Arquivo de janeiro de 2009

Vingança, água ou espaço ?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Questão religiosa ou racial? As duas coisas juntas ou cobiça? Inveja ou ambição? Ódio ou incompreensão? Vingança ou medo? Carência de água ou espaço?

Episódio lamentável que colhe o principal protetor do estado de Israel, o presidente Bush, agora em apenas dois dias de mandato e Barack Obama, “a esperança do mundo”, ainda não tendo assumido. O inominável ataque às instalações da ONU feito pelas forças armadas de Israel, ainda precisa ser apreciado devidamente, eis que as alegações dos israelenses são de que dali partiram atos de agressão. Tudo é possível, e como esta não é a primeira guerra que vivencio, e comigo todos os que atravessaram a segunda metade do século XX, e este começo de XXI, posso comentar que “em tempo de guerra, mentira na terra”…

Recuso-me a acreditar que qualquer povo se alimente deste ódio racial, ou desta disputa nacionalista, mas também não posso duvidar. Afinal de contas, incendiar recursos enviados de todo o mundo para minorar o drama do povo da Faixa de Gaza, não é muito diferente de que manter um bloqueio econômico de cinquenta anos para impedir o sucesso de uma opção política e ideológica, como é o caso dos Estados Unidos com a república de Cuba.

Assim sendo, as próximas horas talvez nos tragam algum esclarecimento ou mais bombas, inclusive “de fósforo”, por que a esta altura nem interessa que sejam armas proibidas ou condenadas. No fundo, todas estas ações são condenadas pela ética e pela idéia de paz e convivência entre os povos e pela própria idéia de uma Organização de Nações Unidas, mas também esta foi atacada.

Depois disso, o que dizer? Que os loucos do trânsito talvez estejam apenas copiando o comportamento das nações, dizendo-se impropérios e usando o carro como arma, ou cometendo excessos. Nas curvas da estrada já ficaram muitas vidas, nos incidentes de trânsito muitos mortos, e como na guerra entre Israel e os palestinos, a Verdade é a primeira vítima. A mesma verdade e a razão e que morrem diariamente em nosso país.

Crônica publicada no jornal ABC Domingo e também no Diário Popular, de Pelotas.

EXTREMISMO RELIGIOSO

domingo, 11 de janeiro de 2009

 

 

Intolerância e extremismo, não são sinônimos, mas são filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Quando nascem, além de tudo, como fruto de posições ideológicas, sejam elas políticas ou religiosas, mais se assemelham e se tornam intoleráveis para a civilização, a convivência, a vida em comum. Representam, junto com os conceitos de racismo, violência, intimidação, prepotência, agressão, os indicadores mais garantidos para a guerra, a morte, a destruição.

Por princípio, sou tolerante, tanto que aceito católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, seja lá o que for. Não pergunto aos novos amigos que faço, se professam esta ou aquela religião, até porque isso não me diz respeito, sendo eu desligado de qualquer uma delas.

Tolero, verbo derivado do substantivo tolerância, qualquer pensamento ou atitude.

Mas, não posso concordar com a agressão aos direitos alheios, inclusive com o uso de armas de destruição em massa, de ataque indiscriminado que atinge populações inteiras, sem distinção de idade, profissão, atividade ou posição política.

Hamas ou Israel? Palestinos ou israelenses? Habitantes de Gaza ou do estado israelense? Não tenho nenhum motivo para tomar partido, mas não posso, e este é um direito que me assiste, ouvir falar nessa gente que, em pleno 2009 se combate com armas mortíferas buscando a aniquilação do “inimigo”.

Por qualquer razão, e elas devem estar no subsolo, tanto da razão quanto do próprio território geológico, estes povos se digladiam há centenas de anos.

Os motivos religiosos, aparentes ou não, como já o houve na própria Europa que hoje se considera acima do bem e do mal, estão presentes na motivação que leva estes crentes ao extremo. E nos extremos está o mal, como diria um religioso de hábitos e pensamentos pelo menos aceitáveis. Convenhamos, a “Noite de São Bartolomeu” está distante nos tempos…

Vamos raciocinar, se isto for possível a essa gente embebida por profissões de fé religiosas, que acha que “os outros” estão errados, envenenados que estão pelo extremismo e pela intolerância. Não existe nada mais condenável, mais execrado pelos espíritos superiores do que estas manifestações deploráveis de cegueira, ódio e incapacidade de aceitar o outro, como uma pessoa, com seus princípios, erros e acertos.

 

Convivendo com o hífen

domingo, 4 de janeiro de 2009

Walter Galvani

 

 

Durante muitos anos, enfrentamos a crase, protegidos por uma frase consoladora: “A crase não foi feita para humilhar ninguém”. Alguns se acostumaram, outros foram deixando, prudentemente, a cargo dos revisores, a dura tarefa de “acertar” na ocasião para usá-la, outros fizeram como a maioria fez com o “maldito” trema: aboliram-na.

Preparem seus corações, estamos iniciando a vida com o novo acordo ortográfico, já se sabe que muitas coisas vão “pegar” e outras, não, que teremos até 2012 para uma adaptação completa, mas é bom começar a exercitar-se desde já, e mais adiante, ver o que sobrou.

E agora, tratemos de estabelecer um bom regime de convivência com o hífen. Será preciso aprender a hifenizar dentro das novas regras. Isso pode parecer um contrassenso, mas não adianta bancar o suprassensível. E será assim aquém-oceano e além-mar, pois o acordo que entra em vigor, veio para unificar a norma escrita da língua portuguesa entre todos os países que a praticam oficialmente: Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste. Com as populações somadas, passando os 240 milhões de habitantes, mais os resultados das emigrações, só a diáspora portuguesa vai além dos dois milhões de indivíduos, consolidamos com segurança a posição de quinta língua mais falada do mundo, perdendo para o espanhol e o inglês no Ocidente e no total, ainda para o mandarim que é a língua predominante na China, a primeira no mundo e o hindi, que predomina na Índia, a segunda, mas estas duas restritas à suas comunidades nacionais. Já prestaram atenção quando joga a seleção do Brasil, em Paris ou Adis Abeba, Londres ou Atenas, sempre tem uma boa torcida verde-amarela. Pois é, são os nossos emigrados e eles também contam nesta soma total que vai fácil, além dos números oficiais.

Todos aboliremos o trema, todos aprenderemos a hifenizar, todos esqueceremos quase todos os acentos diferenciais, enfim, mantendo nossas expressões idiomáticas e nossas diferenças vocabulares, escreveremos do mesmo jeito. Começamos por aqui, pelo ABC DOMINGO. O que nos escapa, a rede salva-vidas nos protege, como aos mais ousados trapezistas.

 

Crônica publicada hoje no ABC DOMINGO