TUFÕES, QUEDAS DE BOLSAS, AQUECIMENTO GLOBAL…
NADA DE ADIVINHAÇÕES
Walter Galvani
Nem cassandra, nem pitonisa, nem oráculo. Não é um tsunami com a sua força destruidora já prevista, nem tampouco é uma brisa leve que encrespa as águas neste início de primavera. Não é também uma desprezível ação de interesses. É muito mais do que isso e soma três fatores que não podem nunca ser subestimados: a crise imobiliária, cuja raiz mora nos Estados Unidos, a financeira que se propaga como uma onda pelos mercados para o bem e para mal globalizados e a bancária, cuja longa cauda se adorna com os reflexos cambiantes das duas outras, somadas e multiplicadas. Sei que não estou falando em linguagem de “economês”, onde os dados numéricos são mais prestigiados que os palpites e as coloridas adjetivações, mas espero que o coração dos leitores esteja preparado para receber esta mensagem. Acordem! Acordemos todos!
O desperdício é, na verdade, a mãe de todos os vícios. Perdôem-me o discurso, pode parecer-lhes fala de pastor de igreja suburbana, mas estas são as que mais crescem no mundo neste momento, e razões devem existir de sobra para isso. Elas estão falando a língua do povo, coisa que muitas outras, estabelecidas há centenas de anos, não o fazem mais, perderam o jeito e o caminho.
Sendo assim, o recomendável é não se precipitar e buscar reduzir o próprio custeio. Você precisa de dois litros de leite por dia em sua casa? Pois compre apenas dois. Necessita 700 gramas de carne? Não compre um quilo.
Levado isso aos extremos da economia global, a receita não é anti-crise mas, sim, de recessão.
O fato é que, de uma hora para outra, viramos todos especialistas em finanças e se isso fosse fácil de entender e assimilar, não estaríamos atravessando, ao longo do tempo, tantas idas e vindas, sobressaltos e calmarias profundas. Não somos profetas, nem adivinhos, mas sempre é melhor para não se queimar, colocar as barbas de molho. Não acreditar em mentiras demagógicas. Reação das Bolsas de Valores, alta do dólar, este é um filme já visto e decorado por todos. Que a globalização fortaleceu a economia mundial, também é uma lição conhecida. E que, entretanto, as ramificações financeiras, como se fossem artérias e veias, vasos e vesículas do mesmo corpo e logo, sujeitas a viroses, infecções, bactérias, também é sabido.
Vamos começar com as donas de casa: como é que se faz para equilibrar a receita e a despesa de um lar? Comprando só o necessário e gastando menos do que se ganha.
21 de setembro de 2008 às 14:06
Esta crônica, publicada no semanário ABC DOMINGO, bem que poderia ser recortada e colocada sobre a mesa dos administradores públicos.
Só para que eles pensem em alguma coisa, que não sejam as próximas eleições, não é mesmo?
Um posteiro de Guaíba, terra do Gomes Jardim
21 de setembro de 2008 às 20:34
Oi Galvani
Não é por nada que o ABC DOMINGO fez chamada de capa com esta tua crônica.
Você disse exatamente o que o povo todo está sentindo e como nem todos os leitores tem acesso aos meios de comunicação, para publicarem suas opiniões, você nos representou.
Parabéns!
Um abraço de um leitor canoense
21 de setembro de 2008 às 20:39
NA MOSCA!
Parabéns Walter Galvani!
Você acertou na mosca, bem no centro do alvo, com esta crônica.
Quem não quiser abrir os olhos, não abra, mas não existe outro caminho a não ser o equilíbrio econômico e financeiro, aliás duas coisas distintas, emboras irmãs.
Continue assim.
Não seja mole e não faça concessões.
Parabéns de um leitor que o acompanha há muito tempo.
O.V.
27 de setembro de 2008 às 10:32
Concordo, por inteiro, com os comentaristas precedentes sobre a lúcida crônica “Nada de Adivinhações”. Sim, como escreveste, Galvani, “o desperdício é, na verdade, a mãe de todos os vícios.”
E, pedindo licença, como desperdício poderíamos filiar o desenfreado consumismo, incutido nos indivíduos, pelas mais diferentes forças do mercado, via mídia, gerando necessidades artificiais. Com isso, os indivíduos perderam a noção de prioridades de seu dia-a-dia. Atualmente, por exemplo, há muitas e muitas pessoas que, a despeito de sua problemática situação econômica, não abrem mão do exagero de comunicação via celular. Contudo, queixam-se da falta de dinheiro para comprar uma aspirina para dor de cabeça.