O ESCÂNDALO DOS ESCÂNDALOS
Esta é a crônica que publiquei hoje no ABC Domingo, envergonhado com o que acontece aqui no Rio Grande do Sul:
“Fato que vai contra as convenções morais, sociais ou religiosas. Tumulto, desordem, escarcéu”. São as principais acepções deste substantivo que abala nossas crenças, nossa confiança na humanidade, nossa aposta no futuro da comunidade. Não que sejamos moralistas, ou cidadãos de critérios rígidos, que não façamos concessões. Até porque a vida nos ensina tanto que, ao longo dela vamos deixando de lado certos critérios rígidos e aceitamos a mudança. Mas, quando um escândalo explode, nem sabemos, no primeiro momento, para que lado nos virar. Aqui está um amigo que é vice-governador e a quem vimos ainda de fraldas ou quase isso. Ali um outro amigo que é secretário de estado e em que apostamos ao longo de sua vida pública. Ali outro que nem conhecemos mas que casou com a primeira miss negra que quebrou tabus sociais e ajudou a combater o racismo da nossa sociedade. Com o nosso apoio. Ali adiante, a amiga governadora, em quem sempre confiamos, até porque era nossa colega de rádio e com ela trocávamos amáveis comentários sobre o tempo e sobre a política e com quem, diariamente brincávamos sobre o futuro das mulheres na vida do país. Acolá, um deputado amigo, ou seja, “amigo não se discute, se defende”, velha tese que mantivemos durante mais de meio século de atividade profissional.
Pense comigo, leitor: o que dizer, o que fazer agora, quando este espalhafatoso escândalo se abate, sem poupar quem está no poder ou esteve, quem sabe ou não sabe o que aconteceu de fato, quem está envolvido ou não?
Assim é o mundo, não apenas o Brasil, nem o Rio Grande do Sul, que sempre nos pareceu imune à geléia geral do país.
Defensor que sou do vôo da gaivota em busca do assunto para a crônica, pela primeira vez vejo que o meu pássaro quebrou o bico. E agora? Onde buscar o tema, escrever sobre o que, se não tenho sequer independência ou imunidade, se vejo que, para onde me volto vejo meus amigos e atrás do grande pano de boca se oculta o drama?
Vou pedir aos leitores perdão: não saberia dizer, hoje, onde está o mal, quem errou, onde errou e até onde o pavilhão do Rio Grande foi, de fato, manchado. Prefiro esperar, acreditando e confiando. Repito meu velho lema, aquele que me fez ser fiel aos meus amigos ao longo de 74 anos de vida: “amigo não se discute; se defende!”

8 de junho de 2008 às 20:52
De longe, pelos noticíarios de TV e jornais eu também me senti desconfortável, Walter.
Enfim, agora há um blogue de Walter Galvani. Nem todas as notícias são cinza num final de domingo! :)
Bom início de semana, caro amigo!
10 de junho de 2008 às 14:37
Ficou lindo o blog do professor. E, graças, com espaço para comentários… Muito útil e muito delicioso para os leitores. Grandes debates virão.
Um beijo grande.
13 de junho de 2008 às 16:40
O texto está extremamente bem escrito, mas fica uma pergunta:devemos defender alguém quando os fatos falam tão alto contra esta pessoa?