Crônica publicada hoje no jornal Diário de Canoas, minha terra natal, a 14 quilômetros de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, o mais meridional do Brasil:
CUIDAR DA PRÓPRIA CASA
Walter Galvani
Parece mentira que a palavra Ecologia levou cem anos para entrar no falar do dia-a-dia das pessoas. Criada em 1867 pelo cientista alemão Ernst Haeckel, nascida da fusão de duas palavras gregas, oikos – casa e logos – estudo, queria se referir, é claro, aos cuidados com a própria casa para a manutenção da vida. Se pensarmos que só em 1967, quando afundou um cargueiro inglês carregado de petróleo, que o termo se internacionalizou, já se pode ver o tempo perdido pela Humanidade. Um tempo desperdiçado que pode ser irrecuperável, porque está provado que as grandes campanhas levam anos para se realizarem, pois o homem comum, e naturalmente seus representantes, autoridades constituídas, eleitas ou nomeadas, não se importam com os efeitos danosos, até que estes se tornem trágicos e visíveis a olho nu. Ou que se sinta a dor na pele e no bolso…
Hoje se assinala o Dia Mundial do Meio Ambiente e é bom recordar numa oportunidade como essa que somente 0,4% dos 1,5% de área terrestre, representados por água doce, portanto teoricamente potáveis; e que hoje, dois milhões de pessoas já não tem acesso à água, em países da Ásia e da África, onde se concentra pobreza do mundo, pode-se avaliar o futuro. Vamos esperar outros cem anos para compreender este perigo?
Este ano também é o segundo do biênio criado pelas Nações Unidas para assinalar um Ano Polar Internacional, representado pelas medidas urgentes que precisam ser tomadas para evitar o degelo das calotas polares. Naturalmente se esperarmos outros cem anos não teremos mais pólos, o mundo girará desgovernado e o planeta tombará, assassinado pelos terráqueos, seus imprevidentes habitantes.
Se é que existe ou existiu vida em outros planetas, este deve ter sido o mesmo caminho de imprevidência e ignorância. Veja-se o que se faz com o lixo: bastaria, para economizar alguns milhões de litros de água, separá-lo, reservar esta imensidão de sacos de plásticos que nos dão nos supermercados para hospedar em separado o lixo orgânico do reciclável. Custa muito? Um pequeno esforço de cada um. Apenas. Será pedir muito? O desafio começa em casa: oikos-logos, ecologia, aprendamos desde o princípio.
Walter Galvani:
A foto do urso polar, ainda que possa conter uma “intervenção” externa, bem ilustra a crônica onde ser revela, em verdade, a imemorial força destruidora do ser humano. Tristemente, ainda prospera a tese do “progresso” acima de tudo. Gostei muito da promoção do “oikos-logos”, o cuidar da nossa grande casa.
Almiro Zago