Arquivo de agosto de 2008

VAI VAI…

domingo, 31 de agosto de 2008

 

 

Neste país surrealista em que vivemos, diante de certas notícias é preciso “dar um tempo” para verificar se elas, de fato, se concretizam, ou se é melhor dar-lhes um prazo de sedimentação. E isso é aplicável a tudo, aos fatos do dia-a-dia, aos informes (que, aprendeu-se, não tem a mesma consistência das “informações”…) das notícias plantadas e as de “brotação espontânea”, nada é seguro, garantido, e muito menos eterno. Pois agora, fica-se sabendo que o Ministério da Saúde, no próximo Carnaval paulista, vai patrocinar a Escola de Samba “Vai-Vai”…

Numa realidade surrealista como a nossa, isso seria até possível e, quem sabe, com a devida chancela de alguma agência de publicidade criativa e inteligente, um “bom investimento?” Afinal, apesar do carnaval paulista ser conhecido pela sua falta de criatividade, quem sabe as coisas mudaram por lá e, este ano, graças a contratos de redes de televisão vai atingir todo o território nacional e, conseqüentemente, o povão, desde tribos indígenas que assistem tevê com aparelhos a bateria até os moradores de sofisticados condomínios dos melhores pontos turísticos do nosso litoral.

Estou aqui tentando engendrar uma justificativa para este investimento, antes que surjam vozes acusatórias de procedimentos eleitoreiros, já que o dia do juízo está chegando…

Nem o inverno é mais confiável nestas nossas latitudes, como se viu este ano e ainda está se vendo e sentindo. Depois de frios polares, calores tropicais, e a primavera ainda está distante, vinte dias oficiais pela frente. O próprio professor Eugênio Hackbart, o meteorologista que mais entende do seu campo de ação, já fala em “inverno astronômico” e inverno real e entre o paraíso e o inferno se oscila em todos os setores, mesmo no campo dos fatores térmicos.

Ora, sem a certeza científica e a objetividade como norma, ficamos entregues a estas alternâncias psicológicas que, sem arrastar o continente como “uma jangada de pedra” como queria José Saramago com sua Europa natal, faz aquelas mesmas representações psíquicas pela perturbação política do Brasil. Aqui, a coisa “vai-vai” e com 8 milhões do Ministério da Saúde, para o bem e para o mal. Viva o samba atravessado das “escolas” paulistas!

 Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

FÓSFOROS LONGOS

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

 

Ir a um supermercado é uma atividade corriqueira em nossas vidas. Faltaram dois ou três produtos e lá vamos nós, dispostos a resolver com praticidade, o pequeno problema.

Dia desses, movido pela comodidade e necessidade, fui a um super buscar “fósforos longos”. Aqueles que facilitam a operação de “ligar o forno” do fogão (entre parênteses, sou contra fornos elétricos) sem queimar os dedos.

Peguei uma caixinha de fósforos, examinei-a, vi que estava escrito, no lado de fora, “fósforos longos”, mas fiquei em dúvida e abri discretamente o invólucro para ver se os palitos eram de fato, longos. Não eram.

Fechei cuidadosamente a caixa e recoloquei-a no lugar.

Impulsionado pela confiança na marca, peguei outra caixa, li o que estava escrito, “fósforos longos” e pensei comigo: são esses. Também não eram, mas só fiquei sabendo quando cheguei em casa. Culpa da minha timidez.

Ora, se somos enganados até por fabricantes de fósforos, por quem não o seremos?

Vivemos num país de fraudes e trampas, de desonestidades pequenas e grandes.

Quando cresceremos?

Afinal de contas, já estamos chegando aos 189.600.000 habitantes. Mais do que na hora, não é mesmo?

Acho que a Ditadura chinesa, para controlar 1 bilhão e meio, sabe muito bem como é que se faz. Aliás, como demonstrou na Olimpíada, é a campeã do engano e da fraude. Nem a cantora da abertura era a verdadeira cantora…  Só que lá, vale a pirataria oficial…

UF! PASSOU O 24 DE AGOSTO

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

 

Não preciso justificar, por enquanto, a data de 24 de agosto para nenhum brasileiro maior de idade e que respire um pouco do ar democrático que restou a este país, depois de tantos incidentes políticos, ou que, pelo menos, tenha um mínimo de informação. Mas, sempre é conveniente relembrar que o dito popular “Agosto mês do desgosto” não tem a ver apenas com o clima, pois é só na região sul onde o inverno é rigoroso e traz as enfermidades respiratórias características, que ele pode ter esta conotação. Em Portugal, onde o provérbio nasceu, ele tem a ver, sobretudo, com os problemas ocorridos nos séculos XIV e XV, quando envenenamento de reis e maus casamentos de herdeiros da Casa Real, assinalaram um mês que lá é, tipicamente, de verão.

Dito isso, quero lembrar também que não é só no Brasil e em Portugal que o dia 24 de agosto coleciona, ao longo da história, tantas tragédias. Em nosso caso culminou com o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, encerrando longa era da nossa Segunda República.

No ano 79 da nossa era, ou seja, há 1929 anos, o vulcão Vesúvio destruía as cidades de Herculano e Pompéia na Itália. No ano 410, os visigodos, comandados por Alarico I saqueavam e ocupavam Roma, praticando precipitando uma decadência que acabaria com o fim do império romano. Em 1356, Lisboa, já então a bela capital de Portugal, foi atingida por um terremoto e em 1572, milhares de inocentes morrem sob as tropas do rei Carlos IX que ordenou o massacre dos huguenotes em toda a França. Os assassinados eram partidários da reforma calvinista que pregava o retorno da igreja católica ao cristianismo primitivo. Em 1814, tropas britânicas tomam Washington e incendeiam a Casa Branca. Em 1820, dom Miguel inicia uma revolução na cidade do Porto, contra seu irmão Dom Pedro (I do Brasil e IV de Portugal). Outro terremoto: em 1889 nasce em Buenos Aires o futuro escritor Jorge Luiz Borges que faria uma revolução na literatura mundial. Em 1954, suicida-se o presidente brasileiro Getulio Dornelles Vargas. Em 1988 um incêndio destrói os armazéns históricos do Chiado e da Grandela em Lisboa e em 1992, acusado de corrupção passiva e desprezo à Constituição, é cassado o presidente brasileiro Fernando Collor de Melo.

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

 

OUROS E LIVROS

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

 

 

O importante é competir, dizia o famoso Barão de Coubertin, responsável pela retomada dos Jogos Olímpicos na era moderna. Parece que o Brasil pegou a receita de braços abertos, pois não tem feito mais do que isso, a não ser nos esportes coletivos e com a sagrada bola, o que pelo menos ajuda a levantar a moral do país e minimizar gastos com equipes que, em Atenas ou Pequim, aliás Beijing, são cada vez mais dispendiosas e menos vencedoras. Um escorregou e caiu, outro acha que foi roubado, outro se distraiu e assim vai indo. Desde 1948, acompanho mais ou menos de perto as Olimpíadas, e cada vez o ouro fica mais distante, ou mais caro.

Qual a minha receita? Leia bons livros. Vamos aproveitar que estão em andamento as feiras regionais, a de Novo Hamburgo ainda estará aberta hoje e é uma das maiores do estado. Em muitas cidades da nossa região é o que está acontecendo agora e o Rio Grande do Sul, conforme dados que recebo da Câmara do Livro, continua sendo onde mais se lê neste país. Aliás, um país onde se lê muito pouco e comparando com o crescimento vegetativo da população, cada vez menos. Há muita mentira sobre a Terra, como diria um indígena de sentimentos puros e que ainda acredita em Tupã.

Pois eu digo que está na hora de acabar com estas farsas. Fica difícil que as autoridades no poder queiram falar com clareza para o povo brasileiro, pois este mesmo povão continua se enganando com velhas histórias de que o bom mesmo “é ser malandro” e “dar um jeitinho” nas coisas. Os leitores sabem o que é o tal jeitinho, não é mesmo? É. O “jeitinho” que alguns não conseguem dar e acabam se ferrando. E quando tudo parece que não engrena mais para quem quer continuar o poder aparece uma nova descoberta de petróleo, para confirmar que “Deus é brasileiro”. Uma pesquisa norte-americana, séria, feita em todo o mundo, comprovou que o índice de Q.I. dos ateus é superior ao dos crentes, qualquer que seja a religião que professem. Embora respeitando as opções pessoais, e mais ainda o fato de que ter Quociente de Inteligência alto não é uma escolha, mas um acaso genético ou fruto de um longo desenvolvimento que leva, justamente à mutações genéticas, é preciso ler isso com muita atenção. E esquecer o ouro olímpico e os “jeitinhos”.

 

Crônica publicada no jornal ABC Domingo, do Grupo Editorial Sinos

 

A MENTIRA FASCISTA, A MENTIRA NAZISTA

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Crônica publicada no jornal Diário de Canoas

Enganar o povo… com mentiras oficiais. Dublagem, cópias piratas, disciplina nazista e passo de ganso. Olimpíadas, como sempre, como em 1936 na Alemanha de Hitler, servindo para disciplinar as massas, driblar a democracia

O ENGANO OFICIAL

 

Walter Galvani

 

 

Viva a santa esculhambação italiana, a confusão francesa e a desordem brasileira! Até que é bom, não é mesmo? Custo a acreditar que, aqueles que viveram os anos das ditaduras nazistas e fascistas, no Brasil e no mundo, queiram ainda a repetição e a perpetuação dos métodos de enganar o povo que estamos presenciando nestas Olimpíadas, como, aliás, vimos em 36 na Alemanha nazista. Quem não viu, bastaria debruçar-se por alguns segundos na janela da História e traria a versão dos governos totalitários para o primeiro plano. Assim, ninguém precisaria se espantar com o uso de dublagem na abertura, porque a pobre Yang Peiyi, dona de belíssima voz, era no entanto feia e dentuça… Coitadinha! Quem mandou chupar bico!… E os fascistas chineses querem agora provar, que o seu país é feito de chineses bonitos. Cá entre nós, o que tem aparecido de gente feia na televisão, é de fazer chorar frade de pedra. Asneira monumental de um regime que a única coisa que fez até agora foi copiar (e roubar patentes de produtos) ocidentais ou semi-ocidentais e, ainda mais, imitar também as vestes dos europeus. Onde andam os trajes tradicionais chineses? Esmagados pela competição e pela imitação dos ocidentais, lá estão todos de terno e gravata, posando como executivos de uma grande indústria americana.

Que pena que ainda existam pessoas que acreditam nos dogmas chineses e nem sequer acham ruim que tanta mentira e poluição transitem pelos caminhos do antigo mundo.

Neste mergulho do Ocidente no Oriente, como em outras vezes, haverá uma troca de experiências, de um lado útil para eles, de outro inútil, e assim por diante. O diretor musical da cerimônia de abertura, Chen Quiang, ou quis ser sincero demais ou está com o seu pulo pronto para os países ocidentais, caso contrário não cometeria a infantilidade de revelar que houve uma fraude gigantesca e uma injustiça enorme com a pequena Yang Peiyi que não pôde cantar diante das câmeras de tevê do mundo inteiro, porque é dentuça e gorducha e no entanto foi a sua voz que foi transmitida, como se fosse a de outra garota, que esta sim, apareceu.

Meu medo é que os políticos brasileiros queiram, a partir de agora, imitar os chineses, saudosos dos tempos em que se marchava em passo de ganso, aliás passo de ganso que apareceu nas primeiras cenas da tal inauguração, lembrando a olimpíada de 1936 na Alemanha de Hitler.

 

OSSÉTIA, GEÓRGIA… e amanhã?

domingo, 10 de agosto de 2008

Os ideais olímpicos arranhados, como sempre, logo depois do espetáculo da inauguração. Mas, há sinceridade nisso?

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

A CAIXA PRETA

 

Walter Galvani

 

 

Desde o terceiro século da chamada Era Cristã, o Ocidente, representado sempre por suas superpotências que vem se sucedendo, Roma, Grécia, Rússia, Alemanha, Inglaterra, Espanha, França, Holanda, Estados Unidos, tem se dedicado a um curioso, ambíguo e interesseiro esporte que é “descobrir a China”. Em determinados momentos a situação se inverteu e a velha China andou equipando naus e organizando viagens para “o lado de cá”, demonstrando que o eixo das descobertas poderia se deslocar para o oeste e permitir o mergulho numa cultura que veio acumulando, desde a invenção da pólvora e do papel, dos tipos móveis e da impressão, da bússola e de tanta coisa mais. O tempo passa, e o Ocidente volta-se outra vez para a China na esperança de conseguir “abrir a caixa preta” e descobrir-lhe os mistérios entremostrados nas visitas importantes, como Marco Pólo e outros navegadores que lá chegaram. E assim chegamos às Olimpíadas, quando, finalmente o mundo todo está de olho na China que permanece atrás da sua Cortina de Bambu, aliás de poluição agora, embora se saiba que até a urina é aproveitada como fonte de energia. Tudo serve, pois, de exemplo para o Ocidente que busca se abeberar até nos ensinamentos de Confúcio que, se aprende rapidamente enquanto um narrador de televisão vai lendo os “scripts” que lhe colocaram a frente, foram esquecidos até que o regime comunista julgou interessante trazê-los de volta, porque falam em respeito ao poder e à disciplina. Sem isso, como conduzir um país de um bilhão e trezentos milhões de habitantes, não é mesmo, Jin-Tao?

Pois é assim mesmo e lá vamos nós tentando decifrar o dragão chinês abrindo a caixa preta, esquecidos que do lado de cá os tentáculos são tantos e o caixote é bem maior, cheio de orifícios e janelas, mas também com tantos guizos e holofotes.

“Eu e você, o mesmo mundo, para sempre a mesma família”, a mensagem dos Jogos Olímpicos, forte demais, lindo demais para ser verdade, sabemos que “sobre a nudez crua da verdade – como disse Eça de Queiroz – estendemos o manto diáfano da fantasia”. Nessa brincadeira do “tomara que seja verdade”, a Paz levanta vôo. Até a próxima guerra.

 

A SEMANA SERÁ DE JOGOS OLÍMPICOS

domingo, 3 de agosto de 2008

O mundo inteiro vai parar para respirar, competir entre si, tirar dúvidas, fazer comparações e constatações. De olho na distante China, que, aliás, nunca foi tão próxima. “La Cina é vicina”, como dizia o antigo filme italiano, como sempre (ou quase), representativo do melhor cinema que se produziu no século vinte. Crônica publicada neste domingo, dia 3 de agosto, no jornal ABC DOMINGO

ECLIPSES E OLIMPÍADAS

 

Walter Galvani

 

 

Nesta parada de meio de ano, nossas atenções se voltam para o outro lado do mundo, para os nossos antípodas, lá onde estarão concentrados os interesses esportivos, mas, como sempre também os políticos, os nacionais e os internacionais. Parece que só na cabeça do puro Barão de Coubertin é que havia o esporte pelo esporte… No meio deste prato cheio que é a Olimpíada, até um pouco (ou muito) de superstição tem como se alojar, veja-se o que fizeram os chineses ontem, de olho no eclipse solar e muitos deles acreditando como lhes faz pensar mitos históricos em que o azar vai cercar os jogos.  Já se sabe, por exemplo, que o azar vai cercar os atletas que pensarem em se dopar, pois os controles serão os mais rigorosos da história.

O Brasil já está lá também e entre outras coisas estaremos tentando uma medalha de ouro no futebol, feito que este país consagrado pelos campeonatos mundiais, jamais conseguiu. E a nossa representação do técnico Dunga a Ronaldinho Gaúcho, passando pelo paranaense Pato que foi projetado pelo Inter, por todos os motivos, será de futebol gaúcho. Desafio duplo. Provar ao mundo e provar ao Brasil. Tudo isso sem superstição. Será uma semana dura a próxima, que vai nos manter em “pausa sabática” e de nada adiantarão os reclamos.

Mas, já que vamos voltar nossas atenções para o Extremo Oriente, poderíamos começar a relaxar como estão fazendo os japoneses. Lá não se lida tanto com a corrupção de todos os dias (aliás, ministro que prevarica acaba se suicidando…) – pois agora descobriram a saída da “pornô da madureza”. É isso mesmo, Shigeo Tokuda, por exemplo, é um ator de 73 anos, que está faturando milhões só fazendo filmes pornôs para a terceira idade. Assim, entre eclipses e pornografia para velhos, transita o curioso mundo oriental, onde tantas vezes o Ocidente tem ido renovar seus sonhos e projetos.

A partir da inauguração das Olimpíadas, cuja festa de abertura já se anuncia como um dos mais belos espetáculos de todos os tempos até à entrega final das medalhas de ouro, prata e bronze, queremos é ouvir o hino nacional brasileiro transmitido. Cantaremos juntos.