Quinta, 09 de Setembro de 2010

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mpraticável. Interromper o jogo para rever adotar uma posição diante dos fatos do gramado? Além de enfadonho, transformaria o futebol em outro jogo. Não seria mais o futebol que conhecemos e que veio resistindo todas as mudanças e todas as inovações tecnológicas, mantendo a pureza de suas regras básicas desde a metade do século XIX.
Os tempos são outros. Inevitável é o choque entre a ideologia e a tecnologia. Os resultados de um comportamento humano que se parte em cacos podem agora conter o princípio da volatilidade. Foi também em meados do século XIX que Karl Marx escreveu que “tudo o que é sólido se desmancha no ar”.
Por outro lado, aplicar a velha anedota de retirar o sofá da sala, porque nele se desenvolviam atos sexuais proibidos, não resolve a questão. Proibir telões nos estádios como simplistamente se possa imaginar como o adequado (e ao quer consta foi a primeira decisão da FIFA) não resolve a questão e não torna nem o jogo nem os juízes mais ou menos honestos e muito menos resolve o problema inicial da má fé dos clubes, equipes, jogadores, seleções nacionais, treinadores ou dirigentes.
No entanto, as leis que regem o futebol, organizadas em código desde o nascimento da FIFA em 1904 e vigentes desde muito antes pela tradição ou pelas tentativas de consolidação feitas pelos ingleses depois de 1855 quando foi fundado o clube Sheffield United, não são inalteráveis, mas tem se mantido em sua estabilidade básica das 13 regras iniciais, praticamente desde então.
Agora, o que cumpre ao juiz ou “referee” – como dizem os ingleses – é a sua interpretação e aplicação imediata. Pensem no quanto é difícil julgar instantaneamente. O que a lei proíbe e contra o que o juiz tem que ser “inexorável, rápido e enérgico em sua decisão” é o golpe de “má fé, calculado, vingativo, fruto da cólera que não se chegou a dominar”.
Uma tal carga permanente de controle sobre o jogo, considerando todos os interesses e paixões que o futebol concentra, transforma-se num desafio grande demais para uma só pessoa. Mas, ainda não se chegou à uma fórmula capaz de substituir o árbitro.
É lógico que os tempos mudam e esta Copa, particularmente soprará forte para alguma alteração por causa do impacto da tecnologia. Mas... o futebol tem se mostrado mais resistente à mudança do que qualquer outro esporte e talvez seja esta a sua maior e sempre ampliada atração.


Este artigo foi originalmente publicado no jornal ABC DOMINGO, que se edita em Novo Hamburgo, RS, para circular em toda a Região Metropolitana de Porto Alegre, mais Vale do rio dos Sinos e Encosta da Serra postado por walter em 22/06/02

IMATURIDADES

Walter Galvani


Agora não adianta reclamar, o que aconteceu, aconteceu. Uma Copa do Mundo, como já registramos aqui, exige amadurecimento, equilíbrio emocional e nos transmite lições de conduta que, infelizmente para alguns países, atletas, dirigentes ou treinadores, quando produzem seus efeitos é porque são irreversíveis. Já aconteceram, não se dá volta na roda da história.
Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, foi o principal jogador brasileiro na vitória sobre a Inglaterra, jogando tanto que venceu até a má vontade permanente de comentaristas e narradores de redes nacionais de televisão. Não havia mais como estabelecer restrições ao jovem jogador, ele caminhava naturalmente para se tornar o astro maior da seleção brasileira. Até um gol fez e que golaço, pois, como se sabe, os ignorantes só raciocinam a partir do fato da bola balançando as redes. Conseqüentemente os que trabalham na construção das jogadas nem sempre tem o seu talento reconhecido.
E então, por pura imaturidade, Ronaldinho Gaúcho imitou Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu, renomados craques, mas grandes mestres da encenação, capazes da falta de caráter de atingir um adversário e fingirem imediatamente que nada fizeram. Ou como Rivaldo, com aquele papel ridículo que representou diante de milhões de telespectadores do mundo todo, que viram a bola atingir-lhe a perna e ele simular que fora em seu rosto. Pois o nosso Ronaldinho passou com o pé sobre a bola e acertou a perna do adversário. Aquilo que a Internacional Board classifica como “conduta indigna”. Foi expulso e muito bem expulso. Felizmente hoje em dia com a transmissão direta por tevê não podem mais nos enganar com narrativas emocionais e comprometidas não com a verdade, mas sim com as cores do país. Lamento, mas não concordo com tais procedimentos.
Não estou de acordo com a famosa malandragem, com a capacidade de enganar adversários.
Esta Copa do Mundo, graças à capacidade técnica dos equipamentos e dos profissionais do Japão e da Coréia, é também a Copa da desmistificação. Já não se engana ninguém. Se isto se tornou um peso para os árbitros, também serviu para consagrar os bons profissionais e desmascarar os desonestos.
Espero que no tempo que nos sobra de Copa do Mundo, o Brasil se caracterize pelo comportamento correto e que não se produzam tentativas ridículas de enganar adversários, juizes e público. E que nos poupem do espetáculo lamentável dos ponta-pés sem bola ou de puxar os adversários pela camiseta. Aliás, além do vexame de tentar combinar ou de se mancar em campo em busca de um resultado, que triste painel de jogadores puxando a camiseta dos rivais! E não é só brasileiros, não. Ingleses, alemães, americanos, enfim, muitos desses que vieram até às quartas de final.
Continuam as lições da Copa, sendo a melhor, mais importante, mais didática delas, a conveniência de ser humilde.
Não é apenas um conselho para a prática esportiva. Serve para o dia a dia. Prestem atenção e que Deus nos proteja.
Se estão me achando muito rigoroso, digo que moral é como pênalti e virgindade. Não existe rigor, e muito menos advérbio classificando o grau, maior ou menor, em caso de ética. Digo isso em nome do DNA que me transmitiu minha avó Henemann que veio lá da sua saudosa Dresden.


Depois desta Copa do Mundo, as arbitragens nunca mais serão as mesmas. Instant replay é o nome do bicho novo em telões nos estádios e isto enfia a tecnologia boca abaixo da velha e querida International Board. postado por walter em 22/06/02



Depois desta Copa do Mundo, as arbitragens nunca mais serão as mesmas. Instant replay é o nome do bicho novo em telões nos estádios e isto enfia a tecnologia boca abaixo da velha e querida International Board. postado por walter em 22/06/02



Depois desta Copa do Mundo, as arbitragens nunca mais serão as mesmas. Instant replay é o nome do bicho novo em telões nos estádios e isto enfia a tecnologia boca abaixo da velha e querida International Board. postado por walter em 22/06/02



Jogando e aprendendo... postado por walter em 21/06/02

APRENDIZAGEM

Walter Galvani


Cada passo adiante numa competição como a Copa do Mundo de Futebol deixa uma lição de vida. O Brasil venceu a Inglaterra nessa madrugada por 2 x 1, houve um belíssimo desempenho do jovem Ronaldinho Gaúcho, o melhor de todos, mas ele também foi o protagonista do mais lamentável de todos os lances: atingiu, com a sola da chuteira, a perna de um adversário, passando por cima da bola. Ainda riu e tentou disfarçar – talvez por nervosismo – mas não cabia, de modo algum, nem a falta nem a simulação.
Ronaldinho não foi o único jogador a cometer tais irregularidades, nem na seleção do Brasil apenas nem em todos os disputantes da competição. Mas é ele que nos interessa, por ser jovem e nosso conterrâneo. Pena que prefira imitar alguns medalhões que hoje brilham no esporte internacional, mas que não se destacam pelas qualidades morais quando estão em campo.
Esta Copa, contudo, tem sido fantástica como transmissora de lições de vida. O que ela já ensinou a respeito da humildade necessária no esporte e na vida, não tem em nenhum figurino... E sobre a simulação? Senti vergonha por Rivaldo, por seus filhos e pais... O seu fingimento lamentável – deveria ter lhe causado uma expulsão – foi uma triste demonstração de falta de ética que espero não tenha passado a representar um procedimento classificado como “característico” de brasileiros... A qualidade técnica das transmissões de tevê, permitindo que todos vejam, de vários ângulos, os lances importantes, desfazendo quaisquer dúvidas, funcionando como um documento, um testemunho irrefutável, tudo isto transformará 2002 em momento inesquecível.
Voltando a Ronaldinho, automaticamente fora do próximo jogo, que lhe sirva de enorme lição. Enquanto é tempo, que aprenda a ser correto, cavalheiro e humilde. Poderia ser o astro maior da seleção do Brasil. Não sei se terá tempo para repetir o extraordinário desempenho desta madrugada brasileira na batalha da Inglaterra.


De vez em quando é bom mergulhar na História em busca de lições frescas, atualizadas, válidas para os dias de hoje... postado por walter em 20/06/02

A NOITE DE VARENNES

Walter Galvani


Foi um belíssimo filme de Ettore Scola que nos fez mergulhar na História e redescobrir o dia 20 de junho de 1791 e passar a tratá-lo sob a mesma denominação que o grande cineasta italiano, um dos últimos monstros sagrados do antigo e fantástico “cinemão” – aquele que justificava uma saída de casa e não este besteirol de hoje em dia - como “A noite de Varennes”. Eu o assisti pela primeira vez no Cine Londres, na Avenida de Londres, em Lisboa em 1993. Tratei de revê-lo quando foi exibido no Brasil e um dia desses aluguei-o numa loja de vídeos. Tenho agora uma cópia em casa, comprada e não pirateada, atenção “signore” Ettore Scola.
Posso ir à minha cinemateca particular onde “A noite de Varennes”, no Brasil chamado “Casanova e a Revolução”, convive com “Cidadão Kane”, “O Vampiro de Düsseldorf” e outras preciosidades e salvar assim a minha noite de domingo, quando a televisão consegue bater o próprio recorde de exibição de asneirices.
Varennes é uma pequena cidade da França, já próxima à fronteira. Luís XVI fugindo da Assembléia Nacional que se transformara em Constituinte, tentava chegar à Áustria aonde iria se integrar com os parentes de sua mulher, Maria Antonieta, e reconquistar o poder que lhe fugira das mãos. Era o início da chamada Revolução Francesa que no entanto ainda o tolerara no poder por dois anos. Sua cabeça não permaneceu em seus ombros por outros dois. Foi guilhotinado a 21 de janeiro de 1793, depois de haver sido mantido como prisioneiro, acusado de alta traição ao país, julgado e condenado. Enquanto tudo isto acontecia, chocava-se o ovo da serpente: um jovem tenente de artilharia, Napoleone Bonaparte, filho de italianos da ilha de Córsega, começava inquieto a brilhar nas fileiras do exército. O resto da história, todos sabem.
No filme, Scola promove a aparição de Casanova, interpretado magistralmente por Marcello Mastroiani, e outros personagens emblemáticos daquela noite histórica em que o rei, em fuga, é descoberto e detido na pequena cidade, mudando-se o curso dos acontecimentos e os destinos da França e do mundo. Em 1793 ele subiria ao cadafalso, a monarquia deixava de ser intocável, a burguesia triunfava. Depois foi o dilúvio, o Terror que cortou as cabeças dos próprios revolucionários.
Adote-se o que pregam os revolucionários, aparem-lhes os excessos e... cabeças, parece ter sido a lição que ficou daqueles dias...





Apesar de tudo, sempre a Humanidade vai avançando. O registro de fatos positivos nos faz muito bem postado por walter em 19/06/02

538 ANOS DE CORREIOS

Walter Galvani


Podem tomar-me como um homem satisfeito com os correios. Imaginem só se ficássemos sem este sistema de comunicações, afinal de contas de entendimento entre os homens. Pois tudo começou num dia 19 de junho em 1464, portanto há 538 anos. O rei Luis XI de França instituiu o serviço que, inicialmente, atendia os interesses da coroa com homens a cavalo, mais tarde “diligências”, carruagens que trocavam os animais nos postos chamados de “posta” e justamente aí a origem da palavra “postal” igual a correios em praticamente todos os países.
Posta era a cocheira, numa estrada, onde se efetuava a troca dos cavalos. E assim, com este sistema de velocidade que significava utilizar sempre animais descansados para mais um trecho, cobriam-se distâncias enormes para a época, de 200, 300 quilômetros, em poucas horas ou melhor em dez, doze ou quinze horas. Em um dia de serviço de posta, os editos reais estavam em todos os extremos do país. E com isto tinha-se o mando, o comando, a unificação e a obediência das populações à uma monarquia atuante. Depois o serviço de posta passou a servir diretamente à difusão das notícias, a entrega de jornais, cartas pessoais, ordens de crédito, letras de câmbio, enfim, toda a economia – como ainda hoje – passou a circular pelas artérias da nação. E do mundo.
Quanto entendimento e também desentendimento, quanta conciliação, quanta discórdia, quanta paz e quanta guerra nas patas destes cavalos que vieram se sucedendo até serem substituídos por veículos motorizados. Carros que aliás tem seus motores identificados por tantos “cavalos de força”.
Saúde pois a este nobre animal que, domesticado ou domado, tantos serviços tem prestado ao homem. Nessa hora é bom não esquece-lo.


O Brasil deu mais um passo na Copa, 2 X 0 sobre a Bélgica, e agora vem um grande e tradicional adversário postado por walter em 17/06/02

A BATALHA DA INGLATERRA

Walter Galvani

Os brasileiros estão “muito contentes” – foi mais uma vitória do Brasil, no “soccer”, ou seja no futebol, e mais contentes que todos os brasileiros estão Fernando Henrique e José Serra. Ou seja: o presidente e seu candidato à presidência. Não se iludam, ninguém torce mais do que eles dois para nossa vitória na Copa do Mundo. Como se sabe, time que ganha não se modifica e sorte é sorte, o povo brasileiro sabe disso. Se você que está no exterior pensa que estou brincando, esqueça. Não estou.
O time passou adiante – 2 x 0 sobre a Bélgica – embora sem demonstrar qualidades de uma equipe indestrutível, imbatível.
Agora, sexta-feira, vem aí a Batalha da Inglaterra, com todos os ingredientes característicos de um grande jogo, diante de um possível finalista, tanto quanto o Brasil.
Não basta jogar muito bem. É preciso saber que em ocasiões como essas, as virtudes de planejamento, tranqüilidade, calma, predominam sobre a loucura de uma busca insensata pelo gol adversário.
O jogo entre Brasil e Inglaterra é uma espécie de final antecipada. Como em 1970. Mas, há outros candidatos, é bom não esquecer para não perturbar o leitor, ouvinte, telespectador, internauta com a euforia de uma vitória.
A propósito: apesar de que desgostem de alguns jogadores, não se pode esquecer a atuação de alguns como o goleiro Marcos, um gigante na hora mais difícil de pressão belga e Ronaldinho Gaúcho o construtor da maioria das jogadas de ataque até o gol de Rivaldo, criação exclusiva da sua “grife”.
Aos poucos se consolida a candidatura do Brasil às finais da Copa. Mas é bom lembrar que quartas de final, como nas oitavas, venceu passou adiante. E quem fica, ficou para trás. É a hora do adeus. Todos estarão diante do mesmo desafio. E rezar não adianta. Isto é para os místicos. Os jogadores, além da bênção do Aquém e do Além, precisam de técnica, treinamento, trabalho e seriedade. O que, a partir do que se sabe do Felipão, está havendo.
Há problemas pessoais que entram em jogo. É bom não esquecer, como diz meu neto Lucas Silveira Gonçalves (3 anos): “debaixo desta roupa há um corpo humano”...


O frio gostoso que acalenta a classe média e a classe A, faz a desgraça dos pobres. Pensemos um pouco, em todos postado por walter em 16/06/02

A ESTÉTICA DO FRIO

Walter Galvani


Cultivamos o frio como um elemento a mais para compor nossa realidade, uma contribuição para o bem estar, o conforto, a boa vida, uma verdadeira estética, integrada pela boa mesa, bons vinhos, roupas de lã, casas com calefação ou pelo menos ar condicionado, restaurantes acolhedores, cidades turísticas como Gramado, Canela, São Francisco de Paula, Nova Petrópolis, enfim, algo com jeito de Primeiro Mundo. Assistimos e ouvimos a Copa do Mundo, festejamos o encontro das pessoas e a confraternização das famílias, tudo o que a boa vida pode nos trazer de bom.
Há uma outra face: enchente que atinge as populações ribeirinhas que permanecem em suas casas inundadas para que não lhes roubem os poucos pertences, o frio que atinge pessoas de todas as idades gerando o surgimento ou agravamento de doenças, a fome, a miséria, as dificuldades econômicas que aumentam. Isto não é a elegante estética do frio, mas o reconhecimento da sua implacável existência.
Este é o lado dos espinhos nesse nosso profundo e mítico sul.
Anualmente se repete este clima de dificuldades e carências. E enquanto os carros climatizados rodam para a Encosta Superior do Nordeste ou para as localidades “de cima da Serra”, onde se comerão pinhões, “fondue” e se tomará bons vinhos, os botes removem as famílias flageladas. O vento sul empurra a chuva embora, mas represa os rios. Os pobres ficam ainda mais pobres e a vida continua.
Daqui a pouco o inverno terá terminado, os desalojados voltarão para casa exatamente nos mesmos lugares e nada mais se fará.
Quando chegarem as eleições em outubro, votaremos nos mesmos candidatos e tudo continuará “como dantes no quartel de Abrantes...”.
Logo chegará a Primavera, depois o Verão, irão todos (os que puderem) para a beira do Atlântico e assim como se faz aqui, mesmo antes da chegada dos portugueses e açorianos, repetir-se-á o êxodo das populações para o litoral.
Continuaremos a cultivar a rude e elegante estética do frio. E os pobres, sem nome nem importância social, continuarão sofrendo e morrendo em suas moradas precárias, à beira dos rios, arroios, regatos emporcalhados pela poluição e pelo mau uso, pela desídia e pela inoperância das autoridades que escolhemos.
Anualmente, de forma cíclica, se repetem nossas queixas, nossas tristezas, nossas alegrias. Primeiro a seca, depois a enchente, o calor excessivo, depois o frio terrível, a falta de agasalhos, a fome, a má alimentação, enquanto a sociedade se torna cada vez mais desequilibrada, porque os que podem, em número cada vez menor, cada vez podem mais e os que não podem, em número cada vez maior, cada vez podem menos.
Nesta lógica irrefutável e aparentemente irrevogável, segue a nossa vida aqui neste mítico e profundo sul.
Até quando?
Deixo a conclusão para os que tem a cabeça ainda no lugar. Sobre os ombros. Amanhã ou depois tudo pode mudar. Ah e se não tiverem pão, sigam o conselho de Maria Antonieta, antes da Revolução Francesa: “Porque não comem brioches?” Saberemos hoje, 223 anos depois, extrair as lições adequadas? Temo que não.
Lembrando apenas que nada é para sempre, que o mundo muda e se renova e quem não se atualiza afunda no passado, sem saber aproveitar-lhe as lições.
Crônica originalmente publicada no jornal ABC DOMINGO, editado em Novo Hamburgo (RS) em data de 16 de junho de 2002


Continuamos a tirar lições da Copa do Mundo. postado por walter em 13/06/02

VEXAME, VERGONHA

Walter Galvani


Faltavam três minutos para terminar o jogo. Itália e México estavam empatados em 1 x 1 e souberam os jogadores que a Croácia fora derrotada pela Equador, portanto aquele resultado ali classificava os dois países. E foi então, que diante daquele público magnífico que os incentivou o jogo inteiro, mexicanos e italianos protagonizaram a vergonha das vergonhas.
Com a bola nos pés os jogadores do México ficaram trocando passes laterais e recuando a bola para o goleiro, recomeçando a jogada, liderando o lamentável espetáculo de desrespeito. O juiz gaúcho Carlos Simon, impossibilitado de intervir por não encontrar respaldo nas regras do futebol, impotente, assistindo.
Mas agora me pergunto: será que não existe mesmo uma regra que estabeleça que o desrespeito ao público deva ser punido?
Os italianos, satisfeitos com o 1 x 1 que lhes dava a classificação, não esboçaram nenhuma ação para tomar a bola aos mexicanos. Foi um acerto. Um arreglo.
Preferiria que a FIFA punisse a ambos.
Não sei se vai encontrar alguma forma a entidade máxima do futebol, ou se vai ficar apenas numa advertência, talvez uma boa multa. Ou nada.
Del Piero fez um golaço, o de empate e classificação e festejou apontando com o indicador para Deus. Ou Júpiter, não sei ainda. De qualquer forma, ele invocou a “ajuda de cima” e festejou-a correndo pelo campo todo, até ser alcançado pelos companheiros.
Pena que o espetáculo tenha sido comprometido por esta “conduta indigna de cavalheiros” – procurem, tem no regulamento, que controla este jogo há no mínimo cento e trinta anos.
No mais, o Brasil passou goleando a Costa Rica por 5 x 2 e teremos assim pelo menos estes dois campeões mundiais no prosseguimento dos jogos. Ah sim, há também a Alemanha. Achtung, o time alemão é sempre uma reprodução ao vivo da “Wermacht”. Quando eles botarem em ação sua “panzer divisionen” não sei o que será dos rivais.



postado por em 12/06/02



Enquanto o mundo se distrai com a Copa, a economia vai deslizando, aos trancos e barrancos.. postado por walter em 12/06/02

A ALTA DO DÓLAR
A QUEDA DO REAL

Walter Galvani


O dólar está batendo recordes de alta, a Argentina foi eliminada da Copa, e não estamos tentados a escrever, como se costuma, “no llores por mi Argentina”... Porque, daqui a pouco, certamente teremos de escrever “no llores por mi Brasil...”
A situação é muito mais difícil do que se imagina. A população brasileira está endividada como nunca, em cartões de crédito e empréstimos bancários, em compromissos comuns do dia-a-dia e por enquanto uma frágil cadeia sustenta no ar a economia popular.
As empresas se preocupam, o consumo cai, todos os indicadores econômicos apontam para uma grande dificuldade geral que se eleva como uma lua vermelha no horizonte do país.
Enquanto isso, a maioria da população, angustiada pelo fascínio da Copa do Mundo, ignora o que de fato acontece. Só há um pensamento, torcer pela seleção, não importa a hora dos jogos (esta é a Copa da madrugada por causa do fuso horário) – e a paixão paralisa negócios e atividades comuns.
Vamos nos preparar para o fim do sonho, mesmo que o Brasil venha a se tornar pentacampeão do mundo do futebol. Quando voltarmos à realidade, veremos que o dólar está beirando os 3 reais e dependendo do resultado das eleições gerais de outubro, ainda irá adiante.
Atenção e cuidado, redução do endividamento, é o que se quer. Se você puder fazer isso, melhor.


Sejamos humildes. Lição de vida, e também uma aprendizagem no esporte, treinamento para o mundo postado por walter em 11/06/02

LIÇÕES DA COPA

Walter Galvani


A eliminação da França, a briga de Ronaldo com o fotógrafo gaúcho Aveline Neto por fotografá-lo num bar na hora do lazer, as reações dos jogadores brasileiros contra as punições por simulação, o fracasso de alguns grandes nomes e a eliminação, mesmo lutando, mesmo peleando, do Uruguai, três vezes campeão do mundo que também já voltou para casa, apenas algumas lições da Copa do Mundo que tem um denominar comum: o bom mesmo é ser humilde.
Conta-se sempre a história retirada da Bíblia, Novo Testamento. Jesus chegou a uma festa e colocou-se nas últimas filas, ao mesmo tempo que um discípulo seu se abancava numa bela cadeira, num dos melhores lugares da primeira das filas. O Mestre chamou-o e lhe disse: “Nunca sentes nos melhores lugares. Procures sempre uma colocação discreta. Assim, não ocorrerá que o anfitrião te chame e diga: “ Fulano, passe mais para trás, eis que necessito do teu lugar para uma pessoa muito importante. Melhor será que este mesmo anfitrião vá buscar-te e te traga para uma posição mais destacada.”
Assim, os franceses que chegaram à Ásia com a banca de grandes campeões, estão em casa curtindo sua desclassificação. E os brasileiros, Felipão inclusive, bem que poderia tomar um banho de modéstia.
Sempre é melhor ser o convidado a passar para os bancos da frente...


A Copa do Mundo, como uma grande competição internacional, nos propicía notável lição de comportamento postado por walter em 10/06/02

APRENDER A TER HUMILDADE

Walter Galvani

Sem dúvida, posso dizer hoje que chego aos 68 anos, uma das coisas mais difíceis na vida é aprender a conviver com a possibilidade de que os outros tenham razão, que sejam melhores do que você em sua atividade e que na vida há algo mais importante do que resultados esportivos... Fundamentalmente, é o aprendizado da humildade que marca o amadurecimento talvez, que para alguns chega tardiamente. Outros, mais felizes e inteligentes, na juventude já incorporam esta qualidade que se soma à sua possibilidade de alcançar a felicidade.
Nesse fim-de-semana fiz vários contatos telefônicos, com a Argentina e com Portugal e soube que nestes dois países, além de acompanhar a seleção nacional (deles, é claro) na Copa do Mundo, também se torce para o Brasil. Somos o segundo país para os portugueses e o terceiro para a Argentina. Em Buenos Aires, meus amigos dizem: “Si no gana Argentina, que gane España. Y si no gana España, que gane Brasil!”
Em Portugal, nem preciso dizer. É festa e festa, no mais casatiço português, é claro.
Copa do Mundo é apenas uma competição esportiva. Devria sê-lo. Na verdade é uma disputa de vaidades, de orgulhos nacionais, de guerra. De ódio, também. De nenhuma piedade e de desprezo aos rivais.
No meio desse calor há espaço para todas as demonstrações de prepotência. Ronaldo, jogador do Brasil, arrancou a máquina de um fotógrafo, porque o profissional fixara cenas de uma comemoração num bar.
Já vi este filme. Mas anos atrás.
Mesmo sem saber o que ocorre de fato em campo, os brasileiros desprezam os rivais. Vamos rezar para que não nos aconteça o que se passou com a Itália, segundo todas as fontes “garfeada” no jogo com a Croácia.
Tudo isto, no entanto, é esporte. O pior é a mentira, a inveja, a desonestidade. Um dia desses, jogadores como Roberto Carlos e Rivaldo defenderam a simulação como um procedimento correto.
Este é o país que queremos que sirva de exemplo ao mundo?
No tempo de Garrincha, Pelé, Tostão, Zagalo, Bellini, Mauro, Gilmar, mais ainda outros, no tempo de Didi, Zizinho, Leônidas e Ademir, Domingos da Guia e Bauer, não era necessário “ enganar” o adversário com simulações, falsidades. Ganhava-se no jogo. Passando por cima de quaisquer enganos ou injustiças.
A melhor receita para os tempos modernos é aprender a ser humilde.
No meu caso pessoal, torço para o Brasil, como bom torcedor que sempre amou o esporte (além disso atuei como jornalista esportivo por mais de um decênio) – por todos os sul-americanos, começando pela Argentina, naturalmente por Portugal, pela Itália e pela Alemanha. E por todos os envolvidos na competição. Para que dê sorte para Japão e Coréia a organização. Pelo esporte mundial. Pela vitória do melhor e pela lição de humildade para todos os derrotados.


Esta semana tivemos duas interrupções de estradas importantes no estado de Santa Catarina, fundamentais para a ligação com o extremo sul. A BR 101 e a 470 foram paralisadas por algumas horas, com a promessa de paralização por tempo indeterminado na próxima vez, se o governo federal não der início aos processos de duplicação. É o povo que, diferente de antigamente, não tem mais paciência. Quem é que imaginaria tal "desobediência civil" nos anos cinqüenta? Pois, hoje é assim. E os governantes que se cuidem, porque a cobrança será sempre mais e mais intensa. Quanto aos políticos, cuidem-se. Tem muita gente boa por aí, mas uma boa pesquisa de opinião pública no Brasil revelaria que o que disse o presidente do Uruguai a respeito dos argentinos "son todos ladrones", poderia ter um alto índice de concordância no Brasil. Aliás, roubar do erário público não é privilégio nosso, nem de ninguém. É um procedimento muito antigo no seio da chamada Humanidade... postado por walter em 08/06/02



Eis uma data importante na constituição inicial da terra brasileira: 508 anos, hoje, do Tratado de Tordesilhas postado por walter em 07/06/02

TORDESILHAS

Walter Galvani

O mundo moderno começava a desenhar-se naquele final de século quinze. Num dia 7 de junho em 1494, reuniam-se as delegações da Espanha e de Portugal, países mais poderosos da Europa, que dividiam o mundo através da aventura das suas navegações e finalmente chegavam a um acordo na pequena localidade espanhola de Tordesilhas. Mais tarde o rei de Portugal, o sábio João II e os “reyes catolicos Fernando y Isabel”, sancionavam o que os seus diplomatas haviam acordado. Dom João a 5 de setembro em Setúbal e os reis de Castela e Aragão a 2 de julho, em Arévalo. E assim, setenta milhas além das 300 acordadas anteriormente traçava-se a linha que ficou conhecida como a do “Tratado de Tordesilhas”, que incluiria em área portuguesa as terras brasileiras. É só por isto que hoje temos a língua portuguesa e sua cultura, seu espírito e seu caráter, como fundamentos da nação brasileira.
Somos hoje brasileiros porque naquele dia 7 de junho, há 508 anos, atendendo ao planejamento estratégico do genial Dom João II, firmava-se o acordo. A linha, hoje sabemos, passaria à altura de Laguna, aqui no estado de Santa Catarina. Para oeste, Espanha.
O português, sexta língua mais falada no mundo de hoje, tinha assim mais um território e que terra! O Brasil, como realidade política e cultural, nasceria seis anos depois, com a chegada da frota comandada por Pedro Álvares Cabral, propositalmente enviada para as bandas do Ocidente, confirmando o que já se sabia: a existência deste território, o tratado firmado em Tordesilhas e a ratificação do mesmo pelo papa Júlio II. Duarte Pacheco Pereira, ilustre navegador português, autor do “Esmeraldo de situ orbis”, publicado em Lisboa em 1503, integrava a esquadra de Cabral, como um dos seus principais capitães.
Havia um item no tratado que aliás nunca foi cumprido. Ele estabelecia que, dez meses depois da assinatura, portanto em torno de abril do ano seguinte, “duas ou quatro caravelas, representando os dois países, teriam ponto de reunião nas ilhas Canárias e depois seguiriam para o arquipélago do Cabo Verde, par viajarem no sentido norte e no sentido sul para fazer a demarcação”. Nunca houve e muitas guerras se travaram entre os dois países na América e na Ásia pela posse das terras. O Brasil foi estendido para o sul, para o oeste e para o norte. Muita luta no campo de batalha e nas mesas da diplomacia. E afinal ganhamos os contornos de hoje.
Tudo começou naquele 7 de junho.
Caso contrário estaríamos amargando a derrota diante da Inglaterra, por 1 x 0, justamente neste dia de aniversário... Brincadeiras aparte, falaríamos espanhol, seríamos outras pessoas, nossa história teria sido muito diversa.
Faríamos parte do grande império ou do vice-reinado do Prata ou sabe-se lá o que teria sido.
Como se sabe não se dá ré na roda da História. O que foi, é e será sempre. Podemos revisar para descobrir causas reais, desfazer mitos, restaurar a verdade. Mudar o que já aconteceu, nunca.



Dia 6 de junho: data de nascimento de Diego Velasquez em 1599, de Corneille em 1606 ou de Thomas Mann em 1875. Nomes que a humanidaade não esquecerá jamais. Para mim, que estou aqui na ilha de Santa Catarina, dia de festejar Salim Miguel, "o intelectual do ano" no Brasil. Ainda ontem estive com ele abraçando-o pelo lançamento do livro "Memória de Editor" em que ele e Eglê Malheiros são entrevistados e contam sua vida, a revista Ficção e sobre o Grupo Sul. Mas, também deve ser um dia de preces. Lembremos 1944. postado por walter em 06/06/02

O MAIS LONGO DOS DIAS

Walter Galvani


A memória da humanidade é volátil. Nem é sólida, mas se desmancha no ar... Hoje, 6 de junho, foi em certo momento considerado “o mais longo dos dias”, aquele que mudou os destinos do mundo moderno, o Dia D. Nessa data, há 58 anos, o desembarque aliado nas costas da Normandia, mudou o destino da Segunda Guerra Mundial e levou a Alemanha nazista à derrota em pouco menos de um ano.
Já esquecemos ? Vide ascensão dos movimentos racistas, neonazistas, de massacradores étnicos, de direitistas de posições extremas. Parece que já esquecemos. No entanto, aí está, hora de refrescar a memória com “o mais longo dos dias”, aquele que custou milhares de vidas, principalmente de cidadãos americanos, que se sacrificaram pela democracia.
Nunca é demais lembrar e principalmente aos Estados Unidos, o que eles foram capazes de fazer, generosamente, no passado, pela vitória dos direitos humanos, da liberdade, da igualdade e da fraternidade mundial.
Hoje, cinqüenta e oito anos mais tarde, o mundo ameaçado por uma guerra nuclear a depender da prudência da Índia e do Paquistão, com o Oriente Médio engolfado numa guerra étnica e religiosa que pode fazer saltar com o petróleo a paz em todo o globo, com as injustiças, diferenças, desníveis, desgraças e pobreza, esta é a nossa realidade.
Num momento desses, vamos nos distraindo com a Copa do Mundo.
Não é só no Brasil que “continuam jogando futebol” enquanto a casa amaça cair. Mas, fazer o que ?
Se não houver uma conscientização mundial, uma solidariedade e força total a ONU, no que dará tudo isso ?
Penso em rezar durante o dia de hoje, o “mais longo dos dias”...


Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Falaremos disso. Mas também quero salientar o dia extraordinário que vive Florianópolis, com a escolha do Intelectual do Ano pela UBES: é Salim Miguel. E o lançamento do gaúcho-catarinense Mário Pereira, "Ao pé da letra". postado por walter em 05/06/02

O INTELECTUAL DO ANO

Walter Galvani


Por sorte estou em Florianópolis, no dia em que é conhecido o resultado da escolha do “Intelectual do Ano”, procedimento anual da UBES (União Brasileira de Escritores) que se realiza há 39 anos. E por mais sorte ainda, sou amigo de Salim Miguel e assim estou bem próximo dele para poder cumprimentá-lo pessoalmente. Além disso, esta noite, ele e sua companheira, Eglê Malheiros, são o centro dos acontecimentos também pela apresentação do livro “Memória de Editor”, pela Escritório do Livro, na Coleção Memória do Livro, da gaúcha Dorotée de Bruchard, que também está radicada aqui na Ilha de Santa Catarina.
Mas eis que em meio a este “Dia Mundial do Meio Ambiente”, por sobradas razões assinalado com muita ênfase aqui na capital catarinense, se fica sabendo que é Salim Miguel o Intelectual do Ano, que receberá o Prêmio Jucá Pato, da UBES, que já premiou tantos outros nomes ilustres como Francisco Clementina Santiago Dantas, Luís Fernando Veríssimo e Érico Veríssimo, por exemplo.
O dia está movimentado aqui em Florianópolis e eu diria que mais do que movimentado: esta mesma noite, o jornalista e escritor Mário Pereira lança seu livro “Ao pé da letra” no qual analisa a obra de 14 autores catarinenses e analisa a Leitura como Transgressão, concluindo com uma crítica muito procedente ao jornalismo que se está praticando no país, ele que é jornalista há quarenta anos. Mário é gaúcho, descendente de ilustre família de jornalistas. Tem pedigree e mais que isso, pratica como poucos a boa qualidade literária em seus textos no Diário Catarinense.
Sauim Miguel é libanês, mas veio garoto para o Brasil. A história de sua vinda e de sua família, rendeu-lhe o “Nur na Escuridão”, premiado na Jornada de Literatura de Passo Fundo do ano passado e agora, soma-se aos seus títulos e prêmios este Juca Pato.
Mas não fica por aí: Salim Miguel receberá no dia 13 de junho, o título de “Doutor Honoris Causa” pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Já estou trabalhando junto ao Geraldo Huff, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro para que Salim Miguel seja convidado para a Feira do Livro , o que ajudará a feira a granjear ainda maior prestígio.
O dia é bastante intelectual como se vê e é preciso comemorar também o aumento da consciência ambiental, o que á uma grande vitória. Ainda mais quando os catarinenses reconhecem que o seu patrimônio fantástico, vetor número 1 do turismo de massa que é sua grande indústria, está ameaçado pela falnta de investimento no saneamento básico. Doze de suas praias estão hoje sem condições de balneabilidade.
Na área cultural, contudo, Santa Catarina tem muito o que comemorar. Salim nasceu em Kfarsouroun no dia 30 de janeiro de 1924. Chegou ao Brasil com três anos e aqui fez sua carreira de livreiro, jornalista e escritor. Foi cassado, preso, libertado, emigrou para o Rio e voltou para sua terra de adoção. E sobretudo é um dos criadores do Grupo Sul, e da Revista Sul.
Quando viveu no Rio e trabalhou na Manchete, criou a inolvidável revista “Ficção”. No ano passado, com “Eu e as corruíras” (Crônicas, não só) comemorou cinqüenta anos do seu primeiro livro, “Velhice, e outros contos”.
Grande amigo dos amigos, seu traço maior é a extraordinária generosidade. Todos os prêmios que lhe derem agora, serão muito pouco para assinalar toda a dimensão do seu caráter.



Não podemos ter dois pesos e duas medidas, uns a nosso favor, outros contra. Foi ótimo vencer a Turquia. Mas, duas simulações dos nossos jogadores, hoje depõem contra nós pelo mundo afora. Sejamos justos. E tratemos de jogar que é o que interessa. postado por walter em 04/06/02

A SIMULAÇÃO

Walter Galvani

Foram instruídos os árbitros, pela FIFA, a atuarem contra qualquer tipo de simulação nesta Copa do Mundo e neste sentido deverão ser muito rigorosos, tanto aplicando cartões amarelos e vermelhos, quando punindo com falta. No primeiro momento os brasileiros se sentirão chocados, mas se o que se deseja é uma defesa da ética em todos os momentos da vida, se a lição é válida para todos, temos que fechar questão a seu favor.
Nesse sentido, é preciso lamentar a simulação do jogador Luizão, que foi puxado pelo adversário fora da área e continuou até se atirar, procurando ir ao chão dentro da área o que garantiria o pênalti, como acabou ocorrendo. O que ele fez? Simulação pura. O que ele mereceria, de fato? No mínimo um cartão amarelo. O que ocorreu como conseqüência da sua simulação? Justamente aquilo que não se quer que ocorra: através da má fé conseguiu a marcação da penalidade. O que acabou dando o gol e a vitória do Brasil.
Mais adiante Rivaldo recebe uma bolada na perna e simula que foi no rosto. Qual é o nome disto? Fraude.
Resultado da sua simulação: o jogador turco foi expulso.
Não se retroage em futebol, como na vida. Tanto é assim que o erro do árbitro considerado “de fato” não pode passar por reexame. Errou e pronto. Acontecendo, produziu efeitos irrevogáveis. Só seria anulada uma partida em que o juiz manifestamente cometesse um “erro de direito”.
Não podemos aplaudir a severidade contra a simulação de um modo geral e condená-la contra o Brasil. Foram erros de fato cometidos pelo árbitro, resta torcer para que não ocorram contra nós.
Torcer não significa fechar os olhos ao que é correto, e querer a ilegalidade se ela nos favorece.
É preciso jogar o suficiente para não contar com a malandragem no mau sentido. Picardia sim, mas não incorreção, violência ou fraude a nosso favor.
A Argentina aplaude até hoje um gol com a mão de Maradona que lhe valeu o título mundial. E então? Hoje a incorreção levou o país a situação traumática em que se encontra.
Não pensem que me iludo, achando que o futebol tem que ser um jogo de anjos, pois na verdade é praticado por homens. Portanto é necessário admitir que cometam falhas, que sejam incorretos, que, para ganhar queiram enganar os adversários. Mas para isto existem os árbitros. Justamente para “arbitrar” o que é certo.
Ganhamos em 58, 62 e 94, com a qualidade dos nossos jogadores. Também por erros dos adversários, claro. Mas esta é a essência do jogo. Agora, com fraude não fica bem. Nunca poderíamos enaltecer um feito desses.
Também é preciso dizer que não foi culpa nossa que o árbitro tenha aceito a simulação de Luizão (que aliás é o que fazem habitualmente jogadores de todas as nacionalidades). Este já é um fato e é um fato do passado.
Brasil 2 x Turquia, 1, já está escrito e nada revogará o resultado. Já festejamos a vitória e nos preparamos para o jogo com a China. Mas nunca é demais colocar na preleção e isto cabe ao Felipão, que é preciso respeitar as regras de conduta no futebol como na vida.
Também se pode tirar uma cópia da preleção do Scolari para distribuir entre os políticos. Nacionais e do exterior.



Brasil, 2 x Turquia, 1, bom começo objetivamente, mas os erros brasileiros foram muitos. É preciso ir ajeitando o time para passar adiante do grupo. Em Copa do Mundo, não se perdoam erros (como no gol turco) infantilidades (como a ânsia dos atacantes brasileiros de quererem resolver tudo sozinhos) nem procedimentos táticos equivocados postado por walter em 03/06/02

SUFOCO, PARA COMEÇAR

Walter Galvani

Vencer a Turquia por 2 x 1, não é um mau resultado, ainda mais considerando as circunstâncias da partida: trata-se de Copa do Mundo, houve uma falha tática da defesa do Brasil que causou o gol turco, abrindo o escore e os jogadores brasileiros, além do impacto da estréia em si, estavam visivelmente desestabilizados. Influência da ansiedade, da falta do capitão Emerson que se contundiu num treino bobo antes da primeira partida e do pouco entrosamento. E também da confusão tática.
Além disso havia o desejo de marcar logo o primeiro gol e com isto perderam-se oportunidades, uma atrás da outra, por Ronaldão, por Ronaldinho Gaúcho e principalmente por Rivaldo que pretende resolver tudo sozinho.
Na verdade, todos os jogadores brasileiros padecem desta grave doença de se acharem “super-craques” e como tal semideuses capazes de solucionar tudo por conta própria. Não precisam dos demais semideuses...
Assim foram se sucedendo no primeiro tempo os lances desperdiçados até que chegou a vez da Turquia. E pimba, bola dentro. Obra de Hazan Sas que, como a maioria dos seus companheiros atua em clube da Europa Ocidental. Ou, aonde se concentram os melhores do mundo, como bem o sabem os brasileiros seus companheiros de clube em muitos casos.
Descontando esta absurda tendência de se acharem melhores do que os outros, desarrumados taticamente, seguiram os brasileiros num sufoco que só foi desfeito no segundo tempo, aos 4 minutos e meio, quando Ronaldo descontou toda a sua longa carência e jogou-se inteiro numa bola cruzada por Roberto Carlos, para dentro do gol: 1 x 1.
O desempate e a vitória veio num pênalti cobrado por Rivaldo quase ao final, quando o descontrole nervoso turco já assegurara um predomínio brasileiro.
E assim, foi dado o primeiro passo pelo Brasil, num grupo onde além da Turquia, há Costa Rica e China, países mal colocados no ranking da FIFA. Mas Copa é assim mesmo e é preciso não se descuidar. A China, apoiada por imensa torcida, pode incomodar.
Em todo o caso, ao lado da Argentina e da Alemanha, a equipe brasileira alinhou os 3 pontos inaugurais, necessários para justificar algum favoritismo. Melhor isso do que perder para o Senegal e correr atrás do prejuízo como será o caso da França.
Mas, é preciso arrumar a seleção do Brasil que não está jogando nem em 4-4-2 nem em 3-5-2, nem em nada. É ao Deus dará... Dessa vez, deu.


Não vejo comemorações em todo o país, como deveria ser, pelo Dia Nacional da Imprensa que é hoje, primeiro de junho, e não mais a 10 de setembro, como era antes. a data anterior assinalava o início de circulação da "Gazeta do Rio de Janeiro". Mas agora, comemoramos o "Correio Braziliense" postado por walter em 01/06/02

O DIA DA IMPRENSA

Walter Galvani


Há três anos a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) obteve uma grande vitória em nível nacional: conseguiu através de uma emenda mudar o dia da Imprensa no Brasil de 10 de setembro, data em que se assinalava o início da circulação do diário oficial da corte portuguesa exilada entre nós, para o dia 1º de Junho, quando em 1808 apareceu em Londres a primeira edição do “Correio Braziliense”, o jornal editado por Hipólito José da Costa.
O significado desta alteração é altamente político: antes comemorava-se o jornal do governo, o reino das notícias oficiais. O “Correio Braziliense” se caracterizava justamente pela sua combatividade, pela sua pressão a favor do Brasil e por suas críticas à coroa lusitana.
Tudo a ver com a nossa luta pela independência que, aliás, veio depois, quatorze anos mais tarde.
Hipólito nasceu em Colônia do Sacramento, foi educado em Pelotas, depois seguiu para Portugal, onde se formou em Direito em Coimbra, tornou-se maçom, foi perseguido pela Inquisição e acabou se asilando em Londres.
Toda uma trajetória em busca da liberdade de pensamento e expressão.
O Rio Grande propôs a mudança através de proposta do deputado Nelson Marchezan, mas não tenho visto muito apoio através do Brasil, à nova data. Ou não foi suficientemente explicado ou tornou-se algo assim como “coisa de gaúcho”. É preciso entretanto ver como a coisa caminhou: aprovada a mudança pelo Congresso, o presidente Fernando Henrique sancionou a nova lei estabelecendo portanto o dia 1º de junho como o Dia Nacional da Imprensa.
Agora, no Brasil tudo é possível... Será que “não pegou”?



Vamos deixar Constantinopla de lado, afinal fazem 569 anos da sua queda que marcou o início da chamada Era Moderna... Mas, leiam e vejam o que é a objetividade americana. Como nos vêem e o que pensam da Seleção do Felipão postado por walter em 29/05/02

VISTO DE LONGE É ASSIM...

Walter Galvani


O jornal americano “The New York Times”, conhecido por sua objetividade e conteúdo nacionalista, publica matéria dizendo que só 100 torcedores prestigiaram o embarque dos atletas brasileiros para a Copa. O mesmo jornal afirma que o Brasil, depois de 6 derrotas e testar 59 jogadores, classificou-se na última partida das eliminatórias.
Tudo certo, afina com os fatos, mas desafina com a interpretação. Coisa de americano, que não entende de futebol e jamais entenderia o quiproquó de Romário, as mudanças de técnicos e o sentido de integração da seleção com o povo brasileiro.
Naturalmente classificando tudo de exageros e excessos latinos, o NYT se assombra com tanta confusão e acha que o Brasil não emplaca as quartas de final e muito menos o título mundial.
Nós já achamos que o turrão Felipe Scolari sabe o que está fazendo e que lá na Coréia, longe dos olhos dos exigentes 172 milhões de técnicos brasileiros... – escalará o time ideal. É verdade que ele não tem dormido e nem dormirá até o dia da estréia e muito menos depois dela.
Mas, agora ele vai mexer no time para valer, fazendo as substituições que devem ser feitas, sem olhar o cartaz, o prestígio internacional ou o clube que possui o passe do jogador que naturalmente faz sua pressãozinha. E menos ainda os “cartolas” que desembarcam nos treinamentos e os patrocinadores.
Agora vai ser com Deus e seu filho e representante na terra, Jesus não, Felipão mesmo, que pode acabar pregado numa cruz.
Se ele perder a Copa isto acontecerá. Não por erros cometidos agora, mas certamente por não ter levado Romário.
Bola na rede é que isentará Felipão do seu calvário individual. Mas até lá ele estará sofrendo sim, no Monte das Oliveiras... aguardando a hora em que poderá ser traído pelos vários Judas Iscariotes de plantão.



Foi num dia 29 de maio, em 1453, que Constantinopla, sede por mais de mil anos do Império Romano do Oriente, caiu em mãos dos turcos otomanos. Nascia o grande império turco, então sob a coroa de Mohamed II. Constantinopla virou Istambul. Hoje a capital da Turquia moderna, e nós, fuutebolistas, de olho na data, pois jogaremos contra a Turquia na Copa. Torcendo pela queda agora... de Istambul... postado por walter em 29/05/02



A vitória de Álvaro Uribe na Colômbia abre, como sempre o fazem as eleições, uma clareira de esperança. Vamos ver se ele terá condições de conseguir uma união nacional para negociar com a guerrilha postado por walter em 27/05/02

A DIREITA QUER NEGOCIAR

Walter Galvani


É uma história de perdas e danos.
Álvaro Uribe venceu as eleições na Colômbia, mas não foi ele que venceu a guerra. O governo colombiano sim, de Pastrana, que conseguiu fazer as eleições com poucas perdas. Poucos mortos e feridos e o material de eleições em cinco ou seis municípios. Tudo ainda muito impreciso, mas de um modo geral foi uma vitória do governo ter feito realizar o pleito. Mas, perdeu-o, não conseguiu eleger o sucessor.
O candidato de Direita que vai para o posto – depois de escapar naturalmente das tentativas que vão se produzir para impedi-lo – anuncia que deseja a mediação internacional para acabar com a guerrilha.
Promete reintegração na sociedade, não sabemos se acena com empregos ou negócios, mas de qualquer forma terá que apresentar uma proposta muito concreta se não quiser governar sob mau tempo.
Profissionalizar as forças armadas e formar uma rede de delatores como ele pretende, não resolverá a questão. Na raiz deste conflito há profundas divergências dentro da própria sociedade colombiana e ameaças nada solucionarão, nem tampouco denúncias ou traições.
Por outro lado, durante estes anos todos de guerrilha, as FARCS colecionaram muitas inimizades, raivas, ódios, e em meio a banhos de sangue que foram realizados, ficou pouco espaço para a reconciliação.
A tarefa é difícil, embora não seja impossível.
E é um sonho, como disse o novo presidente e como devem pensar todos os colombianos, guerrilheiros ou cidadãos comuns.
Todos querem levantar numa segunda-feira como essa e ir ao trabalho. Ninguém quer pisar na rua, trêmulo, imaginando que uma rajada de balas pode liquidar com sua vida ali mesmo, naquele momento.


David Coulthard venceu em Monaco, mas os irmãos Schumacher, segundo e terceiro, continuam muito bem e livres na liderança do Mundial de Pilotos. Rubinho Barrichello entrou em sétimo. Mas é quinto na pontiuação geral, o que já é alguma coisa, Felipe Massa e Bertoni, os outros dois brasileiros também bateram no G.P. Monaco, tal como Rubinho, e não pontuaram nada. Mas estão no "circo da fórmula 1" onde, é incrível, o Brasil tem 3 representantes postado por walter em 26/05/02

FELIPÃO NO CÉU

Walter Galvani

Alegando que o paraíso é aqui e tendo um ato falho, lembrando o nome de Romário que nem convocado está, Felipão, com um colar de flores ao pescoço, está em Ussan, na Coréia, apontando a França como favorita, na esperança de que todos os "totofuns" da vida passem para eles. E já começou a dar certo... Zidane se lesionou.
Só resta esperar agora que o mesmo se dê para o nosso lado... Em 58, o time ganhou Garrincha e Pelé põr contusões de companheiros. E ganhou a Copa do Mundo enquanto, dizem as más línguas, o técnico Feola dormitava no banco.
Não queremos que Felipão adormeça, mas bem que Rivaldo e Ronaldão estão sobrando...
O time "anda" mais com os "reservas". Vamos ver se Felipão, que perdeu o sono no jogo com a Malásia (primeiro tempo, 0 x 0, com os titulares em campo), acorde e bem para enfrentar a Turquia no dia 3.
No mais, é como se diria, é apenas futebol. Mas que acaba em guerra, lá isso acaba.
Não vamos nos iludir muito.
Ah, enquanto isso continuam jogando bombas e se matando no Oriente Médio. E olho no Paquistão, hein!
Bom domingo!

O Brasil ganhou de 4 x 0 do 112. colocado no "ranking" da FIFA. Não é miuto, mas também não interessa muito. O próprio Felipão resumiu ao final do jogo-treino: "Escolhemos, como todos, um adversário fraco para este treino final. Agora é a Copa e deu para observar o que se queria." postado por walter em 25/05/02

A DÚVIDA É O ESTILO E O CARTAZ DE CERTOS JOGADORES DO BRASIL

Walter Galvani

Depois destes 4 x 0 no "match-treino" sobre a Malásia, resta uma dúvida na cabeça de Felipão. Ele não vai dizer nada para ninguém, não vai conversar com ninguém, mas terá que decidir.
Há um estilo de jogo e há o cartaz de determinados jogadores, os clubes a que pertencem e o que significa tudo isso em matéria de pressões.
Rivaldo e Ronaldo, ou Denilson e Ronaldinho Gaúcho, Luizão na equipe ou também Edilson ? É uma mistura de idéias e estilos. Ronaldo já quebrou o seu jejum de quase duzentos minutos, mas ainda falta a sua famosa explosão, que era a determinante de todos os seus grandes lances no passado.
Ronaldo e Rivaldo padecem do mesmo problema. Ambos são hoje homens ricos, que se movimentam com cuidado e não querem comprometer seus prestígios.
É difícil e acho que Felipão é que não vai dormir até o dia 3, estréia contra a Turquia na Copa do Mundo.
Os gols de Ronaldo, Juninho, Denilson e Edilson dão alguma dose de alegria para o sofrido torcedor brasileiro neste fim-de-semana, mas não garantem os bons sonhos para Felipão.
Acho que, como na Copa de 58 na Suécia, o andar dos jogos é que vai definir a escalação do Brasil.
Até pode ser que o time comece com esta formação desta manhã de sábado.
Mas, vai mudar e muito para passar sobre os adversários do Grupo.
Preparem-se que vem aí um Brasil bem diferente daquele que saiu escalado daqui.

Mundo mundo, vasto mundo como diria Drummond. Sem rima e sem solução. A loucura do fanatismo religioso, político, a irracionalidade, para onde nos levam ? postado por walter em 24/05/02

ARAME FARPADO, ISRAEL, BUSH E RAMALLAH

Walter Galvani


Quando a gente pensa que já viu tudo, que a Humanidade já aprendeu todas as lições, que os homens vão mostrar finalmente que não são feras, que as guerras serão para nunca mais, você começa a ver mortes, atentados, homens-bomba, religiões determinando o ódio a quem não pensa como seus próprios seguidores. E a última: Israel está cercando a cidade de Ramallah com arame farpado.
Lembram-se do Muro de Berlim? Quando ele caiu, derrubado pelo povo, pensamos que era para nunca mais! Pois não era.
Em 1969, fui atravessar de Berlim Ocidental para Berlim Oriental, era assim, a antiga capital alemã estava dividida em duas partes. Era o famoso Check-point Charlie. O táxi em que eu estava foi virado e revirado, procuraram bombas, cocaína, armas, sei lá! Cumpria-se o regulamento. Até que um soldadinho da Alemanha Oriental teve um lance de ser humano: ao examinar meu passaporte, viu que era brasileiro. Abrindo um sorriso, carimbou-o imediatamente exclamando: “Brezil, Pelé!”
Assim, Pelé, bicampeão mundial àquela altura, me abriu as portas da Alemanha comunista, onde voltei agora em dezembro de 2000, só que ela já não era mais nem socialista, nem separada. Para felicidade geral do povo alemão, unificada. Foi assim que pude ir a Dresden, inclusive, passear por toda a maravilhosa Berlim reconstruída, andar pela Unten der Lindem e pensar que todo aquele pesadelo acabara.
Os judeus, que tanto sofreram durante o genocídio da II Guerra, devem pensar o mesmo que eu. É sempre o “nunca mais” em nossa cabeça.
A visão do arame farpado cercando Ramallah, a notícia que explodiu hoje de manhã cedo através do mundo, é entristecedora.
Pensei que seria para nunca mais!
Ontem Bush falou no Reichstag, também reconstruído, com a sua belíssima cúpula transparente que conheci um ano e pouco atrás, onde o povo alemão reunificado se congrega outra vez. E disse que a perseguição aos que combatem a política norte-americana continuará, o que nos faz temer que se misture tudo no mesmo saco e que o que não se quer nunca mais ver, poderá repetir-se.




Na corrida rumo às eleições gerais, CPMF, participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicação social do Brasil, tudo vai passando... postado por walter em 23/05/02

CAPITAL ESTRANGEIRO

Walter Galvani


· Ainda falta a regulamentação, é claro, mas está aprovada a participação do capital estrangeiro na composição das empresas brasileiras de comunicação social. Este é o começo da desnacionalização do setor, o vestíbulo para a perda de controle por parte dos brasileiros, da informação, da notícia, da interpretação da notícia.
· Pode-se imaginar o que isto pode significar em matéria de deturpação dos fatos em nome dos interesses internacionais.
· Nem todos estarão expostos a isso, claro que em princípio só as empresas que contarem com a injeção de capitais externos.
· Serão bem-vindos os capitais internacionais? Em alguns casos sim. Tudo depende da regulamentação.
· É um perigo? E muito grande. E acho que é débil a reação dos meios de comunicação, até porque está “todo mundo” endividado. Portanto...
· Que fazer? De olho no Congresso, acompanhando o processo, a regulamentação. E depois no Executivo para a fiscalização da implantação.
· Ah, mas é só 30 por cento do capital... Sim, e quem controlará este percentual? E quem diz que 30 por cento não significa um predomínio? E quem diz que não haverá “testas de ferro?”
· Olho vivo gente, a situação é muito mais grave do que se possa imaginar.
· Um detalhe: globalização é isto mesmo. Só que, por enquanto só há globalização do capital. Na área empresarial é possível, apesar de alguma burocracia em certos países, maior ou menor dificuldade por motivos políticos e ou ideológicos. Mas, e os empregos? Estes não estão globalizados.
· Se você quiser ir trabalhar no Afeganistão, na Itália ou nos Estados Unidos, você pode ir livremente? Claro que não.

Quando teremos a globalização completa, sem limites, sem fronteiras, sem restrições também para os indivíduos ?








Um artefato industrial pode elevar-se ao nível de obra de arte? A Itália transformou o design industrial num distintivo nacional, o que lhe acarreta milhões e milhões de dólares postado por walter em 22/05/02

Distinção Indústria, produto, design e obra de arte

Walter Galvani


Um produto industrial pode alcançar nível artístico? Pode um artefato elevar-se até o patamar de objeto de arte? Teoricamente não, mas o design industrial tem feito tais progressos que se poderia até arriscar uma definição dessas.
Alguns países, e a Itália é o melhor exemplo disso, progrediram tanto na área da criatividade que o “design” de seus produtos passou a ser produto de exportação e motivo de visitação turística. Quem não admira as belas igrejas e outros monumentos públicos italianos? Quem não conhece a “Santa Ceia” de Leonardo da Vinci?
E você já parou para estimar o valor dos ingressos em dólares, resultantes do interesse em visitar a Itália e conhecer estas e outras obras de arte?
Pois esta noite a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul fará a 27a. premiação do seu certame chamado “Distinção Indústria”, premiando os melhores entre os melhores na produção e na criatividade.
Tenho acompanhado de perto a Urano, indústria de equipamentos eletrônicos de Canoas, minha terra, e sei que hoje será a terceira vez que a Urano sobe ao pódio. Estarei lá para aplaudi-la, até porque a o produto da Urano é uma espécie de obra de arte, pela qualidade e pela beleza do design. No caso, o produto, uma terminal de atendimento ao usuário, faz o link sem fios, através da rádio-freqüência.
Vale a pena conhecer.







Seria preferível hoje lembrar Victor Hugo, Alessandro Manzoni, Richard Wagner, Lawrence Olivier, Charles Aznavour, Conan Doyle, a quem a data de hoje se refere. Mas, a violência que aflorou no futebol ainda concentra nossa atenção postado por walter em 22/05/02

UM DIA PARA LEMBRAR

Walter Galvani


No Rio Grande do Sul, um dos estados mais desenvolvidos do alegre e futebolístico Brasil, a polícia militar continua encontrando artefatos explosivos em estádios, depois que no final de semana uma pessoa morreu (possivelmente o condutor da bomba) e nove ficaram feridos. É o resultado da violência subjacente na sociedade brasileira. Na verdade estamos sentados sobre uma imensa bomba relógio, apta a estourar: a desigualdade social. Os ingredientes do perigoso artefato são a falta de emprego, a alta do custo de vida escondido, ou melhor reprimido nos índices oficiais revelados, o ódio, o racismo, a competição.
Se dissermos que toda esta pressão será aliviada com as eleições gerais, a oportunidade civilizada de mudar os ocupantes do poder político estaremos sendo otimistas, talvez perigosamente ingênuos.
É pena que se dê isso num país que dispõe de oito milhões de quilômetros quadrados e uma população de apenas 172 milhões de pessoas. Sim, eu disse e escrevi “apenas”, porque em espaços semelhantes outros países abrigam mais de 200 milhões. Ainda temos terra de sobra. Só que, mal distribuída e isto está na base dos problemas. Mas não é tudo. Há todo um crescimento desmedido da ignorância, da incultura, conseqüentemente da falta de educação.
Será um exagero dizer que a democracia está mais uma vez ameaçada em nosso país? Não. Quando o delito é visto como incontrolável, quando atinge recônditos tão profundos da vida social brasileira, abre-se o espaço para a violência política, para o fascismo. Tomem nota e cuidado! Façam uma pesquisa imediata e verão que o povo brasileiro (falo em percentuais da população, não em sua totalidade, é lógico) aceitaria um regime de força. O que é muito ruim. Anteciparia a explosão da bomba que precisa ser desmontada.
Ontem um vereador de Porto Alegre, Juarez Pinheiro, que já foi agredido na rua e sofreu a quebra de um braço, acabou perdendo a força na mão esquerda (que terá de ser operada), recebeu um “presente”: uma cobra Cruzeiro dentro de uma caixa...
Hiltor Mombach, colunista do “Correio do Povo”, responsável pela lidíssima coluna “De Primeira”, na seção de esportes do tradicional matutino de 107 anos de idade, registrou uma frase do presidente da torcida organizada “Garra Tricolor”, do Grêmio Porto-alegrense, campeão mundial de 1983 e encaminhado para as quartas de final da Copa Mundial de Clubes deste ano, que nos choca e espanta:
“Agora vai ser uma guerra – disse Álvaro dal Pai, conselheiro do clube e presidente da referida”organizada” – pois não poderemos mais controlar estas pessoas!” Está lá, na coluna do Hiltor para quem quiser ler. Podem acessa-la, os que estão distantes ou espalhados pelo mundo, no site www.cpovo.net
Pois se um dirigente não consegue mais “controlar” o seu povo, deve demitir-se... Dar lugar a quem possa faze-lo.
Ontem morreu na Argentina, um torcedor de onze anos de idade, atingido por um balaço num jogo de futebol. O que deveria unir as pessoas, na mesma admiração por um esporte capaz de fantásticas aproximações entre os povos, um traço de união do mundo todo, transforma-se em semente de ódio.
Mas, será preciso ir às raízes do problema e não apenas culpar o futebol. Por outro lado, fechar os olhos, bancar o avestruz, nada disso. Punir os responsáveis. Quem incita à violência é também culpado por ela. Está no Código Penal.
Pena que eu tenha que falar tudo isso, no dia em que deveríamos estar assinalando e portanto comemorando, o nascimento de homens como Richard Wagner, extraordinário compositor alemão, em 1813, Arthur Conan Doyle, escritor inglês em 1859, o grande ator Lawrence Olivier, também inglês, em 1907. Ou o falecimento de Alessandro Manzoni em 1873, um dos maiores romancistas italianos, criador de “Os noivos” ou de Victor Hugo, em 1885, cujo sepultamento foi “uma apoteose nacional” na França, com dois milhões de pessoas acompanhando seu féretro.





A Academia Brasileira de Letras recebe hoje a escritora Zélia Gattai, viúva de Jorge Amado. Vamos lembrar a autora de "Anarquistas graças a Deus". Quanto à invejas intelectuais, essas sempre existirão postado por walter em 21/05/02

ZÉLIA GATTAI
NA CADEIRA 23

A viúva de Jorge Amado, escritor mais popular do Brasil nos tempos modernos, toma posse hoje em sua cadeira, a de número 23, da Academia Brasileira de Letras.
Pode-se argumentar que Zélia não é uma escritora do porte do seu marido, mas isso é secundário, como é também secundário o fato de ser uma posição tão importante, numa entidade deste porte. Afinal, é uma homenagem que se quer prestar a Jorge Amado, e Zélia o merece como pessoa e como digna escritora, autora de tantos trabalhos.
Tenho dela as melhores recordações, assim como são tristes as lembranças que tenho do meu último encontro (se é que se pode chamar assim) com o escritor baiano. Ele já estava na reta final da sua decadência física e Zélia acolheu-me em sua residência, onde fui levar um exemplar de “Nau Capitânia”, meu livro que então estava sendo lançado em Salvador, pedindo-me ela, no entanto que eu fotografasse Jorge.
Cumpri fielmente o prometido. Tenho fotos junto com ela e nosso representante em Salvador. Nada mais.
Saí da casa do Rio Vermelho profundamente deprimido. Afinal, ali estava o autor de tantas leituras da minha juventude, sem dúvida “Mar Morto”, “Os velhos marinheiros”, sem dúvida “Gabriela, cravo e canela”.
Dizer que Zélia Gattai, autora do notável “Anarquistas graças a Deus”, título bem sacado de um atraente texto, não pode ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras é desconhecer o passado da instituição e o presente da grande escritora.
Ora, concessão foi a que fez a academia quando recebeu Getúlio Vargas – que não escreveu uma linha – porque ele era presidente da república. Mas, isto acontece e na verdade, todos sonham (falo dos escritores) um dia fazer parte daquele seleto grupo.
Pelo menos tenho amigos por lá, o que me deixa feliz por eles.
E a partir de hoje à noite, também Zélia Gattai, a quem aprendi a admirar pelo carinho, o desvelo, as atenções com que acompanhou toda a doença incapacitadora do grande escritor baiano, e a respeitar pelo seu trabalho como pesquisadora e criadora literária.


O Rio Grande do Sul é um estado, o mais meridional, do Brasil. O campeonato gaúcho é uma competição que reúne modestos clubes, um ou outro tido como "grande" em termos de Brasil. Nada disso justifica o ódio, a morte, a torcida usando bombas ou a violência dentro e fora do campo. Lamentável. Ontem, 19 de maio, tivemos um morto e nove feridos depois do jogo Internacional, 1 x Juventude, O postado por walter em 20/05/02

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL

Walter Galvani


Como não escapa mais nada, é natural que também no futebol aconteça a lamentável violência, dentro e fora do campo, a mesma que se produz nas ruas das cidades ou no campo. A disputa esportiva é uma concorrência que mostra o que há de mais infantil e instintivo no homem, mas a verdade é que se digladiam as torcidas (hinchadas em espanhol, os tifosi, torcedores, em italiano) e é muito triste que ocorram incidentes.
Mas, daí a um jovem de 18 anos portar uma bomba, vestindo a camiseta de um clube que não estava nem sequer envolvido diretamente na partida (Internacional de Porto Alegre versus Juventude de Caxias) no interior do Rio Grande do Sul, matando-o e deixando nove feridos, é um pouco... demais.
Em que terra estamos?
Como diria Castro Alves, “Deus, onde estás? Em que recanto do infinito Tu te escondes?”.
Que vergonha! Que baixeza, que falta do que fazer, ou como diria minha avó que sorte dela! – já está debaixo da terra – “que falta de laço!”
Só entendo um episódio desses, pelo completo abandono dessas criaturas por parte dos seus pais, ou pela inexistência de pais.
Então você não sabe mesmo o que seu filho faz na rua?
Ora, já é inadmissível a violência em campo, que só disfarça, na verdade, a falta de domínio sobre os nervos, a ignorância e a incompetência. Tenho assistido aos jogos da seleção brasileira e me envergonha, por exemplo, o que alguns fazem dentro do campo, com destaque para o Cafu que, apesar de astro internacional do Roma da Itália, não perdoa ninguém e “baixa o sarrafo” em quem se atreva passar pelo seu caminho.
Se é para mostrar isto, melhor não ir à Copa.
Prefiro o Ronaldinho, o gaúcho, que é um jogador jovem e talentoso, que desconcerta o adversário com seus dribles mais do que brilhantes, com sua inteligência e sua alegria.
Tomem nota do seu nome: assim como ele acabou com a Catalunha sábado passado, ele poderá faze-lo com os demais adversários. Mas tudo dentro da ética esportiva Com graça e criatividade. E educação.
O futebol nasceu e cresceu com suas doze regras e uma delas estabelece que o jogador não pode cometer faltas que revelem “conduta indigna de um cavalheiro”.
Olhando uma rodada esportiva, a gente fica em dúvida. Será o mesmo esporte?
Pois acho que é preciso que os dirigentes criem vergonha na cara, sem isso não se poderá ditar regras aos jogadores e muito menos aos torcedores.
Mas é preciso que se pense nisso, para que não se multipliquem episódios lamentáveis como os deste domingo em Caxias do Sul, Brasil.
Ah, e cuidem melhor de seus filhos! Se for possível.


postado por em 19/05/02



Pela diferença de fuso horário, quando forem 12 horas no Brasil já será a meia noite da independência do Timor Leste, onde estará começando o dia 20 de maio. Este artigo foi publicado hoje, dia 19, no ABC Domingo postado por walter em 19/05/02

LÍNGUA E LIBERDADE

Walter Galvani


Amanhã, 20 de maio, passará a ser uma data histórica para a humanidade. Mais ainda para nós: estará nascendo a primeira nação do século XXI e, para alegria e exemplo nosso, a oitava de língua oficial portuguesa. O Timor Leste irá alinhar-se com Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé-e-Príncipe, no batalhão dos 200 milhões de falantes do sexto idioma mais usado no mundo. No caso dos timorenses, uma opção que significou luta, opressão, mortes, perdas imensas, e uma escolha na rota para a liberdade política e para a emancipação nacional.
Antigo território do império português, alcançado ou descoberto no século XVI, martirizado durante a II Guerra Mundial pela invasão dos fascistas japoneses, volta em 1945 ao controle lusitano e é libertado automaticamente com a “Revolução dos Cravos Vermelhos” em 1974.
No início de 76, os indonésios reprimem os grupos que lutavam pela independência e ocupa o país, promovendo nova diáspora. Cerca de 80% dos timorenses refugiam-se nas montanhas, a repressão produz 100 mil mortes. No entanto, dia 30 de agosto de 1999, uma esmagadora maioria de habitantes do Timor votou pela independência do país e sua imediata separação da Indonésia, num plebiscito organizado pela ONU.
A saga de Timor prossegue, mas a valentia e a determinação do seu povo não tem limites. E assim, embora perdendo mais da metade da população, com a tutela da ONU, que enviou uma tropa internacional e um administrador, aliás, brasileiro, Sérgio Vieira de Mello, promoveram-se eleições livres. O eleito, Xanana Gusmão toma posse como primeiro presidente do país que será promulgado amanhã e que exige seu imediato ingresso a CPLP, para os menos íntimos dessa sigla, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Superando quinhentos anos de ocupação por diferentes países estrangeiros, restou ainda o amor pela língua e pela cultura portuguesa, apesar de que uma imensa maioria fale o “tétum”, um dialeto que nasceu da fusão das línguas autóctones e alguma coisa da influência holandesa, indonésia e portuguesa. Os timorenses, no entanto, vêem o seu caminho para a liberdade através da língua portuguesa. Há nesse momento 150 professores de Portugal ajudando os locais que ainda dominavam a nossa língua, nos contingentes da ONU sempre tem havido soldados brasileiros, inclusive do Rio Grande do Sul e tudo isto tem ajudado. Naturalmente, teremos um país a mais a torcer pela seleção do Brasil na Copa do Mundo, porque neste caso funciona a imbatível simpatia brasileira, embora não se deva desprezar a qualidade técnica da atual seleção de Portugal, comandada pelo melhor jogador do mundo do ano 2001, Luís Figo. Voltemos ao Timor: o padre João Felgueiras ensinou português mesmo durante o auge da repressão indonésia, tanto que o externato São José, onde ele lecionava, acabou sendo dinamitado pelo exército de ocupação. É comovente percorrer o país e encontrar os inúmeros exemplos de esperança nesta redenção através da nossa língua e nossa cultura. “A língua avançará irreversivelmente – disse o padre Felgueiras – agora crescerá cada vez mais rápido. Está enraizada aqui como capim”.
O maior dos desafios começa amanhã. E é compromisso e obrigação do Brasil que pode e deve liderar a CPLP até pelo seu tamanho e população, apoiar a jovem nação que brota do passado destruído, com a nossa língua como instrumento para a integração internacional.







Uma câmera indiscreta, um "no ar" que funciona ou microfones embutidos. Espionagem ou não, a sinceridade de Fernando Henrique e Vicente Fox ganha hoje as telas de tv e páginas de jornais, ondas de rádio e Internet, de todo o mundo. Criticando o "amigo"... postado por walter em 18/05/02

MICROFONE SENSÍVEL


Walter Galvani



Foi assim: microfone muito sensível, sob todos os pontos de vista, captou uma conversa particular entre o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e o presidente do México, Vicente Fox, e escancarou através de um canal de televisão privado, o verdadeiro pensamento dos dois chefes de estado a respeito do comportamento dos Estados Unidos com relação aos países pobres da América Latina.
Não deu outra. Vai acabar em notas de explicação e pedido público de desculpas, mas ambos disseram o que realmente pensam. E isso é o mais importante. O que poderia parecer reação indignada de radicais esquerdistas é manifestação de dois acomodados centristas que sabem o que fazem em seus respectivos tronos.
Todo mundo sabe que o capital não tem pátria, é impiedoso, não tem nenhum sentimento, nem emoções.
E todo o mundo sabe também que os Estados Unidos são o coração das grandes multinacionais. Ora, como esperar que o governo americano de Bush tenha dó ou piedade? Seria demais, não?
Fernando Henrique, ao criticar o aliado, fez o mesmo que outro Fernando brasileiro que, certa vez, pensando que não estava no ar criticou à vontade. E agora?
Depois das explicações, veremos.
Eu fico com a verdadeira face de Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, o pesquisador, o escritor, o professor, o homem de profunda sensibilidade que acabou arrastando os votos brasileiros na sua primeira eleição. Se ele teve que negociar com o Centro e com a Direita por causa da tal de governabilidade, isto já é outra questão. A gente gostaria que não tivesse acontecido. Mas em política não é exatamente o que desejamos, que vai contar.
Assim, vamos ver até aonde a indiscrição, provavelmente propositada, levará os dois principais aliados americanos no continente. De qualquer forma, é muito bom que Bush saiba que alguém lhe puxa as orelhas e que não está agradando ninguém, quando persegue aiatolás ou osamas pelo mundo afora.
O crime das Torres Gêmeas, com a morte de tantos inocentes, já foi devidamente registrado. Nem há mais o que dizer. Só ficou no ar a vingança de Bin Laden, pois cada dia surge um pecado novo a denunciar a administração dos Estados Unidos. E o último e o mais grave deles foi não dar ouvidos à CIA (Agência Central de Inteligência) sobre a possibilidade do uso de aviões comerciais como “mísseis”. As famílias dos mortos nos crimes aéreos querem saber da veracidade do aviso. Havendo confirmação, teremos processos e indenizações na certa a serem pagos pelo governo americano. Afinal, democracia e justiça é com os Estados Unidos mesmo. Não é o que pregam e exigem na casa dos outros?
Muito bem. E agora com a queixa pública dos aliados, a situação se complica ainda mais. Não se espantem se os adversários políticos, nem que seja para armar confusão maior ainda, peçam o “impeachment” do seu presidente.


Uma nova moeda? Um belo sonho. Mas o Euro, e o dólaro é claro, já estão aí. O Japão e o seu iene? E no caso da América do Sul... postado por walter em 17/05/02

MOEDA DO MERCOSUL

Walter Galvani


Sonho ou demagogia pura? Como você classificaria esta declaração do presidente “licenciado” do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, em sua primeira parada européia da atual gira?
Ora, a divisão do mundo em blocos continentais, parece uma primeira tendência, embora a linha divisória das influências não vá nunca passar por meridianos rígidos ou paralelos indiscutíveis.
A “área do dólar” é imensa, praticamente mundial, nesses dias que correm em que a Internet liquida distâncias e reduz o tempo a raciocínios infinitesimais. Os integrantes da Comunidade Econômica Européia levaram quarenta anos para promover o nascimento do “Euro”. Prever a adoção de uma moeda única no Mercosul? Sim, há uma possibilidade: o próprio dólar...
Na Ásia, o Japão tenta inutilmente impor o seu “iene”. Na Europa, o Euro começou com flamante paridade com a moeda americana e hoje tem já 20 por cento de perda, mas pelo menos permanece no mercado. A Argentina já tentou uma vez. Deu com “os burros n’água”... Uma união Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai para enfrentar a ALALC que os americanos querem impor, soa como uma patriotada. Não mais do que isso.
Preparem-se para ouvir dizer que as orelhas de FHC serão puxadas pelo FMI, pelo presidente Bush e por mais algum aliado disposto, como o próprio Uruguai que está comendo nas mãos deles, depois que serviu de intérprete para a tentativa de repreensão à Cuba na Comissão dos Direitos Humanos.
Aliás, a novidade é justamente a distensão, para alguns inesperada, entre americanos e cubanos. A visita do ex-presidente Jimmy Carter foi um êxito e até uma recepção aos dissidentes internos ao regime de Fidel, tornou-se notícia internacional. Mas não vem ao caso, o importante é que lá na ilha, é o dólar que circula. Você paga em dólares americanos e recebe o troco em pesos cubanos... Eles sabem muito bem o valor das notas com a efígie de George Washington...
Pensar numa moeda comum para o fragilizado Mercosul, parece mais uma aventura romântica do que qualquer outra coisa. Até que valeria a pena. Só que parece destituída de qualquer fundamento na realidade econômica do mundo moderno.


postado por em 17/05/02



Um grande momento para a literatura do sul, hoje, começa a circular o "MAR DE DENTRO" postado por walter em 16/05/02

LYA LUFT

Walter Galvani


Acompanho-a, desde que ela era pouco mais do que uma menina. Eu a vi nascer e crescer como poeta, sua fecunda ligação com Celso Pedro Luft que não lhe deu apenas o sobrenome, mas também toda uma orientação na carreira e filhos maravilhosos.
Depois, se sabe, ela seguiu adiante, deixou o RGS e acabou para ele voltando e para Celso, também.
Esta história ela ainda não contou, mas a sua infância e adolescência, quando a garotinha apenas espreitava a vida e começava a descobri-la, esta aparece por inteiro no livro que estará sendo lançado neste fim de tarde em Porto Alegre.
Ainda não li, mas já comecei a gostar, por ser de Lya e pelo título genial que ela encontrou: “Mar de Dentro”.
Quem vive no Rio Grande do Sul, sabe muito bem o significado desta expressão que batiza a grande Lagoa dos Patos, cuja beleza, mistério e importância são o nosso fascínio regional.
Acrescente-se o sentido do subtexto, na certa habitando a cabeça da grande escritora. É o mar que habita o interior de Lya, é a imensidão de poesia, brumas, mistério e idéias que a fizeram nascer e crescer.
O “Mar de Dentro” já começa com o destino de se tornar um marco na carreira de Lya Luft e nos prepara o espírito para seus desdobramentos. Nesse livro, ela começa com as histórias de sua infância, que povoaram sua imaginação e os começos de sua afirmação como pessoa. Mais adiante a mulher que fez opções, a escritora que desabrochou e se fez uma das damas mais importantes da nossa literatura, chegará também. Já estamos à espera.


No meio de tantas batalhas e desgraças, parece que há uma luz anunciando uma possível distensão entre irmãos da América postado por walter em 15/05/02

ATENÇÃO EM CUBA E ESTADOS UNIDOS

Walter Galvani


Desde a visita que fiz a Cuba, no final de janeiro e início de fevereiro deste ano, venho assinalando a importância das medidas de reaproximação que tem ocorrido entre o pequeno país de Fidel Castro e o gigante americano. O bloqueio econômico, principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social da pequena e heróica terra cubana, pode, a despeito dos radicais políticos pensarem o contrário, distensionar-se, reduzir-se e até, em futuro próximo, terminar.
Acentuei à época, a importância do pronunciamento de Fidel, um dos primeiros governantes a pronunciar-se contra o terrorismo de 11 de setembro, quando as Torres Gêmeas foram destruídas pela ignorância e pelo ódio.
Registrei também o oferecimento então de ajuda médica e humanitária, uma vez que Cuba desfruta de situação excepcional nesta área.
E em minha visita, para receber o Prêmio “Casa de Las Américas” para meu livro que agora navega em castelhano sob o título de “La nave capitana”, conheci o chanceler cubano que, por seu turno denunciou os estados títeres, como Argentina ou Uruguai que, em troca de dinheiro grosso norte-americano, pediriam a condenação da ilha no âmbito dos Direitos Humanos, pelas Nações Unidas.
Esta montanha gerou um rato, como se sabe, e saiu apenas uma “exortação a Cuba” para que trate melhor os dissidentes. Isto parece que começou a acontecer, pois, durante a inédita visita de um grande líder americano, o ex-presidente Jimmy Carter, foi permitido o acesso a ele, justamente de políticos da oposição local a Fidel.
Eu próprio me julgo no direito de fazer um apelo aos amigos cubanos, para que permitam manifestações. E a propósito disso tudo, assinale-se que o secretário de estado americano Colin Powell desmentiu as acusações sobre bio-terrorismo feitas por seu subsecretário John Bolton, que quase destruiu toda esta política de reaproximação, demonstrando publicamente que ele não sabe da missa a metade, e afirmou que Cuba tem capacidade para produzir tais armas, o que não significa que o faça.
Fidel Castro agradeceu-lhe a manifestação.
Quando estive na ilha vi um barco americano com 700 alunos da Universidade de Illinois que visitavam o país e Jimmy Carter não é o único “turista” dos últimos tempos, apesar de que seja talvez o de mais alta hierarquia. Ontem ele falou numa “aula magna” na Universidade de La Habana.
Parece que o “furacão” amainou. Vamos ver no que dá.


Morreu hoje de parada cardíaca, aos 75 anos de idade, o agrônomo José Lutzenberger, hoje um símbolo brasileiro da luta em defesa da ecologia e do meio ambiente. Fundador de vários movimentos pioneiros, no início tido como radical, acabou aceito e mundialmente reconhecido. Foii distinguido com o Nobel Alternativo e nos últimos anos dirigia a Fundação Gaya, com sede no município de Guaíba postado por walter em 14/05/02

José Lutzenberger, filha de um artista plástico, desenhista de alta qualificação, chegou a secretário nacional do Meio Ambiente no governo Fernando Collor de Mello.
Calma, ele deixou o governo antes da derrocada...
José Lutzenberger passou a ser um símbolo da luta pela melhor qualidade de vida, o que naturalmente será daqui em diante.
Fará muita falta.
Os movimentos em defesa do Meio Ambiente cresceram muito, mas não há um sucessor claramente definido.

O mundo da Fórmula 1 não tem sentimentos, nem deve ter nervos. Lágrimas não adiantam de nada. O que vale é um bom motor, uma boa aerodinâmica, bons pneus, boa equipe e um bom contrato. O de Rubinho Barrichello manda tirar segundo lugar... ou deixar passar o candidato da Ferrari ao penta-campeonato até que isto se concretize... postado por walter em 13/05/02

O DIABO VERMELHO
DA FERRARI

Walter Galvani


O mundo inteiro viu, hoje em dia uma corrida de Fórmula 1 é tão popular quanto o futebol, o volante brasileiro Rubinho Barrichello diminuir a velocidade ao mínimo, para permitir a ultrapassagem e com isto a vitória de Michael Schumacher no Grande Prêmio da Áustria.
O que a maioria não sabe é que há uma cláusula mortal no novo contrato de Rubinho, renovado por dois anos na semana passada, que estabelece que ele será “um coadjuvante até a consolidação da vitória de seu companheiro no campeonato deste ano”.
Ou seja: Rubinho vendeu a sua alma.
Claro que nada revoga o fragor da decisão pública que determinou ontem a atitude clara de deixar-se ultrapassar. O próprio Schumacher, normalmente – ao que dizem – um ser humano sem muita ética e muita técnica – fez Rubinho subir no ponto mais alto do pódio, deu-lhe o troféu de vencedor e agradeceu publicamente o “favor”.
Nada disso justifica o fiasco da Ferrari perante a opinião pública. Hoje é a grande equipe italiana que tem que se explicar e suportar nas costas o peso das críticas que se estendem pelo mundo inteiro.
Rubinho saiu valorizado sim, do episódio, mas é bom lembrar que este foi o preço que ele pagou, “vendendo sua alma” ao assinar o contrato com o diabo vermelho da Ferrari.
É pena. Mas é o preço no “circo” da Fórmula 1.
O quanto basta para eliminar emoções de torcedores que, estes sim, entregam sua alma em troca do símbolo do “cavalinho rampante” e o macacão vermelho.
Não há lugar para sentimentos no mundo mecânico e eletrônico da Fórmula 1.
O que aconteceu ontem poderá se repetir até o fim do campeonato, que está na metade. E não adianta deixar correr lágrimas na hora do Hino Nacional Alemão.
Vergonha sim, mas vergonha planejada, com resultados técnicos e financeiros admitidos. Podem até rolar cabeças na Ferrari, mas isto será apenas simbólico. Os pontos já estão lá, creditados para Schumacher, que corre em busca do penta-campeonato mundial, a tentativa que parece que conseguirá concretizar este ano, de igualar-se ao velho Juan Manuel Fangio, o argentino, até aqui o único a acumular cinco títulos.
Quando começaremos a usar a força que a união de 200 milhões de falantes pode nos trazer? Hoje é o dia de assinalar 16 anos de um acordo não cumprido. postado por walter em 12/05/02

LÍNGUA PORTUGUESA


Walter Galvani


Nesta data, há 16 anos era assinado o protocolo para o Acordo de Unificação da Língua Portuguesa entre Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe. O registro não menciona Cabo Verde e Guiné-Bissau, mas acredito que se tenham filiado logo adiante. Com estes países independentes e mais Timor Leste que se libertará em definitivo da tutela alheia no dia 20 de maio, daqui a oito dias portanto, seremos oito nações a falar a língua portuguesa, por sinal a oitava mais falada do mundo.
A contribuição da massa populacional brasileira de mais de 170 milhões de habitantes é decisiva, mas com ela e com a diáspora lusitana pelo mundo (só na França há 1.800.000 portugueses) mais os resquícios do “império que não houve” que alcançam Goa, Diu, Damão, Macau e outras espantosas “geografias” pelo mundo todo, se chega à cifra de 200 milhões de falantes.
É gente e é mercado para quem se queixa da língua e da falta de poder aquisitivo e ou interesse pela compra de livros.
Faltam acordos que disponibilizem a circulação livre.
O livro é mercadoria mas não é mercadoria, entenda-se. É preciso estar sujeito a algumas regras, por causa até dos direitos autorais e, naturalmente, para defender os interesses dos livreiros e editores, mas não pode ser submetido às mesmas regras que o sabão ou os automóveis.
Há interesses superiores em jogo e entre esses a unificação da língua portuguesa que, quanto mais forte e unida for, mais poderá agregar aos produtores de bens e serviços dos seus países.
Mas, os 16 anos do acordo não informam nenhum progresso desde então. Falta vontade política?
Um país como o Brasil poderia assumir, até pela sua massa territorial e populacional, a liderança do bloco lusófono. Porque não o faz?
Falta imaginação aos políticos, capacidade de ação aos governos, projetos e pensamento moderno.
Esperamos que as eleições presidenciais no Brasil nos encaminhem para uma avenida de integração internacional, começando então pelo nosso maior patrimônio: língua e cultura da língua portuguesa.


O grande fato social do século XXI é o das migrações internacionais. O dia assinala a primeira imigração em massa da Europa para o Novo Mundo postado por walter em 11/05/02

DIAS DE EMIGRAÇÃO

Walter Galvani


Neste 11 de maio celebra-se a primeira grande emigração em massa de europeus, no caso alemães, que seguiram em 1709 para a América do Norte, deixando sua região natal, o Palatinado. Nós brasileiros, especificamente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, bem conhecemos esta realidade que tendo início neste episódio logo teve seqüência com a vinda para cá, a partir de 1824, de muitos alemães, principalmente da região do Hunsrueck.
Mas, esta data deve nos servir par examinar o fato social mais claro do século XXI que, se não servir para consolidar a globalização, na certa esvaziará o conceito de pátrias.
Já surgiram estudiosos das grandes correntes sociais mundiais, que prevêem para logo a dissolução das fronteiras nacionais e o reencontro com as comunidades, algo aproximado do espírito da Idade Média, quando as cidades se fortaleceram como verdadeiros estados. E para aí parece apontar, não quero ser superficial, mas me parece adequado pensar, o que começou a acontecer naquele longínquo 1709, que já previa o que ocorreria nos séculos subseqüentes e que deverá culminar agora, graças aos meios modernos de transporte e comunicação.
Num mesmo 11 de maio, já em 1949, Israel era admitido no seio das Nações Unidas e este é outro fato característico de emigração. Os judeus, acostumados a sucessivas diásporas ao longo da história mundial, finalmente encontravam a sua “terra prometida”. Pelo menos parecia... Hoje envolvidos em confrontos e contrastes no Oriente Médio, onde também se assiste ao prosseguimento de uma diáspora árabe, turca, libanesa, síria e quantas outras nacionalidades ou naturalidades ocorram. E por motivos econômicos, como sempre acontece, um país outrora de imigração se transforma em emigrador: a Argentina, onde se assiste com espanto às filas em consulados de países europeus, assinalando o regresso dos descendentes daqueles que de lá vieram nos séculos anteriores.
Por enquanto o Brasil permanece o “país do futuro” apregoado no título feliz do infeliz Stefan Zweig, pois aqui as migrações internas substituem a fuga de gente, embora não se possa dizer o mesmo com relação a cérebros privilegiados, esses sim escapando graças à atração de outros pontos mais desenvolvidos do globo.
De qualquer maneira é o dia para se assinalar as emigrações e imigrações, as migrações dentro da Terra, que caracterizarão este século XXI.
E nos obriga a pensar muito no resultado de tudo isto. Não é fácil a assimilação, são muitos e graves os problemas, desde a adaptação do emigrante até a xenofobia que nasce nos países que os acolhem, muitas vezes deles necessitando para fazer o trabalho duro ou “sujo”, recolher lixo, varrer ruas, construir edifícios e casas, pavimentar estradas, lavar louças, servir em restaurantes, atender aos visitantes, enfim, tudo o que os locais não querem fazer porque é muito pesado ou desgasta.
Há mais de um milhão de cubanos vivendo nos Estados Unidos, os demais países do Caribe, percentualmente, não estão longe disso, há 1.600.000 portugueses vivendo na França, assim como há lusitanos na Alemanha, na Espanha, na Venezuela e, naturalmente, no Brasil.
E há uma outra cidade igual a “Governador Valadares”, só com ex-habitantes daquela cidade mineira vivendo nos Estados Unidos.
Dinheiro que vai, dinheiro que vem, dinheiro que falta, dinheiro que sobra, é todo um sistema “formiga” de comunicação e transferência de valores que subverte o sistema econômico mundial que, graças a isso não depende só dos bancos e governos.
Hoje há de tudo. Desde emigrantes de luxo que integram a seleção nacional de futebol do país adotado, até parias que vivem de restos ou se contentam com empregos informais, eufemismo que quer dizer “ganhar menos pelas mesmas tarefas que os nacionais fariam, sem nenhuma segurança social”.
É preciso que os eleitos em 2002 pensem nisso com muita seriedade e se preocupem menos com asneiras políticas eventuais ou correr atrás do “rabo” do candidato vizinho...


Um juiz de futebol, Carlos Simon, foi afastado pela CBF (Confederação Brasileira de Fuebol) por haver se enganado duas vezes no jogo em que o Coríntians bateu o Brasiliense por 2 x 1. E quer o juiz fora da Copa do Mundo, onde seria o único brasileiro. Com a transmissão ao vivo pela televisão, todo o país viu o pequeno clube de Brasília ser derrotado pelo Coríntians num lance irregular com falta e ainda não ter um penalte a seu favor assinalado. Bons tempos. Pena que não dá para revogar o resultado. Assim como nas demais atividades do país, onde temos que conviver com muitos lances irregulares e "árbitros" em que não se pode confiar. No caso de Simon, pode ter sido erro de visão. postado por walter em 10/05/02

Enquanto isto no Oriente Médio, continua sem solução o conflito criado pelo próprio Ocidente com a divisão da Palestina em 1948 e a instalação de um estado em terras árabes.
Os atuais israelenses poderiam estar em outra parte.
Mas a guerra, o ódio, tudo está na base da convivência difícil.
Continuaremos, até quando? - a ter homens-bomba, mortos a serem contabilizados diariamente, feridos, insegurança.
Depende de quem a paz?
De todos nós.
De Sharon (o Caliban, não o Ariel...) - de Arafat, da ONU, de Bush, de Blair...


O teatrologo americano Arthur Miller ganhou o Prêmio Príncipe de Las Astúrias. Ajudou-nos e muito, inclusive a enfrentar o mackartismo de 64, para quem não sabe, a perseguição política aos intelectuais e artistas que discordavam da cartilha "revolucionária"... postado por walter em 09/05/02

PANORAMA VISTO DA PONTE

Walter Galvani


De propósito uso este título que assinalou oitenta por cento das matérias jornalísticas que nos anos cinqüenta abordavam famílias excluídas que habitavam a parte inferior de pontes e viadutos. Ali, protegidos da chuva e parcialmente do frio, alinhavam seus poucos e maltratados móveis. Os burgueses, como nós, passávamos de carro ou ônibus, e víamos sofás, televisões, fogões, camas, armários alinhados. O tempo passou e hoje não haveria ponte suficiente para abrigar todos os deserdados da nossa sociedade que não tem onde habitar.
Mesmo a moda de situar-se sob pontes e viadutos foi substituída pelas invasões e ocupações, maneira mais prática e rápida de solucionar o problema da habitação.
Isto tudo demonstra o quanto o tempo passa e nada ou pouco se faz, mesmo que o presidente festeje os dados do IBGE à cada censo populacional.
Arthur Miller, por seu turno, não parece passar. O título que emprestou involuntariamente para a falta de imaginação da imprensa brasileira nada tinha a ver com o problema habitaci

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