PELA LUZ DE UM SEMÁFORO…

FEIRA E ESTRADA
 
Walter Galvani
 
Todo mundo sabe que a Feira do Livro de Porto Alegre, desde sexta-feira em sua 54a. edição, é a mãe de todas as feiras do Rio Grande do Sul e, geralmente é apontada como a maior a céu aberto da América Latina. Assim sendo e tendo crescido desde 1955, foi se distinguindo por um decidido combate à chuva, característica deste período do ano e acabou vencendo, sem dobrar-se, através do uso de inteligente cobertura para maioria dos locais e agora já para todos os sítios envolvidos no belo espaço da Praça da Alfândega.
Isso quer dizer que não haverá nem a tranqüilidade típica de fim-de-semana para as estradas que ligam a capital com o interior do estado. A BR 116, o mais antigo caminho calçado, depois asfaltado, duplicado e ampliado, que atravessa a Região Metropolitana e prossegue integrando populações e alcançando a divisa com Santa Catarina, saturada como se pode observar em qualquer dia de trabalho, não vai ter refresco.
Cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio e Canoas sabem muito bem disso.
Quem não sabe é o governo federal que administra esta estrada e que continua relutando em começar logo a construção da Rodovia do Parque e outras alternativas previstas, pois alega falta de recursos. Esta falta de dinheiro vai se tornar mais clara agora com a crise financeira internacional, pois é sabido que alguns diretores financeiros, que se pensavam mais espertos do que os outros, andaram aplicando o dinheiro de suas companhias na ilusão do lucro fácil. Quebraram e quebraram as suas companhias. Alguns deles quebraram a cara também e como em 1929, estamos ainda na expectativa de que confessem publicamente seus erros, para não deixarem seus maus exemplos.
O que não se admite, no entanto, é que o tal governo federal leve uma semana ou mais para consertar uma sinaleira. É inacreditável. Um acidente ocorrido há uma semana, ainda sete dias depois atrapalhava a vida dos usuários da BR pois não havia sido ainda resolvido o problema de uma infeliz sinaleira que deveria facilitar a vida dos milhares de alunos da Unisinos que moram em cidades ao longo da tal estrada.
É assim que os governos costumam lidar com os usuários: lixem-se.
Em tempo de Feira do Livro, quando milhares de condutores dela se utilizarão também, imaginem o quanto seria adequado que lhes fosse dedicada maior atenção.
Mas, não há este carinho extra.
Aliás, o que de melhor poderiam criar era uma Brigada permanente de atendimento ao trânsito nesta rodovia, como nos países mais adiantados do mundo. Qualquer batidazinha, atualmente, engarrafa em segundos a estrada e provoca novos acidentes.
Infelizmente, é como tratam os cidadãos no Brasil, principalmente quando não há eleições à vista, nem pesquisas de preferências de voto…
Crônica publicada no ABC Domingo, semanário do Grupo Editorial Sinos

 

 

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