200 ANOS DE IMPRENSA. E O BRASIL CONTINUA O MESMO…
domingo, 1 de junho de 2008Crônica publicada dia 1º de junho. É a grande data da imprensa brasileira uma conquista da ARI, pois o que se comemorava antes era o 10 de setembro, dia da “Imprensa régia”…
Mas, é bom lembrar que neste momento, a Imprensa continua passando pelos mesmos problemas no Brasil moderno. Tanto que, uma equipe do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro, foi presa e torturada por sete horas e meia, por integrantes de uma das chamadas “mlícias” que atuam nas favelas, na contramão da legalidade, fazendo igual ou pior do que a tal de milícia do lamentável filme brasileiro premiado no exterior.
Só para recordar: quando Hipólito José da Costa criou o “Correio Braziliense” (cuja primeira capa reproduzimos aqui) ele estava exilado na Inglaterra.
No caso dos tais milicianos, esta semana: Foram sete horas e meia de tentativa de intimidação, usando os tais “milicianos” até da simulação de afogamento. A mesma tortura que o governo do senhor Bush usa e é considerada legal nos Estados Unidos… Pobre mundo!
OS 200 ANOS DA NOTÍCIA
Walter Galvani
É com que prazer estou redigindo esta crônica! Afinal, além de todo o gosto natural que me dá sempre, o escrever alguma coisa, estou fazendo neste momento, o exercício que comemora os 200 anos da imprensa brasileira! Ainda não da “imprensa no Brasil”, porque isto só viria mais tarde, em 1827, portanto de hoje a 171 anos, mas já vale, porque o dia lº de junho de 1808, foi quando circulou pela primeira vez o “Correio Braziliense”, dirigido pelo cidadão de Colônia do Sacramento, educado inicialmente no Rio Grande do Sul, em Pelotas, Hipólito José da Costa, que mais adiante estudou Direito em Coimbra e se tornou maçom, exilando-se na Inglaterra, por perseguição política do reinado português. E ali começa a nossa história de luta pela liberdade de imprensa, e, inicialmente, pela própria imprensa que aqui estava proibida.
Foi o príncipe regente, mais adiante Dom João VI, sagrado rei aqui no Brasil, que permitiu a primeira prensa tipográfica em nosso país. Mas, então, o “Correio Braziliense” já havia circulado em Londres e enviado por malas postais para o próprio Brasil e para Portugal também, defendendo medidas necessárias como abertura dos portos e a própria independência do Brasil.
Historicamente esta data era ignorada. Foi a ARI (Associação Riograndense de Imprensa) quem por ela combateu, e em 1999, medida encaminhada na Câmara dos Deputados por Nelson Marchezan, transformou o Dia da Imprensa, que se comemorava a 10 de setembro (data inicial da “Gazeta de Notícias”, um diário oficial da Corte no Rio de Janeiro) em 1º de Junho, o verdadeiro nascimento de uma imprensa legitimamente brasileira. Embora sendo impressa no exterior. Por isso, a ARI lança amanhã de manhã com seu programa “ComunicARI” uma integração com os cursos de comunicação social do Rio Grande do Sul e comemora no dia 4, no Museu Hipólito José da Costa em Porto Alegre, este segundo centenário de imprensa no Brasil.
É um instante de alegria e de reflexão portanto. Podemos começar imaginando quantas vezes, nestes duzentos anos, os poderosos de plantão tentaram calar a imprensa brasileira. Sem conseguí-lo.