Arquivo de junho de 2008

Brasil, país do futuro…

segunda-feira, 30 de junho de 2008

UMA HISTÓRIA SUJA 

 

Walter Galvani 

 

Onze soldados foram identificados e acusados pelo assassinato de três jovens e entrega à uma facção de traficantes rivais, de um morro do Rio de Janeiro.

O restante é conhecido: foram mortos com vários tiros, quer dizer, foram assassinados.

Ninguém se responsabiliza pelo desfecho da ocupação do morro pelo Exército, a não ser para lembrar que foi o bispo Crivella, que é candidato ao governo do Rio de Janeiro, que havia pedido a intervenção militar.

Quer dizer: estamos diante de uma história suja.

Ninguém quer explicar, ninguém quer divulgar, só que, os jovens estão mortos e, segundo consta, foram “vendidos” por 60 mil reais.

Barato, não acham?

Este é o Brasil.

Em pleno século XXI, estamos presenciando fatos desta natureza e ninguém faz nada.

Quer dizer: fazem sim, se houver alguma vantagem política

TOLERÂNCIA ZERO

domingo, 29 de junho de 2008

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO

 

BOMBOM DE LICOR

 Walter Galvani

Não pensem que é só no Brasil, mas é em países intelectualmente subdesenvolvidos, (e não é a riqueza per capita nem algum prodigioso investimento industrial que evitam este padrão), que floresce certo tipo de lei, como essa, que visa acabar com os acidentes nas ruas, avenidas e estradas, criando a tolerância zero para a ingestão de bebida alcoólica para quem dirige.

Em primeiro lugar, a fiscalização será aleatória, isso é lógico, porque seria impossível abordar todos os motoristas que conduzem veículos no país. Em segundo lugar, porque, a única “fiscalização” possível é o amadurecimento das pessoas que passam a agir… como se vivessem numa nação de primeiro mundo.

Costumo lembrar sempre o que sucedeu comigo ao visitar um amigo diplomata que então vivia em Estocolmo, Suécia, e estou falando em tempos de 1972, que foi ao centro da cidade comigo, onde comemos sanduiches e tomamos uma cerveja e ele deixou o carro numa garagem e voltou para casa de táxi. Na época espantei-me, pois, vivendo aqui no Brasil, jamais me passaria pela cabeça que o fato de beber uma cerveja poderia interditar o uso da direção. Quarenta e seis anos depois, chega como lei, esta proibição que deveria estar dentro da cabeça das pessoas. Ou seja: o nome do jogo é educação.

Porém, como em tudo no Brasil, querem impor à força o novo comportamento e a lei chega draconiana, radical. Duvido que se cumpra, embora torça por ela… Deram já uma aliviada e agora “bombom de licor” já pode, assim como algum tipo de medicamento. Cuidado, hein, ao liberar o que não podem controlar, enganam mais uma vez a população, porque o mais grave, os produtos utilizados pelos motoristas para correrem como loucos nas estradas, bem como as drogas ingeridas pelos jovens notívagos, que pelo volume e multiplicidade também se tornam tão comuns que não há efetivo policial que consiga controlar.

Sabem a que hora a “vida noturna” nos países mais adiantados da Europa tem que terminar? Meia noite, em alguns casos muito liberais, uma hora da manhã. Só Madri, com sua “loca movida” está fora disso. Assim mesmo com uma Polícia que chega “dando”, nada de amaciar como se gosta de dizer. Falei em Educação, antes de tudo. Com E maiúsculo, como investimento do governo, em todos os níveis.

 

Rezar hoje é lembrar os 150 anos do “Theatro São Pedro”

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O THEATRO DA PROVÍNCIA

 

Walter Galvani

 

Foi num dia 27 de junho, em 1858, portanto há exatos cento e cinqüenta anos que abria as portas pela primeira vez o teatro, aliás “Theatro São Pedro”, com o nome do padroeiro da província que então se chamava “São Pedro do Rio Grande do Sul”. O modelo, todos os que acompanham a atividade cultural sabem disso, foi o “Scala” de Milão, Itália, a pátria do canto lírico. Desde então, neste século e meio, apesar de alguns desvirtuamentos aí pelo caminho, inclusive pela sua utilização para festas de formatura ao invés de cumprir nobremente sua missão, foi o ponto central da difusão cultural na capital do estado.

Serviu de exemplo e de modelo. Desde 1975 foi sendo recuperado sob a coordenação de Eva Sopher, que depois de imigrar, deixando sua pátria por causa da Segunda Guerra Mundial, e que se casara com Wolfgang Sopher (que foi inclusive presidente da FIERGS) até chegar brilhantemente aos dias de hoje, totalmente recuperado.

São pouco mais de setecentos lugares disponibilizados para os espectadores que se distribuem pela platéia, camarotes e galerias, para assistirem aos grandes espetáculos locais ou de fora, trazendo nomes de primeira linha da música e do teatro, nacionais e internacionais.

Há muitas placas distribuídas pelas paredes do antigo teatro, registrando a presença de artistas famosos e músicos extraordinários.

Ficou fechado sem obras e depois com obras de recuperação de 1972 a 1984. Foi largamente apoiado por todos os veículos de comunicação social do estado, como uma jóia preciosa da nossa cultura. Reinaugurou a 28 de junho de 1984, quatorze dias depois que o “Correio do Povo” que o apoiava desde 1895, fechou suas portas. O “Correio” voltou a circular já em mãos de outro proprietário, mas o “Theatro São Pedro” não mudou de mãos: continuou propriedade do estado, pois fora erguido pelo executivo da província, tendo em vista o interesse da população.

Agora está novamente em obras. Constrói-se um excelente edifício de garagens a seu lado, assim como se ergue uma torre que abrigará salas de ensaio, treinamento e atividades necessárias.

Oxalá se mantenha nesta linha, com o apoio que sempre teve até aqui, lembrando Jair Soares, Amaral de Souza, Sinval Guazelli, e hoje Yeda Crusius e tantos outros que se sucederam no Palácio Piratiní.

 

 

 

O melhor dos mundos

domingo, 22 de junho de 2008

Crônica publicada no ABC DOMINGO

MILHÕES DE EMPREGOS… 

Walter Galvani 

Estamos num ano eleitoral. Os leitores sabem disso e, portanto, ao tomarem conhecimento de uma notícia, a cada nova informação que circula na variada “mídia” que hoje se coloca à disposição, pensam com a antiga e conhecida “pulga atrás da orelha”, que o mundo que se abre é maravilhoso, mas… Pois não é que o governo federal comunica que há 30 milhões de brasileiros com emprego de carteira assinada? Que o Rio Grande do Sul vai ganhar 4 bilhões e trezentos milhões de reais para saneamento e urbanização em 221 municípios? Um assombro! E mais: 29.452 estudantes entraram na universidade com bolsas do Prouni; quinze novas escolas técnicas federais vão levar ensino profissionalizante para 18 mil estudantes; 57.580 famílias gaúchas estão incluídas no plano Luz para Todos e 402.362 no Bolsa Família.

Ficamos encantados com tantas perspectivas que parecem se abrir. É o melhor dos mundos que estará chegando ou estaremos sendo ludibriados? Não custa nada anotar e ficar na expectativa… Se tantas são as possibilidades para o Brasil e para o Rio Grande do Sul, então realmente vivemos num país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, não é mesmo?

Mas, será verdade que tais coisas se concretizam e vão continuar se concretizando? Em todo o caso, nunca é demais ficar atento e ir se organizando para a eventualidade de que o futuro não seja tão risonho assim como está sendo apresentado. E com o olhos nas dificuldades e asperezas naturais, preparar nosso espírito e nosso estômago…

Faremos de conta de que não lemos, ouvimos e assistimos tantas promessas de bem estar e vamos “correr atrás da máquina”, procurando produzir mais e assim nos equiparmos para as dificuldades que podem estar pela frente. A ONU anda falando tanto em inflação e falta de alimentos, em crise disso e daquilo, não custa nada manter um olho aberto para este lado também.

O otimista, que teima em sobreviver no íntimo de cada um de nós, é “um idiota”, diria Voltaire. Nunca será demais, portanto, ficar atento ao que pode vir por acaso, imprevidência ou incompetência, por má fé e por ignorância, qualquer uma dessas pragas que podem se abater sobre a nossa boa colheita.

 

 

“HAMLET VEM AÍ”

sexta-feira, 20 de junho de 2008

“Hamlet” em cena. Aderbal Ferreira, o diretor, diz que não é fora de momento. O príncipe shakespeareano era um homem da Renascença, “tentando equilibrar a razão com a emoção”.

Isso seria possível no século XVII?

Bem, e no XXI é possível?

Aderbal, o diretor, falando em nome do falecido… diz que é preciso montar quantas vezes for possível a tragédia do príncipe dinamarquês quantas for possível, para que os homens compreendam tudo sobre si mesmos.

O ator é Wagner Moura, o principal do filme sobre o tal de BOPE, e não vale a pena retomar a discussão.

Mas, um “Hamlet”, seja Sergio Cardoso como nos anos cinqüenta ou um Lawrence Olivier, eis um nome indiscutível, no teatro e no cinema inglês, merece nosso respeito.

Quem decoraria aquelas falas, a não ser por amor, numa época em que nem sequer o nome do autor é anunciado nos teatros que encenam alguma peça?

Pois é, com uma “tropa de elite” ou com um miserável bando de vagabundos, o teatro merece sempre uma nova chance, pelo milagre diário da representação que transforma esta arte, não numa cópia impressa ou gravada, mas, em cada dia, numa performance, que tem a ver com a interação entre os atores, o texto, o autor e a platéia.

William Shakespeare faz isso desde o século XVII. Já apareceu alguém para dizer que ele não existiu nunca. Ótimo. Teriam então que ter inventado um Shakespeare e só isso já vale a pena para uma humanidade feita de tantos cães que ladram para os visitantes e tão poucos lobos que uivam para a lua…

Mais uma vez, o Brasil se curva ante à Europa, que está indo lá, na nossa frente, alguns anos-luz em matéria de cultura e de nada adianta adotar atitudes tupiniquins, tipo, “eu sou mais eu” ou qualquer coisa assim, subdesenvolvida, para justificar o desprezo pela cultura. Aliás, Cultura com C maiúsculo.

Gostei da atitude de Wagner Moura, o ator consagrado popularmente por esta chanchada da violência, o tal de “Tropa de Elite”. Ele, na certa, quer mostrar que tem miolo dentro do uniforme. O que já é alguma coisa.

Vamos aplaudi-lo e torcer para que a sua popularidade ajude a fazer pensar. “Hamlet” vem aí.

Walter Galvani

LEIA, PARA MATAR A TRISTEZA DO MAU FUTEBOL

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Dunga & Paulo CoelhoFiquei acordado até tarde, por força do horário daquele jogo, com a esperança de povoar minhas horas insones com algo agradável: um jogo Brasil x Argentina. Que chateação! Cheguei a pedir que a Argentina jogasse um pouco melhor, lembrando o grande futebol que sempre a caracterizou, mas, que nada… só tristeza, chutes para fora, monotonia. Nem uma boa pauleira, tipo “Batalha do Rio da Prata” aconteceu em Belo Horizonte. E eu ali, com a televisão ligada, mas debaixo das cobertas que também não sou trouxa… com este início de inverno (que ainda nem chegou oficialmente) aqui no sul.

Quanta tristeza! Lembrar que aquelas duas camisetas, a canarinho do Brasil e “azul y blanca” dos argentinos já protagonizaram tantas partidas gloriosas para este esporte.

Um monte de pernas-de-pau que ganham mais do que deviam ganhar a correr atrás da bola e a bola batendo nas canelas e nas costas deles… e eu a ver aquilo.

Parei de ver, deixei o aparelho ligado para o caso de se produzir algum gol, expulsão, lance sensacional, qualquer coisa que quebrasse aquela mornidão e peguei o livro do Fernando Morais sobre o Paulo Coelho, “O Mago, que é um grande êxito de livraria e precisa ser lido por todos, inclusive pelos admiradores dos dois, cada um a seu modo um grande nome das letras nacionais e também para aprender a escrever biografias.

Mestre Fernando Morais dá uma verdadeira aula, demonstrando como se pesquisa, como se tira conclusões de evidências e como se aproveita um rico material pessoal como este que foi disponibilizado pelo Paulo.

Não acabei a leitura porque são 630 páginas, mas como perdi o sono com o encantamento que ela me provocou, acabei não dormindo neste frio aqui do sul e lá pelas quatro da manhã estava outra vez empenhado na leitura.

Só não deu para esquecer a chatice e a mornidão do joguinho que deveria ser um jogão. Perdão futebol, em nome dos brasileiros, dos argentinos, de Basile e de Dunga. Bom resultado na prática, até que foi. Mas, se negociaram o empate, pior ainda, e se apenas se contentaram com ele, pior para todos nós.

Prefiro a radicalização de Paulo Coelho. Estou ansioso por esgotar as tarefas e compromissos do dia para cair outra vez na leitura. Ah, se houver um engarrafamentinho, não vou me incomodar não… pois o livro estará comigo dentro do carro.

Walter Galvani

É MUITO DINHEIRO E MUITA IMPUNIDADE

domingo, 15 de junho de 2008

DINHEIRO A RÔDO

Walter Galvani

O espanto das pessoas é com a corrupção generalizada, nem o Rio Grande do Sul escapou, nos últimos dias surgiu outra erupção, dessa vez em São Paulo, e assim foi e, infelizmente, continuará sendo. Até quando não sabemos. Mas, este é um problema nacional e também não é só brasileiro, o que não é desculpa. Diz o presidente Lula que a CSS não mexerá com o bolso da população e que ela “é uma criação do congresso nacional” de quem é agora o problema, sendo que o seu maior articulador é o deputado Henrique Fontana, líder do governo na Câmara. O povo repudia esta manobra, mas não tem como fazer valer sua posição, que aparece em qualquer pesquisa de opinião. No Brasil, os políticos são eleitos e pronto! Estarão garantidos até à próxima eleição. Se os gaúchos estão espantados com a dinheirama que rolou no chamado escândalo do Detran, imaginem o que roda pelo país afora, em todos estes escândalos que diariamente são noticiados.

Qual é o preço? Quanto custaria o seu apoio? Quanto custaria para o nosso governo isso ou aquilo? – são perguntas que aparecem nas gravações que a Polícia Federal fez. Há também, de repente, bandos armados e vestidos com os uniformes da polícia. Há bandidos que assaltam nas ruas e há bandidos que preferem o serviço “no atacado”, ou sejam, roubam e furtam em grandes operações táticas que lembram ações militares.

Em que mundo estamos vivendo? Você sai a passear pelas ruas da sua cidade e num instante pode estar baleado ou desprovido dos seus bens, do seu automóvel, dos recursos que estão no banco, porque os ladrões agem com a maior desfaçatez. Ou de sua vida.

Quanto custaria manter um serviço de segurança pública para todo o país? Impossível, nos respondem, teria que haver um guarda armado para cada pessoa. Evidente exagero.

Falta é ação política, o que falta é convicção de que o país precisa de uma ética, que é preciso ensinar isso desde o curso fundamental, que é preciso mostrar que os bandidos são punidos, sim, que não há falcatrua que fique impune, que os criminosos são condenados e cumprem a pena, enfim, falta-nos muita coisa, até para provar ao mundo e a nós mesmos, que este é um grande país.

O ESCÂNDALO DOS ESCÂNDALOS

domingo, 8 de junho de 2008

Esta é a crônica que publiquei hoje no ABC Domingo, envergonhado com o que acontece aqui no Rio Grande do Sul:

“Fato que vai contra as convenções morais, sociais ou religiosas. Tumulto, desordem, escarcéu”. São as principais acepções deste substantivo que abala nossas crenças, nossa confiança na humanidade, nossa aposta no futuro da comunidade. Não que sejamos moralistas, ou cidadãos de critérios rígidos, que não façamos concessões. Até porque a vida nos ensina tanto que, ao longo dela vamos deixando de lado certos critérios rígidos e aceitamos a mudança. Mas, quando um escândalo explode, nem sabemos, no primeiro momento, para que lado nos virar. Aqui está um amigo que é vice-governador e a quem vimos ainda de fraldas ou quase isso. Ali um outro amigo que é secretário de estado e em que apostamos ao longo de sua vida pública. Ali outro que nem conhecemos mas que casou com a primeira miss negra que quebrou tabus sociais e ajudou a combater o racismo da nossa sociedade. Com o nosso apoio. Ali adiante, a amiga governadora, em quem sempre confiamos, até porque era nossa colega de rádio e com ela trocávamos amáveis comentários sobre o tempo e sobre a política e com quem, diariamente brincávamos sobre o futuro das mulheres na vida do país. Acolá, um deputado amigo, ou seja, “amigo não se discute, se defende”, velha tese que mantivemos durante mais de meio século de atividade profissional.

Pense comigo, leitor: o que dizer, o que fazer agora, quando este espalhafatoso escândalo se abate, sem poupar quem está no poder ou esteve, quem sabe ou não sabe o que aconteceu de fato, quem está envolvido ou não?

Assim é o mundo, não apenas o Brasil, nem o Rio Grande do Sul, que sempre nos pareceu imune à geléia geral do país.

Defensor que sou do vôo da gaivota em busca do assunto para a crônica, pela primeira vez vejo que o meu pássaro quebrou o bico. E agora? Onde buscar o tema, escrever sobre o que, se não tenho sequer independência ou imunidade, se vejo que, para onde me volto vejo meus amigos e atrás do grande pano de boca se oculta o drama?

Vou pedir aos leitores perdão: não saberia dizer, hoje, onde está o mal, quem errou, onde errou e até onde o pavilhão do Rio Grande foi, de fato, manchado. Prefiro esperar, acreditando e confiando. Repito meu velho lema, aquele que me fez ser fiel aos meus amigos ao longo de 74 anos de vida: “amigo não se discute; se defende!”

HOJE DEVERIA SER O DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Urso PolarCrônica publicada hoje no jornal Diário de Canoas, minha terra natal, a 14 quilômetros de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, o mais meridional do Brasil:

CUIDAR DA PRÓPRIA CASA

Walter Galvani

Parece mentira que a palavra Ecologia levou cem anos para entrar no falar do dia-a-dia das pessoas. Criada em 1867 pelo cientista alemão Ernst Haeckel, nascida da fusão de duas palavras gregas, oikos – casa e logos – estudo, queria se referir, é claro, aos cuidados com a própria casa para a manutenção da vida. Se pensarmos que só em 1967, quando afundou um cargueiro inglês carregado de petróleo, que o termo se internacionalizou, já se pode ver o tempo perdido pela Humanidade. Um tempo desperdiçado que pode ser irrecuperável, porque está provado que as grandes campanhas levam anos para se realizarem,  pois o homem comum, e naturalmente seus representantes, autoridades constituídas, eleitas ou nomeadas, não se importam com os efeitos danosos, até que estes se tornem trágicos e visíveis a olho nu. Ou que se sinta a dor na pele e no bolso…

Hoje se assinala o Dia Mundial do Meio Ambiente e é bom recordar numa oportunidade como essa que somente 0,4% dos 1,5% de área terrestre, representados por água doce, portanto teoricamente potáveis; e que hoje, dois milhões de pessoas já não tem acesso à água, em países da Ásia e da África, onde se concentra pobreza do mundo, pode-se avaliar o futuro. Vamos esperar outros cem anos para compreender este perigo?

Este ano também é o segundo do biênio criado pelas Nações Unidas para assinalar um Ano Polar Internacional, representado pelas medidas urgentes que precisam ser tomadas para evitar o degelo das calotas polares. Naturalmente se esperarmos outros cem anos não teremos mais pólos, o mundo girará desgovernado e o planeta tombará, assassinado pelos terráqueos, seus imprevidentes habitantes.

Se é que existe ou existiu vida em outros planetas, este deve ter sido o mesmo caminho de imprevidência e ignorância. Veja-se o que se faz com o lixo: bastaria, para economizar alguns milhões de litros de água, separá-lo, reservar esta imensidão de sacos de plásticos que nos dão nos supermercados para hospedar em separado o lixo orgânico do reciclável. Custa muito? Um pequeno esforço de cada um. Apenas. Será pedir muito? O desafio começa em casa: oikos-logos, ecologia, aprendamos desde o princípio.

O CASAMENTO DO JORNALISMO MÓVEL COM A INTERNET

terça-feira, 3 de junho de 2008

Esta é a importante notícia, que marcará época, que está sendo divulgada hoje pela Coletiva.net:

Internautas que estavam conectados nesta última sexta-feira, 30, no site do Jornal NH puderam presenciar um momento que foi apresentado como histórico: a primeira transmissão de uma reportagem em tempo real feita através de rede de telefonia 3G (terceira geração de telefonia celular) por um jornal brasileiro. A matéria foi transmitida ao vivo do centro de Novo Hamburgo, quando o repórter João Ávila entrevistou o meteorologista Nilson Wolf sobre a nova onda de frio que atingiu o Estado e despertou a curiosidade de quem passava por perto. Ainda é possível assistir ao vídeo no link do site do Jornal NH.

Um destaque na página do Jornal NH na Internet vai indicar quando houver uma transmissão ao vivo em andamento. O diretor executivo do Grupo Sinos, Fernando Alberto Gusmão, que está conduzindo a pesquisa e desenvolvimento deste processo, destaca o pioneirismo. Ele comenta que outros jornais do País já utilizam o recurso do celular para enviar vídeo, texto e fotos, mas não em tempo real. “O Grupo Sinos, uma empresa definitivamente multimídia, está inovando ao entrar para o jornalismo móvel, uma tendência mundial”, aponta.

Tecnicamente, as reportagens ao vivo são veiculadas em real-time video streaming, um tipo de transmissão de dados que permite que o vídeo que está sendo captado na fonte seja disponibilizado pela Internet ao mesmo tempo em que está sendo produzido. O repórter utiliza um aparelho celular com câmera embutida que, através de conexão 3G, envia os dados ao servidor, de onde são colocados diretamente ao alcance dos internautas. O aparelho usado para a primeira transmissão foi um Nokia com tecnologia 3G e um software norte-americano de video streaming. “Com isso, o fato pode ser transmitido em tempo real desde o equipamento 3G para a Internet sem necessidade de etapas intermediárias”, acrescenta o diretor.

Nelson Matzenbacher Ferrão, diretor de Conteúdos Editoriais Multimídia, avalia que o uso da tecnologia 3G em transmissões via web ao vivo é uma “pequena-grande revolução” no jornalismo multimídia. “Com um celular na mão e uma boa idéia na cabeça, o jornalista multimídia agora tem condições de publicar seu trabalho diretamente na rede, além de oferecer ao público conteúdos interessantes, dinâmicos e inovadores na hora em que estiverem acontecendo.”

Com esta ação, o Grupo Sinos seguiu uma tradição da empresa de se manter na vanguarda tecnológica. No passado, a empresa esteve à frente na implantação de diversas tecnologias que mais tarde se popularizaram na imprensa, como a impressão off-set, o sistema de gravação de chapas sem fotolito e o atual processo de gravação de chapas de impressão diretamente do computador (computer-to-plate). As redações do Grupo Sinos também foram pioneiras na implementação de computadores para os jornalistas, assim como na disponibilização de vídeos nos sites da Internet.