Quinta, 09 de Setembro de 2010

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500 ANOS

O que se deve discutir quando se faz 5, 50 ou 500 anos ? De um modo geral, examinar o que se já se fez, como foi, porque, que resultados trouxe e o que está errado e possa ser corrigido. Perguntar se somos fruto de uma longa e prazerosa noite de amor, ou de um estupro, resolve ?

Não. Estamos aí e pronto.

Além do mais, as sucessivas ocupações de território ao longo da história, foram resultado de alegres tratados diplomáticos, ou quem sabe de ocupações, posses, conquistas, guerras ?

Vamos aos 500 anos que nos interessam. Os portugueses aqui chegaram dando andamento a um projeto geopolítico de expansão. Esta é a verdade.

Tomaram aos poucos a terra dos seus ocupantes anteriores ? Sim. Por seu turno, estes ocupantes anteriores haviam-na tomado de outras tribos.

Os negros foram escravizados. Não vieram a convite.

Aos poucos foram se miscigenando e hoje fica difícil descobrir o percentual de sangue negro ou branco nas veias de um brasileiro.

Vamos revogar isto agora ? Não, o que é preciso é dar igualdade de oportunidades a índios e negros. Há injustiças sociais, há desigualdade, iníqua distribuição de renda no Brasil ?

Sim. O que fazer então ? Não é baixar a cabeça e dizer que não há nada para comemorar. É trabalhar, minha gente. Revogar a História não se pode. Julgá-la ? De nada serve. É preciso estudá-la, ver o que houve, como foi, porque, como e com quem começamos.

Quanto aos foguetes e fogos de artifício, coquetéis e jantares, são apenas conseqüência natural. Nem são importantes, nem decisivos. O que é preciso é debruçar-se efetivamente sobre a História do Brasil, e estudar estes cinco séculos. Começando lá, pelo princípio.

Compreendo e até me emociono com a generosa atitude dos que acham que somos todos, descendentes de europeus, usurpadores. Mas, o que farão estes que defendem estas radicais posições? Devolverão tudo o que têm e irão em busca de uma nova vida nos países de origem de seus ancestrais ? Impossível, não é mesmo ?

Então, nós que temos sobrenomes como Silva, Santos, Silveira, Heismann, Galvani ou Streck, vamos nos resignar e tratar de fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível. Vamos dar continuidade ao gigante que herdamos. Andar para trás, dar uma ré na História é impossível.

 

 

Walter Galvani
03/março/2000

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