Crônica publicada no ABC DOMINGO
Não, não estou falando do dia 24 de outubro de 1929, quando a Bolsa de Nova York despencou e arrastou o mundo ocidental, primeiro para a Recessão, depois para a Depressão, nem tampouco falo sobre esta segunda queda gigantesca (a de agosto de 2008) que levou de roldão o sistema financeiro globalizado. Falo apenas da quinta-feira passada, 20 de novembro, que imobilizou a Região Metropolitana durante um dia inteiro, por causa de um acidente ocorrido na parte da manhã.
A precariedade da rede rodoviária que circunda Porto Alegre e dá saída a toda a produção e movimentação da população que habita os municípios de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga, Campo Bom, Dois Irmãos, Morro Reuter, Sapucaia, Esteio, Canoas, e todos os demais, sem falar no acesso ao norte e noroeste do estado, demonstrou com toda a sua clareza.
Ficamos todos parados, percorrendo cinco quilômetros em cerca de uma hora e desistindo dos compromissos, por impossibilidade de cumpri-los.
Enquanto isso, nem sequer as autoridades, nem os concessionários das rodovias, foram capazes de informar, sinalizar ou até obstaculizar o uso das estradas bloqueadas, contribuindo isso sim, com a confusão reinante para o congestionamento geral, arrastando a BR-116 para o mesmo problema.
Não se viu um só agente de trânsito agindo para desestimular os motoristas, fosse no início da Castelo Branco no centro de Porto Alegre, nem sequer no início da av. Farrapos, principais “saídas” da capital e nem ao menos nas proximidades do trevo de acesso à Canoas.
No dia seguinte, como passou a crise com a chegada do final da noite e a madrugada, com a retirada do veículo que tombou no enlace entre as duas rodovias mais utilizadas do estado, nem uma só linha de esclarecimento.
É assim que se trata a comunidade, depois das eleições. Ultrapassada a necessidade de mendigar o voto, esquecem os contribuintes e esperam que nunca mais se repita uma crise semelhante, para não terem de dar explicações. As concessionárias preferiram lembrar que são ecologicamente responsáveis, e até recolhem o lixo ao longo das estradas. Nenhuma palavra sobre o absurdo da quinta-feira negra e nem sequer sobre o fato de não terem feito intervenções mais contundentes.