CORRUPÇÃO, FRAUDE, DESVIO DE VERBAS, LADROEIRA…
Você ainda não se cansou disso tudo? Acho que o leitor, o ouvinte, o telespectador, ou seja o público, deseja outra coisa. Não é por nada, não… nem que seja para mudar de assunto. E a podridão reinante cheira mal… Vamos lembrar uma frase célebre? Do alto destas pirâmides, QUARENTA SÉCULOS VOS CONTEMPLAM
Walter Galvani
Um dia destes, me perguntaram: “e você, tendo que produzir praticamente sete crônicas por semana, não cansa de falar sobre desvios de verbas públicas, falcatruas, roubos, prisões com algemas ou sem algemas, de pijama ou colarinho branco?” Resposta: canso, sim. Tanto que já me auto-decretei que, enquanto perdurarem estas difamações, calúnias, verdades, mentiras e desmentidos, vazamentos e escutas clandestinas, não retomarei estes temas, para não chatear os leitores. E eis que me alertam: vem aí agosto e com a aprovação de uma lei que tramita no senado, nada mais disso poderá ser assunto, além de que, com a aproximação das eleições os cuidados tem que ser redobrados para não atingir ou beneficiar candidatos e partidos.
Estreita-se o espaço, pois como se sabe, “tudo o que é sólido se desmancha no ar” e a minha gaivota preferida fazendo o vôo em busca do seu alimento vai ter que encontrar alternativas.
Por que não buscar a grande frase da semana? Claro, de preferência perdida nos caminhos do tempo… Foi o que fiz, amáveis leitores dominicais desta prosa com que procuramos honrar o mundo da lusofonia, na semana que antecede a entrada em cena de um representante da Guiné-Bissau (onde se fala, sim, português, mas não muito), como presidente da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que deverá ser eleito na “cimeira” (traduzindo: reunião de cúpula) que começa amanhã. Mas não foi de nenhum abnegado defensor da nossa língua que extraí esta bombástica lição de encorajamento e relações públicas. Foi dele, do famoso corso, Napoleão Bonaparte. Há exatos 212 anos, antes que ele se transformasse no terror da Europa, embora já pintasse como o adversário dos absolutistas e bem antes do desvio de conduta que o levou ao abismo. Estavam, pois, os franceses postados no deserto de Saara e Napoleão levantou-lhes a moral com esta frase inesquecível: “Do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam!” Venceu a batalha, tornou-se o martírio dos ingleses e ajudou a redesenhar o mapa da Europa, que foi outra vez redesenhado em 1815, depois de Waterloo, e assim, sucessivamente, até o final do século vinte. A mesma frase deveria servir hoje para botar a vergonha na cara dos nossos contemporâneos…
20 de julho de 2008 às 19:11
Caro Walter Galvani:
Independentemente de uma cimeira ( palavra francamente mais eufônica do que “reunião de cúpula”) nós, leitores, ficamos à espera de um outro auto-decreto, revogando o anterior…
Almiro Zago