Questão religiosa ou racial? As duas coisas juntas ou cobiça? Inveja ou ambição? Ódio ou incompreensão? Vingança ou medo? Carência de água ou espaço?
Episódio lamentável que colhe o principal protetor do estado de Israel, o presidente Bush, agora em apenas dois dias de mandato e Barack Obama, “a esperança do mundo”, ainda não tendo assumido. O inominável ataque às instalações da ONU feito pelas forças armadas de Israel, ainda precisa ser apreciado devidamente, eis que as alegações dos israelenses são de que dali partiram atos de agressão. Tudo é possível, e como esta não é a primeira guerra que vivencio, e comigo todos os que atravessaram a segunda metade do século XX, e este começo de XXI, posso comentar que “em tempo de guerra, mentira na terra”…
Recuso-me a acreditar que qualquer povo se alimente deste ódio racial, ou desta disputa nacionalista, mas também não posso duvidar. Afinal de contas, incendiar recursos enviados de todo o mundo para minorar o drama do povo da Faixa de Gaza, não é muito diferente de que manter um bloqueio econômico de cinquenta anos para impedir o sucesso de uma opção política e ideológica, como é o caso dos Estados Unidos com a república de Cuba.
Assim sendo, as próximas horas talvez nos tragam algum esclarecimento ou mais bombas, inclusive “de fósforo”, por que a esta altura nem interessa que sejam armas proibidas ou condenadas. No fundo, todas estas ações são condenadas pela ética e pela idéia de paz e convivência entre os povos e pela própria idéia de uma Organização de Nações Unidas, mas também esta foi atacada.
Depois disso, o que dizer? Que os loucos do trânsito talvez estejam apenas copiando o comportamento das nações, dizendo-se impropérios e usando o carro como arma, ou cometendo excessos. Nas curvas da estrada já ficaram muitas vidas, nos incidentes de trânsito muitos mortos, e como na guerra entre Israel e os palestinos, a Verdade é a primeira vítima. A mesma verdade e a razão e que morrem diariamente em nosso país.
Crônica publicada no jornal ABC Domingo e também no Diário Popular, de Pelotas.