NENHUM ANO É IGUAL AO OUTRO
Walter Galvani
(Crônica publicada neste final de semana)
A sabedoria popular estabelece quase sempre verdades imutáveis que se submetem ao bombardeio de mudanças, hoje em dia quase instantâneas, que desequilibrariam qualquer filósofo de bairro, mas que no entanto persistem. Uma delas é de que, nenhum ano é igual a outro, nenhuma estiagem se parece com a do ano passado, nenhuma chuvarada é semelhante a de anteontem e assim por diante. O que tivemos esta semana, martirizando a região sul do estado, poderemos ter na próxima, dessa vez atingindo o centro ou o norte, ou o estado vizinho, Santa Catarina, que já pediu que não o abandonássemos e continuássemos chegando lá, para as férias.
Está certo, o mar é muito bonito e as águas são mais quentes do que aqui, mas e a BR-101 em obras, dará passagem? E quando quisermos retornar, isso será possível? E já dá para alongar estas perguntas para os próximos anos, pois, na pressa de inaugurar a estrada duplicada, muita coisa pode ficar para trás, isso não será nenhuma novidade aqui no Brasil.
Não foi por acaso que os ricos e inteligentes proprietários rurais do século XIX tentaram emancipar esta província do restante do país! Embora derrotados na Revolução Farroupilha, restou o exemplo de dignidade e combatividade e disposição para a luta que marcam nosso estado.
Desrespeitando, no entanto, a sabedoria popular, entra ano e sai ano e continuam os mesmos problemas por aqui. Ou chuva demais, ou chuva de menos, continua a plantação de espécies exóticas, o que há muitos anos foi denunciado como um risco e de que não faltaram avisos nos anos 2000 e 2001. Estamos agora oito anos mais tarde, cada vez mais enredados na questão.
Quando chove de menos não há agricultura que sobreviva, quando chove demais não há estrada que dê passagem, caem pontes, morrem as pessoas, as ruas ficam inundadas, muitos perdem seus pertences, quando não acabam perdendo a vida, o que é muito mais importante e que não se pode repor.
O que fazemos? O que faremos? E enquanto persiste esta perplexidade, assistimos a demonstrações de relações públicas e declarações com promessas que, qualquer pesquisa comprova, não se completam no futuro próximo ou distante.