Arquivo de maio de 2008

OS BANDIDOS TAPAM O ROSTO PARA NÃO APARECEREM NA “MÍDIA”

quarta-feira, 28 de maio de 2008

40

ALI BABÁ E OS 40 RÉUS

Walter Galvani

Havia uma história antiga, que a gente contava para as crianças (Pobres crianças, num tempo em que não se tinha critérios de preocupação com possíveis traumas…) pois, era a história de Ali Babá e os quarenta ladrões.

Hoje contam na “mídia”, é manchete de todos os jornais que há quarenta réus em determinada CPI, não querendo isso dizer, é claro, que sejam quarenta ladrões, mas o paralelismo é inesquecível.

O pior, hoje em dia, que a não ser ladrão vagabundo, que se tapa com a camisa, todos estão expostos a serem fotografados, filmados e até entrevistados, mesmo sem culpa nenhuma e a imagem fica, para mais adiante reaparecer se você fizer uma pesquisa no “Google”. E então, não é aquilo de ouvir dizer e não ter certeza. Ao contrário, é no ato da pesquisa surgirem todas as conotações que, em determinado momento, o aproximaram do crime ou dos criminosos, da propina, do “arrastão”, da investigação, da Polícia Federal ou das operações especiais.

Os que usam toucas ninja, escapam disso. Os cidadãos, culpados ou não, que lançam mão deste subterfúgio que referi, esses acabam saindo pela tangente ou relacionados como suspeitos.

Vivem-se, então, tempos muito difíceis.

Nem se prova nada contra Ali Babá e os seus 40 asseclas, mas estarão todos listados, preparados para uma possível internação em algum hotel cinco estrelas do estado, destes que derramam população pelo “ladrão”, não, pela porta de entrada e saída mesmo, pela servidão, pelo semi-aberto.

O que me espanta é que os colegas de imprensa não possam retirar estas proteções que os bandidos usam, para fotografá-los e filmá-los, a fim de que a população os identifique.

Incrível.

Mas, dentro deste ritmo de incredibilidade, é natural que o cidadão comum acabe se protegendo para não ser reconhecido pelos bandidos. Só assim escapará deste estado de coisas.

MEIO SÉCULO DE IMPREVIDÊNCIA

terça-feira, 27 de maio de 2008

A ponte móvel sobre o Guaíba, uma história inacreditável…

IMPREVIDÊNCIA HISTÓRICA

Walter Galvani

Aí está o resultado de cinqüenta anos de histórica imprevidência, trazendo os maiores transtornos à uma população de trabalhadores e à produção da metade sul do estado. Desprezados ao longo dos anos, uns por postura outros por motivos quem sabe ainda políticos, arraigados nos distantes anos da revolução farroupilha, embora as tentativas eloqüentes de desmentidos através dos procedimentos folclóricos por ocasião de cada 20 de setembro; mas sabem eles e sabemos todos, o crescimento insuportável de Pelotas, Rio Grande, Caçapava, Alegrete, Bagé, São Gabriel, enfim, de toda a zona de campanha e fronteira no século XIX e início do XX, trouxe sempre um estremecimento ao comando político do estado e um desconforto para a capital e região colonial.

Um governador, Júlio de Castilhos, para citar um desta longa série, cultivou de tal maneira o dinheiro que brotava das matas desbravadas e da agricultura regional que até nome de cidades andou mudando.

Lembrando que Farroupilha foi assim batizada, quando era Nova Trento, assim como tantas outras cidades que homenageavam seus colonizadores. Mas, não é disso que queremos falar, mas sim da imprevidência histórica de 50 anos. Construíram a ponte sobre o Guaíba, canal Furado Grande, Saco da Alemoa e rio Jacuí e imediatamente começaram as disputas políticas e as picuinhas para o seu batismo. Travessia Regis Bittencourt, depois Travessia Getúlio Vargas, ou seja, oscilando de um partido político para outro. E assim, no final de 1958, foi inaugurada a travessia sobre que seria a redenção da Zona Sul. Não foi. Nem antes, nem depois, nem durante. O vão móvel tornou-se um pesadelo que acaba de ser agravado.

No dia 30 de abril deste ano de 2008, um barco bateu no tal vão e agora, para ser consertado, tornou-se necessário um trabalho profundo e sério por parte dos mantenedores, estourou na Concepa, em outras palavras, meio século de descaso e incompetência e má fé, talvez.

A passagem se faz agora por conta-gotas e quem paga é a população da zona sul do estado, que precisa agüentar os longos engarrafamentos.

Ontem, era de 8 quilômetros, amanhã será de quinze e assim por diante. Enquanto isso a produção apodrece, os trabalhadores perdem seus horários, os doentes tem seu estado agravado e nada pode ser feito, pois desperdiçaram nestes anos todos a possibilidade de restaurar o serviço de barcas, que poderia ser, numa hora dessas, pelo menos uma alternativa. Outra ponte? Nem pensar. Quando? Daqui a cinco, seis, sete, oito anos? Por 250 milhões? Parece piada. Aliás, tudo parece piada. De mau gosto.

FALANDO EM JORNALISMO

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Afinal, a Internet veio para ficar? E isso, matará o jornal impresso? Claro que não. O que vai acontecer é uma necessária melhora da chamada “mídia” impressa, casada com o jornalismo virtual, para obrigar o leitor a mergulhar, se quiser em páginas na web.

Se não quiser, ficará bem servido, porque os meios de comunicação vão melhorar muitíssimo a sua qualidade, até porque é este o desafio.

Não há mais espaço para longos artigos, mas também não há mais oportunidade para desperdício de espaço. O jornalismo voltará a ser, como em suas origens, político, filosófico e literário. A maioria dos jornais que hoje circulam tem idade média entre os 50 e os 100 anos. Alguns, poucos, vem de mais longe.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, nesta província mais meridional do Brasil, são dois diários e um ou dois semanarários. Os diários são: o Diário Popular, de Pelotas, o mais antigo de todos e o Correio do Povo, de Porto Alegre. A propósito, vejam (e leiam) o que está chegando às livrarias:

(o texto é o press release da editora, ainda não li o livro, mas estou curioso)

O DESTINO DO JORNAL é resultado de uma excelente combinação de rigor jornalístico e metodologia acadêmica na análise de um dos fenômenos mais fascinantes da comunicação social. Lourival Sant’Anna registra a situação dos grandes jornais brasileiros no momento da massificação da internet. O DESTINO DO JORNAL acaba de sair da gráfica da Editora Record e já está nas livrarias.

O DESTINO DO JORNAL
A Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo na sociedade da informação
Lourival Sant’Anna
Editora Record
272 páginas
Preço: R$ 40,00
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-01-08150-6

Em O DESTINO DO JORNAL, Lourival Sant’Anna registra a situação dos grandes jornais brasileiros em um momento histórico para o meio, que sofre uma crise sem precedentes em várias partes do mundo com a massificação da internet. Afinal, o jornal impresso diário vai acabar? Se ele sobreviver, em que condições isso acontecerá?

Mais do que oferecer conclusões definitivas sentenciando desfechos categóricos como a morte do jornal ou sua eternidade, o autor faz uma mediação entre profecias extremas; entre leitores, jornalistas e publicitários; entre pesquisadores, gurus e diretores de redação. Três fatos estruturais são identificados no livro, em torno dos quais ele gravita do início ao fim: o acirramento da concorrência, a mudança nos hábitos de leitura e a inovação tecnológica.

Além de vasculhar as tendências internacionais e a realidade nacional, O DESTINO DO JORNAL revela o pensamento dos leitores brasileiros e dos editores dos três maiores jornais do país sobre tais questões: Rodolfo Fernandes, de O Globo, Otavio Frias Filho, da Folha de S. Paulo, e Sandro Vaia, que foi diretor de redação de O Estado de S. Paulo até outubro de 2006.

“Esse flagrante retratado por Lourival Sant’Anna é tão importante hoje quanto será no futuro, para todos os que se preocupam com a sobrevivência dos jornais e com sua importante atuação para o funcionamento da democracia”, afirma o jornalista e professor Rosental Calmon Alves, que assina a orelha do livro.


VAMOS DEBATER? O PENSAMENTO NÃO DEVE TER FRONTEIRAS

domingo, 25 de maio de 2008

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos

PENSAMENTO SEM FRONTEIRAS

Walter Galvani

www.sxc.huAproveitando a onda de sucesso internacional do cinema brasileiro, chegou a vez do debate sobre ele na série “Fronteiras do Pensamento”, sessão de amanhã à noite no Salão de Atos da UFRGS. Em momento privilegiado, estarão no palco dois brasileiros que sabem o que fazem nesta área: José Padilha, autor do incensado “Tropa de elite” (que não verei nunca) e Beto Brant que falará de “Filme livro, filmo livre”, um pequeno trocadilho que coloca em jogo questões bem mais importantes do que o fascismo explícito de outros filmes que andam por aí. Eis uma boa oportunidade, afinal o título da série é justamente “As fronteiras do pensamento” e é bom haver opiniões discordantes, por isso vou logo colocando a minha: não me interessa o assunto de que trata “tropa de elite”. Prefiro outras tropas e outras elites…

Neste fim-de-semana, por exemplo, festejou-se o “Dia Nacional do Café”, um tema curioso porque são ícones da inacreditável integração nacional de um país continental, o samba, o futebol, a caipirinha e o cafezinho. E ontem foi o dia também em que uma quantidade inacreditável de livros chegou às livrarias, essas que tem café e outras que não. Festas para a leitura e para o paladar. Mas, no meio destes lançamentos há de tudo: desde o livro em que José Roberto dos Santos, um portuguesinho “best-seller”, aborda “O enigma de Deus”, perseguindo a fórmula científica da existência do ser supremo. Eis um livro que vendeu 125.000 exemplares em Portugal, para uma população de 11 milhões. Feita uma equação, a lógica vai levá-lo ao erro: se fosse no Brasil, venderia 2 milhões e tanto do seu livro para nossos 183 milhões! Não é assim. Pena.

Tem mais para ler: o gaúcho Cláudio Lovato Filho, jornalista, nascido em Santa Maria, formado pela PUCRS, que atuou em Santa Catarina e hoje mora no Rio, está lançando “O batedor de faltas”, segundo livro na área das relações entre o futebol e a literatura. O primeiro, em 2002, foi “O batedor de faltas”. Aí estão bons assuntos que podem servir para o Beto Brant abordar e não para o José Padilha, é claro. Mais debates no “Fronteiras do pensamento” na certa provocará o livro coordenado por Nelson Boeira, ex-reitor da Uergs, sobre filosofia, comunicação, ciências sociais, literatura e suas relações com a História em onze ensaios de primeira grandeza e que podem “levar o povo a pensar”.

LIVROS, LIVROS ÀS MÃOS CHEIAS…

sábado, 24 de maio de 2008

Já dizia Castro Alves que o “livro caindo n’alma, é germem que faz a palma, é chuva que faz o mar”. Crônica publicada hoje no jornal A Razão de Santa Maria:

HOJE NAS LIVRARIAS

Walter Galvani

O Batedor de Faltas - Ed. RecordA Editora Record colocou uma penca de lançamentos nas livrarias neste dia 23 de maio: desde “O batedor de faltas”, do gaúcho Cláudio Lovato Filho, jornalista, nascido em 1965 em Santa Maria, formado pela PUCRS em 88 e radicado no Rio de Janeiro, há 15 anos, até o best-seller máximo português José Rodrigues dos Santos, escritor e apresentador de televisão, que em “A fórmula de Deus” faz uma fantástica viagem às origens do tempo e reaparece com mais uma aventura do seu personagem já consagrado, o pesquisador Tomás Noronha, professor de história na Universidade Nova de Lisboa, que identifica uma conspiração para descobrir a prova científica da existência de Deus.

Este desafio rendeu-lhe um livro que já vendeu 125.000 exemplares numa população, a de Portugal, de 11 milhões de pessoas. É só fazer a conta: se fosse no Brasil, com 183 milhões, este feito dele poderia alcançar números de Paulo Coelho, tipo dois milhões de exemplares.

(O Sérgio Faraco, autor de alguns dos melhores contos rio-grandenses, contesta os números que apontam o gaúcho como o super-leitor, tanto que lê 5,8 livros por ano, muito acima da média nacional que é de 1,5. Não sei o que é verdade, às vezes também duvido das pesquisas, sei de uma, de grande instituto de pesquisa de opinião pública que pediu ao Breno Caldas, à época diretor do Correio do Povo de Porto Alegre, que dissesse o que pretendia provar que o instituto o faria. Não sei se fez, sei que o Breno Caldas jamais aceitou a idéia de contratar tais serviços, alegando justamente aquele oferecimento secreto, mas nem tanto.)

Pois bem, além da “Fórmula de Deus”, chega hoje às livrarias o livro de Márcia Tiburi que tem se notabilizado por sua atuação na mídia, “Filosofia em comum”, mas é muito bom que um livro desses seja lido. Nem tudo está perdido, parece.

Ah, e está chegando aí também, um Pablo Neruda especial para as crianças: o “Livro das Perguntas”. Parece que Neruda tem as respostas, o que é mais interessante.

Nosso conterrâneo Cláudio Lovato Filho, o santamariense, lança seu segundo livro sobre os bastidores do futebol transformados em matéria literária. O primeiro, “Na marca do pênalti” foi êxito de vendas. Agora ele vem com “O batedor de faltas”. É para conferir e aguardar depois o lançamento em Santa Maria para pegar o autógrafo dele.

GAÚCHOS FAZENDO GOLS NAS LETRAS

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Crônica publicada neste final de semana no Diário Popular, de Pelotas, o mais antigo jornal diário em circulação no Rio Grande do Sul:

GOL DE LETRA

Walter Galvani

Os gaúchos andam por aí nas artes e nas letras e de vez em quando se converte um gol de letra, para sacudir as redes e mostrar que é possível, sim, fazer sucesso acima do Mampituba. É o caso de Cláudio Lovato Filho, nascido em Santa Maria, que se formou em jornalismo em Porto Alegre e hoje mora no Rio de Janeiro. Ele lançou, em 2002, “Na marca do pênalti”, e os seguidores do futebol sabem bem o que quer dizer a bola naquele pequeno círculo de cal, distante poucos metros, ou melhor, na cara dos goleiros e a responsabilidade do chutador. Dizem, aliás, nos subterrâneos do esporte, que o pênalti é uma coisa tão séria que quem deveria cobrar era o presidente do clube…

Depois daquele seu primeiro gol, Cláudio Lovato Filho seguiu adiante em sua carreira jornalística. Depois de atuar em Santa Catarina, hoje está fazendo gols no Rio de Janeiro e sua capacidade de goleador está sendo testada neste livro que apresenta agora pela editora Record, “O Batedor de Faltas”. Quem leu o primeiro já pode imaginar até onde Lovato pode ir. Aliás, costuma-se dizer que a literatura deve ao futebol um grande livro e o vice-versa. Quem sabe não se está diante do cumprimento deste desafio? Tomara e tomara que o gol seja de um gaúcho e jornalista.

Não são poucos os jornalistas que conhecem bem vestiários e gramados, que tratam a língua com intimidade e poderiam se aprofundar nos dramas e comédias deste esporte nacional. Mas, na maioria dos casos, a pressa e a necessidade de cumprir os compromissos profissionais, os deixa fora desta magnífica cancha com tantos leitores em potencial. E até poderiam ajudar e ampliar o número de leitores, promovendo a literatura no meio da multidão que acorre aos estádios ou que hoje, assiste pela televisão.

Poderiam, quem sabe, devolver a emoção que por vezes falta ao jogo em sim, resultado de certas tramas, arbitragens, leis e coisas piores que andam por aí… haja-se em conta aquele campeonato que o próprio juiz confessou que “deu” para o Coríntians sobre o Internacional de Porto Alegre. E outros que tais.

Pelotas tem uma grande tradição literária e esportiva. A palavra está com os craques da literatura e do esporte.

HOJE É O DIA DO ABRAÇO, MAS ONTEM FOI O DIA DO DESENVOLVIMENTO CULTURAL

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Crônica publicada hoje no Diário de Canoas, minha terra natal

DIA DO DESENVOLVIMENTO CULTURAL

Walter Galvani

O dia de ontem bem que poderia ter sido assinalado por diversas atividades, mas a UNESCO ao instituí-lo, deve ter imaginado que são tantas as datas criadas para isso ou aquilo, que é preciso dar um pouco de tempo às pessoas, para ver se as coisas “pegam”. O Brasil serve de exemplo: aqui há leis que “pegam” e as que “não pegam”, sinaleiras que “pegam” e que “não pegam”. Pois, ontem foi o Dia do Desenvolvimento Cultural.

Em Canoas, não tem sido descurado este aspecto da atividade no município, tanto que a direção do Departamento Cultural está entregue à uma pessoa que conhece o setor, que tem folha de serviços prestada e continua em intensa e entusiasmada atuação: Ivone Frare. Ela tem contribuído com sua experiência e conhecimento ao andamento da cidade que, curiosamente, parece ter nascido sob o signo da atenção para com a Cultura, tantas tem sido as promoções, eventos e atividades que, ao longo dos anos tem acontecido.

Pena que não está mais em nossa cidade a “Casa Arte” que se mudou para a rua Cel Bordini, em Porto Alegre, mas, pelo menos lá na capital, continua a projetar Canoas, pois foi aqui que ela nasceu, os que atuam no setor sabem muito bem disso e os que dela se aproximam, logo ficam sabendo, porque o seu proprietário jamais esconde dois fatos fundamentais em sua vida: a “Casa Arte” nasceu em Canoas; e ele também. Casualmente, Darwin Luiz Longoni, descendente de uma família prestigiosa de nossa terra, filho que é de Jacob Longoni, que foi inclusive vice-prefeito, por seu turno gerador de uma prole numerosa, como nos velhos tempos, também nasceu aqui, ali nos altos da rua Santos Ferreira, um dos núcleos iniciais de povoação local e nesta data de ontem esteve de aniversário.

O “Dia do Desenvolvimento Cultural” deve servir também para homenagear Francisco Trois, que, como presidente da Fundação Cultural Canoense, mestre internacional de xadrez e homem de cultura, integrante de uma família que por isso também se destaca, tem levado adiante intensa e valiosa atividade, por exemplo a comemoração do Dia Internacional do Livro, transcorrido a 23 de abril.

Textos de 29/3/2008 a 18/5/2008

domingo, 18 de maio de 2008

UM ACORDO PARA 240 MILHÕES
Walter Galvani, em 18/05/2008

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, órgão do Grupo Editorial Sinos, que circula em Novo Hamburgo, sua sede, Porto Alegre e toda a região metropolitana

O ACORDO E O DESACORDO
Walter Galvani

A Assembléia Nacional Portuguesa aprovou sexta-feira o Acordo Ortográfico que, em verdade carecia disso para entrar em vigor, embora o Brasil já o houvesse ratificado desde 2007, junto com as repúblicas do Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. São 230 milhões de falantes da língua portuguesa no mundo e o Brasil contribui com 180 milhões, aproximadamente, talvez um pouco mais, porque as coisas são muito rápidas em nosso país e quando este texto estiver sendo lido, já estaremos mais a frente…

O acordo que estava sendo chamado de “desacordo” em Portugal, altera 0,43% do dicionário brasileiro e 1,42 do português europeu e da maioria das suas ex-colônias africanas que de um modo geral seguiram a norma lusa. A extinção do trema, que a maioria já não usava no Brasil é mudança para nós, junto com a queda dos acentos diferenciais e o retorno de três letras ao alfabeto, K, Y e W, que passa para 26 a partir da entrada em vigor, que o MEC estabeleceu para 2010. Desde a aprovação pelos deputados, publicação no diário oficial e sanção do presidente Cavaco Silva que disse de sua posição favorável, contar-se-ão mais seis anos, portanto, 2014 é o portal. Timor Leste que se tornou independente em 2002, deverá também assinar o acordo, mas a guerra lá, com a presença de muitos professores brasileiros aliás, é pela propagação da língua portuguesa, suplantada em muitas regiões pelo tétum, que predomina sobre cinco dialetos ou mais. Há problemas semelhantes também de choques com línguas locais, na Guiné Bissau e, é claro, nos enclaves coloniais que ainda geram o cultivo do português na Ásia, como Goa, Damão, Diu, Macau, ou na chamada “diáspora portuguesa”, os cerca de 2.500.000 de emigrados e seus descendentes, em especial na Europa, nos Estados Unidos e na Venezuela. E problemas a menos em Angola e a mais em Moçambique. É uma língua muito falada e predominante na maioria dos lugares aonde chegou, dada à superioridade tecnológica, militar e econômica dos descobridores e viajantes portugueses. No Brasil mais ainda, pois apenas resistem alguns focos históricos indígenas na Amazônia, cada vez em menor número, esmagados e conquistados pelo falar brasileiro, pelo cafezinho, o futebol, o carnaval e a televisão.


TUDO COMO DANTES OU… UM DIA HÁ DE MUDAR?
Walter Galvani, em 17/05/2008

Crônica publicada neste fim-de-semana no Diário Popular, de Pelotas.
Amanhã trataremos aqui do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

QUARTEL DE ABRANTES

Walter Galvani

À margem direita do rio Tejo, uns 90 quilômetros acima de Lisboa, fica uma pequena cidade portuguesa que resistiu mas caiu em mãos dos invasores franceses do general Junot, vanguarda das tropas napoleônicas, em 1807. Quando a situação se normalizou, para retratar a tranqüilidade que substituiu a presença dos franceses, expulsos pela reação lusitana, cunhou-se a expressão “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”, para significar a calmaria, dir-se-ia até a mesmice que ali voltou a reinar. Desde então, nos países de língua portuguesa, a frase quer dizer que tudo continua igual, bom ou ruim, como antes e como sempre.

Não seria de estranhar pois que se utilizasse tal expressão, para dizer como vão as coisas no Brasil. Sim, porque a CPI do Detran descobriu 44 envolvidos, 1 milhão por mês manipulado, um certo senhor José Aparecido Nunes Pires que deixou vazar no ministério da Dilma, os gastos do senhor Fernando Henrique Cardoso, altos funcionários e familiares e os bandidos tentaram matar esta semana o repórter Edson Ferraz, da TV Diário de Mogi das Cruzes, porque ele denunciou propinas no seio de uma organização espelhada no tal de Bope, e que se chama Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos, como se para isso precisasse um grupo especial e não fosse a função precípua da polícia. Da civil e da militar. E até dos cidadãos comuns. Tem mais: bandidos continuam ocultando o rosto sob capuzes na hora de agir e sob a camisa quando são presos, porque, em verdade eles andam por aí, com a cara mais feliz do mundo, despreocupados, como se fossem gente boa que acabou de fazer as compras da semana no supermercado.

Temos portanto um Brasil violento que mata, esfola e atira pela janela crianças de cinco anos, um Brasil de colarinho branco que assalta os cofres públicos e um Brasil noturno que assalta com uniformes da polícia militar, roubados também, naturalmente sem falar nos ladrões de documentos, de terras e até da esmola da missa dominical.

Procurando nos arquivos jornalísticos, vê-se que há cem anos é a mesma coisa. Pois muito bem, então, feitas as contas, dá para exclamar como em Portugal, há duzentos: “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”…


NÃO PRIMA, ESPREMA!
Walter Galvani, em 15/05/2008

O que andam a fazer com a língua portuguesa e a culpa que não é de Paulo Coelho…
Uma visita a Feira do Livro de Guaíba e um passeio pela Internet

NÃO PRIMA…

Walter Galvani

Guaíba, a cidade onde moro, que fica do outro lado do magnífico lago que tem este mesmo nome, na frente de Porto Alegre, a capital dos gaúchos que é administrada por um professor e compositor, José Fogaça, ex-senador, está realizando a sua 19ª. Feira do Livro, com poucas barracas (porque evidentemente não tem muitas livrarias) mas com muito boas intenções e presença constante das crianças das escolas da cidade. Aos sábados e domingos, já me disse o secretário da Cultura e Turismo do município, Vinícius Polanczyc, espera-se lotação completa de adultos com bolsos e bolsas abertas para comprar alguma coisa e honrar a tradição de uma cidade que está na raiz da Revolução Farroupilha.
Sempre é bom lembrar que aqui morava Gomes Jardim, primeiro presidente da República Rio-Grandense, que aqui esteve inúmeras vezes o general Bento Gonçalves da Silva, aliás comandante em chefe, também presidente e o grande líder do movimento farrapo e daqui partiram os invasores de Porto Alegre a 20 de setembro de 1835.
Ah, o patrono é o Luiz Coronel.
Ontem, tocou-me a vez de falar para os guaibenses sobre a atividade literária e especialmente sobre leitura pró-ativa ou proficiente e escrita criativa ou criadora, que se constituem nos temas das minhas oficinas e palestras neste momento.
Os adolescentes fizeram as mais variadas perguntas, não tantas como eu gostaria, por causa da timidez natural dos jovens, mas algumas foram bem curiosas e interessantes, como uma menina que me pediu minha opinião sobre Paulo Coelho. Respondi com sinceridade que, embora não o considere nenhum Machado de Assis, acho que tem uma excelente contribuição a dar à literatura brasileira e é muito valiosa a sua atuação como um “best-seller” que atrai leitores do mundo todo e propaga o nome do Brasil pelo mundo afora. Vende milhões de exemplares e se dedica a dar asas à sua imaginação, o que já é alguma coisa neste mundo conturbado e difícil.
Ah, e vem aí uma biografia dele pelo Fernando Morais, grande escritor e jornalista, autor de um livro famoso sobre Chateaubriand, que denominou “Chato, o rei do Brasil”.
E então a garota respondeu-me:
“Graças a Deus que o senhor pensa assim, porque uma professora me deu zero numa redação e disse que era por eu ter citado Paulo Coelho, que, para ela não é ninguém na literatura.”
Pois é…
Outra pergunta curiosa foi de alguém que me perguntou o eu achava da linguagem que está sendo usada na Internet e se isso não é uma “diminuição”, uma redução para a língua portuguesa.
Respondi que não, que a língua não é estática e que historicamente as línguas, para não morrerem se renovam e no primeiro momento ninguém pode estabelecer se estão adequadas as mudanças que acontecem. Não se pode engessar uma língua, eu disse. Amanhã ou depois, certos procedimentos e determinados neologismos, estarão incorporados ao português que obedece a norma culta.
Pois não é que fui ligar para uma companhia aérea para saber preços e horários e levei uma pela cabeça para aprender a não me meter a lingüista?
Apareceu, bem nítido no meu monitor, um recado: “Não prima nenhuma tecla que estamos processando a informação.”
Bem, agora é demais… Não é nenhuma inovação, trata-se de ignorância mesmo. O criador do site da tal companhia quis mostrar uma erudição que não tem. Ora, não “prima”. Prima, pelo que eu sei, é a corda de certos instrumentos que acionada produz o som mais agudo…
Ele queria dizer provavelmente para o internauta não premer nenhuma tecla.
Espremer o autor do abuso é o que se deveria fazer, pois aqui não se trata de economizar tempo, ser expressivo, usar uma gíria limitada à idade dos freqüentadores da Internet e que, dessa forma fecham seu mundinho e se fazem entender por quem é da tribo, não é nada disso, não.
É ignorância mesmo.


UM VIOLINO STRADIVARIUS OU UM CONCERTO DE 4 MILHÕES
Walter Galvani, em 13/05/2008

Quatro milhões de dólares naturalmente. Esta terça-feira foi assinalada por este fato extraordinário: Philippe Quint esqueceu num táxi o seu violino Stradivarius do tipo Kiesewetter, que vale 4 milhões de dólares.
Trata-se de um instrumento de 1723 e o taxista, um imigrante egípcio, Mohamed Kahlil, procurou o dono e devolveu-lhe o instrumento. Ganhou 100 dólares de recompensa e uma medalha da prefeitura de Newark, Estados Unidos, onde atua, junto ao aeroporto Newark Liberty International.

Mas, o músico Quint não deixou por isso…
Nesta terça-feira ele faz uma apresentação especial para o taxista egípcio junto ao seu ponto de taxi e lhe entrega convites para o concerto que vai realizar no Carnegie Hall em setembro.
O violinoi foi feito pelo italiano Antonio Stradivarius, o mais famoso “luthier” de todos os tempos e o criador dos mais qualificados violinos e pertenceu a um compositor alemão do século XVIII, Kiesewetter.
Em reais, o valor hoje está em torno de seis milhões e seiscentos mil…
Pode ser que você não saia tocando bem ao ter um Stradivarius nas mãos, no entanto já é um caminho.
Paganini, claro, tinha um Stradivarius.
De vez em quando surgem falsificações do instrumento famoso, mas não é o caso deste, que pertence a Sociedade Stradivari e que organiza o empréstimo do violino que aliás pertence ao casal Clement e Karen Arrison).
Era nessa condição que estava em mãos de Philippe Quint.


O DIA DOS FILHOS
Walter Galvani, em 11/05/2008

Uma comemoração que vem desde os tempos da Grécia clássica, popularizada no mundo moderno pelos Estados Unidos, o Dia das Mães acabou transformado numa data comercial. Mas, as mães do mundo ocidental comemoram o seu dia com muita devoção. Eu diria que é o Dia dos Filhos.Mexam-se.
Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos:

DIA DOS FILHOS

Walter Galvani

Gosto de recordar neste dia que acabou dedicado às mães, apesar dos protestos constantes, pois todos sabemos que “todos os dias são dias das mães”, que este é o dia dos filhos. Muitas senhoras fingem não lhe dar importância porque afinal de contas transformou-se numa promoção comercial, o que é verdade, mas espiam, quando chegam os filhos, se eles trazem algum pacotinho debaixo do braço. Não precisa ser grande coisa, não, muitas vezes há dificuldades financeiras o que com tanta deficiência de empregos é um fato corriqueiro. Minha mãe, por exemplo, que faleceu há quase vinte anos, sempre dizia: “Isso é bobagem, é só para vender, não precisava nada para mim”, mas precisava, sim.

Ela era das que espiavam e, se por acaso a gente fingia que não havia trazido nada, fazia um muxoxo de desprezo e ficava por ali, com um mau humor de cão que só se desfaria ao receber o presentinho até então escondido.

Cenas de uma vida familiar que não retornam mais e que, aqueles que ainda desfrutam da presença de suas mães, tratem de cultivar como uma pérola preciosa representativa do ser que mais amor tinha que lhe dar e só lhe dar amor.

Não vamos falar das mães ou madrastas que ignoram os filhos ou parecem conformados com o seu desaparecimento prematuro, nem daquelas que botam os filhos numa “roda dos expostos” ou, pior, atiram no lixo.

De minha parte, vou só me lembrar hoje que foi ela que me deu os maiores presentes que recebi: a vida, pois me abrigou no seu útero e me desenvolveu até que eu tive condições de desembarcar neste mundo e me alimentou durante os primeiros anos, direto da sua fonte que era a sua própria vida. Depois, me alfabetizou e me colocou em condições de enfrentar as classes escolares já em condições de enfrentar qualquer concorrência, naqueles velhos e difíceis tempos.

Dificuldades financeiras? Nas primeiras que tive, foi ela própria quem me ajudou. Vou parar por aqui, pois se fizer um levantamento decente do que tem sido minha vida, eu a encontrarei sempre na primeira linha. Até hoje, quando ela já partiu, pelo exemplo, pelas palavras, pelas demonstrações de amor. Não esqueçam: levem o presentinho. Não é nada, apenas uma lembrança.


O DIA QUE VIROU MARCO EMOCIONAL…
Walter Galvani, em 10/05/2008

Crônica publicada neste fim-de-semana no jornal A Razão, de Santa Maria:

DIA DAS MÃES E DOS FILHOS

Walter Galvani

Foi, no início uma promoção comercial. Mas, agora se tornou uma obrigação sentimental. Não há como escapar. Neste domingo visite sua mãe e não esqueça de levar um presentinho. Faz parte. Incorporou-se ao nosso dia-a-dia. Não há mãe que não fique feliz, principalmente com a visita do filhinho ou do filhão, tenha ele 5 ou 50.

Então, este domingo não esqueça. Arme-se de um belo sorriso, para a “velha” não desconfiar que o amigo está apertado ou tem problemas e compareça. Poupe-a de dramas. Nada de comentar o assunto da menina paulista jogada pela janela. Nem das mães assassinadas por maridos desvairados.

Procure passar um domingo perfeito, falando sobre os tempos em que ela lhe dava feijão na boca, já que o amigo não tem memória para o tempo das mamadas…

Ah, e nada de trazer à tona questões irresolvidas ou mágoas que ficaram dependuradas. Faça de conta que tudo passou e nada restou para discutir e também, não esqueça, dê o exemplo na frente dos netinhos.

Como se dá e recebe, aqui se planta e então vem o retorno, é importante transformar esta data, sem dúvida comercial, num acontecimento inesquecível.

Se você não tem mamãe vá a um asilo e dê um reconfortador abraço numa daquelas senhoras que, possivelmente, não vá receber a visita de ninguém.

Nesse caso estará o amigo contando pontos para sua caminhada no lado de lá e, ninguém está livre disso.

Vamos aproveitar para comemorar uma porção de coisas, como o fim da crise do dossiê do FH, a promoção do Brasil pela agência americana que classifica os países onde se deve investir, enfim, são presentes que qualquer mãe aprecia.

O friozinho que aí está é sempre agradável, bem melhor do que a ameaça de enchentes, e nossos produtos, valorizados por este clima que nos deram aqui no Rio Grande, baterão recordes este ano, de produção e colocação no mercado. O momento é excepcional. Coisa para mãe, mesmo.

Não vamos deixar que assaltantes, criminosos, ladrões, papagaios ou pais amaldiçoados e madrastas de Cinderela continuem nos tirando o sono. Pelo menos um dia, vamos brincar de melhor dos mundos…


ARTUR DA TÁVOLA PARTIU PARA FICAR
Walter Galvani, em 09/05/2008

Morreu ontem no Rio de Janeiro, um dos maiores cronistas de um país de cronistas, este nosso Brasil: Artur da Távola, que escrevia para o jornal “O Dia”, do Rio e mantinha um blog na Internet, como a maioria dos escribas está fazendo.
Paulo Alberto Monteiro de Barros, o Artur da Távola, faleceu por problemas cardíacos que já vinham desde o ano passado, ontem, aos 72 anos.
Deixou uma última nota na web. Ei-la:

“Embora enfermo desde agosto de 2007, com risco de vida, nas breves oportunidade em que não esteve internado, o titular deste blog nele não mais pôde escrever. Ele ficou aberto sujeito à interferência de internautas que se comprazem em entrar em domínios alheios.

Embora não mais internado em hospital prossigo em tratamento doméstico e assim será por algum tempo. Nessas circunstâncias, peço desculpas a quem o procure. Ele está momentaneamente congelado por seu titular. Espero voltar na plenitude de minhas possibilidades dentro de dois ou três meses. E conto com sua compreensão.”


OS ABSURDOS QUE ACONTECEM NA INTERNET
Walter Galvani, em 08/05/2008

Fora do nosso controle… É bom que os pais saibam o que ocorre no mundo virtual.
O alerta é do inteligente diretor da Delegacia de Assistência da Crianã e do Adolescente do RGS.
Crônica que publico hoje, dia 8, no Diário de Canoas, jornal do Grupo Editorial Sinos, em minha terra natal.
Leiam por favor. Ficarão estarrecidos.

O QUE OS PAIS NÃO SABEM
Walter Galvani

“Interesse-se mais pela vida social dos seus filhos!” – recomenda o dr. Anderson Spier, delegado titular do DECA (Delegacia da Criança e do Adolescente do RGS), portanto com ascendência sobre todo o estado. Felizmente estamos ouvindo de uma autoridade pública um “aviso aos navegantes” que não deve ser negligenciado, em especial por aqueles “navegantes” da Internet, porque é lá que mora o perigo. Freqüentemente se ouve e vê em festas e contatos sociais, dos problemas de filhos e netos adolescentes que nada mais fazem além de “navegar” durante toda a noite e a madrugada e dormir na manhã seguinte, prejudicando seu estado físico e sua freqüência às aulas. É pena. “Tudo está bem, quando termina bem” como diria o sábio Shakespeare no século XVII, mas quem nos garante?

O del. Anderson chama a atenção para a quantidade de ameaças que transita na web, as promessas de encontros chocantes, lutas, brigas, tiros, coices, bofetadas, tóxicos e os atentados à lei e à liberdade, caracterizados principalmente pela calúnia e a difamação. “Pior ainda” – diz ele – “quando jovens utilizam imagens de ex-namoradas para expô-las nuas em seus blogs.”

Tudo isso é crime. Mas, como se sabe, “hecha la ley, hecha la trampa”, é assim que se passam as coisas no Brasil. E no mundo. E em Canoas, não se iludam, que estamos perfeitamente integrados nesta falsa modernidade. Os nossos jovens também marcam encontros, namoram, prometem surras e aprontam na Internet, como todos os adolescentes que hoje se utilizam deste novo meio que lhes foi disponibilizado. Se fosse tudo para o bem, seria ótimo, mas não sabemos, não é mesmo? - ainda mais o que se passa nas madrugadas de um município que, além de tudo é o campeão da violência com 41 mortes nos primeiros quatro meses do ano.

A observação final do Anderson Spier é que me chamou mais a atenção, pela sua propriedade: “Aconselho aos pais que participem mais da vida social dos filhos.” Pena é que ele não está enganado. É difícil, todos sabemos, inclusive ele, que os pais comecem a participar mais “da vida social” dos filhos, pois o problema começaria na rejeição que a adolescência faz dos mais velhos, e além disso parentes. Mas, eis um caminho.


ATENÇÃO, ESTÁ CHEGANDO UM NOVO LIVRO DE VALESCA DE ASSIS
Walter Galvani, em 07/05/2008

Estou me incorporando à divulgação do novo livro da grande escritora Valesca de Assis. Lançamento dia 13 em Porto Alegre

Vão pensar que estamos fugindo !

A história de uma viagem quase impossível

Valesca de Assis

Palavras de Moacyr Scliar: “uma grande contribuição para a nossa literatura e para a nossa cultura”.

Neste ano de 2008 observa-se a edição de muitos livros [e de resto, de filmes, documentários e até comercias de TV] que tratam da vinda da Corte portuguesa para o Brasil. Com maior ou maior fidelidade e resultados estéticos, essas peças e documentos fazem chegar ao leitor um bastante completo quadro político, moral e social da época em que Napoleão e seus exércitos assolavam a Europa e, como num golpe de mágica, extinguiam dinastias e coroavam reis de opereta. O Brasil entra nesse quadro como a nova sede da monarquia de Portugal, resultado direto da vinda do príncipe Regente, sua família e toda a burocracia do Estado.

O livro Vão pensar que estamos fugindo ! – a história de uma viagem quase impossível não pretende ser mais um a tratar desse assunto, nem colaborar para a saturação do mercado, repetindo o que outros já disseram. Sua diferença está em dois níveis: em primeiro lugar, é um livro que se destina ao público jovem [embora as leituras prévias tenham demonstrado que podem ser acompanhadas, e com ganho e prazer, pelos adultos]; em segundo lugar, é um livro que fixa seu olhar exclusivamente sobre a longa viagem marítima de Lisboa à Bahia e depois ao Rio de Janeiro.

Foi, pode-se dizer, uma viagem épica, em que o motivo condutor tem como mote uma frase de Napoleão em Santa Helena, de que D. João foi o único príncipe que o havia enganado. Foi épica pela quantidade de circunstâncias enfrentadas – e vencidas. Foi épica pelas poderosas e dramáticas forças em jogo. Foi épica, enfim, pelo drama pessoal de D. João que nesta viagem, foi capaz de refletir não apenas sobre o destino da Casa de Bragança, mas sobre seu destino pessoal de homem fraco por natureza, mas forte quando os fatos assim o exigiam. E isso tudo ocorre entre as ondas do Atlântico, em meio a pragas de piolhos, enjôos, nobres esfarrapados, má comida, má bebida, ausência de privacidade e tramas familiares.

Escrito em linguagem límpida e cativante, a premiada autora Valesca de Assis vai construindo seu texto como se fosse uma longa história contada ao pé do ouvido, uma história em que o leitor tomará contato com questões ainda nunca declaradas. Pela mão de quem sabe escrever, é desvendado todo um universo de intrigas, contradições, amores e ódios. Um universo que conquista o leitor da primeira à última página e que, nas palavras de Moacyr Scliar, “a notável escritora Valesca de Assis narra ao público jovem, com vivacidade, com humor e conhecimento”. A obra terá lançamento e sessão de autógrafos na próxima terça-feira, dia 13 de maio, às 18h, na Palavraria (Vasco da Gama, 165)

Valesca de Assis é licenciada em Filosofia. Professora, tem atuado em atividades culturais, chegando à função de Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul. Estreou como escritora com A valsa da medusa (1990) Publicou depois A colheita dos dias, O livro das generosidades, Harmonia das esferas (Prêmio Revelação de Autor da Associação Paulista de Críticos de Artes), na seqüência Diciodiário. Participa, ainda, de diversas antologias, entre elas: A cidade de perfil, Nós, os teuto-gaúchos, Crônica & Cidade, Receitas de criar e cozinhar, O livro das mulheres, O João Carlos, Meia encarnada, dura de sangue, Contos de Bolso e Contos de bolsa.

O QUÊ: Lançamento do livro “Vão pensar que estamos fugindo ! – a história de uma viagem quase impossível”, de Valesca de Assis (Editora Bestiário, 2008, 38 páginas, R$ 18,00).

QUANDO: Terça-feira, 13 de maio, às 18h.

ONDE: Palavraria (Vasco da Gama, 165)


DEPOIS DO VENDAVAL…
Walter Galvani, em 04/05/2008

O Rio Grande do Sul conheceu um anti-ciclone com ventos de até cem quilômetros e chuvas intensas, o equivalente a dois meses choveu em dois dias.
Enquanto isso, para celebrar a euforia brasileira, vejam o carnaval que fizeram com nossa melhor de classificação para investimentos.
Esta crônica foi publicada no jornal ABC DOMINGO

NOSSO NARIZ, GOLAÇO E CARNAVAL

Walter Galvani

Euforia, perigosa euforia. Eis o retrato do que aconteceu no meio desses feriados e que muitos que merecidamente se ausentaram das atividades nem tomaram conhecimento dos fatos, ou apenas de maneira superficial. Pois acontece que a agência “Standard and Poors” que classifica os países segundo o grau de periculosidade para investimentos estrangeiros, promoveu o Brasil. “Foi um golaço do Brasil que a Argentina assistiu de longe”, registrou o jornal “El Cronista Comercial”, de Buenos Aires. O britânico “The Independent” diz que a economia brasileira “vive tempo de carnaval”.

Aí temos nosso retrato no exterior, onde naturalmente as duas pinceladas que trazem o Carnaval e o Futebol para o primeiro plano identificam com precisão o que é o país, mesmo na hora de um sério ajuste de contas com a economia internacional que permite esta inusitada classificação.

Lula, como legítimo representante das massas, não teve a sisuda reação de um professor de sociologia. Ao contrário, “mandou ver” e no encontro de governadores em Maceió, disse: “Agora somos donos do nosso nariz”.

Isso cheira mal, é óbvio, porque não é assim que se trata a economia. Mas, também duvido que se pudesse esperar de Lula ou de qualquer outro político brasileiro, o comentário digno com que os jornais ingleses apreciaram a animadora classificação do Brasil “para as semifinais” assinalando que a recuperação começou nos anos 90. Ou seja, ao tempo do professor Fernando Henrique, queira-se ou não.

Num ano de eleições, se alguém tiver boa memória isso significa muitas coisas, mas também é bom não esquecer que Lula (e o seu partido, porque ninguém governa sozinho), com todos os percalços representados pela corrupção que anda por aí, aprendeu a lição. Fez o tema de casa, direitinho, e seria uma demonstração suprema de grandeza se mandasse chamar em casa “o professor” e lhe prestasse também uma homenagem pública. Está bem, que faça isso depois das eleições de outubro para não ser acusado de babaca e de “entregar a rapadura”.

Assim, ninguém fica triste em definitivo e a velha figura do “brasileiro cordial” vai se mostrar mais uma vez.


AH SE EU TIVESSE TEMPO!
Walter Galvani, em 02/05/2008

Ocuparia todas as quartas-feiras deste ano até 10 de dezembro com o curso do Ivo Bender

Curso de Extensão Universitária
Departamento de Arte Dramática - IA - UFRGS
OFICINA DE CRIAÇÃO DRAMATÚRGICA
com IVO BENDER
Todas as quartas-feiras,
das 19h30 às 21h30
De 07 de maio a 10 de dezembro de 2008
(recesso em julho)

Objetivo: Proporcionar o aprendizado prático e teórico da criação de textos para teatro
Público Alvo: comunidade em geral, acima de 18 anos
Seleção: encaminhamento de currículo resumido (máx. 10 linhas)
e carta de intenção, via e-mail, até o dia 04 de maio

Informe-se pelo telefone 8175.0960
ou pelo e-mail: oficinadrama@yahoo.com.br

Local das aulas: Departamento de Arte Dramática
Rua General Vitorino, 255 - Centro - Porto Alegre

IVO BENDER, doutor em letras, é um dos mais importantes dramaturgos do teatro gaúcho. Suas peças estão publicadas em antologias como Teatro Escolhido, Nove Textos Breves Para Teatro, Entrenós (também com textos de Carlos Carvalho) e Trilogia Perversa. Publicou, ainda, as peças O Cabaré de Maria Elefante, O Boi dos Chifres de Ouro, Surpresa de Verão, Mulheres Mix.

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OLHO VIVO QUE A INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS PODE CHEGAR AO BRASIL
Walter Galvani, em 27/04/2008

Crônica, publicada hoje no jornal ABC DOMINGO

INFLAÇÃO, ALIMENTOS, ELEIÇÕES

Walter Galvani

Há uma conjunção de fatores em nível mundial, que se une aos problemas nacionais, a perspectiva do segundo semestre, que já está na mira de todos os que precisam planejar minimamente, e o arroz! Ah, sim, o arroz, que está em setenta por cento das mesas de todos os países e que é, aliás, um dos fundamentos da alimentação global, já em alta na Ásia, logo logo o nosso seguirá o sinuoso caminho internacional. A própria FAO (a organização da ONU para a alimentação e a agricultura) já expediu o aviso de alerta. Olimpicamente nós o ignoramos no Brasil e, ao invés de ampliar as áreas agricultáveis, pensamos em outras soluções, mais capitalistas, mais voltadas para um “futuro” que pode estar ou não ali, ao alcance da mão.

Melhor, comeremos eucaliptos, mastigaremos celulose e todos seremos felizes. Se houver um governo capaz de transformar rapidamente as divisas que chegarão com o plantio destas árvores exóticas, aliás trazidas por um embaixador e ministro da Agricultura, Joaquim Francisco de Assis Brasil, não haverá “pardal” que obstaculize o nosso desenvolvimento.

Enquanto isso preparem seus corações e suas bolsas. E bolsos. A chegada da Inflação ao Brasil, depois de importarmos o fracasso americano no mundo dos negócios e da guerra de negócios sujos, será apenas um passo.

Quanto ao arroz, estocar não adianta, até porque ele tem um alto índice de precariedade. Trata-se de um alimento perecível, e não há como adiar seu cultivo, sua colheita. Chegou a época, chegou. É colher e comercializar. Comer. Ou perder a safra.

Não tenho lido muitas advertências, não tenho ouvido políticos e administradores brasileiros muito preocupados. Tenho mais ouvido falar em eleições, em apuração de crimes, aliás, gastam-se muitos eucaliptos na impressão de versões fantasiosas ou não, preparam-se espetáculos de televisão para esclarecer o que está na cara, fomenta-se a repetição de maldades, os criminosos passam ser “astros”. Não vejo ninguém arrancar a camisa com que estes bandidos, uma vez filmados ou fotografados, tapam o rosto para impedir a sua identificação, quando deveriam ser expostos a luz do dia ou dos refletores e “flashes” para que todos saibam quem são.


ANTIGOS REDATORES DA FOLHA DA TARDE SE REÚNEM
Walter Galvani, em 23/04/2008

No Restaurante Copacabana, em Porto Alegre, neste sábado, 26 de abril, estarão reunidos os antigos redatores e repórteres do jornal “Folha da Tarde” que não circula mais desde 1984. É a “festa de aniversário”. Desta vez, 72 anos, “se vivo fosse”…
Relembrando o encontro que se produz praticamente cada ano, transcrevo a bela crônica que o Vinícius Bossle escreveu em 2003, e então publicou no jornal
ABC Domingo:

REENCONTRO INESQUECÍVEL

Walter Galvani

Vinícius Bossle escreveu um texto primoroso, depois de participar, no ano passado, de um dos encontros anuais (agora bi-anuais) promovidos pelos antigos redatores e repórteres da Folha da Tarde, no restaurante “Copacabana” em Porto Alegre, que perenizou a homenagem ao grande jornal desaparecido há 19 anos, quando da terrível crise financeira que abateu os jornais da Caldas Jr., então dirigida pelo Dr. Breno Caldas, “em pleno vôo”, como costumava dizer um dos seus diretores, também já falecido, Edmundo Soares.
Neste fim-de-semana o “Copacabana” reuniu, outra vez, aquele grupo que se encontra só para matar a saudade e inaugurar na parede do Salão “Folha da Tarde”, uma reprodução da página inteira que o jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos, publicou com o texto do Vinícius e as fotos de Alceu Feijó, uma “dupla histórica”, pois atuam juntos há mais de cinqüenta anos.
Sob o título geral de “Dezoito anos de muita saudade”, são vários textos, assinalando o hábito da reunião dos velhos companheiros, “a dor e a alegria” que marcam estes encontros, tornando-os “momentos inesquecíveis”. E finalmente, sob o título:
“A Folha não morrerá jamais”,
assim escreveu Vinícius Bossle:
“Não se falou na questão, mas ela existe. Não só nos nossos corações, mas no de todos que uma vez foram leitores da Folha da Tarde. Oficialmente ela existe. Mas não circula. Não seria tempo e hora de quem detém o título pensar no seu retorno? Nem seria para a maioria de nós, que já dependurou as chuteiras e está fora do jogo. Mas para as novas gerações de jornalistas e profissionais de outros setores, carentes de uma oportunidade de mostrar sua competência e talento. E também pela cultura e a grandeza do Rio Grande do Sul.
Quem sabe até volte o tempo de glória, e tudo acabe trazendo dividendos para os atuais proprietários do vespertino, que deixou tanta saudade. Benefícios não só materiais como morais. Nos dias correntes já não se faz mais um vespertino que talvez se defrontasse com problemas de distribuição e acesso ao seu público. Mas nem se tentou.
Com seus 100 mil exemplares de circulação às segundas-feiras, carregada de uma massa de publicidade, a Folha da Tarde reinou por quase meio-século. Estava sadia, plena de vida e vigor quando sua circulação foi suspensa. Envolvida pela grande crise da imprensa nacional, não sobreviveu. Mas sobreviveu, no coração do povo gaúcho. Nós, que durante tantos anos fomos os intérpretes dos sentimentos dos leitores da Folha, é que estamos afirmando isto, e é a grande e irrefutável verdade. A Folha está viva e não morrerá, jamais.”
Cada um dos participantes deste almoço que reúne em média de vinte a trinta antigos colegas, recebeu uma cópia impressa da matéria do ABC, que por outro lado foi para a parede do salão, onde os clientes do “Copacabana” podem apreciar agora, toda a história do jornal, várias fotografias de outros encontros, charges publicadas com a presença de companheiros de variadas épocas e outros documentos fantásticos.
O Salão “Folha da Tarde” tornou-se num pequeno, vivo e atuante “museu” do jornalismo riograndense.
Mais uma vez estiveram lá velhos companheiros de trabalho, deixando bem claro a falta que faz um jornal, além de tudo um jornal como a Folha da Tarde, cujo espaço não foi ocupado.
“Tal é o vazio que deixamos” – dizem eles com o conhecimento de causa que a própria cidade neste testemunho vivo lhes transmite.
“Folha da Tarde”, jornal vespertino e em formato tablóide, foi fundado a 27 de abril de 1936 e circulou até o dia 14 de junho de 1984. Nestes últimos dezoito anos, os antigos jornalistas se reúnem para reverenciar sua memória, marcar um reencontro inesquecível e examinar o jornalismo que se faz no dias que correm e lembrar o que se fazia. Chegou em seus melhores momentos à uma tiragem superior a 100 mil exemplares, quando a população de Porto Alegre e sua região metropolitana, onde circulava preferencialmente, era pelo mínimo três vezes menor do que hoje.
Consagrou o formato – hoje todos os jornais do Rio Grande do Sul são tablóides – e o estilo de jornalismo com grandes reportagens alternando com pequenos tópicos e colunas personalizadas


O LIVRO E A LEITURA DOMINARÃO A SEMANA
Walter Galvani, em 20/04/2008

Troquem livros. Dêem livros. 23 de abril é o Dia Mundial do Livro.
A próxima semana terá o Livro como assunto dominante.
Crônica publicada na edição deste domingo, do ABC DOMINGO,órgão do Grupo Editorial Sinos.
Circula a partir de Novo Hamburgo, sede do Grupo Sinos, por toda a Região Metropolitana de Porto Alegre, Encosta da Serra, Vale do rio dos Sinos (Rio Grande do Sul, Brasil)

O DIA DO LIVRO SERÁ MUNDIAL

Walter Galvani

Quarta-feira da semana que entra é Dia de São Jorge e o Dia Mundial do Livro. A nascente da data é romântica e inspiradora: na Catalunha, aproveitando este dia que assinala em 1616 a morte de Cervantes e Shakespeare, e também o falecimento de Garcilaso de La Veja, os homens costumavam presentear suas mulheres com uma rosa. E elas, lhes retribuíam, com um livro.

Este belo e motivador costume foi ampliado pela Unesco que, aos poucos foi fazendo chegar a praticamente todo o mundo, o cultivo deste hábito. E assim, as organizações encarregadas de promover o livro e a leitura foram se encarregando de promover a comemoração, como o faz aqui entre nós de uns anos para cá, a Câmara Rio-Grandense do Livro.

O resultado é que este ano pelo estado inteiro ocorrem festejos para assinalar a presença deste nosso infatigável e insubstituível amigo, o Livro, que afinal “é o abrigo predileto da sabedoria”, segundo Harold Bloom, por exemplo, um dos seus maiores defensores.

Durante toda esta semana, depois de Tiradentes, sem fazer ironia, aqueles que escaparem do massacre do “feriadão”, estarão reunidos diante de um altar que tem como santo, este volume impresso e colado, que sucedeu seu antepassado o papiro e outros menos votados, onde nos está prometido o paraíso, o inferno e outras atrações colaterais.

Não existe progresso individual ou coletivo, sem a presença do Livro. Em verdade, é ele que provocou ao longo do tempo, guerras e revoluções, a paz e a sapiência, a consagração e o progresso, nunca o esquecimento.

Hoje se fala muito em aperfeiçoamento individual, como instrumento da sociedade. Como chegar a operar esta arma? Só através do livro e da leitura. Está bem que a audiência de rádio, a assistência à televisão e o acesso a Internet, ajudam. Mas, sem a leitura dos jornais, aprofundada e eu diria, carnal, bem como o mergulho nas páginas dos livros, não se chegará à nada.

É preciso fugir à superficialidade, alcançar níveis mais profundos de conhecimento e o único atalho conhecido, é a Leitura, com L maiúsculo.

Então, feliz 23 de abril. Troquem flores e livros. Com as bênçãos de William Shakespeare ou Miguel de Cervantes ou Garcilaso de La Veja. Boa leitura.


LEITURA PRÓ-ATIVA ESCRITA CRIATIVA
Walter Galvani, em 19/04/2008

Leia mais sobre a oficina que Walter Galvani vai realizar na Fundação Cultural de Canoas, no site da Fundacan, www.fundacan.com.br e no site do Galvani: www.waltergalvani.com.br
Em comemoração a Semana Internacional do Livro (de 22 a 26) e o Dia Mundial do Livro (23 de abril).
Ah, e dia 26 no Restaurante Copacabana, em Porto Alegre, almoço de lembrança do pessoal da Folha da Tarde, pelo aniversário (72 anos) do antigo e consagrado “vespertino da cidade” (de Porto Alegre, gloria do jornalismo gaúcho)

24/4/2008 - 19h às 22h 1 - MÓDULO A1:
Objetivos da leitura;
Tipos de leitura: rápida, dinâmica, carnal.

MÓDULO A2:
Exemplos levantados no contato com os alunos;
A interação.

25/4/2008 - 19h às 22h 2 - MÓDULO B1:
As conseqüências de cada escolha;
A memorização.

MÓDULO B2:
Resultados e exemplos no contato com os alunos

26/4/2008 - 15h às 18h 3 - MÓDULO C1:
A escrita;
Objetivos de cada aluno.

MÓDULO C2:
A escrita criativa;
A pesquisa bio-bibliográfica;
Resultados e exemplos decorrentes da oficina

Saiba mais sobre a Oficina pelo telefone da Fundação Cultural de Canoas: faça sua inscrição.
Telefone (51) 30.59.69.38
Sobre Walter Galvani e sobre a oficina: www.waltergalvani.com.br e
www.fundacan.com.br
presidida pelo Mestre Internacional de Xadrez, Francisco Terres Trois
Neste domingo, na coluna de Hiltor Mombach, no Correio do Povo de Porto Alegre


TEMPOS DIFÍCEIS (E NÃO SÓ PARA OS ÍNDIOS)
Walter Galvani, em 19/04/2008

Hoje, 19 de abril, é o Dia do Índio no Brasil. Tempos difíceis, mas também para os oriundos de caucasianos europeus como a população branca do país. Ou para os descendentes de pretos da África.
São tempos difíceis.
Crônica a ser publicada neste fim-de-semana do jornal “Diário Popular”, de Pelotas, maior cidade da Região Sul do estado:

TEMPOS DIFÍCEIS
Walter Galvani

Por vezes se torna difícil ser ameno, pitoresco, amável, agradável, quando em volta tudo parece desmoronar. Falo em termos coletivos, é óbvio, pois em termos pessoais é preciso seguir a velha receita de Rudyard Kipling, o grande poeta do período máximo do “império britânico” (sim, antes do “império americano” houve o britânico… e muito antes disso o romano, como o otomano, o macedônio, o persa…). Voltemos à receita do poeta: o famoso poema “If”, o “Se”, que recomenda que, é preciso manter a calma, “mesmo quando todos em redor já a perderam” e enfim, opina ele, “serás um homem, meu filho!”

Vamos reconhecer que a famosa e imperturbável “fleugma britânica”, o histórico procedimento individual de estar acima de todas as perturbações e assim pautar o comportamento, também não resiste aos tempos modernos. Vejam, recordem o que tem acontecido na própria Inglaterra, nem vamos citar o caso “Jean Charles” pois, de deslizes policiais é feita a história desta difícil atividade, muitas vezes estes chamados “deslizes” são resultado de algum erro de avaliação. Fica fácil dizer isso quando não estoura no lombo da gente. Ou, acontece como no caso do brasileiro abatido a tiros em Londres, no metrô, uma simples suspeita, e não restou nenhuma possibilidade ou tempo para uma reação ou reabilitação.

É verdade que os tempos que correm são difíceis, mas se formos analisar a história da Humanidade, veremos que com maior ou menor complexidade, sempre foi assim. Naquele célebre dia 15 de março, célebre porque mudou o chamado “curso da História”, de que lado estaríamos se convivêssemos com Julio César? Ao lado do imperador que, dizia-se, pretendia transformar-se em Ditador? Ao lado dos conspiradores no Senado que pretendiam “livrar Roma” do perigo fascista?

E por aí vai. Com os desastres da sociedade no mundo moderno, somos obrigados a concluir, quem sabe, que as melhores intenções se perderam pelo caminho. E acrescentar com o velho provérbio de que, delas, as boas intenções, o inferno está cheio. Aliás, você acredita em Inferno? Paraíso? O bom mesmo – e o mais difícil – é acreditar sinceramente em alguma coisa. Religiões há para todos os gostos. Só a ética salva a alma humana? Todos sabemos. E será que isso basta? Eis a pergunta do momento. Dias difíceis, vivemos.


FESTEJANDO O LIVRO INFANTIL
Walter Galvani, em 18/04/2008

Que sirva o dia de hoje, como um bom aperitivo para o Dia Mundial do Livro que está chegando aí no dia 23 de abril.

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

A sociedade brasileira só acredita no futuro. Talvez como um resquício daquela célebre frase do escritor austríaco Stefan Zweig, “Brasil, país do futuro” tenhamos ficado com o gérmen desta certeza metafísica e aos poucos tenhamos nos convencido que com estes que andam aí, nada seremos. Portanto, acreditemos nas crianças…
Certo ou errado meu raciocínio, vejo tantas ações culturais dirigidas às crianças que acabo me convencendo mesmo que esta gente que já amadureceu não trará as mudanças que queremos, ou desejamos, ou precisamos.
Enfim, hoje é o Dia do Livro Infantil e esta homenagem a Monteiro Lobato, o genial criador do “Sítio do Picapau Amarelo” merece. Estou falando do livro e não do subproduto televisivo que, afinal de contas também vale, pois preencheu o lazer de tantas crianças durante tanto tempo, sem apelar para a violência gratuita ou paga… dos desenhos americanos e japoneses, por exemplo, que nos chegam todos os dias através da telinha.
É pena. Preferia que as crianças lessem. Espero que continuem lendo, a despeito da pressão dos grandes meios de transmissão.


QUE DIA, HEIN…
Walter Galvani, em 17/04/2008

O 17 de abril coleciona horrores na história da Humanidade. Em meio à uma ou outra amenidade. Um dia difícil. Leia:

1535 - Antônio de Mendoza é nomeado o primeiro rei da Nova Espanha, no México.
1582 - Hernando de Lerma funda a cidade argentina de São Felipe de Lerma, atual Salta.
1797 - Uma frota inglesa, defendida pelo governador General Ramon de Castro, ataca São João de Porto Rico, com intenção de conquistar a ilha.
1897 - A Turquia declara guerra contra a Grécia.
1898 - Guerra de Cuba: o Senado dos Estados Unidos proclama a independência da ilha de Cuba por 67 votos contra 21.
1925 - O general Gerardo Machado é eleito presidente de Cuba pelo Parlamento.
1989 - Os uruguaios legitimam, com 57,22% de votos, a lei que perdoa os militares da ditadura.
1919 - A Assembléia Nacional Francesa aprova a jornada de trabalho de oito horas.
1923 - O XII Congreso do Paritdo Comunista da União Soviética é aberto. Stalin e a direção do partido são muito criticados.
1931 - O Partido Comunista Brasileiro convoca os trabalhadores a fazer a marcha da fome, no Rio de Janeiro. A polícia, chefiada por Batista Luzardo, proibe a manifestação e reprime grupos de operários.
1934 - Leon Tróstki é expulso da França.
1941 - Segunda Guerra Mundial: a Iugoslávia se rende perante os ataques da Alemanha.
1941 - As tropas britânicas entram no Iraque.
1943 - Hitler exige que a Hungria prenda todos os judeus do país.
1943 - Na cidade do México, Jacques Monard é sentenciado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Trotsky, um dos líderes da Revolução Russa de 1917 que se exilou no México.
1956 - Os Estados Unidos apresentam o avião Lockheed F-104 Starfighter, que possui velocidade dobrada e pode transportar armas atômicas.
1958 - A Exposição Universal, inspirada nos acontecimentos científicos, é inaugurada em Bruxelas. Participam da exposição 51 nações e várias organizações internacionais.
1961 - Cerca de 1,4 mil exilados cubanos nos Estados Unidos desembarcam na baía de Cochinos (Cuba), em uma tentativa frustrada de derrotar Fidel Castro.
1965 - Numa das maiores manifestações contra a guerra do Vietnam, 15 mil jovens norte-americanos participam de um protesto em Washington.
- O ex-beatle Paul McCartney lança seu primeiro disco solo depois da separação do grupo.
1975 - As forças comunistas do Exército Vermelho entram em Pnom-Penh, a capital de Camboja.
1983 - Um incidente diplomático retém por 50 dias no Brasil 4 aviões líbios com armas para a Nicarágua.
1986 - Três reféns britânicos, seqüestrados no Líbano, são assassinados, como forma de represália pela utilização de bases aéreas britânicas pelas forças dos Estados Unidos que bombardearam a Líbia.
1987 - Após uma tentativa frustrada de golpe de Estado contra o governo das Filipinas, uma pessoa morreu e três ficaram feridas.
1996 - Em confronto com a polícia, 19 trabalhadores sem-terra foram mortos em Eldorado dos Carajás, no Pará.
1997 - A Marcha dos Sem-Terra chega à Brasília.


DIA DE MUITAS MORTES, MAS TAMBÉM, DIA DE NASCIMENTO DE LEONARDO DA VINCI
Walter Galvani, em 15/04/2008

Que dia importante na história. Mas, afinal de contas, em 1452, há 556 anos, nascia um dos maiores gênios da Humanidade:Leonardo da Vinci!

1452 - Nasce Leonardo da Vinci, artista e engenheiro renascentista italiano.
1829 - O projeto de criação da Scotland Yard é apresentado à Câmara inglesa.
1856 - Uma sangrenta jornada no Panamá contra os mercenários do aventureiro norte-americano William Walker, causa 17 mortes e 28 pessoas feridas.
1865 - Morre Abraham Lincoln, presidente norte-americano.
1871 - Santiago González entra em São Salvador e constitui um governo liberal.
1912 - Nasce Kim Il Sung, presidente norte-coreano.
1901 - Nasce Ruhollah Jomeini, líder religioso e político iraniano.
1916 - Os Estados Unidos intervém militarmente na República Dominicana, com ocipação do território e anulação da soberania do país.
1918 - Um avião realiza o primeiro vôo sobre a Cordilheira dos Andes (desde Zapata, na Argentina, até Curicó, no Chile), tendo como tenente o argentino Candelaire.
1920 - Nasce Richard von Weizsaecker, político alemão.
1927 - Um grande terremoto atinge Santiago do Chile.
1939 - Nasce Jaime Paz Zamora, ex-presidente da Bolívia.
1940 - Segunda Guerra Mundial: Forças aliadas desembarcam em Narvik (norte da Noruega).
1948 - Um atentado com bomba feito pelo Partido comunista Brasileiro mata 34 pessoas e deixa mais de 100 feridas.
1950 - Iniciam os combates guerrilheiros liberais contra a ditadura civil do partido conservador.
1953 - Duas bombas explodem na Praça de Maio de Buenos Aires durante um discurso do presidente Perón: morrem 6 pessoas e centenas ficam feridas.
1959 - O ditador cubano Fidel Castro visita os Estados Unidos pela primeira vez depois da revolução.
1960 - Nasce Philippe Sajonia-Coburgo, príncipe herdeiro da Bélgica.
1961 - Aviões procedentes da Guatemala bombardeiam Cuba.
1968 - O secretário geral do Partido Comunista de Checoslováquia, Alexander Dubcek, e o novo presidente do país, Ludvik Svoboda, publicam um programa de medidas liberais.
1980 - Morre Jean-Paul Sartre, escritor e filósofo francês.
1982 - O Canadá adquire total independência da Grã Bretanha com a aprovação da nova Constituição do país.
1989 - Morrem 95 pessoas no estádio britânico de Sheffield, após a invasão violenta de 2 mil torcedores aos 6 minutos da partido Liverpool x Nottingham, pela semifinal do Campeonato Inglês.
1990 - Morre Greta Garbo, atriz sueca.
1997 - Morrem 343 peregrinos muçulmanos e 2 mil ficam feridos, em um incêndio em um acampamento em Meca, causado por uma bomba de gás de cozinha.
1999 - O candidato único, Abdelaziz Buteflika, ganha as eleições presidenciais da Argélia.


O MAIS ODIOSO DE TODOS OS CRIMES
Walter Galvani, em 13/04/2008

Crianças indefesas são vítimas inocentes de adultos covardes.
E há os pais que não se interessam pelo que pensam ou fazem ou aonde estão os filhos. E há pais (e mães) assassinos.
Crônica de hoje, domingo, dia 13 de abril, publicada no jornal ABC DOMINGO (o órgão dominical do Grupo Editorial Sinos), a seguir:

“ONDE ESTAVA VOCÊ, MAMÃE?”

Walter Galvani

Kate e Gerry, os pais da menina inglesa Madeleine, desaparecida na praia da Luz, no Algarve, Portugal, no ano passado e que pretendem agora se defender publicamente e promover o que fizeram e tem feito pelo resgate de sua filha, estão enfurecidos porque a polícia espanhola tornou público o que a sua correspondente portuguesa lhe transmitiu. E o que a polícia portuguesa tem em mãos é o conteúdo de uma ligação feita para o celular de Kate Mccan, a mãe, por Maggie, a menina. Disse ela: “Por que não veio ontem à noite, quando chorávamos?” – perguntava ela.

Esta pergunta há de martelar na cabeça dos pais e de todos os pais do mundo. Inclusive dos pais de Isabella, a menina jogada pela janela do edifício em São Paulo.

Como escreveria Ricardo Kotscho, autor de “Uma nova vida feliz – sem crachá e sem secretária”, que recomendo a todos os que ainda querem ter um pouco de tranqüilidade e, quem sabe, alguma dose de felicidade nesta vida, cada vez mais difícil – “há uma overdose de coisas ruins, crises permanentes, violências, tragédias, denúncias, escândalos, (…) que se sucedem num moto contínuo”. Ele propõe que se procurem outras pautas e tem razão, que a vida não é feita somente destes acontecimentos que resultam em notícias negativas.

Tem mais: tem toda a razão em dizer que o leitor, o telespectador e o ouvinte de rádio, estão cheios de desgraças e não querem mais saber de novidades deste tipo. O que também é verdade. Mas, infelizmente Maggie e Isabella, tão jovens e inocentes, nos cobram uma atitude desagradável e seguimos escrevendo sobre a desgraceira, na esperança de que a vergonha desça seu manto sobre a Terra.

Difícil, pois é aqui, em Portugal ou na Inglaterra, na Suíça ou na Etiópia, no Iraque ou nos Estados Unidos, que continua a covardia dos adultos a massacrar as pobres crianças que eles mesmos colocaram no mundo.

Um mundo, aliás, de egoísmo e horror. Um pesadelo.

Precisamos tomar uma atitude forte, passar a exigir leis mais rígidas, mais prisões para os assassinos e nada de liberdade. Ah, e uma boa pulseira eletrônica na perna dos que tiverem direito a sair da prisão para trabalhar. Não se pode é permitir que de concessão em concessão, se enfraqueçam as malhas da Justiça. Cadeia para os criminosos. É o que todos queremos.


BATALHÃO CONTRA A VIOLÊNCIA
Walter Galvani, em 11/04/2008

Estamos formando uma frente única contra a violência, a corrupção, as más notícias enfim.
Crônica publicada neste sábado, 12 de abril, nos jornais A Razão, de Santa Maria e Diário Popular, de Pelotas:

VIDA NOVA E FELIZ
O jornalista Ricardo Kotscho, que já foi, entre outras funções, porta-voz de um presidente da república, repórter, chefe de redação, escreveu um livro intitulado “Uma vida nova e feliz – sem secretária e sem crachá” – no qual defende, entre outras coisas esta opção que fez forçado, mas que, segundo ele, valeu a pena. Agora escreve para a Internet, colaborando com alguns sites e trata de escrever outro livro. Ele está defendendo a necessidade da Imprensa optar por outras pautas, esquecendo as “crises permanentes, violências, tragédias, escândalos”. Está difícil, não é Ricardo?

Em parte ele tem razão, pois as pessoas precisam encontrar nos jornais, nos noticiários de rádio e televisão, outras atrações. É lógico que uma notícia de assassinato ou um escândalo político, uma tragédia ou a violência, tudo isso chama a atenção das pessoas que acabam dedicando seu tempo a esmiuçar tais lamentáveis acontecimentos. Mas, é mais lamentável ainda que as pessoas estejam empregando seu tempo neste exercício de malignidade, quando podiam muito bem ouvir uma boa música ou assistir a um bom filme (que não tratasse também de violência…) É sim, a vida está difícil, comprimida entre o ódio e o rochedo, entre a impotência e a onipotência do mal.

Precisas, para uma vida nova e feliz, de leis mais rígidas. Precisamos que as autoridades (eleitas por nós…) mandem fazer uma varredura e tirem das ruas os menores, já que com os maiores não se pode fazer nada, se existirem crianças abandonadas que sejam recolhidas para asilos e instituições que delas tomem conta. Quando nos chocamos com a morte ou assassinato de uma criança da classe média, viramos os olhos para o mesmo crime que se comete diariamente contra outras pobres criaturas, estas da classe D e E.

Então, para dormir em paz, para ter “uma vida nova e feliz”, já temos a receita: basta estar em paz com a consciência e para isso, votar também é fundamental… Ou melhor: votar bem. Punir os que nos enganaram e tentar escolher certo desta vez. Eles são nossos representantes. E para isso os pagamos. E bem.


LEITURA PRó-ATIVA ESCRITA CRIATIVA
Walter Galvani, em 07/04/2008

Na Fundação Cultural de Canoas, de 24 a 26 de abril
Inscrições no local
Ministrarei uma nova oficina, agora de Leitura Pró-Ativa e Escrita Criativa

Programa da Oficina

24/4/2008 - 19h às 22h 1 - MÓDULO A1:
Objetivos da leitura;
Tipos de leitura: rápida, dinâmica, carnal.

MÓDULO A2:
Exemplos levantados no contato com os alunos;
A interação.

25/4/2008 - 19h às 22h 2 - MÓDULO B1:
As conseqüências de cada escolha;
A memorização.

MÓDULO B2:
Resultados e exemplos no contato com os alunos

26/4/2008 - 15h às 18h 3 - MÓDULO C1:
A escrita;
Objetivos de cada aluno.

MÓDULO C2:
A escrita criativa;
A pesquisa bio-bibliográfica;
Resultados e exemplos decorrentes da oficina


LER É MERGULHAR NO TEXTO
Walter Galvani, em 06/04/2008

Leia sobre a oficina de Leitura Pró- Ativa e Escrita Criativa que Walter Galvani vai apresentar ainda neste primeiro semestre.
Começará, como uma homenagem especial, em sua terra natal, Canoas, na Fundação Cultural:

LEITURA PRÓ-ATIVA
ESCRITA CRIATIVA

Esta será a denominação da nova oficina que o jornalista e escritor Walter Galvani estará ministrando este ano: “Leitura Pró-Ativa, Escrita Criativa”. Uma coisa é condicionante da outra. Só há uma possibilidade de começar a escrever de forma criativa e que possa trazer algum tipo de contribuição à literatura e à sociedade: é o resultado de intensas e constantes leituras. Mas, nunca a simples leitura epidérmica, como se olhando e movendo os lábios até, se for o caso, pudesse ser apreendida a essência do que está sendo transmitido. Não. “A leitura bem feita é uma coisa carnal”, afirma George Steiner, crítico literário do jornal “The New York Times” e da revista “The New Yorker”, nascido em Paris, de pais austríacos, e que viveu nos Estados Unidos e Inglaterra, professor de lingüística e de literatura comparada, hoje também professor na Universidade de Genebra.
O ensaísta e jornalista português Antônio Carlos Cortez pergunta, a partir das posições de Steiner: “Como podemos apreender o verdadeiro significado do corpo, da corporeidade da linguagem alicerçada na pele com que nos tocamos, nos rostos que entrecruzamos, senão através da carnalidade que todo o ato humano pressupõe?”
É sobre este tipo de leitura que Galvani quer trabalhar. Nestes tempos de tecnologia é preciso retroceder até convencer-se do ato sagrado da leitura, no âmago do silêncio e da introspecção.
O mesmo ensaísta Cortez coloca: “Não sei de nenhum aluno que, cometendo erros de sintaxe, desconhecendo história e geografia, menosprezando a literatura e os livros, aprenda a redigir um raciocínio coerente e coeso só porque possui, em sua casa ou na sua escola, um computador.”
Só com este tipo de leitura estaremos aptos a partir para a conquista de uma escrita criativa.
Leitura e muita leitura, não para livrar-se dos textos, nem para acabar depressa um volume. É voltando atrás, saboreando cada afirmação ou discordando dela, desafiando o que lê como um tradutor que enfrenta o imenso desafio da tradução. É assim que se lê. E é assim que se começa a escrever.
Sem esta compreensão, torna-se impossível o passo seguinte: a Escrita Criativa.
Ela é o próprio resultado da Leitura Pró-Ativa que precisa ser feita com a maior consciência e aceitação do tempo empregado, sem preocupações com a velocidade, as aparências da interpretação rápida e, muitas vezes, errônea.


O CAVALINHO ESTÁ NA CHUVA
Walter Galvani, em 30/03/2008

Lula, Dilma Roussef, o “espírito” de Fernando Henrique em armas, tudo vai e volta na política brasileiro.
Vamos conversar sobre tudo isso e mais alguma coisa na crônica publicada neste domingo no ABC DOMINGO, veículo do Grupo Editorial Sinos.

CAVALINHO NA CHUVA

Walter Galvani

Estamos em plena campanha eleitoral, ninguém mais tem dúvidas e, todos os dias, há pronunciamentos fantásticos ou bombásticos, próprios e impróprios, espantando mesmo os que esperavam não se espantar com mais nada. Lula legalizou a expressão “tirando o cavalinho da chuva” e obrigando à uma pesquisa que nos leva à origem, digamos “caipira”, da expressão que conduz à uma transferência de significado: começou negativa e migrou para a acepção de hoje. Mas, “tirar o cavalinho da chuva” mantém o conselho (no caso ele dirigiu aos seus adversários políticos) para que desistam, pois, disse Lula, “eu vou eleger o meu sucessor”. O presidente brasileiro foi mais longe e criticou George Bush, dizendo, em sua linguagem tosca mas muito bem compreendida pelo povo brasileiro, “Ô Bush, é o seguinte meu filho: o Brasil está há 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar! Pô, resolve a tua crise!” E ironiza oferecendo “know how” para solucionar com o programa de socorro aos bancos.

A esperteza de Lula não está no que diz nem ao oferecer uma improvável ajuda ao governo americano, mas em “como” diz o que diz: lançando mão de antiga expressão, compreensível “de cara” para todo o povo brasileiro, de ponta à ponta do nosso território, que ao ouvir a frase no rádio e na tevê ou vendo-a na manchete dos jornais populares, apreende imediatamente o significado. Então, Lula está falando “urbi et orbe”, como se um Papa fosse… E tem mais: “falou e disse”, sem complicações, com o olho e o ouvido nas eleições, nas próximas e nas futuras, fazendo com que muita gente corra para aliar-se a ele, pois não duvidam de que ele “fará o seu sucessor”.

Insegurança, violência, emprego, dengue, tudo isso se resolve pelo caminho, no recado que ele deu, desde que não atrapalhem o desdobramento do seu governo, através de um sucessor que, por enquanto pelo menos, pode ser Dilma Roussef, desde que esta não “suba no salto alto”, mantenha-se a “moda das mulheres no poder” e não haja nenhum grande fato novo, como uma derrocada americana exportada para cá, como Lula não quer…Nem nós, é claro.


TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Walter Galvani, em 29/03/2008

Crônica publicada no jornal Diário Popular de Pelotas, maior cidade da Metade Sul do Rio Grande do Sul, sobre a política, o jogo das palavras e o senso comum:

TIRA O CAVALINHO DA CHUVA

Walter Galvani

O trânsito das palavras é empolgante, nunca é organizado como o dos veículos nas estradas, onde um acidente é sempre resultado de um desrespeito às leis, seja (quase sempre) por excesso de velocidade ou ultrapassagem onde é proibido e (raramente) por falha mecânica. Os conceitos emitidos pelas palavras e expressões idiomáticas refletem filosofia, ideologia e praxis da vida, são móveis, sujeitos às mudanças que se processam. Quando um dirigente de um país, como é o caso de Lula que preside a maior nação de falantes da língua portuguesa (183 milhões), se utiliza de expressão popular ou dá um sentido a um vocábulo, é preciso prestar muita atenção pois, acaba de ser colocado na oralidade e na escrita uma forma de ver a vida. Assim quando ele diz, dirigindo-se aos seus adversários políticos, que fará o seu sucessor e que, portanto “podem ir tirando o cavalinho da chuva”, ressuscita uma forma singela de dizer que eles podem abandonar seus intentos, pois será inútil tentar enfrentá-lo. A origem caipira de falar: quando o moço chegava para uma visita rápida, deixava o cavalo amarrado diante do portão. E então, alguém, desejando que sua presença se prolongasse, mandava que ele fosse amarrar o animal debaixo de uma árvore, protegido ou dentro de um galpão: “Pode ir tirando o seu cavalinho da chuva”.

A expressão evoluiu para este sentido negativo, imperativo de uma determinação do “dono da casa”, como Lula, que manda o recado aos seus opositores: “Podem ir tirando o cavalinho da chuva, porque farei o meu sucessor”.

Também serve este episódio para mostrar o quanto Lula está sintonizado com o povo. Será entendido de ponta à ponta do território. Só de escutar a expressão na televisão ou no rádio, ou vislumbrar de longe a manchete dos jornais populares, já o “eleitor” entenderá o recado.

Não se pode dizer o mesmo do que disseram de Dilma Roussef: para elogiá-la os políticos a classificaram como uma “mulher arretada, guerreira e comandante.” Comandante e guerreira tudo bem, mas no Rio Grande do Sul, mulher arretada é a que é capaz de facilmente excitar-se sexualmente. E em outros pontos do país, arretado é o que foi vendido e pode ser comprado de volta. Só na Bahia e no Nordeste é que arretado quer dizer bonito, gracioso. Bola fora, contra as regras de trânsito das palavras.


EM BUSCA DAS PEQUENAS E VALIOSAS NOTÍCIAS
Walter Galvani, em 27/03/2008

Crônica publicada hoje no Diário de Canoas, minha terra natal, município a 14 quilômetros do centro de Porto Alegre (capital que, aliás, ontem comemorou seus 236 anos)

O PRAZER DE LER (JORNAL)

Walter Galvani

Assino dois jornais e leio mais uns dois, em média, diariamente. Freqüento as páginas “on line” de várias instituições confiáveis, como a BBC de Londres, “El País” de Madri ou a “Folha de São Paulo”, o primeiro jornal brasileiro a desenvolver noticiário na Internet. Hoje, praticamente todos os grandes veículos, e os leitores do “Diário de Canoas” sabem muito bem, desenvolvem páginas na Internet. Hoje no “Virtual Paper”, assim como no futuro, com outros suportes ou técnicas. Já nos acenam com o celular “3G”, que significa “terceira geração” deste útil penduricalho que carregamos na cintura. E que já virou vício. Tudo isso é para dizer que ainda tenho o maior prazer em ler jornal.

Cumpro diariamente esta devoção com grande alegria e procuro, entre as páginas a notícia positiva como quem busca uma agulha num palheiro (leiam bem esta metáfora e imaginem a dificuldade que ela retrata) ou o ouro puro no fundo de um regato. Às vezes eu a encontro numa crônica ou num editorial, num comentário bem humorado a respeito da dureza da vida ou na interpretação de fatos por vezes difíceis de compreender que escorregam pelas páginas materiais ou virtuais dos grandes jornais.

Mas, o prazer de ler jornal persiste. Ainda esta semana, ao me levantar mais cedo do que todo o resto da família para buscar o jornal na caixa do correio, me dei conta disso, como me dou conta agora, quando estou escrevendo para o “Diário de Canoas” que concretizou um ideal (um jornal diário em minha terra natal) pelo qual lutei desde 1954.

E é tão simples encontrar este prazer! Uma noticiazinha de dez linhas faz a minha alegria, Mas quero cumprimentar o Diário, que foi o único a contar, (ah, com foto!, valeu DC!), que o Francisco Trois, mestre internacional de xadrez e presidente da Fundação Cultural Canoense, está na Bolívia defendendo o país numa grande competição. Como diria Fernando Pessoa, que cito para não perder o costume, “vale a pena, quando a alma não é pequena”. Tudo.