Certamente foi em Canoas que despertou o meu prazer de ler jornal, renovado todos os dias e que não se abala nem sequer com a quantidade de notícias negativas que, infelizmente, é preciso veicular. Sempre sobra um espaço para as coisas boas e assim vai se temperando a vida dos leitores, pelo menos lutando para oferecer um texto mais legível e generoso em meio às barbaridades de sempre. É esta busca do melhor que faz com que eu não perca a perspectiva e me liga com os velhos tempos em que meu pai, meu iniciador na leitura diária dos jornais, aqui mesmo em Canoas, me dava para ver o que o “Correio do Povo”, aquele velho jornal em formato standard, trazia. Era o seu exemplar de assinatura e ele não permitia que eu metesse a tesoura antes dele, pois o seu hábito, que também me transmitiu era exatamente o de selecionar o que lhe dava prazer e guardar para ler depois ou nunca mais, para acumular numa gaveta entre os seus tesouros, num móvel feito por ele, e que se estendia para abrigar sua pequena mas indiscutível biblioteca de preciosidades.
Escrever este livro para a Editora da Unisinos, a convite do editor Carlos Gianotti, foi também um grande prazer, pois foi a melhor oportunidade para mergulhar nas minhas próprias reservas e percorrer os “guardados”, mexer em papéis, amarelecidos alguns, outros estalando de novos e tentar compor a travessia de vinte e dois séculos entre a Acta Diurna e os blogues e sites que pontuam nossos dias.
Exatamente hoje vou falar sobre isso a partir das 15h30min no Centro Cultural Erico Veríssimo da CEEE e a partir das 18h30min autografar para os possíveis amigos que forem à Feira do Livro de Porto Alegre e prometem não me deixar sozinho. Será meu 12° livro, sendo este, tema da profissão que escolhi e na qual estreei em agosto de 1954, aqui mesmo nesta cidade e onde ainda me mantenho, inclusive com esta participação aqui no Diário de Canoas. E o título escolhido é esse mesmo: “O Prazer de Ler Jornal – Da Acta Diurna ao Blog”. Então, quero que saibam que mantenho o inexcedível “prazer de ler jornal” com a mesma dedicação com que um nadador sobe à superfície para respirar. É assim que se sobrevive, sem receio de afundar.
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O prazer de ler jornal
7 de fevereiro de 2009
O jornalista Jaime Cimenti escreveu no Jornal do Comércio de sexta-feira, dia 6 de janeiro de 2009, sobre livro que publiquei, lançado na última Feira do Livro de Porto Alegre. Eis o seu texto:
“Nesses tempos em que tantas vezes o shownalismo , com suas piruetas, fogos de artifício, sensacionalismos e outras tretas toma o lugar do bom e velho jornalismo, é muito bom ler um livro como O prazer de ler jornal, do querido, experiente e premiado jornalista e escritor Walter Galvani. Além de nos ensinar, divertir e informar sobre os jornais através da historia, desde a Roma antiga até os meios eletrônicos do nosso século, Galvani, um ícone do jornalismo brasileiro, um homem de imprensa do tempo em que jornalista, em geral, não era notícia, nos presenteia com textos que vão muito além de uma grande declaração de amor à imprensa escrita e à imprensa de um modo geral. Galvani mostra aos leitores o jornalismo visto por dentro, a partir da cozinha, que era como a gente chamava a redação nos tempos do velho Correio do Povo, quando ele trajava elegante formato Standard. Galvani, jornalista há cinquenta e cinco anos, fala com alegria de sua profissão, que considera a melhor de todas. Fala, também, em modernidades eletrônicas e no jornalismo cultural, que veio para ficar e, claro, fala das proveitosas e gostosas relações entre o jornalismo e a literatura, um casamento antigo, mas prazeroso que já deu milhões e milhões de filhos. A democracia, a política, a censura e o futuro dos jornais impressos estão presentes no livro, bem como um toque de saudosismo que não poderia faltar. Ah, o Galvani, que é um leitor altamente voraz, recheou o livro com citações, crônicas, frases e trechos jornalísticos de alto nível e interesse, o que torna a leitura ágil e leve. E a maior parte das citações é de material recente, dando um toque jornalístico para a obra, que, nem precisaria dizer, no fundo é uma homenagem aos leitores de jornal. E não importa se o jornal é impresso, televisionado ou apresentado via Internet. Sintetizando: o livro prega que o essencial é o jornalismo bem feito, com prazer, competência, liberdade, vida e, aí, claro, os leitores vão agradecer pelo prazer matutino, vespertino ou noturno ou 24 horas de ler jornal. O prazer de ler jornal tem 142 páginas, prefácio do professor e pesquisador Pe. Pedro Gilberto Gones, do pós-graduação em Ciência da Comunicação da Unisinos, e foi publicado pela Editora Unisinos.”