Arquivo de setembro de 2008

PROMESSAS ELEITORAIS…

sábado, 27 de setembro de 2008

Barack Obama e John McCain estão na reta final da campanha eleitoral americana e por isso estão fazendo promessas que, de um jeito ou de outro, atendidas ou não, podem nos atingir daqui a pouco mais. Lidando com a maior crise econômica de todos os tempos, eles e Bush já se reuniram e procuram transmitir ao mundo uma imagem de acordo entre rivais, para que as finanças abaladas em Wall Street não conduzam o país à uma Recessão igual a de 1929, aliás reconhecida mais tarde como “A Grande Depressão”.

O folclore que envolve aqueles anos terríveis não permite ver com exatidão, entre as névoas da ficção e dos interesses políticos, o que houve de verdade. Parece que, no caso, o diabo é muito mais feio do que o pintam…

As empresas se desmantelavam como castelos de cartas, executivos saíam de casa depois do último café da manhã com os familiares e estouravam os miolos na esquina e os jovens, desempregados, se viciavam em tóxicos tentando burlar o amanhã sem perspectivas que se desenhava.

Não é para brincar e procurando mostrar que estão atentos ao perigo é que os candidatos ao governo americano se reuniram para demonstrar que, pelo menos nisso, estão unidos.

Causas próximas e remotas influem para esta difícil situação e todo mundo sabe, porque hoje as notícias correm, rolam, se amontoam, por todos os meios de comunicação, que os Estados Unidos da América do Norte estão necessitando de medidas drásticas. Como o dinheiro é um só, os valores produzidos é que se materializam em notas ou moedas que os representam, o sistema todo repousa sobre o que se chama de “vasos comunicantes”. Para usar uma metáfora, é como a água que ocupa o mesmo espaço e se espalha num tanque ou piscina, sem perguntar qual é o azulejo que ficará coberto, porque todos ficarão igualmente submersos.

Não querendo ser pessimista, mas realista, não dá, pelo menos por enquanto, para descansar o espírito achando que a crise não é mundial, por que ela é e será muito mais. E vai passar, inclusive, pelo tipo e tamanho do acordo que os candidatos americanos possam fazer e com a qualidade da transição entre o guerreiro Bush e seus sucessores. Nossas atenções, portanto, estarão voltadas para Washington nos próximos dias.

(Crônica publicada neste domingo no jornal ABC DOMINGO, do Grupo Editorial Sinos) 

A PRESSÃO NÃO CEDEU. MUITA CAUTELA

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quando as coisas chegam a um limite de pressão, é preciso que se produza um fato, ou como no teatro desça um deus no meio do palco, o famoso “deus ex machina” dos romanos, e então a trama se desenrola e chega ao final. Bem ou mal, é assim no teatro e é assim na vida.

Hoje estamos tomados pela apreensão que diminuiu mas não desapareceu, até porque as razões que se somaram para produzir o nó, ainda existem, são latentes na economia e não foram alteradas pelas medidas de socorro do Federal Bank americano, nem pelas inspiradas movimentações que buscam fortalecer o euro e evitar a contaminação das economias dentro do tabuleiro global.

Não, não é assim que isso se resolverá e não tão facilmente, também.

Vamos ter que rezar um pouco, sair de cena, se der, tratar de outros assuntos, preparar a cabeça e o terreno para uma nova construção e esperar então que os efeitos comecem a se produzir.

Parece que estou falando uma língua de outro planeta, mas estou tentando justamente alinhar proposições e perspectivas que não sejam entendidas como uma simples repetição do que vem sendo praticado até aqui.

Chegamos sim, ao limite da pressão. É uma tentativa demagógica tentar dizer que a nossa economia não será contaminada, porque isso seria negar a própria estrutura do moderno capitalismo global, onde as coisas ocorrem como num dominó virtual em que todas as peças se tocam e se dizem respeito.

Se não conseguirmos conviver dentro desta mesma casa, que agora é uma imensa sucessão de países e economias diversificadas, que vão da extrema pobreza à riqueza mirabolante, que vão dos humildes países africanos aos milionários Dubai ou da organização indiscutida dos finlandeses, suecos, dinamarqueses, à desordem latina dos que conhecemos tão de perto.

Fixamos limites e determinamos o impossível: que as pessoas que querem atravessar um braço de mar numa precária barcaça e alcançar o sonho dourado do euro no outro lado, não podem fazê-lo, mas se usarem outros meios poderão sim, recolher o lixo das grandes capitais e viver das sobras das sociedades afluentes.

Cinismo, farisaísmo, mentira, é disso que se vive e convive neste mundo global. E todo este engodo perdurará até o choque final. Começaremos do zero. Recomeçaremos.

(Esta crônica foi publicada nos jornais A Razão, de Santa Maria e Diário Popular, de Pelotas, com os quais colaboro com muita honra.)

TUFÕES, QUEDAS DE BOLSAS, AQUECIMENTO GLOBAL…

domingo, 21 de setembro de 2008

NADA DE ADIVINHAÇÕES

 

Walter Galvani

 

 

Nem cassandra, nem pitonisa, nem oráculo. Não é um tsunami com a sua força destruidora já prevista, nem tampouco é uma brisa leve que encrespa as águas neste início de primavera. Não é também uma desprezível ação de interesses. É muito mais do que isso e soma três fatores que não podem nunca ser subestimados: a crise imobiliária, cuja raiz mora nos Estados Unidos, a financeira que se propaga como uma onda pelos mercados para o bem e para mal globalizados e a bancária, cuja longa cauda se adorna com os reflexos cambiantes das duas outras, somadas e multiplicadas. Sei que não estou falando em linguagem de “economês”, onde os dados numéricos são mais prestigiados que os palpites e as coloridas adjetivações, mas espero que o coração dos leitores esteja preparado para receber esta mensagem. Acordem! Acordemos todos!

O desperdício é, na verdade, a mãe de todos os vícios. Perdôem-me o discurso, pode parecer-lhes fala de pastor de igreja suburbana, mas estas são as que mais crescem no mundo neste momento, e razões devem existir de sobra para isso. Elas estão falando a língua do povo, coisa que muitas outras, estabelecidas há centenas de anos, não o fazem mais, perderam o jeito e o caminho.

Sendo assim, o recomendável é não se precipitar e buscar reduzir o próprio custeio. Você precisa de dois litros de leite por dia em sua casa? Pois compre apenas dois. Necessita 700 gramas de carne? Não compre um quilo.

Levado isso aos extremos da economia global, a receita não é anti-crise mas, sim, de recessão.

O fato é que, de uma hora para outra, viramos todos especialistas em finanças e se isso fosse fácil de entender e assimilar, não estaríamos atravessando, ao longo do tempo, tantas idas e vindas, sobressaltos e calmarias profundas. Não somos profetas, nem adivinhos, mas sempre é melhor para não se queimar, colocar as barbas de molho. Não acreditar em mentiras demagógicas. Reação das Bolsas de Valores, alta do dólar, este é um filme já visto e decorado por todos. Que a globalização fortaleceu a economia mundial, também é uma lição conhecida. E que, entretanto, as ramificações financeiras, como se fossem artérias e veias, vasos e vesículas do mesmo corpo e logo, sujeitas a viroses, infecções, bactérias, também é sabido.

Vamos começar com as donas de casa: como é que se faz para equilibrar a receita e a despesa de um lar? Comprando só o necessário e gastando menos do que se ganha.

 

DE TORNADOS E IRRESPONSABILIDADES

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O aviso da Natureza, desgastada pela exploração desmedida, pelo desmatamento, pela poluição generalizada dos cursos d’água, pelo lixo espalhado sem tratamento adequado, pela construção de prédios e residências em locais inadequados, já foi dado. Estamos atrasados. No mínimo há oito anos os “tornados”, cujo nome de origem externa, a própria expressão em espanhol o define, começaram a martirizar populações indefesas que, numa situação como a que se produziu esta semana, nada podem fazer, a não ser adormecer preocupadas e acordar sobressaltadas em meio à madrugada, quando a água sobe, os raios se levantam e a inundação chega em minutos, levando vidas preciosas e patrimônio custosamente levantado.

Há pelo menos 8 anos se assinala a visita de tais tempestades que afligem o povo desarmado e desguarnecido para reagir a tais situações.

Ninguém pode ser culpado por erguer sua precária moradia em locais de risco, mas, os que permitem que isso ocorra, devem e podem ser responsabilizados, pois não é admissível que isso continue, sem qualquer providência.

Desde outubro do ano 2000, especialistas como o prof. Eugênio Hackbarth vem assinalando a ocorrência e repetição de tais fenômenos e alertando para a sua cada vez maior violência. Se forem tomadas providências hoje, ainda se levará muitos anos para que se produza algum efeito preventivo, pois as razões inúmeras que levaram ao desmatamento e à poluição, não cairão por terra de uma hora para outra e nem se reconstruirá o que já foi perdido, em poucos meses. Nem os mortos voltarão à vida.

O momento é de atitude defensiva. É preciso que os municípios adotem medidas de proteção à uma população cada vez mais indefesa, criando brigadas de socorro e que estejam permanentemente alertas como os corpos de bombeiros. Ninguém está livre de que um morro deslize, que uma parede seja abatida pelo vento, que o telhado seja destruído pelo granizo ou que um rio inunde de uma para outra uma zona inteira. Contra tudo isso não há mais remédio imediato, apenas socorro, auxílio, resgate sempre difícil. Que pensem nisso as administrações em atividade e as que estarão sendo eleitas logo ali adiante.

Crônica publicada no ABC DOMINGO

 

 

 

O MUNDO ESTÁ VIRADO…

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

De cabeça para baixo.

Tudo o que você planeja, pode dar errado, porque o eixo saiu do lugar e a complicação logo chega.

Qiem sabe, pensar um pouco sobre o futuro, ajuda um pouco?

Eu acho que é preciso muita calma e ter o tempo necessário para observar como as coisas se passam no universo.

Assim não dá, não é mesmo?

O que todos precisamos é de tempo para apreciar as coisas, sem barulho, sem precipitações, sem perturbações, antes que chegue o próximo temporal, que agora já chamam de Tornado… Fruto do desrespeito com a Natureza.

Walter Galvani