GAÚCHOS FAZENDO GOLS NAS LETRAS

Crônica publicada neste final de semana no Diário Popular, de Pelotas, o mais antigo jornal diário em circulação no Rio Grande do Sul:

GOL DE LETRA

Walter Galvani

Os gaúchos andam por aí nas artes e nas letras e de vez em quando se converte um gol de letra, para sacudir as redes e mostrar que é possível, sim, fazer sucesso acima do Mampituba. É o caso de Cláudio Lovato Filho, nascido em Santa Maria, que se formou em jornalismo em Porto Alegre e hoje mora no Rio de Janeiro. Ele lançou, em 2002, “Na marca do pênalti”, e os seguidores do futebol sabem bem o que quer dizer a bola naquele pequeno círculo de cal, distante poucos metros, ou melhor, na cara dos goleiros e a responsabilidade do chutador. Dizem, aliás, nos subterrâneos do esporte, que o pênalti é uma coisa tão séria que quem deveria cobrar era o presidente do clube…

Depois daquele seu primeiro gol, Cláudio Lovato Filho seguiu adiante em sua carreira jornalística. Depois de atuar em Santa Catarina, hoje está fazendo gols no Rio de Janeiro e sua capacidade de goleador está sendo testada neste livro que apresenta agora pela editora Record, “O Batedor de Faltas”. Quem leu o primeiro já pode imaginar até onde Lovato pode ir. Aliás, costuma-se dizer que a literatura deve ao futebol um grande livro e o vice-versa. Quem sabe não se está diante do cumprimento deste desafio? Tomara e tomara que o gol seja de um gaúcho e jornalista.

Não são poucos os jornalistas que conhecem bem vestiários e gramados, que tratam a língua com intimidade e poderiam se aprofundar nos dramas e comédias deste esporte nacional. Mas, na maioria dos casos, a pressa e a necessidade de cumprir os compromissos profissionais, os deixa fora desta magnífica cancha com tantos leitores em potencial. E até poderiam ajudar e ampliar o número de leitores, promovendo a literatura no meio da multidão que acorre aos estádios ou que hoje, assiste pela televisão.

Poderiam, quem sabe, devolver a emoção que por vezes falta ao jogo em sim, resultado de certas tramas, arbitragens, leis e coisas piores que andam por aí… haja-se em conta aquele campeonato que o próprio juiz confessou que “deu” para o Coríntians sobre o Internacional de Porto Alegre. E outros que tais.

Pelotas tem uma grande tradição literária e esportiva. A palavra está com os craques da literatura e do esporte.

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