VAMOS DEBATER? O PENSAMENTO NÃO DEVE TER FRONTEIRAS

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos

PENSAMENTO SEM FRONTEIRAS

Walter Galvani

www.sxc.huAproveitando a onda de sucesso internacional do cinema brasileiro, chegou a vez do debate sobre ele na série “Fronteiras do Pensamento”, sessão de amanhã à noite no Salão de Atos da UFRGS. Em momento privilegiado, estarão no palco dois brasileiros que sabem o que fazem nesta área: José Padilha, autor do incensado “Tropa de elite” (que não verei nunca) e Beto Brant que falará de “Filme livro, filmo livre”, um pequeno trocadilho que coloca em jogo questões bem mais importantes do que o fascismo explícito de outros filmes que andam por aí. Eis uma boa oportunidade, afinal o título da série é justamente “As fronteiras do pensamento” e é bom haver opiniões discordantes, por isso vou logo colocando a minha: não me interessa o assunto de que trata “tropa de elite”. Prefiro outras tropas e outras elites…

Neste fim-de-semana, por exemplo, festejou-se o “Dia Nacional do Café”, um tema curioso porque são ícones da inacreditável integração nacional de um país continental, o samba, o futebol, a caipirinha e o cafezinho. E ontem foi o dia também em que uma quantidade inacreditável de livros chegou às livrarias, essas que tem café e outras que não. Festas para a leitura e para o paladar. Mas, no meio destes lançamentos há de tudo: desde o livro em que José Roberto dos Santos, um portuguesinho “best-seller”, aborda “O enigma de Deus”, perseguindo a fórmula científica da existência do ser supremo. Eis um livro que vendeu 125.000 exemplares em Portugal, para uma população de 11 milhões. Feita uma equação, a lógica vai levá-lo ao erro: se fosse no Brasil, venderia 2 milhões e tanto do seu livro para nossos 183 milhões! Não é assim. Pena.

Tem mais para ler: o gaúcho Cláudio Lovato Filho, jornalista, nascido em Santa Maria, formado pela PUCRS, que atuou em Santa Catarina e hoje mora no Rio, está lançando “O batedor de faltas”, segundo livro na área das relações entre o futebol e a literatura. O primeiro, em 2002, foi “O batedor de faltas”. Aí estão bons assuntos que podem servir para o Beto Brant abordar e não para o José Padilha, é claro. Mais debates no “Fronteiras do pensamento” na certa provocará o livro coordenado por Nelson Boeira, ex-reitor da Uergs, sobre filosofia, comunicação, ciências sociais, literatura e suas relações com a História em onze ensaios de primeira grandeza e que podem “levar o povo a pensar”.

Um comentário para “VAMOS DEBATER? O PENSAMENTO NÃO DEVE TER FRONTEIRAS”

  1. Ricardo disse:

    Gostei dos textos.
    Parabéns!

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