Voltaram os anos sessenta?…

Walter Galvani

 

De repente, voltaram as cenas de desacordo, contestação, greve e violência de parte a parte, como se vivêssemos outra vez os anos sessenta no Brasil. As coisas mudam, as pessoas se transformam, o país progride? A resposta prática à estas perguntas é dada pelas fotografias e textos de jornais, transmissões de rádio e televisão e, como acréscimo moderno, comentários nos “blogs” e “sites” através da Internet.

Em verdade os conflitos não foram resolvidos, apenas adiados, empurrados com a barriga lá no tempo em que o país vivia uma ditadura militar, ou a ditadura não conseguiu solucionar nada e apenas as crises se transformaram em questões permanentes, adormecidas por uma falsa prosperidade? Se é isso que ocorreu, preparem-se porque o “crash” das Bolsas, mundializado pela globalização da economia, ainda terá desdobramentos que chegarão rapidamente na esteira dos custos do combustível e dos alimentos, e tudo o mais, na seqüência aparentemente inevitável.

Acresça-se, ao coquetel explosivo, eleições em toda a parte, segundo turno nas maiores cidades e nas capitais estaduais, divergências aguçadas pela competição pelo poder e, mais de longe, pela ideologia, uma palavra quase extinta, pelo desuso, no Brasil…

Ninguém foge à falta de recursos que minguaram e que estão mais caros. Promessas precisam ser revistas, bem como orçamentos. “Dinheiro novo”? Sim, mas com um detalhe que os bancos chamam de “reclassificação de riscos”. Se você não sabe o que isso quer dizer, trate de aprender porque vai formigar no seu bolso.

E pensem então, (quem tem memória, quem viveu a época), o que foram os anos sessenta e retire a repressão militar organizada do período e preparem seus corações. E mentes.

Movimentos sociais costumam irromper quando se torna oportuno. Greves, carros de som, passeatas, se for dentro das regras de convivência e legalidade, são toleráveis. Mas, com a falta de educação generalizada, fica difícil imaginar movimentações elegantes, sem violência, apenas com debates verbais. O mundo não é esse, o país em que vivemos, infelizmente, não é este país ideal de convicções políticas e procedimentos pautados por regras de chá das cinco. Mas, pelo menos por enquanto, por aqui não se mata ninguém que corre para não perder o trem…

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