MEIO SÉCULO DE IMPREVIDÊNCIA

A ponte móvel sobre o Guaíba, uma história inacreditável…

IMPREVIDÊNCIA HISTÓRICA

Walter Galvani

Aí está o resultado de cinqüenta anos de histórica imprevidência, trazendo os maiores transtornos à uma população de trabalhadores e à produção da metade sul do estado. Desprezados ao longo dos anos, uns por postura outros por motivos quem sabe ainda políticos, arraigados nos distantes anos da revolução farroupilha, embora as tentativas eloqüentes de desmentidos através dos procedimentos folclóricos por ocasião de cada 20 de setembro; mas sabem eles e sabemos todos, o crescimento insuportável de Pelotas, Rio Grande, Caçapava, Alegrete, Bagé, São Gabriel, enfim, de toda a zona de campanha e fronteira no século XIX e início do XX, trouxe sempre um estremecimento ao comando político do estado e um desconforto para a capital e região colonial.

Um governador, Júlio de Castilhos, para citar um desta longa série, cultivou de tal maneira o dinheiro que brotava das matas desbravadas e da agricultura regional que até nome de cidades andou mudando.

Lembrando que Farroupilha foi assim batizada, quando era Nova Trento, assim como tantas outras cidades que homenageavam seus colonizadores. Mas, não é disso que queremos falar, mas sim da imprevidência histórica de 50 anos. Construíram a ponte sobre o Guaíba, canal Furado Grande, Saco da Alemoa e rio Jacuí e imediatamente começaram as disputas políticas e as picuinhas para o seu batismo. Travessia Regis Bittencourt, depois Travessia Getúlio Vargas, ou seja, oscilando de um partido político para outro. E assim, no final de 1958, foi inaugurada a travessia sobre que seria a redenção da Zona Sul. Não foi. Nem antes, nem depois, nem durante. O vão móvel tornou-se um pesadelo que acaba de ser agravado.

No dia 30 de abril deste ano de 2008, um barco bateu no tal vão e agora, para ser consertado, tornou-se necessário um trabalho profundo e sério por parte dos mantenedores, estourou na Concepa, em outras palavras, meio século de descaso e incompetência e má fé, talvez.

A passagem se faz agora por conta-gotas e quem paga é a população da zona sul do estado, que precisa agüentar os longos engarrafamentos.

Ontem, era de 8 quilômetros, amanhã será de quinze e assim por diante. Enquanto isso a produção apodrece, os trabalhadores perdem seus horários, os doentes tem seu estado agravado e nada pode ser feito, pois desperdiçaram nestes anos todos a possibilidade de restaurar o serviço de barcas, que poderia ser, numa hora dessas, pelo menos uma alternativa. Outra ponte? Nem pensar. Quando? Daqui a cinco, seis, sete, oito anos? Por 250 milhões? Parece piada. Aliás, tudo parece piada. De mau gosto.

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