O CHOQUE DA REALIDADE
Walter Galvani
Há cinquenta e cinco ou cinquenta e seis anos, tempo da minha atividade como jornalista, que escrevo sobre o “choque da realidade” que costuma ser o mês de março, quando afinal cessa a chamada “temporada de verão” e todos refluem para a cidade, para os seus afazeres, para o dia-a-dia. Com o passar do tempo modificou-se um pouco esta disposição física e mental das pessoas, entidades, empresas e instituições, mas ainda este ano ouvi uma dezena de vezes que, tal e tal assunto, seria retomado em reunião EM MARÇO. Bem, aqui estamos, praticamente chegados ao novo mês e podemos já, portanto, deixar de lado a temperatura da água do mar e a sujeira ou limpeza de suas areias, para entrar fundo em assuntos sérios.
Isso é o que acontece com cidades não litorâneas, pois, no caso de Rio Grande, por exemplo, o mar está ali, beirando suas ruas ou com a praia à meia dúzia de quilômetros. Sempre há, como é o caso de Pelotas, o convite desta remansosa lagoa (ou laguna?) para um passeio ao Laranjal em qualquer fim de tarde.
Mas, o velho costume de mudar-se com malas e bagagens, filhos e empregados, cães e passarinhos, para o Litoral, se não está arquivado, pelo menos em parte revogado está.
No entanto, o período de instabilidade e indecisão, de suspensão temporária de decisões, parece que continua em nosso “Rio Grande amado”. E eu poderia dizer que é remar contra a maré, tentar mudar esta atitude.
Portanto, aquilo que não foi realizado, pensado, decidido ou programado antes do Natal, fatalmente só será retomado quando março chegar. Assim é, e assim tem sido, acho que desde os tempos em que os guaranis vinham passar os meses de verão junto ao mar, embora não carregassem folhinhas impressas em seus pertences. Traziam filhos e netos, cães e em certo período, cavalos, que dom Cristóvão de Mendoza já andara por aqui semeando o uso de tais animais. E se não faziam cavalgadas pela areia, pelo menos em direção ao mar viajavam. Na época não havia protestos. Quem mandava era o morubixaba da tribo, e pronto. Ah, e também não havia Carnaval para distrair os mascarados que, se quisessem fazê-lo, cobriam-se de penas mesmo fora do período. E parece que ficava tudo para a “volta”. Para o “grande retorno”. Como agora…
(Crônica escrita para o jornal Diário Popular, de Pelotas)
Walter Galvani
Há cinquenta e cinco ou cinquenta e seis anos, tempo da minha atividade como jornalista, que escrevo sobre o “choque da realidade” que costuma ser o mês de março, quando afinal cessa a chamada “temporada de verão” e todos refluem para a cidade, para os seus afazeres, para o dia-a-dia. Com o passar do tempo modificou-se um pouco esta disposição física e mental das pessoas, entidades, empresas e instituições, mas ainda este ano ouvi uma dezena de vezes que, tal e tal assunto, seria retomado em reunião EM MARÇO. Bem, aqui estamos, praticamente chegados ao novo mês e podemos já, portanto, deixar de lado a temperatura da água do mar e a sujeira ou limpeza de suas areias, para entrar fundo em assuntos sérios.
Isso é o que acontece com cidades não litorâneas, pois, no caso de Rio Grande, por exemplo, o mar está ali, beirando suas ruas ou com a praia à meia dúzia de quilômetros. Sempre há, como é o caso de Pelotas, o convite desta remansosa lagoa (ou laguna?) para um passeio ao Laranjal em qualquer fim de tarde.
Mas, o velho costume de mudar-se com malas e bagagens, filhos e empregados, cães e passarinhos, para o Litoral, se não está arquivado, pelo menos em parte revogado está.
No entanto, o período de instabilidade e indecisão, de suspensão temporária de decisões, parece que continua em nosso “Rio Grande amado”. E eu poderia dizer que é remar contra a maré, tentar mudar esta atitude.
Portanto, aquilo que não foi realizado, pensado, decidido ou programado antes do Natal, fatalmente só será retomado quando março chegar. Assim é, e assim tem sido, acho que desde os tempos em que os guaranis vinham passar os meses de verão junto ao mar, embora não carregassem folhinhas impressas em seus pertences. Traziam filhos e netos, cães e em certo período, cavalos, que dom Cristóvão de Mendoza já andara por aqui semeando o uso de tais animais. E se não faziam cavalgadas pela areia, pelo menos em direção ao mar viajavam. Na época não havia protestos. Quem mandava era o morubixaba da tribo, e pronto. Ah, e também não havia Carnaval para distrair os mascarados que, se quisessem fazê-lo, cobriam-se de penas mesmo fora do período. E parece que ficava tudo para a “volta”. Para o “grande retorno”. Como agora…