OUROS E LIVROS
O importante é competir, dizia o famoso Barão de Coubertin, responsável pela retomada dos Jogos Olímpicos na era moderna. Parece que o Brasil pegou a receita de braços abertos, pois não tem feito mais do que isso, a não ser nos esportes coletivos e com a sagrada bola, o que pelo menos ajuda a levantar a moral do país e minimizar gastos com equipes que, em Atenas ou Pequim, aliás Beijing, são cada vez mais dispendiosas e menos vencedoras. Um escorregou e caiu, outro acha que foi roubado, outro se distraiu e assim vai indo. Desde 1948, acompanho mais ou menos de perto as Olimpíadas, e cada vez o ouro fica mais distante, ou mais caro.
Qual a minha receita? Leia bons livros. Vamos aproveitar que estão em andamento as feiras regionais, a de Novo Hamburgo ainda estará aberta hoje e é uma das maiores do estado. Em muitas cidades da nossa região é o que está acontecendo agora e o Rio Grande do Sul, conforme dados que recebo da Câmara do Livro, continua sendo onde mais se lê neste país. Aliás, um país onde se lê muito pouco e comparando com o crescimento vegetativo da população, cada vez menos. Há muita mentira sobre a Terra, como diria um indígena de sentimentos puros e que ainda acredita em Tupã.
Pois eu digo que está na hora de acabar com estas farsas. Fica difícil que as autoridades no poder queiram falar com clareza para o povo brasileiro, pois este mesmo povão continua se enganando com velhas histórias de que o bom mesmo “é ser malandro” e “dar um jeitinho” nas coisas. Os leitores sabem o que é o tal jeitinho, não é mesmo? É. O “jeitinho” que alguns não conseguem dar e acabam se ferrando. E quando tudo parece que não engrena mais para quem quer continuar o poder aparece uma nova descoberta de petróleo, para confirmar que “Deus é brasileiro”. Uma pesquisa norte-americana, séria, feita em todo o mundo, comprovou que o índice de Q.I. dos ateus é superior ao dos crentes, qualquer que seja a religião que professem. Embora respeitando as opções pessoais, e mais ainda o fato de que ter Quociente de Inteligência alto não é uma escolha, mas um acaso genético ou fruto de um longo desenvolvimento que leva, justamente à mutações genéticas, é preciso ler isso com muita atenção. E esquecer o ouro olímpico e os “jeitinhos”.
Crônica publicada no jornal ABC Domingo, do Grupo Editorial Sinos