Terça, 07 de Setembro de 2010

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Organizado por Patrícia Bins, com edição da AGE, foi apresentado ao público na Feira do Livro de Porto Alegre, a antologia de criação artística e gastronômica, "BRASIL: RECEITAS DE CRIAR E COZINHAR".

Lá estou, ao lado de Fernando Sabino, Jane Tutikian, Sérgio Napp, a própria Patrícia Bins, Maria Carpi, Ivone Rizzo Bins, Glória Corbeta, e tanta gente mais com a minha receita de criação literária, que batizo simplesmente de "Mal rompe a manhã..." e com a minha receita de cozinha, o "arroz de china pobre", aliás "riz à la saucisse"...

RIZ Á LA SAUCISSE

Walter Galvani

     Qualquer embutido soa como uma indiscutível ressonância industrial, mas também pode ser resultado de um honesto artesanato, no fundo uma forma prática de estocar um ingrediente atrativo. Mesmo assim, transformo este prato num exercício anti-industrialização, começando a operação pela metódica destruição do ensacamento. É a desconstrução, que se faz em busca do reencontro com os inesquecíveis aromas e sabores. Com uma faca de cozinha, vou cortando em pedaços a lingüiça e a vou libertando da prisão da pele que a contém. Depois reservo este resultado para somá-lo no instante supremo da operação que será uma espécie de integração romântica de todos os ingredientes e que promoverá a comunhão das delícias.

    Começo cortando rodelas de cebolas e picando-as para reduzi-las à pequenas meias luas.

    Preparo o arroz para o cozimento de acordo com os apetites, quase sempre uma xícara para cada duas pessoas.

    Ponho a água a ferver e aproveito-a também para descascar os tomates que fornecerão a massa, preparada assim manualmente, desprezando uma vez mais a industrializada.

    Um pouco de óleo de girassol no fundo da panela e as cebolas são logo sacrificadas, para darem o primeiro gosto e o cheiro que atiçará a vontade dos convidados.

    Alguns pedaços de lingüiça são igualmente encaminhados para a panela, pois ajudarão a formar o ambiente e a criar as condições para o cozimento do arroz, cuja vez logo chega, com a água quente a estimular a sua explosão.

    Cuidado com o sal. E agora chegou a vez da lingüiça previamente desfeita misturar-se ao arroz e sucessivamente, a pasta de tomate e finalmente a água fria e o imediato controle baixando para fogo lento que aprontará esta obra de arte da culinária campeira.

    Espere os 30 minutos habituais e o prato estará pronto para ser servido. Convém acompanhá-lo com uma boa salada com muito verde e pense numa cerveja gelada para o verão e um vinho tinto esfriado entre os 14 e os 16 graus para as demais estações.

    Não se preocupe com a beleza, por si só o colorido da lingüiça, a massa de tomates e o arroz farão a festa. Ah, o título em francês ? Riz à la saucisse soa bem. Fica melhor do que "arroz de china pobre" ou "arroz de puta" como se conhece no interior do Rio Grande do Sul, embora sem perder o sabor.. Afinal, um bom Arroz com lingüiça é algo que gaúcho nenhum despreza.

INGREDIENTES

2 xícaras de arroz
2 cebolas
4 tomates
2 quilos de lingüiça
Óleo de girassol ou qualquer azeite a seu gosto.

© 2005 - Walter Galvani - Proibida a reprodução sem autorização.