mais de 80 pessoas” nas últimas semanas. Vai continuar matando, infelizmente.
Morre-se pelas idéias. Ninguém morre em vão e a não ser nos confrontos com o tráfico de drogas, crime organizado, a morte é uma glória como o provam os fundamentalistas muçulmanos. Isso não é novo na história da Humanidade.
Paciência, haja paciência! Prefiro refugiar-me sob a sombra de uma laranjeira, ouvindo os sabiás nesta primavera. Mas, quem tem direito a isso? Quem fez esta conquista, trate de preservá-la. Mas, como diz bem o meu personagem Anacoluto, no livro em que ele conta sua biografia, ninguém está seguro dentro dos muros da sua casa-fortaleza. A qualquer momento, os “brutos”, os “selvagens”, podem invadir seus limites. Não estamos imunes.
A data proposta pelo deputado Manoel Maria e aprovada ontem pela Assembléia Legislativa do RGS padece de um equívoco, um vício de origem: 31 de outubro é inauguração da Feira do Livro só este ano postado por walter em 16/10/03
UM DIA PARA A CULTURA
Walter Galvani
Foi das mais meritórias a idéia do deputado Manoel Maria, em propor o estabelecimento de um “Dia da Cultura”. No entanto, talvez a data escolhida não tenha sido a mais conveniente. Explico: foi apontado o dia 31 de outubro e a Assembléia aprovou por unanimidade; no entanto, a razão alegada, coincidência com a inauguração da Feira do Livro, dar-se-á este ano sim, talvez em algum momento futuro, mas não será permanente.
A inauguração da Feira do Livro de Porto Alegre é marcada sempre para a última sexta-feira de outubro. No ano que vem, ano do Cinqüentenário da Feira, o acontecimento será no dia 29 de outubro.
A segunda coincidência, que desarma o dia como um possível “Dia da Cultura”, é o fato de que 31 de outubro já assinala o “Dia da Reforma”, ou seja a data em que se comemora o momento histórico em que Lutero apregoou seus famosos pontos de divergência com a Igreja Católica, o que gerou o nascimento do luteranismo. Com toda a força que tal respeitável religião possa ter agora, como uma das igrejas cristãs, não deixa de ser um momento de cisma com aquela que é professada pela maioria dos brasileiros.
E tudo isso, sem falar que, apesar de ser uma importação, já está bastante difundida também a celebração do “Dia das Bruxas”, a festa de “Halloween” a 31 de outubro.
Portanto, entendo que o governador do estado pode e até deverá vetar esta nova lei, sem que isso possa parecer que haja uma indisposição com a Cultura em si, ou má vontade com os setores culturais.
É que a lei, que me perdõe o deputado Manoel Maria, já nasce comprometida por uma impropriedade.
Há, consagrado já, e devendo receber cada vez maior incentivo, o Dia do Livro, anotado internacionalmente para o dia 23 de abril. Quem sabe fosse o caso de promover uma mudança, para não haver superposição ou excesso na área? Ou então, selecionar outra data, que não coincidisse com um motivo móvel, o que só irá criar confusão no futuro.
Não sei se há tempo, se ainda há possibilidade de recuo, ou se o processo na Assembléia o permite, mas o ideal seria uma retirada da lei, para melhor apreciação e encaminhamento posterior.
Hoje é 15 de outubro e não há outro tema digno de atenção. Mesmo porque continuam se matando pelas ruas do mundo... E é preciso reconhecer a inutilidade de todos os esforços civilizatórios, se não acreditarmos, mesmo na importância da educação, como pedra fundamental. postado por walter em 15/10/03
O DIA DO PROFESSOR
Walter Galvani
Os governantes hão de se manifestar hoje, reconhecendo publicamente o valor do trabalho dos professores e apontando a escolha do magistério como uma nobre opção. Falarão também das dificuldades do estado, seja em nível municipal, estadual ou federal e dirão que infelizmente o Tesouro público não cobre as despesas de um salário condigno para os pobres mestres.
Depois de choraram algumas lágrimas de crocodilo, dirão que no próximo orçamento, se a safra for boa, se a inflação não disparar, se o dólar se comportar, poderão pensar em dar 5 por cento de aumento.
Ou então, nada dirão e apenas farão um discurso de enaltecimento aos mestres.
De minha parte já sei o que dizer. Repito aqui em público o que costumo dizer em privado: se eu fosse ditador deste país, daria aos professores o melhor salário de todas as atividades.
Ditador? Sim, porque se eu não fosse ditador não poderia fazer isso. Os interesses se somariam de tal maneira que no Congresso minha proposição seria derrotada. Teria de fazer acordos quem sabe, beneficiando aqui e ali, para conseguir “tirar”, como costumam dizer, alguma lei exeqüível e me demonstrariam, por A mais B, que o orçamento não comporta este impacto.
Diriam até que minha lei inviabilizaria a previdência social e comprometeria o futuro da Nação.
Como já ouvimos este papo há mais de cinqüenta anos, conosco não “pega” mais.
E, no entanto, chegamos a mais um Dia do Professor. Não sou prefeito, não sou governador, não sou presidente e muito menos ditador. Mas, sou Patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, com imenso orgulho e pelo menos estou a trabalhar num evento que conta com o apoio e ajuda dos professores e consagra esta maravilhosa profissão em toda a extensão da sua dignidade. Mesmo que não possamos remunerar os mestres como eles mereceriam, lendo esta declaração de princípios, saibam que se um dia pudéssemos sonhar com a presença de alguém na liderança do país que pensasse efetivamente como nós, quem sabe se trataria de premiar, embora para muitos com tanto atraso, pelo bem extraordinário que tem trazido ao país.
Quem sabe assim sairemos da rabeira das classificações internacionais em matéria de alfabetização, de leitura, de compreensão da leitura.
Como sabem alguns freqüentadores desta página, moro em Guaíba, a antiga Pedras Brancas, berço da Revolução Farroupilha. Debaixo de um cipreste de mais de duzentos anos que ainda existe aqui e, graças a Deus, é reverenciado, conspirou-se no século XIX para fazer a grande revolta do Rio Grande contra o império brasileiro. Hoje é a data da emancipação política do município que, desde então passou a chamar-se Guaíba. Este artigo que segue foi publicado inicialmente na edição impressa do jornal "O Guaíba" que se publica nesta cidade e com ele rendo minha homenagem ao município que me acolheu há seis anos. postado por walter em 14/10/03
GUAÍBA, 77 ANOS
Sabemos que esta cidade é o berço da Revolução Farroupilha e que no alto da sua colina principal, um cipreste com dois séculos ou mais vela pela sua integridade e pela manutenção dos princípios que moldaram aquela epopéia de meia dúzia de bravos.
Sabemos que são muitos os problemas que nos cercam e às vezes quase asfixiam ou pelo menos retardam a consecução do que almejamos e que, no entanto, é preciso lutar.
Sabemos que a emancipação política agora com 77 anos de idade eleva a carga de responsabilidade a ser dividida entre todos, os que aqui nasceram e os que para cá vieram, como resultado de sua opção de vida.
Sabemos que a deslumbrante visão da natureza que nos serve de cenário e contorno, transforma em emoção o simples caminhar “à beira”, num fim de tarde ou no amanhecer.
Mas também sabemos que qualquer um de nós será capaz de dar tudo de si, doar-se integralmente ao pequeno povoado que hoje é a cidade cheia de esperanças e certezas no futuro. E que, só com esta entrega integral e coletiva, construiremos a Guaíba que todos sonhamos.
Walter Galvani
No Iraque continuam morrendo os jovens americanos, principalmente negros ou hispanos, que é dessa massa que se constitui o glorioso exército do cowboy texano... Mas, o trânsito aqui não escolhe. Mata ricos, classe média e pobres... Sem falar nos aviões que podem cair sobre a multidão que participa do Dia da Criança. Sorte que o acidente de Santa Maria se deu a... 200 metros do povo! postado por walter em 13/10/03
A MATANÇA DO FIM-DE-SEMANA
Walter Galvani
Somente em acidentes com motos, apenas no Rio Grande do Sul, tivemos 6 mortes no fim-de-semana. Se estendermos a estatística para o país, veremos que o trânsito mata muito mais do que a guerra do Iraque, que não terminou e continua abatendo jovens americanos. Diferença, na prática não há. Os que morrem em sua maioria são jovens entre os 18 e os 35 anos, já que a sociedade passou a chamar de jovens os que chegam à esta idade. Lembro que decidi certa vez, casar-me, porque eu havia chegado solteiro aos 28 anos e fui convidado por amigos de Tramandaí (uma estação de veraneio muito conhecida no Rio Grande do Sul ) para integrar no Carnaval o bloco “Dos Coroas”. Ora, “coroa”, querendo dizer a pequena coroa de carequice que se forma com a idade no alto da cabeça, assinalava por certo a idade adulta que estava aí. Agora chamam de “jovens” até os 35 anos. É verdade que isso deve ser porque a maioria dos homens (e mulheres) de classe média, ainda não definiram suas vidas quando chegam à esta faixa etária; estão a fazer doutorados e “otras cositas más”...
Pois bem: seis mortes, isso só em motos. Ou “motas” como se diz em Portugal, onde os motoristas também não são lá nada santos...Lembro certa vez que o táxi em que rodávamos no caminho da estação do Sodré, onde apanharíamos o comboio (trem) para Estoril, numa bela manhã de domingo, abalroou um automóvel que atravessava com o sinal a seu favor.É que eu havia conversado com o motorista. Não dá para brincar em serviço. Felizmente só fiz uma faísca elétrica na ponta do cotovelo – e minha companheira também – que jamais perdi, jamais perdemos. Lembranças da “santa terrinha”...
Outro absurdo é este das acrobacias sobre a multidão. Ontem caiu um avião em Santa Maria, com o comandante do grupamento de caça da FAB, a duzentos metros dos participantes da festa do Dia da Criança.
Isso já ocorreu, é claro, em outros lugares, inclusive em Paris e inclusivemente na época de Santos Dumont. Portanto, não é novidade, mas já se devia ter aprendido que as acrobacias podem ser feitas numa distância e num ângulo que proteja o povo.
Ontem só dormi quando soube que o acidente fora em Santa Maria e não em Canoas, onde meu neto Lucas estivera, naturalmente se deslumbrando com os aviões tanto quanto esse avô aqui, que por lá ter nascido, um dia sonhou em ser aviador. Graças a Deus não me estatelei – ainda – sobre ninguém e tampouco consegui chegar a piloto de caça...
Mas, é sério e as autoridades da Aeronáutica deveriam pensar um pouco mais nessa hora de festas e... desgraças. Não é só o custo do avião, nem do piloto com o qual, afinal, o país gastou, nele investindo por anos a fio, em sua formação e aprimoramento. Agora pagaremos o salário da viúva e a pensão dos filhos. Que ficaram sem pai no Dia das Crianças.
Mais leve: no Dia da Criança, o time jovem do Inter, este sim de jovens, um deles com 17 anos apenas, outros com 18 e 19 e que caíram diante do Grêmio, mais veterano e necessitado que está procurando fugir da segunda divisão do futebol brasileiro. Foi um desastre também, esse sem mortos e feridos, mas gerando muita frustração. Afinal, alguém tinha que perder... Um dos dois. Ou empatar, quem sabe, o que andou ali. O Grêmio assim cria novo ânimo e isso é bom para o Rio Grande, onde pelo menos metade da população é gremista.
Falo sobre a escolha de um advogada iraniana para ser o Prêmio Nobel da Paz de 2003, nesse artigo publicado na edição impressa de hoje do ABC DOMINGO. Mas, Rub inho Barrichello fez o jogo da Ferrari e de Michael Schumacher, que entrou em oitavo mas se sagrou hexa-campeão mundial de automobilismo - fórmula 1, superando a marca do argentino Juan Manuel Fangio, penta-campeão. Há, e explodiu uma bomba num hotel usado pelos americanos no Iraque... Bom domigo a todos... postado por walter em 12/10/03
NEM O PAPA, NEM LULA
Walter Galvani
O prestígio internacional do Prêmio Nobel, seja da área de literatura, de medicina, de física ou química, ou da Paz, continua presidindo um dos poucos atos humanos universalmente aceitos neste período de globalização e provincianismo, duas tendências opostas que confraternizam no mundo moderno. Por vezes, autores desconhecidos surpreendem o mundo literário com seus nomes, oriundos de países pequenos, como o caso de José Saramago, ou marginais. Ou ainda surpreendentes, por inesperados, como o caso de Koetze, o premiado sul-africano deste ano.
Mas, o Nobel da Paz, eleito por um comitê especial sediado em Oslo, capital da Noruega, costuma coroar um grande nome ou a liderança de algum movimento que interfira publicamente no comportamento político internacional.
Shirin Ebadi não existia para a grande “media” até anteontem. Hoje seu nome é sinônimo da defesa dos direitos da mulher e da criança, área em que ela se notabilizou em seu país de origem, e onde sofreu toda a sorte de restrições desde 1979, quando foi derrubada do mais alto posto da magistratura iraniana, jamais atingido antes por alguém do sexo feminino, pela Revolução Islâmica que levou os aiatolás ao poder.
Cinicamente, os tais lideres político-religiosos de seu país representados pelo presidente Mohamed Khatami, declararam-se “contentes” com a nomeação.
Entre os 165 concorrentes havia todo o tipo de candidato. Desde o Papa João Paulo II, cujo precário estado de saúde funcionava favoravelmente à sua indicação, sensibilizando os eleitores, ou o presidente Lula, do Brasil, este contando com uma grande “torcida” dos brasileiros que acreditam permanentemente em milagres. Dessa vez, ficaram todos frustrados. Inclusive os ridículos defensores da candidatura de George Bush ou Tony Blair, imaginem só, leitores, estamos falando em Nobel da Paz!
Shirin Ebadi, uma ilustre desconhecida para todo o mundo, não o é apenas para parte do mundo islâmico. “Sou muçulmana – explicou ela – e defendo os direitos das mulheres e principalmente, das crianças!”
No ano passado, este prêmio sempre surpreendente, favoreceu o ex-presidente americano Jimmy Carter, notório amigo de Fidel Castro, por quem foi recebido em Cuba no ano passado e que defende o fim do bloqueio econômico à ilha. Como eu, aliás. Como muitos que sabem que o tal bloqueio piorou a vida apenas do povo cubano e não enfraqueceu a posição de Fidel. Ao contrário, fortaleceu-a internamente e perante a opinião publica internacional. Mais ainda com a última agressão americana, que foi a de levar prisioneiros de guerra para a base de Guantanamo, que fica em território cubano, arrendado pelo governo americano. Não podem os cubanos expulsar os americanos de sua ilha, nem talvez o queiram. Afinal, a terra está arrendada e por pior que seja o contrato, rende dólares, gastos no aluguel ou na compra de alguns bens e serviços nas redondezas.
O fato é que o Nobel da Paz mexe com o ganhador e suas circunstâncias. Seu país e suas ligações. Não será diferente com a estranha e desconhecida Shirin Ebadi, que amanhã será íntima de todos nós. Pelo menos, os que ignoram, ficarão sabendo da difícil vida das mulheres em seu país, o Irã, e das injustiças que se cometem contra as suas pobres crianças com alguns costumes que, denominá-los de medievais constituiriam num insulto à Idade Média...
A BBC de Londres divulga hoje em sua página na Internet, uma informação que interessa aos leitores do "Anacoluto do princípio ao fim", meu livro que está em todas as livrarias menos na Saraiva... É um romance, mas pode servir de autoajuda. E quem o lê "do princípio ao fim", sabe do que estou falando. postado por walter em 11/10/03
Antibióticos podem retardar Alzheimer
Uma combinação de dois antibióticos comuns pode ajudar a retardar o aparecimento dos sintomas do Mal de Alzheimer.
Uma pesquisa da Universidade McMaster, do Canadá, mostrou que pacientes tratados com doxiciclina e rifampina sofreram degeneração do cérebro mais lenta do que os tratados com placebo.
Os especialistas alertam que um estudo com apenas 101 pacientes não é suficiente para chegar a nenhuma conclusão, e os pesquisadores canadenses disseram que são necessárias mais pesquisas para confirmar o resultado.
Mas eles afirmam que a conclusão desta pesquisa sugere que o tratamento com antibióticos produz resultados comparáveis aos tratamentos que existem atualmente - e que têm efeito apenas sobre metade dos pacientes.
O líder da pesquisa, Mark Loeb, disse que "o regime de antibióticos pode permitir a um paciente de Mal de Alzheimer que permaneça em casa por mais tempo, evitando ir para um asilo ou outra instituição, ao menos por um período".
Infecção
Já existe a teoria de que uma bactéria comum, causadora da pneumonia, pode ter uma função no Mal de ALzheimer.
Mas o tratamento com antibióticos não levou a uma redução significativa dos níveis desta bactéria nos pacientes, como poderia ser esperado.
Loeb acredita que os antibióticos podem atuar interferindo na formação de placas em torno das células do cérebro, a marca do Alzheimer.
Ele disse ainda que os efeitos anti-inflamatórios dos antibióticos são fundamentais.
A pesquisa msotrou que, em uma escala de 70, os pacientes tratados com placebo tiveram degeneração 2.75 maior em seis meses, do que os tratados com os antibióticos.
Aos 12 meses, ainda havia diferenças entre os grupos, mas elas não foram consideradas significativas.
Resposta do sistema imunológico
David Wilkinson, de um centro de pesquisas de Alzheimer na Grã-Bretanha, disse que é preciso realizar novos estudos antes de se chegar a uma conclusão.
Mas ele disse à BBC que "há um claro entendimento entre os médicos desta área que infecções como a gripe podem piorar os sintomas do Mal de Alzheimer e provocar confusão mental em alguns pacientes idosos, que não apresentem sinais óbvios da doença".
"Uma das teorias é que as mudanças no cérebro de um paciente de Alzheimer fazem com que o sistema imunológico do cérebro seja extremamente sensível aos químicos produzidos pelo organismo quando lida com novas infecções, exagerando nas reações e causando ainda mais danos."
"Diminuir o uso deste sistema imunológico com o uso de anti-inflamatórios ou, neste caso, com o tratamento profilático no início de uma infecção, pode ser uma das formas de diminuir os efeitos da doença, retardando a degeneração."
Mas Wilkinson advertiu que o uso exagerado de antibióticos é preocupante, já que as bactérias têm se tornado cada vez mais resistentes aos remédios hoje disponíveis.
Ele disse que se a teoria for provada correta, seria melhor encontrar formas alternativas para diminuir a resposta do sistema imunológico do cérebro às infecções.
Todos os fanáticos religiosos, sejam eles católicos ou muçulmanos, judeus ou shiitas, todos os ultra-conservadores ou os extremistas de qualquer espécie, estão hoje de cara no chão... postado por walter em 10/10/03
NEM O PAPA, NEM LULA
UMA ADVOGADA IRANIANA
É O NOBEL DA PAZ
Walter Galvani
Esta manhã, dia 10 de outubro, o comitê internacional que escolhe o Prêmio Nobel da Paz, reunido em Oslo, capital da Noruega, anunciou o nome da advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, como a ganhadora do ano de 2003.
Ela foi a vencedora entre 165 candidatos em que estavam incluídos e até apontados como possíveis favoritos, o Papa João Paulo II, cujo estado de saúde precário o favoreceria, segundo algumas fontes, a receber a distinção este ano, o teatrólogo e ex-presidente Vaclav Havel, o presidente do Brasil, Luis Ignácio Lula da Silva e até Tony Blair, o desastrado e pouco confiável primeiro ministro inglês, e o líder do conservadorismo e da política imperial dos Estados Unidos, o republicano George Bush.
Foi uma bela vitória para fechar a boca dos que costumam julgar os prêmios Nobel subordinados às questões políticas. Nem Bush, nem Papa, nem Blair, nem Lula, nem ninguém que pudesse ser cotado por suas posições ambíguas, conservadoras ou progressistas, enfim, nenhum dos famosos da cena internacional, personalidades brilhantes da “media”, espécie de “bonecos” dos meios eletrônicos.
Shirin Ebadi é uma advogada que foi presidente do principal tribunal iraniano até 1979 e desta posição foi derrubada pelos conservadores que tomaram o governo do seu país. Desde então ela deu prosseguimento à sua carreira atuando pessoalmente ou em ongs, sempre defendendo os direitos das mulheres e das crianças, prioritariamente, tarefa penosa e pesada tanto em seu país como em todo o mundo, em especial no Oriente Médio e na América Latina.
O governo do Irã, extremamente conservador, forçado pela inesperada decisão, manifestou-se publicamente, talvez com uma bela dose de cinismo, dizendo-se “reconhecido pela distinção”.
Acreditam os oficiais do tal governo que seu país será assim mais conhecido no mundo. Claro, “por linhas tortas”, tal como a imagem do Brasil no exterior nos anos setenta, quando, de tanto falarem mal por causa dos governos militares, os estrangeiros afinal, falavam do nosso país...
Agora será a vez do Irã. Ficar-se-á sabendo tudo a respeito da sociedade redutora, inclusive como tratam suas mulheres e crianças. Shirin Ebadi talvez tenha que emigrar, mas depois de receber o equivalente a três milhões e seiscentos mil reais, prefira residir em Paris ou quem sabe, Oslo, mesmo ou Estocolmo.
Ou, voltando à sua terra, transformar-se em foco de admiração e peregrinação.
Lá, no entanto, sempre há o perigo de fanáticos religiosos que se transformam em “homens-bomba” para destruir sua vida, sua casa, sua família e, por seu turno se transformarem, tais atores suicidas, em herdeiros de milhões que beneficiam os próprios descendentes, de acordo com tradições locais.
Naturalmente, em caso de equívoco público, o governo iraniano, conhecido pelo seu insuperável conservadorismo e defensor de costumes retrógrados, talvez venha a prestar contas do seu pensamento e de suas ações.
Para alguma coisa terá servido o Prêmio Nobel da Paz 2003. Viva então Shirin Ebadi!
O "Anacoluto do princípio ao fim" está chegando às ruas do Rio de Janeiro. Desde o início da semana, dezenas de "out-doors" fazem a divulgação do livro editado pela Record, que já está nas livrarias. postado por walter em 09/10/03
Esta é a epígrafe do livro "Anacoluto do princípio ao fim":
PEQUENOS BARCOS
Esta é uma história que fala da nossa pequenez, da nossa fragilidade diante do destino.
Condicionados pelo nascimento, até pelo nome de batismo às vezes, escravos das nossas circunstâncias, somos, como diria Scott Fitzgerald, “pequenos barcos jogados contra a corrente”.
E nem os “grandes” escapam à fria determinação do que está escrito no seu genoma, ou... nas estrelas.
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O "Anacoluto" será apresentado em Canoas, Guaíba e Gramado.
Em Pelotas, dia 12 de novembro, na Feira do Livro.
E na Feira do Livro de Porto Alegre, claro, no dia 2 de novembro às 15h30min, com palestra do escritor Luis Antonio de Assis Brasil.
Simpósio sobre a água, promoção da ARI postado por walter em 08/10/03
Muito oportunamente a Associação Riograndense de Imprensa está promovendo a partir de hoje, na sede da FIERGS, em Porto Alegre, um simpósio sobre a água.
O assunto é muito sério e, de um modo geral, as pessoas nem estão ligando para o assunto. A questão sai pelo ralo, literalmente... Mas saibam: ainda antes da metade do século (parece profecia de Nostradamus) estaremos pagando pela água potável ou não, da mesma forma que pagamos hoje pela gasolina.
Vamos acordar?
Hoje é dia de fazer fila na Livraria Cultura em Porto Alegre, para reverenciar Armindo Trevisan, poeta e crítico de arte, e... Jesus! postado por walter em 07/10/03
“O ROSTO DE CRISTO”
Walter Galvani
O rosto do jovem rabino que mudou a história do Mundo, que criou um código de ética que até hoje prepondera sobre as questões religiosas, raciais ou internacionais, políticas, é o sumo da obra do poeta Armindo Trevisan, profundo conhecedor das artes plásticas e da própria viagem do homem sobre a Terra, é o tema do livro que será apresentado hoje na Livraria Cultura, do Bourbon Country.
Em sua pesquisa, Armindo desceu até às últimas conseqüências e, por assim dizer, raízes do tema e conseguiu trazer à tona a explicação, com a sua visão inspirada e informada. Pode-se dizer que ele pega assunto entre as mãos e, com imenso carinho e cuidado, vai revolvendo-o e decifrando-o, para que os leitores, enfim, entendam-no em toda a sua profundidade.
Cristo é apresentado como de fato deveria ter sido e como foi representado pela arte ao longo dos séculos, demonstrando o que a visão humana fez com ele, para chegar ao entendimento profundo de sua mensagem, da sua simbologia. Para tanto, refaz o caminho histórico da representação gráfica e artística do “suave rabino” que foi capaz de ensinar que devemos amar-nos uns aos outros e oferecer a outra face ao levar uma bofetada.
A apresentação do livro de Armindo Trevisan, editado pela AGE, 263 páginas, (120,00 a edição de luxo e a 60,00 reais a edição normal), será feita hoje às 19h, na livraria Cultura do Shopping Bourbon-Country, em Porto Alegre; Armindo, 70 anos, membro do Conselho Estadual de Cultura, foi patrono da 67a. edição da Feira do Livro da capital gaúcha, realizada no ano de 2001.
O subtítulo do livro é bastante explicativo do seu significado: “A formação do imaginário e da arte cristã”. Nele Armindo conta porque os cristãos evoluíram desde a representação baseada em modelos pagãos, clássicos gregos, até passarem pelo Renascimento que popularizou a imagem do homem loiro de longos cabelos e suaves olhos azuis, o modelo italiano de beleza, até vagarosamente retomar, o que está acontecendo agora, ao possível biótipo judeu, que afinal, era o que era Jesus.
O complicado xadrez dos povos e - o sonho ou realidade, utopia ? - fim das fronteiras nacionais. E das guerras... postado por walter em 06/10/03
O ATAQUE À SÍRIA E A ONU
Walter Galvani
À cada dia, a ONU dá uma nova demonstração da sua incapacidade para resolver as situações criadas pela “lei do mais forte”, a única que de fato prepondera nas relações internacionais. Há os ataques suicidas contra soldados e instalações de Israel, há o contra-ataque israelense com o bombardeio de objetivos em território do... digamos, vizinho ou adversário, ou concorrente, ou inimigo, como se queira classificar.
Este é o balanço negativo de cada fim-de-semana que nos apavora com seus números friamente estatísticos, em que se sabe que morreram tantos e quantos para cada lado. O que não importa a quem trabalha com os resultados práticos do que pretende para seu país. No caso de Israel a pergunta é: o que deseja de fato Israel?
Quem estuda a motivação histórica da criação do estado para os judeus no Oriente Médio, desde a viagem do “Exodus” e os primeiros “kibutz”, sabe-se que a idéia era apenas uma terra onde viver em paz, sem confronto com os vizinhos, e ali, plantar e colher sem a ameaça de forças nazistas ou fascistas que os perseguissem.
Um adeus à velha Europa, para onde haviam emigrado, há tantos anos, seus antepassados, obrigados que foram mais tarde a ir deixando os países cristãos e enfim, buscando sem cessar uma terra prometida...
O sonho de Israel levantou-se novamente no Oriente Médio. Para lá retornaram os descendentes dos judeus poloneses, russos, franceses, portugueses, espanhóis, brasileiros, italianos. E então, seria “Morrer por Israel”, o próximo lema. Esqueceram-se de “combinar” com os árabes muçulmanos o significado de um estado moderno, rico e tecnologicamente desenvolvido, abertamente apoiado pelos Estados Unidos e pela Inglaterra.
Inveja, competição, miséria, devastação, guerra, injustiça, revanche, vingança, afinal “olho por olho, dente por dente”, a “lei de talião” vigorando na realidade e o que temos hoje?
A impossibilidade do tabuleiro do Oriente Médio.
Solução?
Alguém tem à mão uma solução?
Não o será, por certo, através da Organização das Nações Unidas. Antes teremos que passar pela reforma da ONU.
Continuo no entanto, rezando, já que não me resta mais nada a não ser isto, pela paz mundial através do fim das fronteiras nacionais, por um mundo sem pátrias, das pequenas cidades, dos pequenos grupos, das aldeias e das tribos, e das etnias e das culturas, das línguas e das regiões, das corporações e das associações, elegendo quem sabe uma assembléia internacional.
Utopia pura. Mas, o que se fez até agora também não deu certo... não custa nada lutar por outra saída; que não deve ser, por certo, o que sucede atualmente.
Lula esteve inaugurando a IV Bienal do Mercosul, foi muito simpático ao governador riograndense, foi enfático com o ministro Gilberto Gil, da Cultura, mas o que ficou da semana foi o seu anúncio de que o tempo das vacas magras já passou. De minha parte, me considero uma vaca magra... Este artigo foi publicado na edição de hoje do ABC DOMINGO postado por walter em 05/10/03
VACA MAGRA
Walter Galvani
Seguramente sou uma das “vacas magras” a que o presidente se referiu. Nos últimos anos vi emagrecer a receita, embora engordassem os números, mesmo porque à medida que eles cresciam, junto aumentava o percentual da “mordida” do gracioso e ativo “leão” governamental. Olhei à minha volta e não vi muito investimento, mas, deixa pra lá, sempre dá para a gente colaborar um pouquinho mais com a coletividade, e assim, sem reclamar vou criteriosamente obedecendo e recolhendo bem mais do que o dízimo para os cofres da república.
É verdade que as estradas estão terceirizadas, mas estão cheias de buracos, naturalmente buracos públicos, pois nós é que transitamos e tratamos de escapar de sermos engolidos por estas crateras que pontilham as rodovias. Ah, pagamos pedágio também. Não é para o governo, pois para o governo já recolhemos impostos ao pagar a taxa anual de renovação da licença e ao colocarmos gasolina no tanque...
Espirrei agora, ao digitar estas linhas, e isso me preocupa, pois, se tiver que recorrer aos serviços de saúde pública somente serei atendido em dezembro, com a grande vantagem de que se esperar até lá, já estarei curado ou morto e, portanto, não necessitarei mais dos serviços públicos...
Muito bom, bela solução, sairá mis barato para o SUS e assim o governo terá mais recursos para investir. Não sei no quê.
O melhor mesmo é não espirrar. E não se atreva a adoecer, mesmo.
Educação, ah sim, tenho que pensar em meus netos, e começarei a fazer uma poupança para cada um deles, pois eles precisarão pagar pelos estudos superiores, muito mais do que ganharão nos primeiros cinco anos de trabalho. Valerá a pena? Para um avô sempre vale a pena.
Bem, tudo isso é o contexto que está aí, Lula não pode ser culpado sozinho pela situação que o Brasil está.
Nem tampouco pela segurança pública. Ainda esta semana, vi a Brigada Militar em ação na Praça da Alfândega em Porto Alegre, fazendo o que me disse um sargento uma “inspeção de rotina”. Eram quinze soldados. Examinaram duas putas, ou melhor, duas “trabalhadoras do sexo” e espantaram meia dúzia de meninos de rua. Que já estão de volta, é claro. Afinal criticá-los porque se não há mesmo emprego convencional, não é mesmo? Além disso, meninos tem que ir à escola e brincar, não trabalhar. Isso é para os pais. Que tratem de encontrar emprego.
Mas, anuncíe que há uma vaga em seu escritório e suma, viaje para o litoral, porque vai se formar uma fila de 3.000 pessoas à sua porta.
Quanto aos assaltos e roubos, seqüestros e rebeliões em presídios, comando da ação do mal por aparelhos celulares e tudo o mais, o que seria dos jornais de televisão se não existisse esta matéria infame e dispensável?
Sempre há a necessidade de manter a indústria dos televisores, não é mesmo? Temos também o futebol, sim, no meio disso o Brasil continua jogando futebol, como nos tempos em que Caetano, Gil e Chico se exilaram na Inglaterra e na Itália, lembram?
Joga-se futebol hoje até na Granja do Torto, o Lula mesmo enviou um recado para o Internacional, “mão-de-vaca”, que lhe mandou apenas duas camisetas, enquanto o Grêmio, enviou vinte e duas. É a lei do mercado, presidente! Há um interesse muito grande hoje pelas camisas vermelhas...
É assim, mas o ano termina e com ele o primeiro do novo governo que, quem sabe começará a se responsabilizar pelos buracos, pelo desemprego, pela crise econômica, pela falta de empregos, pela insegurança pública e pela prostituição nas ruas ou, quem sabe, pela necessidade de sobreviver de qualquer maneira...
No site da www.coletiva.net está o meu perfil, com o título de "O Patrono devorador de livros". Assim: postado por walter em 04/10/03
“Disso tudo nasci eu”, comenta o jornalista e escritor Walter Galvani, ao mencionar seus ascendentes de origem açoriana, alemã, italiana e indígena. Hoje este canoense de quase 70 anos está explodindo de contentamento, ainda comemorando a conquista do título de patrono da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre, depois de percorrer uma “árdua” trajetória de 49 anos de jornalismo e 32 de literatura.
O pai marceneiro e a mãe que costurava “para fora”, a fim de completar o orçamento da família humilde, fizeram muitos esforços para poder custear os estudos do filho no Centro Educacional La Salle. O próprio Galvani destaca que estudar em escola particular, naquela época, era um sonho muito caro, mas foi graças àquele educandário que ele se sentiu estimulado para atividades como a leitura. Ali ele participou do Grêmio Literário, espaço em que os alunos realizavam reuniões e produziam seus primeiros “ensaios”. Galvani relembra que sua turma deixava de jogar futebol para participar das reuniões do Grêmio. “Uma coisa maravilhosa, quando me recordo, eu penso: que pretensão nós já tínhamos quando éramos meninos. Minha infância foi marcada por isso”. Seu primeiro emprego na área de jornalismo foi no jornal interno do La Salle, o “Ecos de São Luiz”. “Foi aí que eu tomei o gosto pelo papel impresso”, revela Galvani, que já nesta época era um leitor infatigável. “Eu simplesmente devorava os livros”.
A autobiografia
Para relatar sua carreira jornalística seriam necessárias dezenas das velhas laudas de jornal. Ou daria até mesmo para escrever um livro – um dos planos de Galvani para o próximo ano, quando completar 50 anos de carreira e 70 de idade. O marco desta trajetória está fincado em 1955, quando Galvani veio para Porto Alegre, indicado por um amigo para trabalhar na redação do Correio do Povo, onde atuou por 12 anos. Paralelamente a isso, o jornalista começou a escrever também, em 1958, na redação da extinta Folha da Tarde.
Meio século de carreira é tempo mais do que suficiente para ter atuado na maioria dos veículos gaúchos: Expressão, Correio do Povo, Folha da Tarde, Folha da Tarde Esportiva, Folha da Manhã, O Momento, O Timoneiro, Jornal da Semana, Diário de Canoas, ABC Domingo, Jornal da Semana, Revista do Globo, revista Rua Grande (de São Leopoldo) e rádios Pampa (1986) e Guaíba (a partir de 1991). Com isto, exerceu a maioria das funções dentro de uma redação: já foi repórter, redator, subchefe de reportagem, chefe de reportagem, subsecretário e secretário de redação e diretor de redação – Galvani foi o último diretor de redação do jornal Folha da Tarde, no período de 1981 a 1984.
Com uma carreira como esta, prêmios, homenagens e reconhecimentos são uma conseqüência lógica. Entre tantos, destaca-se o Prêmio ARI de Jornalismo na categoria Crônicas, Troféus Amigo do Livro, Amigo do Teatro, Destaque em Cultura e Jornalismo. Ocupa a Cadeira 25 da Academia Riograndense de Letras, recebeu o título de “Cidadão Emérito de Porto Alegre”, o Prêmio Literário “Érico Veríssimo”, da Câmara Municipal de Porto Alegre, e o prêmio “Casa de Las Américas”, de Cuba, pelo livro “Nau Capitânia”, editado inclusive em Portugal. Tem outros livros publicados, e agora está lançando mais um, “Anacoluto do princípio ao fim”.
Para escrever o Nau Capitânia, fez antes uma investigação histórica de temas relativos ao descobrimento do Brasil em Portugal. Com a ajuda de sua esposa e jornalista Carla Irigaray, fez uma extensa pesquisa durante um ano nas terras portuguesas. Resultado disto foi o livro, que é a primeira biografia de Pedro Álvares Cabral em 500 anos de história, segundo registrou o jornal “O Estado de São Paulo”.
O lado desconhecido
Há seis anos Galvani trocou a agitação da capital pela tranqüilidade da cidade de Guaíba, onde mora com Carla – segundo casamento, que completa 25 anos. “Eu gostei tanto do casamento que já casei duas vezes”, brinca ele. Tem duas filhas do primeiro casamento, a bióloga Ana Luisa e a engenheira de alimentos Alessandra. Como todo vovô, baba pelos três netos: Luis Felipe, Lucas e a Isabela.
No seu dia a dia, a leitura e a escrita fazem parte da rotina. Escreve um texto aqui, outro ali, e retorna para ler. O trajeto de Guaíba a Porto Alegre (ida e volta), ele faz de ônibus justamente para praticar a leitura. Em sua agenda pessoal, marca as leituras e contabiliza os livros. Este ano, até o momento, foram 62 obras lidas, entre leituras inéditas e releituras. Em média, Galvani dedica-se à leitura três horas por dia (o que dá uma média de um livro por semana), sem contar suas “paradinhas básicas” para dar uma olhada em outras publicações. “Não poderia ser diferente, eu adoro ler”, comenta, como se precisasse explicar. Na cabeceira está agora o livro “Memórias de Adriano”, de Marguerite Yourcenar. Ele está relendo pela quarta vez a obra da escritora francesa para falar sobre ela em um dos inúmeros eventos da Feira do Livro. “O livro é fantástico e o considero um dos melhores que já li em todos os tempos”, recomenda Galvani.
Claro que todo dia sobra um tempinho para atividade física: Galvani pratica caminhadas em Guaíba, geralmente no fim de semana, sempre acompanhado de Carla. Outro lazer preferido é ir ao cinema. Para justificar que não há nada mais agradável do que ir ao cinema para namorar, ele relembra os “velhos tempos” em que para conquistar uma namorada era preciso levá-la para pegar um cineminha.
Nas férias, costuma veranear em Canasvieiras, no litoral catarinense, um refúgio que também é uma de suas opções de moradia no futuro. Mas revela que Lisboa, em Portugal, é o lugar que escolheria para viver com sua família. “Uma cidade que é uma grande metrópole e ao mesmo tempo uma província, o que considero maravilhoso”.
O patrono
Aos 69 anos, Walter Galvani conquista o título de patrono da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre e consagra-se como mais um dos grandes nomes da literatura gaúcha. Sentado no café da Casa de Cultura Mário Quintana, ele recebe cumprimentos e parabéns de todos que por ali passam – até de pessoas que não conhece, mas que de alguma forma querem manifestar o carinho e admiração pelo escritor. O sonho foi concretizado no terceiro ano em que figurou na relação dos 10 candidatos a patrono, o que levou Galvani a não esperar mais o título. Muito contente com o reconhecimento, ele diz que além de ser uma honra, é um orgulho e um patamar inigualável na carreira. “Eu não preciso de mais nada na minha atividade cultural”, declara.
Emotivo, não contém lágrimas nos olhos ao dizer que sua filosofia de vida é imitar o falecido pai, o humilde marceneiro cuja “arte da tolerância” é admirada e exaltada até hoje pelo filho Walter. “Eu tento seguir seus passos, a imagem que ele me deixou ao longo de seus 84 anos de vida, de uma extrema tolerância, de uma pessoa que sabia ouvir e compreender os outros”.
Para o futuro, o escritor planeja continuar escrevendo e adianta que já está desenvolvendo os seus novos trabalhos: um livro de ficção e uma obra com sua própria história, específica sobre seus 50 anos de jornalismo. “A obra será uma contribuição para os nossos futuros colegas”, afirma. Inspiração para tudo isso? Ele explica o sentido da palavra utilizando uma frase do pintor Pablo Picasso: “Sempre quando ela chega, me encontra trabalhando”.
Perguntaram-me qual a receita para chegar um dia a patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. A resposta é simples: ler, ler e ler. postado por walter em 03/10/03
LER SUBLINHANDO
Walter Galvani
A Cláudia Laitano, ou a Claudinha para os amigos, competente editora do Segundo Caderno da Zero Hora, jornal de Porto Alegre, escreveu no primeiro dia de outubro, um excelente artigo, com o título de “Fazes-me falta”, reportando-se ao maravilhoso livro de Inês Pedrosa, a jovem escritora portuguesa que fascinou a platéia da 10a. Jornada Nacional de Literatura em Passo Fundo.
Cláudia abre sua coluna com a frase: “Existem dois tipos de livros, os que se lê e os que se lê sublinhando. Na adolescência, eu certamente teria sublinhado essa frase. Fui uma sublinhadora voraz e nem sempre imune aos clichês. Certos trechos (...)” – e por aí vai.
O título da matéria da Cláudia se referia especialmente ao livro de Inês Pedrosa, o romance “Fazes-me falta”, editado no Brasil pela Planeta e que em Portugal vendeu mais de 50 mil exemplares. E não por acaso. Li o livro, duas vezes já e, Claudinha, não sublinhei, mesmo porque não é o meu hábito. Uso outro sistema: anoto em papel separado, o número da página e a dica inicial do que me chamou a atenção para depois passar para o computador, num arquivo especial dedicado a cada um dos livros que leio. É trabalhoso mas prazeroso.
No entanto, há livros que se lêem, há livros que se sublinham e há livros que é impossível sublinhar. É o meu caso com o “Fazes-me falta”, já disse isso à autora que me elegeu como um dos seus “amigos de infância”, quando usou da palavra na Jornada e de fato, é assim que me sinto.
Também pensei um dia em sublinhar (já fiz isso sim, no passado, também fui um grande sublinhador) e tentei faze-lo com o livro de Marguerite Yourcenar, “Memórias de Adriano” – que me ensinou (ou pelo menos me serviu de inspiração e orientação) a escrever na primeira pessoa, coisa que me encanta. Mas com o “Adriano” também não deu. Quando vi estava todo riscado meu volume, daí porque comprei outro e adotei a fórmula da anotação e registro em separado. Só que acabei escrevendo um livro novo, paralelo ao de Marguerite.
E é por isso que o escolhi para fazer minha defesa no Projeto Farenheit na Feira do Livro. Mas, não só pelo que descobri, claro, mas pelo que ainda vou descobrir agora em que estou no processo da quinta leitura...
Saiu hoje de manhã o nome do novo Nobel de Literatura. Um "outsider" na corrida: o sul-africano John Maxwell Coetzee. Antes que você tenha esquecido o nome dele, como possivelmente já tenha esquecido o do húngaro Imre Nagy, do ano passado, leia algo a respeito do mais novo milionário da literatura. Na certa o nome dele vai ganhar os noticiários durante todo o dia de hoje. Depois... bem, então será com Deus. Ele decidirá... postado por walter em 02/10/03
JOHN MAXWELL COETZEE,
O NOBEL DE LITERATURA 2003
Walter Galvani
Todos os anos no mês de outubro, em todos os países, os intelectuais e o público mais chegado aos livros, voltam os olhos para a Suécia, para saber quem será o contemplado com o mais valorizado de todos os prêmios da área, o Nobel de Literatura. Dessa vez, ao amanhecer desse segundo dia do mês, chega o anúncio oficial: John Maxwell Coetzee, um ilustre desconhecido para a maioria, aqui no Brasil completamente ignorado. Trata-se de um representante da África do Sul, que escreve em língua inglesa.
Há uma tendência política mundial em premiar povos africanos, mas no caso não se trata de nenhum subdesenvolvido, mas sim do mais adiantado dos países daquele continente. John Maxwell Coetzee é considerado um dos maiores racionalistas do mundo literário moderno. Seus trabalhos – informa a Fundação Nobel – se caracterizam pela composição bem feita, pelo texto bem elaborado tecnicamente, e por ser um cético constante, duro em seu criticismo, e um adversário do que denomina “moralismo cosmético do mundo ocidental”.
Destaca-se sua enorme honestidade intelectual e a capacidade que tem em separar suas teses, suas convicções, daquilo que surge como o real, o objetivo, tanto que, constantemente torna-se um debatedor público das próprias posições que defendera.
Assim procede numa questão vital em seu país: os direitos dos animais. Como se pode imaginar, em seu país em particular e na África de um modo geral, tais direitos são muito tênues e poucos são os seus defensores efetivos. Há toda uma série de interesses econômicos, representados em caça e apresamento de animais representativos de espécies em extinção, há o fenômeno da caça-turística, e também a questão das reservas naturais.
“Dusklands” foi seu primeiro romance, que tratava de um funcionário do governo americano na guerra do Vietnã. “In the heart of the country”, segundo trabalho, numa tradução literal seria “No coração do país”, Coetzee aborda o problema da segregação racial e de uma verdadeira psicose que vive seu personagem, em conflito com o pai.
“Waiting for the barbarians” é um policial, na linha no entanto misteriosa e sombria de Joseph Konrad.
“The master of Petersburg” é uma paráfrase da vida de Dostoiewski, e seu mundo de criação. Em “A desgraça de Coetzee” ele defende sua honra e de sua filha, no difícil momento em que ruiu a supremacia branca na África do Sul com o fim do regime do “Apartheid”.
Escreveu também um romance autobiográfico, intitulado “Juventude” e seu último trabalho, o mais recente, é “Elisabeth Costello” onde fala sobre o problema do mal, a demonologia.
Na certa será “descoberto” agora, mas talvez não venha a ter a receptividade que ele próprio deve esperar, é justo que sonhe com isso, com mais o valioso prêmio que, além de projetar seu nome, dar-lhe visibilidade mundial, coloca em seu bolso um milhão de dólares.
A "Feira do Livro", em 49a. edição este ano, da qual sou o patrono, teve cobertura do "Correio" desde sua primeira realização, em 1955. E eu estava lá, pois trsabalhei no "Correio" de 1955 a 1984, 29 anos portanto. postado por walter em 01/10/03
UM JORNAL CENTENÁRIO
Walter Galvani
Trabalhei duas vezes na empresa Caldas Júnior, a primeira delas de 1955 até 1984, coincidindo com o período áureo sob o comando de Breno Caldas, filho do fundador, Francisco Antonio Vieira Caldas Júnior, e na Rádio Guaíba, no retorno, em 1991 até 2003. No meio disso, em junho de 1984, os jornais pararam de circular, tanto o “Correio do Povo”, quanto a “Folha da Tarde”, e o “Correio” esteve 22 meses ausente do mercado. Retornou em agosto de 1986, e mantém-se até hoje, embora tenha mudado seu formato, de “standard” para tablóide. E de empresa, naturalmente, resgatado que foi por Renato Bastos Ribeiro.
Todos os anos, no dia 1o. de outubro, o editorial do jornal relembra, como hoje, a fundação em 1895, ainda no século XIX, e os propósitos de então que, mais ou menos, a empresa tem procurado defender ao longo destes 108 anos, embora mudando de mãos em 5 de maio de 1986, o que evitou a execução da falência e o leilão dos bens, entre os quais o maravilhoso edifício Hudson, no centro da cidade de Porto Alegre.
O primeiro editorial, que falava de um jornal “independente, nobre e forte”, aberto a todos os setores da sociedade e não apenas a um grupo, estabeleceu as linhas que levaram o jornal à vitória inicial e à sua consolidação, atravessando desafios e contestações, concorrências e agressões, censuras e prepotências.
Não é hora de discutir sua qualidade ou suas virtudes, porque lá militam, como sempre, brilhantes profissionais, que fazem o que podem para dar ao público diariamente um jornal que também recorreu a todas as vantagens da modernização técnica. Nada de surpreendente, porque sempre o fez ao longo deste século e tanto e assim consegue manter hoje, uma tiragem de 220 mil jornais, impressa em três unidades distintas. Uma parte do “Correio do Povo” é impressa na rua Voluntários da Pátria, outra em Carazinho e outra em São Sepé.
O “Correio do Povo” inicía o seu ano 109 neste primeiro dia do mês de outubro. Por certo não estaremos aqui em 2095, mas o jeito é augurar-lhe a chegada aos duzentos anos, sempre prestando serviços à comunidade.
Em 1994, às vésperas do centenário, apresentei ao publico, editado pela “Mercado Aberto”, dirigida por Roque Jacobi, hoje secretário estadual da Cultura, o livro “Um Século de Poder – os bastidores da Caldas Júnior”, com farta documentação como base e material fotográfico de ilustração, textos, pesquisas feitas em documentos e na própria coleção dos jornais, que está em segunda edição e sempre serve aos curiosos, aos interessados em cultura e comunicação, aos amigos do “Correio” e aos alunos dos cursos de jornalismo.
Título esquisito? Quase a notícia completa? Mas, assim mesmo, leia... postado por walter em 30/09/03
LULA, A PRESSÃO, OS GOVERNADORES,
AS REFORMAS -
A TRIBUTÁRIA E A DA PREVIDÊNCIA
Walter Galvani
De propósito, este título imenso aí acima, dizendo quase tudo. Porque o que é preciso dizer é justamente o que está oculto no meio dessa incrível situação que se criou no Brasil. Incrível? Incrível somente para os jovens, que ainda não viram metade do que nós, os velhos, os céticos, estamos acostumados e há muitos anos. O presidente Luiz Ignácio Lula da Silva chamou os 27 governadores à Brasília, para pedir que esses pressionem suas bancadas estaduais no Senado, para que sejam aprovadas as reformas, para que os senadores não façam obstrução e finalmente, caso venham a ser aprovadas, que o sejam antes do final do ano. Só assim entrariam em vigor no próximo ano. Caso contrário, qualquer mudança só entra em 2004...
Pois é. Hoje será o dia em Brasília da maior pressão e, quem sabe? – negociação imaginável. O Nordeste bate de frente com o Sul e o Sudeste, a política do “é dando que se recebe” ou mais pragmaticamente falando, do “toma lá, dá cá”, está em ebulição completa. Se não tirarem a tampa da panela de pressão, ela vai explodir e atirando todas as cobras e os lagartos que estão sendo fervidos, longe dos olhos do povo.
Por incrível que pareça isso é muito antigo. Talvez seja tão antigo quanto a Humanidade, pelo menos depois que ela cresceu o suficiente para deixar de ser a pequena tribo inicial do pai, a mãe, os filhos, morando na caverna inaugural da pré-história.
Lula chamou os governadores à Brasília para fazer esta suprema negociação que, se não der certo, vai propiciar o primeiro tropeço sério ao seu governo. Pode-se imaginar o que o balcão de vantagens estará leiloando hoje, em troca do voto. Não, dinheiro direto não. Estamos falando em vantagens políticas, apoios, troca de pareceres, desaforos e abraços.
O governo ameaça, se é que pode ameaçar alguém com alguma coisa, retirar todas as emendas e levar o projeto inicial. Se fizer isso sofrerá uma rotunda derrota.
“Ou voltamos ao texto original ou acomodamos as tensões” – disse Aluízio Mercadante, líder do governo no Senado.
À esta altura, é preciso que as pessoas entendam qual é o significado de “acomodar as tensões”...
Estamos em 2003, já no último terço. Hoje é o primeiro dia de outubro, data em que se parte para a última e derradeira tentativa de resgatar o ano que se aproxima do fim.
E assim também pensa o PT que não é diferente (e não pode ser) de qualquer outro partido.
Estamos acompanhando. Quem é brasileiro, e patriota, sonha com uma administração que dê certo, independente da sua coloração partidária ou sua posição política. Se Lula toca violino, sabe muito bem que é preciso segurar o instrumento com a mão direita e toca-lo com a esquerda. Mas, o som que sai da caixa é sempre o mesmo. Precisa ser afinado. O violino não precisa ser um Stradivarius. A melodia tocada, pode ser algo divino como uma obra de Mozart ou desafinada. Nós, os da platéia, que estamos com os nossos ouvidos ligados, queremos apenas cantar e dançar.
Como é feita a escolha do patrono e quem foram eles até agora. A Feira do Livro por enquanto ocupa nosso imaginário. A partir do dia 31 de outubro, fisicamente ela estará mais uma vez, na Praça da Alfândega de Porto Alegre postado por walter em 29/09/03
A LISTA DOS PATRONOS
Walter Galvani
É conhecido de todos os que acompanham a atividade cultural no Rio Grande do Sul, que a Feira do Livro está em sua quadragésima nona edição. É também conhecido de quem segue o setor ou é do ramo, a importância de ser escolhido como o Patrono, tal como tive a felicidade com a eleição tornada pública desde a semana passada. O que a maioria não sabe é quem já foi patrono e qual é o mecanismo da escolha.
Vamos, pois, aos necessários esclarecimentos:
A eleição começa, isso nestes últimos anos, a partir da votação feita por livreiros e editores, distribuidores e representantes de editoras e livrarias, que escolhem espontaneamente dez nomes que são encaminhados à Câmara Riograndense do Livro. Ao cabo desta votação inicial, surge uma lista de 10 “patronáveis” que serão submetidos mais adiante, na primeira quinzena do mês de setembro a um novo colégio eleitoral, que é integrado por todos os diretores de entidades da área do livro, como por exemplo, Instituto Estadual do Livro, Coordenação do Livro e da Literatura de Porto Alegre, Faculdades de Letras, da capital, reitores das universidades, secretário municipal de cultura, secretário estadual de cultura, presidentes dos conselhos estadual e municipal de cultura, das academias de letras, Riograndense e a Feminina, integrantes da diretoria da Câmara Riograndense do Livro, e todo os ex-patronos vivos, no caso desse ano, dez. Os órgãos e instituições costumam ainda fazer uma eleição interna antes do pronunciamento do voto, para selecionar três nomes da lista de dez, apresentada pela Câmara.
Uma vez feita esta seleção, os votos são somados, esse ano em ambiente de grande sigilo, porque o interesse pela escolha é tão grande que no ano passado vazou vinte e quatro horas antes do anúncio oficial, e enfim, no dia escolhido, é anunciado o novo patrono.
O costume de apontar um Patrono que tem, entre outras funções, a de representar oficialmente a Feira e trabalhar em sua divulgação e na propagação da leitura, nasceu na décima primeira edição, em 1965. Mas, nos primeiros anos, foi hábito apontar um patrono já falecido. Com isso, apenas seu nome e seu exemplo histórico funcionavam para promover a Feira.
A partir de 1981, mudou-se o sistema de escolha, para escolher um padrinho atuante e ainda em plena carreira. O primeiro contemplado foi Adão Juvenal de Souza, então militante homem de publicidade, da agência MPM, que se destacara desde a primeira edição pela afinada dedicação ao evento.
O patronato teve início em 1965, com a escolha de Alcides Maya, um dos maiores nomes da cultura regional gaúcha, autor de romances emblemáticos como “Ruínas Vivas” e outros, fundamentais no Rio Grande, bem como seu sucessor, João Simões Lopes Neto.
Eis a relação completa:
1965 – Alcides Maya
1966 – João Simões Lopes Neto
1967 – Alceu Wamosy
1968 – F. A . Caldas Júnior
1969 – Eduardo Guimaraens
1970 – Augusto Meyer
1971 – Manoelito de Ornellas
1972 – Luís de Camões
1973 – Darcy Azambuja
1974 – Leopoldo Bernardo Boeck
1975 – Athos Damasceno Ferreira
1976 – Erico Veríssimo
1977 – Henrique Bertaso
1978 – Walter Spalding
1979 – Auguste Saint-Hilaire
1980 – Moysés Vellinho
1981 – Adão Juvenal de Souza
1982 – Reynaldo Moura
1983 – José Bertaso
1984 – Maurício Rosenblat
1985 – Mário Quintana
1986 – Cyro Martins
1987 – Moacyr Scliar
1988 – Alberto André
1989 – Maria Dinorah
1990 – Guilhermino César
1991 – Luís Fernando Veríssimo
1992 – P.F.Gastal
1993 – Carlos Reverbel
1994 – Nelson Böeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida Lima, e Sétimo Luizelli.
1995 – Caio Fernando Abreu
1996 – Lya Luft
1997 – Luís Antônio de Assis Brasil
1998 – Patrícia Bins
1999 – Décio Freitas
2000 – Luís Carlos Barbosa Lessa
2001 – Armindo Trevisan
2002 – Ruy Carlos Ostermann
Esta crônica de hoje está sendo publicada na edição impressa do ABC DOMINGO postado por walter em 28/09/03
PATRONO DOS LIVROS
Walter Galvani
Hoje em dia as feiras de livro estão incorporadas ao habitual das cidades mais desenvolvidas e não é por nada que Novo Hamburgo, São Leopoldo, Guaíba e Canoas, por exemplo, estejam entre elas, realizando há muito tempo estes encontros entre os livros e os leitores. Eu já havia passado pela experiência de ser o patrono justamente em Canoas, onde nasci, em São Leopoldo, onde mantive e mantenho laços permanentes, que vão desde os muitos amigos, antigos e novos, até o restaurante “Capri”, um dos lugares de que sinto sincera saudade quando estou no exterior. Também Guaíba, onde moro e que nestes curtos seis anos de convivência já me proporcionou o privilégio de apadrinhar a sua feira anual. Mas, confesso que a experiência de ser o Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, esse ano em sua 49a. edição, é um acontecimento insuperável, pela sua expressão, pelo significado do colégio eleitoral que faz a escolha e pelo fato de ser ela, afinal de contas, a mãe de todas as feiras.
Assim é que fui surpreendido na manhã desta última quinta-feira, justamente no dia em que lançava meu novo livro, o primeiro romance de minha carreira, o “Anacoluto do princípio ao fim”, com o anúncio do meu nome e a responsabilidade que agora carrego, de representar este acontecimento que há muito extrapolou os limites da Praça da Alfândega da capital e ganhou os espaços do sonho e da repercussão nacional e internacional.
Tantos são os escritores famosos que nos tem visitado por ocasião deste encontro anual, os grandes nomes do país e do exterior, desde premiados com o Nobel, como Camilo Cela, até os monstros sagrados brasileiros, Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Jorge Amado, ou nossos gaúchos amados como Erico e Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Luis Antonio de Assis Brasil ou Dyonélio Machado, Cyro Martins, e tantos outros, uma lista incontável, que o acontecimento se torna no maior de todos, mesmo em termos de Brasil. Costuma-se dizer também que esta é a “maior feira ao ar livre da América Latina”, e na certa é a única que desafiou e venceu o combate com as chuvas de primavera.
E lá estou então, neste pedestal, sucedendo a um nome como o de Ruy Carlos Ostermann, que aliás nasceu ali na Rua Grande de São Leopoldo, talvez no Hospital Centenário, mas que, seguramente ajudou seu pai no velho café da “Independência” e jogou basquete na sua cidade, antes de empreender o grande vôo do sucesso jornalístico e cultural.
Olho minhas mãos e vejo que elas estremecem de emoção, meus olhos se turvam por um instante e minha voz fica retida e se torna rouca, no fundo da garganta. Volto o pensamento para minha terra natal, para a cidade onde hoje vivo, para os meus afetos e meus encantos, para o ABC Domingo que me acolheu desde o seu primeiro número, para todo o Grupo Editorial Sinos que hoje é minha plataforma de ação, relembro meus 49 anos de jornalismo e 69 de idade, tudo o que o país viveu neste meio século e sinto que devo seguir em frente, produzindo mais e mais.
E à uma pergunta de uma jovem repórter, destas capazes de ofuscar os velhos medalhões com sua objetividade, respondo: “Inspiração? Respondo como o velho Picasso o fez quando foi assim questionado. “Inspiração ? Claro que existe. Sempre que ela chega, me encontra trabalhando.”
Fabrício Carpinejar incluiu em seu site, o belo texto que Cíntia Moscovich publicou em Zero Hora, no dia 25. Está no site www.carpinejar.blogger.com.br postado por walter em 27/09/03
Nome igual a destino
Walter Galvani autografa hoje "Anacoluto do Princípio ao Fim"
CÍNTIA MOSCOVICH
Pode um nome condicionar o destino? E pode uma figura de construção gramatical baseada na quebra do ordenamento lógico de uma frase - o anacoluto - resultar em um romance? A resposta a ambas as perguntas pode ser encontrada em Anacoluto do Princípio ao Fim, livro que o jornalista e escritor Walter Galvani autografa hoje, às 19h, na Livraria Cultura.
Primeiro romance do canoense - a novela A Noite do Quebra-Quebra, de 1993, é considerada pelo próprio autor uma tentativa frustrada de ficção -, Anacoluto do Princípio ao Fim (Record, 255 páginas, R$ 30) é o depoimento da vida de Anacoluto Camargo Neves, um ruralista nascido na cidade uruguaia de Colônia do Sacramento, outrora possessão portuguesa às margens do Rio da Prata. De naturalidade ambígua, o protagonista inicia o relato lamentando seu realmente lamentável nome de batismo - que, sabe-se depois, condiciona-lhe de forma definitiva o destino.
Vivendo em Pelotas à custa de terras arrendadas, Anacoluto é um homem medíocre: passa os dias a dormir, a caminhar pelas redondezas, a sestear e a escrever seu diário. A horas tantas, recebe em casa Rosa Pigafé, filha de um fazendeiro plenipotenciário da região, com quem passa a viver. E como prova de seu amor por Rosa - mesmo que tenha sido infiel, mantendo um romance com uma mulher de nome tão estranho quanto o seu, Frahia -, Anacoluto escreve seu diário. Mas há outro motivo, e dramático, para que mantenha o registro escrito de sua vida: vendo seu nome transformar-se em vaticínio, Anacoluto descobre-se vítima de Alzheimer, doença degenerativa que lhe rouba pouco a pouco as memórias, fragmentando-as ao ponto de fazer pó a lógica que molda sua própria identidade. Debatendo-se para fugir das brumas da inconsciência, Anacoluto, e seu leitor, embretam-se numa espiral narrativa exasperante, em que todos os fatos parecem ser comandados por lógica canhestra, verdadeiro deus ex machina a interceder no andamento da trama, como se a vida e a morte pudessem, de fato, ser imitados pela ficção.
Aos 69 anos, 49 deles dedicados ao jornalismo, um dos 10 patronáveis da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre, Galvani é um dos mais respeitados e atuantes profissionais da imprensa gaúcha. Trabalhando no Correio do Povo, da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Galvani foi diretor de redação da Folha da Tarde, além de comandar de 1991 até janeiro deste ano o programa Guaíba Revista. Autor de Nau Capitânia, livro que, resultado de um intenso trabalho de pesquisa junto à mulher, a também jornalista Carla Irigaray, rendeu ao autor o prestigiado Casa de Las Américas, além de outros importantes prêmios nacionais, Galvani conta no currículo com mais seis livros, todos de crônicas jornalísticas.
A sessão de autógrafos na Livraria Cultura será precedida pela leitura de trechos do livro realizada pelo poeta Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche.
Só porque hoje é sábado, descanso e reorganizo minha vida e... minha mesa! postado por walter em 27/09/03
ENTÃO, PATRONO E O “ANACOLUTO”
Walter Galvani
As emoções atropelaram minhas possibilidades de transcrever o que me ocorria nestes últimos dias e eis que ficam para trás, agora, com o dia a dia, afinal a gente se acostuma com tudo, inclusive com a idéia de que, pelo menos durante o período da Feira do Livro de Porto Alegre, acontecimento ímpar que mexe com os nervos e os neurônios de todos, até mesmo dos que habitualmente não lêem, na capital do Rio Grande do Sul, representamos todos os escritores. Foi o que disse, por exemplo, a “Zero Hora”, em generosa matéria de Cíntia Moscovich e que subscrevo, emocionado.
Pois então, vamos! – não é mesmo?
Dia 31 de outubro, no final da tarde, visto a roupa e assumo o bastão na Praça da Alfândega. E o “Anacoluto do princípio ao fim”, que iniciou sua carreira na quinta-feira à noite também, por uma feliz coincidência, no dia da minha indicação pública, vai às bancas, lutar lisamente pelas preferências do público.
Espero que os inúmeros amigos que estiveram comigo na maravilhosa Livraria Cultura, no shopping Bourbon-Country, e que já começaram a lê-lo, tornem públicas suas opiniões e se decidam pelo melhor personagem. Quem é:
Anacoluto?
O Padre Godofredo?
Rosa Pigafé?
Teresa?
Ou seja, o sofrido e complexo personagem central, o padre que vive uma aventura e dá um exemplo de dignidade, a mulher inigualável ou a “plebéia” e inquietante?
Vamos ver. Estou aqui para receber as respostas.
Enquanto isso, passo este fim-de-semana reunindo forças, segunda-feira prossigo na luta diária pela promoção da Feira e da leitura e do livro, como sempre, meus ideais mais próximos e meu compromisso pessoal há quase cinqüenta anos, que é o tempo que tenho de trabalho jornalístico.
É um momento de grande emoção, talvez inexcedível, pelo menos em matéria de vida cultural, local, regional.
Fui eleito o Patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, um acontecimento ímpar, a maior feira de livros a céu aberto, da América Latina.
O anúncio foi feito ontem.
Ainda não me refiz do susto e da emoção mas aqui estou, para continuar este diálogo com o mundo todo, onde vivem os que amam a palavra, suprema invenção da humanidade.
É um momento de grande emoção, talvez inexcedível, pelo menos em matéria de vida cultural, local, regional.
Fui eleito o Patrono da 49a. Feira do Livro de Porto Alegre, um acontecimento ímpar, a maior feira de livros a céu aberto, da América Latina.
O anúncio foi feito ontem.
Ainda não me refiz do susto e da emoção mas aqui estou, para continuar este diálogo com o mundo todo, onde vivem os que amam a palavra, suprema invenção da humanidade.
Esta noite, na livraria Cultura do shopping Bourbon Country, em Porto Alegre, às 19 horas, será oficialmente apresentado o livro 'ANACOLUTO DO PRINCÍPIO AO FIM", editado pela Record, Rio de Janeiro. Os escritores Fabrício Carpinejar e Alcy Cheuiche, dois grandes nomes da literatura brasileira, falarão na oportunidade. Depois segue-se uma sessão de autógrafos. E aqui vai, para os meus leitores e visitantes deste site, uma entrevista preparada a partir de perguntas que foram selecionadas ao longo dos últimos contatos, para esclarecer os leitores sobre este projeto. postado por walter em 25/09/03
Como foi a carreira profissional até agora, como escritor e como jornalista?
- Tenho uma larga carreira profissional na área do jornalismo que alcançará em 2004 o número significativo de cinqüenta anos. Já na área, digamos puramente literária, ela é mais recente. Meus primeiros livros, ainda nos anos 70, se referiam todos à atividade jornalística. Arrisquei minha primeira experiência de ficção com “A Noite do Quebra-Quebra”, uma novela que tinha um apoio em fatos históricos e resgatava episódios da minha juventude, embora recheada de episódios de pura ficção. Isso foi em 1993. No ano seguinte retomei o jornalismo como tema e lancei, sucessivamente, “Um Século de Poder – os bastidores da Caldas Júnior”, uma interpretação da jornada centenária do jornal “Correio do Povo” de Porto Alegre, em segunda edição, que teve logo seqüência com “Olha a Folha”, sobre outro jornal da mesma empresa do qual fui o último diretor e que também está em segunda edição. E então chegou a hora de “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”, (Record, Rio de Janeiro, 320 págs., 1999), que alcançou três prêmios nacionais e um internacional (Melhor em Literatura Brasileira no ano 2000, Prêmio Casa de Las Américas, Cuba) e está hoje em quinta edição. Além disso, tenho atuado como radialista, coisa que fiz nos últimos dezessete anos (rádios Pampa e Guaíba) e crônicas e artigos em jornais e revistas, como o “ABC Domingo”, do Grupo Editorial Sinos, “Diário de Canoas”, “A Razão”, de Santa Maria e revistas Tópicos” de Berlim, “Aurora”, da AMB e a “Revista da Academia Riograndense de Letras”.
2 – O que o levou a escrever o “Anacoluto” e como isso se deu?
- Foi assim: uma certa noite do ano passado, um problema qualquer me tirou o sono. Sentei-me ao computador no começo da madrugada e por quatro horas e tanto,como num jato, dei início à história do “Anacoluto”, curiosamente já com nome de batismo e tudo. Comecei a escrever na primeira pessoa, o que me deu muito prazer e me abriu, pela primeira vez, o campo para me jogar inteiro no texto. Veja, em minhas experiências anteriores, sempre estive muito contido pelas circunstâncias. Nesse caso, só valem as circunstâncias do próprio “Anacoluto” que vai “do princípio ao fim” falando na primeira pessoa, é uma autobiografia do personagem, digamos assim, que por sinal é um tipo acabado de ruralista gaúcho, característico de todo o século XX, apesar de que ele provavelmente virá a falecer no século vinte e um, que ele já alcançou, nas últimas páginas. Quando o livro termina, Anacoluto ainda vive... Conheci e conheço muitos “Anacolutos”. Ao longo do trabalho, foram se somando episódios, testemunhos, recordações, interpretações, e ele foi se metendo em tudo o que alguém do seu padrão, nível e estrato social, é chamado a fazer. Sempre quis escrever sobre o Pampa e continuo perseguindo este tema. O pampa é como um mar verde que não acaba mais, e as fronteiras são meio difusas ainda (e já o foram muito mais) entre os países que o compartilham, Brasil, Uruguai e Argentina, repartindo hábitos (o chimarrão, o mate, o cavalgar), profissões (peão de campo, ruralista, esquilador) e valores culturais refletidos na linguagem (china, fandango, estância). E há as cidades que passaram a concentrar populações expulsas pela decadência econômica do campo, pequenas, médias ou grandes, como Pelotas, onde Anacoluto se fixou. Mas ele é “sem fronteiras” como tantos gaúchos, começa por ter nascido em Colônia do Sacramento, antiga possessão portuguesa, hoje “Colónia”, no Uruguai.
3 – Os leitores entenderão o recado do título?
- Espero que sim, até porque, sendo um nome tão forte, e, digamos... curioso, remete à uma figura de sintaxe da língua portuguesa que o condiciona ou define, como queiram... Para entendê-lo, no entanto, não será necessário recorrer a um dicionário. Bastará ler o livro e todos verão que há “anacolutos” por toda a parte. E é até possível amá-lo, afinal, “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Ele, pelo menos, acaba sendo amado por três ou quatro mulheres, umas sabem que o amam, outras, como acontece na vida, talvez só descubram quando virarem a última página da sua história. Quanto à estranheza do nome, não são poucos os nomes próprios impróprios... Basta ler os jornais. Há por aí afora, de tudo, desde um ruralista como o meu Anacoluto que se chama Viterbo, até um jovem que foi infelizmente batizado pelo pai de “Waterloo”. É de se admirar o engenho e intenção de tal pai e a leviandade ou ignorância do oficial de Registro Civil que aceitou tal denominação. Felizmente a lei brasileira moderna permite a mudança do nome. O meu personagem chegou a pensar nisso.
4 – O que o autor tem em comum com o protagonista?
- Esta é a pergunta habitual que se costuma fazer aos autores de romance e também aos que resolvem praticar a difícil arte do romance histórico. De maneira que estou preparado para responde-la: Nada. A não ser, é claro, naquilo que é normal e habitual em qualquer trabalho de literatura. Você se dedica a criar um personagem de ficção e de repente, alguém aponta que ele se parece muito consigo mesmo... Pode ser. Ou com o primo da minha lavadeira. Na verdade, ele tem em comum com toda a humanidade, qualidades e defeitos, tudo o que qualquer ser humano tem. Pelo menos espero que ele seja tão humano quanto o imagino. Portanto, entre ele e o autor, há tudo e nada ao mesmo tempo. Não há nenhum traço autobiográfico, disso tenho certeza, no que se refere a fatos. Sou escritor e jornalista, Anacoluto é um privilegiado, que vive de um campo arrendado, vive do capital, vive da terra. Não é o meu caso...
5 – Anacoluto é contemporâneo?
- De tudo e de nós todos, nesse momento. Ele nasceu pela primeira metade do século vinte, portanto assistiu e viveu alguns instantes fundadores da moderna identidade nacional, além do viés cosmopolita que significa nascer no Uruguai, trabalhar no Brasil, casar-se com uma mulher que significativamente carrega um sobrenome castelhano, sobreviver do campo e viver à beira do pampa. Mas acompanhou a final da Copa do Mundo de 50, quando perdemos, justamente para o Uruguai, 1 x 2, um jogo inesquecível para qualquer brasileiro. Participou/assistiu revoluções, suicídio de presidente, ascensão do PT, movimentos do MST, tudo. E vai levando sua vidinha até que “vem o destino” e o carrega pra lá.
6 – Que tipo de mulher é Rosa?
- Duvido que você não a conheça, talvez não tenha até agora como identifica-la, mas, depois de ler o “Anacoluto”, na certa você a encontrará: é a super-mulher, imbatível, a que organiza a casa, as coisas, a cabeça do seu marido, a sua própria, a dos parentes e amigos, e ainda encontra tempo para se embelezar e pegar uma festa, um cineminha, uma janta fora. Ela também quer ser sexi, sim, atraente, inteligente. Mas, aos poucos se descobre pouco valorizada e infeliz... Rosa Pigafé é um monumento, inatacável e, pensa ela, indestrutível. Que comandará a vida para todo e sempre e ainda por cima há de receber rosas no Dia dos Namorados ou no seu aniversário. Mas, aí vem o Destino... Tenho um primo que sempre diz: “Feliz é o homem que encontra uma mulher que manda nele. Fica tudo mais fácil.” Acho que a mulher ideal dele é a Rosa Pigafé. Quem ainda não a encontrou que trate de se mexer...
7 – Há uma literatura sulista no Rio Grande do Sul? Você se considera filiado a este movimento?
- Não, não há, e os escritores gaúchos são tão bons quanto os baianos, mineiros, pernambucanos, paulistas ou cariocas. Somos todos escritores brasileiros. Ocorre é que no Rio Grande do Sul há um mercado leitor muito grande, é um estado onde o índice de leitura é o dobro da média brasileira, e há muitos escritores, o que os transforma às vezes, em nomes locais. Mas, escreve-se de tudo no Rio Grande e naturalmente, há bons e maus escritores, como em toda a parte. Não acho que faça parte de nenhum movimento sulista, até porque, não sou freqüentador de CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) embora os admire pela força telúrica que conseguem projetar. Também não escrevo com palavras exclusivas do linguajar pampeiro, embora utilize algumas delas quando necessário. Quanto ao Rio Grande em si, falo no Pampa, que é uma realidade extra-nacional em minha opinião, pois extrapola os antiquados e anacrônicos conceitos de fronteiras que, espero, algum dia serão removidas. Somos todos habitantes da mesma pátria: o mundo. Não se vive impunemente com preconceitos e divisões arbitrárias ou estabelecidas a sangue, armas ou tratados que, afinal, sempre significam a lei do mais forte...
8 – Foi feita alguma pesquisa para escrever este livro?
- Eu diria, em primeiro lugar, que se está sempre pesquisando, ainda mais eu que adquiri o vício com meus livros sobre jornalismo e com a “Nau Capitânia”. Mas, nem precisaria pesquisar muito para escrever sobre um período que viví intensamente e continuo a viver, uma época que começa em torno dos anos trinta do século vinte e vem até nossos dias. Nasci em 1934, portanto, com 16 anos sofri a “desilusão do Maracanã” , com 20 me politizei em questão de horas com o suicídio do presidente Getulio Vargas, estive ao lado da Legalidade em 63 e fui “invadido” pela Revolução Militar ou Golpe de 64, depois veio a redemocratização, a cassação de Collor, o surgimento do MST, Fernando Henrique, o sonho e a decepção, Lula e o PT, enfim, tudo isso e mais alguma coisa. Vi Pelé surgir e se aposentar, conheci Garrincha e Nilton Santos, a Bossa Nova, Elis, assisti ao espetáculo “Os Pequenos Burgueses” pelo Teatro Oficina, que mais posso pretender?
9 – Como você acha que seu livro será recebido?
- Espero que muito bem, porque o “Anacoluto” fala a todos, pelos tempos em que viveu, pelo que assistiu, pelo que participou, e, além disso, há suas mulheres. Descobri, por exemplo, que eu fizera uma citação inconsciente ao grande Manuel Bandeira, quando escrevi a frase “A primeira vez que vi Teresa”. Era uma sensação inserida na própria pele do Anacoluto, nem ele nem eu nos déramos conta, mas era como que uma ferida no corpo de suas lembranças, que o desequilibrava e o emocionava. No livro tem também amor, traição, loucura e até uma inexorável perda de identidade que assusta e choca. Mas, há momentos de poesia e, sobretudo, uma imbricação com o dia-a-dia, com o que se vive e pensa, com o que se diz e faz. Posso garantir que é um romance moderno, como ensina Saramago: fala sobre tudo.
10 – Qual a próxima investida literária?
- Já estou trabalhando em meu novo texto, que provavelmente sucederá ao Anacoluto. Ainda não tem título, está numa espécie de esboço inicial, mas já passou de cinqüenta páginas.Seguirá a mesma linha, no sentido de que é uma história moderna e que também segue os ensinamentos de Saramago. E mais: acho que encontrei o tema, tal como ensino em minhas oficinas de crônica, que batizo de “O vôo da gaivota”, porque acho que o ofício do cronista se assemelha ao que fazem aqueles pássaros: “Rente às ondas até a hora e o ponto de fisgar o peixe. E então, voar mais e mais, sem deixá-lo cair.” Espero não deixar cair o assunto que peguei no bico. Mas, por enquanto estou voando com o Anacoluto. Preciso que ele chegue a todos, para que compreendam a mensagem de humanidade, de medo, de glória, de preocupação, de felicidade e de tropeços, ele é uma criatura como muitos de nós, portanto também erra, e assim completar-se o ciclo em que estou empenhado. O vôo seguinte será diferente.
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Um convite a todos os amigos, lembrando que, com a greve dos correios não consegui remeter-lhes os convites postado por walter em 24/09/03
Editora Record, a Livraria Cultura e o autor
têm o prazer de convidar para o lançamento do livro
ANACOLUTO
DO PRINCIPIO AO FIM
de
Walter Galvani
Com comentários e leitura de trechos do livro pelo poeta
Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura/Bourbon Shopping Country
Endereço: Rua Túlio de Rose, 80/1º piso, Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3028-4033
De olho em Brasília, onde afinal deve sair a aprovação do plantio de sementes transgênicas de soja e na Europa, onde o governador gaúcho Germano Rigotto negocía investimentos em nosso estado. Enquanto isso, define-se, mas somente amanhã será revelado, quem será um sucessor de Ruy Carlos Ostermann como Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, o que significa um desafio e tanto para o eleito. E sexta-feira estaremo apreensivos com o comportamento de Lula em Cuba. É que, seu amigo de vinte anos, Fidel Castro, nossa secreta ou manifesta admiração de 44 anos, estará recebendo sua visita. A diplomacia brasileira está angustiada, com medo de que Lula quebre os pratos com Bush... Difícil pensar em dois senhores tão distintos... postado por walter em 24/09/03
A INDICAÇÃO DO PATRONO
DA 49a. FEIRA DO LIVRO
DE PORTO ALEGRE
Teve que ser adiada de hoje para amanhã a indicação do Patrono da 49a. edição da Feira do Livro de Porto Alegre, o maior acontecimento na área e a geradora de todas as que se realizam no estado do Rio Grande do Sul e também com alguma e valiosa repercussão em outros estados brasileiros. Rivaliza a feira porto-alegrense com os salões do Livro que se realizam em São Paulo e Rio de Janeiro e, em matéria de expressão local é imbatível. Pode, sempre ser considerado como o maior fato literário do ano e os escritores selecionados para integrar o grupo de dez, resultante de uma votação que congrega pessoas e instituições, as mais representativas do mundo cultural riograndense, chegam ao patamar mais elevado em seu ramo de atividade.
Na etapa final, quando dos dez será apontado apenas um, o eleito, o quadro de referência se reduz a 73 eleitores, digamos, privilegiados, onde se incluem os reitores das duas universidades com sede em Porto Alegre, diretores de instituições dedicadas ao livro, presidentes de entidades representativas da sociedade no setor da cultura, diretoria da Câmara Riograndense do Livro que, por seu turno, abriga livreiros e editores em atividade em nosso estado, portanto uma alta qualificação para esses concorrentes.
Este ano são os seguintes os selecionados:
Alcy Cheuiche
Carlos Urbim
Charles Kiefer
Jane Tutikian
José Clemente Pozenato
Luiz de Miranda
Luiz Coronel
Rovílio Costa
Regina Zilbermann
Walter Galvani
O anúncio oficial dar-se-ia esta manhã, no restaurante “Cofre”, no Santander Cultural, antiga sede do Banco Nacional do Comércio, na Praça da Alfândega, justamente ao lado do local tradicionalmente reservado à Feira do Livro. No entanto, fatores externos e a ausência do patrono do ano passado, o grande jornalista Ruy Carlos Ostermann, se somaram para provocar um adiamento.
Assim, somente amanhã, dia 25, no mesmo local e mesma hora, 10 horas da manhã, se dará o anúncio.
Não se assustem, amigos produtores de soja transgênica, Lula deixou tudo decidido e combinado com a bancada gaúcha. Esperem apenas um dia, talvez até menos... postado por walter em 23/09/03
E os meus amigos que se preparem. Grandes emoções com os personagens do "Anacoluto do princípio ao fim".
Já encomendei ao padre Bonifácio Schmidt uma atenção especial para o meu Padre Godofredo, um sacerdote como se quer!
E a Rosa Pigafé, personagem predileta do Fabrício Carpinejar na palavra do poeta, quinta-feira, às 19 horas (todos estão convidados) na Livraria Cultura do Shopping Bourbon-Country.
Lembrando que na quinta-feira, dia 25, às 19 horas, teremos o lançamento de 'ANACOLUTO DO PRINCÍPIO AO FIM", de Walter Galvani, ou seja, despudoradamente eu mesmo a fazer convite e propaganda do meu próprio livro, aliás maravilhosamente editado pela Record. O livro começa sua caminhada na livraria Cultura do shopping Bourbon-Country em Porto Alegre, mas já está nas livrarias de todo o país postado por walter em 22/09/03
DIA DOS TRANSGÊNICOS
Walter Galvani
Lula vai aos Estados Unidos e à Cuba. Lula vai falar na ONU e já falou “para dentro” o bastante para que saibamos quem é e o que é hoje o PT. Não é preciso nutrir ilusões. Revolução, mesmo, se faz como o Fidel Castro e, infelizmente, com armas na mão e “paredón”. Não que eu justifique a execução daqueles três, digamos, “dissidentes”, mas a Revolução tem suas razões que a própria razão desconhece, ou seja, motivos que só são vistos por quem está no bojo dela. Quando isso acaba, terminou a Revolução. Fidel deu uma mostra pública de que está bem vivo e mais ainda o espírito que mudou o seu país de “quintal da América”, numa ousada experiência socialista que sobreviveu ao desmanche do império soviético e se sobrepõe como uma alternativa, com os olhos voltados para o perigoso vizinho que a quer abocanhar, como fez com outros menos avisados, no passado, para a minúscula ilha independente de hoje.
E então, sabemos que Lula não fará uma Revolução com R maiúsculo no Brasil. Outros talvez sonhem com isso, mas é bom botar os pés no chão.
Por essas e por outras é que acho que Lula vai fazer um arranjo de compromisso, continuarão os gaúchos a plantar soja transgênica enquanto o governo ganha tempo, vai aos Estados Unidos beija a mão de Bush e dá dois beijos nas faces barbudas de Fidel no dia seguinte em Cuba.
De quebra falará na ONU, desfrutando do privilégio do primeiro lugar pela conquista pessoal de Oswaldo Aranha, o grande e “charmant” ministro brasileiro que inaugurou na presidência a assembléia internacional das nações em 1947.
Hoje, portanto, será o Dia dos Transgênicos. Amanhã falará na ONU, encontrar-se-á com chefes de estado importantes reunidos em Nova York.
Fiquem atentos. José Dirceu cuida da casa e este sim é de se prestar atenção.
Vocês sabem a história do líder que escondeu da própria mulher sua verdadeira identidade, durante vinte anos?
Em minha opinião, a guerra da semana vai ser com a Monsanto, que agora quer quebrar "roialties" pela soja transgênica. Mas, que a plantação seguirá o caminho da transgenia, isso não tenho dúvidas, até porque ninguém poderia hoje, proibir, por exemplo, o uso do computador... Agora, as microsoft da vida podem querer cobrar direitos... E no mais, será o momento de seguir os passos do governo do Rio Grande, Germano Rigotto, e sua comitiva, na Europa. Este artigo, publicado hoje aqui no site, saiu também hoje na edição impressa do ABC DOMINGO, grande jornal do Grupo Editorial Sinos, que pode ser lido no site www.gruposinos.com.br e tem muito mais coisas para oferecer. postado por walter em 21/09/03
ESPANHA, HOLANDA, ALEMANHA
Walter Galvani
Antigamente, bem antigamente, quando um governante viajava, os seus desconfiados eleitores ficavam a imaginar que ele estava gastando indevidamente o dinheiro público. Hoje, graças a Deus, mudou este conceito e se costuma cobrar dos executivos que não saem, que não fazem contatos, que não conversam com estrangeiros, que não falam inglês e espanhol pelo menos, que não estabelecem trocas e acordos comerciais. Por isto, Germano Rigotto, ao comandar esta grande caravana de gaúchos que vai vender nossa imagem lá fora, está mais do que apto a receber o aplauso da população.
Aliás, habilidade política é a principal característica deste jovem governador que demonstra no Palácio Piratini por que foi deputado durante tanto tempo e tão prestigiado. Para quem não conseguiu acompanhar sua carreira, aí está a explicação.
Ele é um dirigente atualizado, capaz e, sobretudo, maneiroso. Vejam o convite que fez aos ex-governadores para reunirem-se com ele e formar uma espécie de conselho virtual. Agora, há dois dias inaugurou a placa comemorando a Legalidade, que estava desaparecida desde os governos militares, com a presença do ex-governador Brizola.
Sua competência política vai mais longe ainda e discute com Lula a questão dos transgênicos, ao mesmo tempo em que procura promover a paz no campo.
Resta-lhe a chance de uma ou duas boas safras agrícolas e um desempenho crescente da área industrial de exportação, onde influi, como sabem todos, especialmente em Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas, o dólar é vital.
Pois é, mas Deus, que já mostrou que é brasileiro em várias oportunidades, pode, a qualquer momento, provar que vestiu as cores farroupilhas e promover uma virada a nosso favor que recoloque o Rio Grande no lugar de onde nunca deveria ter saído.
Isso quer dizer uma terceira (ou segunda?) posição no “ranking” brasileiro. Não se pode pedir isso para o Grêmio, este ano, pelo menos, é tarde. Mas, sempre dá para rezar pensando no ano que vem e no outro.
É o que faremos também por Rigotto. Todo mundo sabe que em economia não há milagres e as coisas não saem do nada. De nada adianta, o presidente Lula por exemplo, dizer que vai querer falar “de igual para igual” com os grandes. Isso é no mínimo fanfarronice. Os brasileiros estão habituados com isso, mas não fica bem.
Quem quer ser moderno, tem que agir como Rigotto. Botar uma pasta debaixo do braço, colher as informações e acompanhar-se bem e sair por aí, a vender o que temos para oferecer. E que, afinal de contas, não é só Gisele Bündchen, mas é também, assim como nossos sapatos, sandálias, nossa carne, soja, e nossos escritores e artistas.
Não é por nada que já botamos o Moacyr Scliar na Academia Brasileira de Letras e que temos nomes consagrados aí fora como ele próprio, o Assis Brasil, o Erico e o Luiz Fernando, e o maior índice de leitura do Brasil.
Esperamos que tudo isso cresça junto com o PIB. Não só de pão vive o homem, dizia a Bíblia, mas a Bíblia, ela própria, se autodenomina “O Livro”. Portanto, esta é a morada da sabedoria.
Hoje é 20 de Setembro, "data nacional" dos gaúchos postado por Walter Galvani em 20/09/03
Editora Record, Livraria Cultura e o autor
têm o prazer de convidar para o lançamento do livro
A N A C O L U T O
DO PRINCÍPIO AO FIM
de
Walter Galvani
Com comentários e leitura de trechos do livro pelo poeta
Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura/Bourbon Shopping Country
Endereço: Rua Túlio de Rose, 80/1º piso, Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3028-4033
E enquanto não lêem o "Anacoluto", pensem no significado do dia. "Anacoluto" fala nisso também.
168 ANOS DA REVOLUÇÃO
Walter Galvani
Hoje, durante todo o dia, estarão os habitantes do Rio Grande do Sul, com os olhos e o coração voltados para um episódio de 168 anos atrás, quando num vinte de setembro, um piquete revolucionário deixava a cidade de Guaíba, justamente onde vivo e a 2 quilômetros e meio de minha casa, para atravessar o rio (que hoje chamam “lago”, e iniciar a tomada de Porto Alegre, capital oficial da província. Os revolucionários praticamente não encontraram oposição, mas houve um combate na ponte da Azenha onde perdeu a vida um jornalista. Logo o governador era deposto e fugindo para bordo de uma fragata que estava ao largo do porto, assim que pôde continuou sua fuga, levando o símbolo e o poder para Rio Grande, na saída da Lagoa dos Patos.
Era o primeiro lance do movimento que parecia apenas uma forma política de depor um representante de um governo odiado, por outro, que talvez viesse a ser tão odiado quanto ele.
No manifesto do General Bento Gonçalves esta escrito todo o programa mínimo que norteou a rebelião que se transformou em revolução e durou dez anos. Havia, no início, desejo de separatismo? Havendo ou não, em questão de meses, estava constituída a nova república rio-grandense e até secretário de relações exteriores tinha.
O desejo de se separar do Império do Brasil era franco e notório. Algumas correntes nacionalistas não toleram esta versão. Mas, foi o que preponderou naqueles anos difíceis do século XIX, mais precisamente de 1835 a 1845.
O ideário estava calcado na Revolução Francesa. O lema gaulês de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” fora apenas traduzido e adaptado para “Liberdade, Igualdade e Humanidade” que, no fundo, queria dizer o mesmo, pelo menos em seu espírito.
E foi assim, desde aquele dia 20 de setembro heróico até o final.
Hoje os gaúchos, unificados sob os mesmos ideais, estão nas ruas, comemorando, lembrando o período fantástico, vestindo as cores amarela, vermelha e verde e sonhando em ser outra vez, farrapos.
Darei um passeio esta tarde. Irei até o local onde está a placa que assinala a saída dos heróis de então, para atravessar o grande rio (ou lago...) e iniciar a tomada da capital.
Estenderei meu olhar sobre o rio, mas ficarei do lado de cá. É uma questão de escolha. Sinto-me melhor na Metade Sul. Espero que os governantes de hoje, lembrei nosso coração farroupilha e meditem sobre os problemas que são muito semelhantes e tão difíceis quanto os de 1835.
Mostremos valor constância. E sirvam, nossas façanhas, de modelo à toda a Terra.
Está no Hino.
A Editora Record, a Livraria Cultura e o autor postado por walter em 19/09/03
têm o prazer de convidar para o lançamento do livro
A N A C O L U T O
DO PRINCÍPIO AO FIM
de
Walter Galvani
Com comentários e leitura de trechos do livro pelo poeta
Fabrício Carpinejar e pelo escritor Alcy Cheuiche
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura/Bourbon Shopping Country
Endereço: Rua Túlio de Rose, 80/1º piso, Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3028-4033
Há um tal de "Plano Imprensa" no centenário Grêmio, que não honra a longa tradição do grande clube. Precisamente, trata-se de "controle" sobre a Imprensa... Em outros tempos isso já teve outro nome. O que explica é o fato do grande clube estar na última colocação do campeonato brasileiro. Explica mas não justifica. Porém há coisas muito mais importantes. Por isso transcrevo a crônica que saiu na edição de ontem do "Diário de Canoas". Acho que os leitores desta página também precisam tomar conhecimento de outros absurdos que andam por aí. Bem mais importantes do que censura no futebol. postado por walter em 19/09/03
TROPAS DO BRASIL
Walter Galvani
É isso mesmo que você imaginou: “Tropas do Brasil na ocupação do Iraque.” Um alto funcionário americano deixou escapar esta informação, dizendo que os Estados Unidos querem dividir os custos e as responsabilidades da ocupação e da reconstrução do Iraque e para tanto esperam contar com tropas de países aliados tradicionais “como o Brasil e a Argentina”.
É simples o raciocínio: os americanos decidiram, por conta própria, invadir o Iraque para derrubar Saddam Hussein, sob a alegação de que aquele país possuía armas de destruição em massa, questão que nunca foi provada, não foram encontradas, Saddam fugiu de Bagdad, não se sabe onde anda, os iraquianos matam americanos todos os dias, as empresas internacionais com sede nos Estados Unidos ou na Inglaterra estão metendo a mão no petróleo do país ocupado e agora, é preciso repartir a responsabilidade perante a opinião pública internacional.
Penso que o governo brasileiro terá de obter permissão do Congresso para enviar tropas, mesmo que sob o símbolo da ONU. Duvido que os “capacetes azuis” possam exercer com êxito tal missão e duvido mais ainda, que o governo Lula queira embarcar nesta “fria”. Levo mais adiante minha dúvida: será que o Congresso dará autorização?
De qualquer maneira, acho muito difícil que o comprometimento se dê a este nível, mas somente por uma questão prática. Sob o ponto de vista ideológico e de interesses comerciais, ninguém é mais pragmático que este atual governo brasileiro. Aqueles que sonhavam com um governo esquerdista, lembrem a imagem de Lula com um violino na mão e a legenda explícita: “A gente segura o violino com a Direita e toca com a Esquerda!”
É o que é, como diria um comentarista de televisão, também bastante eloqüente e prático.
Tudo é possível neste Brasil do século XXI. É hora de lembrar o desempenho das monarquias absolutistas que afinal geraram nosso país, falo em Dom João II e Dom Manuel I de Portugal e seus sucessores no tempo e no trono, os Bragança, que consolidaram nosso império e fizeram nossa independência: todos eles foram mestres na arte de tocar violino...
Lula, vindo com o seu partido lá do bojo das classes populares, chegou ao poder fazendo alianças a todos os lados, com o objetivo de alcançar o posto e distribuir cargos e benesses. E governar. Não exatamente nessa ordem. Como no PT é preciso contribuir com dez por cento dos salários para manter-se num cargo de confiança, é fácil ver que a reeleição de Lula terá, pelo menos, um financiamento garantido. Depois disso, só resta rezar para que a nova corte brasileira saiba se manter com a coroa na cabeça, bem equilibrada.
No meio disso, há uma questão ideológica, e optar pelo apoio integral ao “compadre Bush” pode levar o PT esquerdista ao desastre.
Mandar tropas brasileiras para a ocupação do Iraque não relembra a saudosa e valente missão da FEB que foi para a Europa, em 1942, ajudar a derrubar as ditaduras nazi-fasc