(Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO)
Foi no governo Itamar, lembram, aquele ingênuo que acabou fotografado no carnaval carioca com uma modelo sem calcinha… Depois disso, popularizou-se de tal maneira a abolição daquela vestimenta íntima, que ninguém mais estranharia… Aliás, viramos deboche. Lula simplificou o uso da língua portuguesa, abolindo muito antes do novo acordo que vigora a partir do mês que vem, além do trema, também os “esses” que ele julga desnecessários no final das palavras, para ser compreendido pelo povão…
Ainda bem que o Real, criado justamente no governo Itamar, resistiu a todos aqueles anos de sociologia do Prof. Fernando Henrique e populismo do Sr. Lula e as idas e vindas da Bolsa que caiu e subiu. Parece, pelo menos, que segue sem abalos. Espero não ser desmentido pelas tropelias oficiais e extra-oficiais.
Vejam só: antes de 1942 e desde os tempos do império convivíamos com a moeda do “réis” que era o plural do Real trazido pelos colonizadores. Tanta foi a desvalorização que ele acabou tratado em milhares… Havia também “um conto de réis”, sabem lá o que era isso? Em 1942, Getúlio Vargas introduziu o Cruzeiro, uma bela homenagem ao Cruzeiro do Sul que figura em nossa bandeira, em nosso céu e em nosso pensamento. Durou até 1967, quando virou “Cruzeiro Novo”. Em 1970, três anos depois, voltou a se chamar Cruzeiro. Em 1986, numa inesperada homenagem aos cavaleiros cristãos que atacaram os maometanos e tentaram a conquista e a preservação dos lugares sagrados do Oriente Médio, passou-se ao Cruzado. Durou pouco a investida cristã. Em 1989, nosso dinheiro virou Cruzado Novo e um ano depois voltou a ser Cruzeiro. Mais três anos e apareceu o “Cruzeiro Real”, como que dando um toque de realidade ao dinheiro que se esvaía outra vez… E em 1994, Itamar Franco, o presidente que quis ressuscitar o Fusca e usava uma franjinha nos cabelos, voltou ao Real. Para valer. Quem diria, com franja, fusca e calcinha, é o Real o que mais durou na Casa da Moeda do Brasil e nos mercados internacionais. Temos já 14 anos de casamento com esta moeda que nos fez acreditar outra vez na solidez das finanças. Tomara que ela siga em frente por anos e anos, sem abalos. Oremos.
Walter Galvani
Olá Galvani, tudo bom? Passei para dar uma espiadinha (não, não quero ser o Bial, eheheheh) no teu blog. E por falar em espiadinha, olhando teu arquivo de fotos percebi que a intimidade com o computador é grande. Mas senti falta de alguma foto na saudosa máquina de escrever. Ou podias colocar, em ordem cronológica, imagens desde os áureos tempos das redações em que imperava a fumaça dos cigarros sobre as idéias dos colegas. Um forte abraço!!!