A CRÔNICA DO PÂNICO ANUNCIADO
domingo, 26 de outubro de 2008
O presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou subsídios para socorrer as pequenas e médias empresas, Lula vai enfiar os bancos oficiais na sustentação do crédito para a compra de automóveis. O que há quinze dias se acreditava salvar com injeções de 700 milhões de dólares, agora necessita de bilhões, e, provavelmente, em mais quinze dias, dois ou três trilhões. O que parecia uma “marola”, virou tsunami e o breve temor se transmudou em pânico. A fábrica da General Motors em Gravataí anunciou quatro paradas técnicas para novembro e a Aracruz Celulose paralisou sua expansão em Guaíba, na Bahia e no Pará. A OPEP reduziu a produção do petróleo em um milhão e meio barris/dia, como medida preventiva para expedir seus estoques que perdem valor velozmente e garantir reservas para o futuro. E este futuro acena com a vitória do primeiro negro nas eleições americanas, aceleração da retirada das tropas na aventura iraqueana e uma reunião de cúpula em Pequim congrega o mundo asiático que procura se manter imune ao desastre anunciado.
Alguém vai escapar? Esta será a pergunta mais formulada no Dia das Bruxas, o “Halloween”, no próximo 31 de outubro, popularizado pelo mesmo processo de globalização que estendeu a preocupação, a dúvida e o pânico que a economia enferma dos países capitalistas exportou. Nem vivendo numa pequena ilha perdida no meio do Pacífico, nem a avó de Barack Obama que mora no Havaí, ninguém escapa mais à “peste negra” da economia que tinha uma das suas datas referenciais um 24 de outubro, o de 1929, com o inesquecível “crack” que inundou os Estados Unidos de quebras e falências espetaculares e suicídios seriais.
Ainda bem que as entidades controladoras das medicações estão avisando que o remédio “Acomplia”, usado inocentemente para “tirar a barriga”, induz à depressão e ao suicídio e está sendo a partir de agora retirado do mercado. Daqui a pouco, na marcha que vai, ninguém mais vai precisar dele por absoluta falta de barriga… Até lá vamos discutir retórica e semântica, analisando o que é “Recessão” e suas diferenças com Depressão, crise versus pânico e “retirada” e suas semelhanças com “fuga”. Ah, e em Canoas, Pelotas e Porto Alegre não esqueçam hoje de votar bem.
(Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO deste dia 26 de outubro de 2008)