O que se deve discutir quando se faz 5, 50 ou 500 anos ? De um modo geral,
examinar o que se já se fez, como foi, porque, que resultados trouxe e o que está errado
e possa ser corrigido. Perguntar se somos fruto de uma longa e prazerosa noite de amor, ou
de um estupro, resolve ?
Não. Estamos aí e pronto.
Além do mais, as sucessivas ocupações de território ao longo da
história, foram resultado de alegres tratados diplomáticos, ou quem sabe de ocupações,
posses, conquistas, guerras ?
Vamos aos 500 anos que nos interessam. Os portugueses aqui chegaram
dando andamento a um projeto geopolítico de expansão. Esta é a verdade.
Tomaram aos poucos a terra dos seus ocupantes anteriores ? Sim. Por seu
turno, estes ocupantes anteriores haviam-na tomado de outras tribos.
Os negros foram escravizados. Não vieram a convite.
Aos poucos foram se miscigenando e hoje fica difícil descobrir o
percentual de sangue negro ou branco nas veias de um brasileiro.
Vamos revogar isto agora ? Não, o que é preciso é dar igualdade de
oportunidades a índios e negros. Há injustiças sociais, há desigualdade, iníqua
distribuição de renda no Brasil ?
Sim. O que fazer então ? Não é baixar a cabeça e dizer que não há
nada para comemorar. É trabalhar, minha gente. Revogar a História não se pode.
Julgá-la ? De nada serve. É preciso estudá-la, ver o que houve, como foi, porque, como
e com quem começamos.
Quanto aos foguetes e fogos de artifício, coquetéis e jantares, são
apenas conseqüência natural. Nem são importantes, nem decisivos. O que é preciso é
debruçar-se efetivamente sobre a História do Brasil, e estudar estes cinco séculos.
Começando lá, pelo princípio.
Compreendo e até me emociono com a generosa atitude dos que acham que
somos todos, descendentes de europeus, usurpadores. Mas, o que farão estes que defendem
estas radicais posições? Devolverão tudo o que têm e irão em busca de uma nova vida
nos países de origem de seus ancestrais ? Impossível, não é mesmo ?
Então, nós que temos sobrenomes como Silva, Santos, Silveira,
Heismann, Galvani ou Streck, vamos nos resignar e tratar de fazer o nosso trabalho da
melhor maneira possível. Vamos dar continuidade ao gigante que herdamos. Andar para
trás, dar uma ré na História é impossível.