OS PREMIADOS…

 

Walter Galvani

 

 

Hoje é o dia. Desde os mais humildes rincões brasileiros às grandes capitais, milhares de esperanças estarão sendo agitadas no liquidificador eleitoral para sairem, pingados, os nomes dos eleitos às prefeituras e câmaras de vereadores. Não há alternativas, as vagas são limitadas e a população, como se pratica desde os tempos da Grécia clássica, estará na ágora, assim mesmo com o acento agudo no a, que o meu computador se recusa a aceitar, pois não o reconhece como corretamente grafado, que era a denominação da praça principal das cidades gregas, onde se escolhiam os representantes.

Em matéria de eleições, continuaremos acertando e errando como desde aqueles tempos heróicos vem acontecendo. Jamais poderemos nos vangloriar de escolher sempre adequadamente, até porque os eleitores são muitos e os eleitos, poucos. Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, já dizia a velha Bíblia, o livro dos livros para os cristãos.

Quanto ao meu computador, ele, como todos os demais que não forem alvo de um programa especial nos próximos meses, vai errar feio na hora de estabelecer a grafia das palavras, porque o português está mudando, como se sabe, na segunda-feira passada o governo brasileiro afinal assinou o Acordo Ortográfico que determina uma porção de coisas. Estou muito satisfeito porque a primeira letra do meu nome, o W, está sendo reabilitado… Durante todo este tempo fui uma espécie de alienígena escritural…

Por outro lado, qual é o escritor que não gostaria de ser o escolhido para o Prêmio Nobel de Literatura? Isso sim que é eleição. Em primeiro lugar o reconhecimento público e, em segundo plano, mas não desprezível como se verá, o prêmio em dinheiro que vai ser anunciado quinta-feira pela Academia Sueca, que é de 1 milhão de euros… Ou seja, em tempos de oscilação e ameaças ao dólar, bem mais cômodo, com prováveis oito milhões e setecentos mil reais aproximadamente entrando direto no bolso do infeliz, que passará a ser odiado e invejado, criticado e admirado pelo menos pelos próximos dez anos… Cláudio Magri (Itália), Phillip Roth (Estado Unidos), Amos Oz (Israel), Antonio Tabuchhi (Itália), Cees Nooteboom (Holanda) ou Haruki Murakami (Japão) são alguns dos candidatos nesta maratona, uma fórmula 1 em que não entramos com nenhum Felipe Massa, um campeonato sem Ronaldinho Gaúcho nenhum.

Um comentário para “OS PREMIADOS…”

  1. admin disse:

    Prezado Galvani
    Meu nome é Outubrino, daí que estou satisfeito neste mês de outubro, embora esteja chegando meu inferno astral…
    Votarei e votarei bem. De preferência vou escolher o vereador o caminho, pois para prefeito já sei como farei aqui em Porto Alegre.
    E você? Já votou?
    Sempre é bom perguntar, até para estabelecer um diálogo amigo e tranqüilo.
    O fundamental é votar, nem que seja errando, pois de erros estamos até o pescoço, não é mesmo?
    Acertaremos desta vez.
    Tenho certeza.
    Desculpe o nervosismo.
    Quando ao Prêmio Nobel, vai dar o Phillip Roth. Há tempos noto que a imprensa está em campanha e última tropeçada da bolsa americana, afinal ajudou seus intelectuais que devem ser, creio eu, acima de tudo contra esta jogatina oficializada…
    Um abraço
    Outubrino

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