enso que está na hora de bater palmas para a iniciativa privada que teve a inteligência suficiente para erguer esta admirável demonstração de bom gosto e amadurecimento cultural.
O relatório do ministro gaúcho Adylson Motta no Tribunal de Contas da União dá o ponto de partida para a retomada da licitação de obras na BR-101. Desaparecendo as desconfianças, vamos trabalhar, com seriedade. Se for possível... postado por walter em 29/05/03
BR 101
Walter Galvani
A principal estrada de integração do país é hoje a denominada BR-101 que interliga Natal no Rio Grande do Norte a Osório no Rio Grande do Sul. Sai do Nordeste, cruza toda a região, chega ao Espírito Santo, ao Rio de Janeiro e sempre pelo litoral, belíssimo. Aos poucos você vai sabendo porque durante tantos anos a administração portuguesa esteve junto ao mar, primeiro em Salvador, depois no Rio e também seguiu ali, até Brasília em 1961.
De São Paulo para baixo a estrada se intromete na zona da Mata Atlântica e permanece a alguns quilômetros do oceano até o Santa Catarina, onde volta a ser litorânea, desvelando então a beleza de muitos e muitos locais inesquecíveis pela qualidade de suas areias e beleza.
Mas, chegando a Florianópolis, torna a ser interiorana, embora conservando a visão do mar em certos pontos, pela pouca distância, até seu ponto final na cidade de Osório, variando de 3 a 30 quilômetros.
O problema no entanto é a necessidade da duplicação no trecho Palhoça (junto a Florianópolis) até o Rio Grande. Ali, o tráfego gerado pelas pujantes economias da Região Sul do Brasil e a contribuição de Uruguai e Argentina, via Mercosul, torna a estrada insuficiente e a exigir a urgente ampliação.
A primeira medida do governo Lula foi suspender a licitação e somente agora, cinco meses depois da posse, se anuncia a retomada.
Não será por acaso e nem é pouco o dinheiro envolvido, mais de um bilhão de dólares e, portanto, não são pequenos os riscos de desperdício e corrupção. É muito dinheiro em jogo, mas não são poucas as vidas em constante risco.
Basta examinar as estatísticas para verificar a quantidade de mortes que se produzem, em todas as estações, com mais intensidade ainda, é claro, no verão.
Freqüento esta estrada desde 1961 e acompanhei todas as suas vicissitudes e nela tive também as minhas. A mais grave, apesar de todo o cuidado com que tenho dirigido nestes mais de quarenta anos, aconteceu em abril passado quando houve uma súbita paralisação num trânsito intenso de pré-Páscoa e consegui sustar o carro a apenas 30 centímetros (e não trinta metros...) do veículo que ia a minha frente. Numa fração de segundo senti o impacto e, para sorte dos que me acompanhavam no veículo, era de uma moto. Fosse um automóvel ou, pior ainda, um caminhão de carga, não estaria eu aqui a transmitir estas impressões. Mas, foi terrível. O barulho, a batida, o susto e o impacto em si. Não houve ferimentos, mas as motos eram quatro que seguiam pelo acostamento tentando de forma imprudente ultrapassar os veículos que estavam na pista e tiveram que tentar o salvamento esgueirando-se entre nosso carro e um caminhão parado junto a pista, preparando-se para nela ingressar.
Caíram os quatro motoqueiros e dois deles tiveram que receber atendimento num hospital.
Seguimos adiante, com o prejuízo material do carro e o desgaste espiritual do susto e da batida. Estresse irrecuperável e não há possibilidade de reposição em nenhum supermercado... Quanto ao carro, foi consertado, mas ultrapassou em muito o valor da franquia do seguro.
Foi, digamos, um pequeno prejuízo se o compararmos aos milhões e milhões de dólares que se perdem em um ano de acidentes nesta estrada. Mas, estou com muito medo, pela primeira vez em minha vida, de voltar a BR-101.
Como eu, milhões de habitantes. E fazendo as contas, perde-se muito mais do que um bilhão de dólares em meia dúzia de anos de acidentes, desperdícios e abandono do trajeto.
Em especial para quem vive na região e, além de tudo, é obrigado a usar a estrada ou dela vive.
O frio continua nesta parte meridional do Brasil e eu vivo numa cidade onde o pampa começa onde a cidade termina... E está assim aberta a cancela para o Minuano, o vento que vem do sudeste, trazendo o humor gelado dos Andes e da Patagônia postado por Walter Galvani em 28/05/03
ANÁLISES E NÚMEROS
Walter Galvani
O tempo voa e daqui a pouco estaremos comemorando a metade do ano de 2003 que já voou... Comemorando? Bem, depende da visão de cada um.
Sugiro que, nesta reta final do primeiro semestre, o prezado amigo leitor faça um balanço dos seus números para ver como é que vão as coisas.
Depois vem o segundo semestre e aí, normalmente crescem as despesas com o aquecimento natural dos negócios, mas também, é claro, devem aumentar os rendimentos.
Se você já escapou do I.R. e do INSS, do IPTU e do IPVA... segure a respiração e vá fundo.
Caso contrário, ponha-se em dia que o pior vem aí: é a promessa do governo que pretende aumentar sua arrecadação com mais rigor.
Tomara que não matem o paciente nesta tentativa de curar-lhe a doença...
As datas sempre nos reservam algumas surpresas. Enquanto continuam assaltando, matando e morrendo, pelo menos a gente descobre que... parece que sempre foi assim. Não é um consolo, mas é bom pensar sobre isso. E ir preparando o espírito. Abro com o dia 27 e vou até o final do mês. Examinem a guerra e a paz... postado por Walter Galvani em 27/05/03
Dia do profissional liberal
Dia de Santo Agostinho da Cantuária, bispo e de Santa Maria Madalena de Pazzi
1299 – Negociação de paz entre Gênova e Veneza, terminando a guerra entre as duas cidades, que começara em 1261, pelo domínio comercial nas relações com o Império Bizantino
1564 – Morre João Calvino, o reformador francês
1719 – O imperador Carlos VI funda em Viena a Companhia Oriental, com o objetivo de competir com o comércio holandês no Oriente
1834 – Convenção de Évora-Monte que finaliza a guerra civil em Portugal, derrota e exílio de Dom Miguel
1840 – Morre o violinista Nicoló Paganini
1851 – Nasce o compositor francês Vincent D’Indy
1910 – Morre o bacteriologista alemão Robert Koch
1923 – Nasce o político americano de origem alemã Henry Kissinger
1941 – O navio de guerra alemão “Bismarck” é afundado pela marinha britânica a oeste de Brest
1964 – Morre o político indiano Jawaharlal Nehru, o Pandit Nehru
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Dia do gráfico e do ceramista. Dia de São Germano, bispo
1357 – Morre Dom Afonso IV, rei de Portugal entre 1325 e 1357
1358 – Em França, início dos levantamentos populares conhecidos por Jacquerie, os camponeses protestam devido ao seu estado de pobreza em conseqüência da Guerra dos 100 Anos
1660 – Nasce o rei Jorge I, da Inglaterra
1753 – Morre Maria do Céu, freira portuguesa e escritora barroca
1779 – Nasce na Irlanda, o poeta Thomas Moore
1803 – Nascimento de Prosper Merimée, criador do texto de Carmen, que depois transformou-se em ópera de Georges Bizet
1884 – Inauguração das instalações do Jardim Zoológico de Lisboa
1908 – Nasce o escritor inglês Ian Fleming
1922 – Nasce José Craveirinha, poeta moçambicano, ganhador do Prêmio Camões
1926 – Golpe instaura o Estado Novo em Portugal e conduz o Gen. Carmona ao poder. Depois Salazar como primeiro ministro
1937 – Morre o psicólogo e psiquiatra austríaco Alfred Adler
1961 – Última viagem, Paris a Bucareste na Romênia, do Expresso do Oriente
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Dia do Estatístico e dia do Geógrafo. Dia Mundial da Energia. Dia de São Maxímio e de São Cirilo
862 – Riurick, príncipe dos Varegues, funda a primeira dinastia de príncipes da Rússia, em Novgrod
1453 – Mohamed II, fundador do Império Otomano, toma Constantinopla. O imperador bizantino Constantino XI é morto e o Império Romano do Oriente é finalmente extinto. Constantinopla torna-se a capital do império otomano
1630 – Nasce Carlos II, rei da Grã Bretanha
1829 – Morre Humprhy Davy, cientista inglês que criou a lâmpada de segurança para mineiros
1903 – Nasce Bob Hope, comico americano
1917 – Nasce John Kennedy, 35º presidente americano, assassinado em 1973
1979 – Morre Mary Pickford, atriz americana
1982 – Morre Romy Schneider, atriz austríaca
1993 – Em Solingen, Alemanha, um edifício habitado por turcos é incendiado criminosamente por neonazistas
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Dia de Santa Joana D’Arc, virgem e mártir e de Santa Ângela Merici
Morte de Voltaire
1431 – Em Rouen, Joana D’Arc é queimada na fogueira como herege
1536 – Henrique VIII casa com Jane Seymour
1588 – Parte de Lisboa para a Inglaterra a frota espanhola conhecida como Invencível Armada, sob o comando do Duque de Medina
1640 – Morre o pintor flamengo Rubens
1672 – Nasce Pedro, o Grande, futuro czar da Rússia
1778 – Morre Voltaire
1814 – Nasce Bakhunine, revolucionário russo
1896 – Nasce Howard Hawks, cineasta americano
1909 – Nasce Benny Goodman, chefe de orquestra e clarinetista americano
1948 – Todos os cidadãos da Commonwealth ganham estatuto de cidadãos britânicos
1960 – Morre Boris Pasternak, escritor russo
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Dia do Comissário de Bordo (ou aeromoço)
Dia Mundial do Não-Fumante
1232 – Dia da Canonização de Santo Antônio de Lisboa pelo Papa Gregório IX
1469 – Nasce Dom Manuel I, o Venturoso
1809 – Morre Joseph Haydn
1819 – Nasce Walt Whitman
1961 – Independência da África do Sul, com Nelson Mandella como presidente
1976 – Indonésia invade e ocupa o Timor Leste, onde permanece até a intervenção da ONU, plebiscito e liberação no ano 2001
Hoje é dia de olhar como caminham as coisas com a nova administração do Brasil. Nova? Por enquanto podemos considerá-la assim. postado por walter em 26/05/03
BASTÃO À MÃO ESQUERDA
Walter Galvani
Parece que Lula aprendeu a lição histórica e isso é útil, afinal de contas, para o Brasil. Nós o elegemos, mesmo que o leitor não se inclua entre os votantes que o levaram ao poder, pois a maioria do povo brasileiro assim procedeu. Mas, não é o que vem ao caso. O que devemos examinar hoje é o comportamento que vem tendo o líder esquerdista que pregou e continua a apregoar-se como tal, e, no entanto, governa com a Direita. Não só pela sua união com o Partido Liberal, que entrou com o vice-presidente, mas até pelas atitudes que tem tomado, todas dentro do mais belo e indiscutido figurino capitalista.
No entanto vai ao Peru e passa o bastão inca para a mão esquerda, para emitir a imagem do seu esquerdismo, provocando uma bem humorada coreografia por parte dos demais líderes latino-americanos com ele reunidos e em Buenos Aires se alinha com Chavez, Fidel e outros mais ou menos votados que se posicionam pelos conceitos esquerdistas.
Na semana que vem, deixará perplexos seus amigos radicais, viajando para os Estados Unidos, onde manterá um encontro com Bush, que hoje encara o supra-sumo do direitismo político mundial. Na certa aparecerá apertando a mão do presidente americano. É a praxe.
É assim o nosso Lula e, conseqüentemente o PT no poder, partido que, aliás, está a expulsar seus militantes que teimam em defender a pureza ideológica, como Luciana Genro, a agitada filha do ministro Tarso, a senadora Heloisa Helena e o deputado Babá. Pode ser até que estes venham a ser mantidos no partido, o puxão de orelhas público já foi dado, e assim vai o PT, monstro assustador dos conservadores que era antes da eleição, hoje se transformando na bruxinha mágica capaz de agradar gregos e troianos. No que vai dar, não sabemos. Só o passar dos tempos nos desvendará.
Para começar uma segunda-feira, com o dólar nos níveis que está e a taxa de juros mantida, tal como sempre orientaram Malan e Armínio Fraga, para quem já esqueceu, foram os antecessores de Pallocci e Henrique Meirelles, na Economia e no Banco Central, já é uma boa dose. Podem fazer negócios, senhores! A banca vai continuar pagando e recebendo, como sempre, e as dívidas históricas seguirão crescendo e, o que de fato interessa, continuaremos vendendo nossos produtos. Para isso, aliás, é importante que o dólar se mantenha onde está. Nada de baixas, que possam favorecer evasão de divisas.
Lula vai continuar, como se vê, fazendo caridade como as senhoras da paróquia, falando em “Fome Zero” e “Campanhas de agasalho”. Dara casa e comida a quem não tem onde morar e passa fome custa muito caro e em dólares, porque o país não tem como tirar de seu próprio tesouro, endividado, a solução para o problema.
Por tudo isso, segurar o bastão inca com a mão esquerda e tirar fotografia ao lado de Fidel Castro é o que pode ir fazendo um líder esquerdista, representante legítimo do “neo-populismo” que chegou ao governo. Se é o que dá para fazer, por enquanto, vamos tratando de aceitar o andar da carruagem.
O artigo a seguir foi publicado na edição de hoje do ABC DOMINGO, jornal de maior circulação do vale do Rio dos Sinos e da região metropolitana de Porto Alegre. Aparece aos domingos com material de noticiário e opinião,efetivamente relativo ao sábado, pois circula na madrugada do domingo. Mais ABC em www.abcdomingo.gruposinos.com.br postado por walter em 25/05/03
DESEMPRÊGO... E POUCA VERGONHA
Walter Galvani
Dois bilhões de dólares, este foi o preço da “moral” da Rússia que “vendeu” literalmente seu voto e passou a apoiar o que antes lhe parecia inaceitável: a ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e Inglaterra. Quer dizer: o preço do voto foi a manutenção dos negócios petrolíferos acertados antes da guerra e com isso, mudou a opinião, ao que parece portanto algo que não tinha nada a ver com os conceitos de liberdade e respeito à auto-determinação dos povos.
Quatrocentos mil desempregados é o que custará ao Iraque a entrada em ação do funcionário americano Paul Brenner que assumiu a gerência da reconstrução do país. Primeiras medidas: dissolução dos ministérios da Justiça, da Informação e extinção de todos os tribunais, com isso jogando na “rua da amargura”, com algumas indenizações, cujo valor se desconhece, estes milhares de iraquianos.
Quem lhe deu o mandato? A ONU, através do Conselho de Segurança que, depois de resistir durante todo o período pré-guerra, inclusive patrocinando o desarmamento e a inspeção do Iraque, agora acaba de conferir aos Estados Unidos e à Inglaterra a tarefa de reconstruir o país que pelos próprios gestores foi destruído e saqueado.
Saddam Hussein era o pior tipo de ditador, se sabe disso, assim como outros que estão na fila e podem ser apeados. Se foi morto ou mudou de cara com uma operação plástica e hoje mora em Washington ou arredores não se sabe. Efetivamente prejudicado, é o povo iraquiano.
Pelo menos com a nomeação de Sérgio Vieira de Mello, o brasileiro que já descascou o abacaxi do Timor Leste e fez o que pôde na Bósnia, a ONU faz alguma coisa pelo próprio e abalado prestígio. Torcemos por identidade, mas confiamos por conhecer-lhe a capacidade, neste brasileiro notável.
No entanto, é preciso dizer que depois de todas as manifestações mundiais a coisa acaba mesmo com a legalização do que a violência da guerra estabeleceu. Após o verdadeiro passeio pelo deserto que representou a invasão anglo-americana, depois do furto qualificado das obras mais preciosas do Museu de Bagdá, estamos diante de uma história digna de Ali Babá ou do “Pequeno Príncipe”. Sim, lembram da história? “já que as tuas fronteiras invadem as minhas,eu -passo as minhas mais para trás.” Ou seja: “real-politik”, realismo político do melhor...
Assim é que morrem nossas ilusões. Decepção em decepção, vai se somando a tristeza pela falta de vergonha e respeito pelos direitos alheios que começam em nossas cidades e acabam na ONU, como se vê...
Não sobram muito mais coisas para reclamar.
Então, quando surge um documento para mostrar que o presidente da república mudou de opinião, quando um partido se prepara para expulsar os radicais, porque se tornaram radicais ao continuarem defendendo as posições que o mesmo partido antes defendia, nada disso nos deve espantar.
Podemos conservar a capacidade de indignação, mas não de espanto, pois cada dia somos defrontados com mais um fato extraordinário, aparentemente inaceitável e até o futebol, ou diríamos melhor, claro que também no futebol, pois faz ele parte da nossa vida social. O assombro não é saber que agora os juízes para as partidas do campeonato nacional serão sorteados. É assombro saber-se que não o eram e portanto, eram “escolhidos” pelo diretor do departamento o que poderia explicar certas coisas... Muitas.
O frio e a neve possível, são saudados como estrelas do turismo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Mas, há a outra face da moeda: não é fácil suportar, sem casa ou agasalhos, ou as duas coisas, a dureza do clima. Aqui não é o paraíso tropical... postado por walter em 24/05/03
CICLONES E FURACÕES
Walter Galvani
Por volta da uma hora da madrugada tivemos ocorrência de neve na zona de São José dos Ausentes e a previsão é que domingo haverá nevada outra vez nos Aparados da Serra. Há previsão de que se produzam ciclones e furacões como resultado do avanço desta linha de instabilidade produzida pelo frio que, afinal, chegou ao Rio Grande do Sul, província mais meridional do Brasil.
É sempre um espanto para os que vivem em outros países receberem notícias de frio, neve, temperaturas tão baixas em nosso país, visto pela maioria como “um paraíso tropical”. Nós, do Rio Grande, que habitamos uma terra batizada sob o signo de São Pedro, a província se chamava à certa altura como São Pedro do Rio Grande, o mesmo São Pedro tido pelos cultores da hagiologia católica como o porteiro dos céus, senhor dos ventos e chuvas.
A previsão é de que a temperatura se mantenha em níveis tão baixos, tanto que já chegou a -1,2 à noite passada e assim prossiga pelos próximos dias.
Tudo isso é para dizer que o frio, o vento, a chuva e a neve, a umidade e conseqüentemente as doenças respiratórias, constituem-se numa presença firme, forte e evidente no Rio Grande do Sul, assim como em Santa Catarina, estado vizinho e como no Paraná, os três que formam a Região Sul.
Para esses estados é preciso pensar numa política bem diversa, por parte do poder central e não é com simpáticas “campanhas de agasalho” que se resolve a questão, embora eu reconheça que, aqueles que tem a sorte de serem contemplados com doações, digamos, de “piedosas senhoras e piedosos senhores”, de casaquinhos e casacões, que salvam até da morte os mais desvalidos, podem saudar esta caridade como uma coisa boa.
Dentro de alguns dias teremos a notícia da primeira vítima do frio que, por outro lado, serve de elemento indispensável de uma estética, digamos assim, que distingue os estados sulinos e os promove no âmbito do turismo como produto diferenciado.
Assim é a vida, velho provérbio diz “bem de uns, mal de outros”...
Todos os caminhos hoje e amanhã, nos levam ao Unilasalle em Canoas, onde acontecem os dois últimos dias da I Feira do Livro do Unilasalle, centro universitário que surge do núcleo do antigo Colégio e onde fiz meus estudos preliminares que, afinal, se mostraram definitivos... pelo menos para mim. Hoje sou, com muita honra, o Patrono da I Feira do Livro do Unilasalle postado por walter em 23/05/03
MESA REDONDA
DISCUTE LEITURA
NO UNILASALLE
Nesta sexta-feira, penúltimo dia da I Feira de Livros do Unilasalle, em Canoas, que tem como patrono o jornalista e escritor Walter Galvani, mesa redonda coordenada por esse profissional que fez seus estudos preliminares no antigo Externato São Luiz, discutirá “A importância da leitura em todos os níveis”, no Salão de Atos, às 18h30min.
Os escritores Moacyr Scliar, Carlos Urbim e Valesca de Assis, e o professor Cícero Galeno, participarão do encontro que é aberto a toda a comunidade.
A Feira do Unilasalle que começou segunda-feira irá até sábado e conta com a presença de livreiros e editores em quinze barracas e diversas atividades que vão desde “A hora do conto” até sessões de autógrafos e exposições no pátio do estabelecimento que fica a av. Vitor Barreto, 2288, Canoas.
Hoje abrem as inscrições para o Vestibular do Unilasalle e eu, como Patrono da I Feira do Livro do nosso estabelecimento postado por walter em 22/05/03
UMA LIÇÃO RECEBIDA
Walter Galvani
Ontem vivi uma oportunidade ímpar, mas que espero que se repita. Como Patrono da I Feira do Livro do Unilasalle, que, aliás, está abrindo hoje as inscrições para os seus Exames Vestibulares, falei durante 50 minutos para duas turmas, de sétima e de oitava séries do colégio. Que, aliás, explico, é o “meu colégio” porque lá estudei de 1942 a 1952, no antigo Primário, o Ginásio e um curso profissionalizante. Antes de cada palestra foi projetado um vídeo que foi realizado sob a supervisão do jornalista Nikão Duarte, realizado na FIERGS para o SENAI, apresentando a questão dos 500 anos e meu livro “Nau Capitânia – Pedro Álvares Cabral, como e com quem começamos”.
Feita a projeção passou-se para uma sessão de perguntas e respostas e o que mais me comoveu foi a pertinência, a oportunidade e em alguns casos até a profundidade de certas questões levantadas. Fiquei surpreso, confesso que de tanto ouvir falar mal das novas gerações, não esperava que aqueles jovens alunos dos lassalistas de Canoas, fossem capazes de ir tão longe e se mostrarem tão amadurecidos.
E discutiu-se de tudo. Desde as verdadeiras razões dos descobrimentos portugueses até as futuras carreiras profissionais que meus novos e jovens amigos ambicionam, passando pela desgraça política de Pedro Álvares Cabral até às questões da criação literária, o início de uma vida de escritor, o que fazer quando não se gosta do que se escreveu ou as complicações do ato de lidar com a palavra. E os seus prazeres também.
Dessa conversa agradável tirei alguns dos melhores momentos que vivi no interior do imenso complexo que hoje é o Unilasalle, recebi a visita do escritor Mário Pirata, que estava encantando os jovens na mesma tarde com seu charme e sua qualificação profissional, conversei com velhos professores como o Irmão Henrique e o Irmão Germano, que me levaram a conhecer os tesouros dos seus recintos mais secretos e convivi com escritores canoenses como Canabarro Trois e Nemésio Meirelles.
Belos momentos, dos quais carrego a lembrança e o compromisso de que estarei sempre pronto a ajudar meus novos amigos (e os mais velhos também), afinal nossa divisa histórica é a dos Mosqueteiros de Alexandre Dumas: “Um por todos, todos por um”.
Nesta sexta-feira, no restaurante Chiesa, também em Canoas, na rua General Salustiano, antigos colegas de cinqüenta e mais anos atrás, estarão reunidos para um jantar de convivência. Momentos que procuramos eternizar como dos mais dignos da nossa existência.
No sacro colégio que serviu de pátio para nossas primeiras experiências, a exposição carinhosamente realizada pelo pessoal do La Salle promove uma festa a meu respeito, o que me torna ainda mais responsável por aqueles meninos e meninas que passei a amar como meus filhos e netos.
Hoje, amanhã e depois, estou integrado a I Feira do Livro Unilasalle postado por walter em 21/05/03
MESA REDONDA
DISCUTE LEITURA
NO UNILASALLE
Nesta sexta-feira, penúltimo dia da I Feira de Livros do Unilasalle, em Canoas, que tem como patrono o jornalista e escritor Walter Galvani, mesa redonda coordenada por esse profissional que fez seus estudos preliminares no antigo Externato São Luiz, discutirá “A importância da leitura em todos os níveis”, no Salão de Atos, às 18h30min.
Os escritores Moacyr Scliar, Carlos Urbim e Valesca de Assis, e o professor Cícero Galeno, participarão do encontro que é aberto a toda a comunidade.
A Feira do Unilasalle que começou segunda-feira irá até sábado e conta com a presença de livreiros e editores em quinze barracas e diversas atividades que vão desde “A hora do conto” até sessões de autógrafos e exposições no pátio do estabelecimento que fica a av. Vitor Barreto, 2288, Canoas.
Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone 476.8500 ou no site www.unilasalle.edu.br ou mail lasalle@lasalle.tche.br
Participo como Patrono da I Feira do Livro no Unilasalle, estabelecimento de ensino superior que nasceu do meu antigo colégio, onde fiz o primário e o ginásio, além de um curso profissional e praticamente iniciei minha carreira jornalística. Foi um momento de grande emoção, ontem, a inauguração. Mas, nesta quarta estarei à disposição dos alunos e na sexta teremos uma grande mesa redonda com Moacyr Scliar, Carlos Urbim, Valesca de Assis e o professor do La Salle, Cicero Galeno. Mas hoje é dia de pensar no Timor postado por Walter Galvani em 20/05/03
O QUE FIZEMOS PELO TIMOR?
Walter Galvani
Hoje, 20 de maio, é o primeiro aniversário do Timor-Leste como estado independente. A minha pergunta é: o que fizemos por ele nestes 365 dias?
Fizemos algum pronunciamento público de apoio, mandamos dinheiro, comida ou ao menos livros?
Alguém que me lê foi fazer um pouco de ação social efetiva trabalhando em Díli ou em qualquer cidade timorense?
Lemos alguma coisa a mais para ver melhor este povo e aquele estado que fizeram a opção de falar português?
Se não se fez, não é sem tempo.
Na festa de aniversário de hoje, façamos nosso mea culpa e trabalhemos com o ardor que não tivemos até aqui.
Xanana Gusmão, o Lula da Ásia, que nos perdoe, povo maubere que tenha paciência conosco!
Prometemos, solenemente, que nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias e um quarto, trataremos mais objetivamente de demonstrar o nosso amor e a nossa compreensão.
Nesta segunda-feira estou diante de uma oportunidade única e inesquecível: serei o patrono da I Feira do Livro do Unilasalle. Mas, isso só aumenta a responsabilidade, dizia-se antigamente. Pois é verdade. postado por walter em 19/05/03
Na edição de hoje do ABC DOMINGO, jornal que circula na região metropolitana de Porto Alegre, publico hoje este artigo: postado por walter em 18/05/03
O DEVER DE CASA
Walter Galvani *
Nesta segunda-feira, estarei de volta à minha terra natal, pelo menos por algumas horas, para cumprir um agradável dever: servir de patrono para a primeira feira do livro que realiza o Unilasalle, há quase cem anos atuando em Canoas e que ao longo deste século formou seis gerações de canoenses, dos melhores quadros que esta cidade necessitou. Quando o então Instituto São José começou, o pujante município de hoje não era mais do que o 13O. distrito de Gravataí e foi graças à ação de alguns de seus ex-alunos que se deu a emancipação em 1939.
Aos poucos, tornou-se um distintivo de qualificação pessoal e profissional ter sido aluno dos Irmãos Lassalistas e isso tem sido mantido ao longo do tempo. Do velho instituto ao centro universitário de hoje, passando pelo curso que formava professores nas décadas de trinta e quarenta, a velha Gráfica e Escola Profissional La Salle, o hoje La Salle Serviços, as faculdades e todos os desdobramentos daquilo que nasceu no coração e na cabeça dos velhos “Irmãos das Escolas Cristãs”, inspirados no pensamento de João Batista de La Salle, pode ser assinalado numa trajetória retilínea que marca a cidade de Canoas.
Pessoalmente me vejo envolvido num magnífico projeto que abriga o meu próprio e pequeno sonho e me confesso emocionado com esta segunda oportunidade que me oferece Ivone Frare em nome dos meus antigos mestres: ser o patrono de um acontecimento desta natureza é um desafio que intimida e entusiasma, que anima e gratifica. Não posso decepcioná-la e não posso envergonhar o Irmão Henrique Justo, ou seus pares que por aí andam, acompanhando este “já meu longo andar” – como diria o poeta Quintana.
Foram eles que me mostraram o caminho e a pedido do meu pai, eles que me proporcionaram também o primeiro emprego. Foram eles que me abriram os olhos para a vida e me deram a primeira chance de escrever para um público, embora interno, mas sem dúvida o “Ecos de São Luiz” como se chamava nosso jornal, tinha tudo para ser um jornal verdadeiro, com capa, manchete, artigo de fundo, charge, pauta, reportagem, revisão, noticiário. Vivi dentro do Externato São Luiz, as minhas primeiras esgrimagens intelectuais e as primeiras escaramuças esportivas, a iniciação na vida e os passos inaugurais também na política.
Posso dizer que com eles aprendi tudo, ou quase tudo, menos a maldade do mundo que esta me estava reservada fora dos portões da grande casa.
E amanhã, no final da tarde, estarei de volta à arena dos primeiros tropeços e das primeiras e escassas vitórias, lembrando que havia também um “irmão” leigo, o admirável Armando Würth, que se somava ao labor dos lassalistas e nos ensinava a cultivar o corpo, as artes da educação física, a competição sadia e a luta pela superação esportiva.
Também encontrarei, por certo, o Irmão Henrique Justo, aquele que, não canso de repetir, conseguiu moldar futuros intelectuais com a difícil e improvável matéria de meninos rebeldes. Que façanha! – caro mestre. E a esses todos, nem eu nem os milhares que me antecederam e me sucederam, poderão esquecer.
Eis uma tarefa fantástica que ainda não terminou e sempre se renovará enquanto existir amor pelas pessoas, pelas crianças, pelos jovens e a crença na educação. Minha investidura eu dedico aos mestres, com carinho.
* A inauguração da I Feira do Livro do Unilasalle acontecerá amanhã, segunda-feira, às 18 horas. O Irmão Henrique Justo será homenageado de honra
Para passar "na marra", é como se pode interpretar a posição de Lula, que exige fidelidade dos partidos aliados e dos petistas, para votar a reforma da Previdência e também as outras que estão por aí, bailando há anos. Vamos ver até que ponto vai o seu poder de convencimento. E se a Luciana Genro pretende fundar outro partido, junto com o Babá, a Heloisa Helena e outros menos votados, veremos como se comporta o povo brasileiro. Mas é o recado do dia, para que a gente aproveite bem o fim-de-semana... postado por Walter Galvani em 17/05/03
Se queremos uma população bem formada e informada é preciso aumentar os índices de leitura. Isto deve ser questão básica para qualquer governo postado por walter em 16/05/03
COMO SE FORMA UM LEITOR
Estou há muito tempo envolvido com as questões do livro e da leitura. Acompanhei a Feira do Livro de Porto Alegre desde sua primeira edição e só estive ausente quando coincidiu o período de sua realização com alguma viagem pelo país ou pelo exterior. Coleciono dados de pesquisa sobre o assunto e sei de cor os índices brasileiros – que são vergonhosos, um livro por ano – e os gaúchos, que preocupam mas são melhores do que os do resto do país: dois livros por ano por habitante.
Pessoalmente, não fico só na conversa mole. Leio média de um livro por semana e este ano, por razões especiais, deixarei longe esta marca estabelecendo um novo recorde: já li quarenta e nem chegamos ao fim da primeira metade do ano.
Além disso estou trabalhando diretamente no assunto, envolvendo-me como é o caso atual com a Feira do Livro de Guaíba, cidade onde resido há quase seis anos. Ajudei a convidar escritores, ainda ontem tivemos a visita de Valesca de Assis, autora de vários livros, mas, especialmente, uma obra-prima que é o seu “Harmonia das esferas” e uma agenda primorosa “Todos os meses”, integrada por uma coletânea de crônicas de primeira linha, editada pela AGE.
Mas sei que há um problema sério para aumentar nossos índices de leitura: a má distribuição da maioria dos livros. É incrível, mesmo sabendo que há um “shopping” a céu aberto no centro de uma cidade, muitas livrarias, editoras e distribuidoras esquecem o evento e nada fazem.
Amanhã teremos a visita de dois grandes escritores em Guaíba: Ruy Carlos Ostermann e Fabrício Carpinejar. Vamos ver o que fazem os representantes das suas editoras.
Para os leitores de todo o mundo que visitam este site: Guaíba é o nome do lago que circunda Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a cidade do Fórum Social Mundial e é também o nome de uma pequena cidade (90.000 habitantes no município todo), pequena em termos brasileiros, que fica do outro lado deste mesmo rio-lago. Aliás, até hoje o assunto é discutido, tanto que já mereceu um livro com o título “O rio que não é rio”, do jornalista e geólogo Kleber Borges de Assis.
Vamos ver o que farão os marqueteiros do livro. Se é que existem no Brasil...
Lula pediu desculpas aos deputados do PSDB pela oposição sistemática que o PT fez, no passado, às reformas de um modo geral. Sabe-se que ele se refere, sobretudo, à reforma da Previdência, que o partido do governo encaminhou. De fato, é indiscutível que o país precisa de todas as reformas imagináveis e inimagináveis. Em todas as áreas e principalmente no campo da cobrança desenfreada de impostos que oneram a produção e dificultam a circulação de bens e serviços no país. E como conseqüência pior, diminuem a capacidade que temos de provocar o surgimento de novos empregos. postado por walter em 16/05/03
Lula pediu desculpas aos deputados do PSDB pela oposição sistemática que o PT fez, no passado, às reformas de um modo geral. Sabe-se que ele se refere, sobretudo, à reforma da Previdência, que o partido do governo encaminhou. De fato, é indiscutível que o país precisa de todas as reformas imagináveis e inimagináveis. Em todas as áreas e principalmente no campo da cobrança desenfreada de impostos que oneram a produção e dificultam a circulação de bens e serviços no país. E como conseqüência pior, diminuem a capacidade que temos de provocar o surgimento de novos empregos. postado por walter em 16/05/03
Hoje começa a minha oficina "O vôo da gaivota" em Guaíba. Pelo telefone 480.6056 ainda é possível obter informações ou então, você que mora em Guaíba ou Porto Alegre, vá direto à Biblioteca Pública Municipal. Em nossa pequena "Alexandria", começa a primeira turma às 9 dda manhã. E segunda-feira serei o patrono da I Feira do Livro do Unilasalle, que nasceu do colégio lassalista onde estudei, em Canoas. No Diário de Canoas de hoje, publiquei a seguinte crônica: postado por walter em 15/05/03
DE VOLTA AO MEU CHÃO
Walter Galvani *
Pisei esta semana o sagrado território do Unisalle. Senti-me outra vez como em 1942, quando atravessei os trilhos da Viação Férrea, onde ali hoje é o Trensurb, e entrei pelo portão principal do Instituto São José, para me apresentar no Externato São Luiz, onde faria meu ingresso no segundo ano primário. Pulara o primeiro. Estava vaidoso, mas temeroso. Orgulho, em primeiro lugar, porque eu vestiria o uniforme glorioso do La Salle e cheio de medo porque não sabia como seria recebido. Estava alfabetizado, minha mãe já fizera o trabalho inicial, mas agora é que eu iria descobrir o mundo, entrar no processo de socialização, conviver com outros meninos, saber o que era a vida afinal, fora dos portões da minha casa que ficava ali na Cel. Vicente que, aliás, se chamava Rua Progresso.
Olhando o monumento a São João Batista de La Salle, cercado pelos alunos, perdi-me no tempo, lembrando meus primeiros mestres, o Irmão Frederico, o Irmão Armando, depois o Albano, o Amadeu, o Henrique Justo, sim este mesmo que graças a Deus anda por aí nos honrando com a sua inteligência e a sua capacidade intelectual e física, aos oitenta anos.
O convite que o Unilasalle me fez, para ser o patrono da sua I Feira do Livro, não é apenas uma honra enorme, mas sim uma imensa responsabilidade. Fui procurar meus antigos diplomas, meus cartões, as fotos, enfim tudo o que fui colecionando nestes sessenta e tantos anos de vida e cinqüenta e quatro de mercado de trabalho, cuja entrada aliás também devo ao La Salle, pois foi na gráfica dos Irmãos que aprendi minha primeira profissão, tipógrafo, assim como arranhei o jornalismo e a literatura graças ao “Ecos de São Luiz” e ao trabalho civilizador do Irmão Henrique.
Segunda-feira, na abertura oficial da Feira, estarei de volta a 1942, mais uma vez. Terei que fazer um balanço da minha vida e de como tentei honrar os princípios que me foram transmitidos a partir daquele distante momento de 61 anos atrás. Lembrarei os colegas, alguns por certo presentes, professores, o velho pátio de areão onde a gente batia um futebolzinho nos recreios, o bosque onde os “juvenistas” se ocultavam, falo dos que se preparavam para o magistério, as velhas batinas que não mais se usam, os amados “urubus do papo branco” como desrespeitosamente os tratávamos.
São velhos tempos que não retornam porque é impossível dar ré na roda da história. Bem que gostaríamos de caminhar pelas ruas sem os problemas de violência, iniciar a vida sem o estresse do desemprego, e temer apenas os rigores do “caríssimo irmão diretor” cujo nome copiado mil vezes podia constituir-se no perigoso castigo de quem não se comportara bem...
Ah, se suspeitássemos que o mundo mudaria tanto ou que deveríamos encontrar a oposição, a dúvida, a miséria, a competição, a guerra, a dificuldade! Mas para isso também ganhamos a receita. Um dos nossos professores não se esqueceu de nos transmitir os versos de Gonçalves Dias: “A vida é combate, que aos fracos abate, mas aos fortes e aos bravos, só pode exaltar!”
Obrigado pelo convite para ser o patrono de um acontecimento que tem no livro a sua razão de ser. Porque ele foi a nossa pedra fundamental.
Começa hoje às 15 horas na praça dad Bandeira, a mais central da cidade, a XIV Feira do Livro de Guaíba. Estarei lá, na abertura, e a partir de amanhã com minha oficina de crônica "O vôo da gaivota" postado por walter em 14/05/03
FEIRA DO LIVRO
EM GUAÍBA, TERÁ
OFICINA DO GALVANI
Hoje, dia 14, às 15 horas, inaugura-se oficialmente a XIV Feira do Livro de Guaíba, na praça central da cidade, devendo desenvolver-se até domingo com uma série de atrações especiais, como as oficinas da escritora paulista, autora de livros infantis, Ana Lúcia Baggio e do jornalista e escritor Walter Galvani.
A Oficina do Olhar, de Ana Lúcia Baggio, terá lugar quinta e sexta das 18h30 às 20 horas e “O vôo da gaivota”, oficina de crônica de Walter Galvani, em sua terceira edição, percorrendo agora várias cidades do interior, terá duas turmas: uma das 9 às 12, quinta e sexta e outra nos mesmos dias, das 14 às 17 horas. Informações e inscrições pelo telefone 480.6056.
No sábado, grande mesa redonda discutirá “Como se forma um leitor”, com a participação do patrono da feira, escritor guaibense Carlos Sant’Anna, o poeta Fabrício Carpinejar, recém premiado com seu “Biografia de uma árvore” como “melhor livro de 2002” pela Academia Brasileira de Letras que lhe atribuiu o Prêmio Olavo Bilac, os escritores locais Altair Martins, Fernando Laroque e a diretora do campus de Guaíba, da ULBRA, Vera Heitor Reinhardt.
Várias sessões de autógrafos pontuam os quatro dias de feira, como por exemplo da escritora Valesca de Assis, na quinta-feira, às 17 horas, com seus livros “Todos os meses”, editado pela AGE, uma agenda original, cheia de crônicas e o romance “Harmonia das Esferas”, edição da VS Editores que conquistou o prêmio de melhor livro de 2001 da Associação dos Críticos de Arte de São Paulo.
Fabrício Carpinejar terá sessão de autógrafos no sábado pela manhã, às 11h30min, depois da Mesa Redonda e Ruy Carlos Ostermann, às 16 horas.
A Oficina “O Vôo da Gaivota” de Guaíba seguirá para Gramado, onde acontecerá em junho.
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Hoje é o dia de Dante, portanto, o dia da poesia postado por walter em 13/05/03
DANTE
Walter Galvani
Há 738 anos nascia Dante Alighieri.
Será preciso acrescentar mais alguma coisa?
Todas as pessoas “de bem” na face da terra, sabem o significado deste registro simples e fantástico, ao mesmo tempo. Sabemos, quase oitocentos anos depois, a data do nascimento de um homem que foi poeta, que foi o consolidador da língua italiana moderna, o toscano que ele preferiu a qualquer outro dos dialetos que então eram falados na península, todos “latim bárbaro” devidamente customizados, como diriam os americanófilos de hoje.
“A Divina Comédia”, que uns leram, outros não, a Beatriz que ao que se sabe se existiu nunca se preocupou com o nosso poeta, Florença que acabou por expulsa-lo, enfim, todos os dramas que costumam viver os jovens e os velhos, os poetas de um modo geral.
Hoje não é o Dia da Poesia, mas, afinal de contas, todo o dia deveria ser “dia da poesia”...
Pretendo conviver hoje, durante o dia, com o poeta Armindo Trevisan, que sintetiza pelo seu saber e pelo seu sentimento, pela sua emoção sempre incontida, pela sua merecida aceitação por parte de todos os que o conhecem, tudo o que imaginamos num Dante.
E hoje será o dia também de dar os parabéns ao Fabrício Carpinejar, ganhador este ano do Prêmio Olavo Bilac, e que estará conosco na XIV Feira do Livro de Guaíba, porque, afinal também ele, com sua “Biografia de uma árvore” escreveu uma divina comédia dos nossos tempos.
Vamos lembrar que 1265 foi um ano abençoado na face da terra e 1811 também, em termos de Brasil. Pois é, o pouco amado e injustamente vilipendiado Dom João VI, o rei português que amava o Brasil, criava, nesta data, a Biblioteca Nacional. Que hoje completa 182 anos portanto.
Aliás, lembram bem a História? Foi Dom João VI quem instalou aqui os correios, criou o Banco do Brasil e tanta coisa mais, sem falar na Missão Artística Francesa que ele trouxe para cá, dando o primeiro empurrão na mentalidade pró-cultura nesse país.
Quarta-feira começa uma Feira do Livro, a XIV da sua história, em Guaíba, cidade onde estou residindo há cinco anos e pouco. Estarei lá com a minha oficina "O vôo da gaivota" postado por walter em 12/05/03
FEIRA DO LIVRO
EM GUAÍBA,
ABRE QUARTA-FEIRA
Quarta-feira, dia 13, às 15 horas, inaugura-se oficialmente a XIV Feira do Livro de Guaíba, na praça central da cidade, devendo desenvolver-se até domingo com uma série de atrações especiais, como as oficinas da escritora paulista, autora de livros infantis, Ana Lúcia Baggio e do jornalista e escritor Walter Galvani.
A Oficina do Olhar, de Ana Lúcia Baggio, terá lugar quinta e sexta das 18h30 às 20 horas e “O vôo da gaivota”, oficina de crônica de Walter Galvani, em sua terceira edição, percorrendo agora várias cidades do interior, terá duas turmas: uma das 9 às 12, quinta e sexta e outra nos mesmos dias, das 14 às 17 horas.
No sábado, grande mesa redonda discutirá “Como se forma um leitor”, com a participação do patrono da feira, escritor guaibense Carlos Sant’Anna, o poeta Fabrício Carpinejar, recém premiado com seu “Biografia de uma árvore” como “melhor livro de 2002” pela Academia Brasileira de Letras que lhe atribuiu o Prêmio Olavo Bilac, os escritores locais Altair Martins, Fernando Laroque e a diretora do campus de Guaíba, da ULBRA, Vera Heitor Reinhardt.
Várias sessões de autógrafos pontuam os quatro dias de feira, como por exemplo da escritora Valesca de Assis, na quinta-feira, às 17 horas, com seus livros “Todos os meses”, editado pela AGE, uma agenda original, cheia de crônicas e o romance “Harmonia das Esferas”, edição da VS Editores que conquistou o prêmio de melhor livro de 2001 da Associação dos Críticos de Arte de São Paulo.
Fabrício Carpinejar terá sessão de autógrafos no sábado pela manhã, às 11h30min, depois da Mesa Redonda e Ruy Carlos Ostermann, às 16 horas.
A Oficina “O Vôo da Gaivota” de Guaíba seguirá para Gramado, onde acontecerá em junho.
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Uma honra enorme e uma tarefa hercúlea, eis como posso definir o convite que me fez o Unilasalle para ser o patrono da I Feira do Livro do Unilasalle. Ótimo. Grande. E esta semana estarei envolvido com o Livro, também, em Guaíba. Quarta-feira inaugura a XIV Feira do Livro e estarei na Praça da Bandeira às 15 horas para a cerimônia. Quinta e sexta, em duas turmas, ministrarei a Oficina de Crônica "O vôo da gaivota", na Biblioteca Pública Municipal. Tudo isso faz parte da Fome de Ler... postado por Walter Galvani em 11/05/03
FOME DE LEITURA
Walter Galvani *
É admirável o trabalho de convencimento que é feito pelos setores ligados ao livro, aqui no Rio Grande do Sul com o destaque especialíssimo da Câmara Riograndense do Livro, mas passando por todos, professores, escritores, editores, livreiros, autoridades dos municípios e do estado, conselheiros da educação e da cultura, diretores de instituições e entidades. Todos queremos que os percentuais gaúchos, superiores, pois são o dobro do restante do país, continuem progredindo e sigam até assombrosos níveis que confirmem que aqui se vive mais intensamente e melhor. E assim surgem novos programas e confirmam-se os antigos e todo o dia recebemos uma medalha, um título, um prêmio, como a solidificar esta preciosa vocação que reflete nossos genomas, nossas vocações e as conquistas do ensinamento ao longo destes últimos dois séculos e pouco.
De repente, a semana nos dá esperanças tão grandes como o lançamento do projeto “Fome de Ler” que reúne o campus de Guaíba da ULBRA e a Câmara do Livro para alcançar vinte e dois municípios da Metade Sul do estado. Quer se provar que o interesse pela cultura e o desejo de progredir, aperfeiçoar-se, não é exclusividade das zonas economicamente mais desenvolvidas.
E súbito, explode a informação de que um jovem poeta nosso, Fabrício Carpinejar, alcança a distinção máxima da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio “Olavo Bilac” para o “livro do ano” com o seu trabalho “Biografia de uma árvore”. Vai ele no quarto livro e outros tantos prêmios, trabalha diariamente no setor de Comunicação Social da Unisinos e reside em São Leopoldo.
Nós aqui do ABC DOMINGO, “o veículo do ano”, temos a maior satisfação em assinalar todo este progresso que vai se caracterizando como uma distinção rio-grandense. Há um pouco de orgulho nisso? Sou obrigado a reconhecer que sim, que nos achamos “melhores do que os outros”. Claro, que há uma conjunção de fatores que nos permitem desfrutar dessa situação privilegiada, mas que também nos impõe uma atitude diferenciada que nem sempre nos encontra à altura.
Temos um Conselho Estadual de Cultura, o primeiro no Brasil, que seleciona entre os projetos que a comunidade encaminha aqueles que devem merecer os favores da Lei de Incentivo Cultural, o chamado Sistema LIC, com alto grau de representatividade, que abriga desde categorias profissionais, até nomes como o historiador Fernando O’Donnell, escritores, cineastas, músicos, editores como Paulo Flávio Ledur e hoje e agora nos encontramos com o momentoso assunto da “contrapartida social”. Ora, um país que tem dificuldades na área econômica, precisaria, na opinião de muitos, um imediato retorno na área social. Eles estão falando, mesmo que não o saibam, em assistencialismo, que nada tem a ver com arte e cultura. Sempre houve e, tomara que não fosse verdade, mas sempre haverá desníveis, pobreza, injustiça. Não cabe aos mecanismos de defesa da cultura produzir recursos excedentes para saciar a fome da desigualdade. Tem mais: fica na área pessoal, ter ou não ter recursos, sentimentos éticos ou consciência, para atender tais questões, antes de produzir o que pode cada um, em nível de excelência, que, aliás, como dizia Aristóteles, não é um projeto, mas um hábito.
“Não existe apenas um modo de ler bem – diz Harold Bloom, autor de “Os cânones ocidentais” – mas existe uma razão precípua por que ler. Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria?”. Bibliotecas, livros, salvai-nos da meléia geral da ignorância mundial.
* Artigo publicado na edição de hoje do ABC DOMINGO, órgão do Grupo Editorial Sinos que circula na Região Metropolitana de Porto Alegre
Não perca seu tempo assistindo a "O Pianista" que, merecidamente, está saindo de cartaz. Mas não alugue o vídeo, pois é apenas mais uma droga americana... Roman Polanski, aliás, nada mais fez de importante desde o "Bebê de Rosemary", lembram? ... postado por walter em 10/05/03
Dizem que há dois momentos fantásticos em “O Pianista”. Eu não os assisti. Saí do cinema.
Numa das pouquíssimas vezes em minha vida em que tomei uma atitude assim, tão radical, saí da Sala Eduardo Hirtz, Porto Alegre, hoje, neste sábado.
Acontece que não suportei a mesmice, a falta de sensibilidade, a pouca inteligência do sr. Roman Polanski, que afinal fez “Lua de fel” e “ O bebê de Rosemary”, mas o que ele fez depois disso?
Pelo que me consta, envolveu-se num problema de pedofilia, que ameaça o seu retorno aos Estados Unidos.
Ganhou com “O Pianista”, 3 Oscars: Melhor Ator, com o medíocre Adrien Brody, Melhor direção (Mas como anda mal o cinema!) e Melhor roteiro adaptado.
Ganhou também a Palma de Ouro em Cannes.
Até quando o sentimento de culpa da Europa vai continuar premiando filmes sobre o Holocausto?
Se é por questão judaica, “A Lista de Schindler”, do Spielberg, é milhares de vezes superior a este filmezinho classe B, que não inova em nada, só repete o que já se sabe e desce a detalhes de grossura e falta de imaginação.
Aquela cena desnecessária do homem comendo o que se espalhou pelo chão é de doer...
Pobre Polanski.
Ora, em momento algum, sob o ponto de vista estético, cinematográfico, ou histórico, esse “Pianista” acrescenta alguma coisa. Creio que o sr. Polanski, lendo aqui, matar-se-ia de rir.
Claro, é assim mesmo. Ele não precisa de nós, mas saiba que não precisamos dele, tanto que saí do cinema antes do filme dele acabar… Insuportável.
Maniqueísta, como qualquer filme americano tipo “conquista do Oeste”. Claro, índio bom é índio morto...
No caso, alemães são fortes, bem alimentados, estúpidos e criminosos.
Assim são os nazistas.
Os judeus são todos bonzinhos. Os anti-nazistas são anjos.
Esta é a história apenas da propaganda de guerra. Ninguém está dizendo que a ideologia nazista seja defensável, aliás temos aí um governo americano com métodos em tudo semelhantes aos que vimos na II Guerra Mundial.
Mas, não há o que fazer.
Havia bons e maus judeus, bons e maus poloneses, bons e maus alemães e sempre haverá bons e maus diretores e até diretores que foram bons em certos momentos de suas carreiras e agora são maus. Ou péssimos. Como Roman Polanski, por exemplo. Prêmios não querem dizer muita coisa. Há bons e maus júris. Interesses e razões extra-artísticas. Há de tudo.
Não perca seu tempo assistindo a "O Pianista" que, merecidamente, está saindo de cartaz. Mas não alugue o vídeo, pois é apenas mais uma droga americana... Roman Polanski, aliás, nada mais fez de importante desde o "Bebê de Rosemary", lembram? ... postado por walter em 10/05/03
Dizem que há dois momentos fantásticos em “O Pianista”. Eu não os assisti. Saí do cinema.
Numa das pouquíssimas vezes em minha vida em que tomei uma atitude assim, tão radical, saí da Sala Eduardo Hirtz, Porto Alegre, hoje, neste sábado.
Acontece que não suportei a mesmice, a falta de sensibilidade, a pouca inteligência do sr. Roman Polanski, que afinal fez “Lua de fel” e “ O bebê de Rosemary”, mas o que ele fez depois disso?
Pelo que me consta, envolveu-se num problema de pedofilia, que ameaça o seu retorno aos Estados Unidos.
Ganhou com “O Pianista”, 3 Oscars: Melhor Ator, com o medíocre Adrien Brody, Melhor direção (Mas como anda mal o cinema!) e Melhor roteiro adaptado.
Ganhou também a Palma de Ouro em Cannes.
Até quando o sentimento de culpa da Europa vai continuar premiando filmes sobre o Holocausto?
Se é por questão judaica, “A Lista de Schindler”, do Spielberg, é milhares de vezes superior a este filmezinho classe B, que não inova em nada, só repete o que já se sabe e desce a detalhes de grossura e falta de imaginação.
Aquela cena desnecessária do homem comendo o que se espalhou pelo chão é de doer...
Pobre Polanski.
Ora, em momento algum, sob o ponto de vista estético, cinematográfico, ou histórico, esse “Pianista” acrescenta alguma coisa. Creio que o sr. Polanski, lendo aqui, matar-se-ia de rir.
Claro, é assim mesmo. Ele não precisa de nós, mas saiba que não precisamos dele, tanto que saí do cinema antes do filme dele acabar… Insuportável.
Maniqueísta, como qualquer filme americano tipo “conquista do Oeste”. Claro, índio bom é índio morto...
No caso, alemães são fortes, bem alimentados, estúpidos e criminosos.
Assim são os nazistas.
Os judeus são todos bonzinhos. Os anti-nazistas são anjos.
Esta é a história apenas da propaganda de guerra. Ninguém está dizendo que a ideologia nazista seja defensável, aliás temos aí um governo americano com métodos em tudo semelhantes aos que vimos na II Guerra Mundial.
Mas, não há o que fazer.
Havia bons e maus judeus, bons e maus poloneses, bons e maus alemães e sempre haverá bons e maus diretores e até diretores que foram bons em certos momentos de suas carreiras e agora são maus. Ou péssimos. Como Roman Polanski, por exemplo. Prêmios não querem dizer muita coisa. Há bons e maus júris. Interesses e razões extra-artísticas. Há de tudo.
Fabrício Carpinejar conquista o Prêmio Nacional "Olavo Bilac", da Academia Brasileira de Letras postado por Walter Galvani em 09/05/03
O POETA DO ANO,
O LIVRO DO ANO
Walter Galvani
“Biografia de uma árvore”, mais recente livro do jovem poeta Fabrício Carpinejar, melhor livro do ano. Eis um caso legítimo de genoma da poesia. No DNA de Fabrício, há por certo elementos que vieram do seu pai, Carlos Nejar, poeta consagrado, membro da Academia Brasileira de Letras e de sua mãe, Maria Carpi, notável poeta que recebeu em 2001 a menção honrosa do prêmio “Casa de Las Américas”. Havia o ambiente em casa, muitos livros e o cultivo da poesia como forma de expressão.
Aos poucos o pequeno Fabrício foi crescendo e se adonando das palavras como sua forma predileta de expressão. Ao mesmo tempo foi montando sua carreira, hoje chegando ao quarto livro.
“Biografia de uma árvore” acaba de trazer para o autor o Prêmio “Olavo Bilac”para o melhor livro do ano (2002 em causa, é claro, pois 2003 está ainda em andamento) – uma premiação significativa, até porque quer dizer uma lembrança daquele que foi classificado como “o Príncipe dos Poetas Brasileiros”.
Livros anteriores na carreira de Fabrício que este ano chega aos 30: “As solas do sol”, “Um terno de pássaros ao sul” (Escrituras Editora, São Paulo, 2000), “Terceira sede” ( Escrituras Editora, São Paulo, 2001).
Carpinejar já recebeu o Prêmio Literário Internacional Marengo d’Oro 2001; o Prêmio Destaque Literário 2001, júri oficial, como melhor livro de poesia da 46a. Feira do Livro de Porto Alegre, o Prêmio Fernando Pessoa 2000 da União Brasileira de Escritores na categoria “revelação e estréia” com “As solas do sol” e finalista dos prêmios Açorianos Porto Alegre 1999 e Cidade de Belo Horizonte, 2000.
Agora, novamente o livro do ano, desta vez com “A biografia de uma árvore”.
Tenho a máxima admiração pelo trabalho deste jovem que acompanho praticamente desde quando nasceu. E transformei este sentimento em apoio, tanto quanto possível e assim levei inúmeras vezes sua voz aos ouvintes da Rádio Guaíba, em programas culturais que eu apresentei naquela emissora nos últimos anos.
Participando como colaborador da montagem da 14a. Feira do Livro de Guaíba e da I Feira da Unilasalle, onde terei a honra de ser o patrono, logo me ocorreu trazer o nome de Fabrícioi Carpinejar. Assim é que, para sorte nossa, em ambas as promoções contaremos com a presença do “Poeta do Ano”. Em Guaíba ele participará da Mesa Redonda sobre leitura, “Como se forma um leitor” que terá lugar às 10 horas da manhã do sábado dia 17 de maio, seguindo-se uma sessão de autógrafos.
No Unilasalle, o centro universitário que nasceu do tradicional colégio dos Irmãos Lassalistas no centro de Canoas, onde cursei primário e secundário, hoje a um passo de se transformar em Universidade também sob o ponto de vista oficial, a I Feira do Livro começará no dia 19, segunda-feira, às 18 horas haverá também a presença de Fabrício numa sessão de autógrafos.
Fabrício Carpinejar, jovem poeta gaúcho que tem a poesia no seu genoma, filho que é de dois grandes poetas, Maria Carpi e Carlos Nejar, acaba de conquistar o primeiro lugar no Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras. Fabrício ganhou o prêmio com seu livro "Biografia de uma árvore", livro do ano,numa competição com os maiores poetas da língua portuguesa. Fabrício já trabalha em novo livro e participará de Mesa Redonda na IV Feira do Livro de Guaíba, no outro fim-de-semana, às 10 horas da manhã do sábado, dia 17 de maio, no recinto da feira guaibense, seguindo-se sessão de autógrafos. Com apenas trinta anos, quatro livros publicados e cinco prêmios conquistados, Fabrício Carpinejar vai longe. Uma carreira estelar! postado por Walter Galvani em 08/05/03
De vez em quando é bom examinar uma faceta positiva do povo brasileiro, quase sempre vilipendiado pela ignorância e o desconhecimento postado por walter em 07/05/03
FILAS E FILAS
Walter Galvani
Eis aí um milagre brasileiro, que muitos brasileiros nem imaginem. Pois, organizar-se em fila, tornou-se um traço da vocação de comportamento democrático do povo deste país. Se você for a um ponto de ônibus na Alemanha, por exemplo, encontrará aquela gente toda, aglomerada e se alguém, estrangeiro naturalmente, pensar em ordenar a formação de uma fila, vai encontrar resistência.
O mesmo sucede em Portugal, na Espanha, na França. São povos rebeldes a este tipo de disciplina. Outras coisas eles sabem fazer ordenadamente. Lembremo-nos, por exemplo, da extrema obediência germânica às ordens emanadas da liderança do Terceiro Reich. Não foram eles, afinal que elegeram Hitler? Não, calma lá, há e sempre houve alemães democratas e que inclusive abominavam o partido nazista.
Mas, falo dos brasileiros. E em qualquer lugar, seja parada de ônibus, almoço de graça ou atendimento por parte do corregedor da Justiça do Trabalho, o que aconteceu nesta última e fria noite em Porto Alegre, lá estará, espontânea e organizada, uma boa fila.
É minha homenagem ao espírito democrático indiscutível do povo brasileiro e por isso faço aqui este registro.
Ah, e lembrando que respeitar os direitos dos outros, quer dizer, também, educação.
postado por em 07/05/03
Está nascendo mais um belo projeto, que merece todo nosso apoio. Câmara Rio-Grandense do Livro e ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) estão unidos para matar a nossa especialíssima "fome" postado por walter em 06/05/03
FOME DE LER
Walter Galvani
Ontem, ao início da tarde, participei do lançamento de um interessante projeto cooperativo entre a Câmara Riograndense do Livro e a ULBRA-Guaíba/Laboratório de Leitura e Escrita do Curso de Letras, no Bistrô do MARGS, no centro de Porto Alegre. Trata-se de um programa inédito entre os cursos universitários que estabelece um contato pessoal entre os escritores gaúchos e os alunos das escolas estaduais e municipais da região de abrangência com o objetivo de aproximá-los de quem produz os textos. E desmitificar com isso a figura do escritor.
Para alcançar este objetivo central o programa leva o escritor até à escola e com isso desencadeia situações significativas, diálogo entre o criador e o aluno, entrevista, visita à cidade, correspondência via mail e outras formas de interlocução entre todos os participantes.
Algo fantástico, mas que depende apenas da colaboração e participação de todos os lados envolvidos.
É mais uma tarefa benemérita da ULBRA, que enriquece a zona sul do estado com a presença do seu campus em Guaíba e demonstrativa da competência e interesse do segundo parceiro: Câmara Rio-Grandense do Livro.
Ainda recentemente bati palmas para a promoção do Dia Internacional do Livro, a 23 de abril, na data de nascimento de William Shakespeare e Miguel de Cervantes que este ano alcançou a expressão que se pretendia, pelo menos em três dezenas de municípios, com mais de cem eventos. Mas, tomem nota, no ano que vem vai ser melhor ainda.
Agora, chegou a vez da Região Centro-Sul, com a área que está sob a abrangência da 12a. Coordenadoria Regional de Ensino: Amaral Ferrador, Arambaré, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Butiá, Camaquã, Cerro Grande do Sul, Charqueadas, Chuvisca, Cristal, Dom Feliciano, Eldorado Sul, General Câmara, Guaíba, Mariana Pimentel, Minas do Leão, São Jerônimo, Sentinela do Sul, Sertão Santana, Tapes e Vale Verde.
Para os meus visitantes do resto do Brasil, explico que se trata da área onde se viveram várias etapas da Revolução Farroupilha. Começando pelo seu planejamento que se deu, como sabem todos os estudiosos do assunto, em Guaíba, onde ainda hoje um cipreste maravilhoso, preservado diante da casa de Gomes Jardim, é a testemunha silenciosa da primeira conspiração e a praia da Alegre o ponto de partida para a tomada de Porto Alegre no dia 20 de setembro de 1835.
Para os visitantes deste “site” de outros pontos do globo, em especial dos oito países de língua oficial portuguesa, a informação de que esta é uma região tardiamente incorporada aos domínios lusitanos aqui na América, pois ficava no imenso vazio dos pampas, só atingido a partir de 1732.
Aliás, ainda sobre Revolução Farroupilha, esta noite a escritora Letícia Wierzchowski recebe no Palácio do Governo do Estado, a Medalha do Mérito Farroupilha. Mais do que merecida, pois seu livro, “A casa das sete mulheres”, fruto de uma boa pesquisa histórica e de uma vigorosa ação ficcionista, tornou-se base para a mini-série do mesmo nome, grande sucesso nas televisões de todo o mundo, uma vez que a Rede Globo negociou a exportação do produto, de excelente qualidade. O livro de Letícia, eis os benefícios aliás de uma adaptação para a TV, tornou-se um dos mais vendidos durante dezessete semanas, sendo que a Rede Globo acaba de lançar um luxuoso álbum com as fotos e o argumento da adaptação televisiva. Aliás, cita uma única vez o nome de Letícia. São os azares das vendas de direitos para filmagem... O autor perde o controle sobre o seu “filho”...
Sobre a Letícia, será, é claro, uma das próximas convidadas para participar do projeto.
Geraldo Huff, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, firmando oficialmente o ato com a diretora geral da ULBRA-Guaíba, Vera Heitor Heinhardt. Com Geraldo, Sônia Zanchetta e Nóia Kern, integrantes do comitê de coordenação executiva da Câmara Rio-grandense do Livro, enquanto a ULBRA estava representada pela diretora geral do campus de Guaíba, a coordenadora do projeto, profa. Ângela Rolla e a responsável pelas relações com a comunidade, Ana Elisa Figueiró Uranga,
No dia 30 já acontecerá o primeiro encontro do ciclo, com a presença do escritor Marcelo Carneiro da Cunha, no auditório da ULBRA, em Guaíba.
Está nascendo mais um belo projeto, que merece todo nosso apoio. Câmara Rio-Grandense do Livro e ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) estão unidos para matar a nossa especialíssima "fome" postado por walter em 06/05/03
A revista "Veja" que circulou sexta-feira cobrou de Chico Buarque uma posição sobre Cuba. Chico respondeu assinando o manifesto contra a intervenção americana, ao lado de Gabriel Garcia Marquez, na própria sexta-feira. Contra a posição de Saramago. Leiam na continuação. postado por Walter Galvani em 05/05/03
Iraque, Coréia do Norte, Síria, Cuba e por aí vai. Vamos ver o que faz a ONU, aliás, se é que já ressurgiu das cinzas... E onde andará Saddam? Enquanto isso vamos pensar um pouco sobre o furacão cubano postado por walter em 04/05/03
BARBUDOS E PAREDÓN...
Walter Galvani *
Ao longo dos tempos, os poderosos tem sido mais ou menos magnânimos, conforme o caso e a época, mas absolutamente profissionais na conquista dos seus objetivos. Assim o fizeram os alemães, no período de ascensão do nazismo, quando praticaram o chamado “anchluss” de todos os povos e países germânicos, assim o fizeram os romanos do século II AC até o século V DC, assim o fizeram os franceses durante o curto império de Napoleão, assim o fizeram os ingleses durante os três séculos que dominaram os mares e o mundo, e assim o tem feito os americanos desde que emergiram da Segunda Guerra Mundial fortalecidos como líderes, hoje considerados “a potência hegemônica”. Quanto tempo isso vai durar, não sabemos. Se pensarmos nos romanos, por exemplo, sete séculos. Outros tiveram o seu período de domínio abreviado, como foi o caso da França que m 1815, com a derrota de Waterloo, que determinou um redesenho da Europa, depois de menos de vinte anos. Dizem que De Gaulle não se dava conta do término do império e das mudanças assentadas no Congresso de Viena...
Em todo o caso, resistência pode e deve ser entendida como uma reação natural dos povos que se achem dominados ou que, de fato, objetivamente, o sejam. É o caso de Cuba, uma desafiadora ilha socialista, ali mesmo na boca da Florida e do sul dos Estados Unidos todo. Os cubanos não querem que seu país seja uma estrela a mais na bandeira americana e lutam pela sua independência que, aliás, foi obtida sobre a Espanha, com a ajuda dos Estados Unidos, no finalzinho do século XIX.
Havia lá um ditador, Fulgencio Batista, que foi derrubado por Fidel Castro e o seu grupo que invadiu a ilha vindo dos Estados Unidos. Os revolucionários no primeiro dia do ano de 1959, conquistaram Havana, enquanto Fulgencio Batista fugia, depois da sua última festa: um baile de Reveillon...
Por terem permanecido muito tempo na Serra, havia uma característica distintiva dos soldados de Fidel: eram todos barbudos, o que popularizou o uso da barba comprida como uma senha de quem luta pela liberdade e o termo, “barbudo”, para caracterizar os simpatizantes e seus aliados.
Ao tomarem o poder, os “barbudos” de Fidel popularizaram outro termo: o “paredón”, ou seja o muro de fuzilamento para os inimigos “do povo e do regime”.
Com o tempo as coisas foram serenando e o ímpeto revolucionário foi cedendo a ponto de se transformar numa alegre convivência centro-americana, aceitando-se com alegria os dólares que os fugitivos do regime enviam, principalmente dos Estados Unidos, e achando uma forma de aceitação do regime comunista atenuado pelo clima e pelas relações típicas de um povo tropical.
De repente, o anúncio de três fuzilamentos e a condenação de 75 dissidentes a 28 anos de prisão, faz a roda da história levar um sacalão rumo a quarenta e quatro anos atrás. Mas, Cuba revela que ficou sabendo que os Estados Unidos pretendem transforma-la no novo Iraque. Portanto, era preciso agir. José Saramago comanda a reação contra o seu antigo amigo Fidel, até por sua importância como Premio Nobel e a resposta vem pronta, de outra lista de intelectuais, liderada esta por Gabriel Garcia Márquez e contando com dois outros prêmios Nobel, a guatemalteca Rigoberta Menchu e o argentino Adolfo Perez Esquivel. É uma guerra de talentos e de propaganda. Olho vivo no furacão que pode passar sobre Cuba.
O Fórum Social Mundial, que se inaugura dia 26, vai lotar Porto Alegre com uma multidão de mais de 100 mil pessoas além da sua população e das gentes do interior.
Está em andamento o movimento teatral extraordinário do "Porto Alegre Verão".
Há espetáculos cinematográficos programados com filmes de excessão, em especial nos cines da rede Guion.
Portanto, há o que fazer na capital gaúcha.
Pequeno problema... Os hoteis estão lotados.
Mas, como sempre há uma solução, o jeito é emigrar para os hoteis da região metropolitana.
Esperamos que os visitantes sejam, como sempre, bem recebidos e que não se produzam episódios de violência na capital dos pampas.
Estamos botando mais um tijolo na construção de um prestígio internacional. Queremos ser "a cidade da paz".
Mas este é um trabalho que precisa começar por casa.
Os governos, do estado e do município, precisam caprichar nesta etapa. É fundamental para o futuro imediato e a médio e longo prazo de Porto Alegre.
NOVO PREFEITO APOIA FORUM SOCIAL MUNDIAL postado por walter em 19/01/05
José Fogaça destina 2 milhões ao FSM e pede sua permanência em Porto Alegre
Walter Galvani
Não poderia ser de outra maneira: o novo prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, pede a permanência do Forum Social Mundial em sua cidade.
Depois da experiência indiana do ano passado, o Forum voltou para Porto Alegre e agora os porto-alegrenses, começando pelo seu prefeito que se elegeu em oposição ao PT, não querem que ele saia mais daqui.
Assim é.
A maioria se convenceu que o novo ex-libris da capital do Rio Grande do Sul, sede do FSM, não pode ser dispensado, emprestado ou anulado e assim, Fogaça lidera um movimento que nasce nesta edição, que começa dia 26, pela sua repetição ou perpetuação.
No entanto, já se fala que há um certo consenso de que o FSM de 2007 terá de ser realizado na África. Assim sendo,Porto Alegre pleiteia pelo menos o de 2006 e depois se verá...
A partir do dia 26 de janeiro espera-se que no mínimo 100 mil pessoas de todas as partes do mundo estejam presentes nesta edição do Fórum.
Delegações de países, entidades, instituições não governamentais, avulsos, poetas, jornalistas, sociólogos, políticos, um público privilegiado, uma verdadeira massa de estudantes, voluntários, enfim, o que há de melhor por aí em matéria de pensamento positivo para a construção de um novo mundo que, como diz o slogan, é possível.
LULA RETOMA 'VOANDO" O PROJETO RONDON postado por walter em 18/01/05
AVIÃO PRESIDENCIAL TEM ESTRÉIA DE GALA
Walter Galvani
Não me incluo entre os que criticam o presidente Lula por haver adquirido um novo avião. E não é por aparecer aqui ao lado lendo o livro "A Feira da Gente" que escrevi para comemorar os 50 anos da Feira do Livro e que lhe levou o presidente Waldir da Silveira, da Câmara Rio-Grandense do Livro.
É mais do que certo, no Brasil, usar avião para chegar a todo o seu imenso interior e todos os pontos de um país continental.
Dizias Washington Luiz em 1929: "Governar é abrir estradas!"
Seria o caso de completar hoje:
"Governar é voar!"
Bem certo andou Lula adquirindo um avião para substituir o anterior que já tinha o apelido de "Sucatão".
Quanto ao Projeto Rondon, aplausos pela medida sem preconceitos de retomar um programa lançado pelo governo da ditadura militar.
Certíssimo era levar médicos, professores, enfermeiros, estudantes de todas as disciplinas, voluntários para atuar junto às populações abandonadas do imenso interior.
É isso, basicamente, o Projeto Rondon e na certa é o que será nesta retomada.
Parabéns pois, ao presidente, pela medida e pelo novo avião, o Air-Bus C-319, aliás, em bom português "ônibus aéreo."
Quem duvida da necessidade de deslocar-se de avião para os locais onde não há llinhas aéreas comerciais ou são elas deficientes, experimente, por exemplo, ir de Florianópolis para Chapecó, no oeste do mesmo estado de Santa Catarina.
Melhor ir de ônibus, mesmo levando 9 ou 10 horas em nossas perigosas estradas.
Governar é voar!
DOM QUIXOTE ESTÁ HÁ 400 ANOS CONOSCO. Ontem, 16 de janeiro, foi a data redonda. Vamos começar a relê-lo? É a maior obra de ficção de todos os tempos postado por walter em 17/01/05
DOM QUIXOTE E NÓS
Walter Galvani *
Mudei seis ou sete vezes de endereço nestes últimos cinqüenta anos e fiz e desfiz outras tantas bibliotecas. No princípio, à cada mudança procurava preservar tudo ou quase tudo, mas aos poucos, ao trocar também de situação civil, fui obrigado a reduzir meus itens indispensáveis. Estava indo para uma casa menor e agia compelido pela diminuição de espaço, mais do que propriamente por opções entre meus amigos livros. E assim fui, mudando até de cidade, até que cheguei ao mais recente e por certo não o último pouso e fui obrigado a fazer nova seleção.Alguns já viajaram para Santa Catarina onde estão hospedados, talvez antecipando a chegada do “zelador”, outros foram doados para instituições públicas. Mas, uma obra, em dois volumes, destaca-se entre as que atravessaram incólumes todas estas vicissitudes: “Dom Quixote de La Mancha”. Minto. Ou sonho como o próprio “ingenioso hidalgo”. Fui colhido por uma tempestade e pressionado pelos fatos deixei-o para trás. Assim que me foi possível, no entanto, busquei-o de volta, adquirindo nova edição ainda mais qualificada que a anterior. Agora sou o feliz proprietário da belíssima edição da Itatiaia, de Belo Horizonte, com tradução de Eugênio Amado e que se imprimiu em 1982.
Desde o começo deste janeiro de 2005, passei a ser também, o feliz proprietário da edição comemorativa ao Quarto Centenário de Dom Quixote, editado pela Real Academia de España, com prefácio escrito por Mário Vargas Llosa que é hoje respeitado crítico e ensaísta literário, com renome até maior do que o de romancista.
Em 2002 fomos sacudidos pela eleição dos “melhores livros” de todos os tempos, estas listas são sempre perigosas, resta sempre a pergunta “porque só dez ou cem” conforme o caso, porque isso, porque aquilo, quem votou, que interesses editoriais, nacionais ou regionais havia em jogo, tudo o que se pode usar para manchar uma escolha dessas, mas lá estava a obra de Miguel de Cervantes, como um monumento irretocável, num absoluto primeiro lugar.
Depois recuperei a homenagem que o cinema lhe fez, através do filme de Peter Yates, interpretando com imagens e sons, as palavras já de si tão expressivas do mestre espanhol e aproveitando inteligentemente as sugestões ilustrativas de Gustave Doré, que logo identifiquei porque estão no “meu” Dom Quixote. Apenas assistida a versão cinematográfica, saí a procurar como um condenado pela casa toda, buscando descobrir onde estava ele que, numa das minhas moradas sempre estava assinalado pela figura em madeira que eu trouxera de Toledo, em que o esquálido “cavaleiro da triste figura” repousava sobre os dois belos volumes com que tradicionalmente se apresenta o trabalho de Cervantes. Encontrei-o, não sem antes ler o ensaio de Martin Seymour-Smith que o inclui entre “Os 100 Livros que mais influenciaram a Humanidade”.
Penso que continuará sendo minha companhia constante, lembrando que foi meu velho pai, marceneiro de profissão com alma de artista, um “Dom Quixote” à sua maneira, que me revelou o personagem, fazendo com eu lesse numa daquelas maravilhosas edições para crianças, no caso a de Monteiro Lobato em que Dona Benta narra a história. Eram os tempos em que se achava que era bom fazer com que os pequenos pensassem, pois na certa construiriam um mundo melhor, sendo inteligentes, não digo cultos, mas pelo menos bem informados e melhor formados. Os tempos mudaram, não quero aqui antecipar dizendo que se necessitam novos Cervantes ou pelo menos novos Quixotes e que se convençam todos, autoridades políticas e educacionais, povo e famílias que o único caminho é a real compreensão do material com que se é feito.
Assim, ao erigir o “Ingenioso hidalgo” como meu mestre exemplar, também fui fazendo longa viagem, enfrentando meus moinhos de vento, a confundí-los com gigantes cruéis, invadindo as representações teatrais como se realidade fossem ou imaginando-me o cavaleiro errante capaz dos feitos mais admiráveis em nome do amor, da justiça, da igualdade e armado de alguma astúcia ou habilidade.
Pobre de mim, pobre de nós. Do alto de seu belo e insuperável “Rocinante”, Quixote continua a nos dar lições diárias de grandeza e senso comum, virtudes indispensáveis para a cortesia de continuar vivendo em paz com os semelhantes. Até o amargo fim, que nos está reservado, quando invariavelmente desce o pano do último ato e nos encontramos com a bruxa inevitável da realidade.
E é por tudo isso e não apenas pelas suas virtudes literárias, pelo acerto e ritmo no desenrolar de uma história ou na paciente e expressiva linguagem e a irresistível construção dos personagens. Também pelo que foi capaz de interpretar da alma humana ou até antecipar o que só a ciência moderna foi capaz de tratar. Se pedissem a um psiquiatra uma descrição da esquizofrenia, “de alguém que acredita em coisas que não existem ou perde a capacidade de distinguir entre real e o imaginário”, ele poderia socorrer-se de Miguel de Cervantes, bem como poderia adotar o caminho da “cura” que os parentes e amigos de Quixote escolheram. Quem sabe poderíamos ficar com o Quixote da imaginação solta e da aventura sem limites, da crença na realidade do irreal, na preferência pela subjetividade ou pelos pés no chão do bom Sancho Pança.
São muitas as leituras decorrentes destes quatrocentos anos, digo 397 pois a primeira edição saiu em 1605. Os espanhóis, por exemplo, ou pelo menos parte deles, identificaram-se em muito ao espírito elevadamente cavalheiresco de Dom Quixote e rejeitaram sua decadência física, espiritual e sua morte serena e acomodada. Já outros se permitem sentirem-se retratados na figura do escudeiro leal e simples, dono de uma filosofia de cocheira, se é que se pode chamar assim, onde se abrigam animais e dá-se feno ao amigo burro. Quando o livro transpôs as fronteiras da Espanha e isso ainda no fim do século XVI, traduzido que foi para dezenas de línguas e sendo Miguel de Cervantes vítima de um dos primeiros casos explícitos de pirataria editorial – seu sucesso cavalgou nesta multiplicidade de visões e enfoques que o livro autoriza.
Não me atrevo a delinear o que poderia significar para cada um de nós, porque isto está no coração e na mente de quem teve a sorte de ter um pai Sancho ou um avô Quixote, mas ainda é tempo para que se sacuda esta onda de ignorância, esta magma que escorre da boca do vulcão da decadência, que permitiu com que o PIB (Produto Interno Bruto) dos conhecimentos se dividisse entre os milhões de tartamudos mentais em que nos transformamos, junto com o empobrecimento econômico causado pela injusta concentração das riquezas, dos poderes e dos saberes.
Quem sabe começaríamos, como Quixote, pela cavalgada sem destino, atravessando o mundo em busca do rompimento do hímen desta compreensão, penetrando sempre mais e mais, passar todos os trabalhos que nos estão destinados e alcançar a purificação e a morte em paz entre as árvores?
“Os contos que até aqui – disse o fidalgo em seu leito de morte – têm sido verdadeiros em meu próprio dano, minha morte, com ajuda do céu, há de torná-los em meu proveito!”
Não os nega. São verdadeiros, assim os classifica. Causaram-lhe dano, ele o sabe. A morte os transfigurará em “seu proveito”.
E assim chegamos ao quarto século de leitura, releitura, enganos, entendimentos e desentendimentos. Já de início, Cervantes fora traído. Um tal de Alonso Fernandez de Avellaneda, ou alguém que se utilizou deste nome, serviu-se do sucesso do primeiro volume e escreveu uma lamentável e vergonhosa continuação. Mas, a pirataria não surtiu efeito. Logo Dom Miguel de Cervantes y Saavedra tratou de recuperar-se, desmentiu a paternidade daquele pastiche do “Quixote”, apostrofou o ladrão dos seus direitos e escreveu a segunda parte, que saiu em 1615, presenteando-nos com a continuação das aventuras e desventuras do “ingenioso hidalgo”, dez anos depois da primeira. E matou- o . Ou melhor, permitiu que morresse para extinguir entre outras coisas a possibilidade de voltar a ser roubado ou de ter uma vez mais seu personagem deturpado. Transformou-o para o bem e para o mal num adjetivo.
Todos os enganos, exageros, mitificações, cabem no retrato que os quatro séculos foram pintando, bem como a multiplicidade de visões que nascem das possibilidades desta simples e no entanto paradoxalmente complexa história.
Sabemos que a matéria utilizada por Cervantes era puro barro humano, pois temos todos, um pouco de Quixote, um pouco de Sancho, queremos ser Dulcinéia ou nos dividimos entre a elegância do Rocinante e a sabedoria terra-a-terra do amigo burro.
Por isto ele está no altar, no topo.
Contra ele não podem, como não puderam ao longo de todos estes anos, as garras da intolerância, a agressão dos prepotentes. E de saída mostrou na fogueira de livros que os medíocres são capazes de tudo para destruir a caverna dos espíritos ou destroçar as criações dos humanos. Ensinou o caminho, para mostrar que nada será novidade na face da terra. Nem os nazistas, nem fascistas de todos os naipes, nem radicais de nenhuma espécie. Ao atentarem contra a biblioteca de Dom Quixote estavam apenas cumprindo sua rude e lamentável tarefa de infelizes ignorantes. Os “bons amigos”, aliás, carregaram alguns volumes para suas casas, jogando o restante no fogo.
Voltamos ao caminho e iremos até o fim sempre com Dom Quixote, com seu fiel escudeiro Sancho Pança, com o imperturbável Rocinante ou com o humilde asno do amigo. E ao final deste vôo me cabe registrar que haverá sempre milhares de interpretações que se sucederão, sem que nenhuma afete a anterior e sem que se deixe de acumular a herança que nos deixou, enquanto memória houver sobre a terra, aquele soldado de um braço só, dono de tão longa lança.
* Recomeço lentamente, neste início de 2005, a reler o “Don Quijote”. Pela enésima vez e cada vez mais encantador.
DOM QUIXOTE E NÓS
Walter Galvani *
Mudei seis ou sete vezes de endereço nestes últimos cinqüenta anos e fiz e desfiz outras tantas bibliotecas. No princípio, à cada mudança procurava preservar tudo ou quase tudo, mas aos poucos, ao trocar também de situação civil, fui obrigado a reduzir meus itens indispensáveis. Estava indo para uma casa menor e agia compelido pela diminuição de espaço, mais do que propriamente por opções entre meus amigos livros. E assim fui, mudando até de cidade, até que cheguei ao mais recente e por certo não o último pouso e fui obrigado a fazer nova seleção.Alguns já viajaram para Santa Catarina onde estão hospedados, talvez antecipando a chegada do “zelador”, outros foram doados para instituições públicas. Mas, uma obra, em dois volumes, destaca-se entre as que atravessaram incólumes todas estas vicissitudes: “Dom Quixote de La Mancha”. Minto. Ou sonho como o próprio “ingenioso hidalgo”. Fui colhido por uma tempestade e pressionado pelos fatos deixei-o para trás. Assim que me foi possível, no entanto, busquei-o de volta, adquirindo nova edição ainda mais qualificada que a anterior. Agora sou o feliz proprietário da belíssima edição da Itatiaia, de Belo Horizonte, com tradução de Eugênio Amado e que se imprimiu em 1982.
Desde o começo deste janeiro de 2005, passei a ser também, o feliz proprietário da edição comemorativa ao Quarto Centenário de Dom Quixote, editado pela Real Academia de España, com prefácio escrito por Mário Vargas Llosa que é hoje respeitado crítico e ensaísta literário, com renome até maior do que o de romancista.
Em 2002 fomos sacudidos pela eleição dos “melhores livros” de todos os tempos, estas listas são sempre perigosas, resta sempre a pergunta “porque só dez ou cem” conforme o caso, porque isso, porque aquilo, quem votou, que interesses editoriais, nacionais ou regionais havia em jogo, tudo o que se pode usar para manchar uma escolha dessas, mas lá estava a obra de Miguel de Cervantes, como um monumento irretocável, num absoluto primeiro lugar.
Depois recuperei a homenagem que o cinema lhe fez, através do filme de Peter Yates, interpretando com imagens e sons, as palavras já de si tão expressivas do mestre espanhol e aproveitando inteligentemente as sugestões ilustrativas de Gustave Doré, que logo identifiquei porque estão no “meu” Dom Quixote. Apenas assistida a versão cinematográfica, saí a procurar como um condenado pela casa toda, buscando descobrir onde estava ele que, numa das minhas moradas sempre estava assinalado pela figura em madeira que eu trouxera de Toledo, em que o esquálido “cavaleiro da triste figura” repousava sobre os dois belos volumes com que tradicionalmente se apresenta o trabalho de Cervantes. Encontrei-o, não sem antes ler o ensaio de Martin Seymour-Smith que o inclui entre “Os 100 Livros que mais influenciaram a Humanidade”.
Penso que continuará sendo minha companhia constante, lembrando que foi meu velho pai, marceneiro de profissão com alma de artista, um “Dom Quixote” à sua maneira, que me revelou o personagem, fazendo com eu lesse numa daquelas maravilhosas edições para crianças, no caso a de Monteiro Lobato em que Dona Benta narra a história. Eram os tempos em que se achava que era bom fazer com que os pequenos pensassem, pois na certa construiriam um mundo melhor, sendo inteligentes, não digo cultos, mas pelo menos bem informados e melhor formados. Os tempos mudaram, não quero aqui antecipar dizendo que se necessitam novos Cervantes ou pelo menos novos Quixotes e que se convençam todos, autoridades políticas e educacionais, povo e famílias que o único caminho é a real compreensão do material com que se é feito.
Assim, ao erigir o “Ingenioso hidalgo” como meu mestre exemplar, também fui fazendo longa viagem, enfrentando meus moinhos de vento, a confundí-los com gigantes cruéis, invadindo as representações teatrais como se realidade fossem ou imaginando-me o cavaleiro errante capaz dos feitos mais admiráveis em nome do amor, da justiça, da igualdade e armado de alguma astúcia ou habilidade.
Pobre de mim, pobre de nós. Do alto de seu belo e insuperável “Rocinante”, Quixote continua a nos dar lições diárias de grandeza e senso comum, virtudes indispensáveis para a cortesia de continuar vivendo em paz com os semelhantes. Até o amargo fim, que nos está reservado, quando invariavelmente desce o pano do último ato e nos encontramos com a bruxa inevitável da realidade.
E é por tudo isso e não apenas pelas suas virtudes literárias, pelo acerto e ritmo no desenrolar de uma história ou na paciente e expressiva linguagem e a irresistível construção dos personagens. Também pelo que foi capaz de interpretar da alma humana ou até antecipar o que só a ciência moderna foi capaz de tratar. Se pedissem a um psiquiatra uma descrição da esquizofrenia, “de alguém que acredita em coisas que não existem ou perde a capacidade de distinguir entre real e o imaginário”, ele poderia socorrer-se de Miguel de Cervantes, bem como poderia adotar o caminho da “cura” que os parentes e amigos de Quixote escolheram. Quem sabe poderíamos ficar com o Quixote da imaginação solta e da aventura sem limites, da crença na realidade do irreal, na preferência pela subjetividade ou pelos pés no chão do bom Sancho Pança.
São muitas as leituras decorrentes destes quatrocentos anos, digo 397 pois a primeira edição saiu em 1605. Os espanhóis, por exemplo, ou pelo menos parte deles, identificaram-se em muito ao espírito elevadamente cavalheiresco de Dom Quixote e rejeitaram sua decadência física, espiritual e sua morte serena e acomodada. Já outros se permitem sentirem-se retratados na figura do escudeiro leal e simples, dono de uma filosofia de cocheira, se é que se pode chamar assim, onde se abrigam animais e dá-se feno ao amigo burro. Quando o livro transpôs as fronteiras da Espanha e isso ainda no fim do século XVI, traduzido que foi para dezenas de línguas e sendo Miguel de Cervantes vítima de um dos primeiros casos explícitos de pirataria editorial – seu sucesso cavalgou nesta multiplicidade de visões e enfoques que o livro autoriza.
Não me atrevo a delinear o que poderia significar para cada um de nós, porque isto está no coração e na mente de quem teve a sorte de ter um pai Sancho ou um avô Quixote, mas ainda é tempo para que se sacuda esta onda de ignorância, esta magma que escorre da boca do vulcão da decadência, que permitiu com que o PIB (Produto Interno Bruto) dos conhecimentos se dividisse entre os milhões de tartamudos mentais em que nos transformamos, junto com o empobrecimento econômico causado pela injusta concentração das riquezas, dos poderes e dos saberes.
Quem sabe começaríamos, como Quixote, pela cavalgada sem destino, atravessando o mundo em busca do rompimento do hímen desta compreensão, penetrando sempre mais e mais, passar todos os trabalhos que nos estão destinados e alcançar a purificação e a morte em paz entre as árvores?
“Os contos que até aqui – disse o fidalgo em seu leito de morte – têm sido verdadeiros em meu próprio dano, minha morte, com ajuda do céu, há de torná-los em meu proveito!”
Não os nega. São verdadeiros, assim os classifica. Causaram-lhe dano, ele o sabe. A morte os transfigurará em “seu proveito”.
E assim chegamos ao quarto século de leitura, releitura, enganos, entendimentos e desentendimentos. Já de início, Cervantes fora traído. Um tal de Alonso Fernandez de Avellaneda, ou alguém que se utilizou deste nome, serviu-se do sucesso do primeiro volume e escreveu uma lamentável e vergonhosa continuação. Mas, a pirataria não surtiu efeito. Logo Dom Miguel de Cervantes y Saavedra tratou de recuperar-se, desmentiu a paternidade daquele pastiche do “Quixote”, apostrofou o ladrão dos seus direitos e escreveu a segunda parte, que saiu em 1615, presenteando-nos com a continuação das aventuras e desventuras do “ingenioso hidalgo”, dez anos depois da primeira. E matou- o . Ou melhor, permitiu que morresse para extinguir entre outras coisas a possibilidade de voltar a ser roubado ou de ter uma vez mais seu personagem deturpado. Transformou-o para o bem e para o mal num adjetivo.
Todos os enganos, exageros, mitificações, cabem no retrato que os quatro séculos foram pintando, bem como a multiplicidade de visões que nascem das possibilidades desta simples e no entanto paradoxalmente complexa história.
Sabemos que a matéria utilizada por Cervantes era puro barro humano, pois temos todos, um pouco de Quixote, um pouco de Sancho, queremos ser Dulcinéia ou nos dividimos entre a elegância do Rocinante e a sabedoria terra-a-terra do amigo burro.
Por isto ele está no altar, no topo.
Contra ele não podem, como não puderam ao longo de todos estes anos, as garras da intolerância, a agressão dos prepotentes. E de saída mostrou na fogueira de livros que os medíocres são capazes de tudo para destruir a caverna dos espíritos ou destroçar as criações dos humanos. Ensinou o caminho, para mostrar que nada será novidade na face da terra. Nem os nazistas, nem fascistas de todos os naipes, nem radicais de nenhuma espécie. Ao atentarem contra a biblioteca de Dom Quixote estavam apenas cumprindo sua rude e lamentável tarefa de infelizes ignorantes. Os “bons amigos”, aliás, carregaram alguns volumes para suas casas, jogando o restante no fogo.
Voltamos ao caminho e iremos até o fim sempre com Dom Quixote, com seu fiel escudeiro Sancho Pança, com o imperturbável Rocinante ou com o humilde asno do amigo. E ao final deste vôo me cabe registrar que haverá sempre milhares de interpretações que se sucederão, sem que nenhuma afete a anterior e sem que se deixe de acumular a herança que nos deixou, enquanto memória houver sobre a terra, aquele soldado de um braço só, dono de tão longa lança.
* Recomeço lentamente, neste início de 2005, a reler o “Don Quijote”. Pela enésima vez e cada vez mais encantador.
PRESENTES DE 46.000 PARA CADA DEPUTADO postado por walter em 17/01/05
PRESENTES DE UM BANCO NA BAHIA
Walter Galvani
A pergunta é: será que eles não ficam constrangidos?
Esta é a notícia desta segunda-feira, em meio aos horrores de costume, assaltos na praia, desastres nas estradas, Sri Lanka descobre mais corpos e as vítimas do Tsumani chegam a 175.000 pessoas, os Estados Unidos escolhem o Iran como o próximo alvo, quer dizer: o mundo continua igual.
Mas, na Bahia, foi noticiado que um banco (porque não se dá o nome do banco? assim fica a suspeita sobre todos...) deu de presente a cada um dos deputados baianos, um automóvel zero quilômetro no valor de 46.000 reais.
O carro "seria" para ser usado no trabalho, em missões oficiais. Nesse caso, porque o banco não fez a doação à Assembléia Legislativa?
Mistérios brasileiros...
A notícia diz que nem a Oposição, que enviou requerimento à presidência da Casa pedindo esclarecimentos sobre a moralidade do presente, deixou de aceitá-lo.
Ora, em primeiro lugar, não é preciso mandar requerimento ao presidente para saber se é moral ou não, aceitar um presente desses. Segundo, o correto seria a devolução do mesmo.
Está escrito na Constitituição o valor limite de um presente ao presidente da república. Deveria ser este o parâmetro.
Não é preciso nem pensar...
Além do mais: presentes de um banco?
Quais terão sido as vantagens em troca, pergunta-se o povão. Só que o povão não tem para quem perguntar... pois os presenteados foram os seus representantes.
Resta esperar o carnaval. Este ano, atrás do Trio Elétrico seguirá uma fila de automóveis...
A CHUVA DESTA NOITE ALIVIOU A TENSÃO; MAS NÃO VAMOS NOS ESQUECER DO SIGNIFICADO DA FALTA DE ÁGUA postado por walter em 16/01/05
Nos próximos anos, cada vez mais ouviremos falar nas dificuldades de abastecimento de água, na escassez dela e ... no preço! Este é o artigo que publiquei hoje no ABC DOMINGO:
ÁGUA! ÁGUA! ÁGUA!
Walter Galvani
Os efeitos da estiagem são temporários. Logo, logo, virá a chuva, saudada com alegria, e enquanto a velha e bendita água nos envolve e molha-nos o rosto, esqueceremos o calor, os problemas, e até os preços das hortaliças que naturalmente subiram, como resultado das dificuldades. Se a torneira nem sequer pingava, se para muitos não havia como tomar um banho refrescante, depois destes trinta e tantos graus, então, respiraremos aliviados. Até à próxima crise.
E assim, de crise em crise, levaremos nossa irresponsabilidade até o dia da desgraça total, quando os canos, como se fossem artérias envelhecidas, secarão de todo e por muitos e muitos dias (ou meses? ou anos?) estaremos chorando nossa sorte.
Não terá sido por falta de aviso. Mas, a questão é bem mais grave e agora que viveremos o clima do Fórum Social Mundial, vamos aproveitar bem a presença de um Prêmio Nobel da Paz, como é o caso do argentino Adolfo Perez Esquivel e, esquecendo por momentos as ridículas competições e rivalidades, ouçamos o que ele tem a dizer a respeito do “Aqüífero Guarani”, a maior reserva de água doce da América Latina e uma das maiores do mundo, que está aí, viva, latente, em nosso subsolo.
Na chamada região da Tríplice Fronteira, a mesma onde se assentaram alguns dos fundamentos da injusta (como todas) guerra do Paraguai, ali onde se reúnem os limites do Brasil e da Argentina com o citado Paraguai, é exatamente onde os Estados Unidos da América pretendem instalar forças militares, com o indisfarçável objetivo de se apossar dos recursos naturais que valerão mais do que o petróleo no século XXI. É o que ele afirma.
Esquivel participará do espaço temático que discutirá Paz e Desmilitarização, falando sobre a “Reconstrução da Paz: a complexa relação entre a verdade, justiça, paz, compaixão e reconciliação”. No centro desta integração e correlação de forças e vontades se alinha a questão da água que estará no centro das relações internacionais nos próximos anos.
O que tem caracterizado a Humanidade, ao longo dos séculos, é uma total falta de memória. Esquecemos, com rapidez, o mal, os problemas, os tufões e furacões, os tsumanis políticos e sociais, naturais e artificiais e com um espírito elevado