Quinta, 09 de Setembro de 2010

Hoje |  2006 - 2007 - 05/2008 |  Currículo |  Livros |  Crônicas & Artigos |  Fotos |  Links 


TOLERÂNCIA - AFEGÃOS EM PORTO ALEGRE

Walter Galvani - 10/10/01

    Não estranhem se os afegãos vierem ao próximo Forum Social de Porto Alegre que acontecerá de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Primeiro será preciso saber se eles sobrevivem como nação independente ao bombardeio anglo-americano (porque será que Tony Blair faz questão de aparecer no primeiro plano ?) e à possível tomada de poder pela Aliança do Norte, em lugar dos talibans, e o que isto significará.

    Mas não será de todo improvável a presença deles na capital do Rio Grande do Sul. Tenho certeza de que o prefeito Tarso Genro já pensa nunca. Mas não se assustem. O sentido maior é um só. Porto Alegre não se opõe a Davos e tampouco Davos se opõe a Porto Alegre. Foi preciso que o pensamento claro e equilibrado do presidente da Confederação Helvética e o envio de uma delegação suíça à Porto Alegre para que houvesse um pouco de tranqüilidade na apreciação dos fatos gerados pela conferência promovida aqui. Ambas se completam e é neste diálogo que acreditamos. É bom analisar isto agora, depois dos fatos do início do ano de 2001.

    Sob o ponto de vista prático o Fórum Social Mundial é uma iniciativa irrepreensível. Botou Porto Alegre no mapa do mundo e está promovendo durante estes dias, uma reflexão que não é habitual na cabeça das pessoas, mais preocupadas habitualmente com ?os laços de família? e os ronaldinhos do que propriamente com o que de fato lhes diz respeito diretamente. Ou seja: preferem a fuga à realidade, a enfrentá-la ou discuti-la. Sai mais barato, no início. A longo prazo, muito mais caro... Mas é o que é. Isto também é subdesenvolvimento. Ou melhor: isto é que gera o subdesenvolvimento.

    Não haveria espaço aqui para relacionar tudo o que é importante e que esteve em debate em Porto Alegre e também em Davos. Se são ângulos diferentes, melhor ainda. Detesto unanimidades de pensamento.

    Só exercitar o cérebro vale a pena, mesmo que seja ao som de tambores e sob o balançar de bandeiras ? o que historicamente tem se mostrado no mínimo perigoso ? mas trocar idéias, não importa quem saia ganhando... é tudo o que se exige no século XXI.

    Estamos caminhando para uma nova Renascença e contra ela se erguerão, como ocorreu nos séculos XV e XVI, todas as forças da ignorância, da reação conservadora e do despotismo político, do fundamentalismo e da intolerância.

    Pensem no tamanho de desafios como ?construir um sistema de bens e serviços para todos?, ?traduzir o desenvolvimento científico em desenvolvimento humano?, ?fortalecer a capacidade de ação das sociedades civis e a construção do espaço público?, e examinar ?quais são os fundamentos da democracia e de um novo poder?, com limites naturalmente.

    Aliás, Davos responde bem: entre os seus ?slogans? está o exame da ?construção de uma sociedade para o século XXI limitada por regras e não por poderes.? Só isto já valeria a pena para contrapor a capital dos pampas com a cidade suíça. Não é uma guerra de potências nem tampouco um jogo de futebol., Apenas uma forma de enfiar no queijo suíço das cabeças humanas, um pouco mais de maça cinzenta, aproveitando aqueles buracos característicos que parecem fendas geológicas.

    Mesmo a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e de representações de ditaduras revolucionárias como a de Fidel Castro em Cuba ajuda a refletir e abrir espaços de compreensão.

    A criação de um entendimento global, o estabelecimento dos espaços nacionais dentro do tabuleiro mundial, a aceitação das questões regionais nos territórios nacionais e dos compartimentos locais nas estruturas regionais não é apenas um jogo de palavras. É um imenso projeto que precisa vencer preconceitos e limitações. Estabelecer regras. Por exemplo: vencer aos nacionalismos e as limitações e estabelecer o controle populacional no mundo todo. O planeta está lotado. Lugar agora, só com reserva antecipada.

    A menos que se aumente a sua capacidade habitacional com a descoberta de novas fontes de energia e recursos limitados. Como a água, por exemplo.

© 2005 - Walter Galvani - Proibida a reprodução sem autorização.