Ambiente, que se realiza agora em Johanesburg, África do Sul. O palco do que deveria ser a compreensão, o entendimento, a troca de favores e serviços, a integração, passou a ser o local predileto para empurrões, sopapos e pontapés.
Não é de estranhar. O gênero humano, desde que “evoluiu” da ameba ou coisa que o valha, na face da terra, tem se caracterizado pela luta inútil, pela briga sem motivos mais profundos, pelo crime por causas fúteis, pela luta contra os próprios irmãos.
Freqüentemente se diz que o homem é o lobo do homem, mas este provérbio contém, em sua essência, uma ofensa a um nobre animal que só ataca quando está com fome e luta pela perpetuação da sua espécie, apesar da guerra cruel que lhe move... o homem!
Assim é e, portanto, israelenses e palestinos discutirem e se pegarem a socos numa conferência pacífica não é para espantar.
Infelizmente é o que temos. E se é o pior, é o que o gênero humano tem produzido nestes seus poucos milhares de anos de exploração e devastação do planeta.
Não é por acaso que se realiza agora esta conferência, dez anos depois do grande encontro do Rio de Janeiro. O sentido é assinalar e perpetuar as conquistas no papel de dez anos atrás, analisar o que foi feito, que ganhos se teve e planejar o futuro. Portanto, como se vê, possibilidades imensas. Desde que o diálogo fosse realmente a tônica do encontro.
Ridículo. A água, que não é propriedade de ninguém, que deve ser uma riqueza da humanidade, pois está no lençol freático, nas correntes, nos mares, nos lagos e nos rios, na evaporação das florestas e das grandes extensões líquidas, na bendita água da chuva e até no corpo humano, será o bem supremo deste século vinte e um, passou a ser objeto de cobiça. Será vendida. Haverá guerra por causa disso. Muitos morrerão, povos desaparecerão, e a surpresa dos palestinos ao verem a Cisjordânia mapeada como parte de outro país, não será a primeira dos tempos atuais e futuros...
Tomem nota: brigaremos pela água, morreremos por ela.
Tem mais: quem tem dinheiro, comece a guarda-lo para comprar, não ouro, petróleo ou dólares. Para comprar galões e galões do líquido “insípido, inodoro e incolor” que em breve terá gosto, cheiro, cor e marca...


Uma nota social e cultural

Nasceu hoje em Porto Alegre, um bebê que se chamará Antônio, em homenagem ao seu avô, o grande escritor Luís Antônio de Assis Brasil. E ninguém está mais vibrante do que a super-avó Valesca de Assis, também escritora aliás.
Lúcia Mattos, a mamãe feliz, ainda está no hospital – claro, o bebê chegou na madrugada de hoje – e portanto ainda vai demorar a retornar às suas atividades de apresentadora na TVE-Piratiní (a tv cultural do Rio Grande do Sul).


Continuamos sonhando com a construção da nossa utopia. O dia em que nos perdermos no oceano das turbulências, desapareceremos. Mas, com todas as dificuldades, continuamos acreditando no Futuro com F maiúsculo postado por walter em 27/08/02

QUANDO SETEMBRO VIER...

Walter Galvani


A vida costuma copiar da ficção, enredos, personagens, títulos de obra e se apropria descaradamente da imaginação dos criadores... É assim mesmo e não ao contrário como poderiam supor os mais desavisados. Que vida criaria histórias tão fabulosas como as que saem da idéia ou dos sonhos de Gabriel Garcia Marquez, José Saramago ou Jose Luis Borges?
Claro, às vezes a gente registra o dito popular, “a vida imita a arte”, justamente porque sucedem coisas tão incríveis que se diria que pertenceriam exclusivamente ao terreno da criação literária. Mas, acompanhando os fatos se tropeça, a todo o momento, com feitos incríveis de que são capazes os humanos, contrariando a lei das limitações que nós mesmos estabelecemos para nossos semelhantes, baseados em padrões de comportamento e em médias aritméticas.
Já vimos de tudo, por exemplo, nesta campanha eleitoral brasileira que precede o dia seis de outubro, quando estaremos elegendo um novo presidente, novo vice, dois senadores, deputados federais e estaduais. É uma renovação e tanto e poderíamos sonhar com uma reviravolta completa na vida da república que já é velha, do século XIX, e dos costumes, que são mais antigos, de quinhentos anos ao lado de cá do Atlântico.
Poderíamos talvez imaginar que não é a Grécia, nem é Roma, não são poucos mais de vinte séculos que nos antecedem na prática ou na tentativa de prática de uma justa democracia com equitativa distribuição de bens. Inclusivemente, como diriam nossos irmãos portugueses, com a tradução dos bons costumes e da ética. Mas não podemos fugir à nossa vertente histórica que nos alinha no Ocidente da cultura e nos faz reverenciar Platão e Sócrates, Aristóteles e Cícero, Plutarco e Seneca, passando pelos muitos “varões assinalados” que sairam “da ocidental praia lusitana” e “em perigos e guerras esforçados” atravessaram o Atlântico buscando uma Utopia que se chamou Santa Cruz, depois Vera Cruz e afinal, Brasil.
Ainda é cedo para dizer que não deu certo, apesar de que estudos do Banco Mundial digam que não chegaremos unificados ao final do século vinte e um e que a melhor solução para nossos problemas será, positivamente, a divisão em três países.
Lutamos para fazê-lo no século XIX e no mesmo século lutamos para impedir que isto se concretizasse. Hoje estamos aí integrados nesta coletânea de estados diversos onde há poucas unanimidades, mas que atendem, certamente, pelos nomes de língua portuguesa, cafezinho, futebol. Já tivemos nomes nacionais, hoje enfraquecidos pela concorrência, mas ainda se fala com segurança em Pelé, nos últimos tempos somou-se a ele o técnico Felipão que trouxe o Penta para o futebol “canarinho” e as redes de televisão com seus artistas que se sucedem e permanecem como Hebe Camargo ou Jô Soares ou aparecem como estrelas do cotidiano que amanhã dirão até logo.
E há os candidatos, hoje quatro alinhados nas pesquisas que se transformaram em esporte, corrida de cavalos, cassino e loteria do dia-a-dia, com nomes já conhecidos ou popularizados pelos resultados como Lula, Ciro Gomes, José Serra e Garotinho. Cuidadosamente coloquei-os na ordem de hoje, embora amanhã possa ser alterada esta classificação.
Mas, como a vida imita a arte, chegou a hora. “Quando setembro vier...” – como dizia aquele título de filme, peça teatral e canção popular – assistiremos ao formidável confronto. Valerá tudo. Recursos publicitários, verdades e mentiras, sexo, vidas e video-tape, como dizem também títulos cinematográficos e finalmente, chegará outubro. Contaremos nos dedos, chegará a hora das “bocas-de-urna” e ao anoitecer daquele dia, o milagre do progresso eleitoral brasileiro, que embasbaca o mundo trabalhando com urnas eletrônicas, colocará na arena o nome do presidente escolhido e dos parlamentares que lhe darão ou não o suporte para governar.
Pena que ainda não alcançamos a maturação necessária para aceitar o que já tivemos, voltando outra vez a dois séculos atrás, o regime parlamentarista, aprimorado pelo voto universal.
No entanto, tenho certeza, um dia a vida imitará a arte e chegaremos lá.



Estamos entrando na reta final do ano em que pontificam na região as Feiras de Livros, culminando com a de Porto Alegre, uma das maiores do mundo, que inaugurará no primeiro dia do mês de novembro postado por Walter Galvani em 26/08/02

LIVROS

Walter Galvani


Há uns três anos, mais ou menos, o apresentador Sílvio Santos está realizando um programa, que ao que consta tem origem num projeto holandês que percorre o mundo com muito sucesso, no qual, com perguntas e respostas os participantes vão caminhando até faturar quinhentos mil reais. O limite é um milhão, mas até hoje ninguém chegou a esse total, porque na última resposta deve arriscar tudo o que ganhou. As premiações pequenas e médias, no entanto, se situam entre 20 e 100 mil reais e à esta altura são muitos os convidados que já abiscoitaram prêmios.
Mas não é para falar do sucesso que estou aqui. Quero aproveitar a extraordinária pesquisa de conhecimentos gerais mínimos que o programa representa e que já demonstrou o grau incrível da ignorância da população. E olhem que estamos falando de alfabetizados, ou pelo menos supostamente alfabetizados. De todos os candidatos que lá estiveram nestes mais de quatrocentos programas, só vi um que aparentemente não sabia ler e usava a desculpa dos óculos estarem mal graduados... Sílvio, que ajuda a todos, ajudou este também com a sua característica bondade com os humildes. Aliás, ele que veio do nada, sabe muito bem o quanto é difícil a vida do povão.
No entanto os que chegam por imensa sorte à oportunidade de responder as questões, abstraindo-se um discreto percentual, abatendo-se com o benefício do nervosismo outro tanto, são inúmeros, seguramente mais de metade, os que nada sabem, nem ouviram falar. Desconhecem as capitais dos estados brasileiros, com quem fazemos fronteira, quais os países da América do Sul que começam com a letra C, qual o canal que divide o Mediterrâneo do Mar Vermelho e muito menos, o que é o ácido acetil salicílico...
Aos poucos se construiu, pois, com a contribuição deste programa de televisão, um painel da ignorância brasileira. Assusta mais quando convidados universitários respondem que desconhecem a grafia correta de uma palavra ou o seu significado, ou uma informação geográfica destas, modesta mas pertinente. Ou quando não sabem o que significa pertinente e impertinente...
Obrigado ao Sílvio Santos. Com isto, podemos varrer muitas ilusões da nossa cabeça e também montar um bom projeto de trabalho. Já se disse que certo estava o poeta Castro Alves ao escrever “bendito o que semeia, livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar. Que o livro, caindo n’alma, é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar!”
Nada a acrescentar, bendito Castro Alves!
Mas para produzir esta chuva e fazer este mar temos que fazer como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas: feiras do livro. Como Porto Alegre que já está chegando à quadragésima oitava edição, este ano do primeiro dia de novembro até o dia dezessete.
Assistindo, no entanto, ao “Show do Milhão” ficamos tristes e nos perguntamos se vale a pena, mesmo. Onde já se viu, de minuto a minuto, ver aquele desfilar da mais santa ignorância, imaginando que poderiam dedicar melhor seu tempo a ler alguma coisa, sem maiores pretensões, simplesmente ler, que já progrediriam. Não é possível que dediquem seu lazer inteiro a ver novelas de televisão e apenas isto. Pois sobre personagens de novelas, qualquer coisa que se pergunte o candidato normalmente não se aperta.
E pena também que as televisões não cumpram o bendito papel que lhes caberia de difundir a cultura, o ensinamento, a aprendizagem, a cultura.
(Este artigo foi inicialmente publicado no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, com circulação de 75.000 exemplares em média, na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 25/8/2002)


No dia 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas suicidava-se com um tiro no coração e "deixava a vida para entrar na História". Uma geração inteira, da qual faço parte, deixava o casulo da adolescência e juventude e entrava na vida adulta. Trabalho, politização, conscientização. E o Brasil, mudou ? postado por Walter Galvani em 24/08/02

O PAÍS EM 1954

Walter Galvani

Há 48 anos, num dia 24 de agosto, como hoje, suicidava-se no Palácio do Catete, o presidente do Brasil. Getúlio Dornelles Vargas, um gaúcho de São Borja, que chegara ao poder em 1930, na liderança da Revolução de 30, fora deposto em 1945, retornara em 1951, eleito pelo voto direto dos cidadãos brasileiros. Getúlio, cansado, farto de ver traições e sofrê-las na própria carne, de assistir a luta nos bastidores, exausto de se ver combatido pelas forças políticas aliadas em torno da UDN (União Democrática Nacional) que tinha sua maior representatividade na pessoa do jornalista Carlos de Lacerda, deu-se um tiro de revólver, depois de uma longa reunião com seus ministros na madrugada daquele dia fatídico. Recolhera-se anunciando que pretendia aceitar a imposição do Exército e da Aeronáutica, e iria licenciar-se do posto. Ao invés disso, “deixou a vida para entrar na História”, conforme deixou escrito numa carta cuja autencidade ainda hoje é contestada.
Tinha eu vinte anos e integrava uma juventude que dançava aos sábados e domingos ao som dos boleros, tangos, sambas e baiões, que participava dos quatro dias de Carnaval como uma grande pausa sabática na vida de sempre, com um leve cheiro de lança-perfume no ar e curtia a decepção de mais uma derrota na Copa do Mundo, naquele ano disputada na Suíça. Havíamos sido eliminados pela Hungria (2 x 4), um grande time com Puskas, Hidegkuti, Lantos, Buzanski, que acabou perdendo a final para uma esperta Alemanha que colocou o time reserva nas quartas-de-final e os titulares descansados e em grande forma para a finalíssima.
Também vibrávamos com os jornais do Rio, principalmente “Tribuna da Imprensa” e “O Globo”, e com os Diários Associados pelo país afora, que falavam do “mar de lama no Catete” que afogaria Getúlio.
Mas, principalmente praticávamos nosso esporte favorito: dançar com as garotas e assistir ou praticar futebol. Alguns de nós experimentávamos os primeiros contatos com o mercado de trabalho e já se dizia então que as profissões técnicas é que garantiriam emprego. Pois, o país estava inundado de advogados... Eu era tipógrafo formado pela Escola Profissional La Salle, em Canoas e freqüentava o Clube de Cinema de Porto Alegre, suprema glória.
O choque da morte de Getúlio, as multidões nas ruas, o acompanhamento fantástico do seu corpo, do Rio até Porto Alegre e daqui a São Borja, as depredações dos bens dos Diários Associados, o incêndio de rádios, como a Farroupilha de Porto Alegre, desentendimentos, tiros, mortes, desaforos, a execração da UDN e seu “Clube da Lanterna”, tudo nos fez radicais. Tomamos posição, aprendemos rapidamente o que era de fato a vida e em segundos estávamos prontos para a política, para a vida adulta e para o trabalho.
O ano da virada, 1954.
O sangue de Getúlio cumprira a missão que prometera. Só que, em suas frases de despedida, verdadeiras ou criadas por Lorival Fontes ou qualquer outro assessor, diziam que “o povo brasileiro jamais será escravo de ninguém”. Citou as forças estrangeiras e os interesses internacionais.
Basta hoje mudar (bem pouco) a terminologia e ver até que ponto estamos precisando de outro banho de política, com mais três deposições, um “impeachment”, 21 anos de ditadura e mais alguns anos de “burrocracia”. Eu disse “burrocracia”, burro mesmo, sempre pedindo desculpas ao nobre animal...


Nunca é demais lembrar que o povão é visto com pouca consideração, por parte de muita gente boa. E no Brasil, de um modo especial, onde se explora a arte popular para vender... postado por walter em 22/08/02

DIA DO FOLCLORE


Walter Galvani


A data de hoje assinala o Dia do Folclore, lembrando a primeira utilização do termo, na Inglaterra, em 1846. Trasladado para os diversos idiomas, manteve suas raízes britânicas e se aportuguesou, espanholou, italianou, etc e tanto. Assinala o momento em que as tradições populares passaram a ser efetivamentre respeitadas e isso é um marco e tanto.
Pena que todo este respeito não se transmite para o total das atividades populares, que esta compreensão e respeito não vão além das quatro linhas da conveniência.
Naas programações de rádios e teves, nas páginas dos jornais, o folclore não tem a atenção merecida e os cultores verdadeiros da arte popular, muitas vezes são confundidos com os exploradores da cultura do povão.
No Brasil, principalmente.


É a hora de prestar atenção à chamada propaganda eleitoral, para analisar e tirar conclusões. Tarefa difícil? Mas no entanto, indispensável... postado por walter em 21/08/02


AS ESCOLHAS

Walter Galvani

Desde ontem está no ar o espaço eleitoral gratuito, proporcional à representatividade dos partidos, permitindo pelo menos em parte o conhecimento das idéias dos candidatos que teremos que escolher no dia 6 de outubro. Elegeremos dois senadores, deputados estaduais e federais e governadores estaduais. Ao todo teremos que fazer seis operações nas urnas eletrônicas que assinalam um progresso tecnológico incrível num país de analfabetos funcionais que em muitos casos não vão além da capacidade de assinar o nome em garranchos rabiscados.
É o Brasil.
Durante este período não se discutem as questões que verdadeiramente tem significado para o país, mas o que brota na “mídia” (outra prova da nossa ignorância é grafar esta palavra macaqueando a pronúncia americana, pois não é nem uma coisa - media, meios em latim – nem outra, “media”, a mesma palavra em inglês) e as acusações pessoais que os candidatos se trocam. Inutilidades. Ninguém apresenta um programa efetivo, não digo promessas, mas fundamentos básicos de uma filosofia e de uma ideologia, e as ações daí decorrentes.
Bate-se boca no Brasil. Não deveria ser o país. Mas é.
Então, dívida com o FMI e sua continuidade, Imposto de Renda, dizer não ao partido xis ou “vamos mostrar a eles o que somos capazes de fazer”, são itens lamentáveis de um constante nivelar por baixo.
Precisamos ver as grandes questões propostas para serem discutidas ou implementadas. E é isso que não vemos exposto nos programas partidários, ou se lá estão, permanece oculto.
Na verdade, estamos diante de uma oportunidade única de examinar o país, mais uma vez, com a utilização do fantástico sistema de comunicação social disponível, mas não o faremos.
Veremos, isso sim, quem são os mais capazes sob o ponto de vista publicitário, quem lança mão da melhor técnica na comunicação eletrônica e a melhor maneira de desfazer o que os outros fizeram. Já percebemos, e isto também não é novo, que o partido que conseguir desalojar o outro que está no poder, imediatamente dedicará todos os seus esforços para desfazer o que estava sendo realizado. E aquilo que não puder ser desativado, será contestado, desprestigiado e depois atribuído o que for feito aos novos ocupantes do poder.
Assim é o Brasil.
Com os quinhentos anos desde a descoberta oficial e a constituição de uma nação, sob o ponto de vista sociológico e político, com o fim do período de colônia em 1808 quando o comando da nação portuguesa transferiu-se para o Brasil com o príncipe herdeiro, mais tarde Dom João VI e sua corte, com a independência em 1822, com a república em 1889, com as revoluções ditas “saneadoras” em 1930 e 1964, com os golpes de 34, 37, 45, e 64, com as idas e vindas da democracia, já era hora de crescer.
Infelizmente temos amadurecido pouco e sempre remetemos as culpas para os que nos antecederam. Os erros vão sendo arquivados e entusiasticamente vamos andando, progredindo tecnicamente, mas permanecendo ideologicamente atrasados e filosoficamente estacionados.
No entanto, o simples exercício do voto livre, secreto e tecnologicamente facilitado, são conquistas dignas de uma nação que triunfou sobre a própria condição de subdesenvolvimento. É nosso dever pois, honrar este progresso e votar em senadores, deputados, governadores que realmente representem nosso pensamento. Pelo menos os que mais se aproximem de nossas posições políticas.
E assim o Brasil virá a ser.


De tempos em tempos é preciso tomar distância e refletir sobre os acontecimentos mundiais. E quem sobrevive pode, felizmente, fazer esta aferição postado por walter em 19/08/02

PRIMAVERA DE PRAGA

Walter Galvani


Talvez ninguém lembre. Talvez não seja conveniente lembrar. Este dia 20 de agosto assinala o fim da Primavera de Praga em 1968. Durante alguns meses a então chamada Tcheco-Eslováquia vivera uma euforia inusitada, um sonho impossível. Fora uma democracia socialista e sob a liderança de Alexander Dubcek o mundo conhecera a face inesperadamente humana de um regime que estava do lado de lá da “Cortina de Ferro”.
Haveria a possibilidade então de unir os dois sonhos?
Do mundo inteiro viajava-se para Praga, a bela cidade medieval que resistira à II Guerra Mundial miraculosamente imune e a revolução do “é proibido proibir” que nascera nas ruas de Paris em maio, propagava-se em meio aos duros regimes comunistas, sombrios e fechados.
Mas, era pura ilusão.
Lembro-me como se fosse hoje, uma repórter do jornal que eu então editava, a gloriosa “Folha da Tarde” de Porto Alegre fizera uma viagem de turismo e lá testemunhara a mudança possível.
Quando amanheceu o dia 20 de agosto de 1968, porém, como as águas do Danúbio e dos demais rios que banham as antigas capitais socialistas o fazem hoje, os soviéticos estavam por toda a parte. Divisões de tanques haviam invadido o país e amanheceram ocupando suas praças, ruas, avenidas, hospitais, parques, meios de transporte.
Os checos levaram outros vinte e quatro anos para verem amanhecer a liberdade política. Os radicais foram à lona, derrubados pela impossibilidade do seu regime de força. E assim tem sido.
Durante a noite, enquanto dormimos, se vai tecendo a dura mortalha com que se quer emudecer a liberdade e isso não é exclusividade geográfica. Vez por outra, no Extremo Oriente ou no Ocidente, seja na China ou no Japão, na Itália ou nos Estados Unidos, na Alemanha ou na França, no Brasil ou na Argentina, explode, de tempos em tempos, a doença estalinista da censura, da opressão, do radicalismo, a religião que não aceita discordâncias ou divergências.
Nunca é demais recordar, pois que o dia 20 de agosto assinala historicamente este triste amanhecer.
Nas ruas checas os tanques e canhões russos impondo seu pensamento, sua forma de governo e sua doutrina econômica. Vamos recordar: hoje mortos e enterrados.
De vez em quando é bom parar, pensar, refletir com frieza e examinar à distância. Para não cair nos mesmos erros.


Estamos com um "veranico" em agosto. Para quem é do hemisfério norte, agora seria inverno aqui... Mas, o inverno está em nossas preocupações... O real continua caindo em relação ao dólar e hoje os candidatos à presidência reunir-se-ão com o presidente Fernando Henrique. postado por walter em 19/08/02

ABERTURA DE CONTAS

Walter Galvani


Hoje os jornais e a mídia de um modo geral está saudando Fernando Henrique como um grande democrata, quando ele está fazendo algo que se é fora do comum no Brasil, não vai além de sua obrigação. Por gentileza, mas também por compreensão de que “ninguém está só”, ou melhor dito “governo nenhum é uma ilha”, ele estará recebendo os quatro candidatos melhor colocados nas pesquisas para mostrar-lhes as contas do Brasil.
Tenho para mim que eles ficarão arrepiados e que não é de descartar a hipótese de alguma desistência...
Devemos um percentual enorme sobre o PIB. Resta-nos a confiança de produzir mais do que temos que pagar. É algo insensato, mas é assim.
É como se fosse um particular, façamos as contas, quem trabalhasse como vendedor ou qualquer tipo de prestador de serviços autônomo e que ao fazer suas contas para o mês seguinte, chegasse à conclusão de que teria que pagar trinta por cento do total do seu patrimônio e umas cinco vezes o seu lucro habitual.
Na primeira segunda-feira, como hoje, ele levantaria antes da hora habitual, até porque não teria dormido e começaria a trabalhar.
De minha parte foi o que fiz... Acordei hoje às cinco horas da manhã e comecei a produzir, na esperança de me superar. Será que o Brasil está fazendo o mesmo?
E os candidatos? Deram-se conta que arranjos políticos e conversa fiada não vão resolver nada?
Pois é.
Mas enquanto eles não se reúnem com Fernando Henrique e não saem de lá com os olhos esbugalhados ou fingindo que nada é tão grave assim, ou quem sabe nem seja mesmo, o país fica na expectativa.
De minha parte vou trabalhando...
Só que, não sou candidato e nem seria louco vir a sê-lo...
Continuo a favor da responsabilidade partidária e pelo regime parlamentarista.


Darwin Longoni, da Iriel, que me dá apoio cultural, Luís Antônio de Assis Brasil que tem 5 textos sendo trabalhados no cinema, começando com o "Jacobina" que nasceu do romance "Videiras de cristal" e Moacyr Scliar, também no cinema com o livro sobre Oswaldo Cruz e nas vitrines do mundo, são meus personagens temáticos de hoje. Esta crônica foi publicada inicialmente, neste mesmo dia 18, domingo, no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, 70 mil exemplares de tiragem muito expressiva, só na região metropolitana de Porto Alegre postado por walter em 18/08/02

GRAMADO, CANOAS, RIO GRANDE

Walter Galvani


Por vezes gosto de escrever sobre o sucesso dos meus amigos, sem cinismos garanto que me sinto realizado junto com eles. Tanto é assim que reservei três pequenas histórias de vida para assinalar o triunfo da qualidade, da inspiração e da inteligência para esta manhã de domingo.
Dois escritores e um empresário.
Começo com Darwin Longoni, que é canoense e dirige uma das mais tradicionais empresas do vale do Rio dos Sinos, a Iriel, produtora de interruptores elétricos e componentes que ao longo de uma sociedade com o caçadorense Jandir Capoani, alcançou a bela posição de uma das maiores do país, tendo construído sua fábrica em Canoas, com recursos próprios. Só isto já asseguraria à empresa e a seus dirigentes, um prêmio pela história de vida de coragem e dedicação.
Mas agora o empresário Darwin Longoni decidiu brindar sua terra natal com a primeira galeria de arte profissional e de alcance regional. Na próxima terça-feira ele inaugura a Galeria Arte Canoas, trazendo para esta importante cidade industrial, a presença dos mais qualificados artistas do Rio Grande. No final da tarde, durante o “happy hour” em que reunirá o melhor do melhor entre comunicadores e amantes das artes, Darwin estará tornando pública uma faceta desconhecida e uma vocação para o apoio às artes que o elevam a outro patamar. Tenho encontro marcado lá, inclusive com Xico Stockinger, hoje no auge dos seus 83 anos de uma grande vida. Lá estarão dois dos seus Guerreiros que ficarão expostos junto com os demais trabalhos de inúmeros artistas rio-grandenses.
Passo desse admirável mecenato para o fulgor de Luís Antonio de Assis Brasil, com cinco dos seus romances servindo de base para trabalhos cinematográficos e começando a brilhar nas telas desde já com o esperado “Jacobina” que se baseia no seu “Videiras de Cristal”. Modestamente, Assis Brasil diz que não é por capacidade pessoal sua, mas sim por algum aspecto particular de suas obras que se prestam para enredos cinematográficos. E aproveita para ilustrar com a frase de Paul Valery, grande poeta francês, a quem perguntaram porque não escrevia romances. “Porque não sei – respondeu – Escrevo poemas. Não sei criar e descrever ações. Jamais saberia dizer: “A senhora marquesa saiu às cinco horas!” e então... escrevo poemas.”
Modestos ambos. E que lição ao mesmo tempo nos transmitem.
Salto para Moacyr Scliar que está na capa do “Jornal de Letras”, o mais prestigioso periódico literário que circula nos oito países de língua oficial portuguesa, com sede em Lisboa. Foi ele o único brasileiro (e por acaso rio-grandense) a ter um conto selecionado para integrar a antologia de “Contos de Verão” que o JL está publicando em sua última edição.
Há muito que Moacyr deixou de ser um escritor rio-grandense para se tornar num grande nome nacional e internacional. Não esqueço que caminhava eu por uma ruela perto da Sorbonne em Paris, paro diante de uma vitrina de livraria e que vejo? Dois livros de Scliar.
Palavra que me deu vontade de entrar e dizer ao livreiro: “Olha, sou da mesma cidade do Moacyr Scliar!” Achei mais prudente não faze-lo porque o homem, cético como a maioria dos franceses, poderia duvidar da minha afirmação e me chamar de “pretensioso”. Bem, “pelo menos sou seu compatriota”, responderia.


O jornal inglês "Financial Times" escreveu que o Brasil caminha para a moratória postado por walter em 16/08/02

CRISES E BRASIL

Walter Galvani

Agora foi o “Financial Times”, amanhã será o “Times”, depois o “New York”, o “Washington Post” e assim por diante. O dólar abriu em queda ontem, mas já teve alta por causa da procura das empresas pela divisa para fechar compras e empréstimos no exterior.
O jornal inglês escreveu que o Brasil está a caminho da moratória. O próprio candidato Lula acha que a dificuldade atual decorre das eleições. De acordo com diretores de banco, setembro ainda pode salvar a economia brasileira.
Para os argentinos o efeito se chama “telhado de vidro”.
Tanto se divertiram os brasileiros com a desgraça argentina que agora virou para nosso lado. E pode ainda ficar pior.
Prefiro pensar duas vezes sempre que se trata de jogar pedras no telhado do vizinho. No caso da Argentina, que tanto admiramos por ter sido na primeira metade do século vinte o país número 1 do continente sul-americano, pelo seu desenvolvimento econômico e intelectual e até pela sua atividade esportiva, especialmente no futebol, hoje predominância brasileira com os cinco títulos mundiais.
Durante certo tempo se disse que a arrogância argentina estava sendo punida com as dificuldades econômicas de hoje. Não se pode culpar um país inteiro, não se pode generalizar. Correríamos o risco de ver todos os brasileiros classificados como bandidos comuns, como delinqüentes, como seqüestradores, como traficantes, assassinos.
Estamos diante de problemas e sérios. Não sairemos dessa tão facilmente até mesmo porque há interesses financeiros internacionais em jogo e que atuam no mercado tanto a nosso favor quanto contra.
Se a gente pudesse submergir e reaparecer mais adiante, seria o recomendável. Infelizmente, porém, temos que nos conservar nadando. À tona e com os olhos na praia. Para não morrer antes.


Dívidas são feitas para serem pagas. É errado e complicado, dever. Mas, às vezes é um caminho estratégico para o crescimento. No entanto, as contas, numa democracia real, precisam ser escancaradas postado por walter em 15/08/02

VAMOS CONTINUAR PEDALANDO, IRMÃOS!...

Walter Galvani

Na próxima segunda-feira o presidente da república pretende reunir-se com os principais candidatos e abrir “parte das contas” e explicar “o acordo com o FMI”. Como estamos vivendo numa era medieval é compreensível que isto ocorra e que ninguém ache estranho.
Vejam só: a obrigação do atual governo não é “abrir parte das contas”, mas sim todas elas e não só aos candidatos, mas a todos os cidadãos responsáveis que o solicitarem, seja como tal, seja como representantes de alguma entidade responsável.
O acordo com o FMI precisa ser tornado público não por que quatro candidatos possam vir a ter que honrá-lo. Mostrar-lhes agora, sem cinismos e hipocrisias, facilitará a própria assinatura do acordo, o que, aliás, ainda não foi feito.
Mas o Brasil é, de fato, um país estranho. Acha-se aqui, por exemplo, que se poderia, por questões políticas calotear o que se deve ao FMI. Mas, sabe o leitor amigo, naturalmente, como é constituída a tal de dívida externa e a diferença disso para os compromissos com o Fundo Monetário Internacional?
Ora o perfil da dívida externa é constituído por tomada de dólares, apropriação, diríamos, da “poupança” internacional, prometendo pagamento também em dólares, mas não apenas por parte do governo brasileiro, mas sim de parte das empresas privadas também. Isto quer dizer, Varig, Gerdau, Lojas Colombo, Arapuã ou quem quer que seja, mesmo você que me lê, se por acaso comprou (e ainda não pagou) algum livro ou tomou assinatura de uma revista. Esta é a verdadeira composição da tal dívida.
Tudo isso somado é que dá o valor fantástico que representa 25 por cento do nosso PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, um quarto do que produzimos, mas nossa capacidade instalada.
Assustador? Pois, devemos todos.
Mas não podemos parar de consumir, porque isto sim seria desastroso ao propiciar o estancamento da produção.
Estamos andando de bicicleta. É preciso continuar pedalando. Agora, imaginem: estamos no meio do pelotão de ciclistas e se pararmos de pedalar, cairemos e seremos atropelados pelos que vem atrás.
Caríssimos irmãos! Pedalemos, pois! De qualquer forma, o que nos espera é o reino dos céus...


A falsidade de um ou de outro lado, quando é tempo de guerra. postado por walter em 14/08/02

NUNCA FICA PRONTA...

Walter Galvani


Em português temos um ditado, “obra de Santa Engrácia”, para referir algo que não se acaba nunca. E no caso, o exemplo é verdadeiro porque ocorreu a construção de uma igreja em Portugal, nunca terminada, justamente com esta santa como padroeira. Em geral, as grandes catedrais são marcadas por esta característica, uma vez que permite a continuidade das arrecadações, das festas, dos óbulos, dos dízimos, enquanto os trabalhos se arrastam mas pelo menos se sustenta a paróquia... Nada contra a sabedoria paroquial de sacerdotes e bispos, já que há fiéis para tanto.
Mas o dia de hoje se assinala por uma obra que terminou. Não só foi concluída como também já foi alvo de reconstrução necessária, por causa das guerras que a afetaram.
Falo da magnífica, imensa e belíssima Catedral de Colônia, dedicada a São Pedro e que enfrentou desde que foi iniciada, no século XIII, anos iniciais da Renascença, que aliás custou um pouco mais a chegar a Alemanha até sua conclusão oficial no dia 14 de agosto de 1880.
Depois, outras guerras vieram e mais uma vez ela ficou marcada pela metralha, pelos obuses, pelos tiros de canhão e pelas bombas.
Dizem que foi poupada por piedade religiosa e respeito durante a IU Guerra Mundial. Obra de um bom trabalho de relações públicas por parte dos Aliados, mentira e das grossas.
Na verdade, os pilotos americanos e ingleses não pouparam a bela catedral de Colônia (ou Köln und Rhein) por sua fé cristã. É que naquela bela curva do rio Reno, nada mais visível e marcante do que o edifício da grande catedral, que passou a ser então o ponto indicativo do local propício para os bombardeios à cidade. Os aviadores aliados simplesmente contornavam a igreja e começavam a despejar sua carga mortífera sobre o centro de Colônia, que foi totalmente destruído, ficando a catedral, “milagrosamente”, de pé.
Serve de lembrete e de modelo de

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