UF! PASSOU O 24 DE AGOSTO

 

Não preciso justificar, por enquanto, a data de 24 de agosto para nenhum brasileiro maior de idade e que respire um pouco do ar democrático que restou a este país, depois de tantos incidentes políticos, ou que, pelo menos, tenha um mínimo de informação. Mas, sempre é conveniente relembrar que o dito popular “Agosto mês do desgosto” não tem a ver apenas com o clima, pois é só na região sul onde o inverno é rigoroso e traz as enfermidades respiratórias características, que ele pode ter esta conotação. Em Portugal, onde o provérbio nasceu, ele tem a ver, sobretudo, com os problemas ocorridos nos séculos XIV e XV, quando envenenamento de reis e maus casamentos de herdeiros da Casa Real, assinalaram um mês que lá é, tipicamente, de verão.

Dito isso, quero lembrar também que não é só no Brasil e em Portugal que o dia 24 de agosto coleciona, ao longo da história, tantas tragédias. Em nosso caso culminou com o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, encerrando longa era da nossa Segunda República.

No ano 79 da nossa era, ou seja, há 1929 anos, o vulcão Vesúvio destruía as cidades de Herculano e Pompéia na Itália. No ano 410, os visigodos, comandados por Alarico I saqueavam e ocupavam Roma, praticando precipitando uma decadência que acabaria com o fim do império romano. Em 1356, Lisboa, já então a bela capital de Portugal, foi atingida por um terremoto e em 1572, milhares de inocentes morrem sob as tropas do rei Carlos IX que ordenou o massacre dos huguenotes em toda a França. Os assassinados eram partidários da reforma calvinista que pregava o retorno da igreja católica ao cristianismo primitivo. Em 1814, tropas britânicas tomam Washington e incendeiam a Casa Branca. Em 1820, dom Miguel inicia uma revolução na cidade do Porto, contra seu irmão Dom Pedro (I do Brasil e IV de Portugal). Outro terremoto: em 1889 nasce em Buenos Aires o futuro escritor Jorge Luiz Borges que faria uma revolução na literatura mundial. Em 1954, suicida-se o presidente brasileiro Getulio Dornelles Vargas. Em 1988 um incêndio destrói os armazéns históricos do Chiado e da Grandela em Lisboa e em 1992, acusado de corrupção passiva e desprezo à Constituição, é cassado o presidente brasileiro Fernando Collor de Melo.

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

 

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