DE TORNADOS E IRRESPONSABILIDADES
O aviso da Natureza, desgastada pela exploração desmedida, pelo desmatamento, pela poluição generalizada dos cursos d’água, pelo lixo espalhado sem tratamento adequado, pela construção de prédios e residências em locais inadequados, já foi dado. Estamos atrasados. No mínimo há oito anos os “tornados”, cujo nome de origem externa, a própria expressão em espanhol o define, começaram a martirizar populações indefesas que, numa situação como a que se produziu esta semana, nada podem fazer, a não ser adormecer preocupadas e acordar sobressaltadas em meio à madrugada, quando a água sobe, os raios se levantam e a inundação chega em minutos, levando vidas preciosas e patrimônio custosamente levantado.
Há pelo menos 8 anos se assinala a visita de tais tempestades que afligem o povo desarmado e desguarnecido para reagir a tais situações.
Ninguém pode ser culpado por erguer sua precária moradia em locais de risco, mas, os que permitem que isso ocorra, devem e podem ser responsabilizados, pois não é admissível que isso continue, sem qualquer providência.
Desde outubro do ano 2000, especialistas como o prof. Eugênio Hackbarth vem assinalando a ocorrência e repetição de tais fenômenos e alertando para a sua cada vez maior violência. Se forem tomadas providências hoje, ainda se levará muitos anos para que se produza algum efeito preventivo, pois as razões inúmeras que levaram ao desmatamento e à poluição, não cairão por terra de uma hora para outra e nem se reconstruirá o que já foi perdido, em poucos meses. Nem os mortos voltarão à vida.
O momento é de atitude defensiva. É preciso que os municípios adotem medidas de proteção à uma população cada vez mais indefesa, criando brigadas de socorro e que estejam permanentemente alertas como os corpos de bombeiros. Ninguém está livre de que um morro deslize, que uma parede seja abatida pelo vento, que o telhado seja destruído pelo granizo ou que um rio inunde de uma para outra uma zona inteira. Contra tudo isso não há mais remédio imediato, apenas socorro, auxílio, resgate sempre difícil. Que pensem nisso as administrações em atividade e as que estarão sendo eleitas logo ali adiante.
Crônica publicada no ABC DOMINGO
15 de setembro de 2008 às 20:26
A grande vantagem de se poder comentar o próprio artigo, ou seja, mandar uma crônica para comentar a própria crônica, é de aplaudir o que foi escrito e chamar duplamente a atenção dos leitores descompromissados.
21 de setembro de 2008 às 12:45
Caro Walter Galvani:
Oportuníssima sua crônica.
Todavia, as administrações públicas, por exemplo, pouco pensam, efetivamente, - mas como falam! -, na solução dos problemas da saúde, do atendimento médico e hospitalar das nossas populações. E que são problemas do presente, visíveis.
Agora, esperar prevenção contra conseqüências de vendavais, tornados, enchentes, eventos futuros, incertos… Periga ser demais…