Crônica publicada no jornal Diário de Canoas, do Grupo Editorial Sinos
FUMAÇA NA ESTRADA
Walter Galvani
Agora que se sabe que a bosta das vacas é tão ou mais poluente do que o escapamento dos automóveis, agora que se sabe que a fumaça na estrada causa danos irrecuperáveis que significam um mês inteiro de gás metano subindo de aparelhos eletrodomésticos impróprios, agora que se sabe que os automóveis elétricos só estarão disponíveis para a massa de compradores no ano de 2011 e que custarão mais de cem mil reais, portanto beneficiando apenas os compradores de elite, agora que se sabe que Barack Obama talvez não possa assinar o Tratado de Copenhague que comprometeria os Estados Unidos com uma série de medidas para termos o ar mais limpo e que isso talvez só se concretize lá pela metade de 2011, agora que se sabe… enfim agora que se sabe quase tudo instantaneamente, e que, inclusive, não é fácil varrer a poeira dos cérebros e a fumaça das estradas, começo a transformar o meu apêndice nasal num importante instrumento de compreensão do pior que está por vir.
Assim sendo, imagino que está na hora de um basta definitivo aos excessos, aos gastos perdulários, ao luxo, à ostentação, à economia de esforços físicos. Sei que está na hora de evitar tudo o que é supérfluo, mas também sei que é preciso manter funcionando “a máquina do mundo”. Se todos se perturbarem com o aquecimento global, com o derretimento dos grandes icebergs nos pólos, com os gastos com armamentos, com a corrida espacial, com as discussões estéreis ou com as emissões dispensáveis, já teremos feito alguma coisa.
E que Deus tire do aperto o pobre Barack Obama que, deveria ter desconfiado que estavam elegendo o primeiro negro para governar os Estados Unidos, lá onde seus irmãos de raça já foram proibidos de viajar no mesmo ônibus com os brancos e isso há menos de cinquenta anos, era alguma coisa parecida com laranja madura na beira da estrada… Ou está verde ou bichada…
Temos uma obrigação como membros do grupo dos seres humanos: propiciar aos nossos descendentes uma qualidade de vida superior a que herdamos. Por isso, rezar é, de manhã cedo agradecer pelo novo dia e trabalhar para criar as melhores condições, evitar a poluição, o gasto inútil, o desgaste de todos. E o nosso próprio.
