OS BANDIDOS TAPAM O ROSTO PARA NÃO APARECEREM NA “MÍDIA”

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ALI BABÁ E OS 40 RÉUS

Walter Galvani

Havia uma história antiga, que a gente contava para as crianças (Pobres crianças, num tempo em que não se tinha critérios de preocupação com possíveis traumas…) pois, era a história de Ali Babá e os quarenta ladrões.

Hoje contam na “mídia”, é manchete de todos os jornais que há quarenta réus em determinada CPI, não querendo isso dizer, é claro, que sejam quarenta ladrões, mas o paralelismo é inesquecível.

O pior, hoje em dia, que a não ser ladrão vagabundo, que se tapa com a camisa, todos estão expostos a serem fotografados, filmados e até entrevistados, mesmo sem culpa nenhuma e a imagem fica, para mais adiante reaparecer se você fizer uma pesquisa no “Google”. E então, não é aquilo de ouvir dizer e não ter certeza. Ao contrário, é no ato da pesquisa surgirem todas as conotações que, em determinado momento, o aproximaram do crime ou dos criminosos, da propina, do “arrastão”, da investigação, da Polícia Federal ou das operações especiais.

Os que usam toucas ninja, escapam disso. Os cidadãos, culpados ou não, que lançam mão deste subterfúgio que referi, esses acabam saindo pela tangente ou relacionados como suspeitos.

Vivem-se, então, tempos muito difíceis.

Nem se prova nada contra Ali Babá e os seus 40 asseclas, mas estarão todos listados, preparados para uma possível internação em algum hotel cinco estrelas do estado, destes que derramam população pelo “ladrão”, não, pela porta de entrada e saída mesmo, pela servidão, pelo semi-aberto.

O que me espanta é que os colegas de imprensa não possam retirar estas proteções que os bandidos usam, para fotografá-los e filmá-los, a fim de que a população os identifique.

Incrível.

Mas, dentro deste ritmo de incredibilidade, é natural que o cidadão comum acabe se protegendo para não ser reconhecido pelos bandidos. Só assim escapará deste estado de coisas.

Um comentário para “OS BANDIDOS TAPAM O ROSTO PARA NÃO APARECEREM NA “MÍDIA””

  1. Almiro Zago disse:

    Caro Walter Galvani:

    Ao tempo em que eu assistia aos filmes de faroeste, os bang-bang, e já lá vai muito tempo, via-se assaltos a bancos, a trens ou diligências, executados por alguns poucos bandidos ou verdadeiras quadrilhas. Idealista, como a maioria, tinha a ilusão de que aquilo tudo fazia parte de um passado remoto de distante país.
    Retrocedemos nós ou teria sido o far-west uma antecipação do futuro? Eis que aquilo, em diferentes roupagens, por bandidos - os tradicionais ou pelos novos bandidos da era da informática repete-se como se bola de neve fosse. Os assaltantes de hoje usam meios sofisticados, técnicas avançadas de organização. Por toucas ninja, freqüentemente vestem a aparência de pessoas acima de qualquer suspeita ou o respeitável status de cargo público. E, contudo, resta esperança. Ainda que uma nesga de esperança.
    (Almiro Zago)

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