LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS

Crônica publicada neste fim-de-semana no “Diário Popular” de Pelotas:

VIVE LA LIBERTÈ!

 Walter Galvani

 

Ao longo dos últimos três séculos nos habituamos a cultivar a liberdade sob a égide da França. Parece que em francês, até as palavras soam melhor, quando se referem a este tema que esteve no cerne da Inconfidência Mineira, na bandeira farroupilha e em nossos corações e mentes desde 1789. Não foi por acaso que os cidadãos franceses derrubaram a Bastilha e os preconceitos, aboliram o absolutismo e transformaram os costumes sociais e econômicos, abrindo o caminho para as modernas repúblicas. Por isso, ver a senadora Ingrid Betancourt ser recebida pelo presidente Sarkozy e desfilar sob o Arco do Triunfo naquela que há centenas e centenas de anos se convencionou chamar “Cidade Luz” é uma vitória para as forças do Bem, neste período negro da história da Humanidade, este em que vivemos, e em que “triunfam as nulidades” como diria Ruy Barbosa, se impõem as mediocridades e os jovens não querem mais estudar e trabalhar, pensando em ganhar a vida “na sorte”. Pena para nós e pena para eles.

Mas Ingrid resgatou esta dignidade que muitos julgavam enterrada. Suportou quase sete anos de cativeiro, presa como uma fera por uma corrente na metade deste tempo, depois que provou que não se renderia e pretendia fugir das trevas da ignorância das tais Forças Armadas Revolucionárias que de revolução nada mais tem, querem apenas trocar reféns por dinheiro, assim mesmo como procedem os piores criminosos. Aliás, de criminosos estamos cheios, temos para todos os gostos no Brasil. Ocupam favelas, moram em edifícios granfinos, andam pelas ruas, elegem-se, conseguem nomeações e vencem licitações. Não necessitamos de uma selva amazônica por que eles desempenham seu feio papel na cidade mais bela da face da terra. Pobre Rio de Janeiro! Cidade que nos seduz, de dia falta água e de noite emite pus, parafraseando a velha marcha carnavalesca.

Vendo as emissões televisivas e olhando as fotos nos jornais e revistas, vendo a Ingrid Betancourt derrotada da sua última aparição, e a gloriosa e vitoriosa do retorno, pode-se aprender bem a lição de que, só mudou uma coisa no seu rosto: a aura de felicidade, nascida na mais pura liberdade.

 

Deixe um comentário