A PRESSÃO NÃO CEDEU. MUITA CAUTELA

Quando as coisas chegam a um limite de pressão, é preciso que se produza um fato, ou como no teatro desça um deus no meio do palco, o famoso “deus ex machina” dos romanos, e então a trama se desenrola e chega ao final. Bem ou mal, é assim no teatro e é assim na vida.

Hoje estamos tomados pela apreensão que diminuiu mas não desapareceu, até porque as razões que se somaram para produzir o nó, ainda existem, são latentes na economia e não foram alteradas pelas medidas de socorro do Federal Bank americano, nem pelas inspiradas movimentações que buscam fortalecer o euro e evitar a contaminação das economias dentro do tabuleiro global.

Não, não é assim que isso se resolverá e não tão facilmente, também.

Vamos ter que rezar um pouco, sair de cena, se der, tratar de outros assuntos, preparar a cabeça e o terreno para uma nova construção e esperar então que os efeitos comecem a se produzir.

Parece que estou falando uma língua de outro planeta, mas estou tentando justamente alinhar proposições e perspectivas que não sejam entendidas como uma simples repetição do que vem sendo praticado até aqui.

Chegamos sim, ao limite da pressão. É uma tentativa demagógica tentar dizer que a nossa economia não será contaminada, porque isso seria negar a própria estrutura do moderno capitalismo global, onde as coisas ocorrem como num dominó virtual em que todas as peças se tocam e se dizem respeito.

Se não conseguirmos conviver dentro desta mesma casa, que agora é uma imensa sucessão de países e economias diversificadas, que vão da extrema pobreza à riqueza mirabolante, que vão dos humildes países africanos aos milionários Dubai ou da organização indiscutida dos finlandeses, suecos, dinamarqueses, à desordem latina dos que conhecemos tão de perto.

Fixamos limites e determinamos o impossível: que as pessoas que querem atravessar um braço de mar numa precária barcaça e alcançar o sonho dourado do euro no outro lado, não podem fazê-lo, mas se usarem outros meios poderão sim, recolher o lixo das grandes capitais e viver das sobras das sociedades afluentes.

Cinismo, farisaísmo, mentira, é disso que se vive e convive neste mundo global. E todo este engodo perdurará até o choque final. Começaremos do zero. Recomeçaremos.

(Esta crônica foi publicada nos jornais A Razão, de Santa Maria e Diário Popular, de Pelotas, com os quais colaboro com muita honra.)

2 comentários para “A PRESSÃO NÃO CEDEU. MUITA CAUTELA”

  1. admin disse:

    Olá Galvani
    Muito bem. Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém…
    Nesse negócio de economia, é preciso levar em conta, sempre que o pior sempre pode estar ainda por vir…
    parabéns mais uma vez
    Guilherme

  2. admin disse:

    Olá Walter
    Gostei.
    Nem bem foi publicada sua opinião, começaram a pipocar as reações dos bancos centrais, dizendo que não era bem assim como se pensou no princípio e era melhor, bem melhor, esperar mais um pouco.
    Como se vê, a primeira reação é como a espuma do leite… Deixe sair. Não vale nada.
    Depois é que se fica sabendo a verdade.`Parabéns.
    Vamos pensar um pouco, antes de agir.
    Um abraço
    Solupts

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