“HAMLET VEM AÍ”
“Hamlet” em cena. Aderbal Ferreira, o diretor, diz que não é fora de momento. O príncipe shakespeareano era um homem da Renascença, “tentando equilibrar a razão com a emoção”.
Isso seria possível no século XVII?
Bem, e no XXI é possível?
Aderbal, o diretor, falando em nome do falecido… diz que é preciso montar quantas vezes for possível a tragédia do príncipe dinamarquês quantas for possível, para que os homens compreendam tudo sobre si mesmos.
O ator é Wagner Moura, o principal do filme sobre o tal de BOPE, e não vale a pena retomar a discussão.
Mas, um “Hamlet”, seja Sergio Cardoso como nos anos cinqüenta ou um Lawrence Olivier, eis um nome indiscutível, no teatro e no cinema inglês, merece nosso respeito.
Quem decoraria aquelas falas, a não ser por amor, numa época em que nem sequer o nome do autor é anunciado nos teatros que encenam alguma peça?
Pois é, com uma “tropa de elite” ou com um miserável bando de vagabundos, o teatro merece sempre uma nova chance, pelo milagre diário da representação que transforma esta arte, não numa cópia impressa ou gravada, mas, em cada dia, numa performance, que tem a ver com a interação entre os atores, o texto, o autor e a platéia.
William Shakespeare faz isso desde o século XVII. Já apareceu alguém para dizer que ele não existiu nunca. Ótimo. Teriam então que ter inventado um Shakespeare e só isso já vale a pena para uma humanidade feita de tantos cães que ladram para os visitantes e tão poucos lobos que uivam para a lua…
Mais uma vez, o Brasil se curva ante à Europa, que está indo lá, na nossa frente, alguns anos-luz em matéria de cultura e de nada adianta adotar atitudes tupiniquins, tipo, “eu sou mais eu” ou qualquer coisa assim, subdesenvolvida, para justificar o desprezo pela cultura. Aliás, Cultura com C maiúsculo.
Gostei da atitude de Wagner Moura, o ator consagrado popularmente por esta chanchada da violência, o tal de “Tropa de Elite”. Ele, na certa, quer mostrar que tem miolo dentro do uniforme. O que já é alguma coisa.
Vamos aplaudi-lo e torcer para que a sua popularidade ajude a fazer pensar. “Hamlet” vem aí.
Walter Galvani