CUBA VAI MELHOR DO QUE NÓS?

 

Walter Galvani

 

Sinto muito pelos defensores da livre iniciativa, entre os quais me incluo. Sinto muito pelos defensores do capitalismo, embora, depois dos tais “derivativos”, eles devam ter diminuído bastante… Mas, leiam os números do desenvolvimento cubano e sua comparação com o Brasil e os demais países da América Latina, depois de cinco décadas de revolução e bloqueio por parte dos Estados Unidos, em dados fidedignos, fornecidos pelo Affonso Ritter, um colunista de economia muito justamente estimado por todos e, logicamente, pelos defensores do capitalismo:

“Cuba está hoje em 52º lugar no ranking de desenvolvimento humano da ONU, muito à frente do Brasil e da maioria dos países latino-americanos. Sua taxa de mortalidade infantil é de 5,4 por mil nascidos vivos, menor que a dos EUA. A mortalidade materna é de 32,5 por cada 100 mil e a esperança de vida de 77 anos. Estes alguns indicadores recolhidos naquele país pela comitiva gaúcha de deputados estaduais, autoridades estaduais da saúde e educação, operadores do direito e sindicalistas. A economia cubana cresceu 7,5% em 2007, acima dos 5,6% alcançados pela América Latina e 5% do Brasil. A agropecuária cresceu 24,7%; a indústria, 7,8%; transportes, 7,9%, e serviços, 11,7%. Entre os setores que se destacaram estão o petróleo cru e gás, cuja produção cresceu 2,7%; a geração elétrica, 7%; o transporte de carga, 10,1%; setor de software, 8%; a produção de leite de vaca, 16,8%; a produção de carne,11,7%; a produção pesqueira, 6,9%; a indústria farmacêutica, 21%: e a pecuária, 40,5%. O salário médio ficou em 5,4%, e o desemprego em 1,8%. Em Cuba, a educação e a saúde pública são totalmente gratuitas. Há um médico para cada 100 pessoas. No ensino primário, do pré-escolar ao sexto grau, há um professor para 20 alunos e o estudo é obrigatório até o final do ensino médio. De cada 100 cubanos, 7,5 têm formação superior.

Estive duas vezes em Cuba nestes cinqüenta anos. Vi de tudo: miséria e solidariedade, transporte até por carroças e velozes BMWs e Mercedes. Desemprego e crítica ao governo de Fidel. E sempre muita esperança. Isso é para lembrar que Cuba chega ao Cinqüentenário da sua Revolução no dia l° de janeiro de 2009. E voltem atrás e releiam para saber bem, como chega.

Crônica publicada no Diário de Canoas, neste dia 20 de novembro de 2008

 

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