Arquivo de fevereiro de 2009

BR 116, A SOLUÇÃO QUE NUNCA CHEGA

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O TRECHO DE TODOS E DE NINGUÉM

Walter Galvani

Se uma pessoa de outro estado ou país se deslocar de Novo Hamburgo a Porto Alegre ou vice-versa e não atentar para os cartazes, ou não conhecendo nosso idioma não estiver acompanhada de um tradutor, não perceberá que está atravessando sucessivamente cinco municípios diferentes. Simplesmente, esta pessoa, motorista ou passageiro de algum veículo, imaginará que se trata, talvez da mesma e grande unidade política e administrativa, que se caracteriza unicamente pelo caos e pelo perigo. É o que a mesma rodovia oferece para todos os seus usuários ou transeuntes. É preciso que lhe expliquem que está no trecho mais movimentado (ou o segundo classificado) em todo o país. E que a educação não é o distintivo dos habitantes deste país. Muito menos ao volante.

Só com estes esclarecimentos o nosso visitante se dará por satisfeito com o clima, com os palavrões, com os riscos de batidas e engavetamentos e com as buzinadas e pedidos de ultrapassagem nos locais e momentos mais inconvenientes.

A diminuição de produção que as montadoras fabricantes de automóveis estão oferecendo como uma das saídas para a crise, até poderá ajudar governantes e governados destes povos das cinco cidades que se encarreiram na BR-116 e que serve de artéria importante desde que se apresentou como a primeira ligação pavimentada entre Porto Alegre e esta região, antigamente de lazer e descanso, hoje febricitante área industrial.

Penso que qualquer prefeito que se ativer a personalizar o seu trecho, estará contando inesperados pontos de apoio dentro e fora do seu município. Dia desses, pesquisando em material jornalístico dos últimos cinquenta anos, descobri que um deles chegou a pensar em arborizar o seu pedaço, coisa que, aliás, nunca foi concretizada. Por que não, ainda não consegui descobrir, mas é bem possível que os militares, que dominaram o país de 1964 a 1985, tenham proibido fazê-lo, como aliás procederam com relação a “free-way” onde era não era permitido parar e até abastecer-se de gasolina, o que continua sendo, a não ser por dois ou três desvios que foram “autorizados” mais recentemente.

Crônica publicada no jornal ABC DOMINGO

O prazer de ler jornal

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O jornalista Jaime Cimenti escreveu no Jornal do Comércio de sexta-feira, dia 6 de janeiro de 2009, sobre  livro que publiquei, lançado na última Feira do Livro de Porto Alegre. Eis o seu texto:

 

“Nesses tempos em que tantas vezes o shownalismo , com suas piruetas, fogos de artifício, sensacionalismos e outras tretas toma o lugar do bom e velho jornalismo, é muito bom ler um livro como O prazer de ler jornal, do querido, experiente e premiado jornalista e escritor Walter Galvani. Além de nos ensinar, divertir e informar sobre os jornais através da historia, desde a Roma antiga até os meios eletrônicos do nosso século, Galvani, um ícone do jornalismo brasileiro, um homem de imprensa do tempo em que jornalista, em geral, não era notícia, nos presenteia com textos que vão muito além de uma grande declaração de amor à imprensa escrita e à imprensa de um modo geral. Galvani mostra aos leitores o jornalismo visto por dentro, a partir da cozinha, que era como a gente chamava a redação nos tempos do velho Correio do Povo, quando ele trajava elegante formato Standard. Galvani, jornalista há cinquenta e cinco anos, fala com alegria de sua profissão, que considera a melhor de todas. Fala, também, em modernidades eletrônicas e no jornalismo cultural, que veio para ficar e, claro, fala das proveitosas e gostosas relações entre o jornalismo e a literatura, um casamento antigo, mas prazeroso que já deu milhões e milhões de filhos. A democracia, a política, a censura e o futuro dos jornais impressos estão presentes no livro, bem como um toque de saudosismo que não poderia faltar. Ah, o Galvani, que é um leitor altamente voraz, recheou o livro com citações, crônicas, frases e trechos jornalísticos de alto nível e interesse, o que torna a leitura ágil e leve. E a maior parte das citações é de material recente, dando um toque jornalístico para a obra, que, nem precisaria dizer, no fundo é uma homenagem aos leitores de jornal. E não importa se o jornal é impresso, televisionado ou apresentado via Internet. Sintetizando: o livro prega que o essencial é o jornalismo bem feito, com prazer, competência, liberdade, vida e, aí, claro, os leitores vão agradecer pelo prazer matutino, vespertino ou noturno ou 24 horas de ler jornal. O prazer de ler jornal tem 142 páginas, prefácio do professor e pesquisador Pe. Pedro Gilberto Gones, do pós-graduação em Ciência da Comunicação da Unisinos, e foi publicado pela Editora Unisinos.”

 

ESTAMOS CADA VEZ MAIS DESTRUINDO O PLANETA

domingo, 1 de fevereiro de 2009

NENHUM ANO É IGUAL AO OUTRO

 

Walter Galvani

(Crônica publicada neste final de semana)

 

A sabedoria popular estabelece quase sempre verdades imutáveis que se submetem ao bombardeio de mudanças, hoje em dia quase instantâneas, que desequilibrariam qualquer filósofo de bairro, mas que no entanto persistem. Uma delas é de que, nenhum ano é igual a outro, nenhuma estiagem se parece com a do ano passado, nenhuma chuvarada é semelhante a de anteontem e assim por diante. O que tivemos esta semana, martirizando a região sul do estado, poderemos ter na próxima, dessa vez atingindo o centro ou o norte, ou o estado vizinho, Santa Catarina, que já pediu que não o abandonássemos e continuássemos chegando lá, para as férias.

Está certo, o mar é muito bonito e as águas são mais quentes do que aqui, mas e a BR-101 em obras, dará passagem? E quando quisermos retornar, isso será possível? E já dá para alongar estas perguntas para os próximos anos, pois, na pressa de inaugurar a estrada duplicada, muita coisa pode ficar para trás, isso não será nenhuma novidade aqui no Brasil.

Não foi por acaso que os ricos e inteligentes proprietários rurais do século XIX tentaram emancipar esta província do restante do país! Embora derrotados na Revolução Farroupilha, restou o exemplo de dignidade e combatividade e disposição para a luta que marcam nosso estado.

Desrespeitando, no entanto, a sabedoria popular, entra ano e sai ano e continuam os mesmos problemas por aqui. Ou chuva demais, ou chuva de menos, continua a plantação de espécies exóticas, o que há muitos anos foi denunciado como um risco e de que não faltaram avisos nos anos 2000 e 2001. Estamos agora oito anos mais tarde, cada vez mais enredados na questão.

Quando chove de menos não há agricultura que sobreviva, quando chove demais não há estrada que dê passagem, caem pontes, morrem as pessoas, as ruas ficam inundadas, muitos perdem seus pertences, quando não acabam perdendo a vida, o que é muito mais importante e que não se pode repor.

O que fazemos? O que faremos? E enquanto persiste esta perplexidade, assistimos a demonstrações de relações públicas e declarações com promessas que, qualquer pesquisa comprova, não se completam no futuro próximo ou distante.