Arquivo de dezembro de 2008

UM POUCO DE OTIMISMO

domingo, 28 de dezembro de 2008

Pensando no Ano Novo, um pouco de boa vontade não faz mal a ninguém…

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO 

Mais alguns dias, contados nos dedos de uma mão só, e pronto! – estaremos soltando foguetes e fazendo espocar champanhas, comemorando a entrada do Ano Novo. Desde que os humanos instituíram esta contagem dos dias, semanas, meses e anos, este ritual se repete, sempre acompanhado de mensagens otimistas e abraços entusiásticos, acreditando-se que, com isso, se exorcizam os demônios e os tempos melhorem. É tudo o que se precisa neste 2009 que já está aí.

A possibilidade de algum otimismo começa por aqui, pela nossa região, em se falando de Rio Grande do Sul, porque a extensão do Trensurb até Novo Hamburgo, há muito que é um imperativo e, ao mesmo tempo, não passa da conclusão do plano inicial. Desde que assentaram o primeiro trecho de trilho, se sabia que o projeto seria levar a linha até a então apenas “capital do calçado”. (Não é mais, porque a produção industrial deste município cresceu tanto e se diversificou de tal maneira, que hoje este ramo industrial é apenas mais um, embora importante setor de atividade.)

Quem passa hoje pela BR-116 se choca e se deslumbra com o tamanho e o perfil da cidade que parece dizer, do fundo do vale onde majoritariamente se situa, que está na hora de serem tomadas medidas mais abrangentes e decisivas. Sim, isso é Novo Hamburgo hoje, como todas as demais cidades que a circundam, uma esplêndida realidade, espremida entre a falta de visão e planejamento dos governantes estaduais e federais e as dificuldades eventuais de desenvolvimento. Como estas que se vivem agora, na esteira das asperezas mundiais em que nos inserimos.

Uma nova estrada? Claro, só isso realmente afastará o espectro do estrangulamento de trânsito e escoamento das riquezas que por aqui precisam passar por não haver outro caminho e tudo se afoga ali adiante, em Esteio, Canoas e entrada de Porto Alegre. Mas, as providências tem que ser complexas e completas e a extensão da linha do nosso metrô de superfície é uma delas. E urgente.

Pode-se dizer, pois, que com este anúncio de obras, já se pode olhar 2009 com algum otimismo. E que seja esta a mola propulsora de outras e muitas melhorias que deverão surgir.

Walter Galvani

Bolsas, Cuba, Iraque, Franguitos…

domingo, 21 de dezembro de 2008

 

Natal. Feliz Ano Novo. Um ótimo fim de ano. Terá um pouco de cinismo debaixo dos pinheirinhos (falsos) e sob as luzes (pisca-pisca) e diante do presépio, onde só os bichos falam? Os Reis Magos estão calados, uma vez que no Oriente Médio, sua região de origem, os povos não se entendem há dois mil e tantos anos. Os burrinhos, coitados, apanham todos os dias na ponte sobre o Guaíba, onde os seus proprietários carroceiros, são atropelados pelo trânsito maluco dos mal-educados que pisam fundo nos aceleradores dos seus automóveis e gritam palavrões da janela. Os camelos, além de atração turística, continuam servindo de “navios do deserto” enquanto pisoteiam em rios de petróleo que garantem o luxo inimaginável dos sultões e seus sucessores. E as vaquinhas, bem as vaquinhas continuam produzindo o leite nosso de cada dia que precisamos comprar com o resultado dos nossos empregos. Enquanto os temos…

Duvido que alguém consiga cantar esta semana, mais propriamente na quarta-feira próxima, na famosa ceia de véspera de Natal, o “Noite Feliz”, inventado por um pobre pároco de aldeia na Europa do século dezenove, quando a maioria dos problemas locais eram resolvidos com a exportação da mão-de-obra excedente para o Brasile outros destinos mais ou menos votados.

Lula diz que vamos “comer franguito” a mais nesta semana. Tomara… Enquanto isso a França anuncia oficialmente que entrará em recessão no primeiro dia do novo ano. O Japão, crescimento zero em 2009.

Barack Obama assume a primeira economia do mundo, devidamente falida e com o compromisso de acabar com a ocupação do Iraque, forjada pelas mentiras do seu antecessor, com o isolamento de Cuba que é apenas uma questão propagandística, que visava impedir a consolidação de uma economia socialista e atulhar de dinheiro seu país, abrindo as arcas do tesouro nacional, para que o dinheiro faça a volta e retorne em impostos, que novamente se transformariam em investimentos e assim por diante… Complicado? Estou da mão para a boca… neste final feliz de 2008…

 

Crônica publicada hoje no jornal ABC DOMINGO

Medo não resolve

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

 

 

Todo mundo sabe que teremos pela proa inflação (alguma) e desemprego (muito) em 2009. Como não há mais dúvidas sobre isso, é preciso se fixar nos outros indicativos que nos recomendam a velha receita da “cautela e caldo de galinha” que não fazem mal a ninguém. Sabe-se que a crise mundial já desempregou meio milhão de pessoas pelo mundo todo. Vai desempregar mais. Uma pesquisa feita pelo instituto IBOPE, que não é estatal como pensam alguns desavisados e faz levantamentos também por entidades particulares como ele, aponta para Inflação e Desemprego como os grandes fantasmas do próximo ano. Em matéria de aprovação pessoal, Lula chegou aos 84%, o que, entre outras coisas quer dizer que é melhor ficar firme com quem se conhece do que sair por aí a tentar soluções novas.

O esclarecido presidente da Federasul, José Paulo Cairoli, avisou no almoço de encerramento do ano da entidade, esta semana, que o déficit zero do orçamento do estado é “um efeito conjuntural, não sustentável” e que a safra agrícola será inferior ao ano passado. E cresceremos menos que o país no ano que vem.

O prof. Eugênio Hackbarth, a pessoa que mais entende de Tempo, no estado, já avisou que a seca que aí está permanece, o que assusta quem produz. Então estamos diante de desafios sérios e só a criatividade pode nos salvar.

O prefeito eleito desta cidade, Jairo Jorge, terá uma conjuntura bem mais difícil que pudesse ele próprio imaginar, antes da eleição, mas talvez conheça melhor os números deste desastre administrativo que qualquer um de nós.

Dia desses encontrei-o colocando as barbas de molho, metaforicamente, pois não será fácil liderar um município com a maioria da população constituída de operários e trabalhadores dos mais diversos setores, com uma larga área industrial que pode ser afetada pela crise internacional (e em parte já o foi) e com um índice de violência acima do tolerável.

Estamos todos dispostos a ajudá-lo e por isso até faço um apelo aos que em algum momento dele discordaram para que se coloquem à sua disposição. Há um interesse maior que se chama Canoas. Quero ver o que ele vai mandar escrever nos painéis eletrônicos luminosos da BR-116, esta estrada saturada e cheia de problemas que escapam ao controle da prefeitura da cidade!

 

SEM ABALOS

domingo, 7 de dezembro de 2008

 

(Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO)

Foi no governo Itamar, lembram, aquele ingênuo que acabou fotografado no carnaval carioca com uma modelo sem calcinha… Depois disso, popularizou-se de tal maneira a abolição daquela vestimenta íntima, que ninguém mais estranharia… Aliás, viramos deboche. Lula simplificou o uso da língua portuguesa, abolindo muito antes do novo acordo que vigora a partir do mês que vem, além do trema, também os “esses” que ele julga desnecessários no final das palavras, para ser compreendido pelo povão…

Ainda bem que o Real, criado justamente no governo Itamar, resistiu a todos aqueles anos de sociologia do Prof. Fernando Henrique e populismo do Sr. Lula e as idas e vindas da Bolsa que caiu e subiu. Parece, pelo menos, que segue sem abalos. Espero não ser desmentido pelas tropelias oficiais e extra-oficiais.

Vejam : antes de 1942 e desde os tempos do império convivíamos com a moeda do “réis” que era o plural do Real trazido pelos colonizadores. Tanta foi a desvalorização que ele acabou tratado em milhares… Havia também “um conto de réis”, sabem lá o que era isso? Em 1942, Getúlio Vargas introduziu o Cruzeiro, uma bela homenagem ao Cruzeiro do Sul que figura em nossa bandeira, em nosso céu e em nosso pensamento. Durou até 1967, quando virou “Cruzeiro Novo”. Em 1970, três anos depois, voltou a se chamar Cruzeiro. Em 1986, numa inesperada homenagem aos cavaleiros cristãos que atacaram os maometanos e tentaram a conquista e a preservação dos lugares sagrados do Oriente Médio, passou-se ao Cruzado. Durou pouco a investida cristã. Em 1989, nosso dinheiro virou Cruzado Novo e um ano depois voltou a ser Cruzeiro. Mais três anos e apareceu o “Cruzeiro Real”, como que dando um toque de realidade ao dinheiro que se esvaía outra vez… E em 1994, Itamar Franco, o presidente que quis ressuscitar o Fusca e usava uma franjinha nos cabelos, voltou ao Real. Para valer. Quem diria, com franja, fusca e calcinha, é o Real o que mais durou na Casa da Moeda do Brasil e nos mercados internacionais. Temos já 14 anos de casamento com esta moeda que nos fez acreditar outra vez na solidez das finanças. Tomara que ela siga em frente por anos e anos, sem abalos. Oremos.

Walter Galvani

 

COMO SERÁ 2009?

domingo, 7 de dezembro de 2008

(Crônica publicada no “Diário Popular” de Pelotas)

 

Já temos uma idéia de como será 2009, cujo início está no umbral de nossa porta, daqui a pouco mais de vinte dias. Teremos que gastar o que temos, economizar o que der, trabalhar mais do que em 2008 e nada de exageros. Não deveremos deixar de gastar e investir, ou seja, seguir o sábio conselho do rude Lula que “sem querer, querendo” acertou mais uma vez na medida, tanto que encerra o ano com 70 por cento de aprovação. Nada é por acaso, como diria outro sábio, Paulo Coelho, o homem dos 100 milhões de exemplares vendidos que, acertando em cheio no gosto popular, tornou-se sucesso em vida. Nem esperando para outras gerações apreciarem seus livros, poderia se beneficiar de tamanha popularidade. Começando que, fazendo as contas de apenas dez por cento de direitos autorais, como todos os autores mortais negociam com suas editoras, e imaginando que os livros de Paulo Coelho custem, em média, 30 reais no balcão, aí teríamos então já uns 300 milhões de reais amealhados pelo escritor.

Mas, nem todo mundo se chama Paulo Coelho. Vamos, pois, nos comportar nesse ano que vem, como as montadoras de automóveis que, sem compradores, terão de demitir funcionários e, começar com férias coletivas.

O cardápio está traçado: no Natal, lembrancinhas, que ninguém vai deixar de nos querer bem se na hora de trocar presentes, seja no lar, seja no “amigo secreto” da firma, dermos livros, cds, sabonetes, nada que ultrapasse os limites da conveniência e da boa economia. Vamos nos comportar assim como se fôssemos cubanos, pressionados pelo bloqueio americano durante cinqüenta anos ou quase isso.

Então, devidamente preparados para enfrentar as dificuldades, pisaremos no Ano Novo dispostos a gastar apenas o que ganhamos, menos vinte por cento que é o que guardaremos como economia, pois 2010 pode ser pior. Não, não me tomem por Cassandra, também quero que tudo melhore, mas desde meados de setembro que eu vinha dizendo que seria preciso ter cuidado, pois num mundo globalizado, qualquer  “marola” pode virar tsunami… E agora “jingle bells”, mas devagarzinho.